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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Diário e reflexões


Ainda correndo, falando, lendo, escrevendo...

Refeição Cultural

Osasco, 29 de maio de 2026. Madrugada de sexta-feira.


Enquanto escrevo, "moscas volantes" atrapalham minha visão da tela do computador. Anteontem, essas "moscas" passaram a "voar" na minha visão do mundo. Como piorou de um dia para o outro, fui ao oftalmologista e descobri que terei que lidar com essas "moscas" porque houve um descolamento de meu humor vítreo posterior do olho esquerdo. Soube que essas manchas escuras como se fossem lágrimas de petróleo no olho podem ser consideradas normais em pessoas após os cinquenta anos de idade, principalmente se forem míopes como no meu caso. Se eu não tivesse "sorte" poderia ter tido um descolamento de retina, um caso bem mais sério para a visão de um ser humano. Após os exames adequados, o oftalmologista me tranquilizou e não será preciso intervenção cirúrgica no meu caso. É só eu me acostumar a viver com essa merda me atrapalhando ver o mundo. Em muitos casos, as "moscas" acabam se assentando ou deixando de incomodar muito ou coisa do tipo. É torcer...

Sorte ou azar eu não sei. Sendo uma espécie de petróleo nos meus olhos tirando a beleza da visão das coisas - algo das profundezas do olho como o pré-sal -, pelo menos sei que o trump não terá interesse nessa coisa gelatinosa escura no meu território porque é uma quantidade irrelevante para o império. Sorte a minha. O azar é saber que é "normal" e que o mundo que vejo ficou mais feio.

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Antes de ter contato com a novidade das "moscas volantes" na minha visão do mundo, estive ontem em mais uma consulta de retorno sobre o caso da outra "sorte" que tive do ano passado para cá, ao descobrir uma reprodução acelerada de células na região da língua, uma lesão branca que pode se tornar algo mais sério. Essas lesões são denominadas leucoplasias e as pessoas acometidas por essas manchas na região da boca precisam ficar atentas e procurarem um especialista para avaliar o caso, um dentista ou estomatologista. Eu observei a mancha por conta própria e procurei saber o que era. Já fiz duas cirurgias, bastante incômodas por sinal, mas no meu caso, é só confiar na ciência e seguir sendo acompanhado pelos especialistas na questão. Uma porcentagem pequena dessas lesões pode se transformar em câncer, então é bom apostar na ciência para não dar sopa para o azar.

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E os desgastes na estrutura de locomoção desse animal humano que reflete neste texto? Por sorte, descobri que tenho desgastes nas estruturas do quadril já faz alguns anos. Sabendo do fato, passei a ter mais atenção com essa região importante de meu corpo de mamífero bípede com polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido. Antes de ir ao oftalmologista para saber das "moscas volantes", tinha ido a um ortopedista de quadril e coluna para avaliar como estão as coisas no corpo já meio dolorido pelos caminhos percorridos e pelas trilhas difíceis que atravessou. Felizmente, por atitudes do dono do corpo e por sorte, em quase dez anos de início dos desgastes, a evolução do quadro (involução do corpo) não foi tão ruim como poderia ter sido. Farei novos exames de imagem (a ciência) e o especialista me ajudará e lidar com os fatos constatados da condição que tenho.

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Sou um homem de sorte.

Pude escrever esta reflexão, mesmo com as "moscas" me atrapalhando ver. Posso andar. Inclusive, andei alguns quilômetros até uma estação de trem num dia de sol morno. O médico disse, inclusive, que os estudos recentes (a ciência) não desestimulam mais a atividade física com o avançar da idade. Antes, prevalecia a ideia de preservar estruturas desgastadas de quadril e coluna e até preservar o corpo sem fazer nada. Hoje, se sabe que é importante fazer atividade física adequada por ser mais benéfica que só aguardar o efeito da genética no envelhecimento do corpo. 

Falar. Ainda posso falar. Ler e escrever. Ainda posso ler e tenho muitos textos que gostaria de ler para aprender coisas novas e saber de histórias exemplares de vida; ler e escrever para compartilhar com quem queira saber coisas que não sabe ainda, de fontes sérias e honestas, de pessoas que querem o bem das outras pessoas e das demais formas de vida no planeta. Este blog foi criado para compartilhar o que sei, o que penso, o que descubro, o que leio, o que vejo, sempre de forma gratuita.

Vamos dormir. Quando acordar, nesta mesma sexta-feira 29, irei ler algum dos textos que quero ler, e se der, irei compartilhar nesta página de textos o que achar interessante do que aprendi.

(eu sei do trump e das merdas do mundo e da extrema-direita... eu sei, mas estou fazendo o que posso)

William 

01h22

sábado, 23 de maio de 2026

Livro: A era da empatia - Frans de Waal



Refeição Cultural

LITERATURA CIENTÍFICA 


"Se eu fosse Deus, me esforçaria para que os humanos alcançassem a empatia." (p. 288)


O biólogo primatólogo Frans de Waal nos apresentou no livro "A era da empatia", lançado em 2009, reflexões a partir de estudos feitos por ele e suas equipes ao longo de décadas. Ao retomar a leitura, soube que ele faleceu em 2024, acometido por um câncer de estômago. 

Quando vi o livro em 2010, me interessei na hora pelo tema da empatia. Eu era dirigente sindical de uma grande categoria e me esforçava com sinceridade para me colocar no lugar dos outros no diálogo e representação política de milhares de pessoas. 

Do lançamento do livro sobre a empatia aos dias de hoje, a sociedade humana mudou substancialmente em curtíssimo espaço de tempo. O autor disse que se fosse Deus, faria um esforço para que os humanos alcançassem a empatia. Vieram as big techs, os algoritmos e as redes antissociais, e o ódio ao outro, ao diferente, é na atualidade o sentimento que mais engaja pessoas no mundo.

"(...) Hoje, com tantos grupos diferentes se acotovelando num planeta abarrotado, o maior problema é o excesso de lealdade dos indivíduos em relação a seu país, grupo ou religião. Os humanos são capazes de desprezar profundamente todo aquele que pareça diferente ou que pense de outra forma, mesmo quando se trata de grupos vizinhos e com DNA quase idênticos, como é o caso dos israelenses e dos palestinos. As nações julgam-se superiores aos países vizinhos e as religiões acreditam ser donas da verdade." (p. 288/289)

Frans de Waal disse isso em 2009...

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SOMOS NATUREZA, PARTE DA NATUREZA, NÃO SOMOS ALHEIOS A ELA

"(...) Afinal, a psicologia deriva seu nome de Psiquê, a deusa grega da alma. Essas raízes religiosas refletem-se na resistência inabalável à segunda mensagem da teoria da evolução. A primeira é a de que todas as plantas e animais, incluindo a espécie humana, são produto de um único processo. Essa ideia é amplamente aceita hoje em dia, inclusive fora da biologia. Mas a segunda afirma que há uma continuidade entre a nossa espécie e todas as outras formas de vida, não somente do ponto de vista corporal, mas também do ponto de vista mental. Isso permanece difícil de engolir..." (p. 292/293)

Quando se trata de refletir sobre nossa natureza violenta, ao matar, estuprar, fazer guerras, parte da sociedade atribui isso ao DNA, à nossa genética. 

"(...) É somente com relação às características consideradas nobres que a continuidade é colocada em dúvida, e a empatia é um bom exemplo disso." (p. 293)

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O LADO SOMBRIO 

Frans de Waal, no último capítulo, nos apresenta outras possibilidades oriundas da capacidade da espécie humana de se colocar no lugar dos outros e de outras espécies. 

Durante a leitura do livro, o leitor vai compreendendo que a empatia ocorre sob determinadas condições. Identificação é uma das condições. 

"(...) A empatia precisa tanto de um filtro que nos faça selecionar as situações às quais reagimos quanto de um dispositivo que permita ligá-la ou desligá-la. Como toda reação emocional, a empatia tem um 'portal', uma situação que tipicamente a desencadeia ou na qual permitimos que ela se manifeste. O principal portal da empatia é a identificação." (p. 301)

O autor explica que para aquelas pessoas com as quais nos identificamos, o 'portal' está sempre aberto. Fora desse círculo, a empatia é opcional. 

"(...) Por outro lado, há ocasiões em que o portal é fechado deliberadamente, como, por exemplo, quando suprimimos a nossa identificação com as pessoas que fazem parte de um grupo inimigo declarado." (p. 302)

Entra em ação o processo de desumanização, recurso historicamente empregado para justificar atrocidades cometidas contra grupos diferentes, nos explica o biólogo. 

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EM BUSCA DA EMPATIA

Entre a aquisição do livro de Frans de Waal e o término da leitura foram dezesseis anos. Nesse período, eu vi muita coisa acontecer no Brasil e no mundo. Vi as vidas seguirem e vi muitas vidas serem interrompidas.

Após a aquisição do livro sobre empatia, um comportamento humano desejado por mim na relação entre as pessoas, vi as "primaveras fabricadas" derrubarem governos mundo afora. Vi homens por trás de big techs inventarem formas de engajar pessoas pelo ódio, pelo oposto da empatia.

Vi as manifestações de junho de 2013 iniciarem uma longa noite de terror no Brasil; o golpe contra Dilma; a prisão injusta de Lula; a armação que colocou Bolsonaro no poder. Vi a pandemia mundial de Covid-19 matar milhões de pessoas, principalmente nos países com governos negacionistas, Trump e Bolsonaro à frente. A guerra na Ucrânia; o genocídio do povo palestino... 

Busquei exercer a empatia nos mandatos que tive à frente de movimentos e instituições importantes. Na formação sindical e política; na coordenação nacional das negociações do Banco do Brasil; na gestão de saúde da maior autogestão do país. Na relação com as pessoas próximas. Não é fácil ser empático sempre. Frans de Waal nos explica isso.

Saí do banco. Saí do movimento político. Rompi muitas relações antigas. O Brasil estava afundado no mal durante um governo fascista. Como precisávamos de empatia...

Li dezenas e dezenas de livros nos últimos anos. Compreendi muita coisa e encontrei muitas respostas para questionamentos que fiz por décadas de vida.

Sigo desejando empatia. Um mundo com a prevalência da empatia entre as pessoas. Tenho muito mais noções hoje que antes.

Sigamos lendo, escrevendo, refletindo, buscando mudar a realidade e tentando ser mais empáticos nas relações com as pessoas e com os seres vivos no mundo.

(Vivi uma espécie de catarse ao escrever essa refeição cultural sobre o livro "A era da empatia" ao som de "Animal Instinct", do Cranberries. O videoclipe me faz viajar com aquela mãe e as crianças. O vídeo tem tudo a ver com empatia. Aliás, Dolores O'Riordan faleceu em 15/01/18, em Londres)

William


Bibliografia:

WAAL, Frans de. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. Com desenhos do autor. Tradução: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Jornada nas Estrelas (Star Trek) - 2ª temporada (1967-1968)

 


Refeição Cultural

Após assistir aos episódios da primeira temporada da série original de Star Trek (comentário aqui), iniciei os episódios da segunda temporada. Fui vendo as aventuras da tripulação da USS Enterprise de forma esporádica e lentamente ao longo do ano de 2025.

O acesso atual a filmes, séries, documentários e programas culturais diversos através de plataformas de grandes empresas tem o inconveniente da "indisponibilidade" a qualquer momento. Foi isso que ocorreu com as 3 temporadas da série clássica de 1966/69 de Jornada nas Estrelas na Netflix.

Dias atrás, soube que a plataforma retiraria do ar as 3 temporadas. Fiquei p. da vida. Para não deixar pela metade a temporada que estava assistindo, dei uma acelerada e vi um monte de episódios em poucos dias. Foi cansativo e o fato tirou um pouco do prazer de assistir tranquilamente a série.

Enfim, agora conheço as duas primeiras temporadas da série clássica de ficção científica Star Trek. Desta vez, foram 26 episódios e alguns muito bons.

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EPISÓDIOS


E1. Tempo de loucura ("Amok Time")

SINOPSE: No auge do período de acasalamento de Pon Farr, Spock precisa voltar ao Vulcão (Planeta Vulcano) para encontrar sua futura esposa, prometida desde a infância.

COMENTÁRIO: Os episódios da icônica série de ficção científica foram lançados no auge da guerra fria, final dos anos sessenta. Ao longo da primeira temporada, vi episódios com muitas questões políticas da época. Neste, especificamente, o roteiro me pareceu mais voltado para a antologia da série, para falar um pouco da natureza e da história de Spock. E, finalmente, vi a clássica imagem da mão aberta com os dedos separados em V, um cumprimento dos vulcanos.

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E2. Lamento por Adônis ("Who Mourns for Adonais?")

SINOPSE: Um ser poderoso que diz ser o deus grego Apollo aparece e exige que a tripulação desembarque em seu planeta para adorá-lo.

COMENTÁRIO: Muito bom o episódio, que também poderia ser traduzido por "Quem vai chorar pelos deuses?". A teoria discutida pelos personagens do enredo me fez lembrar do clássico "Eram os deuses astronautas?" (1968), de Erich Von Däniken. Após ter a USS Enterprise retida por uma mão gigante de energia, o capitão Kirk e sua tripulação têm que se submeter ao deus Apolo, que quer ser adorado como os humanos faziam milênios antes. A temporada começou bem!

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E3. Nômade ("The Changeling")

SINOPSE: Uma sonda com inteligência artificial e um sistema assassino vem à USS Enterprise e confunde o capitão Kirk com seu criador.

COMENTÁRIO: É sempre interessante ver ainda nos anos sessenta a questão da IA - burra de forma incorrigível - se contrapondo e desobedecendo seu criador, a espécie humana, essa sim com capacidade de ser inteligente, apesar de boa parte das pessoas não desenvolverem esta habilidade do cérebro do homo sapiens. A inteligência do criador precisou fazer a diferença para que a máquina "inteligente" não destruísse a Enterprise.

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E4. O reflexo no espelho ("Mirror, Mirror")

SINOPSE: Kirk, McCoy, Scotty e Uhura estão em um universo-espelho em uma Enterprise paralela dominada por bárbaros cruéis.

COMENTÁRIO: Essa ideia de um mundo em espelho ao nosso mundo real sempre foi algo imaginado e talvez sonhado pelos seres humanos. É daí a invenção de que poderíamos viajar no tempo, uma abstração da mente humana muito antiga. Estamos viajando ao espaço, é fato. Viajar no tempo, não é possível. Só através da imaginação mesmo.

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E5. Fruto proibido (The Apple)

SINOPSE: Kirk e uma equipe de aterrissagem descem para um planeta de aparência ideal e paradisíaca.

COMENTÁRIO: A tripulação da USS Enterprise encontra um paraíso um pouco diferente da descrição clássica. Os habitantes são inocentes como o casal Adão e Eva era antes da desobediência a Deus, tentados pela serpente a comer o fruto proibido. Apesar de bonitas, as plantas são perigosas e podem matar. O deus local, Vaal (um monumento gigante com cara de serpente), é alimentado pelos habitantes, que vivem quase na escravidão, pois devem obediência cega a Vaal. Akuta, o sacerdote local com quem Vaal se comunica é o líder dos habitantes. O capitão Kirk e sua tripulação farão um pouco do papel do diabo, "desencaminhando" os inocentes habitantes do planeta Gamma Trianguli VI. Quem vai ganhar essa guerra entre o céu e o inferno, Vaal e habitantes ou Kirk e companhia?

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E6. A máquina da destruição (The Doomsday Machine)

SINOPSE: A Enterprise encontra a combalida Constellation, cujo capitão - Matt Decker -, transtornado, está determinado a parar a nave gigante que matou sua tripulação. A máquina destruidora é uma super-arma destruidora de planetas e se não for parada pode destruir o sistema solar dos humanos.

COMENTÁRIO: Este episódio foi um dos melhores que assisti até agora! A roteiro é muito bem construído. Além da verossimilhança na estória, uma máquina programada para destruir planetas gerando assim sua própria energia a partir da síntese dos elementos do planeta destruído, temos a questão das idiossincrasias dos humanos e seus comportamentos contraditórios (com exceção do vulcano Spock, lógico!). Foi tensão até o último minuto do episódio. Fiquei até com bronca da tripulação da Enterprise por ser tão certinha e aceitar receber ordens do capitão Matt Decker. Spock obedeceu a alguém acima dele na hierarquia por ser lógico, mas fiquei p. da vida! Eu não respeitaria o sujeito nem f...

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E7. O Dia das Bruxas ("Catspaw)

SINOPSE: Quando Kirk e sua equipe de aterrissagem chegam ao planeta, são recebidos por neblinas estranhas, um castelo sombrio, bruxas, goblins e um gato preto.

COMENTÁRIO: No episódio, um ser na forma de mulher ou gato - Sylvia -, ameaça o capitão Kirk e sua tripulação com mágicas letais como, por exemplo, "vudu", para dominá-los. A mulher domina a mente dos amigos de Kirk.

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E8. Eu, Mudd ("I, Mudd")

SINOPSE: Harry Mudd volta com um plano para tomar a Enterprise. Ele é rei em um planeta habitado por androides comandados por ele.

COMENTÁRIO: Episódio muito bom! Ver em 2025 um debate sobre IA na forma de robôs com aparência humana em 1968 e os problemas que isso poderia causar aos humanos, e causou décadas depois, é algo espetacular! Seriam várias dimensões para se avaliar, muitas camadas. Fica claro, porém, que não existe Inteligência Artificial, como nos explica hoje o neurocientista Miguel Nicolelis, inteligência é um atributo humano. Sempre há humanos por trás dessas máquinas que são vendidas como IA. Sempre há e haverá o risco à própria humanidade em sentido geral por causa de uns poucos humanos gananciosos que só pensam em si e dane-se todos e o mundo.

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E9. Metamorfose ("Metamorphosis")

SINOPSE: A tripulação da Enterprise encontra uma misteriosa nuvem de energia que os atrai para o planeta Gamma Canaris N.

COMENTÁRIO: Achei o episódio interessante. A entidade inteligente que atraiu o Cap. Kirk, Spock e seus amigos fez o que fez para diminuir a solidão do único humano no planeta, o famoso Zefram Cochrane, inventor do motor de dobra e que já deveria estar morto há muitos anos. Kirk terá que ser um bom ator para lidar com a força alienígena.

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E10. A caminho de Babel ("Journey to Babel")

SINOPSE: A Enterprise recebe diversos diplomatas em conflito - e, dentre eles, o pai de Spock - mas alguém a bordo planeja um assassinato.

COMENTÁRIO:

"- Dê uma razão? Qual o nosso lucro em ferir o Capitão?
- Eu não sei. Não há lógica no ataque de Thelev ao Capitão. Não há lógica no assassinato de Gav.
- Talvez tenha que esquecer a lógica. Pense nas motivações... de paixões ou vantagens. Essas são razões para assassinatos...
"

Esse diálogo entre Spock e um andoriano é a tônica do episódio de Jornada nas Estrelas, um dos melhores desta temporada. No enredo, vemos pai e mãe de Spock, risco sério de morte de personagens importantes da tripulação da Enterprise e excelentes debates sobre a lógica vulcana e a diferença humana nos sentimentos que nos definem para além da lógica. Muito bom!

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E11. O Sucessor ("Friday's Child")

SINOPSE: A Federação está concorrendo com os klingons por uma aliança com os habitantes de Capela IV, uma tribo guerreira.

COMENTÁRIO: Chamou a minha atenção o episódio produzido no final da década de sessenta tratar de disputa de minerais por parte de duas raças, os humanos e os klingons. O mineral de terras raras, como se diz hoje, estava no planeta Capela IV, e seus habitantes estavam sendo disputados para o acordo comercial. O ponto negativo do enredo foi a violência praticada contra uma mulher, um tapa na cara, a agressão partiu de um membro da tripulação da USS Enterprise.

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E12. Os anos mortais ("The Deadly Years")

SINOPSE: Uma equipe de aterrissagem da Enterprise é exposta a uma forma estranha de radiação que acelera o envelhecimento.

COMENTÁRIO: Interessante o enredo. O episódio abordou uma discussão sobre os efeitos do envelhecimento nas pessoas, o efeito individual em cada um. O capitão Kirk, no auge de seus 34 anos, teve que lidar com esquecimentos e outros fatores de eventuais doenças da idade avançada, como artrite.

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E13. Obsessão ("Obsession")

SINOPSE: O Cap. Kirk caça obsessivamente uma criatura em forma de nuvem que encontrou na juventude.

COMENTÁRIO: O enredo vai abordar uma característica humana que os vulcanos não têm: a hesitação. Será que uma hesitação do Capitão James T. Kirk, 11 anos antes, pode ter sido responsável pela morte de uma tripulação de outra nave estelar por uma criatura enfrentada no presente momento?

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E14. Um lobo entre os cordeiros ("Wolf in the Fold")

SINOPSE: Scotty é o principal suspeito da morte de várias mulheres no planeta Angelius II. Entretanto, uma força mais sinistra pode fazer a conexão entre esses assassinatos e outros pela galáxia, incluindo alguns na Terra no final do século XIX.

COMENTÁRIO: Gostei no enredo da questão da fé que os homens depositavam nas máquinas já nos anos sessenta. O computador central da USS Enterprise é utilizado por Kirk e Spock nos interrogatórios para saber quem mente e quem fala a verdade. Se já eram fascinados com essa porcaria do passado, imaginem a ilusão cega que têm hoje nessas IA, nem inteligentes nem artificiais. 

(Como sempre, lamentável a forma como se tratam as mulheres, é um desrespeito absurdo)

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E15. Problemas aos pingos ("The Trouble with Tribbles")

SINOPSE: Kirk precisa lidar com burocratas da Federação, uma nave de batalha klingon e um camelô que vende criaturinhas peludas e famintas como animais de estimação.

COMENTÁRIO: Episódio com tom de humor, de descontração. A USS Enterprise viveu uma superpopulação de pingos, bolinhas peludas vivas.

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E16. Os senhores de Triskelion ("The Gamesters of Triskelion")

SINOPSE: Kirk, Uhura e Chekhov são capturados e escravizados em um planeta distante, onde são treinados para entreter alienígenas entediados.

COMENTÁRIO: Foi dureza assistir ao episódio dos "bons mocinhos" da USS Enterprise no dia que os EUA invadiram e sequestraram o presidente da Venezuela para roubar o petróleo do país (03/01/25). O Cap. Kirk, sempre sem camisa e conquistador de mulheres, é o típico representante desse país imperialista desgraçado.

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E17. Um pedaço da ação ("A Piece of the Action")

SINOPSE: Kirk, Spock e McCoy descem a uma cultura similar às gangues terráqueas dos anos de 1920.

COMENTÁRIO:

"- Um livro sobre as gangues de Chicago fez tudo isso. Incrível. 

- Eles evidentemente tomaram o livro como um projeto de sociedade. 

- Como a Bíblia."

Muito interessante essa conclusão de McCoy...

Qual será a solução para pacificar as gangues no planeta dos iotianos?

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E18. A síndrome da imunidade ("The Immunity Syndrome")

SINOPSE: A Enterprise encontra um organismo gigantesco, sugador de energia, que ameaça a galáxia.

COMENTÁRIO: A tripulação da USS Enterprise estava a caminho das férias quando recebe uma ordem de verificar um evento ocorrido em uma região do espaço. Uma nave com tripulação de vulcanos teve destino trágico e os 400 mortos nos fazem ver um Spock sensibilizado, algo raro num vulcano. 

(Senti o mesmo cansaço que a tripulação do Cap. Kirk ao assistir de forma acelerada os episódios desta temporada já que a plataforma vai tirar a série do ar em alguns dias... que merda, isso!)

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E19. Uma guerra particular ("A Private Little War")

SINOPSE: Kirk volta ao planeta Neural, onde passou algum tempo 13 anos antes. Um amigo da visita anterior hoje é líder de seu povo.

COMENTÁRIO: Numa disputa entre a Federação (representada pela USS Enterprise) e os klingons, as vítimas são os habitantes primitivos do planeta Neural. Era para os habitantes evoluírem lentamente do arco e flecha para armas de fogo, mas os klingons armaram um dos grupos e Kirk precisa decidir se arma o outro lado, interferindo e criando um "balanço de forças", ou não. 

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E20. Volta ao amanhã (Return to Tomorrow")

SINOPSE: Os três últimos membros de uma raça antiga, bem mais avançada que os humanos, querem emprestar os corpos de Kirk, Spock e dra. Mulhall.

COMENTÁRIO: Se pudéssemos manter nossa essência, nossa identidade, existindo após o fim de nosso corpo físico, seria um avanço imenso para os seres humanos. Seria uma questão prática e material de mantermos o nosso "espírito". O episódio tem o enredo baseado nessa ideia de uma inteligência que se mantém após o fim de seu corpo físico. Interessante.

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E21. Padrões de força ("Patterns of Fource")

SINOPSE: Procurando por um observador cultural da Federação desaparecido, Kirk e Spock encontram-se em um planeta cuja cultura segue os moldes do Partido Nazista.

COMENTÁRIO: Episódio sinistro. O nazismo voltou num planeta com duas populações estabelecidas e uma decide unificar seu povo utilizando a ferramenta do ódio ao outro povo, os zeons. A tripulação da USS Enterprise tentará evitar a solução final naquele planeta.

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E22. Por qualquer outro nome ("By Any Other Name")

SINOPSE: Kirk, Spock, McCoy e um par de camisas vermelhas descem para a superfície de um planeta, atendendo a um chamado de emergência falso. 

COMENTÁRIO: Episódio muito bom, tema que nos faz refletir. A raça humana foi totalmente subjugada pela superioridade da raça conquistadora. Os humanos não desistiram de pensar uma solução, usando a inteligência. O final é surpreendente.

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E23. A glória de ômega ("The Omega Glory")

SINOPSE: Kirk encontra Cap. Trace, da USS Exeter, infringindo a diretiva principal e interferindo em uma guerra entre os yangs e os kohms.

COMENTÁRIO: Era o que faltava para começar a fechar o ano da temporada, em pleno período de Guerra Fria: a guerra entre ianques (yangs) e comunistas (kolms) sai do planeta Terra e vai parar em Ômega... os mocinhos são aqueles da bandeira vermelha, azul e branca cheia de estrelinhas...

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E24. O computador supremo ("The Ultimate Computer")

SINOPSE: A Enterprise é escolhida para ser a nave de testes do novo sistema computacional multitrônico M-5, projetado para fazer a nave funcionar sem ajuda humana.

COMENTÁRIO: 

"Os humanos devem continuar fazendo certas coisas para continuarem humanos". 

Bem atual esta frase do Cap. Kirk ao saber que uma IA iria assumir o controle da USS Enterprise sem precisar de ninguém da tripulação de 400 pessoas a partir daquele momento. O episódio foi um dos melhores da temporada. Ele antecipou o clássico HAL 9000 de "2001 Uma odisseia no espaço".

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E25. Pão e circo ("Bread and Circuses")

SINOPSE: A Enterprise descobre um planeta onde o governo opressor é uma versão para o século XX do Império Romano da Terra.

COMENTÁRIO: No episódio, as arenas estão de volta, e as lutas do estilo MMA do século XXI terminam com a morte do derrotado. E tudo em nome da audiência. Com a sede de violência saciada através dos espetáculos de mortes cotidianas, aquela sociedade com um único governante já evitou guerras nos últimos 400 anos.

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E26. Missão: Terra ("Assignment Earth")

SINOPSE: A Enterprise deve observar a história da Terra em 1968.

COMENTÁRIO: Episódio tenso para fechar a temporada da série. São tempos de Guerra Fria e existe uma ameaça de 3ª Guerra Mundial com a detonação de uma bomba nuclear que pode começar o fim da humanidade. 

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AVALIAÇÃO GERAL DA SEGUNDA TEMPORADA

Assim como disse na avaliação sobre a primeira temporada da série clássica de Jornada nas Estrelas, repito aqui o esforço que tento fazer em imaginar o efeito que a série teve em seu tempo e espaço, os Estados Unidos da segunda metade da década de sessenta do século vinte.

Os pontos altos da temporada ficam com os episódios que abordaram Inteligência Artificial (que não é inteligente) substituindo os seres humanos (E3, E8, E14 e E24), e alguns dilemas filosóficos abordados nos episódios como, por exemplo, no "E6 A máquina da destruição" no qual a tripulação da Enterprise quase é levada à morte por obedecer a ordens estúpidas de um superior fora de si e cheio de desejo de vingança.

Alguns episódios abordam temas, meio século antes, que são muito atuais como a questão da disputa dos recursos energéticos e terras raras. Na ficção, humanos disputam com outras raças e outros seres os recursos de determinados planetas. Na atualidade, os Estados Unidos decidiram acabar com as instituições diplomáticas do mundo, tipo ONU, e partir para a invasão e domínio pela força de outras terras e povos, são os klingons da ficção.

Não é difícil perceber o efeito ideológico e no imaginário dos telespectadores norte-americanos que cada episódio causava após sua exibição. O Capitão James T. Kirk e sua tripulação multiétnica eram os desbravadores de mundos e símbolos da ordem e dos bons exemplos que os terráqueos estavam levando às demais formas de vida no espaço.

O efeito de buscar coesão na população estadunidense ao se verem como os mocinhos salvadores do mundo repleto de gente bárbara, inferior e má deve ter tido algum sucesso, pelo menos por algum tempo. Não estou desconsiderando o prazer em si do entretenimento, óbvio. Mas não sejamos inocentes!

Enquanto os episódios pautavam o bom comportamento dos humanos da Federação Unida de Planetas (a ONU e a OTAN), os bons mocinhos dos EUA financiavam golpes de Estado e ditaduras sanguinárias no "seu quintal", os países da América Latina e Caribe.

E aí, chegamos ao século XXI da vida real, neste exato momento de transição do 1º para o 2º quarto do século, com os Estados Unidos invadindo e bombardeando países soberanos, roubando petróleo e recursos minerais dos outros, tanto nos mares - piratas modernos -, como por terra e pelos ares.

Valeu a pena conhecer um pouco mais da série clássica e original do icônico Star Trek, de Gene Roddenberry e sua refinada equipe de atores e atrizes.

William Mendes

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tecnologia em benefício de quem? (2)


Matérias da página da Fórum


Refeição Cultural

Opinião 


A INTERNET CAIU (ERROR 500)

Em tese, não tenho nada contra tecnologia. O ser humano chegou até aqui no planeta Terra por ser inteligente e criar tecnologia para se adaptar ao meio, superar seus predadores naturais e criar coisas novas.

A vacina dolorosa e cara que tomei hoje contra Herpes Zoster é fruto da inovação tecnológica de nossa espécie animal. Vacinas e procedimentos cirúrgicos são tecnologias criadas em benefício dos seres humanos. 

No entanto, é urgente o debate sobre a ética na utilização da tecnologia na sociedade humana neste momento da história. Ela deve beneficiar a maioria das pessoas; nunca concentrar poder na mão de poucos.

As reflexões que farei sobre o tema terão como foco principal a sensibilização das pessoas em posição de poder na política, como eu mesmo estive nesta condição por quase duas décadas. Quem tem mandato e ou representatividade, tem poder de mudar a história. 

O que aconteceu hoje, um apagão em parte da internet brasileira e global vai se repetir. Pior que isso, vai escalar. A sociedade humana vai tomar um "delete" das big techs a qualquer momento e as tais "nuvens" e navegações on-line vão desaparecer. 

Em qualquer momento no futuro, que pode ser amanhã mesmo, ano que vem durante as eleições brasileiras, ou de forma pontual, ou seja, tal serviço, ou rede, ou grupo, ou local etc, enfim, nós vamos ter um apagão de nossas memórias (hoje "nuvens") como se acordássemos com Alzheimer da noite para o dia.

A tecnologia está na mão de meia dúzia de pilantras, psicopatas, empresas que cagam para as pessoas e o mundo, cagam! (Desculpem a franqueza).

Tirar esse poder da mão de alguns animais humanos egoístas e ególatras é uma questão ética!

Pensem nisso, lideranças políticas. 

William Mendes 

18/11/25

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Tecnologia em benefício de quem?



Refeição Cultural

Opinião 


Sempre me sensibilizo quando vejo minha mãe ou meu pai com dificuldades em fazer coisas básicas do cotidiano por causa da tecnologia. 

Eles não conseguem chamar um carro de aplicativo para irem sozinhos a algum lugar. Meu pai nem tem aparelho para isso. Minha mãe tem, mas não sabe utilizar essa ferramenta, esse aplicativo. 

Como meus pais, temos milhões de pessoas só no país no qual vivemos, ou no qual sobrevivemos, o Brasil.

As tecnologias deste momento da história humana não são feitas ou não são utilizadas para melhorar a vida do povo. Não são! Afirmo isso como opinião e debato com qualquer pessoa a respeito do tema.

Seria necessário estabelecermos uma discussão ética sobre o uso da tecnologia. Ela deve ser utilizada em benefício do conjunto da população e não por uma pequena parcela em prejuízo do todo.

Como não sou determinista e defendo um mundo melhor para todos os humanos e para os seres vivos, e acredito na formação política e na educação como forma de melhorar o mundo através das pessoas, entendo que devemos refletir mais sobre a tecnologia. 

Voltarei ao tema.

William Mendes 

17/11/25

sábado, 30 de agosto de 2025

O sentido da vida (8)



"Sentia-me três vezes desgraçado: meu pelo era mosqueado, haviam-me castrado e os homens imaginavam que eu não pertencia a Deus nem a mim mesmo, como é próprio de todo ser vivente, e sim, a um cavalariço." (Kolstomer - História de um cavalo, Tolstói, 1886)


As relações sociais dão sentidos ao viver


Qual seria o sentido da vida, se não há nada dessas abstrações inventivas do animal humano, aquele que dominou a natureza, inventou a linguagem e ao final se perdeu acreditando em suas próprias abstrações?

Passou o dia envolvido com um texto extraordinário do século XIX, criado por um dos maiores escritores da Rússia, Leão Tolstói. No enredo, o narrador nos conta a história de Kolstomer, um cavalo que sofreu preconceito, violência e abandono, algo comum na vida de milhões de pessoas neste mundo cruel.

A leitura definitivamente é uma das invenções humanas que podem contribuir para dar significados à vida das pessoas. Ler literatura, ciências e história permite aos leitores se libertarem da triste sina da ignorância, o principal motivo para milhões de animais humanos serem escravos manipulados por espertalhões. 

Naquele dia, refletiu sobre muitas coisas, todas elas ligadas ao sentido da vida: ao parabenizar seu pai pelo aniversário de 83 anos, agradeceu a ele por tudo que fez para todas as pessoas que ele ajudou a se estabelecerem neste mundo cruel e injusto.

Ainda estava pensativo sobre o sentido da vida do personagem Kolstomer... mas o sentido da vida de seu pai, e de sua mãe, e de sua própria vida era mais compreensível àquela altura da existência. 

É notório o sentido de complementaridade e de interdependência que existe na vida da espécie humana na natureza. A vida de seu pai contribuiu para a existência de muitas pessoas da família, assim como sua própria vida naquele momento. 

O ser humano é um ser social por natureza. As relações nos dão sentido.

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sábado, 16 de agosto de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 16 de agosto de 2025. Sábado.


COLESTEROL

Subi correndo mais um dia a Av. Antônio de Souza Noschese. Meu percurso dá 2 Km. Como disse dias atrás, preciso voltar a correr para melhorar meus níveis de colesterol, aumentando um pouco meu HDL e diminuindo meu LDL e colesterol total. Nos níveis que eles estão hoje, minhas artérias e meu coração não aguentarão muitos anos.

Após identificar os desgastes no quadril e sistema locomotor, em 2018, vi minha atividade mais prazerosa da vida se tornar uma atividade feita com sacrifícios por causa das dores e incômodos durante e após as corridas. No entanto, essa atividade física me permitiu ter bons níveis de HDL durante décadas de vida estressante e tendente a mudanças nos níveis de colesterol e pressão arterial.

Sem correr com a intensidade que corria e na quantidade ideal, meu colesterol total foi só piorando entre 2018 e 2025: 221, 234, 244, 247 e 282 mg/dL. Um horror! Meu LDL saiu de 155 em 2020 para 199 mg/dL.

O bonzinho (HDL), que era 59 em 2018, chegou a subir para 62 e depois da redução das corridas caiu para os atuais 50 mg/dL. Ainda não é um resultado desesperador porque a referência é 40 mg/dL. Mas a tendência atual é ladeira abaixo...

Eu sei que a melhor forma de alterar a tendência ruim de meus níveis de colesterol é conjugar uma mudança de hábitos na alimentação com a prática de exercícios aeróbicos que façam efeito no meu corpo.

Comer como comi ontem à noite, por exemplo, frango a passarinho e pizza (overdose de gordura saturada) não é a melhor forma de mudar a tendência dos meus níveis de colesterol... (mudança de hábito é foda!)

Enfim, vamos mudando aos poucos.

Na corrida, vou dar preferência por correr pouca distância e em subidas porque o impacto no sistema locomotor é menor: tendo uma boa concentração nos passos, posso reduzir bastante o impacto no meu quadril. No entanto, só distâncias maiores geram HDL, mas uma coisa de cada vez.

Tenho que ficar de olho no meu coração. Meu batimento cardíaco precisa ser acompanhado durante o trote. Quando a pessoa está com melhor condicionamento físico, as faixas de batimento cardíaco máximo são menores de acordo com cada nível de esforço no trote.

Vou observar os números nos próximos meses e ver se melhoro alguma coisa. Não terei preocupação nenhuma em melhorar o tempo nos percursos, meu objetivo é outro.

No mês passado, corri 6 vezes, começando com 1K, depois 2K e, por fim, 3K. Me preocupei com o tempo nessa sequência, mas agora não vou ter esse foco. Meu foco é não ter dores no quadril e tentar baixar o batimento cardíaco máximo.

Entre um trote de 2K e outro, nesta semana, dei mais passos no percurso, justamente para reduzir o impacto na pisada. 2354 (passo médio de 85 cm) - 2486 (81 cm).

A frequência cardíaca média foi a mesma, de 171 bpm, mas a máxima foi 189 hoje e 191 no primeiro trote na subida.

Tenho o privilégio de ter um mínimo de conhecimento em saúde, o que a imensa maioria do povo não tem, pois não é cultura em nosso país educar as pessoas. Todos deveríamos conhecer melhor o nosso corpo humano, é uma questão de vida ou morte.

Sigamos tentando nos manter vivos. Tenho relações sociais importantes ainda e viver é uma oportunidade diária de novos conhecimentos e acontecimentos.

Will i am

14h40

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Leitura: Breves notas sobre a ecologia como limite absoluto ao capital em Mészáros - Ivan Lucon Jacob



Refeição Cultural

Artigo: Breves notas sobre a ecologia como limite absoluto ao capital em Mészáros. Ivan Lucon Jacob, doutorando em Desenvolvimento Econômico (IE/UNICAMP) e pesquisador do IBEC

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 09/08/25)

Aula III (manhã) - Papel do Estado na aceleração do fim do mundo

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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- Falência dos dois modos estatais de controle e regulação do capital: o modelo keynesiano, responsável pelo welfare state, e o "tipo soviético", que mesmo tendo partido de uma revolução política, acabou por ser, segundo Mészáros, um "sistema sociometabólico do capital"

- Mészáros avalia estarmos chegando a um "limite estrutural do capital" devido ao seu caráter incontrolável de destruição da natureza

- Diz Ivan Jacob "Marx definiu o trabalho em si em uma concepção de metabolismo, dado que 'trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a natureza, um processo em que o homem, por meio de suas próprias ações media, regula e controla seu metabolismo com a natureza"

- Em seu caráter social, quando o homem age sobre a natureza e a modifica, modifica a si mesmo, sua própria natureza, é uma relação metabólica

- Falar de suposto controle ou estabilidade do capitalismo é uma mentira cínica, é enganar quem não conhece a natureza expansiva e acumuladora do capital

- Mészáros afirma que o controle social é "a condição prévia necessária para qualquer relação sustentável com as forças da natureza"

- As "soluções" apresentadas pelas corporações monopolistas do capital, a invenção falaciosa do "desenvolvimento sustentável" nada mais são que a continuidade da destruição do mundo como está se dando agora

- A solução para o mundo não é a reprodução do modelo estadunidense de destruição da natureza e do planeta, no qual 5% da população global consomem 25% dos recursos energéticos disponíveis

- A ciência e a tecnologia poderiam alterar o processo atual de destruição do mundo em função do modelo capitalista? Não, pois o uso vem sendo em função da própria acumulação de capital e em desfavor do planeta e da sociedade humana em geral (p. 47 do artigo)

- "Portanto a questão que se coloca 'não se restringe a saber se empregamos ou não a ciência e a tecnologia com a finalidade de resolver nossos problemas' - dada a obviedade da resposta: sim! - 'mas se seremos capazes ou não de redirecioná-las radicalmente, uma vez que ambas estão estritamente determinadas e circunscritas pela necessidade de perpetuação do processo de maximização dos lucros' (diz Mészáros)

- De novo, só o controle social pode alterar a lógica estabelecida hoje, definindo como produzir e o que produzir, na relação sociometabólica com a natureza

- Se a humanidade deseja sobreviver, é preciso superar a fragmentação social e encontrar a unidade para superar o modo de produção capitalista (destruição incontrolável e consumista da natureza para acumulação de capital)

- Ivan Jacob cita Mészáros e Marx ao abordar a questão do desenvolvimento tecnológico e produtivo para reduzir as horas de trabalho humano, mas com benefício da própria sociedade humana, e numa relação metabólica natureza e sociedade mais equilibrada e sustentável (p. 50, item IV do artigo). Esse seria um objetivo do comunismo

- "Marx argumenta que uma sociabilidade advinda de produtores livremente associados deve existir no âmbito do metabolismo prescrito pelas leis naturais da própria vida, assegurando as condições de existência para as gerações presente e futura" (Ivan Jacob)

- Ivan Jacob cita Clark e Foster (autores de referência no artigo), concluindo o texto: "há uma síntese necessária entre Marx e Mészáros, na formulação de uma concepção de transição para um sistema sustentável de reprodução metabólica social. Tanto a igualdade substantiva quanto a sustentabilidade ecológica são os pilares de uma sociedade livre dos ditames e da lógica do capital..."

- Por fim, é urgente também a "necessidade histórica da criação do movimento dos produtores visando a mudança radical nas formas atuais de controle social visando sua emancipação. A necessidade, portanto, do comunismo." (Ivan Jacob)

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Fecho minha resenha e leitura do artigo, concordando com Ivan Jacob, Clark, Foster, Mészáros e Marx... 

Urge a necessidade do comunismo!

Leitura feita por,

William Mendes

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Professor Ivan Jacob


Post Scriptum, após a aula em 09/08/25:

O papel do Estado na aceleração do fim do mundo

O prof. Ivan começa lendo o poema "Congresso Internacional do Medo", do livro Sentimento do Mundo (1940), de Carlos Drummond de Andrade.


Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

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- Algumas teorias afirmam que vivemos o período geológico antropoceno, período no qual as ações humanas impactaram sobremaneira nos ecossistemas do planeta Terra

- Nunca estivemos num grau tão grande de risco para o planeta, um "estado não análogo'

- Crise estrutural do capitalismo (Mészáros)

- Dos anos setenta pra cá as taxas de lucro dos capitalistas vêm caindo, ou seja, vem diminuindo a capacidade de acumulação do capital

- Há uma crise que permeia todos os setores do capital, uma crise global

- Celso Furtado: já nos anos noventa nos alertava sobre a dimensão da crise do capital. Não só as periferias seriam afetadas pela crise, mas também os centros hegemônicos iriam sofrer como as periferias

- A crise é permanente, não é cíclica como até os anos setenta, é uma crise rastejante, a crise atingiu os seus limites incontornáveis. Ex.: meio ambiente e ecologia limitam a expansão do capital

- Taxa de utilização decrescente das mercadorias: não funcionam mais as soluções de gestão do Estado capitalista como ocorreu ao longo do tempo

- Antes: o modo keynesiano (Welfare State), o Estado era mediador da relação K vs T, com as políticas macroeconômicas que permitiam acumulação de K, pois parte da taxa de lucro era usada para bens e direitos sociais

- Mesmo durante o Welfare State, o "Estado de bem-estar social", havia limites temporais e geográficos, os benefícios não eram para todos, eram para alguns escolhidos e privilegiados: os trabalhadores da Europa e dos EUA e durou três décadas

- Enquanto isso, o pau comia nas demais regiões exploradas e vítimas do capitalismo, África e Américas do Sul e Central, por exemplo

- A partir das décadas de 70 e 80 o neoliberalismo iniciou a destruição do Estado de bem-estar social pós-guerra, com Reagan e Thatcher

- No Brasil, a rede de proteção social conquistada a duras penas e com todas as lutas dos anos oitenta (a CF 1988) - e com os governos do PT - começou a ruir com os movimentos organizados a partir de 2013

- Importante registrar que mesmo os direitos da CF 1988 eram para um segmento da sociedade, para o trabalho formal, o restante ficava de fora, o que não é muito diferente do cenário na Europa e EUA com os imigrantes e indocumentados

- Alerta aos reformistas: a crise atual do capital não permite mais a reconstrução do Estado de bem-estar social ou qualquer rede de proteção social, acabou!

- Vejam o que tem acontecido com os avanços dos segmentos de extrema-direita na atualidade: a regra é desfazimento de qualquer direito social, civil ou político e cada um por si, se virem!

- Marx e os órgãos das máquinas: 1º motor, 2º transmissão/energia, 3º ferramentas, 4º os controles automáticos/robotização (Bacchi). A fase atual torna desnecessária a força de trabalho humana:

Citação do meu resumo do texto (aqui) do prof. Fábio Campos: "- O 4º órgão... "Segundo Bacchi (2020), nos anos 1960 foi introduzido o quarto órgão daquela máquina que Marx (2013) descrevera no cap. 13 do Livro I de O Capital. Além do motor, a transmissão e a máquina ferramenta do século XIX, surge o 'quarto órgão de controle' que introduz 'a máquina programável' e, com ela, o que determinou a crise estrutural" (p. 106)

- Quando vêm os robôs são expulsos os humanos que geram valor, que geravam a mais-valia, por isso as taxas de lucro vêm diminuindo: mais máquinas, menos humanos, taxas de lucro menores

- Além da queda nas taxas de lucro com a expulsão do trabalho humano, a massa salarial é reduzida e com isso o consumo é menor

- Temos ainda a obsolescência programada para reduzir a vida útil das mercadorias, que hoje não duram nada, são uma porcaria

- Eis aí a taxa decrescente de utilização das mercadorias, gerando um ponto de sobrecarga insuportável para a natureza, o planeta. É a grande aceleração do uso de recursos naturais dos anos setenta adiante

- Não há saída dentro do sistema capitalista, ou mudamos a relação dos humanos com a natureza ou acaba tudo

- O Estado é a muleta de reprodução do capital atual, é só analisarmos como se dão as coisas nas políticas dos países do mundo

- Para piorar mais ainda, temos o complexo industrial militar dos EUA, que são empresas privadas que recebem encomendas do Estado. Essa "mercadoria" - armas - é feita e estocada sem ser utilizada em sua totalidade, sendo assim uma espécie de K perfeito: tem o Estado por trás, uma fonte inesgotável de dinheiro

- E o Estado norte-americano tem ainda a moeda que domina o mundo capitalista, ou seja, o mundo financia o complexo industrial armamentista dos EUA, tanto por vender mercadorias ao mundo (em dólares), quanto por receber de volta o dólar no investimento de seus papéis da dívida

- Os EUA emitem papéis da dívida, o mundo investe nesses papeis, e o mundo financia o déficit descomunal do país. O dólar vai e volta, financiando o déficit interno

- O braço armado do Estado sempre foi essencial para o capitalismo

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Comentário final do blog:

A aula do prof. Ivan Jacob foi espetacular!

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