Mostrando postagens com marcador Ideologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ideologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

-------------

"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

-------------

Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

-

Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

---

Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

---

Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

---

LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Brasil, 29 de abril de 2026.


"Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração." 

(Poema de sete faces, CDA)


O mês de abril vai terminando com um clima instável... com um ar de incerteza ao redor dos seres viventes desse nosso mundo mundo vasto mundo. O sol apareceu, mas de repente a luz deu lugar às nuvens, e as sombras dominaram o período. O que vem por aí? O que nos reserva o amanhã?

Estamos sob ares imprevisíveis... não temos controle de quase nada. O clima clima pode nos surpreender de um instante para o outro, um fenômeno da natureza pode mudar a vida de muita gente, de muitas espécies, a nossa vida. Se morre numa enxurrada parado no trânsito de São Paulo.

O clima político está desenhado para aqueles poucos que sabem ler mais que palavras, que leem nas entrelinhas, que leem nas coisas ao redor, e que sabem ler história. A história não se repete, mas serve de referência, e com a referência e o contexto do momento, se pode prever o que vem por aí. Talvez evitar o pior...

---

O escriba deste blog antigo quer e não quer escrever, quer e não quer falar, quer e não quer se envolver com as coisas do mundo, afinal ele é uma coisa do mundo, uma vida vivida em meio ao mundo mundo vasto mundo, e mesmo não se chamando Raimundo, vaga por aí, e sem rima alguma.

Já fiz alguma coisa na vida. Tive carências, tristezas, muita raiva, ódio mesmo, mas também amei, superei coisas impeditivas do querer viver. Já tive minhas fases (minhas sete faces?), já poetei sobre elas, já digeri sobre a infância, a adolescência, a vida adulta jovem, a vida madura no melhor da produção intelectual, e já encontrei as respostas a questões existenciais que havia formulado nessas fases da vida vivida e percorrida. Encontrei as respostas! 

Na fase do momento - a pessoa de agora, que pisa num outro rio sendo outra pessoa - fiquei procurando o que fazer ou o que não fazer, no que dar sentido ou a compreensão plena de que não há sentidos, e que sem haver sentidos, nós esses bichos exóticos do mundo mundo vasto mundo, que até rimamos mundo com Raimundo... enfim, talvez o sentido seja escolher o que fazer e não fazer para dar um certo sentido no próprio existir.

O que vou fazer ou tentar fazer nos próximos dias e semanas e meses do viver estando por aqui no mundo mundo vasto mundo? Não se recupera ou se volta no tempo. Não se volta a ser o que um dia se foi. Acho difícil fazer o que queria fazer, não fiz, e talvez pudesse fazer agora. Não dá! É outro rio, outra pessoa.

A passagem do tempo, essa percepção que o bicho humano tem, é inescapável. O que quis ou não, o que vivi ou não, de certa forma, não existe... existe em mim, que posso não existir num instante... não existe a não ser que se registre para além de minhas células e átomos. E olhe lá! (uma bomba ou um cancelamento apaga tudo!)

Eu existo? Existi? Os fatos, e atos, e acontecimentos, e as coisas feitas, e sentimentos nos quais me envolvi, vivi, construí, senti, existem? Vão existir amanhã? Não há controle de nada. Não há.


"Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi nas mesas dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam."

(Também já fui brasileiro, CDA)


Já refleti sobre fazer volume por aí. Já guiei forde e já ponteei viola... aprendi nas mesas dos bares da vida. Não sei se ainda quero essas coisas depois que os bares se fecharam pra mim.


"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual."

(Elegia 1938, CDA)


Como diz o poeta, é um mundo caduco. Quiçá eu seja um caduco num mundo caduco.

Por mais que eu pratique laboriosamente os gestos universais, minhas formas e ações não encerram nenhum exemplo... (isso diz tudo para mim na atualidade!)

É nesse momento que estou neste dia de derrotas para o governo Lula, de livros descartados no lixo em Osasco, de bombas apagando gente e história por aí, de big techs manipulando meus pares ao meu redor...

Não sei se quero ou faz diferença ir a lugar nenhum, fazer volume em algum lugar.

Will i am (mas...)

29/04/26

quinta-feira, 12 de março de 2026

Diário e reflexões - Sou natureza e a vida é uma ordem



Refeição Cultural

Osasco, 12 de março de 2026. Quinta-feira.


SOU NATUREZA E A VIDA É UMA ORDEM

Nas últimas duas semanas, vivi dias que me fizeram recordar o que fui um dia. Em Brasília, passei dias nos locais de trabalho do Banco do Brasil conversando com os trabalhadores a respeito das eleições sindicais locais. Na grande São Paulo, revivi meus tempos de diálogo com a categoria bancária que representei por bastante tempo. Dessa vez, a eleição em pauta é a da nossa autogestão em saúde, na qual fui diretor eleito um dia.

Eu dediquei o melhor momento de minha vida adulta à representação da classe trabalhadora. Isso me deu um sentido na vida que eu não havia encontrado até então. A mudança daquele papel social para o seguinte foi difícil, pelo contexto no qual o desligamento se deu. Busquei outros sentidos do viver, assim como fiz da adolescência até aquela novidade de me pegar dirigente sindical de uma hora para outra. A vida é dar sentido ao viver, é o que penso.

Farei uma viagem nos próximos dias. A viagem também será uma oportunidade de dar sentidos ao viver: estarei num lugar especial - Cuba -, com pessoas solidárias e com ideias de mundo melhores que algumas que erram pela Terra. Quando voltar, estarei de novo buscando sentidos para os dias, meses, alvoradas e crepúsculos de um mundo em desfazimento total.

A vida em sociedade estará cada dia mais incerta, e com isso a nossa vida estará cada vez mais incerta também. A morte e a mudança de perspectiva social serão constantes ameaças em um mundo dominado por extremistas fascistas com poder de destruição e morte e com povos com pouca capacidade de reação.

O amanhã não será melhor... isso é desalentador. Mas devemos seguir lutando pela vida, pelas maiorias miseráveis e alienadas, não podemos desistir do mundo e das vidas. 

Ter adquirido o conhecimento que adquiri nas veredas que percorri na vida me torna responsável pelo mundo que está aí. Edward Said nos ensinou o papel ético daqueles que têm conhecimento. É a ética dos intelectuais.

O pessimismo da razão invade minha consciência... mas minha formação humana e de esquerda, fruto da minha trajetória sindicalista, me coloca firme na caminhada da vida e da luta pela mudança. O sol nascerá daqui algumas horas e a vida e a luta seguem.

William

domingo, 25 de janeiro de 2026

O sentido da vida (19)



Compreender melhor o povo muda alguma coisa?


Envelhecer pode significar o ganho de experiência e sabedoria. Ou não. 

Pode ser que se tenha mais referências para nortear os passos a seguir.

Ao participar de rodas de conversas, sejam elas com conhecidos ou estranhos, percebia-se na prática as teorias do sociólogo Jessé Souza, em sua interpretação do povo brasileiro. 

Os brasileiros são aquilo que Jessé Souza explica em seus livros e palestras, um saber acumulado após décadas de estudos.

Um povo que foi aculturado para ser racista, um tipo de preconceito naturalizado por séculos, a partir da casa-grande. Racismo cultural. 

As diversas formas de preconceito e discriminação são ferramentas ideológicas para encobrir os privilégios dos donos do poder. 

Ele entendia isso claramente naquele momento de sua existência. 

A questão para ele era saber o que fazer com essa compreensão melhor sobre seu mundo e seu povo. 

Compreender como opera o sistema de aculturamento em seu mundo não significa capacidade de alterar aquela situação. 

Como mudar a realidade e salvar a humanidade e a vida no planeta Terra?

---

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Instantes (14h47) - Salvar o mundo: um compromisso ético



Refeição Cultural

Que poderia registrar neste instante? O que ocupa meus pensamentos?

O amor, esse nobre sentimento, poderia ser a pauta a definir a agenda da sociedade humana. Mas ele não é o que importa no mundo dos homens. 

O projeto humano em andamento é outro - o necrocapitalismo -, e as ferramentas para se levar adiante o projeto são antagônicas ao amor.

Ódio e medo são os sentimentos a serem trabalhados pelos donos do poder para implantar o preconceito entre os iguais nas classes subalternas. 

E o pior é que dá certo manipular as massas humanas desprovidas de todos os meios essenciais à vida e ao pleno desenvolvimento do ser humano. 

O que fazer ao perceber esse cenário ao seu redor? Se contrapor a esse projeto de sociedade humana é o básico. Mas não basta. 

Que mais se poderia fazer para impedir esse projeto de dominação das massas humanas através do ódio e do medo, alcançando o predomínio do preconceito entre as vítimas miseráveis desse sistema?

Só escrever não basta. Só estudar e refletir não basta. Só pregar o pacifismo não basta. Isso é óbvio! 

Enquanto um sujeito pacifista faz isso, o dono do poder explode ele... boom!

Entendem? Só pacifismo não basta contra os donos do poder. Não pararam Hitler com passeatas pacifistas.

Estamos ferrados! Um século depois, os pacifistas copiam os "pacifistas" hipócritas (covardes?) do período entre os anos vinte e quarenta da "Era dos extremos".

A gente vê isso e sente uma impotência imensa sendo um cidadão politizado. 

Sigamos sem esmorecer ou desistir. Salvar a humanidade e a vida no planeta Terra deve ser um compromisso ético de cada um de nós. 

William 

23/01/26

sábado, 10 de janeiro de 2026

Instantes (13h21) - Leituras: José Genoino



Refeição Cultural 

LEITURAS

"Foi nesse momento crucial que um dilema existencial se impôs, deixando marcas profundas e atormentando-me: dedicar-me aos estudos e alcançar o título de doutor para, assim, libertar minha família da labuta rural e da pobreza, ou trilhar o caminho da política, visando o bem-estar da sociedade como um todo?" (José Genoino, em Uma Vida Entrevista, p. 22)


Me identifiquei com essa passagem das memórias do companheiro José Genoino. Na hora, me lembrei dos momentos de angústia pessoal que viveria a partir de 2002, quando virei dirigente sindical dos bancários e um ano antes havia me tornado aluno da Universidade de São Paulo. 

Ao mesmo tempo, me peguei na condição de realizar um sonho antigo de me tornar um intelectual, um acadêmico, quiçá um professor, e me vi eleito dirigente político de um dos maiores sindicatos do país, me sentindo com a responsabilidade de ser o melhor representante que pudesse ser de meus colegas bancários que estavam sofrendo péssimas condições de trabalho na categoria. 

Somente meus diários antigos, minhas lembranças e algumas pessoas próximas sabem o quanto sofria por não conseguir conciliar todo estudo que teria que fazer para ser um bom aluno de Letras e para ser um bom dirigente de classe. 

Prevaleceu o compromisso com a classe trabalhadora e com a coletividade, com a luta pela mudança social da classe à qual sempre pertenci na sociedade brasileira. Não fui professor. Tentei ser um bom dirigente sindical. 

Felizmente, tive o privilégio e a sorte de ter boas referências como, por exemplo, essa figura extraordinária de nossa história, José Genoino. 

William 

10/01/26

domingo, 30 de novembro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de novembro de 2025. Domingo. 


NOVEMBRO 

O que poderia registrar sobre o mês de novembro? Quais fatos e acontecimentos marcaram o meu mês de novembro e o mundo onde habito?

---

O MUNDO, MUNDO, VASTO MUNDO

Sobre o mundo eu não sinto vontade de registrar nada em especial. Posso tecer alguns comentários, entretanto.

Os Estados Unidos seguem ameaçando com guerras e mortes os países e governos que não se submetem a eles. Querem derrubar o governo de Maduro na Venezuela, estão f... a Ucrânia por não precisarem mais do país para suas guerras por procuração. Voltaram atrás em questões de tarifas contra o governo Lula porque a decisão estúpida estava f... o povo norte-americano: It’s the economy, stupid!

O meu governo, o 3º governo Lula, que ajudei a eleger, segue fazendo o possível para entregar ao povo brasileiro alguns dos compromissos que Lula assumiu ao colocar seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais em 2022, contra o genocida e corrupto que estava no poder. 

As correlações de forças não ajudam muito o governo Lula, pois a política foi destruída durante a longa noite de Temer e Bolsonaro.

Lula conseguiu a aprovação da isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até cinco mil reais por mês naquele Congresso Nacional corrupto e de lacaios da casa-grande. O presidente conseguiu beneficiar dezenas de milhões de pessoas das classes populares e com menos acessos aos direitos da cidadania. Grande feito melhorar a vida do povo!

O 3º governo Lula também está entregando realizações surpreendentes na área da saúde, com o trabalho do ministro Padilha: o SUS avança. Milhões de brasileiras e brasileiros estão passando a ter acesso a medicamentos e materiais médicos de forma gratuita através do programa Farmácia Popular, quase extinto no governo passado, do genocida que foi acusado na CPI da Pandemia de praticar nove crimes diferentes, inclusive contra os direitos humanos.

Um acontecimento marcou o mês de novembro de 2025: a condenação definitiva do ex-presidente Bolsonaro e de alguns militares de alta patente. O sujeito que estimulou o contágio por Covid-19 e zombou de pessoas que morreram por não conseguirem respirar durante a pandemia não foi condenado por essas mortes (ainda), e nem pelas acusações de roubo, mas começou a cumprir sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de Golpe de Estado. Sujeito desprezível!

O Brasil sediou a COP30 em Belém do Pará e considero válido o esforço feito pelo governo Lula de tentar envolver os países do mundo em uma busca conjunta sobre as questões da emergência climática. 

Francamente, sem discutir o fim do capitalismo, do lucro, da mais-valia, da produção de mercadorias desnecessárias aos povos do mundo, do uso responsável dos recursos naturais como a água, não estaremos no planeta nas próximas décadas, não falo séculos, falo décadas. Porém, a culpa da questão climática não é do presidente Lula, esse político estadista é sincero em suas intenções de preservação dos biomas e da vida humana.

A imprensa comercial, o jornalismo venal dos donos do poder secular, nunca foi tão criminosa como na atualidade. Nunca! A violência contra as mulheres virou uma epidemia no Brasil e a mídia canalha em todos os seus meios aliena a população brasileira escondendo o motivo central da violência: a pregação dos líderes políticos que ela apoia, apoiou e mantém no poder, ou seja, a extrema-direita e a pequena elite do 1% de privilegiados. Essa é minha leitura e opinião. A mídia deu espaço a todo o lixo pregado por Bolsonaro e pelo bolsonarismo. Está aí o resultado!

---

ESTE SER QUE HABITA O MUNDO


“That one last shot’s a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life’s a journey, not a destination
And I just can’t tell just
What tomorrow brings, yeah

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn’t listen
To all that righteous talk, oh yeah
Well, I was out on the street
Just tryin’ to survive
Scratchin’ to stay alive…”

(Amazing, Aerosmith)

Não tendo grandes buscas filosóficas como tive ao longo da vida, minha busca de sentidos hoje é diferente das etapas vencidas. Compreendi a vida, agora é achar sentidos para seguir vivendo.

Olhando para trás, poderia tranquilamente dizer que aprendi a rastejar antes de caminhar e hoje sei mais que nunca que a vida é uma jornada e não um destino. Nunca se sabe o que o amanhã nos trará...

Estando retirado das lutas sindicais que me formaram como pessoa e cidadão brasileiro durante minha vida de bancário e, principalmente, após os trinta anos de idade, quando virei sindicalista, hoje estou mais concentrado em sistematizar o percurso que percorri nessas quase três décadas após assumir uma representação política na categoria na qual trabalhei a maior parte da vida.

Escrevi durante a pandemia mundial de Covid, em meu blog sindical, memórias que depois foram reunidas em um livro chamado “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. O livro vem ganhando o mundo. Não é um livro comercial, é uma espécie de depoimento de alguém que acredita na educação e na formação política porque o autor é fruto dessa experiência.

Em novembro, consegui presentear mais algumas pessoas com o livro. Seguirei fazendo isso. Alguns textos ou temas tratados no livro podem não ter muito sentido para todos os tipos de públicos, mas alguns capítulos podem ser interessantes para qualquer tipo de público, seja dirigente sindical, seja militante de esquerda, seja trabalhador da categoria bancária. É também um livro para as pessoas que me conhecem hoje ou que já conviveram comigo.

As reflexões contidas nos textos do livro, todos independentes, descrevem as concepções e práticas políticas que me politizaram e isso se deu com a militância da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principalmente através do Sindicato de minha base de trabalho e da corrente política que me influenciou como dirigente de centenas de milhares de bancários por cerca de duas décadas.

---

SISTEMATIZAÇÃO DOS TEXTOS DOS BLOGS

O trabalho de leitura, diagramação e encadernação de milhares de textos escritos em meus blogs ao longo de duas décadas está em andamento e não sei quando vou conseguir terminar essa sistematização. Mas tenho que terminar esse trabalho.

O personagem que registrou todas aquelas histórias da categoria bancária, que viveu e sentiu tudo que está escrito nas páginas dos blogs de cultura e sindical é um brasileiro que escolheu fazer esses registros e compartilhar esses textos abrindo mão de outras coisas na vida. 

O material histórico pode não ter importância para muita gente deste momento do mundo, mas como estudioso da sociedade humana, sei que o material tem sua importância histórica.

Enfim, sigamos fazendo as coisas que entendo que devem ser feitas.

Entendo que partilhar o que sei é a minha função no mundo até que eu não exista mais ou até que minha essência, meu ser, não possa mais fazer isso.

Por fim, visitei meus familiares em Uberlândia neste mês, fiz o que pude por eles, li o que foi possível, e tive minha rotina alterada após a edição do livro, pois estou encontrando pessoas do mundo político neste período de distribuição de minhas memórias.

William Mendes


domingo, 26 de outubro de 2025

Entrevista: Marilena Chaui (2005)



Refeição Cultural

Ao reler a entrevista da filósofa e professora Marilena Chaui, texto que abre a série de entrevistas feitas para o livro Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo, de abril de 2006, percebo o quanto a entrevista é seminal e trabalha conceitos que me ajudaram a ser dirigente sindical por mais de uma década no dia a dia da categoria bancária. 

A militância de esquerda vivia naqueles dias as contradições políticas suscitadas com a apelidada "crise do mensalão" e a entrevista de Marilena Chaui foi muito importante para mim.

As postagens de resenhas ou comentários sobre livros dão um trabalhão por causa das citações que faço no texto. 

Como estou relendo a entrevista e não vou fazer longas citações, citarei a página na qual o tema abordado me chamou a atenção. 

---

TEMAS FILOSÓFICOS DA POLÍTICA EXPLICADOS POR CHAUI

"O neoliberalismo é a decisão política de cortar a direção dos fundos públicos no polo dos direitos sociais ou do salário indireto, dirigindo a totalidade desses fundos ao capital (que deles precisa para continuar as mudanças tecnológicas) - os direitos sociais se convertem em serviços vendidos e comprados no mercado. É também a decisão de 'enxugar o Estado', privatizando as empresas públicas e 'desregulando' a economia, isto é, permitindo a concentração oligopólica da riqueza social e dando plena liberdade ao capital financeiro (ou ao monetarismo)." (p.37/38)


- Diferença entre a técnica e a práxis, segundo Aristóteles (p. 17)

- Ética pública, na qual a virtude central é a justiça (p. 18)

- Diferença entre a justiça do partilhável ou distributiva, referindo-se a distribuição de bens, e a justiça do participável ou participativa, referindo-se ao exercício do poder e à igualdade política (p. 18 e 19)

- A ética DA política e a ética NA política (p. 20)

- Os princípios da ética pública se encontram na qualidade das instituições republicanas e democráticas, porque os governantes são humanos e têm paixões, segundo Espinosa (p. 21)

- "Só pode haver república e democracia se o que agrada ao governante não tiver força de lei." (p. 22)

- "Ou seja, o partido formulou uma cultura política orientada pelas ideias de igualdade, justiça e participação, portanto, por virtudes políticas ou uma ética DA política." (p. 22)

- Direitos econômicos, sociais e culturais não podem ser convertidos em "serviços" (p. 23)

- Controle social do poder público através da auto-organização da sociedade (p. 23)

- Conceitos sobre liberdade de pensamento e de expressão, opinião pública etc (p. 25)

- Senado brasileiro: foi inchado pela ditadura de forma absurda e desde então nenhum presidente eleito consegue governabilidade por não ter maioria parlamentar (p. 26/27)

- "A indústria política dá ao marketing a tarefa de vender a imagem do político e reduz o cidadão à figura privada do consumidor (p. 28)

- Sobre os efeitos maléficos da burocratização do partido e dos movimentos organizados, Chaui nos dá uma aula espetacular! (p. 34/35)

- A parte sobre o neoliberalismo é tão esclarecedora conceitualmente que até vou pôr uma citação na abertura da resenha (p. 36 e seguintes)

- Chaui toca no assunto da política econômica do 1° governo Lula, o tal equilíbrio fiscal era para ser política de transição e virou permanente (p. 40)

- A filósofa explica o que é totalitarismo (p. 43 e seguintes)

- "Enquanto no absolutismo a fórmula é 'o Estado sou eu' (o 'eu' é o rei), no totalitarismo a fórmula é 'a sociedade sou eu' (o 'eu' é o Estado)." (p. 44)

- A professora explica o que é populismo e caracteriza a sociedade brasileira como uma república oligárquica (p. 49)

- Ao falar das experiências da URSS e China, o chamado "socialismo real", Chaui explica que aquilo não foi socialismo, pois não havia democracia (p. 51)

- Na parte final da entrevista a professora descreve o que é o socialismo do ponto de vista econômico, político, social e esclarece por que socialismo e democracia são inseparáveis (p. 51 a 55)

---

Comentário final 

A atualidade da entrevista e os conceitos abordados pela filósofa Marilena Chaui são impressionantes!

Para fechar a releitura do livro, falta agora ler o texto que Chaui disponibilizou na edição sobre democracia e transparência. 

É isso!

É significativo ler essa entrevista no dia que rememoramos o assassinato do jornalista Vladimir Herzog há 50 anos (25/10/75).

Temos o dever de seguir na luta contra o capitalismo e por uma sociedade socialista e democrática. 

William Mendes


Bibliografia:

CHAUI, Marilena; BOFF, Leonardo; STEDILE, João Pedro; DOS SANTOS, Wanderley Guilherme. Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo. 1a edição. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Artigos e textos de William Mendes


Refeição Cultural

Nesta página do blog estão reunidos os artigos e textos que publiquei ao longo de minha vida política como dirigente nacional da categoria bancária. 

Podem constar ainda alguns textos da época estudantil, principalmente do período no qual cursei a graduação de Letras na Universidade de São Paulo.

A página estará em constante atualização, pois os textos serão incluídos à medida que o autor do blog for revisitando as publicações e revisando os textos, dando a eles uma formatação mais padronizada.

Na medida do possível, os textos estarão dispostos em ordem cronológica, por representar um pouco do que o autor pensava na época da criação do texto.

Para ler os artigos, basta clicar no link.

William Mendes

---

2002

1. Que decepção! Poucos humanos nas "humanidades" (link)


2006

1. Comentário sobre a carta do "tal" trabalhador ao presidente (link)

2. Eleições 2006 - Por que voto em Lula? (link

3. Contribuição para a Campanha Nacional dos Bancários, de 2007 (link)


2007

1. Preparar a greve no BB para março (link)

2. Entenda a composição da PLR do BB (link)

3. Por que rejeitar a proposta de PLR do BB? (link)

4. PLR do BB: A derrota da solidariedade (link)

5. Acerca da contratação da remuneração dos trabalhadores bancários: uma contribuição ao debate (link)


2008

1. Há que se educar as pessoas (link)

2. Comparações de análise sintática: Bechara X Hildebrando (link)

3. BB avança nas ilegalidades e agora, na imoralidade (link)

4. O apagão ferroviário de São Paulo (link)

5. Pra que serve o Banco do Brasil? (link)

6. Campanha salarial dos bancários 2008 (link)

7. Preenchendo lacunas culturais (link)

8. Pôr o coração naquilo que se faz (link)

9. Thomas Mann e reflexões sobre tortura e assassinato estatal (link)

10. O intelectual deve combater estereótipos (link)

11. Os 300 de Esparta (e leitura sobre a Bolívia) (link)

12.


2009

Do Blog Refeitório Cultural

1. Todo cidadão tem direito de se reunir em locais públicos e se manifestar (link)

2. Democracia e direito constitucional (link)

3. A grande imprensa é inimiga da classe trabalhadora (link)

4. Lendo Os Sertões, de Euclydes da Cunha (link)

5. Livro (Cap.1): Fragmentos Contemporâneos da História  dos Bancários (link)

6. O século: Vista aérea - Era dos Extremos, Eric Hobsbawm (link)

7. Livro (Cap.2): Fragmentos Contemporâneos da História dos Bancários (link)

8. Livro (Cap.3): Fragmentos Contemporâneos da História dos Bancários (link)

9. Era dos Extremos: A era da guerra total - Eric Hobsbawm (link)

10. Livro (Cap.4): Fragmentos Contemporâneos da História dos Bancários (link)

11. Livro (Cap.5): Fragmentos Contemporâneos da História dos Bancários (link)

12. Era dos Extremos: A era da guerra total - Eric Hobsbawm (link)

13. Lutar pela valorização do Trabalho e por um Banco para o Brasil (link)

14. Aula: Literatura Española Medieval (I) (link)

15. A teoria da alienação em Marx - István Mészáros (link)

16. Modernas teorias da alienação (link)

17. Aula: Literatura Española Medieval (II) (link)

18.

19.



2009

Do Blog A Categoria Bancária

1. Melhorar renda, condições de trabalho e a vida da classe trabalhadora (link)

2. Formação e Informação (link)


2010

Do Blog A Categoria Bancária

1. Greve Nacional dos Bancários 2010 - Dia 1 (link)

2. Voto em Dilma Rousseff e no Partido dos Trabalhadores (link)

3. Desafio para a greve 2010 no Banco do Brasil (link)

4. (react) Vejamos o que o BB está "prometendo" apresentar (1) (link)

5. (react) Vejamos o que o BB está "prometendo" apresentar (2) (link)

6. (react) Vejamos o que o BB está "prometendo" apresentar (3) (link)

7. PLR do BB - Explicando as regras da PLR para colegas com dúvidas sobre valores pagos (link)

8. Brasil elege sua primeira mulher presidente - Dilma Rousseff - Do Partido dos Trabalhadores (link)

9. Plínio de Arruda Sampaio, líder do PSOL, não acredita na educação e na formação e prefere a repressão e a violência! (link)

10. Nossa guerreira Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, diz (sob tortura em 1970) por que combatia a ditadura militar (link)

11. "Justiça proíbe greve dos aeroviários": Não pensem como passageiros de avião, pensem como trabalhadores (link)

12. Avaliação política e sindical de 2010 (link)


2011

Do Blog A Categoria Bancária

1. Sobre Bresser-Pereira atribuir acertos do governo Lula a Deus (link)

2. Negros no BB - O racismo no Brasil é real e muito há que se fazer para resolver esse problema histórico (link)

3. PLR - É hora de começar a receber a 2ª parte da conquista da campanha de 2010 (link)

4. Estratégia 2011 do BB (link)

5. Banco do Brasil e a piada da "bancarização" através do "Pag+fácil Mais BB" (link)

6. Mundo em mudança (link)

7. Estratégia 2011 do BB: traduzindo a fala do presidente Bendine (link)

8. PT, Mr. Obama e manifestações (link)

9. Democracia representativa não se confunde com "assembleísmo" (link)

10. OLT na categoria bancária - o papel do delegado sindical (link)

11. Falecimento: minha gratidão a José Alencar! (link)

12. O quadro funcional do Banco do Brasil de hoje (link)

13. O que penso sobre a nova Selic e o Governo Dilma/PT? (link)

14. 1º de Maio - Dia dos Trabalhadores (link)

15. Direito humano à saúde (link)

16. PLR, Conlutas e o choque de realidade (link)

17. Privatização dos aeroportos: não podemos aceitar isso!!! (link)

18. A pauta... governo Dilma está seguindo até agora a pauta da direita (link)

19. Horas de greve em renovação de direitos coletivos - Anistia ou distribuição para todos (link)

20. Previ Futuro: - Redução da Parcela Previ para cálculo do benefício de risco (link)

21. Articulação Sindical da CUT e o 22º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (link)

22. Reflexões militantes (link)

23. Fim das metas X fim das metas abusivas (link)

24. Reivindicações específicas BB 2011 - Entendendo as propostas (1) (link)

25. Reivindicações específicas BB 2011 - Entendendo as propostas (2) (link)

26. Informação e contrainformação em campanha salarial (link)

27. Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão... (link)

28. Greve!! A palavra de ordem no bb é "ponto fechado!!" (link)

29. PCR do BB precisa ser melhorado (link)

30. Greve segue crescendo... E bb segue mentindo para os trabalhadores! (link)

31. A precarização do trabalho bancário exposta em tempos de renovação de direitos coletivos da categoria (link)

32. Ao Companheiro Lula (link)

33. PSO no bb - Mais uma etapa da terceirização bancária (link)

34. bb - O banco da ilegalidade (link)

35. Curso de formação Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro - Contraf-CUT e Dieese (link)

36. bb - Vale tudo por 1 trilhão (link)


2012

Do Blog A Categoria Bancária

1. Sacolas plásticas abolidas em SP: presente para os capitalistas (link)

2. Agenda sindical: retomando a luta (link)

3. 2012 - Ano de grandes lutas (link)

4. "Ficha Limpa" - Sou contrário! (link)

5. "1984" é hoje! (link) 

6. Corações militantes - Os imprescindíveis! (link)

7. Formação sindical é... estar em contato com os trabalhadores (link)

8. Formação sindical (2): organizando os bancários (link)

9. Formação sindical (3) - Agenda de luta (link)

10. Formação sindical (4) - Organizando os bancários: nossa razão em ser sindicalistas cutistas (link)

11. Formação sindical (5) - Conversas bancárias: tributação (link)

12. Formação sindical (6) - A grandeza da Previ está nos funcionários do bb que a criaram (link)

13. Formação sindical (7) - Previ fecha 2011 com R$ 155 Bi em ativos e Contraf-CUT exalta papel dos bancários (link)

14. Formação sindical (8) - Organização nos Locais de Trabalho (link)

15. 1º de Maio (link)

16. Eleições Previ - Votar na Chapa 6 - Unidade na Previ é o melhor para os bancários do BB (link)

17. Salários-base do Banco do Brasil, reajustes e inflações (link)

18. 23º Congresso dos Funcionários do BB - Agradecimentos e desculpas (link)

19. Campanha Nacional 2012: sobre mesas de negociação (link)

20. Por onde ando... Campanha 2012 (link)

21. A idiotice daqueles que odeiam a Política (link)

22. bb e as dificuldades de sempre com os gestores do banco (link)

23. Eleições, democracia e fascismo - se a direita quiser guerra, eu topo! (link)

24. Desabafo de um militante de esquerda (link)

25. Agenda sindical... Fechei semana com reunião na base (link)

26. Por onde ando... (vejam como eu trabalhava pouco...) (link)

27. Curso de formação estuda história do movimento e desafios atuais (link)

28. Eleição paulistana - Campanha de Haddad (PT) conquista o povo (link)

29. Por onde ando... trabalhando muito (link)

30. Horas de greve: anistia, ou que todos os beneficiados nos direitos paguem por elas (link)

31. Meu repúdio ao Felipão e à burguesia desinformada (link)

32. Por onde andei... Fui à base conversar com os colegas (link)

33. Desejo muito sucesso em 2013 nas lutas da classe trabalhadora (link)


2012

Do Blog Refeitório Cultural

1. Os mitos de origem do macho - Frans de Waal (link)

2. A era da empatia - Os mitos de origem, de Frans de Waal (link)

3. Paradoxos do darwinismo social - Lendo Frans de Waal (link)

4.



2013

Do Blog A Categoria Bancária

1. De que lado você está? Não me venha com essa de neutro, isento... (link)

2. De que lado você está (II)? Ética DA política ou NA política? (link)

3. PLR 2013 com imposto de renda menor (link)

4. Agenda sindical... Trabalho ininterrupto (link)

5. Agenda de luta: Foco na defesa dos direitos dos bancários do bb (link)

6. Agenda sindical... Semana dedicada a combater as porcarias do bb (link)

7. Agenda de luta na semana: mesa com bb no DF, Previ no RJ e OLT em SP (link)

8. Mais uma semana de luta em defesa dos bancários do bb (link)

9. Agenda Sindical: organizando os bancários para greve dia 30 no bb (link)

10. Meu REPÚDIO à bancada petista paulistana que apoiou homenagem à ROTA (link)

11. Lutar contra a má-gestão do bb... Finalizei a semana reunido hoje com colegas bancários (link)

12. Direção do bb edita boletins internos duvidando da inteligência dos bancários (link)

13. Contraf-CUT solicita que bb cancele norma que pune gerente de contas (link)

14. Agenda de luta... Foram 12 dias ininterruptos em prol da classe trabalhadora (link)

15. Agenda de luta: Encontro no Paraguai, Encontro dos Funcis do bb e Comando Nacional (link)

16. Eleição Caref BB - Peço voto e apoio a Rafael Matos F8369846 (link)

17. Eleições Caref BB - Votem Rafael Matos F8369846 (link)

18. Agenda de lutas - Diversas questões do BB na pauta (link)

19. Agenda sindical... Deste dirigente militante cutista (link)

20. Agenda de luta... Na base, conversando com os trabalhadores (link)

21. Agenda de luta... Estive em Dourados (MS) (link)

22. Agradecimentos - Eleição de Rafael Matos ao Caref BB (link)

23. Agenda de luta... Longa jornada diária nesta semana (link)

24. Agenda de luta... Debates com os bancária/os na base (link)

25. Agenda de luta... Por onde andei (link)

26. Agenda de luta... Hoje falei com cerca de 250 bancários (link)

27. Agenda de luta... 10h de trabalho invisível: uma reflexão sobre o papel do dirigente sindical (link)

28. Agenda sindical... Bancári@s definiram reivindicações neste domingo (link)

29. Agenda sindical... Preciso descansar um pouco, mas... (link)

30. Agenda de luta... Além da coordenação CEBB, na base com bancários (link)

31. Agenda de luta da semana de 5 a 9 de agosto (link)

32. Agenda: luta contra o PL 4330 e na base falando com colegas bb (link)

33. Agenda de luta... Negociações com Fenaban, BB e luta contra PL 4330 (link)

34. Governo não manda aqui! - Minha leitura das palavras do presidente do bb (link)

35. Agenda sindical: luta seguirá intensa na semana (link)

36.

37.



2013

Do Blog Refeitório Cultural

1. Literatura como experiência: O cemitério - Stephen King (link)

2. Home - Um alerta sobre a vida na Terra (link)

3. Correndo e exercitando a tolerância (link)

4. Papillon (1973) e o desejo de Liberdade (link)

5. Ainda não encontrei o que procuro (link)

6. Grande Sertão: Veredas - Amor simplesmente... (link)

7. John J. Rambo, o personagem (link)

8. O Grande Mentecapto - Fernando Sabino (link)

9. O mundo banal das aparências (link) 

10. As aventuras de Pi - Filme de 2012 (link)

11. Riobaldo e Diadorim - Metáforas de todos nós (link)

12. Libertação - Quando terei a minha (link)

13. Reflexão - Incomunicabilidade (link)

14. O desejo de calar é incongruente com o que sou (link)

15. Lutar com dedicação e fazer o que se deve ser feito (link)

16. Filme: O Palhaço (reflexões...) - (link)

17. A memória e o ato de contar (link)

18. Fim de semana para dar um tempo à falta de tempo  (link)

19. Pessoas que são exemplos de reserva moral (link)

20. Nova York sitiada - 1998 (The Siege) (link)

21. A Vida no pálido ponto azul do Universo (link)

22. Faroeste Caboclo - O Filme... Emocionante! (link)

23. As neves do Kilimanjaro (2011) - Direção de Robert Guédiguian (link)

24. Cismando sobre os desejos (link)

25.

26.



2014

Do Blog A Categoria Bancária

1. Cassi - Longos dias de trabalho na Caixa de Assistência (link)

2.


2014

Do Blog Refeitório Cultural

1. Reflexões sobre liberdade, esperança nos humanos e foco na tolerância (link)

2. Diário - 020914 (link)

3.


2018

1. Não só perdeu a liberdade, mas ganhou a servidão (link)

2.

3.


2024

1. Mulheres são tudo isso e muito mais - Reflexão a respeito do livro (link)

2.



2025

Do Blog A Categoria Bancária

1. Cassi, BB e reclamações trabalhistas (link)

2. Cassi, BB e reclamações trabalhistas, 2ª parte (link)

3. Vereadora Luna Zarattini conversa com a militância (link)

4. E o "Bem Cassi" terceirizado, lá de 2020? Deu em quê? (link)

5. Dia Internacional das Mulheres (link)

6. Previ sob ataque - Apresento artigo de Sérgio Riede (link)

7. A necessidade de pertencer a (link)

8. O PT é estratégico nas lutas populares (link)

9. Sem anistia pra golpistas! (link)

10. Previ sob ataque político - Apresento nota da Previ (link)

11. Minha solidariedade às vítimas de lawfare e cancelamentos (link)

12. Call Marx!!! (link)

13. Companheiro Marcos Martins, sempre presente! (link)

14. A necessária unidade contra a extrema-direita (link)

15. Volta às origens (link)

16. A autorreforma sindical e a história dos bancários da CUT Brasil (link)

17. Identidade (link)

18. Ato em defesa da FFLCH-USP (link)

19. Mudanças na direção da Previ - Comento notícia com reflexões (link)

20. Revendo amigos e lutas sindicais (link)

21. A importância dos comitês populares na luta por um Brasil mais justo (link)

22. Pelo fim da escala 6x1 e pela vida além do trabalho (link)

23. O melhor de mim (link)

24. Encontros (link)

25. Epidemia de violência contra as mulheres (link)

26. Participação política e cidadania (link)

27. Hospital CASSEMS Campo Grande (link)

28. Retrospectiva e perspectivas (link)

29. Previ supera expectativas em 2025 (link)

30. Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2025 (link)


2025

Do Blog Refeitório Cultural

01. Dia das professoras e professores (link)


2026

Do Blog A Categoria Bancária

1. O futuro (link)

2. História da PLR no Banco do Brasil (link)

3.


2026

Do Blog Refeitório Cultural

1. Dá para ter esperança? (link)

2.