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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Entrevista: Leonardo Boff (2005)



Refeição Cultural

A Fundação Perseu Abramo publicou em abril de 2006 o livro "Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". À época, a entrevista da filósofa Marilena Chaui foi fundamental para mim, dirigente sindical da categoria bancária. 

Estávamos no ano de eleições presidenciais e o primeiro governo Lula havia enfrentado uma crise política motivada principalmente pelas questões de financiamento de campanhas eleitorais, crise batizada pelos nossos inimigos de classe como crise do "mensalão", uma invenção do deputado Roberto Jefferson (PTB) em entrevista à Folha de S. Paulo, à Renata Lo Prete, em junho de 2005. 

A crise trouxe à público a questão do "caixa dois", prática de uso de recursos não contabilizados formalmente pelos partidos. Dirigentes do PT e aliados tiveram que responder a processos referentes a isso.

Feita a contextualização do momento no qual o livro foi lançado, registro a atualidade dos pensamentos e reflexões de Leonardo Boff, ao rever a entrevista. Mais ainda, a leitura de "A Carta da Terra", aprovada em 14/03/2000 pela Unesco, me fez lembrar o quanto é antigo e urgente o tema do colapso social e ambiental. O documento deveria ser adotado por todas as instituições da sociedade humana. 

Enfim, eu não teria condições de destacar na postagem tudo que considerei relevante, são dezenas de páginas de reflexões e ideias extraordinárias. 

Cito alguma coisa e sugiro aos leitores do blog que leiam na íntegra as 4 entrevistas do livro. Vocês vão se surpreender com a atualidade das reflexões de Chaui, Stedile, Wanderley Guilherme e Boff.

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UTOPIA

"A utopia pertence à realidade. A realidade nunca é apenas o dado empírico. Ela contém dentro de si infindas virtualidades e possibilidades."

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IMPORTÂNCIA DA BASE

"Ligados organicamente às bases, os políticos são continuamente educados, reeducados pelo povo e nele encontram mil razões para continuar a lutar por causas justas que atendam às demandas desse povo."

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INDIVÍDUO E REVOLUÇÃO 

"A revolução, para ser radical (mudança de rumo na história para atender às demandas da população sistematicamente negadas), precisa envolver todo o homem e todos os homens." (A palavra homem está aqui como genérica de homens e mulheres)

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"Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar. Se não mudar, a revolução em algum momento mostrará seu impasse. Foi por não ter tido cuidado com esse processo global, que inclui o sujeito concreto e pessoal, que o socialismo, no meu entender, abortou seu projeto libertador."

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"O sujeito não pode ser entendido nos moldes do liberalismo e da visão burguesa da sociedade, em seu esplêndido isolamento e independência. O sujeito é sempre e concretamente um nó de relações, não apenas sociais (a tendência do pensamento de Marx), mas de relações totais e em todas as direções, até aquelas que incluem o transcendente e a sede de infinito."

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"Não basta que sejam transformadas apenas as relações sociais. Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar."

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"Viva de tal maneira que aquilo que você vive possa ser válido para todos os demais seres humanos." (Kant)

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Sobre o PT 

"Pretendeu, na linha de Paulo Freire, fazer dos pobres e excluídos, uma vez conscientizados e organizados, os sujeitos do processo de libertação."

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO 

Nesta parte da entrevista, Boff explica o que é a Teologia da Libertação, fala sobre o papa Wojtyla (João Paulo II, inimigo da Teologia da Libertação) e Ratzinger (Depois Bento XVI), sobre marxismo e socialismo real etc. Muita informação relevante. 

"A Teologia da Libertação é uma teologia militante. Não se contenta em pensar a ortodoxia apenas como se faz normalmente nas faculdades de teologia. Quer a ortopráxis, quer dizer, incentiva uma prática que nasce do capital religioso do cristianismo, mas visa transformar a realidade social por considerá-la dissimétrica (analiticamente), injusta (eticamente) e pecaminosa (teologicamente). Essa libertação tem de ser libertação mesmo, quer dizer, não pode ser assistencialista e paternalista - que faz para os pobres, mas não se dá conta da força histórica dos pobres. Ela somente é libertadora se tiver os oprimidos (que são pobres e simultaneamente cristãos) como sujeitos de sua libertação, libertação com os pobres e a partir dos pobres. A igreja é apenas aliada e fornece os espaços institucionais aos pobres."

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Uma alternativa ao capitalismo 

"No fundo se pensava: o capitalismo não ocupa todo o espaço, há um antipoder, uma alternativa possível de organização das sociedades humanas, com limitações e avanços que não se podem desconhecer. Defendia-se não tanto o socialismo real, mas a oposição ao capitalismo."

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"A derrocada do socialismo atingiu a Teologia da Libertação, pois sabíamos que sem ele começaria a barbárie do capitalismo."

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A Teologia da Libertação e Marx

"A Teologia da Libertação nunca teve Marx como pai nem como padrinho. Ela bebeu primeiramente de sua própria fonte, que é a tradição judeu-cristã, que sempre deu centralidade aos pobres, ao tema da libertação do cativeiro egípcio e babilônico e à prática histórica de Jesus, que foi pobre e disse 'felizes de vocês pobres e ai de vós ricos'. E que não morreu tranquilamente na cama como um piedoso rabino cercado de discípulos, mas na cruz, fruto de um juízo político-religioso que o condenou com o castigo dado a revoltosos sociais."

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"Mas ela encontrou em Marx as boas razões para entender por que o pobre não é pobre, e sim um explorado e injustiçado. Ele é um empobrecido, feito pobre por fatores de ordem econômica, social e cultural, que hoje ganham corpo especialmente no capitalismo."

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Natureza e ambientalismo

"Precisamos de outro paradigma de civilização, que inaugure outro tipo de relação, não contra a natureza, mas em sinergia com ela."

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RETOMAR O CONTATO VIVO COM AS BASES

"Os membros do PT encontrarão mil razões para viver, para continuar no PT, quando se ligarem à vida concreta do povo."

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"A insensibilidade social dos estratos poderosos de nosso país é simplesmente criminosa."

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A LUTA PELA SUPERAÇÃO DAS DESIGUALDADES 

"O que escandaliza no Brasil não é tanto a pobreza mas a desigualdade social, porque ela esconde uma grave distorção política e ética da sociedade. Politicamente, significa que a sociedade não foi pensada para todos, mas fundamentalmente para atender às demandas das elites e dos incluídos no sistema de acumulação. Eticamente, significa uma falta perversa de humanidade, de solidariedade social e de compaixão para com a desgraça dos demais concidadãos."

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"Tudo o que se fizer para salvar vidas que estão sob risco não é assistencialismo nem paternalismo mas humanitarismo básico, em grau zero. Se falto a esse gesto me torno inumano e me faço inimigo de minha própria humanidade."

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Fé-libertação 

"O povo é pobre e religioso. Durante séculos vivia uma fé-resignação. A partir dos anos 1960 começou a viver uma fé-libertação."

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DEMOCRACIA SEM FIM E ÉTICA 

"Em ética não podemos ser ambíguos nem tergiversar. É de sua natureza a inteireza e a transparência."

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"Neste ponto prefiro ser kantiano: 'Age de tal maneira que tua ação possa ser válida para todos'. Se o PT aceitar o jogo da ética dominante, utilitarista e a serviço de interesses não coletivos, ele jamais inaugurará uma ruptura ética na política e perpetuará a sociedade que queremos exatamente superar..."

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CRISE ECOLÓGICA GLOBAL 

"A grande maioria da humanidade não se conscientizou suficientemente da singularidade do momento histórico que estamos vivendo. Nunca uma civilização como a nossa se propôs como meta explorar a Terra e seus recursos de forma ilimitada como no capitalismo..."

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, amig@s leitores, a resenha ficou grande, e deu trabalho fazê-la. 

Como digo a vocês, leiam a entrevista inteira. Nem parece que foi feita há 20 anos, de tão atual.

Sigamos estudando e compartilhando conhecimento. 

Podemos salvar a humanidade e o planeta através da educação, ciência e cultura. 

William 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Operação Cavalo de Tróia (18) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Quanto a Judas Iscariotes, nunca cheguei a saber com exatidão quais teriam sido seus verdadeiros sentimentos. Em um ou outro momento pareceu-me notar em seu rosto sinais evidentes de desacordo e repulsa. É possível que tudo aquilo lhe parecesse infantil e risível. Como gregos e romanos, considerava grotesco e desprezível todo aquele que consentisse em montar um asno. Creio não me equivocar se deduzo que Judas estivera a ponto de abandonar ali mesmo o grupo. Possivelmente detivera-o o fato de ser ele o 'administrador' dos bens. Isso significava uma possibilidade de dispor de dinheiro, e Judas sentia especial inclinação pelo ouro." (p. 168/169)


Quem descreve e analisa um dos apóstolos de Jesus Cristo na passagem acima é o astronauta do futuro - Jasão -, personagem de nossos tempos (século XX), infiltrado na comitiva do nazareno lá na longínqua Palestina do ano 30.

Esse é o enredo do livro "Operação Cavalo de Tróia" do escritor e jornalista J. J. Benítez, publicado pela primeira vez em 1984.

Quando li a história pela primeira vez, ainda adolescente, fiquei fascinado com a riqueza de detalhes contida no romance. 

O leitor daquela época era um cidadão brasileiro como a maioria em seu ambiente social, era católico e acreditava em toda sorte de abstrações criadas pela mente humana. 

Mesmo lendo hoje, sendo um materialista, acho o livro incrível! Ficção bem-feita é isso!

A postagem anterior pode ser lida aqui.

William 


domingo, 16 de março de 2025

O nome da rosa: não cuspam nos livros



Refeição Cultural 

Umberto Eco, um grande pensador 


Estou lá no meio do livro, pela edição dos Mestres da Literatura Contemporânea, da Editora Record, e no recomeço, pela edição da Biblioteca Folha. 

Comecei a reler o clássico porque percebi que estava lendo mal.

Como sinto a urgência do instante, preciso dar qualidade a qualquer coisa que decida fazer. 

Das citações da postagem, a lição: não molhem o dedo no cuspe e coloquem o dedo no papel do seu livro, ou de qualquer livro ou material gráfico. 

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Releitura 

Ao reler o começo da história, captei melhor a origem da parceria do noviço beneditino Adso de Melk com o sábio franciscano frei Guilherme de Baskerville, mais ou menos entre 1324 e 1327. (no Prólogo)

O pai do noviço lutava ao lado de Ludovico da Bavaria, que disputava a coroa de imperador de Roma com Frederico de Áustria, derrotado na disputa.

Ludovico representava o grupo que era adversário do papa João XXII, Jacques de Cahors, eleito em Avignon, em 1316. Ludovico foi excomungado por Cahors, o papa.

Teses sobre a igreja de Cristo

"É preciso dizer que, justamente naquele ano, tivera lugar em Perúgia o capítulo dos frades franciscanos, e o geral deles, Michele de Cesena, acolhendo as instâncias dos 'espirituais' (sobre os quais terei ainda ocasião de falar) proclamara como verdade de fé a pobreza de Cristo, que, se tinha possuído coisa com seus apóstolos, Ele a tivera apenas como usus facti..." (p. 21, da edição da Folha)

Local

"Acontece que dobramos para ocidente enquanto nossa meta última ficava a oriente, quase seguindo a linha dos montes que de Pisa leva em direção aos caminhos de San Giacomo, parando numa terra em que os terríveis acontecimentos que lá ocorreram depois me desaconselham a identificar melhor, mas cujos senhores eram fiéis ao império e onde os abades de nossa ordem opunham-se de comum acordo ao papa herege e corrupto. A viagem durou duas semanas, entrecortadas por vários acontecimentos, e nesse tempo tive oportunidade de conhecer (nunca o suficiente, como sempre me convenço) meu novo mestre." (p. 22)

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O CONHECIMENTO HUMANO DEVE SER PRESERVADO EM MEIOS FÍSICOS

"(...) Eis, eu me disse, a grandeza de nossa ordem: durante séculos e séculos homens como esses viram irromper as ordas dos bárbaros, saquear suas abadias, precipitar os reinos em vórtices de fogo, e, no entanto, continuaram a ler à flor dos lábios palavras que eram transmitidas há séculos e que eles, por sua vez, transmitiam aos séculos vindouros. Continuaram a ler e a copiar enquanto se aproximava o milênio, por que não deveriam continuar a fazê-lo agora?" (p. 215)

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"(...) O saber não é como a moeda, que permanece fisicamente íntegra mesmo através das mais infames trocas: ele é antes como um hábito belíssimo, que se consome através do uso e da ostentação. Não é assim de fato o próprio livro, cujas páginas esfarelam-se, as tintas e os ouros se tornam opacos, se muitas mãos o tocam? Bem, estava vendo a pouca distância de mim Pacífico de Tivoli que folheava um volume antigo, cujas folhas estavam como que grudadas umas às outras por causa da umidade. Ele molhava o indicador e o polegar na língua para folhear seu livro, e a cada toque de sua saliva aquelas páginas perdiam em vigor, abri-las queria dizer dobrá-las, oferecê-las à severa ação do ar e da poeira, que teriam roído as sutis veias que no esforço encrespavam o pergaminho, teriam produzido novos mofos lá onde a saliva tinha amolecido e enfraquecido o canto da folha. Como um excesso de doçura torna mole e inábil o guerreiro, este excesso de amor possessivo e curioso predisporia o livro à doença destinada a matá-lo." (p. 217)

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Não cuspam nos livros...

William 


sábado, 7 de dezembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (17) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Vi ali moedas gregas (tetradracmas de prata, didracmas áticas, dracmas, óbolos, calcos e leptons de bronze), romanas (denários de prata, sestércios de latão, dispondios ou assarius, semis e quadrantes) e, naturalmente, todas as divisões da moeda judaica (denários, maas e pondios, todas de prata, e asses, musmis, kutruns e perutás de bronze, entre outras)." (p. 161)


O cenário é Jerusalém no ano 30, dia 2 de abril. Jesus de Nazaré está com seus discípulos nos arredores do santuário dos judeus. 

O narrador, Jasão, está acompanhando presencialmente, como pode, os acontecimentos descritos nos livros sagrados. Ele viajou no tempo numa operação chamada "Cavalo de Tróia".

Logo veremos, como leitores dos relatos, a treta que rolou entre Jesus e os cambistas no templo. Jasão disse que a passagem histórica será no dia seguinte, dia 3.

É isso. Seguimos na releitura desta narrativa incrível. Li o livro na adolescência e décadas depois ainda me surpreendo com a verossimilhança com que Benítez nos conta a história de Jesus. 

William Mendes 


sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (16) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Mas, que classe de sentimentos podia provocar no povo um homem de semelhante estatura no lombo de um burrico? Indubitavelmente, uma das razões para entrar assim na Cidade Santa tinha de ser buscada em uma intencional ideia de ridicularizar o poder puramente temporal. E Jesus ia consegui-lo..." (p. 154)


Seguindo na leitura do Diário da Operação Cavalo de Tróia, realizada no início dos anos setenta, segundo o escritor J. J. Benítez. 

O astronauta infiltrado na comitiva de Jesus de Nazaré, com o nome de Jasão, descreve para nós os acontecimentos do dia 2 de abril do ano 30, um domingo. 

Jesus sai de Betânia e vai entrar em Jerusalém montado em um burrico para se cumprirem as profecias (p. 152). O Nazareno disse isso ao próprio Jasão. 

Benítez cita até nosso Leonardo Boff na nota de rodapé na página 154, tudo para dar veracidade à sua narrativa. 

Enfim, repito o que já disse sobre este livro: ele é incrível, me impressionou na juventude e ainda me impressiona hoje. É muito bem escrito.

O autor diz que não é ficção... que seria um relato jornalístico. Tudo bem. O escritor é soberano em suas opiniões. 

Por outro lado, a obra dele é pública e eu acho que ela é ficção. Enfim, para mim é uma boa narrativa.

Sigamos na leitura.

William 


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (15) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Li mais algumas páginas do livro de J. J. Benítez.

O Diário do Major, que estava disfarçado como Jasão entre Jesus e seus discípulos, finalizou a descrição daquele sábado, dia 1° de abril do ano 30.

O astronauta alegou suspeitar por que motivo Judas Iscariotes teria traído Jesus de Nazaré. Ele teria se sentido humilhado ao ser repreendido em público e seria uma forma de vingar-se do Mestre.

"(...) Judas Iscariotes havia caído em um impenetrável silêncio. Seus olhos assustavam-me. Destilavam um ódio surdo e contido. Era visível que havia tomado aquelas palavras de Jesus como reproche pessoal e, sem dúvida, havia se sentido ridicularizado diante de toda aquela gente..." (p. 144)

O reproche foi porque Judas não achou certo Maria, irmã de Simão, gastar um produto fino e caro nos cabelos e pés de Jesus. Achava ele que o produto seria melhor utilizado se fosse vendido para alimentar os pobres.

Jesus deu-lhe um chega pra lá ao dizer que os pobres estarão sempre aí para serem alimentados, enquanto ele próprio, Jesus, logo logo não estaria mais entre eles...

Estamos falando aqui de falso moralismo, né não?

Seguimos na leitura. 

William 


domingo, 20 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (14) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Jesus havia-se desembaraçado do manto. Sua esplêndida túnica branca aparecia agora, cingida por um cordão. Entre a algaravia dos pequeninos, o Mestre, vez por outra, abria seu riso, limpo e aberto, como aquela luminosa manhã. Em verdade, o que mais me emocionou foi ver como aquele homem feito e perfeito, capaz de desafiar os sumos sacerdotes e de ressuscitar os mortos, saltava, corria ou caía ao solo, entregue incondicionalmente às exigências daquela gente miúda." (p. 135)


O Diário do Major descreve uma cena matinal das cercanias de Jerusalém, no sábado, 1° de abril do ano 30. 

Imaginem vocês a emoção que seria ter a oportunidade de se sentar ao lado de Jesus de Nazaré e conversar com ele. Foi essa cena que li agora no livro de Benítez. 

Jasão, o astronauta da Operação Cavalo de Tróia, dialogou com Jesus, após este brincar com as crianças no pátio da casa onde estava.

Ao final do primeiro diálogo com o "gigante", a forma como Jesus é descrito no Diário, o Nazareno diz a Jasão:

"- O segredo para possuir a Verdade só está em meu Pai. E em verdade te digo que meu Pai sempre tem estado em teu coração. Tens apenas de olhar 'para dentro'... Bem-aventurado o que busca, conquanto morra crendo que jamais encontrou. E ditoso o que, à força de buscar, encontra. Quando encontrar, perturbar-se-á. E, havendo-se perturbado, maravilhar-se-á e reinará sobre tudo." (p. 137)

É ou não é um livro muito bem escrito este de Benítez?

Sigamos sem pressa. 

William 

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (13) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Como estava longe dessa imagem grave, atormentada e longínqua que nos transmitem tantos dos livros do século XX... Jesus de Nazaré era uma mescla de menino e general; de ingênuo pastor e compenetrado analista; de homem que vive plenamente cada dia e de prudente conselheiro. Mas, acima de tudo, notava-se que era feliz. Muito mais alegre e despreocupado do que seus próprios amigos e discípulos, visivelmente agitados pelas ameaças do sumo sacerdote." (p. 130)


Essa história de Jesus de Nazaré retratada por J. J. Benítez é muito instigante. Sempre achei isso.

Estou lendo minha velha edição dos anos oitenta, que já foi até emprestada e devolvida em péssimo estado. 

Vejam essa descrição que o Jasão faz de Judas Iscariotes:

"(...) Permaneci como que hipnotizado, a contemplar aquele tipo fraco e esgrouviado, de algo mais de um metro e setenta de estatura e cabeça pequena. Seu nariz aquilino destacava-se sobre a pele pálida, quase macilenta, dando-lhe o clássico 'perfil de pássaro' que eu havia estudado na classificação tipológica de Ernest Kretschmer..." (p. 130)

E o homem de nosso tempo infiltrado entre os discípulos de Jesus terminaria sua análise sobre Judas dizendo que ele seria um grande tímido. 

"A verdade é que, à medida que fui conhecendo o caráter desse homem, ia me convencendo de que se tratava, na realidade, de um grande tímido, que não havia tido oportunidade de desenvolver seu imenso caudal afetivo." (idem)

Parei a leitura do Diário do Major, ou o relato de Benítez, ao final do dia 31, sexta-feira, do ano 30, em Betânia, Judeia.

Seguimos a leitura. 

William 


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (12) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Lendo algumas páginas do livro de J. J. Benítez, fico pensando a respeito do momento atual: a Palestina tomada pela guerra sionista contra os outros povos que habitam a região há séculos... que dureza!

Os homens sempre se mataram justificando as eliminações dos outros através de religiões e deuses. E, no fundo, o extermínio do outro é só porque o homem é um ser que mata seu semelhante por motivos banais.

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No enredo do livro, Jasão amanheceu no dia 31 de março do ano 30 na casa do ressuscitado Lázaro, amigo de Jesus. Tomou seu café composto por leite de cabra, fatias de pão tostado, e generosas porções de queijo e mel. (p. 124)

A casa de Lázaro está agitada naquela manhã. Anunciam que Jesus vem chegando. Ele está a menos de 2 Km de Betânia (a uns dez estádios).

Vejam o que o Major diz em seu Diário:

"Posso jurar que, apesar de minha intensa preparação, dos longos anos de treinamento e da minha condição de cético, a família de Lázaro conseguiu contagiar-me com sua excitação. Sem poder evitá-lo, um calafrio percorreu-me a coluna vertebral..." (p. 126)

E, então, nosso personagem do século vinte, viajante no tempo até os dias de Jesus de Nazaré, nos descreve o primeiro contato visual com o homem, que chamará de "gigante".

"Sua extraordinária compleição - no primeiro momento calculei-lhe a altura em um metro e oitenta centímetros - fazia-o, ao lado da quase totalidade dos circunstantes, um gigante. Vestia um manto de cor bordô que lhe cingia o tórax e cujas extremidades envolviam o pescoço e caíam sobre os ombros largos e poderosos. Uma longa túnica branca, de amplas mangas, cobria-o quase até os tornozelos. Não vi faixa ou cinto algum. Na fronte trazia enrolado um lenço branco que lhe caía sobre os cabelos do lado direito." (p. 127)

Emocionante, não é? Até para um cético!

Seguimos na releitura. 

William 


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (11) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Pouco depois, os três irmãos prostraram-se diante do rabi, agradecendo-lhe o que havia feito. Mas Jesus, tomando Lázaro pelas mãos, levantou-o, dizendo: 'Meu filho, o que sucedeu a ti sucederá a todos aqueles que creiam no Evangelho: ressuscitarão sob a forma mais gloriosa. Tu serás o testemunho vivo da verdade que tenho proclamado: eu sou a ressurreição e a vida. Agora vamos tomar o alimento para nossos corpos físicos'." (p. 116)


Benítez conta aos leitores o que está registrado no Diário do Major. São as primeiras horas na Palestina do ano trinta. 

Acabamos de ler o relato da ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus.

Ao final do primeiro dia, 30 de março, Jasão (o Major) aceitou a hospitalidade de Lázaro e pernoitou na casa do ressuscitado. 

"As emoções do dia haviam-me despertado o apetite e, ante o olhar comprazido de meus novos amigos, não tardei em dar boa conta do grão tostado, dos figos secos, das tâmaras, do mel e da terrina de leite de cabra que compunham minha ceia." (p. 122)

Seguimos com a leitura. 

William 


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (10) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"- Isso é o que eles dizem. Os longos anos de dominação estrangeira têm fortalecido a esperança nesse Messias, convertendo-o em um chefe político que libere Israel do jugo romano. Os sacerdotes sabem que o mestre predica outro tipo de 'liberação' e consideram-no um impostor. Isso seria suficiente para acabar com a vida de Jesus. Mas não é tudo..." (p. 107)


Jasão (da Tessalônica), a denominação do Major a partir do momento da saída do módulo e do contato com as pessoas na Palestina do ano 30, está na casa de Lázaro, amigo de Jesus, morto por doença e depois ressuscitado pelo Nazareno.

Os moradores da casa de Lázaro explicam ao estrangeiro Jasão, os receios que têm em relação a segurança e à vida do Mestre. São as primeiras horas do Major na Palestina. 

Amiga e amigo leitor, a releitura desse livro apenas começou. 

William 


sábado, 14 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (9) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"30 DE MARÇO, QUINTA-FEIRA 

(...) Às dez horas e quinze minutos o módulo pousou, por fim, sobre o cimo do Monte das Oliveiras..." (p. 90)


Enfim, vencidas dezenas de páginas introdutórias, o leitor e a leitora de Benítez pousam na Palestina do ano trinta de nosso calendário. Vamos viajar no tempo com o astronauta da Operação Cavalo de Tróia.

"Apesar de estar vendo com meus próprios olhos, quão difícil me foi, naquelas primeiras horas, adaptar-me à ideia de que retrocedera no tempo e que o que me cercava era a Palestina do Imperador Tibério!" (p. 99)

Denominações de Jesus de Nazaré à época, segundo o autor, ou segundo o Diário do Major:

"(...) 'O Galileu, de fato, recebia o apelido de tecton - como carpinteiro, construtor ou ferreiro - de acordo com a versão que sobre esse termo dava o escrito rabínico Shabbat, 31a. Também Marcos faz alusão a tecton em 6,3'." (p. 100)

O Major, já entre os habitantes da época, avista Lázaro:

"(...) No jardim, sobre um banco de pedra, à sombra de frondosa figueira, estava sentado um homem. Vestia uma túnica com franjas verticais vermelhas e azuis, de compridas e amplas mangas. Umas três dezenas de homens rodeavam-no, alguns sentados a seus pés. Absortos, aqueles judeus escutavam e contemplavam o homem de corpo enxuto e rosto picado de varíolas. Era Lázaro!" (p. 101/102)

É isso! Começamos a aventura no passado...

William 


domingo, 8 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (8) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

O Diário do Major detalha como se dará a "Operação Cavalo de Tróia" durante os onze dias nos quais a nave e os viajantes ficarão em Betânia e Jerusalém no Ano 30.

"A segunda - a mais arriscada e atrativa, sem dúvida - obrigava ao abandono do 'berço' por um dos exploradores, que deveria misturar-se com o povo judeu daquela época, convertendo-se em excepcional testemunha dos últimos dias de Jesus, o Galileu. Esse era o meu 'trabalho'." (p. 72)

Benítez descreve como o viajante no tempo, o Major, se preparou por dois anos, para se misturar ao povo judeu dos anos trinta.

LINGUAGEM 

"Boa parte desses vinte e um meses dediquei ao duro estudo da língua falada por Cristo: o aramaico ocidental ou galileu (...) não me foi muito difícil localizar os três únicos rincões do planeta onde ainda se fala o aramaico ocidental: a aldeia de Ma'lula, no Antilíbano e as pequenas povoações, hoje totalmente muçulmanas, de Yubb'adin e Bah'a, na Síria." (p. 72)

E depois o astronauta ainda aprendeu noções básicas de grego e do hebreu mishinico, que também se falava na Palestina de Cristo.

LOCAL NO ANO 30

(...) os especialistas do Projeto Cavalo de Tróia haviam avaliado que o Monte das Oliveiras era a zona apropriada para base do 'berço'. Sua proximidade da aldeia de Betânia e Jerusalém o havia convertido em lugar estratégico para o 'descenço'." (p. 75)

Comentário: não sei por que a palavra "descenço" aqui. Segundo o dicionário Aurélio "descenso" significa "descida", o que contemplaria a semântica da frase.

QUANDO NO ANO 30

A operação se daria no ano 30 entre os dias 30 de março e 9 de abril, onze dias.

O lançamento do módulo ou "berço" na viagem no tempo seria em 30 de janeiro de 1973.

TRIPULAÇÃO 

A nave ou "berço" ou ainda "módulo" será tripulada pelo Major e por seu companheiro, apelidado no Diário de "Eliseu", responsável por permanecer os onze dias dentro da nave no Monte das Oliveiras. 

O DISFARCE DO MAJOR ENTRE OS JUDEUS

"(...) Como estrangeiro (minha atuação e costumes haviam sido escolhidos pela Operação Cavalo de Tróia como os de um comerciante grego de vinhos e madeira), sabia perfeitamente quais eram minhas limitações neste sentido. Não obstante, na suposição de uma emergência, sempre existiria o recurso da minha volta ao módulo." (p. 84)

Terminei a leitura do dia com o lançamento da nave na viagem ao passado... agora é andar entre Jesus e seus discípulos. 

É isso!

William 


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (7) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Benítez está lendo o Diário do Major da aeronáutica dos Estados Unidos. São diversas explicações científicas sobre descobertas que permitiriam a "Operação Cavalo de Tróia" viajar no tempo. 

Cito abaixo as três opções de datas e locais de viagem no tempo que o projeto teria avaliado fazer no início dos anos setenta (10 de março de 1971, segundo o autor).

"Os três objetivos em questão foram os seguintes:

1° - Março-abril do ano de 30 de nossa era. Justamente os últimos dias da paixão e morte de Jesus de Nazaré. 

2° - O ano de 1478. Local: Ilha da Madeira. Objetivo: averiguar se Cristóvão Colombo pôde receber alguma informação confidencial, da parte de algum pré-descobridor da América, sobre a existência de novas terras, assim como sobre a rota a seguir para alcançá-las.

3° - Março de 1861. Local: os Estados Unidos da América do Norte, propriamente. Objetivo: conhecer com exatidão os antecedentes da Guerra de Secessão e o pensamento do recém-eleito presidente Abraham Lincoln." (p. 69)

E aí?

Pensem que legal seria qualquer das três opções de investigação histórica...

Já sabemos que escolheram a primeira opção e vamos saber de Jesus Cristo e seus últimos dias na Terra.

Ler é uma das melhores coisas do mundo, na minha opinião de leitor. 

William 


terça-feira, 3 de setembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (6) - J. J. Benitez



Refeição Cultural 

"Por último, e seguindo um processo contrário, situar outro módulo ou laboratório no passado da Terra.

Eu fui designado para esse terceiro projeto - batizado como Cavalo de Tróia - e a ele, e a tudo quanto lhe dizia respeito até que se consumasse, em janeiro de 1973, referir-me-ei nesta primeira parte do diário." (p. 65)


Eu fico admirado com a capacidade do autor ao desenvolver explicações científicas para dar verossimilhança à história, que descreve uma viagem no tempo através de um artefato chamado pelo projeto de "berço".

Benítez descreve através do personagem "Major", autor do Diário, explicações com partículas subatômicas, Física Quântica e diversas outras teorias de Física e de Astronomia de forma tão convincente que os leitores vão se incorporando ao projeto da USAF como se fosse possível ler a respeito num jornal da época. 

É essa a beleza da arte e da cultura, aqui expressa através da literatura. 

William 


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Operação Cavalo de Tróia (5) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"No presente trabalho, levei a cabo a transcrição - o mais fiel possível - das primeiras 350 folhas do total de 500 que ambos os cilindros continham. Ainda que eu não vá revelar, por enquanto, o resto do projeto, posso adiantar, isso sim, que ele obedece a um denominador comum: uma 'grande viagem', tal como a define o próprio Major. Uma viagem que faria empalidecer Júlio Verne..." (p. 56)


Esse é o estilo do livro "Operação Cavalo de Tróia" (1984). O jornalista J. J. Benítez constrói a narrativa de maneira que seu leitor acredite estar lendo um documentário, um texto jornalístico. 

É uma técnica muito refinada. Grandes autores fizeram isso no passado, inclusive seu compatriota Miguel de Cervantes, em seu clássico sobre Dom Quixote de La Mancha. 

Eu não tive sono para ler essas primeiras dezenas de páginas, cuja trama descreve até passar a perna no FBI para sair dos EUA com os "diários" do oficial da aeronáutica do país. 

Enfim, agora começa o capítulo "O Diário" sobre a "grande viagem" que o Major vai nos contar...

William 


Frei Betto: una biografía



Refeição Cultural 

Um dos livros que trouxe de minha segunda viagem a Cuba foi a biografia do dominicano Frei Betto, que completou dias atrás 80 anos de vida.

Já li quase trezentas páginas do excelente livro produzido por Evanize Sydow e Américo Freire, cuja primeira edição é de 2016.

O livro me foi presenteado pelo estande onde estava disponível na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana. Ganhei outros livros de Betto. Eu estava acompanhando o Frei na ocasião. 

Amigas e amigos leitores, estar com Frei Betto, ouvi-lo palestrar e trocar ideias com ele é uma experiência transformadora. 

Tive essa oportunidade em Havana, por estar com uma amiga de Betto, nossa companheira Telma Araújo, mineira que organiza Brigadas de Solidariedade a Cuba.

Imaginem vocês a emoção que senti ao ler o prólogo escrito por seu amigo revolucionário, o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz! 

Fidel e Betto foram amigos por décadas. O Comandante diz sobre o amigo dominicano:

"Hombre sencillo, de habla pausada, con la modestia y la humildad que enaltece su condición de fraile, se identificó con los valores genuinos de nuestra revolución que, según afirma, son también los de la religión que él profesa: justicia, igualdad, compromiso con los pobres y discriminados."

Ao conhecer o que já li de sua biografia e ao ouvir e ler seus ensinamentos, me tornei um grande admirador de Frei Betto. Tê-lo entre nós é uma honra e uma oportunidade. 

Sigamos aprendendo com este grande ser humano. 

William Mendes 


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Operação Cavalo de Tróia (4) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

A sequência da narrativa na qual o jornalista e escritor J. J. Benítez descreve sua busca pelo documento deixado a ele por um oficial da aeronáutica dos Estados Unidos é empolgante.

Após o jornalista desvendar as mensagens em códigos deixadas pelo Major, Benítez chega à caixa postal de número 21 dos Correios. E, finalmente, acessa os documentos guardados ali.

"Mais alguns segundos e aparecia diante de mim um maço de papéis, cuidadosamente enrolados. Havia sido introduzido em uma capa de plástico transparente, hermeticamente grampeada na parte superior. Tive de recorrer a um aparador de unhas para fazer saltar os dezessete grampos. Com uma excitação difícil de descrever, deitei um primeiro olhar aos papéis e verifiquei que haviam sido datilografados em espaço pequeno e no que conhecemos como papel-bíblia. Cada folha (29 x 31 cm), até um total de duzentas e cinquenta, havia sido assinada e rubricada no canto inferior esquerdo pelo Major. Era a mesma letra - e eu diria até que a mesma tinta - que figurava ao pé da carta que eu havia encontrado na caixa postal 21 e acabara de abrir." (p. 40)

Parei a leitura no momento em que Benítez recebeu um telefonema da portaria do hotel informando ao jornalista que dois agentes do FBI queriam falar com ele.

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O livro Operação Cavalo de Tróia marcou um momento deste leitor blogueiro. 

O primeiro volume é de meados dos anos oitenta, eu vivia em Uberlândia, MG. 

É isso, por enquanto. 

William 


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Operação Cavalo de Tróia (3) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Ao ler mais algumas páginas do começo do livro de J. J. Benítez, fiquei me lembrando do passado.

Na história, o escritor está em busca de desvendar o mistério que se apresentou a ele por casualidade durante uma estadia na Cidade do México, em abril de 1980. 

Ele foi contatado por uma pessoa que se apresentou como oficial da aeronáutica dos EUA. Por mais de um ano, manteve contato com essa pessoa, denominada Major, e após o falecimento dela, Benítez sai em busca de desvendar uma mensagem cifrada em uma folha.

O jornalista foi aos Estados Unidos, no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington (DC). Ele tenta decifrar os códigos deixados pelo Major. É o ponto da leitura em que parei.

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Na época da primeira leitura dessa obra, na adolescência, eu era uma pessoa muito diferente da que sou hoje, uma obviedade, em tese.

Mas mudei bastante. Eu era religioso, bastante religioso. Na verdade, eu era propenso a crer em qualquer mística que existisse na época. Eu cria na existência de ETs e OVNIs, por exemplo. E Benítez trabalhava muito com essa temática, quer dizer, trabalha ainda. 

Confesso que a leitura do livro à época com a visão de mundo que tinha foi muito impactante. 

É isso!

William Mendes


Post Scriptum: o comentário seguinte sobre a leitura pode ser lido aqui.


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Operação Cavalo de Tróia (2) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

O começo da história (vou tratar assim a partir de agora em respeito ao autor) narra a forma como o jornalista e escritor J. J. Benítez teve contato com um oficial da força aérea dos Estados Unidos. 

Ele estava no México, no início dos anos oitenta, e após uma entrevista a um programa de TV falando sobre Jesus Cristo, especificamente sobre o martírio de Jesus em seus últimos dias, foi contatado por esse oficial norte-americano que se identificou como Major.

Benítez nos conta dos contatos que tiveram por meses, através de cartas, ele na Espanha e o Major no México. 

Repito o que disse no primeiro comentário sobre o livro Operação Cavalo de Tróia: a técnica narrativa de Benítez é incrível! Desde o início, parece que o leitor está lendo uma notícia jornalística cheia de suspenses e segredos.

É isso, por enquanto. 

William Mendes 


Post Scriptum: o texto seguinte sobre o livro pode ser lido aqui.