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quarta-feira, 19 de março de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 19 de março de 2025. Quarta-feira.


"- É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade." (Ensaio sobre a cegueira, José Saramago)


Li um artigo hoje que me deixou reflexivo, artigo anunciando uma grande guerra em breve. De certa forma eu tenho a mesma leitura de cenário, mesmo sem ter o conhecimento que o articulista tem, vivendo na Alemanha. As fábricas de automóveis alemãs estão sendo fechadas por crise econômica e vão virar fábricas de armas para abastecer a guerra adiante.

O artigo "A Europa se prepara para a guerra" é do professor aposentado Flávio Aguiar, que também é jornalista e escritor, e está na página do site Vi o Mundo. Tive algumas aulas de literatura na Universidade de São Paulo com o professor Flávio e gosto muito dele. Leio seus artigos desde a antiga página da Carta Maior.

Aí, lendo a carga de textos da primeira semana de aula da pós-graduação do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), bibliografia da disciplina "Narrativas da História do Brasil", todos os textos versam sobre guerras, pessoas ou escravizadas ou deliberadamente eliminadas para desocupar o espaço onde viviam. 

Aí, os mais sensíveis (os que se importam) têm que lidar com a transmissão diária do extermínio do povo palestino sem que o mundo faça nada a respeito. Se hoje fosse o ano de 1943 ou 1944, com a tecnologia de transmissão ao vivo, estaríamos assistindo aos fornos dos campos de concentração nazista em pleno funcionamento, soltando a fumaça de judeus queimando e estaríamos exatamente iguais estamos vendo Israel explodir e queimar crianças, mulheres e civis palestinos aos milhares. O mundo não tá nem aí!

É isso que somos... é isso que somos enquanto espécie animal! Estou sendo convencido pelos fatos que nós não demos certo enquanto um dos seres vivos que apareceu neste planeta.

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Dilemas

Estou vivendo um dilema nesses dias. Percebi a urgência em sistematizar toda a minha produção textual publicada em blogs, ou seja, de forma virtual em plataformas nada confiáveis que estão se organizando para dominar o mundo e eliminar seus adversários e isso deveria ser feito não só por este articulista, mas por todas as pessoas e instituições que guardam suas produções culturais nas nuvens dessas empresas big techs inimigas da humanidade. Isso é sério e as pessoas e instituições não perceberam ainda que vão perder toda a sua produção.

Aí, por essa coisa minha de querer estudar e aprender, me peguei inscrito na pós-graduação do ICL e bastou regularizar a matrícula e entrar na plataforma de ensino algumas semanas depois do início do curso para ver que a carga de leitura de uma pós é enorme. A pergunta a mim mesmo é: devo seguir ou isso é outra aventura iniciativa e não "acabativa" que me enfiei na vida? A primeira semana da disciplina tem textos ótimos, mas são 150 páginas de leitura densa.

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Tenho outros dilemas...

Todos temos. 

E essa taxa selic de 14,25% pra foder o país, o governo Lula e o povo?

Estamos em guerra...

E nós estamos desarmados...

Que merda!

William 


terça-feira, 6 de agosto de 2024

73 de 100 dias


A bomba atômica.

Opinião

73. O dia 6 de agosto é um dia para nunca ser esquecido pela sociedade humana. O dia da infâmia! O dia no qual os Estados Unidos da América lançaram sobre a cidade de Hiroshima, Japão, uma bomba atômica, no ano de 1945, matando imediatamente dezenas de milhares de pessoas e centenas de milhares depois devido às consequências dos efeitos radioativos da bomba. Três dias depois, 9 de agosto, os mesmos EUA lançariam outra bomba atômica sobre Nagasaki. Não podemos esquecer esse ato de lesa-humanidade ao assassinar centenas de milhares de pessoas - crianças, mulheres, idosos, civis, pessoas que não estavam em campos de batalha - para demonstrar o poder de morte de um governo sobre os demais povos em confrontos e guerras.

Terminei recentemente a leitura de um clássico japonês das Histórias em Quadrinhos que me trouxe muitas emoções - Gen Pés Descalços -, de Keiji Nakazawa, um desenhista e criador de mangás (mangaká) cuja história pessoal se confunde com a história do personagem principal, Gen Nakaoka, um garoto de seis anos que sobreviveu à bomba atômica. A leitura das mais de 2000 páginas da obra me proporcionou momentos de muita reflexão, sofrimento e conscientização.


Gen Pés Descalços,
em 10 volumes.

TEREMOS NOVAS BOMBAS E NOVAS GUERRAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA?

O que a humanidade aprendeu com o assassinato de meio milhão de pessoas com os lançamentos das bombas atômicas nos anos quarenta? 

Se pararmos para refletir a partir do cenário mundial neste exato momento, veremos que não aprendemos muita coisa. 

Estamos à beira de uma conflagração de guerras inumeráveis ou de envolvimento de grandes países do mundo em uma guerra polarizando os Estados Unidos e seus vassalos de um lado e seus inimigos escolhidos de outro. Uma espécie de 3ª Guerra Mundial.

A atual guerra na Ucrânia, uma guerra por procuração, provocada segundo muitos analistas de geopolítica internacional pelos movimentos da Otan e pelos Estados Unidos, que desrespeitaram acordos desde os anos noventa e foram convidando e incluindo todos os países vizinhos da Rússia a serem membros da Otan expondo o povo russo a um risco real de ataques a sua soberania.

A guerra de extermínio e expulsão do povo palestino da Faixa de Gaza e da Palestina, promovida pelo governo sionista de Israel, com apoio dos Estados Unidos, guerra que já matou mais de 40 mil palestinos - crianças, mulheres, idosos, civis e pessoas que não estavam em campos de batalha - repete o roteiro das guerras conhecidas pelos historiadores no último século.

A nova tentativa dos Estados Unidos em derrubar o governo da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, de forma injustificável, ao declarar que a dupla Edmundo González e Maria Corina Machado são vencedores de uma eleição com números criados da cabeça deles, só na base da narrativa inventada, é um passo perigoso na atual conjuntura global. Será que os países do BRICS e aliados vão aceitar essa provocação e ingerência para tomar os poços de petróleo do povo venezuelano na mão grande?

Poderia ficar aqui citando as provocações dos Estados Unidos a diversos países com o intuito de causar um ambiente de conflito global - Irã, China, Rússia etc.

Esses são os tempos...

Lembrem-se do dia 6 de agosto de 1945!

Lembrem-se do dia 9 de agosto de 1945!

Estamos livres e distantes de novas bombas de destruição em massa?

BLOQUEIOS ECONÔMICOS SÃO COMO BOMBAS ATÔMICAS EM RELAÇÃO AOS SEUS EFEITOS SOBRE AS POPULAÇÕES VÍTIMAS

Estamos livres das bombas de destruição em massa chamadas bloqueios econômicos e comerciais, os tais embargos disparados pelos Estados Unidos a hora que querem e ao país que eles acharem que devem disparar essas bombas de destruição econômica que só causam miséria e mortes às populações civis de seus inimigos? 

(vejam o que o povo cubano sofre há décadas com essa bomba norte-americana chamada "bloqueo". Vejam as consequências para o povo venezuelano...)

Lembrem-se do dia 6 de agosto!

E tenhamos consciência do mal que as guerras e as bombas causam às pessoas.

William Mendes


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Diário e reflexões


Cuba: foto de obra no
Memorial da Denúncia.

Refeição Cultural

Osasco, 10 de outubro de 2023. Terça-feira. A paz cada dia mais distante.


PAZ

Já me perguntei várias vezes por que foi que coloquei a "paz" como último objetivo a ser alcançado numa lista de metas que fiz num certo momento complicado de minha vida décadas atrás. Meta: encontrar a paz...

Pode ser que tenha sido a última coisa na lista de desejos por imaginar o quão difícil seria encontrar a paz, de forma que preferi colocar outras coisas na frente para não desistir de viver logo de cara. Seria mais fácil adquirir um bem material do que alcançar a paz, por exemplo.

Pode ser por imaginar que a paz que eu procurava não fosse desse mundo. Talvez na época da confecção da lista de metas a alcançar na vida eu ainda fosse religioso e acreditasse que ao morrer encontraria a paz que tanto procurava num outro mundo.

Paz... a vida andou. A vida mudou. Mudamos. O mundo seguiu mudando diariamente. Mudou mas não mudou, claro! As coisas na sociedade humana são tão repetitivas, às vezes! A história deveria nos ensinar a não repetir erros do passado, mas ninguém liga para a história e ainda convivemos com o revisionismo histórico por parte daqueles que detêm o poder da pauta, da agenda. 

Não estou em paz, não encontrei a paz. Não há paz no mundo. O mundo todo segue em guerra, até onde as bombas não estão caindo, estamos em guerra. A paz está cada dia mais distante de nossa realidade. 

Se fizesse uma lista de desejos hoje, a primeira coisa que eu gostaria de alcançar seria a paz, para mim e para a humanidade, para os seres que compõem o mundo natural.

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HOMO SAPIENS - SEM SABEDORIA...

Culpados somos todos nós, seres humanos! Não culpemos os outros bichos!

Faz mais de um ano que uma guerra assassina seres humanos e destrói os ambientes na região do mundo conhecida como Ucrânia. A economia americana baseada na produção e venda de armas e combustíveis melhorou seus resultados com isso. Se depender dos EUA a guerra na Ucrânia vai até o ano três mil, ou até não existir mais nenhum concorrente ao seu imperialismo.

Faz quatro dias que uma guerra assassina seres humanos e destrói os ambientes na região do mundo conhecida por uns e por outros como Palestina ou Estado de Israel ou outros nomes a depender de quem nomina a região. Há muita história de guerra em andamento com milhares de mortes e destruição de parte dos envolvidos (mortos palestinos) anterior ao ataque dos árabes neste sábado.

Faz tempo que os Estados Unidos vive uma guerra civil esquisita entre duas metades da mesma coisa - seu povo - que se considera "democrata" ou "republicano". Pensam o mesmo sobre quase tudo na vida, mas disputam dentro do país as formas de domínio do poder interno e do poder do seu parque de diversões: o mundo. É a nação que serve de referência para boa parte dos povos do mundo... os caras não colocam sequer o nº 13 nas placas de andares nos elevadores... enganam a si mesmos que o 13º andar não existe. Imaginem só!

A América do Sul e a América Central e a região do Caribe estão em guerra faz tempo. Haiti... Nicarágua... Guatemala... Peru... Bolívia... Argentina... Brasil... Estamos em guerra faz tempo! Há séculos se pensarmos nosso esforço em eliminar os afrodescendentes do solo brasileiro após o fim da legislação que permitia manter pessoas escravizadas; os povos originários que há séculos insistem em existir nas florestas que deveriam seguir existindo; as pessoas que são de regiões discriminadas pelas regiões do centro e sul do país. Os bolsonaristas insistem em não permitir a paz no Brasil, não estão satisfeitos com a destruição que promoveram... querem destruir o que sobrou. Estamos em guerra.

O pior é que das guerras e destruições promovidas pelo bolsonarismo, só peixe pequeno vai pagar caro pela merda que fizeram... não tem um (1) um só peixe grande preso pela desgraça que fizeram com o país. Não tem um militar fdp preso. Não tem um fdp do clã de milicianos respondendo processo penal. E com a impunidade brasileira de sempre aos de cima, teremos uma guerra pior daqui uns dias quando essa canalha voltar...

Cansei de descrever guerras. Gostaria de paz. 

A paz está cada dia mais distante.

William


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Leitura: A desordem mundial (2016) - Luiz Alberto Moniz Bandeira




Refeição Cultural

Quando comprei este livro em dezembro, na semana do Natal de 2018, repeti o gesto que faço há anos ao namorar livros em estantes de livrarias: deixei o impulso do desejo de conhecimento falar mais alto e o levei para casa, para se somar aos inumeráveis livros que tenho e que por diversas desculpas ficam lá em casa sem a leitura ou com a leitura iniciada e nunca acabada.

Um de meus livros que tem essa "história de leitura" é o livro do historiador marxista britânico Eric Hobsbawn (falecido em 1/10/2012), A era dos extremos, publicado em 1994. Já iniciei a leitura desta obra fantástica diversas vezes ao longo de anos e nunca passei da metade do livro.

O professor universitário, cientista político e historiador brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira faleceu em 10/11/2017, após uma vida dedicada aos estudos das relações internacionais. Ele deixou uma extensa obra que eu só passei a conhecer ao ler sobre ele na rede mundial e dentro do próprio livro A desordem mundial, último lançado por ele em março de 2016.

Desta vez, a (minha) história da leitura do livro de Moniz Bandeira foi outra, felizmente. Por diversos motivos, inclusive porque os tempos são outros, li o grosso volume em menos de um mês.

Amigos leitores, eu recomendo a leitura a vocês que têm o desejo de saber como o mundo funciona realmente há dezenas de anos, há séculos, eu diria. As causas e consequências das coisas da realpolitik

O nome completo da obra já nos diz a respeito: "A desordem mundial, o espectro da total dominação - guerras por procuração, terror, caos e catástrofes humanitárias". Entenderam o que aborda a obra? Se algum de vocês ainda tinha alguma inocência, ela deixará de existir após as 600 páginas percorridas.

Uma dica para os leitores que forem encarar o livro: se possível, leiam com acesso a algum programa de tradução, porque o autor faz citações com frequência nas línguas originais em inglês e francês, e algumas vezes em outras línguas como latim, alemão etc. Eu usei o google tradutor, que vem melhorando bastante em verter textos de uma língua para outra.

Após passar os últimos anos com minha atenção voltada quase que exclusivamente para estudar, conhecer e lidar com os temas de saúde e gestão de saúde por causa de meu último trabalho, a leitura do livro de Moniz Bandeira foi como o abrir das cortinas para a apresentação de uma peça clássica: adentrei num novo mundo. E como toda boa peça de teatro, ópera ou musical e seu efeito modificador, saí da leitura diferente, talvez amargo, mas muito mais consciente do mundo em que vivemos e dos porquês das coisas.

Hoje conheço muito mais a respeito das questões internacionais envolvendo Estados Unidos, Rússia, disputa de hegemonia do petróleo e gás (Oriente, Ucrânia, Venezuela, Brasil e Petrobras/Pré-sal), as guerras nada "espontâneas" ou "por democracia" (por "direitos humanos!") nos países ao redor dos grandes eixos imperialistas; as guerras e quedas de governos na Líbia, Síria, Arábia Saudita, Ucrânia, Egito, Iraque. Sei mais sobre a Otan. Sobre Israel, Palestina, Líbano, Irã, Turquia.

Confesso que a leitura de muitos dos capítulos nos dá quase ânsia de vômito por descobrir o quanto é nojento o papel de governos americanos nas desgraças do mundo. Para quem não tinha muita simpatia por um dos clãs de presidentes dos Estados Unidos, os Bush, vocês não têm noção do papel desempenhado pelo senhor Obama, prêmio Nobel da Paz (Putz! É inacreditável!).

Após a leitura, fica muito mais fácil entender este momento em que estamos, quando nos sentimos como se estivéssemos dentro de um pesadelo e não conseguimos acordar.

Vale a pena a leitura desta obra de Moniz Bandeira. Fiquei muito mais atento aos acontecimentos ao redor do mundo quando vejo as notícias diárias, porque tudo está imbricado e o mundo é um só. O que estamos vivendo no Brasil não é algo isolado, de maneira alguma.

William