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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Livro: El gaucho Martín Fierro - José Hernández



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025


"Me he esforzado, sin presumir haberlo conseguido, en presentar un tipo que personificara el carácter de nuestros gauchos, concentrando el modo de ser, de sentir, de pensar y de expresarse, que les es peculiar..." (Prólogo, José Hernández, p. 7)


Uma representação genuína dos gauchos é o que o escritor José Hernández apresenta a seus leitores no ano de 1872.

A poesia de Hernández utiliza uma linguagem poética da época, com uma sonoridade cativante e de fácil compreensão, mesmo tendo palavras diferentes do espanhol moderno.

"(...) dotándolo con todos los juegos de su imaginación llena de imágenes y de colorido, con todos los arranques de su altivez, inmoderados hasta el crimen, y con todos los impulsos y arrebatos, hijos de una naturaleza que la educación no ha pulido y suavizado." (idem)

Adquiri minha edição do clássico Martín Fierro em Buenos Aires, em 2012. Ela contém a 2a parte, "a volta", publicada sete anos depois e vários textos complementares muito bons.

Terminada a releitura da parte um, seguimos a leitura da 2a parte, que é diferente da primeira em relação ao personagem apresentado por Hernández em outro contexto político do autor.

Ler os clássicos é melhor que não ler os clássicos nos ensina Italo Calvino. Concordo com ele.

William 


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. - 1a ed. - La Plata: Terramar, 2007.


Leitura de poesia (40) - Martín Fierro (VIII), José Hernández



EL GAUCHO MARTÍN FIERRO - JOSÉ HERNANDEZ


VIII

(...)

El nada gana en la paz

y es el primero en la guerra;

no le perdonan si yerra,

que no saben perdonar,

porque el gaucho en esta tierra

sólo sirve pa votar.


Para él son los calabozos,

para él las duras prisiones;

en su boca no hay razones

aunque la razón le sobre;

que son campanas de palo

las razones de los pobres.


Si uno aguanta, es gaucho bruto;

si no aguanta, es gaucho malo.

¡Déle azote, déle palo,

porque es lo que él necesita!

De todo el que nació gaucho

ésta es la suerte maldita.


Vamos, suerte, vamos juntos

dende que juntos nacimos,

y ya que juntos vivimos

sin podernos dividir,

yo abriré con mi cuchillo

el camino pa seguir.


Do livro El gaucho Martín Fierro, de 1872

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COMENTÁRIO:

"que son campanas de palo

las razones de los pobres."


O poema de José Hernández é universal porque los gauchos são todos os pobres e miseráveis explorados do mundo.

Aos pobres lhes tiram a família, os amores, a liberdade, a bondade e em troca lhes dão porrada, bala, prisão e maldade.

A poesia gauchesca é muito representativa do povo de Nuestra América, um povo em busca de sua cultura e sua liberdade como nos ensina José Martí, apóstolo da independência de Cuba.

Sigamos aprendendo com nossas raízes sul-americanas e caribenhas.

William 


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. - 1a ed. - La Plata: Terramar, 2007.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (27) - Martín Fierro (VI), José Hernández



EL GAUCHO MARTÍN FIERRO - JOSÉ HERNÁNDEZ


VI

Vamos dentrando recién

a la parte más sentida,

aunque es todita mi vida

de males una cadena:

a cada alma dolorida

le gusta cantar sus penas.


(...)


Dende chiquito gané

la vida con mi trabajo,

y aunque siempre estuve abajo

y no sé lo que es subir,

también el mucho sufrir

suele cansarnos, ¡barajo!


(...)


¡Quién no sentirá lo mesmo

cuando ansí padece tanto!

Puedo asigurar que el llanto

como una mujer largué.

¡Ay mi Dios, si me quedé

más triste que Jueves Santo!


(...)


Los pobrecitos muchachos

entre tantas afliciones

se conchabaron de piones;

¡mas qué iban a trabajar,

si eran como los pichones

sin acabar de emplumar!


(...)


Y la pobre mi mujer

¡Dios sabe cuánto sufrió!

Me dicen que se voló

con no sé qué gavilán,

sin duda a buscar el pan

que no podía darle yo.


(...)


¡Tal vez no te vuelva a ver,

prenda de mi corazón!

Dios te dé su proteción

ya que no me la dió a mí,

y a mis hijos dende aquí

les echo mi bendición.


(...)


Yo he sido manso primero,

y seré gaucho matrero

en mi triste circunstancia,

aunque es mi mal tan projunto;

nací y me he criao en estancia,

pero ya conozco el mundo.


(...)


Aunque muchos cren que el gaucho

tiene un alma de reyuno,

no se encontrará ninguno

que no lo dueblen las penas;

mas no debe aflojar uno

mientras hay sangre en las venas.


Vocabulário:

Reyuno: algo de má qualidade, relés, desprezível; grosseiro.


---

COMENTÁRIO:

A história do gaucho Martín Fierro é universal, sendo sul-americana, sendo de um mundo colonial.

Nesta parte da história, Fierro nos conta como viu sua família ser desfeita, no momento em que foi sequestrado pelas autoridades. 

Muitos dos acontecimentos narrados pelo gaucho acontecem diariamente em nosso mundo miserável das periferias do Brasil e dos países ainda com realidades coloniais. 

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"Yo he sido manso primero,

y seré gaucho matrero"

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Quantos de nós não éramos mansos em nossas misérias até nos maltratarem, barbarizarem, nos prenderem e nos transformarem em bichos-feras.

Eu sei disso tudo. Eu sei...

William 


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. - 1a ed. - La Plata: Terramar, 2007.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (12) - Martín Fierro (II), José Hernández



EL GAUCHO MARTÍN FIERRO - JOSÉ HERNÁNDEZ


II

Ninguno me hable de penas,

porque yo penando vivo,

y naides se muestre altivo

aunque en el estribo esté,

que suele quedarse a pie

el gaucho más alvertido.


(...)


Martín Fierro vai se lembrar nesta parte 2 do tempo em que vivia feliz com sua família. 


Entonces... cuando el lucero

brillaba en el cielo santo,

y los gallos con su canto

nos decían que el día llegaba,

a la cocina rumbiaba

el gaucho... que era un encanto.


(...)


Tudo muda para os gauchos quando chegam as "autoridades" para sequestrá-los para trabalhos forçados nas fazendas e fronteiras.


Pues si usté pisa en su rancho

y si el alcalde lo sabe

lo caza lo mesmo que ave

aunque su mujer aborte...

¡no hay tiempo que no se acabe

ni tiempo que no se corte!


Y al punto dése por muerto

si el alcalde lo bolea,

pues áhi no más se le apea

con una felpa de palos 

Y después dicen que es malo

el gaucho si los pelea.


---

COMENTÁRIO:

O poema de José Hernández, um intelectual e político de seu tempo (1872), retrata bem a forma cruel e impiedosa de tratamento aplicada aos povos originários e ou oriundos de séculos de colonização das classes dominantes vindas da Europa através das navegações a partir da Idade Média. 

Sigamos lendo poesia neste mês de dezembro. 


William Mendes 

12/12/24 (na estrada)


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. - 1a ed. - La Plata: Terramar, 2007.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (5) - Martín Fierro (I), José Hernández



EL GAUCHO MARTÍN FIERRO - JOSÉ HERNÁNDEZ

I

Aquí me pongo a cantar...

(...)

Cantando me he de morir,

cantando me han de enterrar,

y cantando he de llegar

al pie del Eterno Padre;

dende el vientre de mi madre

vine a este mundo a cantar.

(...)

Soy gaucho, y entiendanló

como mi lengua me explica:

para mí la tierra es chica

y pudiera ser mayor;

ni la víbora mi pica

ni quema mi frente el sol.

(...)

---

COMENTÁRIO:

Martin Fierro é um clássico! Esse eu conheço. É uma leitura deliciosa! De uma sonoridade cativante, o leitor não consegue parar.

José Hernández publicou a primeira parte do poema em 1872 e a volta sete anos depois. 

A arte e as diversas manifestações culturais das comunidades humanas são provas de nossas possibilidades enquanto seres dotados de inteligência. 

Por que a tendência dos donos do poder é atuar de forma violenta e opressora para emburrecer e tornar as pessoas ignorantes e estúpidas?

Espécie contraditória essa nossa. Poderíamos ser como deuses se todos fossem educados. 

Comprei a edição que tenho em Buenos Aires em 2012.

William Mendes 


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. - 1a ed. - La Plata: Terramar, 2007.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba XIV (23/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (XIV)

Osasco, 23 de fevereiro de 2023. Quinta-feira.


"Para Hilda, o livro era uma ideia maravilhosa e ela se dispôs a ajudar Ernesto. Enquanto isso, os dois estabeleceram uma rotina doméstica amigável, inspirada num programa de leituras semelhante ao que Fidel tinha com Naty. Quando não trabalhavam na magnum opus de Ernesto, os dois falavam sobre poesia: Hilda emprestou a ele uma cópia dos poemas de César Vallejo e ele dividiu com ela o grande amor que tinha por Pablo Neruda, José Hernández e Sara de Ibáñez. Juntos, eles também liam obras políticas: Engels, Marx e Sartre, acima de tudo. 'Compartilhávamos a sensação de "náusea da vida"', relembra Hilda." (Fidel e Che. Reid-Henry, p. 120)


Peguei mais algumas fitas antigas em VHS para assistir. Numa delas estava escrito "Martín Fierro". Para melhorar a experiência ao ver o filme, comecei a reler o clássico poema do gaucho argentino, escrito por José Hernández (1834-1886). A caixinha da fita estava vazia... por sorte, encontrei na internet o filme completo (2005), dirigido por Gerardo Vallejo.

Ao estudar mais a respeito de Cuba e sua história libertadora e revolucionária, vi que o jovem médico argentino, Ernesto Che Guevara era leitor de José Hernández. Que legal essa ligação entre uma leitura e outra!

Terminei a 1ª parte do livro Fidel e Che - Uma amizade revolucionária (2009), de Simon Reid-Henry. Li o livro em 2010 quando o ganhei de presente. A releitura é quase uma leitura nova.

Terminei a 1ª parte do romance do escritor cubano Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros (2009) e já estou no terceiro capítulo da 2ª parte. A impressão que tenho é que o livro é grande demais para a história. Talvez seja porque fazer uma ficção histórica sobre León Trótski seja de fato algo enorme só de pensar, imagina então para completar as lacunas da história do assassinato do líder da Revolução Russa a mando de Josef Stálin?

Em relação ao estudo de línguas e linguagem, ando devagar. Comecei a estudar espanhol na plataforma do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) para relembrar minhas habilidades com a língua, mas ando a passos de tartaruga na sequência das aulas. Estou devagar também com as outras línguas que me esforço no aprendizado, o inglês e o japonês. Estudar pouco é melhor do que não estudar nada. Tenho lido e ouvido muito espanhol, de diversos acentos e isso é bom. Meu ouvido já está bem aguçado para as nuanças dos falares de cada país de língua espanhola.

É isso! Aprender algo diariamente e ser menos ignorante deveria ser o objetivo de toda pessoa que queira melhorar como ser humano e que queira melhorar o mundo no qual estamos também.

William


Post Scriptum: texto anterior dessa série cub.ista pode ser lido aqui.


Bibliografia:

REID-HENRY, Simon. Fidel e Che - Uma amizade revolucionária. Tradução: Beatriz Velloso. 1ª edição. Editora Globo. São Paulo, 2010.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Martín Fierro - Um clássico argentino



Imagem de divulgação do filme.

MARTÍN FIERRO, EL AVE SOLITARIA

Argentina / Drama / 108 min / 2005

Dirección: Gerardo Vallejo

Elenco: Alejandro García, Juan Palomino, Norma Argentina, Ricardo Galli

Sinopsis: Alrededor de 1870, el gaucho Martín Fierro es obligado a unirse al ejército argentino para pelear contra los indios en la conquista del desierto. Martín logra escapar del ejército, pero su vida ya no volverá ser la misma.


Ontem, assisti ao filme argentino baseado na obra de José Hernández e gostei da adaptação. Aproveitei para gravá-lo em VHS.

Já li a primeira parte da obra, pois ela é parecida com a de Dom Quixote de La Mancha, que saiu em dois tomos com um intervalo de tempo.

Li El Gaucho Martín Fierro, de José Hernández, publicado em 1872. É belíssimo!

"Aquí me pongo a cantar
al compás de la vigüela,
que el hombre que lo desvela
una pena estrordinaria
como la ave solitaria
con el cantar se consuela.

Pido a los santos del cielo
que ayuden mi pensamiento:
les pido en este momento
que voy a cantar mi historia
me refresquen la memoria
y aclaren mi entendimiento."



Bibliografia:

HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. 1ª ed. - La Plata: Terramar, 2007.