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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Diário e reflexões - O tempo que resta



Refeição Cultural

Praia Grande, 26 de janeiro de 2026. Segunda-feira. 


A areia com sujeira deixada por humanos sem educação e sem consciência ambiental é a mesma, estejamos em Praia Grande ou Porto de Galinhas. A diferença são os poluidores: nas praias do Nordeste, os porcalhões falam esquisito e ficam da cor dos camarões: são os gringos. 

A cor do mar até pode ser diferente: em um local a água é marrom; noutro, é verde-esmeralda. Num, não se vê mais peixinhos n'água; noutro, peixinhos, corais e bioma estão morrendo, pisoteados e cozidos. A igualdade é questão de tempo.

Passar uns dias na Colônia dos Professores na Praia Grande é muito mais que cor de areia, de mar e de humanos que emporcalham as praias. É um tempo e espaço de reflexão e busca de rumos. Sentidos!

Enquanto vinha ao calçadão para ver o mar, o movimento e me despedir, refletia sobre o caminhar, o enxergar, o ter condições psicológicas de refletir. Sinceramente, não sei se num futuro próximo terei condições para essas ações triviais do ser humano. 

O que fazer do meu tempo ao subir a serra e retornar a Osasco? 

Não tenho conseguido ler por prazer, único sentido da leitura no meu caso neste momento. Não tá legal minha leitura. Pra ler assim, é melhor não ler.

Talvez devesse estabelecer uma rotina disciplinada de sistematização de meus textos dos blogs três ou quatro vezes por semana, por algumas horas, para aliviar minha consciência e poder fazer outras coisas. 

Enquanto não cumprir esse objetivo, não terei cabeça pra outras coisas. 

Entendi que tenho que escrever sobre a Cassi. Até para isso, preciso definir a questão da sistematização dos blogs. Porém, boa parte do conteúdo sobre a Cassi está nos blogs, então, daria pra conciliar essas ações. 

A percepção do tempo mudou para mim. Tenho pouco tempo agora. Não é mais a percepção de antes. A natureza se impõe. Sou natureza. 

Tenho pouco tempo agora. 

Vamos embora. De volta a Osasco. Tchau, Praia Grande. 

William

10h27

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Poema 5: Como se não houvesse amanhã


COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ


Desde o feijão com arroz de minha mãe,

desde os dias tranquilos na Praia Grande,

me esforço em apreciar o instante

como se não houvesse amanhã. 


Voltar às águas de Porto de Galinhas

foi uma dessas veredas não planejadas.

E ao nadar no azul turquesa do mar

senti a vida me falar "aprecie"

como se não houvesse amanhã.


Uma cerveja gelada, com moderação;

a brisa fresca ouvindo o som musical do mar;

até a música da charla portenha com o yeísmo

(no hotel só tem argentinos).


Tudo a ser apreciado 

como se não houvesse amanhã.


Sigamos descobrindo. 

O passado eu não domino.

O futuro está vindo.

Farei o meu caminho.


William 

30/01/25


Poema 4: Motosserras de Porto de Galinhas


MOTOSSERRAS DE PORTO DE GALINHAS


Enquanto turistava na tarde ensolarada

homens com motosserras vibravam

a cada coqueiro que tombava

no terreno ao lado do Tabapitanga.


Por anos turistamos no Ocaporã

e vimos a natureza desaparecendo:

árvores nativas, coqueiros e saguis

dando lugar a mais piscinas, quiosques e barulho

das caixas registradoras e das motosserras.


Porto de Galinhas vai perdendo

seus corais, seus coqueiros e sua essência.

As praias todas têm poucos donos de tudo,

(até Neymar é proprietário aqui).


Vão vencendo as motosserras,

vão pisando e matando os corais,

vão os donos enchendo as burras de dinheiro.


Depois de tantos anos de turismo

na bela Porto de Galinhas

de natureza frágil e agredida,

só não muda a escravidão:

antes, escravizados escondidos;

hoje, jovens meninas e meninos.


William

30/01/25


domingo, 25 de abril de 2021

25. Libertinagem - Manuel Bandeira



Refeição Cultural - Cem clássicos

"Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

- Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente

*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avó
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

- Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
"


Neste sábado à noite, 24 de abril, reli o livro de poesias de Manuel Bandeira, Libertinagem (1930). Foi a enésima leitura. Li em voz alta, declamei, interpretei. Até chorei com a "Evocação do Recife". Também me emociono muito com outros poemas do livro.

Durante minhas viagens a trabalho a Recife, tanto no Sindicato quanto na Cassi, era comum nas conversas com os recifenses falarmos do poema de Bandeira e citar as ruas. Ainda hoje esse poema é muito presente para os pernambucanos.

Neste mês de abril, dei uma atenção aos modernistas. Reli Oswald de Andrade e Mário de Andrade, 3 livros daquele e o Pauliceia Desvairada deste. Quero reler Macunaíma, mas vou começar duas leituras clássicas pesadas e o nosso herói sem caráter vai esperar um pouco (ou seja, "sem caráter" significa sem característica bem definida, já nos explicava o professor Wisnik).

Essas leituras dos modernistas são leituras de descansos das leituras engajadas, a do Moby Dick, um catatau de 650 páginas que pretendo acabar hoje, e a do neurocientista Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano, criador de tudo. Uma leitura de ciência.

É difícil escolher um ou dois poemas do Libertinagem, ele é muito marcante. Muitos poemas são bastante conhecidos como, por exemplo, "Vou-me embora pra Pasárgada", "Andorinha" e "Poética", que já declamei em sarau.

Difícil escolher um poema para brindar essa postagem...

Pelo contexto no qual vivemos hoje, escolhi o "Profundamente", poema que tive o privilégio de ver analisado em sala de aula na Universidade de São Paulo.

O "Poema de Finados" também é muito forte e muito adequado a milhares de famílias que enterram seus familiares vitimados pelo genocídio da pandemia, genocídio causado pelo regime político que viu no vírus uma oportunidade de barbarizar o país.

Enfim, esse é um clássico a se ler toda hora, todo dia, a vida toda.

William


Bibliografia:

BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.


sábado, 19 de outubro de 2019

191019 - Diário e reflexões (Fluxo de pensamento)




E então soube agora pela manhã que o óleopetróleolixotóxico chegou à praia de corais de Porto de Galinhas onde busco refúgio por alguns dias há anos. Soube que a "justiça" esperou por anos a prescrição de prazo dos processos criminais do bandido mór dos bispos do brasil. Soube que o Lula se engraçou com a desgraçada da Marta sugerindo que a traidora seria bem-vinda ao partido e ao projeto que traiu. Soube de mais um país sul-americano onde a população se revolta e vai pra rua e enfrenta o governo anti-popular e honra a cor do sangue que tem nas veias e essa população não é a brasileira (que mistura de ódio e melancolia de pertencer a essa raça vagabunda frouxa pusilânime e com sanguedeáguasalobra!). Já sabia que a Lava Jato era um projeto de destruição das lideranças populares do Brasil, do Partido dos Trabalhadores; de destruição da economia do país e dos avanços que o povo miserável tinha recebido (e não conquistado, pois que povo que não luta não conquista...); de destruição da maior empresa brasileira, a Petrobras, e a recém descoberta do pré-sal (mina de ouro em país subdesenvolvido e com povo chinfrim sem autoestima sem caráter e com sanguedeáguasalobra que não luta por nada). Já sabia do golpe de Estado; já sabia da chegada do novo regime baseado em fraudes; já sabia do papel dos endinheirados na chegada do novo regime; já sabia das milícias; já sabia já sabia... a gente acaba que o coração arrebenta, senão o fígado, senão as veias e artérias, senão estômago e intestinos de tanto sofrer por saber como as coisas são. Nossa! E em meio a tanto saber que adoece, eu não sabia das figuras de linguagem que andei lendo pela manhã; eu não sabia de alguns poemas que li do Drummond; eu não sabia da história da Língua Portuguesa que li na gramática do Bechara. A gente não sabe de quase nada que poderia nos dar sentido em acreditar nas produções boas do ser humano. Que merda, só coisa desgraçada dos seres humanos nos chegam a todo instante, destruição e destruição e destruição de tudo. Sinceramente, pra ver o ser humano destruir tudo, preferiria que um cataclismo acabasse com todos nós humanos, e rápido! Chega!

William
Que sabe que não sabe de nada...

domingo, 29 de janeiro de 2017

Leitura: Morte e vida severina e outros poemas (1953/55) - João Cabral de Melo Neto





Refeição Cultural

"- Compadre José, compadre,
que na relva estais deitado:
conversais e não sabeis
que vosso filho é chegado?
Estais aí conversando
em vossa prosa entretida:
não sabeis que vosso filho
saltou para dentro da vida?
Saltou para dentro da vida
ao dar seu primeiro grito;
e estais aí conversando;
pois sabei que ele é nascido..."

(Morte e vida severina)


Pois é amig@s leitores, mal sabia a mulher que chama ao compadre que ele estava conversando com o Severino, mais um severino retirante recém-chegado do sertão, que se questionava sobre viver ou não viver mais a vida severina, quando a própria vida responde a tão difícil questão...

Neste domingo, reli este auto de João Cabral de Melo Neto. Também tive o prazer de conhecer mais três obras dele da mesma década: O Rio (1953), Paisagens com figuras (1954/55) e Uma faca só lâmina (1955). 

Para ver comentário de leitura que fiz em 2014, clique AQUI

O livro foi presente do jovem sindicalista Alex, de Arapoti - PR; estávamos em curso de formação da Contraf-CUT, quando eu era o responsável por aquela missão revolucionária de educar e formar trabalhadores para as lutas sindicais e sociais. 

Foram tempos que me marcaram profundamente, pela convivência com os amigos e amigas do Dieese, com a equipe maravilhosa de dirigentes e funcionários da Confederação, à época liderada pelo grande amigo e companheiro Carlos Cordeiro, e marcante pelo contato formativo com centenas de dirigentes sindicais e assessores de entidades de todo o país.

Amig@s, a leitura desses poemas de João Cabral são estimulantes para aqueles e aquelas que não se acostumaram com a injustiça, a iniquidade e com a miséria social. Esses poemas dão sequência à lógica de La Boétie e seu Discurso da Servidão Voluntária (ler comentário AQUI). 

Nós não temos que aceitar como hábito a desgraça e a injustiça social de um mundo para poucos em detrimento de milhares, milhões e bilhões de pessoas em situação de miséria. Isso não é correto. E o ser humano é livre para se rebelar no instante que quiser.

Para seguir vivendo, só vale a pena se for para não aceitar as coisas erradas como estamos vendo. Oito pessoas terem a metade da riqueza do planeta; mais algumas terem a metade da riqueza do Brasil. Isso é iníquo. Isso não é "natural", normal. Isso é político! Isso não é "técnico".

Enfim, isso é uma questão IDEOLÓGICA! De classe!


"Na estrada da ribeira
até o mar ancho vou.
Lado a lado com gente,
no meu andar sem rumor.
Não é estrada curta,
mas é a estrada melhor,
porque na companhia
de gente é que sempre vou.
Sou viajante calado,
para ouvir histórias bom,
a quem podeis falar
sem que eu tente me interpor;
junto de quem podeis
pensar alto, falar só,
Sempre em qualquer viagem
o rio é o companheiro melhor..."

(O Rio)


Vamos lado a lado, o povo deve se rebelar contra os poucos que estão aí, tiranos instalados na estrutura estatal e na máquina totalitária de comunicação empresarial.

Abraços fraternos e de esperança com atitudes diárias para mudar o estado das coisas iníquas de nosso mundo.

William

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A esquerda e a direita, segundo Ariano Suassuna


Comentário do blog

Apresento este belo artigo de Ariano Suassuna, grande escritor, poeta, dramaturgo e líder do movimento armorial que, segundo a Wikipédia, é um movimento que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro. 

O cenário brasileiro e mundial pelo qual passamos nesta quadra da história é momento propício para leituras, análises e reflexões políticas e ideológicas com a necessária tolerância do debate de ideias.

Eu me situo no campo da esquerda, não tenho dúvida alguma sobre isso. São várias as linhas de abordagem para reflexão a respeito do conceito de esquerda e direita. 

Sou um cidadão brasileiro e ator político porque sou representante de pessoas, cumpro mandato eletivo a partir da comunidade dos funcionários do Banco do Brasil. Me esforço muito para valorizar a representação política, que nada mais é que a solução pacífica das controvérsias.

Atuei muitos anos no movimento social e sindical e tenho muito respeito ao debate de ideias e à democracia, que só existe com participação social efetiva.

É isso, o artigo é bem interessante.

Abraços, William 


Foto que ilustra o artigo na Carta Maior.

Fonte: Carta Maior - 24/7/2014

Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita.

Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoiévski e aquela grande mulher que foi Santa Teresa de Ávila.

Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita.

Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e São João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembleia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva.

De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de São Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”.

Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas, vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”.

Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade).

Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita.

Ariano Suassuna, ícone do Movimento Armorial, faleceu em 23/7/14, aos 83 anos de idade. É paraibano e passou grande parte de sua vida em Pernambuco.


Fonte: Carta Maior, reproduzido do site do MST

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Leitura: Mar Morto (1936) - Jorge Amado


Jorge Amado. Acervo Fundação Casa de Jorge Amado.

Refeição Cultural

"Do mar vem a música, vem o amor e vem a morte..." (Mar Morto, Jorge Amado)


Dentre as leituras que escolhi para este mês de janeiro - estou em férias -, além das fáusticas, elenquei alguns autores e contextos relacionados ao Nordeste brasileiro. Já li João Cabral de Melo Neto e li nesta segunda-feira (23) dois livros clássicos de Manuel Bandeira: Libertinagem (1930) e Estrela da Manhã (1936). São livros que marcam mudanças na poética de nosso querido poeta pernambucano.

Eu havia lido o romance Mar Morto, de Jorge Amado, quando era adolescente. Foi um dos períodos mais marcantes de minha vida. O contexto miserável de nosso país nos anos oitenta recheia aquela época de minha primeira leitura.

Reli entre os dias 15 e 21 de janeiro esta obra da primeira fase da carreira de Jorge Amado, fase de forte denúncia social, e novamente fiquei muito tocado por ela. Comecei a leitura olhando para o mar de Porto de Galinhas, em Pernambuco, e fui terminar de lê-la em Brasília.

Na leitura de alguns poemas de Manuel Bandeira, vieram-me à mente as histórias e causos dos marítimos, daqueles que vivem do mar. A obra de Bandeira é contemporânea do romance de Jorge Amado. No livro Estrela da Manhã (1936), temos os poemas "Marinheiro Triste" e "D. Janaína".


"D. JANAINA

D. Janaína
Sereia do mar
D. Janaína
De maiô encarnado
D. Janaína
Vai se banhar.

D. Janaína
Princesa do mar
D. Janaína
Tem muitos amores
É o rei do Congo
É o rei de Aloanda
É o sultão-dos-matos
É S. Salavá!

Saravá saravá
D. Janaína
Rainha do mar!

D. Janaína
Princesa do mar
Dai-me licença
Pra eu também brincar
No vosso reinado."

(Estrela da Manhã, 1936, Manuel Bandeira)

Consegui ler a mesma edição
que li décadas atrás.
Meu primo deu ela pra mim.

DESTINOS IGUAIS (E IMUTÁVEIS)

"E, se numa noite, lhe viessem trazer a notícia de que Guma estava no fundo do mar e o Valente vagava sem rumo, sem leme, sem guia? Só então ela sentia toda a dor de Judith, se sentiu totalmente sua irmã, irmã também de Maria Clara, de todas as mulheres do mar, mulheres de destinos iguais: esperar numa noite de tempestade a notícia da morte de um homem."


DESPEDIDAS SÃO LONGOS ADEUSES

"Quando se despedem das mulheres não dão rápidos beijos, como os homens da terra que vão para os seus negócios. Dão adeuses longos, mãos que acenam, como que ainda chamando."


IEMANJÁ DOS CINCO NOMES - Iemanjá, dona das águas, senhora dos oceanos; Janaína, dos canoeiros; Inaê ou Princesa de Aiocá, dos pretos, seus filhos mais diletos; e Dona Maria, como a tratam as mulheres do cais.

"Lívia pensa com raiva em Iemanjá. Ela é a mãe-d'água, é a dona do mar, e por isso, todos os homens que vivem em cima das ondas a temem e a amam. Ela castiga. Ela nunca se mostra aos homens a não ser quando eles morrem no mar (...) a mãe-d'água é loira e tem cabelos compridos e anda nua debaixo das ondas, vestida somente com os cabelos que a gente vê quando a lua passa sobre o mar."


IEMANJÁ MORA NA BAHIA

"O oceano é muito grande, o mar é uma estrada sem fim, as águas são muito mais que metade do mundo, são três quartas partes, e tudo isso é de Iemanjá. No entanto, ela mora é na pedra do Dique do cais da Bahia ou na sua loca em Monte Serrat. Podia morar nas cidades do Mediterrâneo, nos mares da China, na Califórnia, no mar Egeu, no golfo do México. Antigamente ela morava nas costas da África, que dizem que é perto das terras de Aiocá. Mas veio para a Bahia ver as águas do rio Paraguaçu. E ficou morando no cais, perto do Dique, numa pedra que é sagrada. Lá ela penteia os cabelos (vêm mucamas lindas com pentes de praia e marfim), ela ouve as preces das mulheres marítimas, desencadeia as tempestades, escolhe os homens que há de levar para o passeio infindável no fundo do mar. E é ali que se realiza a sua festa, mais bonita que todas as procissões da Bahia, mais bonita que todas as macumbas, que ela é dos orixás mais poderosos, ela é dos primeiros, daqueles de onde os outros vieram..."


COSMOGONIA BAIANA

"Iemanjá é assim terrível porque ela é mãe e esposa. Aquelas águas nasceram-lhe no dia em que seu filho a possuiu. Não são muitos no cais que sabem da história de Iemanjá e de Orungã, seu filho. Mas Anselmo sabe e também o velho Francisco. No entanto, eles não vivem contando essa história, que ela faz desencadear a cólera de Janaína. Foi o caso que Iemanjá teve de Aganju, deus da terra firme, um filho, Orungã, que foi feito deus dos ares, de tudo que fica entre a terra e o céu. Orungã rodou por estas terras, viveu por esses ares, mas o seu pensamento não saía da imagem da mãe, aquela bela rainha das águas. Ela era mais bonita que todas e os desejos dele eram todos para ela. E um dia, não resistiu e a violentou. Iemanjá fugiu e na fuga seus seios romperam, e assim, surgiram as águas, e também essa Bahia de Todos os Santos. E do seu ventre, fecundado pelo filho, nasceram os orixás mais temidos, aqueles que mandam nos raios, nas tempestades e trovões..."


ANOS 30... NA ESPERANÇA DE UM FUTURO MELHOR

" - Você nunca imaginou esse mar cheio de saveiros limpos, com marítimos bem alimentados, ganhando o que merecem, as esposas com o futuro garantido, os filhos na escola não durante seis meses, mas todo o tempo, depois indo aqueles que têm vocação para as faculdades? Já pensou em postos de salvamento nos rios, na boca da barra? Às vezes eu imagino o cais assim..."

COMENTÁRIO: com políticas públicas e vontade política, vimos isso no início do século 21 e sabemos que é possível melhorar a vida do povo mais pobre e humilde, dependente do Estado.


A ETERNA QUESTÃO DA CULTURA DA RAÇA BRANCA

" - É só você pedir a Rufino.
- Aquele? E quero lá filho de negro! Estou precisando de um filho de gente mais branca do que eu para melhorar a família..."


TRAGÉDIAS COTIDIANAS DO DIA A DIA DO MAR

"Alcançavam a boca da barra. Destroços de três saveiros boiavam. O temporal tentava naufragar os que vinham salvar. Pessoas seguravam-se em pedaços de tábua, nos cacos dos saveiros. E gritavam, choravam, menos Paulo que era mestre de um dos saveiros naufragados e segurava uma criança nos braços. Os tubarões já tinham pegado dois e de um terceiro arrancaram a perna. Mestre Manuel começou a recolher gente no seu saveiro. Outros faziam o mesmo, mas nem sempre era fácil, os saveiros iam e vinham, alguns náufragos se soltavam das tábuas onde se seguravam e não tinham tempo de alcançar o saveiro, desapareciam no fundo da água. Paulo entregou a criança a Manuel. Quando entrou para o saveiro disse:

- Era cinco. Só ficou esse..."


Comentário Final

MAR MORTO? NAVEGAMOS NA POLÍTICA DE INCLUSÃO E NAUFRAGAMOS... E AGORA, JOSÉ?

Nesta quadra da história em que estamos, no pós crash do subprime de 2008, no pós golpe de estado no Brasil, com alguns magnatas e suas corporações que detêm a riqueza da metade da população mundial, "pessoas" jurídicas que desconsideram a existência de países, povos e ecossistemas, na era da pós-verdade, determinada pela capacidade dos detentores de maior poder de imposição/influência de seus desejos sobre a maioria, onde pouco importam as verdades factuais, enfim, que posso esperar para o amanhã dos milhões e bilhões de humanos não incluídos no 1% que brinca com o tabuleiro-mundo?

As ferramentas de manipulação de massas estão com os donos do mundo (1%). Eles não só mantêm a massa pacificamente e bovinamente amestrada, criando pautas que encobrem e desviam a atenção, com pão e circo e consumos de porcarias que afagam desejos epicuristas, como também adestram a massa humana para defender a ideologia da classe dominante (o 1%).

E agora, José?


William


Bibliografia:

AMADO, Jorge. Mar Morto. Círculo do Livro. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Leitura: O Rio (1953) - João Cabral de Melo Neto





O Rio

ou

Relação da viagem
que faz o Capibaribe
de sua nascente
à cidade do Recife (1953)



Refeição Cultural

Hoje tive a felicidade de ler a obra O Rio, de João Cabral de Melo Neto. É fantástica! A personagem é nada mais nada menos que o Rio Capibaribe nos contando seu percurso desde a nascente até o mar.

Enquanto vamos lendo, vamos nos identificando, vamos nos emocionando com tudo o que o Rio vê e nos conta, as misérias, os retirantes, a destruição causada pelos usineiros. Só de comentar aqui no blog, já nos arrepiamos.

Que momento para a leitura de João Cabral! Nosso querido e sofrido País está de novo entregue a golpistas e exploradores de nossa terra e nossa gente. Eu recomendo muito aos amig@s leitores a leitura deste poema de 1953.

Eu ganhei este livro com algumas obras de João Cabral em um dos cursos de formação que organizamos na época em que estava na Contraf. Agradeço novamente ao Alex pelo excelente presente que me deu!

Segue abaixo algumas passagens que me tocaram muito.


O RIO (1953)

"Da lagoa da Estaca a Apolinário

Sempre pensara em ir
caminho do mar.
Para os bichos e rios
nascer já é caminhar.
Eu não sei o que os rios
têm de homem do mar;
sei que se sente o mesmo
e exigente chamar.
Eu já nasci descendo
a serra que se diz do Jacarará,
entre caraibeiras
de que só sei por ouvir contar
(pois, também como gente,
não consigo me lembrar
dessas primeiras léguas
de meu caminhar).

(...)"

Assim começa a aventura do Rio Capibaribe rumo ao mar...


"Do riacho das Éguas ao ribeiro do Mel

(...)
Entretanto a paisagem,
com tantos nomes, é quase a mesma.
A mesma dor calada,
o mesmo soluço seco,
mesma morte de coisa
que não apodrece mas seca.

(...)"

O Rio vai encontrando a mesma paisagem, o mesmo sofrimento desde a nascente até a chegada a Recife.


"Terras de Limoeiro

Vou na mesma paisagem
reduzida à sua pedra.
A vida veste ainda
sua mais dura pele.
Só que aqui há mais homens
para vencer tanta pedra,
para amassar com sangue
os ossos duros desta terra.
E, se aqui há mais homens,
esses homens melhor conhecem
como obrigar o chão
com plantas que comem pedra.
Há aqui homens mais homens
que em sua luta contra a pedra
sabem como se armar
com as qualidades da pedra.

(...)"

Reflexão: há que se alimentar das pedras e da qualidade das pedras...


"O trem de ferro

(...)
Diversa da dos trens
é a viagem que fazem os rios:
convivem com as coisas
entre as quais vão fluindo;
demoram nos remansos
para descansar e dormir;
convivem com a gente
sem se apressar em fugir.

(...)"

Fiquei pensando na minha natureza política: sair da burocracia e conviver com as gentes, como o Rio.


"Descoberta da Usina

(...)
Vira usinas comer
as terras que iam encontrando;
com grandes canaviais
todas as várzeas ocupando.
O canavial é a boca
com que primeiro vão devorando
matas e capoeiras,
pastos e cercados;
com que devoram a terra
onde um homem plantou seu roçado;
depois os poucos metros
onde ele plantou sua casa;
depois o pouco espaço
de que precisa um homem sentado;
depois os sete palmos
onde ele vai ser enterrado.

(...)"

Esse é o mal da exploração predatória desde o início em nossa ex-colônia brazil pelo mesmo 1% dono de tudo.


"Encontro com a Usina

Mas na Usina é que vi
aquela boca maior
que existe por detrás
das bocas que ela plantou;
que come o canavial
que contra as terras soltou;
que come o canavial
e tudo o que ele devorou;
que come o canavial
e as casas que ele assaltou;
que come o canavial
e as caldeiras que sufocou.
Só na Usina é que vi
aquela boca maior,
a boca que devora
bocas que devorar mandou.

Na vila da Usina
é que fui descobrir a gente
que as canas expulsaram
das ribanceiras e vazantes;
e que essa gente mesma
na boca da Usina são os dentes;
que mastigam a cana
que a mastigou enquanto gente;
que mastigam a cana
que mastigou anteriormente
as moendas dos engenhos
que mastigavam antes outra gente;
que nessa gente mesma,
nos dentes fracos que ela arrenda,
as moendas estrangeiras
sua força melhor assentam.

(...)"

O Rio Capibaribe vai chegando a Recife... e com ele o povo retirante.


"De São Lourenço à Ponte de Prata

(...)
Ao entrar no Recife,
não pensem que entro só.
Entra comigo a gente
que comigo baixou
por essa velha estrada
que vem do interior;
entram comigo rios
a quem o mar chamou,
entra comigo a gente
que com o mar sonhou,
e também retirantes
em quem só o suor não secou;
e entra essa gente triste,
a mais triste que já baixou,
a gente que a usina,
depois de mastigar, largou.

(...)"

E o Rio segue contando o que vê chegando ao final de seu percurso...


"De Apipucos à Madalena

(...)
Um velho cais roído
e uma fila de oitizeiros
há na curva mais lenta
do caminho pela Jaqueira,
onde (não mais está)
um menino bastante guenzo
de tarde olhava o rio
como se filme de cinema;
via-me, rio, passar
com meu variado cortejo
de coisas vivas, mortas,
coisas de lixo e de despejo;
viu o mesmo boi morto
que Manuel viu numa cheia,
viu ilhas navegando,
arrancadas das ribanceiras.

(...)"

O Rio Capibaribe vê o próprio poeta João Cabral em sua margem. O mesmo Rio que Manuel Bandeira já versava na Evocação do Recife...

      [ "Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu

      E nos pegões da ponte do trem de ferro
      os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras"]


"Dos Coelhos ao cais de Santa Rita

(...)
Rio lento de várzea,
vou agora ainda mais lento,
que agora minhas águas
de tanta lama me pesam.
Vou agora tão lento,
porque é pesado o que carrego:
vou carregado de ilhas
recolhidas enquanto desço;
de ilhas de terra preta,
imagem do homem aqui de perto
e do homem que encontrei
no meu comprido trajeto
(também a dor desse homem
me impõe essa passada de doença,
arrastada, de lama,
e assim cuidadosa e atenta).

(...)"

Assim como o Rio, vamos lentos e pesados pelo fardo que carregamos nesta quadra da história de nosso País...


"Tudo o que encontrei
na minha longa descida,
montanhas, povoados,
caieiras, viveiros, olarias,
mesmo esses pés de cana
que tão iguais me pareciam,
tudo levava um nome
com que poder ser conhecido.
A não ser esta gente
que pelos mangues habita:
eles são gente apenas
sem nenhum nome que os distinga;
que os distinga na morte
que aqui é anônima e seguida.
São como ondas de mar,
uma só onda, e sucessiva..."


Ao fim da leitura do poema, estamos de olhos úmidos, lágrima grossa com a mesma consistência que o Capibaribe que chegou ao mar: grosso de lama e pesar.

William


Post Scriptum:

Estava pensando, enquanto li este poema hoje, eu acompanhava mais uma reunião de trabalho na entidade de saúde que participo como gestor eleito pelos associados. Pode ser que quando estiver em outra época, em outras paragens, eu dê voz às paredes da entidade para que elas, assim como o Capibaribe, falem por si mesmas, tudo que viram por anos e anos nas duras discussões entre gestores eleitos e indicados.


Bibliografia:

MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros poemas. Alfaguara. Rio de Janeiro. Direitos da Objetiva 2007.

domingo, 23 de outubro de 2016

Diário e reflexões - 231016



Amanhecer às 5h da manhã de 22/10 em Jaboatão dos Guararapes PE.
Por minhas agendas de trabalho, só pude ver essa paisagem
pela fresta de 15 cm da janela do hotel. Mas é bonita!
Anoitecer às 19h de 22/10 em Brasília DF. Nossos olhos cansados
tentam ao menos observar esse mundo bonito que há lá fora.


Refeição Cultural

Domingo em Brasília. Pássaros cantam lá fora. Neste mundo brasiliense, a fauna e flora amenizam os dramas humanos. É só olhar e ver a beleza da natureza, é só ouvir e prestar atenção.

Cheguei a Brasília no fim do sábado, vindo de Pernambuco, onde trabalhei por cinco dias em duas agendas diferentes - uma de gestão e contatos com a comunidade BB e Cassi e outra participando de um congresso de autogestões em saúde.


Urutaus camuflados - foto de Caio H. Franco (Wikipedia).

Na noite do sábado, ao ouvir um canto de pássaro noturno muito peculiar, pesquisamos em casa e descobrimos se tratar do urutau, ave fascinante também conhecida como emenda-toco ou mãe-da-lua. Costuma ficar camuflada junto a troncos e tocos de árvores. É possível encontrar essa ave em quase todo o território nacional. Ela passou a noite cantando perto de nossa casa.


Minha vida pessoal praticamente não tem prioridade alguma em nossa agenda de trabalho e militância social na área da saúde. Vivo enfiado em salas fechadas quando estou na burocracia da entidade de saúde que administro e a outra metade do tempo estou nas bases sociais lutando por dar conhecimento e pertencimento a uma comunidade de quase duzentos mil donos de uma autogestão em saúde. 

Em geral, os associados não fazem ideia do que seja a Cassi e muito menos da riqueza que é pertencer a uma estrutura de saúde privada baseada no modelo de Atenção Primária à Saúde. A Caixa de Assistência é vanguarda há duas décadas e mesmo assim sua comunidade assistida não a conhece minimamente.


Lá embaixo, esse nosso mundão
bonito. Ver o mundo sem lembrar
do que os humanos fazem com ele
é bom.

Estou em frangalhos fisicamente. Quebrado. Hoje não posso sair para correr porque meu corpo me avisa que não dá. Isso é preocupante porque daqui a algumas horas, segunda às 8:30h, eu já vou entrar de novo em uma semana extremamente difícil de trabalho com decisões e embates políticos e técnicos que nos consomem ao limite da resistência física e mental. Até nos destrói.

Terei duas reuniões de Diretoria Executiva, sendo a primeira para decidir sobre os rumos da Cassi para os próximos anos, após um Memorando de Entendimento assinado entre o Banco patrocinador do nosso plano de saúde dos trabalhadores e as entidades representativas dos associados.

Esse documento que vamos analisar no âmbito da Cassi nesta segunda 24 finalizou quase dois anos de processo negocial iniciado após 17 de dezembro de 2014, quando nos reunimos com a Comissão de Empresa dos funcionários do BB e pedimos apoio e calendário de lutas das entidades sindicais para defender a Cassi e os associados e seus direitos em saúde. 

(A vida tem dessas coisas... nesta sexta-feira 22, ao final do processo que ajudei a construir, a Contraf-CUT e demais entidades assinaram o acordo final sem sequer eu ser consultado a respeito do documento...)


Além da semana começar com esse tema de relevância para o futuro de nossa Caixa de Assistência, teremos outra reunião de Diretoria Executiva na terça 25 e as reuniões dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Cassi. E ainda estarei lá em Alagoas na sexta 28 para participar de mais uma Conferência de Saúde no Estado.


Um gestor em saúde e militante social de esquerda num instante
de reflexão em voo de volta para casa. Livro de Hobsbawn na mão.

Pergunto a mim mesmo: onde arrumo tempo para tentar reverter o processo de perda de saúde e condições físicas com uma agenda dessas? Onde consigo tempo para alimentar minha dimensão humana da inteligência e intelectualidade? Quando sobra tempo para o convívio familiar? Quase não vejo mais a própria esposa e filho, os pais, sobrinhos. Nem os amigos.

Mas o mundo que defendemos, menos bárbaro do que aquele que está no horizonte próximo, precisa que cada militante social de esquerda ache energia diária para fazer a sua parte neste mundo de merda e caos que esta fase do capitalismo implanta neste momento em nosso planeta.


"Life's a journey not a destination
And i just can't tell just what tomorrow brings..." (Amazing, Aerosmith)

Sabe o que mais me aflige? Eu não acredito que a vida é determinista, que há um destino para cada um de nós. Como o verso da música, entendo que a vida é uma jornada... e de lutas. E não sabemos o que o amanhã nos trará...

Eu sinto que ao final dessa nossa jornada, quase todo o nosso esforço terá sido em vão. Tenho leitura de cenário bem clara sobre isso na atual quadra da história, mas a gente faz o que tem que ser feito assim mesmo. É como se fosse, ao final, uma destinação da gente (um contra-senso).

William


Post Scriptum:

Então, num repente de esforço sobre-humano, fui para o Eixão após esta postagem, por volta das 15h e com temperatura de 30º, andei 4 km e dei uma leve corrida de 2 km, preocupado com os músculos sensíveis da perna. Valeu.