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sábado, 23 de maio de 2026

Livro: A era da empatia - Frans de Waal



Refeição Cultural

LITERATURA CIENTÍFICA 


"Se eu fosse Deus, me esforçaria para que os humanos alcançassem a empatia." (p. 288)


O biólogo primatólogo Frans de Waal nos apresentou no livro "A era da empatia", lançado em 2009, reflexões a partir de estudos feitos por ele e suas equipes ao longo de décadas. Ao retomar a leitura, soube que ele faleceu em 2024, acometido por um câncer de estômago. 

Quando vi o livro em 2010, me interessei na hora pelo tema da empatia. Eu era dirigente sindical de uma grande categoria e me esforçava com sinceridade para me colocar no lugar dos outros no diálogo e representação política de milhares de pessoas. 

Do lançamento do livro sobre a empatia aos dias de hoje, a sociedade humana mudou substancialmente em curtíssimo espaço de tempo. O autor disse que se fosse Deus, faria um esforço para que os humanos alcançassem a empatia. Vieram as big techs, os algoritmos e as redes antissociais, e o ódio ao outro, ao diferente, é na atualidade o sentimento que mais engaja pessoas no mundo.

"(...) Hoje, com tantos grupos diferentes se acotovelando num planeta abarrotado, o maior problema é o excesso de lealdade dos indivíduos em relação a seu país, grupo ou religião. Os humanos são capazes de desprezar profundamente todo aquele que pareça diferente ou que pense de outra forma, mesmo quando se trata de grupos vizinhos e com DNA quase idênticos, como é o caso dos israelenses e dos palestinos. As nações julgam-se superiores aos países vizinhos e as religiões acreditam ser donas da verdade." (p. 288/289)

Frans de Waal disse isso em 2009...

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SOMOS NATUREZA, PARTE DA NATUREZA, NÃO SOMOS ALHEIOS A ELA

"(...) Afinal, a psicologia deriva seu nome de Psiquê, a deusa grega da alma. Essas raízes religiosas refletem-se na resistência inabalável à segunda mensagem da teoria da evolução. A primeira é a de que todas as plantas e animais, incluindo a espécie humana, são produto de um único processo. Essa ideia é amplamente aceita hoje em dia, inclusive fora da biologia. Mas a segunda afirma que há uma continuidade entre a nossa espécie e todas as outras formas de vida, não somente do ponto de vista corporal, mas também do ponto de vista mental. Isso permanece difícil de engolir..." (p. 292/293)

Quando se trata de refletir sobre nossa natureza violenta, ao matar, estuprar, fazer guerras, parte da sociedade atribui isso ao DNA, à nossa genética. 

"(...) É somente com relação às características consideradas nobres que a continuidade é colocada em dúvida, e a empatia é um bom exemplo disso." (p. 293)

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O LADO SOMBRIO 

Frans de Waal, no último capítulo, nos apresenta outras possibilidades oriundas da capacidade da espécie humana de se colocar no lugar dos outros e de outras espécies. 

Durante a leitura do livro, o leitor vai compreendendo que a empatia ocorre sob determinadas condições. Identificação é uma das condições. 

"(...) A empatia precisa tanto de um filtro que nos faça selecionar as situações às quais reagimos quanto de um dispositivo que permita ligá-la ou desligá-la. Como toda reação emocional, a empatia tem um 'portal', uma situação que tipicamente a desencadeia ou na qual permitimos que ela se manifeste. O principal portal da empatia é a identificação." (p. 301)

O autor explica que para aquelas pessoas com as quais nos identificamos, o 'portal' está sempre aberto. Fora desse círculo, a empatia é opcional. 

"(...) Por outro lado, há ocasiões em que o portal é fechado deliberadamente, como, por exemplo, quando suprimimos a nossa identificação com as pessoas que fazem parte de um grupo inimigo declarado." (p. 302)

Entra em ação o processo de desumanização, recurso historicamente empregado para justificar atrocidades cometidas contra grupos diferentes, nos explica o biólogo. 

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EM BUSCA DA EMPATIA

Entre a aquisição do livro de Frans de Waal e o término da leitura foram dezesseis anos. Nesse período, eu vi muita coisa acontecer no Brasil e no mundo. Vi as vidas seguirem e vi muitas vidas serem interrompidas.

Após a aquisição do livro sobre empatia, um comportamento humano desejado por mim na relação entre as pessoas, vi as "primaveras fabricadas" derrubarem governos mundo afora. Vi homens por trás de big techs inventarem formas de engajar pessoas pelo ódio, pelo oposto da empatia.

Vi as manifestações de junho de 2013 iniciarem uma longa noite de terror no Brasil; o golpe contra Dilma; a prisão injusta de Lula; a armação que colocou Bolsonaro no poder. Vi a pandemia mundial de Covid-19 matar milhões de pessoas, principalmente nos países com governos negacionistas, Trump e Bolsonaro à frente. A guerra na Ucrânia; o genocídio do povo palestino... 

Busquei exercer a empatia nos mandatos que tive à frente de movimentos e instituições importantes. Na formação sindical e política; na coordenação nacional das negociações do Banco do Brasil; na gestão de saúde da maior autogestão do país. Na relação com as pessoas próximas. Não é fácil ser empático sempre. Frans de Waal nos explica isso.

Saí do banco. Saí do movimento político. Rompi muitas relações antigas. O Brasil estava afundado no mal durante um governo fascista. Como precisávamos de empatia...

Li dezenas e dezenas de livros nos últimos anos. Compreendi muita coisa e encontrei muitas respostas para questionamentos que fiz por décadas de vida.

Sigo desejando empatia. Um mundo com a prevalência da empatia entre as pessoas. Tenho muito mais noções hoje que antes.

Sigamos lendo, escrevendo, refletindo, buscando mudar a realidade e tentando ser mais empáticos nas relações com as pessoas e com os seres vivos no mundo.

(Vivi uma espécie de catarse ao escrever essa refeição cultural sobre o livro "A era da empatia" ao som de "Animal Instinct", do Cranberries. O videoclipe me faz viajar com aquela mãe e as crianças. O vídeo tem tudo a ver com empatia. Aliás, Dolores O'Riordan faleceu em 15/01/18, em Londres)

William


Bibliografia:

WAAL, Frans de. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. Com desenhos do autor. Tradução: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

domingo, 25 de janeiro de 2026

O sentido da vida (19)



Compreender melhor o povo muda alguma coisa?


Envelhecer pode significar o ganho de experiência e sabedoria. Ou não. 

Pode ser que se tenha mais referências para nortear os passos a seguir.

Ao participar de rodas de conversas, sejam elas com conhecidos ou estranhos, percebia-se na prática as teorias do sociólogo Jessé Souza, em sua interpretação do povo brasileiro. 

Os brasileiros são aquilo que Jessé Souza explica em seus livros e palestras, um saber acumulado após décadas de estudos.

Um povo que foi aculturado para ser racista, um tipo de preconceito naturalizado por séculos, a partir da casa-grande. Racismo cultural. 

As diversas formas de preconceito e discriminação são ferramentas ideológicas para encobrir os privilégios dos donos do poder. 

Ele entendia isso claramente naquele momento de sua existência. 

A questão para ele era saber o que fazer com essa compreensão melhor sobre seu mundo e seu povo. 

Compreender como opera o sistema de aculturamento em seu mundo não significa capacidade de alterar aquela situação. 

Como mudar a realidade e salvar a humanidade e a vida no planeta Terra?

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sábado, 22 de novembro de 2025

Instantes (12h53)



Refeição Cultural

Opinião 


BOLSONARO NA PRISÃO E A DROGA ÁLCOOL EM AÇÃO

O dia promete muito consumo de bebida alcoólica, a droga que mais mata e destrói famílias no Brasil. Por esse motivo, temo por muitas pessoas que não poderiam beber uma gota sequer de álcool e talvez acabem bebendo pela motivação extra deste sábado: a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, que estava "preso" em sua mansão e hoje foi levado para a Polícia Federal. 

O que mais me incomoda é saber que esse sujeito não foi sequer indiciado e não está respondendo a processo penal pelo genocídio que praticou contra nossas irmãs e irmãos brasileiros quando ocupou de forma indevida a presidência do país. 

Na CPI sobre a Pandemia de Covid-19, Bolsonaro foi responsabilizado por 9 crimes, incluindo crimes contra a humanidade. Ele negou vacina ao povo brasileiro, incentivou a contaminação em massa e centenas de milhares de pessoas morreram por culpa dele.

Bolsonaro é uma espécie de Al Capone brasileiro, tanta morte e destruição causada por ele e não foi condenado por nada disso. O covarde foi condenado por tentativa de Golpe de Estado porque foi cuzão e arregou na hora H.

Enfim, fico feliz por ter errado em minha leitura de cenário na qual apontei que o genocida fugiria. 

Não comemoro sua prisão porque o álcool pode nos trazer no dia de hoje muitas infelicidades pessoais, invisíveis aos de fora das famílias com problemas de alcoolismo.

Post Scriptum: amig@s e leitores, se possível, bebam com moderação...

William 

22/11/25

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Entrevista: Wanderley Guilherme dos Santos (2005)



Refeição Cultural

Em 2006, a Fundação Perseu Abramo lançou o livro "Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". O professor de economia Juarez Guimarães entrevistou 4 personalidades de diferentes áreas do conhecimento humano, uma delas o cientista político e professor Wanderley Guilherme dos Santos. 

À época, eu era dirigente sindical da categoria bancária e as entrevistas me ajudaram bastante a compreender as contradições inerentes à política partidária e oriundas da democracia e me ajudaram no diálogo com meus colegas bancários sobre a crise política (vulgo "mensalão") daquele momento em 2005 do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores. 

Rever as entrevistas neste momento brasileiro, no qual 12 deputados do PT votaram a favor da PEC da impunidade no Congresso Nacional, não deixa de ser uma forma de tentar compreender as contradições do jogo democrático, e lembro que compreender não é concordar, é compreender. 

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O GRANDE JOGO IMPUGNATÓRIO

Cito algumas frases e opiniões interessantes de Wanderley Guilherme dos Santos. Ele afirmava em seus artigos que a oposição tentou um golpe em 2005.

Juarez Guimarães deixou que o entrevistado argumentasse contra as ideias contrárias à sua leitura à época: que as elites econômicas eram beneficiadas e então não queriam golpe; que a oposição ao governo Lula tinha direito legítimo de tentar o golpe ou inviabilizar o governo porque o PT havia feito o mesmo; e que a crise era consequência da existência de corrupção no governo e de caixa dois. 

Ao longo das citações do professor Wanderley, teço alguns comentários.

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"O que tivemos agora foi um caso estritamente de tentativa de golpe por parte de forças políticas fora do poder."

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"Quando se fala em elite, se pensa logo em elite econômica. Não, elite são todos esses jornalistas que têm coluna, por exemplo."

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"A opinião do PT e das oposições durante os oito anos do governo Fernando Henrique era totalmente irrelevante do ponto de vista parlamentar, não tinha força para fazer coisa nenhuma; se tivesse força o governo Fernando Henrique não teria aprovado 18 emendas constitucionais no seu primeiro mandato."

Wanderley disse que a oposição a FHC era de no máximo 144 deputados. 

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RETÓRICA DA "JAGUNÇAGEM"

"Não, estou dizendo que julgamento político não é um julgamento que abdica de fatos (...) tem de haver um fato; dizer que isso não importa porque o julgamento é político é uma barbaridade, isso é nazismo, é um julgamento nazista."

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DESQUALIFICAÇÃO DO VOTO

"Ao analisar as últimas pesquisas [de janeiro/fevereiro de 2005], que revelam a recuperação da imagem do presidente Lula, os comentaristas reacionários que participaram do grande jogo impugnativo fizeram questão de acentuar que a recuperação é entre os mais pobres e menos educados."

Achei interessante o entrevistado chamar os analistas de "semi-intelectuais".

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"A democracia brasileira é muito forte porque é muito complexa, há muitos interesses em jogo."

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"O que vimos foi o presidente do PFL declarar: 'Não vamos deixar o governo governar'. Isso é um absurdo."

Wanderley faleceu em 2019, aos 84 anos. Imaginem se ele tivesse visto todo o descalabro que vivenciamos após a abertura da Caixa de Pandora, com o bolsonarismo...

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A DEMOCRACIA ASSUSTA

"A democracia é uma bagunça, por definição. Não há como organizar a democracia - só não tendo democracia."

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"A democracia assusta aqueles que sempre foram democratas enquanto a democracia não existia."

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"Os nossos políticos de 50 anos atrás não faziam nem ideia do que era democracia porque nunca viveram uma. Os presidentes norte-americanos do século XIX jamais souberam o que é a democracia, embora falassem o tempo todo dela, porque jamais tiveram uma - mulher não votava, negro não votava."

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MÍDIA E DEMOCRACIA 

"J. G.: O senhor identificou também outra moeda de troca, que seria o processo de controle da agenda - a imprensa, muitas vezes, quer controlar a agenda do governo como se controlasse a pauta de seus repórteres. 

- Exatamente..." (respondeu ele)

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PRESIDENCIALISMO E MULTIPARTIDARISMO

"Se você quer avançar mais, se seu partido é comprometido com mudanças maiores que a rotina ou a inércia, tem que contar com dificuldades e oposições maiores."

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"Qual é a versão que o principal partido da mudança no Brasil, o PT, tem a respeito de si próprio nas suas relações com o mundo privado?"

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Juarez Guimarães pergunta sobre custo das eleições no Brasil e financiamento delas.

Wanderley repete sua questão sobre a relação do PT com o mundo privado e sua clareza com a militância e eleitores.

"Não é possível ter simultaneamente, fazendo parte do mesmo partido, a opinião de socialistas, religiosos e pragmáticos do crescimento econômico de qualquer maneira. E a verdade é que o PT está convivendo com isso e não tem tido coragem de enfrentar este problema. Insisto que isso é crucial - e não se resolve com a reforma eleitoral. Nenhuma reforma eleitoral vai resolver isso para o PT, podem perder a esperança."

O entrevistado disse isso faz duas décadas! Eu não concordo totalmente com ele, mas debateria a questão.

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FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS 

"Não sou favorável ao financiamento público de campanha..."

Ele explica que as eleições já têm alto custo público em todo o processo. 

Amig@s leitores, eu destaquei pontos da entrevista, nada substitui a leitura do texto completo.

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O GOVERNO LULA E O ESTADO BRASILEIRO 

"Há uma parte do Estado brasileiro que sempre foi inepta e outra parte que sempre funcionou bem."

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"O Estado brasileiro nunca foi preparado para um governo a favor da população pobre."

Wanderley avalia que o governo Lula melhorou o Estado, a máquina pública, em geral. 

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PT E PSDB

"O Brasil passou por um marasmo durante os oito anos de FHC, nada era possível, tudo estava fora dos limites da possibilidade."

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Gostei da explicação do entrevistado sobre a história do PMDB: "Ideologia a favor de nada".

"E também o PMDB tem uma herança do tempo em que era MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e, na verdade, tinha uma ideologia a favor de nada, apenas de ser contra a ditadura. Todo mundo que era contra a ditadura estava no partido. Quando acabou a ditadura e foi preciso definir do que ele era a favor, aí complicou."

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Comentário final 

Foi bom reler o professor Wanderley Guilherme dos Santos avaliando a crise política de 2005 neste momento da história do Brasil, em 2025.

Os intelectuais têm muito a nos ensinar. Sempre!

William 

25/09/25 (0h35)

sábado, 6 de setembro de 2025

Leitura: Artigo "Capitalismo financeiro digital, crise e desigualdade social", de Adilson Marques Gennari



Refeição Cultural

Artigo: "Capitalismo financeiro digital, crise e desigualdade social", de Adilson Marques Gennari. Revista Fim do Mundo, Marília, SP, número 8, 2023. O articulista é economista, doutor em Sociologia, Professor da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP Araraquara.

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 06/09/25)

Aula VII (manhã) - Donald Trump, Misérias e Ideias para adiar o fim do mundo

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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Resumo do artigo que vamos ler:

A sociedade capitalista global vem experimentando transformações determinadas, de um lado pela própria crise estrutural do capital que já vem se desenvolvendo desde o final do século passado na forma de crise econômica, crise ambiental, crise nas relações sociais (do emprego) e até crise de legitimidade; e de outro lado, pelos impulsos causados por revoluções tecnológicas que avançam para sua quarta fase (grundrissização), no contexto de uma fase de desglobalização do capitalismo e mudanças significativas nas relações internacionais com a emergência da Eurásia e dos países dos BRICS, em um novo contexto multipolar e pós-pandemia. O objetivo deste paper é contribuir ao debate sobre as contradições deste processo em relação a crise estrutural e seu impacto na pobreza e desigualdade social.

- O prof. Adilson começa o artigo citando os principais fatores que demonstram a atual fase do capitalismo e a crise estrutural na qual ele se encontra, com destaque para a decadência do império norte-americano e ascensão da Eurásia e BRICS, a destruição acelerada da natureza e a produção de lixo em escala que coloca em risco a vida na Terra

- Muito interessante a separação em lados antagônicos das forças que estão em disputa no momento: os contrarrevolucionários têm tipos como neonazistas e fascistas, burguesias decadentes urbanas, donos de terras e classes médias ressentidas... e do lado de cá, do meu lado, as forças sociais da revolução, onde cabem comunistas, socialistas, anarquistas, socialdemocratas, feministas...

- Duas crises marcam o fim da fase globalizada do capitalismo: a crise de 2008 do subprime e os movimentos de Trump da atualidade

- No entanto, o articulista nos explica que não é tão simples assim se desfazer no século XXI da cadeia global de produção capitalista como quer Trump

- O "capitalismo da globalização neoliberal" transitou para o "capitalismo global em crise estrutural"

- No trabalho, o autor questiona se há saídas para economias ex-colonizadas e escravizadas para além da subordinação aos centros econômicos hegemônicos do capital

- Celso Furtado é referência do prof. Adilson para explicar nossa desigualdade histórica desses cinco séculos de superexploração


Capital financeiro

- O articulista explica no texto o papel central do capital financeiro na atua crise estrutural do capital

- A mais-valia global vem se concentrando nas mãos dos donos do capital através da financeirização da economia

- Segundo Adilson, "A economia do capital é uma economia financeira"

- Comentário do blog: tenho achado o conjunto dos textos e aulas dos professores e professora marxistas excepcionais no sentido de trazer para nós a atualidade dos textos de Marx, principalmente de sua obra máxima, O Capital

- Adilson explica em seu artigo a materialidade da teoria de Marx já em início de funcionamento desde o financiamento dos holandeses ao negócio colonial com exploração da mão de obra dos povos africanos e originários das Américas por portugueses e ingleses e suas corporações

- Vemos ali o que já seria o papel do capital financeiro desde sempre nesse modo de produção e exploração que seria definido mais adiante como capitalismo (p. 7 do meu pdf)


A crise estrutural do capital

- Diferente das crises cíclicas, crises NO sistema, a crise estrutural é uma crise DO sistema capitalista

- Em outras dimensões categoriais, pode-se dizer que a "crise estrutural" é uma crise do próprio modo de produção capitalista

- O autor nos cita István Mészáros para elencar os motivos da crise estrutural do capital (obra "Para além do capital"), na p. 8 do pdf

- A destruição acelerada da natureza, a produtividade tecnológica e não necessidade de mão de obra humana e gastos crescentes na área militar com redução nos gastos sociais (subdesenvolvimento forçado) são exemplos claros da crise estrutural do capital

- Está em jogo o papel do trabalho no universo do capital na sociedade humana

- A quarta revolução tecnológica em andamento é tão impactante quanto a primeira lá no século XVIII e suas consequências também (p. 10 do pdf)

- "Chamamos essas mudanças e impactos de grundrissização da sociedade em uma referência direta a Fragmento sobre máquinas do clássico texto de Karl Marx (2011)"

- A máquina do capital possuía 3 partes, mas agora na quarta revolução tecnológica, teria o 4ª órgão (Bacchi), o órgão de controle (a máquina programável)

- Nesta fase científica e tecnológica, se torna cada vez menor a participação do trabalho vivo no processo produtivo das mercadorias


O Brasil nos BRICS na nova fase da (des) globalização multipolar

- O autor nos explica origem e atualidades dos BRICS

- Neste subitem, o prof. Adilson apresenta os novos desafios para o Brasil e demais membros dos BRICS e do movimento Sul-Sul frente ao colapso da velha ordem econômica e política hegemonizada por Estados Unidos e Europa


O trágico legado do Governo de Jair Bolsonaro (2019 - 2022)

- O inominável conseguiu realizar a façanha de derrubar o IDH do país após 3 décadas de governos brasileiros, ou seja, piora das condições de vida do povo como nunca visto

- O Brasil voltou também ao Mapa da Fome, tendo a metade da população vivendo sob insegurança alimentar e 33 milhões passando fome (p. 43 do artigo)

- Entre as causas o articulista cita 8 motivos para tal resultado no período: enviamos 28 bilhões de dólares a remunerar juros, lucros, royalties etc

- Outras causas: concentração de renda, redução de gastos sociais e da transferência de renda, arrocho salarial e no benefício dos aposentados, a inflação do desgoverno Bolsonaro com a reforma trabalhista, a militância bolsonarista com a morte de brasileiros durante a pandemia mundial, e a destruição da natureza e dos biomas, os números citados demonstram a tragédia do período bolsonarista


Considerações finais

- Inexiste a tão falada "concorrência de mercado" na realidade do sistema capitalista, principalmente na fase atual de capitalismo financeiro

- Urge o desenvolvimento de novas formas de produzir os bens úteis aos seres humanos como, por exemplo, as formas cooperativas da economia solidária

- A produção social humana deve focar o valor de uso e não a mais-valia, desenvolvendo forças produtivas em busca de uma sociedade mais solidária e sustentável

- Rússia e China saem na frente em relação à produção social contemporânea, já o Brasil precisa sair do modelo exportador de commodities que o mantém atrelado ao passado na produção mundial econômica

- A desigualdade social no Brasil segue altíssima e um dos motivos é sua forma de produção social atrelada ao passado como colônia exportadora e baixos direitos sociais

- O governo Bolsonaro fez o Brasil regredir em todos os índices que se têm notícias em décadas de história do país

- O autor afirma, observando os processos em andamento no mundo: "nunca a utopia de Marx de uma 'sociedade livre de homens livres conscientemente organizada' esteve tão distante do mundo real"

- A atual crise estrutural do capital é dupla: em Marx vemos a explicação da queda das taxas de lucros e em Mészáros vemos a destruição das relações sociais e do próprio planeta, ameaçando a existência humana

- Adilson levanta questões de difícil resposta em relação aos BRICS e seus membros estendidos, no que concerne às contradições do capitalismo sendo o modo de produção social dessas nações

- Por fim, sem a distribuição dos meios de produção e sem a mudança de relação entre os seres humanos e a natureza, não será fácil mudar a tendência de perspectivas sombrias para as gerações futuras.

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Leitura feita por 

William Mendes

sábado, 30 de agosto de 2025

O sentido da vida (8)



"Sentia-me três vezes desgraçado: meu pelo era mosqueado, haviam-me castrado e os homens imaginavam que eu não pertencia a Deus nem a mim mesmo, como é próprio de todo ser vivente, e sim, a um cavalariço." (Kolstomer - História de um cavalo, Tolstói, 1886)


As relações sociais dão sentidos ao viver


Qual seria o sentido da vida, se não há nada dessas abstrações inventivas do animal humano, aquele que dominou a natureza, inventou a linguagem e ao final se perdeu acreditando em suas próprias abstrações?

Passou o dia envolvido com um texto extraordinário do século XIX, criado por um dos maiores escritores da Rússia, Leão Tolstói. No enredo, o narrador nos conta a história de Kolstomer, um cavalo que sofreu preconceito, violência e abandono, algo comum na vida de milhões de pessoas neste mundo cruel.

A leitura definitivamente é uma das invenções humanas que podem contribuir para dar significados à vida das pessoas. Ler literatura, ciências e história permite aos leitores se libertarem da triste sina da ignorância, o principal motivo para milhões de animais humanos serem escravos manipulados por espertalhões. 

Naquele dia, refletiu sobre muitas coisas, todas elas ligadas ao sentido da vida: ao parabenizar seu pai pelo aniversário de 83 anos, agradeceu a ele por tudo que fez para todas as pessoas que ele ajudou a se estabelecerem neste mundo cruel e injusto.

Ainda estava pensativo sobre o sentido da vida do personagem Kolstomer... mas o sentido da vida de seu pai, e de sua mãe, e de sua própria vida era mais compreensível àquela altura da existência. 

É notório o sentido de complementaridade e de interdependência que existe na vida da espécie humana na natureza. A vida de seu pai contribuiu para a existência de muitas pessoas da família, assim como sua própria vida naquele momento. 

O ser humano é um ser social por natureza. As relações nos dão sentido.

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terça-feira, 15 de julho de 2025

Instantes (12h49)



Refeição Cultural

No romance, estou numa parte na qual parece ser o fim para o senhor Barnstaple, ele está numa reentrância na rocha em um penhasco. Abaixo, o desfiladeiro, acima, rochas por onde escorregou até ali, fugindo de seus pares terráqueos. Ele avalia que as opções nessa situação são duas: esperar a morte por inanição ou se jogar para a morte.

Estou com as palavras do professor Domenico de Masi circulando pelas sinapses de meu cérebro criador de tudo. Vi uma aula dele sobre o tema "O ócio criativo" (no ICL). Ele explica sobre o trabalho, seu objeto de análise e estudos por décadas. 

Nas minhas reflexões, me lembrei do sofrimento que o trabalho significou em minha vida. Vejo a trabalhadora limpando a piscina, trabalhando, e me lembro do meu primeiro dia como ajudante de encanador antes dos dezesseis anos... depois me lembro daquelas latas de palmito podres que tinha que abrir pra jogar fora... Temos que trabalhar para sobreviver.

De Masi nos conta que por milênios, o trabalho não tinha essa interpretação recente de "dignificar" o homem (mulher nem era considerada em relação aos direitos nos mundos dos homens). Trabalhar era castigo divino, era para escravizados. Dignificar os homens era através da filosofia, da arte, do belo, dos esportes e da gestão da Pólis

Esse papo de trabalhar dignifica o homem veio dos últimos dois séculos, da era industrial. Locke, Smith e Marx mudaram o olhar sobre o trabalho. Segundo De Masi, desde sempre (milhares de anos de homo sapiens), nosso objetivo foi trabalhar pouco ou não trabalhar. 

Isso me parece ter todo o sentido!

Agora temos máquinas e tecnologias para livrar a espécie humana da maior parte do trabalho ruim, insalubre, de risco e humilhante. E também de trabalhos mais considerados pelas sociedades. Poderíamos viver para o belo, para estudar e criar, para a cultura. Mas 99% estão no "corre" por um trabalho qualquer, até por um prato de comida, e 1% acumula tudo.

Pior: isso é normalizado!

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Confesso que estou tão cansado quanto meu corpo, que cansou de sobreviver dez anos a mil.

Por consciência, busco sentidos. Mas confesso que está difícil encontrar sentidos. 

Me despeço amanhã do paraíso, da singela colônia de férias dos professores na Praia Grande. 

Voltarei para o caos.

Will i am 

15/07/25

domingo, 13 de julho de 2025

Instantes (11h11)



Refeição Cultural

Sempre que penso em parar de escrever, depois de alguns dias volto atrás e venho aqui burilar alguma coisa do que vai em minh'alma. 

A memória é um suporte orgânico de registros de experiências e pensamentos: conhecimentos e culturas. 

Todo organismo morre porque é parte da natureza. Tudo se transforma, muda o tempo todo. Somos parte dos ciclos do Carbono e do Nitrogênio. É o que somos, natureza.

A memória é uma ferramenta essencial dos seres vivos. Nos humanos a memória é seletiva. O animal humano é um contador de histórias, somos todos forrest gumps.

Meus textos têm uma importância para ao menos um leitor: eu mesmo, aquele que fui no momento do registro. 

Já tive a vaidade de todos nós de achar que nossas coisas têm serventia no mundo. Não têm. 

Escrevo hoje e se estiver por aqui amanhã, poderei ver o que escrevi naquele instante, se ainda me lembrar quem sou no amanhã. 

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Incomunicabilidade

Lendo sobre neurociência e tecnologia atual - leio Miguel Nicolelis - compartilho a percepção dele de que o mundo digital pode mudar a espécie humana de forma permanente, uma outra espécie talvez surja, uma espécie de homo digital, que não necessariamente será inteligente como a homo sapiens

Faz tempo que venho lendo e observando o mundo e os humanos ao meu redor... degeneração da espécie não é uma expressão exagerada para denominar o que eu vejo ao meu redor.

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Neste instante, ouvindo música na piscina da colônia de férias dos professores num domingo frio, me sinto verdadeiramente de férias, até de minha casa. Férias de tudo. São só uns dias. O caos está ao redor. O autoritarismo fascista está ao redor... Não estamos preparados. 

No livro de H. G. Wells "Deuses humanos", de 1923, o personagem sr. Barnstaple quer férias e vai parar em Utopia. Até onde li, ele, um liberal, está achando o máximo aquele mundo "perfeito", sem doenças, sem insetos, sem governantes, sem as complexidades do mundo dos humanos. Uma porra de mundo fascista. Todas as facilidades pensadas na sociedade utopiana têm uma coisa meio fascista, a ideia vendida de um mundo perfeito. Do tipo: não quer insetos e sujeira, cimenta o chão que tinha uma floresta e pronto.

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Com o advento das plataformas digitais, algoritmos, IAs, a captura da mente humana por alguns humanos (corporações), a economia da atenção baseada no ódio, seremos bilhões de humanos sem conseguir consenso algum. A tribalização da espécie está acelerada.

Não conseguimos ser ouvidos sequer por nossos pais, filhos, amigos, membros de grupos afins. Discordância é algo impossível. Guerra de todos contra todos. É o que vem por aí. 

Vejam a guerra entre ICL e Brasil247. É só um exemplo.

Eu percebi faz tempo isso na nossa espécie. Discordar ou opinar é a morte em vida, o cancelamento. 

No meu caso: não diga nada sobre a Cassi, o BB, o PT, a CUT, o sindicalismo, a Articulação Sindical... não diga nada que não seja amém aos que estão ao meu redor. Amém!

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Férias de tudo neste momento sozinho no solzinho frio da piscina da colônia de férias dos professores. Férias só estes dias. 

Depois, o caos na minha vida e no meu mundo.

Instantes. 

Este é único. Nunca mais!

William

13/07/25

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Black Mirror T1 - Questões para refletir



Refeição Cultural

T1.E1. Hino Nacional ("The National Anthem") - Dirigido por Otto Bathurst e escrito por Charlie Brooker. Exibido em 04/12/11.

Sinopse da Netflix: O primeiro-ministro Michael Callow enfrenta um chocante dilema quando a amada princesa Susannah é raptada.

Comentário:

As questões colocadas em evidência no episódio de lançamento da série Black Mirror são impactantes, não tem como não ficar pensando a respeito dos dilemas apresentados aos telespectadores. 

O episódio foi exibido há 14 anos e antecipou bastante o mundo das representações que só fez aumentar a cada ano. 

O que somos neste momento da sociedade humana? Somos de fato aquilo que conseguimos representar ao público de nossas bolhas virtuais? Eu existo caso não seja validado pelos outros?

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T1.E2. Quinze milhões de méritos ("Fifteen Million Merit") - Dirigido por Euros Lyn e escrito por Charlie Brooker e Kanak Huq. Exibido em 11/12/11.

Sinopse da Netflix: Após fracassar em um concurso como cantora, uma mulher tem que escolher entre praticar atos humilhantes ou voltar a viver praticamente como escrava.

Comentário: 

O episódio apresenta pessoas numa condição quase de escravidão. Todos os dias, cada pessoa precisa ficar o dia todo pedalando em bicicletas fixas, tipo ergométricas, para ganharem créditos (méritos) como nos jogos eletrônicos do tipo fliperama ou videogame. Quanto mais pedalam e fazem o que as máquinas pedem e pontuam por aquilo, mais acumulam "méritos" para adquirir de tudo, pois os "méritos" são o dinheiro daquele mundo. 

Mesmo quando não estão pedalando, os cubículos onde descansam e dormem são câmaras de paredes-televisores para se seguir pontuando ou gastando os méritos. 

É possível sair desse mundo e ser alguém mais que o avatar digital? Dá para se libertar e viver num mundo real? 

O final da trama é a única saída?

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T1.E3. Toda a sua história ("The Entire History of You") - Dirigido por Brian Welsh e escrito por Jesse Armstrong. Exibido em 18/12/11.

Sinopse da Netflix: No futuro, todos têm acesso a um implante de memória que grava tudo que os seres humanos fazem, veem e ouvem.

Comentário:

Difícil decidir qual episódio é mais provocador e causador de reflexões a respeito de nossas vidas e das tendências que podem vigorar na sociedade humana. 

Esse com a gravação digital de tudo que vivemos é chocante!

O que nos torna únicos no mundo? Nossa individualidade, história, desejos, nossos pensamentos e realizações. Nossos segredos!

De certa forma, o que o episódio lançou como ideia de memória individual gravada em ferramentas que outros podem ver já é realidade: as plataformas digitais. 

Boa parte da humanidade tem contas em plataformas digitais e nelas estão todos os nossos dados, até aquilo que esquecemos que fizemos, dissemos e vimos de forma compartilhada.

A realidade é pior do que a ideia do episódio. Um canalha qualquer está olhando a minha vida ou a sua atrás da tela da plataforma na qual temos perfis e contas.

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Há saídas para as situações apresentadas?

Uma linha unifica os três episódios de estreia de Black Mirror (2011): os dilemas enfrentados pelos personagens nos são apresentados como problemas sem saída, ou pior ainda, com uma saída: a não saída do sistema que os aprisiona.

Essa é a questão que me chamou a atenção. 

Há saídas para nós em relação à tendência de fim de mundo com a destruição causada pelo capitalismo, de fim da natureza por causa da emergência climática, de fim da sociabilidade humana por causa da ideologia do "todos contra todos"?

Como ser humano consciente, entendo que há saídas porque somos seres históricos e fazemos a nossa história humana tomando decisões diariamente. Podemos mudar o rumo das coisas que nós mesmos fizemos.

A hegemonia do capitalismo neoliberal, o individualismo estúpido de nossa sociedade humana e a forma destruidora da natureza na atual relação entre humanos e planeta Terra podem mudar, pois somos dotados de inteligência, ainda.

Mas... sempre tem um senão, temos que ter objetivos claros, estratégias, táticas, e unidade daqueles e daquelas que querem mudar a tendência de fim do mundo.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O relógio do fim do mundo segue correndo...

Uma das soluções passa pela educação. Paulo Freire nos ensina: só se educa gente!

William 

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 27 de junho de 2025. Sexta-feira.


Enquanto aqueles jovens avaliavam minha boca hoje pela manhã, eu fiquei pensando naqueles momentos do passado, quando estudava corpos humanos nas aulas de anatomia na graduação de Educação Física no Náutico Mogiano. Me lembrei de algo que queria à época e avaliei que até hoje seria uma ideia interessante: doar meu corpo para ser utilizado por estudantes de medicina. Por dois anos, tratei com muito respeito todos os corpos nos quais aprendi noções sobre o corpo humano.

Se devemos esperançar, nos jovens devemos depositar nossas esperanças. O presente da sociedade humana e do planeta Terra insiste em nos deixar sem esperança alguma porque "tá difícil" ter esperança num amanhã melhor! Mas estamos aqui, a humanidade ainda está aqui, e na humanidade tem muita gente correta, muita gente lutando por mudar a tendência de fim do mundo ou pelo menos estudando e aprendendo coisas novas diariamente, e ler e estudar já abre portas, já gera oportunidades de conscientização de pessoas. Paulo Freire nos lembra que "só se ensina gente!".

Minha passagem pela comunidade humana nessas décadas de existência me faz acreditar nas premissas que a esquerda e os segmentos progressistas afirmam ao longo da história social dos homo sapiens, que as oportunidades mudam a vida das pessoas. Olhando em retrospectiva as etapas de minha vida, vejo o quanto fizeram diferença as oportunidades que foram aparecendo nas veredas por onde caminhei. Ao ver jovens que estão em suas jornadas, me vejo em vários exemplos comuns de todos eles.

Trabalho infantil e desgastante, morar em casebres e lugares ruins, ambientes repletos de baratas e inadequados, ódio do mundo e da vida, humilhações impostas por pessoas em posição de poder, tudo que vejo no dia a dia de milhões de jovens e adultos em nosso país e no mundo fez parte de minha jornada pela sobrevivência até aqui. Por isso avalio que sou um homem de sorte, a Lucky Man.

Durante um período da vida, tive até a felicidade de ser útil coletivamente aos meus irmãos e irmãs da classe trabalhadora. Foi outra oportunidade que a vida me deu que me moldou decisivamente na pessoa que sou hoje e isso após quase três décadas de uma existência mais focada em mim mesmo e não na coletividade de nossa espécie. A Lucky Man.

O mundo tá foda, é verdade! No entanto, a inteligência humana e as possibilidades que a educação e a cultura criam em nossa espécie não me permitem desistir de acreditar na capacidade humana de mudar o mundo e de ainda construirmos uma sociedade global mais solidária e justa para todas as espécies que habitam o único planeta no universo com condições tão diversas de abrigar formas de vida. E os jovens podem nos ajudar a mudar o mundo.

A vida pode ser melhor coletivamente!

William Mendes

27/06/25 (13h51)

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Poema 30: Oração como utopia


ORAÇÃO COMO UTOPIA


Enquanto me banhava

meus pensamentos oravam

pedindo ajuda e proteção:

aos palestinos violentados,

aos viciados em drogas, 

aos imigrantes sem chão, 

às mulheres sem liberdade, 

às vítimas da depressão, 

aos odiados e perseguidos,

a quem falta o pão. 


Ateu não fala com deuses,

mas a razão consciente

sabe ser possível a mudança 

pela inteligência humana. 


Falemos de mudança!

Sejamos sonhadores!

Esperancemos!

Utopia, já!

Amém!


William 

28/05/25


domingo, 11 de maio de 2025

Poema 28: Igualdade às mães e mulheres do mundo


IGUALDADE ÀS MÃES E MULHERES DO MUNDO


O domingo foi de homenagem às mães

em várias comunidades humanas do mundo.

As homenagens são justas e necessárias

e deveriam vir com mudanças culturais.

Só existimos por causa das mães do mundo:

somos todos filhos das mães, filhos das mulheres. 

Do passado remoto aos dias atuais da humanidade,

toda cria humana foi cuidada pelas mulheres

e muitas vezes, criadas só pelas mulheres.

E até hoje a manutenção da espécie humana

não é reconhecida economicamente

pelas sociedades dos machos ignorantes.

Dizem por aí que "não fazem nada" as mães dos lares.

Toda a produção de riqueza humana deve ser

distribuída igualitariamente entre mulheres e homens.

E todos os direitos civis, sociais e políticos

criados pela espécie humana em sociedade

devem ser absolutamente iguais entre as pessoas,

sejam elas mulheres ou homens na biologia

e ou nas suas diversas identidades de gênero.

A desigualdade entre mulheres e homens

não pode seguir existindo na humanidade.

O corpo de uma mulher pertence a ela

assim como o de um homem a si pertence.

A violência contra as mulheres do mundo

não pode ser tolerada, sequer normalizada.

Compete à política e às leis das sociedades

assegurar condições iguais de existência às mães,

e às pessoas nas suas diversidades humanas.

Igualdade às mães e mulheres do mundo!


William 

11/05/25

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Diário e reflexões


Pôr do sol no paraíso: Parque do Sabiá.

Refeição Cultural

Quarta-feira, 23 de abril de 2025.


Ando sem vontade de escrever. O pior é que escrever é um hábito de vida. Ao escrever, existo. Se não registrar alguma coisa, talvez eu nem exista. 

O adoecimento de minha mãe, nesses últimos dias, é um dos motivos de minha apatia. Minha leitura política da realidade do mundo é outro deles. No entanto, existo. Se existo, preciso escrever algo. Penso, logo existo...

Mãezinha dodói. Mas vai melhorar.

Fui a Uberlândia nesse feriado de Páscoa sem ter programado a ida. Minha mãe de 78 anos não estava bem e precisei ir até lá para dividir os cuidados com meus familiares. Ela pegou dengue ao mesmo tempo em que combate uma infecção de urina. E já é uma idosa com comorbidades como boa parte dos idosos. Vários familiares pegaram dengue por lá.

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A PERMANECER O INDIVIDUALISMO DO CAPITALISMO, PERECEREMOS TODOS, OS 99% MISERÁVEIS E O 1% ESTÚPIDO E CAPITALISTA. NÃO HÁ SAÍDA FORA DA COOPERAÇÃO SOCIAL

Por ter formação política e o conhecimento que acumulei na existência, fico refletindo sobre como deveria ser a sociedade humana neste momento da história e os porquês de estarmos cada dia numa condição social pior do que deveríamos estar.

Temos que superar o capitalismo antes que o capitalismo impossibilite a vida na Terra. Não sei se teremos tempo histórico para isso. Tenho dúvidas. Parece que os inimigos estão avançando e o nosso lado com ideais de uma sociedade mais cooperativa e sustentável vai perdendo a batalha pela vida.

A tecnologia que temos criado tende a permitir que os humanos não precisem mais trabalhar na produção de bens materiais necessários à vida. Cada vez menos humanos serão necessários nos cotidianos produtivos do mundo. O desemprego será de 70 a 80% da humanidade. Temos que distribuir a riqueza produzida e dedicarmos nosso tempo à evolução humana, com mais cultura, ciência e sociabilidade.

No entanto, se não mudarmos a forma como o mundo está organizado, pelo capitalismo neoliberal, haverá uma falência da sociedade humana e a destruição do planeta Terra será em um nível sem volta. E quem está discutindo e lutando pelo fim do capitalismo? As "esquerdas" com maiores volumes de militantes e eleitores não discutem mais o fim do capitalismo.

Mais uns anos e serei
mais um idoso do mundo.

A sociedade humana terá cada vez mais idosos, serão números impressionantes nas próximas décadas. Era para os Estados, as comunidades humanas, organizarem sistemas eficientes de assistência e cuidados para grandes grupos que necessitam de estruturas coletivas de apoio como idosos, deficientes e mães com crianças. Seria um dos maiores setores de mão de obra humana das sociedades do presente e futuro. Mas onde estão discutindo e organizando isso?

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Ao ver aquela casa dos meus pais com dois idosos cheios de comorbidades, uma idosa com 78 anos e um idoso com 82, vivendo praticamente sós nos afazeres de sobrevivência diária, e saber que essa já é a realidade da maioria dos domicílios familiares do país - idosos, pessoas com necessidades de auxílio e mães com crianças em milhões de lares -, fico desanimado ao ver que não há projetos para melhorar a vida dos 215 milhões de pessoas que vivem no Brasil.

Óbvio que o nosso governo do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores tem projetos de melhorias para a vida do povo brasileiro. E poucos partidos políticos têm foco no bem-estar do povo. Poucos e o PT é um deles. O maior deles.

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A gente sente uma impotência grande ao ver a realidade e não conseguir mudá-la.

Eu sei que uma pessoa de esquerda não deve ser pessimista, temos que ter esperança num amanhã melhor porque somos seres históricos e fazemos a história... mas que tá foda, tá foda.

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A morte do Papa Francisco foi uma grande perda para nós neste momento da história do mundo. Falei a respeito semanas atrás (ler aqui).

Eu poderia escrever sobre alguns temas que estão em evidência na política geral e na questão particular do movimento sindical e da comunidade do Banco do Brasil. 

Minhas memórias - Acho que vou utilizar meu tempo para falar de coisas mais pessoais. Vou seguir sistematizando os milhares de textos que fiz nas últimas duas décadas. 

Pensamentos de meus pais - E vou organizar textos de meu pai e de minha mãe, ambos escreveram muita coisa e esses documentos são a nossa história, a história de uma família brasileira.

William


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Casa-grande & Senzala (2)



Refeição Cultural 

CASA-GRANDE & SENZALA


"Foi o estudo de antropologia sob a orientação do professor Boas que primeiro me revelou o negro e o mulato no seu justo valor - separados dos traços de raça os efeitos do ambiente ou da experiência cultural. Aprendi a considerar fundamental a diferença entre raça e cultura; a discriminar entre os efeitos de relações puramente genéticas e os de influências sociais, de herança cultural e de meio. Neste critério de diferenciação fundamental entre raça e cultura assenta todo o plano deste ensaio. Também no de diferenciação entre hereditariedade de raça e hereditariedade de família." (Casa-grande & Senzala, Gilberto Freyre, 2011, p. 32)


Li hoje mais algumas páginas do Prefácio à 1a edição (1933) do ensaio de Gilberto Freyre. Lendo-o quase um século depois de sua época, o leitor tem que relevar muita coisa para seguir na leitura. 

Senti o mesmo mal-estar ao ler Os sertões, de Euclides da Cunha. Naquela época, eram dominantes teorias bastante questionáveis como o positivismo e a crença na eugenia.

Enfim, a leitura e os estudos são atividades fundamentais para nos diferenciar das demais espécies animais. 

Os tempos e os donos do poder, as ideologias dominantes, atuam para que eu e vocês nos comportemos como gados, como bichos irracionais. Ou como idiotas crédulos.

Seguirei até o último dia de vida tentando ser um ser humano, um homo sapiens. E um ser dotado de ética.  

William 


Post Scriptum: o texto anterior pode ser lido aqui.


terça-feira, 25 de março de 2025

Casa-grande & Senzala (1)



Refeição Cultural 

CASA-GRANDE & SENZALA


"Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro..." (p. 40)


Nunca li o clássico de Gilberto Freyre. Até li umas dezenas de páginas em 2017, mas parei de ler.

Tenho uma certa birra com o ensaio de Gilberto Freyre. Mas acho um texto referencial, todos nós deveríamos lê-lo. 

Inventei de fazer a pós-graduação do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) meio que de forma impulsiva. Fiz isso a vida toda: inicio percursos de cultura e conhecimento por desejo e depois acabo não finalizando o percurso por alguma dificuldade. 

Nos textos da bibliografia da primeira disciplina "Narrativas da História do Brasil" e nas aulas e debates, Gilberto Freyre é sempre citado, nem sempre de forma elogiosa.

Peguei minha edição do livro, reli a introdução de Fernando Henrique Cardoso - "Um livro perene" -, e estou lendo o Prefácio à 1a edição, de 1933.

Que dizer? É um clássico das tentativas de explicação sobre o Brasil e os brasileiros. Não concordo com o pouco que li da tese do autor. Cheguei a ler quase duzentas páginas na primeira vez que encarei o ensaio de Freyre. 

Enfim, ler é sempre uma atitude que nos faz humanos. 

William 

sábado, 15 de março de 2025

O trato dos viventes: os brasileiros



Refeição Cultural

O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, Séculos XVI e XVII - Luiz Felipe de Alencastro


"Entre outros autores seiscentistas, Brito Freyre fala dos 'portugueses brasílicos', elogiando sua atuação na guerra contra os holandeses (...) quando a palavra brasiliense se referia sobretudo aos índios, e brasileiro principalmente aos cortadores de pau-brasil (...). Os 'brasílicos' tornam-se 'brasileiros', no sentido atual da palavra, ao longo do século XVIII, depois que a economia do ouro engendra uma divisão inter-regional do trabalho e um mercado interno na colônia..." (O trato dos viventes, Luiz Felipe de Alencastro)


OS BRASILEIROS

Uma nota de rodapé do capítulo um nos explica a origem da denominação que acabou se estabelecendo para nós que nascemos e vivemos no Brasil. 

"Brasileiros" eram as pessoas que cortavam o pau-brasil, pois "eiro" é sufixo de função ou atividade, tipo padeiro, pedreiro etc. 

Nos primeiros séculos, "brasilienses" eram os indígenas, povos nativos.

Os "brasílicos", os colonos da terra, viriam mais tarde a serem denominados brasileiros, nós.

William 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poema 8: O Brasil não é um país laico


O BRASIL NÃO É UM PAÍS LAICO

 

          "sob a proteção de Deus..." (CF 1988)


Preâmbulo


Nós, representantes do povo brasileiro,

reunidos em Assembleia Nacional Constituinte

para instituir um Estado democrático,

destinado a assegurar o exercício

dos direitos sociais e individuais,

a liberdade, a segurança, o bem-estar,

o desenvolvimento, a igualdade e a justiça

como valores supremos

de uma sociedade fraterna,

pluralista e sem preconceitos,

fundada na harmonia social

e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos,

sob a proteção de Deus,

a seguinte Constituição

da República Federativa

do Brasil.


Laico? Em nome de Deus?

O Brasil é uma piada pronta!


William

03/02/25


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Diário e reflexões - Uma semana de paz



Refeição Cultural 

Praia Grande, 16 de janeiro de 2025. Quinta-feira.


Os dois lugares que considero o paraíso na terra são dois lugares simples e de acesso a pessoas comuns da classe trabalhadora: o Parque do Sabiá, em Uberlândia, e a Colônia do Sinpro SP, na Praia Grande. 

Passamos uma semana de paz e tranquilidade na Colônia dos Professores aqui na Praia de Caiçara. Caminhei, dei uns trotinhos no calçadão e nadei um pouco todos os dias.

Comecei a leitura do clássico de Umberto Eco, "O nome da rosa". Repito o que digo sempre que começo a leitura de um livro bem escrito: escritores são pessoas incríveis! É extraordinário o que supera um escritor para nos legar um bom livro!

Até onde li, já vi grandes reflexões sobre os livros, sobre a mentira, sobre os dogmas e opressões das religiões inventadas pelos homens. Sim, pelos homens!

A história se passa no século 14. Era prática queimar pessoas, torturar pessoas, oprimir a maioria através da força e da superstição. Século 14.

E pensar que no século 21 é prática oprimir a maioria das pessoas através da força e da superstição... setecentos anos de ciência e estamos no mesmo ponto na sociedade humana...

Nesta semana, o governo Lula voltou atrás numa medida que visava identificar grandes sonegadores e gente que lava dinheiro sujo (sobre movimentações altas por Pix). Uma mentira disseminada pelos dominadores dos meios de manipulação de massas derrotou o governo, que, humilhado, voltou atrás... vitória dos manipuladores!

Que dizer?

William 


quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia em movimento (ARG)


Docentes na luta pela educação.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 28 de novembro de 2024. Quinta-feira


Ushuaia em movimento

No dia que chegamos à cidade, um domingo, almoçamos perto do Hotel Albatros, onde nos hospedamos. Em frente ao hotel, um veículo de city tour chama a atenção por sua caracterização: fotos e maquetes com motivos de presidiários e força policial.

Soubemos que a cidade fundada em 1884 teve sua população aumentada por causa do presídio e dos presos transferidos de diversas regiões do país para cumprirem penas em Ushuaia, por causa das características da cidade de isolamento e lugar desafiador à vida humana. Era a Alcatraz dos argentinos.

No city tour, passado com presidiários.

ALMOÇO E JANTA

Sendo o almoço a nossa primeira refeição local, não tínhamos muita noção dos preços. Os dois pratos de macarrão, suco e cerveja foram caros, pagamos 52.000 pesos no cartão (mais de 300 reais na conversão!). Após essa referência, tivemos mais facilidade em perceber o valor das coisas em Ushuaia e procuramos locais mais em conta para comer.

Povoamento de Ushuaia contou com colônia penal.
Foto no veículo de city tour em frente ao hotel.

Almoçamos no primeiro dia com um casal de brasileiros que conhecemos no avião. Foi um momento de interação com pessoas de nosso país, moradores do Rio de Janeiro.

Como passamos a noite de sábado acordados, tivemos que dormir um pouco no domingo à tarde, para podermos andar pela cidade de noite.

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Locais imitam presos para pessoas de diversos países.

A cidade é muito visitada por estrangeiros da Europa, pelo que pude perceber, e por asiáticos. Aqui tem muitos orientais, talvez chineses, porque o sistema de tradução do "Trem do fim do mundo" tem versão das explicações em mandarim.

Imagino que para turistas com poder de compras em Dólar ou Euro as coisas aqui devam estar com preços razoáveis, ou baratos; já para um turista brasileiro, com poder de compra em Real e um câmbio no cartão de mais ou menos 165, tudo é muito caro. Para se pagar em real, se consegue até 200 no câmbio (uns 20% melhor). 

Como disse na postagem anterior (ler aqui), cobrar quase 500 reais para um casal visitar um museu é algo surreal, fora de lógica.

Pobreza do povo sob o governo de Milei.

A Argentina está passando por um período difícil, a considerar o povo e a classe trabalhadora, pois o governo atual, de extrema-direita, está impondo pesados custos para os mais pobres no país, e os trabalhadores aqui enfrentam os mesmos problemas que os de outras partes do mundo. As mazelas do capitalismo estão para além das fronteiras nacionais.

Na quarta-feira de manhã, ao ouvir uma manifestação na rua principal, saí do hotel para verificar o que seria e era uma manifestação das professoras e professores das escolas públicas de Ushuaia. Eles estão em luta por recomposição salarial.

Em defesa da
educação pública.

As jornadas de trabalho aqui devem ser excessivas como no caso dos trabalhadores brasileiros. As mesmas pessoas que vemos atendendo na hora do almoço nos estabelecimentos, vemos atendendo de noite. De novo: me parece que essa situação é característica em países "ferozmente" capitalistas. A jornada 6x1 massacra aqui e no Brasil.

Enfim, impressões que fui tendo entre domingo e quarta-feira.

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Em Ushuaia, um esquerdista e uma professora.

NO BRASIL, BOLSONARISMO NO CONGRESSO TENTA DESVIAR ATENÇÃO PARA OS CRIMES SOB INVESTIGAÇÃO

Enquanto isso no Brasil, a maioria parlamentar de extrema-direita, uma maioria de gente desqualificada e odiosa eleita após o auge da operação lesa-pátria chamada Lava Jato, abriu a temporada de pautas bombas para tentar salvar os golpistas liderados pelo clã bolsonario, que planejou um golpe de Estado com assassinato de Lula, seu vice e um ministro do STF. 

O bolsonarismo fascista aprovou na CCJ uma PEC do estupro pior que a anterior que havia pautado antes. Se depender dessa gente, nenhuma criança estuprada faria o aborto. Querem desviar a atenção dos crimes de seus líderes com pautas sensíveis aos direitos humanos e das maiorias excluídas dos direitos sociais, civis e políticos no país.

Mundo em movimento intenso.

William Mendes