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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Instantes



Sexta-feira. 

9h06. Poderia decidir hoje viajar para a China, em um grupo organizado pelo professor Lejeune Mirhan. O valor investido e a programação estão muito bons. Vi um chamado dele alertando para o prazo final de adesão. Refleti. Não vou pra China.

Estou meio mequetrefe, azedo. Faz quase duas semanas que fiz cirurgia na língua e ainda não consigo comer direito, mastigar coisas sólidas, duras. Que saco! Imagino quem tem problemas mais sérios que esse meu, imagino quem sente dor de verdade, não essa dorzinha incômoda que sinto, que foda deve ser... estou azedo!

Ontem, caminhei 11 Km em ritmo acelerado. Dias atrás, foram 8 Km. Por mais que saiba que meu quadril, meu corpo, estão sofrendo os efeitos da natureza e do tempo, e da genética e do percurso hard que percorri, a natureza da identidade da gente insiste em querer correr, fazer longas caminhadas, desafiar distâncias blá-blá-blá. Insistência também é nosso nome...

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21h48

Li mais um capítulo do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, da professora de economia Aline Marcondes Miglioli, um capítulo abordando a indústria do turismo sob a ótica do capitalismo (comentários aqui). É encantador ler e sair da leitura com reflexões e novos conhecimentos! Dificilmente verei o turismo que eu e a maioria de vocês fazemos com os mesmos olhos que via antes da leitura da autora.

Comecei a leitura da nova edição da revista CartaCapital, que recebi hoje. É uma leitura triste, são notícias sobre a realidade do Brasil e do mundo. A verdade factual entristece a gente.

Aí, meia hora atrás, estava vendo uma aula de meu amigo professor de português, Sérgio Gouveia, analisando um poema de Drummond, um de meus poetas favoritos, e fiquei admirado com a facilidade com a qual ele interpretava o poema "Elegia 1938", antes de entrar na parte da aula sobre orações subordinadas adjetivas e outras questões gramaticais. Cara, que facilidade o Gouveia tem para ler e decifrar um poema do Drummond, autor cujos poemas considero exigentes, alguns de difícil compreensão.

I'm a lucky man... Refleti que a vida, de certa forma, tratou de abrir veredas e caminhos que eu não planejei. No fim, eu não fui professor de português. Orações subordinadas, metonímias, metáforas... as veredas foram minha salvação. Olhando para trás, imagino que eu não teria dado certo como professor... gramática sempre me pareceu física quântica (que deve ser mais fácil, rsrs). Porém, é certo que tentei ser um sindicalista dedicado à classe trabalhadora que representava. 

Admirável a habilidade humana de educar e transmitir conhecimentos...

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(hoje, efetivamente, estou bolado com a questão da leucoplasia oral que descobri meses atrás e as consequências até agora, duas cirurgias para retirar as lesões na língua. Passei o dia com receios em relação a essa questão...)

sábado, 10 de janeiro de 2026

1. A ascensão dos regimes fascistas



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


1. A ascensão dos regimes fascistas

* Sementes do conflito: Hitler chega ao poder

Em janeiro de 1933, o presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler chanceler. Foi o início da ascensão política e militar do futuro Führer do Terceiro Reich, cuja ambição de dominar o mundo não tinha limites.

* O Japão invade a Manchúria e a China

No início do século 20, o Japão era uma potência militar, que havia combatido ao lado dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, disposta a conseguir uma rápida expansão econômica e territorial.

* Os homens que inventaram o radar

A invenção do radar resultou da fascinante corrida tecnológica empreendida pelas grandes potências econômicas nos anos 30. Essa nova tecnologia foi essencial para a defesa aérea britânica durante a Segunda Guerra Mundial.

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COMENTÁRIO

Ao ver o documentário foi possível fazer comparações com o momento atual do mundo neste primeiro quarto de século XXI. Nos episódios do primeiro volume da coleção, vemos o nascimento da Liga das Nações e a sua incapacidade de evitar guerras através do diálogo diplomático.

A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha nos lembra um pouco os estudos que demonstram como as democracias morrem. O partido nazista conseguiu maioria eleitoral no início dos anos trinta e depois Hitler virou o Führer do 3º Reich.

Os Estados Unidos de Donald Trump caminham a passos largos para causar na sociedade humana o que o nazifascismo causou um século atrás. Hitler não foi parado por nenhuma diplomacia da época. 

A extrema-direita vem crescendo eleitoralmente no mundo e seu líder, Trump, inviabilizou organizações internacionais criadas ao final da 2ª GM para buscar entendimentos globais sem novas guerras. A ONU perdeu completamente seu papel neste momento da história. Pensemos nisso.

Sobre a coleção de DVDs 

O resumo acima, constante na caixinha do documentário, sintetiza bem o que se vê nos filmes remasterizados pela Abril Coleções em 2009.

Um vizinho do condomínio perguntou em uma rede social se alguém queria a coleção e resolvi pegá-la para assistir aos DVDs, relembrar o que sei de história e melhorar meus conhecimentos gerais.

A história pode nos ensinar sobre os erros da sociedade humana e nos fazer pensar maneiras de não repetir as tragédias do passado.

William

10/01/26

sábado, 23 de agosto de 2025

Leitura: Capítulo 1 do livro O que é questão agrária? - Frederico Daia Firmiano



Refeição Cultural

Artigo: leitura do capítulo 1 "Introdução: colocando o problema" do livro O que é questão agrária?, de Frederico Daia Firmiano. Marília: Lutas Anticapital, 2022

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 23/08/25)

Aula VI (tarde) - Agronegócio, mineração e produção destrutiva

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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- Muito interessante a mensagem da equipe de produção deste e de outros livros através da Editora Lutas Anticapital

- Enquanto os defensores da reforma agrária ainda apostam no discurso que a questão é uma dívida histórica, os apoiadores do capital vendem a ideia de que a expansão capitalista resolveu a questão agrária nacional

- Firmiano cita como exemplo do segmento de entusiastas do agronegócio, Zander Navarro, que cita diversos motivos para achar que não há mais problemas agrários no país, nem necessidade de reforma agrária porque não haveria demanda de terras, o povo do campo migrou para as cidades

- O autor reconhece que os motivos apresentados por Navarro são tendências atuais, sim, mas questiona se motivos como forte urbanização e domínio da produção de commodities não seriam justamente manifestações da questão agrária no Brasil

- Não podemos confundir "tendências" com "leis", as coisas na sociedade humana são consequências das escolhas humanas e não leis naturais (em linhas gerais, é isso que Firmiano está dizendo aos leitores)

"Mas se virmos esse processo como uma tendência – e não como uma lei – provocada por um conjunto complexo de atividades humanas, então teremos muito o que fazer. Trata-se de uma certa postura teórico-metodológica (e ao mesmo tempo política) diante da história." (p. 18)

- Achei interessante a forma como Firmiano apresenta a questão agrária, ele desmascara a forma determinista e de "fim da história" na qual Navarro se coloca. Somos homens e mulheres e fazemos história, não há evoluções "deterministas" como tentam fazer os capitalistas

"Por isso, falar em questão agrária implica em buscar, no tempo e na história, quais são as determinações de sua existência e para a sua superação." (p. 19)

- A questão agrária é determinada pela história: "é possível afirmar que não existe uma questão agrária idêntica no tempo e no espaço, ou mesmo uma questão agrária genérica, abstrata, 'em geral'. Ela possui forma e conteúdo determinados pela história." (p. 20)

- O livro vai percorrer momentos da história do Brasil para encontrar os determinantes da questão agrária em nossa "formação histórico-social", como diz o autor

- Firmiano já nos antecipa que a ditadura civil-militar (1964-1985) pesou na conformação do que hoje conhecemos como "padrão de desenvolvimento dos agronegócios no Brasil":

"a ditadura civil-militar (1964-1985), quando veremos nascer as condições para o surgimento do padrão de desenvolvimento dos agronegócios no Brasil (FIRMIANO, 2016). Sua consolidação, no pós-ditadura civil-militar, delineará a questão agrária atual no Brasil." (p. 21)

- Aviso final de Firmiano para a abordagem que será dada ao livro:

"Dito de outro modo, sem termos nitidez sobre o que é a nossa questão agrária, não é possível falar em reforma agrária, sob o risco de cairmos naquele grupo, que mencionávamos anteriormente, que advoga sua necessidade história mais por razões morais que por força da realidade objetiva e da consciência da classe trabalhadora." (p. 22)

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Leitura feita por

William Mendes

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Professor Frederico Firmiano

Post Scriptum (após a aula):

Aula: A produção destrutiva do agronegócio e da mineração

O professor Fred nos disse que para essa aula pensou em alguns dados para avaliarmos e termos noções reais da questão destrutiva do agro e da mineração... os dados são chocantes! (estamos f... se nada for feito)

Confesso que a apresentação do professor me tomou a atenção de uma forma que quase não anotei nada na hora. Isso já havia acontecido em algumas aulas anteriores. Repito o que venho afirmando: as aulas do curso são extraordinárias!

A apresentação montada por Fred foi com base numa plataforma de dados chamada MapBiomas, uma fonte de pesquisa conhecida na área.

Logo de cara, nos lembramos mais uma vez da história de nosso país, uma terra pensada e organizada de fora para dentro, como colônia de exploração, as elites do país organizam o Brasil para ser um exportador de commodities, de base monocultora, desde a origem há cinco séculos.

Exemplos das monoculturas deste momento da história brasileira: soja, carne ("proteína") e setor sucroalcooleiro. E minérios, claro!

Nossas metrópoles "parceiras" (contém ironia) só foram mudando de endereço ao longo desses séculos. Fred fez uma referência ao "player global" do momento, a China.

Alguns dados do Brasil em 2024 chamam a nossa atenção:

- Agro: 50% da exportação do BR ano passado. Desse montante do agro, 33% são soja, 15,9% são carne, 12% foram do complexo sucroalcooleiro

- China: comprou 73,4% da soja exportada e 70% do minério de ferro

- Os dados apontam que 2805 de 5570 municípios são de alguma forma "mineradores"

Ou seja, é difícil entender por que o setor de agronegócios é tão poderoso em nosso país?

- A questão da linguagem: O Vale do Jequitinhonha (MG) virou "Vale do Lítio", segundo o governador de lá...

- O monopólio corre solto nesses setores dominantes da economia do país. Muitas vezes, a exploração é feita por apenas uma empresa.

- 400 milhões de toneladas de ferro foram exportadas em 2024. Fica a pergunta: quanto foi extraído para se produzir essa tonelagem e qual o tamanho dos rejeitos que ficaram?

- Minerais críticos e terras raras: nenhum país quer "minerais críticos" para fazer carros elétricos... É para fazer mísseis e bombas!

- Pra onde vamos? (a última imagem da apresentação traz o quadro "O grito", do pintor Edvard Munch...

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No bate-papo com o professor, achei legal a reflexão sobre precisarmos definir as questões necessárias e as questões contingentes na vida nacional e em nossas vidas. 

Pensar o futuro do planeta e da sociedade humana é algo necessário e pensar as eleições 2026 no Brasil, por exemplo, é uma questão contingente, não vamos deixar nenhuma delas, são questões da ordem da estratégia

Como as demais aulas, a do professor Fred foi incrível! Muita reflexão a se fazer e atitudes a se pensar e praticar

William

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Leitura: Kraken capitalista e destinos da economia mundial - Fábio Antonio de Campos



Refeição Cultural

Artigo: Kraken capitalista e destinos da economia mundial - Fábio Antonio de Campos. Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econômico - CEDE, do Núcleo de História Econômica - NIHE do IE/UNICAMP e do Instituto de Estudos Contemporâneos Brasileiros - IBEC

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 09/08/25)

Aula IV (tarde) - Mundialização do capital e a crise estrutural do capital

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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- O autor começa explicando o que seria Kraken, monstro conhecido na cultura medieval: 

"Inspirado nos escritos gregos de 2500 anos atrás de Homero, quando em A Odisseia, o poeta mostra a criatura Cila como um animal de seis cabeças, Kraken é uma versão medieval e de origem escandinava para alertar os navegadores sobre os perigos de um monstro que vive no mar. Além de devorar a fauna marítima, seus tentáculos gigantes são capazes de esmagar barcos, colocando em risco a sobrevivência humana nos oceanos" (p. 92)

- O Kraken capitalista, o capital financeiro e seus tentáculos, "além de parasitar o excedente gerado pela exploração da força de trabalho e da natureza, fazem naufragar os horizontes do futuro da humanidade" (p. 93)

- Esse ser destruidor, o capital financeiro: "A força deste ser oligárquico que comanda as dimensões industriais, comerciais, agrominerais, computacionais e militares do capital, se revela na conjuntura da economia mundial pelas redes de poder financeiro que, ao socializarem a produção capitalista em um patamar inédito, se apropriam privadamente dos frutos desta valorização" (p. 93)

- Na lista acima de concentração do poder financeiro oligárquico, eu incluiria a dimensão das comunicações, são tudo os mesmos donos

- O autor fará uma análise da questão do Kraken capitalista sob três dimensões: conjuntura, estrutura e superestrutura

CONJUNTURA

- O comércio mundial cresce menos; cada dia menos corporações dominam todos os mercados; os CEOs das corporações exercem poderes em várias delas; com mercados em baixa, sobram oportunidades para os cassinos financeiros; só uns poucos recebem as informações privilegiadas sobre tudo no sistema

- "Em estudo recente (PHILLIPS, 2024), as 10 maiores empresas de gestão de ativos no mundo, com US$ 50 trilhões em 2022 (quase 50% do PIB do planeta), apresentam 117 indivíduos que, como diretores em posições cruzadas, atuam nos conselhos executivos combinando estratégias oligopolistas." (p. 95)

- Os tentáculos do monstro... "É possível vislumbrar tal poder na imagem recente da posse presidencial de Trump, quando os principais membros das big techs estavam ao seu lado, pagando milionárias contribuições para sua campanha. A GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) são abastecidas por participação acionária destes 10 Titãs do capital financeiro, assim como na big pharma, e em outros conglomerados." (p. 96)

- "Em síntese, o que estes dados mostram é que há na economia mundial um aumento do endividamento de corporações, famílias e governos, em que o capital excedente assume majoritariamente a forma fictícia. Decisões de gasto, investimento, crédito, gestão financeira, têm como eixo a preservação e a valorização da riqueza abstrata (monetária), o que relativiza o gasto e acumulação na dimensão produtiva do capital." (p. 96)

- Em consequência desse Kraken capitalista, cada vez menos os governos nacionais conseguem implementar políticas econômicas autônomas e independentes desses capitais piratas

- O autor, prof. Fábio Campos, faz uma boa síntese das questões colocadas em relação à emergência climática

- A China capitalista... "A China está promovendo uma reconfiguração econômica, política e social em escala global. Em suma, diferentemente das economias periféricas, e inclusive da Europa Ocidental, e economia chinesa preservou sua autonomia estratégia e institucional mesmo estando inserida na ordem global, que agora busca remodelar em seu favor. Como afirma Bürbaumer (2024), a China ao tornar-se capitalista minou a 'Globalização'." (p. 101)

- O que temos pela frente na disputa de hegemonia global? "Guerra comercial tende a tornar-se militar, quando uma dimensão do capital financeiro, a economia de guerra se apresenta como um meio de valorização em si mesmo, ao mesmo tempo que define um fim, um alvo a ser atingido, como ensinou Rosa Luxemburgo (1985)." (p. 102)

- Como estamos de ogivas nucleares no mundo, atualmente? Estamos bem!!! Podemos destruir a vida na Terra dezenas de vezes...

"Os países com os maiores arsenais nucleares no mundo são liderados pela Rússia, com aproximadamente 6.375 ogivas nucleares, seguida pelos Estados Unidos, com cerca de 5.800 ogivas. A China ocupa o terceiro lugar, com cerca de 500 ogivas, enquanto a França possui cerca de 290 ogivas nucleares. O Reino Unido possui aproximadamente 225 ogivas. O Paquistão tem cerca de 170 ogivas, enquanto a Índia segue de perto com cerca de 160. Israel, embora não tenha confirmado oficialmente, é estimado a ter cerca de 90 ogivas nucleares, e a Coreia do Norte possui uma estimativa de 50 ogivas nucleares (ICAN, 2025)." (p. 103)

- A concentração dos donos do mundo da comunicação e conexão global, que inclui as tais "nuvens" onde o mundo inteiro acha que guarda suas produções de conteúdo: 

"Temos uma oligarquia digital, em um mercado computacional e de dados, que apresenta uma concentração econômica espantosa das chamadas big techs: em 2023, a Amazon detinha 39%, a Microsoft 23%, o Google 8,2%, o Alibaba 7,9%, a Huawei 4,3%; em um total de 82,4% do mercado global de nuvem (AMADEU, 2024)" (p. 104)

- O autor conclui a dimensão Conjuntura assim: "A incompatibilidade entre a vida terrestre e o sistema mostra os limites deste modo de produção capitalista. Temos uma crise civilizacional, onde o capitalismo para criar suas formas modernas de autoexpansão deve destruir as condições básicas de existência humana. Estamos, portanto, diante de uma crise estrutural do capital." (p. 104)

ESTRUTURA

- "Como afirmou Marx (1982), no capitalismo toda crise é uma crise de superprodução de capital, e não de subconsumo – visto que este modo de produção priva a maioria das pessoas do consumo" (p. 104)

- "Segundo Marx (2013), a crise também está incrustada na própria forma mercadoria. Isso porque o sistema se organiza em torno da produção de valores de troca, e não de valores de uso voltados às necessidades da reprodução social da humanidade." (p. 105)

- Um fator positivo nas crises capitalistas é que podemos fazer disso uma revolução: "A crise não seria o fim do sistema econômico, mas, potencialmente, teria condições de engendrar luta de classes capazes de organizar a revolução para sua superação." (p. 105)

- As tecnologias das últimas décadas e o aumento exponencial da produtividade transformaram as crises cíclicas em crise permanente do capital:

"A tecnologia da máquina programável com a microeletrônica, internet e IA impôs um aumento de produtividade, em termos relativos jamais vista, que retirou o elemento cíclico das crises que era vital para a reprodução ampliada do capital. A crise se tornou contínua, constante, uma crise estrutural." (p. 105)

- O 4º órgão... "Segundo Bacchi (2020), nos anos 1960 foi introduzido o quarto órgão daquela máquina que Marx (2013) descrevera no cap. 13 do Livro I de O Capital. Além do motor, a transmissão e a máquina ferramenta do século XIX, surge o 'quarto órgão de controle' que introduz 'a máquina programável' e, com ela, o que determinou a crise estrutural" (p. 106)

- Em seguida vemos a citação de Bacchi, que desvenda a crise atual do capital: 

"como tudo na natureza depende de um limite, quando a taxa de lucro baixa a determinado ponto diferente de zero, mas razoavelmente baixo, na verdade, o capital já não pode suportar, pois a reprodução ampliada se interrompe e o sistema entra em crise que não é cíclica, senão que uma crise generalizada do sistema. Com isto queremos dizer que o capitalismo, a partir deste momento, está condenado a uma decadência constante e irreversível, tal como descreve Marx em suas obras. E o capital como um todo já não consegue conter mais as novas forças produtivas em seu seio (BACCHI, 2020, p.35)." (citado na p. 106 do texto de Fábio Campos)

- A crise estrutural do capital se estabelece por três eixos: a transnacionalização inviabilizou os Estados nacionais e suas políticas econômicas e de gestão social; o fim da sociedade do trabalho, pois a classe trabalhadora não consegue mais pressionar o capital nas relações de produção; o colapso ambiental, pois é impossível ao capital não destruir a natureza

- O imperialismo foi revitalizado pela crise estrutural, colocando o capital financeiro no centro do poder de apropriação de valor

- Formas de opressão do capital: "Uma maneira imperial de circunscrever aqueles que não pertencem ao reino da mercadoria, ou se subordinam de maneira superexplorada, é por meio da racialização como expropriação (FANON, 1961). Ao intensificar as formas econômicas de opressão, políticas e ambientais, a crise estrutural recoloca o racismo, tanto nas periferias quanto nos centros, como instrumento indispensável para a manutenção do trabalho precário, o acesso a terras e aos recursos naturais (FRASER, 2024)." (p. 109)

- O prof. Fábio finaliza a dimensão Estrutura assim: "Em síntese, o capitalismo em sua crise sujeita as infraestruturas, comportamentos, ecossistemas, capacidades estatais, e, sobretudo, a consciência ao seu regime de valorização e expropriação, cujo resultado é a desestruturação sociopolítica do ser humano (FEDERECI, 2017; 2022; FRASER, 2024)."(p. 110)

SUPERESTRUTURA

- Marx em 1859 abordou a questão da superestrutura jurídica e política do capital: 

"Assim, a produção da vida determinada por certas relações, apresenta uma estrutura econômica que se assenta em uma reprodução material e que sustenta, como ensinou Marx em 1859, uma superestrutura jurídica e política expressa por formas sociais da consciência (Marx, 2012)." (p. 110)

- O esgotamento do liberalismo traz como alternativas autoritarismos como o nazifascismo:

"(...) o nazifascismo no século XX teria sido já a maturação deste modelo contrarrevolucionário para lidar com o esgotamento do liberalismo, ainda mais com guerras totais, primeiras genuinamente capitalistas, e em meio a exitosa Revolução da Rússia em 1917 e a Crise de 1929 (LUKÁCS, 2020; MAYER, 1981). Aquilo que gestou no século XIX como uma exceção para lidar com as contradições do capitalismo em sua dominação política, consolida-se como prática usual no século XX. Essa contrarrevolução na ascensão do nazifascismo também era um instrumento de modernização, projeção do futuro, do progresso para aqueles escolhidos para usufruir do bem-estar..." (p. 111)

- Líderes carismáticos como Hitler e Mussolini conseguiram mobilizar, por manipulação dos sentimentos, classes populares e trabalhadoras, desviando a revolta delas de um processo revolucionário

"Não se trata de uma doutrina apenas, uma ideologia a serviço da contrarrevolução, mas de uma prática que tem por objetivo atacar e desmoralizar as instituições liberais vigentes, sem, necessariamente, excluir a cooperação com elas. Por isso, excitam as camadas populares contra o sistema, sem transformá-los em rebeldes, e, por isso, utilizam dos mais avançados meios de comunicação de massa, uma modernização dirigida, para instrumentalizar o sensacionalismo em causa própria." (p. 112)

- Na citação acima, vemos um retrato da realidade atual na qual líderes de extrema-direita manipulam massas gigantes de vítimas da crise capitalista - miseráveis e pessoas sem perspectivas - a apoiarem políticas que só vão prejudicá-las mais ainda

- Contrarrevolução preventiva: na segunda metade do século XX, a manipulação das massas mundiais proletárias e miseráveis seguiu com a liderança dos EUA e sua indústria cultural e militar, a Guerra Fria:

"Como mostramos em artigo recente, a contrarrevolução preventiva, e, sobretudo, permanente, conseguiu desmantelar pautas tipicamente revolucionárias, anticapitalistas e universais, transformando-as em agendas 'progressistas', 'cidadãs', de reparações históricas e ganhos incrementais. Como as questões identitárias que não se associam à luta de classes; ou ainda, instaurando programas sociais de gestão e de monitoramento da barbárie, como os do Banco Mundial, os de combate focalizado à pobreza, 'empoderamento' nas favelas, empreendedorismo popular etc. (LIMA FILHO; GENNARI; CAMPOS, 2021)." (p. 113)

- O neoliberalismo é uma forma de contrarrevolução permanente

- Surge um novo ser com as burocracias do capital, o empreendedor de si mesmo

- O autor afirma "O que chamamos de extrema direita hoje constitui a nova geração da contrarrevolução na crise estrutural do capital, uma face da superestrutura de nosso tempo." (p. 113)

- Uma característica comum aos extremistas de direita: "Para se salvar do apocalipse que se avizinha, resta, pois, os escolhidos por obra divina, reinventar o passado, reencantar o mundo. As diferentes variantes da extrema direita ao redor do globo têm algo em comum que é o tradicionalismo para a preservação da essência espiritual e cultural antiga, se opondo à modernidade." (p. 114)

- Fábio Antonio de Campos conclui seu texto:

"Concluindo, a extrema direita atual, embora com suas particularidades, representa a continuidade da contrarrevolução no interior da crise estrutural do capital. No passado, sua utopia de progresso legitimava a dominação; hoje, com a interdição da ideia de futuro, é a própria administração do colapso social que a orienta. Não há, portanto, monstruosidade ou anomalia nesse fenômeno — apenas a expressão ideológica do Kraken capitalista em decadência. Diante disso, impõe-se a necessidade de resgatar o horizonte da transformação radical nas lutas sociais, a fim de abolir o fatalismo que naturaliza a violência como destino na economia mundial." (p. 115)

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Texto excelente! Profundo e necessário!

Leitura feita por

William Mendes

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Professor Fábio Campos

Post Scriptum (anotações da aula presencial):

Mundialização do capital e a crise estrutural do capital

- O prof. Fábio iniciou a aula explicando seu método de análise, e tendo como referência Marx e as obras "Para a crítica da economia política", de 1859, e "Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858"

- O professor se mostrou um pouco preocupado com uma espécie de "neopositivismo" na academia, referenciado a partir do empirismo em tudo, recortes concretos das coisas

- Afirmou que, essencialmente, a economia é a linguagem do capitalismo

- O modo de produção de uma sociedade acaba definindo o modo de vida daquela sociedade e, consequentemente, quem são as pessoas, como se identificam as pessoas. Ao conhecer alguém, a pessoa julga a outra a partir do que ela faz, como ela vive, onde está situada naquele modo de produção social

- O modo de produção capitalista nasceu revolucionário, derrotando o modo de produção do feudalismo

- Não confundir: "capital financeiro" não é o capital dos bancos, é a forma do capital atual, na atual etapa do capitalismo

- Qualquer crise no capitalismo é uma crise de superacumulação de capital (K). Antes, as crises eram cíclicas, agora é estrutural

- Superestrutura e o problema atual: falta de horizonte futuro; esclerose múltipla das democracias liberais burguesas; a extrema-direita do fim do mundo tem um papel: a contrarrevolução

- Uma palavra nos chamou a atenção: "homo lates" sobre o foco dos atuais humanos em suas apresentações para a sociedade, seus perfis cheios de certificados e graduações

- No passado, século XX, o nazifascismo foi uma resposta contrarrevolucionária à decadência da burguesia desde meados do século XIX

- No pós-guerra, depois dos anos dourados, a crise passou a ser estrutural e a resposta foi o neoliberalismo

- O professor Fábio nos explicou que a "economia política" se tornou "ciências econômicas" durante a crise liberal burguesa já na passagem do século XIX para o XX: a economia deixa de tratar formalmente da "política" nas academias

- Falando ainda sobre a direita e a extrema-direita e seu papel contrarrevolucionário, citou o filme "Cabra marcado para morrer" (1984), de Eduardo Coutinho

- Citou o papel das Ligas Camponesas e da importância da linguagem para atuar na contrarrevolução preventiva, uma ferramenta central na manipulação das massas

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Aula magnífica a que tivemos!

William

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Leituras Capitais - O grande bufão



Refeição Cultural 

CartaCapital n° 1345


O GRANDE BUFÃO

Os delírios imperiais de Trump


CAPA

SANGUE NOS OLHOS

Nos últimos dois meses, Trump distribuiu ameaças e promessas. Agora é a hora do vamos ver

Caquistocracia - Segundo a "The Economist", o termo significa o governo dos despreparados e inescrupulosos. 

Esse é o governo de Trump e seus parças bilionários. 

Segundo a articulista Clarissa Carvalhaes (de Nova York), o presidente terá uma estratégia de "choque e pavor". O alvo prioritário serão os imigrantes. 

GAZA - A matéria diz que a solução de dois Estados vai "ficar para as calendas".

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DE ADOLF A DONALD

Artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo

"Malgrado as diferenças históricas, são inequívocas as semelhanças entre os programas econômicos de Trump e do nazismo"

No artigo, Belluzzo faz observação interessante: "A onipresença dos poderosos das plataformas e das finanças no gabinete de Trump mimetiza o poder da Siemens e da Krupp na política econômica do III Reich."

Pois é... basta saber ler para perceber no que estamos enfiados. Enquanto isso, a esquerda segue toda dividida em guetos, bolhas e grupos de puxa-saquismo.

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LIBERDADE SEQUESTRADA

The Observer: Os senhores do algoritmo, como Elon Musk, ditam o destino de nossos desejos

"As alegações das plataformas de rede social de apoiar a liberdade de expressão são vazias. Pouco antes de decidir atacar Starmer, Musk foi pego em um escândalo doméstico. Quando influenciadores do Maga o atacaram devido ao seu apoio a um certo tipo de visto de imigrante, a plataforma X parece ter suprimido suas contas." (p. 17)

Boa a matéria de Pedro Pomerantsev. O texto explica a forma como as plataformas atuam, algo que eu conheço relativamente bem: bloqueiam, censuram e invisibilizam o que querem e exponenciam o que é de interesse delas e dá lucro para os donos. Ódio na veia de todo mundo e apagamento do que é positivo às coletividades. Tudo sob a falsa alegação de "liberdade de expressão".

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À SOMBRA DO RADICALISMO

A Flórida e a política para a América Latina

Por Juan Gabriel Tokatlian

A revista apresenta a 1a parte de um artigo muito esclarecedor: o peso e a importância da Flórida no extremismo do Partido Republicano e no trumpismo.

A depender dos grupos de pensadores da região (os think tanks), os dois séculos de Doutrina Monroe serão comemorados tocando o terror na América Latina para que ela se faça o quintal dos EUA. 

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NO QUINTAL DE CASA

Trump ameaça retomar o Canal do Panamá, país invadido outras vezes pelos EUA 

Reportagem de Murilo Matias

Foram 13 intervenções militares dos Estados Unidos entre 1856 e 1990. Faz 25 anos que os panamenhos controlam o complexo do Canal do Panamá. 

Vejam o tamanho dos números:

"Inaugurado há mais de cem anos, o Canal do Panamá conecta 170 países, 2 mil portos e 180 rotas marítimas, além de gerar milhares de empregos e permitir o transporte de milhões de toneladas das mais diversas mercadorias." (p. 22)

Agora, Trump ameaça tomar a gestão do Canal à força, se necessário... (culpa dos chineses, diz ele)

Pois é...

Invasão norte-americana em 20/12/89 - Soube pela matéria, que 25 mil soldados do império desembarcaram no país matando centenas de panamenhos. Que foda! Eu tinha 20 anos à época, era bancário e não me lembrava disso.

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SEU PAÍS 

CONTRA O RELÓGIO 

COP-30: Da falta de hotéis a graves problemas de mobilidade, Belém acumula problemas há poucos meses da Conferência do Clima 

Por Fabíola Mendonça 

Ao ler a matéria, fiquei me lembrando do FSM em Belém (2009), principalmente na questão da infraestrutura inadequada da cidade para receber dezenas de milhares de pessoas por duas semanas em novembro de 2025. (Foi o caos em 2009... rsrs)

Os desafios do Brasil e da organização do evento são enormes. Espero que dê tudo certo. 

"Para ambientalistas, o maior desafio não é a infraestrutura local, e sim a dificuldade de construir consensos na agenda climática" (p. 26)

Concordo com a afirmação acima.

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LEMBRANÇAS COM LULA 

Artigo de Maria Rita Kehl

"Em uma entrevista nos anos 70, quando eu ainda trabalhava nas redações, o então líder sindicalista me deu uma aula de como a máquina do capital produz desigualdade"

Como sempre, os artigos da psicanalista e escritora fazem a gente viajar. Adorei o texto! É um filme sobre o Brasil da casa-grande e da senzala dos anos setenta pra cá, tendo Lula como personagem principal. 

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A PRIMEIRA CRISE

GOVERNO: Sidônio Palmeira assume a Secretaria de Comunicação em meio às mentiras sobre o Pix

Por André Barrocal

A reportagem descreve bem o imbróglio que os Estados nacionais e governos estão enfrentando com a interferência das plataformas digitais (big techs) na política e na soberania dos países. 

Faz anos que defendo que os países devem criar suas plataformas públicas de comunicação porque toda a burocracia estatal JAMAIS deveria usar meios das big techs

Pelas plataformas inimigas, o Lula e o PT podem entregar uma Suécia que o povo será manipulado a perceber o Haiti por aqui.

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NEGÓCIO ARRISCADO 

FUTEBOL: A candidatura de Ronaldo à presidência da CBF esbarra em evidentes conflitos de interesse 

Por Maurício Thuswohl

Excelente e esclarecedora a matéria do articulista. 

Que nojo virou o nosso futebol brasileiro! 

Aécio, Romário, partidos de direita, SAF, cassinos BET... 

Mudar para não mudar, é o que penso nas alternativas entre a situação e a oposição de direita nas eleições da CBF. 

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PONTO DE PARTIDA 

ENTREVISTA: O vereador Rick Azevedo quer impedir a Prefeitura do Rio de acelerar contratos com empresas que exploram trabalhadores na desumana escala 6x1

A Mariana Serafini

Entrevista muito boa. Rick Azevedo, que idealizou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) está empenhado numa pauta que diálogo com a realidade concreta de cada pessoa que trabalha para sobreviver. 

Comunicação - Fica o alerta feito por ele: a esquerda parece incapaz de resumir o que pensa nas redes sociais. 

COMENTÁRIO: É verdade! Eu até poesia passei a criar para buscar novas formas de comunicar de forma resumida nossas ideias de mudança. O blog Refeitório Cultural agora poetiza também.

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FOCO NO MOSQUITO 

DENGUE: Sem estoque para ampliar a vacinação, o Ministério da Saúde propõe reforço de ações preventivas 

Por Mariana Serafini 

Talvez essa seja a matéria mais significativa desta edição da revista. 

- A dengue matou em 2024 mais que a Covid-19 (foram 6.041 óbitos)

- Só o Brasil tem vacinação em sistema público (SUS), mas só há 1 fornecedor (farmacêutica japonesa Takeda: vacina QDenga). Forneceu 6 milhões de doses. Insuficiente!

- A boa notícia: vem aí a vacina do Instituto Butantan (imunizante Butantan-DV), que poderá oferecer 100 milhões de doses em 3 anos. Faltam aprovações finais da Anvisa.

- O combate ao Aedes Aegypti segue prioridade na prevenção, pois ele transmite outras doenças graves como a Zika e a Chikungunya.

Enfim, todos nós temos que evitar focos de água parada!

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ECONOMIA 

NEGÓCIO DA CHINA?

RELAÇÕES COMERCIAIS: O acordo entre Brasília e Pequim ainda carece de uma estratégia de longo prazo  

Por Carlos Drummond 

A questão central é se vamos seguir exportando commodities, sendo um pasto e buraco de minérios, e importando produtos com tecnologia e valor agregado ou se vamos MUDAR essa relação com a China (e o resto das metrópoles capitalistas).

"(...) Entre 2010 e 2023, a participação de produtos básicos nas exportações nativas aumentou de 44,9% para 58,9%, enquanto a parcela de bens manufaturados caiu de 39% para 28,9%..." (p. 43)

Cadê nossa diplomacia (e economia) ativa e altiva?

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A ESTABILIZAÇÃO DA ECONOMIA 

CÂMBIO: O governo tem condições de normalizar os mercados e retomar o percurso bem-sucedido de 2023 e 2024

Por Paulo Nogueira Batista Jr

O economista dá sugestões importantes de mudanças possíveis na economia do governo petista. 

Eu gostaria de ter visto o articulista ser o nosso presidente do Bacen do 3o governo Lula. 

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CRÉDITO DIVERSIFICADO

FINANCIAMENTO: A LCD oferece isenção fiscal, segurança e acesso ampliado às empresas de menor porte

Por Allan Ravagnani

Interessante informação: um novo produto de investimento focado no financiamento de infraestrutura, indústria e inovação. 

As Letras de Crédito de Desenvolvimento (LCD) vão se somar as LCIs e LCAs, letras de crédito tradicionais, do setor Imobiliário e do agronegócio.

"Os bancos de Desenvolvimento planejam emitir 40 bilhões de reais dos novos títulos" (p. 46)

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PLURAL

GERIR O IMAGINÁRIO 

ENTREVISTA: Para Lyara Oliveira, presidente da Spcine, a política audiovisual tem de ser feita para o cidadão e não só para o setor

A Ana Paula Sousa 

A matéria me trouxe informações que não sabia sobre a existência e funcionamento da empresa pública Spcine, criada na gestão do prefeito Haddad e mantida até hoje.

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NARRADORES DE SI E DO BRASIL 

LIVROS: Dois personagens ficcionais capturam a profunda mudança trazida pela chegada dos cotistas à universidade 

Por Ana Paula Sousa 

Delícia de matéria sobre novos livros de autores que estão reescrevendo a história do Brasil, autores como Jeferson Tenório ("De onde eles vêm") e Andressa Marques ("A construção"), contando histórias de cotistas e do povo periférico que fazem de fato o nosso país. 

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A VIDA RECONTADA EM VELHAS IMAGENS 

Por Ana Paula Sousa 

FILME 1: Luiz Melodia - No Coração do Brasil repassa a vida e a arte do cantor de uma forma que só cinema poderia fazer 

O cantor é mais uma de minhas lacunas culturais. Preciso conhecer melhor sua obra. 

UMA IMPROVÁVEL HISTÓRIA DE AMOR 

Por Ana Paula Sousa 

FILME 2: Meu Bolo Favorito é um retrato sutil da sociedade iraniana e uma ode à capacidade humana de buscar a alegria 

Outra dica cultural que deixa o leitor com vontade de ir ao cinema. Pra variar, os diretores e o filme foram censurados no Irã.

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AFONSINHO 

TEMPORADA ABERTA

Das declarações da dirigente do Palmeiras ao suposto aliciamento de um garoto de 14 anos pelo Corinthians, o ano começa agitado 

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DRAUZIO VARELLA 

NÃO É UMA DOR QUALQUER 

A OMS estima que, no mundo, haja 1 bilhão de pessoas com enxaqueca. Em 20 milhões delas, a patologia é crônica 

Excelente artigo esclarecendo a doença e apontando formas de lidar com ela.

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COMENTÁRIO FINAL 

Leitura esclarecedora e política das questões que foram notícia no início deste ano e novidades boas na cena cultural. 

Gostei da edição 1345 de CartaCapital

William 


domingo, 14 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 14 de julho de 2024. Domingo. 


EXTREMO ORIENTE - ÚLTIMOS IMPERADORES 

A história da caminhada da espécie animal homo sapiens é uma história de violência mesclada com solidariedade em gestos individuais. É a impressão que tenho ao estudar a história. Temos em cada ser humano o melhor e o pior de nossa espécie. Um humano é a miniatura da própria natureza física. Somos a possibilidade para coisas extraordinárias, e somos também semente das maiores barbaridades.

Ao assistir aos documentários da Coleção História Viva, com imagens de época em cada tema abordado, imagens do início do século passado, passei dias pensando na nossa caminhada humana até o momento em que estamos. Eu diria que não me surpreendo com a atual conjuntura olhando para trás.

Este foi o penúltimo episódio da coleção. Essas preciosidades ficaram guardadas nos meus amontoados de mídia por um longo tempo. Por sorte a pátina do tempo não deteriorou o material e ainda pude vê-lo. O tempo muda tudo, mas o tempo para esse material andou devagar, felizmente.

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Sinopse:

Os dois milenares e tradicionais impérios do Oriente, China e Japão, enfrentaram mudanças políticas radicais no século XX. Guerreando entre si por anos, experimentaram perdas de toda ordem. Não bastasse, o Japão entrou em choque com democracias capitalistas na Segunda Guerra Mundial. Já a China, se viu confrontada com o comunismo, a que aderiu mais tarde. Para as populações de ambos os países, mudar era um imperativo da história. Ou os orientais aprendiam a fazer concessões e a conviver com novos regimes, ou seu fim seria melancólico - como, de fato, foi para extensas linhagens, representantes da nobreza de tempos que jamais retornariam.

Este episódio está dividido nos seguintes capítulos: "O Japão e a China", "Os domínios da China", "A República Popular da China" e "Mao deixa a presidência".

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CENAS DANTESCAS DE VIOLÊNCIA E A HIPOCRISIA DOS HOMENS NAS GUERRAS 

Os japoneses massacraram chineses em 1937 na guerra de invasão... estamos falando de colonialismo. Dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos assassinadas a sangue frio na Batalha de Nanquim. Milhares de estupros. Um horror!

Um tempo depois, os japoneses parceiros dos nazistas e fascistas (o Eixo) são massacrados pelos norte-americanos e ingleses, os aliados. Os EUA lançaram duas bombas atômicas matando quase meio milhão de japoneses e lançaram Napalm em Tóquio, matando novamente centenas de milhares de pessoas. Assim são as guerras... 

Mao Tsé-Tung e os comunistas venceram a guerra civil na China: Chiang Kai-Shek foge para Taiwan. Depois de unir o país, os chineses atuam para libertar os coreanos dos japoneses invasores. Guerra civil na Coreia. Com intervenção de comunistas e capitalistas, coreanos se dividem em Norte e Sul. O saldo em vidas perdidas foi alto: dois milhões de mortes. 

Um tempo depois, para combater o comunismo na Ásia, os Estados Unidos que massacraram os japoneses, mudam a estratégia e voltam a dar poderes ao imperador derrotado Hirohito. O Japão será o grande aliado dos capitalistas norte-americanos para combater chineses e coreanos ao Norte. 

Lá nos anos setenta (fevereiro de 1972), por diferenças entre URSS e China, Mao Tsé-Tung refaz relações diplomáticas e comerciais com norte-americanos e japoneses. Socialismo e capitalismo se juntam por interesses políticos e econômicos. 

Violência e hipocrisia... talvez os principais atributos da espécie humana.

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SEM DETERMINISMOS, SEGUIR ESTUDANDO E FAZENDO HISTÓRIA

Estamos aqui, sou uma unidade dessa espécie contraditória, perversa e destruidora e ao mesmo tempo solidária, criativa, com esperanças no amanhã. Por ser inteligente não posso ser determinista. Sei que somos seres históricos. 

Então, é seguir estudando, compartilhando conhecimento de forma gratuita e fazendo história.

William


sábado, 30 de setembro de 2023

Vendo filmes (VII)


Pôr do sol em Cuba. William.

Refeição Cultural

Osasco, 30 de setembro de 2023. 


Tenho procurado ver alguns filmes que abordem os temas que tenho estudado ultimamente. Essa sequência de filmes que cito abaixo tem essa característica.

Vi dois filmes que se passam na China, país asiático o qual tenho estudado um pouco. Também revi um filme fortíssimo sobre a tragédia da escravidão ao longo de séculos: Amistad

O recente filme O irlandês para mim retrata bem o que são os Estados Unidos. Bom filme!

Completam a lista de filmes um documentário sobre o golpe de Estado no Chile em 1973, golpe que assassinou o presidente Salvador Allende e colocou o país numa ditadura sangrenta. E um filme que se passa na Turquia, na década de setenta.

Os filmes me fizeram refletir bastante.

William

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FILMES

- O grande irmão: O dia que durou 21 anos II (2022) - Direção de Camilo Tavares. Documentário demonstra a participação ativa do governo brasileiro e do governo dos Estados Unidos, através da CIA, no golpe militar promovido no Chile em 1973. A ditadura de Pinochet seria uma das mais sangrentas da América Latina durante quase duas décadas.

COMENTÁRIO - O longa-metragem documentário é surpreendente pela documentação nova que apresenta após 4 anos de pesquisas nos arquivos do Itamarati no Brasil e do consulado brasileiro no Chile. O Brasil foi um agente central no golpe de Estado promovido no dia 11 de setembro de 1973, derrubando o governo de Salvador Allende, democraticamente eleito. Allende foi assassinado, milhares de pessoas foram presas, torturadas e desaparecidas ao longo de 17 anos de ditadura. Além disso, foi aplicado ao país toda a cartilha neoliberal de privatizações e eliminação de direitos sociais. 

Ao ver o documentário no dia 11 de setembro de 2023, 50 anos depois, percebi o quanto estamos num contexto semelhante de ameaça e risco de vivenciar novamente esse terror vivido pelo povo chileno. Na minha opinião, estamos à beira de novos golpes de Estado promovidos pelos Estados Unidos no mundo, incluindo o Brasil do 3º governo Lula, Brasil que já viveu golpe recente em 2016, orquestrado a partir de lá com a operação Lava Jato.

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- A fundação de uma República (2009) - Jian guo da ye, no original. Filme produzido na China e Hong Kong. Direção: Sanping Han e Huang Jianxin e com Tang Guoqiang no papel de Mao Tsé-Tung. Filme baseado em fatos reais sobre a história recente da China (recente ao considerar os milhares de anos da civilização chinesa), a guerra civil opondo o Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-Tung, ao Partido Kuomintang, de Chiang Kai-Shek, conflito ocorrido entre 1946 e 1949 e ao final foi fundada a República Popular da China.

COMENTÁRIO: A indicação do filme foi feita pelo professor Elias Jabbour, com o qual fiz o curso "Compreendendo a China" no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Gostei do filme. Percebi que tenho muito que estudar ainda sobre a história da China e do povo chinês, pois se soubesse mais sobre o período abordado no enredo do filme, a experiência seria melhor ao assistir a obra. O filme está na internet e com legenda em português.

- A caminho de casa (2007) - Luo yi gui gen. Outro filme chinês que revi neste mês de setembro é um filme muito bonito e sentimental. Comentário aqui.

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- O expresso da meia-noite (1978) - Direção de Alan Parker e adaptação de Oliver Stone. Com Brad Davis. A história se passa na Turquia nos anos 70 e o filme diz ser baseado em fatos reais. Jovem é pego em aeroporto tentando embarcar cheio de pacotes de droga. Pegou 30 anos de sentença. 

COMENTÁRIO: Um jovem norte-americano comete a estupidez de tentar sair da Turquia com um monte de pacotes de haxixe. Foi pego, lógico! A partir daí, vamos conhecer o que é se ferrar e sofrer numa prisão turca. Dramático! Enquanto assistia ao filme, fiquei refletindo sobre o ser humano... é o único animal racional no reino animal e por mais racional que seja, é o animal que mais comete estupidez e idiotices na natureza. Por que o cara vai fazer uma coisa dessas? Ao conhecer a história de William Hayes (Billy), vemos que ele não precisava fazer uma cagada dessa com a vida dele. Enfim, somos assim, humanos!

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- O irlandês (2019) - Direção de Martin Scorsese. Com Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Filme conta a história do caminhoneiro Frank "The Irishman" Sheeran, sindicalista ligado ao crime organizado. Frank trabalha para a família mafiosa Bufalino (Joe Pesci) e também se torna amigo e apoiador do líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino). O roteiro é apresentado como um relato das memórias de Frank, já idoso e retirado de cena.

COMENTÁRIO: O filme tem uma grande história e um grande enredo, como o clássico de Mario Puzo e Coppolla (O poderoso chefão). Ao assistir ao filme, uma das coisas que não saíram de minha cabeça foi o que a história deixa claro: o que são os Estados Unidos da América, um país que nasceu e se sustenta até hoje através da violência das armas, e tudo naquele país é uma mentira, uma invenção, um mito. Outra coisa que fiquei pensando... como alguém pode confiar numa pessoa nascida e criada na cultura norte-americana? O momento mais forte do filme, para mim, é o momento no qual vemos que toda vida tem um preço nos EUA, tudo tem um preço, tudo é business... Enfim, atuações brilhantes dos protagonistas!

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- Amistad (1997) - Direção: Steven Spielberg. Com Djimon Hounsou, Matthew McConaughey, Morgan Freeman e Anthony Hopkins. O ano é 1839, um navio parte de Cuba repleto de homens e mulheres sequestrados do Continente Africano e vendidos como escravos. Cinqué (Djimon) lidera uma rebelião no navio e liberta os escravizados. O navio é interceptado por um navio norte-americano e a partir daí veremos um grande debate na justiça dos EUA sobre o destino final daquelas pessoas. 

COMENTÁRIO: Filmaço! Estou lendo muitos livros e autores para conhecer um pouco mais sobre a história vergonhosa do sequestro e venda de seres humanos no Continente Africano ao longo de séculos. Dois autores que vieram à minha memória durante a história de Cinqué e aquelas dezenas de mulheres e homens foram Luiz Gama e Abdias Nascimento, grandes intelectuais brasileiros negros, um do século 19 e outro do século 20, heróis brasileiros na luta pela igualdade para o povo negro no Brasil. O filme é uma aula de história! Vale rever sempre! É impossível não sentir fortes emoções ao ver tanta maldade e covardia com nossos irmãos. Quando nos lembramos que a escravidão foi real e durou séculos, e ainda hoje não conseguimos resolver a desigualdade oriunda de séculos de exploração, sentimos mais ainda o coração apertado ao assistir ao filme.

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Post Scriptum: clique aqui para ver o comentário anterior sobre filmes.


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

ICL: Compreendendo a China



Refeição Cultural

Curso do ICL: "Compreendendo a China"


Gostei do curso do professor Elias Jabbour. Ao longo de dez aulas, tivemos um panorama geral sobre a história da civilização chinesa. 

Antes de comentar os novos conhecimentos que nos foram disponibilizados pelo ICL, sugiro às leitoras e leitores do blog que avaliem se inscreverem no projeto, o ICL é fantástico.

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Na apresentação do programa do curso, consta a seguinte proposta:

"No curso vamos percorrer a história da China dos últimos 50 anos. Tentaremos mostrar uma visão ampla, baseada em profunda base histórica mediada por insights sobre a dinâmica do processo recente de desenvolvimento do país. Passaremos pelas minúcias que envolvem grandes e acertadas decisões políticas que transformaram a China no maior case de desenvolvimento econômico da história humana."

As dez aulas ministradas pelo professor Elias Jabbour foram distribuídas com a seguinte organização temática:

1. Aspectos históricos fundamentais à compreensão da China

2. Um precoce "Estado Desenvolvimentista"?

3. Sobre a Revolução de 1949

4. 1949-1978: A economia e a dinâmica de acumulação dos "Planos Quinquenais"

5. Aspectos políticos, econômicos e sociais do lançamento das reformas de 1978

6. A grande estratégia

7. Das Zonas Econômicas Especiais à "Nova Rota da Seda"

8. O segredo do combate à miséria absoluta

9. Sobre as particularidades da economia chinesa: sistema empresarial, bancos etc

10. Discutir o chamado "socialismo com características chinesas"

11. Aula tira-dúvidas com Elias Jabbour

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REFLEXÃO SOBRE OS CURSOS DO ICL

O acesso a novos conhecimentos a partir da participação como membro do Instituto Conhecimento Liberta é uma oportunidade imperdível para aquelas pessoas que ainda têm em si a curiosidade filosófica e a sede de conhecimento características de parcela dos homo sapiens.

Neste momento em que escrevo, o ICL tem disponível em sua plataforma 235 cursos para os mais diversos interesses humanos. Eu, por exemplo, carrego comigo um desejo desde jovem de conhecer línguas diversas e o ICL tem disponível 7 cursos de línguas estrangeiras, com diversos módulos. Amig@s, não é qualquer coisa isso. Acredito que se eu tiver disciplina e firmeza de propósito, posso aprender qualquer uma delas através da plataforma do ICL, ao menos no nível básico e intermediário pactuado ali.

Quando era representante eleito da classe trabalhadora e dirigente nas diversas funções que desempenhei em nome das pessoas que representava, eu estudava todos os dias, todos os dias!, para aprender a ser um bom dirigente, para saber dirigir a categoria que representava, e para desenvolver estratégias e táticas para conquistar melhorias para nós. 

UM MUNDO DE GENTE SEM NOÇÃO DAS COISAS - Uma das questões centrais que defendi e exercitei por quase duas décadas foi politizar as pessoas que representava. Como fazia isso? Dando noções básicas sobre os temas que debatíamos e contribuindo para que o representado fosse menos ignorante (não sabedor) no tema que conversávamos. As pessoas não têm noção de nada! Essa é a constatação que tive. DAR NOÇÃO ÀS PESSOAS É ALGO REVOLUCIONÁRIO!

Eu diria que os cursos disponíveis na plataforma do ICL são os remédios que possibilitam que as pessoas interessadas em conhecimento e que não se sentem à vontade e confortáveis em serem ignorantes em quase tudo possam adquirir noções elementares nos mais variados temas de interesse. A pessoa que faz um curso do ICL não vai se tornar uma especialista naquele tema, mas pode ter seu interesse despertado e isso pode gerar um ciclo novo na vida dela, indo atrás de uma formação de maior fôlego, seja formal em um curso acadêmico ou não formal através de estudos autodidatas.

A CHINA

Eu, por exemplo, me considero um ignorante no tema China. O que eu saberia dizer sobre a China e o povo chinês não passaria de algumas questões básicas e talvez mais alguma coisinha por não me considerar um analfabeto funcional ou político. Não mais que isso.

Após as aulas e o panorama geral que aprendi com o professor Elias Jabbour, sei alguma coisa a mais. Posso dizer que tenho noções melhores sobre o tema. Se olhar ao meu redor, neste momento atual do mundo, é quase como se eu fosse uma pessoa com um olho num mundo de cegos. O que não quer dizer muito. Não me esqueço do sofrimento da personagem que via naquele mundo de cegos do Ensaio sobre a cegueira, de Saramago... que sofrimento ela dizia sentir ao ver aquilo que via!... até me arrepiei ao me lembrar do romance.

Enfim, tenho hoje noções melhores sobre a China, sobre a história do povo chinês, sobre características geográficas, históricas, políticas e culturais que contribuíram para a China ser o que é hoje. Se quiser me aprofundar e conhecer um pouco mais sobre a China, é só ter disciplina e firmeza de propósito e estudar mais. 

Por exemplo, adquiri na internet por sugestão do próprio professor Elias Jabbour, dois trabalhos dele de fôlego sobre a China: suas teses de mestrado e doutorado. São dois livros. Jabbour diz que seu interesse inicial foi estudar a respeito do socialismo, de forma científica. A China apareceu como um estudo de caso. O cara meteu uma mochila nas costas e foi pra China... a história dele é fantástica!

Enfim, tenho refletido muito sobre cuidar de meu cérebro de forma carinhosa e técnica, para preservar a essência do que sou, porque minha identidade humana e tudo que sou está em meu cérebro, que podemos chamar de alma, espírito, do que quisermos.

Agradeço ao ICL e ao professor Elias Jabbour pelo conhecimento compartilhado conosco.

William

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Post Scriptum: Por causa do estudo e contato com o curso e a temática China, acabei revendo o filme belíssimo A caminho de casa, de 2007, do diretor chinês Zhang Yang. Comentários sobre o filme aqui.


sábado, 19 de setembro de 2020

Sábado de histórias


Leituras de história do Brasil e do mundo.

Refeição Cultural

Hoje é dia 19 de setembro do ano da desgraça da pandemia de Covid-19. Ano sob a influência das desgraças de trumps e bolsonaros. Ano de 2020, um ano para entrar para a história do planeta Terra e da sociedade humana. O necrocapitalismo já era no início de 2020 uma desgraça para a classe trabalhadora mundial, concentrando quase toda a riqueza do mundo nas mãos de 1% de humanos. Com a pandemia do novo coronavírus, o que já era ruim ficou ainda pior para os 99% de humanos. A natureza está sendo destruída rapidamente e a vida na Terra está fadada a se tornar inviável.

Estudar história é importante por causa dessas coisas que descrevi acima. Toda essa desgraça poderia ser evitada porque ela não é natural, ela é uma opção da humanidade que, sozinha, sem catástrofes naturais, resolveu inviabilizar a vida por pura burrice e egoísmo. E assim caminhamos para o fim. O aparecimento do vírus pandêmico até pode ser natural, mas a forma como cada país e seu povo e cada governo lidou com ele é opção, é política, é visão de mundo.

Na Era dos extremos (1994), de Eric Hobsbawm, li a respeito da China. Quase nada sabia sobre o que li a respeito da história do povo chinês. A leitura de hoje me ajudou a entender um pouco o motivo de a China de hoje ter o número de vítimas que teve em relação à pandemia de Covid-19. Neste momento, o mundo contabiliza 30.666.122 pessoas contaminadas pelo vírus e 954.905 pessoas morreram. Desse número absurdo, temos 90.324 chineses contaminados e 4.737 cidadãos chineses mortos pelo vírus. Estudar história me permite compreender um pouco melhor a forma como o governo chinês lidou com a pandemia de Covid-19.

Conhecer um pouco de história e política me permite também compreender um pouco melhor porque que das 954.905 vítimas fatais 335.790 são norte-americanos e brasileiros (199.258 e 136.532, respectivamente). Esses dois países governados por dois extremistas de direita contabilizam 12.072.383 contaminados pelo vírus. Ou seja, sozinhos, os dois países governados por fascistas e suas não-medidas para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus concentram 39,37% dos contaminados por covid-19 no mundo. Vale lembrar que só a China concentra 1,4 bilhão de pessoas, enquanto Estados Unidos e Brasil têm juntos 541 milhões (329,6 e 211,7 milhões, respectivamente). Repito, na China morreram 4.737 cidadãos e nos Estados Unidos morreram 199.258. No Brasil morreram 136.532. Isso é política, não é coisa da natureza. Não é natural.

É isso. Como escrevo praticamente para mim mesmo, como registro de um tempo, de uma vida, a minha própria, por exemplo, não vou me alongar não. A leitura de Hobsbawm me trouxe muito conhecimento até agora sobre o povo chinês, ao ler o capítulo 16 - "Fim do socialismo". 

Aliás, neste capítulo, o historiador nos conta sobre um correspondente do Times de Londres (Wu Han) que surpreendeu estudiosos com sua opinião: "na década de 1950, ao afirmar, chocando os que o ouviram na época, como este autor, que não restaria comunismo algum no século XXI a não ser na China, onde sobreviveria como a ideologia nacional" (HOBSBAWM, 2006, p. 451).

Sobre história do Brasil, li matérias interessantes também, mas não carece de mencionar aqui.

Ao olhar para trás na rede social onde tenho um perfil, escrevi nos meses passados comentários sobre história e sobre a pandemia de Covid-19 (logo abaixo).

William

Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

Informações sobre Covid-19: Johns Hopkins University.

Informações sobre países e populações na Wikipedia: aqui.

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12/6/20

POR QUE LER HISTÓRIA?

Porque temos que lembrar que o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini existiram e fizeram o que fizeram por causa do cotidiano de ódio na Alemanha e na Itália que permitiu a eles se beneficiarem daquele "clima", daquela barbárie que passou a ser o "normal" como disse Eichmann ao mundo em depoimentos em seu julgamento em Israel. 

Ontem, ao ver bolsonaristas desrespeitando um ato pacífico nas areias do Rio de Janeiro, retirando as cruzes em homenagem aos mortos pela Covid-19 eu dei um meio grito em casa de raiva, de indignação. Em mais de 20 anos de movimento social eu nunca tinha visto adversários passarem dos limites assim, de desrespeito aos outros. Quem estimula isso é o líder fascista deles. À noite, soube que esse desgraçado inflamou seu bando de seguidores fascistas a invadir hospitais... Francamente! 

E relembro aqui, como deve acontecer aos que respeitam a história, que o fascista inumano e o ódio e o bolsonarismo são frutos e consequências do processo de ódio criado no Brasil para interromper os mandatos populares (democráticos) e mais voltados ao povo brasileiro que democraticamente vinha elegendo o Partido dos Trabalhadores para governar o país. As emissoras e jornais e revistas dos barões e suas ferramentas criminosas de fake news e interferência na política incentivando o processo de destruição de mandatos e governos via lawfare (tipo Lava Jato) são as responsáveis por esse mal que enfrentamos e que pode não ter mais volta antes de uma guerra ou destruição do que era o antigo país chamado Brasil. A extração do ódio que existe nas pessoas foi um projeto da elite tacanha e desgraçada deste país. A consequência está aí, um novo regime de ódio nazifascista em pleno século 21.

(postei o comentário acima após ver um vídeo do youtuber Henry Bugalho. O vídeo, com o título de "O vídeo mais difícil que já fiz" (12/6/20) é muito tocante para qualquer pessoa que ainda tenha traços humanos e não inumanos como estão se tornando os zumbis do novo fascismo)

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7/6/20

ERA DOS EXTREMOS

Ler a Era dos extremos é uma viagem ao passado pra um cinquentenário que estudou nos últimos 35 anos... (o ser humano não aprendeu nada com a história).

A leitura é triste. No meu caso, me deixa deprê...

Se um dia acabar esse livro, vou beber algo pra comemorar a missão, uma garrafa de vinho, cachaça, sei lá...

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5/6/20

COVID-19

1.473 pessoas mortas em 24h... quanto sofrimento! E pensar que se o governante fosse outro, se os brasileiros não fossem o povo mais ignorante do planeta Terra, as coisas seriam completamente diferentes. Povo e país miseráveis! (e neste país único, a curva de contágio e morte está em ascensão e os miseráveis no poder vão flexibilizar a quarentena para matarem os miseráveis miseráveis)

Mesmo sendo as vítimas dessa miséria toda as responsáveis por essa miséria toda, eu me compadeço com elas e conosco. Meus sinceros sentimentos pelas mortes ocorridas e pelas que virão nos próximos minutos horas dias semanas meses... anos (o que vocês fizeram ao votarem e colocarem no poder essas centenas de canalhas não se desfaz em um ou dois anos. Vocês estragaram tudo!)

4/6/20

COVID-19

Instantes... meus sentimentos sinceros pela morte de mais 1.349 brasileir@s vitimados pela pandemia de Covid-19. Essa tragédia era evitável, não fosse a pandemia de ódio bolsonarista no seio do povo brasileiro. Isso também era evitável, não fosse o Partido da Imprensa Golpista (PIG) ter estragado o povo brasileiro, feito ele um povo vil, como disse Pulitzer sobre o risco de uma imprensa canalha e vil.

Seguimos na resistência do sobreviver, pois tem horas que é o que podemos fazer.

29/5/20

COVID-19

País jabuticaba e a pandemia de Covid-19

Mortes e contaminação em crescimento, hospitais lotados, muita morte a caminho, e o almofadinha de SP vai flexibilizar a partir de agora... tudo respeitando a "ciência"... deve ser a merda da ciência olavista-bolsonarista... (você venceu, presidente!).

Vamos ter que ver cansativamente mortes mortes mortes...

Isso porque testamos menos pessoas que o Iraque e Ruanda, segundo o jornal local de agora.

Povo e país miseráveis!

27/5/20

COVID-19

MAIS 1.086 vítimas fatais do vírus Covid-19. A tragédia está só começando. Cada brasileiro vai sofrer com alguma morte por causa da expansão do vírus. A expansão e as mortes de pessoas de nossa relação é porque o povo brasileiro colocou o MAL no poder. Todo ato e toda decisão na vida têm consequência. Vai morrer muita muita gente. E pior: vem algum tipo de guerra civil por aí. Nós pacifistas estamos desarmados. Os que estão do lado do MAL estão armados até os dentes e estão CUSPINDO ÓDIO.

Povo e país miseráveis!

MEUS PÊSAMES aos familiares das mais de 25 mil vítimas da pandemia do vírus. 

MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem David Nascimento dos Santos, 23 anos, que saiu pra receber a entrega de comida aqui na região do Jaguaré SP, foi levado pela polícia e morto. Era preto. MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem João Pedro, 14 anos, morto no Rio de Janeiro, em evento que também envolveu a polícia. Era preto.

Estamos morrendo, não de morte morrida. De morte matada, de uma vez ou de forma lenta. A morte está nos comendo por dentro ao ver tudo isso que fizeram com a nossa vida, com o nosso mundo. Pode ser morte por vírus. Pode ser por bala. Pode ser por ódio gratuito de algum zumbi desses que andam babando por aí e que agora estão ou ainda estarão armados, incentivados por aqueles que foram colocados nos poderes do Estado.

Morremos, é verdade. Mas temos que dizer isso, nem que seja pra uma ou duas pessoas que nos leem. Morremos.

Não há nada, NADA na história que vá apagar, limpar, desinfetar as mãos cheias de morte de cada pessoa que votou ou que se omitiu de evitar que O MAL chegasse ao poder. O MAL não vai querer sair de lá.

Nossos conhecidos que fizeram isso em outubro de 2018 destruíram nosso mundo e nossa vida. Alguns dos que já sentem na pele os ataques do MAL, também foram responsáveis por tudo isso, como os grandes veículos de comunicação, os jornalistas deles, e os isentões, zilhões de "isentões" são responsáveis por tirar o partido que fez o povo brasileiro viver a melhor fase de sua história.

Chega por hoje. A verdade é que morremos, estamos morrendo...

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Nos meses anteriores, podíamos ver que a desgraça iria longe no Brasil, estando nós sob golpe de Estado e estado de exceção...