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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

5. A guerra-relâmpago



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


5. A guerra-relâmpago

* Blitzkrieg na Holanda, Bélgica e França

No dia em que Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro, Adolf Hitler determinou o início da guerra-relâmpago (blitzkrieg) contra o Reino Unido e a França. Ao mesmo tempo, caças e bombardeiros alemães atacavam as bases aéreas holandesas e belgas.

* A França entra na luta

Em 25 de maio de 1940, a situação da Força Expedicionária Britânica e do 1º Exército Francês era desesperadora. Os alemães haviam ocupado o porto de Boulogne, isolado Calais e os britânicos foram forçados a recuar até o porto de Dunquerque.

* O incrível coronel Doolittle

Os cidadãos japoneses mal podiam acreditar ao ver os aviões norte-americanos sobrevoando Tóquio. Era o primeiro ataque, sob o comando de James Doolittle.

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COMENTÁRIO

Enquanto assistia ao documentário sobre os ataques dos Aliados ao território japonês, fiquei me lembrando do livro "Era dos extremos", do historiador marxista Eric Hobsbawm, na parte que ele fala das mudanças de alvo nas guerras contemporâneas, saindo dos campos de batalha e tendo como foco a destruição e morte das cidades e da população civil. O que pode ser mais bárbaro que isso?

O experimento na cidade de Guernica, na Espanha, em 1937, virou a referência no ataque aéreo às cidades dos países adversários.

O documentário do DVD, do tal Doolittle, aborda essa temática. Os aviões foram a tecnologia humana utilizada para ampliar a escala de morte e destruição de cidades e população civil durante uma guerra.

Dessa nova metodologia de matar - jogar zilhões de toneladas de bombas sobre as cidades e civis -, chegamos ao experimento "Faixa de Gaza" no primeiro quarto do século seguinte à 2ª GM. 

Os palestinos do século XXI, vítimas das decisões imperialistas dos vencedores da guerra mundial entre 1939-45, viviam espremidos na pequena Faixa de Gaza após o roubo de suas terras, cercados pelo exército de Israel, quando foram dizimados pelas bombas dos sionistas no ano de 2025. Ali viviam dois milhões de pessoas... dezenas de milhares foram trucidados pelas bombas e não sobrou nada em pé naquela parte da Palestina.

A estratégia nazista das guerras-relâmpago virou referência na forma de invadir e tomar territórios pela força das bombas. Diplomacia pra quê? Os EUA de Trump estão no presente momento atuando pelo "espaço vital" do Reich que o novo führer quer estabelecer no século XXI.

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A coleção de DVDs sobre a II Guerra Mundial é do ano de 2009, da Abril Coleções. Um vizinho do condomínio iria se desfazer do material e decidi pegá-lo para ver e aprender um pouco mais sobre aquele período da história humana.

William

05/02/26

domingo, 1 de fevereiro de 2026

4. Hitler mostra sua força



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


4. Hitler mostra sua força

* A "guerra estranha" no Ocidente

No início de 1940, a guerra havia arrefecido. Durante o inverno, particularmente intenso, ambos os lados pouco fizeram além de patrulhar, manter os treinamentos e tentar sobreviver ao frio. Esse período ficou conhecido como "guerra estranha".

* As invasões da Dinamarca e Noruega

Em 30 de novembro de 1939, a União Soviética invadia a Finlândia. Josef Stálin queria evitar que os finlandeses permitissem a entrada dos alemães para atacar Leningrado e o vital ponto ártico de Murmansk.

* Os homens que decodificaram o Enigma

Agentes poloneses capturaram uma máquina Enigma e a entregaram aos britânicos que, sob as ordens de Alastair Denninston, quebraram seu código.

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COMENTÁRIO

Ganhei de um vizinho do condomínio uma coleção de DVDs sobre os 70 anos da II Guerra Mundial. A produção é da Abril Coleções, de 2009. São trinta DVDs e só estão faltando dois.

É interessante rever a história do nazifascismo neste momento da história humana com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Ele pretende construir um novo Reich em sua busca de "espaço vital". 

É triste perceber que pouca gente no mundo liga para história ou para qualquer tipo de conhecimento e cultura. Estamos na era do incentivo à ignorância e a idiotice é premiada com milhões de seguidores em redes sociais e rios de dinheiro por views e likes.

No Ocidente, milhões de pessoas - crianças, jovens, adultos e idosos - estão com suas mentes capturadas por bichinhos, dancinhas, bets, pornografia, pastores empresários sofistas, fake news e temas de violência e ódio. 

Os dias de existência das massas são desperdiçados dentro das grades das celas dos celulares, as prisões dos humanos atuais com seus cérebros em desfazimento. Já vivemos em um mundo de zumbis digitais...

Pensei nas big techs de hoje (parceiras de Trump e Netanyahu) ao assistir ao documentário sobre a máquina alemã Enigma, que codificava mensagens e que por um acaso foi descoberta (o imponderável) e isso permitiu aos cientistas britânicos, liderados pelo matemático e cientista da computação Alan Turing, descobrir o segredo daquele sistema de criptografia e surpreender os ataques nazistas. Quem vai parar os algoritmos e as "IAs" dos parceiros do presidente dos EUA?

Vendo os episódios deste DVD, também fiquei pensando sobre a atualidade ao me lembrar do pacto de não agressão feito entre Hitler e Stálin em 23/08/39, permitindo aos nazistas se concentrarem em seus objetivos de ataque naquele momento - França e Inglaterra - e aos soviéticos prepararem o Exército Vermelho para enfrentarem os nazistas quando fossem a bola da vez na expansão nazista em busca de seu "espaço vital" (a invasão ocorreu uns dois anos depois).

O Reich de Trump está na fase megalomaníaca de submeter todo o continente americano, o "quintal do império", e seu "espaço vital" inclui a Groelândia e outros países também. Venezuela, Cuba e Colômbia são alvos a qualquer momento; México e Brasil estão na mira. O Führer do Norte já conta com as maiores tecnologias para neutralizar e manipular seus alvos: as big techs.

As presidências de Brasil e México tentam algum acordo de não agressão com o pseudo-imperador, mas não há garantia alguma. Os dois países não têm exércitos nem armamentos para serem respeitados e não sofrerem agressões e interferências para mudanças de governos, colocando-se governos fantoches submetidos ao Reich do Norte.

Dureza!

William

01/02/26

sábado, 17 de janeiro de 2026

3. O começo



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


3. O começo

* Hitler a caminho da guerra: Áustria e Tchecoslováquia

Ao ser nomeado chanceler da Alemanha, em 30 de janeiro de 1933, Hitler começou a trabalhar nos seus planos de longo prazo. Um deles era "conquistar o território do Leste e germanizá-lo de forma implacável..."

* A blitzkrieg devasta a Polônia

Na tarde de 31 de agosto de 1939, as forças alemãs realizaram os preparativos finais para a invasão da Polônia. Os tanques foram colocados em suas posições de ataque e as tripulações estudavam seus objetivos.

* O homem que projetou o Spitfire

O caça mais famoso da Segunda Guerra Mundial foi concebido pelo inventor R. J. Mitchell. O Spitfire tornou-se onipresente entre as forças britânicas na Batalha da Inglaterra.

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COMENTÁRIO

Com a desculpa de retomar e ou anexar territórios nos quais parte da população falava a língua alemã, Adolf Hitler começou sua expansão rumo ao Leste. A Alemanha e seu Führer retomavam o projeto do "Espaço vital" para o povo alemão.

Depois de invadir e anexar Áustria e Tchecoslováquia, foi a vez da Polônia. A motivação para atacar o país foi uma mentira contada por Hitler: alguns soldados alemães se vestiram com uniformes dos soldados poloneses, invadiram e mataram alguns alemães numa rádio na região da fronteira e essa fake news valeu a invasão da Polônia para se defender...

Pois é, no ano de 2026 do século seguinte ao do Terceiro Reich, o presidente do país mais terrorista do século XX, causador da maioria das guerras pelo mundo, um tal Trump, começou a seguir os passos de Hitler e através de mentiras ou na cara de pau mesmo sequestrou um presidente em país da América do Sul para roubar seu petróleo (inventou que o presidente era narcotraficante) e mira diversos países para invadir e ou anexar aos Estados Unidos.

Considerando o momento atual do mundo e da humanidade, é difícil considerar que no século seguinte (XXII) - em tempos cronológicos do planeta Terra - tenhamos pessoas estudando o século anterior, na época que a sociedade humana era dominada por IAs e por governantes estúpidos, psicopatas e que não encontraram resistência para destruir o mundo ainda na primeira metade do século XXI.

Por fim, ao ver o documentário sobre a busca incessante por aviões que matassem mais nos tempos de guerra, fiquei pensando na tristeza que Alberto Santos Dumont deve ter sentido ao ver sua invenção servindo para matar pessoas em 1932 na chamada "revolução constitucionalista" entre paulistas e as forças do governo de Getúlio Vargas.

William

17/01/26

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2. A tempestade se aproxima



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


2. A tempestade se aproxima 

* A aventura imperialista de Mussolini na Abissínia

Com o governo paralisado por uma greve geral em agosto de 1922, Mussolini ordenou seus seguidores a marchar sobre Roma. Temendo uma guerra civil, o rei da Itália pediu-lhe que formasse um governo. Mussolini assumiu poderes ditatoriais e empenhou-se no objetivo de criar um novo império romano. 

* Ensaio geral: a Guerra Civil Espanhola 

Suas armas e táticas de combate somadas às experiências da Primeira Guerra Mundial serviram de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. 

* O tanque 

A Segunda Guerra Mundial testemunhou o surgimento de enormes tanques, como os lendários Pantera e Rei Tigre alemães, e de tanques leves, como os russos T-34 e os americanos Sherman. Mas qual modelo foi o mais eficaz?

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COMENTÁRIO 

Ao ver o documentário sobre a ascensão de Benito Mussolini na Itália e o avanço do regime fascista nos anos vinte do século XX, é assustadora a semelhança com a atualidade deste primeiro quarto de século XXI. 

Mussolini chegou ao poder, invadiu a Abissínia, no continente africano, e os países da Liga das Nações não fizeram absolutamente nada.

Exatamente o que está acontecendo agora com os arroubos ditatoriais de Donald Trump e a máquina de guerra dos Estados Unidos. 

Trump bombardeou a Venezuela, sequestrou o presidente do país e a ONU não fez absolutamente nada. Agora ele ameaça a Groenlândia e outros países. 

O segundo vídeo da coleção, que aborda a Guerra Civil Espanhola, é uma lição do passado a nós do presente. Enquanto os republicanos pediram apoio para a Grã-Bretanha e a França e receberam um "não", a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini deram armas e soldados aos nacionalistas liderados por Franco.

Nazistas e fascistas derrotaram os republicanos, Franco iniciou seu regime totalitário e ficou provado para a extrema-direita que as democracias eram covardes e nada fariam contra o avanço extremista. 

No último documentário do DVD, é possível ter uma noção do imenso poder dos tanques de guerra. 

Infelizmente, caminhamos para o fim da paz global. 

William 

16/01/26

sábado, 10 de janeiro de 2026

1. A ascensão dos regimes fascistas



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


1. A ascensão dos regimes fascistas

* Sementes do conflito: Hitler chega ao poder

Em janeiro de 1933, o presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler chanceler. Foi o início da ascensão política e militar do futuro Führer do Terceiro Reich, cuja ambição de dominar o mundo não tinha limites.

* O Japão invade a Manchúria e a China

No início do século 20, o Japão era uma potência militar, que havia combatido ao lado dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, disposta a conseguir uma rápida expansão econômica e territorial.

* Os homens que inventaram o radar

A invenção do radar resultou da fascinante corrida tecnológica empreendida pelas grandes potências econômicas nos anos 30. Essa nova tecnologia foi essencial para a defesa aérea britânica durante a Segunda Guerra Mundial.

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COMENTÁRIO

Ao ver o documentário foi possível fazer comparações com o momento atual do mundo neste primeiro quarto de século XXI. Nos episódios do primeiro volume da coleção, vemos o nascimento da Liga das Nações e a sua incapacidade de evitar guerras através do diálogo diplomático.

A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha nos lembra um pouco os estudos que demonstram como as democracias morrem. O partido nazista conseguiu maioria eleitoral no início dos anos trinta e depois Hitler virou o Führer do 3º Reich.

Os Estados Unidos de Donald Trump caminham a passos largos para causar na sociedade humana o que o nazifascismo causou um século atrás. Hitler não foi parado por nenhuma diplomacia da época. 

A extrema-direita vem crescendo eleitoralmente no mundo e seu líder, Trump, inviabilizou organizações internacionais criadas ao final da 2ª GM para buscar entendimentos globais sem novas guerras. A ONU perdeu completamente seu papel neste momento da história. Pensemos nisso.

Sobre a coleção de DVDs 

O resumo acima, constante na caixinha do documentário, sintetiza bem o que se vê nos filmes remasterizados pela Abril Coleções em 2009.

Um vizinho do condomínio perguntou em uma rede social se alguém queria a coleção e resolvi pegá-la para assistir aos DVDs, relembrar o que sei de história e melhorar meus conhecimentos gerais.

A história pode nos ensinar sobre os erros da sociedade humana e nos fazer pensar maneiras de não repetir as tragédias do passado.

William

10/01/26

domingo, 7 de setembro de 2025

31° Grito dos excluídos e excluídas e mobilizações do 7 de setembro

 


Cartazes da militância que participou do Grito dos excluídos e excluídas e do 7 de setembro.


A Praça da Sé foi o local de mais um Grito dos excluídos e excluídas, e o ato começou com a distribuição do café da manhã a centenas de pessoas em situação de rua. 


A partir das 9 horas, lideranças de movimentos populares se revezaram em discursos potentes sobre as questões de moradia, alimentação e direitos básicos da cidadania da população de rua e o descaso e abandono das autoridades governamentais, da cidade de São Paulo e do estado de SP.


A Catedral da Sé fechou suas portas ao Grito dos excluídos e excluídas... essa é a gestão higienista do momento. 


Dança popular de matriz africana no Grito dos excluídos e excluídas.


Viva a África!!! Viva os povos do continente africano! Viva os povos que vivem no Brasil! O povo brasileiro precisa ter seus direitos respeitados!

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ATO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA PRAÇA DA REPÚBLICA

Após o ato na Praça da Sé, saímos em passeata para somar com a mobilização das centrais e partidos e movimentos organizados em defesa da soberania do Brasil, e com pautas centrais como o fim da jornada 6x1, isenção de imposto para quem ganha até 5 mil reais e cobrança de impostos dos mais ricos. E, lógico, punição para os golpistas do 8 de janeiro de 2023. SEM ANISTIA!

Foto feita por Malu.

Encontrei diversos companheiros e companheiras do movimento sindical do qual fiz parte por décadas de lutas. Para fechar o dia de participação nos atos do 7 de setembro, almocei com a turma do Sindicato.

William


Post Scriptum: ao chegar em casa e ver as notícias sobre as mobilizações do segmento de brasileiros vira-latas, apoiadores do crime organizado, o bolsonarismo lesa-pátria e canalha, fiquei estupefato ao ver a que nível chegou essa gente traidora da pátria brasileira: os vendilhões tiveram a coragem de desfilar no dia da Independência do Brasil com bandeiras dos Estados Unidos e de Israel! A de Israel a gente sabe que boa parte é porque esses bolsonaristas são burros e ignorantes, se dizem "cristãos" e desfilam bandeiras de Israel por serem mentecaptos... mas a dos EUA é porque são traidores da pátria mesmo! É duro!

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Instantes (13h13)



Refeição Cultural

A saída pela manhã tinha duas prioridades: meu trote de 2K em percurso com subida e adquirir o remédio para pressão arterial na Farmácia Popular, direito à saúde existente em governos de esquerda como no de Lula e quase extinto nos governos de direita como nos de Bolsonaro, Tarcísio et caterva.

Na farmácia, iria adquirir um medicamento receitado para lavar meus olhos por causa de irritações nas glândulas lacrimais. Ao ouvir o valor do remédio, fiquei estupefato... 185 reais! Francamente... lavo os olhos com sabonete neutro. Sou um privilegiado por ter o recurso para adquirir essa mercadoria, mas o preço disso é um assalto! Vai pro inferno esse capitalismo e essa porra de indústria da "saúde".


Ao voltar para casa, refletia sobre como é bom ainda caminhar e enxergar, o instante é único e não sei do amanhã (a natureza me mudou). Ao namorar as árvores floridas, me emocionei com o ipê branco que resiste fragilmente aos homens do capitalismo. Seu instante é tão único como o meu. Não sabemos do amanhã. 

Não pude resistir àquela potência da natureza. Atravessei a rua, fui ao encontro do ipê. Toquei em seu tronco, agradeci sua existência, sua resistência. Falei com ele. Que ser espetacular aquele ipê branco no meio da barbárie capitalista dos animais humanos!

Me despedi do ipê. Voltei para o concreto de minha moradia. Pensei até em fazer algo único para aproveitar meus olhos, minha existência frágil e instantânea.


A natureza para quem a vê e a percebe nos dá uma humildade incrível ao nos lembrar da finitude de tudo. A florada de um ipê branco tem a duração de horas, horas de uma beleza deslumbrante. Depois são galhos secos e a normalidade do viver cotidiano.

A vida também é assim, pouco mais, pouco menos de existência. Algumas estações do ano não são quase nada para um animal humano se comparadas ao tempo de um outro elemento da natureza, que pode durar centenas ou milhares de anos.

O instante...

William 

05/09/25

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Leitura: Kraken capitalista e destinos da economia mundial - Fábio Antonio de Campos



Refeição Cultural

Artigo: Kraken capitalista e destinos da economia mundial - Fábio Antonio de Campos. Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econômico - CEDE, do Núcleo de História Econômica - NIHE do IE/UNICAMP e do Instituto de Estudos Contemporâneos Brasileiros - IBEC

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 09/08/25)

Aula IV (tarde) - Mundialização do capital e a crise estrutural do capital

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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- O autor começa explicando o que seria Kraken, monstro conhecido na cultura medieval: 

"Inspirado nos escritos gregos de 2500 anos atrás de Homero, quando em A Odisseia, o poeta mostra a criatura Cila como um animal de seis cabeças, Kraken é uma versão medieval e de origem escandinava para alertar os navegadores sobre os perigos de um monstro que vive no mar. Além de devorar a fauna marítima, seus tentáculos gigantes são capazes de esmagar barcos, colocando em risco a sobrevivência humana nos oceanos" (p. 92)

- O Kraken capitalista, o capital financeiro e seus tentáculos, "além de parasitar o excedente gerado pela exploração da força de trabalho e da natureza, fazem naufragar os horizontes do futuro da humanidade" (p. 93)

- Esse ser destruidor, o capital financeiro: "A força deste ser oligárquico que comanda as dimensões industriais, comerciais, agrominerais, computacionais e militares do capital, se revela na conjuntura da economia mundial pelas redes de poder financeiro que, ao socializarem a produção capitalista em um patamar inédito, se apropriam privadamente dos frutos desta valorização" (p. 93)

- Na lista acima de concentração do poder financeiro oligárquico, eu incluiria a dimensão das comunicações, são tudo os mesmos donos

- O autor fará uma análise da questão do Kraken capitalista sob três dimensões: conjuntura, estrutura e superestrutura

CONJUNTURA

- O comércio mundial cresce menos; cada dia menos corporações dominam todos os mercados; os CEOs das corporações exercem poderes em várias delas; com mercados em baixa, sobram oportunidades para os cassinos financeiros; só uns poucos recebem as informações privilegiadas sobre tudo no sistema

- "Em estudo recente (PHILLIPS, 2024), as 10 maiores empresas de gestão de ativos no mundo, com US$ 50 trilhões em 2022 (quase 50% do PIB do planeta), apresentam 117 indivíduos que, como diretores em posições cruzadas, atuam nos conselhos executivos combinando estratégias oligopolistas." (p. 95)

- Os tentáculos do monstro... "É possível vislumbrar tal poder na imagem recente da posse presidencial de Trump, quando os principais membros das big techs estavam ao seu lado, pagando milionárias contribuições para sua campanha. A GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) são abastecidas por participação acionária destes 10 Titãs do capital financeiro, assim como na big pharma, e em outros conglomerados." (p. 96)

- "Em síntese, o que estes dados mostram é que há na economia mundial um aumento do endividamento de corporações, famílias e governos, em que o capital excedente assume majoritariamente a forma fictícia. Decisões de gasto, investimento, crédito, gestão financeira, têm como eixo a preservação e a valorização da riqueza abstrata (monetária), o que relativiza o gasto e acumulação na dimensão produtiva do capital." (p. 96)

- Em consequência desse Kraken capitalista, cada vez menos os governos nacionais conseguem implementar políticas econômicas autônomas e independentes desses capitais piratas

- O autor, prof. Fábio Campos, faz uma boa síntese das questões colocadas em relação à emergência climática

- A China capitalista... "A China está promovendo uma reconfiguração econômica, política e social em escala global. Em suma, diferentemente das economias periféricas, e inclusive da Europa Ocidental, e economia chinesa preservou sua autonomia estratégia e institucional mesmo estando inserida na ordem global, que agora busca remodelar em seu favor. Como afirma Bürbaumer (2024), a China ao tornar-se capitalista minou a 'Globalização'." (p. 101)

- O que temos pela frente na disputa de hegemonia global? "Guerra comercial tende a tornar-se militar, quando uma dimensão do capital financeiro, a economia de guerra se apresenta como um meio de valorização em si mesmo, ao mesmo tempo que define um fim, um alvo a ser atingido, como ensinou Rosa Luxemburgo (1985)." (p. 102)

- Como estamos de ogivas nucleares no mundo, atualmente? Estamos bem!!! Podemos destruir a vida na Terra dezenas de vezes...

"Os países com os maiores arsenais nucleares no mundo são liderados pela Rússia, com aproximadamente 6.375 ogivas nucleares, seguida pelos Estados Unidos, com cerca de 5.800 ogivas. A China ocupa o terceiro lugar, com cerca de 500 ogivas, enquanto a França possui cerca de 290 ogivas nucleares. O Reino Unido possui aproximadamente 225 ogivas. O Paquistão tem cerca de 170 ogivas, enquanto a Índia segue de perto com cerca de 160. Israel, embora não tenha confirmado oficialmente, é estimado a ter cerca de 90 ogivas nucleares, e a Coreia do Norte possui uma estimativa de 50 ogivas nucleares (ICAN, 2025)." (p. 103)

- A concentração dos donos do mundo da comunicação e conexão global, que inclui as tais "nuvens" onde o mundo inteiro acha que guarda suas produções de conteúdo: 

"Temos uma oligarquia digital, em um mercado computacional e de dados, que apresenta uma concentração econômica espantosa das chamadas big techs: em 2023, a Amazon detinha 39%, a Microsoft 23%, o Google 8,2%, o Alibaba 7,9%, a Huawei 4,3%; em um total de 82,4% do mercado global de nuvem (AMADEU, 2024)" (p. 104)

- O autor conclui a dimensão Conjuntura assim: "A incompatibilidade entre a vida terrestre e o sistema mostra os limites deste modo de produção capitalista. Temos uma crise civilizacional, onde o capitalismo para criar suas formas modernas de autoexpansão deve destruir as condições básicas de existência humana. Estamos, portanto, diante de uma crise estrutural do capital." (p. 104)

ESTRUTURA

- "Como afirmou Marx (1982), no capitalismo toda crise é uma crise de superprodução de capital, e não de subconsumo – visto que este modo de produção priva a maioria das pessoas do consumo" (p. 104)

- "Segundo Marx (2013), a crise também está incrustada na própria forma mercadoria. Isso porque o sistema se organiza em torno da produção de valores de troca, e não de valores de uso voltados às necessidades da reprodução social da humanidade." (p. 105)

- Um fator positivo nas crises capitalistas é que podemos fazer disso uma revolução: "A crise não seria o fim do sistema econômico, mas, potencialmente, teria condições de engendrar luta de classes capazes de organizar a revolução para sua superação." (p. 105)

- As tecnologias das últimas décadas e o aumento exponencial da produtividade transformaram as crises cíclicas em crise permanente do capital:

"A tecnologia da máquina programável com a microeletrônica, internet e IA impôs um aumento de produtividade, em termos relativos jamais vista, que retirou o elemento cíclico das crises que era vital para a reprodução ampliada do capital. A crise se tornou contínua, constante, uma crise estrutural." (p. 105)

- O 4º órgão... "Segundo Bacchi (2020), nos anos 1960 foi introduzido o quarto órgão daquela máquina que Marx (2013) descrevera no cap. 13 do Livro I de O Capital. Além do motor, a transmissão e a máquina ferramenta do século XIX, surge o 'quarto órgão de controle' que introduz 'a máquina programável' e, com ela, o que determinou a crise estrutural" (p. 106)

- Em seguida vemos a citação de Bacchi, que desvenda a crise atual do capital: 

"como tudo na natureza depende de um limite, quando a taxa de lucro baixa a determinado ponto diferente de zero, mas razoavelmente baixo, na verdade, o capital já não pode suportar, pois a reprodução ampliada se interrompe e o sistema entra em crise que não é cíclica, senão que uma crise generalizada do sistema. Com isto queremos dizer que o capitalismo, a partir deste momento, está condenado a uma decadência constante e irreversível, tal como descreve Marx em suas obras. E o capital como um todo já não consegue conter mais as novas forças produtivas em seu seio (BACCHI, 2020, p.35)." (citado na p. 106 do texto de Fábio Campos)

- A crise estrutural do capital se estabelece por três eixos: a transnacionalização inviabilizou os Estados nacionais e suas políticas econômicas e de gestão social; o fim da sociedade do trabalho, pois a classe trabalhadora não consegue mais pressionar o capital nas relações de produção; o colapso ambiental, pois é impossível ao capital não destruir a natureza

- O imperialismo foi revitalizado pela crise estrutural, colocando o capital financeiro no centro do poder de apropriação de valor

- Formas de opressão do capital: "Uma maneira imperial de circunscrever aqueles que não pertencem ao reino da mercadoria, ou se subordinam de maneira superexplorada, é por meio da racialização como expropriação (FANON, 1961). Ao intensificar as formas econômicas de opressão, políticas e ambientais, a crise estrutural recoloca o racismo, tanto nas periferias quanto nos centros, como instrumento indispensável para a manutenção do trabalho precário, o acesso a terras e aos recursos naturais (FRASER, 2024)." (p. 109)

- O prof. Fábio finaliza a dimensão Estrutura assim: "Em síntese, o capitalismo em sua crise sujeita as infraestruturas, comportamentos, ecossistemas, capacidades estatais, e, sobretudo, a consciência ao seu regime de valorização e expropriação, cujo resultado é a desestruturação sociopolítica do ser humano (FEDERECI, 2017; 2022; FRASER, 2024)."(p. 110)

SUPERESTRUTURA

- Marx em 1859 abordou a questão da superestrutura jurídica e política do capital: 

"Assim, a produção da vida determinada por certas relações, apresenta uma estrutura econômica que se assenta em uma reprodução material e que sustenta, como ensinou Marx em 1859, uma superestrutura jurídica e política expressa por formas sociais da consciência (Marx, 2012)." (p. 110)

- O esgotamento do liberalismo traz como alternativas autoritarismos como o nazifascismo:

"(...) o nazifascismo no século XX teria sido já a maturação deste modelo contrarrevolucionário para lidar com o esgotamento do liberalismo, ainda mais com guerras totais, primeiras genuinamente capitalistas, e em meio a exitosa Revolução da Rússia em 1917 e a Crise de 1929 (LUKÁCS, 2020; MAYER, 1981). Aquilo que gestou no século XIX como uma exceção para lidar com as contradições do capitalismo em sua dominação política, consolida-se como prática usual no século XX. Essa contrarrevolução na ascensão do nazifascismo também era um instrumento de modernização, projeção do futuro, do progresso para aqueles escolhidos para usufruir do bem-estar..." (p. 111)

- Líderes carismáticos como Hitler e Mussolini conseguiram mobilizar, por manipulação dos sentimentos, classes populares e trabalhadoras, desviando a revolta delas de um processo revolucionário

"Não se trata de uma doutrina apenas, uma ideologia a serviço da contrarrevolução, mas de uma prática que tem por objetivo atacar e desmoralizar as instituições liberais vigentes, sem, necessariamente, excluir a cooperação com elas. Por isso, excitam as camadas populares contra o sistema, sem transformá-los em rebeldes, e, por isso, utilizam dos mais avançados meios de comunicação de massa, uma modernização dirigida, para instrumentalizar o sensacionalismo em causa própria." (p. 112)

- Na citação acima, vemos um retrato da realidade atual na qual líderes de extrema-direita manipulam massas gigantes de vítimas da crise capitalista - miseráveis e pessoas sem perspectivas - a apoiarem políticas que só vão prejudicá-las mais ainda

- Contrarrevolução preventiva: na segunda metade do século XX, a manipulação das massas mundiais proletárias e miseráveis seguiu com a liderança dos EUA e sua indústria cultural e militar, a Guerra Fria:

"Como mostramos em artigo recente, a contrarrevolução preventiva, e, sobretudo, permanente, conseguiu desmantelar pautas tipicamente revolucionárias, anticapitalistas e universais, transformando-as em agendas 'progressistas', 'cidadãs', de reparações históricas e ganhos incrementais. Como as questões identitárias que não se associam à luta de classes; ou ainda, instaurando programas sociais de gestão e de monitoramento da barbárie, como os do Banco Mundial, os de combate focalizado à pobreza, 'empoderamento' nas favelas, empreendedorismo popular etc. (LIMA FILHO; GENNARI; CAMPOS, 2021)." (p. 113)

- O neoliberalismo é uma forma de contrarrevolução permanente

- Surge um novo ser com as burocracias do capital, o empreendedor de si mesmo

- O autor afirma "O que chamamos de extrema direita hoje constitui a nova geração da contrarrevolução na crise estrutural do capital, uma face da superestrutura de nosso tempo." (p. 113)

- Uma característica comum aos extremistas de direita: "Para se salvar do apocalipse que se avizinha, resta, pois, os escolhidos por obra divina, reinventar o passado, reencantar o mundo. As diferentes variantes da extrema direita ao redor do globo têm algo em comum que é o tradicionalismo para a preservação da essência espiritual e cultural antiga, se opondo à modernidade." (p. 114)

- Fábio Antonio de Campos conclui seu texto:

"Concluindo, a extrema direita atual, embora com suas particularidades, representa a continuidade da contrarrevolução no interior da crise estrutural do capital. No passado, sua utopia de progresso legitimava a dominação; hoje, com a interdição da ideia de futuro, é a própria administração do colapso social que a orienta. Não há, portanto, monstruosidade ou anomalia nesse fenômeno — apenas a expressão ideológica do Kraken capitalista em decadência. Diante disso, impõe-se a necessidade de resgatar o horizonte da transformação radical nas lutas sociais, a fim de abolir o fatalismo que naturaliza a violência como destino na economia mundial." (p. 115)

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Texto excelente! Profundo e necessário!

Leitura feita por

William Mendes

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Professor Fábio Campos

Post Scriptum (anotações da aula presencial):

Mundialização do capital e a crise estrutural do capital

- O prof. Fábio iniciou a aula explicando seu método de análise, e tendo como referência Marx e as obras "Para a crítica da economia política", de 1859, e "Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858"

- O professor se mostrou um pouco preocupado com uma espécie de "neopositivismo" na academia, referenciado a partir do empirismo em tudo, recortes concretos das coisas

- Afirmou que, essencialmente, a economia é a linguagem do capitalismo

- O modo de produção de uma sociedade acaba definindo o modo de vida daquela sociedade e, consequentemente, quem são as pessoas, como se identificam as pessoas. Ao conhecer alguém, a pessoa julga a outra a partir do que ela faz, como ela vive, onde está situada naquele modo de produção social

- O modo de produção capitalista nasceu revolucionário, derrotando o modo de produção do feudalismo

- Não confundir: "capital financeiro" não é o capital dos bancos, é a forma do capital atual, na atual etapa do capitalismo

- Qualquer crise no capitalismo é uma crise de superacumulação de capital (K). Antes, as crises eram cíclicas, agora é estrutural

- Superestrutura e o problema atual: falta de horizonte futuro; esclerose múltipla das democracias liberais burguesas; a extrema-direita do fim do mundo tem um papel: a contrarrevolução

- Uma palavra nos chamou a atenção: "homo lates" sobre o foco dos atuais humanos em suas apresentações para a sociedade, seus perfis cheios de certificados e graduações

- No passado, século XX, o nazifascismo foi uma resposta contrarrevolucionária à decadência da burguesia desde meados do século XIX

- No pós-guerra, depois dos anos dourados, a crise passou a ser estrutural e a resposta foi o neoliberalismo

- O professor Fábio nos explicou que a "economia política" se tornou "ciências econômicas" durante a crise liberal burguesa já na passagem do século XIX para o XX: a economia deixa de tratar formalmente da "política" nas academias

- Falando ainda sobre a direita e a extrema-direita e seu papel contrarrevolucionário, citou o filme "Cabra marcado para morrer" (1984), de Eduardo Coutinho

- Citou o papel das Ligas Camponesas e da importância da linguagem para atuar na contrarrevolução preventiva, uma ferramenta central na manipulação das massas

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Aula magnífica a que tivemos!

William

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Lula defende a soberania nacional



Apresentação e comentário do blog:

Estava sentado em nossa sala quando ouvi o barulho de panela: alguém dos prédios ao redor estava batendo panela enquanto o presidente Lula fazia o pronunciamento em defesa do Brasil e do povo brasileiro. 

Fazia muito tempo que eu não perdia o controle deixando meus impulsos assumirem a situação. Abri a janela e gritei com toda a potência de minha voz que enfiassem a panela no cu. Após alguns segundos, gritei de novo, chamando o batedor de panela de bolsonarista de merda e vira-latas.

Não me senti bem por ter feito isso. Bater panela é uma manifestação legítima, é da democracia. Não é mais o meu papel nem o exemplo a dar. Foi um instinto incontrolável de alguém cansado de tanta merda ao nosso redor. Como pode um brasileiro ser tão cachorro assim e ficar do lado daquele lixo dos EUA e desses sofistas manipuladores do clã Bolsonaro!

Enfim, tenho que olhar mais atentamente para mim mesmo. Nem minha saúde é mais a mesma após duas décadas de militância. Estou fora da política. O partido e o movimento sindical têm suas lideranças atuais e nem existo mais para eles. 

Foi a indignação que gritou pelo cidadão que dedicou a vida às causas da classe trabalhadora e que sofre diariamente ao ver a destruição de nosso mundo. 

É claro que aquela nação decadente está atacando os avanços dos países do Sul global, o fortalecimento dos BRICS, o enfraquecimento do dólar, as novas formas de pagamento sem precisar das empresas deles (como o Pix brasileiro) e a clara percepção de que o capitalismo só aprofunda a miséria do povo no mundo e ferra com o planeta Terra na questão ambiental.

O pronunciamento do presidente Lula foi excelente! Firme nos recados e buscando unir o povo brasileiro contra o ataque indevido da potência imperialista em questões internas do Brasil.

William Mendes 

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Leia a íntegra do pronunciamento de Lula:

Minhas amigas e meus amigos,

Fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto.

O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.

Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional.

Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.

Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.

Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras.

No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.

Minhas amigas e meus amigos,

Estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.

Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.

Minhas amigas e meus amigos,

A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares.

O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030.

Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo.

Minhas amigas e meus amigos,

Quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior.

Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.

Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Minhas amigas e meus amigos,

Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações.

Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.

Muito obrigado.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Instantes (22h17)



Refeição Cultural

Pode ser só impressão do observador, mas me parece que estamos vivenciando o fim de um ciclo da sociedade humana, se não global, pelo menos desta a qual pertenço. 

Tudo está se degenerando, perdendo a qualidade, estragando. Ao ouvir o noticiário, dá vontade de mudar de mundo, mas só temos este. As pessoas... alteradas pelos donos do poder ideológico, degeneraram. As coisas das relações humanas, então, fodeu.

Como disse no primeiro parágrafo, pode ser somente o mundo ao qual pertenço essa degeneração, o fim dos tempos, o tempo escatológico. Pode ser que lá do outro lado da Terra, na Ásia, no Oriente, haja um mundo de esperança. 

Aqui no meu mundo, o Nunes e o Tarcísio estão vendendo tudo, tudo, tudo, todo dia, todo dia, tudo. Até rua agora é vendida pros parças. Tudo. Se ligar a TV, entrar na internet, olhar qualquer coisa como tv de elevador, lá estão eles, Nunes, Tarcísio, Bolsonaro, Motta... Trump, Netanyahu, os "coitados" dos sionistas... uma blitzkrieg comunicacional da extrema-direita dona do capital para pautar a agenda da massa alienada.

Degeneração da sociedade humana ("Ocidental"?).

É o que tenho visto com meus olhos míopes... essa blitzkrieg desarranja todo o organismo que nos mantém vivo...

Tá foda! Mas quero viver. Preciso viver. A vida é uma oportunidade diária. 

Will i am

01/07/25

sábado, 21 de junho de 2025

Instantes (22h57)


Um fim de dia ainda em paz.


Refeição Cultural

Neste momento bombas poderosíssimas estão matando pessoas e todas as formas de vida ao redor do impacto. 

A nação mais assassina dos últimos séculos, a que mais provocou e financiou guerras e mortes nos últimos duzentos anos, decidiu dar as caras e acabar com a hipocrisia e está atacando o Irã, atacado na surdina por Israel dias atrás. 

Acabou-se a diplomacia mequetrefe que vigorou mais ou menos em favor dos imperialistas desde o fim da 2a Guerra até o início do século XXI (evitando-se guerras entre os grandes). O mundo e as sociedades humanas terão agora uma realidade baseada somente na força, na lei do mais forte. 

Ninguém estará seguro, em lugar nenhum. Nem aqui onde vivemos no Brasil. A mudança é global. 

O pior é que a esquerda e as pessoas pacíficas e pacifistas não estão preparadas para enfrentar o que vem por aí. 

Não consigo fazer de conta que a vida tá boa, curtir o pão e o circo que domina a agenda cotidiana do povo massa de manobra. 

No entanto, toda a parafernália que define a pauta e a agenda de todos nós pertence aos donos da guerra que se desenvolve neste momento. Foda!

Em certa etapa do que vem por aí, qualquer guarda da esquina, qualquer CAC, qualquer bandido comum, todos serão os predadores de nós reles mortais, os desarmados e a fim de "diálogo". As presas nas savanas.

O pior é que a esquerda, os lulistas, os pacíficos... não entendem ou fazem de conta que não entendem o que é o nazifascismo. Não tem diálogo com essa gente, nós já fomos desumanizados.

Tamo fodido!

William 

21/06/25, sábado. 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Instantes (14h)



Refeição Cultural


VENCEREMOS O ÓDIO DESTA VEZ?

São tantas coisas! Escrever sobre elas ou calar? 

Ao mesmo tempo em que avalio que as palavras estão perdendo a importância - uma sensação de incomunicabilidade com o outro -, o cotidiano do mundo humano segue sendo alterado rapidamente pela manipulação da humanidade através do uso das palavras deturpadas, uso por meios tecnológicos com uma potência e alcance nunca vistos: as big techs e seus poucos donos envenenam o mundo com o ódio. 

As democracias, antes imperfeitas, acabaram de vez por manipulação do comportamento das massas humanas através de palavras que escondem realidades e inventam qualquer mentira que ganha a pauta e agenda o cotidiano das gentes e de suas comunidades, países.

Que importa eu saber um pouco mais hoje como as coisas se dão e estão acontecendo? Sozinho, pouco posso com elas. E se me unisse a outros como eu? Esquece! Sou de esquerda e unidade na esquerda só se for no sentido de "um", "único", "unitário", cada esquerdista com sua verdade absoluta... 

Ao mesmo tempo em que na esquerda é cada um por si com sua "bolhinha" de améns, há uma organização e objetivos claros de tomada de poder mundial por parte de nossos inimigos, o capital unido à extrema-direita, e o nosso inimigo tem mil facetas, mas um alvo claro a combater: nós. E eles têm o capital, e com ele os meios de manipulação através das palavras. 

O filólogo Victor Klemperer estudou, registrou e nos legou o que foi o nazismo através da manipulação do povo alemão pela linguagem, a "LTI: a linguagem do 3° Reich". Estamos vivendo o mesmo processo na linguagem que nos faz humanos, mas agora em escala global, através das big techs, que a utilizam para manipular os sentimentos e afetos de bilhões de pessoas, com intuito claro de alterar e influenciar o comportamento delas.

E me pergunto de novo? Que diferença faz eu saber um pouco sobre isso? Todas as pessoas ao nosso redor estão no mesmo processo em andamento... filhos, familiares, amigos, conhecidos. Foi assim que a LTI levou o mundo ao domínio do nazifascismo dos anos vinte aos anos quarenta um século atrás. Só uma guerra com dezenas de milhões de pessoas mortas interrompeu a linguagem do ódio e da supremacia nazifascista. 

E agora, o mundo conseguirá interromper esse processo?


William Mendes

(Uma unidade humana)