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sábado, 22 de junho de 2024

One Piece

 


Refeição Cultural 

Dois cinquentões que assistem One Piece com o filho 


Ao terminarmos mais uma saga* de One Piece, a Saga Water 7, composta pelos arcos Water 7 e Enies Lobby, podemos dizer que conhecemos um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e sua tripulação. Já assistimos 315 episódios do anime. Luffy quando criança comeu acidentalmente um fruto do diabo que deu a seu corpo as propriedades da borracha.

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CONEXÃO ENTRE PAI, MÃE E FILHO

Como começamos a ver animes?

Sempre gosto de me lembrar como foi que comecei a ver anos atrás animes com meu filho e com minha companheira. 

Eu trabalhava em Brasília, na autogestão em saúde dos funcionários do BB, e tinha uma agenda de muitas viagens às unidades nos Estados. Meu filho estudava no interior de São Paulo. Era comum cada um dos três estar longe um do outro.

Ao pensarmos uma forma de fazermos algo juntos, meu filho sugeriu vermos anime. Deu certo! Os três colocavam o episódio no ponto e: um, dois, três e já...

Por muito tempo, vimos assim episódios de algum anime, cada um num canto do país, mas ligados por uma sessão simultânea de anime, e depois comentávamos a respeito do episódio. 

Foi assim que Ione e eu já vimos dezenas ou centenas de episódios de diversos animes.

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OS PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA

O final da Saga Water 7 me levou às lágrimas! Impossível não se envolver emocionalmente com os personagens do bando de piratas do Chapéu de Palha.

Em casa, cada um tem seus personagens favoritos e alguns deles têm alguma característica que chama a atenção da gente.

Eu, por exemplo, fico puto com o comportamento do Sanji quando o assunto é mulher. Caraca, o cara não se emenda! Uma coisa é o personagem ser cavalheiro, gentil etc. Outra coisa é quase pôr tudo a perder quando o inimigo é do sexo feminino (ou quando faz de conta que é) e o cara não cumpre com suas obrigações com os Chapéu de Palha por causa do inimigo ser uma mulher. É algo irritante isso.

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A TRIPULAÇÃO DE PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA ATÉ A PARTE QUE CONHECEMOS

Nas primeiras sagas, vamos vendo Luffy constituindo sua tripulação de piratas.

O primeiro companheiro de Luffy é o espadachim Roronoa Zoro, na primeira Saga: East Blue.

Depois, da forma mais inusitada possível, uma ladra se junta a eles, Nami. Ela será a navegadora de Luffy.

O trio está em busca de um navio. É quando conhecem um mentiroso chamado Usopp. 

O bando consegue além de um tripulante mentiroso atirador de estilingue, o navio: Going Merry.

No próximo arco de East Blue, conheceremos o cozinheiro Sanji, que se junta aos piratas do Chapéu de Palha. 

Formada a tripulação inicial do jovem Monkey D. Luffy e já possuindo o navio Going Merry, os piratas do Chapéu de Palha saem em busca de seus objetivos: encontrar o tesouro One Piece.

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NOVOS TRIPULANTES NAS SAGAS ALABASTA E SKYPIEA

Enfim, depois se juntaram ao bando dos Chapéu de Palha mais dois tripulantes: Chopper, a rena com características humanas, que será o médico do navio, e Nico Robin, uma arqueóloga. 

E agora terminamos a Saga Water 7.

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COMENTÁRIO BREVE

O anime One Piece, de Eiichiro Oda, é uma epopeia contemporânea incrível.

Nela encontramos grandes questões e dilemas da sociedade humana: amizade, determinação, ética, traição, ganância, entre outros sentimentos e comportamentos humanos. 

O tempo todo, a cada arco de aventura, podemos refletir sobre política, história, tradições e costumes, organização social etc.

Antes de conhecer os animes e mangás, eu não imaginaria a profundidade e a complexidade por trás das histórias dos personagens dessas Histórias em Quadrinhos. 

Seguiremos conhecendo mais essa forma de cultura universal. 

William


*Post Scriptum: meu filho me explicou que essa questão de divisões por sagas não é consensual, que seria melhor falar só dos arcos. Pelo pouco que havia pesquisado, o filhão tem razão. Não sou um entendido em animes, muito menos no One Piece (tanto é que, por desatenção, havia escrito errado o nome na hora que fiz o texto). Acabei usando como fonte de dados uma linha que dividia os episódios ou as aventuras em sagas e arcos. Se for retirar a citação à "saga" teria que refazer o texto todo. Enfim, como disse, após 315 episódios do anime, a gente conhece um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e seus companheiros e companheiras. Só isso. Seguiremos aprendendo mais.


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Leitura: Gen Pés Descalços (5) - Keiji Nakazawa



Refeição Cultural

Gen Pés Descalços

Volume 5


A leitura do volume 5 de Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, me fez refletir o quanto certos tipos de produções culturais são atemporais e nos trazem reflexões profundas, independente da época na qual temos acesso a elas.

O mangá foi publicado pela primeira vez nos anos setenta e seu autor, Nakazawa, foi um sobrevivente da bomba atômica lançada sobre Hiroshima pelos norte-americanos no dia 6 de agosto de 1945. De sua família, sobreviveram sua mãe e ele, com 6 anos de idade. Ela faleceu de câncer nos anos sessenta e ele também faleceu de câncer em 2012.

A edição que ganhei de presente de meu filho é a edição brasileira da Conrad Editora de 2011/2012 em 10 volumes. A coleção é belíssima e ao terminá-la será minha primeira leitura completa de uma série de mangás, pois não tinha o hábito de ler este tipo de História em Quadrinhos (HQ).

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GEN PÉS DESCALÇOS

A história da família Nakaoka se passa no Japão, na cidade de Hiroshima, a partir de meados de 1945. A guerra está perdida para o Eixo - Alemanha, Itália e Japão - e o governo japonês não aceita a derrota, fazendo de tudo para que o povo siga acreditando na vitória. O primeiro volume traz um pouco desse cenário.

A população japonesa está passando muita fome e o regime imperial e militar segue exigindo cada vez mais de seu povo. Os Estados Unidos lançam duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9 de agosto daquele ano. O mangá transmite aos leitores um cenário chocante através dos desenhos de Nakazawa.

Nos volumes 2, 3 e 4 acompanhamos os acontecimentos em Hiroshima entre o primeiro e o segundo ano após a explosão da bomba atômica. O cenário no país é de miséria absoluta. A família Nakaoka sofreu perdas terríveis e os sobreviventes têm que encontrar forças para seguirem adiante. 

O jovem Gen é uma criança incrível, traz em si uma postura fora do comum nas crianças de seu meio ambiente. Ele é de bom coração, algo raro naquele cenário. Os ensinamentos de seus pais são bases muito sólidas. Gen é pacifista como seus pais. Os filhos devem ser como o trigo, mesmo pisoteados, devem crescer fortes.

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FRIEZA E CRUELDADE

A população japonesa está embrutecida e nós leitores ficamos chocados com a reação fria e cruel das pessoas em situações cotidianas que nos levariam a sentir solidariedade e compaixão pelas pessoas em condições tão miseráveis e dolorosas.

Medo, ódio e preconceito marcam o dia a dia das pessoas.

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Todos se aproveitando das vítimas da bomba...

VOLUME 5

Neste volume que acabei de ler, a família Nakaoka segue sofrendo as consequências da guerra, há muita fome e desemprego no país e os Estados Unidos ocuparam o Japão.

Os sobreviventes da bomba atômica sofrem as sequelas da radiação e milhares de vítimas seguem morrendo nas regiões da catástrofe. Os japoneses são vistos como cobaias pelos norte-americanos que coletam dados sobre os efeitos da radiação.

Tudo é hostil e inóspito no ambiente da história do mangá. As vítimas da bomba já não conseguiam se manter antes da guerra por causa da fome e agora não conseguem sequer atendimento médico para tratamento das doenças da bomba. Desemprego, falta de recursos e exploração infinita do povo japonês.

A máfia controla o país e os vilarejos. Há maldade para onde se olha, seja nas regiões controladas pelo governo japonês, seja sob controle das máfias, seja ainda sob controle do invasor vencedor da guerra. As pessoas comuns estão por sua conta e risco. Dureza!

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COMENTÁRIO FINAL

Esse cenário que descrevi sobre os 5 primeiros volumes de Gen Pés Descalços me deixa muito pensativo sobre a realidade do mundo no ano de 2023, cinquenta anos após o lançamento do mangá. 

Estamos vivendo num cenário mundial de muita desesperança e com perspectivas duras para o futuro da humanidade e, ao mesmo tempo, um cenário de muito ilusionismo, de muita alienação da população mundial graças às ferramentas de invisibilização dos temas graves e pela criação de pautas de distração que ganham a atenção de todo mundo.

As mudanças climáticas afetaram o cotidiano do planeta de forma permanente, as consequências já estão aí e vão piorar porque não há uma mudança de tendência em relação às causas. A vida na Terra será cada dia mais desafiadora para todos os seres viventes.

Apesar de ser um sistema de crises constantes, o capitalismo como forma predominante de organização da sociedade humana não dá sinais de que será substituído por outra forma de organização social, nem que se tornará obsoleto como se avaliou no passado ao estudar suas consequências maléficas para a humanidade e o planeta.

E as tecnologias criadas por nós homo sapiens estão sendo usadas pelos homens do capital para transformar o próprio animal humano em uma mercadoria cada vez mais descartável à medida que a tecnologia (inclusive IA) torne obsoleta a mercadoria mão de obra. O excesso de humanos pode estar se tornando algo inconveniente para o lucro dos detentores do mesmo capital.

Vemos isso no Gen Pés Descalços. O Japão e os japoneses se tornaram coisas descartáveis após a derrota na guerra. Os vencedores fazem experimentos com os derrotados. Entre os japoneses, alguns se aproveitam do caos e exploram seus pares em benefício próprio. 

O cenário no mangá de Nakazawa e o cenário atual praticamente empurram as pessoas a buscarem a sobrevivência da forma mais bruta possível, individual e sem pensar a coletividade. E as soluções no planeta e na sociedade humana só são viáveis se forem coletivas...

Estamos assim... até quando?

William


Post Scriptum: para ler sobre os volumes anteriores é só clicar aqui (v.1), aqui (v.2), aqui (v.3) e aqui (v.4). O texto da leitura seguinte, o volume 6, pode ser lido aqui.


Bibliografia:

NAKAZAWA, Keiji. Gen Pés Descalços. Vol. 5. Tradução Drik Sada. - São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2012.


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Superman: entre a foice e o martelo



Refeição Cultural

Ganhei de meu filho um belo presente de Dia dos Pais, um HQ muito interessante: Superman: entre a foice e o martelo, criação de Mark Millar, com ilustrações de Dave Johnson, Kilian Plunkett, Andrew Robinson e Walden Wong. A edição colorida e com capa dura foi lançada pela Panini em 2017, mas a obra é do início dos anos dois mil, pelo que se vê na introdução de Tom DeSanto, de outubro de 2003.

A postagem não será uma sinopse a respeito da obra como se costuma fazer. É provável que haja boas matérias sobre as qualidades e críticas desse roteiro de Mark Millar. Meu filho mesmo me enviou um vídeo muito bom sobre esse HQ, feito pelo youtuber Elba. Vale a pena assistir. Aliás, a edição que Elba usa para comentar não é a que tenho, que é mais recente, de capa dura. 

Após ler durante vários dias a estória, reli hoje de uma só vez. A segunda leitura foi bem melhor que a primeira, isso posso dizer. As ilustrações são muito legais. O roteiro deve ter efeitos diferentes de acordo com o conhecimento de cada leitor. Como não conheço o mundo dos HQ e dos super-heróis, perco referências na narrativa. Mas isso não atrapalhou o entendimento da estória.

O que mais fiquei pensando a partir da ideia de Superman: entre a foice e o martelo foi a respeito da ideologia, uma das abstrações humanas que sempre pesaram na definição da história das sociedades e que hoje voltou a ser determinante no século XXI nessa nova guerra estúpida que vivemos no seio do capitalismo mundial. A ideologia da classe dominante, o chamado 1%, está destruindo o planeta Terra e as chances de vida para as mais diversas espécies que existem até o momento.

De forma simples, a estória é a seguinte: a nave com o bebê extraterrestre sobrevivente do planeta Kripton não caiu em uma fazenda em Smallville, no Kansas, EUA. Caiu em uma fazenda de produção coletiva na Ucrânia, URSS. Anos trinta. E daí a estória se desenvolve. Superman é o herói e líder da União Soviética de Stalin e pós Stalin e não um herói norte-americano na luta contra os comunistas no auge da guerra fria. 

O quadrinho tem 3 capítulos: "Amanhecer", "Zênite" e "Poente". Na primeira parte conhecemos Superman e seu mundo soviético. Conhecemos os Estados Unidos do cientista Lex Luthor, casado com a jornalista Lois Lane Luthor. Na segunda parte temos as lutas entre os dois lados e na terceira o desfecho da estória. Tem de tudo na trama, tem o Batman, tem um tal Brainiac, que pesquisei depois para saber que é um dos inimigos de Superman assim como Luthor. Enfim, como a narrativa é uma inversão do que conhecemos, todos têm papéis trocados ao que se conhecem deles.

Resumi bastante, porém quero falar meu sentimento em relação à questão da ideologia.

IDEOLOGIA E DOMINAÇÃO CULTURAL

A primeira coisa que fiquei pensando durante e após a leitura do quadrinho foi a respeito de ideologia. Ideologia é tudo no mundo da sociedade humana. Ela está por trás de tudo. Ideologia é até a ferramenta básica para manipular as pessoas contra a questão da "ideologia". 

E penso mais: vamos nos acabar em nome das ideologias. Quem sabe outras formas de vida sigam adiante no planeta Terra se nós mamíferos humanos nos acabarmos logo, antes de inviabilizarmos de vez qualquer forma de vida neste "Pálido Ponto Azul" no universo, como dizia Carl Sagan.

DESDE CRIANÇA, TORCEMOS PELOS INVASORES

Quando eu era criança, no final dos anos setenta, eu acreditei por um momento no Superman. Sério! Eu achava que aquilo que vi de alguma forma na TV era uma informação do mundo para nós que víamos deslumbrados aquilo: havia um super-homem que voava, que tinha poderes incríveis e ele era um extraterrestre criado numa fazenda no interior dos Estados Unidos da América. E ele nos salvava dos criminosos e dos malvados do mundo.

A vida seguiu. Eu me tornei adulto. Fui entendendo como a vida funcionava desde que me mudei de São Paulo para Minas Gerais, aos dez anos de idade. Passei a ver o mundo de forma muito mais real e dura. Já de volta a São Paulo, com quase 18 anos, me politizei e vivi parte substancial da minha vida nos movimentos de lutas da classe trabalhadora, nos movimentos estudantis e no movimento sindical.

Nos anos dois mil, no século XXI, eu devia ter talvez uns quarenta anos de idade quando vi um vídeo do nosso fantástico Ariano Suassuna fazendo uma palestra e falando sobre a sutileza da ideologia e da dominação cultural dos impérios capitalistas, o inglês e o americano. Ele explicava ao público que o via sobre a importância de a gente defender a cultura local em relação às culturas imperialistas. Vale a pena vocês assistirem ao vídeo na internet, é fácil de achar.

Amig@s leitores, a ideologia é uma coisa tão forte, tão profunda, que a gente nem percebe a ideologia funcionando no processo de dominação cultural em nós mesmos. No vídeo de Suassuna, ele fala da dominação inglesa em relação aos indianos citando um filme de época e, de forma mais rápida, ele fala do Indiana Jones... sim, o arqueólogo norte-americano que quase todos nós conhecemos e "torcemos" por ele. É o poder da indústria cultural de Hollywood, nos faz torcer pelos ladrões e invasores.

É demais a explicação de Ariano Suassuna: o personagem é um ladrão, rouba artefatos culturais e históricos das mais diversas partes do mundo, e nós telespectadores torcemos por ele! (tanto os do Norte, beneficiários, como nós os invadidos há séculos). É incrível! E como não torcer por ele - e pelo que ele significa, o império norte-americano - da forma como o filme é feito? Tem arte naquilo, tem técnica! A gente se vê adulto, achando até que é politizado e, no fundo, estamos no cinema ou em casa torcendo pelo Indiana Jones... é foda!

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"SUPERMAN: ENTRE A FOICE E O MARTELO" ME FEZ PENSAR SOBRE IDEOLOGIA

Por que essa lembrança do super-homem quando vi a questão com os olhos de uma criança com menos de dez anos e depois, ao levar um "puxão de orelha" de Ariano Suassuna já estando com mais de quarenta anos?

Para lembrar do poder da ideologia! Ela está nos valores e na cultura cotidianamente. Ela está na pauta cotidiana das pessoas e na agenda diária em nossas vidas, queiramos ou não, façamos de conta que não percebemos isso ou tendo consciência disso.

Foi por essa abstração humana, essa técnica de fazer as pessoas se engajarem em ideias e valores, que chegamos até aqui na sociedade humana. É pela ideologia que o animal humano está destruindo aceleradamente as condições de vida neste único planeta do universo com possibilidades de vidas, como disse Carl Sagan em seu "Pálido Ponto Azul".

É isso, me alonguei. Mas é um registro, uma reflexão. Ideologia é muito muito mais que razão, que racionalidade; é contradição porque é algo do animal humano, classificado como racional, sapiens, mas completamente alheia à razão.

Em cinco décadas de vida, já alternei crenças antagônicas sobre os seres humanos. Ora achei que a história é feita por heróis e líderes que definiram épocas e mundos, ora achei que a história foi feita por indivíduos na multidão, de forma caótica e anárquica, sem organização e lideranças, com eventos nas esquinas que crescem e mudam tudo.

Ainda estou avaliando se é uma das coisas ou as duas ou nenhuma delas. 

William


Bibliografia:

Superman: entre a foice e o martelo. Roteiro por Mark Millar; arte por Dave Johnson; tradução por Jotapê Martins. - Barueri, SP: Panini Brasil, 2017.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Narrativas curtas - Ano Novo







Ano Novo

Ela gostava da natureza. Nunca pôde falar muito sobre isso em casa porque a questão era tratada como bobagem, coisa de mulherzinha ou de gente sentimental. Gostava de flores e de pássaros.

A manhã estava silenciosa. Manhã de ressacas, primeiro dia do ano.

Levantou-se e perambulou pela casa enorme. Ainda se lembrava das falas, gritos, urros, das frases machistas e sexistas ao redor da mesa do réveillon. À medida que bebiam, mais falavam mal de mulheres. Como pode ninguém fazer nada contra isso!, pensou.

Acordou cansada, com um desânimo em relação ao futuro, ao futuro dela, uma menina no centro do poder, sem poder algum de decidir sua vida. Queria uma vida diferente. Estava cansada de ser julgada por causa de seus familiares, pelo meio onde vivia.

Às vezes, pensava besteira, pensava loucuras. Já estivera a ponto de fazer bobagem ao ver algumas das armas em cima de criados-mudos, mesa de jantar, mesinha da sala, ao lado de copos e garrafas. Ela cresceu vendo o manuseio daquilo como se fossem facas de cozinha no café da manhã.

Um novo ano começava. Nada de novo começava. A vida seguia para ela como no dia anterior. Marcada e julgada dentro e fora de casa por aquilo que ela era: uma menina dentro daquela família. A chacota de todo mundo.

O pior de tudo é que nem se achava bela, recatada e do lar. Era mulher. Mulherzinha. Era somente o fruto de uma fraquejada, como ela e amigas passaram a ser chamadas pelas costas ou nas horas de discussões ruins.

Queria mudanças em sua vida. Estava cansada de tudo aquilo. Mas tudo que via pela frente no ano novo era a repetição dos anos velhos, nada sinalizava mudanças em sua vida.

Na varanda da casa, via os pássaros cantando naquela manhã de sol. Seus passos rumo ao quintal espantaram os pássaros, que pousavam naquela grama sempre atentos aos ataques, pois ali não gostavam da natureza. Quando não era algo jogado neles, era tiro que deixava um deles morto no chão.

A menina viu a arma esquecida ao lado da churrasqueira, entre garrafas de uísque e copos.

Entrou silenciosamente em casa. Avançou pelos corredores e foi para o banheiro social.

Antes de entrar no banheiro e fechar a porta, tomou um susto ao ouvir seu pai perguntando o que ela estava fazendo. Seu coração quase saiu pela boca. Ficou branca de susto, boca seca.

Numa fração de segundos, levantou a mão com a arma e disse que estava cheia de tudo aquilo, cansada. Só queria ser uma garota como outra qualquer, poder andar pelas ruas e sair com as amigas sem ser a referência daquilo que foi dito sobre elas, mulherzinhas, frutos de fraquejada.

Queria namorar sem ser a chacota dos amigos do garoto que estivesse namorando com ela. Estava cansada de tudo aquilo.

No primeiro instante, o pai foi o que era sempre, rude, grosso, autoritário. Mandou que ela largasse aquilo.

Ela seguia dizendo que estava cansada de tudo, que só queria uma vida normal. Chorava com raiva reprimida.

O pai mudou o tom e tentou persuadi-la a largar a arma porque aquilo era perigoso nas mãos de criança.

Será que o pai quis dizer que aquilo era perigoso na mão de mulher? De mulherzinha?

O pai seguiu falando mais baixo, mas mais ríspido, andando no sentido dela. - Filha, me dá a arma!, falou.

Ela não sabia o que fazer. As coisas não seriam mais como antes, após esse momento. Seriam piores que os dias anteriores, que já eram ruins. Cansaço... estava cansada de tudo aquilo.

3 tiros acordaram todo mundo na casa. Foi a maior gritaria. Correria geral.

O primeiro que chegou ao corredor foi o irmão. Depois a mulher.

O homem estava estirado no chão.

3 tiros no peito.

Nada seria como antes.


Fim


quarta-feira, 8 de abril de 2020

080420 (d.C.) - Diário e reflexões




Quarta-feira. Tempos de pandemia mundial do vírus Covid-19. Tempos de pandemia nacional de uma doença mental e comportamental identificada com uma palavra relativamente nova na Língua Portuguesa do Brasil, o Bolsonarismo. Tempos de pandemia do modo de produção capitalista, crise humanitária antiga antiga. Tempos de projetos para por fim à sociedade humana, por mais que não concordem que o resultado das merdas que os humanos estão fazendo vá levar a isso.

Não consegui fazer o que queria nesta manhã de quarentena. Acordei pensando em realizar afazeres pessoais que estabeleci mentalmente como algo que poderia chamar de rotinas para superar a nova realidade existencial com a mudança do mundo a partir da pandemia do novo coronavírus. Mas a verdade é que no contexto atual nosso ânimo varia a cada instante, num segundo queremos vencer todas as dificuldades, no outro achamos que não vale mais a pena tentar algo.

Quarentena e isolamento social são estratégias definidas por parte das autoridades mundiais da saúde para tentar frear a velocidade de contágio do Covid-19, já que não existe vacina ainda e já que ele se espalha rapidamente colapsando os sistemas de saúde existentes. Quanto mais humanos pegam a doença em menos tempo, maior a possibilidade de falência dos sistemas de saúde e mais mortes podem ocorrer por falta de assistência e aparelhos para manutenção da vida.

O Universo é muito antigo. E nele são muito antigas as diversas formas de coisas existentes. E elas se juntam, e se separam e se transformam. Coisas são criadas e coisas são extintas o tempo todo. O próprio Universo é uma dessas coisas. O planeta Terra é uma coisa do Universo. E a Terra tem bilhões de anos e zilhões de coisas, dentre elas a espécie humana, que por sinal é muito recente no planeta, ao considerarmos o tempo de existência de uma e de outra (coisa). Aparecemos dias atrás e já afetamos o planeta de forma a quase inviabilizarmos a coisa.

O novo vírus que está por aí mudou nossas vidas. Ele é invisível a olho nu e cheio de tentáculos para grudar nas coisas; está esperando o contato com novos corpos humanos para se reproduzir e seguir adiante com o seu objetivo (seria involuntário, já que é só um vírus? Uma coisa?). A gente vai dormir com a garganta arranhando, o nariz entupido, um pouco de dor de cabeça e já vem aquele sentimento de que estamos com a peste e podemos morrer em pouco tempo. Ou transmitir a coisa a outras pessoas e prejudicá-las também. Aí você acorda melhor e acha que teve aquilo que teve a vida toda, por décadas, quando baixa a resistência por cansaço ou estresse. E o dia recomeça dessa forma no novo cotidiano dos tempos de pandemia...

Gente, juro pra vocês! A gente tá fazendo tudo que recomendam de higienização. Mas que saco! Se ficar pensando que a vida daqui adiante será assim, vai ser um porre viver! Vai dar preguiça só de pensar nas coisas do dia a dia. Álcool pra lá, álcool pra cá; lava a mão toda hora porque pôs a mão nas coisas. Não pode mais pôr a mão no rosto. Lava tudo que entra em casa que veio da rua. Não pode mais abraçar e beijar as pessoas que a gente ama... Cara! Que saco! E dizem que a vacina demora anos para se atingir a produção em escala para se vacinar as pessoas mundo afora.

Estou sem vontade de fazer as lições de Japonês, que havia começado a estudar há três meses e vinha evoluindo bem. Era algo diferente que estava fazendo para o bem de meu cérebro ainda curioso de cinquenta anos. Depois de um mês sem minhas aulas de Kung Fu, começo a esquecer a quantidade grande de katis (séries de movimentos) que havia aprendido em um ano de prática dessa arte marcial. Foi outra coisa que inventei fazer aos cinquenta para desenvolver a concentração, o condicionamento físico e reencontrar a energia que sempre tive.

Eu adoro ler e estudar e não tenho conseguido avançar na leitura como gostaria já faz um certo tempo, praticamente desde que minha vida mudou radicalmente com a saída do movimento sindical e de representação dos trabalhadores. Talvez eu perceba mais dia menos dia que a força motriz da minha existência tenha atingido o auge ou o ponto de equilíbrio durante a fase de participação nas lutas populares entre os trinta e os cinquenta anos. Foi o tempo que menos vivi para mim e os meus e mais vivi para os outros, para o coletivo. Acho que a questão de pertencimento a algo maior que nossa dimensão pessoal dá sentido ao viver. Viver para a coletividade permite preencher os sentidos, inclusive os pessoais. Já o inverso...

Chega por hoje. Lá vamos nós para mais um cotidiano de saber que parte das pessoas ao nosso redor são bolsonaristas. Isso nos quebrou o moral profundamente... Sei que é impossível se colocar no lugar dos outros, mas dá pra imaginar a tristeza e desilusão que as vítimas dos piores regimes políticos da humanidade sentiram ao verem seus pares apoiarem Hitler ou monstros do tipo.

Lá vamos nós lidar com mais um dia sabendo que, no momento, os banqueiros, empresários e bilionários em geral estão vencendo a corrida pela vida em detrimento dos outros 99%, que estão se ferrando na vida - e são tão humanos quanto eles (e mortais). Não há lei da física ou da biologia ou o raio que nos parta que justifique isso.

Para valer a pena viver as coisas precisam mudar. Ou os 99% acabam com essa situação anormal, não natural, de uns com tudo e o restante com nada, ou a vida da coletividade humana não vale a pena.

Uma década atrás, e isso é um instante no tempo da história humana, parte civilizada dos pensadores do mundo refletiam sobre uma possibilidade e necessidade de mundo em que as pessoas teriam que trabalhar poucas horas e com bons salários para distribuir a riqueza gerada pela coletividade humana, já que a tecnologia existente pode substituir a mão de obra em grande parte das coisas. 

Vários governos democráticos e populares atuavam na América Latina para distribuir melhor os recursos do PIB nacional, mesmo que fosse sem rupturas com o pessoal do 1%. Aí vieram os golpes e rupturas democráticas, com novas formas de ataques aos povos e seus líderes (lawfare). Esse pessoal da casa grande não tem jeito mesmo, não sabe conviver com os pobres!

Ou a gente pega essa riqueza humana e distribui para todos e vamos ser felizes pelo amor e amizade, pela arte e pelo bem comum com tolerância ao diferente, ou a gente se acaba numa barbárie nunca vista de uns contra os outros, mas que comecemos pelo 1% que desgraça a vida humana no planeta.

William

domingo, 17 de março de 2019

HQ Paraíso Perdido, John Milton (1667), por Auladell


Capa da obra
ilustrada por Pablo Auladell.


Refeição Cultural

"Mais vale reinar no Inferno do que servir no Céu" (Satanás)


Os caminhos para o conhecimento e para a cultura são os mais diversos possíveis. 

Fui até uma livraria para escolher um livro para presentear um amigo. 

Depois de flertar com diversas obras nas estantes e nos modernos estandes que oferecem os títulos mais variados possíveis, incluindo um monte de porcarias ("Seja foda...", "Como não ser idiota..." etc), vi o livro de John Milton, Paraíso Perdido (1667), em edição ilustrada, ou Grafic Novel, ou HQ, História em Quadrinhos.

Acabei escolhendo esse livro para presente e comprei um para mim também.

- Que bela edição! As imagens são impactantes!

O arcanjo Satanás lidera uma rebelião no céu contra Deus, abre uma guerra civil no céu e após ser derrotado, vai parar no Inferno com um terço da população celestial. Sabendo que Deus criou um lugar chamado Terra e lá colocou diversas criaturas, inclusive uma tal criatura chamada Homem, decidiu em Concílio com seus seguidores ir para lá para tentar essa criatura humana e fazer com que ela não obedeça ao seu criador.

As criaturas humanas são Adão e Eva, esta feita da costela de Adão. A artimanha definida por Satanás é fazer com que os humanos comam o fruto da árvore do conhecimento, a única proibida a eles por Deus. Adivinhem o que acontece?

Após ler o livro, fui ler sobre John Milton e pesquisei mais alguns temas relativos a essa tradição religiosa a respeito de Deus, Satanás, Adão, Eva e personagens afins.


Satanás passa pelo Trono do Caos,
a caminho da Terra.

É difícil não se deixar levar por teorias de causas e consequências, pela questão do castigo e das benditas ou malditas escolhas do chamado livre arbítrio humano quando refletimos sobre o momento que vivemos no Brasil e no mundo nesta quadra da história.

Tem uma passagem na obra onde Satanás, procurando o caminho para a Terra, passa pelo reino do Caos e com a ajuda desse soberano, Satanás lhe promete todo o proveito ou butim das merdas que fará com a Terra e os humanos, pois ele Satanás só quer a vingança contra Deus.

Amig@s, acho que é o que aconteceu com o Brasil após o golpe de 2016...

Enfim, a HQ Paraíso Perdido é fantástica! Recomendo aos amantes da cultura e do conhecimento.

William
Um leitor

domingo, 24 de maio de 2015

Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?



Desenhos... num momento, decidi ver como estava esse dom
que também tive em certo tempo em meu eu.

Refeição Cultural - Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?

Fim de dia. Fim do domingo. Estou meio-que... o tempo necessário para descansar não foi suficiente. Cheguei ontem à noite do trabalho e vou madrugar para trabalhar. Mas... a vida é assim. Vou me concentrar em economizar energia porque a semana será longa até o fim do próximo sábado.

Corri pela tarde com temperatura de 24º e percebo a mudança do clima brasiliense em fim de maio; está ficando mais seco. Fiz um trote de 6k em 37'.

Reflexões a partir da observação da vida animal em estado natural

Faz algumas semanas que tenho assistido aos domingos programas abordando a vida na natureza. Isso me leva a reflexões constantes sobre a nossa vida humana neste momento em que estamos de nossa história.

A vida em estágio natural é uma eterna luta pela sobrevivência. Se mata para viver a todo instante. E sobrevivendo com água e comida, alguns seguem, outros viram comida do outro na cadeia alimentar. Nós humanos conceituamos a natureza de "bela" por suas cores, tons, animais, plantas, formações geológicas etc. Viver na natureza, sem regramento que limite ações, necessidades e desejos individuais, sem espírito de proteção e apoio coletivo em sua espécie, ou até em parceria com outras espécies, é muito difícil e com probabilidades bem menores.

Somos animais mamíferos. Simples assim. Como diz o documentário "Ilha das Flores" somos mamíferos bípedes, com polegar e telencéfalo altamente desenvolvido. Saímos do puro estado de natureza há alguns milhares de anos e paramos de viver como os animais vivem em meio à natureza selvagem.

A necessidade de proteção grupal, estabilidade, provisão de víveres e o desejo de amor e companhia nos fez construir espaços comuns e estabelecer regras e limites individuais para o bem coletivo. Desenvolvemos tecnologia ao longo de nossa história para nos ajudar a dominar o espaço e prover todas as necessidades que tínhamos e as que fomos criando.

Nessa história ao longo do tempo e por todo o globo terrestre sempre houve momentos de ruptura dos contratos sociais que definiam regras e limites. As rupturas levaram a guerras e extermínios entre nós da mesma espécie. Não podemos esquecer que nossa espécie humana também teve e segue tendo uma capacidade impressionante de extermínio de todas as demais espécies por onde quer que decidamos nos instalar. Nós destruímos e alteramos tudo ao nosso redor.

Construímos ao longo de nossa história, várias experiências positivas e negativas de sociedades com mais igualdades de direitos e com menos igualdades de direitos entre todos os participantes dessa sociedade.

Ao estudar nossa história humana, ser participante da sociedade contemporânea e olhar ao meu redor, fico assustado com o rumo que estamos tomando, nós animais mamíferos que somos. Vejo que nosso futuro está em risco e tenho uma leitura de que estamos caminhando para voltar ao Estado de Natureza, sem regras e limites definidos para termos segurança, provimento, amor e melhor perspectiva de paz.

Inteligência Artificial pode por em risco a raça humana?

Vi também um programa que mostra a preocupação de grandes mentes do ramo dizendo que há sim um risco de alcançarmos nas próximas décadas um salto tecnológico que pode fazer com que a Inteligência Artificial se torne independente de nossas ordens e autônoma enquanto espécie. Ela teria a capacidade de se estabelecer no planeta Terra exatamente como nós fizemos até hoje e nós nos tornaríamos apenas mais uma raça animal sem estar no domínio das coisas.

E a pergunta que parte dos cientistas está fazendo é qual a necessidade de se seguir nessas pesquisas? Eu não vejo nenhum sentido nisso, francamente.

Qualquer tecnologia pode ser usada para o bem e para o mal. Desde sempre. Mas ela pode ameaçar a existência humana e de outras espécies também.

Eu tenho a preferência por tentar me manter humano, utilizando meu cérebro e minha capacidade acumulada de me importar mais com a vida em coletividade e com a busca de amor e felicidade para o conjunto dos animais mamíferos humanos em suas comunidades. E logicamente isso só é possível para a raça humana se nos atentarmos também para a conservação do planeta que nos abriga e sua biodiversidade, que é um achado no cosmos, com uma multiplicidade de casualidades naturais que geraram as condições de vida como a conhecemos.

É isso!

William Mendes

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dom Quixote - Em quadrinhos



Capa da edição.

Refeição Cultural

Li neste domingo pela manhã, um HQ de Dom Quixote, da L&PM. Muito bem feito, tanto em relação às aventuras escolhidas quanto nas imagens.


Aqui temos a formosíssima Dulcineia e a figura do
valoroso cavaleiro andante.

O quadrinho respeitou as três saídas do cavaleiro da triste figura, a primeira onde ele sai sozinho e volta logo para sua terra. A segunda saída já com o seu fiel escudeiro Sancho Pança e a terceira saída, onde foi mais longe chegando a Barcelona e lá conhece seu maior infortúnio.


Por fim, a clássica dupla de cavaleiro e fiel escudeiro, 
com seus belos animais, o Rocinante e o burrinho.

- Oh amantes da leitura e dos clássicos, como é bom curtir momentos de prazer com as grandes obras!


Bibliografia:

CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote. Clássicos da Literatura em Quadrinhos. L&PM Editores. Tradução de Alexandre Boide. Adaptação e roteiro: Philippe Chanoinat e Djian. Desenhos e cores: David Pellet. Impresso no Brasil em 2012.

terça-feira, 9 de março de 2010

A saúde pública no Brasil - e o meu cansaço por excesso de trabalho


Wmofox, desenho 1 (em parede)

Cheguei há pouco em casa. Estive em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, no planejamento de trabalho da minha confederação. Antes, estive em Uberlândia (MG) visitando meus pais e minha família.

Já viajo depois de amanhã para Belo Horizonte (MG), onde ficarei até domingo no Coletivo Nacional de Formação da CUT.

Estou bem cansado. E não tenho nem tempo para pensar nisso.


SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL

Quando estive em Uberlândia, fiquei com minha avó algumas horas no corredor do Hospital Universitário da Medicina - UFU/SUS. Havia dezenas de pessoas internadas nos corredores. Era o caos.

É muito triste ver o tratamento que os cidadãos brasileiros têm na questão da saúde, que deveria ser um dos direitos mais sagrados das pessoas. Eu sei que estava pior antes do governo do PT, mas temos muito que avançar em relação à saúde pública.

Eu sinto muita falta de leitura para ganhar novos conhecimentos culturais. Sei que neste ano será bem difícil conseguir tempo para o meu conhecimento pessoal.


COMENTÁRIO POST SCRIPTUM (12/2/2012):

Passei uma semana com o meu pai internado após um infarto no mesmo hospital, no mesmo local, e posso afirmar que meu velho foi salvo lá e bem atendido pelos médicos e enfermeiras de toda aquela longa semana que tivemos.

Minha mãe ficou no mesmo corredor em que minha avó estava. Precisou ser atendida durante umas seis horas de exames.

O corredor do Pronto Socorro não esteve tão cheio como ocorreu em 2010 em nenhum dos sete dias que estive lá com o meu pai.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Limpando hemerotecas


Wmofox, desenho 2 (em parede).

Refeição Cultural


Estou em casa, em um domingo qualquer, limpando e expurgando meus nacos de cadernos de jornais.

Caderno de esportes do final de 2008, anunciando o hexacampeonato do São Paulo Futebol Clube: fala sério, para que guardar isso? Fora!

Caderno Ilustrada da Folha com capa de Tarsila do Amaral. O texto anuncia que saiu um catálogo da dita cuja. Não tem necessidade de guardar isso, pois existe um bom acesso ao tema em mundo virtual.

Lendo um texto no caderno Mundo, da Folha de 7.dez.2008, sobre Noam Chomsky, linguista que completou 80 anos em 2008 e que dizia não se iludir com a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (hoje, podemos dizer que ele tem uma excelente leitura de contexto e conjuntura política).

Quem é o cara? “Nascido na Filadélfia e professor emérito do MIT, onde leciona há 53 anos, Chomsky é considerado o pai da linguística moderna. De acordo com sua teoria, chamada gramática transformacional, toda sentença inteligível contém não só suas regras gramaticais peculiares como o que batiza de ‘estruturas profundas’, uma gramática universal que serve a todas as línguas”.

Chomsky diz ser mais importantes as eleições de Evo Morales e Lula da Silva, na Bolívia e Brasil respectivamente, que a de Obama nos EUA. Diz também que a democracia americana é muito mais uma construção não-democrática, “um tipo de ditadura por escolha”, via marketing, do que uma democracia real, que conte com a “participação” do povo e não com a encenação de uma peça teatral, onde o povo só assista ao espetáculo.

Li uma entrevista de novembro de 2008, no caderno Mais da Folha, com o “medievalista” Hilário Franco Jr. sobre a ascensão do São Paulo Futebol Clube e do futuro do futebol. A teoria dele é de que o futebol é o retrato da sua sociedade. Aqui no Brasil, nós torcedores não teríamos a arrogância de uma nação vitoriosa ou imperialista como têm os torcedores ingleses ou argentinos.

Para mim, o mais "hilário" de tudo é o jornal ou o próprio dito-cujo chamar o "Hilário" de “medievalista”. É... tipo assim, bem pós-moderno e... medieval ao mesmo tempo!

É isso! Aprendi que guardar papeis para outra hora é algo ao menos hilário!

domingo, 31 de maio de 2009

Poema - Musas para o existir


Desenho de Mário Augusto.

Musas para o existir

Não pode ser!
Aceitar a ideia de sobrevida diária
passivamente, pacificamente.

Não pode ser!
Conformar-se em ser infeliz
cotidianamente, diuturnamente.

Caeiro...
Talvez a inspiração em Caeiro seja a solução:
não pensar, não buscar motivos. Só existir.

Drummond...
Atingido o primeiro estágio,
nada mal transfigurar-se em Drummond,
para seguir adiante:

Parecer delicado,
porém ser forte e robusto com as palavras e atos;
parecer negativo,
porém explodir esporadicamente em esperanças;
parecer escondido
atrás dos óculos e bigode, porém irradiar sempre.

Graciliano...
Atingido o segundo estágio,
o ideal, o meu ideal:
ser conciso como Graciliano.

Dizer apenas o necessário,
mas de forma incontestável.
Nunca estar satisfeito com a forma,
por acreditar ser possível dizer mais
com menos.


Wmofox, 8/4/06

Poema - Musas para o existir: Caeiro, Drummond, Graciliano.


Desenho de Mário Augusto.

(em prosa)

Não pode ser, aceitar a ideia de sobrevida diária passivamente, pacificamente.
Não pode ser, conformar-se em ser infeliz cotidianamente, diuturnamente.
Talvez a inspiração em Caeiro seja a solução: não pensar, não buscar motivos; só existir.

Atingido o primeiro estágio, nada mal transfigurar-se em Drummond para seguir adiante: parecer delicado, porém ser forte e robusto, com as palavras e atos; parecer negativo, porém explodir esporadicamente em esperanças; parecer escondido atrás dos óculos e bigode, porém irradiar sempre.

Atingido o segundo estágio, o ideal, o meu ideal, ser conciso como Graciliano: dizer apenas o necessário, mas de forma incontestável; nunca estar satisfeito com a forma, por acreditar ser possível dizer mais com menos.

Wmofox, 8/4/06

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Corridinha vespertina


Desenho de Mário Augusto.

Corri e caminhei um pouco hoje à tarde. Coisa de 6 Km, sendo 3K correndo.

Como havia pensado, arranjei uma pequena viagem nestes dias de descanso. Tô zarpando.

Fui.

Poema - Reflexões sobre a não-saúde


Desenho de Mário Augusto.

Não há reflexão sobre a condição natural de saúde.
Não se pensa em como é bom ver ouvir falar mijar cagar respirar.
Não se reflete sobre a não-dor.

Só se reflete sobre a dor ardor pontada queimação mal-estar.

É assim mesmo!

Aliás, refletimos por ser humanos.
Os outros bichos, só sentem a não-saúde,
e viram o bicho!

wmofox, 29.3.09
(estava em estado de não-saúde, resfriado)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Caminhada


Desenho do filhão, Mário Augusto.


Hoje à tarde fiz uma caminhada de uns 7 Km. Fui de casa à Rodoviária de Osasco; de lá até o SuperShopping de Osasco; de lá até a agência do BB na Vila Yara; de lá até minha casa.

Cheguei meio cansado, pois andar em poluição visual, sonora e fumacenta é bem diferente de andar no parque, em meio ao verde.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Caminhada


Desenho de Mário Augusto.


Após uma tarde de leituras diversas, fiz uma caminhada de cerca de 6 Km pra relaxar.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Corrida noturna


Desenho do filhão: A zebra.


Cheguei a casa hoje e dei uma corrida de 4 Km em 25' pra tirar o dia de trabalho das costas.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Caminhada inspiradora


Desenho do filhão, Mário Augusto.


Pois é, antes desse artigo que postei há pouco (ver aqui), fiz uma caminhada de uns 65' no Parque. Foram cerca de 6,5 Km.

Das reflexões, me veio a vontade de chegar a casa e escrever sobre os congressos do BB e CEF e defender a Mesa Única e a unidade da categoria.


sábado, 18 de abril de 2009

Depois de tanto tempo... caminhei! (e um poema)


Desenho de Mário Augusto.


Depois desse período estressante de muito trabalho e falta de tempo, saí hoje à tarde para uma caminhada gostosa de 60' no Parque Continental.

Amanhã tem mais.


Post Scriptum (5/01/16):

Estou em Osasco, em férias, jogando papéis fora. Achei esta anotação em uma agenda que joguei fora. Creio que a anotação é de 2009, quando fiz 40 anos:


"15 dias de sobrevida

Tenho pensado sobre guerra e amor.
Tenho querido evitar a guerra.
Tenho pensado o amor no sentido lato: Amor.
Amor no sentido contrário ao ódio.

Penso que estas duas forças movem o mundo.
Já passei mais de 2/3 de minha vida movido pelo ódio.
Porém, estou cansado desta forma.

Seria bem melhor escolher a fraternidade, a temperança, a paz.
Todavia, o mais difícil é se desarmar. É olhar diferente.
No meu caso: se permitir."