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sábado, 17 de janeiro de 2026

3. O começo



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


3. O começo

* Hitler a caminho da guerra: Áustria e Tchecoslováquia

Ao ser nomeado chanceler da Alemanha, em 30 de janeiro de 1933, Hitler começou a trabalhar nos seus planos de longo prazo. Um deles era "conquistar o território do Leste e germanizá-lo de forma implacável..."

* A blitzkrieg devasta a Polônia

Na tarde de 31 de agosto de 1939, as forças alemãs realizaram os preparativos finais para a invasão da Polônia. Os tanques foram colocados em suas posições de ataque e as tripulações estudavam seus objetivos.

* O homem que projetou o Spitfire

O caça mais famoso da Segunda Guerra Mundial foi concebido pelo inventor R. J. Mitchell. O Spitfire tornou-se onipresente entre as forças britânicas na Batalha da Inglaterra.

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COMENTÁRIO

Com a desculpa de retomar e ou anexar territórios nos quais parte da população falava a língua alemã, Adolf Hitler começou sua expansão rumo ao Leste. A Alemanha e seu Führer retomavam o projeto do "Espaço vital" para o povo alemão.

Depois de invadir e anexar Áustria e Tchecoslováquia, foi a vez da Polônia. A motivação para atacar o país foi uma mentira contada por Hitler: alguns soldados alemães se vestiram com uniformes dos soldados poloneses, invadiram e mataram alguns alemães numa rádio na região da fronteira e essa fake news valeu a invasão da Polônia para se defender...

Pois é, no ano de 2026 do século seguinte ao do Terceiro Reich, o presidente do país mais terrorista do século XX, causador da maioria das guerras pelo mundo, um tal Trump, começou a seguir os passos de Hitler e através de mentiras ou na cara de pau mesmo sequestrou um presidente em país da América do Sul para roubar seu petróleo (inventou que o presidente era narcotraficante) e mira diversos países para invadir e ou anexar aos Estados Unidos.

Considerando o momento atual do mundo e da humanidade, é difícil considerar que no século seguinte (XXII) - em tempos cronológicos do planeta Terra - tenhamos pessoas estudando o século anterior, na época que a sociedade humana era dominada por IAs e por governantes estúpidos, psicopatas e que não encontraram resistência para destruir o mundo ainda na primeira metade do século XXI.

Por fim, ao ver o documentário sobre a busca incessante por aviões que matassem mais nos tempos de guerra, fiquei pensando na tristeza que Alberto Santos Dumont deve ter sentido ao ver sua invenção servindo para matar pessoas em 1932 na chamada "revolução constitucionalista" entre paulistas e as forças do governo de Getúlio Vargas.

William

17/01/26

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2. A tempestade se aproxima



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


2. A tempestade se aproxima 

* A aventura imperialista de Mussolini na Abissínia

Com o governo paralisado por uma greve geral em agosto de 1922, Mussolini ordenou seus seguidores a marchar sobre Roma. Temendo uma guerra civil, o rei da Itália pediu-lhe que formasse um governo. Mussolini assumiu poderes ditatoriais e empenhou-se no objetivo de criar um novo império romano. 

* Ensaio geral: a Guerra Civil Espanhola 

Suas armas e táticas de combate somadas às experiências da Primeira Guerra Mundial serviram de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. 

* O tanque 

A Segunda Guerra Mundial testemunhou o surgimento de enormes tanques, como os lendários Pantera e Rei Tigre alemães, e de tanques leves, como os russos T-34 e os americanos Sherman. Mas qual modelo foi o mais eficaz?

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COMENTÁRIO 

Ao ver o documentário sobre a ascensão de Benito Mussolini na Itália e o avanço do regime fascista nos anos vinte do século XX, é assustadora a semelhança com a atualidade deste primeiro quarto de século XXI. 

Mussolini chegou ao poder, invadiu a Abissínia, no continente africano, e os países da Liga das Nações não fizeram absolutamente nada.

Exatamente o que está acontecendo agora com os arroubos ditatoriais de Donald Trump e a máquina de guerra dos Estados Unidos. 

Trump bombardeou a Venezuela, sequestrou o presidente do país e a ONU não fez absolutamente nada. Agora ele ameaça a Groenlândia e outros países. 

O segundo vídeo da coleção, que aborda a Guerra Civil Espanhola, é uma lição do passado a nós do presente. Enquanto os republicanos pediram apoio para a Grã-Bretanha e a França e receberam um "não", a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini deram armas e soldados aos nacionalistas liderados por Franco.

Nazistas e fascistas derrotaram os republicanos, Franco iniciou seu regime totalitário e ficou provado para a extrema-direita que as democracias eram covardes e nada fariam contra o avanço extremista. 

No último documentário do DVD, é possível ter uma noção do imenso poder dos tanques de guerra. 

Infelizmente, caminhamos para o fim da paz global. 

William 

16/01/26

sábado, 10 de janeiro de 2026

1. A ascensão dos regimes fascistas



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


1. A ascensão dos regimes fascistas

* Sementes do conflito: Hitler chega ao poder

Em janeiro de 1933, o presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler chanceler. Foi o início da ascensão política e militar do futuro Führer do Terceiro Reich, cuja ambição de dominar o mundo não tinha limites.

* O Japão invade a Manchúria e a China

No início do século 20, o Japão era uma potência militar, que havia combatido ao lado dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, disposta a conseguir uma rápida expansão econômica e territorial.

* Os homens que inventaram o radar

A invenção do radar resultou da fascinante corrida tecnológica empreendida pelas grandes potências econômicas nos anos 30. Essa nova tecnologia foi essencial para a defesa aérea britânica durante a Segunda Guerra Mundial.

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COMENTÁRIO

Ao ver o documentário foi possível fazer comparações com o momento atual do mundo neste primeiro quarto de século XXI. Nos episódios do primeiro volume da coleção, vemos o nascimento da Liga das Nações e a sua incapacidade de evitar guerras através do diálogo diplomático.

A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha nos lembra um pouco os estudos que demonstram como as democracias morrem. O partido nazista conseguiu maioria eleitoral no início dos anos trinta e depois Hitler virou o Führer do 3º Reich.

Os Estados Unidos de Donald Trump caminham a passos largos para causar na sociedade humana o que o nazifascismo causou um século atrás. Hitler não foi parado por nenhuma diplomacia da época. 

A extrema-direita vem crescendo eleitoralmente no mundo e seu líder, Trump, inviabilizou organizações internacionais criadas ao final da 2ª GM para buscar entendimentos globais sem novas guerras. A ONU perdeu completamente seu papel neste momento da história. Pensemos nisso.

Sobre a coleção de DVDs 

O resumo acima, constante na caixinha do documentário, sintetiza bem o que se vê nos filmes remasterizados pela Abril Coleções em 2009.

Um vizinho do condomínio perguntou em uma rede social se alguém queria a coleção e resolvi pegá-la para assistir aos DVDs, relembrar o que sei de história e melhorar meus conhecimentos gerais.

A história pode nos ensinar sobre os erros da sociedade humana e nos fazer pensar maneiras de não repetir as tragédias do passado.

William

10/01/26

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Diário e reflexões (2)



Refeição Cultural

Osasco, 5 de julho de 2024. Tarde de sexta-feira.


DITADORES - ASCENSÃO DO FASCISMO

Assustador! Ver as imagens de época da ascensão de Adolf Hitler e Benito Mussolini entre os anos vinte e trinta do século XX é algo assustador. 

O nazismo e o fascismo foram regimes autoritários baseados na estética, na propaganda e na prestidigitação, a arte de iludir e manipular massas dando um caráter quase sobrenatural aos feitos de determinada pessoa ou grupo.

E por incrível que possa parecer, a sociedade humana do século XXI, cem anos depois do hitlerismo, caminha para a repetição trágica de regimes autoritários e destruidores de mundo.

Ao assistir ao documentário, vi nas pautas nazifascistas as mesmas ideias preconceituosas que vejo hoje na boca das lideranças de extrema-direita e de certas correntes de manipuladores da fé alheia. 

É como se os anos de Hitler e Mussolini fossem hoje, como se suas falas estivessem sendo repetidas por certas lideranças de nosso tempo.

Um horror!

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Sinopse:

A primeira experiência fascista ocorreu na Itália, logo após o término da Primeira Guerra Mundial. Em Milão, em 1919, Benito Mussolini, ex-militante socialista, criou os "fasci", grupos de fervorosos nacionalistas que faziam uso sistemático da violência para defender seus valores e enfraquecer o estado e a democracia no país. No mesmo ano, na Alemanha, ficava clara a incapacidade da República de Weimar de dar respostas a uma profunda crise socioeconômica e à humilhação sofrida pelo país na guerra. Esse contexto abriu espaço para que Adolf Hitler colocasse em prática sua filosofia política: impor a superioridade da "raça ariana" ao mundo e expandir o poder alemão. O caminho para chegar a seus objetivos é a guerra total.

O documentário é dividido em capítulos: "A ascensão do fascismo", "O duce e o führer", "Violando o Tratado de Versalhes" e "A iminência da guerra".

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DITADURAS A PARTIR DE DEMOCRACIAS

Essa coleção que adquiri anos atrás é mais atual que nunca! Precisamos estudar a história, compreender os processos econômicos, políticos e sociais que levaram a sociedade humana às guerras do século passado que mataram dezenas de milhões de pessoas e destruíram comunidades inteiras.

Ao ver as imagens de Mussolini e Hitler falando às massas, com gestos calculados e expressões teatrais, me senti como se os estivesse vendo falar dias atrás através daquele lunático dos Estados Unidos, condenado pela justiça de um estado norte-americano e mesmo assim candidato favorito a ser o presidente do país com o maior número de bombas de todos os tipos no mundo.

Ver aqueles monstros falando um século atrás é como ver aquele palhaço fanfarrão eleito presidente da Argentina dias atrás, um merda inconsequente que determinou a fome de mais da metade de seu povo e que mesmo assim é idolatrado por parte do mesmo povo e pelos meios de comunicação dos donos do poder no mundo: os capitalistas.

E no Brasil? Por mais de quatro anos vimos um merda gesticulando e falando escrotices e sendo aclamado por parte do povo, vimos isso mesmo antes das eleições fraudulentas em 2018, eleições com interferência da Lava Jato e com a prisão do candidato que venceria o pleito, Lula. E depois vimos entre 2019 e 2022 um prestidigitador manipulando massas ignaras e gente má com imagens e cenas pré-concebidas, encenadas, e mesmo assim com efeitos estéticos para enganar e fanatizar parte do povo.

ATENÇÃO: todos esses ditadores e assassinos, destruidores de mundo, foram eleitos. Hitler foi eleito. Os nazistas foram eleitos massivamente para o legislativo alemão. Mussolini foi eleito. Se olharmos o presente, veremos que Trump foi eleito e pode ser eleito de novo. Aquele palhaço da Argentina foi eleito. O apreciador de torturador foi eleito no Brasil e o povo brasileiro, manipulado ou não, elegeu um legislativo com quase 80% de gente que defende uma sociedade como Hitler e Mussolini defendiam. Pensem nisso! Entendam a importância do voto no legislativo!

Assistir ao documentário "Ditadores - ascensão do fascismo" é um alerta para o cenário complexo no qual nos encontramos no mundo em 2024.

Sigo estudando e escrevendo algumas impressões e reflexões sobre o que leio e vejo. É uma contribuição honesta deste blog às leitoras e leitores.

William


quinta-feira, 4 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 4 de julho de 2024. Madrugada de quinta-feira.


PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Enquanto revia o documentário sobre a 1ª Guerra Mundial - da Coleção História Viva -, refletia sobre a possibilidade de novas guerras no presente da sociedade humana. Guerra é uma merda! E além das que já estão em andamento - inclusive com a prática de genocídio do povo palestino -, outras estão por vir.

O documentário da série "Grandes Dias do Século XX" é extraordinário! Eu realmente tenho mídias muito boas sobre história e cultura. O material traz imagens da época, dos anos dez do século passado, das frentes de batalha entre alemães de um lado e aliados do outro.

Sinopse:

O século XX começou de forma trágica. Em 1914, as potências europeias se lançaram em um enfrentamento que plantou as sementes de todos os grandes conflitos posteriores. Oficialmente, o estopim da guerra foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do Império Austro-Húngaro, mas vários outros fatores contribuíram para desencadear o conflito que matou mais de 10 milhões de pessoas. O episódio analisa antecedentes e interesses econômicos que levaram ao embate inaugural da Era dos Extremos.

O episódio está dividido nos seguintes capítulos: "O início da guerra", "Vivendo nas trincheiras", Guerra industrial" e "Esgotamento".

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O CAPITALISMO VAI NOS MATAR A TODOS

Um dos livros que mais me ensinaram história do mundo foi Era dos Extremos, do historiador marxista Eric Hobsbawm. Tenho muitas postagens sobre o livro aqui no blog.

Do meu ponto de vista, o cenário mundial é desafiador para a continuidade da sociedade humana no planeta. Culpa central do capitalismo como sistema de organização da sociedade.

A privatização da Sabesp tem relação com o capitalismo. O bolsonarismo tem relação com o capitalismo. A destruição dos biomas brasileiros - Amazônia, Pantanal, milhares de quilômetros de litoral - tem relação com o capitalismo. A necessidade de explorar petróleo para abastecer o mundo de plástico tem relação com o capitalismo. O evento trágico do Rio Grande do Sul, que afetou a quase totalidade das cidades do Estado, tem relação com o capitalismo.

A putaria dos juros altos para foder com 200 milhões de brasileiras e brasileiros e o governo do presidente Lula tem relação com o capitalismo e com os fdp do 1% que conspiram contra o mundo.

É lógico que as pessoas não fazem guerra só por causa do capitalismo. Mas o capitalismo não sobrevive sem guerras. Entendem? As guerras mundiais que tivemos no século passado foram uma salvação para o capitalismo. Destruíram o mundo para os Estados Unidos reconstruírem o mundo. E virar potência imperialista.

Como nossa geração está buscando soluções em meio a tantas crises? Com guerras, guerras locais, guerras civis, guerras entre nós amigos vizinhos famílias, guerras entre países irmãos, guerras por procuração... essas as mais modernas. É só olharmos a da "Ucrânia".

Estamos fodidos. Vão tentar derrubar o Lula aqui no Brasil. Os Estados Unidos estão sem solução com um daqueles dois sujeitos que vão governar a máquina de guerra a partir do ano que vem. São dois dementes. Os países da Europa viraram estados norte-americanos. Os States agora têm 51, 52, 53, 54... os países da velha Europa viraram reles estados norte-americanos...

Eu ando olhando meu umbigo. Eu que já fui grande. Hoje olho meu umbigo. Meu ParTido e minha Central têm meu apreço. O sangue que borbulha em minhas veias, mesmo cheio de colesterol e com pressão maior que a ideal, é um sangue que pertence ao PT e à CUT. Nunca flertei com outros amores políticos. Mas não abro mão de ter opinião e posição e meus amores não toleram mais divergência. Sigo na torcida pelo meu país e pelo povo ao qual pertenço.

Vêm guerras por aí. Nós estamos divididos, despreparados. Os inimigos estão bem mais preparados que nós para as guerras. 

ESQUERDA DIVIDIDA E A DIREITA SE JUNTA CONTRA NÓS - Nossos inimigos estão blocados, um bolsonarista pensa como qualquer outro bolsonarista, pode trocar a palavra bolsonarista por outra semelhante, extremistas de direita, dá na mesma. Eles são monotemáticos nas opiniões sobre qualquer tema.

Já nós da esquerda, se formos 1/3 da população, não somos um terço. Não somos. Porque nossa terça parte é dividida em dez, e as dez são divididas em mais dez... cada um de esquerda é a corrente de si mesmo. Sempre terá um pelo em ovo que divide. Não vamos vencer os que nos odeiam assim!

É opinião. É uma ilusão a companheirada do PT achar que vai "humanizar" o capitalismo...

Sigo estudando e escrevendo o que penso.

William


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Fevereiro (28/02/23)



Refeição Cultural - Fevereiro de 2023

Osasco, 28 de fevereiro de 2023. Terça-feira. (texto atualizado às 22h55 de 1º de março)


INTRODUÇÃO: REFLEXÕES

É importante que não esqueçamos os ensinamentos que tivemos ao longo da vida, ainda mais quando tivemos a intenção de aprender através dos estudos e da observação, ou seja, podemos aprender mais ou aprender menos de acordo com a vontade e com as oportunidades que se colocam para nós na vida. Percebo que a curiosidade filosófica do querer compreender a vida eu sempre tive. Isso é bom.

Como diz a música Lucky Man da banda The Verve, sou um homem de sorte. Apesar de todos os perrengues do viver nas décadas vividas, tive muitas oportunidades de aprender coisas boas tanto com as convivências dos ambientes por onde passei como também através de leituras e estudos formais. O homem que sou hoje é resultado da cultura que acumulei até aqui, e só assim pude perceber o quanto não sabemos quase nada. Saber isso é um incentivo para estudar mais todo dia, a todo instante.

A Política é uma das dimensões da vida humana, do viver em sociedade, é uma das habilidades do animal homo sapiens, é o que nos faz diferentes das demais espécies animais. Tive a oportunidade de aprender política por ter sido trabalhador de uma categoria organizada nacionalmente. Mas não me politizei só por isso, aprendi política por querer aprender, por vontade, porque me abri para o ensinamento. Muitos conhecidos também foram da categoria bancária e não se politizaram, não adquiriram consciência de classe. Então meu saber teve um esforço. Isso é bom.

A convivência com o ambiente político do movimento sindical e do mundo do trabalho bancário, primeiro em banco privado e depois em banco público, foi uma oportunidade central na minha vida para me politizar e me tornar a pessoa que sou. Desde a adolescência, minha consciência era formatada somente pelos meios hegemônicos da classe dominante, a minha consciência e a de meus familiares e conhecidos. Nós, o povo brasileiro. Após virar trabalhador bancário numa base com sindicato organizado passei a ter a oportunidade de ouvir a gente da minha classe e isso mudou minha trajetória de vida. I'm Lucky Man...

Achei importante registrar essa reflexão hoje, nesse texto sobre o meu mês de fevereiro, e sobre alguma impressão que tive em relação ao governo Lula e ao mundo no qual vivemos, que é um só, uma aldeia global, com os meios materiais de todos nós, que somos natureza como ela em si. Somos terra, água, ar, minerais, microorganismos. Somos só natureza. E por estarmos hegemonizados pelo modo de produção capitalista estamos destruindo as condições de existência de nós mesmos nessa aldeia global. Política... as decisões entre fazer bombas ou pães são sempre políticas e não técnicas...

Aliás, falando de política, tenho uma compreensão bem melhor das coisas da política pela formação que tive. Como diz o historiador Eric Hobsbawm, não é verdade que "tudo compreender, tudo perdoar" (ver citação completa aqui). Hoje consigo compreender bem melhor como as coisas funcionam na política, concorde ou não, apoie ou não as coisas da política, muito do que já vi nos dois primeiros meses do governo Lula, o nosso governo, são coisas compreensíveis para quem é politizado. Se todas as medidas do governo darão o resultado esperado não temos como saber, mas afirmo aqui que estou na torcida, de verdade! É o meu governo!

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FEVEREIRO

Mundo - A guerra entre os Estados Unidos, seus vassalos e a Otan contra a Rússia em solo ucraniano completou um ano em 24 de fevereiro e não temos à vista perspectivas de paz, nem de vitória de um lado ou do outro. Os EUA desejam que a guerra siga para que o sofrimento dos ucranianos e dos russos traga alguma mudança política na Rússia e seus aliados. A indústria armamentista está sendo beneficiada e o capitalismo agradece por isso. Que merda! Me parece que a Ucrânia pode se transformar naquele charco fétido da 1ª Guerra Mundial, a Frente Ocidental, com mortandade absurda por anos até que a Alemanha perdesse a guerra por maior esgotamento de recursos em 1918. Que foda!

Brasil - O governo Lula segue num esforço de unir e reconstruir o país após a catástrofe dos governos Temer e Bolsonaro. As bolsas de iniciação científica foram reajustadas fortemente, em média 40%. Isso é bom! Outra medida importante para o país e o povo é a volta do Minha Casa, Minha Vida, agora com regras melhoradas que incluem prioridades a idosos e a famílias em áreas de risco (tragédias como a do litoral norte paulista serão cada dia mais comuns com o aquecimento global). Lula começou a valorizar o salário mínimo, referência nacional para trabalhadores e milhões de aposentados. Assim como fizemos desde 2004, haverá uma política de valorização anual do salário mínimo. Isso é bom!

Eu estou preocupado e tenho discordância em relação ao voto que o Brasil deu na ONU se posicionando diferente de seus parceiros do BRICS em resolução sobre a guerra na Ucrânia. O texto só responsabiliza a Rússia e sequer cita o que a Otan e o Ocidente fizeram desde os anos noventa ao avançar as fronteiras e incluir países da antiga Cortina de Ferro na Otan. Muito ruim a posição do Brasil na ONU. Também tenho dúvidas em relação ao que a área econômica está fazendo ao taxar os combustíveis sem mudar a regra dos preços que fode o povo brasileiro em benefício de encher o rabo dos acionistas com a maior distribuição de lucros do planeta. Também acho que Lula deve rever completamente a "deforma" do ensino médio e não me parece que isso é consenso no governo.

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MEU FEVEREIRO

Sigo me esforçando para ter uma condição de saúde aceitável. Evito exageros na alimentação e nas bebidas. Tenho um foco numa alimentação saudável e exercito meu cérebro diariamente, a essência do que sou são meus 86 bilhões de neurônios. O viver é uma oportunidade e temos que dar valor à vida, tanto a nossa quanto a de todas as pessoas e demais seres da natureza.

Neste mês eu corri menos, foram 5 corridas, sendo 4 de 5K e uma maior, de 7,5K. Andei, pedalei e fiz musculação também. Vi muitos filmes antigos e estou lendo revistas de corrida também.

Sigo me esforçando para participar de movimentos políticos, fui em reuniões do Partido dos Trabalhadores e atividades de rua.

Em termos de leituras e estudos, estou lendo dois livros grandes sobre Cuba, Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, e lendo autores cubanos, Padura e Martí. Defini que neste ano iria conhecer mais sobre esse povo caribenho fantástico.

Assim como li em janeiro dois livros e um volume de mangá (HQ), neste mês de fevereiro li o livro de poesias rio pequeno, de floresta (comentário aqui), indicado por um grande amigo, o professor Gouveia. O poeta constrói seus poemas no cenário onde nasci e vivi até os 10 anos de idade. 

Li também um livro diário muito bom, diário de um bandeirante..., de Roberto Buzzo (comentário aqui). Terminei a leitura em lágrimas, emocionado com o final. 

Li o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, em homenagem aos 175 anos de sua publicação em 1848. Mais atual que nunca! Ler comentário aqui.

E também li o 3º volume de Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa. Imagens fortes e história baseada no lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. Demais! Vale a pena! Comentário aqui.

Em termos de leitura, estou dentro do planejado, foram 5 livros e 2 volumes de mangá nos dois primeiros meses do ano. Além dos livrões que estou lendo.

Sigamos no esforço de ser uma pessoa em busca de conhecimento e de formas de contribuir para um mundo melhor. É fundamental que as pessoas estudem e que pensem maneiras de salvarmos o mundo e os seres humanos.

William


Post Scriptum: minha reflexão sobre o mês de janeiro pode ser lida aqui.


domingo, 15 de agosto de 2021

Trótski - A paixão segundo a revolução



Refeição Cultural

"Seria o proletariado capaz de recriar a cultura a partir de zero, fundando novas formas, novos padrões formais, um novo gosto, uma nova estética, uma nova poética?

Lênin e Trótski não eram idiotas. Sabiam que isso não era possível. O comunismo teria que ser o herdeiro de toda a cultura passada, escravagista, feudal, burguesa. Os dois líderes tinham consciência muito nítida do caráter de carência da condição trabalhadora. Sabiam muito bem que o trabalhador, fabril ou agrário, caracteriza-se pela ignorância, pelo conservadorismo, mais obtuso, pela superstição, pela pobreza mental de horizontes, pelo imediatismo de visão política." (p. 368)


A leitura dessa obra de Paulo Leminski foi uma surpresa para mim. Sei que somos muito ignorantes (não sabedores) em quase tudo na vida, e não quero jamais perder a capacidade de me surpreender com as coisas. Ver Leminski escrever sobre a história da Rússia, de seu povo e de seus líderes como Liev Trótski foi uma surpresa para mim. 

Eu recém conheci Toda poesia (2013), do poeta curitibano - ver postagem aqui. Agora começo a conhecer seu lado prosaico, narrativo e historiador. Impossível não ficar curioso para ler o que Leminski nos conta sobre Jesus, Cruz e Sousa e Bashô. Qualquer hora eu descubro.

Para falar da Rússia e dos líderes da Revolução Russa, Leminski faz uma analogia interessante com a obra Os irmãos Karamázov (1880), de Dostoiévski, comparando as características do pai e dos filhos com os principais tipos característicos do povo russo e pensando a Rússia do passado e presente e com as perspectivas do que viria a ocorrer em 1917.

O velho Karamázov, os filhos Aliócha, Ivan, Dmitri e Smierdiakóv seriam os representantes bem característicos dos tipos mais comuns da Rússia milenar. Apesar de fazer muito tempo que li esse clássico, o fato de ter lido me ajudou a compreender o que Leminski quis dizer. Mas não se preocupem porque ele explica no início as características de cada um deles.

Aprendi muita coisa com a leitura, rabisquei o livro inteiro e fiz diversos comentários nas margens. Seria difícil escolher uma ou duas citações para fazer na postagem. A leitura é densa e leve ao mesmo tempo, pela forma que o poeta nos conta a história e as versões da história. Fiz um breve comentário em vídeo sobre o livro: ver aqui.

A epígrafe acima foi escolhida porque fiquei pensando no Brasil atual, após o golpe de 2016, liderado pelos tucanos com o suporte da mídia corporativa (PIG) e a operação imperialista Lava Jato, após o golpista Temer e destruído pelo regime militar e bolsonarista. 

Pensei no povo miserável que somos, povo primitivo e ignorante em diversos sentidos, mas ignorantes porque assim é melhor para as classes dominantes e não por escolha própria do povo. Leminski fala sobre uma carência do povo em relação à cultura, mas podemos estender o sentido dessa ignorância (não saber) para todos os sentidos da vida social.

Enfim, é bom aprender sobre a história humana. O texto sobre a biografia de Trótski nos ensina muita coisa. Obrigado Leminski!

William


Bibliografia:

LEMINSKI, Paulo. Vida: Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski - 4 Biografias. 1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2013.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

12. Nada de novo no front - Erich M. Remarque



Refeição Cultural - Cem Clássicos

"No abrigo à prova de bombas, depois de dez horas de bombardeio posso ser estraçalhado, e posso não sofrer um único arranhão; só o acaso decide se sou atingido ou fico vivo. Cada soldado fica vivo apenas por mil acasos. Mas todo soldado acredita e confia no acaso." (REMARQUE, 1981, p. 86)

"Para cada veterano, morrem de cinco a dez recrutas. Um ataque inesperado de gás ceifa a vida de muitos. Nem chegaram a aprender o que fazer. Achamos um abrigo cheio de homens com os rostos azulados e lábios negros. Numa trincheira, tiraram cedo demais as máscaras; não sabiam que o gás se mantém mais tempo no chão; vendo os outros lá em cima, sem as máscaras, arrancaram as suas, e engoliram gás suficiente para queimar os pulmões. Seu estado é desesperador, engasgam com hemorragias e têm crises de asfixia, até morrer." (p. 110)


Esse é um daqueles clássicos cujo nome nunca mais esquecemos e que passam a ser referência em nossas ações e reflexões cotidianas. "Nada de novo no front" é uma expressão síntese de situações e momentos nos quais não parece haver nada que possa mudar uma condição ruim ou solucionar um impasse vivido. Nada de novo no front... é assim que nos encontramos neste momento no país onde nasci e vivo.

Estou contando minhas leituras clássicas. Só para ver em que ponto cheguei de um objetivo antigo, de adolescente, de quando eu sonhava ser um grande leitor e um intelectual; hoje tenho claro o quão inocente era essa coisa da forma como estipulei, mas tudo bem. Aos 51 anos descubro a cada momento o quanto sou ignorante culturalmente, o quanto não sei nada de literatura, linguagem e história, e quanto sei menos ainda de outras dimensões humanas. Não consegui sequer ser um "homem cultivado" em conhecimentos gerais e não técnicos, como diz Mircea Eliade em Mito do eterno retorno.

Li Nada de novo no front (1929) na adolescência. O livro me impressionou muito. Eu me identifiquei com o sofrimento e com a desesperança daquela geração de jovens de vinte anos que estavam na guerra. Eu era trabalhador braçal no Brasil da ditadura militar e nos anos perdidos daqueles anos oitenta. Eu quebrava concreto com ponteiro, talhadeira e marreta em construção civil. Sonhava com um futuro melhor, mas a realidade nacional e pessoal me deixavam com muito ódio, raiva do mundo e depressivo. A leitura é duríssima.

Reli o livro faz pouco tempo, faz uns dois anos, com outra cabeça, em outra realidade, mas a leitura foi muito apropriada ao contexto em que nos encontramos, um país sendo destruído e desfeito por um golpe de Estado em 2016 e eleições fraudadas em 2018 e agora estamos sob o comando das piores espécies humanas no aparelho do Estado: estamos sob a banalidade do mal, sob o comando de celerados, genocidas e bandidagem mafiosa. E com uma pandemia mundial sendo utilizada como estratégia de manutenção do regime, porque recolhe o povo consciente em suas casas e gera medo e raiva na massa miserável ignara: condições básicas para o fascismo.

Fiz uma postagem sobre a leitura recente (ler aqui).

Enfim, vendo os acontecimentos da semana, e as perspectivas econômicas, políticas e sociais, sem previsão efetiva de alguma vacina contra o coronavírus no Brasil, o povo sem o auxílio emergencial de 600 reais que o Congresso exigiu de Bolsonaro e Guedes em 2020, e com a possibilidade quase certa do bolsonarismo avançar no comando do Congresso Nacional - Câmara e Senado - já corrompido pelas eleições atípicas e fraudulentas de 2018, não há "nada de novo no front". Não teremos Ano Novo, teremos a continuação de 2016, de 2018 e, infelizmente, de 2020.

Os dois excertos que coloquei no início da postagem ilustram bem o contexto em que nos encontramos. Natal, Ano Novo e férias de janeiro no Brasil de Bolsonaro. A pandemia está descontrolada, matando como bombas jogadas a esmo no front do inimigo, bombas que matam ao acaso qualquer um de nós e os nossos amigos e conhecidos. Serão assim as mortes por sufocamento por Covid-19 nas próximas semanas. 

As pessoas, assim como os soldados inexperientes, já tiraram a máscara achando que o veneno passou, e vão se reunir, comemorar, matar saudades e alguns vão contaminar pais, filhos, familiares, melhores amigos, entes queridos. E alguns deles vão adoecer e morrer de Covid-19, ao acaso, como no front das guerras...

Estou muito triste por isso, muitos de nós serão as vítimas das bombas de coronavírus.

William


Bibliografia:

REMARQUE, Erich Maria. Nada de novo no front. Tradução de Helen Rumjanek. São Paulo: Abril Cultural, 1981.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Relembrando A Montanha Mágica - Thomas Mann



Refeição Cultural

"O segredo e a existência da nossa era não são a libertação e o desenvolvimento do eu. O que ela necessita, o que deseja, o que criará é: o terror." (Naphta, personagem de A Montanha Mágica)


Eu tive o privilégio de ler entre 2008 e 2009 esta obra monumental do escritor alemão Thomas Mann. A obra foi publicada em 1924, após a 1ª Guerra Mundial, mas o autor começou a escrevê-la no início da década de dez. O livro narra a história de um jovem chamado Hans Castorp, que passa um longo tempo nas altas e nevadas montanhas em Davos, na Suíça, cuidando de uma tuberculose.

Uma das temáticas que mais me chamaram a atenção na obra foi a questão das reflexões a respeito da subjetividade do tempo. Ao longo da minha existência, o tempo tem sido um fator de incômodo ao pensar na existência humana, na vida no planeta, no Universo. O tempo pode ser longo, pode ser curto. Muito mais que o tempo cronológico apurado através das leis da física, o tempo subjetivo é algo que fascina e ao mesmo tempo incomoda e assusta a todos nós humanos.

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"Lia-se avidamente nos alpendres de repouso e nas sacadas particulares do Sanatório Internacional Berghof - sobretudo entre os novatos e os pensionistas de curto prazo, pois os pacientes que ali permaneciam por muitos meses ou mesmo por vários anos, havia muito que tinham aprendido a matar o tempo sem distrações nem esforços intelectuais e a deixá-lo atrás graças a um virtuosismo interior. Declaravam até que era uma falta de habilidade, própria de sarrafaçais, essa de se agarrar à leitura. Quando muito admitiam que um livro repousasse sobre os joelhos ou na mesinha, o que já era suficiente para as pessoas sentirem-se abastecidas..." (p. 366)
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A minha edição da Nova Fronteira (2006) tem quase mil páginas, com tradução de Herbert Caro e apresentação de Antonio Cicero. É fascinante!

O livro tem passagens profundas de debates filosóficos em voga. E tem questões triviais que nos tocam, como a passagem abaixo. Eu não gosto de ler livros emprestados - nem de bibliotecas, nem de conhecidos - porque eu tenho por hábito meter o rabisco e anotações nos livros que leio.

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"Tratava-se de livros de anatomia, fisiologia, biologia, redigidos em vários idiomas - alemão, francês, inglês - e que lhe tinham sido remetidos um belo dia pelo livreiro do lugar, evidentemente porque Hans Castorp os encomendara por sua própria iniciativa e clandestinamente, durante um passeio que dera até 'Platz' (...) Joachim perguntou por que Hans Castorp, se desejava ler esse tipo de literatura, não o pedira emprestado ao dr. Behrens, que certamente dispunha de um rico sortimento. Mas Hans Castorp replicou que preferia possuir os livros, e que a leitura era bem diferente quando o livro lhe pertencia; além disso, gostava de sublinhar e assinalar certos trechos a lápis. Durante horas a fio, Joachim ouvia do compartimento de sacada do primo o ruído da espátula que ia abrindo as folhas." (p. 368)
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Thomas Mann era um homem de seu tempo, um alemão de seu tempo naquele início de século XX. Vemos nas personagens encerradas naquelas montanhas por longo tempo as visões do mundo que surgia do século XIX e que culminariam na destruição total da civilização ocidental através das guerras mundiais. Veja abaixo uma passagem sobre a questão da ciência e da vida:

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"Que era a vida? Ninguém sabia. Ninguém conhecia o ponto donde brotava a natureza, e no qual ela se acendia. A partir desse ponto, nada havia na vida que não estivesse motivado ou o estivesse apenas insuficientemente; mas a própria vida parecia não ter motivo. A única coisa que se podia, talvez, afirmar a seu respeito, era que a sua estrutura devia ser de tal modo evoluída que não tinha, nem de longe, igual no mundo inanimado. Entre o pseudópode da ameba e o animal vertebrado, a distância era insignificante, desprezível, em comparação com aquela que existe entre o fenômeno mais simples da vida e a outra parte da natureza que nem sequer mereceria ser qualificada de morta, uma vez que era inorgânica. Pois a morte não era senão a negação lógica da vida; entre esta, porém, e a natureza inanimada abria-se um abismo por cima do qual a ciência em vão se empenhava em lançar uma ponte..." (p. 370)
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Interessante. Eu peguei o livro na estante porque reli uma curta postagem minha no blog (junho de 2008), onde comentava que estava lendo a obra de Mann. Reli, então, algumas passagens do episódio "Pesquisas", contido no capítulo 5. Reli também a apresentação de Antonio Cicero.

Amig@s leitores, é impressionante a sensação nítida de déjà vu que senti ao refletir que vivemos hoje o clima de intolerância e ódio estimulado que o mundo viveu nas décadas iniciais do século XX, e que levou à guerra que destruiria a Europa e mataria milhões de pessoas.

O final da história de Hans Castorp me levou à catarse, fiquei emocionado e arrepiado de forma que nunca me esqueci. Só de manusear a obra novamente, senti a mesma coisa.

O mundo em que vivemos hoje, o mundo da mentira que passou a ser a forma de vivência, que passou a ser aceita pelas pessoas de forma cínica, de forma burra, de forma inocente e o fim do papel das instituições políticas, sociais e estatais que regularam o mundo do pós guerras mundiais, como a ONU e um determinado estado de bem estar social, com respeito à alteridade e com freios e contrapesos, vai nos levar a uma terceira guerra envolvendo diversos países e povos, e creio que o mundo humano não sairá o mesmo como ainda saiu das duas primeiras guerras.

É isso! Quem não tiver lido ainda A Montanha Mágica, o momento mundial é muito propício para o contato com a obra de Thomas Mann, que é um romance de ficção, mas que nos leva a reflexões profundas sobre a realidade material.

William
Um leitor

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Por que o fascismo prevaleceu após a 1a Guerra Mundial?


Historiador Eric Hobsbawm.

Frases que nos colocam a pensar:

"O que deu ao fascismo sua oportunidade após a Primeira Guerra Mundial foi o colapso dos velhos regimes, e com eles das velhas classes dominantes e seu maquinário de poder, influência e hegemonia. Onde estas permaneceram em boa ordem de funcionamento, não houve necessidade de fascismo...." (Pág. 129)

(HOBWBAWM, Eric. Era dos Extremos. In: Capítulo 4 - A queda do liberalismo, Companhia das Letras, 2ª Edição, 33ª reimpressão)


Pergunto aos amigos leitores: seriam Trump e Bolsonaro consequências de processos semelhantes um século depois? 


(Além, é claro, das fraudes nos processos "democráticos", pois lá no Norte os sistemas de algoritmos influenciando comportamentos e fake news via Cambridge Analytica foram denunciados após as eleições em 2016 e, aqui no Sul, as castas golpistas de 2016 impediram por zilhões de fraudes processuais o ex-presidente Lula de disputar e vencer as eleições no primeiro turno, e as fake news de Bolsonaro, financiadas por caixa 2, via empresários apoiadores do B17, conforme denúncia da Folha de São Paulo, pesaram decisivamente no resultado do processo eleitoral)


Post Scriptum (pouco depois da postagem inicial):

Vejam aqui mais uma análise de Hobwbawm sobre aquela época que, na minha opinião, muito se assemelha ao contexto dos anos 2016-2018 do século seguinte à 1ª GM:

"As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando; uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais; fortes movimentos socialistas ameaçando ou parecendo ameaçar com a revolução social, mas não de fato em posição de realizá-la; e uma inclinação do ressentimento nacionalista contra os tratados de paz de 1918-20. Essas eram as condições sob as quais as velhas elites governantes desamparadas sentiam-se tentadas a recorrer aos ultra-radicais, como fizeram os liberais italianos aos fascistas de Mussolini em 1920-22, e aos alemães aos nacional-socialistas de Hitler em 1932-3. Essas, pelo mesmo princípio, foram as condições que transformaram movimentos da direita radical em poderosas forças organizadas e às vezes uniformizadas e paramilitares (squadristi; as tropas de assalto), ou, como na Alemanha durante a Grande Depressão, em maciços exércitos eleitorais. Contudo, em nenhum dos dois Estados fascistas o fascismo 'conquistou o poder', embora na Itália e na Alemanha se explorasse muito a retórica de se 'tomar as ruas' e 'marchar sobre Roma'. Nos dois casos, o fascismo chegou ao poder pela conivência com, e na verdade (como na Itália) por iniciativa do velho regime, ou seja, de uma forma 'constitucional'." (Pág. 130)


Comentário do blog - Há semelhanças impressionantes com o contexto da tragédia farsesca que ocorreu no Brasil nas eleições de 2018.


sábado, 10 de novembro de 2018

Rumo ao abismo econômico e a uma era de extremos



Texto de opinião:

"Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso..."

(Era dos Extremos, Eric Hobsbawm)


O historiador Hobsbawm sempre nos alertou sobre a necessidade que os políticos e economistas teriam de ouvir os historiadores para se evitar as tragédias do passado. Mas não tem jeito. Quase ninguém liga para história.

Eu reli o capítulo "Rumo ao abismo econômico" em 2016, na época da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do golpe de Estado no Brasil. Depois eu reli o capítulo em 2017, vendo a destruição dos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores brasileiros. Hoje reli o capítulo, após a tragédia na forma de farsa das eleições brasileiras.

"(...) embora se deva dizer logo que a quase simultânea vitória de regimes nacionalistas, belicosos e agressivos em duas grandes potências militares - Japão (1931) e Alemanha (1933) - constituiu a consequência política mais sinistra e de mais longo alcance da Grande Depressão. Os portões para a Segunda Guerra Mundial foram abertos em 1931."

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A comparação hoje valeria mais ou menos para Trump - tudo pra nós e dane-se o resto -, mas não para Bolsonaro, que é só belicoso e agressivo, mas entreguista da soberania nacional e que bate continência à bandeira americana, além de o Brasil não ter capacidade de enfrentamento militar com país algum no mundo.
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O capítulo é muito, muito bom. Ele fala de economia, e fala das consequências das decisões políticas e econômicas em relação ao comércio mundial. Fala do entre guerras e a depressão econômica (Crash de 1929). Fala da ascensão do fascismo. A concentração de renda nos anos 20 e 30 às custas de ataques aos sindicatos e direitos dos trabalhadores que impactou muito na depressão econômica e na quebra da bolsa de Nova Iorque, dentre outros panoramas gerais da época.

Amig@s leitores, são cerca de vinte páginas. À medida que vamos lendo, vamos vendo os dias de hoje - Crise do subprime, Trump e a destruição do comércio mundial com mega protecionismo americano; o lawfare chamado de impeachment da presidenta brasileira e a questão da encomenda de destruição da Petrobras e entrega do Pré-sal; as consequências dramáticas aos direitos dos trabalhadores e patrimônio público com a ascensão de Temer e Bolsonaro; o gigante mundial China e a sempre sempre Rússia; o Brexit na Inglaterra e a ameaça de ruptura da comunidade europeia; as "primaveras árabes" para derrubar governos e colocar empresas de petróleo no poder etc.

As questões econômicas dos anos 20 e 30 da Era das Catástrofes são idênticas às das duas primeiras décadas do século XXI. Mama mia! Isso vai dar merda! Sempre deu. A falácia do "livre mercado" que se ajusta sozinho destruiu tanto a economia americana, potência única após a 1ª Guerra Mundial, quanto a economia dos demais países exportadores de commodities do comércio mundial daquela época. 

Foi difícil colocar na cabeça dos economistas e políticos da época as ideias relevantes do Keynesianismo (Teoria geral do emprego, juro e dinheiro), que teria influência por décadas após o Crash de 1929, ideias que contribuíram para os anos dourados da economia mundial até início dos anos setenta.

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É necessário que as pessoas compreendam o que significam as ideias ultraliberais absurdas do suposto futuro super ministro de Bolsonaro -, o que significa o fim dos direitos trabalhistas e da previdência pública, olhando o que aconteceu lá no passado e que levou ao fascismo, ao nazismo e à 2ª Guerra Mundial.
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Eu sugiro que as lideranças populares e cientes da gravidade do momento reúnam as pessoas em sindicatos e movimentos sociais, nos partidos do campo popular e democrático, nas comunidades acadêmicas e leiam juntos este capítulo de Hobsbawm para debate estratégico após tomada de consciência do que está colocado diante de nós e que caminha para uma nova catástrofe social e humana.

Abraços a tod@s, e me coloco à disposição para lermos juntos esse texto. Nos cursos de formação que fizemos por mais de cinco anos na Contraf-CUT, em parceria com a equipe do Dieese, nós fazíamos leitura de textos como esse em voz alta e juntos. É muito bom!

Amig@s progressistas e democratas, nós precisamos salvar o mundo da demência coletiva que tomou conta de nossa época.

William

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Leitura: Nada de novo no front (1929) - Erich Maria Remarque



Refeição Cultural

"Dois homens morrem de tétano. A pele fica lívida, os membros enrijecem e, por fim, só os olhos teimam em viver. Muitos têm o membro atingido suspenso no ar por uma espécie de roldana; embaixo, colocam uma bacia, para onde escorre o pus. De duas em duas, ou três em três horas, eles esvaziam-na. Outros ficam em tração, com pesados sacos de areia que pendem da cama. Vejo ferimentos nos intestinos, que estão constantemente cheios de fezes. O auxiliar do médico mostra-me radiografias com ossos do quadril, joelhos e ombros totalmente esmagados.

Não se consegue compreender como, em corpos tão dilacerados, ainda há rostos de seres humanos, em que a evolução da vida prossegue normalmente. E, contudo, isto aqui é um único hospital, uma única enfermaria. Na Alemanha, há cem mil, cem mil na França, cem mil na Rússia. Como é inútil tudo quanto já foi escrito, feito e pensado, mentiras e insignificâncias, quando a cultura de milhares de anos não conseguiu impedir que se derramassem esses rios de sangue, e que existam aos milhares estas prisões, onde se sofrem tantas dores. Só o hospital mostra realmente o que é a guerra.

Sou jovem, tenho vinte anos, mas na vida conheço apenas o desespero, o medo, e a mais insana superficialidade que se estende sobre um abismo de sofrimento. Vejo como os povos são insuflados uns contra os outros, e como se matam em silêncio, ignorantes, tolos, submissos e inocentes. Vejo que os cérebros mais inteligentes do mundo inventam armas e palavras para que tudo isto se faça com mais requintes e maior duração. E, como eu, todos os homens da minha idade, tanto deste quanto do outro lado, no mundo inteiro, veem isto; toda a minha geração sofre comigo. Que fariam nossos pais se um dia nós nos levantássemos e nos apresentássemos a eles, para exigir que nos prestassem contas? Que esperam de nós, se algum dia a guerra terminar? Durante todos estes anos, nossa única preocupação foi matar. Nossa primeira profissão na vida. Nosso conhecimento da vida limita-se à morte. Que se pode fazer, depois disto? Que será de nós?"

(Nada de novo no front, Erich M. Remarque, 1929)


Reflexões como essa do jovem personagem Paul Bäumer, personagem inspirado nos jovens dilacerados na realidade bárbara dos campos de batalha da 1ª Guerra Mundial, são as reflexões que têm permeado meus pensamentos já faz algum tempo, principalmente depois que se desenhou a estratégia vitoriosa da direita capitalista de desestabilização dos governos democrático-populares da América do Sul dos anos 2010 adiante, incluindo o gigante Brasil, que sucumbiu a Golpe de Estado em 2016 e que vai se desfazendo enquanto país soberano nas mãos de uns quinhentos humanos lesas-pátrias (e os 200 milhões de cidadãos não fazem nada contra eles!)

Com a nova etapa de crise do sistema capitalista, com um marco importante a partir das consequências do crash das bolsas no evento subprime em 2008, e somando a secular questão da disputa de hegemonia e domínio da produção e distribuição de petróleo no mundo, tenho a impressão que não passaremos sem algum tipo de conflito armado de escala mundial ainda na primeira metade do século 21.

Um século atrás, homens de Estado (os "impérios") definiam as guerras, definiam as fronteiras, organizavam e distribuíam as colônias e humanos de exploração no tabuleiro mundial e colocavam seus jovens filhos, os proletários e os despossuídos nos fronts de batalha.

Um século depois, pátria e países são questões secundárias. Homens e suas corporações definem as guerras, o destino do mundo; definem os orçamentos públicos; definem as fronteiras, regiões e humanos a serem explorados no tabuleiro mundial. Patrocinam mercenários de ternos e camisas de marca nos espaços da burocracia estatal para darem canetadas com efeitos de bombas na vida de milhões de cidadãos civis.

O mundo pertence a algumas corporações da indústria armamentista, farmacêutica e de ciências, de tecnologia, do entretenimento, das comunicações. Além dos bancos e banqueiros, Google, Microsoft, Facebook, Aple, Amazon e mais algumas corporações detêm as ações mais valiosas da história.

Em um mundo de mais de 7 bilhões de humanos, poucas corporações e seus donos, acionistas, CEOs ou seja lá que nome que adotem têm o poder de decidir sobre a vida e a morte (por miséria) do conjunto da população global e decidem sobre destruir mais rápido ou não o único planeta habitável para nossa espécie e milhões de outras.

Que chato ficar repetindo isso! É provável que os leitores digam que sabem disso. Então, pra que gastar tempo escrevendo isso, se dá tanto trabalho produzir um texto reflexivo sobre essas questões? Gasto tempo nisso porque se eu desistir de alertar e levar minhas reflexões para uns poucos que consiga acessar, a vida não terá sentido. Se não houver esperança e resistência na luta por um mundo melhor para todos, não valerá a pena viver. Mas, desistir não é uma opção!

Tenho atualmente pouquíssimo tempo livre para estudos e reflexões sobre os temas políticos que definem o mundo, o nosso mundo da classe trabalhadora. Consumo meu tempo integral na defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores associados à entidade de autogestão em que atuo como representante eleito. Não deixa de ser um fragmento da luta maior da classe trabalhadora, mas meu front é esse e envolve quase um milhão de vidas humanas.

VOLTANDO AO LIVRO de Remarque que nos coloca no meio das trincheiras, lama, sangue, ratos, bombas, gás mortal, hospitais com gente dilacerada pela guerra, eu recomendo a leitura porque esse cenário não é uma estória da carochinha. A crise que o mundo enfrenta por causa de poucos donos do mundo que decidem sobre a vida de bilhões, e em benefício de alguns milhares deles, é uma crise que pode nos levar a guerras mais sangrentas que as já conhecidas na história.

A crise em que os golpistas colocaram o Brasil tem efeitos semelhantes à clássica abertura da Caixa de Pandora. Todos os males e demônios foram soltos e não se volta para a situação anterior com um aperto de botão. Eu não acredito que haverá solução institucional e democrática em 2018. Não há mais democracia no país, e as instituições da República fizeram e fazem parte do golpe de uma casta contra o povo todo. Por mais que haja gente correta e decente nos aparelhos do Estado, um conceito de casta/corporação tomou conta deles. Me parece que são eles contra o povo, e estão fazendo chacota do povo, por não verem reação alguma à altura.

Termino citando um trecho de excelente artigo de Maria da Conceição Tavares, no site Carta Maior, pois felizmente ainda temos fonte de qualidade para dar subsídios aos militantes por um mundo justo e solidário e que não concordam com o que está aí:

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"O Estado sempre foi a nobreza do capital intelectual, da qualidade técnica, da capacidade de formular políticas públicas transformadoras. O que se fez no Brasil é assustador, uma calamidade. É necessário um profundo plano de reorganização do Estado até para que se possa fazer políticas sociais mais agudas. Chegamos, a meu ver, a um ponto de bifurcação da história: ou temos um movimento reformista ou uma revolução. A primeira via me soa mais eficiente e menos traumática. Ainda assim, reconheço, precisaremos de doses cavalares do medicamento para enfrentarmos tão grave enfermidade. Os sintomas são de barbárie. Parece um fim de século, embora estejamos no raiar de um. Em uma comparação ligeira, lembra o começo do século XX. Os fatos levaram às duas Guerras Mundiais. Aliás, a guerra, ainda que indesejável, é uma maneira de sair do impasse..."

(Restaurar o Estado é preciso, ler artigo AQUI). O destaque sublinhado é meu.

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O que falta ainda para os jovens, que têm a energia vital em suas veias, e o povo trabalhador e simples, lesado pelo Golpe, acordarem para o fato que uns poucos humanos estão em alguns postos chaves do Estado nacional destruindo o passado, o presente e o futuro do Brasil?

Neste momento, passados quase dois anos de domínio dos golpistas, não vejo "nada de novo no front". Mas alimento a esperança de ver uma reação popular logo ali, na próxima batalha. E que não demore dezenas de anos, porque acho que não vai sobrar nada do país.

Abraços aos valoros@s leitores que conseguimos acessar, enquanto os donos das ferramentas de estabelecimento de ideologias das classes dominantes acessam milhões de leitores em suas plataformas de comunicação de massa.

William

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Diário e reflexões - 040218 (Alguns serão lixo na história)


Meu mundo, Osasco.

Domingo. Brasil. Osasco.

Estou quase terminando a releitura do livro "Nada de novo no front", publicado em 1929 pelo alemão Erich Maria Remarque. Quando o li na adolescência, fiquei muito impactado pelo relato do dia a dia da 1ª Guerra Mundial. Que merda de guerra imbecil que ainda duraria décadas considerando um intervalo de vinte anos de crises e a 2ª Guerra Mundial.

Aí volto para a nossa realidade num mundo em crise, num país sob Golpe de Estado desde 2016, num momento em que os golpistas que destroem o presente e o futuro do Brasil e do povo brasileiro ainda estão vencendo as batalhas travadas contra a classe trabalhadora. Uma quadrilha com membros em todos os espaços de poder da República derrubou um governo eleito pelo povo, sem crime algum, e agora avança com todo tipo de arbitrariedade contra o povo e seus representantes com abusos de poder por parte do Legislativo, Executivo e Judiciário.

Lendo várias matérias na revista Carta Capital nº 988, de 31/1/18, ficou-me uma esperança ao ler o artigo de Nirlando Beirão "O fascismo não acaba bem - Eles que não se iludam. A História pertence a outros protagonistas", que fala sobre como terminaram os líderes fascistas e totalitários e como a história os tratou. O duce Benito Mussolini e sua trupe justiçados pelo povo e pendurados de cabeça para baixo em praça pública. O nazismo e seus líderes como Hermann Göring, Rudolf Hess e mais uma dezena condenados à morte no julgamento de Nuremberg. Ditadores em diversas partes do mundo como o nicaraguense Anastasio Somoza justiçados pelo povo... 

Nós o povo da classe trabalhadora já sofremos diariamente a violência desses governos ilegítimos ou comprometidos com a elite através das injustiças diárias, através do desemprego, da miséria, da violência das forças repressivas do Estado que só abusam de pobres, estudantes, pessoas simples e representações populares, segmentos discriminados como, por exemplo, a comunidade negra, dentre outros segmentos sociais. Morremos todo dia nas periferias do Brasil. Morremos de morte morrida ou de morte matada. O mundo dos 99% é o da exposição à insegurança, às doenças oriundas da não intervenção do Estado no saneamento e na atenção básica.


Matéria de Carta Capital sobre o fim que tiveram alguns
fascistas pelo mundo. E o livro de Remarque sobre
a imbecilidade da guerra.

Que saco! Vivi para ver a miséria na minha infância, depois na adolescência. Depois vivi a esperança de um futuro melhor com a ascensão de forma democrática dos governos do PT e o Brasil deu um salto para melhor justamente para o povo sofrido e miserável e para milhões de remediados que melhoraram em mais de uma década de governos progressistas e com foco naqueles que mais precisam das políticas do Estado, o povo foi incluído no orçamento público nos governos do PT. 

Vivi para ver um golpe destruir décadas e décadas de avanços e lutas sociais em praticamente dois anos. Nossas riquezas sendo entregues. Nossos direitos sendo eliminados por uns 400 lesas-pátrias. E até agora não vi a reversão do processo de destruição de nosso país e de nosso povo.

Minha esperança fica ao olhar a história que conta que alguns casos de regimes de exceção e abusos de castas contra o povo podem ter finais felizes, com os desgraçados sendo justiçados pelo povo após o processo de destruição e abuso e violência que esses poucos cometeram contra os muitos, o povo todo.

Eu não posso aceitar os abusos que vejo ao meu redor, a tristeza que sentimos com as injustiças quase nos mata, mas não mata. Estou com energia para lutar por um mundo diferente desse que os golpistas, fascistas, capitalistas e lixos do tipo estão impondo ao povo ao qual pertenço.

William


Post Scriptum:

Como um soldado do povo trabalhador, tenho a noção exata que não posso quebrar nem fisicamente nem psicologicamente. Os assédios que tenho sofrido não vão me quebrar. As dores e efeitos físicos das batalhas que enfrentamos diariamente pelos direitos dos trabalhadores que representamos também não podem me quebrar. Acordei tão dolorido neste domingo pelo estresse ininterrupto de semanas e saí para correr, após perceber que não era dor muscular nem nos tendões. Talvez fosse efeito da tristeza de ver o que temos visto ao nosso redor. Resisti às dores e corri meus 5,5 km. Foi importante. 

Conversando com lideranças sindicais nesta semana, sugeri que as entidades sindicais deveriam pensar em programas de atenção à saúde e atividades físicas para o nosso pequeno exército de representantes dos trabalhadores, porque o que todos estão sofrendo para resistir aos ataques aos direitos do povo o tempo todo não está sendo fácil. É o que eu penso. Temos que estar firmes para resistir nas batalhas entre o povo e os golpistas encastelados nas estruturas do Estado.

Solidariedade e unidade entre nós do movimento social e popular são fundamentais para defender o povo e os trabalhadores. O momento não é de divisão entre nosso lado por divergências que eventualmente existam. O foco é enfrentar a destruição do Brasil e dos direitos sociais dos trabalhadores.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Diário e reflexões - 210417 (Sinais de guerras)



(atualizado às 21h50, de 21/4/17)


Cena do filme "Adeus às armas", de 1957,
com Rock Hudson, Vittorio De Sica e Jennifer Jones.

Refeição Cultural

Após ler dias atrás o livro fantástico de Ernest Hemingway, Adeus às armas (1929), sobre um romance entre um tenente americano e uma enfermeira escocesa que se passa no cenário italiano da 1ª Guerra Mundial, busquei informações sobre filmes baseados na obra. Encontrei um dos anos trinta e outro dos anos cinquenta, o que assisti. Ler comentário sobre o livro AQUI.

O filme tem direção de Charles Vidor, estreou em 1957, e teve como protagonistas Rock Hudson, Jennifer Jones e Vittorio De Sica. São duas horas e meia de filme. Um cenário belíssimo gravado em cidades italianas e nos alpes. Eu gostei muito da adaptação deste filme em relação ao livro de Hemingway. A estória é muito triste e reforçou bastante o meu sentimento ruim de que podemos estar caminhando para um contexto de guerras locais e ou entre países e grupos financiados por corporações e fim da vida civil como nossa geração conheceu até o momento.

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"Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na  Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso..." (Capítulo 'Rumo ao abismo econômico', da Era dos Extremos, Hobsbawn)
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Também fiz leituras correlatas com o cenário que tenho percebido no mundo atual, de certa forma. Li Hobsbawn, Era dos Extremos (1989), e comecei a leitura do livro de Miruna Genoino, Felicidade fechada (2017), contando o drama vivido por ela, seu pai José Genoino e família, frente a um massacre midiático e condenação injusta e sem crime, na lógica de macular a história de um homem que dedicou sua vida às causas sociais e democráticas do Brasil e do povo brasileiro. Seus algozes são todos do grupo que organizou e perpetrou o golpe de estado em 2016 colocando novamente o nosso País em estado de exceção, com forte ataque aos direitos históricos dos trabalhadores.

No silêncio solitário de minha casa, porque estou há semanas longe da família por causa de minha missão atual como representante eleito por trabalhadores em uma entidade de saúde, tenho refletido tanto tanto sobre a nossa existência de militante por causas sociais, sobre a dureza que é a nossa vida de classe trabalhadora contra o sistema de exploração capitalista que segue a passos largos destruindo o Planeta e a sociabilidade dos homens. Que merda de mundo é esse que impera quase sempre e ao longo do tempo a força dos poucos donos do poder, através de suas máquinas de opressão e de manipulação ideológica?

Mas enquanto estamos vivos e somos atores sociais, e enquanto temos princípios éticos e posições ideológicas de esquerda, temos que acordar e lutar e defender um mundo diferente desta merda colocada a nós pelos capitalistas e exploradores.

Não se deixar calar, não se deixar matar, não se deixar vencer sem lutar, essas são as únicas opções que temos. Então é fazer o que tem que ser feito.

William


Post Scriptum: sobreviver é preciso... comecei o feriado correndo 5k, apesar do cansaço físico em que me encontro.