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domingo, 23 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (2)



Refeição Cultural

Nos anos oitenta, em Uberlândia, Minas Gerais, quando cresci no bairro Marta Helena entre os dez e os dezessete anos de idade, tive a oportunidade de ler vários livros de literatura, muitos deles emprestados pelo meu primo Jorge Luiz - que comprava lançamentos no "Círculo do Livro" -, e outros que eu conseguia de alguma forma. Eram livros "best sellers" dos anos setenta e oitenta. 

Um dos autores de romances de suspense e terror do qual cheguei a ler alguns livros à época foi o norte-americano Stephen King. Tenho alguns dos livros dele guardados em minha biblioteca até hoje. São edições antigas, amareladas e manchadas pelo tempo. Não consegui me lembrar ainda a origem dos volumes, quais deles ganhei depois de meu primo e quais adquiri em algum sebo por aí.

De uma forma ou de outra, a literatura que tive acesso à época foi essa, de romances de autores estrangeiros, pois me lembro de ter lido poucos autores brasileiros na adolescência. Talvez tenha lido aqueles livros de leitura obrigatória por causa da escola formal, um Machado de Assis ou um José de Alencar, por exemplo.

Os livros que mantenho na estante são livros ou autores que gostei, e não teria por que me desfazer dos livros. O que li nos anos oitenta e noventa fez parte da minha formação literária, mesmo não sendo leituras consideradas engajadas ou de alta cultura. 

Pensando nas lições de Italo Calvino sobre a importância de ler os clássicos da literatura universal, poderia dizer que até a literatura de suspense e terror tem seus clássicos. Stephen King tem os seus. Alguns eu leria novamente, como foi o caso de Carrie.

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LEITURAS DOS ANOS OITENTA E NOVENTA

1. Christine (1983) - Stephen King

O nome original do romance é o mesmo "Christine". Eu considero o romance um clássico. É a história de um triângulo amoroso entre Arnie Cunningham, Leigh Cabot e Christine. Tem ainda o amigo de Arnie, Dennis. 

Christine é um carro, um Plymouth Fury 1958, vermelho. Desde o primeiro momento em que Arnie viu o carro, ficou apaixonado por ele. Quer dizer, por ela, o carro foi nomeado de Christine.

O livro tem 552 páginas. Virou filme à época.

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2. O Iluminado (1977) - Stephen King

O título original do romance é "The Shining" e eu diria que é um dos maiores clássicos de Stephen King. O romance ficou mundialmente conhecido por ter virado filme estrelado por Jack Nicholson e dirigido por Stanley Kubrick.

É a história de Jack Torrance, um homem desempregado e em crise com a sua pequena família, que aceita o emprego de zelador de um hotel nas montanhas do Colorado. O que era para ser um período de tranquilidade e sossego para a família isolada pela neve, se transforma num cenário de suspense e terror que vai deixar leitores e espectadores alucinados do início ao fim.

O livro tem 445 páginas. Esse é um dos livros que comecei a leitura e não terminei. Depois acabei assistindo ao filme. Um dia, vou pegar para ler de uma vez.

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3. O Cemitério (1983) - Stephen King

Com título original "Pet Sematary", esse romance foi um dos quais nunca mais me esqueci. O enredo conta a estória da família de Louis Creed, composta por Rachel, Eileen (Ellie), Gage e Church, o gato de Eileen. O livro também virou um filme clássico.

A cena de Louis Creed voltando cansado do cemitério indígena de animais e caindo na cama todo sujo virou referência de cansaço para mim desde a adolescência.

Minha edição tem 380 páginas com fonte bem pequena. É um livrão, como os outros do autor.

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4. A Incendiária (1980) - Stephen King

O título original do romance é "Firestarter". Uma das lembranças que tenho sobre a leitura desse livro de King é que o li numa sentada, de uma vez. Não sei por que isso ficou na minha memória. Ao ver a grossura do livro hoje, imagino que deve ser uma falsa lembrança, não é possível ler essa estória de 432 páginas com fonte pequena em um dia. Mas devo ter lido em pouco tempo. O enredo é alucinante.

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5. Carrie (1974) - Stephen King

O título original tem o mesmo nome. Foi o primeiro romance de King e foi um sucesso imediato. Conta a estória da jovem Carrie, uma garota com poderes paranormais que sofre em casa com o fanatismo religioso da mãe e sofre na escola, por causa do bullying dos colegas de classe. 

O livro virou filme dirigido por Brian de Palma em 1976 e o destaque vai para a excelente interpretação de Sissy Spacek. Esse foi um dos romances de King que reli após os quarenta anos de idade. O comentário sobre a leitura pode ser lido aqui.

O livro tem 200 páginas.

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6. Zona Morta (1979) - Stephen King

Com o título original de "Dead Zone", esse é o livro de King que eu menos me lembro da estória. Mas eu li. John Smith é um rapaz como tantos outros. Um dia sofre um acidente de carro, ficando longos anos em coma. Ao acordar, percebe que detém o poder de perscrutar as mentes das pessoas.

Minha edição tem 389 páginas.

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7. A Entidade (1978) - Frank de Felitta

Com o título original "The Entity", esse livro foi duro de ler. Me lembro até hoje o quanto fiquei impressionado com a estória de uma entidade diabólica que violentava Carlotta Moran, mesmo diante dos filhos dela e com uma violência cada vez maior. É angustiante imaginar tudo aquilo que o enredo descreve no romance.

O livro é outro bichão de 478 páginas.

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8. Assassinato no campo de golfe (1923) - Agatha Christie

O título do livro é "Murder On The Links". Anotei no livro que o li em agosto do ano dois mil. Já era outro período de minha vida. Havia voltado para São Paulo. Mantive na fase adulta o hábito de leitura. É um romance policial de Christie com o clássico personagem Monsieur Hercule Poirot. Eu não me lembro do enredo. Teria que ler de novo.

O livro tem 215 páginas.

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Enfim, aos poucos vou organizar meu centro de documentação, o que inclui a minha biblioteca.

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Refeição Cultural - Antes de partir


Foto divulgação

ANTES DE PARTIR – Bucket list

Este é um belo filme com Jack Nicholson e Morgan Freeman. O filme tem direção de Rod Reiner e estreou em 2007.
Ao tecer comentários sobre filmes em meu blog, gosto de escrever algo que realmente tenha me tocado ou alguma reflexão que o filme tenha me levado a pensar.
O ano de 1996 foi um dos anos mais duros de minha vida. Foi um ano de transições, rompimentos e de desistências. Estive completamente sem motivo de seguir adiante naquela época.
Uma das coisas que fiz para mirar em algo a cada dia quando acordava foi uma lista com algumas coisas que desejaria conseguir ou fazer naquela época, com aquela visão de mundo daquele cara.
Logo se vê que o ato humano de fazer listas de coisas a realizar é muito antigo. Acredito que o que varia são as motivações das listas e não o conteúdo das listas em si, que, via de regra, deve até ser muito parecido.
Não descreverei toda a minha lista de motivações para viver a partir daquele ano. Mas o filme me fez procurá-la novamente, pois fazia tempo que não a visitava.

CASA PRÓPRIA
Lá na lista estão ticadas coisas importantes e difíceis de conseguir para a classe trabalhadora pobre e humilde. Adquiri meu pequeno apartamento de cooperativa e não pago mais aluguel. Consegui ajudar meus pais a terminarem a casinha deles lá em Uberlândia. Nesses últimos quinze anos, muitas pessoas de origem simples conseguiram isso, algo que deveria ser fácil em sociedades justas.
Também está ticado o sonho de fazer uma faculdade pública. Passei na Fuvest e fiz Letras na USP. Eu vinha de uma decepção enorme por largar por falta de condições financeiras um curso de Educação Física em uma faculdade privada, curso que adorava e no qual me destacava nas aulas.

SÃO SILVESTRE
Eu não me lembrava de ter listado que tinha o sonho de correr a famosa corrida de São Silvestre. Realizei esse sonho em 2007 e corri nos anos seguintes. Ou seja, realizei com folga esse objetivo.
Hoje, meu desejo é bem mais difícil, pois sonho em correr e completar uma maratona. Com a vida que levo é completamente inviável treinar e me preparar para uma prova de 42 km.

SALTAR DE PARAQUEDAS
Eu me lembro de ter ficado muito impressionado nos anos noventa quando vi na TV um homem saltar de um avião e sair surfando no ar. Eu nunca havia saído do chão. Eu desejei muito voar e fazer um salto de paraquedas.
No dia 19 de fevereiro do ano 2000, abria-se a porta daquele pequeno avião a uns 4.500 pés e o instrutor me chamava a dependurar-me na asa, seguir as instruções de verificação e soltar as mãos para o vazio...
Após abrir o paraquedas foi um dos gritos de emoção mais libertadores que já dei. Estava vivo e estava voando sozinho junto aos pássaros no céu de Piracicaba. Naquele dia me senti o super-homem.
Depois desse primeiro salto sozinho, fiz mais treze saltos e cheguei a ficar nove minutos em descida lenta no céu, curtindo o barulho do vento nos velames, o silêncio do céu. Foi algo maravilhoso que já fiz.

COISAS A FAZER
Uma das coisas por fazer e que necessita de fôlego e tempo está relacionada com meu amor pela leitura e literatura.
Para ticar o item de ler no mínimo cem clássicos da literatura mundial, tenho muita estrada a percorrer. Não fiz uma lista dos clássicos que já li, mas sei que estou longe.
Também sei da questão da dificuldade de se classificar o que seria ou não um clássico da literatura mundial.
Mas alguns clássicos são indiscutíveis. Já percorri obras fantásticas e que me marcaram profundamente como Don Quijote de la Mancha, de Cervantes; Ulisses, de Joyce; A Montanha Mágica, de Mann; O Processo e A Metamorfose, de Kafka; Pedro Páramo, de Rulfo; Vidas Secas, de Graciliano; O Velho e o Mar, de Hemingway; Irmãos Karamázov, de Dostoiévisk; Hamlet, de Shakespeare; Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez; Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado; Macunaíma, de Andrade; Alguma Poesia, de Drummond... e falta muita coisa que já está em minha estante e só falta sentar e Ler...

O FILME
Voltando ao filme "Antes de partir": gostei do filme. Gostei das atuações de Nicholson e Freeman.
O personagem Carter é encantador. Cole é o inverso. O casamento entre ambos é fruto daquilo que penso a respeito das possibilidades humanas: para o ser humano tudo é possível.
Um ser humano pode mudar a vida de outra pessoa. Nós podemos ser fantásticos. Podemos marcar a vida das pessoas. É ISTO O QUE SOMOS, POSSIBILIDADES!
Assistam ao filme!

(após esta reflexão, saí e fui correr 5 km)

domingo, 6 de junho de 2010

Filme: O Iluminado, de 1980, de Stanley Kubrick


Foto divulgação do filme

Refeição Cultural

Finalmente, assisti a mais um filme "inédito" para mim. É como tenho escrito aqui: em matéria de filme, estou sempre bem fora do tempo.


Quando adolescente, cheguei a ler alguns livros de Stephen King como A incendiária (1980), O cemitério (1983), Christine (1983), A zona morta (1979), e sempre tive o livro O iluminado (1977), mas não consegui lê-lo ainda.


Também assisti ao clássico Carrie, a estranha. O livro é de 1974. O filme foi sucesso nos anos oitenta. Também gostei da adaptação de Christine - aquele Plymouth Fury 1958 vermelho. A adaptação de Pet Sematary deu pro gasto.


Cheguei a fazer a loucura de ler A incendiária em um dia. O livro é enorme e li até acabar.


Mas voltando ao filme O Iluminado, acho que o mais sensacional dele é a questão da sonoplastia. A cada instante, parece que algo terrível vai acontecer, inclusive quando aparecem as legendas identificando dias e a passagem do tempo.


Gostei do filme. Não é mais meu estilo de filme atualmente, mas não posso deixar de admirar um filme clássico tão bem feito quanto esse, que assusta só de ouvir a música e de olhar para as expressões de Jack Nicholson, este sim, é um dos atores com as expressões mais fortes que conheço.

sábado, 25 de julho de 2009

A promessa - Filme com Jack Nicholson, dirigido por Sean Penn



Poster de divulgação do filme.

Refeição Cultural


A cada dia admiro e gosto mais dos filmes estrelados e dirigidos por Sean Penn. Ele tem sempre uma surpresa para o telespectador.

Outro dia, assisti a um filme bem antigo com ele ainda adolescente - Caminhos violentos, de 1986. Final surpreendente e inesperado.

Um filme emocionante com Sean Penn é Uma lição de amor, de 2001, onde ele interpreta um pai com deficiência mental. O nome dado em português cai bem ao filme. É uma lição de amor e de vida.

Mais recentemente, ele dirigiu um dos filmes que mais me tocaram pessoalmente: a história de Chris McCandless - Na natureza selvagem, de 2007.

Hoje, assisti novamente ao filme A promessa, com Jack Nicholson, de 2001.

A história não é coisa do outro mundo. Um detetive que, prestes a se aposentar, acaba prometendo à mãe de uma criança brutalmente assassinada descobrir o autor do crime. A partir daí a trama rola.

Os filmes de Sean Penn têm um que a mais, como se não fossem filmes "óliudianos": a fotografia, a tomada de cena. Sempre tem espaço para as expressões, o detalhe. Como também sempre vemos belas paisagens e a grandeza da natureza.

O mais interessante é que sempre que termina um filme dirigido ou protagonizado por ele, quedo pensando, ora com um soco no estômago, ora com o espanto do inesperado. É O EFEITO DA CATARSE!

Estou percebendo que quando algo tem o nome do cara envolvido, vale a pena ver.