Mostrando postagens com marcador Jean-Paul Sartre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jean-Paul Sartre. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de junho de 2022

Diário e reflexões (05/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 5 de junho de 2022. Domingo.

O que se passa em minha mente neste momento? Diversas coisas. No âmbito pessoal, preocupação com pessoas da família. No aspecto social, diversas preocupações me tocam, coisas que geram uma tristeza desoladora e que não temos como interferir, somos impotentes em relação aos acontecimentos. 

Estou também muito reflexivo com a história do jovem Jesse e seu cachorro Shurastey, que faleceram dias atrás após cinco anos de uma das aventuras mais incríveis que já vi ser feita por um jovem, seu cachorro e seu fusca 1978, o Dodongo. Eles estavam próximos de atingir o objetivo final, o Alasca.

Sobre o Jesse e seu cão golden retriever, soube do acidente que interrompeu a viagem deles dois ou três dias depois do fato e desde então passei a ver os vídeos editados por Jesse em seu canal do YouTube. São vídeos incríveis! Qualquer hora vou escrever a respeito. A história desse rapaz e seu adorável amigo fizeram com que eu voltasse no tempo e estou o tempo todo revendo meus vinte e poucos anos...

Estou vendo a edição do jeito que ele organizou, estou terminando a etapa 1 de sua trip, a viagem a Ushuaia, a primeira desde que saiu de Balneário Camboriú (SC), em maio de 2017. Olhando minha agenda de trabalho da época (31/3) estive na região no mesmo período, visitando as unidades de saúde da Cassi em Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú.

A vida nos ensina com o passar dos anos de vivência o quanto somos impotentes e limitados para interferir nos acontecimentos da vida e nas escolhas das pessoas. Achei até interessante ver uma chamada em página de jornais de uma jornalista dizendo que o fato de ter virado mãe foi algo difícil para ela porque ela gostava de ter controle de sua própria vida... isso é uma espécie de ilusão, nós não temos controle sobre nossa vida nem sobre a vida de ninguém. A vida é assim, uma jornada imprevisível, por mais que se tente planejar e prever tudo! (me lembrei de quando li A idade da razão, de Sartre...)

Enfim, a questão mais importante sobre a vida e os acontecimentos cotidianos da vida e do viver é a forma como as pessoas lidam com as coisas. Posso aproveitar o exemplo do jovem Jesse para dizer o que penso: a atitude de Jesse em relação aos acontecimentos que foram se passando ao longo dos cinco anos de aventuras é uma atitude a se observar e refletir. O rapaz fez muita porraloquice, coisa que 99% das pessoas não fariam, mas a atitude dele diante das dificuldades é muito louvável! O cara encarava os problemas de uma forma excepcional, de boas. Sou daqueles que endossam o que Jesse fez. Ele foi feliz demais! Talvez eu e vocês nunca tenhamos chegado aos pés dele em grau de realizações e felicidade...

Por fim, das diversas preocupações com o Brasil, o mundo, os seres humanos e a natureza como um todo, tenho vivido uma bad terrível em relação aos brasileiros e brasileiras. Tô num momento de descrença total nos seres humanos. Todos sabemos que os poucos beneficiários do atual modelo econômico e político que vigora no mundo, o capitalismo e o neoliberalismo, estão pouco se lixando para a destruição de tudo e nenhum de nós faz nada para impedir que isso continue até o fim. É uma loucura! Onde estão os exércitos de voluntários para proteger nossos biomas da destruição por meia dúzia de filhos da puta? Não tem... segue a destruição... os caras tão passando a boiada...

Registrado alguns instantes do que penso.

William

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Santayana: cadeia para quem mata mendigos

Cadeia para os assassinos

Por Mauro Santayana, do Jornal do Brasil

Algumas religiões santificam a mendicância, como o ato mais expressivo da humildade. Pedir aos outros o pão, em lugar de o obter mediante o trabalho, é visto, assim, como o contraponto à vaidade e à arrogância. As sociedades, sendo profanas, não vêem com os mesmos olhos o ato de pedir. Os costumes, diferentes das razões éticas, sobretudo os construídos pela consciência burguesa, condenam a mendicância, ainda que admitam, com certo cinismo, a caridade. É interessante registrar que Sartre, senhor de grande lucidez e, em algum tempo, militante revolucionário, andava com moedas nos bolsos, que distribuía aos mendigos do Quartier Latin. Talvez se sentisse, com isso,  menos culpado dos desajustes do mundo.

Matar mendigos não é um esporte novo. A civilização cristã oscila entre o exercício da caridade (que, em alguns casos, costuma ser negócio lucrativo) e da repressão. Entre a piedade e a forca, conforme o ensaio do historiador Bronislaw Geremek sobre os miseráveis e pequenos bandidos da Idade Média.  No Brasil, a agressão e o assassinato dos diferentes estão assumindo dimensões insuportáveis. Numerosos moradores de rua em Salvador foram trucidados durante a greve dos policiais militares. Há suspeitas de que foram policiais, eles mesmos, os matadores. Coincidindo com os fatos da Bahia, um jovem universitário tentou intervir, ao assistir à agressão de um morador de rua na Ilha do Governador, no Rio, por cinco jovens. Foi quase linchado, teve seu rosto arrebentado pelas patadas, só reconstituído mediante o emprego de 63 pinos de platina.

Não é um fato isolado. Ao ser confundido como mendigo, conforme confessaram os matadores, um índio pataxó foi queimado por jovens bem situados de Brasília. No Rio de Janeiro, há décadas, os adversários de um governador da Guanabara o acusaram de mandar matar mendigos e atirá-los junto à foz do Rio da Guarda. E houve quem sugerisse o incêndio, como uma forma de resolver o problema das favelas no Rio de Janeiro. Mais cínicas, autoridades de São Paulo decidiram criar obstáculos sob as marquises e os viadutos, a fim de impedir que ali os miseráveis pudessem repousar. No Rio, outras autoridades dividiram os bancos dos jardins, para que, sobre eles, os mendigos não pudessem deitar.

Esses caçadores de mendigos naturalmente são conduzidos pelo senso estético da ordem do capitalismo totalitário. Uma cidade sem pedintes é muito mais bela. Mas é também muito mais bela, se nela não houver pessoas feias ou enfermas. Assim pensavam os nazistas, em sua cruzada de eugenia – embora não fossem belos nem fisicamente saudáveis homens como Himmler e Goebbels, entre outros. Da mesma forma que pretendiam a eliminação completa dos judeus, incomodava-os, pelo menos no discurso, a existência de homossexuais. Depois se soube que muitos deles eram homossexuais, mais dissimulados uns, menos dissimulados outros, como Ernst Röhm. Joachim Fest, o grande biógrafo de Hitler, chegou a suspeitar que houvesse uma ligação homossexual entre o líder nazista e seu arquiteto predileto e possível sucessor, Albert Speer.

E como o caminho da perfeição, de acordo com essa insanidade,  é sem fim, quiseram eliminar, além dos judeus,  outros perturbadores de sua ordem estética e “moral”, como os ciganos, os negros, os mestiços, os eslavos – e os comunistas.

O racismo e a insânia dos nazistas não desculpam – e, sim, agravam – os atos estúpidos contra os miseráveis brasileiros que, sem teto, sem famílias, sem amigos, sem destinos, são nômades nas ruas, onde alguns nascem, e muitos quase sempre morrem. Mas, dessa visão curta de humanismo,  padecem pessoas instruídas e aparentemente responsáveis, como a ministra francesa, que aconselhou os sem teto de seu país a não sair de casa, por causa do frio europeu que vem matando os desabrigados às centenas, e a juíza brasileira, que decretou a prisão domiciliar de um morador de rua.

A polícia tem o dever de identificar os matadores de mendigos e de levá-los à Justiça. E os juízes não podem se deixar engambelar pelos advogados dos assassinos. Em uma sociedade já tão injusta com os pobres, cabe ao Ministério Público e à Justiça socorrer os que, desprovidos de tudo, só têm a lei como consolo e esperança.

A sociedade se emociona com a coragem solidária do jovem Vitor. O Estado deve a ele uma manifestação oficial de reconhecimento. Seria louvável se a Assembléia Legislativa lhe concedesse a Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração do Estado.

Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/


Post Scriptum no Facebook:

SANTAYANA: CADEIA PARA QUEM MATA MENDIGOS
Esses caçadores de mendigos naturalmente são conduzidos pelo senso estético da ordem do capitalismo totalitário. Uma cidade sem pedintes é muito mais bela. Mas é também muito mais bela, se nela não houver pessoas feias ou enfermas. Assim pensavam os nazistas, em sua cruzada de eugenia...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Refeição Cultural - Sobre Liberdade (em silêncio)


São Silvestre 2009.

(atualizado em 4/12/11)

Hoje pela manhã tive raro momento de solidão.

Silêncio pacificador. Até o filtro externo de meu aquário estava sem barulho.

Ficar sozinho às vezes faz bem...

Voltei do planejamento de nosso Sindicato ontem e fui ver meu pai que estava em São Paulo desde o dia anterior. Eu me compadeço muito com a dor daquele homem. Eu juro que sei do que ele está sofrendo.

Na despedida na rodoviária, fiquei olhando para aquele ônibus e ele lá dentro até que o veículo saísse para levá-lo de volta a Uberlândia.

"Uberlândia" - meu pai usa esta palavra e este lugar para tentar achar uma justificativa para a sua infelicidade. Talvez ele tenha razão no que diz respeito à impotência que temos como humanos assim que adquirimos relações com pessoas e coisas. Somos escravos. É um pouco da ideia contida no livro "O pequeno príncipe" - você é responsável por aquilo que cativa!

Fico pensando na questão da "liberdade" em Sartre. O que mais me incomodou quando li "A idade da razão" foi a questão dos personagens dizerem e agirem no intuito de buscarem ser livres, mas faziam coisas contrárias às suas próprias vontades o tempo todo para "provarem" que eram livres (?). Que escravidão do cacete!

Recentemente li "A náusea" e senti a mesma ideia de falsa liberdade na trama de "o-que-fazer-com-a-vida?-já-que-estamos-vivos".

Pai e mãe queridos
Penso em meu pai e penso em mim. O que seguir fazendo com minha vida? Existência escrava que vai fazendo o que chamam de "politicamente correto" e vai sobrevivendo sem buscar realizar os desejos pensados.

Por que não pego para ler a obra toda de um grande escritor e sigo nela até finalizar a leitura lentamente?

Por que não estabeleço como prioridade uma rotina de esporte de maneira a realizar meu desejo de correr e completar uma maratona?

Por que não busco mais momentos de silêncio e isolamento para ter um pouco de paz para poder pensar, escrever e refletir?

Alguma dessas coisas humanas que escrevi acima são impossíveis? São caras? São utópicas? Se não são, por que não as faço?

Não faço pelo emaranhado em que estou metido socialmente enquanto pessoa William no dia de hoje.

E sabemos que a existência da gente pode durar muito, como pode se encerrar no instante seguinte desta escrita (digitada) aqui.

Talvez a liberdade humana não tenha relação possível com as relações humanas e materiais que estabelecemos em nossa própria existência. Mas sem essas mesmas relações não seríamos nada também (?!).

O humano não é um ser livre!

(após esta reflexão, saí e fui correr...)

domingo, 20 de novembro de 2011

A Náusea – Perceber-se a existir (ou só Existir)


Jean-Paul Sartre

A NÁUSEA – PERCEBER-SE A EXISTIR (OU SÓ EXISTIR)

Diálogos entre ideias de Sartre e Fernando Pessoa.
Com a palavra: Antoine Roquentin e Alberto Caeiro

Para tentar entender a obra de Sartre e sua filosofia existencialista, fico buscando relações pertinentes na literatura e nos autores que já conheço para possíveis intertextualidades.
A partir da ideia de Existencialismo e do Existir lembrei-me de Alberto Caeiro e do “Guardador de Rebanhos”.
Creio ser interessante, neste momento, simplesmente deixar os dois falarem entre si e ficar observando o debate de ideias e, vez por outra, expressar algum comentário.

ANTOINE ROQUENTIN (os sublinhados são meus)

“Esse momento foi extraordinário. Estava ali, imóvel e gelado, mergulhado num êxtase horrível. Mas, no próprio âmago desse êxtase, algo de novo acabava de surgir; eu compreendia a Náusea, possuía-a. A bem dizer, não me formulava minhas descobertas. Mas creio que agora me seria fácil colocá-las em palavras. O essencial é a contingência. O que quero dizer é que, por definição, a existência não é necessidade. Existir é simplesmente estar presente; os entes aparecem, deixam que os encontremos, mas nunca podemos deduzi-los. Creio que há pessoas que compreendem isso. Só que tentaram superar essa contingência inventando um ser necessário e causa de si próprio. Ora, nenhum ser necessário pode explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o absoluto, por conseguinte a gratuidade perfeita. Tudo é gratuito: este jardim, esta cidade e eu mesmo. Quando ocorre que nos apercebamos disso, sentimos o estômago embrulhado, e tudo se põe a flutuar como outra noite no Rendez-vous des Cheminots: é isso a Náusea (...)”

Fernando Pessoa

ALBERTO CAEIRO (GUARDADOR DE REBANHOS 1911-1912)
V
Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados

      [das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.


E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

COMENTÁRIO:
Eu já sou fã de Caeiro há um bom tempo. A maravilha do estudo e da leitura é poder usar da intertextualidade e buscar fazer relações de ideias e concepções de grandes pensadores.
É interessante também a ideia do poeta fingidor. As palavras aqui citadas de Caeiro e de Roquentin não são expressões de sujeitos de carne e osso.
Mas AS PALAVRAS SÃO REAIS, EXISTEM, E COOPTAM PESSOAS QUE SE IDENTIFICAM COM ELAS. Então existem! Além dos volumes literários de Sartre e Pessoa.
Existem em mim, em meu texto que incorpora as palavras e ideias deles – homens e personagens. Estão em mim.

Bibliografia:
PESSOA, Fernando. Poemas Escolhidos. Da série “Ler é aprender” de O Estado de S. Paulo, Editora Klick, 1997.
SARTRE, Jean-Paul. A Náusea. Círculo do Livro, 1988-89.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Náusea (1938) - Jean-Paul Sartre


Jean-Paul Sartre
"
Domingo

(...) Torno a caminhar. O vento me traz o grito de uma sirene. Estou inteiramente sozinho, mas caminho como uma tropa que irrompe numa cidade. Neste momento, há navios ressonantes de música sobre o mar; luzes se acendem em todas as cidades da Europa; comunistas e nazistas trocam tiros nas ruas de Berlim; desempregados perambulam pelas ruas de Nova York; num quarto aquecido, diante de suas penteadeiras, mulheres colocam rímel nos cílios. E eu estou aqui, nessa rua deserta, e cada tiro disparado de uma janela de Neukölln, cada soluço sangrento dos feridos que são transportados, cada gesto preciso e diminuto das mulheres que se enfeitam corresponde a cada um de meus passos, a cada batida de meu coração (...)

Segunda-feira

Como pude escrever ontem esta frase absurda e pomposa: 'Estava inteiramente sozinho mas caminhava como uma tropa que irrompe numa cidade'?

Não preciso fazer frases. Escrevo para esclarecer certas circunstâncias. Há que ter cuidado com a literatura. É preciso escrever ao correr da pena; sem escolher as palavras.

No fundo o que me desagrada é ter sido sublime ontem à noite (...)"


COMENTÁRIO:

Gostei deste trecho do diário de Antoine Roquentin - o personagem da obra.

Faz alguns anos que li outra obra de Sartre: A IDADE DA RAZÃO, de 1945, primeiro livro da trilogia de "Os caminhos da liberdade".

O pouco que me lembro da obra é sobre o personagem ficar o tempo inteiro dizendo que tudo que fazia era em nome de sua liberdade. O cara fazia até o que não queria, e dizia que era em nome de sua liberdade. Na época fiquei incomodado com aquilo.

Na minha opinião, os romances de Sartre não são fáceis de se ler. São chatos. Leitura mastigada. Mas vou seguir lendo A NÁUSEA e lendo um pouco a respeito do filósofo e pensador Sartre. Aos poucos, acabo sendo menos ignorante no tema.


Bibliografia:

SARTRE, Jean-Paul. A Náusea. Círculo do Livro. Tradução de Rita Braga. (creio que a edição é dos anos 80).


Post Scriptum (31/1/16):

Pelo menos esta obra de Sartre consegui finalizar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Refeição Cultural - Ansiedade Nauseante


Capa francesa:
La Nausée by Jean-Paul Sartre

A NÁUSEA – JEAN-PAUL SARTRE, 1938
Trouxe dias atrás, alguns livros de meu primo Jorge Luiz. Ele iria desfazer-se deles e perguntou-me se não queria dar uma olhada e pegar aqueles que eu quisesse.
Dentre vários volumes que peguei por afinidade e valor afetivo, haja vista que foram livros que marcaram minha iniciação ao mundo da literatura, trouxe também alguns que nunca li, mas que os nomes ou os autores sempre ficaram a martelar em minha cabeça.
A NÁUSEA de Sartre era um deles. Como pode um livro chamar-se A Náusea! Não é possível que qualquer pessoa, mesmo que não seja amante da leitura, não fique ao menos instigada a folhear ou saber do que se trata um livro com um nome desses.
A minha história da leitura é marcada por várias situações de nomes que ficaram martelando em minha cabeça por longo tempo até o dia em que se deu o momento da apresentação entre aquele nome martelado e a minha pessoa.
Um dos nomes mais apaixonantes da minha vida foi CEM ANOS DE SOLIDÃO! Obra magistral de Gabriel García Márquez. Só de escrevê-lo aqui neste momento de enunciação, eu me arrepiei. Aliás, lembrando agora da história daquela família - os Buendía -, e de Macondo, continuo arrepiado. Essa é a típica declaração de amor à literatura. Meu corpo declara amor à literatura. Além do arrepio, meus olhos se umedeceram.
Ainda em relação aos nomes que viveram martelando em minha cabeça, assisti na sexta-feira ao filme O CÉU QUE NOS PROTEGE, de 1990, de Bernardo Bertolucci. Também é um nome que me emociona. Tanto a ideia de solidão do livro, quanto a ideia do céu que nos protege, me remetem automaticamente ao que fico pensando naquelas longas noites que passo uma vez por ano na minha caminhada de 85 quilômetros lá em Minas Gerais e que já viraram uma necessidade em minha vida. Só eu mesmo para saber a síntese da minha caminhada com a ideia daquela solidão e com aquele céu que encontro tão estrelado e, às vezes, com a Lua-sol, às vezes, no breu total.
Tenho vivido com grande dificuldade de tempo para ler. Com o passar dos anos e o avanço do tempo de existência, percebo que passei a começar vários livros que acalento o desejo de ler e leio um tanto e acabo não finalizando a leitura. É a ansiedade do tempo passando e de ver que não avancei nas leituras que sempre desejei.
A ansiedade se repetiu neste feriado. Eu poderia ter lido um livro nestes quatro dias e, no entanto, fiquei olhando na estante e nas pilhas espalhadas por todos os lados e as horas passaram, os dias passaram e iniciei várias coisas e não acabei nenhuma. 

No sábado de manhã, peguei MEMORIAL DE AIRES, de Machado de Assis. À tarde, após achar em uma banca de revistas um mangá sobre O CAPITAL, de Marx, o li de uma sentada.
No domingo, peguei FAUSTO, de Goethe, o volume antigo que trouxe de meu primo Jorge Luiz. Na segunda-feira, não li dezenas de páginas de nada, porque liguei o computador para trabalhar. Minto: à tarde, após o trabalho, achei um volume que nem me lembrava de tê-lo e comecei a ler. Tratava-se de O QUE É IDEOLOGIA, de Marilena Chauí, da coleção “Primeiros Passos”. Por fim, hoje, catei o volume de Sartre e já li mais de setenta páginas.
Essa ansiedade em ler tudo que gostaria e não conseguir, com o passar do tempo, virou um ciclo vicioso e negativo para mim.
Para finalizar essa ansiedade da minha incompletude nauseante, assisti ontem na TV à primeira parte do filme CHE, de 2009, de Soderbergh. Por sinal, tenho o DVD em minha estante, mas também nunca peguei para assistir de uma sentada só.

É isso!


Post Scriptum (31/1/16):

Interessante e triste. O drama em relação à dificuldade de leituras literárias segue exatamente o mesmo cinco anos depois. E enquanto isso, a idade da existência vai aumentando, a visão já não é mais a mesma... mas o desejo de leitura continua do mesmo tamanho, imenso!

domingo, 26 de julho de 2009

Jean-Paul Sartre


Sartre, foto da Wikipedia.

Biografia, segundo a Larousse Cultural:


Filósofo, romancista, dramaturgo e político francês (Paris 1905 - 1980).


Na primeira fase de suas reflexões, foi um dos principais expoentes do existencialismo, escrevendo diversas obras filosóficas e literárias, nas quais propõe uma visão do homem como dono de seu próprio destino e cuja vida é definida por seu projeto e por suas próprias ações.


Sua análise dos problemas da existência humana, dentro da rigorosa técnica filosófica, orientada pelo método fenomenológico, encontra-se em O SER E O NADA. Dentre os escritos literários desse período, destacam-se as peças AS MOSCAS (1943), MORTOS SEM SEPULTURA (1946), AS MÃOS SUJAS (1948), O DIABO E O BOM DEUS (1951) e os romances A IDADE DA RAZÃO, SURSIS (1945) e COM A MORTE NA ALMA (1949).


As posições iniciais de Sartre sofreram transformações determinadas, por um lado, pelo caráter "aberto" de sua visão existencialista, por outro, pelo seu progressivo engajamento político. Assim, Sartre foi levado a inserir o existencialismo dentro de uma concepção filosófica mais ampla, que encontrou no marxismo.


A fundamentação teórica dessa nova posição encontra-se na CRÍTICA DA RAZÃO DIALÉTICA, publicada em 1960. Um dos mais fecundos e ativos intelectuais do século XX, Sartre participou da Resistência francesa contra o Nazismo, fundou (1945) e dirigiu a revista Les Temps Modernes, de grande influência entre os intelectuais franceses, e publicou várias outras obras importantes: A IMAGINAÇÃO, A TRANSCENDÊNCIA DO EGO (1936); A NÁUSEA (1938); O MURO, ESBOÇO DE UMA TEORIA DAS EMOÇÕES (1939); O IMAGINÁRIO (1940); ENTRE QUATRO PAREDES (1945); O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO, A PROSTITUTA RESPEITOSA, REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO JUDAICA (1946); OS SEQUESTRADORES DE ALTONA (1960); AS PALAVRAS (1964) e O IDIOTA DA FAMÍLIA (1971).


Em 1964, foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura, que ele recusou.



Fonte:
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Nova Cultura Ltda. 1998.