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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Estamos doentes, e todos sofreremos as consequências




Opinião

Todos estamos adoecendo com a destruição do país, e não haverá médicos nem remédios, nem para pobres nem para remediados. É o fim do país que fomos, inclusive considerando o passado colonial

Não estou com nenhum entusiasmo para escrever. Depois de mais de quatro décadas de existência buscando me libertar da ignorância, do desconhecimento, do analfabetismo funcional, dos preconceitos que carreguei comigo, depois de lutar anos e anos para me libertar de todo o ódio que senti do mundo, da vida, da sociedade, das injustiças sociais, dos ricos e bilionários responsáveis pelas desgraças dos pobres e do povo, depois desse percurso tentando ser uma pessoa melhor, vem o retrocesso civilizatório que estamos presenciando dia após dia no mundo e no novamente brazil-colônia neste início de século e milênio.

Por que escrever algo, registrar sentimentos e reflexões, descrever eventos e fatos que ficarão marcados na história pessoal, social e humana? Acho que a resposta seria simples: porque as pessoas que virão depois de nós têm o direito de saber como foram as coisas no passado, e por que as coisas aconteceram como aconteceram. 

Que saberíamos sobre o nazismo se não houvesse relatos de pessoas da época, tanto olhando de fora quanto de dentro daquilo? 

Os leitores do filólogo judeu-alemão Victor Klemperer não saberiam sobre a linguagem do Terceiro Reich se ele não tivesse, de forma abnegada, se agarrado aos seus diários durante anos e anos de observação e de sobrevivência ao regime de Hitler, Goebbels e lixos humanos assemelhados. Que saberíamos sobre os pensamentos, sonhos e pontos de vista de uma jovem judia escondida com a família entre paredes falsas e sótãos na Holanda ocupada, fugindo do ódio exterminador nazista, se Anne Frank não tivesse registrado isso em seu diário?

Enfim, está difícil encontrar energia para escrever. Até porque os textos produzidos com grande trabalho de pesquisa e dedicação de horas de concentração, acabam por serem lidos cada vez por menos leitores, e os alfabetizados funcionais parecem estar rareando por aí, neste momento da história humana.

As coisas que me incomodaram muito nesses dias, que amarguraram meu coração e adoeceram meu ser, física e psicologicamente, foram os temas ligados às consequências do golpe de Estado aplicado no Brasil, com a retirada do Partido dos Trabalhadores do poder por uma nova técnica de golpe - o lawfare

O impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma, a prisão política de Lula sem crime algum (inclusive com a morte de sua companheira de toda a vida, Dona Marisa, morte por tortura psicológica e humilhação a ela e família), e a provável morte de Lula pelo mesmo mecanismo de tortura psicológica (é difícil este homem de 73 anos continuar resistindo a tanta violência contra sua honra), têm abalado a saúde de muita gente brasileira, muita mesmo, mas como as doenças crônicas são invisíveis e sem sintomas, poucos farão associação com a desgraça estatística do adoecimento que vem por aí.

Uma metade da população está adoecendo violentamente com as tristezas que estamos passando ininterruptamente pela destruição acelerada do país após o golpe de 2016, após a retirada dos direitos do povo e com a destruição do patrimônio nacional em benefício de agentes externos ao país. A doença tristeza e desesperança no amanhã se soma à doença desemprego ou subemprego para destruir a saúde dessa geração.

A outra metade da população está adoecendo, e também não sabe disso. Está doente crônica com todo o ódio, preconceito e cinzentice que carrega em si (me lembrei do prefeito do tudo cinza), com toda a virulência nauseabunda que carrega em seu cotidiano contra os imaginários comunistas, bolivarianos, doente de ódio contra petistas (petralhas), gays, sindicalistas, negros, nordestinos, professores do mal, estudantes do mal, corruptos alheios do mal (eles não são corruptos, hahaha). Doente crônica essa outra metade de brasileiros ricos, remediados e também os pobres-coitados de direita alimentados pelas máquinas de ódio que nos lembram as Teletelas do Grande Irmão, no distópico "1984", de Orwell. (ai geração cara na tela...)

Essa metade doente vibra e comemora qualquer idiotice ou tragédia como "Escola sem partido", o fim do convênio Cuba-Brasil no programa "Mais Médicos" e o consequente fim do atendimento a mais de 30 milhões de seres humanos em quase dois mil municípios do país. Comemoram a nomeação de uma equipe de governo escolhida cada ministro entre os piores de seu segmento, enfim, essa outra metade, "vencedora" nas eleições, está tão doente quanto a outra metade 'perdedora", mas esse adoecimento do Brasil não será facilmente captado pelas estatísticas da tragédia brasileira.

A saúde do povo brasileiro, mais os pobres que só têm o SUS, mas também os remediados, aquele povo que acha que é classe média porque tem plano de saúde por causa de sua relação empregatícia, a saúde brasileira vai degenerar de forma irrecuperável. Seremos um subproduto humano na nova experiência da guerra pela hegemonia política e econômica do planeta. Nenhum país, nenhum povo, foi tão cachorro, tão miserável e tão estúpido de se entregar para os Estados Unidos como o povo de meu país, sem lutar, sem resistência alguma, só com a docilidade e ignorância histórica de ser manipulado sempre pela casa-grande.

Estamos doentes, crônicos do corpo e da alma. As perspectivas do que vem por aí são terríveis. Mas podemos inverter esse quadro a qualquer momento, porque a história humana é feita de imponderáveis... (que venha um logo!)

William

domingo, 20 de agosto de 2017

Casa-grande & Senzala (1933) - Gilberto Freire





Refeição Cultural

"A Gilberto Freyre*

                       Carlos Drummond de Andrade


Velhos retratos; receitas

de carurus e guisados;
as tortas Ruas Direitas;
os esplendores passados;

a linha negra do leite
coagulando-se em doçura;
as rezas à luz do azeite;
o sexo na cama escura;

a casa-grande; a senzala;
inda os remorsos mais vivos,
tudo ressurge e me fala,
grande Gilberto, em teus livros."

*Viola de bolso novamente encordoada, Rio de Janeiro, José Olympio, 1955.


Início de jornada

Estamos no ano de 2017, vivendo no maior país da América do Sul, o Brasil, que está sob golpe de Estado desde abril de 2016, um golpe parlamentar-jurídico-midiático, quando a presidenta Dilma Rousseff, eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, foi afastada e depois impedida de seguir em seu mandato por um bando de suspeitos de corrupção que tomou conta de parte das instituições da máquina estatal brasileira.

De lá para cá, os golpistas da chamada "Casa Grande" destruíram a economia do País, atacaram fortemente os direitos do povo brasileiro e não param de dilapidar o que ainda resta de patrimônio público e social do Brasil. Sem contar que na construção do golpe foi aberta a Caixa de Pandora, e a máquina de comunicação empresarial, que atua como partido, o Partido da Imprensa Golpista (PIG), envenenou o povo brasileiro criando um ódio antes incomum em solo pátrio, e favorecendo a ascensão de ideais nazifascistas.

Após ler mais de trinta obras no primeiro semestre deste ano, defini que não terei a mesma possibilidade de leitura neste período seguinte. No entanto, achei que não tinha mais como protelar o estudo da obra de Gilberto Freyre, já que nenhuma referência é mais citada atualmente que este ensaio sobre a conformação do Brasil.

A obra se divide em cinco capítulos, e tentei ler o primeiro inteiro antes de publicar alguma coisa, mas não foi possível porque minha leitura tem sido lenta e com atenção, lendo inclusive todas as citações e referências, que equivalem a páginas e páginas ao final de cada capítulo. Já li quase 90 páginas e depois vou publicar alguns comentários, assim como li ano passado 1984, de George Orwell, fazendo uma série de postagens.

As opiniões de Freyre neste ensaio são polêmicas e ler uma obra desta nos exige o comportamento intelectual de conhecer suas teses e avaliar o que concordo e o que tenho discordância. Já fiz isso em várias obras como, por exemplo, o Ócio Criativo, de Domenico de Masi. Algumas afirmações deste intelectual me incomodaram bastante, mas isso não me impede de ler seus pensamentos.

Enfim, o momento político é dramático e eu entendo que as lideranças da classe trabalhadora precisam reagir. Eu já tenho uma tarefa duríssima na frente de batalha em que estou - defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores do BB na autogestão Cassi -, mas conhecimento e formação são sempre necessários para que possamos contribuir com o avanço dos direitos sociais do povo brasileiro.

Abraços,

William
Um leitor

domingo, 30 de julho de 2017

Diário e reflexões - 300717



Pôr do Sol em Foz do Iguaçu. Foto de William Mendes.

Refeição Cultural

Domingo. Estou me preparando para iniciar mais uma semana de lutas pela entidade de autogestão em saúde dos trabalhadores do Banco do Brasil, onde sou diretor eleito pelos associados. Será uma semana intensa que só terminará no sábado de manhã, quando eu chegar das Conferências de Saúde que faremos na Bahia e em Sergipe.

Hoje fiz uma caminhada de 20k em 3h30' como parte do treinamento que estou tentando fazer para chegar bem à Romaria que farei daqui alguns dias lá em Minas Gerais. Com o passar dos anos, a gente acaba conhecendo melhor o nosso corpo. Ao optar por caminhar ao invés de correr nas últimas semanas, porque tenho que preparar o corpo para andar por horas a fio, minha pressão arterial aumentou (por diversos motivos, na verdade). Por uma questão de saúde, após a Romaria será preciso retomar com vigor as corridas porque só elas abaixam minha pressão.

Não ando com muito ânimo para escrever por causa da tristeza que tenho carregado ao ter consciência de tudo que está se passando com o mundo ao meu redor, com o meu País vilipendiado pelos golpistas, com a ascensão do fascismo e com o predomínio do ódio nos corações das pessoas neste quarto da história. Não tem como não sofrer sendo um ser humano que se importa com os outros, com as pessoas de minha classe social - a classe trabalhadora -, não tem como não sofrer com a destruição da natureza e esgotamento dos recursos naturais por causa da ganância e do consumo do sistema capitalista; sofrem aqueles que em sua ética, no seu caráter, se importam com o bem comum.


Adaptação leve e prazerosa da
obra de Jack London.

Mas eu me esforço em sentar e escrever. Falar para o mundo, por mais que seja para poucas pessoas (se comparado com qualquer dos representantes das ideias que combato no mundo, que têm milhões de seguidores), falar o que pensamos e o que defendemos é preciso. Salvar o mundo, salvar a natureza, salvar as pessoas, só é possível se a gente não desistir de fazer o que fazemos: lutar com as armas que temos e no espaço social em que estamos empreendendo a luta. Minhas armas são minhas palavras e minhas atitudes.

Nesta semana que passou, eu li um livro ilustrado que comprei pela internet a pedido de meu filho e, por desatenção, comprei errado. Era para comprar o romance do escritor americano Jack London, O chamado da floresta (1903), e eu comprei uma edição adaptada por Sonia Robatto, com ilustrações. Leitura agradável e valeu a pena. Fiquei pensando na estória de Buck, um filhote de são-bernardo com collie, roubado na Califórnia e levado para o Alasca. O destino reservou uma vida dura para Buck a partir de então, mas com o tempo, ele passou a ouvir o chamado da floresta, atiçando em si a busca por sua verdadeira natureza.


O totalitarismo que o mundo temia no século 20 virou o
totalitarismo inesperado dos donos da mídia,
manipulando o mundo.

Assisti ao filme 1984, na primeira versão para o cinema, de 1956. A obra é baseada na ficção de George Orwell 1984 (1949). Edmond O'Brien interpreta o personagem principal Winston Smith e a bela Jan Sterling interpreta Julia. Michael Redgrave é o General O'Connor. Gostei mais desta versão em preto e branco do que da outra que saiu em 1984, também inglesa. Ano passado, fiz uma série de postagens enquanto relia o clássico de Orwell e enquanto o Grande Irmão do mundo real (Globo/PIG) aplicava novo golpe de Estado ao Brasil (ler postagens com referência à obra 1984 AQUI). Ao saber o final da estória ficcional e ao ver a história real do mundo dominado pelos donos dos meios comerciais de manipulação global, eu me pergunto se haverá esperanças. Como estão as coisas, não. Só se houver uma reviravolta no controle dos meios midiáticos, inverter-se os donos.

Eu estive com a família em Foz do Iguaçu dias atrás e quis fazer umas postagens de fotos. Não consegui. Aquele mundo das águas é uma das coisas mais fantásticas do planeta Terra. Recomendo que cada pessoa que não conhece as Cataratas do Iguaçu se programe para ir até lá. É uma das maravilhas do mundo.


Maravilha do nosso mundo, as Cataratas do Iguaçu.
Foto de William Mendes.

Por fim, eu comecei a ler neste fim de semana o icônico Casa-grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre. Meu desejo era ter acabado o primeiro capítulo. Li por horas no sábado, mas não consegui. Porque li devagar e com reflexões. Só a Introdução de Freyre já é grande. Comecei a entender qual a tese que o autor desenvolve no ensaio.

Eu refleti que este será o último livro do ano porque preciso aproveitar meus finais de semana para trabalhar em meus dois blogs e já não fiz isso neste fim de semana.

Fim de minhas reflexões. Um abraço aos amig@s que passaram pela postagem e partilharam minhas palavras.

William

domingo, 16 de outubro de 2016

Neste momento da história o mal vence e se banaliza


Nós humanos fazemos da vida
 em sociedade uma merda,
mas há a beleza da natureza.

Refeição Cultural

Domingo, saí para caminhar na praia. Preciso cuidar minimamente do corpo que me carrega para enfrentar o que vem de balas e bombas no front da guerra em que me encontro, a guerra de classes.

Não pude deixar de pensar um minuto sequer em tudo que já aconteceu com o golpe contra a democracia brasileira e contra o povo ao qual pertenço e pensar em tudo que vislumbro estar por vir no cenário político e econômico atual enquanto andei mais de uma hora.

Estou seco, estou querendo silêncio. Gostaria até de poder dormir mais e não posso. Meu corpo está cansado.

Na próxima semana e nas outras até o final do ano, tenho uma agenda insana, mas necessária, para defesa da causa que abracei: a Cassi, entidade de saúde dos bancários do BB. 

Vou conjugar até o fim do ano o que já venho fazendo desde que iniciei esta tarefa (revolucionária), enfrentar agendas de reuniões semanais na sede em Brasília, inclusive com debates e embates por causa das negociações a respeito do déficit do plano de saúde dos trabalhadores, com agendas de visitas às bases onde temos atuado incansavelmente para levar informações a respeito da Caixa de Assistência e propor parcerias em defesa da própria Cassi e do modelo assistencial de cuidar dos associados ao longo da vida.

O título desta matéria é uma afirmação dura e verdadeira na opinião deste que aqui escreve aos leitores de nosso Blog.

Eu sei que não posso fazer sequer um texto com tudo o que penso porque, no momento em que nos encontramos, as pessoas não leem nada mais que demore para ler. É o tempo do curto prazo, é o tempo só do momento, do aqui e agora, não há amanhã. É foda.


E apesar de tudo, a natureza
resiste até a nós humanos.

A derrota recente de Fernando Haddad (PT-SP) nas eleições municipais brasileiras foi algo que me colocou num nível de desesperança muito grande. Fiquei dias refletindo a respeito. Nós trabalhadores explorados pelos donos de tudo perdemos; os capitalistas e seus meios de comunicação cartelizados e monopolizados, venceram.

Milhões de pobres e remediados que tiveram suas vidas melhoradas com as políticas implantadas pelo Partido dos Trabalhadores votaram nos bilionários que estão babando para retirar todas as conquistas desses milhões de ex-miseráveis. E esses miseráveis votaram neles.

Eu não tenho mais décadas para esperar ver nascer esperanças de um mundo mais justo e solidário após acabar de ver um golpe de estado e ver nascer o mesmo clima nazifascista que o mundo viveu nos anos 20 e 30 do século XX.

O governo golpista e os 366 desgraçados congressistas que podem votar e aprovar qualquer coisa que quiserem a qualquer minuto nos próximos meses não vão deixar pedra sobre pedra da ex-república Brasil. 

O avanço dos meios de comunicação de massa das últimas décadas criou seres humanos imbecilizados, mais que em qualquer época. Todo o conhecimento do mundo está digitalizado à toa. A referência na vida das pessoas são os meios de comunicação dos bilionários. São corpos marombados e tatuados, status social, dinheiro ganho de qualquer forma, jogos e mundos eletrônicos e virtuais.

As condições de luta dos trabalhadores explorados dos séculos XVIII e XIX foram umas; outras foram as do século XX. Agora também são diferentes. Nunca tivemos um sistema que manipula, engana e direciona com tanta facilidade a própria classe explorada. Fodeu!

Eu não terei saúde para enfrentar por décadas este sistema totalitário e escravizador da rede mundial de computadores, que meus pares progressistas e de esquerda achavam, anos atrás, que viria para derrotar o poder dos poucos donos capitalistas de TV, rádios, jornais e revistas. ERRARAM! Nós perdemos. Visionário foi George Orwell com sua metáfora do Grande Irmão (Big Brother).

Neste momento da história, em nosso país sob novo golpe e nos países do mundo que estão sob ataque dos imperialistas e donos das corporações mundiais das indústrias armamentistas, de óleo e gás, farmacêuticas, das modas e marcas de carro, roupa, tênis e fetiches do tipo, nós povo explorado que precisamos de emprego deles para sobreviver, teríamos que iniciar uma contraofensiva organizada para não virarmos escravos.

Não teremos chances através do processo democrático. Porque não há mais democracia real. Não temos a quem recorrer em termos de instituições do Estado, porque o Estado está tomado e as instituições estão contra nós.

Os jovens precisariam assumir a contraofensiva. Mas quem vai organizar os jovens dispersos e desunidos, juntos a velhos líderes de "esquerda" ou eles mesmos não querendo relação alguma com ninguém da "velha política" e frágeis em si mesmos com seus sonhos e utopias num mundo totalitário dos meios de comunicação de poucos donos de tudo, que eliminam adversários em meses através dos veículos de informação e com apoio dos seus apaniguados nas estruturas do Estado, legislativo, executivo, judiciário e forças policiais, unidos contra os levantes do povo sem armas?

Eu não desisto de minhas missões e tarefas, mas sei do cenário em que estamos enfiados. Se mais da metade do povo brasileiro está entorpecido pelos golpistas e seus meios de comunicação, mais da metade do povo que represento na área da saúde e no banco público que trabalho está com os golpistas que vão nos foder.

Mas eu acordo todos os dias e saio para cumprir minha missão. Como diz o poeta maior Drummond:

"Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
" (Os ombros suportam o mundo)


Sigo a ordem de meu coração e dos votos que carrego, e a confiança que depositaram em mim mais de 30 mil pessoas. E sei que é bem provável que ao final todo o sacrifício não dará em nada. Vejam o Fernando Haddad e a vitória do bilionário desgraçado eleito pelos nossos pares trabalhadores e miseráveis que pouco se lixam para a política que determina a vida deles mesmos.

Chega. Como sempre, a gente acaba escrevendo um monte. Pra quê?

William

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Diário - 150916 (Cansaço)





Acordei nesta quinta-feira com grande dificuldade de levantar da cama. Fiquei mais de uma hora acordando e cochilando mais alguns minutos. Bateu um cansaço danado em mim. Será que eu era Gregor Samsa...

Acabei levantando para retomar as lutas diárias que nossa função social exige. Como diz meu poeta favorito, Drummond:

"Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
"


Cheguei ontem do Rio de Janeiro quase à meia noite. Fui cumprir uma agenda de trabalho. Participei de encontro com aposentados do Banco do Brasil. Depois fiz um esforço extra na agenda e saí de Xerén, em Duque de Caxias, para ir à Unidade Cassi do outro lado do Rio de Janeiro e voltar pra embarcar no Galeão, no final da noite.

Fui conversar com os trabalhadores da nossa entidade de saúde. O esforço valeu a pena. Esse pessoal que dedica sua vida à Cassi deve ser muito respeitado por nós gestores, pelo Banco do Brasil e pelos associados de nossa operadora de autogestão em saúde.

Não sei o porquê desse cansaço grande que me segurou na cama até mais tarde... 

Na verdade eu sei sim. Saber do espetáculo dantesco que a máquina do estado de exceção em que vivemos fez com o presidente Lula me deprimiu profundamente. Uns fulanos da máquina estatal denunciaram Lula por um monte de crimes inventados. Faz parte do Golpe prender nosso líder e talvez até soltá-lo depois, mas sem poder participar da vida pública. Me disseram que a montagem foi ao vivo através das teletelas do Grande Irmão Globo.

A gente às vezes quase morre de desgosto. A caça ilegal a este homem de bem, maior liderança do povo brasileiro em toda a sua história, nos faz perder a fé e a esperança em lutar com as ferramentas legais contra as injustiças e contra o status quo, contra o sistema hegemônico e explorador do capitalismo, que sempre foi e sempre será cego em relação ao povo que a gente representa e faz parte, a classe trabalhadora e gente humilde.

Neste momento, ainda em casa, estou com muita raiva e desprezo de qualquer ser humano que foi favorável a todo esse processo de quebra da democracia e golpe nazifascista contra Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores. Sinto um desprezo gigantesco pelos hipócritas e tenho dó dos manipulados que participaram disso. Mas sou um cidadão civilizado para lidar com a alteridade.

O que estão fazendo com o Lula nos avisa que não há mais normalidade alguma na vida civil. Se alguém desse Estado dantesco e golpista olhar pra mim ou pra você, cismar comigo ou com você, souber que eu existo e que não pactuo com essas aberrações do sistema totalitário em que entramos, podem expedir uma ordem de me vaporizar da normalidade civil. Qualquer um de nós que nos opusermos ao que se instalou no aparelho do estado de exceção golpista pode ser a próxima vítima a qualquer instante. Que adianta termos toda uma vida honesta e de bons princípios e ética e correção? Basta incomodarmos os deuses do estado de exceção e acabou.

A quem recorrer dentro da legalidade? A "legalidade", a lei e as instituições que deveriam proteger a legalidade e os cidadãos foram tomadas pelo estado de exceção. Fizeram parte do golpe que ceifou a democracia em nosso país.

Não há mais solução na legalidade para retomar a democracia e a liberdade verdadeira, a liberdade não autorizada pelo Grande Irmão P.I.G. e pelos novos donos do aparelho estatal.

Fico vendo lideranças do campo da esquerda discutindo nuanças se o povo que ainda luta nas ruas deve reivindicar "Diretas já" ou a volta da presidenta ilegitimamente deposta com apoio de todas as estruturas legais do Estado. Ou até se deve prevalecer o lema "Fora Temer". Os mais doidinhos de sempre, das correntes pseudo-revolucionárias pedem "Fora todos". Eu fico vendo isso e fico melancólico. Até vou pra rua quando minha agenda de trabalho permite. Mas os esperançosos na legalidade civil são quase como crianças, na minha opinião.

Não há volta da democracia dentro da legalidade civil. Este golpe foi organizado com todos os poderes do aparelho do Estado, com os envolvidos comprados a soldo de milhões. Com o apoio do país que organiza golpes no mundo há um século. E os aparelhos de manipulação estão azeitados para fazer continuar adormecida a massa humana pescada nas teletelas com bundas, futebol, novelas, aparelhos de celular e rede social, estão causando com selfs cada vez mais legais...

Podem dizer que não gostam mais do Grande Irmão Globo, mas no fundo todos querem mais é ter seu segundo de fama nas redes sociais... é tudo "mãe, tô na grobo" do mesmo jeito.

Não há solução na legalidade civil para salvar Lula, para salvar o movimento popular que está nas ruas contra o golpe e pedindo novas eleições. Esse povo vai começar a morrer, vítima dos aparelhos repressores do Estado golpista. Não dá pra enfrentar armas com o corpo nu. 

Qual órgão do Estado iria conduzir um processo de novas eleições?

O Congresso Nacional dos golpistas? O STF do salário aumentado no processo de destituição da presidenta sem crime? A OAB que sumiu, desapareceu, escafedeu-se...? Ou seria os órgãos deuses PF MPF MP que agora podem entrar em nossas casas, inventar ilações contra cidadãos ou empresas, nos prender sem Habeas Corpus e sem direito a um telefonema...? (e se for interessante, combinado com o Grande Irmão Globo)

Já sei! Vamos denunciar aos órgãos de imprensa...

Fiquei cansado e com dificuldades para levantar, mas já levantei. Vamos desempenar o corpo e sair pra luta. 

E com um problema desse que tomou conta de nossa vida civil brasileira, que espaço eu teria pra chorar o que enfrento no dia a dia dentro da entidade de saúde que administro como eleito pelos associados? Mandato em que não deixei de ser eu mesmo e passei a questionar e enfrentar coisas erradas na burocracia e nesses dois anos já sofri represálias que são difíceis de dizer aos amigos e pessoas que representamos? As perseguições e más vontades que enfrentamos nos quebram um pouco. Mas o processo é pra isso mesmo. As coisas estão mais difíceis ainda com a nova composição na gestão... mas aviso que não vou me desviar de meus princípios e conduta.

Estou terminando de reler Edward Said nesta semana porque preciso renovar minhas convicções na ética, no papel que temos que desempenhar como pessoas que têm conhecimento e que não devem se dobrar aos encantos e facilidades do poder instituído. Eu tenho que achar muita energia para manter minha linha de representação da classe a qual pertenço e dizer o que penso e o que tem que ser dito a qualquer um que seja. Mesmo com todas as consequências que sofremos com isso.

Todo a minha solidariedade ao presidente Lula. Ninguém está seguro mais neste estado de exceção, onde um bando de fascistas controlam a máquina estatal dos três poderes e são liderados pelo quarto poder (P.I.G.), contra todos que levantem a voz contra eles.

Nossa obrigação como cidadãos conscientes e conhecedores da história é registrar os fatos para deixar vestígios no amanhã contra a máquina totalitária de registro dos vencedores.

Estou com o corpo e a alma cansados, mas vamos fazer nosso papel social.

William
Cidadão de um Estado sem lei

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

1984 é agora - Enfim, o Grande Irmão zela por nós...



O Grande Irmão Globo observa você...

Assisti ao filme 1984, de Michael Anderson, lançado em 1955 na Inglaterra. Foi a primeira adaptação do clássico de George Orwell, de 1949.

O filme é em preto e branco e eu gosto bastante de filmes antigos, mais que filmes modernos feitos com tecnologia de computadores.

O momento para assistir ao filme não poderia ser mais adequado. Quando reli o livro meses atrás, o Grande Irmão Globo e toda a camarilha de golpistas estavam no processo de derrubar o Governo Dilma, destruir Lula e o PT e acabar com a democracia brasileira.


Onde no brazil não tem uma teletela do Grande Irmão Globo
ligada, manipulando você?

Hoje, setembro de 2016, o Grande Irmão Globo venceu e seu estado totalitário está se implantando. Após derrubar o governo e reinstalar a ditadura que esse mesmo Grande Irmão havia participado desde os anos sessenta, os irmãos Marinho e seus pares do Partido da Imprensa Golpista (PIG) estão fazendo editoriais e pedindo que as polícias, os aparelhos de repressão, ataquem o povo nas ruas para que ninguém conteste o novo sistema totalitário do Partido (PIG).

Eu tanto falei e tanto escrevi durante meses do processo de construção do ódio organizado pelo Grande Irmão Globo... (e deu certo!). Um dos pilares do mundo distópico e totalitário de Orwell era "os dois minutos do ódio" e a "semana do ódio".


Depois de um intervalo entre os séculos (o maldito PT no poder),
tudo voltou ao normal na Oceania.

O Grande Irmão Globo venceu! Tudo vai voltar ao "normal" no brazil.

O Partido (PIG) domina corações e mentes. Até reconheço que exista a Resistência, assim como afirma a estória do 1984, mas a Resistência será capaz de vencer o sistema controlador do Grande Irmão Globo e seus asseclas?

Neste momento em que escrevo, madrugada de quinta-feira 8 de setembro, milhões de brasileiros (cidadãos da Oceania) estão ligados no canal aberto do Grande Irmão e nos canais por assinatura do Grande Irmão, nas opções de esporte após rodada do Brasileirão, na Globonews, nos canais que repetem programas, nos canais que apresentam sexo, até nos canais de "cultura" (é, quem disse que o Grande Irmão não vende "cultura!").


Já que a gente não aprende com o passado...
Deixemos que o Grande Irmão reescreva o passado,
e controle o futuro, a partir do presente.

Logo pela manhã, todos os membros do Partido (PIG) estarão atualizando os registros nos jornais escritos, revistas, TV e rádios, agências de criação de porcarias diversas para serem replicadas nas redes sociais por milhões de cidadãos brasileiros (da Oceania).

Sem contar que na hora do café da manhã e nos almoços, ou nos meios de transporte, lá estarão os membros do Partido da Globo ou seus pares (PIG) transmitindo nas teletelas as notícias e manipulações criando registros ou atualizando registros, para manter o sistema totalitário do Grande Irmão...

"Quem controla o passado, controla o futuro;
Quem controla o presente, controla o passado"

E o que é o passado? São os registros...

Serei eu um Winston Smith? Todos nós somos smiths e júlias?

Viva o Grande Irmão! Vida longa ao Grande Irmão!
Viva William Bonner! William Waack! Mirian Leitão! Sardenberg! Viva Luciano Huck! Viva Faustão! Viva Reinaldo Azevedo! Ehhh viva Galvão Bueno! Viva Boris Casoy! Viva Datena!

(são muitos membros do Partido - PIG -, não dá pra enumerar...)

William
Cidadão da Resistência

(Tá tudo dominado! Até o filme que comprei é do PIG, dos Frias)

sábado, 20 de agosto de 2016

E o Grande Irmão venceu e vivo sob os olhares das teletelas





Refeição Cultural indigesta

Noite quente de sábado em Brasília, em um país sob Golpe de Estado.

Sentimentos estranhos, não felizes, em minha cabeça. Ou no coração, como se diz de forma romântica.

Durante a rotina do trabalho, visto meu personagem e saio para a rua, para o mundo, cumprindo fielmente minha missão como gestor eleito de saúde em entidade de trabalhador. Meu personagem é inquebrável e a peça não pode parar. Tudo conspira para que eu não faça o que tenho que fazer. Eu luto e busco energia todos os dias e já uso minha remuneração para trabalhar. Até o fim, vou fazer o que tem que ser feito.

Quando saio do palco, as luzes se apagam e a próxima sessão será daqui a dois dias, quase que desmorono nos bastidores. Passo um tempinho lembrando do mundo real, um mundo em desmoronamento. Meu país sob Golpe de Estado, o fim da ética e do caráter, e a total inversão dos valores. Os vilões pautando as versões oficiais dos vencedores sob nós vencidos.




As Olimpíadas no Brasil acabam neste domingo. Desde o dia que começaram numa certa sexta-feira, eu não acompanhei nem tomei conhecimento de nada, não vi nada, não torci, desconheci a respeito (e eu sempre fui apaixonado por esportes e pelas Olimpíadas). 

Quem trouxe esta edição para o nosso país foi Lula da Silva, quem incentivou e financiou a condição de treinamento de mais de 70% dos atletas pobres e não pobres foi o governo Dilma, enfim, os responsáveis por estas Olimpíadas, assim como a Copa do Mundo de Futebol, foram Lula, Dilma e o Partido dos Trabalhadores. E também foram responsáveis por todos os programas sociais e econômicos construídos em mais de 10 anos e que estão sendo destruídos em 100 dias pelos golpistas.

No entanto, Dilma e Lula e o PT estão sofrendo um massacre fascista, desumano, vil e canalha. E quem está transmitindo as Olimpíadas no Brasil? Os golpistas, a Globo, os outros canais, os veículos do Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.).

Eu me sinto como o personagem Winston Smith ao final da ficção 1984, de George Orwell, após a tortura e a aceitação de que o mundo, aquele mundo do Grande Irmão, é o que deve ser mesmo. Eu não consigo ficar sem ouvir as teletelas dos golpistas em nenhum lugar, em nenhum canto deste meu mundo 1984.

Essa mesma camarilha de golpistas aplicou o golpe de 1964 e o povo brasileiro gastou gerações para voltar à liberdade e ao direito em experimentar um pouco de soberania. Não foram só 21 anos como os mais apressados calculam o tempo da ditadura iniciada em 1964. O Grande Irmão Globo e demais golpistas atuais - P.I.G, Fiesp, políticos dos partidos do golpe - mantiveram a ditadura iniciada em 1964 por mais vários anos, decidindo as eleições de 1989, 1994 e 1998. A vítima das teletelas da época: Lula e o PT.


E o Grande Irmão Globo e seus pares venceram...

Eu tenho 47 anos e sinto um peso destruidor sobre meus ombros ao ver, ler e ouvir as teletelas e panfletos e fontes do P.I.G. sendo replicados em sites, mídias sociais, nos locais onde me alimento, onde trabalho, na casa de meus familiares e amigos e funcionários e representados. Se a história iniciada em 1964 se repetir, será muito triste minha vida aos cinquenta, aos sessenta, quiçá aos setenta...

Neste momento, neste sábado, no meu país, mesmo com o brazil do golpe tendo conseguido bons resultados no quadro de medalhas com os atletas financiados pelos governos do PT com o bolsa-atleta, mas com as coisas sendo contadas pelas teletelas do Grande Irmão e asseclas... eu me sinto Winston Smith.

Não aguento mais a tortura das máquinas do Grande Irmão...

Por fim, nestes dias de transmissão de Olimpíadas pelas teletelas, vi filmes e li livros de José J. Veiga como o que acabei agora, Sombras dos reis barbudos (1972), e vi Mad Max I (1979) durante a final de futebol masculino, mas é impossível não sofrer com a tortura das teletelas do Grande Irmão Globo.

O que fazer? Aceitar isso pelo tempo de vida que nos resta nas próximas décadas do golpe? (li que a audiência do Grande Irmão cresceu bastante nas últimas semanas por causa das Olimpíadas trazidas por Lula e o PT...)

William Winston Smith

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Diário - 060716 (Férias? A gente não para de pensar)





Refeição Cultural

- Olá mundo! Pra onde tu caminhas? O que será dos seres vivos nos próximos anos e o que vai rolar com os mamíferos humanos nesses próximos tempos de desconstrução social?

Quando li o livro de Domenico de Masi, O ócio criativo, anos atrás, fiquei pensando como seria aquela sociedade descrita como o futuro próximo e que, a bem da verdade, já era real na época, mundo humano onde não se separaria mais o trabalho, o jogo, o lazer e tudo seria junto ao mesmo tempo. Só tem uma questão nisso: não mudou o fato de que os donos do mundo capitalista continuam sendo alguns e que todo o restante são os bilhões que vendem sua força de trabalho para comer, se reproduzir e ter algum consumo mínimo da produção capitalista.

Eu trabalho 24 horas por dia e não queria trabalhar 24 horas por dia. Mas o que é trabalho e o que não é trabalho? Hoje é o primeiro dos dez dias em que estou exercendo um direito previsto no meu contrato de trabalho bancário e no meu termo de cessão para um mandato de representação em entidade dos bancários do banco em que trabalho. Conforme o conceito que se queira utilizar, posso dizer que trabalhei o dia todo!

Meu trabalho é político. Meu trabalho é técnico. Meu trabalho é com gente. Representar gente. Entender de gente. Tentar influenciar gente. Lutar diariamente para melhorar a vida da gente. Ficar pensando até dormindo como fazer para que nossa missão e tarefas tenham sucesso.

E quando olho o mundo de hoje, seis de julho de dois mil e dezesseis, século vinte e um, fico perplexo com o que vejo. Se a existência humana em sociedade é com evolução linear positivista, se ela é em pêndulos com idas e vindas entre tragédias e momentos gloriosos ou se é em ciclos ou espirais, eu não sei... mas eu sei que tá foda e vejo maus momentos nos próximos anos, tanto para a minha geração como para a de nossos filhos e netos...

Quando olho o meu mundo, um universozinho de nada quando pensamos o planeta Terra e o planeta homem, eu vejo só desagregação, cisões, ódios, gente perdida e desanimada, uns meio boquiabertos com as coisas, outros sem entender, outros revoltados, muitos pusilânimes, eu vejo que por mais que um ser humano tente fazer o que deve ser feito, e eu tento, vejo que o momento é duro para nós, mamíferos humanos, ao considerarmos o lado da classe trabalhadora, o lado dos fodidos que não são donos da máquina capitalista mundial. Vamos passar maus bocados porque nosso lado sequer está ciente do que tá rolando.

Se alguns tiverem interesse, vejam um pouco nos espaços progressistas e de esquerda o que é a disputa global pela hegemonia do petróleo para estas décadas do século 21. Tem gente que não tem a menor noção do que é o poder das empresas americanas de petróleo, e a indústria armamentista do Tio Sam, e da indústria farmacêutica do Tio Sam... Eles estão destruindo toda a soberania dos países que têm em seu solo petróleo, gás e minerais. Operação Lava Jato... que merda é essa, além de um plano para destruir a economia do país, entregar o pré-sal aos americanos. Já avançou bem depois de seu início, quebrou a indústria brasileira no setor, quebrou a indústria de construção civil no país, talvez não tenha volta. Enfim, eu sou só um bobo dando minha opinião...

O mundo todo tá rachado! Hoje li sobre racha no PSTU. Li sobre racha em diretoria de sindicato de bancários de grande importância. Tem rachas internos em tudo quanto é lugar, principalmente no campo dos movimentos sociais, sindicais e dos partidos de esquerda (sei que também tem nos de direita, mas eles têm os meios, o poder, não é a mesma coisa de racha no campo dos trabalhadores). 

E os rachas nas famílias e nos grupos de amigos ou conhecidos? Eu praticamente não tenho mais relacionamento com familiares que apoiam a direita, o golpe e os golpistas, as posições fascistas que querem foder a classe trabalhadora que represento e à qual pertenço, aliás eu, minha esposa, meu filho e a maior parte das pessoas de meu convívio ou ex-convívio, mas entendi que é difícil fazê-las verem isso.

As coisas viraram uma merda depois da crise capitalista de 2008 com a quebra de alguns bancos picaretas americanos e o tal do subprime. E nós que dizíamos em coro que não queríamos que o povo trabalhador pagasse a conta... nos fodemos de novo... como sempre na história da disputa de classes.

Leio nosso amigo e grande lutador Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, nos pedindo para que o nosso lado não desanime. Eu também falo isso todo dia. Acordemos e saiamos para a luta e para fazer nossas tarefas revolucionárias... (não venham me dizer que lutar por saúde pública e autogestão em saúde de trabalhadores não seja algo revolucionário!!!). Faço meu trabalho revolucionário todos os dias. Muitos de nós fazemos. Mas é pouco se pensarmos que não há unidade mínima entre nós. Eu vejo meus amig@s e companheir@s se destruindo uns aos outros após os rachas recentes e choro por dentro todos os dias.

Quando vejo a que ponto chegou neste momento, dia seis de julho de dois mil e dezesseis, a canalhice, podridão e descaramento dos corruptos que tomaram conta do país com o Golpe de Estado, quando vejo a impunidade dos desgraçados do Grande Irmão Globo e demais mídias cartelizadas, dos políticos do PSDB, PMDB e tranqueiras do tipo e seus asseclas enfiados nos órgãos públicos e máquina do Estado nacional, fico meio que catártico. Acho que um monte de militantes de esquerda como eu Brasil afora deve estar assim.

O que vou responder para minha esposa, para alguns amigos, quando me falam que não vale a pena eu pagar pra trabalhar várias vezes como faço desde que cheguei ao meu mandato porque me impõem burocracias para impedir que eu trabalhe. Vocês acham que é simples alguém da família saber que você não dorme para trabalhar, gasta do bolso para trabalhar e ainda tem gente o tempo todo atuando em vários espaços para te frear, te prejudicar e ainda se dão bem... Mas a gente explica que no nosso campo de formação política, nossa ética nos ensinou que vamos dar toda a nossa capacidade para fazer o que tem que ser feito para aqueles e aquilo que representamos.

Chega de desabafar. Eu me sinto um idiota por saber o que está acontecendo no mundo. Me sinto mais idiota quando vejo a Rede Globo em cada bar, casa, hall de hotel, TV de táxi, em cada canto do país, onde até pra mijar e fazer cocô a gente escuta a transmissão dos meios midiáticos deles ou tem uma "revista" ou "jornal" dos transmissores das ordens (deles) a serem seguidas pelas massas de meu povo.

E fiquei pensando estes dias: como posso ficar bravo com pessoas queridas e próximas a mim por gostarem de ver novelas nos canais desses desgraçados que fodem o mundo? Eu sou um amante da literatura e a literatura moderna surgiu a partir de romances e novelas de ficção que têm um caráter interessante na constituição do conhecimento humano. Que merda! O capitalismo se apropria de tudo em benefício dele, é assim que funciona. E o povo é envolvido de forma quase impossível de escapar.

Será que vamos todos terminar como o personagem Winston Smith do "1984"? Será que vou terminar odiando e tendo ojeriza de Política como se trabalha tão bem na direita capitalista, para afastar o povo da política e deixar que eles nos fodam sem nenhuma organização sindical ou política com capacidade de intervir e se opor ao patrimonialismo secular dos donos do capital, fazendo o que querem com a coisa pública assim como fazem com o seu patrimônio privado (que inclui sua mulher, filhos, semoventes, escravos, tudo coisificado)?

Tchau, gente.

William

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Diário - 160516



Um dia de visita ao meu mundo, o mundo de Ozz Osasco.

Refeição Cultural - a vida sob estado de exceção

Iniciamos mais uma semana de trabalho e luta. Amanhecemos em Osasco SP e durante o dia iremos para Brasília, onde trabalhamos faz dois anos.

Vimos nosso filho neste fim de semana. Nos despedimos há pouco dele. Agora só o vemos de vez em quando. Ele estuda no interior de São Paulo e nós passamos a maior parte do tempo em Brasília.

Nesta semana minha agenda de trabalho não prevê viagens como na semana anterior, quando estive nas conferências de saúde no Piauí e na Paraíba.

No domingo, aproveitei a estada em Osasco para correr no Parque Continental e matar saudades da região que moro. Como tive uma semana de trabalho de jornada muito longa e quase não dormi direito, terminando só com minha chegada no sábado de manhã, não abusei do corpo e fiz uma corrida de 5k em trote bem leve.

A DESGRAÇA TODA QUE VEM AÍ (APOIADA POR PARTE DOS TRABALHADORES QUE REPRESENTAMOS)

Desde a perpetuação do Golpe de Estado contra a democracia brasileira, na quarta 11, quando a presidenta Dilma Rousseff (PT) foi afastada, sem crime algum, por uma camarilha de corruptos seculares que tomaram conta do Parlamento brasileiro, unidos e patrocinados pelos empresários da mídia e Fiesp e por grupos de funcionários públicos partidarizados que tomaram conta de parte dos órgãos da justiça brasileira, enfim, desde o Golpe, não havia parado para ver um pouco dos acontecimentos a partir da quinta 12, quando os usurpadores se apoderaram do governo. 

É horroroso o que já fizeram em horas, os retrocessos que promoveram em horas contra o povo brasileiro com a extinção de Ministérios fundamentais para as questões sociais. Um certo ministro nomeado disse que não investiga corrupção no governo paulista porque este é "honesto". Outro ministro nomeado disse que direito adquirido não é direito adquirido. Não há que se falar mais em negros, mulheres, direitos trabalhistas, cultura e arte, inclusão social, minorias, indígenas... 

(pausa para explosão: caralho! Enfim, entramos no cenário apocalíptico do 1984, de George Orwell (1949) e do Farenheit 451, de Ray Bradbury (1953). Agora todos seremos controlados pelas teletelas do Grande Irmão Globo)

Empresas públicas brasileiras, então, os golpistas vão doar todas que sobraram como fizeram nos anos noventa. Agora a Petrobras vai para os americanos, os bancos públicos e suas dezenas de milhares de funcionários vão pro saco etc e tal. É engraçado e triste: o novo Ministério do usurpador Temer materializa o que eu sempre disse descrevendo os donos do poder no século 19 (de-ze-no-ve): o poder é branco, machista, patriarcalista, católico (e evangélico), patrimonialista e corrupto até o mais profundo DNA.

Podemos voltar em semanas ao século 19 em relação aos direitos civis, sociais, humanos. E pensar que parte considerável de colegas do banco público (ainda) que trabalho apoiou os golpistas que agora vão implantar todo o retrocesso de dezenas de anos de lutas e conquistas... dói pra cacete saber disso! Fica meio sem sentido lutar pelos direitos em saúde de meus colegas da comunidade Banco do Brasil que apoiaram toda a desgraça que está sendo encaminhada contra nós mesmos.

Estou aqui iniciando uma semana com o mesmo senso de dever que alimenta meu caminho e minhas ações, mas com uma certa incompreensão de como pode todo o massacre fascista que vem contra nós povo trabalhador ter tido apoio de colegas do banco que a gente trabalha, de conhecidos e vários familiares, estes por sinal quase todos vindos da merda da miséria e mesmo assim seguem alienados em relação a que classe pertencem. Tem coisa que derruba a gente...

Boa semana a tod@s. Espero que ao final dela, os direitos sociais, civis e trabalhistas ainda sejam os mesmos que dantes do Golpe.

Será que a massa, os milhões de humanos que serão vitimados vão reagir contra alguns milhares de brancos corruptos que tomaram o poder? Se forem reagir, vão fazê-lo nos próximos dias? Ou vão todos como gado nos currais para o abatedouro? (por favor, lembrem das reflexões de Hannah Arendt e a questão judeus/nazistas!)

William Mendes
Cidadão

sábado, 30 de abril de 2016

Diário - 300416 (Desabafo)





Acabou o mês de abril de 2016.

Este mês ficará marcado na história de meu país. Quer dizer, pode ser que fique na história ou não, porque "quem controla o presente, controla o passado", como diz George Orwell no totalitário "1984".

Fiquei em casa prostrado neste sábado pelo cansaço do trabalho da semana. Não consegui ler porque cochilava na segunda página. Não consegui fazer exercício físico nenhum também pelo cansaço. Não suportei ver nada na TV porque é quase tudo do Grande Irmão e já mudaram a pauta manipuladora de acordo com a fase do Golpe de Estado aplicado dia 17 de abril numa sessão escatológica do fim da "democracia representativa" no Congresso Nacional. Hoje, nosso país é sinônimo do ridículo perante o mundo. Um sindicato de bandidos está instalado na câmara de representação do povo e os corruptos iniciaram a cassação do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) sem crime algum.

Minha decepção desde o fatídico dia 17 de abril é tão grande porque tive a expectativa de que o povo reagiria imediatamente e com intensidade daquele momento em diante. Vão me dizer que há movimentos reagindo. Sério mesmo? Talvez tenha lá nas ruas de Honduras e do Paraguai alguns movimentos "reagindo" até hoje... (e o bonde já passou).

Estou de saco cheio de todo mundo saber que é golpe, prêmio Nobel da Paz fulano de tal, liderança internacional ciclano de tal, instituições não sei o quê, o papa argentino bonzinho, os intelectuais, blá blá blá. Todo mundo sabe que é golpe, mas está em andamento...

Enquanto isso, a pauta das teletelas do Grande Irmão Globo/P.I.G. já está em outra onda. As fases dos golpes atuais, midiático-jurídico-parlamentares, têm procedimentos com etapas cartesianas. As operações safadas montadas pelos meios de comunicação com juízes e procuradores mancomunados com o golpe já atuaram parando a economia do país, desacreditando o governo e criando ódio contra ele, e quebrando setores inteiros da indústria brasileira. A discussão da pauta plantada na "normalidade" das teletelas é o governo Temer e Cunha: os ministros, o que privatiza, o que corta de direitos trabalhistas e sociais em nome da volta do crescimento.

E o desemprego que era cerca de 5% em 2014 e eles conseguiram foder o país e a economia e agora é de 10%? Para esses golpistas desgraçados, danem-se os trabalhadores que sofrem na pele com a destruição do país causada só para não deixar a presidenta eleita e o partido dela governarem.

Eu tô de saco cheio desta merda toda!

Todo mundo sabe que o Senado vai votar o afastamento da presidenta sem crime na próxima semana. Aí os derrotados, nós, ficamos inventando alternativas tipo, novas eleições (então o Golpe deu certo!); o Temer não vai ter sossego (então o Golpe deu certo!); vão tentar afastar o ladrão presidente do Congresso porque esse novo vice-presidente é sujinho demais (então o Golpe deu certo!); Dilma e Lula vão fazer um governo paralelo (então o Golpe deu certo!); vão implantar o parlamentarismo no Brasil (então o Golpe deu certo!).

Odeio me sentir um banana e representar pro mundo sermos um povo de bananas.

Eu não vou amanhã nas mobilizações do 1º de maio. Não vou! Não vou porque estou prostrado em minha casa (nem é minha casa, estou de passagem em Brasília dando minha vida em um mandato eletivo de 4 anos).

Completei neste abril 47 anos de idade. Vi e vivi a infância e adolescência no Brasil em estado de exceção, em ditadura civil militar onde os desgraçados da Fiesp, da família Marinho, Frias, Civita, Mesquita e todos os salafrários do mesmo golpe perpetrado por eles mais os militares e o governo americano, tudo junto e misturado em 1964, esses mesmos desgraçados daquele golpe que nos fodeu durante todos os anos 60, 70 e 80, pasmem, são os mesmos de hoje que armaram e efetivaram o Golpe deste abril de 2016.

Depois de viver aqueles anos 80 desgraçados como subproletário, subgente sem emprego de carteira assinada, fazendo o que os da elite desse pra gente fazer e pelo que eles quisessem pagar, depois dos 80 vieram os 90. Os fernandos (Collor e Cardoso). Esse FHC filho de uma mãe, que fez dezenas de colegas meus do BB se suicidarem entre os anos de 1995 a 1999. Caralho, o FHC e os tucanos de merda são os mesmos caras que vi foderem o meu país duas décadas atrás! Dá pra acreditar que eles estão de novo por trás da porra toda?

Completei 23 meses de mandato eletivo na empresa de saúde que administro. Minha vida talvez tenha mudado mais (ou sentido mais os efeitos) nesses 23 meses que nos 12 ou 13 anos que passei nas lutas sindicais.

Não vou ao 1º de maio porque estou cansado. Porque os finais de semana não estão sendo suficientes para eu me recuperar integralmente para a batalha de 3 jornadas diárias pela entidade que sou responsável e pela defesa dos direitos dos associados que represento. E olha que tem setores ou algumas pessoas deste mesmo mundo em que atuo que são hipócritas, gente mau caráter, pessoas que não têm o mínimo respeito por um trabalho sério e dedicado, tem alguns seres que dedicam parte de seu tempo a fazerem maledicências e ilações a nosso respeito, dizem que a gente só trabalha 4 dias por mês ou que trabalhamos pouco.

Eu não faço outra coisa da minha vida nestes últimos 23 meses completados neste abril que não seja pensar as melhores estratégias (no plano intelectual) e estar no máximo de lugares possíveis deste país continental levando para milhares de associados e suas representações as informações necessárias sobre o que é, como funciona, quais problemas tem e as possíveis soluções em relação a entidade de saúde de autogestão que administro junto com outros indicados pelo patrão e eleitos como eu mesmo.

Neste mês de abril completei 47 anos de idade e 35 anos de trabalho não comprovados para a Previdência Social porque subproletário trabalha parte da vida sem carteira assinada, e nesta longa jornada a partir da meninez, como mostra minha carteira de trabalho tirada em 1982 com aquela carinha de pirralho de 12 anos, muita coisa já vi nesta vida.

Nunca se imagina na vida que aos 47 anos iríamos vivenciar tudo o que o nosso país está atravessando com a volta ao poder daquele mesmo segmento social das elites brancas corruptas, com nojo de povo, não se prevê facilmente que eles voltariam a dar a linha décadas depois. Apesar de ser sempre a tendência mais lógica no mundo capitalista.

Eu só fico me perguntando, e me revolto por isso, como pode os Irmãos Marinho ainda estarem dando as cartas 50 anos depois do golpe de 64 e mandando no país de 200 milhões de animais mamíferos "com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor (Ilha das Flores)? Como pode os mesmos Civita, Mesquita (há mais de um século), os empresários da Fiesp, os mesmos banqueiros estarem dando as cartas em 2016 e nenhuma reação popular ou progressista foi capaz de demovê-los? Como pode?

Aos meus 47 anos de idade, tendo 35 anos de trabalho como subproletário e proletário, eu aprendi a ser um sobrevivente, um lutador, ser o mais radical possível numa vida humana em cumprir os compromissos assumidos em sociedade e mantendo minha ética e meu caráter. Eu estive cumprindo, estou e vou cumprir até a última gota de sangue nas veias, meus compromissos com a entidade que me colocaram gestor, com os associados e com os funcionários da entidade.

E peço perdão aos meus entes queridos por todas as mazelas que reverberam neles como consequência do cumprimento de minhas tarefas sociais assumidas.

Na segunda, estarei pronto para as 3 jornadas diárias em defesa de meus compromissos como gestor eleito em entidade de saúde dos trabalhadores. Mas neste domingo 1º de maio, seguirei prostrado em casa.

William