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sexta-feira, 17 de julho de 2026

HQ: Persépolis - Marjane Satrapi



Refeição Cultural

"Naquele dia, aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos quando ainda é possível suportar a infelicidade... quando ultrapassamos esse limite, o único jeito de suportar o insuportável é rir dele." (Marjane Satrapi)


Soube pela imprensa que a autora de Persépolis faleceu em junho deste ano. O HQ é muito conceituado e traduzido para diversas línguas. Sua publicação original se deu em 4 volumes, entre 2000 e 2003. Eu não conhecia Marjane Satrapi e sua obra. 

Decidi ler esse clássico importante de Marjane, uma autobiografia, para conhecer sua história e um pouco sobre a cultura persa. Encontrei uma bela edição da Quadrinhos na Cia - Companhia das Letras -, em volume único, com tradução de Paulo Werneck.

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É PRECISO SABER PERDOAR... MAS QUEM QUER PERDÃO POR MATAR?

(Marji e sua mãe em casa, após Marji e amiguinhos planejarem linchar o filho de um assassino do regime anterior)

- Mas, mãe, o pai do Ramin matou...

- Eu sei.

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- É o pai dele! O Ramin não tem nada a ver com isso!

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- Além do mais, não sou eu nem você quem vai fazer justiça. E é preciso saber perdoar. 

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(Marji e Ramin na rua)

- Seu pai é um assassino, mas você não tem nada a ver com isso! Eu te perdoo!

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- Ele não é assassino! Ele matou uns comunistas, e os comunistas são o demônio!

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(Marji com a mãe em casa)

- Mãe, falei com o Ramin. Ele disse que o pai dele fez bem em matar os comunistas. 

- Meu Deus! Ele repete tudo o que ele ouve. Um dia ele entende...

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- É preciso saber perdoar! É preciso saber perdoar!

(Marji pensa: "eu tive a sensação de que era uma pessoa muito boa.")

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A AVÓ DOS SEIOS COM PERFUME DE JASMIM

(Na véspera da viagem, a vovó foi dormir lá em casa)

- Posso dormir com você?

- É pra isso que eu estou aqui!

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(Fiquei olhando a vovó se trocar. Toda manhã, ela colhia jasmins e punha no sutiã, para se perfumar. Quando tirava o sutiã, as flores iam caindo dos seios dela.)

(Era um espetáculo.)

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- Vovó, como você faz pra manter os peitos tão redondos, nessa idade?

- Ponho cada um numa tigela de água gelada, por 10 minutos, de manhã e à noite. 

(Era verdade. E eu já sabia que ela fazia isso. Só queria ouvi-la contar.

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- Vou sentir saudade. 

- Mas eu vou visitar você, lá. 

(Ela também estava mentindo.)

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- Olha, não quero dar uma de moralista, mas vou te dar um conselho que sempre vai ser útil pra você. 

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- Na vida, você vai encontrar muita gente idiota. Se te ferirem, pensa que é a imbecilidade deles que os leva a fazer o mal. Assim você vai evitar responder às maldades deles. Porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança... seja sempre digna a você mesma. 

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(Eu estava sentindo o cheiro do peito da minha avó, era bom. Nunca vou esquecer aquele perfume. 

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A PIETÁ DE MARJANE COM UM CHADOR NEGRO NA CABEÇA DE MARIA 

De volta ao Irã, após 4 anos em Viena, Áustria, Marjane participa do concurso nacional para entrar na universidade e consegue uma vaga.

Ela passou maus bocados em Viena, chegou a morar na rua por meses, no inverno, e quase morreu.

Ao voltar ao país islâmico, enfrentou uma forte depressão e quase morreu durante uma crise.

Ela nos conta que ficou bem feliz com o seu desenho da Pietá, de Michelangelo, adaptada para o mundo islâmico. O desenho fez parte de sua prova de vestibular. Ela passou em Artes Graficas.

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COMENTÁRIO FINAL 

Terminei a leitura emocionado. Agora conheço o clássico Persépolis e a história de Marjane Satrapi, que faleceu muito cedo, aos 56 anos de idade. 

Conhecendo sua história através de Persépolis, eu fiquei pensando no quanto Marjane deve ter sofrido em fevereiro deste ano, já deprimida, ao saber do bombardeio da escola em Minab, que vitimou mais de uma centena de meninas iranianas.

A história de Marjane é a história de milhões de meninas e mulheres desse mundo humano injusto e dominado pela violência dos homens. 

Temos que lutar pela igualdade de direitos entre homens e mulheres e pela liberdade das mulheres em relação aos homens. 

Estamos num momento de retrocessos nos direitos fundamentais das pessoas e esse fato só nos deixa a opção de lutar pela igualdade, liberdade e justiça. 

Ler e conhecer obras como a de Marjane Satrapi é uma forma de tomar conhecimento da condição das mulheres no mundo. 

William 

17/07/26

terça-feira, 30 de julho de 2024

Leitura: Gen Pés Descalços (10) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural

Gen Pés Descalços

Volume 10


A leitura de Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, foi uma experiência nova para mim que não tinha o hábito de ler mangás. O clássico japonês das Histórias em Quadrinhos foi um presente que ganhei de meu filho.

O que é?

Nakazawa retrata a história de uma família japonesa moradora de Hiroshima durante a 2ª Guerra Mundial e nos anos posteriores ao fim da guerra, à derrota do Japão e ao lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

A família Nakaoka é pacifista e seu comportamento contrário à guerra gerou um ódio violento contra si por parte das pessoas de sua comunidade e das autoridades do governo militar, cujo imperador é considerado um deus e figura que não pode ser questionada.

Quando e onde?

A história de Gen e sua família começa a ser narrada a partir do dia a dia em Hiroshima, Japão, no mês de abril de 1945. A guerra está perdida pelo Eixo - Alemanha, Itália e Japão -, mas o imperador japonês e seus comandantes militares não aceitam a derrota em hipótese alguma e seguem colocando todos os recursos do país numa guerra perdida.

O povo está passando fome e com falta de todos os recursos básicos da vida em sociedade. É neste contexto que passamos a acompanhar o dia a dia da família Nakaoka.

Como e por quê?

Gen e seus irmãos aprendem com seus pais a serem pacifistas e resistentes à toda aquela dificuldade que o povo está enfrentando. A receita é ser como o trigo que no inverno precisa ser pisado ao nascer para criar raízes fortes e dar bons frutos mesmo sob condições duras da natureza.

Chega o dia 6 de agosto de 1945 e os EUA lançam a bomba atômica sobre Hiroshima... (me arrepiei até para escrever aqui no blog)

A partir daquele momento, os sobreviventes enfrentarão o inferno na Terra. A miséria e a fome serão maiores ainda. A brutalidade das pessoas será exponenciada. Será cada um por si para a sobrevivência a cada dia.

A criança que sobreviveu à explosão, Gen, irá aos poucos se forjar a partir da sobrevivência diária e a formação que obteve de seus pais será a referência de seu caráter.

O pequeno Gen fará de tudo para cuidar tanto de sua família quanto dos amigos que vai fazendo e dos estranhos que decide ajudar por causa de seu coração puro e bom.

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UMA OBRA-PRIMA EM DEFESA DA PAZ MUNDIAL

Essa é a história em dez volumes Gen Pés Descalços, publicada pela primeira vez nos anos setenta e traduzida no Brasil décadas depois.

Seu autor, Keiji Nakazawa, acabou produzindo um obra-prima a partir de suas experiências pessoais, pois ele tinha seis anos de idade quando sobreviveu à bomba atômica em Hiroshima. Só ele e a mãe sobreviveram.

Felizmente, o mundo da arte e da cultura ganhou um grande desenhista e mangaká que anos depois passou a criar histórias pacifistas a partir de seus traços incríveis e com forte personalidade.

Foi uma experiência impactante conhecer esse novo tipo de cultura, à qual não estava familiarizado.

Aos leitores e leitoras do blog fica a sugestão de conhecerem a cultura dos mangás e Histórias em Quadrinhos, caso ainda não conheçam.

Durante a leitura de Gen Pés Descalços, fui fazendo uma postagem com comentário a cada volume. Caso haja interesse em ler os textos é só clicar aqui e ler a partir do primeiro volume.

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TEREMOS NOVAS HIROSHIMAS E NAGASAKIS?

A leitura dessa obra-prima pacifista se deu num momento trágico da sociedade humana. Estamos à beira de uma ou várias guerras que trarão grande perda de vidas e destruição do planeta. A guerra na Ucrânia e o genocídio na Palestina são exemplos do que estamos vivenciando.

O império decadente dos Estados Unidos sinaliza que não aceitará a volta do mundo multipolar e para tentar se manter como dono do mundo causará as guerras de destruição da vida como nós as conhecemos hoje.

Quem vai parar o desejo de guerras totais dos Estados Unidos?

William


segunda-feira, 29 de julho de 2024

65 de 100 dias



65. O final da história de Gen Pés Descalços foi emocionante, me levou às lágrimas. Foram dez volumes e mais de 2,5 mil páginas acompanhando a saga de uma família japonesa da cidade de Hiroshima. 

A história da família Nakaoka é uma obra autobiográfica de Keiji Nakazawa, que no dia 6 de agosto de 1945 sobreviveu à bomba atômica lançada pelos Estados Unidos. O autor nos transporta para aquele cenário e os anos seguintes ao final da guerra e ao período de miséria e morte pela radiação em centenas de milhares de vítimas.

A coleção de mangás foi presente de meu filho. Um belo presente! O Mário acabou me apresentando uma nova forma de cultura. Me envolvi com a obra ao longo da leitura. Nakazawa me fez chorar e refletir muito com seus traços marcantes e com cenas de forte impacto.

Estou num período de busca de sentidos e por mudanças e cada dia é mais um dia para ler, estudar e escrever, para tentar compreender a vida e a sociedade na qual vivemos.

Hoje fui "acabativo", algo que falei lá no primeiro dia dessa centena de dias. Que venham outras finalizações de coisas iniciadas e nunca terminadas.

William


domingo, 28 de julho de 2024

Leitura: Gen Pés Descalços (9) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural 

Gen Pés Descalços 

Volume 9


Retomei a leitura de Gen Pés Descalços, estou no penúltimo volume da obra de Keiji Nakazawa.

O volume começa com Gen Nakaoka se despedindo de seu irmão mais velho Kouji, que foi viver sua vida com Hiroko.

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INJUSTIÇA 

Logo de cara, no dia seguinte à despedida do irmão, os leitores já sofrem junto com Gen pela luta inglória dele e de Ryuta contra a prefeitura de Hiroshima, que decidiu desapropriar sua casa para fazer uma obra pública. 

É muita injustiça!

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DOR E CICATRIZ PARA LEMBRAR DE LUTAR CONTRA AS INJUSTIÇAS 

Gen acaba se ferindo na mão para marcar para sempre aquele momento de derrota para o Estado, ele vai sempre lutar contra injustiças praticadas por autoridades. (p. 34/35)

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NATSUE CONSEGUE SUA URNA MORTUÁRIA TODA ESTILIZADA COM AS IMAGENS DOS AMIGOS 

Um dos arcos deste volume do mangá que me deixou abalado foi sobre a personagem Natsue, criança vítima da bomba atômica. 

Os acontecimentos, a postura do personagem Gen e o desfecho mexem com os leitores. Fiquei passado com essa parte.

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A ARTE NÃO TEM FRONTEIRAS

E não é que é verdade? Olha eu aqui lendo Gen Pés Descalços!

Gen Nakaoka ouviu esse conceito inspirador de um velho artista - Seiga Amano - ao doar a ele as tintas que tinha consigo. (p. 138/139)

Gen decidiu que também seria artista e pintor depois desse diálogo.

Ele: "Talvez eu me torne pintor também" e completa: "Porque gosto de desenhar".

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GEN APRENDE A DESENHAR E PINTAR 

No arco seguinte, a violência é extremada novamente. Só o que vemos são pessoas maltratando Gen e seus amigos. 

Para resolver um problema, Gen aprende a desenhar e pintar com o senhor Seiga Amano.

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UM POVO EMBRUTECIDO PELO FASCISMO E PELA GUERRA 

O último arco deste volume nos põe a pensar sobre as consequências da cultura do militarismo, da falta de humanismo e da miséria causada por governos plutocratas.

Gen sofre sério risco por causa da inveja de outra pessoa. Ao invés de outro rapaz que trabalha com desenho e pintura tentar melhorar suas habilidades, ele acaba sofrendo por ver a evolução de Gen.

O rapaz é também uma vítima da guerra, os leitores veem isso no arco.

As reflexões estão ali para quem quiser refletir.

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COMENTÁRIO FINAL

Ganhei a coleção Gen Pés Descalços, com dez volumes, de meu filho. Foi uma longa jornada de leitura. Me surpreendi com a história e a cultura contidas neste clássico HQ japonês.

Vamos agora para o desfecho da história da família pacifista Nakaoka, vítima da guerra e da bomba atômica.

Gen é um personagem que também retrata a história de vida do autor e sua família, Keiji Nakazawa, sobrevivente de Hiroshima em 1945.

Grande aprendizado, grandes reflexões. 

William 


Post Scriptum: a leitura da postagem anterior pode ser feita aqui. O comentário do primeiro volume pode ser lido aqui.

64 de 100 dias



64. Após caminhar ontem 31,5 Km, hoje foi dia de descansar. Mesmo assim, ao acordar, fui andar 4 Km até o mercado para comprar algumas coisas. 

Decidi ler durante o dia. Escolhi o mangá Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa. Infelizmente, enquanto lia um autor japonês, a seleção brasileira de futebol feminino sofria uma virada decepcionante nos acréscimos para as japonesas nas Olimpíadas na França. Competência das japonesas, vacilo nosso.

Terminei agorinha a leitura do 9° volume do clássico japonês que retrata as agruras da família Nakaoka e do povo japonês por causa da 2ª Guerra Mundial e das bombas atômicas lançadas pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki. O governo militarista japonês pertencia ao Eixo fascista, era aliado de Hitler e Mussolini. 

Por falar em imperialismo e fascismo, estou na expectativa do resultado da eleição presidencial venezuelana. Estou na torcida pela vitória do chavista Nicolás Maduro e pela continuidade da Revolução Bolivariana contra os candidatos de extrema-direita bancados pelos EUA. 

Como disse num texto político anteontem (ler aqui), entre nós da esquerda não pode haver dúvidas em situações como essa da Venezuela: nossos inimigos são os fascistas, a extrema-direita e o imperialismo norte-americano, o capitalismo neoliberal plutocrático. Temos que apoiar a Revolução Bolivariana e Maduro representa isso. Ponto!

Sobre democracias e ditaduras: minha opinião baseada na experiência que acumulei em décadas de luta política e estudos é que não há na atualidade mais possibilidades de termos democracias no século XXI. O que temos nos EUA faz tempo e no Brasil após o golpe de 2016 são plutocracias (ditaduras do capital). A Venezuela e Cuba se aproximam muito mais de uma democracia do que esses dois que citei. Conheço o sistema cubano e o povo lá está no comando do país.

Aliás, hoje o comandante Hugo Chávez completaria 70 anos. Grande figura de Nuestra América. Hasta la Victoria, Comandante Hugo Chávez!

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É isso! Fechando mais um dia em minha vida.

William (ainda um caminhante. Caminhar faz parte de mim)


Post Scriptum: felizmente, Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela. Viva a Revolução Bolivariana e o povo venezuelano!


segunda-feira, 8 de julho de 2024

One Piece - Zoro, o caçador de piratas



Refeição Cultural 

Luffy chega à cidade da base da marinha, interessado em encontrar o tal Roronoa Zoro.

A cena na qual Zoro aparece amarrado em um tronco é impactante e ele tem uma expressão assustadora. Uma cara de mau de verdade!

Luffy fica de longe observando os acontecimentos. Helmeppo, o filho de um dos capitães da Marinha - Morgan Mão de Machado -, maltrata uma garotinha que tentou dar comida ao Zoro.

Após Luffy ter o primeiro contato com Zoro amarrado, o preso pede a ele a comida que a garotinha trouxe e que foi pisoteada por Helmeppo. Zoro comeu com gosto a comida pisada e suja.

Zoro acredita que será solto se cumprir sua pena de um mês amarrado no tronco. Luffy ouve depois da boca do próprio Helmeppo que vão executar Zoro em três dias. 

O jovem Chapéu de Palha fica puto ao descobrir que estão enganando Zoro. Luffy enche de porrada o filho do Capitão Morgan e decide convidar Zoro a ser seu companheiro. 

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SER O MELHOR ESPADACHIM DO MUNDO 

Nos capítulos seguintes, vemos o desenrolar da história. 

No capítulo 4 "Morgan Mão de Machado, o capitão da Marinha", vemos o quanto o cara é cruel e o quanto a Marinha é corrupta e opressora.

No cap. 5 "O Rei dos Piratas e o Grande Espadachim", vemos em flashback o passado de Zoro, de quando era criança, e o seu objetivo na vida:

"Quando eu crescer, quero atravessar os mares e ser o espadachim mais forte do mundo!!" (p. 134)

Os leitores conhecem Kuina, a filha do mestre do jovem Zoro. Ela venceu Zoro 2001 vezes. Uma das espadas de Zoro era de Kuina. Ele usa três espadas nas lutas, estilo Santou-ryu. 

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No capítulo 6 do 1° volume do mangá - "O primeiro do bando" - Zoro aceita ser companheiro de Luffy. 

E conhecemos mais um golpe de Luffy, o gomugomu-no-muchi, o chicote de borracha. 

Enfim, nos capítulos 7 "Amigos" e 8 "A aparição de Nami" ficamos conhecendo mais alguns personagens: ouvimos falar do pirata Buggy, o palhaço, que também comeu uma fruta do diabo. E aparece uma ladra chamada Nami...

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AMIZADE

O anime One Piece trabalha de forma muito interessante a questão da amizade. 

No início, já vimos isso quando Shanks reage ao bandido da montanha por ver seu amigo Luffy em apuros.

Agora vimos novamente a importância da amizade na relação de Luffy com Kobi.

Como já assistimos mais de 300 episódios do anime, garanto aos leitores que terão momentos marcantes sobre amizade nas sagas e arcos de One Piece

O texto anterior sobre o Luffy Chapéu de Palha pode ser lida aqui.

William 


sábado, 22 de junho de 2024

One Piece

 


Refeição Cultural 

Dois cinquentões que assistem One Piece com o filho 


Ao terminarmos mais uma saga* de One Piece, a Saga Water 7, composta pelos arcos Water 7 e Enies Lobby, podemos dizer que conhecemos um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e sua tripulação. Já assistimos 315 episódios do anime. Luffy quando criança comeu acidentalmente um fruto do diabo que deu a seu corpo as propriedades da borracha.

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CONEXÃO ENTRE PAI, MÃE E FILHO

Como começamos a ver animes?

Sempre gosto de me lembrar como foi que comecei a ver anos atrás animes com meu filho e com minha companheira. 

Eu trabalhava em Brasília, na autogestão em saúde dos funcionários do BB, e tinha uma agenda de muitas viagens às unidades nos Estados. Meu filho estudava no interior de São Paulo. Era comum cada um dos três estar longe um do outro.

Ao pensarmos uma forma de fazermos algo juntos, meu filho sugeriu vermos anime. Deu certo! Os três colocavam o episódio no ponto e: um, dois, três e já...

Por muito tempo, vimos assim episódios de algum anime, cada um num canto do país, mas ligados por uma sessão simultânea de anime, e depois comentávamos a respeito do episódio. 

Foi assim que Ione e eu já vimos dezenas ou centenas de episódios de diversos animes.

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OS PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA

O final da Saga Water 7 me levou às lágrimas! Impossível não se envolver emocionalmente com os personagens do bando de piratas do Chapéu de Palha.

Em casa, cada um tem seus personagens favoritos e alguns deles têm alguma característica que chama a atenção da gente.

Eu, por exemplo, fico puto com o comportamento do Sanji quando o assunto é mulher. Caraca, o cara não se emenda! Uma coisa é o personagem ser cavalheiro, gentil etc. Outra coisa é quase pôr tudo a perder quando o inimigo é do sexo feminino (ou quando faz de conta que é) e o cara não cumpre com suas obrigações com os Chapéu de Palha por causa do inimigo ser uma mulher. É algo irritante isso.

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A TRIPULAÇÃO DE PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA ATÉ A PARTE QUE CONHECEMOS

Nas primeiras sagas, vamos vendo Luffy constituindo sua tripulação de piratas.

O primeiro companheiro de Luffy é o espadachim Roronoa Zoro, na primeira Saga: East Blue.

Depois, da forma mais inusitada possível, uma ladra se junta a eles, Nami. Ela será a navegadora de Luffy.

O trio está em busca de um navio. É quando conhecem um mentiroso chamado Usopp. 

O bando consegue além de um tripulante mentiroso atirador de estilingue, o navio: Going Merry.

No próximo arco de East Blue, conheceremos o cozinheiro Sanji, que se junta aos piratas do Chapéu de Palha. 

Formada a tripulação inicial do jovem Monkey D. Luffy e já possuindo o navio Going Merry, os piratas do Chapéu de Palha saem em busca de seus objetivos: encontrar o tesouro One Piece.

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NOVOS TRIPULANTES NAS SAGAS ALABASTA E SKYPIEA

Enfim, depois se juntaram ao bando dos Chapéu de Palha mais dois tripulantes: Chopper, a rena com características humanas, que será o médico do navio, e Nico Robin, uma arqueóloga. 

E agora terminamos a Saga Water 7.

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COMENTÁRIO BREVE

O anime One Piece, de Eiichiro Oda, é uma epopeia contemporânea incrível.

Nela encontramos grandes questões e dilemas da sociedade humana: amizade, determinação, ética, traição, ganância, entre outros sentimentos e comportamentos humanos. 

O tempo todo, a cada arco de aventura, podemos refletir sobre política, história, tradições e costumes, organização social etc.

Antes de conhecer os animes e mangás, eu não imaginaria a profundidade e a complexidade por trás das histórias dos personagens dessas Histórias em Quadrinhos. 

Seguiremos conhecendo mais essa forma de cultura universal. 

William


*Post Scriptum: meu filho me explicou que essa questão de divisões por sagas não é consensual, que seria melhor falar só dos arcos. Pelo pouco que havia pesquisado, o filhão tem razão. Não sou um entendido em animes, muito menos no One Piece (tanto é que, por desatenção, havia escrito errado o nome na hora que fiz o texto). Acabei usando como fonte de dados uma linha que dividia os episódios ou as aventuras em sagas e arcos. Se for retirar a citação à "saga" teria que refazer o texto todo. Enfim, como disse, após 315 episódios do anime, a gente conhece um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e seus companheiros e companheiras. Só isso. Seguiremos aprendendo mais.


domingo, 9 de junho de 2024

Leitura: Gen Pés Descalços (8) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural 

Gen Pés Descalços 

Volume 8


Os acontecimentos neste volume sobre a história da família Nakaoka e dos amigos de Gen se passam alguns anos depois da bomba atômica em Hiroshima (06/08/45) e Nagasaki (09/08/45) e o fim da 2ª Guerra Mundial.

Mas, infelizmente, o enredo começa com informações sobre uma nova guerra no início dos anos cinquenta: a Guerra na Coreia, dividida no Paralelo 38° entre Coreias do Norte e do Sul. Os amigos do inteligente garoto Gen acham que isso não é com eles, só que uma das bases de ataque à Coreia do Norte está no Japão, sob domínio dos EUA. 

Gen explica aos amigos o perigo disso, pois a Coreia do Norte pode atacar a base inimiga no Japão. Gen e seu professor, pacifistas, atuam para que o Japão nunca mais se envolva em guerra alguma.

A história terá alguns arcos também. Veremos as tretas entre Gen e o jovem órfão Aihara, que mesmo sendo vítima da guerra, defende o militarismo e a violência. Os leitores vão conhecer a história do garoto bom de beisebol.

Veremos a lábia de comerciante de Ryuta, vendendo as roupas feitas por Natsue e Katsuko.

Óbvio que os leitores verão muita violência no HQ. Os pacifistas vão enfrentar a fúria das autoridades por se manifestarem. O cenário é de brutalidade, qualquer coisa se resolve com tapa na cara e porrada.

Neste volume teremos contato com drogas por causa das questões sociais: alcoolismo e uma droga injetável chamada Philopon ou Pon (uma metanfetamina).

E sofreremos juntos com Gen e Ryuta por causa dos efeitos da bomba na vida de todos os habitantes de Hiroshima. 

Ao final dos arcos deste volume, Gen terá cerca de 13 anos.

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A LUTA CONTRA AS INJUSTIÇAS 

O volume oito aborda temas políticos bastante atuais. Nakazawa faz os leitores refletirem sobre injustiças cotidianas da sociedade capitalista em qualquer época. 

Nas páginas 150 e 151 Gen fala sobre guerras por procuração. A cena mostra a Guerra da Coreia e os beneficiários por traz dela como, por exemplo, os Estados Unidos e os empresários japoneses que estão lucrando com a venda de armas: quanto mais guerra, mais lucro para os capitalistas japoneses. 

Depois, na página 194, Gen Nakaoka, sua família e diversas famílias pobres e vítimas da bomba atômica se veem envolvidas numa grave situação de risco de perda de suas moradias por causa de decisão tomada pela prefeitura de Hiroshima de desapropriação para construção da "Cidade da Paz".

Gen vê dois homens ao lado de sua casa e ao perguntar o que querem, eles informam da decisão estatal de desapropriação e dão um mês para a família Nakaoka sair dali e se virar.

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DEMOCRACIA DEVE RESPEITAR AS MINORIAS

Informaram que foi decisão de assembleia e Gen pergunta:

"Mas se, de dez pessoas, nove são a favor e uma é contra, o que acontece com a opinião dela? Ouvir os motivos e tentar resolver o problema desse único voto contra não seria a verdadeira democracia?"

E finaliza a argumentação certeira:

"Ficam dizendo que precisam seguir a democracia e decidem tudo na base do voto da maioria." (p. 194)

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Comentário: vejam o que está acontecendo neste exato momento no Brasil: alguns homens decidem privatizar as escolas, alguns homens decidem privatizar a água pública (Sabesp) etc e as maiorias que se danem, representadas pelos poucos votos contrários nas "assembleias", porque os processos eleitorais são corrompidos e comprados (uma plutocracia). É muito atual o enredo do HQ.

Mais um volume lido de Gen Pés Descalços. Vamos para o nono volume. O comentário sobre o primeiro mangá pode ser lido aqui

William


Post Scriptum: o comentário sobre o volume 9 pode ser lido aqui.


segunda-feira, 3 de junho de 2024

Leitura: Gen Pés Descalços (7) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural

Gen Pés Descalços

Volume 7


Dos volumes que já li de Gen Pés Descalços, talvez o sétimo seja o que tenha mais arcos ou pequenas histórias dentro da narrativa sobre a vida da família Nakaoka e do povo japonês no período posterior à derrota na guerra e após as duas bombas atômicas que mataram centenas de milhares de pessoas.

Já no início da história, Gen e Ryuta interrompem a busca de soluções para imprimir o livro "Fim de um verão" de Matsukichi Hirayama, contando ao mundo sobre as consequências da bomba atômica para o povo japonês. Eles precisam ajudar Noro, garoto que fugiu do reformatório com Ryuta e que queria se vingar do tio que roubou toda a herança de sua família, sendo responsável pela morte da irmã de Noro e prisão dele.

Esse arco foi resolvido graças à generosidade de Gen, um pacifista assim como toda a sua família. Da solução da história de Noro, os meninos foram atrás da impressão do livro do senhor Hirayama. Para isso, Gen procurou o senhor Bok, um coreano amigo da família Nakaoka desde antes da guerra.

O senhor Bok ajuda Gen e vemos no mangá a história dos coreanos subjugados pelos japoneses naquele período da guerra.


Neste momento da leitura, tomamos conhecimento de mais algumas informações relevantes para a história. O único que sabe ler no grupo de crianças vítimas da guerra, os amigos e protegidos de Gen, é ele mesmo, que deve estar com uns nove ou dez anos. Começa um arco aí, a leitura da história do senhor Hirayama, no livro "Fim de um verão".

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"O porto de Hiroshima, por exemplo, vivia repleto de soldados que só aguardavam o momento de serem enviados aos campos de batalha do Sul.", Gen leu no livro para os amigos. E continuou:

"Hiroshima era a cidade que sediava as divisões do exército japonês. Um lugar que prosperou como capital militar do país."

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Parte duríssima da história. Revemos toda a história e cenário do volume dois, o lançamento da bomba e as consequências dela. Cenas duras! O desenho de Nakazawa é impressionante!

Da distribuição do livro, começa um novo arco, porque era proibido aos japoneses falarem sobre a guerra e suas consequências. Os leitores vão conhecer agora os norte-americanos atuando no Japão como donos do mundo, os mesmos que ensinarão métodos de tortura aos ditadores sul-americanos nas décadas seguintes.

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NONSENSE que funciona bem com Nakazawa

Nakazawa tem uma forma muito peculiar de contar a história de seu povo, ele mescla na História em Quadrinhos violência extrema com humor, e a gente acaba entendendo o motivo de sua técnica. Neste volume, no arco dos agentes norte-americanos, os garotos em cativeiro "treinam" em si mesmos resistência às torturas que imaginaram que sofreriam em seguida. É algo nonsense, mas que dá todo o sentido naquela parte da história.

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Desse arco do cativeiro, surge outro bem legal. É a revanche! Os garotos descobrem como destruir as máquinas do inimigo com docinhos de açúcar.

O último arco do volume é muito emotivo. A mãe de Gen volta para casa, pois estava internada com a doença da bomba. O irmão mais velho dele, Kouji, também volta depois de um bom tempo sem notícias. A família está reunida novamente. 

Conhecemos a história do casamento dos pais de Gen e os duros tempos de guerra, quando o governo japonês torturava o próprio povo, quando alguém discordava da guerra e do imperador.

A mãe de Gen quer ir com a família a Kyoto e novamente vemos a humildade e determinação do garoto para conseguir os recursos para a viagem. Gen vai recolher fezes humanas para atingir seus objetivos.

Apesar do volume terminar de forma triste, vemos a determinação de Gen Nakaoka em querer falar com o chefão dos invasores norte-americanos e com o imperador do Japão sobre os efeitos da guerra e da bomba atômica.

Vamos para o oitavo volume. Como vocês perceberam, procurei falar das temáticas dos arcos sem dar spoiler sobre o que de fato aconteceu. Só lendo o mangá para conhecer os detalhes. O comentário do primeiro volume pode ser lido aqui. Os seguintes estão ao final de cada texto.

O volume seguinte, o oitavo, pode ser lido aqui.

William


quinta-feira, 30 de maio de 2024

5 de 100 dias



5. O que fazer numa centena de dias quando se está percebendo o mundo em processo progressivo de desfazimento? Hoje, entendo Drummond quando seus eu-líricos diziam que viver é uma ordem, viver apenas, sem mistificação. Compreendo o poeta. Viver para mim é uma necessidade (e não por mim)!

Eu posso parar as guerras em andamento? Posso interromper o extermínio do povo palestino executado pelos sionistas de Israel? Posso ajudar meus irmãos e irmãs cubanos vivendo carências materiais essenciais sob um bloqueio criminoso por parte do país mais terrorista do mundo, os Estados Unidos? 

Eu posso interromper as humilhações que os inimigos do povo e da classe trabalhadora brasileira e do país estão impondo ao presidente Lula através daquele parlamento com 400 bárbaros comprados com o dinheiro das poucas famílias bilionárias, o 1%, e comprados com o orçamento (inclusive o secreto) do país capturado por aqueles canalhas?

O que está ao meu alcance fazer para frear as injustiças e violências e ignorâncias do mundo no qual estou inserido como um dos participantes da sociedade humana? O que fazer?

Eu não sei.

Nos últimos dias, o que fiz foi me sentar com pessoas com as quais trabalhei e convivi por muito tempo e que considero como amigas para comermos uma pizza e conversarmos. 

Também estou passando uns dias com a família e com amigos na colônia dos professores do Sinpro SP na Praia Grande. Estou conversando com pessoas com as quais se pode conversar ainda. Isso é bom.

Em relação às leituras e textos em andamento, sobre a ideia de ser mais "acabativo", terminei mais um dos volumes do Gen Pés Descalços, História em Quadrinhos de Keiji Nakazawa, um mangá extraordinário que conta ao mundo a tragédia vivida pelo povo de Hiroshima, comunidade humana vítima da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos, o país mais terrorista do mundo. Li o volume sete, agora faltam três. (comentário aqui)

Enfim, não estou numa função social atualmente que me permita ou que me facilite a condição para mudar a realidade injusta e perversa da sociedade humana. Isso não é uma desculpa para não fazer nada para mudar a realidade ruim, não é. Mas ainda não me vejo pertencente a um movimento desses muda-mundo.

Se for avaliar criticamente e honestamente, diria até mesmo que os movimentos aos quais participei por um bom tempo em minha vida profissional, movimento sindical e partidário, que já tiveram força para mudar realidades da classe trabalhadora, hoje têm dificuldade para apontar um horizonte e utopias para o povo trabalhador e sem posses.

Se o Partido dos Trabalhadores não for enfático em alguma bandeira que o diferencie dos demais partidos tradicionais, dizendo aos seus filiados, militância e simpatizantes qual sua posição em relação ao capitalismo, por exemplo, terá cada dia mais dificuldade de mudar a realidade do povo trabalhador e sem posses.

É a minha opinião.

Muitas lideranças do PT querem "humanizar" o capitalismo, ao invés de deixar claro que temos que superar esse sistema destrutivo do mundo e do ser humano.

Acho isso foda! Francamente!

Bom, como a vida de todos nós está muito instável, não sabemos se as guerras tomarão conta de tudo e nosso cotidiano será invadido por uma delas, talvez seja bom estar com mais pessoas queridas nessa centena de dias que estou por aí, vivendo, sem mistificações. Conversar com amigas e amigos é bom.

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Ah, sobre a "condenação" do bárbaro Trump, que tomou conta das notícias das mídias no dia de hoje... para mim é nuvem. Nuvem. Não muda nada nos Estados Unidos e não muda nada para os palestinos, para os cubanos, para os venezuelanos, para os chineses, não muda nada em relação ao que a extrema-direita e o 1% estão organizando para inviabilizar qualquer desejo de Lula de desfazer alguns dos crimes de lesa-pátria e lesa-humanidade praticados pelos bárbaros no poder político até 2022: bolsonaristas et caterva da laia deles. Não muda nada. O que vão fazer com Lula e conosco já está traçado pelos 400 bárbaros do Parlamento. O problema é o nosso lado da classe, as nossas lideranças sindicais e partidárias. Nosso lado não está sendo organizado para reagir, resistir e lutar pela nossa ideia de mundo. Nada a ver com o merda do Trump ou o merda do Biden. Nada!

William


segunda-feira, 27 de maio de 2024

2 de 100 dias



2. Abrição de boca, bocejando sem parar. Não é nem meia-noite ainda. Cansado. Voltamos do cinema agora à noite. Terceira semana seguida que conseguimos ir ao cinema. Bom isso! Alimento cultural.

Ontem, enquanto refletia sobre minha vida, o que incluiu pensar minhas relações com o mundo e algum tipo de busca de satisfação ou entendimento pessoal, vi que me encontro num momento da vida parecido com o que vivia nas primeiras etapas da vida adulta. 

Parecido, mas diferente. Naquela época, vivia tempos de fúria, de incertezas sobre o futuro nas questões mais comezinhas do viver de um membro das classes subalternas de um dos países mais injustos e desiguais do mundo. Num determinado momento de crise, inventei um jeito de ir vivendo dia a dia. Não tinha nem trinta anos de idade. E fui vivendo.

Hoje, reflito sobre incertezas a respeito do futuro em condições diferentes das condições daquela época. Tenho certa segurança e regularidade em relação à vida social e econômica, tenho perspectivas de pagar em dia as despesas do viver. Essa condição veio após quase quarenta anos de venda de minha força de trabalho como uma pessoa que nasceu no seio das classes inferiores socialmente.

Refleti ontem sobre minha saúde. Ou melhor, sobre minha não-saúde, sobre minha condição de perda da condição de saúde. Cada roteiro de vida é único e com ele vem as consequências do percurso. Imagino que o meu percurso foi foda. Agora é hora de fazer os remendos que forem possíveis no meu tecido esgarçado.

Enquanto corria no parque, pensei em viver a cada 100 dias perseguindo algo possível de se alcançar ou realizar nesse curto espaço de tempo. Eu efetivamente não vejo com clareza como será o nosso Natal. Já escrevi sobre isso. Não quero e avalio que não posso deixar de estar com minha mãe nesta data. No entanto, sei que colocar todos juntos no mesmo local e data não será simples. 

Por mais que estejamos chegando ao meio do ano civil, pensar dezembro está meio esquisito para mim. E o mundo então? Minha visão de mundo com a formação que tenho tem me deixado desesperançoso em relação à minha espécie, a única que pode ser educada, como diz Paulo Freire. Quem quer e quem querendo pode ser educado hoje?

Se chegar ao dia dois de setembro, 100 dias a partir de ontem, o que poderia ter feito até lá? No final da reflexão de ontem, avaliei que poderia tentar ser mais "acabativo" porque sempre comecei trocentas coisas e acabei poucas delas. Acabativo...

Foi pensando nisso que peguei para acabar a coleção de dez volumes do clássico Gen Pés Descalços, mangá ou História em Quadrinho (HQ) de Keiji Nakazawa. Uma história porrada sobre a bomba atômica lançada sobre Hiroshima e os efeitos da guerra e da radiação nas vítimas, principalmente civis. Comecei a ler a história da família Nakaoka lá no final de 2022 e até agora só tinha lido cinco volumes. Decidi ler todos os que faltam em sequência e de ontem para hoje já li o volume 6 (comentário aqui).

Quem sabe assim, não tento me tornar mais acabativo nesses 100 dias de vivência neste mundo de instabilidade crescente em meu país e nos países todos deste planeta em destruição acelerada e sob comando de alguns poucos homens fdp. E que nenhum acidente vascular ou infarto ou doença ruim dê cabo de mim, torço por isso!

Não sei se vivi tudo o que poderia viver neste segundo dia de uma centena de dias. Não fiz nada que mudasse o mundo. Mas não sei se é pra tanto a minha vida. Percebi o básico: como santo de casa, não faço milagre algum. 

William


Leitura: Gen Pés Descalços (6) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural

Gen Pés Descalços

Volume 6


Retomei a leitura do clássico japonês Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa. O mangá foi lançado em 1973 e a tradução brasileira é de Drik Sada, publicado em dez volumes no Brasil a partir de 2011 pela Conrad. Ganhei a coleção de presente de meu filho.

O mangá conta a história da família Nakaoka, residente em Hiroshima, e os fatos se passam a partir de um momento anterior ao lançamento da bomba atômica e segue narrando o drama do povo japonês nos anos seguintes à derrota do Eixo na 2ª Guerra Mundial e após as duas bombas lançadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki.

A dramaticidade é muito impactante para os leitores, tanto pela qualidade excepcional dos traços de Nakazawa quanto pelo próprio enredo. Vale lembrar que a história é muito real, pois o autor é um sobrevivente da bomba e tinha seis anos quando Hiroshima foi destruída pelos norte-americanos. Só sobreviveram Keiji e sua mãe.

Sejamos fortes como
o trigo pisoteado.

VOLUME 6

Nesta parte da história de Gen vemos a dificuldade do povo japonês em sobreviver em um país ocupado pelo inimigo vencedor e o que impera no cotidiano é a miséria, a fome, a injustiça e a violência nas relações entre as pessoas, tanto a forma rude como são tratadas as pessoas do povo, como a maldade estabelecida no coração de quase todo mundo. O comum é o "cada um por si" e ninguém ajuda ninguém.

A ordem estabelecida é o capitalismo. Dinheiro é o deus e o salvador para tudo. Todas as relações são relações capitalistas, tudo é mercadoria. Um dos momentos mais marcantes neste volume é a decisão do pequeno Ryuta para conseguir dinheiro para salvar a mãe de Gen que precisa de atendimento médico.

Gen é uma exceção à regra, um rapazinho de bom coração e que está sempre tentando cuidar dos seus e ainda ajudar as pessoas com problemas. Os temas que são abordados no mangá são bem pesados: violência, suicídios, exploração humana e maldade gratuita são alguns deles.

Neste volume, vemos a vida cotidiana no Japão após três anos da derrota e do lançamento das bombas atômicas. O garoto Gen faz de tudo para conseguir alguns trocados para alimentar sua mãe, irmão e amigos. E até o dono do ferro velho que compra tudo que Gen consegue nos escombros dá um jeito de explorar e pagar valores irrisórios ao rapaz.

A história é muito dura! Mas é uma narrativa importantíssima em tempos de autoritarismo, de ascensão da extrema-direita no mundo e de guerras de extermínio como temos visto na Palestina, com centenas de milhares de crianças, mulheres e civis árabes palestinos sendo dizimados impiedosamente pelas bombas dos sionistas do governo Netanyahu.

O cenário de destruição, morte, fome e sede que estou lendo em Gen Pés Descalços é o cenário do cotidiano de dois milhões de palestinos na Faixa de Gaza. 

O mundo viu as consequências para o povo japonês das decisões políticas do imperador ao se aliar aos nazistas e fascistas. Viu as consequências por décadas do lançamento da bomba atômica sobre uma população civil e as mortes instantâneas e por câncer décadas seguidas.

Guerra é uma merda! Nazifascismos e autoritarismos antidemocráticos são uma merda!

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Chama muito a nossa atenção na história e cenário de Gen Pés Descalços a condição das vítimas da guerra, em especial a condição das crianças e das mulheres: pessoas mutiladas, desamparadas, adoecidas e maltratadas pelos homens naquele contexto rude do pós-guerra.

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Para as pessoas que estudam, sabemos disso olhando o passado. E a sociedade humana não aprende nada com a história, estamos caminhando para a repetição de tudo que o mundo viveu com as guerras do século passado.

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PEDRAS NO CAMINHO

Simbolismo: além da marca simbólica do sol nos desenhos de Nakazawa, apontando a passagem do tempo, o símbolo do país - terra do sol nascente - e a própria bomba e o calor de mil sóis, vemos algumas vezes neste volume o tropeço ou o chute em uma pedra no caminho de Gen ou de Ryuta. Há que se resistir às pedras no caminho...


Vamos para o próximo volume de Gen Pés Descalços. Caso haja interesse das leitoras e leitores do blog em ler os comentários anteriores sobre essa leitura de Keiji Nakazawa, é só clicar aqui para ler o primeiro texto e os seguintes. 

Para ler sobre o volume 7 é só clicar aqui.

William Mendes


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Diário e reflexões - Naruto (02/08/23)



Refeição Cultural

Osasco, 2 de agosto de 2023. Quarta-feira.


INTRODUÇÃO

Ao refletir sobre a leitura de mangás e do mangá do personagem Naruto, me lembrei do intelectual Alberto Manguel nos contando sobre a história das leituras no livro fantástico Uma história da leitura, de 1999 (comentário aqui). As leituras têm uma história.

Por que um cara com mais de cinquenta anos está lendo mangás do Naruto? Posso simplesmente dizer que estou lendo porque quero ou porque gosto, por isso ou por aquilo. Na verdade, não é preciso um motivo específico para ler algum tipo de gênero literário. E o contrário também é verdadeiro, pode ser que estejamos lendo algum tipo de literatura por diversos motivos.

De certa forma, comecei a ver animes e a ler mangás por um motivo sim, para ter contato com um tipo de cultura que jovens gostam, porque sou pai e seria legal conversar e trocar impressões sobre Histórias em Quadrinhos (HQ) e animes japoneses. Minha leitura de mangás tem uma história.

Comecei a ver animes com meu filho entre 2016 e 2017. Eu trabalhava em Brasília, longas jornadas, viajava muito, e me sobrava pouco tempo para estar com a família. O contexto familiar foi ficando bem complicado e eu me sentia mal por não poder mudar aquela situação de pouco contato com o filho.

Naquela época, era comum estarmos cada um num lugar durante semanas. Meu filho estudando no interior de São Paulo, minha esposa em Osasco e eu em Brasília. Foi então que pensamos em compartilhar algo que nos colocasse em sintonia, mesmo separados fisicamente. Decidimos ver anime. 

O primeiro anime que vimos em 2016, meu filho e eu, foi Death Note (comentário aqui). Meu filho é quem sempre escolhia os animes que veríamos. Ele é especialista no tema e tem excelentes sugestões para nós. Foi bem interessante a experiência do primeiro anime. 

Além de adquirir um conhecimento novo, os episódios geravam boas discussões entre nós. Quando não estávamos juntos fisicamente, víamos juntos os episódios: cada um no seu notebook dava o "play" no mesmo instante e víamos "juntos" o anime.

Depois passamos a ver alguns animes os três. Chegamos a ver episódios cada um num local diferente, como disse acima: eu em Brasília ou em algum hotel pelos cantos do Brasil, a mãe em Osasco e o filho em Jaboticabal. Família unida, vendo animes no computador ao mesmo tempo.

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Ao pesquisar sobre essa temática dos animes no blog, encontrei uma postagem saudosa dessa época. Estava sozinho em Brasília, família distante, fim do dia de trabalho na Cassi, passaria o fim de semana sozinho em casa, aí peguei um dos livros de ficção do filho para ler - O azarão, de Markus Zusak (ler comentário aqui). A postagem de 2017 me fez recordar essas lembranças que estou registrando aqui. 

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NARUTO - MASASHI KISHIMOTO


ANIME

Meu primeiro contato com o anime Naruto se deu em 2017. Como expliquei acima, estávamos assistindo animes como forma de nos mantermos unidos mesmo estando distantes uns dos outros.

No final daquele ano, já tínhamos visto 40 episódios do anime. Escrevi à época:

"Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia." (ver postagem toda aqui)

O garoto Naruto é órfão e sua atitude perante a vida é de determinação na busca de seus objetivos. Ele não é um garoto que fica pelos cantos se lamentando pelos infortúnios da vida.

Na época, vimos toda a primeira parte de Naruto, quando ele deixa a Aldeia Oculta da Folha com Jiraiya para um treinamento que durará mais de dois anos.

Naruto Uzumaki é um dos três membros da "Equipe 7", treinada pelo sensei Kakashi Hatake. Seus companheiros de equipe são Sasuke Uchiha e Sakura Haruno.

A experiência de ver o anime Naruto é ampliada pela trilha sonora, que é fantástica. As músicas de determinados momentos da história já fazem parte de nossa experiência com Naruto.


MANGÁS

Agora, muitos anos depois, resolvi ler os mangás que deram origem ao anime e a experiência é bem diferente, e ambas são muito interessantes.

A edição brasileira da coleção de mangás do Naruto saiu pela Panini e contém 72 volumes, sendo a primeira parte até o volume 27, capítulos 1 a 244 e a segunda parte vai até o capítulo 700.  

Levarei muito tempo para ler todos os volumes do mangá, mas tudo bem. E para ficar melhor ainda, estou revendo os animes à medida que avanço nos volumes do mangá.

Nos 4 primeiros volumes, revi a apresentação dos personagens principais: Naruto, Iruka sensei, Sasuke, Sakura e Kakashi, dentre outros da Aldeia Oculta da Folha. É bom citar também Konohamaru, o garotinho neto do Terceiro Hokage.

Os ninjas desenvolvem habilidades a partir de treinamento intensivo e uso de energia vital, seus chakras, e alguns ninjas trazem habilidades especiais herdadas de família ou adquiridas como é o caso do garoto Naruto, que traz em si a Raposa de Nove Caldas, derrotada numa batalha e selada dentro do garoto recém-nascido.

Após Naruto ser admitido na escola de formação de ninjas, eles saíram numa primeira missão com o sensei Kakashi e tiveram que lidar com vilões muito poderosos: Zabuza e Haku. 

Neste momento inicial, Naruto já desenvolveu seu principal jutsu, o Jutsu Clone das Sombras. Ele também tem um jutsu que causa sensação (risos), o Jutsu Sexy, que deixa qualquer homem no chão.

Post Scriptum: meu filho me lembrou de uma questão interessante no jutsu dos clones usado por Naruto: ele nunca teve família e ao criar clones de si mesmo acaba sendo uma habilidade que dialoga com a solidão que o acompanhou ao longo da infância. Tem um sentido psicológico aí...

Enfim, seguimos em contato com todas as formas de cultura e conhecimento. Animes e mangás são de uma riqueza cultural imensa e eu recomendo a experiência para todas as pessoas.

William


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Leitura: Gen Pés Descalços (5) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural

Gen Pés Descalços

Volume 5


A leitura do volume 5 de Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, me fez refletir o quanto certos tipos de produções culturais são atemporais e nos trazem reflexões profundas, independente da época na qual temos acesso a elas.

O mangá foi publicado pela primeira vez nos anos setenta e seu autor, Nakazawa, foi um sobrevivente da bomba atômica lançada sobre Hiroshima pelos norte-americanos no dia 6 de agosto de 1945. De sua família, sobreviveram sua mãe e ele, com 6 anos de idade. Ela faleceu de câncer nos anos sessenta e ele também faleceu de câncer em 2012.

A edição que ganhei de presente de meu filho é a edição brasileira da Conrad Editora de 2011/2012 em 10 volumes. A coleção é belíssima e ao terminá-la será minha primeira leitura completa de uma série de mangás, pois não tinha o hábito de ler este tipo de História em Quadrinhos (HQ).

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GEN PÉS DESCALÇOS

A história da família Nakaoka se passa no Japão, na cidade de Hiroshima, a partir de meados de 1945. A guerra está perdida para o Eixo - Alemanha, Itália e Japão - e o governo japonês não aceita a derrota, fazendo de tudo para que o povo siga acreditando na vitória. O primeiro volume traz um pouco desse cenário.

A população japonesa está passando muita fome e o regime imperial e militar segue exigindo cada vez mais de seu povo. Os Estados Unidos lançam duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9 de agosto daquele ano. O mangá transmite aos leitores um cenário chocante através dos desenhos de Nakazawa.

Nos volumes 2, 3 e 4 acompanhamos os acontecimentos em Hiroshima entre o primeiro e o segundo ano após a explosão da bomba atômica. O cenário no país é de miséria absoluta. A família Nakaoka sofreu perdas terríveis e os sobreviventes têm que encontrar forças para seguirem adiante. 

O jovem Gen é uma criança incrível, traz em si uma postura fora do comum nas crianças de seu meio ambiente. Ele é de bom coração, algo raro naquele cenário. Os ensinamentos de seus pais são bases muito sólidas. Gen é pacifista como seus pais. Os filhos devem ser como o trigo, mesmo pisoteados, devem crescer fortes.

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FRIEZA E CRUELDADE

A população japonesa está embrutecida e nós leitores ficamos chocados com a reação fria e cruel das pessoas em situações cotidianas que nos levariam a sentir solidariedade e compaixão pelas pessoas em condições tão miseráveis e dolorosas.

Medo, ódio e preconceito marcam o dia a dia das pessoas.

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Todos se aproveitando das vítimas da bomba...

VOLUME 5

Neste volume que acabei de ler, a família Nakaoka segue sofrendo as consequências da guerra, há muita fome e desemprego no país e os Estados Unidos ocuparam o Japão.

Os sobreviventes da bomba atômica sofrem as sequelas da radiação e milhares de vítimas seguem morrendo nas regiões da catástrofe. Os japoneses são vistos como cobaias pelos norte-americanos que coletam dados sobre os efeitos da radiação.

Tudo é hostil e inóspito no ambiente da história do mangá. As vítimas da bomba já não conseguiam se manter antes da guerra por causa da fome e agora não conseguem sequer atendimento médico para tratamento das doenças da bomba. Desemprego, falta de recursos e exploração infinita do povo japonês.

A máfia controla o país e os vilarejos. Há maldade para onde se olha, seja nas regiões controladas pelo governo japonês, seja sob controle das máfias, seja ainda sob controle do invasor vencedor da guerra. As pessoas comuns estão por sua conta e risco. Dureza!

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COMENTÁRIO FINAL

Esse cenário que descrevi sobre os 5 primeiros volumes de Gen Pés Descalços me deixa muito pensativo sobre a realidade do mundo no ano de 2023, cinquenta anos após o lançamento do mangá. 

Estamos vivendo num cenário mundial de muita desesperança e com perspectivas duras para o futuro da humanidade e, ao mesmo tempo, um cenário de muito ilusionismo, de muita alienação da população mundial graças às ferramentas de invisibilização dos temas graves e pela criação de pautas de distração que ganham a atenção de todo mundo.

As mudanças climáticas afetaram o cotidiano do planeta de forma permanente, as consequências já estão aí e vão piorar porque não há uma mudança de tendência em relação às causas. A vida na Terra será cada dia mais desafiadora para todos os seres viventes.

Apesar de ser um sistema de crises constantes, o capitalismo como forma predominante de organização da sociedade humana não dá sinais de que será substituído por outra forma de organização social, nem que se tornará obsoleto como se avaliou no passado ao estudar suas consequências maléficas para a humanidade e o planeta.

E as tecnologias criadas por nós homo sapiens estão sendo usadas pelos homens do capital para transformar o próprio animal humano em uma mercadoria cada vez mais descartável à medida que a tecnologia (inclusive IA) torne obsoleta a mercadoria mão de obra. O excesso de humanos pode estar se tornando algo inconveniente para o lucro dos detentores do mesmo capital.

Vemos isso no Gen Pés Descalços. O Japão e os japoneses se tornaram coisas descartáveis após a derrota na guerra. Os vencedores fazem experimentos com os derrotados. Entre os japoneses, alguns se aproveitam do caos e exploram seus pares em benefício próprio. 

O cenário no mangá de Nakazawa e o cenário atual praticamente empurram as pessoas a buscarem a sobrevivência da forma mais bruta possível, individual e sem pensar a coletividade. E as soluções no planeta e na sociedade humana só são viáveis se forem coletivas...

Estamos assim... até quando?

William


Post Scriptum: para ler sobre os volumes anteriores é só clicar aqui (v.1), aqui (v.2), aqui (v.3) e aqui (v.4). O texto da leitura seguinte, o volume 6, pode ser lido aqui.


Bibliografia:

NAKAZAWA, Keiji. Gen Pés Descalços. Vol. 5. Tradução Drik Sada. - São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2012.