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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Viagem a Cuba IV (2026)


Pôr do sol em Havana, a partir do
restaurante La Divina Pastora

Refeição cultural 

Após um primeiro dia de muitas visitas a museus e equipamentos públicos que resgatam a história do povo cubano e de sua Revolução libertadora do jugo imperialista (ler aqui), o dia seguinte de nossa caravana solidária de brasileiros seria pegando a estrada para conhecermos Viñales.

Antes de terminar o primeiro dia de programação sociopolítica, nossa caravana passou pela famosa Praça da Revolução por meia hora, mais para contemplarmos a imensidão do ambiente, conhecido por receber multidões de cubanos para ouvir os discursos de Fidel Castro e para eventos importantes em Havana como, por exemplo, o 1° de maio.

Na praça, nosso grupo se encantou
com os carros dos anos cinquenta

Após o jantar no restaurante La Divina Pastora, onde apreciamos música cubana ao vivo, fomos ver a cerimônia do "Cañonazo", uma encenação teatral que rememora séculos da história de Havana, época na qual os portões da cidade eram fechados às 21h para só reabrirem na manhã seguinte. Havana era rodeada de muralhas. Fiz postagem sobre o tema, é só clicar aqui.

Música cubana no restaurante
La Divina Pastora

No 3° dia de nossa programação sociopolítica organizada pela Amistur, agência cubana de turismo, pegamos a estrada para Viñales, município de Pinar del Río, distante 180 Km de Havana, indo no sentido ocidental da ilha. As estradas estavam vazias pela falta de combustível causada pelo bloqueio criminoso dos Estados Unidos. 

Construção típica da propriedade
produtora de tabaco


Plantação de tabaco

Após três horas de viagem, nossa primeira agenda foi visitar uma produção de tabaco e charutos. A região de Pinar del Río é uma área rural cujo principal produto comercial é o tabaco. Viñales tem cerca de 28 mil habitantes.

Local onde as folhas são maturadas

Folhas de tabaco em espera

Mesmo para um não fumante, o odor é bom!

Eis aí um produto cubano...

Durante a visita, vimos as plantações, as folhas em processo de secagem, os paióis onde as folhas passam pelo período de maturação e também vimos o preparo de um charuto, disponibilizado para apreciação das pessoas da caravana interessadas em experimentar o tabaco cubano.

Cuba...

HISTÓRIA

Faço uma breve contextualização histórica: antes da Revolução liderada por Fidel Castro nos anos cinquenta, todos os imóveis urbanos e as terras produtivas de Cuba pertenciam a um pequeno grupo de latifundiários e proprietários, grande parte, aliás, norte-americanos. Era exceção alguém da classe trabalhadora ter sua própria moradia.

A amplíssima maioria do povo cubano, milhões de homens, mulheres, crianças e idosos, não tinham nada - moradia, emprego, alimentação, educação, saúde, etc - nada! As pessoas viviam em cortiços nas cidades e em bohíos nas áreas rurais (cabanas com telhados de palha e paredes de tábuas de palmeira).

Uma das primeiras medidas após a vitória do Exército Rebelde em 1° de janeiro de 1959 foi fazer reforma urbana e agrária editando um conjunto de leis relacionadas a moradias, aluguéis e direito popular às terras nas quais as pessoas trabalhavam.

Ruas da simpática cidade de Viñales

Ao visitarmos Cuba neste momento dramático da história, de asfixia econômica criminosa com atos ilegais dos Estados Unidos, colocando a ilha e seu povo sem acesso a qualquer forma de combustível, essencial para o funcionamento da vida cotidiana, temos que ter clareza das consequências dessa maldade na vida das pessoas, inclusive em seus aspectos psicológicos.

Boa parte dos veículos em circulação
são elétricos, motos e triciclos

Há meses Cuba não recebe petróleo importado, afetando absolutamente tudo no país. Imaginem vocês o Brasil no dia seguinte sem acesso a combustível fóssil e o não funcionamento de nada no país, pois aqui e no mundo a matriz energética que faz a vida cotidiana funcionar é com base em combustíveis fósseis, petróleo, gás e carvão.

Pessoas estão morrendo em hospitais por falta de energia elétrica, o governo não tem conseguido exercer os programas sociais que fazem parte dos direitos da cidadania por falta de recursos, o petróleo é necessário para quase tudo na ilha, pois no mundo moderno não se vive sem energia. Cuba tem investido em painéis solares como alternativa, mas é um longo processo ainda.

E mesmo assim, o acolhimento do povo cubano aos turistas em geral e a nosso grupo, ao longo da estadia na ilha, foi admirável, saímos encantados com um povo que só quer ser feliz, interagir com os povos do mundo e levar a vida deles do jeito que acharem melhor.

Enfim, essas são algumas reflexões a partir da experiência de ter voltado a Cuba com um grupo de brasileiros e brasileiras tão solidários e irmanados na mesma causa de apoiar nossos irmãos da maior das ilhas antilhanas.

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Vista do Mirador de los Jazmines

VALES E MOGOTES NA PAISAGEM

Ainda na programação do 3º dia em Cuba, visitamos o Mural da Pré-história - uma pintura gigante em um mogote - e a Cueva del Indio - uma caverna com um lago na superfície -, passeios muito agradáveis na região de Viñales. 

Mural da Pré-história

Seguem abaixo algumas fotos da nossa visita à caverna chamada Cueva del Indio.

Subindo...

Descendo...

Uma linda estalagmite

Passeio de barco na caverna


Mogotes são morros ou colinas típicas da região, normalmente de calcário, mármore ou dolomita, são estruturas sedimentares que podem ter tamanho e altura de montanhas. A paisagem em volta é plana, são os vales da região de Pinar del Río.

Um hotel sem turistas (o bloqueio!)
e os mogotes ao fundo do vale


Durante o passeio, almoçamos e finalizamos a visita à região no Mirador de los Jazmines, onde tivemos a oportunidade de vislumbrar o vale com as culturas e os mogotes.

Estávamos a 6700 Km do RJ (Brasil)

MAIS UM DIA DE HISTÓRIA E CULTURA CUBANAS

Voltamos para Havana e jantamos no hotel Copacabana.

Foi um dia excelente na programação de nossa caravana solidária.

Amigas e amigos leitores do blog, não deixem de visitar Cuba, além de ser uma experiência pessoal incrível, vocês vão contribuir muito com o país e seu povo hospitaleiro e altivo.

A companheira Telma Araújo, que organizou nosso grupo, está organizando um grupo para agosto, Cuba comemora neste ano o centésimo aniversário de nascimento do Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz e serão várias comemorações no período.

William

20/04/26 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Viagem a Cuba II (2026)


Foto histórica de Fidel e o povo

Refeição cultural

"(...) una revolución en las condiciones de Cuba, frente a un país tan poderoso como Estados Unidos, sólo hubiera podido defender y sólo habría podido sobrevivir con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo." (Fidel, 1988)


Ao chegarmos a Havana, ao aeroporto José Martí, pela companhia aérea Copa Airlines, vindos da conexão no Panamá, é certo que muitas pessoas passaram a viver e realizar um sonho de suas vidas: conhecer Cuba.

O que somos senão seres que sonham e desejam realizações ao longo da jornada da vida? As utopias são esses desejos e sonhos que nos movem, que nos dão um norte a seguir. Havíamos chegado a Cuba, a ilha cujo povo realizou o sonho de liberdade e independência após séculos de invasão e colonização. 


Em nosso grupo de 22 pessoas solidárias a Cuba, 16 delas estavam realizando o sonho de conhecer pela primeira vez o povo de uma ilha no Caribe que ousou enfrentar dois impérios para serem pessoas livres e organizarem suas vidas da forma como quisessem. Cuba é um país de gente alegre, inteligente e soberana.

Após os trâmites comuns de aeroporto, o que incluiu a verificação de malas enormes com centenas de medicamentos, fomos recebidos pela simpática Margarita, guia da Amistur que nos acompanharia na estadia em Cuba. Nossa hospedagem seria no hotel Copacabana, e só no dia seguinte teríamos programação intensa. 

Ruas de Havana 

Nosso grupo ficaria em Cuba entre os dias 24/3 e 01/04, cumprindo uma programação em um pacote de viagem com uma agenda sociopolítica, visitaríamos locais importantes na história do país e instituições sociais relevantes na vida do povo cubano. 

Parte de nosso grupo ficaria mais alguns dias em Cuba, em casas de cubanos ou em locais alugados, pois as plataformas de aplicativos já operam no país. Eu, meus amigos e Telma Araújo ficaríamos na Casa de Isabel e Luis. Um grupo paulista de novos amigos ficaria em um Airbnb. Todos nós ficaríamos nos últimos dias próximos ao Capitólio Nacional de Cuba.

Vista do Hotel Copacabana

Após a visita a Amistur, almoçamos em um restaurante local e fomos para o hotel, onde jantamos e encerramos o dia.

Por ter estado em Cuba três vezes nos últimos quatro anos, tive a impressão clara do quanto Havana está vazia, sem a movimentação de turistas que vi das outras vezes. Os efeitos do bloqueio atual são nefastos para o governo e a economia do país, ou seja, nefastos para o povo cubano. 

Por outro lado, vi também a vida cotidiana se desenvolvendo do jeito que dá. Apesar do bloqueio criminoso, o povo está nas ruas, o comércio está funcionando, agora com micro e pequenos comerciantes. Até sorveterias, cafeterias e lanchonetes se veem nas ruas de Havana. 


Cuba é linda, o povo cubano é altivo e libertário. O mundo progressista deve apoiar a causa cubana e exigir o fim do bloqueio e da interferência norte-americana ao país caribenho. 

William

14/04/26

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Viagem a Cuba I (2026)


Ano 67 da Revolução Cubana (2026)


Refeição cultural

"No hay dudas de que el amor a la patria, el apego a los pobres de la tierra, la fe en el mejoramiento humano y en la utilidad de la virtud, son componentes esenciales de la personalidad de Fidel aprendidos e interiorizados desde Martí." (Citação no Centro Fidel Castro Ruz)


Estive novamente em Cuba entre o final de março e o início de abril deste ano. Participei de uma caravana solidária organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte (MG). 

Contamos em nossa estadia com o apoio logístico do ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos) e da Amistur (Agência cubana de turismo). Nosso grupo era composto por 22 pessoas e correu tudo bem em nossa viagem. 

Telma Araújo é homenageada
pelo ICAP por anos de dedicação

A viagem foi antecedida por determinadas incertezas e ansiedades por causa dos acontecimentos provocados pelo governo dos Estados Unidos que, desde a posse do presidente atual - Trump -, vem rompendo uma ordem política, econômica e diplomática estabelecida no mundo desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

A caravana solidária reunida por Telma Araújo, uma militante histórica de Cuba que organizou brigadas sul-americanas por décadas, foi se formando desde o semestre passado e, se tudo correu bem, devemos muito ao trabalho persistente e incansável da companheira brigadista e amiga de Cuba e seu povo.

O ICAP está à disposição
dos povos solidários a Cuba

As ações do governo dos Estados Unidos iniciadas assim que entramos no ano de 2026 como, por exemplo, o ataque ao país venezuelano e sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua companheira Cilia Flores, em 3 de janeiro, mudaram drasticamente o cenário em relação à viagem para Cuba. A primeira ação de Trump foi asfixiar o povo cubano ao impedir o fornecimento de petróleo.

Depois, os Estados Unidos bombardearam o Irã e iniciaram outra guerra que alterou mais ainda o panorama político mundial. As ameaças de invadir e fazer com o governo e povo cubano o mesmo que fizeram com a Venezuela, além do bloqueio total de fornecimento de petróleo à ilha caribenha, deixaram todos os admiradores e apoiadores de Cuba apreensivos de irem ao país e o turismo está praticamente nulo neste momento.

Caravana brasileira solidária a Cuba
é recebida pela Amistur/ICAP

Fomos recebidos pelos agentes turísticos da Amistur e pelos trabalhadores em todas as estruturas turísticas com muito carinho e consideração, eles sabem o esforço que fizemos para estar em Cuba, levar medicamentos e demais itens necessários e prestarmos nossa solidariedade, além de ativar a cadeia produtiva do turismo.

Por isso, a mensagem inicial que deixo nesta primeira postagem sobre nossa viagem a Cuba em 2026 é para que vocês visitem o país e fortaleçam a luta do povo cubano para resistirem aos ataques criminosos e genocidas dos Estados Unidos.

O mundo civilizado deve exigir o fim do bloqueio estadunidense contra o povo cubano. Nossa solidariedade! Cuba livre e soberana!

William

13/04/26

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia (ARG)


Vista aérea.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 26 de novembro de 2024. Terça-feira.


Impressões

Escrever sobre um lugar que se está conhecendo enquanto a viagem está em curso não é um trabalho simples para mim. Em geral, prefiro estudar um pouco a respeito da geografia do local, da cultura de seu povo e da história daquela comunidade para me sentir mais confiante em não escrever bobagem.

Extremo Sul da Argentina.

Estamos em Ushuaia, na Argentina, a cidade mais austral do país e do continente americano. Mais "austral" significa mais ao Sul. Pelo que ouvimos por aqui, estamos a cerca de mil quilômetros da Antártida. Como estamos em novembro, não está em período de neve, porém, faz frio diariamente. Nesta semana, a temperatura está entre 4 e 5º e chegando a 13º. Anoitece depois das 22h e amanhece lá pelas 5h da manhã. O vento é muito gelado.

Paisagem da janela.

Saímos de São Paulo no sábado de noite e após dois voos ao longo da noite, chegamos a Ushuaia pouco depois das 10h da manhã. Viemos pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Não houve atrasos e correu tudo bem nos voos. São umas três horas até Buenos Aires e mais três horas e pouco até a "Terra do fim do mundo", um dos simpáticos apelidos da cidade. Os assentos dos voos são muito apertados, alguém maior que nós sofreria muito.

Calle San Martín.

Tudo aqui é muito caro, ao fazer o pacote de viagem já sabíamos disso. Achamos melhor contratar os passeios que faríamos com nossa agente de viagem. Querem exemplos de valores em reais na conversão ao pagar com cartão de crédito? Dois pratos de macarrão com refrigerante num mercadinho local: 162 reais (26.800 pesos). Duas garrafas de 1,5L de água: 30 reais (4.800 pesos). Uma refeição pode custar de 10.000 a 35.000 pesos, ou seja, de 60 a 200 reais, uma refeição! Sabem quanto custam duas entradas no museu local? 36.000 pesos cada (uns 450 reais o casal).

Hotel Albatros.

Apesar de apontar essa primeira impressão sobre os preços das coisas e os perrengues comuns de voos como, por exemplo, assentos apertados, a viagem para conhecer a cidade de Ushuaia está valendo muito a pena. É evidente que há nos preços locais um componente relativo às características da cidade: distante de tudo e foco no turismo. 

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Comendo uma pizza.

Viajar é uma experiência incrível e conhecer lugares e culturas diferentes da nossa é algo que nos marca para sempre.

Se conseguir, vou fazer algumas postagens sobre a experiência cultural ao se visitar o "fim do mundo". 

Na extensão do Blog Refeitório Cultural, dedicada a fotos, farei postagens com imagens que tenha gostado (ver aqui).

William Mendes

26/11/24


segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuba (IV)


Heróis cubanos: Cuba preserva seu passado.

Refeição Cultural

Osasco, 11 de março de 2024. Segunda-feira.


DIFERENTE DO BRASIL, EM CUBA O GOVERNO FALA DA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DO PAÍS TODOS OS DIAS!

Cuba e Brasil, Brasil e Cuba. Dois países com histórias seculares de dominação imperialista, dois países com uma violenta história de escravidão dos povos do continente africano, dois países com histórico de extermínio dos povos originários. Cuba e Brasil, países que mexem com o meu coração, com os meus sentimentos.

Até antes do golpe de Estado de 2016 contra a presidenta honesta Dilma Rousseff (PT), mesmo sendo um homem politizado de mais de quarenta anos de idade, eu tinha uma certa inocência política daquela mais comum no movimento organizado e nas pessoas no campo da esquerda, aquela inocência que prefere acreditar que nada de mal vai acontecer ao invés de analisar friamente a realidade e os dados materiais e se preparar para o golpe, a guerra, a morte lutando.

NO BRASIL, ACREDITA-SE DEMAIS NAS "INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS" E ELAS PARTICIPARAM DO GOLPE DE ESTADO EM 1964 E 2016

04/03/16, nas ruas defendendo
o governo Dilma.
 

Meu campo político no Brasil até que lutou contra a nova fase de golpes contra governos democráticos nas Américas e Caribe do último período, ficou nas ruas em pequenos grupos gritando "Não vai ter golpe!", duvidando que fossem prender o Lula, não acreditando que Bolsonaro poderia ser presidente do país. 

Boa parte da esquerda brasileira acreditava e segue apostando que as instituições vão funcionar e que não haverá golpe ou ruptura democrática de novo...

31/03/16, nas ruas contra o golpe,
52 anos depois de 1964.

Eu sigo com a leitura que tenho desde 2022 e 2023 de que nosso governo Lula terá dificuldade de terminar o mandato sem sofrer nova tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de atentado contra o próprio presidente Lula. Concordo até com o jornalista Brian Mier (ouvi dele a ideia hoje na TV247) que o governo brasileiro deveria se informar com os governos cubano e venezuelano a respeito de proteção contra golpes e atentados, já que esses governos enfrentam isso com frequência.

17/04/16, nas ruas contra o golpe,
as instituições não funcionaram...

NO BRASIL, A ESQUERDA "PAGA PAU" PRA JUIZ DE DIREITA... ACHO ISSO UM EQUÍVOCO!

As pessoas do meu campo da esquerda até viraram tietes de um certo ministro da Suprema Corte colocado lá pelos traidores da pátria em 2016 e chamam ele por apelido... acho isso ridículo, um absurdo! 

O cara (o juiz apelidado) enfrentou os bolsonaristas em 2022 para salvar a própria pele, a pele deles daquela Corte, que aliás endossou o golpe de 2016 que desgraçou o país e a vida do povo brasileiro e manteve Lula preso numa masmorra por 580 dias. Mas somos assim aqui no Brasil.


EM CUBA, JOSÉ MARTÍ É A REFERÊNCIA, MARTÍ E FIDEL

Estátua de José Martí, em batalha pela
libertação de Cuba do domínio espanhol.

O povo cubano, desde o século 19, sofrendo os mesmos males e violências de todos os povos explorados das Américas e Caribe, se organizou e se rebelou para lutar por sua liberdade e autonomia em 1868, depois mais algumas vezes até 1895, quando morreu em combate uma das figuras intelectuais mais brilhantes que a espécie humana já produziu - José Martí -, e em 1898 os cubanos se libertaram dos espanhóis e já se deram conta de que não haviam se libertado do imperialismo. 


Nova luta de libertação começava, desta vez contra o mais novo império do Norte - os Estados Unidos da América -, que já estendiam suas garras sobre a maior das ilhas das Antilhas, Cuba.

EDUCAÇÃO CUBANA - Na minha opinião, várias coisas separam a história do povo cubano da história do povo brasileiro, a considerar do século 19 adiante: a Educação é uma delas. 

Os ideais martianos de liberdade e autonomia são a base da educação cubana há 150 anos. E após a Revolução, a história e a cultura fazem parte da pedagogia da educação no país.

Quando os jovens liderados por Fidel Castro se organizaram e decidiram que era a hora de enfrentar a ditadura de Fulgencio Batista em 1953 - Batista havia dado um golpe de Estado em 1952 e era bancado pelos Estados Unidos da América -, os jovens cubanos universitários eram martianos. 

Revolución es sentido del momento histórico...

Os jovens estudantes tinham como referência José Martí e a história das lutas de libertação do povo cubano desde o século anterior. E aquele processo de lutas martianas lideradas pelos jovens de 1953 no ataque ao Quartel Moncada culminou com as lutas revolucionários a partir da Sierra Maestra entre 1956 e 1º de janeiro de 1959, quando triunfa a Revolução Cubana.

Patria o muerte!

A HISTÓRIA FAZ PARTE DO COTIDIANO CUBANO

Eu acompanho as notícias de Cuba com mais atenção desde que me preparei para conhecer o país em 2023. É evidente que a forma como faço para ler do Brasil as notícias diárias da Ilha me dá a versão de um lado da história - a do regime socialista - porque leio e ouço os veículos de comunicação do governo cubano e do Partido Comunista Cubano. Mas leio críticas ao regime também, quando leio figuras como Leonardo Padura, escritor cubano importante.

No entanto, para ler e ouvir o outro lado - as versões antirrevolucionárias -, basta olhar o restante da mídia hegemônica e as mídias que os algoritmos das big techs do imperialismo apresentam a todos nós. Sempre será desproporcional a guerra cultural entre a fala da esquerda e ou dos pequenos grupos contrários ao sistema capitalista e as narrativas que falam para bilhões através das mídias do grande capital. 

O ódio à esquerda é o que mais dá likes e monetização para os direitistas e lucro para elas, as big techs.

Museu da Denúncia em Havana, Cuba.

CONHECER E ESTUDAR A HISTÓRIA É ESSENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO COM PASSADO COLONIAL

Enfim, o tema que me deu vontade de comentar ao refletir sobre os dois países que mexem com o meu coração - Brasil e Cuba - é a questão do momento - os 60 anos do golpe de 1964 no Brasil e os 65 anos da Revolução Cubana em 1959 - sobre falar ou não falar do passado, da história, de acontecimentos que marcaram para sempre a vida de um povo após ideias e fatos que mudaram a história.

No Brasil, o nosso governo decidiu e defende a ideia de que não se deve fazer manifestações e eventos institucionais e ou das principais organizações sociais de nosso campo da esquerda em relação aos 60 anos do golpe de Estado que colocou o país e o povo brasileiro por mais de duas décadas sob uma ditadura violenta, financiada e apoiada pelos Estados Unidos da América e pela elite do país.

Para ser médico revolucionário ou
revolucionário, tem que haver Revolução! (CHE)

Eu considero essa atitude um equívoco do nosso governo neste momento da história. O presidente Lula é a nossa maior liderança política em toda a história do Brasil e eu sei porque o presidente acha melhor contemporizar com as forças conservadoras e de extrema-direita no país, pois Lula sabe que sua correlação de forças é muito aquém do que precisaria para seguir governando e entregando minimamente aquilo que se comprometeu a fazer, e está fazendo, por mais que a comunicação do governo não consiga se sobrepor à comunicação dos inimigos, que têm o suporte das big techs com eles.

Em Cuba, todos os dias - eu disse TODOS OS DIAS - os veículos de comunicação do país trazem matérias, reportagens, efemérides sobre os heróis do povo cubano, sobre datas históricas que mudaram a vida do povo de alguma forma, não há uma escola no país que não tenha o busto ou um quadro destacando a figura de José Martí, Apóstolo da Independência do país, e isso faz toda a diferença na construção de uma mentalidade ativa e altiva do povo cubano desde a mais tenra idade. 

Lançamento do livro de Maria Leite em 2023.

Ao ler o livro da professora Maria Leite - Cuba insurgente: identidade e educação (2023), no qual a especialista apresenta estudos de quatro décadas sobre a pedagogia cubana, fica claro para mim que sem o estudo da história o povo cubano jamais teria resistido até hoje às seis décadas de bloqueio criminoso por parte dos EUA para causar miséria e humilhação ao povo que se negou a ser uma ilha de exploração dos ricos e da máfia estadunidense. Ler sobre o livro aqui.

Fidel Castro e os revolucionários
eram seguidores das ideias de
liberdade de José Martí.

Já estive em Cuba duas vezes, por duas semanas em cada vez que estive lá, e conversando com o povo cubano percebe-se com facilidade que eles têm uma educação com saber histórico anos-luz à frente do saber histórico de nosso povo brasileiro, para o qual sempre foi negada a educação libertadora defendida por Paulo Freire e outras figuras importantes da educação brasileira.

Homenagem a Che Guevara, 
em Santa Clara. O passado faz
parte da história das lutas do povo.

Quando vejo o meu governo defendendo que não falemos sobre a história, sobre a trágica história do golpe de Estado de 1964, que quase se repetiu com sucesso em 8 de janeiro de 2023, com Lula já eleito contra toda uma máquina de dinheiro e fraudes para que Bolsonaro e sua casta de militares e empresários seguissem no poder, quando vejo um equívoco desse em nosso governo, me dá um aperto no coração, uma dor no peito, que não me mata porque me acostumei a isso ao viver entre lutas, vitórias e derrotas por quase três décadas de movimento sindical e político.

José Martí,
Apóstolo da Independência.

Não se pode negar ou esconder o passado, ainda mais quando vivemos uma era onde as falsas narrativas estão vencendo o tempo inteiro porque os meios pelos quais a população mundial tem acesso a informações e desinformações são os meios concentrados das big techs, que fazem parte da guerra cultural mundial do 1% contra os 99%.

Museo de la Denuncia, La Habana.

Viva Cuba e sua aposta na educação e na preservação da história de lutas de seu povo!

Aliás, não deixem de visitar em Havana o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Denúncia, são espaços fantásticos de educação e história.

Centro Fidel Castro Ruz, Havana.

E viva o Brasil e o povo brasileiro, viva o presidente Lula, que tenho como a maior figura política de nossa história!

Viva Lula e o povo brasileiro!
Foto: Ricardo Stuckert.

Mas temos que falar e refletir sobre a história para aprender com ela e a partir das referências históricas nos organizarmos para enfrentar os novos desafios pela manutenção dos direitos do povo e pela manutenção de algo que se possa chamar de democracia, não a democracia dos donos do poder econômico, pois isso nunca foi democracia.

William Mendes


Post Scriptum: na minha opinião, o governo Lula está sob ataque organizado da extrema-direita neste momento (guerra híbrida) e acho que Lula tem que ir pra cima e nos chamar para os embates com a direita fascista. A economia cresceu, direitos sociais estão voltando, emprego aumentando e a democracia está sendo exercida. Pra cima deles, Lula!

Post Scriptum II: o texto anterior sobre as viagens a Cuba pode ser lido clicando aqui.