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sábado, 2 de agosto de 2025

Leituras tardias



Refeição Cultural

Ao longo do viver, sempre guardei materiais de cultura que gostaria de ler ou ver algum dia. 

Quando voltei para São Paulo, antes dos dezoito anos, trouxe somente algumas roupas e pequenos pertences pessoais (é o que me lembro). Iria morar na casa de minha avó Deolinda e já moravam com ela outros jovens, meus primos. Apesar do aperto, comecei ali a colecionar livros, revistas, partes de jornais e outras mídias.

Naquela época, anos oitenta, era consenso na sociedade humana que a educação e o conhecimento tinham importância para o caminhar pela vida adulta, principalmente para nós da classe trabalhadora, chamada às vezes de periférica. Queríamos ser inteligentes, ter formação escolar e adquirir cultura para evoluirmos como seres humanos e vencermos na vida, como se dizia.

Tenho materiais de cultura que datam dos anos oitenta e noventa: muitos livros, por suposto, e recortes de jornais e materiais do movimento sindical, inclusive. Nunca tive coragem de me desfazer dessas mídias, a maioria nunca lida por ter outras prioridades no viver diário de um proletário.

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Imigração japonesa - 100 anos (2008)

O caderno que li desta vez é sobre os 100 anos da imigração japonesa para o Brasil, publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, no dia 12 de junho de 2008, uma quinta-feira.

Eu tenho interesse pela cultura oriental desde que era criança, sempre apreciei coisas relativas ao povo japonês e chinês. 

Na adolescência, ao avaliar possibilidades na vida, pensei até em ser decasségui (dekasegi). No fim, um primo é que foi trabalhar no Japão por alguns anos.

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100 anos de imigração completados em 2008

De forma resumida, o caderno traz informações básicas sobre o Japão e o processo de imigração japonesa para o nosso país.

O artigo de Simone Iwasso conta a história da família imperial. As comemorações no Brasil contaram com a visita do príncipe herdeiro, Naruhito, à época com 48 anos, filho do imperador Akihito e da imperatriz Michiko.

Na matéria de Fernando Nakagawa, soube que "Dos japoneses e descendentes que vivem fora do Japão, 60% escolheram o Brasil. Atualmente (ou seja, 2008), há cerca de 1,5 milhão de japoneses e descendentes no País. Em seguida, estão Estados Unidos, com 900 mil, e Peru, com 90 mil descendentes."

Celso Kinjô, em texto feito para o caderno, nos conta que até o fim da 2ª Guerra Mundial os imperadores japoneses eram considerados deuses. Foi o imperador Akihito, em 16 de agosto de 1945, que revelou aos súditos que era "um humano igual a todos" ao declarar que o Japão estava se rendendo ao inimigo. O anúncio foi em rede de rádios.

Márcia Placa nos revela a origem do saquê, descoberto por acaso, quando um barril de arroz não foi vedado corretamente e azedou. No final do caderno, ela faz outra matéria sobre a Turma da Mônica e os personagens Keika e Tikara, criados por Maurício de Sousa em homenagem ao centenário.

A matéria de Valéria Zukeran "O desafio: preservar a memória em papel" é muito boa. Livros e revistas ajudam a manter a história dos imigrantes e à época havia um esforço grande para se digitalizar materiais antigos e disponibilizar outras formas de mídia para a preservação de cultura.


Gostei da reportagem de Fernanda Yoneya sobre os festejos em Santos, SP. Foi lá que aportou, em 18/06/1908, o navio Kasato-Maru, "trazendo os primeiros imigrantes japoneses - uma chegada tão marcante que a cidade, na época, ficou conhecida como Porta do Sol Nascente". Os imigrantes tiveram contribuições importantes na região como, por exemplo, na atividade da pesca.

A cidade de Santos inaugurou no centenário a escultura "Vermelha", homenagem aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, doada pela artista Tomie Ohtake (1913-2015), localizada na extremidade do Parque Municipal Roberto Mário Santini, na orla do José Menino.


Literatura japonesa

A matéria de Renato Cruz, sobre a tradutora Leiko Gotoda, convida a gente a ler os livros traduzidos por ela.

Um dos romances japoneses mais conhecidos no Brasil é Musashi, de Eiji Yoshikawa, publicado no Brasil em 1999. Leiko traduziu diversos livros de seu tio Jun'ichiro Tanizaki, autor importante do século passado.

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O artigo de Jorge J. Okubaro - "Da rejeição à integração" - descreve um pouco do que os imigrantes japoneses tiveram que enfrentar ao longo desse século no Brasil. 

"Em Raça e assimilação, editado em 1933, Oliveira Viana escreveu que 'o japonês é como o enxofre: insolúvel', dando um certo ar científico à tese, popular na época, de que o japonês é 'inassimilável'."

Vejam o que pensava dos imigrantes um dos autores famosos da época, intelectual querido até por gente do campo chamado "progressista". 

O povo japonês veio ao Brasil para trabalhar quase como escravo em lavouras paulistas de café e depois sofreu na pele o peso da 2ª Guerra Mundial ao pertencer ao país associado aos nazistas e fascistas (Eixo).

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A riqueza da cultura japonesa 

Enfim, terminada a leitura do caderno inteiro dedicado ao centenário da imigração japonesa para o Brasil, acrescentei algum conhecimento novo ao pouco que conheço dessa temática.

Quase duas décadas depois da publicação do caderno especial, um leitor do futuro leu as matérias olhando para o passado. A experiência é interessante. Sempre gostei de fazer isso.

A cultura japonesa faz parte do cotidiano do autor do blog porque os mangás e animes fazem parte dos momentos culturais da família, sem contar o interesse que tenho pelo idioma japonês.

Sigamos lendo e aprendendo alguma coisa nova todos os dias de existência neste belo planeta Terra, um mundo sendo destruído pelo animal humano.

William


Bibliografia:

Caderno Imigração japonesa 100 anos. O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 12 de junho de 2008.


segunda-feira, 8 de julho de 2024

One Piece - Zoro, o caçador de piratas



Refeição Cultural 

Luffy chega à cidade da base da marinha, interessado em encontrar o tal Roronoa Zoro.

A cena na qual Zoro aparece amarrado em um tronco é impactante e ele tem uma expressão assustadora. Uma cara de mau de verdade!

Luffy fica de longe observando os acontecimentos. Helmeppo, o filho de um dos capitães da Marinha - Morgan Mão de Machado -, maltrata uma garotinha que tentou dar comida ao Zoro.

Após Luffy ter o primeiro contato com Zoro amarrado, o preso pede a ele a comida que a garotinha trouxe e que foi pisoteada por Helmeppo. Zoro comeu com gosto a comida pisada e suja.

Zoro acredita que será solto se cumprir sua pena de um mês amarrado no tronco. Luffy ouve depois da boca do próprio Helmeppo que vão executar Zoro em três dias. 

O jovem Chapéu de Palha fica puto ao descobrir que estão enganando Zoro. Luffy enche de porrada o filho do Capitão Morgan e decide convidar Zoro a ser seu companheiro. 

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SER O MELHOR ESPADACHIM DO MUNDO 

Nos capítulos seguintes, vemos o desenrolar da história. 

No capítulo 4 "Morgan Mão de Machado, o capitão da Marinha", vemos o quanto o cara é cruel e o quanto a Marinha é corrupta e opressora.

No cap. 5 "O Rei dos Piratas e o Grande Espadachim", vemos em flashback o passado de Zoro, de quando era criança, e o seu objetivo na vida:

"Quando eu crescer, quero atravessar os mares e ser o espadachim mais forte do mundo!!" (p. 134)

Os leitores conhecem Kuina, a filha do mestre do jovem Zoro. Ela venceu Zoro 2001 vezes. Uma das espadas de Zoro era de Kuina. Ele usa três espadas nas lutas, estilo Santou-ryu. 

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No capítulo 6 do 1° volume do mangá - "O primeiro do bando" - Zoro aceita ser companheiro de Luffy. 

E conhecemos mais um golpe de Luffy, o gomugomu-no-muchi, o chicote de borracha. 

Enfim, nos capítulos 7 "Amigos" e 8 "A aparição de Nami" ficamos conhecendo mais alguns personagens: ouvimos falar do pirata Buggy, o palhaço, que também comeu uma fruta do diabo. E aparece uma ladra chamada Nami...

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AMIZADE

O anime One Piece trabalha de forma muito interessante a questão da amizade. 

No início, já vimos isso quando Shanks reage ao bandido da montanha por ver seu amigo Luffy em apuros.

Agora vimos novamente a importância da amizade na relação de Luffy com Kobi.

Como já assistimos mais de 300 episódios do anime, garanto aos leitores que terão momentos marcantes sobre amizade nas sagas e arcos de One Piece

O texto anterior sobre o Luffy Chapéu de Palha pode ser lida aqui.

William 


sábado, 22 de junho de 2024

One Piece

 


Refeição Cultural 

Dois cinquentões que assistem One Piece com o filho 


Ao terminarmos mais uma saga* de One Piece, a Saga Water 7, composta pelos arcos Water 7 e Enies Lobby, podemos dizer que conhecemos um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e sua tripulação. Já assistimos 315 episódios do anime. Luffy quando criança comeu acidentalmente um fruto do diabo que deu a seu corpo as propriedades da borracha.

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CONEXÃO ENTRE PAI, MÃE E FILHO

Como começamos a ver animes?

Sempre gosto de me lembrar como foi que comecei a ver anos atrás animes com meu filho e com minha companheira. 

Eu trabalhava em Brasília, na autogestão em saúde dos funcionários do BB, e tinha uma agenda de muitas viagens às unidades nos Estados. Meu filho estudava no interior de São Paulo. Era comum cada um dos três estar longe um do outro.

Ao pensarmos uma forma de fazermos algo juntos, meu filho sugeriu vermos anime. Deu certo! Os três colocavam o episódio no ponto e: um, dois, três e já...

Por muito tempo, vimos assim episódios de algum anime, cada um num canto do país, mas ligados por uma sessão simultânea de anime, e depois comentávamos a respeito do episódio. 

Foi assim que Ione e eu já vimos dezenas ou centenas de episódios de diversos animes.

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OS PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA

O final da Saga Water 7 me levou às lágrimas! Impossível não se envolver emocionalmente com os personagens do bando de piratas do Chapéu de Palha.

Em casa, cada um tem seus personagens favoritos e alguns deles têm alguma característica que chama a atenção da gente.

Eu, por exemplo, fico puto com o comportamento do Sanji quando o assunto é mulher. Caraca, o cara não se emenda! Uma coisa é o personagem ser cavalheiro, gentil etc. Outra coisa é quase pôr tudo a perder quando o inimigo é do sexo feminino (ou quando faz de conta que é) e o cara não cumpre com suas obrigações com os Chapéu de Palha por causa do inimigo ser uma mulher. É algo irritante isso.

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A TRIPULAÇÃO DE PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA ATÉ A PARTE QUE CONHECEMOS

Nas primeiras sagas, vamos vendo Luffy constituindo sua tripulação de piratas.

O primeiro companheiro de Luffy é o espadachim Roronoa Zoro, na primeira Saga: East Blue.

Depois, da forma mais inusitada possível, uma ladra se junta a eles, Nami. Ela será a navegadora de Luffy.

O trio está em busca de um navio. É quando conhecem um mentiroso chamado Usopp. 

O bando consegue além de um tripulante mentiroso atirador de estilingue, o navio: Going Merry.

No próximo arco de East Blue, conheceremos o cozinheiro Sanji, que se junta aos piratas do Chapéu de Palha. 

Formada a tripulação inicial do jovem Monkey D. Luffy e já possuindo o navio Going Merry, os piratas do Chapéu de Palha saem em busca de seus objetivos: encontrar o tesouro One Piece.

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NOVOS TRIPULANTES NAS SAGAS ALABASTA E SKYPIEA

Enfim, depois se juntaram ao bando dos Chapéu de Palha mais dois tripulantes: Chopper, a rena com características humanas, que será o médico do navio, e Nico Robin, uma arqueóloga. 

E agora terminamos a Saga Water 7.

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COMENTÁRIO BREVE

O anime One Piece, de Eiichiro Oda, é uma epopeia contemporânea incrível.

Nela encontramos grandes questões e dilemas da sociedade humana: amizade, determinação, ética, traição, ganância, entre outros sentimentos e comportamentos humanos. 

O tempo todo, a cada arco de aventura, podemos refletir sobre política, história, tradições e costumes, organização social etc.

Antes de conhecer os animes e mangás, eu não imaginaria a profundidade e a complexidade por trás das histórias dos personagens dessas Histórias em Quadrinhos. 

Seguiremos conhecendo mais essa forma de cultura universal. 

William


*Post Scriptum: meu filho me explicou que essa questão de divisões por sagas não é consensual, que seria melhor falar só dos arcos. Pelo pouco que havia pesquisado, o filhão tem razão. Não sou um entendido em animes, muito menos no One Piece (tanto é que, por desatenção, havia escrito errado o nome na hora que fiz o texto). Acabei usando como fonte de dados uma linha que dividia os episódios ou as aventuras em sagas e arcos. Se for retirar a citação à "saga" teria que refazer o texto todo. Enfim, como disse, após 315 episódios do anime, a gente conhece um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e seus companheiros e companheiras. Só isso. Seguiremos aprendendo mais.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Diário e reflexões - Linguagem III



Refeição Cultural

Osasco, 1º de setembro de 2023. Sexta-feira.


O quanto posso aprender ainda?

O desafio que vou lançar ao meu cérebro por um certo tempo é um desafio gostoso: estudar línguas, linguagens e culturas diferentes das quais estou mais familiarizado. Algumas das culturas que quero estudar um pouco são as culturas orientais, asiáticas: China e Japão.

Em relação às línguas, vou tentar recuperar um pouco do que já soube de Inglês e de Espanhol, pois já estive nos Estados Unidos e consegui me comunicar com as pessoas. Também já estive em alguns países de Língua Espanhola e foi bem tranquila a comunicação com falantes nativos. 

As línguas são ferramentas de comunicação humana. Podemos nos comunicar de forma oral com outras pessoas, através de conversação, e também podemos desenvolver e manter as habilidades de comunicação de outras formas, em outras mídias.

Os ensinamentos do professor Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano mudaram minha forma de ver o mundo e a vida. Hoje tenho uma consciência maior sobre o que somos enquanto animais humanos.

O cérebro humano é muito plástico e flexível, se adapta o tempo todo às necessidades que identifica serem as com melhores perspectivas de sobrevivência no meio ambiente no qual a pessoa está.

Quero recuperar as habilidades comunicativas que já tive e desenvolver novas habilidades, conhecer novas línguas. Entender novamente músicas e falas cotidianas em Inglês, por exemplo. 

Fiz graduação em Letras, habilitações em Espanhol e Português na Universidade de São Paulo, sou oriundo da FFLCH. Quero retomar a capacidade de escrever em Espanhol.

Um dos desafios novos para meu cérebro, para estimular meus neurônios, será aprender o idioma Japonês, que comecei a estudar no início de 2020, durante a pandemia mundial de Covid. O curso do professor Luiz, do "Programa Japonês Online" é excelente! O pouco que estudei, aprendi. Eu o recomendo para todas as pessoas interessadas na Língua Japonesa.

Quero aprender o idioma Italiano também. Certa vez comecei a estudar por conta própria e parei. Quando fui à Itália, não entendi nada que os italianos falavam. Foi frustrante. Quando voltar lá, quero me comunicar em Italiano.

Todas essas possibilidades de estudos que estou citando são possíveis porque sou aluno do Instituto Conhecimento Liberta (ICL). O projeto é simplesmente revolucionário! Por alguns reais a pessoa tem disponíveis mais de 230 cursos, incluindo os idiomas Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Japonês e Mandarim. Acreditem!

China 

Sobre a cultura chinesa e o país, estou fazendo um curso no ICL do professor Elias Jabbour: "Compreendendo a China". Já fiz 3 aulas e o curso é muito bom!

Uma das atitudes que preciso refletir a respeito em relação ao estudo é a atitude que ouvi hoje do professor Jabbour, em uma de suas aulas sobre a China. Ele diz que temos que estudar com prazer, o Carpe Diem é importante nos processos de estudos. Ele tem razão!

Talvez uma das questões que tenham influenciado na minha incapacidade de aprender a gramática da Língua Portuguesa tenha sido a falta de gosto e prazer durante os anos escolares de aprendizagem no ciclo básico da educação. 

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Enfim, vamos estudar e exercitar meu cérebro e minha inteligência.

Post Scriptum: quis ser professor e não fui. De certa forma, quando era sindicalista eu ensinava o que sabia para meus pares, os trabalhadores, eu fazia formação política. 

Tenho que aprender algo novo que possa ensinar às pessoas, isso dá um certo sentido na existência. 

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre linguagem pode ser lido aqui.


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Diário e reflexões - Naruto (02/08/23)



Refeição Cultural

Osasco, 2 de agosto de 2023. Quarta-feira.


INTRODUÇÃO

Ao refletir sobre a leitura de mangás e do mangá do personagem Naruto, me lembrei do intelectual Alberto Manguel nos contando sobre a história das leituras no livro fantástico Uma história da leitura, de 1999 (comentário aqui). As leituras têm uma história.

Por que um cara com mais de cinquenta anos está lendo mangás do Naruto? Posso simplesmente dizer que estou lendo porque quero ou porque gosto, por isso ou por aquilo. Na verdade, não é preciso um motivo específico para ler algum tipo de gênero literário. E o contrário também é verdadeiro, pode ser que estejamos lendo algum tipo de literatura por diversos motivos.

De certa forma, comecei a ver animes e a ler mangás por um motivo sim, para ter contato com um tipo de cultura que jovens gostam, porque sou pai e seria legal conversar e trocar impressões sobre Histórias em Quadrinhos (HQ) e animes japoneses. Minha leitura de mangás tem uma história.

Comecei a ver animes com meu filho entre 2016 e 2017. Eu trabalhava em Brasília, longas jornadas, viajava muito, e me sobrava pouco tempo para estar com a família. O contexto familiar foi ficando bem complicado e eu me sentia mal por não poder mudar aquela situação de pouco contato com o filho.

Naquela época, era comum estarmos cada um num lugar durante semanas. Meu filho estudando no interior de São Paulo, minha esposa em Osasco e eu em Brasília. Foi então que pensamos em compartilhar algo que nos colocasse em sintonia, mesmo separados fisicamente. Decidimos ver anime. 

O primeiro anime que vimos em 2016, meu filho e eu, foi Death Note (comentário aqui). Meu filho é quem sempre escolhia os animes que veríamos. Ele é especialista no tema e tem excelentes sugestões para nós. Foi bem interessante a experiência do primeiro anime. 

Além de adquirir um conhecimento novo, os episódios geravam boas discussões entre nós. Quando não estávamos juntos fisicamente, víamos juntos os episódios: cada um no seu notebook dava o "play" no mesmo instante e víamos "juntos" o anime.

Depois passamos a ver alguns animes os três. Chegamos a ver episódios cada um num local diferente, como disse acima: eu em Brasília ou em algum hotel pelos cantos do Brasil, a mãe em Osasco e o filho em Jaboticabal. Família unida, vendo animes no computador ao mesmo tempo.

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Ao pesquisar sobre essa temática dos animes no blog, encontrei uma postagem saudosa dessa época. Estava sozinho em Brasília, família distante, fim do dia de trabalho na Cassi, passaria o fim de semana sozinho em casa, aí peguei um dos livros de ficção do filho para ler - O azarão, de Markus Zusak (ler comentário aqui). A postagem de 2017 me fez recordar essas lembranças que estou registrando aqui. 

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NARUTO - MASASHI KISHIMOTO


ANIME

Meu primeiro contato com o anime Naruto se deu em 2017. Como expliquei acima, estávamos assistindo animes como forma de nos mantermos unidos mesmo estando distantes uns dos outros.

No final daquele ano, já tínhamos visto 40 episódios do anime. Escrevi à época:

"Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia." (ver postagem toda aqui)

O garoto Naruto é órfão e sua atitude perante a vida é de determinação na busca de seus objetivos. Ele não é um garoto que fica pelos cantos se lamentando pelos infortúnios da vida.

Na época, vimos toda a primeira parte de Naruto, quando ele deixa a Aldeia Oculta da Folha com Jiraiya para um treinamento que durará mais de dois anos.

Naruto Uzumaki é um dos três membros da "Equipe 7", treinada pelo sensei Kakashi Hatake. Seus companheiros de equipe são Sasuke Uchiha e Sakura Haruno.

A experiência de ver o anime Naruto é ampliada pela trilha sonora, que é fantástica. As músicas de determinados momentos da história já fazem parte de nossa experiência com Naruto.


MANGÁS

Agora, muitos anos depois, resolvi ler os mangás que deram origem ao anime e a experiência é bem diferente, e ambas são muito interessantes.

A edição brasileira da coleção de mangás do Naruto saiu pela Panini e contém 72 volumes, sendo a primeira parte até o volume 27, capítulos 1 a 244 e a segunda parte vai até o capítulo 700.  

Levarei muito tempo para ler todos os volumes do mangá, mas tudo bem. E para ficar melhor ainda, estou revendo os animes à medida que avanço nos volumes do mangá.

Nos 4 primeiros volumes, revi a apresentação dos personagens principais: Naruto, Iruka sensei, Sasuke, Sakura e Kakashi, dentre outros da Aldeia Oculta da Folha. É bom citar também Konohamaru, o garotinho neto do Terceiro Hokage.

Os ninjas desenvolvem habilidades a partir de treinamento intensivo e uso de energia vital, seus chakras, e alguns ninjas trazem habilidades especiais herdadas de família ou adquiridas como é o caso do garoto Naruto, que traz em si a Raposa de Nove Caldas, derrotada numa batalha e selada dentro do garoto recém-nascido.

Após Naruto ser admitido na escola de formação de ninjas, eles saíram numa primeira missão com o sensei Kakashi e tiveram que lidar com vilões muito poderosos: Zabuza e Haku. 

Neste momento inicial, Naruto já desenvolveu seu principal jutsu, o Jutsu Clone das Sombras. Ele também tem um jutsu que causa sensação (risos), o Jutsu Sexy, que deixa qualquer homem no chão.

Post Scriptum: meu filho me lembrou de uma questão interessante no jutsu dos clones usado por Naruto: ele nunca teve família e ao criar clones de si mesmo acaba sendo uma habilidade que dialoga com a solidão que o acompanhou ao longo da infância. Tem um sentido psicológico aí...

Enfim, seguimos em contato com todas as formas de cultura e conhecimento. Animes e mangás são de uma riqueza cultural imensa e eu recomendo a experiência para todas as pessoas.

William


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Diário e reflexões - Linguagem


Sancho Panza, La Habana, Cuba.

Refeição Cultural

Osasco, 05 de junho de 2023. Segunda-feira.


UM MUNDO ORAL: O FIM DA LINGUAGEM ESCRITA

"- Aquí encaja bien el refrán - dijo Sancho - de 'dime con quién andas: decirte he quién eres'. Ándase vuestra merced con encantados ayunos y vigilantes: mirad si es mucho que ni coma ni duerma mientras con ellos anduviere..." (Don Quijote de la Mancha, Alfaguara, 2004, p. 730)


Os idiomas com os quais tenho mais contato cotidiano são os idiomas Português, Espanhol, Inglês e Japonês. Português é a minha língua pátria, minha língua mãe. Espanhol estudei na graduação em Letras. Inglês a gente aprende um pouco por ser a língua do imperialismo que domina o mundo, a língua se impõe nos países dos outros. Japonês inventei de estudar e ora estudo ora largo (não sei nada, só umas coisinhas). Não sei com profundidade nenhum desses idiomas, nem a minha língua materna eu sei. Os que sabem línguas estão se tornando exceção e vão desaparecer, sem reposição...

Quando decidi ser aluno na Universidade de São Paulo, no início dos anos dois mil, escolhi prestar o vestibular para o curso de Letras. Entrei na FFLCH e estando na graduação, no ciclo básico do primeiro ano, mudei a intenção de fazer habilitação em Inglês para fazer habilitação em Espanhol. Havia tido contado com disciplinas em Língua Espanhola naquele primeiro ano e fiquei encantado com o idioma.

O mundo andou. O mundo mudou. Mudança é a certeza sempre, tudo muda. Hoje tenho uma teoria, por pura observação, de que a linguagem escrita pode desaparecer ou seu conhecimento voltar a ser um conhecimento de uma pequena parcela dos humanos, como nas eras iniciais dos textos escritos, saber restrito a escribas, "sábios", copiadores etc. Caminhamos para ter um grupo que usa o texto escrito para dominar uma maioria dominada sem dominar a língua. 

Com a predominância da comunicação humana por vídeo, áudio, imagens e memes em redes sociais e meios virtuais quem aprende minimamente a escrever, usar o símbolo linguístico, desaprende em seguida, assim que passa a se comunicar pelas outras formas. O cérebro humano é plástico e se adapta a tudo. Se os humanos não leem e não escrevem, essa habilidade deixa de existir. Lembro aqui que a escrita e os signos linguísticos são uma invenção humana, a escrita não é uma habilidade inata da comunicação como a fala.

Exceção, exceder, excesso, acesso, sucesso, sessão, seção, sucessão, "há" verbo e "a" preposição ou artigo, "afim" e "a fim" etc são palavras da língua portuguesa com sentidos e usos absolutamente diferentes. Se elas não são lidas ou escritas durante um processo de comunicação é evidente que o cérebro perderá a habilidade de usá-las, inclusive no sentido semântico, não só na questão de escrevê-las. Esse exemplo é uma amostra de um problema muito maior.

Comecemos a imaginar a dimensão do problema da perda da capacidade de uso da linguagem escrita. Há um evidente empobrecimento da linguagem humana em andamento. Além da questão central da alfabetização de milhões de crianças e adolescentes, temos o fato de até os alfabetizados estarem perdendo a habilidade que antes tinham, mesmo que minimamente. O treco é complicado, o fenômeno está aí na nossa frente e não me parece que algo possa ser feito para frear essa tendência.

Além dos analfabetos funcionais e analfabetos políticos, há uma tendência a nos tornarmos analfabetos na linguagem como éramos antes de aprender a escrever nas fases iniciais da vida.

Essa é uma leitura só minha ou mais pessoas têm percebido essa tendência de morte da linguagem escrita?

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AS REFERÊNCIAS DE HOJE SÃO "INFLUENCIADORES" ANALFABETOS FUNCIONAIS E POLÍTICOS

A língua de Camões, a língua de Shakespeare, a língua de Cervantes... essas figuras históricas são consideradas referências em suas línguas maternas, pessoas que escreveram muito e cujos textos se tornaram referência de uma linguagem culta, padrão, textos com organização sintática e semântica que poderiam balizar uma comunicação perfeita nas suas respectivas línguas.

O tempo de Camões, Shakespeare e Cervantes passou... E hoje, qual a referência para milhões de pessoas? 

Às vezes, tenho a impressão de que caminhamos para a linguagem predominante ser quase um grunhido, gritos e vociferações. 

As referências não mais de milhares, mas de milhões de seguidores, são pessoas que mal falam a língua básica de seu idioma. A referência na comunicação global tem sido vociferações, grunhidos, repetições de palavrões a cada frase dita por um youtuber ou "influenciador" qualquer de alguma mídia dessas. O mundo está se tornando um mundo dominado por "criadores de conteúdo" como esses aí das redes sociais. Nem estou abordando a questão do "conteúdo" em grande parte sem base na realidade, mentiras, invenções etc.

É essa a reflexão do momento, minha (in)digestão cultural!

William


Post Scriptum: o texto seguinte desta série sobre Linguagem pode ser lido aqui.


quinta-feira, 8 de julho de 2021

Instantes (madrugada 080721)

Ouvindo Rolling Stones: "Anybody Seen My Baby?" (relembrar uma língua é algo importante para exercitar a memória e a atividade cerebral. Mais que relembrar, reaprender, porque é disso que se trata. Sem contar a batida... o som... a guitarra... o baixo... o ritmo)

Estar novamente contatando a outra língua que comecei a aprender, uma língua bem diferente daquela que falo, é outra forma de exercitar o cérebro. A língua japonesa é um desafio interessante para o cérebro de um ocidental por causa do som, da organização sintática diferente, por causa dos signos escritos - ideogramas e alfabetos diferentes do nosso. Não tenho pretensão profissional alguma em relação a esse estudo, só quero conhecer mesmo.

Talvez acabe a leitura da Odisseia em versos em dois dias. É outra língua, efetivamente. A forma de organização sintática adotada pelo tradutor do grego para o português é completamente diferente da língua cotidiana que usávamos até pouco tempo, há algumas décadas (agora eu não sei dizer que linguagem humana existirá nos próximos anos, nem humanos é certo haver em apenas cem anos...). Minha versão é de Odorico Mendes, um maranhense do século XIX.

A linguagem comunica. A linguagem permite a interação entre os homo sapiens, até entre humanos e alguns animais. A linguagem engana. Com ela se corrompe, com ela se destrói vidas, mundos. Com a linguagem se mata, se salva vidas. A linguagem convence animais humanos a se tornarem idiotas, ignorantes, se ensina a odiar aquelas pessoas que poderiam aprender a amar.

Agora estou ouvindo David Bowie: "Absolute Beginners"...

Que serão dos livros? Dos meus e dos demais livros do mundo? Não sei.

Que será da história de luta dos bancários? Da classe trabalhadora brasileira e mundial? Não sei.

Que será da autogestão Cassi? Nas últimas décadas, gerações de militantes lutaram para criar e desenvolver um sistema de saúde solidário e preventivo. Estão destruindo a associação. É tão triste que até encheu meus olhos d'água pra escrever isso. Sou sentimentalista. Que será da Cassi? Não sei.

Que será dos 99% de humanos do mundo que estão escravizados pelo 1% no controle de tudo? Não sei.

Vamos dormir. (vou apertar o botão 'publicar" e terminar de ouvir "Run, Baby, Run" de Sheryl Crow...)

William

PS: Acabei ouvindo ainda "Gimme Shelter" ao vivo com U2, Mick Jagger e Fergie no Madison Square Garden em 2009. Agora vamos encerrar.


domingo, 26 de julho de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa (IV)



Saudades de andar na USP...
essa pandemia mudou tudo.

Estamos em julho do ano em que o mundo mudou após o aparecimento de um vírus que se espalhou rapidamente e até o momento alterou a vida em todo o planeta, o novo coronavírus: Covid-19. Ano de 2020.

Dia desses, ao ouvir pela internet uma garota que fala diversas línguas, Anna Murakawa (além de ótima violinista, ela tem vídeos sobre aprendizagem), ela explicava que uma coisa importante para o aprendiz é ter claro o motivo pelo qual ele decidiu aprender um novo idioma.

Ao olhar para trás e fazer o exercício de definir o motivo pelo qual comecei a aprender a língua japonesa, vejo que o motivo não está muito claro, o que não é bom. 

Pensei em estudar japonês por ser uma língua bem diferente da minha. Pensei nos desenhos dos ideogramas e entendi que aprender essa linguagem poderia melhorar meu cérebro cinquentenário, exercitar meus neurônios e desenvolver minha inteligência.

Mas isso é suficiente para manter o esforço em aprender japonês? Aparentemente, posso substituir o estudo dessa língua por outras atividades e alcançar o mesmo objetivo. Então, pode ser que meu desejo esteja sendo insuficiente para avançar mais rápido, no sentido inclusive de maior dedicação.

Aprender japonês também pode ser interessante para mim porque passei a assistir animes com nosso filho, uma forma de interagir com ele em época tão difícil de manter contatos com as pessoas, inclusive as mais próximas. 

O ser humano está cada vez mais centrado em si mesmo, fisgado pelas coisas virtuais e sem paciência para coisas das épocas mais antigas, quando não havia toda essa tecnologia capturadora de humanos, e os humanos apenas ficavam juntos e conversavam.

Mas o motivo também é insuficiente para manter a energia necessária para esse aprendizado, pois já vemos os animes com legendas. 

Eu sonhei em ser poliglota, por ser poliglota, porque dizer que tinha esse desejo para realizar diversas coisas não seria verdade.

Se comparar com antes, sei alguma coisa hoje. Meses atrás não sabia nada. Agora já conheço os alfabetos e sei fazer as lições do curso online que faço. A matéria que passei a fazer na faculdade complicou um pouco minha condição de aprendiz porque eu estava estudando por conta em curso pela internet e o ritmo era o meu. 

Na faculdade é tudo programado e tem que ser cumprido. Neste momento em que estamos fechando o semestre, já não estou acompanhando bem o conteúdo. O fato de o curso ser à distância (EAD) não é desculpa nenhuma. Agora eu sei o que sofrem as pessoas que não sabem matemática ou outra matéria e sofrem porque falta a elas o básico que perderam em algum momento para trás.

Enfim, nas dificuldades a gente acaba parando para refletir um pouco sobre os porquês das coisas. Estou meio perdido, mas isso é normal em seres humanos que não são autômatos. Se temos dúvidas, talvez seja porque ainda pensamos. Que bom!

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Post Scriptum (28/7/20):

Quando falo que comparado com a etapa anterior eu já estou melhor, é porque já identifico sentenças com as estruturas da língua japonesa como as sentenças abaixo, com kanji, hiragana e katakana, com partículas que atuam na sintaxe e influenciam na semântica das expressões; mas ainda me falta autonomia para conseguir me comunicar e expressar pensamentos inteiros. Mas é melhor estar onde estou neste momento do que estar no ponto onde iniciei a jornada, quando não sabia nada.


図書館で漢字の辞書を借りる。
Pego emprestado um dicionário de kanjis na biblioteca.


この [ 新しい 家 ] は広い。
(kono atarashii ie wa hiroi)

Esta [casa nova] é espaçosa.


先生と生徒が学校で会う。
(Sensei to seito ga gakkō de au.)

Professor e aluno se encontram na escola.


家の前に大きな木があった。
(Ie no mae ni ōkina ki ga atta.)

Havia uma grande árvore em frente à casa.


十一日 


Ideograma que significa "dia 11 do mês ou 11º dia" じゅういちにち (a leitura)

自動車 = automóvel (gênero)

/Jidōsha/ じどうしゃ (a leitura em romaji e em hiragana)


新聞 = ideograma que significa jornal


しんぶん (a leitura em hiragana)

domingo, 31 de maio de 2020

Instantes (15h34)


Imagem de divulgação.

(atualizado em 24/7/20)

O estudante sabia que tinha que fazer a lição até o dia seguinte, o último dia de prazo. A lição havia sido pedida há uns quinze dias. Mas ele queria descansar um pouco daquele tema, língua japonesa. Deixa que no domingo ele faz e sobe o arquivo. Ao zapear a TV para ver se teria algo interessante na programação, viu que à noite iria passar o filme Blow-Up, de Michelangelo Antonioni. O filme era um clássico de um diretor clássico baseado num conto clássico de Julio Cortázar. Ele nunca leu o conto do escritor argentino, apesar de tê-lo bem ali na estante de casa, numa pequena coleção que comprou numa viagem de passeio a Buenos Aires. Decidiu que veria o filme à noite.

O filme foi bem interessante. O cinquentenário gosta mais de filmes antigos do que de filmes atuais. Sua companheira detesta filmes assim. Já ele prefere, apesar de conhecer pouco sobre filmes. O filme de Antonioni é de 1966. E o conto de Cortázar que inspirou o diretor é de 1959. No filme, um fotógrafo meio doidão tira fotos num parque e decide fotografar um casal, a mulher se incomoda e pede ao fotógrafo que lhe entregue o filme. Ele diz que depois o fará e vai embora. A mulher é uma morena e o procura depois. O filme é bem psicodélico, com uma cena envolvendo um monte de gente num apartamento em meio a drogas, bebidas e orgias. No filme todos são muito muito magros. Isso chamou a atenção. O filme tem um final que deixa a imaginação pensando a respeito dos acontecimentos. 

O eterno estudante pegou o livro na estante e decidiu que na manhã seguinte iria ler o conto de Cortázar, "Las babas del diablo", do livro Las armas secretas. Logo pela manhã, "logo" seria lá pelo meio-dia porque ele não teve saco de levantar-se cedo e ficou enrolando na cama até tarde. Gostou muito do conto. Gostou. No conto, o casal não é de uma mulher e um homem mais velho; é de uma mulher adulta e loira e um jovem de quatorze para quinze anos. As estórias são diferentes. A marca comum é a paisagem erma no parque, a terceira pessoa que observa, além do fotógrafo, e do vento forte naquele instante. O final é doido também, aberto. 

Esses clássicos são muito instigantes para ele, dão-lhe uma sensação de mais uma etapa vencida em seu antigo desejo de conhecer os clássicos da cultura universal.

O domingo segue. Ele tem que pegar a lição de japonês e estudar aqueles kanjis...

domingo, 10 de maio de 2020

100520 (d.C.) - Diário e reflexões





Domingo de luar, Dia das Mães, Osasco, país jabuticaba, novo dia depois da pandemia do vírus Covid-19.

Vencemos mais um dia. Vamos para mais um amanhã. Tantas coisas que fazer ainda. Tantas coisas possíveis. Tantas coisas que eram possíveis até pouco tempo atrás. Tantas coisas que talvez não sejam mais possíveis para mim. Vai saber como será a semana neste mundo novo.

Neste momento de fim de noite de domingo das mães, o quadro estatístico sobre infectados e mortos pelo novo coronavírus aponta que estão infectados 4,1 milhões de pessoas no mundo e morreram até agora 282,7 mil seres humanos. No país jabuticaba, temos oficialmente 162,7 mil infectados e 11.123 vítimas fatais. Mas aqui é um dos países que menos realizam testes para identificar infectados, e os números podem ser muito maiores. O monstro que meus concidadãos elegeram em 2018 comemorou os números andando de Jet Ski. Aqui é assim...

Eu decidi estudar a Língua Japonesa neste ano porque gosto da cultura japonesa e porque o desafio poderia exercitar meu cérebro e auxiliá-lo a funcionar bem após meio século de vida. Estava indo muito bem através de um curso pago na internet e de uma matéria presencial em minha graduação em Letras na USP. Aí veio a quarentena, a parada do mundo. O isolamento social se somou à tristeza com a destruição do meu mundo pela ascensão do mal ao poder por golpe e por adesão de parte do povo que eu amava. Bateu um desânimo perigoso para o meu viver. O corpo por dentro está morrendo, sinto isso em meu abdômen. É triste e não é porque quero.

Como a vida seguiu nesta semana, e segue a partir de amanhã, a gente segue fazendo coisas que são possíveis. Eu sempre tive sonhos de cultura e conhecimento. Queria ser um erudito, um sábio, um intelectual. Admiro muito pessoas com grande acúmulo de conhecimento. Admiro mais ainda quando essas pessoas usam o conhecimento para o bem coletivo. 

Esse desejo de saber me fez começar projetos de leituras e nunca terminar quase nada, pois começava um livro, pegava outro, começava mais um, pegava outro e assim ia. 

Pensando em parar com isso, dei uma rápida olhada na estante e identifiquei vários livros que poderia retomar e ganhar aquela experiência de leitura. 

Tudo está estranho, sem sentido, sem razão lógica e sem prazer a esta altura de minha vida. É lógico que isso é um processo psicológico, somos humanos. Estou tentando me agarrar numa tese que ouvia de alguns professores que diziam sobre clássicos da literatura mundial que era sempre melhor lê-los que não lê-los. 

E sempre tem os livros novos também, alguns humanos continuam produzindo coisas interessantes de se ler.

Foi assim que li algumas centenas de páginas nesses dias. Terminei um livro de romance ao ler mais de cem páginas de uma vez. Agora estou terminando outro do mesmo jeito, acabo amanhã. 

Tem cada livro referencial que estou no meio... Hobsbawn, Galeano, Dostoiévisk, Hobbes, Jessé Souza, Gorbachev, Marx, Mandela, José Dirceu... (pensa dezenas e dezenas de leituras inacabadas).

Chega de registros por hoje. Vamos ver o que a vida nos reserva para a semana.

William
Um leitor

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa (III)



Hiragana

No curso pago que faço na internet os professores dizem que temos que ter paciência e aprender uma coisa de cada vez na Língua Japonesa. Desde o início deste ano, estou fazendo uma matéria optativa de Língua Japonesa em minha graduação em Letras na USP. (ver postagem anterior aqui)

A rede mundial de computadores tem muita coisa interessante quando o interesse do internauta é estudar e buscar conhecimento gratuito. Eu, por exemplo, gosto da Wikipedia desde que foi criada. Como ela é uma fonte livre, uso com frequência em algumas coisas que pesquiso.

Vejamos abaixo, um trecho da Wikipedia sobre os sistemas de escrita e pronúncia do Japonês:

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O japonês faz uso de cinco sistemas de escrita diferentes: Rômaji, hiragana, katakana, kanji e os algarismos indo-arábicos.


漢字 Kanji são os caracteres de origem chinesa, usados em:

- substantivos;
- radicais de adjetivos e verbos;
- nomes de locais e de pessoas.


仮名 Hiragana são caracteres fonéticos japoneses usados em:

- terminações flexionais de adjetivos e verbos (送り仮名 okurigana);
- partículas gramaticais (助詞 joshi);
- palavras para as quais não há kanji;
- palavras cujo autor preferiu não escrevê-las em kanji (por motivo de legibilidade, comodidade, hábito, etc.);
- forma de indicar a leitura de kanji (振り仮名 furigana);

- onomatopeias.

片仮名 Katakana são caracteres fonéticos japoneses usados em:

- palavras e nomes estrangeiros, excluindo aquelas que originaram-se no kanji;

- onomatopeias;
- palavras cujo autor quis destacar (da mesma forma que se escreve em português em tipos itálicos);
- nomes científicos de animais e plantas.


ローマ字 Rômaji são os caracteres latinos, que são usados em:


- acrônimos, por exemplo ONU;
- palavras e nomes japoneses usados em outros países, como em cartões de visita e passaportes;
- nomes de firmas e produtos que necessitem ser lidos tanto no Japão como em outros países como, por exemplo, empresas japonesas: SONY, Panasonic, Pioneer (empresa), Aiwa (que pertence à SONY), etc.


インドアラビア数字 Numerais indo-arábicos


- números árabes (em oposição aos algarismos tradicionais de kanji) são comumente usados para escrever números em texto horizontal. Veja também os numerais japoneses.

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Palavras com os sons das primeiras famílias de katakana que aprendemos em sala de aula. Elas foram ditadas e não peguei o significado de todas elas. Para algumas palavras utilizei o Google Tradutor.

a - i - u - e - o

あい (ai) - amor 
いえ (ie) - casa
いう (iu) - falar 
あお (ao) - azul
うえ (ue) - em cima
おい (oi) - sobrinho
いいえ (iie) - não
おおい (ooi) - bastante

ka - ki - ku - ke - ko 

kaki - ostra (google)
koke - musgo (google)
kiku - ouça (google)
kuko - 
かけ (kake) - 
くき (kuki) - caule
ここ (koko) - aqui
あか (aka) - vermelho


Fontes:

Google
Sala de aula
Wikipedia

domingo, 26 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa (II)



Amor (あい)

Nas primeiras aulas que tivemos na matéria de língua japonesa que estou fazendo como optativa na graduação de Letras, nos foi ensinado os dois kanas, o Hiragana e o Katakana. Assim que aprendíamos cada símbolo fonográfico (por famílias "a", "ka", "sa" etc), já éramos testados com ditados. É uma forma do ouvido se acostumar com o som do Japonês, que é diferente do Português em diversos fonemas.

Outra coisa estimulante é sermos convidados a irmos até o quadro escrever as palavras ditadas em sala de aula. Essa é uma forma prática de treinar a memorização do som e do desenho dos kanas. Nós tivemos umas cinco ou seis aulas antes da pandemia do novo coronavírus interromper tudo no mundo.

Se não quisermos perder o que já aprendemos, temos que dar um jeito de rever e memorizar as palavras, as frases de cumprimento e os fonogramas, mesmo que seja na forma de "romaji", ou seja, com o uso do alfabeto romano porque eu não sei utilizar no computador os kanas. No caderno em casa, eu tenho copiado e desenhado os símbolos dos sons.

SAUDAÇÕES (AISATSU)

dô itashi mashite = de nada!

arigatô = obrigado!

onegai shimasu = por favor!

sayônara = adeus! (demorar pra ver ou não ver mais)

ohayô gozaimasu = bom dia! (mais formal)

konnichiwa = boa tarde!

oyasumi nasai = tenha uma boa noite!

ogenki desu ka? = como você está?

genki desu. Anata wa? = estou bem. E você?


OBSERVAÇÃO: como disse na postagem anterior, aqui, essas postagens são registros de estudos meus. Elas não são ideais para outra pessoa estudar o tema porque eu não tenho conhecimento técnico sobre a língua japonesa.


sábado, 25 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa



Hiragana.

Neste blog registro alguns estudos que realizo sobre línguas, literatura e cultura. Um dos objetivos das postagens é poder voltar aos estudos feitos para revisão e memorização. 

Algumas postagens têm por objetivo compartilhar conhecimento (WIKI - What I Know Is) como, por exemplo, aulas do curso de Letras que reproduzo aqui ou leituras que faço. Outras postagens como esta têm mais relação com registros pessoais para posterior revisão, não sendo ideais para alguém estudar nelas.


Katakana.

Decidi estudar a língua japonesa neste ano de 2020. Interesse neste idioma eu sempre tive, bem como o interesse na cultura japonesa, que é antigo. Além de me inscrever num curso pela internet em janeiro, me inscrevi também em uma matéria optativa de meu curso de Letras. Até o momento eu aprendi os dois alfabetos fonéticos ou silabários, o Hiragana e o Katakana. E o uso de algumas partículas.

No curso online a metodologia é uma e no curso presencial da USP é outra, completamente diferente. A cabeça e os neurônios estão sendo muito exigidos, o que é muito bom. No curso presencial é lápis na mão e desenho dos fonogramas, e memorizar as palavras. Dá um trabalhão acertar o traço. Na internet é memorizar som, imagem e palavras.

Enfim, estudar línguas é muito interessante e me faz esquecer por algumas horas a realidade desgraçada da política nacional.

William

Post Scriptum (26/4/20)

Uma coisa importante na escrita dos ideogramas e fonogramas da língua japonesa - Kanji, Hiragana e Katakana - é respeitar o sentido em que o lápis ou pincel devem iniciar e terminar o desenho de cada imagem.

Nossos professores do curso de Língua Japonesa Moderna I nos passaram sites em que é possível verificar os traços de cada fonograma. Não consegui abrir as tabelas pelo celular, mas pelo notebook funcionam normalmente. Para ver o Hiragana clique aqui e para ver o Katakana clique aqui.