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domingo, 23 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (10)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Enquanto leio o capítulo 21 das memórias do Zé Dirceu, reflito sobre a atualidade complexa do calendário eleitoral brasileiro em 2026.

O líder petista está nos contando os bastidores do partido nos anos noventa e quem viveu aquele período como cidadão politizado - letrado politicamente - vai relembrando o quão miserável é esse país da casa-grande e da elite canalha, mancomunada com a imprensa golpista e com um judiciário subserviente aos donos do poder e do dinheiro. 

Isso não muda! Não mudou! Não sei se mudará um dia, pois fazendo as coisas do mesmo jeito, os resultados não serão diferentes. 

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21. LULA TOMA AS RÉDEAS DO PT

A decisão de enfrentar FHC e os escândalos dos tucanos, colocados debaixo do tapete, com a ajuda da mídia 

Zé Dirceu nos conta como se deu o 10° Encontro do partido. Nos revela que Lula chamou ele para se colocar à disposição de ser presidente do PT. 

"Mas qual não foi minha surpresa ao encontrar um Lula decidido a tomar as rédeas da direção do PT. No primeiro momento, ele começou a se explicar ou mesmo a se 'desculpar' sobre a questão Covas e a falta total de apoio à minha campanha, diariamente 'sabotada' pelo entourage lulista (...) Susto maior tomei ao ouvir de Lula a proposta de me apoiar em uma candidatura à presidência do partido..." (p. 273)

Depois, lemos que a direção do PT, após o 10° Congresso, definiu claramente a orientação e os objetivos do partido: "transformar e consolidar o PT como instituição. Afirmar a vocação do partido para o poder, abri-lo para as alianças e para poder governar, assumir nossos governos e conquistar, ao governar, a adesão da maioria do eleitorado e da sociedade..." (p. 276)

Comentário: fica claro para as amigas e amigos leitores, sejam simpatizantes ou não ao PT, que desde essa época, 1995, o partido não é movimento nem frente, não existe só pra marcar posição, como muitos partidos de esquerda. O PT quer governar e entregar direitos à sociedade com a realidade que temos nas bases sociais, o PT compõe e faz alianças, se não fizer isso, não governa.

O capítulo é longo, são vinte páginas de história. Me lembrei de muitas passagens que Zé Dirceu conta no livro. Exemplos: compra de votos para a reeleição de FHC, as privatizações criminosas, o Caso da "Pasta cor-de-rosa", o Caso Sivam etc.

"Era a velha tática tucana - amplamente benéfica aos rentistas e ao capital externo - de juros altos, câmbio valorizado, inflação baixa, déficit público. Privatizações, importações, abertura comercial e financeira. Crescimento medíocre e aumento do desemprego." (p. 289)

Comentário: e antes que os leitores falem do compromisso do 3° governo Lula com a questão fiscal e teto de gastos, insinuando que o Lula seria a mesma coisa que liberais tipo FHC, basta lembrar que os tucanos tinham maiorias no Congresso, assim como os golpistas Temer e Bolsonaro. O PT nunca teve essa condição no parlamento.

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, já estamos sofrendo interferência violenta nas eleições brasileiras de 2026. 

Além da mídia comercial canalha, temos uma justiça eleitoral parcial, é minha leitura e de boa parte da mídia progressista, e temos interferência pesada das big techs e do governo fascista de Trump.

Está claro que há uma operação Lava Jato 2 em andamento, protegendo o candidato do clã Bolsonaro e uma utilização da justiça para prejudicar Lula, através de uma perseguição escandalosa a seu filho Fábio Luís, apelidado pela mídia golpista "Lulinha".

Enquanto enfrentamos esses desafios de manipulação da opinião pública e eleitores, ainda tem o fogo amigo dos "esquerdistas", como nos ensinou Vladímir Ilitch Lênin, em seu clássico texto de 1920: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" (comentário aqui).

Seguimos nas lutas, não há outra alternativa. 

ELEIÇÕES 

Em SP, voto e peço votos a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

23/08/26

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Diário e reflexões


Paralisação no BB Verbo Divino. Foto: Sindicato 

Refeição Cultural

Sexta-feira, 21 de agosto de 2026.


ELEIÇÕES 

O calendário de campanha das eleições brasileiras teve início nesta semana. Serão eleições duríssimas para nós da classe trabalhadora e das classes subalternas e populares, a base da pirâmide econômica da sociedade.

Na minha leitura, baseada na experiência política que adquiri ao organizar e representar os trabalhadores por muitos anos, as eleições serão as mais complicadas desde a redemocratização do país e vigência da Constituição Federal de 1988. 

Há uma guerra explícita contra a reeleição do presidente Lula e para que o Congresso Nacional não seja renovado com uma representação maior do povo pobre e trabalhador. Os donos do poder farão de tudo para manter a maioria esmagadora de parlamentares vinculados a eles.

Em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13. 

Se vocês, leitores do blog, puderem, participem da campanha e me ajudem a pedir votos aos nossos candidatos e candidatas.

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CAMPANHA SALARIAL DOS BANCÁRIOS

Ontem, participei da paralisação nacional da categoria bancária. Estive com as companheiras e companheiros do Sindicato na concentração do Banco do Brasil da Verbo Divino, na região Sul da cidade. A participação dos trabalhadores foi excelente!

Na próxima semana, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá novamente com os banqueiros e esperamos que os bancos façam propostas que atendam às reivindicações da categoria.

À noite, estive no aniversário da companheira Deise Recoaro, militante com quem aprendi muito no movimento sindical. Encontrei muita gente querida, amigas e amigos de longas jornadas de lutas.

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LEITURAS E ESTUDOS

Estou tentando ler e estudar diariamente. É só lendo e exercitando nosso cérebro, verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista Miguel Nicolelis, que podemos seguir evoluindo como seres humanos e como seres incompletos que somos, como ensina o professor Paulo Freire.

Li Machado de Assis e as memórias de José Dirceu. No final desta sexta-feira, li em voz alta o conto "Entre santos", de 1886, do Bruxo do Cosme Velho.

Sigamos lutando por um mundo melhor.

William

terça-feira, 7 de julho de 2026

Livro: Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


INTRODUÇÃO 

As reflexões e ensinamentos do grande líder revolucionário russo Vladímir Ilitch Lênin, que além de ser um homem da práxis era um intelectual orgânico do movimento de esquerda internacional, sempre foram referências para nós da esquerda brasileira. 

A minha formação política não foi revolucionária, devo registrar essa questão logo de cara em meus comentários sobre a leitura do livro Esquerdismo, doença infantil do comunismo, texto escrito por Lênin em 1920. Fui politizado pelo movimento sindical bancário, na corrente política Articulação Sindical da CUT, corrente surgida em meados dos anos oitenta. 

Quando virei dirigente sindical da CUT, no início dos anos dois mil, já tinha mais de trinta anos de idade e uns doze anos de categoria bancária. Mesmo assim, foram necessários alguns anos de sindicalismo cutista para compreender o que eu era e representava, nossas concepções e práticas sindicais. 

O Novo Sindicalismo surgido nos anos setenta e oitenta, liderado por figuras como Lula dos metalúrgicos, Gushiken e Augusto Campos dos bancários, e outras lideranças da classe trabalhadora brasileira, tinha na sua práxis muito do que li nesta clássica obra de Lênin, mesmo não sendo um movimento revolucionário. 

A CUT nasceu com outra concepção sindical, principalmente sua corrente hegemônica, a Articulação Sindical. Os sindicatos tinham como prioridade conquistar direitos e melhores condições de trabalho e não o foco na revolução socialista, como um braço do partido revolucionário. 

Enfim, essa obra de Lênin sobre o esquerdismo infantil sempre balizou o nosso sindicalismo, principalmente no que diz respeito as estratégias e táticas para se alcançar os objetivos, tanto imediatos quanto históricos da classe trabalhadora. O que li não foi diferente do que ouvi, aprendi e pratiquei enquanto dirigente sindical cutista. 

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POR QUE LI AGORA O TEXTO DE LÊNIN?

Recentemente, em um evento internacional, o presidente Lula afirmou para lideranças políticas de grandes países, que nunca foi "esquerdista". Isso gerou diversas reações aos mais diversos espectros políticos que existem. 

Pela vivência e experiência ao ser militante cutista por décadas, entendi perfeitamente o que Lula disse, e é exatamente isso: Lula nunca foi um "esquerdista", num sentido muito parecido ao que Lênin desenvolve em seu texto: não fazer frentes com grupos diferentes mais à direita e ao centro; não disputar parlamentos e eleições burguesas; não fazer composições com pelegos para fazer parte de sindicatos etc.

A CUT e o PT também nunca foram "esquerdistas" no sentido leninista de táticas e estratégias. É a minha opinião. São de esquerda, mas construíram suas histórias de lutas e conquistas fazendo mobilizações com frentes amplas, compondo com forças políticas diferentes, participando de parlamentos e direções sindicais conservadores e "pelegos" em composições de chapas, organizando movimentos e negociando avanços para seus representados - a classe trabalhadora -, sempre construindo reivindicações que congregam questões imediatas e históricas e de interesse das classes populares. 

Comecei a ler o livro através de uma edição digital, no Kindle, e acabei comprando uma edição impressa, na qual finalizei a leitura. 

Aliás, edição espetacular a da série "Armas da crítica", Arsenal Lênin, da Boitempo, 2025. Recomendo!

Foi muito bom ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir Ilitch Lênin. 

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Apresentação 

O texto inicial de Atilio Borón na edição que adquiri da Boitempo foi muito esclarecedor sobre as ideias marxistas-leninistas.

Li a apresentação após o fim de minha leitura do livro e ensaio de Lênin no Kindle. São 30 páginas que agregam muita informação. 

Estava terminando a leitura na edição virtual quando decidi ter o livro "de verdade" rsrs, em edição impressa. 

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Apêndice - Sobre a doença infantil do "Esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês

Texto de maio de 1918. Excelente e muito atual para pensarmos a China que chegou até aqui, na minha opinião.

Lênin aborda bastante o Capitalismo de Estado, etapa necessária para se chegar ao Socialismo de Estado. Algo assim, nas minhas palavras. 

Alguns excertos:

Correlação de forças 

"(...) Quando éramos representantes de uma classe oprimida, não adotávamos uma atitude leviana perante a defesa da pátria na guerra imperialista, negávamos por princípio essa defesa. Quando nos tornamos representantes da classe dominante que começou a organizar o socialismo, exigimos que todos tivessem uma atitude séria perante a defesa do país. E ter uma atitude séria perante a defesa do país significa preparar-se a fundo e ter rigorosamente em conta a correlação de forças. (...) Mas entre os 'comunistas de esquerda' não existe o menor indício de que compreendam a importância da questão da correlação de forças." (p. 162)

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Capitalismo ou Socialismo de Estado

"O socialismo é inconcebível sem a grande técnica capitalista baseada nas últimas descobertas da ciência moderna, sem uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Nós, marxistas, sempre falamos sobre isso, e não vale a pena perder nem sequer dois segundos conversando com gente que não compreende nem sequer isso (os anarquistas e uma boa parte dos socialistas-revolucionários de esquerda)." (p. 169)

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"(...) Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. [...] O capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história sem nenhum degrau intermediário entre si e o degrau chamado socialismo.*" (p. 171/172)

*A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la (1917), de Vladímir Ilitch Lênin 

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"De qualquer ponto que se aborde a questão, a conclusão é uma e só uma: o raciocínio dos 'comunistas de esquerda' sobre o 'capitalismo de Estado' ser uma ameaça é um completo erro econômico e uma prova clara de que eles são prisioneiros absolutos da ideologia pequeno-burguesa." (p. 172)

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Marx e a grande produção 

"(...) Marx tinha a mais profunda razão quando ensinava aos operários a importância de preservar a organização da grande produção para facilitar a transição ao socialismo..." (p. 174)

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"(...) Os operários não são pequenos burgueses. Não temem o grande 'capitalismo de Estado', apreciam-no como um instrumento seu, proletário, que o seu poder soviético utilizará contra a desagregação e desorganização dos pequenos proprietários." (p. 179)

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"(...) o socialismo é impossível sem aproveitar as conquistas da técnica e da cultura pelo grande capitalismo..." (p. 180)

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Lênin termina o texto explicando que os revolucionários russos precisaram naquele momento da história (1918 a 1920) dos conhecimentos dos capitalistas para aprenderem a técnica, coisa que os chineses fizeram por umas três décadas no final do século, até dominarem a economia mundial como vemos no século XXI.

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Comentário final 

Enfim, feita a leitura deste grande clássico da literatura política. Fiz mais três postagens no blog durante a leitura.

A obra de Lênin trouxe muitas explicações para o mundo que eu conheço na atualidade. Incrível!

Sigamos lendo e tentando conhecer a história e compreender o mundo. 

William 

06/07/26


Bibliografia:

LÊNIN, Vladímir Ilitch (1870-1934). Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Tradução: Edições Avante!. 1. ed. - São Paulo: Boitempo, 2025.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sobre esquerdismo (1) - Lendo Lênin



Refeição Cultural

Dias atrás, o presidente Lula disse a um grupo de líderes do G7, e a conversa foi captada pelos microfones, que nunca foi "esquerdista" e essa afirmação gerou algum tipo de discussão a respeito da questão.

Eu tenho a minha leitura sobre o sentido do que Lula disse, por minha experiência política de décadas de representação como dirigente da classe trabalhadora, como cutista e como petista.

Motivado por isso, acabei tendo a curiosidade de ler uma obra que nunca li de Vladimir Lênin: Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de 1920.

Para entender Lula e o Novo Sindicalismo que surgiu nos anos setenta, e consequentemente a CUT e o PT, um dos livros que mais contribuíram para minha compreensão foi o da jornalista Denise Paraná, Lula, filho do Brasil, editado pela Perseu Abramo em 2003. A primeira edição foi em 1996 pela Editora Xamã.

Enfim, enquanto leio o livro de Lênin, vou recortando alguns trechos que acho interessantes. Já li até o capítulo 4.

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EXCERTOS DE LÊNIN

Os poucos recortes que fiz abaixo são dos capítulos I a IV, com os títulos:

I - Em que sentido podemos falar do significado internacional da Revolução Russa?

II - Uma das condições fundamentais do êxito dos Bolcheviques

III - As principais etapas da história do Bolchevismo

IV - Quais foram os inimigos que o Bolchevismo enfrentou, dentro do movimento operário, para poder crescer, fortalecer-se e temperar-se?


“É possível que os revolucionários russos já tivessem derrubado o czar há muito tempo se não fossem obrigados a lutar, ao mesmo tempo, contra o aliado deste, o capital europeu.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“Como Karl Kautsky escrevia bem, há dezoito anos!” (idem)

Comentário: Lênin diz isso em referência a uma avaliação que Kautsky fez em 1902. A frase que citei acima é dele.

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A NECESSIDADE DA DITADURA DO PROLETARIADO

“A ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, cuja resistência está decuplicada, em virtude de sua derrota (mesmo que em apenas um país), e cuja potência consiste não só na força do capital internacional, na força e na solidez das relações internacionais da burguesia, como também na força do costume, na força da pequena produção.” (idem)

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“infelizmente, continua a haver no mundo a pequena produção em grande escala, e ela cria capitalismo e burguesia constantemente, todo dia, a toda hora, através de um processo espontâneo e em massa. Por tudo isso, a ditadura do proletariado é necessária, e a vitória sobre a burguesia torna-se impossível sem uma guerra prolongada, tenaz, desesperada, mortal; uma guerra que exige serenidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e uma vontade única.” (idem)

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“a centralização incondicional e a disciplina mais severa do proletariado constituem uma das condições fundamentais da vitória sobre a burguesia.” (idem)

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COMO MANTER A DISCIPLINA DO PARTIDO, DO MOVIMENTO E DO PROLETARIADO?

“A primeira pergunta que surge é a seguinte: como se mantém a disciplina do partido revolucionário do proletariado? Como é ela comprovada? Como é fortalecida? Em primeiro lugar, pela consciência da vanguarda proletária e por sua fidelidade à revolução, por sua firmeza, seu espírito de sacrifício, seu heroísmo.” (idem)

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“Segundo, por sua capacidade de ligar-se, aproximar-se e, até certo ponto, se quiserem, de fundir-se com as mais amplas massas trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias.” (idem)

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“Finalmente, pela justeza da linha política seguida por essa vanguarda, pela justeza de sua estratégia e de sua tática políticas, com a condição de que as mais amplas massas se convençam disso por experiência própria.” (idem)

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OS REVOLUCIONÁRIOS DE INTERNET ("DE BOCA")

“E se os bolcheviques conseguiram tal resultado foi exclusivamente porque desmascararam impiedosamente e expulsaram os revolucionários de boca, obstinados em não compreender que é necessário recuar, que é preciso saber recuar, que é obrigatório aprender a atuar legalmente nos mais reacionários parlamentos e nas organizações sindicais, cooperativas, nas organizações de socorros mútuos e outras semelhantes, por mais reacionárias que sejam.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“os bolcheviques. Estes nunca teriam conseguido eliminar os mencheviques, caso não houvessem aplicado uma tática justa, combinando o trabalho ilegal com a utilização obrigatória das "possibilidades legais". Na mais reacionária das Dumas, os bolcheviques conquistaram toda a bancada operária.” (idem)

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“a república 'operária-camponesa' soviética é melhor que qualquer república democrático-burguesa, parlamentar. Sem essa preparação prudente, minuciosa, sensata e prolongada não teríamos podido alcançar nem manter a vitória; de Outubro de 1917.” (idem)

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OS PEQUENO-BURGUESES

“0 pequeno-burguês 'enfurecido' pelos horrores do capitalismo é, como o anarquismo, um fenômeno social comum a todos os países capitalistas. São por demais conhecidas a inconstância e a esterilidade dessas veleidades revolucionárias, assim como a facilidade com que se transformam rapidamente em submissão, apatia, fantasias, e mesmo num entusiasmo 'furioso' por essa ou aquela tendência burguesa 'em moda'.” (idem)

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“Em 1908, os bolcheviques 'de esquerda' foram expulsos de nosso partido, em virtude de seu empenho em não querer compreender a necessidade de participar num 'parlamento' ultrarreacionário. Os 'esquerdistas', entre os quais havia muitos excelentes revolucionários que depois foram (e continuam sendo) honrosamente membros do Partido Comunista, apoiavam-se, principalmente, na feliz experiência do boicote de 1905.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“0 boicote dos bolcheviques ao 'parlamento' em 1905, enriqueceu o proletariado revolucionário com uma experiência política extraordinariamente preciosa, mostrando que, na combinação das formas de luta legais e ilegais, parlamentares e extraparlamentares, é, às vezes, conveniente e até obrigatório saber renunciar às formas parlamentares. Mas transportar cegamente, por simples imitação, sem espírito crítico, essa experiência a outras condições, a outra situação, é o maior dos erros” (idem)

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COMENTÁRIO FINAL

Até aqui na leitura, eu fiquei pensando nas entrevistas de Lula para a jornalista Denise Paraná, lá no início dos anos noventa.

Lula não era um "esquerdista" e esse foi um dos motivos pelos quais seu irmão Frei Chico, um "esquerdista", e seus companheiros pensaram na possibilidade de Lula entrar no movimento sindical dos metalúrgicos.

Me marcou muito como estudioso do movimento sindical cutista e como militante do PT ver o Lula dizer que aquele movimento sindical e partidário que estava surgindo no final dos anos setenta e início dos oitenta tinha claro o que NÃO queria como referência: nem a URSS, nem a China, nem Cuba, não queriam saber de partido único, de movimento sindical atrelado ao partido e ao governo e que não podia fazer greve etc.

Enfim, sigamos na leitura.

William

18/06/26

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

domingo, 30 de novembro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de novembro de 2025. Domingo. 


NOVEMBRO 

O que poderia registrar sobre o mês de novembro? Quais fatos e acontecimentos marcaram o meu mês de novembro e o mundo onde habito?

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O MUNDO, MUNDO, VASTO MUNDO

Sobre o mundo eu não sinto vontade de registrar nada em especial. Posso tecer alguns comentários, entretanto.

Os Estados Unidos seguem ameaçando com guerras e mortes os países e governos que não se submetem a eles. Querem derrubar o governo de Maduro na Venezuela, estão f... a Ucrânia por não precisarem mais do país para suas guerras por procuração. Voltaram atrás em questões de tarifas contra o governo Lula porque a decisão estúpida estava f... o povo norte-americano: It’s the economy, stupid!

O meu governo, o 3º governo Lula, que ajudei a eleger, segue fazendo o possível para entregar ao povo brasileiro alguns dos compromissos que Lula assumiu ao colocar seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais em 2022, contra o genocida e corrupto que estava no poder. 

As correlações de forças não ajudam muito o governo Lula, pois a política foi destruída durante a longa noite de Temer e Bolsonaro.

Lula conseguiu a aprovação da isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até cinco mil reais por mês naquele Congresso Nacional corrupto e de lacaios da casa-grande. O presidente conseguiu beneficiar dezenas de milhões de pessoas das classes populares e com menos acessos aos direitos da cidadania. Grande feito melhorar a vida do povo!

O 3º governo Lula também está entregando realizações surpreendentes na área da saúde, com o trabalho do ministro Padilha: o SUS avança. Milhões de brasileiras e brasileiros estão passando a ter acesso a medicamentos e materiais médicos de forma gratuita através do programa Farmácia Popular, quase extinto no governo passado, do genocida que foi acusado na CPI da Pandemia de praticar nove crimes diferentes, inclusive contra os direitos humanos.

Um acontecimento marcou o mês de novembro de 2025: a condenação definitiva do ex-presidente Bolsonaro e de alguns militares de alta patente. O sujeito que estimulou o contágio por Covid-19 e zombou de pessoas que morreram por não conseguirem respirar durante a pandemia não foi condenado por essas mortes (ainda), e nem pelas acusações de roubo, mas começou a cumprir sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de Golpe de Estado. Sujeito desprezível!

O Brasil sediou a COP30 em Belém do Pará e considero válido o esforço feito pelo governo Lula de tentar envolver os países do mundo em uma busca conjunta sobre as questões da emergência climática. 

Francamente, sem discutir o fim do capitalismo, do lucro, da mais-valia, da produção de mercadorias desnecessárias aos povos do mundo, do uso responsável dos recursos naturais como a água, não estaremos no planeta nas próximas décadas, não falo séculos, falo décadas. Porém, a culpa da questão climática não é do presidente Lula, esse político estadista é sincero em suas intenções de preservação dos biomas e da vida humana.

A imprensa comercial, o jornalismo venal dos donos do poder secular, nunca foi tão criminosa como na atualidade. Nunca! A violência contra as mulheres virou uma epidemia no Brasil e a mídia canalha em todos os seus meios aliena a população brasileira escondendo o motivo central da violência: a pregação dos líderes políticos que ela apoia, apoiou e mantém no poder, ou seja, a extrema-direita e a pequena elite do 1% de privilegiados. Essa é minha leitura e opinião. A mídia deu espaço a todo o lixo pregado por Bolsonaro e pelo bolsonarismo. Está aí o resultado!

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ESTE SER QUE HABITA O MUNDO


“That one last shot’s a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life’s a journey, not a destination
And I just can’t tell just
What tomorrow brings, yeah

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn’t listen
To all that righteous talk, oh yeah
Well, I was out on the street
Just tryin’ to survive
Scratchin’ to stay alive…”

(Amazing, Aerosmith)

Não tendo grandes buscas filosóficas como tive ao longo da vida, minha busca de sentidos hoje é diferente das etapas vencidas. Compreendi a vida, agora é achar sentidos para seguir vivendo.

Olhando para trás, poderia tranquilamente dizer que aprendi a rastejar antes de caminhar e hoje sei mais que nunca que a vida é uma jornada e não um destino. Nunca se sabe o que o amanhã nos trará...

Estando retirado das lutas sindicais que me formaram como pessoa e cidadão brasileiro durante minha vida de bancário e, principalmente, após os trinta anos de idade, quando virei sindicalista, hoje estou mais concentrado em sistematizar o percurso que percorri nessas quase três décadas após assumir uma representação política na categoria na qual trabalhei a maior parte da vida.

Escrevi durante a pandemia mundial de Covid, em meu blog sindical, memórias que depois foram reunidas em um livro chamado “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. O livro vem ganhando o mundo. Não é um livro comercial, é uma espécie de depoimento de alguém que acredita na educação e na formação política porque o autor é fruto dessa experiência.

Em novembro, consegui presentear mais algumas pessoas com o livro. Seguirei fazendo isso. Alguns textos ou temas tratados no livro podem não ter muito sentido para todos os tipos de públicos, mas alguns capítulos podem ser interessantes para qualquer tipo de público, seja dirigente sindical, seja militante de esquerda, seja trabalhador da categoria bancária. É também um livro para as pessoas que me conhecem hoje ou que já conviveram comigo.

As reflexões contidas nos textos do livro, todos independentes, descrevem as concepções e práticas políticas que me politizaram e isso se deu com a militância da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principalmente através do Sindicato de minha base de trabalho e da corrente política que me influenciou como dirigente de centenas de milhares de bancários por cerca de duas décadas.

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SISTEMATIZAÇÃO DOS TEXTOS DOS BLOGS

O trabalho de leitura, diagramação e encadernação de milhares de textos escritos em meus blogs ao longo de duas décadas está em andamento e não sei quando vou conseguir terminar essa sistematização. Mas tenho que terminar esse trabalho.

O personagem que registrou todas aquelas histórias da categoria bancária, que viveu e sentiu tudo que está escrito nas páginas dos blogs de cultura e sindical é um brasileiro que escolheu fazer esses registros e compartilhar esses textos abrindo mão de outras coisas na vida. 

O material histórico pode não ter importância para muita gente deste momento do mundo, mas como estudioso da sociedade humana, sei que o material tem sua importância histórica.

Enfim, sigamos fazendo as coisas que entendo que devem ser feitas.

Entendo que partilhar o que sei é a minha função no mundo até que eu não exista mais ou até que minha essência, meu ser, não possa mais fazer isso.

Por fim, visitei meus familiares em Uberlândia neste mês, fiz o que pude por eles, li o que foi possível, e tive minha rotina alterada após a edição do livro, pois estou encontrando pessoas do mundo político neste período de distribuição de minhas memórias.

William Mendes


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Instantes (23h52)



Refeição Cultural

Opinião


BOLSONARO E GENERAIS NA PRISÃO NÃO GARANTE UM AMANHÃ MELHOR PARA O POVO BRASILEIRO

Após minha sessão de exercícios na modesta academia do condomínio, andei por alguns minutos pelo estacionamento para apreciar as luzes diversas proporcionadas pelo pôr do sol e início da noite. Fiquei pensando a vida e o mundo sob a exuberância do céu.

Nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, começaram a cumprir pena de prisão após trânsito em julgado o ex-presidente da república Jair Messias Bolsonaro e alguns militares de alta patente - eles foram condenados por tentativa de golpe de Estado. Os caras tramaram até a morte do presidente eleito Lula, do vice-presidente Alckmin e do ministro do STF Moraes.

Do ponto de vista formal, hoje foi um dia que podemos considerar histórico para o Brasil por vermos pela primeira vez neste país militares de alta patente cumprirem pena por tramarem mais um golpe de Estado, coisa que fazem desde o nascimento do regime republicano por aqui, em 1889. A república foi instituída por um golpe de Estado contra o imperador.

Como cidadão brasileiro e militante político de esquerda formado no movimento sindical cutista e no Partido dos Trabalhadores tive o cuidado de tratar a condenação e prisão de Bolsonaro e dos militares com reserva e discrição. 

Algo em minha experiência de décadas como dirigente eleito da classe trabalhadora me instou a não seguir os impulsos naturais que clamaram por comemorações legítimas ao ver esses sujeitos condenados por todo o mal que fizeram ao Brasil e ao povo brasileiro.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. O bolsonarismo é um fenômeno brasileiro que deve ser considerado ainda hoje como algo inédito e que merece toda a nossa atenção. O sujeito teve 58 milhões de votos em outubro de 2022, mesmo após tudo o que vimos e sabemos que ele fez. 

O líder da extrema-direita brasileira perdeu por 2 milhões de votos a eleição para o maior líder político de esquerda que o Brasil já teve, Luiz Inácio Lula da Silva: 50,9% a 49,1%. Por um milhão de votos a menos de um e a mais do outro, Lula perderia para Bolsonaro. Algo que eu consideraria incrível, mas o fato é esse. 

Não há ninguém no nosso campo político que não conheça alguém bolsonarista ou que odeie Lula ou a esquerda. Não há! O amanhã é absolutamente incerto e as pessoas estão muito mudadas. As big techs têm relação profunda com isso. Alteraram e seguem alterando o nosso comportamento e a nossa maneira de ver o mundo a cada minuto que passa.

Enfim, Bolsonaro e os generais estão presos. E o futuro segue absolutamente incerto, na minha modesta opinião. É bom que meus companheir@s e a parte progressista deste país tenham isso em mente.

O imponderável mora no amanhã. Nunca sabemos o que nossos inimigos vão fazer no dia seguinte. E o mundo está a beira de guerras imprevisíveis e a destruição do planeta segue e os psicopatas estão no poder das bombas e das moedas.

E ainda temos a natureza atuando em todos nós. Hoje estou aqui, respirando, refletindo e escrevendo. Amanhã posso não estar.

Se a esquerda tiver juízo, buscará unidade como nunca conseguiu antes. Vejam a história do Brasil... vejam a nossa história do movimento de esquerda brasileiro...

É uma ponderação em face dos acontecimentos.

William Mendes

25/11/25

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Minha história com Lula



Refeição Cultural

Parabéns pelos 80 anos, presidente Lula! O senhor é efetivamente o filho do Brasil!

27/10/25


É uma alegria ver nosso presidente Lula completar 80 anos de idade no dia de hoje, com saúde e em plena atividade política, buscando diariamente benefícios para o Brasil e o povo brasileiro e focado em agendas globais como a questão do combate à fome, a preservação ambiental e o fim das guerras.

Eu não tenho uma foto ao lado do presidente Lula, como tem a maioria das pessoas que conheço do meio político. Não tenho! Ao longo das duas décadas de mandatos de representação sindical até tive algumas oportunidades, mas não deu certo fazer a foto com Lula. 

Não tenho foto com Lula, mas Lula é uma referência em minha vida desde quando eu não sabia disso e ele é uma referência política para mim até hoje, após ser politizado pelos bancários da CUT.

Quando fiz 18 anos e tirei meu título de eleitor, votei no Partido dos Trabalhadores pela primeira vez, e ajudei a eleger Luiza Erundina prefeita de São Paulo. No ano seguinte, 1989, votei em Lula pela primeira vez para presidente da república, em primeiro e segundo turno. 

Antes dos votos em Erundina e Lula, eu havia sido trabalhador braçal desde criança. Da maioridade em diante, votei em Lula e no PT como bancário e sempre tive aquela leitura básica que trabalhador vota em trabalhador.

DE BANCÁRIO SINDICALIZADO A DIRIGENTE DO SINDICATO CUTISTA

Entre 1988 e 2002 fui um trabalhador da categoria bancária sem uma formação política mais aprofundada. Eu sabia mais ou menos o que não queria, o que era ruim para mim e meus pares da classe trabalhadora. Votar em candidatos dos patrões e dos ricos era uma certeza do que não deveria fazer.

Ao participar das eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região na chapa cutista em 2002 e ser eleito representante de meus colegas na direção do maior sindicato da categoria, tive a oportunidade de conhecer a nossa história e aí passaria a entender melhor quem era Lula e quem éramos enquanto movimento político da classe trabalhadora.

Ao começar essa nova fase de minha vida de trabalhador brasileiro - ter um mandato de primeiro grau dos colegas bancários - eu já tinha mais de trinta anos, estava com 33 anos de idade. 

Se, por um lado, eu já tinha me envolvido em diversas lutas estudantis desde adolescente, ajudando a organizar movimentos reivindicatórios no ensino médio, na 1ª faculdade (FEAO-FITO), na 2ª faculdade (Náutico Mogiano), que não concluí, e na 3ª faculdade, a FFLCH-USP, por outro, nunca tinha tido formação política orgânica, de correntes políticas.

Notem que o trabalhador sindicalizado há anos ainda não tinha formação política sindical e partidária, e passaria a conhecer e entender melhor a história da luta de classes no Brasil, a categoria bancária, o Novo Sindicalismo surgido após a ditadura de 1964-85, a criação do Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores etc.

LULA, O PT E A CUT

Foram necessários, para mim, vários anos de militância e estudos por interesse próprio para que eu compreendesse melhor quem era essa figura humana extraordinária chamada Luiz Inácio Lula da Silva, o filho de Dona Lindu, retirante nordestino e garoto que se tornou metalúrgico, sindicalista e depois presidente do Brasil.

Mais que conhecer quem era Lula, desde o primeiro dia de diretor do Sindicato, principalmente depois que fui liberado do dia a dia no caixa do Banco do Brasil e passei a fazer trabalho de base e ações sindicais, eu precisava saber quem eu era, quem era o sindicalista que representava os bancários de um sindicato com uma história extraordinária como o nosso.

Eu já estava no movimento sindical há algum tempo quando li o livro "Lula, o filho do Brasil", escrito por Denise Paraná e lançado pela Fundação Perseu Abramo, em 2002. A base da biografia são entrevistas com Lula, familiares e amigos nos anos noventa e depois a autora faz uma espécie de análise sociológica na segunda parte do livro.

E qual é a minha história com Lula e as instituições de classe que ele ajudou a construir?

Desde 2002, vinha buscando conhecer a história dos bancários, as lutas no banco no qual trabalhava, a história da corrente política à qual pertencia no campo cutista - Articulação Sindical -, coisa que fui entender tempos depois de estar no dia a dia do movimento.

As entrevistas contidas no livro de Denise Paraná foram muito esclarecedoras para mim, muito. Óbvio que eu lia muita coisa, jornais antigos do movimento, cartilhas, livros, documentos, tudo que aparecia na minha frente. Mas o livro foi um documento sistematizado para entender o Lula, o PT, a CUT e a Articulação Sindical.

Minha edição é toda rabiscada! Eu lia um trecho e pensava "essa fala é para fazer formação sindical sobre comunicação" ou "caramba, preciso mostrar isso aos companheir@s para eles entenderem melhor a Articulação e a CUT" etc.

Me chamou a atenção algumas falas do Lula nas quais ele explicava o que a gente não queria ser, o que a gente sabia que não queria copiar de outras forças políticas, sindicais, partidárias etc. 

Ao pensar o Partido e a Central, e até o país que queríamos, nossas referências não seriam o que se conhecia no campo da esquerda da época: URSS, China, Cuba e outras experiências socialistas não eram nossas referências.

Lula sempre foi muito enfático ao falar em democracia, em pluralidade sindical e partidária, ao falar em livre pensamento e liberdade de expressão, em direito à oposição, em melhorar a vida da classe trabalhadora não só pensando o futuro (objetivos históricos), mas pensando o cotidiano, os objetivos imediatos da classe.

Sei lá, após ler o livro sistematizando aquelas entrevistas de Lula e seus familiares, e olhando tudo o que vinha estudando, vivendo e experimentando como sindicalista seguindo fielmente as concepções e práticas sindicais da Articulação Sindical e da CUT, compreendi bem melhor quem eu era e passei a lidar melhor com as contradições da política.

Para fechar essa reflexão e minha alegria ao parabenizar Lula por seu aniversário, diria que não tenho uma foto com o companheiro Lula talvez por ter sido disciplinado demais durante minha militância com mandatos.

Uma das vezes nas quais eu poderia ter tirado a minha foto com Lula, ele estava reunido com a direção do Sindicato no Auditório Azul e eu até queria ir àquela reunião.

Mas nós do Banco do Brasil tínhamos uma assembleia um ou dois dias depois e como havíamos ido mal na assembleia anterior, nós da corrente Articulação Sindical da CUT tínhamos que fazer uma convocação muito amarrada com os bancários para ganhar aquela assembleia.

Eu era o responsável pelo Complexo São João do Banco do Brasil, eram 22 dependências e uns dois mil bancários ali. Convocações bem-feitas na região central definiam uma assembleia na Quadra dos Bancários, ao lado da Praça da Sé.

Não deu outra, eu foquei na convocação dentro do prédio e não fui à reunião com o presidente Lula... mas tivemos uma boa assembleia e tenho certeza que esse era o meu papel principal naquele momento.

Presidente Lula, parabéns e felicidades!

William Mendes 


domingo, 26 de outubro de 2025

Entrevista: Marilena Chaui (2005)



Refeição Cultural

Ao reler a entrevista da filósofa e professora Marilena Chaui, texto que abre a série de entrevistas feitas para o livro Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo, de abril de 2006, percebo o quanto a entrevista é seminal e trabalha conceitos que me ajudaram a ser dirigente sindical por mais de uma década no dia a dia da categoria bancária. 

A militância de esquerda vivia naqueles dias as contradições políticas suscitadas com a apelidada "crise do mensalão" e a entrevista de Marilena Chaui foi muito importante para mim.

As postagens de resenhas ou comentários sobre livros dão um trabalhão por causa das citações que faço no texto. 

Como estou relendo a entrevista e não vou fazer longas citações, citarei a página na qual o tema abordado me chamou a atenção. 

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TEMAS FILOSÓFICOS DA POLÍTICA EXPLICADOS POR CHAUI

"O neoliberalismo é a decisão política de cortar a direção dos fundos públicos no polo dos direitos sociais ou do salário indireto, dirigindo a totalidade desses fundos ao capital (que deles precisa para continuar as mudanças tecnológicas) - os direitos sociais se convertem em serviços vendidos e comprados no mercado. É também a decisão de 'enxugar o Estado', privatizando as empresas públicas e 'desregulando' a economia, isto é, permitindo a concentração oligopólica da riqueza social e dando plena liberdade ao capital financeiro (ou ao monetarismo)." (p.37/38)


- Diferença entre a técnica e a práxis, segundo Aristóteles (p. 17)

- Ética pública, na qual a virtude central é a justiça (p. 18)

- Diferença entre a justiça do partilhável ou distributiva, referindo-se a distribuição de bens, e a justiça do participável ou participativa, referindo-se ao exercício do poder e à igualdade política (p. 18 e 19)

- A ética DA política e a ética NA política (p. 20)

- Os princípios da ética pública se encontram na qualidade das instituições republicanas e democráticas, porque os governantes são humanos e têm paixões, segundo Espinosa (p. 21)

- "Só pode haver república e democracia se o que agrada ao governante não tiver força de lei." (p. 22)

- "Ou seja, o partido formulou uma cultura política orientada pelas ideias de igualdade, justiça e participação, portanto, por virtudes políticas ou uma ética DA política." (p. 22)

- Direitos econômicos, sociais e culturais não podem ser convertidos em "serviços" (p. 23)

- Controle social do poder público através da auto-organização da sociedade (p. 23)

- Conceitos sobre liberdade de pensamento e de expressão, opinião pública etc (p. 25)

- Senado brasileiro: foi inchado pela ditadura de forma absurda e desde então nenhum presidente eleito consegue governabilidade por não ter maioria parlamentar (p. 26/27)

- "A indústria política dá ao marketing a tarefa de vender a imagem do político e reduz o cidadão à figura privada do consumidor (p. 28)

- Sobre os efeitos maléficos da burocratização do partido e dos movimentos organizados, Chaui nos dá uma aula espetacular! (p. 34/35)

- A parte sobre o neoliberalismo é tão esclarecedora conceitualmente que até vou pôr uma citação na abertura da resenha (p. 36 e seguintes)

- Chaui toca no assunto da política econômica do 1° governo Lula, o tal equilíbrio fiscal era para ser política de transição e virou permanente (p. 40)

- A filósofa explica o que é totalitarismo (p. 43 e seguintes)

- "Enquanto no absolutismo a fórmula é 'o Estado sou eu' (o 'eu' é o rei), no totalitarismo a fórmula é 'a sociedade sou eu' (o 'eu' é o Estado)." (p. 44)

- A professora explica o que é populismo e caracteriza a sociedade brasileira como uma república oligárquica (p. 49)

- Ao falar das experiências da URSS e China, o chamado "socialismo real", Chaui explica que aquilo não foi socialismo, pois não havia democracia (p. 51)

- Na parte final da entrevista a professora descreve o que é o socialismo do ponto de vista econômico, político, social e esclarece por que socialismo e democracia são inseparáveis (p. 51 a 55)

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Comentário final 

A atualidade da entrevista e os conceitos abordados pela filósofa Marilena Chaui são impressionantes!

Para fechar a releitura do livro, falta agora ler o texto que Chaui disponibilizou na edição sobre democracia e transparência. 

É isso!

É significativo ler essa entrevista no dia que rememoramos o assassinato do jornalista Vladimir Herzog há 50 anos (25/10/75).

Temos o dever de seguir na luta contra o capitalismo e por uma sociedade socialista e democrática. 

William Mendes


Bibliografia:

CHAUI, Marilena; BOFF, Leonardo; STEDILE, João Pedro; DOS SANTOS, Wanderley Guilherme. Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo. 1a edição. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

sábado, 27 de setembro de 2025

Entrevista: João Pedro Stedile (2005)



Refeição Cultural

A entrevista concedida por João Pedro Stedile, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), ao professor Juarez Guimarães para a confecção do livro "Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo" (2006), livro editado pela Fundação Perseu Abramo, é uma aula extraordinária sobre o nosso país e as questões centrais à nossa classe, a classe trabalhadora.

À época, as entrevistas reunidas no livro foram fundamentais para entender melhor a crise do ano de 2005 - apelidada pela oposição e pela imprensa capitalista de "crise do mensalão" -, ocorrida no primeiro mandato do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores. 

Eu estava no começo do segundo mandato de representação de meus colegas bancários e todas as reflexões políticas e filosóficas que li e ouvi me ajudaram no diálogo com a base, e eu estava muito envolvido no trabalho de base da categoria. 

Tanto é verdade o que afirmo que durante o ano de 2005 e 2006 os locais onde me sentia mais acolhido eram nos departamentos e agências do BB, porque os bancários e bancárias conheciam minha atuação em defesa de nossos direitos e demonstravam apoio ao meu trabalho político e organizativo, mesmo sendo um militante petista e cutista, alvos das oposições de direita e conservadoras e das oposições que se diziam "mais à esquerda" que nós (coisa questionável).

O livro foi importante para mim e segue atualíssimo em seu conteúdo neste momento da história brasileira, ano de 2025!

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"O Estado brasileiro é um Estado montado pelas elites para unicamente garantir seus privilégios."

Essa afirmação feita por Stedile em 2006 serve para qualquer período da história do Brasil sob análise. Ela pode ser dita hoje, 2025, e poderia ser dita no passado, em 1968 ou 2016, ou ainda em 1888 ou 1889.

Seguem algumas afirmações de Stedile. 

SAIR DA CRISE COM A ENERGIA DO POVO 

"A verdadeira natureza da crise não era apenas ética; era uma disputa entre as classes dominantes para transformar o governo Lula em refém das políticas neoliberais."

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"A nossa força não está apenas na justeza das nossas ideias, está no contingente que conseguimos organizar para as mudanças."

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"Nós achamos que há uma alternativa para o governo; não basta o governo ficar respondendo se há ou não corrupção - isso é secundário nesta altura da luta de classes. O que é importante é o governo recuperar o debate na sociedade sobre a necessidade de um novo modelo econômico para o país." (o MST disse isso de viva voz a Lula durante a crise)

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O DESAFIO DAS FORÇAS SOCIAIS 

"A sociedade brasileira vive uma crise de destino, uma crise de projeto."

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"Se você parte de uma análise, como certos setores da esquerda, que estão no governo, e das classes dominantes, de que a economia brasileira vai muito bem, a sua leitura é diferente (da) dos movimentos."

Comentário: Stedile explica bem os malefícios do agro e do modelo exportador do Brasil para o povo e o país. 

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Consequências do neoliberalismo 

"Essa crise ideológica de valores talvez seja uma das consequências mais graves do neoliberalismo. E isso vai para dentro dos movimentos também - o dirigente sindical não quer ser presidente para se transformar num líder de massas, ele quer ser presidente porque em algum momento ele vai viver - ele pessoalmente - melhor do que sua categoria, por benesses. Isso é o antivalor: eu quero resolver o meu, e não o da minha categoria."

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Stedile explica que 1964 e 1989 foram dois momentos brasileiros de derrotas dos movimentos populares no país. E quando Lula foi eleito em 2002 era um momento de descenso dos movimentos. 

"Costumo citar uma fala do Eric Hobsbawm em que ele considerou extemporânea a vitória do PT nas condições históricas do Brasil. Por quê? Normalmente a esquerda ganha eleições, ou seja, batalhas eleitorais, como fruto do ascenso do movimento de massas. Nós aqui tivemos uma vitória da batalha eleitoral importante, que foi a vitória do Lula, mas em um momento de descenso."

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"As esquerdas, se quiserem ser consequentes, têm que trabalhar com uma visão de longo prazo."

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Tarefas dos movimentos sociais de esquerda 

1. Formação política da militância: preparar pessoas que interpretem a realidade e tenham capacidade de transformá-la

2. Voltar a fazer trabalho de base, o que significa organizar as pessoas nos seus locais de vivência, seja na fábrica, na comunidade rural, no colégio ou universidade 

3. A necessidade de priorizar o trabalho com a juventude pobre urbana, setor social que representa as reservas e a vontade de mudanças 

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LUTA DE MASSAS

"Quando não se prioriza a luta de massas, abandona-se também a concepção de que o povo é e deve ser o principal ator político das mudanças."

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"O problema não é a via institucional; ela faz parte da vida das pessoas, nós vamos debater sempre, vamos participar sempre. O problema é ter abandonado o outro lado, a luta de massas. Porque são as lutas de massa que acumulam força, que educam as massas; os militantes e os quadros são educados na formação política, mas as massas são educadas na luta. E, quando não se prioriza a luta de massas, abandona-se também a concepção de que o povo é e deve ser o principal ator político para as mudanças."

COMENTÁRIO: aqui cabe um comentário do blog, quando critico o movimento sindical por não fazer mais assembleia presencial: isso é péssimo! Não educa a base! Se o dirigente sindical não tira o trabalhador de seu trabalho sequer para ir a uma reunião para decidir seu salário e direitos, como ele quer que o trabalhador participe de uma manifestação política por democracia ou direitos políticos ou civis?

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"As eleições não transformam o povo em agente de mudança. Nas eleições o povo é um mero ator passivo que vai até a urna e deposita o seu voto e depois não tem controle nenhum, tanto é que nem se lembra em quem votou, para quem ele deu esse poder de representação."

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"Só haverá uma inflexão mais democratizante do governo se houver pressão das bases partidárias, dos movimentos sociais e das mobilizações de massa."

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SOBRE O MST E A LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA 

"O neoliberalismo afetou decisivamente a viabilidade da reforma agrária no Brasil."

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O MST é diferente da esquerda ortodoxa 

"Incorporamos no movimento a ideia da autonomia do partido, mas incorporando no movimento social princípios organizativos que os partidos tinham preservado ao longo da luta de classes. Então, a ideia da formação de quadros, de ter os nossos jornais, de ter as nossas escolas, a ideia de núcleo de base, tudo isso aprendemos da luta de classes em geral, ou seja, que os partidos eram os condutores - e nós incorporamos no movimento. Essa é a novidade do MST."

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"A reforma agrária no Brasil não é viável se não for parte de um projeto antineoliberal ou antiimperialista."

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Stedile já avaliava em 2006:

"Hoje estamos vendo que o neoliberalismo no campo, na agricultura, é a subordinação completa das formas de organização da produção agrícola às transnacionais e ao capital financeiro - isso inviabiliza definitivamente a possibilidade de organizar a produção camponesa."

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"Então, os nossos inimigos antes eram o latifúndio atrasado, patrimonialista, que reservava a terra como poder econômico e político. Desde a década de 1990, para a reforma agrária avançar precisamos enfrentar um poder muito maior, o poder do agronegócio, das transnacionais, do capital internacional e suas alianças internas, como a própria mídia."

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Tem uma parte da entrevista na qual Stedile explica as estratégias do MST, é uma espécie de texto "O que fazer". (p. 168 e seguintes)

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"O capitalismo (...) agora, na sua etapa monopolista, não disputa mais a propriedade da terra conosco, ele disputa o controle da produção e da comercialização."

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"E foi aí que fomos nos abastecer não só nas obras clássicas de Marx e dos que procuraram interpretar o capitalismo depois de Marx - e fugimos do reducionismo de 'marxismo-leninismo'; a nossa visão é de que todos os pensadores vão contribuindo numa elaboração permanente da ciência e da reinterpretação da realidade."

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Reforma agrária adequada ao caso brasileiro 

"E chegamos à seguinte síntese, que ainda está em processo de construção: evidentemente não há mais espaço no Brasil para uma reforma agrária do tipo clássico capitalista, a burguesia não precisa distribuir terra, e, ao mesmo tempo, não adianta ficarmos sonhando com uma reforma agrária socialista, a famosa tese de Lenin de nacionalizar a propriedade da terra, isso também não resolve. Temos que construir um projeto de reforma agrária que seja coadunado com um projeto popular de desenvolvimento nacional."

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"Se você não tiver vontade, se não tiver projeto, não constrói força para mudar."

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"O agronegócio é a remaquiagem da velha plantation do colonialismo, não traz nenhum benefício para a sociedade brasileira."

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Stedile nos explica a Lei Kandir (governo FHC), que isenta exportações de produtos primários de ICMS e tem efeito de transferir mais-valia social aos fazendeiros do agro, exportadores e mineradoras. (p. 177/178)

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Princípios do MST

"Que princípios são esses? A ideia da direção colegiada, de não ter presidente, secretário, tesoureiro, embora as divisões de função existam; a ideia de direção coletiva; de formação de quadros; de garantir unidade e disciplina, não disciplina hierárquica ou militar, mas disciplina da democracia - se a maioria decide, é preciso que haja unidade em torno desta decisão; a ideia do trabalho de base; da luta de massas; e a ideia de inserção dos militantes e dirigentes em todo este trabalho."

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Simbologia 

"Ao mesmo tempo, outros sociólogos nos criticam por recuperarmos a cultura, a mística (...) Procuramos em todas as atividades do movimento incorporar essa visão pedagógica de cultivar o nosso projeto com atividades culturais, com atividades lúdicas, com a simbologia."

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"Faz-se isso em jogo de futebol, em tudo o que tiver massa você usa o símbolo, porque ele resume, ele sintetiza e aglutina em torno do projeto, do objetivo coletivo: bandeira, hino, cantos, alegorias, passeatas, palavras de ordem, tudo isso chamamos de mística."

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SOBRE A CONJUNTURA POLÍTICA NACIONAL 

"A classe dominante faz a disputa política e ideológica não pelo partido, mas pelos meios de comunicação."

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"É no meio do povo, da mobilização de massas, que vão se reconstruindo forças e rearticulações de poder real que podem mudar."

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Lição final: está desanimado ou em crise, vá para a base!

"Nós do MST, e aconselho isso a todos os amigos/as, quando desanimamos sempre nos colocamos como tarefa: voltar e passar uma semana no meio do povo, num assentamento, num acampamento, e lá nós recuperamos as energias. Porque, no fundo, é no meio do povo, da mobilização de massas, que vão se reconstruindo forças e rearticulações de poder real que podem mudar."

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Comentário final 

Que entrevista extraordinária! Mais atual que nunca!

Essas lições são de 2006. 

Por esses dias, vi uma entrevista de Stedile à CartaCapital, e aprendi tanta coisa que nem digo aqui. Daria outro textão.

Ouçam as lideranças do MST! É muita sabedoria, amigas e amigos leitores.

William

27/09/25 (22h14)

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Entrevista: Wanderley Guilherme dos Santos (2005)



Refeição Cultural

Em 2006, a Fundação Perseu Abramo lançou o livro "Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". O professor de economia Juarez Guimarães entrevistou 4 personalidades de diferentes áreas do conhecimento humano, uma delas o cientista político e professor Wanderley Guilherme dos Santos. 

À época, eu era dirigente sindical da categoria bancária e as entrevistas me ajudaram bastante a compreender as contradições inerentes à política partidária e oriundas da democracia e me ajudaram no diálogo com meus colegas bancários sobre a crise política (vulgo "mensalão") daquele momento em 2005 do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores. 

Rever as entrevistas neste momento brasileiro, no qual 12 deputados do PT votaram a favor da PEC da impunidade no Congresso Nacional, não deixa de ser uma forma de tentar compreender as contradições do jogo democrático, e lembro que compreender não é concordar, é compreender. 

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O GRANDE JOGO IMPUGNATÓRIO

Cito algumas frases e opiniões interessantes de Wanderley Guilherme dos Santos. Ele afirmava em seus artigos que a oposição tentou um golpe em 2005.

Juarez Guimarães deixou que o entrevistado argumentasse contra as ideias contrárias à sua leitura à época: que as elites econômicas eram beneficiadas e então não queriam golpe; que a oposição ao governo Lula tinha direito legítimo de tentar o golpe ou inviabilizar o governo porque o PT havia feito o mesmo; e que a crise era consequência da existência de corrupção no governo e de caixa dois. 

Ao longo das citações do professor Wanderley, teço alguns comentários.

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"O que tivemos agora foi um caso estritamente de tentativa de golpe por parte de forças políticas fora do poder."

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"Quando se fala em elite, se pensa logo em elite econômica. Não, elite são todos esses jornalistas que têm coluna, por exemplo."

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"A opinião do PT e das oposições durante os oito anos do governo Fernando Henrique era totalmente irrelevante do ponto de vista parlamentar, não tinha força para fazer coisa nenhuma; se tivesse força o governo Fernando Henrique não teria aprovado 18 emendas constitucionais no seu primeiro mandato."

Wanderley disse que a oposição a FHC era de no máximo 144 deputados. 

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RETÓRICA DA "JAGUNÇAGEM"

"Não, estou dizendo que julgamento político não é um julgamento que abdica de fatos (...) tem de haver um fato; dizer que isso não importa porque o julgamento é político é uma barbaridade, isso é nazismo, é um julgamento nazista."

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DESQUALIFICAÇÃO DO VOTO

"Ao analisar as últimas pesquisas [de janeiro/fevereiro de 2005], que revelam a recuperação da imagem do presidente Lula, os comentaristas reacionários que participaram do grande jogo impugnativo fizeram questão de acentuar que a recuperação é entre os mais pobres e menos educados."

Achei interessante o entrevistado chamar os analistas de "semi-intelectuais".

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"A democracia brasileira é muito forte porque é muito complexa, há muitos interesses em jogo."

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"O que vimos foi o presidente do PFL declarar: 'Não vamos deixar o governo governar'. Isso é um absurdo."

Wanderley faleceu em 2019, aos 84 anos. Imaginem se ele tivesse visto todo o descalabro que vivenciamos após a abertura da Caixa de Pandora, com o bolsonarismo...

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A DEMOCRACIA ASSUSTA

"A democracia é uma bagunça, por definição. Não há como organizar a democracia - só não tendo democracia."

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"A democracia assusta aqueles que sempre foram democratas enquanto a democracia não existia."

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"Os nossos políticos de 50 anos atrás não faziam nem ideia do que era democracia porque nunca viveram uma. Os presidentes norte-americanos do século XIX jamais souberam o que é a democracia, embora falassem o tempo todo dela, porque jamais tiveram uma - mulher não votava, negro não votava."

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MÍDIA E DEMOCRACIA 

"J. G.: O senhor identificou também outra moeda de troca, que seria o processo de controle da agenda - a imprensa, muitas vezes, quer controlar a agenda do governo como se controlasse a pauta de seus repórteres. 

- Exatamente..." (respondeu ele)

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PRESIDENCIALISMO E MULTIPARTIDARISMO

"Se você quer avançar mais, se seu partido é comprometido com mudanças maiores que a rotina ou a inércia, tem que contar com dificuldades e oposições maiores."

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"Qual é a versão que o principal partido da mudança no Brasil, o PT, tem a respeito de si próprio nas suas relações com o mundo privado?"

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Juarez Guimarães pergunta sobre custo das eleições no Brasil e financiamento delas.

Wanderley repete sua questão sobre a relação do PT com o mundo privado e sua clareza com a militância e eleitores.

"Não é possível ter simultaneamente, fazendo parte do mesmo partido, a opinião de socialistas, religiosos e pragmáticos do crescimento econômico de qualquer maneira. E a verdade é que o PT está convivendo com isso e não tem tido coragem de enfrentar este problema. Insisto que isso é crucial - e não se resolve com a reforma eleitoral. Nenhuma reforma eleitoral vai resolver isso para o PT, podem perder a esperança."

O entrevistado disse isso faz duas décadas! Eu não concordo totalmente com ele, mas debateria a questão.

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FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS 

"Não sou favorável ao financiamento público de campanha..."

Ele explica que as eleições já têm alto custo público em todo o processo. 

Amig@s leitores, eu destaquei pontos da entrevista, nada substitui a leitura do texto completo.

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O GOVERNO LULA E O ESTADO BRASILEIRO 

"Há uma parte do Estado brasileiro que sempre foi inepta e outra parte que sempre funcionou bem."

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"O Estado brasileiro nunca foi preparado para um governo a favor da população pobre."

Wanderley avalia que o governo Lula melhorou o Estado, a máquina pública, em geral. 

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PT E PSDB

"O Brasil passou por um marasmo durante os oito anos de FHC, nada era possível, tudo estava fora dos limites da possibilidade."

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Gostei da explicação do entrevistado sobre a história do PMDB: "Ideologia a favor de nada".

"E também o PMDB tem uma herança do tempo em que era MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e, na verdade, tinha uma ideologia a favor de nada, apenas de ser contra a ditadura. Todo mundo que era contra a ditadura estava no partido. Quando acabou a ditadura e foi preciso definir do que ele era a favor, aí complicou."

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Comentário final 

Foi bom reler o professor Wanderley Guilherme dos Santos avaliando a crise política de 2005 neste momento da história do Brasil, em 2025.

Os intelectuais têm muito a nos ensinar. Sempre!

William 

25/09/25 (0h35)