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domingo, 19 de janeiro de 2025

Livro: Ismaelillo - José Martí



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025


“Así mis pensamientos

Rebosan en mí vívidos,

Y en crespa espuma de oro

Besan tus pies sumisos,

O en fúlgidos penachos

De varios tintes ricos,

Se mecen y se inclinan

Cuando tú pasas—hijo!”

(Do poema "Penachos vívidos")


A leitura do primeiro livro de poesia de José Martí, dedicado a seu filho pequeno, apelidado de Ismaelillo, nos mostra um homem extremamente amoroso. Estamos falando de um combatente revolucionário, Apóstolo da Independência de Cuba. 

Eu ainda não conhecia uma obra literária e poética inteira dedicada a um filho pequeno. Achei os poemas belíssimos, amorosos, que expõem o humanista por trás do libertador de Cuba e dos povos escravizados. 

A primeira mensagem de crença no melhoramento das pessoas e num futuro melhor para a humanidade diz tudo sobre Martí:

“Hijo: 

Espantado de todo, me refugio en ti. 

Tengo fe en el mejoramiento humano, en la vida futura, en la utilidad de la virtud, y en ti. 

Si alguien te dice que estas páginas se parecen a otras páginas, diles que te amo demasiado para profanarte así. Tal como aquí te pinto, tal te han visto mis ojos. Con esos arreos de gala te me has aparecido. Cuando he cesado de verte en una forma, he cesado de pintarte. Esos riachuelos han pasado por mi corazón. 

¡Lleguen al tuyo! 

              [Nueva York, 1882]”


Fui encontrar essa crença na educação, na ciência e na solidariedade como bases para melhorar a sociedade humana em pessoas como Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Paulo Freire, por exemplo. 

Conheci algo mais.

(No momento em que escrevo, estou descrente de um mundo com humanos melhores, e pior ainda sobre a nossa Terra devastada)

Obrigado, José Martí!

William 


Bibliografia:

(de “Martí en su universo (Edición conmemorativa de la RAE y la ASALE): Una antología [Spanish Edition] por José Martí)


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia (ARG)


Vista aérea.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 26 de novembro de 2024. Terça-feira.


Impressões

Escrever sobre um lugar que se está conhecendo enquanto a viagem está em curso não é um trabalho simples para mim. Em geral, prefiro estudar um pouco a respeito da geografia do local, da cultura de seu povo e da história daquela comunidade para me sentir mais confiante em não escrever bobagem.

Extremo Sul da Argentina.

Estamos em Ushuaia, na Argentina, a cidade mais austral do país e do continente americano. Mais "austral" significa mais ao Sul. Pelo que ouvimos por aqui, estamos a cerca de mil quilômetros da Antártida. Como estamos em novembro, não está em período de neve, porém, faz frio diariamente. Nesta semana, a temperatura está entre 4 e 5º e chegando a 13º. Anoitece depois das 22h e amanhece lá pelas 5h da manhã. O vento é muito gelado.

Paisagem da janela.

Saímos de São Paulo no sábado de noite e após dois voos ao longo da noite, chegamos a Ushuaia pouco depois das 10h da manhã. Viemos pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Não houve atrasos e correu tudo bem nos voos. São umas três horas até Buenos Aires e mais três horas e pouco até a "Terra do fim do mundo", um dos simpáticos apelidos da cidade. Os assentos dos voos são muito apertados, alguém maior que nós sofreria muito.

Calle San Martín.

Tudo aqui é muito caro, ao fazer o pacote de viagem já sabíamos disso. Achamos melhor contratar os passeios que faríamos com nossa agente de viagem. Querem exemplos de valores em reais na conversão ao pagar com cartão de crédito? Dois pratos de macarrão com refrigerante num mercadinho local: 162 reais (26.800 pesos). Duas garrafas de 1,5L de água: 30 reais (4.800 pesos). Uma refeição pode custar de 10.000 a 35.000 pesos, ou seja, de 60 a 200 reais, uma refeição! Sabem quanto custam duas entradas no museu local? 36.000 pesos cada (uns 450 reais o casal).

Hotel Albatros.

Apesar de apontar essa primeira impressão sobre os preços das coisas e os perrengues comuns de voos como, por exemplo, assentos apertados, a viagem para conhecer a cidade de Ushuaia está valendo muito a pena. É evidente que há nos preços locais um componente relativo às características da cidade: distante de tudo e foco no turismo. 

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Comendo uma pizza.

Viajar é uma experiência incrível e conhecer lugares e culturas diferentes da nossa é algo que nos marca para sempre.

Se conseguir, vou fazer algumas postagens sobre a experiência cultural ao se visitar o "fim do mundo". 

Na extensão do Blog Refeitório Cultural, dedicada a fotos, farei postagens com imagens que tenha gostado (ver aqui).

William Mendes

26/11/24


segunda-feira, 8 de julho de 2024

44 de 100 dias



44. Vendo os materiais antigos de estudos de língua inglesa e espanhola dos anos oitenta e noventa, resolvi preservar aqueles nos quais estudei efetivamente à época. 

O material do English Center - English My Way - eu estudei de verdade no fim dos anos oitenta. Eu tinha vinte anos de idade. 

Depois de completar o curso presencial nas seis apostilas, fiz um curso avançado na mesma rede de idiomas, no CCI, que era na Av. Rebouças. 

Cheguei a trabalhar na escola de idiomas no ano de 1991, não como professor de línguas, trabalhei no escritório. 


Os materiais que não vou preservar comigo foram adquiridos com esforço por aquele rapaz trabalhador, mas não cheguei a utilizá-los. Nem os de inglês e espanhol com CDs, nem o de espanhol da Globo, que adquiri em sebo.

William 



terça-feira, 2 de julho de 2024

38 de 100 dias



38. Ao longo da vida adulta, acabei acumulando muito material de estudos de línguas estrangeiras. Acho que realmente tive o desejo de ser um poliglota. 

Tenho materiais de inglês, espanhol, francês, italiano, latim e japonês. Confesso que gostaria de poder ler, escrever, falar e compreender esses idiomas. O espanhol e o inglês até aprendi as quatro habilidades. O inglês está enferrujado, claro! O espanhol, nem tanto.

Mas a maior parte do meu tempo humano foi gasto em tarefas diárias para sobreviver, para me estabelecer na vida: vender meu corpo e meu tempo aos que pagaram por ele. 

Fiquei acumulando coisas com o intuito de utilizá-las um dia, no futuro.

O futuro chegou. O que usei, usei. Muita coisa não usei. Muita coisa não vou usar mais. No momento, estou avaliando o que será daqui adiante. 

Enfim, aos poucos vou avaliando coisas e refletindo sobre tudo. 

Mais um dos 100 dias de organização das coisas e busca de sentidos.

William 


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (II)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Folheando um pouco a apostila do primeiro ano de estudos de idiomas, achei interessante rever o fenômeno do Yeísmo na Língua Espanhola.

Para deixar uma referência atual, cito abaixo a definição do fenômeno do dicionário da Real Academia Española (RAE):

Yeísmo - 1. m. Fon. Desaparición de la diferencia fonológica entre la consonante lateral palatal y la fricativa palatal sonora, de manera que, en la pronunciación, no se distinguen palabras como callado (silencioso, reservado) e cayado (bastón, palo).

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Na apostila, tem uma seção inteira dedicada ao tema. Transcrevo o texto abaixo para fins didáticos.

LL - Y (delante de vocales)

La pronunciación de los fonemas representados por la LL e por la Y (esta con vocales) se hace distintamente en el mundo hispánico.

a) Distinción entre LL / Y: la LL se pronuncia como la LH del portugués y la Y con un sonido consonante. Algunos hablantes de España y de buena parte de América (sobre todo del altiplano andino) distinguen la pronunciación de estos fonemas, pero actualmente hay una fuerte tendencia a igualarlos.

b) El yeísmo: consiste en igualar la pronunciación de la LL a la de Y. El yeísmo está muy difundido en Hispanoamérica, aunque presente diferencias, por exemplo: en la región del Río de la Plata, la LL/Y suenan como la J del portugués, en Chile la pronunciación de estos fonemas es más suave que la pronunciación rioplatense y en el Caribe la pronunciación de la LL/Y se aproxima de una I. En España el yeísmo se está imponiendo a la distinción LL/Y.

Según Manuel Seco, el yeísmo existe hoy en España (ou seja, 2002): en toda Andalucía, en Murcia (sólo en las ciudades), en Extremadura, en Castilla la Nueva (principalmente en Madrid, Toledo y Ciudad Real), en Castilla la Vieja (Ávila, Valladolid), en Cantabria (Santander), en León (Salamanca, capital), en Asturias (Oviedo y Gijón), en Cataluña (Cuencas del Ter y Llobregat) y las Islas Baleares y Canarias.

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COMENTÁRIO:

Como falante de língua portuguesa que aprendeu língua espanhola, posso dar o depoimento de experiências locais ao ouvir falantes de espanhol.

Já estive em Madri e Toledo, na Espanha. Já estive também no Chile, Argentina, Uruguai e em Cuba. Por ter estudado o idioma, fiquei atento aos falares nessas regiões.

De fato, na Argentina e Uruguai é muito claro o Yeísmo com som de J ou CH do português. No Chile é bem suave a pronúncia. Em Cuba eu consegui perceber o som mais próximo ao I. E a fala dos espanhóis de Madri é bem mais "cantada" em relação às falas dos hispano-americanos.

O estudante de espanhol precisa treinar o ouvido para os diversos "acentos" dos falantes da língua.

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LA "LL"

CALLE  VILLA  LLORAR  LLUVIA  CALLISTA  ESTRELLA

No hay pueblo como mi pueblo,

ni valle como mi valle,

ni casa como mi casa,

ni calle como mi calle.


La chiquilla, con la lluvia, a la villa lleva la llave.

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LA "Y"

AYUDAR    YERNO    YA    YO    YUGULAR    HOYO

Ya viene mayo, mayo,

Ya viene el rumbo,

Ya viene la alegría

pa todo el mundo.


¡Ay, mal haya, mal haya

mi cobardía,

que por ser yo cobarde

no eres tú mia!


El yerno del yegüero da yerba a la yeguada.


Referências: Valmaseda Regueiro, 1992.

Textos y grabaciones adaptados de BRUNO, Fátima C. & MENDOZA, Maria Angélica. Hacia el español 1. São Paulo, Saraiva. Unidad 8, Hacia Letras y Sonidos.

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Tradución:

Yerno: genro

Yegua: hembra del caballo

Yerba: erva, capim

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A primeira postagem deste tema pode ser lida clicando aqui.

William


Fonte: Apostila da Faculdade de Letras/USP, 2002.


sexta-feira, 29 de março de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (I)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Entrei na Universidade de São Paulo no vestibular do ano de 2000 e comecei a cursar a Faculdade de Letras em 2001. Já não era um jovem se comparado com a maioria dos estudantes do curso noturno, que tinham uns dez anos a menos que eu. Fiz o primeiro ano do Ciclo Básico com 32 anos de idade. 

No ano seguinte, comecei a cursar a Língua Espanhola, a habilitação que escolhi durante o Ciclo Básico, juntamente com a habilitação em Português. 

O curso de graduação acabaria por se estender por muitos anos porque eu era sindicalista e todos os segundos semestres eu tinha dificuldades de assistir às aulas porque era o período de data-base da categoria bancária. Com o tempo, até os professores sabiam que eu teria dificuldades em concluir as disciplinas se a campanha dos bancários fosse complicada.

LÍNGUA ESPANHOLA

Estava revendo a primeira apostila de Língua Espanhola e achei interessante o material. Estou falando de um material didático de mais de duas décadas atrás, praticamente não existia a internet como nós a conhecemos hoje. Os estudantes de línguas tinham que ouvir fitas cassete em laboratórios para terem contato com a língua que estavam estudando.

ALFABETO

Na época do curso, o alfabeto espanhol continha 29 letras. Fui consultar agora, no curso de espanhol do ICL e a professora Pilar explicou que o alfabeto contém 27 letras porque o LL e o CH passaram a ser considerados dígrafos desde a Reforma de 2010.

Ou seja, essas mudanças acontecem nas línguas vivas, com o passar do tempo podem ocorrer mudanças nas normas e usos das línguas.

Finalizo esta postagem de revisita aos estudos de Língua Espanhola com um poema de Pablo Neruda, que nós estudamos na aula de idioma para conhecer as diferentes formas de falar LL e Y porque existe o fenômeno do Yeísmo na Argentina e Uruguai, com o som diferente da maioria dos países que falam a língua.

POEMA XV

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente

y me oyes desde lejos

y mi voz no te toca.

Parece que los ojos

se te hubieran volado

y parece que un beso

te cerrara la boca.

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente,

y estás quejándote,

mariposa en arrullo,

y me oyes desde lejos

y mi voz no te alcanza.

Déjame que me calle

en el silencio tuyo.


(In: XX poemas de amor y una canción desesperada)


A apostila perguntava para os alunos, após ouvirem o poema declamado por uma pessoa da Espanha e outra da Argentina, qual era a diferença que mais chamava a atenção.

O Yeísmo, um som mais de "lh" na Espanha e mais de "ge" ou "dje" na Argentina. O LL e o Y também podem ter um som mais próximo ao "i" em algumas regiões de fala espanhola como no Caribe, por exemplo.

Fiz uma postagem sobre o fenômeno do Yeísmo, para ler é só clicar aqui.

É isso. As minhas lembranças da Universidade de São Paulo são algumas das melhores de minha vida de estudante. Entrei lá pensando em ser professor, mas as veredas da vida me levaram para outros caminhos.

William


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Diário e reflexões - Linguagem III



Refeição Cultural

Osasco, 1º de setembro de 2023. Sexta-feira.


O quanto posso aprender ainda?

O desafio que vou lançar ao meu cérebro por um certo tempo é um desafio gostoso: estudar línguas, linguagens e culturas diferentes das quais estou mais familiarizado. Algumas das culturas que quero estudar um pouco são as culturas orientais, asiáticas: China e Japão.

Em relação às línguas, vou tentar recuperar um pouco do que já soube de Inglês e de Espanhol, pois já estive nos Estados Unidos e consegui me comunicar com as pessoas. Também já estive em alguns países de Língua Espanhola e foi bem tranquila a comunicação com falantes nativos. 

As línguas são ferramentas de comunicação humana. Podemos nos comunicar de forma oral com outras pessoas, através de conversação, e também podemos desenvolver e manter as habilidades de comunicação de outras formas, em outras mídias.

Os ensinamentos do professor Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano mudaram minha forma de ver o mundo e a vida. Hoje tenho uma consciência maior sobre o que somos enquanto animais humanos.

O cérebro humano é muito plástico e flexível, se adapta o tempo todo às necessidades que identifica serem as com melhores perspectivas de sobrevivência no meio ambiente no qual a pessoa está.

Quero recuperar as habilidades comunicativas que já tive e desenvolver novas habilidades, conhecer novas línguas. Entender novamente músicas e falas cotidianas em Inglês, por exemplo. 

Fiz graduação em Letras, habilitações em Espanhol e Português na Universidade de São Paulo, sou oriundo da FFLCH. Quero retomar a capacidade de escrever em Espanhol.

Um dos desafios novos para meu cérebro, para estimular meus neurônios, será aprender o idioma Japonês, que comecei a estudar no início de 2020, durante a pandemia mundial de Covid. O curso do professor Luiz, do "Programa Japonês Online" é excelente! O pouco que estudei, aprendi. Eu o recomendo para todas as pessoas interessadas na Língua Japonesa.

Quero aprender o idioma Italiano também. Certa vez comecei a estudar por conta própria e parei. Quando fui à Itália, não entendi nada que os italianos falavam. Foi frustrante. Quando voltar lá, quero me comunicar em Italiano.

Todas essas possibilidades de estudos que estou citando são possíveis porque sou aluno do Instituto Conhecimento Liberta (ICL). O projeto é simplesmente revolucionário! Por alguns reais a pessoa tem disponíveis mais de 230 cursos, incluindo os idiomas Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Japonês e Mandarim. Acreditem!

China 

Sobre a cultura chinesa e o país, estou fazendo um curso no ICL do professor Elias Jabbour: "Compreendendo a China". Já fiz 3 aulas e o curso é muito bom!

Uma das atitudes que preciso refletir a respeito em relação ao estudo é a atitude que ouvi hoje do professor Jabbour, em uma de suas aulas sobre a China. Ele diz que temos que estudar com prazer, o Carpe Diem é importante nos processos de estudos. Ele tem razão!

Talvez uma das questões que tenham influenciado na minha incapacidade de aprender a gramática da Língua Portuguesa tenha sido a falta de gosto e prazer durante os anos escolares de aprendizagem no ciclo básico da educação. 

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Enfim, vamos estudar e exercitar meu cérebro e minha inteligência.

Post Scriptum: quis ser professor e não fui. De certa forma, quando era sindicalista eu ensinava o que sabia para meus pares, os trabalhadores, eu fazia formação política. 

Tenho que aprender algo novo que possa ensinar às pessoas, isso dá um certo sentido na existência. 

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre linguagem pode ser lido aqui.


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Diário e reflexões - Linguagem


Sancho Panza, La Habana, Cuba.

Refeição Cultural

Osasco, 05 de junho de 2023. Segunda-feira.


UM MUNDO ORAL: O FIM DA LINGUAGEM ESCRITA

"- Aquí encaja bien el refrán - dijo Sancho - de 'dime con quién andas: decirte he quién eres'. Ándase vuestra merced con encantados ayunos y vigilantes: mirad si es mucho que ni coma ni duerma mientras con ellos anduviere..." (Don Quijote de la Mancha, Alfaguara, 2004, p. 730)


Os idiomas com os quais tenho mais contato cotidiano são os idiomas Português, Espanhol, Inglês e Japonês. Português é a minha língua pátria, minha língua mãe. Espanhol estudei na graduação em Letras. Inglês a gente aprende um pouco por ser a língua do imperialismo que domina o mundo, a língua se impõe nos países dos outros. Japonês inventei de estudar e ora estudo ora largo (não sei nada, só umas coisinhas). Não sei com profundidade nenhum desses idiomas, nem a minha língua materna eu sei. Os que sabem línguas estão se tornando exceção e vão desaparecer, sem reposição...

Quando decidi ser aluno na Universidade de São Paulo, no início dos anos dois mil, escolhi prestar o vestibular para o curso de Letras. Entrei na FFLCH e estando na graduação, no ciclo básico do primeiro ano, mudei a intenção de fazer habilitação em Inglês para fazer habilitação em Espanhol. Havia tido contado com disciplinas em Língua Espanhola naquele primeiro ano e fiquei encantado com o idioma.

O mundo andou. O mundo mudou. Mudança é a certeza sempre, tudo muda. Hoje tenho uma teoria, por pura observação, de que a linguagem escrita pode desaparecer ou seu conhecimento voltar a ser um conhecimento de uma pequena parcela dos humanos, como nas eras iniciais dos textos escritos, saber restrito a escribas, "sábios", copiadores etc. Caminhamos para ter um grupo que usa o texto escrito para dominar uma maioria dominada sem dominar a língua. 

Com a predominância da comunicação humana por vídeo, áudio, imagens e memes em redes sociais e meios virtuais quem aprende minimamente a escrever, usar o símbolo linguístico, desaprende em seguida, assim que passa a se comunicar pelas outras formas. O cérebro humano é plástico e se adapta a tudo. Se os humanos não leem e não escrevem, essa habilidade deixa de existir. Lembro aqui que a escrita e os signos linguísticos são uma invenção humana, a escrita não é uma habilidade inata da comunicação como a fala.

Exceção, exceder, excesso, acesso, sucesso, sessão, seção, sucessão, "há" verbo e "a" preposição ou artigo, "afim" e "a fim" etc são palavras da língua portuguesa com sentidos e usos absolutamente diferentes. Se elas não são lidas ou escritas durante um processo de comunicação é evidente que o cérebro perderá a habilidade de usá-las, inclusive no sentido semântico, não só na questão de escrevê-las. Esse exemplo é uma amostra de um problema muito maior.

Comecemos a imaginar a dimensão do problema da perda da capacidade de uso da linguagem escrita. Há um evidente empobrecimento da linguagem humana em andamento. Além da questão central da alfabetização de milhões de crianças e adolescentes, temos o fato de até os alfabetizados estarem perdendo a habilidade que antes tinham, mesmo que minimamente. O treco é complicado, o fenômeno está aí na nossa frente e não me parece que algo possa ser feito para frear essa tendência.

Além dos analfabetos funcionais e analfabetos políticos, há uma tendência a nos tornarmos analfabetos na linguagem como éramos antes de aprender a escrever nas fases iniciais da vida.

Essa é uma leitura só minha ou mais pessoas têm percebido essa tendência de morte da linguagem escrita?

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AS REFERÊNCIAS DE HOJE SÃO "INFLUENCIADORES" ANALFABETOS FUNCIONAIS E POLÍTICOS

A língua de Camões, a língua de Shakespeare, a língua de Cervantes... essas figuras históricas são consideradas referências em suas línguas maternas, pessoas que escreveram muito e cujos textos se tornaram referência de uma linguagem culta, padrão, textos com organização sintática e semântica que poderiam balizar uma comunicação perfeita nas suas respectivas línguas.

O tempo de Camões, Shakespeare e Cervantes passou... E hoje, qual a referência para milhões de pessoas? 

Às vezes, tenho a impressão de que caminhamos para a linguagem predominante ser quase um grunhido, gritos e vociferações. 

As referências não mais de milhares, mas de milhões de seguidores, são pessoas que mal falam a língua básica de seu idioma. A referência na comunicação global tem sido vociferações, grunhidos, repetições de palavrões a cada frase dita por um youtuber ou "influenciador" qualquer de alguma mídia dessas. O mundo está se tornando um mundo dominado por "criadores de conteúdo" como esses aí das redes sociais. Nem estou abordando a questão do "conteúdo" em grande parte sem base na realidade, mentiras, invenções etc.

É essa a reflexão do momento, minha (in)digestão cultural!

William


Post Scriptum: o texto seguinte desta série sobre Linguagem pode ser lido aqui.


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Margo Glantz - Poéticas de autor


Livro de Margo Glantz, de 2018.

Refeição Cultural

Estamos estudando neste semestre a poética da escritora mexicana Margo Glantz. Impressiona constatar que uma autora de carreira reconhecida internacionalmente como ela não tenha obras publicadas no Brasil. É impossível comprar um livro dela, seja editado em língua portuguesa, seja na língua espanhola. Dureza, viu!

No programa da disciplina "Poéticas de autor na Literatura Hispano-Americana", disciplina ministrada pela Professora Adriana Kanzepolsky, vimos os relatos do livro Historia de una mujer que caminó por la vida con zapatos de diseñador (2005); também vimos o livro Las genealogías (2013); agora estamos vendo Yo también me acuerdo (2014); por fim, foi falado na última aula sobre o livro mais recente dela, Y por mirarlo todo, nada veía (2018).

A estrutura do livro, que já é fora do comum, nos faz sentir um pouco do que o livro retrata: a questão da imensidão de informações e a nossa capacidade ou falta de capacidade em lidar com essas informações. 

"Al leer las noticias ¿cómo decidir que es lo más importante? ¿Que el 31 de enero de 2018 apareciera en el cielo una enorme Luna azul, ensangrentada; que al conocer a Felice, su futura prometida, Kafka escribiera en su Diario: Un rostro vacío que llevaba abiertamente su vacío; que..."

Da pergunta adiante, uma série de "que..." vai colocar lado a lado todo tipo de informação que exista, de amor, ódio, violência, trivialidades, algo fantástico e inédito na ciência etc.

É muito interessante...  

Segue abaixo, a apresentação do livro mais recente dela, que reproduzo a título de informação. É texto de divulgação do livro, da Editorial Sexto Piso.

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"Y por mirarlo todo, nada veía

Uno de los grandes problemas que ha traído consigo la proliferación de discursos en las redes sociales es que pareciéramos vivir en un mundo en el que todos hablan y nadie escucha. El torrente de información que circula frente a nuestros ojos cada día, sea verdadera o falsa, cohíbe la posibilidad para sopesar el contexto, el trasfondo y las implicaciones de aquello que leemos. En este universo colmado de noticias, Margo Glantz realiza un recorrido por el mundo y por sus emociones (tanto las profundas, eco de la memoria, como las banales, prurito cotidiano), y nos muestra a través de un mosaico ora trágico, ora cómico, ora conmovedor, ora espeluznante, la compleja tarea que tiene ante sí el individuo que quiera instalarse en el mundo y, peor aún, comprender lo que sucede en su entorno.

En Y por mirarlo todo, nada veía Glantz recurre a una de las máximas improntas de su obra narrativa: la escritura fragmentaria. Heredera de una tradición que va desde Walter Benjamin hasta David Markson, la escritora mexicana mete en una misma página los horrores del ISIS y las adicciones de Charlie Sheen; el exilio de los colibríes de su jardín y las consecuencias del ecocidio que se lleva a cabo a escala planetaria; aforismos de Kafka y espeluznantes reportes de feminicidios en México y otros países del mundo; el descubrimiento de un sistema solar cercano al nuestro y la extinción de las abejas.

Utilizando su sensibilidad y su erudición como puntas de lanza, Glantz nos regala un collage de emociones, imágenes, datos y reflexiones que en su estruendoso eco nos obliga a hacer un alto en el camino para ponderar la mejor vía para continuar en la cada vez más ardua tarea de andar por este mundo.

Año de publicación: 2018
Coedición: UNAM
Edición: 1ª
Formato: Rústica
Páginas: 168
Tamaño: 15 x 23 cm."

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O livro é bem interessante. Nos coloca a pensar sobre o mundo de hoje...

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

¡El enemigo del negro es el negro! (1924) - Ejalves



Página de frente de O Clarim da Alvorada,
publicado em 24 de maio de 1924.

Refeição Cultural

Esta é uma versão em espanhol de um manifesto publicado no periódico paulista O Clarim da Alvorada nº 5, de 13 de maio de 1924. Este texto é citado como um manifesto importante do movimento de vanguardas latino-americanas das primeiras décadas do século XX, na temática "Negrismo y Negritud". Está no livro "Las vanguardias lationamericanas - Textos programáticos y críticos", de Jorge Schwartz.

As leituras sobre as vanguardas estão sendo feitas por mim no contexto de estudos de graduação em Letras, na disciplina Vanguardia y contemporaneidad, com a Doutora Professora Idalia M. Arnaiz. Este blog é um espaço de compartilhamento gratuito de informações, estudos, textos e cultura em geral.

Como nos ensina o professor Ladislau Dowbor, ao compartilhar conhecimento nós possibilitamos novos conhecimentos e todos ganham com isso.

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¡El enemigo del negro es el negro!

EJALVES


Leyendo uno de los últimos números de Getulino, órgano de los hombres negros de Campinas, para la defensa de esa clase, un artículo en bastardilla y a doble espacio, lo que evidentemente demuestra su valor no sólo por el hecho de ser su autor un conocido periodista paulista, uno de los redactores de la Folha da Noite, sino también por su sustanciosa demostración.

A pesar de que ya han salido diversos periódicos de la clase, algunos, lamentablemente, de muy breve existencia, parece que hasta ahora no ha sido ventilado este tema de acuerdo con su real importancia.

Bien dice Moacyr Marques en su artículo, al agradecer el envío de un ejemplar de Getulino, que, por lo leído, encontraba que sus hermanos de Campinas aún no habían descubierto el punto en que se revela nuestro problema.

- En el Brasil hay dos clases que combaten cuerpo a cuerpo, mas no son la blanca y la negra, sino el capital privilegiado y el trabajo esclavo.

Es necesario que nosotros, los negros, nos olvidemos del color y pensemos que somos los productores, los esclavizados, los infelices, en fin, que somos los que trabajamos para la grandeza de la patria, pero, en primer lugar, para el enriquecimiento de media docena de explotadores privilegiados, sean blancos o negros.

Puede que el lector diga: ¡Qué exageración decir que hay explotadores privilegiados negros! Y bien digo, porque si acaso existiese, tratará por todos los medios de probar que aunque sea negro, por la piel no puede negarlo, es extranjero o hijo de extranjero, así que no se mezclará (con raras excepciones).

Por experiencia hablo así, porque, a pesar de que puede no existir ni un explotador negro en esta capital que represente a nuestro enemigo, conozco algunos negros que sólo por tener un empleíto público e incluso particular, o poseer algunos bienes, ya tratan de escapar de sus hermanos negros; muchas veces, empleados de la misma repartición, sólo por el hecho de ser inferiores en categoría, se amigan con los blancos, amarillos, etc., basta con que sean de igual o mejor posición, instigando muchas veces a otros, casí siempre blancos, que suelen convivir bien en sociedad de los negros más simples, hablando de esta forma: ¡Fulano!, deje a los negros, no se meta con ellos, nada se puede conseguir; ¿acaso ellos algo que consiguen no lo deben a esa desgraciada clase que es la explotada?

Esto que acabo de afirmar, de que el enemigo del negro es el propio negro, se verifica hasta en el mismo seno de la familia, entre hermanos legítimos.

Por eso, nosotros los trabajadores debemos unirnos para luchar contra los que gozan el capital privilegiado, aunque sean de nuestro color.

Debemos luchar contra todos los que construyen su riqueza con las piedras de nuestras miserias, que nos dan a ganar el pan y nos chupan la sangre, y más todavía, nos chupan la leche con que amamantamos a nuestros hijos, y nos dan casa para vivir cobrando precios exorbitantes, lo que es una verdadera injusticia, ¡y todo eso practica indistintamente!...

También dice el digno redactor de la Folha da Noite, único órgano independiente de esta capital, que nosotros, los trabajadores negros, debemos formar al lado de nuestros hermanos blancos, para la conquista de la libertad que no nos llegó en el 88* y que sólo podrá ser conquistada a golpes de pensamiento, de dedicación, de sacrificios, hasta con la propia sangre.


*Data formal da abolição da escravidão no Brasil.

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Comentário do blog: quase um século depois deste manifesto, vimos que a afirmação do movimento negro de 1924 - "que o inimigo do negro é o próprio negro" - ainda gera reflexões profundas para todos nós da classe trabalhadora brasileira. Segundo o censo do IBGE, negr@s e pard@s correspondiam em 2014 a 54% da população brasileira. Ou seja, o golpe de Estado em 2016 e a "eleição" de um fascista racista para a presidência da república em 2018 seria muito difícil sem que parte d@s afrodescendentes votassem naquele sujeito (mesmo sabendo que a eleição tem sido amplamente questionada por causa do uso de mecanismos ilegais como disparos em massa de fake news e possível caixa dois, o fato é que sem votos de homens e mulheres de pele negra, o Brasil dificilmente estaria vivendo esse processo acelerado de destruição de todos os direitos do povo em geral e d@s negr@s de forma exponencial). Triste isso!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Non Serviam (1914) - Vicente Huidobro



Vicente Huidobro. Foto de autor desconhecido.

Refeição Cultural

Este manifesto de Vicente Huidobro foi lido em 1914. O poeta chileno foi um dos autores que mais contribuiu com textos, manifestos e documentação a respeito das vanguardas latino-americanas.

Estamos estudando as vanguardas em uma disciplina de graduação de Letras, na Universidade de São Paulo. O intuito do blog é postar anotações de aulas, comentários sobre leituras, excertos de algumas obras ou de produções históricas, sempre de forma gratuita e de compartilhamento de conhecimento.

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NON SERVIAM*

Y he aquí que una buena mañana, después de una noche de preciosos sueños y delicadas pesadillas, el poeta se levanta y grita a la madre Natura: Non serviam.

Con toda la fuerza de sus pulmones, un eco traductor y optimista repite en las lejanías: "No te serviré".

La madre Natura iba ya a fulminar al joven poeta rebelde, cuando éste, quitándose el sombrero y haciendo un gracioso gesto, exclamó: "Eres una viejecita encantadora".

Ese non serviam quedó grabado en una mañana de la historia del mundo. No era un grito caprichoso, no era un acto de rebelbía superficial. Era el resultado de toda una evolución, la suma de múltiples experiencias.

El poeta, en plena conciencia de su pasado y de su futuro, lanzaba al mundo la declaración de su independencia frente a la Naturaleza.

Ya no quiere servirla más en calidad de esclavo.

El poeta dice a sus hermanos: "Hasta ahora no hemos hecho otra cosa que imitar al mundo en sus aspectos, no hemos creado nada. ¿Qué ha salido de nosotros que no estuviera antes parado ante nosotros, rodeando nuestros ojos, desafiando nuestros pies o nuestras manos?

"Hemos cantado a la Naturaleza (cosa que a ella bien poco le importa). Nunca hemos creado realidades propias como ella lo hace o lo hizo en tiempos pasados, cuando era joven y llena de impulsos creadores.

"Hemos aceptado, sin mayor reflexión, el hecho de que no puede haber otras realidades que las que nos rodean, y no hemos pensado que nosotros también podemos crear realidades en un mundo nuestro, en un mundo que espera su fauna y su flora propias. Flora y fauna que sólo el poeta puede crear, por ese don especial que le dio la misma madre Naturaleza a él únicamente a él."

Non serviam. No he de ser tu esclavo, madre Natura; seré tu amo. Te servirás de mí; está bien. No quiero y no puedo evitarlo; pero yo también me serviré de ti. Yo tendré mis árboles que no serán como los tuyos, tendré mis montañas, tendré mis ríos y mis mares, tendré mi cielo y mis estrellas.

Y ya no podrás decirme: "Ese árbol está mal, no me gusta ese cielo..., los míos son mejores".

Yo te responderé que mis cielos y mis árboles son los míos y no los tuyos y que no tienen por qué parecerse. Ya no podrás aplastar a nadie con tus pretensiones exageradas de vieja chocha y regalona. Ya nos escapamos de tu trampa.

Adiós, viejecita encantadora; adiós, madre y madrastra, no reniego ni te maldigo por los años de esclavitud a tu servicio. Ellos fueron la más preciosa enseñanza. Lo único que deseo es no olvidar nunca tus lecciones, pero ya tengo edad para andar solo por estos mundos. Por los tuyos y por los míos.

Una nueva era comienza. Al abrir sus puertas de jaspe, hinco una rodilla en tierra y te saludo muy respetuosamente.


*Este manifesto foi lido no Ateneo em 1914, em Santiago do Chile. Foi reproduzido nas Obras Completas 1, de Vicente Huidobro.

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domingo, 6 de outubro de 2019

Poesía Nueva - César Vallejo



César Vallejo, em 1929.
Foto de domínio público.

Refeição Cultural

Este pequeno texto programático e crítico do poeta e escritor peruano César Vallejo foi publicado na revista Amauta nº 3, de novembro de 1926. Esta versão postada é do livro Las vanguardias latinoamericanas - Textos programáticos y críticos, de Jorge Schwartz, publicado pelo Fondo de Cultura Económica, México.

Estou estudando as vanguardas latino-americanas na disciplina Vanguardia y Contemporaneidad, na graduação de Letras, e estamos conhecendo diversos manifestos e textos de apresentação dos movimentos de vanguarda na primeira metade do século XX.

As postagens neste blog com temáticas educativas têm caráter de compartilhamento gratuito de informações e conhecimentos.

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Poesía Nueva

Poesía nueva ha dado en llamarse a los versos cuyo léxico está formado de las palabras "cinema, motor, caballos de fuerza, avión, jazz-band, telegrafía sin hilos", y en general, de todas las voces de las ciencias e industrias contemporáneas, no importa que el léxico corresponda o no a una sensibilidad auténticamente nueva. Lo importante son las palabras.

Pero no hay que olvidar que esto no es poesía nueva ni antigua, ni nada. Los materiales artísticos que ofrece la vida moderna han de ser asimilados por el espíritu y convertidos en sensibilidad. El telégrafo sin hilos, por ejemplo, está destinado, más que a hacernos decir "telégrafo sin hilos", a despertar nuevos temples nerviosos, profundas perspicacias sentimentales, amplificando videncias y comprensiones y densificando el amor; la inquietud entonces crece y se exaspera y el soplo de la vida, se aviva. Ésta es la cultura verdadera que da el progreso; éste es su único sentido estético, y no el de llenarnos la boca con palabras flamantes. Muchas veces la voces nuevas pueden faltar. Muchas veces un poema no dice "cinema", poseyendo, no obstante, la emoción cinemática, de manera oscura y tácita, pero efectiva y humana. Tal es la verdadera poesía nueva.

En otras ocasiones el poeta apenas alcanza a cambiar hábilmente los nuevos materialies artísticos y logra así una imagen o un rapport más o menos hermoso y perfecto. En este caso, ya no se trata de una poesía nueva a base de palabras nuevas como en el caso anterior, sino de una poesía nueva a base de metáforas nuevas. Mas también en este caso hay error. En la poesía verdaderamente nueva pueden faltar imágenes o rapports -función ésta de ingenio y no de genio-, pero el creador goza o padece allí una vida en que las nuevas relaciones y ritmos de las cosas se han hecho sangre, célula, algo, en fin, que ha sido incorporado vitalmente en la sensibilidad.

La poesía nueva a base de palabras o de metáforas nuevas se distingue por su pedantería de novedad y, en consecuencia, por su complicación y barroquismo. La poesía nueva a base de sensibilidad nueva es, al contrario, simple y humana y a primera vista se la tomaría por antigua o no atrae la atención sobre si es o no moderna.

Es muy importante tomar nota de estas diferencias.

César vallejo

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Leitura III: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz




Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio (aqui), fizemos a leitura da primeira parte do capítulo do livro. Ler excertos aqui. Agora vamos terminar o 1º capítulo.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura


O crítico nos fala da questão de passado, presente e futuro nas sociedades primitivas. Muito interessante o ponto de vista que ele apresenta.

O presente e o futuro teriam como modelo a seguir o passado, porque o passado se impõe através de ritos e tradições, de maneira a não se mudar nada. 

"La vida social no es histórica, sino ritual; no está hecha de cambios sucesivos, sino que consiste en la repetición rítmica del pasado intemporal. El pasado es un arquetipo y el presente debe ajustarse a ese modelo inmutable; además, ese pasado está presente siempre, ya que regresa en el rito y en la fiesta..." (p. 28)

Por essas ferramentas dos ritos e das tradições, o passado defende a sociedade das mudanças.

"no es lo que pasó una vez, sino lo que está pasando siempre..."

E Paz finaliza o conceito para entendermos adiante o quanto o tempo para nós é inverso ao tempo para as sociedades primitivas.

"Nada más opuesto a nuestra concepción del tiempo que la dos primitivos: para nosotros el tiempo es el portador del cambio, para ellos es el agente que lo suprime..."

e

"Para los primitivos, el modelo atemporal no está después, sino antes, no en el fin de los tiempos, sino en el comienzo del comienzo. No es aquel estado al que ha de acceder el cristiano, sea para salvarse o para perderse, en la consumación del tiempo: es aquello que debemos imitar desde el principio." (p. 28/29)

As sociedades primitivas veem com horror as variações do tempo, as mudanças não são benéficas, são nefastas. "lo que llamamos historia, es para los primitivos falta, caída".

(comentário: minha nossa, desculpem, mas vi aqui nessas explicações parte dos evangélicos que apoiam toda a desgraça do bolsonarismo!)

"El modelo sigue siendo el pasado anterior a todos los tiempos, la edad feliz del principio regida por la armonía entre el cielo y la tierra..."

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"(...) para los cristianos el tiempo perfecto es la eternidad: una abolición del tiempo, una anulación de la historia; para los modernos la perfección no puede estar en otra parte, si está en alguna, que en el futuro." (p. 30)
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Para os modernos o futuro é a região do inesperado e para os povos primitivos o futuro desemboca no passado.

Para o Ocidente esse tempo do passado primordial e perfeito, da harmonia entre homem e homem e com a natureza se chama Idade do Ouro. Para outras civilizações a pedra Jade era a referência.

Depois de apresentar vários exemplos sobre sociedades e religiões em relação à maneira com que lidam com a questão do tempo e a volta ao passado, o capítulo caminha para sua conclusão.

"Pasado atemporal del primitivo, tiempo cíclico, vacuidad budista, anulación de los contrarios en brahmán o en la eternidad cristiana: el abanico de las concepciones del tiempo es inmenso, pero toda esa prodigiosa variedad puede reducirse a un principio único. Todos esos arquetipos, por más distintos que sean, tienen en común lo siguiente: son tentativas por anular o, al menos, minimizar los cambios." (p. 36)

E ainda:

"A la pluralidad del tiempo real, oponen la unidad de un tiempo ideal o arquetípico; a la heterogeneidad en que se manifiesta la sucesión temporal, la identidad de un tiempo más allá del tiempo, igual a si mismo siempre."

Nossa época rompe com todas as maneiras tradicionais das civilizações de pensar o tempo, o passado, o presente e o futuro.

"Heredera del tiempo lineal e irreversible del cristianismo, se opone como éste a todas las concepciones cíclicas; asimismo, niega el arquetipo cristiano y afirma otro que es la negación de todas las ideas e imágenes que se habían hecho los hombres del tiempo."

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"La época moderna -ese período que se inicia en el siglo XVIII y que quizá llega ahora a su ocaso- es la primera que exalta al cambio y lo convierte en su fundamento. Diferencia, separación, heterogeneidad, pluralidad, novedad, evolución, desarrollo, revolución, historia: todos esos nombres se condensan en uno: futuro. No el pasado ni la eternidad, no el tiempo que es, sino el tiempo que todavía no es y que siempre está a punto de ser." (p. 37)
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Octavio Paz fecha o capítulo contando a visão de um representante de povos originários ao visitar a Inglaterra. Por mais que a sociedade Ocidental desenvolva técnicas e ferramentas, a perfeição não é sentida, ela estaria sempre no futuro: "Nuestra perfección no es lo que es, sino lo que será".

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Segue depois a leitura de outros capítulos.

domingo, 29 de setembro de 2019

Leitura II: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz





Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio, vamos começar a leitura do primeiro capítulo do livro. Ler excertos aqui.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura

O começo já é um conceito importante a recordar:

"El tema de este libro es la tradición moderna de la poesía. La expresión no sólo significa que hay una poesía moderna sino que lo moderno es una tradición..." (p. 17)

O que seria tradição?

"(...) la transmisión de una generación a otra de noticias, leyendas, historias, creencias, costumbres, formas literarias y artísticas, ideias, estilos; por tanto, cualquier interrupción en la transmisión equivale a quebrantar la tradición..."

E a tradição da ruptura?

O autor segue no conceito:

"Si la ruptura es destrucción del vínculo que nos une al pasado, negación de la continuidad entre una generación y otra ¿puede llamarse tradición a aquello que rompe el vínculo e interrumpe la continuidad?..."

Paz segue com uma série de indagações que demonstram contradições interessantes. Se o tradicional é por excelência o antigo, como poderia o moderno ser tradicional?

Depois ele diz que:

"Al decir que la modernidad es una tradición cometo una leve inexactitud: debería haber dicho, otra tradición. La modernidad es una tradición polémica y que desaloja a la tradición imperante, cualquier que ésta sea..." (p. 18)

O moderno não se caracterizaria somente pela sua novidade, mas também pela sua heterogeneidade, nos diz o autor: "(...) la modernidad está condenada a la pluralidad: la antigua tradición era siempre la misma, la moderna es siempre distinta".

- Tradição do moderno: heterogeneidade, pluralidade de passados, estranheza radical.

- O moderno não é filho do passado, é sua negação, é ruptura. O moderno é autosuficiente, cada vez que aparece, cria sua própria tradição.

O crítico nos explica sobre as idas e vindas da questão das estéticas. Há épocas em que o ideal estético é a imitação do antigo, e outras em que se exalta o novo e a surpresa.

- Estética da surpresa: "Novedad y sorpresa son términos afines, no equivalentes".

A aliança entre a estética da novidade somada à estética da negação só vai encontrar um caminho efetivo a partir da idade moderna, ao final do século XVIII e início do XIX.

RUPTURA

O que diferencia a modernidade de outras épocas é a ruptura, não somente o novo e o surpreendente. "crítica del pasado inmediato, interrupción de la continuidad. El arte moderno no sólo es el hijo de la edad crítica sino que también es el crítico de sí mismo". (p. 20)

E segue com os conceitos: não basta ser algo novo, tem que ser distinto, mudar a direção, negar o anterior: "el cuchillo que parte en dos al tiempo: antes y ahora". (p. 21)

O que é bem antigo, de milênios, também pode ser base para a modernidade, com ruptura da tradição anterior. "lo antiquísimo no es un pasado: es un comienzo".

MUDANÇA CONTÍNUA

Ou seja, a tradição moderna apaga a oposição entre o antigo e o contemporâneo, entre o distante e o próximo. O ácido que dissolve tudo isso é a crítica, segundo Paz. Mas o conceito fica melhor somando a crítica com a paixão.

"Pasión crítica: amor inmoderado, pasional, por la crítica y sus precisos mecanismos de desconstrucción, pero tambiém crítica enamorada de su objeto, crítica apasionada por aquello mismo que niega. Enamorada de sí misma, no afirma nada permanente ni se funda en ningún principio: la negación de todos los principios, el cambio perpetuo, es su principio." (p. 22)

CONCEPÇÃO DO TEMPO

"(...) para los antiguos el ahora repite al ayer, para los modernos es su negación."

"Para nosotros el tiempo no es la repetición de instantes o siglos idénticos: cada siglo y cada instante es único, distinto, otro."

A tradição do moderno traz um paradoxo maior que a contradição entre o antigo e o novo, o moderno e o tradicional. Essas oposições se evaporam por causa da velocidade do tempo. As distinções entre passado, presente e futuro se apagam ou passam a ser instantâneas, imperceptíveis e insignificantes.

"La aceleración del tiempo no sólo vuelve ociosas las distinciones entre lo que ya pasó y lo que está pasando sino que anula las diferencias entre vejez y juventud. Nuestra época ha exaltado a la juventud y sus valores con tal frenesí que ha hecho de ese culto, ya que no una religión, una superstición; sin embargo, nunca se había envejecido tanto y tan pronto como ahora. Nuestras colecciones de arte, nuestras antologías de poesías y nuestras bibiliotecas están llenas de estilos, movimientos, cuadros, esculturas, novelas y poemas prematuramente envejecidos."

A ÉPOCA MODERNA É A DA ACELERAÇÃO DO TEMPO HISTÓRICO

Octavio Paz nos explica que essas contradições a que vem expondo não são outra coisa senão a aceleração do tempo histórico.

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"Doble y vertiginosa sensación: lo que acaba de ocurrir pertenece ya al mundo del infinitamente lejano y, al mismo tiempo, la antigüedad milenaria está infinitamente cerca... Puede concluirse de todo esto que la tradición moderna, y las ideias e imágenes contradictorias que sucita esta expresión, no son sino la consecuencia de un fenómeno aún más perturbador: la época moderna es la de la aceleración del tiempo histórico." (p. 23)
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E o autor nos explica que não é que os anos e os dias passem mais rápidos, é que acontecem mais coisas. Se passam mais coisas no tempo atual e tudo ao mesmo tempo, não uma coisa atrás da outra, mas tudo simultaneamente.

"Aceleración es fusión: todos los tiempos y todos los espacios confluyen en un aquí y un ahora."

COMENTÁRIO: esse conceito me ajuda bastante a entender essa sensação que todos nós dizemos que o tempo estaria passando mais rápido. Muito interessante.

O autor escreveu esta obra nos anos setenta, e nos dá dois exemplos sobre essa questão da aceleração do tempo histórico: a Revolução Soviética e a Revolução Mexicana. Ambas seriam baseadas em rupturas profundas na estrutura e comportamento da sociedade e, meio século depois, já era possível identificar características naquelas sociedades semelhantes àquelas com as quais se pretendiam romper em relação aos regimes anteriores.

E Paz nos mostra o mesmo em relação a arte e a literatura, temas do livro.

"(...) durante el último siglo y medio se han sucedido los cambios y las revoluciones estéticas, pero ¿cómo no advertir que esa sucesión de rupturas es asimismo una continuidad? El tema de este libro es mostrar que un mismo principio inspira a los románticos alemanes e ingleses, a los simbolistas franceses y a vanguardia cosmopolita de la primera mitad del siglo XX." (p. 24)

Ao identificar traços e características que persistem ao longo do tempo nas mais diversas civilizações, independente das distâncias geográficas e históricas, Octavio Paz diz que talvez uma coisa seja a responsável pela permanência de certas características: a natureza humana.

"Tal vez las diferencias culturales e históricas son la obra de un autor único y que cambia poco. La naturaleza humana no es una ilusión: es el invariante que produce los cambios y la diversidad de culturas, historias, religiones, arte." (p. 26)

E para parar a leitura por agora, cito o fim desta parte do primeiro capítulo. 

"La crítica de la tradición se inicia como conciencia de pertenecer a una tradición. Nuestro tiempo se distingue de otras épocas y sociedades por la imagen que nos hacemos del transcurrir: nuestra conciencia de la historia. Aparece ahora con mayor claridad el significado de lo que llamamos la tradición moderna: es una expresión de nuestra conciencia historica. Por una parte, es una crítica del pasado, una crítica de la tradición; por la otra, es una tentativa, repetida una y otra vez a lo largo de los dos últimos siglos, por fundar una tradición en el único principio inmune a la crítica, ya que se confunde con ella misma: el cambio, la historia." (p. 27)

A leitura segue depois...

(É o momento do respiro ideal para sair para correr neste domingo ensolarado e tirar a bunda quadrada da cadeira)