Mostrando postagens com marcador Ushuaia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ushuaia. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (1) - El Sur, Jorge Luis Borges



EL SUR - JORGE LUIS BORGES


Desde uno de tus patios haber mirado

las antiguas estrellas,

desde el banco de sombra haber mirado

esas luces dispersas 

que mi ignorancia no ha aprendido a nombrar

ni a ordenar en constelaciones,

haber sentido el círculo del agua

en el secreto aljibe,

el olor del jazmín y la madreselva,

el silencio del pájaro dormido,

el arco del zaguán, la humedad

- esas cosas, acaso, son el poema.


---

COMENTÁRIO:

Ler este poema de Jorge Luis Borges, tendo voltado esta semana de Ushuaia, na Argentina, me fez pensar no céu que se vê de lá. A foto que ilustra a postagem é um instante do céu de Ushuaia, no Extremo Sul da Argentina.

Pretendo ler poesia neste mês de dezembro, ao menos um poema por dia. Comecei com Borges por ainda estar encantado com a viagem que fizemos à Tierra del Fuego, ou Terra do Fim do Mundo.

El Sur, é lá que estivemos. 

William Mendes


Bibliografia:

BORGES, Jorge Luis. Antología poética 1923-1977. Biblioteca Borges - Alianza Editorial. Publicado originalmente em 1981. Décima reimpresión: 2005.


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Partindo de Ushuaia (ARG)



Refeição Cultural 

Ushuaia (ARG), 29 de novembro de 2024. Sexta-feira.


Estamos de saída da Terra do Fogo, do assentamento humano mais austral do continente americano, segundo os argentinos. Chilenos contestam porque a cidade de Puerto Williams (CHI) está mais ao Sul, do outro lado do Canal de Beagle, mas é um assentamento bem pequeno. 


Ushuaia é considerada a "Terra do fim do mundo", o cu do mundo (rsrs). Não sou eu quem diz isso, são os locais. Vejam na placa acima: "Culo del Mundo".

Não basta um self hoje em dia, os turistas
"emporcalharam" a placa de adesivos...

Chegamos aqui no domingo e fizemos alguns passeios durante a semana. Eu gosto de estudar e conhecer a história dos lugares que conheço. Vou ler mais a respeito de Ushuaia.

Foto que tirei na Secretaria dos
Povos Originários do governo local. 

O livro sobre o primeiro assentamento dos colonizadores (invasores) europeus que adquiri é para ver como a questão tem sido tratada pela comunidade local (foto que abre a postagem).


Gostamos do passeio. É muito legal conhecer outras culturas, comunidades humanas e lugares distintos do nosso.

O Farol do Fim do Mundo.

Eu sinto uma fraternidade imensa por nossos irmãos e irmãs de Nuestra América. Sou humanista, de esquerda e contra as diversas formas de imperialismo. 


Senti o quanto é sensível para uma pessoa argentina a questão das Ilhas Malvinas, e me solidarizo com los hermanos.

---

Enfim, voltando ao Brasil, nosso país sul-americano. 

William Mendes 

29/11/24


quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia em movimento (ARG)


Docentes na luta pela educação.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 28 de novembro de 2024. Quinta-feira


Ushuaia em movimento

No dia que chegamos à cidade, um domingo, almoçamos perto do Hotel Albatros, onde nos hospedamos. Em frente ao hotel, um veículo de city tour chama a atenção por sua caracterização: fotos e maquetes com motivos de presidiários e força policial.

Soubemos que a cidade fundada em 1884 teve sua população aumentada por causa do presídio e dos presos transferidos de diversas regiões do país para cumprirem penas em Ushuaia, por causa das características da cidade de isolamento e lugar desafiador à vida humana. Era a Alcatraz dos argentinos.

No city tour, passado com presidiários.

ALMOÇO E JANTA

Sendo o almoço a nossa primeira refeição local, não tínhamos muita noção dos preços. Os dois pratos de macarrão, suco e cerveja foram caros, pagamos 52.000 pesos no cartão (mais de 300 reais na conversão!). Após essa referência, tivemos mais facilidade em perceber o valor das coisas em Ushuaia e procuramos locais mais em conta para comer.

Povoamento de Ushuaia contou com colônia penal.
Foto no veículo de city tour em frente ao hotel.

Almoçamos no primeiro dia com um casal de brasileiros que conhecemos no avião. Foi um momento de interação com pessoas de nosso país, moradores do Rio de Janeiro.

Como passamos a noite de sábado acordados, tivemos que dormir um pouco no domingo à tarde, para podermos andar pela cidade de noite.

---

Locais imitam presos para pessoas de diversos países.

A cidade é muito visitada por estrangeiros da Europa, pelo que pude perceber, e por asiáticos. Aqui tem muitos orientais, talvez chineses, porque o sistema de tradução do "Trem do fim do mundo" tem versão das explicações em mandarim.

Imagino que para turistas com poder de compras em Dólar ou Euro as coisas aqui devam estar com preços razoáveis, ou baratos; já para um turista brasileiro, com poder de compra em Real e um câmbio no cartão de mais ou menos 165, tudo é muito caro. Para se pagar em real, se consegue até 200 no câmbio (uns 20% melhor). 

Como disse na postagem anterior (ler aqui), cobrar quase 500 reais para um casal visitar um museu é algo surreal, fora de lógica.

Pobreza do povo sob o governo de Milei.

A Argentina está passando por um período difícil, a considerar o povo e a classe trabalhadora, pois o governo atual, de extrema-direita, está impondo pesados custos para os mais pobres no país, e os trabalhadores aqui enfrentam os mesmos problemas que os de outras partes do mundo. As mazelas do capitalismo estão para além das fronteiras nacionais.

Na quarta-feira de manhã, ao ouvir uma manifestação na rua principal, saí do hotel para verificar o que seria e era uma manifestação das professoras e professores das escolas públicas de Ushuaia. Eles estão em luta por recomposição salarial.

Em defesa da
educação pública.

As jornadas de trabalho aqui devem ser excessivas como no caso dos trabalhadores brasileiros. As mesmas pessoas que vemos atendendo na hora do almoço nos estabelecimentos, vemos atendendo de noite. De novo: me parece que essa situação é característica em países "ferozmente" capitalistas. A jornada 6x1 massacra aqui e no Brasil.

Enfim, impressões que fui tendo entre domingo e quarta-feira.

---

Em Ushuaia, um esquerdista e uma professora.

NO BRASIL, BOLSONARISMO NO CONGRESSO TENTA DESVIAR ATENÇÃO PARA OS CRIMES SOB INVESTIGAÇÃO

Enquanto isso no Brasil, a maioria parlamentar de extrema-direita, uma maioria de gente desqualificada e odiosa eleita após o auge da operação lesa-pátria chamada Lava Jato, abriu a temporada de pautas bombas para tentar salvar os golpistas liderados pelo clã bolsonario, que planejou um golpe de Estado com assassinato de Lula, seu vice e um ministro do STF. 

O bolsonarismo fascista aprovou na CCJ uma PEC do estupro pior que a anterior que havia pautado antes. Se depender dessa gente, nenhuma criança estuprada faria o aborto. Querem desviar a atenção dos crimes de seus líderes com pautas sensíveis aos direitos humanos e das maiorias excluídas dos direitos sociais, civis e políticos no país.

Mundo em movimento intenso.

William Mendes


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia (ARG)


Vista aérea.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 26 de novembro de 2024. Terça-feira.


Impressões

Escrever sobre um lugar que se está conhecendo enquanto a viagem está em curso não é um trabalho simples para mim. Em geral, prefiro estudar um pouco a respeito da geografia do local, da cultura de seu povo e da história daquela comunidade para me sentir mais confiante em não escrever bobagem.

Extremo Sul da Argentina.

Estamos em Ushuaia, na Argentina, a cidade mais austral do país e do continente americano. Mais "austral" significa mais ao Sul. Pelo que ouvimos por aqui, estamos a cerca de mil quilômetros da Antártida. Como estamos em novembro, não está em período de neve, porém, faz frio diariamente. Nesta semana, a temperatura está entre 4 e 5º e chegando a 13º. Anoitece depois das 22h e amanhece lá pelas 5h da manhã. O vento é muito gelado.

Paisagem da janela.

Saímos de São Paulo no sábado de noite e após dois voos ao longo da noite, chegamos a Ushuaia pouco depois das 10h da manhã. Viemos pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Não houve atrasos e correu tudo bem nos voos. São umas três horas até Buenos Aires e mais três horas e pouco até a "Terra do fim do mundo", um dos simpáticos apelidos da cidade. Os assentos dos voos são muito apertados, alguém maior que nós sofreria muito.

Calle San Martín.

Tudo aqui é muito caro, ao fazer o pacote de viagem já sabíamos disso. Achamos melhor contratar os passeios que faríamos com nossa agente de viagem. Querem exemplos de valores em reais na conversão ao pagar com cartão de crédito? Dois pratos de macarrão com refrigerante num mercadinho local: 162 reais (26.800 pesos). Duas garrafas de 1,5L de água: 30 reais (4.800 pesos). Uma refeição pode custar de 10.000 a 35.000 pesos, ou seja, de 60 a 200 reais, uma refeição! Sabem quanto custam duas entradas no museu local? 36.000 pesos cada (uns 450 reais o casal).

Hotel Albatros.

Apesar de apontar essa primeira impressão sobre os preços das coisas e os perrengues comuns de voos como, por exemplo, assentos apertados, a viagem para conhecer a cidade de Ushuaia está valendo muito a pena. É evidente que há nos preços locais um componente relativo às características da cidade: distante de tudo e foco no turismo. 

---

Comendo uma pizza.

Viajar é uma experiência incrível e conhecer lugares e culturas diferentes da nossa é algo que nos marca para sempre.

Se conseguir, vou fazer algumas postagens sobre a experiência cultural ao se visitar o "fim do mundo". 

Na extensão do Blog Refeitório Cultural, dedicada a fotos, farei postagens com imagens que tenha gostado (ver aqui).

William Mendes

26/11/24