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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2. A tempestade se aproxima



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


2. A tempestade se aproxima 

* A aventura imperialista de Mussolini na Abissínia

Com o governo paralisado por uma greve geral em agosto de 1922, Mussolini ordenou seus seguidores a marchar sobre Roma. Temendo uma guerra civil, o rei da Itália pediu-lhe que formasse um governo. Mussolini assumiu poderes ditatoriais e empenhou-se no objetivo de criar um novo império romano. 

* Ensaio geral: a Guerra Civil Espanhola 

Suas armas e táticas de combate somadas às experiências da Primeira Guerra Mundial serviram de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. 

* O tanque 

A Segunda Guerra Mundial testemunhou o surgimento de enormes tanques, como os lendários Pantera e Rei Tigre alemães, e de tanques leves, como os russos T-34 e os americanos Sherman. Mas qual modelo foi o mais eficaz?

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COMENTÁRIO 

Ao ver o documentário sobre a ascensão de Benito Mussolini na Itália e o avanço do regime fascista nos anos vinte do século XX, é assustadora a semelhança com a atualidade deste primeiro quarto de século XXI. 

Mussolini chegou ao poder, invadiu a Abissínia, no continente africano, e os países da Liga das Nações não fizeram absolutamente nada.

Exatamente o que está acontecendo agora com os arroubos ditatoriais de Donald Trump e a máquina de guerra dos Estados Unidos. 

Trump bombardeou a Venezuela, sequestrou o presidente do país e a ONU não fez absolutamente nada. Agora ele ameaça a Groenlândia e outros países. 

O segundo vídeo da coleção, que aborda a Guerra Civil Espanhola, é uma lição do passado a nós do presente. Enquanto os republicanos pediram apoio para a Grã-Bretanha e a França e receberam um "não", a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini deram armas e soldados aos nacionalistas liderados por Franco.

Nazistas e fascistas derrotaram os republicanos, Franco iniciou seu regime totalitário e ficou provado para a extrema-direita que as democracias eram covardes e nada fariam contra o avanço extremista. 

No último documentário do DVD, é possível ter uma noção do imenso poder dos tanques de guerra. 

Infelizmente, caminhamos para o fim da paz global. 

William 

16/01/26

sábado, 3 de janeiro de 2026

Acontecimentos imponderáveis apressam mudanças



Refeição Cultural

03/01/26


Opinião

Ao acordar, soube que os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sumiram com o presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro. O objetivo do ataque dos norte-americanos é roubar o petróleo e as riquezas minerais do país. 

Anos antes, no Brasil das reservas petrolíferas do pré-sal, um golpe de Estado era executado no país para roubar o nosso petróleo. Os agentes norte-americanos tinham os lacaios necessários por aqui para executar o golpe "com o Supremo, com tudo".

Não foi preciso bombardear e matar brasileiros, pois temos a maior quantidade de traidores da pátria por metro quadrado no mundo. A operação Lava Jato e a casa-grande entregaram tudo, tudo, em troca de uns passeios na Disney.

O presente e o futuro imediato do Brasil, das Américas do Sul e Central e Caribe são incertos em todas as medidas, em todas as dimensões da vida. O imponderável foi causado pelos nossos inimigos de classe como estratégia para a mudança de cenário. 

Este blogueiro terá que ter muito foco e disciplina para levar adiante algumas tarefas que definiu para si. Escrever o que sabe será prioritário quando fazer volume em eventos políticos competir com a tarefa.

A sistematização e encadernação de seus milhares de textos produzidos nas últimas duas décadas deve ser sua prioridade. As big techs serão parte central nas guerras do momento. E as guerras são contra nós. 

Escrever o livro de memórias da CASSI também deve ser parte de seu cotidiano em 2026. Memórias só permanecem no mundo se estiverem registradas e preservadas em meios duráveis. Só nas minhas células não durarão muito. 

William Mendes


Post Scriptum

Horas antes, às 8h56, havia postado a seguinte declaração em meu perfil do Facebook:

SOLIDARIEDADE A VENEZUELA E SEU POVO, NOSSOS IRMÃOS SUL-AMERICANOS

O IMPONDERÁVEL (aquilo que está fora de nosso controle e que pode ser uma ação de nosso inimigo para mudar uma situação ou contexto, mudando um futuro possível e vislumbrado)

O ataque infame sofrido hoje pela Venezuela exige unidade da esquerda, pois nosso futuro está sob ameaça. Hoje Venezuela é bombardeada e recebe a morte através das armas do imperialismo, amanhã seremos nós.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Instantes (11h05)



Refeição Cultural

"Não me entrego sem lutar

Tenho ainda coração 

Não aprendi a me render

Que caia o inimigo então..."

(Metal contra as nuvens, Legião Urbana)


Tinha o hábito de correr quilômetros na praia nos dias de férias passados na Praia Grande. Já no tempo das dores, cheguei a fazer uma corrida de 10K. Esporte é vida.

Ontem, domingo, o movimento na praia estava como gosto: o povão da classe trabalhadora se divertia do jeito que dá, como canta e conta os Racionais MC's.

Minha formação mental baseada nas utopias da esquerda faz com que meus pensamentos observem o que vejo e façam conexões com possibilidades de acontecimentos futuros: tendências e perspectivas.

Enquanto andava pela praia, vendo o povo e as construções na orla, pensei muitas coisas. Cito uma reflexão: pensei com tristeza no povo e na orla da praia na Faixa de Gaza, na Palestina. Quem garante que nós não seremos eles amanhã? Não há garantias. 

Num mundo cuja lei é a força das bombas e dos "embargos econômicos" e não mais da diplomacia, podemos ser os palestinos amanhã. 

Faz tempo que avalio que o império criminoso do Norte iria fazer com o Brasil e seu povo o que faz com Cuba, Venezuela, Irã, o povo palestino e outros alvos. Me parece que chegou a hora de experimentarmos do veneno aplicado a Cuba. 

Não estamos preparados, não tivemos uma educação cubana, martiana, a esquerda aqui ainda quer "conciliar" com os hitlers da atualidade...

É a minha impressão a partir do que observo ao meu redor em meu mundo. Torço para estar errado.

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Então, ontem, após quilômetros andando pela areia, pensei na música do Legião Urbana, me lembrei do metal que me forjou, e corri 2K na areia da praia, beirando o mar e sentindo o cheiro da maresia.

Danem-se as dores. Não me entrego sem lutar. Tenho ainda coração. Não aprendi a me render. Que caia o inimigo então. 

William 

14/07/25

sábado, 30 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de novembro de 2024. Sábado.


NOVEMBRO

Introdução

A intenção é fazer um texto reflexivo que represente o que sinto que sou, uma pessoa de esquerda. Tenho ouvido algumas lideranças de nosso campo dizerem que uma característica importante em alguém de esquerda é não ser pessimista, pois isso poderia passar uma crença de que está tudo perdido e que nada tem solução. Tendo a concordar com esse conceito. Eu não sou determinista, não acho que as coisas já estão dadas e acabou, que não tem mais jeito para as merdas que estão em andamento. Fui determinista quando cria em outras concepções de existência. Não sou mais assim e sei que o ser humano é uma espécie extraordinária e cheia de possibilidades. Temos a capacidade de aprendizagem e somos dotados de sistemas cerebrais evoluídos há milhões de anos. Então, gostaria de tentar ser realista, apontar as merdas pessoais e coletivas, deixar claro que há esperanças e elas estão em nós mesmos, e quem sabe, no texto, eu registre e defina algumas coisas para mim mesmo, pois quando releio meus diários acabo verificando se fiz ou realizei algo que planejei ou se ainda sinto o que sentia no momento da enunciação.

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Brasil

Começo fazendo algum registro sobre o nosso país, o nosso mundo, o lugar no qual a nossa vida se desenvolve. Dediquei pouco tempo à leitura política neste mês, de propósito. 

Até o mês passado, eu estava muito envolvido com as eleições, fiz campanha nas ruas e na internet. Não fugi de minha natureza e formação política, mesmo podendo gozar a vida de outra forma como muitos que conheço fizeram após se desligarem do banco público onde trabalharam e ou do movimento sindical e partidário. Fiz minha parte e tentei contribuir para nossos projetos políticos de esquerda nas eleições municipais.

A esquerda, como sempre, está muito dividida em relação ao governo Lula em seu terceiro mandato presidencial. Eu vejo a esquerda dividida há décadas. Óbvio que o passado é uma referência, mas os contextos são sempre únicos porque as sociedades mudam com o tempo. 

Em linhas gerais, a divisão sempre tem um conteúdo de concepção e prática, de leitura de conjuntura e de onde se quer chegar e como chegar lá. 

Parte de nós acha que o governo deve ir mais para o centro e centro-direita, "governabilidade" e tal; parte acha que o governo deve ir mais para a esquerda. Estou no grupo que acha que deveríamos ir mais para a esquerda, para mim o tempo de negociação e conciliação com os adversários políticos acabou. O que se tem hoje é a ascensão do fascismo. Não são adversários, são inimigos. Não se negocia com fascista, eles te traem e te matam.

Nosso governo de frente amplíssima com direita e ultradireita - os golpistas e bolsonaristas que compuseram com Lula - está executando medidas que agradam a uns e desagradam a outros em nosso próprio campo. Anunciou isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, medida que atingiria mais de 20 milhões de pessoas, e no ajuste fiscal vai mexer com setores importantes das classes populares alterando direitos sociais históricos de outros tantos milhões de pessoas, as mais necessitadas do Estado. É foda!

Na área diplomática, eu já ando puto com o nosso governo faz tempo (e não me venham com esse papo que não se pode criticar erros de nosso governo!). Na minha leitura, deixamos de ter uma diplomacia "ativa e altiva" e voltamos a ser um país que fala grosso com os países subdesenvolvidos e falamos fino com imperialistas do Norte. O caso da Venezuela é um exemplo: é in-jus-ti-fi-cá-vel vetar o país nos BRICS por causa de umas merdas de atas eleitorais. Por outro lado, o Brasil deixa Israel fazer o que quer conosco e não faz nada. Nosso governo fica lambendo o governo francês que perdeu as eleições parlamentares e deu um golpe nos dias seguintes sem acatar a decisão do povo francês. Cara, puta que pariu esse comportamento na área externa!

Eu sinto que o governo Lula e os outros dois poderes, pensando o núcleo principal de ministros e alguns aliados da frente amplíssima (até os caras do judiciário), estão envidando todos os esforços para que o bolsonario não seja preso, estão pedindo pelo amor de deus para que ele fuja e que as autoridades não precisem prender o canalha. Eu estou falando e escrevendo isso há muito tempo. É uma gente covarde essa nossa! Em qualquer um dos duzentos países do mundo o salafrário já estaria preso preventivamente. O cagão já foi de travesseiro em mãos para uma embaixada e falou de novo em fugir. Eles planejaram matar autoridades de Estado e instalar nova ditadura e já sabem disso faz tempo. Os covardes de todas as instituições responsáveis estão tirando sarro da cara das pessoas sérias do país. Deixaram o inelegível (ainda) fazer campanha Brasil afora. Meu, eu já enchi o saco com isso!

Outra coisa: já deu a paciência para o republicanismo estúpido da esquerda quando chega ao poder. Cara, fala sério! FHC, Temer e bolsonario nunca respeitaram burocracia alguma escrita ou consuetudinária na administração pública, estatal e ou de economia mista. É um republicanismo infantil, idiota, esse nosso! O Lula e o PT indicam quando são governo só porcaria nas instituições - do tipo STF e PGR - que depois vão foder ou eles mesmos ou os servidores públicos e os direitos caros aos trabalhadores. A esquerda precisa deixar de ser besta quando chega ao poder! Caraca, coisa básica isso! 

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ESPERANÇA - Tenho visto muita gente jovem nas manifestações de rua e nos movimentos que estão à frente de pautas importantes para mudarmos o mundo atual hegemonizado pelo capitalismo, consumismo, individualismo e que enaltece a ignorância. Isso é um alento de esperança. A tecnologia que pode ser usada para manipular milhões de pessoas através de algoritmos e sofistas canalhas, também pode ser usada para acessarmos quase todo o conhecimento humano produzido até hoje. Com um pouquinho de interesse e orientação, qualquer pessoa pode ou poderia aprender o que quiser, e em qualquer lugar. Eu tenho 55 anos e quero aprender um monte de coisa e quero passar adiante o que sei. Já que o movimento sindical não quis aproveitar a experiência que acumulei, estou escrevendo para quem quiser ler os temas que escrevo. É o que posso contribuir no momento. Passar gratuitamente o pouco de sei.

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Todo dia é dia para algo novo...

Ainda procuro sentidos

Estou vivo, estou aqui no mundo. Isso é uma oportunidade incrível. Sou um homem de sorte.

Acabei de voltar de Ushuaia, no Extremo Sul da Argentina. A vida é assim, todo dia é dia para algo novo, inusitado. No início deste ano voltei a Cuba, que não conhecia até o ano retrasado. Já conheci países que nunca imaginei pisar como, por exemplo, os Estados Unidos. Nunca se sabe o dia de amanhã. 

Eu havia planejado ainda como jovem adulto que iria fazer o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Não fiz o Caminho. De repente, a vida me colocou por semanas na Itália e Espanha, a trabalho. 

Se tivesse feito as besteiras que pensei nos tempos de depressão e revolta, não teria sido sequer um militante da classe trabalhadora que liderou lutas e teve sua relevância na construção de um mundo do trabalho mais justo e solidário. Sequer teria desfrutado da convivência de pessoas queridas da família e de pessoas que deixaram lembranças em meus pensamentos.

Fui agraciado pela natureza e pela casualidade e pelos destinos que as veredas que peguei me levaram a ter como, por exemplo, meus pais e familiares mais próximos todo esse tempo, até meus 55 anos de idade. E pelo que sei hoje, não infartei ou tive um tipo de acidente vascular como mais ou menos está na minha genética porque 10 anos antes passei a dar mais atenção à saúde ao ser gestor de uma operadora de saúde. 

Cerca de metade da população do Brasil e do mundo vai morrer ou ficar com sequelas por agravamento de doenças crônicas facilmente controláveis através de atenção primária e acompanhamento por medicina de família, eu fui um sortudo que ganhei 10 anos a mais de vida por isso. É uma pena que a autogestão que administrei deixou de focar o modelo que desenvolvemos por décadas lá. Muita gente como eu vai perder a oportunidade de viver uma década a mais.

Enfim, eu tenho a consciência que preciso viver, e preciso estar bem, até porque sei de minha importância para algumas pessoas queridas. 

Vou me esforçar para manter e se possível melhorar minha condição de saúde. Vou tentar ler e estudar e escrever algo a respeito nos próximos meses, como faço nos blogs. Vou tentar ser mais inteligente e ver o que faço para superar os grandes problemas cotidianos que me deixam descabriado pra caralho.

Minha companheira diz que eu não tenho medo. Eu tenho: tenho pavor de ser acometido por doenças degenerativas de meu cérebro, de minha identidade. Estou estudando para exercitar meus neurônios e fortalecer minha memória. E sei que agravamentos de doenças crônicas também causam riscos de danos nos sistemas circulatórios etc. Isso eu tenho medo. Confesso.

Sigamos lutando por um mundo sem o predomínio do capitalismo, causador da destruição do planeta e ameaça às diversas formas de vida na Terra, incluindo a espécie humana, que pode mudar o mundo para melhor porque conhecimento para isso já acumulamos.

William Mendes


sábado, 2 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 2 de novembro de 2024. Sábado de Finados. Dia chuvoso.


Opinião


INSTANTES DO VIVER

Corridas

Ontem, dia primeiro, saí para uma corrida de pequena distância na região onde moro. Semanas atrás, aceitei um convite de um amigo corredor e acabei me inscrevendo em uma corrida de 5,1 Km que se realizará na próxima semana na AABB-SP e não estou com o condicionamento físico adequado para tal corrida. O período de militância nas eleições municipais me fez passar mais de um mês sem praticar atividade física. 

Minha ideia de "treinamento" para a participação na prova de nossa associação atlética é tentar fazer uns 3 ou 4 treinos para saber se o corpo aguenta o percurso em trote. Dias atrás, corri 2K e foi tudo bem. Ontem, com forte calor, fiz a corrida de 3K e foi difícil... Olha, como a gente perde rápido a condição física aos 55 anos quando não prática esporte com regularidade! Pretendo fazer mais um trote de 4K daqui a uns dois dias e ver o estado precário no qual me encontro. 

Às vezes, penso nas pessoas em geral, no "corre" de suas vidas, sem tempo para nada de atividades físicas ou intelectuais... e com alimentações bastante prejudiciais à saúde com excessos do que faz mal e nada que faz bem. Foda! 

(a bela árvore, ou o tronco dela, que ilustra a postagem é um admirável ser vivo que namoro toda vez que passo por ele nas caminhadas e corridas no Parque Continental)

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Eleições na Anabb

Faz semanas que recebi pelo correio um material sobre as eleições na Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Sou associado. Só hoje resolvi folhear a revista e os anexos. O tempo passa, o tempo voa, mas as caras em disputa nas entidades do funcionalismo do BB continuam as mesmas... incrível isso!

A absoluta maioria das candidaturas é de direita e extrema-direita, gente conservadora, reacionária, pessoas e grupos que defendem um tipo de sociedade humana diametralmente diversa da que penso e luto por ela. Um mundo elitista, não igualitário, capitalista, liberal ou neoliberal. Sem direitos sociais, civis e políticos para o povão.

A direção da associação é composta por 21 conselheiros e conselheiras deliberativos eleitos e o CD elege a direção executiva entre os membros eleitos pelos associados. Também são eleitas 3 pessoas para o Conselho Fiscal e representações regionais. Os associados podem votar em até 21 pessoas para o CD, até 3 para o CF e votam em alguém para a regional onde moram.

Para o CD são 70 pessoas concorrentes. Eu fui dirigente eleito de nossa comunidade BB por duas décadas. Mesmo estando afastado das disputas eleitorais há seis anos, conheço a maior parte das pessoas que se colocaram à disposição dos associados. E mesmo estando distante da política do BB, conheço também boa parte das pessoas que concorrem ao CF e nos Estados e DF. Ou seja, a renovação será muito pequena na direção, se houver renovação.

Cadê as mulheres e o pessoal de esquerda?

Ao avaliar as candidaturas à direção da Anabb, fiquei pensando com os meus botões por que quase não tem colegas mulheres concorrendo às eleições. O mesmo em relação às pessoas progressistas e do campo da esquerda. E não é que não tenhamos gente de esquerda no funcionalismo do BB. O que se passa? Desinteresse na gestão da associação? Não acreditam no processo eleitoral em questão? Não saberia dizer.

De 70 pessoas concorrentes ao CD, para se eleger 21 delas e depois as suplências que subirão ao se eleger a direção, só temos 17 mulheres concorrendo. Dessas, nem 5 são de esquerda, ou não são de direita! Do total de candidaturas, pessoas que são conhecidas pelo funcionalismo como do campo progressista, de esquerda e que têm história no movimento sindical ou em defesa de um mundo socialista ou mais igualitário, dá pra contar nos dedos das mãos. 

Questões como essas são questões do nosso tempo. Temos que evoluir e superar essa descrença na política e na mudança. A experiência é muito importante na política, principalmente quando mesclada com a renovação e com novas ideias para o presente e o futuro.

Ah, só para não parecer uma contradição, dias atrás fiz um artigo sobre as eleições brasileiras (ler aqui), afirmando que, na minha opinião, o povo não é nem de direita nem de esquerda, o povo é prático ao se posicionar nas urnas de acordo com determinadas questões locais, culturais, de contexto etc. 

Em eleições da comunidade BB como esta da Anabb, é outra lógica: quando digo que não vejo nem dez pessoas de esquerda é porque conheço há décadas as mesmas figuras que se apresentaram no processo. Uma coisa é o povão, outra são os políticos profissionais de sempre.

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Mundo em disputa: temos algo com isso?

Aproveitando que comentei acima sobre eleições na comunidade Banco do Brasil, sigo no tema da política.

Nos próximos dias, os Estados Unidos vão eleger o seu presidente ou presidenta. É a maior plutocracia do mundo. Não há democracia lá. A escolha da pessoa que vai figurar como presidente(a) é feita pelos bilionários e suas corporações. Nem voto direto existe lá. Para ser candidato(a), então, só se os endinheirados autorizarem. Depois do dia 5/11 saberemos o "resultado". 

Como disse no dia seguinte ao resultado das eleições venezuelanas (ler aqui), vou assistir da poltrona comendo pipoca o comportamento da diplomacia brasileira, não mais "Ativa e altiva". Uma das maiores decepções políticas em relação ao nosso governo foi a posição vergonhosa do Brasil desrespeitando a Venezuela e a nossa Constituição Federal, em seu artigo 4º. 

Quero ver como o Brasil vai lidar com eventual contestação interna dos resultados nos EUA. É provável que vá ser da mesma forma que vem se comportando com os países do Norte, com Israel que pode nos humilhar, com a França que não reconhece as eleições no país etc. Não vamos exigir as atas... certeza!

Aliás, não acho correto o presidente de nosso país declarar apoio a candidaturas de lá dos Estados Unidos, é péssimo isso! De novo, me parece que o artigo 4º da CF virou letra morta. Leiam os incisos III, IV e V.

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São alguns instantes de meus pensamentos. Num certo momento do dia, fiquei admirado com a magia de uma aula de geografia, que assisti no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Adoro estudar e conhecer coisas novas todos os dias.

Fico por aqui no registro de instantes.

William


quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quinta-feira, 24 de outubro de 2024.


Opinião

Como militante de esquerda e como cidadão brasileiro, experimento nestes tempos sentimentos complexos, intensos e até antagônicos.

Em relação às lutas para elegermos Guilherme Boulos e Marta Suplicy para mudarmos para melhor a cidade de São Paulo, sei que poderia fazer mais, pois sempre é possível fazer mais nas ações das lutas de classe. 

Luna Zarattini virando votos no Rio Pequeno.

Sei, no entanto, do meu esforço para participar nos últimos meses das atividades políticas nas ruas e locais públicos para elegermos nossos projetos e nossos representantes políticos. Foi assim que elegemos Luna Zarattini vereadora de São Paulo e colocamos Boulos no 2º turno.

A professora Ione agita a bandeira de Boulos e Marta.

Foi emocionante e um momento ímpar ver hoje na campanha pela eleição de Boulos minha companheira de bandeira em mãos, adesivos e conversando com comerciantes e pessoas nas ruas virando votos no Rio Pequeno, bairro onde nascemos na Zona Oeste de São Paulo. A professora Ione não tem o hábito de fazer campanha de rua, corpo a corpo.

Muitos eleitores pediram adesivos 50 para mudar São Paulo.

Vendo essa cena de uma pessoa comum, que não é do mundo da política, no corpo a corpo com estranhos nas ruas, pedindo voto pelo projeto de São Paulo que queremos para a classe trabalhadora, me bate um sentimento estranho de que poderíamos ter feito mais neste segundo turno, poderíamos ter virado mais votos e diminuído a rejeição ao nosso candidato se partes das estruturas das campanhas do primeiro turno não tivessem sido encerradas no domingo dia 6. Acho isso um absurdo, de um egoísmo indevido em nosso lado da classe. A eleição de São Paulo é um projeto coletivo e não de fulana ou ciclano, de partido "a" ou "b".

Nasci nesta rua, no Rio Pequeno.

Por ter uma vida vivida no movimento organizado sindical e partidário, sei que ocorreram mudanças nas estruturas de campanha após o resultado das eleições no primeiro turno. Pode ser comum acontecer essa desmobilização após a não eleição de vereadores, mas não é correto diminuir a estrutura nas três semanas que definem a vitória de nosso projeto ou a derrota para nossos adversários.

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DIPLOMACIA BRASILEIRA DECIDIU NÃO SER MAIS "ATIVA E ALTIVA"

Aí, vejo aos 55 anos de idade, trinta anos mais politizado que na adolescência, o governo brasileiro, o nosso governo, que desenvolveu um conceito de diplomacia "Ativa e Altiva" nos governos do Partido dos Trabalhadores de 2003 a 2016, voltar a ser uma diplomacia vira-latas como foi nos piores governos do país, os do FHC e dos golpistas Temer e Bolsonaro. Uma diplomacia que fala grosso com os irmãos sul-americanos e de países subdesenvolvidos e fala mansinho com os países imperialistas e do Norte, ou do chamado "Ocidente".

O Brasil teve a desfaçatez de vetar a participação da Venezuela nos BRICS nesta semana. Nosso governo ficou do lado dos golpistas (EUA e o candidato laranja) na versão de que no país vizinho não há democracia. 

Democracia mesmo deve ser aquela dos Estados Unidos da América, onde quem tem mais votos não é eleito presidente. 

Ou então a França, onde o presidente (Macron) perde em julho uma eleição vergonhosamente, sendo salvo de ter que entregar o governo para a extrema-direita (Le Pen) pelo povo francês que elegeu uma coalização de centro-esquerda (Nova Frente Popular) para salvar o país. Que fez o presidente derrotado? Deu um golpe nos vitoriosos... O Brasil falou alguma coisa contra a França nos últimos meses depois desse golpe antidemocrático do direitista Macron? 

E as humilhações do governo de Israel ao governo Lula, tendo até embaixador sionista se encontrando com Bolsonaro para expor nosso presidente? Nosso embaixador que vetou a Venezuela nesta semana disse que o Brasil não vai romper com o governo que está promovendo a maior matança de crianças, mulheres, idosos e civis da história recente do planeta Terra.

Eu me senti tão sem graça ao conversar com um amigo cubano hoje. Ele sempre foi um grande admirador do presidente Lula e me disse que estava com uma dor profunda em seu coração ao ver o que o Brasil fez com a Venezuela em relação ao BRICS. Senti vergonha...

Post Scriptum: imagino que o senhor Luis, lá em Havana, tenha claro que ao vetar e prejudicar a Venezuela, o Brasil está, na prática, "bloqueando" o país que mais ajuda(va) Cuba na questão do combustível, essencial na vida do povo bloqueado cubano. Aí vem o Brasil falar em favor de Cuba contra o bloqueio norte-americano... palavras, palavras, palavras! Já que o Brasil vetou a Venezuela, o país vai enfrentar os EUA e fornecer combustíveis às termoelétricas de Cuba? (com diplomacia vira-latas, eu duvido)

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NA LUTA PARA ELEGER BOULOS E MARTA E MELHORAR A VIDA DO POVO PAULISTANO 

Enfim, como disse, sentimentos complexos, intensos e antagônicos.

Até domingo, as nossas energias estão focadas em salvar o povo paulista e brasileiro do projeto da extrema-direita bancada pelos donos do dinheiro do mundo.

Militância com Luna.

Tentei contribuir nestes meses para eleger nosso projeto de uma cidade mais humana e acolhedora para o povo. Não sei com o que vou me ocupar após as eleições municipais.

Sou uma pessoa que sabe de política. Mas talvez eu me esforce para deixar de vez essa dimensão tão importante da vida humana.

Amigas e amigos leitores, votem 50 Boulos e conversem com seus familiares e conhecidos até domingo 27. Vamos melhorar São Paulo?

William


quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Leituras Capitais - País em chamas



Refeição Cultural - Revista CartaCapital 1329


Reflexões do blog

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PAÍS EM CHAMAS 

"O Brasil é refém do crime e da ganância"

Faz tempo que não me disponho a ler uma edição completa da excelente CartaCapital. Confesso que tenho fugido um pouco das verdades factuais por saber serem elas desalentadoras. É um pouco daquele desejo bobo de fazer de conta que a realidade não é aquela que sabemos que é. 

A SEMANA 

Vejam este começo:

A seção informa que aumentou a diferença salarial entre mulheres e homens (estudos do Ministério do Trabalho). O governo Lula tem boa intenção, mas os donos do dinheiro, não. Lugar de mulheres no capitalismo é onde os homens brancos querem. Se insistirem em se meter no mundo dos "machos", que recebam menos pra aprenderem!

Depois vem a cassetada do aumento injustificável de juros pelo Bacen bolsonarista de Campos Neto. O Bacen é "independente da realidade" segundo a revista. Agora a bolsa rentista paga 10,75% aos coitados indinheirados. São 7,33% de juros reais. Só a Rússia em guerra e sob bloqueio paga mais.

Aí vêm as notícias do Libano, da Venezuela e da Geórgia.

Mataram e feriram centenas de pessoas com uma estratégia nova de assassinato: aparelhos de comunicação explodirem na cara das vítimas. O regime sionista de Israel negou ser o responsável. Deve ter sido algum "lobo solitário" que não gosta do Hezbollah.

Prenderam na Venezuela mercenários com centenas de armas de grosso calibre. Tinha militar dos EUA, 4 de lá, mais 2 espanhóis e um tcheco. Vai ver eles foram lá caçar algum bichinho nas selvas do país... não tem relação alguma com tentativa de assassinar o presidente Maduro.

E na Geórgia está proibido ser gay ou qualquer outra forma de ser humano ou humana além da que o parlamento decidiu. No país só pode ser menino e menina; família de papai, mamãe, meninos e meninas. Talvez o rosa e o azul estejam nos artigos da lei...

CAPA: QUEIMA TOTAL 

"Uma dezena de criminosos põe em risco o patrimônio de 200 milhões de brasileiros"

Que dureza ser informado por essa realidade factual. Eu, a partir de agora, defendo pena de morte para quem destroi o mundo como alguns fdp estão fazendo. Se estivéssemos em processo revolucionário, defenderia julgamento e justiçamento aos mandantes e financiadores de destruição dos biomas brasileiros. Os manés seriam sentenciados a passar os dias replantando e refazendo como fosse possível a natureza que destruíram.

VELHO FANTASMA 

"A crise climática ressalta a disfuncionalidade crescente do setor elétrico"

Qualquer pessoa minimamente educada e não idiotizada sabe que a privatização do sistema é uma tragédia. O foco é o lucro e distribuição pra meia dúzia de fdp e milhões de pessoas e o país que se danem!

Segundo Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP: "Isso acontece porque a lógica com que as empresas de distribuição e transmissão são operadas busca, acima de tudo, maximizar o retorno para o acionista que, por sua vez, pressiona os dirigentes. E estes, com visão de curto prazo, não tomam as providências de longo prazo de fazer uma manutenção preventiva centrada em confiabilidade". (p. 16)

Privatização = privar o povo de... e tem idiota do povo que defende isso!

FILANTROPIA SOCIOAMBIENTAL 

"No enfrentamento às mudanças climáticas, é fundamental apoiar soluções locais, concebidas pelas próprias comunidades"

Para inglês ver... ditado antigo esse!

A matéria esclarece que 99% dos recursos destinados a eventos climáticos e direitos humanos ficam com países e grupos no Norte global. Os de "baixo" que se lasquem.

SEU PAÍS 

Aí vem a seção que traz informações do nosso país... dá até nojo saber o que tá rolando. 

O Congresso Nacional continuará sendo chefiado pela casa-grande, a questão é qual coronel ficará sentado em cima do poder e do orçamento nacional. 

ARTIGOS - os textos de Pedro Serrano sobre os abusos de Elon Musk (p. 30) e de Maria Rita Kehl sobre os homens abusadores (p. 31) estão muito bons!

E pra fechar a seção "Seu país" um alerta sobre essas desgraças das big techs.

Pedro Markun denuncia "A censura da Meta" que tirou do ar um aplicativo de IA (chamado Lex) feito por ele para ajudar pessoas a buscarem informações sobre processos legislativos. É a sacanagem de sempre!

Outro dia, o site UOL publicou matéria que mostrava que a IA do Google só não falava de Boulos e Tabata, mas rasgava elogios aos candidatos da direita e extrema-direita de São Paulo. 

Eu já falei e escrevi muito sobre essa porcaria de ditadura das big techs

PLATAFORMAS DIGITAIS PÚBLICAS: os Estados nacionais e governos devem criar suas plataformas digitais e disponibilizarem elas ao povo (É a minha proposta de solução para a soberania nacional).

ECONOMIA 

FREIO À COBIÇA 

"Privatizações - O sucesso da interrupção da venda de empresas públicas desidrata o discurso do mercado"

Matéria de Carlos Drummond fala sobre o esforço do governo Lula de retomar o controle de parte da Eletrobras e das cadeias de produção e distribuição de combustíveis pela Petrobras. 

NERDS ENGAJADOS

"Evento: O Sana, maior feira geek do Nordeste, tem na inclusão social uma de suas bandeiras"

Matéria legal! Primeiro, fui ler para saber o que era Geek, gente que gosta de tecnologia e cultura pop como essas de origem asiática.

E gostei de saber que a feira tem foco no Nordeste, ela aconteceu no Ceará. 

Os geeks gostam do Naruto (eu também) e outros personagens de animes e mangás. 

SOBRE ERNESTO GEISEL (p. 38)

"Desenvolvimento: Os méritos do general e algumas comparações com Lula"

Ao ler o artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. eu me lembrei dos ensinamentos de Edward Said sobre o papel do intelectual. 

O articulista colocou o ditador Geisel (março de 1974 a março de 1979) entre os melhores presidentes do Brasil, no que tange a governos desenvolvimentistas, com bons resultados econômicos, junto com Vargas, JK e Lula.

Eu respeito Paulo Nogueira e admiro sua coragem de defender aquilo que pensa e acredita. 

Como alguém que conhece noções de economia, não discordo da opinião dele.

NOSSO MUNDO

A seção internacional traz três reportagens: uma sobre o ser abjeto Donald Trump, outra sobre o clã de Rupert Murdoch e o futuro de seu império midiático de extrema-direita. 

A terceira reportagem é sobre casos de estupros e abusos sexuais, e relata o caso de Gisèle Pélicot, 72 anos, que decidiu expor seu caso em nome de uma causa. Ela foi vítima de seu marido em um caso conhecido na França como "o Monstro de Avignon". (p. 44/45)

PLURAL 

Na seção tem uma entrevista com Felipe Neto, que vem realizando um trabalho interessante de incentivar a leitura entre jovens e adultos no Brasil. Ele está lançando seu livro ""Como enfrentar o ódio".

A reportagem "Isabelle Huppert, a imparável" (p. 52) está deliciosa! Deu vontade de ver e assistir tudo que já foi feito com a participação dela.

Raça , gênero e literatura - A apresentação do livro de Christina Sharpe "Notas ordinárias" deixa leitores progressistas da revista instigados na leitura. 

ARTIGOS 

Fecham a edição de CartaCapital dois excelentes artigos. O de Alfonsinho nos alerta para o excesso de jogos e campeonatos de futebol. Estão "Todos exaustos".

"Toxicidade financeira" (p. 57)

O dr. Riad Younes aborda um conceito novo para mim, que atuei como gestor de sistemas de saúde. 

É um tema dramático! Pacientes acometidos de cânceres identificados ou suspeitos, e seus familiares, acabam se envolvendo em dívidas e gastos que os levam à ruína financeira, mesmo aqueles que têm algum convênio ou seguro de saúde. 

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COMENTÁRIO FINAL

Que edição instrutiva e informativa essa que terminei de ler!

Obrigado, equipe de CartaCapital!

William 


sexta-feira, 23 de agosto de 2024

90 de 100 dias



ELEIÇÕES MUNICIPAIS 

Opinião

90. Ouvi nesta semana algumas avaliações políticas que me deixaram pensativo. Desde que me politizei com os bancários da CUT, passei a manter a mente aberta às argumentações das pessoas. Estar aberto a ideias diferentes das minhas quer dizer aceitar a possibilidade de ser convencido a mudar de opinião e incorporar a proposição do outro.

Ao ouvir o jurista Pedro Serrano desenvolver suas opiniões sobre mais ou menos interferência do poder judiciário na política, enquanto princípio, concordei com ele. Ele acha que sujeitos como esses bolsonaristas extremistas deveriam ser derrotados na política, nas ruas. 

Ele respondia a jornalistas sobre aquele desqualificado que está disputando as eleições paulistanas e que comete barbaridades o tempo inteiro como ato estratégico de campanha para capturar a atenção das pessoas pelo grotesco e bizarro.

O "coach" vem crescendo nas pesquisas com seu jeito criminoso de fazer campanha. Pelo que se sabe até agora, pela imprensa progressista, o cara não poderia seguir candidato pelas ilegalidades que já cometeu. Vamos ver o que vai dar. 

Mas, enquanto princípio, concordo com Pedro Serrano que a esquerda e os movimentos populares deveriam apostar mais nas ruas e não no poder da justiça burguesa, que é conservadora e reacionária. Mudanças sociais só se darão pela participação popular, pela pressão das ruas. E a esquerda, está chamando o povo para as ruas?

Aliás, multipliquem esse caso de destaque, o "coach" que indicava vítimas para serem roubadas - candidatura com visibilidade grande por se tratar da gigante cidade de São Paulo - por centenas de casos semelhantes Brasil afora. Como parar isso? Como chamar isso de "democracia"? 

Já se demonstram nas notícias os esquemas de abuso de poder econômico na candidatura do cara. Democracia ou plutocracia? Onde está a igualdade de condições?

A esquerda deveria estar politizando os trabalhadores, explicando e pautando, defendendo que eleições não podem ter nenhum recurso financeiro e econômico além do conhecimento que as pessoas tenham em suas comunidades por alguma referência que elas sejam. Se tiver financiamento, que seja 100% público e isonômico a todas as candidaturas. (e com suspensão das plataformas digitais no período eleitoral: 99% dos que se destacam é pelo poder do dinheiro)

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A "ESQUERDA" DEVE VOLTAR A SER DE ESQUERDA 

Nosso campo político está burocratizado, perdeu a referência histórica de nosso papel em relação ao mundo que queremos, que defendemos, um mundo socialista ou comunista. Sem recuperar nossa postura, nada de relevante vai mudar na sociedade humana. 

Se nosso campo seguir defendendo o capitalismo, o neoliberalismo, a balela de "humanizar" o capitalismo!, as instituições do Estado capitalista e neoliberal, o povo que está se ferrando com o capitalismo e o neoliberalismo não voltará a dar atenção para nós que nos denominamos de "esquerda". Esquerda defendendo o "sistema"? Acordem! Temos que ser antissistema!

Isso está claro no mundo todo. 

Eu quero o fim do capitalismo e do neoliberalismo. Mas quem quer isso hoje no nosso campo da "esquerda"?

Se quer, por que não fala e defende isso abertamente?

Na luta contra o imperialismo estadunidense, estou com Cuba, com o chavismo, estou com os palestinos! Caramba, isso é básico pra alguém de esquerda!

Assim como esses três exemplos acima, muitos outros não deveriam dividir a "esquerda" nessa quadra da história! O direito ao aborto, políticas de cotas, ser antirracista e anticolonialista etc.

É isso! Estamos em período eleitoral. Em São Paulo, precisamos eleger dezenas de vereadoras e vereadores de esquerda. E Boulos prefeito! O mesmo em todas as cidades brasileiras, companheirada!

Peço voto e apoio a Luna Zarattini 13131.

William Mendes 


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 13 de agosto de 2024. Terça-feira.


FIDEL VIVE!

No dia de hoje, comemoramos o nascimento de um dos maiores heróis do povo latino-americano do século XX e da história de Nuestra América, o Comandante em Chefe Fidel Castro. Ele completaria 98 anos de idade. Fidel vive!

Durante o dia, li e apreciei os dois livros fotográficos sobre Fidel que trouxe de Cuba. Imagens magníficas e emocionantes. Junto ao Comandante Fidel, figuras como Che Guevara, Raúl Castro e líderes mundiais.

Nos últimos dias, li também sobre um grande amigo de Cuba, um homem extraordinário, Frei Betto, que completou nesses dias 80 anos de idade.

Estou refletindo a respeito de minha terceira viagem a Cuba, sou admirador e apoiador do povo cubano em sua busca por liberdade e autonomia sem interferência dos Estados Unidos, que mantêm um bloqueio criminoso ao país com o intuito de causar miséria e desesperança a milhões de pessoas.

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Revolução Bolivariana na Venezuela sob ataque

Eu sigo não concordando com o comportamento do governo brasileiro em relação às eleições presidenciais na Venezuela. Depois de tudo que aconteceu nas últimas semanas, até o mundo mineral sabe que o chavismo está sob ataque do imperialismo e está resistindo a mais um Golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos. 

É inacreditável se for verdade que a diplomacia brasileira e o governo Lula avaliam sugerir novas eleições no país. Minha decepção com a postura do Brasil chega ao ponto de pensar em romper com o nosso governo. Não faria isso no calor dos acontecimentos, mas num mundo em disputa como o que vemos neste momento não há espaço para pusilanimidade contra a extrema-direita internacional. Estamos falando do fascismo! Lula pede unidade do mundo contra esses extremistas e acaba apoiando os extremistas que só querem o petróleo da Venezuela. Francamente!

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Bolsonaro livre...

Como venho dizendo faz tempo, desde o ano de 2023, existe uma construção por cima para que nenhum bolsonarista seja punido pelo que fez. Os caras são inimputáveis!

Assim como venho escrevendo a respeito da impossibilidade da democracia na atualidade, vejo claramente que além da plutocracia ser a forma autoritária de governos atuais, vide EUA, França, Alemanha, Brasil do Centrão e do orçamento secreto, entre outros, as "leis" e os "direitos" serão cada vez mais para proteger de qualquer crime o 1% e seus apaniguados, os bilionários e os milionários, e para prender e arrebentar o restante do povo, os noventa e tantos por cento de pessoas, a patuleia, a malta, a plebe, como todos nós.

Que desânimo!

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Eleições municipais brasileiras

Como fazer campanha eleitoral sabendo que não há democracia no Brasil? Como lutar para eleger pessoas decentes e interessadas no bem comum como várias candidaturas que conheço do campo progressista?

Que dureza!

Vamos fazer a nossa parte e fazer o bom combate, claro!

Mas que é meio ilusório, isso é!

William


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Leituras Capitais




Refeição Cultural - CartaCapital ed. 1322

A revista semanal liderada por Mino Carta é sempre uma leitura para nos dar noções do que se passou de relevante nos últimos dias na política, na economia e na cultura de nosso país, e ainda traz duas ou três matérias relativas a outras nações do mundo.

Não é toda semana que leio a revista, mas sempre que posso, leio CartaCapital da primeira à última página. Com isso, fico bem inteirado sobre temas relevantes do momento. Eu não leio noticiários em páginas de internet diariamente. Preservo um pouco de minha sanidade fazendo isso.

Nesta edição, li as matérias sobre as eleições da Venezuela e respeito a opinião dos articulistas, porém discordo da análise deles. É assim que funciona o debate respeitoso sobre política.

Uma das matérias mais interessantes desta edição foi o artigo do senador Jaques Wagner (PT) trazendo luz sobre os investimentos públicos no esporte olímpico e paraolímpico.

Enfim, sigamos nos informando em boas fontes jornalísticas e atuemos contra notícias falsas ou com clara intenção de manipular pessoas.

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"E AGORA, MADURO?

A falta de transparência do processo eleitoral coloca a Venezuela em pé de guerra" 

Com esse título, a revista CartaCapital tomou posição e lado, na minha opinião de leitor. Não vejo isso como problema, a revista sempre foi clara com seus leitores. 

Aliás, me posiciono de cara: não é verdade que "a falta de transparência" colocou o país em pé de guerra. É só vermos o comportamento dos EUA reconhecendo a "vitória" de quem não ganhou (outro Juan Guaidó) e seus lacaios venezuelanos, os atuais fantoches Corina e González, que estimulam uma guerra civil em carta dias depois do resultado, para ter claro que nunca foi uma questão de "transparência" ou "atas".

Dito isso, reafirmo que estou do outro lado da opinião de CartaCapital, eu me posiciono em favor da Revolução Bolivariana, do chavismo e da soberania do povo venezuelano. Há um golpe imperialista em andamento, para se apropriar do petróleo do país e não existe mais "perdão" para supostas inocências democráticas. 

Qualquer pessoa minimamente alfabetizada e politizada sabe que é do petróleo que se trata a intromissão dos EUA nas eleições venezuelanas.

Vão pedir transparência ao Biden, Trump, Kamala, Macron, ao genocida Netanyahu e ao raio que parta essa gente e esses países do Norte imperialista!

E repito a minha vergonha e decepção com a postura de nosso governo em não se posicionar a favor de Maduro como os EUA fizeram em favor da oposição bancada por eles, que inventou um resultado e o império decadente e seus lacaios estão aceitando como "verdadeiro".

It's the economy, stupid!... (lembram-se disso?)

Enfim, dos três textos referentes à matéria de capa, só gostei do tom do texto do professor Belluzzo, resgatando a história da Venezuela. O de Sergio Lirio e o do professor Aldo Fornazieri, não gostei. Atenção: não gostei dos textos e das opiniões deles. Sigo respeitando muito ambos, são opiniões diferentes. 

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ESPORTE TAMBÉM É POLÍTICA 

Como disse na abertura, é esclarecedor o artigo do senador Jaques Wagner (p. 29) nos informando sobre os números e resultados dos 20 anos de criação do programa Bolsa Atleta pelo presidente Lula (criado em 2004). 

Além do Bolsa Atleta, o senador informa sobre os outros programas e montantes de recursos públicos que beneficiaram (98%) ou beneficiam ainda (87,3%) a quase totalidade dos atletas da delegação brasileira (276) nas Olimpíadas de Paris, França. 

O Brasil ganhou mais medalhas nesses 20 anos de patrocínio do governo federal aos atletas olímpicos (84) e paraolímpicos (267), em 5 edições com Bolsa Atleta, do que em 80 anos sem apoio governamental aos atletas. Foram 66 medalhas em 15 edições antes de Lula (PT). Isso significa IGUALDADE DE OPORTUNIDADES! Por isso temos visto tantas pretas e pretos e pessoas periféricas levantando medalhas. Nossa delegação tem 153 mulheres em 276 atletas (55%). 

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OUTRAS SEÇÕES DA REVISTA

Gostei da matéria de política falando sobre as estratégias do Partido dos Trabalhadores no Nordeste para ampliar o número de prefeitos nos Estados nordestinos.

Eu compreendo as concepções e práticas do partido por ter passado mais de duas décadas de minha vida de representação estudando um pouco a origem e as características do PT e de suas principais lideranças desde a sua fundação em 1980.

Aliás, sempre votei no PT, mesmo quando não era filiado ao partido. Dia desses, escrevi sobre isso (ver aqui). Neste período de eleições municipais, vou escrever sobre política no blog A Categoria Bancária (aqui) e vou apoiar a candidatura de Guilherme Boulos e Luna Zarattini (vereadora) em São Paulo, cidade onde nasci, e vou apoiar a candidatura de Emídio de Souza em Osasco, onde resido.

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CULTURA

A edição veio recheada de boas reportagens sobre cultura. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia em nova turnê após décadas é uma maravilha. Eu me lembro que foi através de CartaCapital que vi o lançamento do álbum novo "Noturno", de Bethânia, durante a pandemia de Covid-19 que ouvi e adorei.

Todas as matérias são interessantes e estimulantes.

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SAÚDE

O artigo "Uma questão de classe", de Arthur Chioro, sobre as eleições no Conselho Federal de Medicina (CFM) é elucidativo para as pessoas que não acompanham o dia a dia do setor de saúde brasileiro.

Chioro cita um certo número de casos na área da saúde para demonstrar o quanto regredimos em relação à ética profissional no setor. Depois dos casos absurdos, ele nos explica a importância do CFM como um órgão público de fiscalização.

"No Brasil, desde 1951, essa responsabilidade é atribuída, por lei, a uma autarquia federal, o Conselho Federal de Medicina (CFM), que possui o papel de fiscalizar e normatizar a prática médica e é formado por dois médicos (um titular e um suplente) de cada unidade federada, eleitos por seus pares".

E as eleições se deram nesta semana que passou e os resultados nos Estados e DF foram muito ruins, o conservadorismo prevaleceu e os riscos seguirão altos, tanto para os profissionais da área quanto para a população brasileira exposta a práticas questionáveis e não científicas.

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É isso! Foi uma leitura que me deixou com noções boas sobre os temas que abordou.

William Mendes

terça-feira, 6 de agosto de 2024

73 de 100 dias


A bomba atômica.

Opinião

73. O dia 6 de agosto é um dia para nunca ser esquecido pela sociedade humana. O dia da infâmia! O dia no qual os Estados Unidos da América lançaram sobre a cidade de Hiroshima, Japão, uma bomba atômica, no ano de 1945, matando imediatamente dezenas de milhares de pessoas e centenas de milhares depois devido às consequências dos efeitos radioativos da bomba. Três dias depois, 9 de agosto, os mesmos EUA lançariam outra bomba atômica sobre Nagasaki. Não podemos esquecer esse ato de lesa-humanidade ao assassinar centenas de milhares de pessoas - crianças, mulheres, idosos, civis, pessoas que não estavam em campos de batalha - para demonstrar o poder de morte de um governo sobre os demais povos em confrontos e guerras.

Terminei recentemente a leitura de um clássico japonês das Histórias em Quadrinhos que me trouxe muitas emoções - Gen Pés Descalços -, de Keiji Nakazawa, um desenhista e criador de mangás (mangaká) cuja história pessoal se confunde com a história do personagem principal, Gen Nakaoka, um garoto de seis anos que sobreviveu à bomba atômica. A leitura das mais de 2000 páginas da obra me proporcionou momentos de muita reflexão, sofrimento e conscientização.


Gen Pés Descalços,
em 10 volumes.

TEREMOS NOVAS BOMBAS E NOVAS GUERRAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA?

O que a humanidade aprendeu com o assassinato de meio milhão de pessoas com os lançamentos das bombas atômicas nos anos quarenta? 

Se pararmos para refletir a partir do cenário mundial neste exato momento, veremos que não aprendemos muita coisa. 

Estamos à beira de uma conflagração de guerras inumeráveis ou de envolvimento de grandes países do mundo em uma guerra polarizando os Estados Unidos e seus vassalos de um lado e seus inimigos escolhidos de outro. Uma espécie de 3ª Guerra Mundial.

A atual guerra na Ucrânia, uma guerra por procuração, provocada segundo muitos analistas de geopolítica internacional pelos movimentos da Otan e pelos Estados Unidos, que desrespeitaram acordos desde os anos noventa e foram convidando e incluindo todos os países vizinhos da Rússia a serem membros da Otan expondo o povo russo a um risco real de ataques a sua soberania.

A guerra de extermínio e expulsão do povo palestino da Faixa de Gaza e da Palestina, promovida pelo governo sionista de Israel, com apoio dos Estados Unidos, guerra que já matou mais de 40 mil palestinos - crianças, mulheres, idosos, civis e pessoas que não estavam em campos de batalha - repete o roteiro das guerras conhecidas pelos historiadores no último século.

A nova tentativa dos Estados Unidos em derrubar o governo da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, de forma injustificável, ao declarar que a dupla Edmundo González e Maria Corina Machado são vencedores de uma eleição com números criados da cabeça deles, só na base da narrativa inventada, é um passo perigoso na atual conjuntura global. Será que os países do BRICS e aliados vão aceitar essa provocação e ingerência para tomar os poços de petróleo do povo venezuelano na mão grande?

Poderia ficar aqui citando as provocações dos Estados Unidos a diversos países com o intuito de causar um ambiente de conflito global - Irã, China, Rússia etc.

Esses são os tempos...

Lembrem-se do dia 6 de agosto de 1945!

Lembrem-se do dia 9 de agosto de 1945!

Estamos livres e distantes de novas bombas de destruição em massa?

BLOQUEIOS ECONÔMICOS SÃO COMO BOMBAS ATÔMICAS EM RELAÇÃO AOS SEUS EFEITOS SOBRE AS POPULAÇÕES VÍTIMAS

Estamos livres das bombas de destruição em massa chamadas bloqueios econômicos e comerciais, os tais embargos disparados pelos Estados Unidos a hora que querem e ao país que eles acharem que devem disparar essas bombas de destruição econômica que só causam miséria e mortes às populações civis de seus inimigos? 

(vejam o que o povo cubano sofre há décadas com essa bomba norte-americana chamada "bloqueo". Vejam as consequências para o povo venezuelano...)

Lembrem-se do dia 6 de agosto!

E tenhamos consciência do mal que as guerras e as bombas causam às pessoas.

William Mendes


domingo, 4 de agosto de 2024

71 de 100 dias



71. Enquanto fechava os olhos, pela manhã, para apreciar o vento que acariciava meu corpo no banco do condomínio, pensei na temática do filme "Blade Runner" (1982): o tempo, a busca por mais tempo de vida. 

De forma natural, me veio à lembrança o genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza. Nas últimas horas, dezenas de pessoas foram mortas em uma escola e em um campo de refugiados pelas bombas dos soldados israelenses. 

É impossível não se sentir constrangido por estar sentado ao sol, em paz na brisa, sem risco de morte aparente, sabendo que os soldados sionistas e o governo de Netanyahu estão matando pessoas como nós, seres humanos, por causa de um projeto político de colonização de um espaço de chão no planeta Terra. E com apoio e armas dos Estados Unidos, que por sinal querem a qualquer custo o petróleo de nossos vizinhos venezuelanos.

Como é possível no século atual interligado por som e imagem ter-se normalizado o assassinato diário de civis, de mulheres, crianças e não-combatentes pelo Estado de Israel? Os sionistas assassinam diplomatas e lideranças civis como se isso fosse algo normal e aceitável. 

IDEOLOGIA DA CLASSE DOMINANTE - E a imprensa tradicional e comercial, dos donos do capital (donos das big techs, por sinal), atua com obediência canina para tirar do foco o genocídio de um povo (invisibilização de pauta) e colocar outras pautas na agenda cotidiana. Isso se chama manipulação das massas, de seus leitores e espectadores: se trata de ideologia, imposição de ideias de um grupo como se fossem as ideias de interesse de outros grupos. É uma prática tão vil e nojenta quanto o próprio genocídio que a imprensa esconde e normaliza.

Aí volto ao tema do tempo, da busca por mais tempo de vida... eu mesmo, enquanto me esforçava para diminuir o tempo do percurso que corri, pensava no efeito prolongador da vida em meu corpo animal que a corrida pode me proporcionar, melhorando meus níveis de colesterol, minha estrutura do sistema circulatório e a capacidade do coração e pulmões. 

No filme de Ridley Scott, o replicante Roy Batty (Rutger Hauer) procura seu criador para pedir mais tempo de vida para ele e sua amada, Pris (Daryl Hannah), pois os robôs nexus-6 vivem por 4 anos e nem um segundo a mais.

Fico pensando nessa questão do tempo, de mais tempo de vida. Penso nos meus irmãos palestinos neste exato instante, sem água, comida, sem um chão pra viver em paz. Penso nos ensinamentos de José Martí, que nos legou que "Patria es humanidad" e reflito sobre essa questão do tempo de vida: 

De alguma forma, devemos contribuir para mudar o mundo, tornar o mundo um lugar melhor para todas as pessoas e formas de vida. Minha vida não pode ser só focada no meu prazer pessoal. Temos que contribuir para mudar o mundo. 

Por isso estudo e escrevo. Para compartilhar minhas ideias, para defender um mundo sem exploração dos humanos por outros humanos, para defender uma vida mais sustentável no planeta Terra, para alertar que não é possível "humanizar" o capitalismo. Para salvar a vida e o mundo, temos que derrotar os capitalistas e suas ideologias. 

William Mendes 


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

69 de 100 dias



69. Os acasos moldam nossos dias, diria até nossas vidas. Quem já leu textos meus sabe que falo sobre os acasos da existência. São as veredas deste grande sertão que é a vida.

Hoje era pra eu ter andado umas dezenas de quilômetros. Havia planejado isso, fazer mais um teste físico para mensurar minha energia para andar os 80 Km da semana que vem. Andei 31,5 Km na semana passada. Os acasos mudaram meu dia (risos). Tudo bem! 

Ao aceitar o convite da companheira Lina Noronha para fazer uma live sobre política (ver aqui), cuja pauta central foi a eleição presidencial na Venezuela, senti a necessidade de organizar meu dia para ler boas fontes sobre o tema.

Deu tudo certo, acho que o programa foi legal. Agradeço a Lina pelo convite. Nos conhecemos em Havana, na Casa de Isabel. Sigo à disposição das causas da esquerda, do mundo do trabalho e do socialismo. 

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Acho que vou aproveitar que não andei uns 50 Km e vou dormir mais cedo. Ando cansado.

Amig@s leitores, um outro mundo é possível. Para mudarmos a tendência de fim do mundo, temos que apostar na educação e na cultura, para mudarmos as pessoas e com isso mudarmos o mundo. O conhecimento liberta, como ensina José Martí!

William Mendes