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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Livro: Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana - Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Até recentemente, coisa de quatro anos, eu desconhecia a história de Cuba e do povo cubano. Quer dizer, eu tinha as noções que um militante de esquerda tem. 

Em linhas gerais, sabia o que se ouve dizer sobre a ilha socialista, mas o que se ouve sobre Cuba raramente coincide com o que houve em Cuba. A História...

Todo mundo sabe mais ou menos que houve uma Revolução em Cuba, que um exército rebelde de revolucionários barbudos liderados por Fidel Castro, nos anos cinquenta do século XX, derrotou e colocou pra correr um ditadorzinho de merda da ilha, um tal Fulgencio Batista. 

O mundo inteiro conhece ou já ouviu falar de Ernesto Che Guevara, um médico de origem argentina, um revolucionário, que integrou o exército rebelde que libertou Cuba da ditadura de Batista, o ditador financiado pelos Estados Unidos. 

VAI PRA CUBA!

Em 2022, quando vi uma amiga do Banco do Brasil organizando um grupo para ir a Cuba, me interessei e decidi me integrar ao grupo. Foi assim que meu filho e eu conhecemos Cuba pela primeira vez, em um grupo organizado por Miriam Shibata. Passamos o 1° de maio de 2023 na ilha socialista. Foi inesquecível!

Até aquele momento, nunca tinha focado ler sobre a Revolução Cubana e a história do povo cubano. Tinha lido um livro sobre a amizade de Fidel Castro e Che Guevara (ler um comentário aqui), presente de um amigo secreto em um curso de formação. 

Ao me preparar para ir a Cuba, passei a ler mais sobre o tema e segui estudando após a primeira ida ao país. Redescobri José Martí, que havia lido na graduação de Letras (comentário aqui sobre Nuestra América). Li o documento do próprio Comandante Fidel se defendendo no julgamento de cartas marcadas após o assalto ao Quartel Moncada (ler aqui).

Antes de embarcar para Cuba pela primeira vez, li o livro de Fernando Morais, A Ilha (postagem aqui), leitura que foi muito importante para mim. Depois que voltei, li o livro da professora Maria Leite, Cuba Insurgente (comentário aqui), um estudo essencial para compreender a pedagogia no país socialista. 

Enfim, nos últimos quatro anos, fui a Cuba três vezes. Já li alguns livros e estudos sobre a Revolução Cubana e a luta da população da ilha pela independência e autonomia do país e pela liberdade de decidir sobre seu destino.

A QUESTÃO DA TERRA E MORADIA 

O livro de Aline Marcondes Miglioli "Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana" (2024), um estudo feito para sua tese de graduação superior, contribuiu muito para minha compreensão sobre o tema. 

De certa maneira, o estudo de Aline me permitiu refletir bastante sobre a questão do direito humano à terra e à moradia em Cuba, ao longo dessas quase sete décadas de experiência socialista. Mas aprendi também sobre outras temáticas. 

Aprendi sobre a questão da Renda da Terra, a partir da referência em "O Capital", de Karl Marx. Aprendi sobre a história fundiária em Cuba antes da Revolução. 

Aprender sobre a estratégia da indústria do turismo como a conhecemos hoje, uma estratégia do capitalismo para lidar com as crises de sobre-acumulação de capital (Capítulo três) não me permite olhar o turismo da mesma forma nunca mais...

Enfim, terminei a leitura. Valeu muito a pena! E confesso que foi difícil ler o estudo da autora, o tema foi denso e a leitura lenta. A fonte pequena maltratou meus olhos (risos). Talvez uma forma de reduzir algumas dezenas de páginas, e sei o quanto está caro editar um livro hoje em dia. Aprendi muito!

Conheci o livro de Aline no ano passado (2025), quando li o capítulo seis (ler fichamento aqui) em um curso de extensão universitária chamado "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado pelo IBEC, Unesp e demais parcerias. Aline foi uma das professoras do curso. 

A cada conhecimento novo sobre Cuba e o povo cubano, mais admiração tenho por aquela gente libertária, inteligente, criativa e que merece nosso apoio em sua luta pelo fim do bloqueio e interferência norte-americana na vida do país. 

É isso. Viva Cuba e o povo altivo e querido da ilha caribenha. 

William 

08/05/26

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Evocações



Refeição Cultural

Ontem, reli o capítulo 38 de meu livro de memórias sindicais, "Evocações". No texto está a essência de minha história e formação política. 

Aquelas lembranças foram inspiradas nas memórias de Aleida March, companheira de Ernesto Che Guevara. O livro dela me escolheu numa rua de Havana.

Nosso grupo de brasileiros estava andando por Havana Velha com o senhor Luis Caballero quando olhei o livro numa portinha de livros usados. Aquela foto de Aleida e Che me encantou.

No capítulo 38 de "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT" vou buscando as lembranças assim como fez Aleida depois de décadas de silêncio. O passado sendo tratado com ternura.

A vida humana é definida diariamente, independentemente dos planejamentos que as pessoas fazem em seus sonhos e utopias. Olho para trás e vejo isso claramente. E tudo bem!

As veredas, as veredas da vida. Veredas que definem caminhos, caminhos que determinam a vida vivida. E tudo bem se não rolou o que você queria. Se a vida foi vivida com uma ética humanista, valeu a pena.

As veredas são oportunidades incríveis... quando vi era dirigente sindical. Quando percebi estava mudando o mundo junto com meus companheiros e companheiras, o meu e o nosso mundo do trabalho à época. 

Quando vi, Aleida e Che me encantaram numa rua de Cuba. Do nada, me senta no assento ao lado no ano seguinte, num voo de volta a Cuba, a queridíssima Conceição Evaristo, e passamos horas conversando até Havana.

Falei a ela de Aleida March, disse que lhe daria o livro de presente. Achei agora a versão em português e quero entregar à nossa querida escritora das escrevivências as lembranças de Aleida March. E, modestamente, lhe presentear também com as memórias do bancário.

O capítulo 38 traz lembranças de um fazer sindical com uma ética toda aprendida com lideranças sindicais de grande valor, que me inspiraram e me fizeram ser a pessoa que fui, e que sou.

Espero entregar a Conceição Evaristo as evocações de Aleida March. Espero que minhas evocações testemunhem o efeito revolucionário da formação política e sindical, lições de vida que me trouxeram até aqui.

William 

25/11/25

sexta-feira, 26 de julho de 2024

62 de 100 dias


Viva o dia da rebeldia em Cuba!
(26 de julho de 1953)

62. Hoje produzi textos no blog, um comentário a respeito do dia 26 de julho, data do assalto ao Quartel Moncada em 1953 em Cuba, e uma opinião sobre ter posição de esquerda em momentos decisivos (ler aqui), e fiz um texto sobre a leitura de uma edição da revista CartaCapital, a de nº 1320 (ler aqui).

Enquanto atravessa de transporte urbano sobre trilhos a cidade de São Paulo, indo de Osasco na Zona Oeste, onde moro, ao outro lado, lá na Estrada de Itapecerica - Santo Amaro -, onde fica a AABB São Paulo, pensava no quanto as coisas poderiam ser melhores para o povo se os interesses públicos fossem priorizados pelos governantes. Um conjunto de cidades como a grande São Paulo jamais deveria incentivar o uso de carros particulares em prejuízo dos transportes públicos. Jamais. Mas a realidade se impõe e os fdp da plutocracia só pensam em si mesmos e nas benesses que ganham ao focar o interesse privado.

Num dia como hoje, 26 de julho, um grupo de jovens se uniu e decidiu enfrentar um governo corrupto e ditatorial, ilegítimo, na maior das ilhas antilhanas, em Cuba. Fidel Castro liderou esses jovens e anos depois o povo unido expulsou o ditador assassino, Batista, e os cubanos começaram a mudar a realidade em busca da liberdade perseguida desde o século anterior, inspirados em heróis do povo como José Martí.

Viva o povo cubano! Fico triste ao saber das dificuldades que os cubanos enfrentam hoje por causa de décadas de interferência canalha e criminosa dos Estados Unidos com embargos ilegítimos para causar miséria e inviabilizar a soberania de um povo que optou por uma sociedade socialista.

Cuba me inspira, o povo cubano e seus heróis e heroínas me inspiram. Estive na Ilha por duas vezes, em 2023 e em 2024. Pretendo voltar mais vezes, conhecer mais a experiência cubana e ser solidário da forma que puder com a construção da sociedade socialista e alternativa ao capitalismo destruidor de mundo.

William


Diário e reflexões


Mausoléu de Che Guevara, Cuba.

Refeição Cultural

26 de julho de 2024. Dia da rebeldia!


SEJAMOS DE ESQUERDA E SEJAMOS UNIDOS CONTRA O CAPITALISMO

A data de hoje nos lembra que nada está perdido, que a história humana é feita de atos e ações e de ideias e de sonhos e utopias. No dia 26 de julho de 1953, um grupo de jovens cubanos teve a atitude de se rebelar contra as injustiças e misérias impostas ao povo de seu país por um ditador de merda e os jovens organizaram um assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes. A ação de rebeldia não obteve êxito, mas foi o início da Revolução Cubana que seria vitoriosa em 1º de janeiro de 1959, com a fuga do ditador Batista.

Às vezes, ao conversar com alguém e dizer que acredito ser possível mudar a história da humanidade, a história de nosso país, a história de nossa comunidade, mudar as coisas a partir do instante seguinte, do dia seguinte, meu interlocutor ou interlocutora fica sem paciência comigo, por não concordar que mudanças ainda são possíveis. Eu também fui determinista por décadas, até que conheci o movimento sindical e a história das lutas de classe ao longo de séculos e milênios. Mudanças são possíveis o tempo todo porque a única certeza da natureza é a mudança (dizem que a morte é a única certeza porque somos natureza).

A questão é: já que tudo muda o tempo todo, mesmo que as pessoas não percebam as mudanças por elas se darem de forma lenta comparada ao tempo de uma vida animal, a questão é que mudança queremos?

Eu quero direitos sociais, civis e políticos para todas as pessoas, eu quero uma forma mais sustentável de uso da natureza - o planeta Terra -, eu quero uma forma acolhedora e solidária de lidar com as pessoas independentemente de serem elas de meu convívio ou não. Esses meus objetivos de vida e esses meus desejos não podem ser alcançados em um mundo capitalista, cuja lógica é o inverso do que eu desejo. Então, tenho que lutar contra o capitalismo. Tenho que lutar por outra forma de organização das sociedades humanas.

Por mais que eu concorde que o mundo não seja polarizado entre uma coisa e outra, que entre o preto e o branco exista diversas tonalidades de cores, a realidade do mundo neste momento da história humana é um mundo polarizado entre um tipo de mundo e outro tipo de mundo. As tecnologias criadas por nós animais humanos nos levaram ao momento atual. Faz parte. Hoje, preciso me colocar a favor ou contra duas formas de organização da sociedade humana. Eu me coloco contra a forma de organização capitalista imperialista neoliberal. Nos embates entre formas de organização das sociedades, estou do lado da forma que se contraponha aos objetivos e efeitos do capitalismo neoliberal.

A extrema-direita avançou muito em suas técnicas de manipulação de massas. Ela unifica pessoas com dinheiro e posses, pessoas más e canalhas, pessoas ignorantes e fanáticas contra nós.

Não separo coisas que para mim são a mesma coisa, pois levam às mesmas consequências para o povo: capitalismo, neoliberalismo, conservadorismo, reacionarismo, imperialismo, fascismo, direita e extrema-direita são a mesma coisa - a mesma merda -, têm os mesmos objetivos e as mesmas consequências para as mulheres, para os povos sem posses, para as pessoas com orientação sexual não hétero, para as pessoas fora do quadrado dos brancos - pessoas negras, mestiças, povos do sul, povos originários, indígenas, quilombolas etc.

TENHO LADO, SEM TITUBEAR: A ESQUERDA

O momento na história da humanidade é desafiador para nós que não somos de direita e não queremos o capitalismo. Nossos inimigos têm a favor deles o domínio dos meios - as plataformas de comunicação são dos nossos inimigos. Enquanto nossos inimigos unificam pessoas contra nós, o nosso lado se divide sempre, a cada dez esquerdistas e "progressistas" são dez que pensam diferente em alguma coisa, então são dez desunidos.

Essas divisões na esquerda têm que acabar! Parem de ficar discutindo o sexo dos anjos! Entre esquerda e direita, entre socialismo e capitalismo, não tem que ter dúvida!

Nas eleições na Venezuela, torço para que Nicolás Maduro e o chavismo vençam no domingo. É o melhor para o povo venezuelano. Ponto. Vai pro inferno a extrema-direita representada pelos opositores. Em relação às fontes de informação, confio nas avaliações do jornalista Breno Altman.

Parem com essa merda de repetir "ditadura" em Cuba, na Nicarágua, na Venezuela... parem! Ditadura é a porra da plutocracia dos Estados Unidos, onde não faz diferença alguma para os povos do mundo Trump, Biden, Kamala etc. Plutocracia NÃO É DEMOCRACIA!

Em São Paulo, entre Boulos e a direita bolsonarista, somos Boulos. Ponto.

Entre Cuba e Estados Unidos, somos Cuba!

Entre palestinos sendo exterminados e sionistas exterminando um povo, somos palestinos e ponto.

Entre bancários e banqueiros, somos os bancários na campanha salarial da categoria.

Como titubear e ser contrário à coisa pública em favor de um fdp que será beneficiado por alguma privatização? Caralho! Não é difícil escolher!

Entre contratar trabalhadores diretamente e terceirização fraudulenta e safada que só prejudica trabalhadores, temos que ser a favor dos direitos e dos trabalhadores e contra a terceirização.

Parem de se omitir e de arrumar desculpas nisso e naquilo. 

Cara, olhe ao redor e seja franco: para quem quer um mundo melhor para as pessoas e para a natureza não tem como ter dúvida entre ser de esquerda e direita, entre ser socialista ou capitalista.

Ainda dá tempo de salvar a Amazônia, o Pantanal, os oceanos, fauna e flora, ainda dá tempo. É só você aceitar a ideia de mudar sua forma de vida passiva e domesticada pelo capitalismo.

Rebelem-se contra essa merda de uns poucos terem tudo e os bilhões de pessoas não terem nada! Sobre isso, inclusive, entendam que nós da esquerda temos que ROMPER CONTRATOS feitos pela direita e pelos capitalistas! Sem desfazer o que eles fazem, não adianta governar! Entendem?

Um jovem médico argentino se rebelou contra as misérias que viu pelas Américas e decidiu lutar contra aquilo (Ernesto Che Guevara). Um jovem cubano reuniu jovens que queriam libertar seu povo da exploração e miséria às quais estavam submetidos milhões de cubanos (Fidel Castro). 

Muitos jovens fizeram isso ao longo da história da humanidade. Rebelem-se contra essa desgraça destruidora de mundo chamada capitalismo.

William


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Uberlândia, 14 de junho de 2024. Sexta-feira. 


Efeméride do dia: em 14/06/1928 nasceu Ernesto Guevara de la Serna, em Rosário, Argentina. Que o exemplo do Comandante CHE siga sendo uma referência para todas as pessoas que lutam por um mundo mais justo, fraterno e sustentável! Hasta la victoria, siempre, comandante CHE!


Enquanto caminhava no Parque do Sabiá refletia sobre algumas coisas inacreditáveis que estão acontecendo em nosso país. 

Os temas que refleti são pesados, mas a beleza do cenário, a luminosidade do fim de tarde, o lusco-fusco, mereceu a captura do instante numa foto, que abre a postagem. 

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GOVERNO LULA/PT INSISTE EM NÃO CONCEDER REAJUSTE AOS PROFESSORES 

É inacreditável a insistência do governo Lula em não dar reajuste adequado de salários aos professores universitários. 

Minha opinião: que porra de birra tosca é essa nesta altura do campeonato entre a civilização X a barbárie, quando a barbárie deu tudo aos bárbaros durante os regimes de exceção fascistas de Temer e Bolsonaro? Os caras passaram 7 anos dando aumento e promoções e benefícios para militares, forças de repressão e apaniguados e o Lula e seus subalternos não querem dar reajuste aos professores... que merda isso!

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A HIPOCRISIA DA QUESTÃO DO ABORTO

Outra coisa que já encheu o saco é a esquerda escamotear os debates sobre as pautas de "costumes"...

Minha opinião: "costumes" é um eufemismo para não chamar cada questão por aquilo que ela significa. No caso do aborto se trata de dois temas de fato: direitos humanos e propriedade. 

Vou falar sobre o que pouco se fala: a questão de os homens acharem que mulheres são coisas, propriedades da sociedade dos machos.

Propriedade é o motivo central para existir a questão do "aborto" como algo que interesse a qualquer porra de pessoa que não seja a única interessada direta: a mulher que tem em si um óvulo fecundado por algum espermatozoide, desses que os homens passam a vida jogando na privada ou no lixo quando batem uma punheta.

São várias as formas de uma mulher ou menina ou criança ter um óvulo fecundado, muitas delas através de violência ou formas não consentidas pela pessoa do gênero feminino (que pode ser vítima de estupro). 

Os homens do século 21 ainda acham que as mulheres são suas propriedades. Sempre agiram assim. A forma de manter suas propriedades é através da violência direta ou de outras ferramentas como as ideologias. Inclusive, a religião é uma forma de ideologia como outra qualquer. 

Por focar quase sempre a questão eleitoral - episódica e imediata -, a esquerda que conhecemos no Brasil escamoteia o tema aborto e só se posiciona quando não tem jeito mesmo... é uma vergonha isso! 

Para ser direto, afirmo que ter ou não ter uma gravidez adiante e uma criança dessa gravidez é uma decisão absolutamente da mulher com o óvulo fecundado por algum espermatozoide.

O corpo da pessoa é só dela, quando ela não está escravizada. Não importa qual o gênero da pessoa humana. O meu corpo é meu, faço com ele o que quiser: corto um braço, entupo ele com colesterol, dou o cu se quiser, faço essas cirurgias estúpidas de lipo que matam pessoas por erro médico toda hora etc. 

Nem é preciso entrar na questão das estatísticas gigantescas do número de mulheres que criam crianças sozinhas, sem o macho dono do espermatozoide envolvido na gravidez. Via de regra, em qualquer dificuldade, o homem foge, abandona a pessoa mãe. 

Enfim, que chateação acompanhar essa birra sem sentido do nosso governo Lula em relação aos professores e trabalhadores das universidades federais e essa hipocrisia asquerosa da questão do aborto, com o Congresso atual querendo tipificar como assassinato o aborto.

Pimenta no cu dos outros não arde...

Peço perdão aos leitores e leitoras do blog por usar neste texto de opinião palavrões. Me perdoem! Achei necessário. 

William 


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Cuba (V)



Refeição Cultural

Osasco, 18 de abril de 2024. Quinta-feira.


CUBA: PAÍS E POVO INESQUECÍVEIS

Mesmo sem ter feito um planejamento específico para visitar Cuba, acabei tendo o privilégio de conhecer a República Socialista, indo ao país caribenho em 2023 e 2024. Foram experiências marcantes em minha vida. O fato de não ter ido só, ter ido em grupo, ampliou em muito as minhas possibilidades de contatos com a história e a cultura do povo cubano.

A primeira oportunidade apareceu ao ver em uma rede social uma companheira aposentada do Banco do Brasil - Miriam Goes Shibata -, militante antiga das causas populares, organizando um grupo para ir a Cuba para o 1º de maio de 2023. Me interessei, entrei em contato com ela, e realizei o sonho de conhecer uma das mais longevas experiências de sociedade organizada fora da lógica capitalista de exploração dos homens e mulheres por poucos homens (a regra capitalista). Imaginem a felicidade de ter levado meu filho comigo nessa experiência!

A segunda experiência não foi muito diferente da primeira em relação à casualidade ao ver a oportunidade de retornar ao país: anúncio em rede social. 

Novamente, vi um anúncio de uma militante das causas populares e coordenadora de brigadas internacionais montando um grupo de pessoas para ir a Cuba - Telma Araújo -, viagem que teria toda a estrutura de apoio do Icap, a partir da Amistur, por ocasião da realização da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana. Consegui me organizar para retornar à Ilha e aprender um pouco mais sobre a história de um povo que luta por liberdade, soberania e dignidade há séculos.

Nesta postagem, faço uma retrospectiva breve dessas duas viagens que acrescentaram muitas informações às reflexões e estudos que venho desenvolvendo nos últimos anos sobre a sociedade humana. A retrospectiva foi feita a partir da leitura de meus próprios textos no blog.

 

Como iria participar do programa "Cubanias", de Lina Noronha (que ocorreu na segunda, 15/4, às 10h), achei interessante rever no dia anterior minhas impressões sobre as duas viagens. Agradeço muito o convite feito por Lina e espero ter contribuído de alguma forma para as causas da classe trabalhadora em geral e do povo cubano em particular. Para ver o programa é só acessar o link aqui.

As minhas impressões e reflexões, desenvolvidas a partir das viagens a Cuba e de estudos que venho realizando, estão em uma série de postagens que fiz aqui no blog desde o início do ano de 2023, quando comecei a ler mídias a respeito da história de Cuba e do povo cubano. No blog foram dez textos sobre a primeira viagem e mais quatro textos referentes à viagem mais recente. 

Fiz também muitos textos sobre tudo que lia e estudava relativo ao tema. Devo ter no blog dezenas de artigos relacionados com a temática cubana: livros lidos, personagens estudados, histórias sobre a revolução etc.

Caso alguma leitora ou leitor queira ler mais postagens sobre o tema é só clicar em qualquer um dos textos com a categorização "Cuba" (tag) que acaba indo para outros textos, que são todos independentes, são completos no tema tratado. 

(Atenção: em celular, os leitores devem descer a tela até o final da última matéria e clicar "ver versão para a web", para poder acessar o formato do blog para computadores, notebooks e tablets, com as colunas laterais onde estão as categorizações em ordem alfabéticas)

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José Martí e Museu da Revolução.

CUBA, UM PAÍS QUE PRESERVA E VALORIZA SUA HISTÓRIA

As primeiras postagens feitas após retornar da viagem feita em 2023 já demonstram a boa impressão que tive sobre o esforço do governo e da população em preservar a extraordinária história de lutas pela libertação da Ilha do jugo imperialista, tanto o espanhol (até s. XIX) quanto o estadunidense (no s. XX).

O foco na educação em todos os níveis é prioridade do governo cubano, comento isso na primeira postagem (aqui). Na segunda, comento um pouco sobre a preservação arquitetônica em Havana Velha e observo a diferença entre a Cuba que se preocupa com seu povo e a cidade de São Paulo das dezenas de milhares de pessoas morando nas ruas (aqui). Na terceira, anoto minha admiração pela preservação do patrimônio material e imaterial em Cuba (aqui).

Nas postagens seguintes, comento a visita ao Centro Fidel Castro Ruz e uma caminhada pelo Malecón (aqui), e nossa ida à Plaza de la Revolución, lugar com uma significação imensa (aqui). Nessa mesma postagem, dou minha opinião sobre a questão da "liberdade de imprensa", normalmente confundida com liberdade de expressão das pessoas físicas. A "imprensa" monopolista capitalista ilude as pessoas sobre conceitos básicos de expressão e comunicação.

Na sexta postagem (aqui), comento sobre as andanças que meu filho e eu fizemos no feriado de 1º de maio e depois opino um pouco sobre as narrativas impostas goela abaixo pela grande imprensa capitalista em haver democracia no Brasil e Estados Unidos e não haver democracia em Cuba, que tem um sistema de representação popular bem interessante, com eleições constantes e representatividade muito mais real que a nossa ou que a dos norte-americanos.

Che com a criança nos braços,
em frente ao Comitê do Partido
Comunista de Cuba, em Santa Clara.

Na sétima postagem (aqui), falo da emocionante visita à Santa Clara, local histórico onde se desenvolveu a batalha de tomada do trem blindado e a vitória final da Revolução Cubana, e onde se encontra o Memorial, Museu e Mausoléu de Che Guevara. Foi uma emoção inesquecível!

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"A visita a Santa Clara foi, para mim, um dos momentos mais emocionantes da viagem a Cuba. Parti da cidade com um sentimento de gratidão imensa àqueles homens e mulheres revolucionários que libertaram a Ilha do imperialismo como sonharam e lutaram por isso gerações de cubanos como José Martí e iniciaram a partir de 1959 uma sociedade em outras bases e princípios, antagônicos ao capitalismo."

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Na oitava postagem (aqui), descrevo nosso 6º dia em Havana. A visita ao anexo do Museu da Revolução (que está em reforma), onde estão equipamentos de guerra e o Iate Granma, fez parte das andanças por Havana Velha naquele dia, sob o comando do senhor Luis Caballero, que nos contou muita história e conquistas do povo cubano. Na manhã seguinte, iríamos para Trinidad.

As postagens finais relativas à primeira viagem a Cuba (2023), acabei fazendo na véspera de embarcar para a segunda experiência neste ano de 2024. Na 9ª (aqui), relato a nossa estadia em Trinidad e a emoção inesquecível das celebrações do 1º de Maio em Cuba. 

Na 10ª postagem, na qual finalizo os relatos sobre a viagem do ano passado, conto sobre nossa estadia em Varadero, cidade turística com praias incríveis. Comento também os últimos passeios em Havana, fomos à Finca de Hemingway, à Fusterlândia e ao Memorial da Denúncia (aqui).

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Plaza de la Revolución... emoção!

VIAGEM A CUBA PARA PARTICIPAR DA 32ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA

Em relação à segunda visita à Cuba (2024), estou escrevendo minhas impressões e experiências ainda. Até o momento, já fiz quatro postagens.

Diferente da primeira viagem, nesta foram oito dias incluídos em um pacote com tudo pago, facilitando enormemente as coisas para o turista. Só precisei comprar as passagens de ida e volta. A primeira postagem pode ser lida aqui.

No pacote estavam incluídas todas as refeições, transporte para todos os lugares programados, a hospedagem em hotel, uma credencial para frequentar a feira do livro e os eventos relativos a ela nos dez dias, e ainda o transporte e estadia para as viagens que fizemos até Trinidad e Cienfuegos. Achei excelentes essas facilidades. Mais detalhes podem ser lidos aqui.

Nos outros dias que fiquei em Havana, é claro que estive hospedado na Casa de Isabel, onde pude rever os amigos cubanos e aproveitei para andar pela cidade nos dias finais da viagem.

A terceira postagem desta viagem (aqui), acabei falando sobre minha experiência de estar próximo ao grande brasileiro Frei Betto por alguns dias. Tive a oportunidade de ouvir palestras dele e voltei com alguns livros do dominicano para ler. 

Na quarta matéria da série sobre a viagem a Cuba neste ano abordei a questão da importância da história para o povo cubano e acabei fazendo um breve retrospecto da história recente do golpe de 2016 no Brasil. 

Estávamos no mês de março à época da postagem e uma das polêmicas que vivíamos no período no Brasil era a questão dos 60 anos do 31 de março, data do golpe de 1964. Ler postagem aqui.

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¡HASTA LA VICTORIA, SIEMPRE!

Ufa! Como deu trabalho fazer essa síntese, amigas e amigos leitores! Tive que reler as quatorze postagens que fiz.

É isso!

Viva o povo cubano! Pelo fim do embargo criminoso dos EUA contra Cuba!

William


segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuba (IV)


Heróis cubanos: Cuba preserva seu passado.

Refeição Cultural

Osasco, 11 de março de 2024. Segunda-feira.


DIFERENTE DO BRASIL, EM CUBA O GOVERNO FALA DA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DO PAÍS TODOS OS DIAS!

Cuba e Brasil, Brasil e Cuba. Dois países com histórias seculares de dominação imperialista, dois países com uma violenta história de escravidão dos povos do continente africano, dois países com histórico de extermínio dos povos originários. Cuba e Brasil, países que mexem com o meu coração, com os meus sentimentos.

Até antes do golpe de Estado de 2016 contra a presidenta honesta Dilma Rousseff (PT), mesmo sendo um homem politizado de mais de quarenta anos de idade, eu tinha uma certa inocência política daquela mais comum no movimento organizado e nas pessoas no campo da esquerda, aquela inocência que prefere acreditar que nada de mal vai acontecer ao invés de analisar friamente a realidade e os dados materiais e se preparar para o golpe, a guerra, a morte lutando.

NO BRASIL, ACREDITA-SE DEMAIS NAS "INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS" E ELAS PARTICIPARAM DO GOLPE DE ESTADO EM 1964 E 2016

04/03/16, nas ruas defendendo
o governo Dilma.
 

Meu campo político no Brasil até que lutou contra a nova fase de golpes contra governos democráticos nas Américas e Caribe do último período, ficou nas ruas em pequenos grupos gritando "Não vai ter golpe!", duvidando que fossem prender o Lula, não acreditando que Bolsonaro poderia ser presidente do país. 

Boa parte da esquerda brasileira acreditava e segue apostando que as instituições vão funcionar e que não haverá golpe ou ruptura democrática de novo...

31/03/16, nas ruas contra o golpe,
52 anos depois de 1964.

Eu sigo com a leitura que tenho desde 2022 e 2023 de que nosso governo Lula terá dificuldade de terminar o mandato sem sofrer nova tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de atentado contra o próprio presidente Lula. Concordo até com o jornalista Brian Mier (ouvi dele a ideia hoje na TV247) que o governo brasileiro deveria se informar com os governos cubano e venezuelano a respeito de proteção contra golpes e atentados, já que esses governos enfrentam isso com frequência.

17/04/16, nas ruas contra o golpe,
as instituições não funcionaram...

NO BRASIL, A ESQUERDA "PAGA PAU" PRA JUIZ DE DIREITA... ACHO ISSO UM EQUÍVOCO!

As pessoas do meu campo da esquerda até viraram tietes de um certo ministro da Suprema Corte colocado lá pelos traidores da pátria em 2016 e chamam ele por apelido... acho isso ridículo, um absurdo! 

O cara (o juiz apelidado) enfrentou os bolsonaristas em 2022 para salvar a própria pele, a pele deles daquela Corte, que aliás endossou o golpe de 2016 que desgraçou o país e a vida do povo brasileiro e manteve Lula preso numa masmorra por 580 dias. Mas somos assim aqui no Brasil.


EM CUBA, JOSÉ MARTÍ É A REFERÊNCIA, MARTÍ E FIDEL

Estátua de José Martí, em batalha pela
libertação de Cuba do domínio espanhol.

O povo cubano, desde o século 19, sofrendo os mesmos males e violências de todos os povos explorados das Américas e Caribe, se organizou e se rebelou para lutar por sua liberdade e autonomia em 1868, depois mais algumas vezes até 1895, quando morreu em combate uma das figuras intelectuais mais brilhantes que a espécie humana já produziu - José Martí -, e em 1898 os cubanos se libertaram dos espanhóis e já se deram conta de que não haviam se libertado do imperialismo. 


Nova luta de libertação começava, desta vez contra o mais novo império do Norte - os Estados Unidos da América -, que já estendiam suas garras sobre a maior das ilhas das Antilhas, Cuba.

EDUCAÇÃO CUBANA - Na minha opinião, várias coisas separam a história do povo cubano da história do povo brasileiro, a considerar do século 19 adiante: a Educação é uma delas. 

Os ideais martianos de liberdade e autonomia são a base da educação cubana há 150 anos. E após a Revolução, a história e a cultura fazem parte da pedagogia da educação no país.

Quando os jovens liderados por Fidel Castro se organizaram e decidiram que era a hora de enfrentar a ditadura de Fulgencio Batista em 1953 - Batista havia dado um golpe de Estado em 1952 e era bancado pelos Estados Unidos da América -, os jovens cubanos universitários eram martianos. 

Revolución es sentido del momento histórico...

Os jovens estudantes tinham como referência José Martí e a história das lutas de libertação do povo cubano desde o século anterior. E aquele processo de lutas martianas lideradas pelos jovens de 1953 no ataque ao Quartel Moncada culminou com as lutas revolucionários a partir da Sierra Maestra entre 1956 e 1º de janeiro de 1959, quando triunfa a Revolução Cubana.

Patria o muerte!

A HISTÓRIA FAZ PARTE DO COTIDIANO CUBANO

Eu acompanho as notícias de Cuba com mais atenção desde que me preparei para conhecer o país em 2023. É evidente que a forma como faço para ler do Brasil as notícias diárias da Ilha me dá a versão de um lado da história - a do regime socialista - porque leio e ouço os veículos de comunicação do governo cubano e do Partido Comunista Cubano. Mas leio críticas ao regime também, quando leio figuras como Leonardo Padura, escritor cubano importante.

No entanto, para ler e ouvir o outro lado - as versões antirrevolucionárias -, basta olhar o restante da mídia hegemônica e as mídias que os algoritmos das big techs do imperialismo apresentam a todos nós. Sempre será desproporcional a guerra cultural entre a fala da esquerda e ou dos pequenos grupos contrários ao sistema capitalista e as narrativas que falam para bilhões através das mídias do grande capital. 

O ódio à esquerda é o que mais dá likes e monetização para os direitistas e lucro para elas, as big techs.

Museu da Denúncia em Havana, Cuba.

CONHECER E ESTUDAR A HISTÓRIA É ESSENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO COM PASSADO COLONIAL

Enfim, o tema que me deu vontade de comentar ao refletir sobre os dois países que mexem com o meu coração - Brasil e Cuba - é a questão do momento - os 60 anos do golpe de 1964 no Brasil e os 65 anos da Revolução Cubana em 1959 - sobre falar ou não falar do passado, da história, de acontecimentos que marcaram para sempre a vida de um povo após ideias e fatos que mudaram a história.

No Brasil, o nosso governo decidiu e defende a ideia de que não se deve fazer manifestações e eventos institucionais e ou das principais organizações sociais de nosso campo da esquerda em relação aos 60 anos do golpe de Estado que colocou o país e o povo brasileiro por mais de duas décadas sob uma ditadura violenta, financiada e apoiada pelos Estados Unidos da América e pela elite do país.

Para ser médico revolucionário ou
revolucionário, tem que haver Revolução! (CHE)

Eu considero essa atitude um equívoco do nosso governo neste momento da história. O presidente Lula é a nossa maior liderança política em toda a história do Brasil e eu sei porque o presidente acha melhor contemporizar com as forças conservadoras e de extrema-direita no país, pois Lula sabe que sua correlação de forças é muito aquém do que precisaria para seguir governando e entregando minimamente aquilo que se comprometeu a fazer, e está fazendo, por mais que a comunicação do governo não consiga se sobrepor à comunicação dos inimigos, que têm o suporte das big techs com eles.

Em Cuba, todos os dias - eu disse TODOS OS DIAS - os veículos de comunicação do país trazem matérias, reportagens, efemérides sobre os heróis do povo cubano, sobre datas históricas que mudaram a vida do povo de alguma forma, não há uma escola no país que não tenha o busto ou um quadro destacando a figura de José Martí, Apóstolo da Independência do país, e isso faz toda a diferença na construção de uma mentalidade ativa e altiva do povo cubano desde a mais tenra idade. 

Lançamento do livro de Maria Leite em 2023.

Ao ler o livro da professora Maria Leite - Cuba insurgente: identidade e educação (2023), no qual a especialista apresenta estudos de quatro décadas sobre a pedagogia cubana, fica claro para mim que sem o estudo da história o povo cubano jamais teria resistido até hoje às seis décadas de bloqueio criminoso por parte dos EUA para causar miséria e humilhação ao povo que se negou a ser uma ilha de exploração dos ricos e da máfia estadunidense. Ler sobre o livro aqui.

Fidel Castro e os revolucionários
eram seguidores das ideias de
liberdade de José Martí.

Já estive em Cuba duas vezes, por duas semanas em cada vez que estive lá, e conversando com o povo cubano percebe-se com facilidade que eles têm uma educação com saber histórico anos-luz à frente do saber histórico de nosso povo brasileiro, para o qual sempre foi negada a educação libertadora defendida por Paulo Freire e outras figuras importantes da educação brasileira.

Homenagem a Che Guevara, 
em Santa Clara. O passado faz
parte da história das lutas do povo.

Quando vejo o meu governo defendendo que não falemos sobre a história, sobre a trágica história do golpe de Estado de 1964, que quase se repetiu com sucesso em 8 de janeiro de 2023, com Lula já eleito contra toda uma máquina de dinheiro e fraudes para que Bolsonaro e sua casta de militares e empresários seguissem no poder, quando vejo um equívoco desse em nosso governo, me dá um aperto no coração, uma dor no peito, que não me mata porque me acostumei a isso ao viver entre lutas, vitórias e derrotas por quase três décadas de movimento sindical e político.

José Martí,
Apóstolo da Independência.

Não se pode negar ou esconder o passado, ainda mais quando vivemos uma era onde as falsas narrativas estão vencendo o tempo inteiro porque os meios pelos quais a população mundial tem acesso a informações e desinformações são os meios concentrados das big techs, que fazem parte da guerra cultural mundial do 1% contra os 99%.

Museo de la Denuncia, La Habana.

Viva Cuba e sua aposta na educação e na preservação da história de lutas de seu povo!

Aliás, não deixem de visitar em Havana o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Denúncia, são espaços fantásticos de educação e história.

Centro Fidel Castro Ruz, Havana.

E viva o Brasil e o povo brasileiro, viva o presidente Lula, que tenho como a maior figura política de nossa história!

Viva Lula e o povo brasileiro!
Foto: Ricardo Stuckert.

Mas temos que falar e refletir sobre a história para aprender com ela e a partir das referências históricas nos organizarmos para enfrentar os novos desafios pela manutenção dos direitos do povo e pela manutenção de algo que se possa chamar de democracia, não a democracia dos donos do poder econômico, pois isso nunca foi democracia.

William Mendes


Post Scriptum: na minha opinião, o governo Lula está sob ataque organizado da extrema-direita neste momento (guerra híbrida) e acho que Lula tem que ir pra cima e nos chamar para os embates com a direita fascista. A economia cresceu, direitos sociais estão voltando, emprego aumentando e a democracia está sendo exercida. Pra cima deles, Lula!

Post Scriptum II: o texto anterior sobre as viagens a Cuba pode ser lido clicando aqui.


quarta-feira, 6 de março de 2024

Cuba (III)


Frei Betto em Cuba (2024)

Refeição Cultural

Osasco, 6 de março de 2024. Quarta-feira.


Uma das presenças marcantes na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, em Cuba, ocorrida neste mês de fevereiro, foi a de Frei Betto. O intelectual brasileiro tem uma longa história de solidariedade e amizade com Cuba e o povo cubano. Ele é muito querido no país socialista.

Ter estado em uma feira do livro na qual estava presente Frei Betto foi algo marcante. No meu caso específico, aumentou a minha impressão de que sou um homem de sorte, pois ao estar em Cuba com uma amiga do escritor - Telma Araújo -, tive a oportunidade de ouvir duas palestras dele e uma entrevista, além de conversarmos um pouco durante três dias.

Instituto Superior de Relaciones Internacionales
"Raúl Roa García" (ISRI).


Palestra para estudantes de diplomacia

O primeiro contato com essa figura extraordinária foi no Instituto Superior de Relaciones Internacionales "Raúl Roa García" (ISRI), numa palestra que o Frei ministrou para estudantes da carreira diplomática cubana e demais convidados.

O conteúdo da palestra foi inesquecível! Muita aprendizagem. Um conceito belíssimo dito por Frei Betto foi este: "Não tem que tolerar a religião dos outros, tem que respeitar".

Também me marcou o ensinamento de que devemos sempre levar um livro conosco para onde quer que tenhamos que ir, pois mesmo imaginando que não teremos tempo de ler, a gente acaba lendo, e isso fará a diferença em nossas vidas.

Depois o Frei explicou a diferença entre Ética (Universal) e Moral (usos e costumes locais), falou sobre a questão da "Ignorância invencível" e muitos outros conceitos interessantes, inclusive a questão da ética = pathos, e a visão ética de se colocar no lugar dos outros.

Hotel Nacional de Cuba.


Encontro com Frei Betto no Hotel Nacional

Já no segundo encontro com Frei Betto, no Hotel Nacional, ele me presenteou com um livro que havia ganhado e já havia dado uma olhada nele, pois é um livro que fala sobre Cuba e o Frei disse que ao saber que estou estudando a história do país achou que o livro teria mais utilidade comigo. Fomos juntos para a Fortaleza San Carlos de la Cabaña, local da Feira do Livro, pois ele havia convidado Telma para ir de carona consigo.

Foi fácil compreender a doação do livro e o desprendimento do Frei, pois no dia anterior havia ouvido a explicação sobre o desprendimento como uma qualidade nas pessoas. Ernesto Che Guevara e Francisco de Assis foram os exemplos citados na explicação. Francisco de Assis ao fazer a opção pelos artesãos prejudicados pelos teares de seu pai e Che ao abrir mão do conforto e sucesso como herói e ministro de Cuba, e de sua esposa e filhos, para lutar por outros povos explorados, lutar pela revolução mundial.

Talvez depois faça uma postagem com a síntese do que anotei das palestras de Frei Betto aos estudantes da diplomacia cubana e na Feira do Livro.

Frei Betto na 32ª Feira Int. do Livro de Havana.


Palestra de Frei Betto na Feira do Livro de Havana

Num terceiro evento com o Frei Betto, Telma Araújo e eu passamos boa parte do dia com o dominicano. Novamente, pude aprender mais coisas com o mestre ao ouvir uma entrevista dele.

"A pessoa não está navegando na internet, ela está naufragando porque é uma leitura diferente dos livros que têm início, meio e fim" (Frei Betto)

Amigas e amigos leitores, a viagem a Cuba para participar da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana foi uma experiência de provocação intelectual e de muita reflexão. Sempre tive a humildade de confessar minhas imensas lacunas culturais, pois passei boa parte da vida adulta sem tempo para ler tudo que gostaria.

Já estou firme na leitura da biografia
de Frei Betto, com prólogo de Fidel Castro.

Não havia lido ainda um livro de Frei Betto, por exemplo. Mas vejam como nunca é tarde para a leitura e para a busca por novos conhecimentos. Já li o primeiro livro dele ¿Todavía es útil el Marxismo?, que ganhei na Feira do Livro de Havana. 

Aliás, ganhei quatro livros do escritor e vou ler todos eles e comentar aqui no blog, é o mínimo que posso fazer para compartilhar esses novos conhecimentos.

E como os temas e os gostos nos unificam - Cuba, Fidel, Frei Betto, Revolução Cubana, socialismo, leitura de livros, amig@s de esquerda etc - hoje mesmo ganhei um dos livros que mais quero ler de Frei Betto, em espanhol, Fidel e a religião - Conversas com Frei Betto (1985), da amiga e militante Miriam Shibata. Viajamos juntos para Cuba ano passado.

Aliás, falando do grande líder da Revolução Cubana, a biografia de Frei Betto que estou lendo é iniciada com um prólogo dele, Fidel Castro. Um texto pra lá de emocionante!

É isso! Mais uma postagem compartilhando com vocês as novas experiências vividas em Cuba, e convidando cada uma e cada um a conhecer a República Socialista de Cuba e o povo cubano.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior dessa série sobre a minha 2ª viagem a Cuba pode ser lido aqui.


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Diário e reflexões - Fevereiro



Refeição Cultural

Osasco, 29 de fevereiro de 2024. Quinta-feira. Noite quente de um dia trágico (o mundo assiste ao genocídio do povo palestino e nada pára o extermínio).


"Patria es Humanidad" (José Martí)


Depois de duas semanas quase sem ler e escrever, volto ao blog para registrar alguns sentimentos e fatos de nosso mundo mundo vasto mundo, como fazia o nosso cronista e poeta Carlos Drummond de Andrade. Não ouso pensar que tenha nos meus registros a qualidade do mestre, mas ao menos registro com honestidade o que sinto e vejo.

As semanas deste mês de fevereiro foram intensas e incomuns em relação ao meu cotidiano. Este fevereiro foi diferente do cotidiano dos fevereiros comuns, pois este só ocorre a cada quatro anos. 

Quatro anos atrás, o fevereiro nos trouxe a maior pandemia do último século. Oito anos atrás, uma quadrilha de homens brancos canalhas finalizava a trama para roubar o governo que o povo elegeu e semanas depois a presidenta honesta Dilma Rousseff sofreu um golpe de Estado.

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GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO 

Neste fevereiro de 29 dias, o que tenho para registrar sobre esse dia extra é o assassinato de mais de uma centena de inocentes palestinos famintos numa fila em busca de algo para comer. Foram metralhados pelo exército do Estado de Israel. 

E pensar que José Martí nos ensina que pátria não é o solo onde pisamos, pátria é a humanidade e cada ser humano morto ou injustiçado deveria doer fundo em cada um de nós. Imaginem a dor que nós que temos uma ética humanista estamos sentindo ao vermos todos os dias dezenas de crianças, mulheres e civis sendo exterminados pelo governo sionista e racista de Israel...

Difícil! Não dá nem para se colocar no lugar do outro, de um palestino ou palestina na Faixa de Gaza, por exemplo. Estou no conforto de meu lar em Osasco, no Brasil do governo Lula, um governo tentando reconstruir um país arrasado por uma horda de genocidas e bandidos, como esta que governa atualmente o Estado de Israel.

Registro minha solidariedade ao povo palestino e aos demais seres humanos que sofrem neste momento em qualquer parte do mundo. Minha pátria é a humanidade.

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UM PROBLEMA DOMÉSTICO RESOLVIDO

Neste mês de fevereiro me desfiz de um problema doméstico que já durava dois quadriênios. A solução da questão era protelada mês após mês, ano após ano, por diversos motivos. E assim o incômodo seguia. Acabou neste mês de fevereiro incomum.

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CUBA, TE QUERO, TE ADMIRO E TE RESPEITO!

Este mês de fevereiro foi marcante em minha vida pessoal, pois tive uma segunda oportunidade de viajar para a República Socialista de Cuba. Acabei de voltar da Ilha.

Ano passado fui com um grupo de brasileir@s para passar o 1º de maio e conhecer algumas cidades e um pouco da cultura e história do povo cubano.

Neste ano voltei com outro grupo de brasileir@s e novamente pude conhecer um pouco mais sobre essa comunidade humana que busca resolver seus problemas e seguir a vida com outra forma de organização social, a construção de uma sociedade solidária, humanista e sem a exploração de humanos por outros humanos.

Vamos ver se escrevo um pouco sobre essa segunda experiência. As sensações foram diferentes, complementares. As veredas da vida nos trazem experiências novas, mesmo quando os caminhos são conhecidos. Basta lembrarmos que mudamos todos os dias, o tempo segue avançando, e todos os dias somos outra pessoa. Tudo muda, pois tudo é natureza.

Imaginem vocês que as veredas me colocaram ao lado da escritora Conceição Evaristo para voarmos juntos por horas. Depois tive a oportunidade de passar dias em contato com o querido Frei Betto. Vi Emicida palestrar com uma sapiência que emociona. Conversei com Ailton Krenak e fiquei admirado com sua simplicidade. 

Fui 3 vezes em apresentações em teatro: ouvi música clássica, música brasileira, música cubana. Conversei com lideranças de um Comitê de Defesa da Revolução. Conheci uma pessoa que organiza há décadas brigadas de brasileiras e brasileiros para irem prestar solidariedade a Cuba, conheci um frei brasileiro que é uma grande liderança nas Minas Gerais, entendem como foram os dias? Emoções... Estou repleto de sensações que ainda estou digerindo.

Ao mesmo tempo que temo pelo regime socialista e pelo querido povo cubano, porque acho que existe uma certa inocência por parte deles ao acreditarem que vão conseguir vencer a manipulação das big techs, que chegaram à Ilha, torço para que eles sejam tão criativos e únicos como foram ao longo de sua história, ao derrotarem os dois impérios que os subjugaram em séculos e se reinventam todos os dias, enfrentando com altivez um bloqueio assassino que humilha e sacrifica um povo que só quer ser feliz.

O povo cubano tem a minha solidariedade, o meu respeito e a minha admiração! "Hasta la victoria, siempre!", como disse Ernesto Che Guevara em sua carta de despedida ao seguir seu destino de lutar pela liberdade dos povos explorados pelos impérios capitalistas, lutando ao lado dos oprimidos pela revolução mundial.

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OLHOS D'ÁGUA...

(enquanto escrevo, meus olhos d'água me ofuscam o escrever - lembrei-me dos "Olhos d'água de Evaristo" -, pois meu coração está amargurado com o que sinto, o genocídio do povo palestino, a situação de miséria imposta ao povo cubano pelo bloqueio assassino dos EUA, essas coisas apertam o coração de qualquer pessoa que ainda seja humana e tenha uma ética humana)

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EQUILIBRAR HUMILDADE, ALTIVEZ E AMOR-PRÓPRIO

Fechado o mês incomum de fevereiro. 

Li quase nada, não foi possível. No entanto, li uma imensidão, li o mundo, se considerar que li Paulo Freire, Frei Betto e José Martí... Nestes homens superiores, colhi sabedorias que ainda estou digerindo.

Frei Betto abriu sua palestra para os estudantes da diplomacia cubana dizendo que aprendeu com um mestre que uma pessoa jamais poderia deixar de andar com um livro na mão, a gente pode até não conseguir ler, mas acaba que a gente lê um pouco.

Foi assim comigo. Obrigado pela lição Frei Betto. Nunca estar só, sempre estar com um livro à mão.

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A ÉTICA DO DESPRENDIMENTO

Outro ensinamento que está martelando na minha cabeça desde que ouvi de Frei Betto em outra palestra foi a ética do desprendimento como lição de vida.

Frei Betto citou Ernesto Che Guevara e Francisco de Assis... é muito emocionante a lição dada.

Francisco de Assis, ao compreender o efeito da riqueza e do sucesso de seu pai em prejuízo dos artesãos da comunidade, ele tirou as vestes de sua família e fez a opção pelos pobres.

Che Guevara poderia ter uma vida com todas as venturas que a sociedade humana dispõe, mas fez a opção por lutar pela liberdade do povo oprimido e explorado pelos poderosos. E ainda assim, mesmo depois de triunfar, pediu licença a Fidel e ao povo cubano, deixou mulher e filhos, e partiu para lutar pela revolução mundial, sonhando libertar mais povos no mundo.

Esses homens e esses atos de desprendimento de si mesmos são exemplos para nós de ética.

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EQUILIBRAR HUMILDADE, ALTIVEZ E AMOR-PRÓPRIO (MAS CUIDADO COM A VAIDADE)

Como tenho dito em minhas reflexões, eu não tenho domínio do passado, e pensando o que diz Krenak, nem sequer tenho o amanhã, seria muita audácia achar que o amanhã me pertence. 

Preciso encontrar um equilíbrio em meus sentimentos. Ao ter a consciência de que não temos controle das coisas, precisamos encarar os dias de forma mais racional, e mais leve. Um pouco de amor-próprio pode ser bom para a saúde.

Exercitar a humildade também pode ser uma receita de saúde. Se possível, contribuir de alguma forma para a sociedade humana.

Fechamos o mês e a vida segue. Temos que salvar a humanidade de si mesma. E com isso, tentar salvar o nosso planeta e as formas de vida.


William Mendes

(mais um na multidão)