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sábado, 3 de janeiro de 2026

Acontecimentos imponderáveis apressam mudanças



Refeição Cultural

03/01/26


Opinião

Ao acordar, soube que os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sumiram com o presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro. O objetivo do ataque dos norte-americanos é roubar o petróleo e as riquezas minerais do país. 

Anos antes, no Brasil das reservas petrolíferas do pré-sal, um golpe de Estado era executado no país para roubar o nosso petróleo. Os agentes norte-americanos tinham os lacaios necessários por aqui para executar o golpe "com o Supremo, com tudo".

Não foi preciso bombardear e matar brasileiros, pois temos a maior quantidade de traidores da pátria por metro quadrado no mundo. A operação Lava Jato e a casa-grande entregaram tudo, tudo, em troca de uns passeios na Disney.

O presente e o futuro imediato do Brasil, das Américas do Sul e Central e Caribe são incertos em todas as medidas, em todas as dimensões da vida. O imponderável foi causado pelos nossos inimigos de classe como estratégia para a mudança de cenário. 

Este blogueiro terá que ter muito foco e disciplina para levar adiante algumas tarefas que definiu para si. Escrever o que sabe será prioritário quando fazer volume em eventos políticos competir com a tarefa.

A sistematização e encadernação de seus milhares de textos produzidos nas últimas duas décadas deve ser sua prioridade. As big techs serão parte central nas guerras do momento. E as guerras são contra nós. 

Escrever o livro de memórias da CASSI também deve ser parte de seu cotidiano em 2026. Memórias só permanecem no mundo se estiverem registradas e preservadas em meios duráveis. Só nas minhas células não durarão muito. 

William Mendes


Post Scriptum

Horas antes, às 8h56, havia postado a seguinte declaração em meu perfil do Facebook:

SOLIDARIEDADE A VENEZUELA E SEU POVO, NOSSOS IRMÃOS SUL-AMERICANOS

O IMPONDERÁVEL (aquilo que está fora de nosso controle e que pode ser uma ação de nosso inimigo para mudar uma situação ou contexto, mudando um futuro possível e vislumbrado)

O ataque infame sofrido hoje pela Venezuela exige unidade da esquerda, pois nosso futuro está sob ameaça. Hoje Venezuela é bombardeada e recebe a morte através das armas do imperialismo, amanhã seremos nós.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poema 8: O Brasil não é um país laico


O BRASIL NÃO É UM PAÍS LAICO

 

          "sob a proteção de Deus..." (CF 1988)


Preâmbulo


Nós, representantes do povo brasileiro,

reunidos em Assembleia Nacional Constituinte

para instituir um Estado democrático,

destinado a assegurar o exercício

dos direitos sociais e individuais,

a liberdade, a segurança, o bem-estar,

o desenvolvimento, a igualdade e a justiça

como valores supremos

de uma sociedade fraterna,

pluralista e sem preconceitos,

fundada na harmonia social

e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos,

sob a proteção de Deus,

a seguinte Constituição

da República Federativa

do Brasil.


Laico? Em nome de Deus?

O Brasil é uma piada pronta!


William

03/02/25


segunda-feira, 15 de julho de 2024

51 de 100 dias



51. Fazer limpeza de casa, lavar banheiro e outros afazeres domésticos são obrigações de qualquer pessoa que mora em algum lugar. 

Quando digo qualquer pessoa, quero dizer todas as pessoas dos ambientes compartilhados. 

No entanto, a sociedade humana falhou miseravelmente nessa questão de educar as pessoas para terem consciência da obrigação de limparem diariamente a sujeira que fazem e ou produzem.

Olhemos para os ambientes compartilhados no Brasil do século atual, os milhões de lares, e veremos que uma porcentagem ínfima dos 200 milhões de pessoas lava suas louças, suas roupas, limpa os ambientes que suja ou desarruma.

Parte considerável dos milhões de pessoas que habitam milhões de ambientes compartilhados faz suas sujidades com a certeza que outras pessoas vão limpar ou arrumar aquilo.

Como mudar a tendência atual da insustentabilidade do consumo de coisas que poluem e sujam o mundo sem envolver as gerações presentes e futuras na criação de soluções para lidar com a sujidade que criamos? As pessoas sequer lidam com suas sujeiras!

Pensei nisso após lidar com limpeza doméstica ontem e hoje. Por décadas, eu trabalhava o dia todo, estudava de noite e ainda cozinhava, arrumava casa, lavava roupas e ainda sonhava com minhas utopias. 

Quantas pessoas das novas gerações fazem isso no mundo do ano de 2024?

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Post Scriptum: me esqueci de comentar a foto da postagem: meus pés, minhas pernas; minha mobilidade é o que me permite lavar privada, tirar gordura de box, limpar embaixo de camas etc. 

Faço um reparo sobre os milhões que falei que não lidam sequer com suas produções de sujeiras: o Brasil tem dezenas de milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, mais de 13 milhões têm deficiência física. 

A política teria que atuar para garantir direitos às pessoas: de cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com as suas necessidades. O Estado deve garantir direitos a todas as pessoas de forma igualitária.

Sou de esquerda e socialista porque acredito nisso: garantia de direitos às pessoas. No capitalismo não há direitos, há mercadorias, e só compram mercadorias a parcela que tem dinheiro. Uma pequena parte do todo. 

William 

 


sexta-feira, 28 de junho de 2024

34 de 100 dias



34. Agora à noite, após atividades de organização doméstica, saí para correr. As dores no corpo seguem de forma crônica. Feitos os exames de próstata, agora vou retornar ao especialista em quadril e levar os exames de imagem que fiz. Vamos ver como está a situação de minha estrutura locomotora. Enquanto posso, ando e corro, aproveito essa capacidade humana que nos dá grande liberdade no viver.

Com os objetivos de curto prazo que defini nesses dias, minhas leituras de livros foram interrompidas. Pensei em ler as centenas de páginas que faltavam dos livros sobre a biografia de Frei Betto e as memórias de José Dirceu. É uma coisa ou outra. Ou tento organizar um pouco minha desorganização doméstica de longo tempo ou sigo na baderna em benefício dos estudos.

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OPINIÃO

DIREITO NÃO É ALGO NATURAL, É CRIAÇÃO HUMANA E DEVE SER DEFENDIDO

Nunca mais vou me esquecer da lição do professor jurista e constitucionalista Pedro Serrano, explicando em um artigo na revista CartaCapital, edição 1303 (ler aqui), que direito é criação humana, não é algo natural, e se não defendermos os direitos que criamos ao longo da história da humanidade, os direitos que nos acostumamos a gostar deles deixarão de existir.

A extrema-direita está organizada internacionalmente como nunca esteve antes. A extrema-direita tem estrutura porque ela ou é o próprio 1% dono do poder no mundo ou é financiada pelos homens com mais dinheiro no mundo ou é tudo a mesma coisa, os capitalistas e os endinheirados, os bilionários e seus pau-mandados, ou seja, dane-se esse papo de falar que eles não são bárbaros porque usam as porcarias dos talheres de prata.

Há um avanço acelerado da extrema-direita e os capitalistas nos direitos sociais do povo no mundo todo.

No Brasil, essa gente está destruindo os ambientes todos, desfazendo a Constituição Cidadã de 1988, avançando sobre os corpos das pessoas como fizeram até o século 19 quando a propriedade de pessoas era a lei.

Enfim, ou a maioria que não é a extrema-direita e não é dona do poder político e econômico se organiza e vai pra cima dessa gente ou vamos mergulhar num pântano de ditaduras autoritárias dos bilionários e seus capatazes e capitães do mato nas estruturas dos Estados nacionais.

O que estamos vendo nesses últimos anos é só o começo. Depois dos projetos de "Lei do estuprador", "lei" isso, "lei" aquilo... vamos ter "leis" que impedem a nossa existência e a nossa liberdade. 

Hoje, os extremistas que juntam num mesmo balaio fascistas, nazistas, bancadas da bala, da bíblia, do boi, capachos dos bilionários etc, essa gente tem voto para votar qualquer coisa nos parlamentos, tanto no Congresso Nacional quanto nos Estados e municípios. 

Se votarem uma lei que dá direito a escravizar pessoas com uns 400 votos no Congresso vamos cumprir a lei? Se votarem transformar em pasto e plantio de soja e milho todas as áreas geográficas do Brasil a gente cumpre? 

Se vocês responderem que não, o que a gente faz? Essa gente tem a força repressiva com ela. Vamos enfrentar a repressão dos endinheirados com flores e rezas e passeatas pacíficas? Nossos corpos vão ser os alvos das balas e bombas?

Em São Paulo aprovaram uma "lei" em primeira votação para impedir que qualquer pessoa dê alimento a quem precisa. O doador pode ter que pagar uma multa de 17 mil reais, ou seja, vai ter que vender a moto ou o carro que tem se for pego dando comida a alguém com fome...

Ou a gente vai pra cima desses fascistas de merda ou o mundo será uma desgraça. É a minha opinião, a opinião de alguém que liderou as lutas dos bancários por quase duas décadas. 

Não sou pacifista! Como ensinou Nelson Mandela na p. 206 de sua autobiografia: é o opressor que define a natureza da luta.

Mandela, eu também acho!

William


quarta-feira, 26 de junho de 2024

32 de 100 dias



32. A verdade é que não estou avançando na velocidade que deveria na solução da desordem pessoal, na melhoria ou mudança do meu mundo desorganizado e caótico. Não estou.

Tudo que mexo para me desfazer, mexo, mexo, arrumo pretexto, começo a ler, ver, ouvir, e não me desfaço. Que saco! Continuo espremido e sufocado. Vão se passar os cem dias e tudo estará na mesma no meu mundo entulhado...

Cada página do que leio me parece importante para salvar a cultura, a história e a humanidade dos bárbaros dominando tudo, impondo leis e decretos medievais no Estado de São Paulo, nos estados, no Brasil, no mundo.

Daqui alguns dias meses anos terão leis contra minha liberdade de ser ateu, de ser bocudo, contestador, de ir contra a ordem vigente imposta pelos desgraçados da casa-grande, donos do capital, das máquinas ideológicas e da força de repressão...

Não poderei mais ser eu. Por isso esse medo de me desfazer dessa cultura toda empilhada em casa, junto com as bugigangas mercadorias das outras pessoas do ambiente. 

Não estou avançando bem nos cem dias... essa é a verdade.

William 


sábado, 22 de junho de 2024

28 de 100 dias



28. Ontem de manhã, ao acordar, busquei informações a respeito da campanha de vacinação do governo federal. Meu objetivo era verificar se poderia receber a vacina contra a Covid-19. 

Em poucos minutos, verifiquei que fazia parte dos grupos prioritários para receber a vacina: "pessoas com comorbidade". Tenho hipertensão. Peguei meus documentos e fui para o posto de saúde de minha região. Fui vacinado. Elegemos Lula para retomarmos as campanhas de vacinação no país.

Por um lado, fico feliz pela oportunidade de estar imunizado contra essa doença, imunizado graças ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Se for infectado por esse vírus, meu corpo terá uma chance maior de sobrevivência. Exerci o meu direito de cidadão brasileiro.

Por outro lado, fico triste e constrangido por saber que minha companheira e meu filho não foram imunizados porque não fazem parte dos grupos prioritários: eles gostariam de ser imunizados. 

E pensar que o regime fascista do bolsonarismo, uma ideologia de idiotização do povo brasileiro, fez com que grande parte do povo se tornasse negacionista. A involução da espécie humana segue à galope.

Sugestão às leitoras e leitores do blog: procurem os postos de saúde e se vacinem. Estar imunizado é uma evolução de nossa espécie, conquista da ciência, fruto da inteligência humana. Estou com o braço dolorido, e só!

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Sigo diariamente buscando sentidos e ações para mudar a realidade, que não me agrada e me causa uma dor profunda. Tudo bem, assumo minha condição de cidadão politizado. Não gostaria de ser ignorante como fui antes.

Envidar esforços para me manter vivo é um dos objetivos do momento, pois a vida é uma oportunidade e sei que tenho um papel social no mundo.

Sigamos resistindo e lutando.

William Mendes

 

sexta-feira, 14 de junho de 2024

20 de 100 dias



20. Estou em Uberlândia, visitando a família. Estar com as pessoas queridas é um objetivo neste momento da existência. Ontem à noite, passei algumas horas com minha irmã Telma e o cunhado Tulio, e o Kalvin. Comemos pão de queijo, bolo, café e chá, afinal de contas estamos em Minas Gerais. 

Hoje já andei bastante, estou procurando solução para o aquário de minha mãe, que está com vazamento. Ela tem dois acarás. Comprar outro como pensei vai sair muito caro. Vou andar mais para ver como resolvo o problema. 

Andando pelo bairro, já me encontrei com um familiar - o Vinícius - e até domingo vou ver mais pessoas da família. 

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BRASIL SE DESFAZENDO

O mundo humano está complicado. As consequências decorrentes das eleições legislativas de 2022 estão a todo vapor na pior base parlamentar da história do Brasil. 

As eleições foram realizadas sob cenário muito adverso para nós que lutamos por um mundo mais justo e sustentável e nossos inimigos têm maiorias simples e qualificada para derrubar novamente o nosso presidente eleito, Lula, e estão votando "leis" que não podem ser acatadas por nós. 

Sempre expliquei que o povo da classe trabalhadora e suas lideranças não devem ser papagaios de auditório e ficar repetindo mantras estúpidos do tipo "lei não se discute, se cumpre...".

Não se discute o caralho! Se cumpre o cacete!

Esse Congresso vai votar que mulheres e crianças estupradas são assassinas se fizerem aborto e nós vamos "cumprir a lei"?

Esse Congresso comprado com dinheiro público do orçamento secreto vai votar a volta da escravidão e nós vamos acatar a tal "lei"?

Nossas lideranças devem ter postura de lideranças e atiçar o povo pra luta!

William 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

12 de 100 dias



12. A cada dia de avanço dos bárbaros e suas formas diversas de violência e autoritarismo, aumenta a responsabilidade da parcela humanista e civilizada de resistir ao mal e defender os direitos criados pelos homo sapiens ao longo de milhares de anos de evolução da espécie. 

Como disse o professor e jurista Pedro Serrano em artigo em uma edição de CartaCapital (comentário aqui), o direito não é algo natural, é uma criação humana, e se não defendermos os direitos da pessoa humana - direitos civis, políticos e sociais - os bárbaros da extrema-direita vão eliminar direitos civilizatórios que conquistamos em séculos e milênios. 

Entenderam o que quero dizer?

O que vem ocorrendo nos parlamentos brasileiros, principalmente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal - o fim do diálogo e do decoro parlamentar por parte do bolsonarismo et caterva -, tudo sob os olhares complacentes dos presidentes daquelas casas legislativas, é projeto, tem método. O nazismo e o fascismo fizeram isso para vencerem a civilização daquela época, as primeiras décadas do século vinte.

O experimento ("case") de tomada à força das terras da Palestina, eliminando dois milhões de seres humanos daquele "espaço vital" para os sionistas é projeto, tem método (não é mera coincidência com a questão nazista de "espaço vital" de um século antes).

A normalização da violência extremada (sempre contra grupos marginalizados no capitalismo) e naturalização da barbárie e dos atos e ideias da extrema-direita bolsonarista no Brasil por parte da mesma mídia empresarial dos donos do poder (P.I.G.) que envenenaram o povo brasileiro até tornar-se "normal" carros circularem com a imagem da presidenta do Brasil de pernas abertas em bocais de tanque de gasolina dos veículos é projeto, tem método. 

Estou retirado do movimento sindical ao qual fiz parte por ao menos duas décadas. Não sei o que as lideranças da classe trabalhadora estão debatendo. Não sei. Nunca mais fui convidado a participar de fóruns nos quais contribuí por décadas.

Se estivesse nos debates como dirigente, pautaria debater novas formas e estratégias de enfrentamento aos nossos inimigos. Inimigos! Com o fim da política de diálogo e conciliação e da democracia "liberal" como nós aprendemos nas últimas décadas, é responsabilidade das lideranças da classe trabalhadora propor estratégias de enfrentamento aos inimigos. Sem isso, seremos presas fáceis no presente e futuro próximo. 

Na gravidade da atual conjuntura brasileira e mundial, não se pode seguir fazendo o mesmo que se fazia no passado, pois isso seria alienar a classe trabalhadora representada pelos movimentos sindicais e partidários da esquerda. 

É o que penso sendo cidadão do presente cenário mundial.

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EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO POLÍTICA

No momento, avalio que escrever seja uma forma de compartilhar o que leio, estudo e reflito sobre o nosso mundo e a nossa sociedade humana. 

O que possibilitou a nossa espécie chegar até o ponto extraordinário no qual chegamos em relação às ciências diversas foi a educação, a transmissão dos saberes acumulados. 

Nossos inimigos objetivam destruir a educação porque ela pode mudar as pessoas e as pessoas podem agir e mudar o mundo. Quanto mais ignorância, miséria, medo e raiva, mais fácil a manipulação das massas humanas.

Por enquanto, seguirei estudando, lendo, refletindo e escrevendo para as pessoas que tenham interesse em manter a tecnologia milenar da educação, ferramenta que desenvolvemos para trocar conhecimentos, experiências e ideias para mudar as realidades naturais e não naturais nas quais nos vemos envolvidos: as comunidades humanas.

William Mendes 


quinta-feira, 28 de março de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 28 de março de 2024. Quinta-feira.


A ÉTICA E A LUTA POR DIREITOS UNIVERSAIS

"Os direitos não são dados da natureza, e sim uma criação humana. Para existirem, devem ser defendidos de ataques." (Pedro Serrano, em CartaCapital, nº 1303)


Direitos não são coisas do mundo natural. São criações do animal humano. A gente não para pra pensar numa coisa até que alguém nos faça pensar a respeito dela.

A frase do advogado e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano, que abre esta reflexão, é essencial para alguém que se pensa de esquerda e humanista! É um alerta para que as pessoas entendam que um direito só existe por ter sido criado antes e só existirá se for defendido pelas gerações seguintes, pois a realidade material e histórica é feita a cada dia, a cada dia.

No mundo animal não existe o direito "gazélico" à vida em relação aos predadores da espécie. Não existe o direito "pombiano" à vida em relação aos gaviões e carcarás. O direito humano à vida é uma criação da espécie humana após milênios de constituição e organização social. E nenhum direito é direito adquirido em certo sentido, porque se não houver luta para a manutenção do direito, vêm novos "predadores" da própria espécie humana e nhac! (nos devoram)

E eu acrescento uma ideia que tenho clareza a cada dia que vivo: a única certeza que temos é que tudo muda o tempo todo, a mudança pode até não ser percebida por causa da temporalidade de algumas mudanças, mas tudo muda... Lembram do ensinamento quando estudantes? Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (Lavoisier)... pois é! É bem isso!

Pensando no conceito do direito a partir da explicação de Pedro Serrano, me lembrei também da palestra de Frei Betto, em Havana, semanas atrás, quando ele explicava conceitos a respeito de moral e ética, e em certo momento ele citou um conceito chamado de "ignorância invencível". 

De forma simples, o que entendi foi que a moral traz questões de cultura e por isso pode variar de acordo com épocas e locais. A ética é um esforço para se universalizar direitos humanos básicos. E a ignorância invencível tem alguma relação com a dificuldade de se alterar uma questão moral que talvez se oponha a questões de ética ou direitos universais que se constroem ao longo do tempo por ser a moral mais prevalente na cultura local.

Enfim, essas reflexões sobre questões morais e éticas, e sobre direitos, se não sensibilizarem as leitoras e leitores do blog, pelo menos já serviram para tocarem a mim mesmo, enquanto pensei sobre elas. 

Como um ser político politizado no movimento sindical, pois fui político que se politizou na prática cotidiana ao longo de uma vida na categoria bancária, ainda hoje sofro as agonias das decisões pessoais sobre o que fazer a cada dia que acordo, mesmo não pertencendo mais aos quadros do movimento ao qual militei.

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A QUESTÃO DO PERTENCIMENTO ÀS DIVERSAS COMUNIDADES IMAGINADAS PELOS SERES HUMANOS

Ouvi a entrevista de Roberto Requião ao Blog do Esmael falando sobre sua saída do Partido dos Trabalhadores, as razões e os porquês. O político paranaense nunca foi um militante histórico do PT, é claro, mas sempre foi um político elogiável, de uma vida pública exemplar, assim como o nosso companheiro Lula, esse sim figura histórica do PT. As críticas que Requião faz ao partido são críticas que muitos de nós, militantes e filiados, fazemos nos debates internos do dia a dia.

Eu vivencio um conflito pessoal já faz algum tempo sobre a questão do pertencimento ou não a determinadas comunidades humanas que de uma forma ou outra me vinculei ao longo de minha existência. A denominação "Comunidades Imaginadas" estou emprestando de Benedict Anderson, que tem um livro com esse nome e com um conteúdo impactante. Avalio que o conceito de Anderson mais as explicações do neurocientista Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano preenchem meu entendimento sobre o que nós somos. Tenho isso muito mais claro hoje.

Ao olhar para trás, faço uma leitura simples de minha vida pregressa. Poderia dizer que a minha conduta moral fui adquirindo na infância e adolescência a partir da família e das comunidades onde me criei. Para o bem e para o mal. A moral dos ambientes onde me aculturei prevaleceu até bem depois dos trinta anos de idade. Foi dessa fase da vida que adquiri valores que tinha à época como intolerâncias e preconceitos. Até pena de morte eu defendia... o poder da cultura e da moral dos ambientes onde me aculturei eram grandes: ideologias.

Dos trinta anos adiante, poderia dizer que tive acesso a uma cultura da ética, foi o período no qual virei dirigente eleito pelos colegas bancários para representá-los numa grande organização social, uma comunidade imaginada pela classe trabalhadora: um sindicato. Foram anos aprendendo política para que a ética prevalecesse sobre valores morais que eu trazia comigo: questões de gênero que eu desconhecia, do direito à vida, respeitar as visões de mundo dos outros, questões de políticas afirmativas etc. 

Seria uma negação falsa tanto do Sindicato e suas diretorias quanto minha se tentássemos esconder que eu sou fruto da formação política do nosso sindicato de bancários, bem como negar que eu tenha deixado minhas contribuições desde 1988 às lutas e conquistas empreendidas por nossa entidade de classe. Sou capaz de lembrar de diversos momentos decisivos em décadas de lutas da categoria, principalmente na corporação dos funcionários do Banco do Brasil, nos quais tive um papel que contribuiu para a reflexão coletiva e o resultado do processo de luta.

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A CASSI, A LUTA POR DIREITOS E A ÉTICA

Quando cheguei eleito pelos trabalhadores da ativa e pelos aposentad@s à diretoria de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil levei algumas semanas para compreender qual seria o meu papel por 4 anos à frente daquela autogestão em saúde. O planejamento estratégico da diretoria, que fizemos em agosto de 2014, foi o meu suporte para enfrentar os desafios que teria pelo caminho.

Eu ocupava uma posição de liderança na comunidade BB em nível nacional. Saí da coordenação da comissão sindical que negociava com o banco, governo e sindicatos para ser gestor da área de saúde de nossa operadora Cassi. De sindicalista generalista em direitos da comunidade BB e do mundo do trabalho, precisei estudar ininterruptamente as questões técnicas do mundo da gestão em saúde. E fiz isso por 4 anos, com jornadas de trabalho duplas e triplas em relação à da categoria bancária. Quase não dormi durante o mandato (*vagabundo?).

Eu tinha objetivos políticos a cumprir definidos pelos sindicatos que me apoiavam e tinha objetivos técnicos e políticos a cumprir pelo planejamento estratégico de nossa diretoria de saúde. 

Pelo lado dos trabalhadores defender a manutenção dos direitos em saúde, não permitindo a quebra da solidariedade no custeio do plano - o que significava evitar o desejo do patrão de impor tabelas de mensalidades maiores por idade e cobrar por dependentes -; não permitir a redução da participação dos associados na gestão da operadora e lutar para que o patrocinador assumisse a sua parte na responsabilidade de injetar novos recursos para reequilibrar as contas da operadora de saúde, que por décadas enfrenta déficits recorrentes a cada período de tempo.

Pelo lado da gestão da diretoria de saúde, eu tinha uma missão desafiadora: apresentar a Cassi e seu modelo de saúde aos atores envolvidos (stakeholders), pois a autogestão era uma desconhecida de seus participantes em nível nacional: assistidos e suas representações, o banco e seus gestores no país, e até os funcionários da Cassi teriam que atuar numa sintonia melhor para proteger e fortalecer a Caixa de Assistência na sua dura missão de usar os recursos para comprar no mercado privado soluções em saúde, sendo o mercado o consumidor de todo o recurso dos associados da operadora. Interesses antagônicos entre Cassi e rede privada de saúde. A Cassi focada em saúde e a rede privada focada em doenças e o lucro que elas geram aos capitalistas. E ainda tinha a judicialização crescente, por incompreensão e por estímulo externo à Cassi.

Além dessa missão de aproximar stakeholders e colocá-los nos mesmos objetivos da Caixa de Assistência, como diretor do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF), forma de Atenção Primária (APS) definida como a ideal na autogestão desde 2001, através de uma estrutura própria de atendimento primário - CliniCassi - e dali para um uso mais adequado da rede credenciada, como diretor responsável eu teria que desenvolver estudos que de alguma forma comprovassem a eficiência do modelo para a direção do banco e do movimento de representação dos associados. Por mais que tenha sido difícil por dificuldades técnicas, nós cumprimos essa missão, com o apoio do corpo funcional da Cassi, e comprovamos a eficiência do modelo.

OBJETIVOS DO PLANEJAMENTO FORAM ALCANÇADOS - Enquanto fui gestor eleito (2014-2018) a solidariedade foi preservada no custeio estatutário, nenhum direito foi retirado dos associados; a Cassi teve uma gestão participativa com 54 conferências de saúde presenciais (estive em 53 delas); estive em dezenas de participações da direção em fóruns democráticos de saúde; a partir de minha busca ao movimento sindical em dezembro de 2014, construímos uma mesa nacional permanente de negociações com o patrocinador para buscar soluções sobre o custeio da Cassi; desenvolvemos estudos técnicos que comprovaram a eficiência da ESF em participantes vinculados ao modelo (cerca de 50 mil assistidos, a maioria com mais comorbidades e que, mesmo assim, usavam melhor a rede credenciada e os recursos da operadora); criamos formas de comunicação importantes como um boletim mensal e mais de 600 matérias em blog que aproximaram stakeholders da direção da Cassi.

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E A ÉTICA? NA POLÍTICA, VALE TUDO?

*Vagabundo? Essa parte das reflexões resume um pouco do subtítulo que trata dos temas Cassi, da luta por direitos e da questão da ética. Mesmo sem discorrer a respeito, é possível que as leitoras e leitores imaginem os percalços que precisei superar para realizar esses objetivos do mandato na autogestão dos trabalhadores do BB.

A cada mês de trabalho, tivemos que superar dúvidas e desconfianças normais do mundo da gestão em saúde e da política, questionamentos por parte dos stakeholders, e também acusações levianas, mentirosas (fake news) que foram usadas como estratégia para impedir o nosso trabalho na defesa daqueles objetivos que enumerei acima.

Poucos meses depois de iniciado o nosso trabalho, duas ex-diretoras da Cassi, de um grupo político à direita no movimento da comunidade BB, publicaram a 1ª agressão a mim insinuando que eu não trabalhava... 

Enquanto eu estudava centenas de textos mensais sobre a Cassi que deliberávamos semanalmente, enquanto eu fazia a gestão das unidades Cassi de minha responsabilidade nos Estados, enquanto eu visitava a direção do banco para construir uma agenda de saúde para os funcionários e enquanto eu diminuía as tensões entre usuários e suas representações e a Cassi, por esta ter dificuldades de rede credenciada e outras realidades de operadoras de saúde - inclusive palestrando em conferências de saúde -, aquelas senhoras de um importante grupo político de direita faziam campanhas nas redes sociais da comunidade dizendo que eu não trabalhava... E minha agenda foi pública do 1º ao último dia de gestão na diretoria de saúde.

Depois, ao final do mandato, inventaram um processo administrativo contra mim baseado em "carta anônima" sem pé nem cabeça, me acusando das mesmas fake news que circulavam nas redes daquele segmento à direita, de que eu não trabalhava blá blá blá. Foram meses de assédio e humilhações em silêncio (dezembro de 2017 a maio de 2018). Nossa defesa desconstruiu todas aquelas mentiras. O processo de lawfare foi usado contra nós nas eleições daquele momento. Os objetivos dos adversários foram alcançados em parte. O efeito político deu certo. O efeito jurídico e civil não deu, pois o processo foi arquivado por não ter prova alguma daquelas mentiras.  

Pois é, uma daquelas senhoras que inventou mentiras a meu respeito acaba de ser eleita gestora da Cassi de novo, com o apoio do meu sindicato de base. A política tem dessas coisas. O meu sindicato nunca mais me chamou para conversar sobre a Caixa de Assistência, autogestão que conheço um pouco mais que a média das pessoas. Não fui chamado sequer como um associado do Sindicato, em tempos nos quais a sindicalização está cada dia menor no mundo sindical. Sobre a Cassi eu não poderia desejar algo diferente que sucesso na gestão porque isso é bom para todos nós da comunidade Banco do Brasil.

Como fui politizado pelo sindicato ao longo de décadas, desde 1988 como trabalhador sindicalizado do Unibanco e por quase trinta anos de trabalhador sindicalizado do Banco do Brasil, tenho a consciência tranquila do papel que desempenhei na defesa dos direitos conquistados pela nossa comunidade e por nossa categoria profissional por cerca de 1/3 da existência do sindicato, que completou cem anos recentemente. 

Como disse na reflexão de abertura, foi no movimento sindical que adquiri ensinamentos éticos mais universais que suplantaram alguns valores morais que tinha de forma equivocada como adulto até uns 30 anos de idade. Sou grato por essa oportunidade que a vida me deu.

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A QUESTÃO DO PERTENCIMENTO A ALGUMA COISA SEGUE MARTELANDO NA MINHA CABEÇA

Experimento sentimentos que não me lembrava mais, a falta de pertencimento a grupos ou comunidades criadas pelos humanos. 

Não que eu não sinta afinidades a determinados grupos ou que não esteja inclusive ligado a eles formalmente. Sou filiado ao PT, sindicalizado e associado a diversas entidades da comunidade BB. 

Voto no PT desde que tirei meu título de eleitor em 1987. Mas a filiação ao partido foi só em 2002 para fortalecer o governo Lula recém-eleito. Meu pertencimento ao movimento sempre foi sindical, bem mais que partidário. 

Com o passar dos anos de representação sindical e com os estudos fui me politizando e me entendendo como alguém de esquerda, como uma pessoa que pensa a sociedade livre do capitalismo e da exploração dos humanos por outros humanos. Essa é minha condição, sou uma pessoa de esquerda. 

Desde que meus conhecimentos praticamente adquiridos em uma vida de representação política passaram a ser desconsiderados pelo meu sindicato de base, berço de minha formação política, me peguei meio perdido e sem rumo por ter saído do movimento da forma mais triste que alguém poderia imaginar, sofrendo um processo injusto de lawfare e assédio moral, sem poder escrever e compartilhar com a base social que me conhecia o que estava acontecendo e antecipando minha saída do banco público para o qual dediquei o melhor de minha vida adulta de forma pouco festiva como costuma acontecer com alguém após uma vida dedicada à empresa.

Preciso virar essa página de minha vida para poder seguir mais um tempinho. Não consegui ainda. Percebo isso. Mas tenho que me libertar desse sentimento ruim, amargo, que me impede de respirar bem sem achar que o mundo é injusto, que o mundo é uma merda, que a política é uma merda, porque minha razão e minha formação ética me fazem crer que a política ainda é a salvação da humanidade, junto com a educação.

Normalmente faço meus textos em duas ou três horas. Esse começou na madrugada e só foi terminar no fim do dia. Não é fácil escolher as palavras para ser o mais cuidadoso possível em não ofender ninguém, mesmo citando detratores que me prejudicaram e se deram bem com isso. Política tem disso, como sabemos.

Chega por hoje. Registro feito. Fecho com as palavras que abriram o texto. Direitos não são dados da natureza. São criações humanas. E devem ser defendidos. História e educação são fundamentais para as novas gerações, inclusive de sindicalistas e militantes de esquerda.

Se fosse fácil, eu já teria me desvinculado dessas décadas de minha história de vida com o sindicato. Não é fácil. 

Tem um episódio marcante da série "Arquivo X" que nunca esqueci. O agente John Dogget foi sequestrado e apagaram a memória dele. Ao final da trama, ele vai tirar satisfação com o bruxo que fez isso. O cara disse que estava fazendo um favor a ele, pois assim ele deixava de sentir a dor que sentia pela morte violenta do filho dele. Dogget olha bem nos olhos do bruxo e diz que ele não tinha o direito de fazer isso, porque aquela lembrança era triste e o fazia sofrer, mas a lembrança era dele! Era a vida dele!

Talvez seja por isso que eu não consigo me desligar da minha vida sindical. Minha história no movimento sindical bancário brasileiro é um direito meu, é a minha vida também.

William


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Livro: La historia me absolverá - Fidel Castro



Refeição Cultural - Cuba (XXVII)

Osasco, 05 de julho de 2023. Quarta-feira.


"Para mis compañeros muertos no clamo venganza. Como sus vidas no tenían precio, no podrían pagarlas con las suyas todos los criminales juntos. No es con sangre como pueden pagarse las vidas de los jóvenes que mueren por el bien de un pueblo; la felicidad de ese pueblo es el único precio digno que pueda pagarse por ellas." (Fidel Castro)


A primeira leitura deste semestre foi La historia me absolverá (1953), de Fidel Castro Ruz, líder da Revolução Cubana e um dos grandes intelectuais do século 20. 

Que documento histórico! E que argumentações extraordinárias do jovem líder revolucionário Fidel Castro Ruz durante o julgamento de cartas marcadas que ele e seus companheiros enfrentaram em 1953 após a tentativa de tomada do Quartel de Moncada, em 26 de julho daquele ano, em Santiago de Cuba! 

Mesmo sob as piores condições possíveis, Castro construiu uma defesa impecável dos atos que o Movimento 26 de julho empreendeu pela liberdade de Cuba e do povo cubano do jugo do ditador Fulgencio Batista e seus asseclas. Batista havia dado um golpe de Estado em 10 de março de 1952 e a violência contra o povo e o assalto aos cofres públicos eram fatos insuportáveis naquele momento em Cuba.

Em primeiro lugar, agradeço ao companheiro revolucionário senhor Luis Caballero pelo presente tão especial: uma caixa com três textos fundamentais para o povo cubano: La historia me absolverá, de Fidel Castro Ruz, Manifiesto Comunista, de Marx e Engels e Nuestra América, de José Martí.


OS ARGUMENTOS DE FIDEL CASTRO

Fidel nos legou um documento histórico ao pronunciar suas alegações e argumentos durante o julgamento em um tribunal de justiça completamente submetido ao poder do ditador Batista.

As sessões começaram em 21 de setembro de 1953 e terminaram com a condenação de Fidel Castro a mais de 26 anos de prisão. Tudo no julgamento foi irregular, tudo. Não se cumpriram os direitos mínimos garantidos por leis nacionais e internacionais em relação aos acusados.

Fidel organizou sua argumentação contextualizando cada parte do que declarou aos juízes. 

Trouxe o histórico do movimento pela libertação de Cuba, citando lutas anteriores e heróis nacionais como Céspedes, Agramonte, Maceo, Gómez, José Martí. O movimento de jovens revolucionários 26 de Julio foi mais um na luta pela libertação de Cuba do jugo imperialista.

Depois apontou a ilegitimidade do governo golpista de Fulgencio Batista, e cobrou da justiça por que não se aplicou a lei e a constituição a ele e sua turma golpista em 1952.

Fidel descreveu a situação de calamidade na qual se encontrava o povo cubano e a contradição das mordomias do pequeno grupo ao redor de Batista e seus apaniguados. Demonstrou como o país estava em função do império norte-americano.

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"El problema de la tierra, el problema de la industrialización, el problema de la vivienda, el problema del desempleo, el problema de la educación y el problema de la salud del pueblo; he ahí concretados los seis puntos a cuya solución se hubieran encaminado resueltamente nuestros esfuerzos, junto con la conquista de las libertades públicas y la democracia política."

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Depois apresentou os princípios que norteavam o movimento de libertação nacional. Descreveu as 5 leis revolucionárias, que resumo assim: a 1ª devolvia a soberania ao povo, a 2ª fazia reforma agrária e concedia a propriedade ao povo, a 3ª dava aos trabalhadores participação nos resultados das empresas que atuavam em Cuba, a 4ª dava aos colonos 50% dos resultados adquiridos com o plantio de cana de açúcar e a 5ª confiscava imóveis e bens com escrituras e documentações de heranças suspeitas.

Denunciou a barbárie dos assassinatos dos jovens combatentes após torturas e a sangue frio, mesmo quando estes já se encontravam sob a jurisdição do Estado. Com números, demonstrou que a ditadura de Batista assassinou dezenas de prisioneiros indefesos.

E ao final, não pediu sua absolvição, pediu sua condenação, já que haviam condenado seus companheiros de forma ilegal e ilegítima. Queria estar junto deles.

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"En cuanto a mí, sé que la cárcel será dura como no la ha sido nunca para nadie, preñada de amenazas, de ruin y cobarde ensañamiento, pero no la temo, como no temo la furia del tirano miserable que arrancó la vida a setenta hermanos míos. Condenadme, no importa, la historia me absolverá."

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A leitura das mais de 170 páginas de minha edição é uma leitura muito reflexiva, de grande lição e de uma atualidade absoluta perante o momento no qual nos encontramos no mundo.

Me lembrei do depoimento de Aleida March, revolucionária e companheira de Ernesto Che Guevara, ao relembrar que quando leu a alegação de Fidel Castro após 1953, ela com uns 16 anos de idade, percebeu que ali estava a síntese do que ela queria para a sua vida e a vida de seus familiares e do povo cubano. (ler aqui comentários sobre o livro de Aleida March)

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EXCERTOS

Segue abaixo algumas citações do livro. Algumas. Lembro aqui que nada substitui a leitura do texto original. A experiência é muito enriquecedora.

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A FORÇA UNITÁRIA DAS IDEIAS E DOS IDEAIS

"Es que, cuando los hombres llevan en la mente un mismo ideal, nada puede incomunicarlos, ni las paredes de una cárcel, ni la tierra de los cementerios, porque un mismo recuerdo, una misma alma, una misma idea, una misma conciencia y dignidad los alienta a todos."

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IDEIAS E IDEAIS VENCEM EXÉRCITOS

"(...) añadí a mi escrito aquel pensamiento del Maestro: 'Un principio justo desde el fondo de una cueva puede más que un ejército'."

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ARMA NENHUMA VENCE UM POVO DECIDIDO A LUTAR POR DIREITOS

"Se ha querido establecer el mito de las armas modernas como supuesto de toda imposibilidad de lucha abierta y frontal del pueblo contra la tiranía. Los desfiles militares y las exhibiciones aparatosas de equipos bélicos, tienen por objeto fomentar este mito y crear en la ciudadanía un complejo de absoluta impotencia. Ningún arma, ninguna fuerza es capaz de vencer a un pueblo que se decide a luchar por sus derechos."

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JUSTIÇA INJUSTA COM OS POBRES E HUMILDES DA TERRA

"Cuando vosotros juzgáis a un acusado por robo, señores magistrados, no le preguntáis cuánto tiempo lleva sin trabajo, cuántos hijos tiene, qué días de la semana comió y qué días no comió, no os preocupáis en absoluto por las condiciones sociales del medio donde vive: lo enviáis a la cárcel sin más contemplaciones."

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A ERUDIÇÃO DE FIDEL A CITAR DANTE SOBRE FULGENCIO BATISTA

"Dante dividió su infierno en nueve círculos: puso en el séptimo a los criminales, puso en el octavo a los ladrones y puso en el noveno a los traidores. ¡Duro dilema el que tendrían los demonios para buscar un sitio adecuado al alma de este hombre... si este hombre tuviera alma! Quién alentó los hechos atroces de Santiago de Cuba, no tiene entrañas siquiera."

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SOBRE O EXÉRCITO DA PÁTRIA SOB O COMANDO DO DITADOR BATISTA

"(...) solo siento que hombres valerosos caigan defendiendo una mala causa. Cuando Cuba sea libre, debe respetar, amparar y ayudar también a las mujeres y los hijos de los valientes que cayeron frente a nosotros. Ellos son inocentes de las desgracias de Cuba, ellos son otras tantas víctimas de esta nefasta situación."

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JUÍZES QUE CONSPURCAM A LEI SERÃO ELES JULGADOS NO FUTURO

"Pensad que ahora estáis juzgando a un acusado, pero vosotros, a su vez, seréis juzgados no una vez, sino muchas, cuantas veces el presente sea sometido a la crítica demoledora del futuro..."

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O DIREITO À INSURREIÇÃO FRENTE A TIRANIAS

"El derecho de insurrección frente a la tiranía es uno de esos principios que, esté o no esté incluido dentro de la Constitución Jurídica, tiene siempre plena vigencia en una sociedad democrática."

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COMENTÁRIO FINAL

A leitura desta obra histórica foi uma aula de cidadania e um exemplo a ser seguido por todas as pessoas que não compartilham das injustiças do mundo.

Ao conhecer Cuba este ano foi possível perceber em poucos dias a matriz histórica que embasa a formação cultural do povo cubano, a essência daquilo que se denomina cubanidad e cubanía

A cada leitura e a cada descoberta sobre a história do povo cubano, mais vontade nos dá de estudar e conhecer Cuba.

Sigamos lendo e estudando todos os dias de nossa vida como, aliás, nos ensinaram José Martí, Ernesto Che Guevara e Fidel Castro.

William


Bibliografia:

CASTRO RUZ, Fidel. La historia me absolverá. Editorial de Ciencias Sociales. 13ª edición. La Habana, 2021.


quinta-feira, 22 de junho de 2023

Leitura - Lawfare: uma introdução



Refeição Cultural

Osasco, 22 de junho de 2023. Quinta-feira. 


"Lawfare é o uso estratégico do direito para fins de deslegitimar, prejudicar ou aniquilar um inimigo"


LAWFARE?

Após conversar nos últimos anos com pessoas do meio jurídico, econômico e político e perceber que ao usar a expressão "lawfare" elas não sabiam o que isso queria dizer, algumas sequer tinham ouvido falar sobre isso, achei interessante adquirir algum material que falasse a respeito do tema. Vai que eu estivesse falando alguma bobagem...

O livro Lawfare: uma introdução (2019), de Cristiano Zanin, Valeska Zanin Martins & Rafael Valim traz de forma concisa noções gerais sobre a questão. O conceito é muito novo, ainda mais no Brasil. Cristiano e Valeska usaram o termo "lawfare" pela primeira vez em 10 de outubro de 2016 para explicar o caso Lula.

Uma das motivações para o estudo e desenvolvimento do tema no Brasil por parte dos autores foi efetivamente o processo de perseguição sofrido pelo presidente Lula por parte de agentes do Estado brasileiro, processo político que o levou a uma condenação e prisão por supostos crimes sem materialidade alguma. Felizmente, foram descobertas as farsas por trás das condenações e Lula recuperou seus direitos, apesar de ter ficado 580 dias preso injustamente.

No entanto, neste momento, dezenas ou talvez centenas de casos seguem acontecendo no Brasil e mundo afora. Isso não pode continuar assim, o Direito não pode ser usado de forma tão vil para destruir pessoas, instituições e países.

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LAWFARE EXPLICADO DE FORMA ACESSÍVEL 

"(...) para manifestar a minha preocupação relativamente a uma nova forma de intervenção exógena nas arenas políticas dos países através da utilização abusiva de procedimentos legais e tipificações judiciais. O lawfare, além de colocar em sério risco a democracia dos países, é geralmente usado para minar processos políticos emergentes e tende a violar sistematicamente os direitos sociais. A fim de garantir a qualidade institucional dos Estados, é essencial detectar e neutralizar esse tipo de práticas que resultam de uma atividade judicial imprópria combinada com operações multimidiáticas paralelas." (autores citando fala do Papa Francisco, p. 21/22)


O livro é de leitura possível para pessoas que não sejam do meio jurídico ou acadêmico, usa linguagem cotidiana e exemplos que esclarecem os conceitos jurídicos apresentados.

Não diria que este livro seja um livro para um ou outro segmento de pessoas conforme suas visões ideológicas de mundo. A agressão ao Direito e aos direitos por causa do uso indevido das leis para fins políticos, geopolíticos, comerciais e outros fins (lawfare) é ruim para todos porque afasta a crença das pessoas na importância do sistema jurídico e de justiça dos países.

No final do livro, os autores citam 3 casos de lawfare: um comercial, envolvendo a Siemens; outro vitimando um senador republicano do Alasca (EUA); e o caso brasileiro contra o presidente Lula, através da operação Lava Jato.

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SURPRESAS E APRENDIZADOS JÁ NO INÍCIO DA LEITURA

No início do livro já fiquei bastante impressionado com o histórico do conceito de lawfare apresentado aos leitores. Ao longo do tempo, o termo foi mudando de sentido de um extremo ao outro. 

Antes, nos EUA diziam que o lawfare era ferramenta usada pelo pessoal dos direitos humanos para obstruir suas ações geopolíticas imperialistas:

"é uma arma dos fracos que usam processos judiciais internacionais e o terrorismo para minar a América." (citando texto do Pentágono na p. 18)

Depois, os EUA passaram a fazer lawfare como arma de guerra, eu diria até guerra neocolonial:

"Assim, lawfare se converte em uma 'estratégia de usar - ou abusar - da lei como um substituto aos meios militares tradicionais para alcançar um objetivo operacional." (citando Dunlap Jr. na p. 19)

COMENTÁRIO - Em linhas gerais, usando as minhas palavras e de forma coloquial, o termo tem um histórico mais ou menos assim: 

1. Os poderosos criaram o termo para criticar a estratégia de grupos vulneráveis e frágeis para barrar ou postergar na justiça local ou internacional imposições de vontades dos poderosos sobre os vulneráveis.

2. Após essa fase, os poderosos viram no lawfare uma forma de impor seus desejos imperiais sobre os mais frágeis ou vulneráveis através do direito e da lei como arma de guerra, forma mais barata que as guerras convencionais.

Nas observações e comentários que fiz nas páginas do livro usei algumas vezes a palavra "neocolonialismo" para sintetizar o uso do lawfare por parte do império norte-americano e seus governos e empresas.

Rabisquei o livro inteiro, não daria pra citar muita coisa numa postagem. 

MEU CASO - Durante a leitura do livro, tive, inclusive, a certeza de que o que enfrentei em meu último mandato eletivo em nome dos trabalhadores foi um processo de lawfare.

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ENQUADRAMENTO TEÓRICO: A PERSPECTIVA ESTRATÉGICA

"Com efeito, o vocábulo 'estratégia' deriva etimologicamente da palavra grega estrategos, cujo significado é general, comandante, condutor de tropas..."

"(...) o seu original e autêntico objeto é a guerra, a qual, por sua vez, no entendimento clássico de Clausewitz, traduz-se em 'um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade'."

"Como diz Clausewitz, o objetivo imediato da guerra é 'abater o adversário a fim de torna-lo incapaz de toda e qualquer resistência'."

Citações das páginas 23 e 24.

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ESTRATÉGIA E TÁTICA

"a estratégia é a arte de conceber; a tática é a ciência da execução." (citando Raul François na p. 24)


Outra coisa que já me surpreendeu no início da leitura foi o velho e bom conceito de estratégia e tática, palavras tão utilizadas no movimento social e nos embates políticos e sindicais.

Por mais que eu tenha lidado com objetivos, estratégias e táticas ao longo de décadas de organização e luta política em nome da classe trabalhadora, foi interessante ver a forma como os autores abordam o conceito para seguir na explicação do lawfare.

Os autores afirmam:

"Já podemos concluir, pois, que a política ou a economia subordinam a estratégia e esta, por sua vez, subordina a tática (se referindo a um conceito de Luigi Bonanate em nota). Tal articulação é central na compreensão do lawfare." (p. 25)

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UTILIDADE DE DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

"Como é de geral conhecimento, as definições e as classificações não são verdadeiras ou falsas, senão que úteis ou inúteis. O critério, portanto, que as preside é o da utilidade, é dizer, sua fecundidade para apresentar um campo de conhecimento de maneira compreensível ou rica de consequências práticas." (Carrió, citado na p. 25)


Sempre disse para dirigentes e trabalhadores em geral que as pessoas deveriam ter pelo menos noções das coisas. O mundo seria um lugar bem melhor se as pessoas não fossem tão sem noção e tivessem uma noção mínima das coisas. 

Sendo assim, agora tenho uma noção sobre a questão do lawfare. Isso é bom, todo dia é um bom dia para aprender algo novo.

Amig@s leitores, como já disse na postagem, o livro sobre lawfare é conciso e direto na apresentação do tema: histórico, conceito, dimensões que o lawfare vem tomando no mundo e as graves consequências oriundas dele em prejuízo de pessoas, instituições e países.

Eu recomendo a leitura para todas as pessoas que lidam com política, com direito e com movimentos sociais em geral para que elas tenham ao menos noção do que seja lawfare.

No momento em que lia o livro - li em 3 dias - um de seus autores - Cristiano Zanin - era sabatinado pelo Senado Federal e ao final da sabatina foi aprovada a sua indicação como ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Desejo que Zanin faça um bom trabalho na Corte Suprema do país.

Tenho diversificado minhas leituras, estou lendo de tudo. Este foi o 17º livro que li neste ano. Sigo buscando ter noções sobre as coisas do mundo. 

Estudar e buscar novos conhecimentos é fundamental, ler é uma necessidade. Sigamos lendo e estudando e nos esforçando para melhorarmos como seres humanos, homo sapiens.

William


Bibliografia:

ZANIN MARTINS, Cristiano; ZANIN MARTINS, Valeska Teixeira; VALIM, Rafael. Lawfare: uma introdução. São Paulo: Editora Contracorrente, 2019.


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

10º CONCUT - Missão cumprida!




Terminamos hoje à tarde o 10º CONCUT com a eleição de uma chapa unitária. O companheiro Artur Henrique comandará a nossa Central por mais um mandato.

A CUT está de parabéns, pois conseguiu ao longo do mandato 2006/09 trazer avanços para o conjunto da classe trabalhadora brasileira e para as centenas de sindicatos filiados.

Nossos desafios são grandes, mas grande também é a nossa vontade de lutar e avançar rumo a uma sociedade socialista, pluralista e com democracia e maior distribuição das riquezas da nação.

SOMOS FORTES, SOMOS CUT.

William Mendes

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Artigo: Horas de greve - Anistia ou distribuição para todos


Uma proposta classista, justa e baseada no direito coletivo e da igualdade

Após o fechamento da campanha nacional dos bancários, uma das mais vitoriosas dos últimos anos e cuja data-base é setembro, nós, os representantes eleitos pelos trabalhadores, já nos colocamos a estudar formas de organização das lutas para o período que se inicia logo após as conquistas da Convenção Coletiva e aditivos terem sido renovadas.

Uma das questões sempre presentes em nosso estudo e formulação diz respeito a pensar em novas formas de envolvimento dos trabalhadores no movimento, na organização e participação nas greves da categoria e em suas consequências e resultados - positivos e negativos.

O tempo tem mostrado que a greve, o movimento paredista dos trabalhadores, ainda é a melhor forma de arrancar propostas do patronato quando não há ou quando esgotam-se as negociações entre patrões e empregados.

A greve é o principal instrumento de luta dos trabalhadores. Porém, é preciso saber usá-lo e saber o melhor momento tanto para iniciar a greve quanto para sair dela da forma mais satisfatória possível para o conjunto dos trabalhadores.

A grande maioria dos bancários tem mostrado essa sabedoria nos últimos anos, principalmente de 2005 para cá, quando fizemos boas greves e boas negociações entre o Comando Nacional e os banqueiros.

Embora os embates tenham sido muito duros nos últimos anos, os bancários têm conseguido bons resultados nas campanhas unificadas como aumento real em todos os acordos de 2004 para cá, pois tivemos reajuste acima da inflação de 11,52% nos pisos e 5,48% nos demais salários (INPC); melhorias na distribuição da PLR - Participação nos Lucros e Resultados; conquista de novos direitos como a 13ª cesta alimentação; e direitos específicos por bancos como, por exemplo, PCS e isonomia na Caixa Federal, isonomia e reestruturação da Cassi no Banco do Brasil, auxílio educação na maioria dos bancos privados, PCR e PAC no Itaú etc.

É chegada a hora de acabarmos de vez com a inversão de valores que ocorre em nossas campanhas salariais quando, após a luta de alguns - os que fazem a greve - estende-se as conquistas para o conjunto dos trabalhadores que estão sob a regência da Convenção assinada com os novos direitos e ganhos, mas não se estende para todos a compensação das horas de greve que garantiram os direitos. E estende os benefícios mesmo para aqueles que não participaram da luta vitoriosa e que, muitas vezes, fizeram o contrário, assediando os grevistas e tentando destruir o movimento paredista que culminou com a conquista coletiva.

Proponho que usemos para as horas de greve geradas na luta os mesmos princípios do direito que garantem a igualdade, que estabelecem as normas do direito coletivo e a própria legislação trabalhista já em vigor, como a CLT, que garante extensão de direitos a todos sob a tutela de acordos e convenções coletivas.

O princípio que rege o direito coletivo das convenções e acordos estende a todos os trabalhadores os direitos (bônus) conquistados ao final de uma campanha e negociação entre patrão e empregados para renovação de direitos coletivos.

Tomemos, como exemplo, os bancários na renovação de sua convenção 2008/09, que conquistaram aumento na PLR tanto na porcentagem do salário individual distribuído (passou de 80 para 90% do salário), quanto no aumento do teto estabelecido (que passou de 2 para 2,2 salários), o que elevou ganhos tanto na base da pirâmide funcional quanto na parte superior da mesma.

O reajuste salarial acima da inflação também aumentou os vencimentos de todos os trabalhadores pertencentes à folha de pessoal.

É elementar usar o mesmo princípio coletivo que regeu a distribuição dos bônus (auferidos e distribuídos para todos sob a CCT e aditivos) para a distribuição do ônus da luta pela renovação da convenção, ou seja, distribuição equânime das horas de greve a serem compensadas em cada banco para todos os beneficiários das conquistas.

Nesse sentido, é baseado no princípio da igualdade e também do princípio do direito coletivo que defendo que o estoque total das horas de greve geradas na renovação da convenção dos bancários sejam ou abonadas (anistiadas) para todos ou distribuídas igualitariamente para todos, haja vista o princípio da igualdade que estendeu para todos as conquistas auferidas. Afinal, a greve não é de determinado segmento de trabalhadores ou locais da empresa. É de toda a coletividade da categoria.

A proposta para 2009

A solução legal e moral para as próximas campanhas de renovação de acordos e convenções coletivas (data-base) e também para as campanhas específicas e/ou sazonais por tema ou empresa (no caso dos bancários, os bancos) é a seguinte:

1-os bancos devem abonar (anistiar) as horas de greve totais geradas na luta dos direitos coletivos. Em 2008, tivemos bancos que tomaram esta postura, como o HSBC.

2-os bancos que insistirem na compensação das horas de greve geradas na obtenção dos direitos coletivos pegarão o montante de horas a compensar geradas e dividirão pelo número total de funcionários existente em seu quadro de pessoal na data-base (a mesma base da distribuição da PLR, por exemplo), gerando para cada um (grevista ou não) o mesmo número de horas a serem compensadas, de forma que cada trabalhador beneficiário das conquistas também partilhe de (X) horas de seu salário em nome da conquista coletiva.

Por exemplo: o banco A tem 80 mil empregados e teve 120 mil horas de greve. Dessa forma, cada empregado pagará 1,5 horas de seu salário.

Proponho que esse novo paradigma seja apreciado pelos trabalhadores a partir de agora em suas assembleias, congressos e conferências, bem como proponho discussão e deliberação nas respectivas diretorias eleitas nos sindicatos, federações, confederações e centrais.

William Mendes

Publicado originalmente no Portal da Contraf-CUT.

sábado, 7 de março de 2009

Programa do Concurso de Diplomata


Barão do Rio Branco.

Comentário do blog:

Duas ou três vezes na vida, me interessei por essa área de concursos públicos. Cheguei a prestar o concurso na época que estudava para alguns tipos de carreiras. As matérias abaixo são referências de estudos para a carreira de diplomata brasileiro. Se não estiver enganado, é para um concurso do ano de 2009. Enfim, é só para que se saiba um pouco da exigência mínima de conhecimentos para essa função pública.

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PORTUGUÊS (Primeira e Segunda Fases): 1 Língua Portuguesa: modalidade culta usada contemporaneamente no Brasil. 1.1 Sistema gráfico: ortografia, acentuação e pontuação; legibilidade. 1.2 Morfossintaxe. 1.3 Semântica. 1.4 Vocabulário. 2 Leitura e produção de textos. 2.1 Compreensão, interpretação e análise crítica de textos em língua portuguesa. 2.2 Conhecimentos de Linguística, Literatura e Estilística: funções da linguagem; níveis de linguagem; variação linguística; gêneros e estilos textuais; textos literários e não-literários; denotação e conotação; figuras de linguagem; estrutura textual. 2.3 Redação de textos dissertativos dotados de fundamentação conceitual e factual, consistência argumentativa, progressão temática e referencial, coerência, objetividade, precisão, clareza, concisão, coesão textual e correção gramatical. 2.3.1 Defeitos de conteúdo: descontextualização, generalização, simplismo, obviedade, paráfrase, cópia, tautologia, contradição. 2.3.2 Vícios de linguagem e estilo: ruptura de registro linguístico, coloquialismo, barbarismo, anacronismo, rebuscamento, redundância e linguagem estereotipada.

Bibliografia obrigatória:

ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó.
FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. (Post Scriptum: concluí a leitura anos depois. Ver aqui no blog sobre Celso Furtado)
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil (Post Scriptum: ler aqui sobre a obra) e Visão do Paraíso.
NABUCO, Joaquim. Minha Formação.

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HISTÓRIA DO BRASIL (Primeira e Terceira Fases): 1. O período colonial. A Configuração Territorial da América Portuguesa. O Tratado de Madri e Alexandre de Gusmão. 2. O processo de independência. Movimentos emancipacionistas. A situação política e econômica europeia. O Brasil sede do Estado monárquico português. A influência das ideias liberais e sua recepção no Brasil. A política externa. O Constitucionalismo português e a Independência do Brasil. 3. O Primeiro Reinado (1822-1831). A Constituição de 1824. Quadro político interno. Política exterior do Primeiro Reinado. 4. A Regência (1831-1840). Centralização versus Descentralização: reformas institucionais. (o Ato Adicional de 1834) e revoltas provinciais. A Dimensão Externa. 5. O Segundo Reinado (1840-1889). O Estado centralizado; mudanças institucionais; os partidos políticos e o sistema eleitoral; a questão da unidade territorial. Política externa: as relações com a Europa e Estados Unidos; questões com a Inglaterra; a Guerra do Paraguai. A questão da escravidão. Crise do Estado Monárquico. As questões religiosa, militar e abolicionista. Sociedade e Cultura: população, estrutura social, vida acadêmica, científica e literária. Economia: a agroexportação; a expansão econômica e o trabalho assalariado; as políticas econômico-financeiras; a política alfandegária e suas consequências. 6. A Primeira República (1889-1930). A Proclamação da República e os governos militares. A Constituição de 1891. O regime oligárquico: a “política dos estados”; coronelismo; sistema eleitoral; sistema partidário; a hegemonia de São Paulo e Minas Gerais. A economia agroexportadora. A crise dos anos 1920: tenentismo e revoltas. A Revolução de 1930. A política externa: a obra de Rio Branco; o pan-americanismo; a II Conferência de Paz da Haia (1907); o Brasil e a Grande Guerra de 1914; o Brasil na Liga das Nações. Sociedade e cultura: o Modernismo. 7. A Era Vargas (1930-1945). O processo político e o quadro econômico-financeiro. A Constituição de 1934. A Constituição de 1937: o Estado Novo. O contexto internacional dos anos 1930 e 1940; o Brasil e a Segunda Guerra Mundial. Industrialização e legislação trabalhista. Sociedade e cultura. 8. A República Liberal (1945-1964). A nova ordem política: os partidos políticos e eleições; a Constituição de 1946. Industrialização e urbanização. Política externa: relações com os Estados Unidos; a Guerra Fria; a “Operação Pan-americana”; a “política externa independente”; o Brasil na ONU. Sociedade e cultura. 9. O Regime Militar (1964-1985). A Constituição de 1967 e as modificações de 1969. O processo de transição política. A economia. Política externa: relações com os Estados Unidos; o “pragmatismo responsável”; relações com a América Latina, relações com a África; o Brasil na ONU. Sociedade e cultura. 10. O processo democrático a partir de 1985. A Constituição de 1988. Partidos políticos e eleições. Transformações econômicas. Impactos da globalização. Mudanças sociais. Manifestações culturais. Evolução da política externa. Mercosul. O Brasil na ONU.

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HISTÓRIA MUNDIAL (Primeira Fase): 1. Estruturas e ideias econômicas. Da Revolução Industrial ao capitalismo organizado: séculos XVIII a XX. Características gerais e principais fases do desenvolvimento capitalista (desde aproximadamente 1780). Principais ideias econômicas: da fisiocracia ao liberalismo. Marxismo. As crises e os mecanismos anticrise: a Crise de 1929 e o “New Deal”. A prosperidade no segundo pós-guerra. O “Welfare State” e sua crise. O Pós-Fordismo e a acumulação flexível. 2. Revoluções. As revoluções burguesas. Processos de independência na América. Conceitos e características gerais das revoluções contemporâneas. Movimentos operários: luditas, cartistas e “Trade Unions”. Anarquismo. Socialismo. Revoluções no século XX: Rússia e China. Revoluções na América Latina: os casos do México e de Cuba. 3. As Relações Internacionais. Modelos e interpretações. O Concerto Europeu e sua crise (1815-1918): do Congresso de Viena à Santa Aliança e à Quádrupla Aliança, os pontos de ruptura, os sistemas de Bismarck, as Alianças e a diplomacia secreta. As rivalidades coloniais. A Questão Balcânica (incluindo antecedentes e desenvolvimento recente). Causas da Primeira Guerra Mundial. Os 14 pontos de Wilson. A Paz de Versalhes e a ordem mundial resultante (1919-1939). A Liga das Nações. A “teoria dos dois campos” e a coexistência pacífica. As causas da Segunda Guerra Mundial. As conferências de Moscou, Teerã, Ialta, Potsdam e São Francisco e a ordem mundial decorrente. Bretton Woods. O Plano Marshall. A Organização das Nações Unidas. A Guerra Fria: a noção de bipolaridade (de Truman a Nixon). Os conflitos localizados. A “détente”. A “segunda Guerra Fria” (Reagan-Bush). A crise e a desagregação do bloco soviético. 4. Colonialismo, imperialismo, políticas de dominação. O fim do colonialismo do Antigo Regime. A nova expansão europeia. Os debates acerca da natureza do Imperialismo. A partilha da África e da Ásia. O processo de dominação e a reação na Índia, China e Japão. A descolonização. A Conferência de Bandung. O Não-Alinhamento. O conceito de Terceiro Mundo. 5. A evolução política e econômica nas Américas. A expansão territorial nos EUA. A Guerra de Secessão. A constituição das identidades nacionais e dos Estados na América Latina. A doutrina Monroe e sua aplicação. A política externa dos EUA na América Latina. O Pan-Americanismo. A OEA e o Tratado do Rio de Janeiro. As experiências de integração nas Américas. 6. Ideias e regimes políticos. Grandes correntes ideológicas da política no século XIX: liberalismo e nacionalismo. A construção dos Estados nacionais: a Alemanha e a Itália. Grandes correntes ideológicas da política no século XX: democracia, fascismo, comunismo. Ditaduras e regimes fascistas. O novo nacionalismo e a questão do fundamentalismo contemporâneo. O liberalismo no século XX. 7. A vida cultural. O movimento romântico. A cultura do imperialismo. As vanguardas europeias. O modernismo. A pós-modernidade.

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Expansão colonial e GEOGRAFIA (Primeira e Terceira Fases): 1. História da Geografia: 1.1 Pensamento geográfico. 1.2 A Geografia moderna e a questão nacional na Europa. 1.3 As principais correntes metodológicas da Geografia. 2. A Geografia da População. 2.1 Distribuição espacial da população no Brasil e no mundo. 2.2 Os grandes movimentos migratórios internacionais e intranacionais. 2.3. Dinâmica populacional e indicadores da qualidade de vida das populações. 3. Geografia Econômica. 3.1 Globalização e divisão internacional do trabalho. 3.2 Formação e estrutura dos blocos econômicos internacionais. 3.3. Energia, logística e reordenamento territorial pós-fordista. 3.4. Disparidades regionais e planejamento no Brasil. 4. Geografia Agrária. 4.1 Distribuição geográfica da agricultura e pecuária mundiais. 4.2 Estruturação e funcionamento do agronegócio no Brasil e no mundo. 4.3. Estrutura fundiária, uso da terra e relações de produção no campo brasileiro. 5. Geografia Urbana. 5.1. Processo de urbanização e formação de redes de cidades. 5.2. Conurbação, metropolização e cidades-mundiais. 5.3. Dinâmica intra-urbana das metrópoles brasileiras. 5.4. O papel das cidades-médias na modernização do Brasil. 6. Geografia Política. 6.1. Teorias geopolíticas e poder mundial. 6.2. Temas clássicos da Geografia Política: as fronteiras e as formas de apropriação política do espaço. 6.3. Relações Estado e território. 6.4. Formação territorial do Brasil. 7. Geografia e gestão ambiental. 7.1. O meio ambiente nas relações internacionais: avanços conceituais e institucionais 7.2. Macrodivisão natural do espaço brasileiro: biomas, domínios e ecossistemas 7.3. Política e gestão ambiental no Brasil.

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POLÍTICA INTERNACIONAL (Primeira e Terceira Fases): 1. Relações internacionais: conceitos básicos, atores, processos, instituições e principais paradigmas teóricos. 2. A política externa brasileira: evolução desde 1945, principais vertentes e linhas de ação. 3. O Brasil e a América do Sul. Mercosul. 4. A política externa argentina. A Argentina e o Brasil. 5. A política externa norte-americana e relações com o Brasil. 6. Relações do Brasil com os demais países do hemisfério. 7. Política externa francesa e relações com o Brasil. 8. Política externa inglesa e relações com o Brasil. 9. Política externa alemã e relações com o Brasil. 10. A União Europeia e o Brasil. 11. Política externa russa e relações com o Brasil 12. A África e o Brasil. 13. A política externa da China, da Índia e do Japão; relações com o Brasil. 14. Oriente Médio: a questão palestina; Iraque; Irã. 15. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. 16. A agenda internacional e o Brasil: 16.1 Desenvolvimento; 16.2 Pobreza e ações de combate à fome; 16.3 Meio ambiente; 16.4 Direitos Humanos; 16.5 Comércio internacional e Organização Mundial do Comércio (OMC); 16.6 Sistema financeiro internacional; 16.7 Desarmamento e não-proliferação; 16.8 Terrorismo; 16.9 Narcotráfico; 16.10 A reforma das Nações Unidas.

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INGLÊS (Primeira e Terceira Fases): Primeira Fase: 1. Compreensão de textos escritos em língua inglesa. 2. Itens gramaticais relevantes para compreensão dos conteúdos semânticos. Terceira Fase: 1 Redação em língua inglesa: expressão em nível avançado; domínio da gramática; qualidade e propriedade no emprego da linguagem; organização e desenvolvimento de ideias. 2. Versão do Português para o Inglês: fidelidade ao texto-fonte; respeito à qualidade e ao registro do texto-fonte; correção morfossintática e lexical. 3. Tradução do Inglês para o Português: fidelidade ao texto-fonte; respeito à qualidade e ao registro do texto-fonte; correção morfossintática e lexical. 4. Resumo: capacidade de síntese e de reelaboração em Inglês correto.

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NOÇÕES DE ECONOMIA (Primeira e Terceira Fases): 1. Microeconomia. 1.1. Demanda do Consumidor. Preferências. Curvas de indiferença. Restrição orçamentária. Equilíbrio do consumidor. Mudanças de equilíbrio, efeito-preço, efeito-renda e efeito-substituição. Taxa marginal de substituição. Curva de demanda. Deslocamento da curva e ao longo da curva. Elasticidade-preço e elasticidade-renda. Classificação de bens. Excedente do consumidor. 1.2. Oferta do Produtor. Fatores de produção. Função de produção. Isoquantas. Elasticidade-preço da oferta. Rendimentos de fator. Rendimentos de escala. Custos de produção. Excedente do produtor. 1.3. Concorrência Perfeita, Monopólio, Concorrência Monopolística e Oligopólio. Comportamento das empresas. Determinação de preços e quantidades de equilíbrio. 2. Macroeconomia. 2.1. Contabilidade Nacional. Os conceitos de Produto e Renda Interna, Produto e Renda Nacional, Renda Disponível Bruta, Poupança Bruta Doméstica e capacidade ou necessidade de Financiamento Externo. Conceitos e cálculo do Déficit Público. A Conta de Balanço de Pagamentos: estrutura e cálculo do resultado do Balanço. Números Índices. Deflator Implícito e Índices de Preço ao Consumidor. 2.2. Evolução do pensamento macroeconômico. Keynesianismo, monetarismo e escolas posteriores. 2.3. Mercado de trabalho. Determinação do nível de emprego. 2.4. Funções da moeda. Criação e distribuição de moeda. Oferta da moeda e mecanismos de controle. Procura da moeda. Papel do Banco Central. Moeda e preços no longo prazo. 2.5. Poupança e investimento. Sistema financeiro. 2.6. Flutuações econômicas no curto prazo. Oferta e demanda agregadas. Papel das políticas monetária e fiscal. Inflação e desemprego. 3. Economia internacional. 3.1. Política comercial. Efeitos de tarifas, quotas e outros instrumentos de política governamental. 3.2. Teorias clássicas do comércio. Vantagens absolutas e comparativas. Pensamento neoclássico e liberalismo comercial. 3.3. A crítica de Prebisch e da Cepal. 3.4. Noções de macroeconomia aberta. Os fluxos internacionais de bens e capital. Regimes de câmbio. Taxa de câmbio nominal e real. 4. Economia Brasileira. 4.1. A economia brasileira no Século XIX. 4.2. Políticas econômicas e evolução da economia brasileira na Primeira República. 4.3. A crise de 1929 e a industrialização brasileira na década dos trinta. O impacto da Segunda Guerra sobre a economia brasileira e os desdobramentos subsequentes. 4.4. A Nova Fase de Industrialização. O Plano de Metas. 4.5. O Período 1962-1967. A desaceleração no crescimento. Reformas no sistema fiscal e financeiro. Políticas anti-inflacionárias. Política salarial. 4.6. A Retomada do Crescimento 1968-1973. A desaceleração e o segundo PND. 4.7. A crise dos anos oitenta. A interrupção do financiamento externo e as políticas de ajuste. Aceleração inflacionária e os planos de combate à inflação. 4.8. Os anos noventa. Abertura comercial e financeira. A indústria, a inflação e o balanço de pagamentos. 4.9. Pensamento econômico e desenvolvimentismo no Brasil.

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NOÇÕES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO (Primeira e Terceira Fases): I - Noções de direito e ordenamento jurídico brasileiro. 1. Normas jurídicas. Características básicas. Hierarquia. 2. Constituição: conceito, classificações, primado da Constituição, controle de constitucionalidade das leis e dos atos normativos. 3. Fatos e atos jurídicos: elementos, classificação e vícios do ato e do negócio jurídico. Personalidade jurídica no direito brasileiro. 4. Estado: características, elementos, soberania, formas de Estado, confederação, república e monarquia, sistemas de governo (presidencialista e parlamentarista), estado democrático de direito. 5. Organização dos poderes no direito brasileiro. 6. Processo legislativo brasileiro. 7. Princípios, direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal de 1988 (CF/88). 8. Noções de organização do Estado na CF/88: competências da União, dos Estados-membros e dos municípios; características do Distrito Federal. 9. Atividade administrativa do Estado brasileiro: princípios constitucionais da administração pública e dos servidores públicos, controle de legalidade dos atos da Administração. 10. Responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro. II – Direito internacional público. 1. Caráter jurídico do direito internacional público (DIP): fundamento de validade da norma jurídica internacional; DIP e direito interno; DIP e direito internacional privado (Lei de Introdução ao Código Civil). 2. Fontes do DIP: Estatuto da Corte Internacional de Justiça (artigo 38); atos unilaterais do Estado; decisões de organizações internacionais; normas imperativas (jus cogens). 3. Sujeitos do DIP: Estados [conceito; requisitos; território; população (nacionalidade, condição jurídica do estrangeiro, deportação, expulsão e extradição); governo e capacidade de entrar em relações com os demais Estados; surgimento e reconhecimento (de Estado e de governo); sucessão; responsabilidade internacional; jurisdição e imunidade de jurisdição; diplomatas e cônsules: privilégios e imunidades]; organizações internacionais (definição, elementos constitutivos, classificação, personalidade jurídica), Organização das Nações Unidas (ONU); Santa Sé e Estado da Cidade do Vaticano; Indivíduo. 4. Solução pacífica de controvérsias internacionais (artigo 33 da Carta da ONU): meios diplomáticos, políticos e jurisdicionais (arbitragem e tribunais internacionais). 5. Direito internacional dos direitos humanos: proteção (âmbito internacional e regional); tribunais internacionais; direito internacional humanitário; direito do refugiado. 6. Direito da integração: noções gerais; MERCOSUL e União Europeia (gênese, estrutura institucional, solução de controvérsias). 7. Direito do comércio internacional: conhecimentos elementares; Organização Mundial do Comércio (gênese, estrutura institucional, solução de controvérsias). 8. Cooperação jurídica internacional em matéria penal.

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ESPANHOL (Quarta Fase): Leitura e compreensão de textos em língua espanhola, na modalidade culta contemporânea. A avaliação das respostas, que deverão ser em língua espanhola, se pautará pelos seguintes critérios: a) correção gramatical; b) compreensão textual; c) organização e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem.

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FRANCÊS (Quarta Fase): Leitura e compreensão de textos em língua francesa, na modalidade culta contemporânea. A avaliação das respostas, que deverão ser em língua francesa, se pautará pelos seguintes critérios: a) correção gramatical; b) compreensão textual; c) organização e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem.