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sábado, 31 de maio de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 31 de maio de 2025. Sábado.


O MUNDO E A VIDA PODEM SER MELHORES

E mais um mês do ano vai terminando. O tempo segue avançando nos relógios do mundo humano. Marcação de tempo é uma invenção do animal homo sapiens. O restante dos elementos da natureza só estão por aí, estão, são, se transformam ou são transformados em outros elementos. No fundo, nós humanos também só estamos, somos, estamos por aí, por aqui.

Faleceram neste mês alguns seres humanos que eu os tinha como pessoas que contribuíram positivamente para a comunidade humana; morreram, não estão mais entre nós. 

Pepe Mujica estará por muito tempo nos corações das pessoas progressistas; esperemos que suas palavras e seu exemplo inspirem as pessoas que caminham pela Terra. Marcos Martins, nosso companheiro de Osasco, me inspirou a ser um bom sindicalista; ele fez o bem para muita gente em nossa cidade e Estado. O professor Evanildo Bechara foi um progressista no trato da Língua Portuguesa na questão da inclusão dos diversos falares de nosso povo. Sempre teve o meu respeito. Uma referência também. Sebastião Salgado foi e será por muito tempo um ser humano que inspira e exemplifica o quanto podemos ser melhores para o mundo.

O tempo segue na nossa vida de animais humanos que marcam o tempo... tic tac tic tac.

O mundo poderia e pode ser muito melhor para o conjunto da população e para a biodiversidade da Terra. Nós temos uma capacidade inacreditável de criar soluções para as coisas, os homo sapiens são seres vivos de grandes possibilidades. A questão que acompanha a nossa caminhada pelo planeta é: por que o mal está sempre prevalecendo na sociedade humana se somos seres dotados de inteligência? Como mudar isso?

Educar massivamente a população com princípios éticos e solidários é uma forma de melhorar a sociedade humana. Educação, cultura, ciência com ética, conhecimento voltado ao bem coletivo... elementos característicos das possibilidades da natureza do animal humano. Podemos mudar o mundo verdadeiramente se reunirmos as condições adequadas para tal mudança. Uma coisa é fato: nossa espécie desenvolveu tecnologia para fazer a vida no planeta Terra ser melhor para nós e para a biodiversidade. Desenvolvemos, sim.

Com atitude e estratégia adequadas, nós as pessoas de boa vontade pelo bem comum, podemos mudar a tendência atual do fim das condições de vida na Terra.

Eu sei que neste momento, neste exato momento, fim do dia 31 do mês de maio do ano de 2025 no Brasil e no mundo, as coisas estão ruins para o bem da humanidade e da biodiversidade. Eu sei. Genocídio do povo palestino e aumento dos miseráveis e gente sem-chão - expulsos pelos poderosos -, extrema-direita avançando, o capitalismo acelerando o lucro fácil e encurtando o amanhã de todos, as pessoas de boa vontade dispersas em pequenas bolhas e desunidas. Eu sei.

Eu não acreditei ser possível mudar o mundo e as pessoas até bem perto dos trinta anos de existência pela Terra. Nem viver eu queria, mesmo tendo importância para as pessoas de nosso meio social. Ao sobreviver às primeiras décadas, o caminhar encontrou veredas que me mudaram como pessoa, e nessas veredas acessei tudo aquilo que muda pessoas e o mundo: educação, cultura, ciência com ética, grupos éticos e solidários. Mudei porque os humanos podem mudar. Somos seres inteligentes.

Enfim, aos 56 anos de idade, estando ainda por aqui, sabendo que passaram pela Terra pessoas como Machado de Assis, lá no passado da escravidão no Brasil, vendo tanta gente boa nos locais mais simplórios do mundo, na região mesmo onde vivo, não tenho o direito de achar que o mundo não tem mais jeito, mesmo estando num cenário muito adverso para o bem comum. Meu percurso pela Terra exige de mim acreditar na vida e na inteligência humana.

Vem aí o mês de junho no meu mundo e no mundo todo. Vamos nos esforçar por viver decentemente, sem fazer mal a ninguém, e fazendo ações que possam de alguma forma melhorar a vida humana. Compartilhar pensamentos como esse é minha singela forma de defender que acreditemos que é possível fazer o mundo melhor. 

Não represento ninguém, já representei e tentei representar decentemente. Mas, no fundo, sou um exemplo de uma pessoa que foi modificada pelas oportunidades da educação, da cultura, da ciência, do acolhimento e da solidariedade das pessoas.

William


 
Com Pirulla, em 19/9/22.

Post Scriptum: estou na torcida pela recuperação do Pirulla, figura do bem, dessas que citei acima, que sofreu um AVC nessa semana. O pessoal mais próximo a ele pede apoio, pois ele cuida de seus pais idosos e não há previsão sobre sua condição de voltar ao trabalho de divulgação científica. 

PS 2: Torço pelas pessoas que conheço que estão na luta por suas condições de saúde e vida. São pessoas boas e que sempre praticaram o bem comum.


terça-feira, 13 de maio de 2025

Poema 29: Pepe Mujica, presente!


PEPE MUJICA, PRESENTE!


Hoje nos deixou Pepe Mujica.

Mujica nos deixou o exemplo,

nos deixou sábias palavras,

ensinamentos sobre a vida.


Papa Francisco e Mujica se foram.

Segue a luta pela paz e contra a fome:

temos Lula, Claudia Sheinbaum e mais.

Temos a juventude chegando e agindo.


Minha esperança não se apaga

ao ver a luta de Luna Zarattini,

a juventude do Coletivo JuntOz:

Heber, Gabi e Matheus em Osasco.


Mujica, és inspiração para os jovens.

O presidente Lula defende noite e dia

um mundo mais justo e solidário, sem fome.

Esperanço com a juventude! Sigamos!


Companheiro Pepe Mujica, presente!


William

13/05/25


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Diário e reflexões


Papa Francisco e Presidente Lula.
Roma, jun/2024. Foto: Stuckert.

Refeição Cultural

Osasco, 26 de fevereiro de 2025. Quarta-feira.


Papa Francisco

Ao assistir ao filme "Dois papas" (2019), de Fernando Meirelles, fiquei reflexivo, talvez saudoso.

Sei o que é ser religioso, ter fé e basear sua vida através dos dogmas da religião católica. Fui cristão até uns trinta anos de idade. Fui criado e aculturado em ambientes dominados por concepções religiosas e esse acontecimento formativo deixa marcas no seu ethos para sempre.

O Papa Francisco está doente e eu estou na torcida por sua recuperação. Eu o considero uma pessoa importante para o mundo no qual nos encontramos neste momento da história. Um mundo em desfazimento civilizacional.

Enquanto assistia ao filme, fiquei refletindo sobre diversas questões de nosso tempo. Não me saía da cabeça as figuras do Lula, do Pepe Mujica e do Papa Francisco. Tenho uma leitura que eles são os últimos representantes de uma espécie de ser humano em extinção, os últimos de nossa geração.

Esses três homens são figuras que alcançaram uma expressão global, que ultrapassaram as fronteiras de suas nacionalidades e grupos de representação local, e que representam bandeiras que estão perdendo a batalha para a incivilidade e para a destruição do próprio planeta onde vivemos.

Me dá um aperto no peito pensar no desaparecimento dessas três figuras. Não vejo substitutos para o que eles representam e com a grandeza que eles representam bandeiras como a luta contra a fome, a busca da paz e um mundo mais justo e sustentável. Um mundo tolerante com o diverso.

Coração apertado porque tenho grande apreço pelo Papa Francisco, por nosso presidente Lula e pelo querido Pepe Mujica. O dia que essas figuras não estiverem mais entre nós será um dia de mais pessimismo da razão e menos otimismo no amanhã.

É o que estou sentindo.

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Pensando sobre essas coisas, também ando ressabiado pelo que tenho sentido em relação a mim mesmo, à minha própria existência e sobre perspectivas de futuro.

A cada dia, mais sinto as limitações que meu corpo vai me impondo a partir do meu sistema locomotor. Sou uma pessoa bastante naturalista, sempre fui. Cheguei até aqui sem fazer conta de grandes intervenções no corpo que me conduz. 

Ao fazer uma caminhada qualquer e imaginar que não vou melhorar a ponto de fazer uma corrida de São Silvestre, uma romaria como fiz a vida toda, talvez nem andar por aí nos próximos anos... sinto uma tristeza incômoda. Sigamos!

Vivo o agora como se fosse o último instante. Estou firme nestes dias no que defini para o mês de fevereiro. Vou terminar a revisão do texto do livro de memórias, fiz revisões em meus blogs e avancei em alguns cadernos. Não terminei livro algum que estou lendo, mas a prioridade foram as que falei acima.

Meu pensamento está na torcida pela saúde do Papa Francisco e do presidente Lula e pelo conforto do querido Pepe Mujica.

William


terça-feira, 30 de abril de 2024

Diário e reflexões - Abril



Refeição Cultural - Abril

Osasco, 30 de abril de 2024. Terça-feira.


O mês de abril vai terminando. Foi um mês desafiador para nosso núcleo familiar. A saúde das pessoas queridas anda meio complicada. Depois de cuidados com pai e mãe tentando descobrir o que eles têm, irmã com dengue e pneumonia na família, no último dia do mês acordo com a notícia de nossa pequena Olga internada ainda sem sabermos o que ela tem. Saúde é a melhor coisa do mundo! 

Ainda sobre a saúde de pessoas queridas e referências para nós que lutamos por um mundo mais justo e solidário, causou grande tristeza a notícia sobre Pepe Mujica, que revelou ontem a descoberta de um tumor de difícil tratamento no esôfago. Ao ler as palavras poéticas do ex-presidente uruguaio em redes sociais, meus olhos encheram-se de lágrimas. Que figura extraordinária!

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"En mi vida, más de una vez anduvo la parca rondando el catre, pero me siguió pastoreando. Esta vez me parece que viene con la guadaña en ristre...

Mientras pueda, seguiré militando y entretenido con las verduras. Mientras el rollo aguante, voy a seguir..." (Mujica)

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Ainda é noite de 30 de abril e não sei se vou amanhã ao 1º de maio em São Paulo. Estou com a cabeça em Uberlândia, nos problemas de saúde de minha família.

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APRENDIZADOS AOS 55 ANOS

Relações humanas serão cada dia mais difíceis

Neste mês de abril fiz aniversário e fiquei impressionado ao perceber que fui muito mais longe do que poderia imaginar nas fases anteriores do viver. Talvez por isso, e não só por isso, tenha sido um mês no qual me peguei pensando muito na vida. E ainda calhou de ser um período de complicações na saúde das pessoas mais próximas, o que me fez pensar mais ainda sobre a vida.

O período me permitiu pensar mais sobre aquela questão que tem me feito refletir sobre a existência humana: a vaidade. E enquanto refletimos sobre a vaidade humana, vamos experimentando as oportunidades para testar nossa humildade, e talvez a gente compreenda o quanto somos impotentes e o quanto dependemos uns dos outros. Tentei ser humilde em alguns momentos difíceis neste mês de abril.

Nas conversas ao longo do mês, compreendi que a gente não conhece as pessoas, ou não conhece mais as pessoas (ou achava que conhecia as pessoas). É verdade que tudo muda o tempo todo, que todo mundo muda, que mudança é uma das certezas da natureza, mas quero dizer que hoje, mais que nunca, não conhecemos as pessoas, nem as mais próximas a nós. Essa percepção não é uma tragédia. É só um alerta para sermos cuidadosos no trato com qualquer pessoa, conhecida ou desconhecida. 

Entendi e devo me esforçar para tratar as pessoas, mesmo as conhecidas, como se desconhecidas fossem - como se as contatasse pela primeira vez -, porque devemos tratar com respeito e civilidade qualquer pessoa. Se tratarmos com cortesia e amor as pessoas, talvez consigamos estabelecer uma relação cordial. Opiniões sobre qualquer coisa devem ser evitadas, ou devemos avaliar a necessidade de opinar sobre qualquer coisa. 

As duas últimas décadas mudaram os seres humanos. Tenho uma teoria de que fomos experimentos dessas big techs e suas ferramentas de manipulação do comportamento humano. Todo cuidado é pouco nos diálogos com as pessoas. É melhor dizer o que pensa só se for estimulado a isso. Pelo menos em diálogos. 

Outra coisa é dizer o que pensa em textos de contribuição ao debate em espaços como este blog, as pessoas que lerem o que penso aqui terão lido por espontânea vontade, não porque tiveram que ouvir o que penso num espaço de diálogo presencial ou virtual.

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Estudos e cultura podem salvar pessoas e o mundo

Ao longo do mês, mesmo com dificuldade de tempo dedicado à leitura, tentei ler e estudar para aprender coisas novas e para ver se consigo avançar na compreensão das coisas a partir de novas informações culturais.

Nos últimos dias, dei uma focada em acabar a leitura de alguns livros que estavam pela metade. 

Vi alguns filmes interessantes e estudei um pouco de línguas estrangeiras.

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É fim de noite e não estou com cabeça para escrever mais. Ainda não temos notícias definitivas sobre o diagnóstico da filhinha de minha sobrinha. 

(Post Scriptum: Olga teve gripe A e ficou internada alguns dias. Felizmente se recuperou)

Abril acabando. 

William


Post Scriptum: o registro do meu mês de março pode ser lido aqui.