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quarta-feira, 22 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (XII)

Segunda parte

Economia escravista de agricultura tropical (séculos XVI e XVII)

XII. Contração econômica e expansão territorial

Com a leitura desse capítulo, termina a segunda parte do livro de Celso Furtado. 

A 1ª parte apresentou os fundamentos econômicos da ocupação territorial da colônia portuguesa. Não encontrando ouro e metais preciosos de cara, como ocorreu na porção espanhola das Américas, os portugueses tiveram que optar pela monocultura da cana-de-açúcar por aqui. Tudo deu certo enquanto o monopólio dessa commodity não sofreu a concorrência do açúcar antilhano, que se desenvolveu após a expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro (meados do século XVII).

Na 2ª parte, Furtado nos apresenta as bases da economia escravista de agricultura tropical monocultora de exportação de açúcar e de subsistência baseada na criação de gado. Vimos a expansão para o interior do continente. Os paulistas de São Vicente se estabeleceram como caçadores e vendedores de seres humanos: os povos indígenas brasileiros. Depois da escravidão dos povos originários foi que os portugueses vieram com escala industrial de comércio de seres humanos sequestrados no continente africano e vendidos como escravos aqui nas Américas.

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VENDA DE GENTE - A caça e venda de homens, mulheres e crianças sempre foi uma atividade econômica por parte dos povos brancos invasores do Norte, os europeus. A exploração dos outros povos do mundo sempre foi uma característica dos europeus. Isso não mudou até hoje, é minha opinião após 53 anos de vida e estudo da vida e do viver.

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Nesse capítulo XII aparece também a importância dos jesuítas, que ao longo de suas relações com os indígenas alternaram um papel de proteção deles contra a caça e violência e manipulação ideológica cooptando os indígenas para servirem de forma pacífica aos invasores a troco de quase nada. Vejam abaixo um exemplo do uso da mão de obra indígena na região amazônica do Maranhão: 

"Coube aos jesuítas encontrar a solução adequada para esse problema. Conservando os índios em suas próprias estruturas comunitárias, tratavam eles de conseguir a cooperação voluntária dos mesmos. Dado o reduzido valor dos objetos que recebiam os índios, tornava-se rentável organizar a exploração florestal em forma extensiva, ligando pequenas comunidades disseminadas na imensa zona." (p. 69)

Por fim, a decadência da economia açucareira também contribuiu para a ocupação e expansão na região sul do Brasil.

"A penetração dos portugueses em pleno estuário do Prata, onde em 1680 fundaram a Colônia do Sacramento, constitui assim outro episódio da expansão territorial do Brasil ligada às vicissitudes da etapa de decadência da economia açucareira." (p. 70)

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COMENTÁRIO

É isso. Mais um capítulo de nossa história econômica de invasão e exploração monocultora baseada em destruir e matar tudo que havia nesta terra chamada pelos invasores de "Brasil" em benefício dos exploradores brancos vendedores de gente há séculos. 

Não mudou nada ainda hoje... mas os povos explorados seguem na luta, a história não acabou.

William

Leia aqui os comentários do capítulo seguinte.


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. Grandes nomes do pensamento brasileiro. 27ª ed. - São Paulo. Companhia Editora Nacional: Publifolha, 2000.


segunda-feira, 13 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (VI)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

VI. Consequências da penetração do açúcar nas Antilhas

É interessante como este capítulo parece um filme dirigido por Celso Furtado. Ele vai descrevendo os acontecimentos e os leitores vão vendo causas e consequências das coisas relativas ao Brasil, às Antilhas e aos Estados Unidos. Lógico, estamos vendo as disputas entre os colonizadores europeus - Portugal, Espanha, Países Baixos (depois Holanda), Inglaterra e França.

Em resumo, o filme é assim: os portugueses conseguem expulsar os holandeses das terras do Nordeste da colônia portuguesa (meados do século XVII). Os holandeses fazem acordos com colonos franceses e ingleses das Antilhas para começar lá uma produção de cana-de-açúcar. As ilhas eram colônias de povoamento de brancos europeus, mas a monocultura de açúcar precisa de escala e muita mão de obra, problema solucionado com os escravos africanos. Consequências: bau-bau colônia de povoamento de brancos... a produção de açúcar dá certo nas Antilhas. Colonos brancos vão rareando e a população de origem africana vai aumentando exponencialmente.

As colônias de povoamento dos ingleses e franceses nas terras setentrionais - Nordeste dos Estados Unidos e Canadá - não tinham produção comercial de larga escala, era outra lógica, produção mais familiar. Com a cana-de-açúcar antilhana, abre-se um mercado exportador de víveres e da indústria naval. A agricultura de subsistência nas Antilhas perde espaço para as terras de cana-de-açúcar. As florestas norte-americanas viram caixas para açúcar e barcos comerciais e ali nasce uma indústria naval importante. A cana-de-açúcar antilhana dá lugar também à produção de bebidas alcoólicas e à concorrência com as bebidas das metrópoles e daí vem o contrabando... etc.

É um resumão. As populações das Antilhas e do Nordeste dos EUA e Canadá foram definidas de acordo com o tipo de desenvolvimento que foi nascendo ali. Estamos falando da 2ª metade do século XVII para a 1ª metade do século XVIII. Nos grandes latifúndios de cana-de-açúcar, mão de obra escrava africana; nas propriedades pequenas nas colônias de ingleses e franceses (EUA e Canadá) contratos de mão de obra de servidão temporária de brancos europeus. Os interesses dos colonos nos Estados Unidos foram ficando cada dia mais conflitantes com os interesses da metrópole... etc.

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COMENTÁRIO

É isso! Quando eu vejo esse Brasilzão bolsonarista dos desgraçados do agro "pop" e de uns filhos da puta coronéis, latifundiários e canalhas de colarinho branco representantes da casa-grande... que merda! É a mesma colônia de séculos atrás, estando nós no século XXI. Aff! Temos que acabar com isso, gente! Independência popular, já! Fora com essa elite do atraso!

#ForaBolsonaro e todo o mal que ele representa para o Brasil e o povo brasileiro!

William

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Leia aqui os comentários do capítulo seguinte.


sábado, 11 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (IV)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

IV. Desarticulação do sistema

E então os holandeses, os batavos, descobriram os segredos do açúcar português-brasileiro e bau-bau monopólio... o que era doce e caro - o pozinho na mesa dos endinheirados da Europa - ficou mais barato e os portugueses perderam a exclusividade do comércio do açúcar... 

Furtado nos explica que no começo do século XVII os holandeses controlavam praticamente todo o comércio dos países europeus por mar. Distribuir açúcar sem a cooperação deles era inviável. Holandeses entraram em guerra com os espanhóis nessa época. Vale lembrar que Portugal ficou sob domínio espanhol por dezenas de anos. Os holandeses ocuparam terras no Nordeste e aprenderam toda a técnica da produção de açúcar... adeus, monopólio.

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COMENTÁRIO

Seria tão simples para o povo brasileiro entender como os desgraçados do agro "pop" estão ferrando com as nossas vidas se o povo brasileiro tivesse acesso à cultura, à educação, ao conhecimento e acesso a bons veículos de comunicação... seria...

Mas os tempos são de desinformação total, inclusive com fontes de milhões de mentiras (fake news) oriundas dos logradouros onde ficam os golpistas que representam o Brasil formalmente lá no palácio de vidros... enfim, a destruição do pouco acesso à educação formal que existia antes do golpe de 2016 é projeto de dominação do povo desta ainda colônia.

Vamos mudar isso em outubro, gente? Pelo amor dos nossos filhinhos, netos, tataranetos (e por amor-próprio também)!!!

William

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Leia aqui os comentários do próximo capítulo.


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (II)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

II. Fatores do êxito da empresa agrícola

Neste capítulo, Furtado nos explica como se deu a questão de se fazer valer a pena manter as terras brasileiras sob o domínio português. Os espanhóis encontraram ouro logo de cara nas terras que ocuparam, cometendo o genocídio dos povos maias, astecas, incas e demais etnias das Américas e roubando o ouro e demais metais preciosos desses povos. O objetivo principal era o ouro, mas não encontrando o metal no Brasil, o que fazer para dar alguma serventia a essas terras?

Produzir açúcar. Os portugueses dominavam a técnica há décadas e com o financiamento dos holandeses foi possível dar alguma serventia ao solo continental do Brasil. Os fatores de produção incluíam a questão da mão de obra e a solução foi desenvolver em larga escala o comércio de seres humanos, outra "indústria" portuguesa. Sequestrar homens e mulheres no continente africano e vendê-los como escravos no Brasil... assim foi possível desenvolver a indústria da cana-de-açúcar e comercializar aquele pozinho branco doce e delicioso para as mesas dos nobres e abastados europeus...

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COMENTÁRIO

Que merda isso! Passados 500 anos temos no mesmo solo, o Brasil, mais de 100.000.000 (cem milhões) de pessoas passando fome e uns poucos filhos da puta com milhões de hectares de nosso solo produzindo commodities para exportação... nada de novo no front... o agro não é pop, é de uns desgraçados que há séculos odeiam o Brasil e o povo brasileiro. 

No capitalismo feijão, arroz, trigo, milho, carne animal, soja, leite e frutas não são alimentos, são mercadorias, são capital para os capitalistas. E tem um monte de gente pobre, que não é capitalista, que defende os verdadeiros capitalistas de continuarem f... com todo mundo.

William

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Leia aqui comentários sobre o próximo capítulo.


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Filme - O diário de Anne Frank, de 1959



Refeição Cultural

Depois de ler o livro emocionante O Diário de Anne Frank, assisti ao filme em preto e branco, de 1959.

A leitura do Diário é muito melhor, evidentemente. Mas gostei do filme. 

Diferente da leitura que é claustrofóbica, o filme alterna momentos bons e ruins da família escondida, e a alternância de momentos específicos de alegria, romances, tristeza e miséria humana, quebra um pouco a sensação pura e depressiva da prisão no Anexo.

Inversamente do que ocorre normalmente comigo, foi mais fácil assistir às 3 horas de filme que ler as 350 páginas do Diário

Na leitura, senti a sensação de confinamento e falta de liberdade que a jovem nos relata.

William


sábado, 1 de agosto de 2009

Livro: O Diário de Anne Frank - Otto Frank e Mirjam Pressler



Refeição Cultural

Veja esta reflexão de uma adolescente judia, de 14 anos, enclausurada em um esconderijo fugindo dos nazistas, em 1944:

"Como, sem dúvida, você pode imaginar, nós costumamos dizer, desesperados: 'Qual é o sentido da guerra? Por que, por que as pessoas não podem viver juntas em paz? Por que toda essa destruição?'

A pergunta é compreensível, mas até agora ninguém conseguiu uma resposta satisfatória. Por que a Inglaterra fabrica aviões e bombas maiores e melhores e ao mesmo tempo constrói casas novas? Por que se gastam milhões com a guerra a cada dia, enquanto não existe um centavo para a ciência médica, para os artistas e para os pobres? Por que as pessoas têm de passar fome quando montanhas de comida apodrecem em outras partes do mundo? Ah, por que as pessoas são tão malucas?

Não acredito que a guerra seja apenas obra de políticos e capitalistas. Ah, não, o homem comum é igualmente culpado; caso contrário, os povos e as nações teriam se rebelado há muito tempo! Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez!"


COMENTÁRIO: As mesmas perguntas podem ser feitas hoje (2009). Vimos recentemente bilhões de dólares aparecerem para salvar alguns bancos e magnatas. Foi uma quantidade de dinheiro impensável. Mas nunca apareceu parcela desse dinheiro para acabar com a miséria e a fome no mundo.


A leitura do Diário de Anne Frank é necessária a todas as pessoas em algum dia de suas vidas.

Desde adolescente ouço falar dele. Como disse antes sobre o momento, ele chegou em minha vida aos quarenta.

Vejo os movimentos políticos na Europa, com partidos de direita ascendendo ao poder com propostas fascistas e que discriminam os diferentes, os "bárbaros - aqueles que vêm de fora" - e me assusto com os rumos possíveis disso.

Como vejo a História Humana em ciclos, receio que tempos ruins globais voltem amanhã.

É verdade que nesses ciclos históricos tem muita coisa boa como, por exemplo, os governos mais populares e democráticos eleitos na última década nas Américas.

É urgentíssimo, como sempre foi, educar as massas para a desalienação e pela busca, através da Democracia, de seus direitos humanos.

Há duas formas de mudar a realidade social: pela Democracia, através da consciência de classe e do voto em processos eleitorais transparentes e em condições igualitárias ou pela Revolução, através da força e da guerra (quase sempre sem resultados para o povo, além da morte).

A guerra, aliás, também é a solução econômica para crises capitalistas - manda-se o filho "dos outros" para matar e morrer em nome da "Pátria".

Entre a Guerra e a Diplomacia (Política) eu prefiro esta.

É buscar educar as massas, é dar oportunidades iguais, inclusive com políticas afirmativas, e ensinar a Ética e os Direitos Humanos - sempre!!


William Mendes