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sábado, 6 de agosto de 2011

Leituras de economia - Alguns aspectos do conhecimento econômico


"Ler para viver" (Flaubert)
 Rossetti inicia seu livro - Introdução à Economia -, nos anos 90, falando de um binômio "perplexidade-incerteza" relativo a décadas acumuladas de problemas persistentes como, por exemplo, desnível de desenvolvimento econômico entre as nações do Norte e do Sul, tamanho da população mundial, maior atenção em questões ambientais e recursos naturais, fim do bloco soviético e queda do Muro de Berlim.

Também falava em "mudanças promissoras" lá nos anos 90, claramente se referindo à certa vitória do regime capitalista de mercado em relação ao socialista de Estado. Para isso, cita as reformas modernizadoras na China Continental a partir de 1979, cita a abertura liberalizante (glasnost) e a reestruturação econômica (perestroika) da CEI, ex-URSS e o fim da Cortina de Ferro e a queda do Muro de Berlim.

Mais adiante, num item que fala sobre o crescente interesse pela economia, tem uma citação legal de um economista dos anos 70 que diz o seguinte:

"Será que o homem desceu das árvores, aprendeu a andar e a conquistar até o núcleo do átomo, para chegar, afinal, à conclusão de que não é capaz de controlar a estabilidade dos preços?" p.32(Samuelson, Paul Anthony. Introdução à análise econômica. RJ, AGIR, 1975)


A ECONOMIA E O ENFOQUE MULTIDISCIPLINAR

A Economia e a Política: "A organização política e a organização econômica tornam-se interdependentes: a ação econômica subordina-se à estrutura política da sociedade, geralmente determinada por certo grupo de dominação, enquanto a ação do grupo de dominação política se encontra muitas vezes subordinada à estrutura dos centros de disposição do poder econômico" p.39

Outra citação conclui esta ligação: "Também em termos conjunturais, a interligação é bastante clara: em qualquer sociedade, a instabilidade econômica conduz fatalmente à instabilidade das instituições políticas. Reciprocamente, o bom desempenho econômico alinha-se entre os fatores essenciais que condicionam a estabilidade dos centros de disposição do poder político" p.40


A Economia e a Sociologia: "Em seu Cours d'Économie Politique, de 1828, Jean Baptiste Say, um dos mais notáveis teóricos da Economia na França, argumentaria que o desenvolvimento das Ciências Econômicas estaria subordinado à investigação que os economistas deveriam empreender sobre as inter-relações e a coesão existentes entre as várias partes do sistema social. Tal argumentação implicaria a redução das distâncias entre a Sociologia e a Economia" p.40

E conclui: "Os economistas contemporâneos não desconhecem que os móveis psicológicos, de natureza subjetiva, tão importantes como os fatores objetivos condicionantes da atividade econômica, são determinados por vários conjuntos de relações sociais, cuja análise interessa diretamente à Economia, embora constituam o próprio objeto da Sociologia, a ciência particular do social" p.41


A Economia e a História: "Assim, embora não se possa afirmar que a pesquisa histórica seja a principal fonte da Análise Econômica, deve-se reconhecer que a Economia é altamente auxiliada pela História, principalmente porque o economista precisa acompanhar, no dia-a-dia, as rápidas transformações culturais que estão marcando as civilizações do Ocidente e do Oriente. Mais que isto, como bem observa M. Niveau, 'o economista deve apoiar-se na História, não somente para nela descobrir o passado, mas também para melhor compreender o presente e antecipar o futuro" p.42


A Economia e a Geografia: "Devido às vocações naturais e á diversidade tipológica dos recursos das várias regiões, são relativamente poucos, em relação ao conjunto da fenomenologia econômica, os fenômenos que não possuem características regionais, ou, mais precisamente, espaciais. O problema econômico fundamental do homem, que se traduz pela luta contra a escassez, é evidentemente o mesmo tanto nas aldeias primitivas do Sudeste Asiático quanto nas sofisticadas metrópoles da Europa Ocidental" p.43


A Economia e o Direito: poderia resumir com esta parte: "Com a substituição do franco-liberalismo pela ordem econômica orientada ou dirigida pelo setor governamental (após a Grande Depressão dos anos 30 e a Segunda Grande Guerra), ampliou-se a produção legislativa referente às atividades econômicas. E isto fez com que o conhecimento econômico e o conhecimento jurídico abandonassem as velhas concepções que os mantinham afastados, para então estreitarem as relações de interdependência que atualmente os caracterizam" p.44

COMENTÁRIO:
É LÓGICO QUE, APÓS O LIVRO AFIRMAR ISSO (MAIOR REGULAÇÃO DO ESTADO DE 30 A 80), NO INÍCIO DOS ANOS 90 NÓS TERÍAMOS UM APROFUNDAMENTO DAS DESREGULAMENTAÇÕES DO ESTADO EM RELAÇÃO À ECONOMIA E À CIRANDA FINANCEIRA COM BUSH PAI, BILL CLINTON, BUSH FILHO, O NEOLIBERALISMO PÓS-COLLOR E FHC NO BRASIL ETC. ESSA TRAGÉDIA TODA FOI MONTADA NOS ANOS 90 E 2000 E ESTOUROU EM CRISE MUNDIAL EM 2008 E HÁ PREVISÕES DE QUE A CRISE VINDOURA SERÁ MUITO MAIOR E COM CONSEQUÊNCIAS TERRÍVEIS PARA O PLANETA.


It's the economy, stupid!

O autor conclui o capítulo assim:

"Em síntese, pode-se inferir que as interfaces da economia com outros ramos das ciências sociais decorrem de que as relações humanas e os problemas nelas implícitos ou delas decorrentes não são facilmente separáveis segundo níveis de referência rigorosamente pré-classificados. O referencial econômico deve ser visto apenas como uma abstração útil, para que se analisem aspectos específicos da luta humana pela sobrevivência, prosperidade, bem-estar individual e bem-comum. Ocorre, todavia, que essa mesma luta não se esgota no nível do que se convencionou chamar de relações econômicas. Vai muito além, abrangendo aspectos que dizem respeito à postura ético-religiosa, às formas de organização política, aos modos de relacionamento social, à estruturação da ordem jurídica, aos padrões das conquistas tecnológicas, às limitações impostas pelas condições do meio ambiente e, mais abrangentemente, à formação cultural da sociedade"

Bibliografia:
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 16a edição, Editora Atlas SA, 1994.

Economia e economistas "explicam" porque países do sul são pobres... (anos 90)

Relendo um pouco de economia, achei interessante o livro do professor Rossetti explicando no início dos anos 90 os interesses crescentes de várias áreas de estudo pela economia.

Em certa altura, o livro comenta o absurdo das diferenças entre o Produto Nacional Bruto per capita de regiões do Norte e do Sul que chegam a 30 vezes. E chega a 50 vezes quando se compara países.

"É acentuada, entre os países, a diversidade dos níveis de desenvolvimento e de padrões de vida. Medidos, por exemplo, por um indicador-síntese, como o Produto Nacional Bruto per capita, as diferenças entre as áreas economicamente mais adiantadas e as mais deprimidas chegam a atingir fatores superiores a 30: o PNB per capita dos países da África, da América Central e da América do Sul, tomado em conjunto, é trinta vezes menor que o PNB per capita dos países mais desenvolvidos da Europa Ocidental. Ao nível de países, o fator de distanciamento eleva-se a 50." pág. 35

No parágrafo seguinte é interessante a explicação das múltiplas causas do problema de diferença tão grande de desenvolvimento econômico:

"Esta diversidade não pode ser atribuída a uma causa isolada. Suas causas são múltiplas, envolvendo questões de geografia e clima, raça e costumes, religião e crenças sociais, qualidade da força de trabalho e formação histórica dos recursos de capital (*)...

* Que forma mais parcial de dizer uma coisa sem citar o problema real e não se queimar com os capitalistas e classe dominante. Faltou dizer que a principal causa É A EXPLORAÇÃO COLONIAL HISTÓRICA AOS PAÍSES DO SUL. ISTO É ÓBVIO!

(...) E seus efeitos são também múltiplos, não se encontrando entre as nações economicamente deprimidas uma única e homogênea atitude em relação à mudança. Tanto se encontram culturas que aceitam fatalisticamente a pobreza como regiões em que a obstinada perseguição do bem-estar tem conduzido à formação de tensões sociais e políticas nem sempre facilmente controláveis." (**)

** Esta parte então é ótima, que confessa que a exploração (por parte dos "desenvolvidos" e seus lacaios burgueses locais) tem levado a níveis de miséria humana insuportáveis que não está mais sendo possível controlar as tensões!!!


PUDEMOS VER O RESULTADO DESSA PREVISÃO DO ECONOMISTA (nos anos 90) SOBRE DIFICULDADES DE CONTROLAR AS TENSÕES DOS POVOS EXPLORADOS: NA AMÉRICA LATINA, NA DÉCADA DE 2000, A GRANDE MAIORIA DOS PAÍSES ELEGEU GOVERNOS MAIS PROGRESSISTAS E COM PROGRAMAS CONTRÁRIOS AO NEOLIBERALISMO.


Bibliografia:
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 16a edição, Editora Atlas SA, 1994.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Efeito multiplicador da moeda


(fiz essa explicação em 2008 na época da crise financeira. O que o governo está fazendo agora devido ao risco de inflação é o inverso: ele quer diminuir a expansão do crédito)


2008

Para que nossos leitores possam compreender melhor o que significa nesses tempos de crise o governo brasileiro liberar mais de R$100 bi dos depósitos compulsórios, no intuito de manter a liquidez do crédito na economia brasileira, apresento aqui um excerto sobre o efeito multiplicador da moeda escritural, ou moeda bancária.


4.2) A Multiplicação dos Depósitos Bancários

Os empréstimos concedidos pelos bancos dão origem a novos depósitos. Baseados em dados estatísticos de qual o percentual das contas as pessoas mantêm em bancos, esses, quando permitidos, geram créditos sobre os depósitos à vista. Ocorre que os recebedores dos empréstimos, realizam pagamentos a outros, que por sua vez colocam parte deles de volta nos bancos, sob a forma de depósitos, os quais servem de base para a concessão de novos créditos.

Essa capacidade dos bancos denomina-se de Sistema de Reservas Fracionárias, ou seja: os bancos têm a faculdade de manter em caixa apenas uma fração de seus depósitos totais. Em decorrência a capacidade do sistema bancário criar moeda depende de seu montante de Reservas Fracionárias e da quantidade de dinheiro que - ao sair do sistema bancário - não retorna (drenagem).

Até tão recentemente como os anos 70 e 80, o Banco Central mantinha como política o estabelecimento de depósitos compulsórios sobre os depósitos à vista que variavam entre 27% para 33% para manutenção da Taxa de Reserva Obrigatória (depósito compulsório) sobre os depósitos à vista dos bancos comerciais (vide Resolução 375 do Banco Central).

Com Uma reserva de 33% e uma taxa de drenagem de 7%, o que ocorre com a capacidade de criação de moeda dos bancos?

Processo de Expansão da Moeda Bancária


BANCODepósitoReserva (Depó sito Compul sório)
(r)
Emprés timosDrena gem
(d)
Volta para o Sistema Bancário
Banco A1.000,00330,00670,0070,00600,00
Banco B600,00198,00402,0042,00360,00
Banco C360,00118,80241,2025,20216,00
Banco D216,0071,28144,7215,12129,60
Banco E129,6042,7786,839,0777,76
Banco F77,7625,6652,105,4446,66
Banco ..................
TOTAL2500,00
(*)
825,001675,00175,001500,00
O efeito multiplicador (k) do depósito original (do) se esgota quando o valor acumulado de (r) mais o valor acumulado de (d) alcançam esse valor. No caso (r + d = do) --> ($825,00 + $175,00 = $1.000,00).
(*)k = 1 / (r + d), onde:

k = Multiplicador
r = Taxa de Reserva (Depósito Compulsório)
d = Drenagem

Substituindo os valores:

k = 1 / (0,33 + 0,07) = 1 / 0,4 = 2,5

Com um multiplicador de 2,5 os $1.000,00 iniciais em depósitos se transformam em $2.500,00.

Com uma Taxa de Reserva de 100% (igual a 1) não existe a possibilidade de multiplicação dos depósitos bancários. Desde a implantação do Plano Real a política monetária do governo brasileiro tem sido de manter o Depósito Compulsório em 100% sobre os saldos dos depósitos à vista, como medida anti-inflacionária.

fonte: http://www.dearaujo.ecn.br/cgi-bin/asp/moedaebancos.asp


Já houve períodos em que o governo FHC manteve o compulsório a 100% (segundo o autor do excerto, Osnaldo Araújo)

Minha consulta original foi em meu velho livro de economia do prof. Rosseti, Introdução à economia, ainda da época de minha faculdade de Ciências Contabéis.

É isso. Quanto mais moeda escritural liberada para o sistema bancário, maior a capacidade de multiplicá-la na economia e aumentar o crédito e a liquidez do sistema.

Do contrário, quanto menos moeda escritural, maior o aperto no crédito e na economia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A condição "Ceteris Paribus" na Economia

Ainda sobre a concepção e a natureza das leis econômicas, devemos nos ater ao conceito da condição Ceteris Paribus.

As leis e funções econômicas são baseadas não nas ações e reações de um único e isolado agente econômico, mas no resultado estatístico da observação do comportamento de um grande número de indivíduos, nos diz Rossetti.

Para isso "torna-se necessário um número estatisticamente significativo de observações. Algumas dessas observações poderão ser atípicas, não se situando nas faixas de normalidade definidas pelo comportamento do conjunto" p.71

Para trabalhar com 2 exemplos, peguemos a lei da procura QP = f(P) e a função consumo C = f(Y).

Essas formulações são feitas a partir da observação de que há uma relação funcional de dependência entre as quantidades procuradas (QP) e os preços (P) na lei da procura e há uma comprovação estatística das relações entre a Renda Pessoal Disponível (Y) e o Consumo Agregado (C) na função consumo.

As variáveis QP e C são respectivamente dependentes das variáveis P e Y.

Rossetti nos explica que essas relações funcionais simples, a despeito de seu caráter estatístico, são influenciadas por uma pluralidade de causas.

"A validade das leis formuladas implica que sejam mantidos inalterados todos os demais fatores que podem interferir nas magnitudes assumidas pelas variáveis sob observação" p.72

CONDIÇÃO CETERIS PARIBUS
"Trata-se de uma expressão subjacente ao caráter essencial das leis econômicas. É uma condição que significa, literalmente, mantidos inalterados todos os demais fatores; ou, ainda permanecendo iguais todos os demais elementos" p.72

Por fim, as leis da Economia estão sempre contingenciadas pela condição ceteris paribus.

Então, diz-se ceteris paribus, as quantidades procuradas constituem uma função dos preços...


Bibliografia:
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 16a Edição de 1994. Ed. Atlas.

domingo, 5 de julho de 2009

A metodologia da Economia - minhas leituras



A Economia se baseia essencialmente na representação e interpretação da realidade. Para isso adota e cria princípios, teorias, leis e modelos econômicos.


Três são os princípios de conhecimento e apreensão da realidade: o reconhecimento, a indução e a dedução.


Rossetti diz: "quer se encaminhe para processos indutivistas ou dedutivistas, a metodologia da Economia parte, inevitavelmente, da observação sistemática da realidade, através da qual são ordenados e classificados os fatos, os fenômenos e as ocorrências normais da atividade econômica." p.63


Indução: hipóteses sobre o comportamento dos fatos conhecidos e observados.


Dedução: hipóteses sobre o comportamento de fatos não conhecidos ou sobre as possíveis relações entre estes e os observados.


RELAÇÕES CAUSAIS DE FATOS ECONÔMICOS

A ciência econômica parte de dados historicamente dispostos e analisados para criar seus princípios, teorias, leis e modelos.


Alguns exemplos nos mostram como se dão essas relações de causalidades na economia: "o crescimento da Renda Nacional mantém nítidas relações funcionais com a expansão do consumo agregado, enquanto o nível geral do emprego parece ser positivamente influenciado pelo total dos investimentos realizados. Essas relações causais , como grande número de outras, são comprovações de que os fatos econômicos não ocorrem ao acaso ou isoladamente" p.63


(COMENTÁRIO: os programas de governo do PT e de Lula da Silva de 2003 a 2009 evidenciam essa relação de causalidade econômica, com o crescimento da renda nacional e do nível de emprego sendo os pilares do bom enfrentamento brasileiro à crise mundial atual.)


CONCEPÇÃO E NATUREZA DAS LEIS ECONÔMICAS

Há limites na aferição dos resultados das ciências sociais diferentes e menores do que os das ciências experimentais.


"No caso da Economia, contudo, com o seu enquadramento no campo das Ciências Sociais, nem sempre todos os fatores que interferem em determinado sistema ou processo podem ser isolados e mantidos sob rigoroso controle. (...) as condições sociais, dentro das quais as leis econômicas são válidas, modificam-se constantemente, provocando ações e reações nem sempre esperadas, uma vez que o comportamento humano pode assumir posições não rigorosamente situadas dentro do campo de normalidade previamente estabelecido. " p.66 (POR ISSO A ECONOMIA É CIÊNCIA HUMANA E NÃO EXATA)


A aferição na Economia é bem diferente das ciências experimentais, onde é possível controle e comprovação de resultados excepcionais como, por exemplo, a distância entre o Sol e a Terra - 149.597.900 Km - ou a velocidade da luz c = (2,997 930 +- 0,000 003) x 10 a 8a potência m/s.


(COMENTÁRIO: o "mercado" se utiliza das leis econômicas para inverter essa lógica. Usam a Economia como se ela fosse uma ciência experimental e lei natural.)


SOCIEDADE HUMANA: O LABORATÓRIO DA ECONOMIA

"O laboratório da Economia é a própria sociedade humana, cujo comportamento - por maior que seja o ordenamento inerente aos fatos observados - não pode ser inteiramente condicionado ou controlado. Não é possível isolar da matriz sócio-cultural, em que essa sociedade se insere, todos os mutáveis e complexos fatores que interferem em seu comportamento" p.67


A economia mantém, como as demais ciências, as relações e funções entre eventos e variáveis. Assim como a dilatação dos sólidos é função da temperatura ambiente, no campo da Economia há muitas ocorrências que podem ser dadas como funções de outras.


Uma relação importante na Economia se dá entre os preços e as quantidades procuradas. Outra relação é entre a Renda Pessoal Disponível e a demanda agregada.


Francisco Zamora nos diz que "as leis econômicas são leis de probabilidade e não relações exatas. São leis hipotéticas e estatísticas" p.69


Duas questões são chaves para compreender a concepção e a natureza da ciência econômica: a condição ceteris paribus e o sofisma de composição.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Artigo - O objeto da Economia: variações ao longo do tempo (e comentários da economia sob Lula da Silva - PT)


GOVERNO DE LULA DA SILVA E DO PT FOCAM O BINÔMIO DESENVOLVIMENTO-REPARTIÇÃO


Presidente Lula - 2009
Relendo meu velho livro de Introdução à economia, do professor Rossetti, vemos como variou o objeto da economia ao longo do tempo.

Adam Smith focava a natureza e as origens da riqueza.

Depois dele, David Ricardo achou que o mais importante era focar a repartição das riquezas.

Já Keynes adotou um terceiro caminho, procurando mostrar que "o objeto da Economia deveria centralizar-se na pesquisa das forças que governam o volume da produção e do emprego em seu conjunto" p. 60

Keynes precisou focar o problema das flutuações da atividade econômica e da Renda Nacional, pois ele buscou soluções econômicas no auge da crise dos anos 30.

Após a 2ª Guerra Mundial, o foco mudaria novamente para a busca do desenvolvimento econômico das nações destruídas.

Em resumo:

"Enquanto os teóricos do século XVIII cuidaram da formação da riqueza e os do XIX da sua repartição, os modernos economistas preferiram dedicar-se a um objeto duplo, resultante, de um lado, do estudo das flutuações da atividade econômica e da promoção do desenvolvimento e, de outro lado, das investigações sobre a repartição da riqueza" p. 61

Podemos dizer que o enfoque atual ainda se debruça e tem muito a resolver em relação ao binômio desenvolvimento-repartição.


REFLEXÕES SOBRE O GOVERNO DE LULA E DO PT (2003-2009)

A partir desses conceitos basilares de economia podemos refletir sobre os avanços sociais históricos que o governo do Partido dos Trabalhadores e do presidente Lula da Silva mostram como nenhum outro governo se destacou como este até hoje na história republicana do Brasil.

De 2003 a 2009, o país teve o maior crescimento econômico desde o período do regime militar, com a principal diferença que é ter havido repartição da riqueza nacional com o conjunto dos trabalhadores e povos mais necessitados.

Os números mostram que dezenas de milhões de brasileiros saíram das camadas mais baixas e miseráveis da pirâmide social e ascenderam para as classes C, D e E.

Outro fator fundamental foi a ressurreição da classe média, exterminada pelos oito anos de governo do PSDB, DEM e PMDB.

O governo de Lula da Silva e do PT possibilitou o aumento substancial do consumo interno brasileiro e isso foi fundamental para o Brasil continuar sendo o país que melhor se saiu nos últimos meses frente a atual crise financeira e econômica mundial.

É conscientizar agora a população sobre esses avanços históricos para que mantenhamos o projeto nas eleições presidenciais de 2010.


Post Scriptum (2014)

Na eleição em questão no texto, correu tudo bem e o programa do Partido dos Trabalhadores seguiu sua trajetória.


Presidenta Dilma e candidata
à reeleição em debate no SBT
em 1º/set/2014
Estamos agora às portas das eleições 2014 e eu sigo não tendo nenhuma dúvida de que o melhor programa de governo para os trabalhadores e o povo brasileiro é o do PT porque o Brasil conseguiu com Dilma Rousseff atravessar os 4 anos de mandato em meio à maior crise do capitalismo mundial desde 1929 e seguiu aumentando o nível de emprego e a distribuição de renda a partir do mundo do trabalho e com programas sociais.

Não acredito em bravatas e facilidades alardeadas pelo partido que destruiu os bens públicos e os direitos dos trabalhadores, o PSDB, muito menos candidaturas que se disfarçam como apolíticas como é o caso da sra. Marina Silva do PSB (na coligação partidária Fiesp/Itaú).

terça-feira, 2 de junho de 2009

Definições da economia (II), segundo Rossetti


Ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos.

Refeição Cultural 

A abordagem socialista

Rossetti fala da origem da visão socialista no século XIX e cita pontos básicos dessa perspectiva baseados em texto do economista Oskar Lange (Moderna economia política; problemas gerais. RJ, Zahar, 1961).



"No século XIX, à concepção clássica da economia somou-se a abordagem socialista, de inspiração marxista. O binômio produção-distribuição (entendendo-se distribuição no sentido de processo repartitivo ou, mais simplesmente, como repartição) foi a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia.

Os pontos básicos dessa perspectiva foram assim destacados por Lange:

- O homem, vivendo em uma sociedade que se encontra em certo nível de desenvolvimento histórico, sente necessidades de naturezas diversas. Uma parte é de caráter biológico, sendo sua satisfação indispensável à vida; outra parte de um conjunto de condições determinadas pelo estágio cultural alcançado. Mesmo as necessidades biológicas se revestem de um caráter e de uma forma que são função da cultura da sociedade. As necessidades dos homens, embora primitivamente originadas das biológicas, são por conseguinte um produto da vida social e em comum. Dependem, assim, do grau de desenvolvimento da sociedade humana.

- Para satisfazer as necessidades humanas, é indispensável a produção ou usufruto de bens que o homem extrai da natureza, transformando-os, modificando seus caracteres, deslocando-os no espaço e estocando-os. A atividade humana que consiste em adaptar os recursos e as forças da natureza com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas é designada pelo termo produção. Trata-se de uma atividade consciente e intencional, fundamentada no trabalho.

- Das conexões entre a produção e o trabalho se extraem os elementos vitais do processo econômico. A produção é um ato social, que envolve divisão do trabalho. O trabalho de um homem é apenas uma parte do trabalho combinado e associado de todos os membros da sociedade. É uma parte do trabalho social, cujo produto é representado pelos bens que servem, direta ou indiretamente, para satisfazer as necessidades humanas, manifestadas de formas diferentes em diferentes sociedades.

- A realização completa desse processo social inclui, por fim, a distribuição ou repartição do produto social do trabalho. A repartição reveste-se também de um caráter social. É, por sua natureza, um ato social, que assume diferentes formas, de acordo com os graus de desenvolvimento da sociedade. Há vínculos, que se cristalizam historicamente, entre os modos de produção e a maneira como se opera a distribuição do esforço social de produção. Em sua Introdução à crítica da economia política, Marx acentuou que "as relações e os modos de distribuição aparecem simplesmente como o anverso da produção. A estrutura da distribuição é determinada pela estrutura da produção".

- Conclusivamente: enquanto as relações de produção dependem do nível histórico das forças produtivas, isto é, da atuação social do homem no trato com a natureza, as relações de distribuição dependem das relações de produção. A maneira como se opera a distribuição dos produtos na sociedade é determinada pela maneira como os homens participam do processo de produção.

- O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer as necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia."


Bibliografia:

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 16a edição, Editora Atlas SA, 1994.

domingo, 31 de maio de 2009

Definições da economia - Leituras de Rossetti



Leer aunque sean los papeles rotos por la calle...
(Cervantes)

Refeição Cultural

Excertos de definições da economia:

Uma conceituação mais antiga, ainda do período grego, seria:

"Ciência da administração da comunidade doméstica" p.49

Depois no período pós-renascimento:

"A economia seria definida como um ramo do conhecimento essencialmente voltado para a melhor administração do Estado, sob o objetivo central de promover o seu fortalecimento" p.50

Já na fase clássica, na época do iluminismo do século XVIII, passou-se a três grandes compartimentos: formação, distribuição e consumo das riquezas.

Tivemos vários pensadores importantes no período: Quesnay, Adam Smith, Stuart Mill, David Ricardo, Jean Baptiste Say.

Citação de obra de Say, em 1803:

"A Economia Política torna conhecida a natureza da riqueza; desse conhecimento de sua natureza deduz os meios de sua formação, revela a ordem de sua distribuição e examina os fenômenos envolvidos em sua destruição, praticada através do consumo" p.51

Segundo Rossetti, a partir das aberturas liberais do século XVIII, a economia passaria a investigar os fatores envolvidos no processo de formação das riquezas, examinando os aspectos relacionados à sua distribuição e chegando, afinal, a considerar a etapa última do consumo.

William

terça-feira, 12 de maio de 2009

Estagflação, segundo Rossetti




Refeição Cultural

Seria "uma mal explicada mistura de estagnação, desemprego e inflação recorrente".

Bibliografia:

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 16a Edição de 1994. Ed. Atlas.

A perdição do pobre é a pobreza - Alfred Marshall (1842-1924)


Em busca do saber...

Refeição Cultural

Lendo um pouco sobre economia, num velho livro que tenho em casa, do professor de economia Rossetti, achei este excerto bastante interessante.

Ele fala um pouco sobre o papel dos economistas e a verdadeira missão da ciência econômica, algo como auxiliar os governantes nas decisões que versarão sobre os recursos disponíveis para determinadas prioridades políticas e sociais.

"Não resta dúvida - escreveu Marshall (1842-1924), um dos mais importantes economistas de sua época - que, na religião, nas afeições de família e na amizade, mesmo o pobre pode encontrar razões para muitas das faculdades que são a fonte da mais alta felicidade. Entretanto, as condições que envolvem a extrema pobreza, especialmente em lugares densamente povoados, tendem a amortecer as faculdades superiores. Contentando-se com suas afeições para com Deus e o homem e, às vezes, mesmo possuindo certa natural delicadeza de sentimentos, os pobres podem levar uma vida menos incompleta do que a de muitos que dispõem de maior riqueza material. Mas, apesar de tudo isso, sua pobreza lhes é um grande e quase insolúvel mal. Mesmo quando estão bem sofrem do esgotamento e seus prazeres são poucos. Com excesso de trabalho e insuficiência de instrução, cansados e deprimidos, sem tranquilidade e sem lazer, não têm oportunidade para aproveitar o melhor de suas faculdades mentais. Conquanto alguns dos males que comumente vêm com a pobreza não sejam consequências necessárias desta, de uma forma geral, a perdição do pobre é a pobreza, e o estudo das causas da pobreza é o estudo das causas da degradação de uma grande parte do gênero humano."

Outra citação importante, de Nilson Holanda é a seguinte:

"Nos países subdesenvolvidos o estudo das Ciências Econômicas, antes de se constituir em simples preocupação acadêmica, tem por objetivo precípuo desenvolver instrumentos de análise que facilitem a identificação dos problemas básicos da comunidade e possibilitem o uso mais racional dos escassos recursos disponíveis, com vistas a acelerar o processo de desenvolvimento."

No Brasil, um dos maiores mestres da área econômica e política e ícone em relação ao pensar o desenvolvimento econômico para melhorar a situação do povo brasileiro foi o professor Celso Furtado.

Um conceito que precisamos explicitar para os leitores mais progressistas e estudiosos da economia é que, em termos de justiça social, nada vale focar o desenvolvimento sem associá-lo à distribuição equânime, para o povo, de seu resultado econômico efetivo.


Bibliografia:

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 16a Edição de 1994. Ed. Atlas.