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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Blog Refeitório Cultural - Retrospectiva 2024



(TEXTO EM CONFECÇÃO: ATUALIZADO EM 11/2/25, ÀS 23h)


O ANO DE 2024

Janeiro

Ao reler as quinze postagens do mês de janeiro, percebi o quanto meu texto se tornou mais denso e maduro após os anos iniciais do blog. Só nesse período de um mês, a revisão e diagramação em word para o formato de caderno deu 70 páginas.

Fiz textos comentando os dois livros que li: um sobre o presidente Lula - "LulaLivre * LulaLivro" (ler aqui)- e o outro a respeito de um clássico da literatura - "As aventuras de Tom Sawyer", do norte-americano Mark Twain (ler aqui). Fiz um texto sobre filmes; dois capítulos da série "Natais"; e até um poema "Oração do ateu".

Desenvolvi temas complexos nos artigos do mês sobre política e as big techs. Alguns temas abordados por mim no mês: documentário com Noam Chomsky a respeito do fim do sonho americano (ler aqui); gestão de saúde e a Cassi; e comentei reportagens das revistas atuais e antigas (2005) de CartaCapital.

Amizades novas: conhecemos uma família de professores muito legais.

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Fevereiro

O mês foi marcado por minha segunda visita a Cuba. Abracei a oportunidade de retornar ao país socialista para ampliar minha experiência e conhecimento adquiridos em 2023, quando participei do 1º de Maio dos cubanos. Desta vez, participei da 32ª Feira Internacional do Livro em Havana.

A viagem foi extraordinária, deu tudo certo novamente. Conciliei os dias do pacote da Feira do Livro, hospedado em hotel, com alguns dias hospedado na Casa de Isabel. Tive oportunidade de conhecer Frei Betto, Conceição Evaristo, Ailton Krenak e Emicida. 

E conheci a companheira Telma Araújo, uma militante da solidariedade a Cuba, que organiza brigadas e viagens ao país. Tive contato também com Lina Noronha, de Santos, responsável pelo programa "Cubanias", e até participei de um programa dela.

As palestras do dominicano me marcaram profundamente. Agora sou leitor de Frei Betto. Viajei horas ao lado de Conceição Evaristo, outro momento marcante de minha viagem. Conversamos a viagem toda.

Um fato importante nas questões pessoais foi a entrega de um imóvel que alugamos por muito tempo por causa da minha transição de trabalho entre Brasília e Osasco. Fiz até um texto da série "Lembranças", o Capítulo 14, com reflexões profundas sobre o tema e também refletindo a vida (ler aqui).

Em relação aos livros, finalizei a leitura de "Pedagogia da autonomia", de Paulo Freire. Foi o terceiro livro que li do educador brasileiro. A postagem a respeito da leitura ficou para depois, li no kindle e não consegui escrever a respeito (fiz texto depois: ler aqui).

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Março

Como disse acima, meus textos de março são densos, com história e política na essência deles. Ao finalizar a revisão do mês, o caderno em word já soma mais de duzentas páginas.

Nos destaques do mês, tivemos os 60 anos do Golpe de 1964, as eleições da Cassi e minha participação como palestrante no planejamento da Unafisco Saúde, em Brasília (DF). 

Os textos sobre Cuba estão muito bons, modéstia à parte. No de número IV (ler aqui) faço uma analogia na forma como Brasil e Cuba tratam suas histórias. Enquanto nosso governo decidiu não falar dos 60 anos do Golpe de 1964, o cubano fala de história todos os dias, e foi assim que o país socialista comemorou os 65 anos da vitória revolucionária em 1959.

Reforcei em artigo (ler aqui) minha tese de que as autoridades brasileiras querem que Bolsonaro fuja para não terem que prendê-lo. Ainda penso o mesmo. Completamos dois anos de impunidade desse sujeito lesa-pátria e genocida. Ele e seus "parças" passaram o ano perambulando por aí, destruindo provas e só no fim do ano um general de merda foi preso com todo o luxo que um general está acostumado.

Não poderia deixar de destacar o artigo que fiz em março sobre a "Cultura do cancelamento" (ler aqui). Tema segue atualíssimo!

Ao reler os textos de março, tive a impressão que estava bastante inspirado naquele mês, os textos têm informações relevantes. 

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Abril

Comecei o mês fazendo um texto avaliativo sobre minha vida ao completar 55 anos. Concluí que minha existência foi de acaso em acaso até chegar onde cheguei. Mas fui esforçado e tentei levar uma vida correta, isso tenho claro. (ler aqui)

Se em março fiz vários artigos complexos, em abril foram os textos da série "Diário" que tiveram profundidade filosófica e política. Um exemplo de reflexão pode ser lida aqui em um texto no qual cito uma conclusão de Nelson Mandela sobre as formas de se enfrentar os inimigos, minha opinião sobre os fascistas atuais.

O mês foi de desafios no quesito saúde, a família em Uberlândia enfrentou doenças. Felizmente superamos e todos estão bem. 

Ajudei meu pai a renovar sua carta de motorista em São Paulo. Contamos com o apoio da família do tio Delcídio. Sou grato por isso.

Li e ou finalizei a leitura de 4 livros: A Faca da Catacumba - Arnaldo Onça (ler aqui), Mulheres são tudo isso e muito mais - Org. Cleusa Slaviero (ler aqui), Canção para ninar menino grande - Conceição Evaristo (ler aqui), O marxismo ainda é útil? - Frei Betto (ler aqui).

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Maio

O mês começou com as consequências trágicas das inundações do Rio Grande do Sul, ocorridas a partir do final de abril. A culpa é dos humanos, não é da natureza.

Fiz uma postagem com frases conceituais tiradas do livro de Paulo Freire Pedagogia da Autonomia - ler aqui. São lições profundas cada uma das frases. Vale a pena reler sempre aquelas ideias-chave.

Eu estava lidando com a questão pessoal da dúvida se deveria editar em forma de livro as minhas memórias sindicais, que escrevi em 39 capítulos no blog A Categoria Bancária. A decisão foi seguir adiante, pois já havia investido recursos na produção do material. Falta a revisão final e a impressão para o ano de 2025.

Comecei no dia 26 uma série de postagens reflexivas a serem feitas diariamente nos cem dias seguintes, pensando um pouco sobre o que fazer de minha vida. Nesta aqui faço uma declaração contundente a respeito da falta de democracia no Brasil. 

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Junho

Na releitura dos textos diários "Cem dias" fiquei impressionado com alguns deles, têm reflexões interessantes. Por mais que sejam pessoais, são avaliações da vida coletiva, principalmente do ponto de vista de alguém que foi dirigente nacional dos bancários por duas décadas.



(texto em produção, não finalizado)


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Frei Betto: una biografía (3)



Refeição Cultural 


A profundidade do conteúdo do livro biográfico sobre o dominicano Frei Betto é incrível! Ganhei o livro de presente do próprio autor numa oportunidade histórica que tive neste ano de estar com ele por três dias na 32ª Feira Internacional do Livro em Havana, Cuba, evento realizado em fevereiro de 2024.

A leitura do livro tem sido lenta - é um estudo -, é feita na exata medida de tempo necessária para refletir a quantidade enorme de informação histórica contida a cada dez ou vinte páginas. A história da vida de Frei Betto se confunde com a nossa história de vida do povo brasileiro, história das lutas da esquerda por independência e protagonismo político e por uma vida melhor para o povo.

No capítulo que iniciei a leitura hoje "Movimiento popular y campañas presidenciales de Lula", aprendi sobre a participação central de Frei Betto na articulação, junto com os movimentos organizados no país, da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central dos Movimentos Populares (CMP), através da Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais (ANAMPOS), na qual ele era o secretário geral.

É muita história!

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Conceitos que me chamaram a atenção

"acontecimentos biográficos"

Logo no início do capítulo, fiquei pensando a respeito dos chamados "acontecimentos biográficos". 

Quais seriam os acontecimentos biográficos em minha vida? Sem dúvida, a entrada para o movimento sindical brasileiro, em 2002, foi um acontecimento que mudou minha vida.

No livro se explica que "acontecimentos biográficos" são "eventos fundacionales que marcan una nueva etapa en la vida." (p. 293)

"Construtor de pontes"

Também fiquei pensando na grandeza do papel de pessoas que são construtoras de pontes entre grupos sociais e segmentos representativos de setores da sociedade humana. Sem dúvida, o presidente Lula e Frei Betto são dois grandes exemplos humanos de pessoas que constroem pontes.

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Livros

Fiquei com meus botões pensando nas minhas lacunas culturais... eu ainda não li livros centrais nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Dois deles são os livros do Frei Betto "Batismo de sangue" e "Fidel e a religião".

Quem sabe um dia eu os leia. O tempo disponível para tudo que quero aprender e conhecer é limitado em relação ao desejo de saber, mas pelo menos me esforço para estudar e ler todos os dias de minha vida, ainda hoje, retirado do movimento sindical e com mais de 55 anos de idade. Sigo tentando aprender algo todos os dias de minha existência. 

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ANAMPOS: bloco combativo x Unidade Sindical 

Da leitura que fiz, achei interessante essa parte:

"En los años siguientes, la disputa política entre los dos bloques se intensificó, lo que tornó inviable la formación de una entidad intersindical como se previera y aprobara en la CONCLAT. En agosto de 1983, el bloque combativo, con un importante apoyo de la ANAMPOS, fundó la CUT. Meses después, en noviembre, Unidad Sindical lideró la creación de la Coordinación Nacional de la Clase Trabajadora (CONCLAT), que en 1986 daría origen a la Central General de los Trabajadores (CGT). Quedaba sellada la división del sindicalismo brasileño." (p. 297/298)

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COMENTÁRIO FINAL

Enfim, da quantidade enorme de informações lidas hoje, achei interessante a questão sintética de que a ANAMPOS teve importância primeiro na criação da CUT, através da CONCLAT, e depois na criação da CMP.

Os debates e diferenças entre os diversos grupos e movimentos que participaram dessas construções passaram por pontos como a necessidade de independência das organizações em relação a partidos e governos. Isso eu aprendi assim que entrei para o movimento e me tornei um estudioso de nossas histórias de lutas.

O que eu não tinha uma noção mínima era a questão do papel desse intelectual militante dos movimentos, o dominicano Frei Betto.

A gente tem muito que aprender, isso eu tenho claro!

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HISTÓRIA DO BRASIL

Segue abaixo um excerto que gostei sobre a ANAMPOS e as lutas do final dos anos setenta e dos anos oitenta e noventa no Brasil.


Documento de Monlevade (reunião de 7 a 9 de fevereiro de 1980)

"Al finalizar la reunión se divulgó el Documento de Monlevade, que reunía un conjunto de propuestas para el fortalecimiento del movimiento sindical. Las más importantes eran el combate al régimen dictatorial, que no podría hacerse ni por vía de la 'transacción política' entre el gobierno y la oposición parlamentaria, ni por la del 'vanguardismo político' desvinculado de las bases populares, sino por intermedio de la movilización de la clase trabajadora; la acción sindical, cuyo norte debían ser principios como la convivencia democrática con las oposiciones; la desvinculación entre el sindicato y el partido político; la ampliación de los vínculos intersindicales; la democratización de la estructura interna del sindicato; y el estímulo a la articulación entre las luchas sindicales y las del movimiento popular." (p. 295/296)

O papel de Frei Betto na organização:

"Al término de la reunión, Betto fue electo secretario general del grupo." (p. 296)

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Sigamos lendo e aprendendo.

William Mendes


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Frei Betto: una biografía



Refeição Cultural 

Um dos livros que trouxe de minha segunda viagem a Cuba foi a biografia do dominicano Frei Betto, que completou dias atrás 80 anos de vida.

Já li quase trezentas páginas do excelente livro produzido por Evanize Sydow e Américo Freire, cuja primeira edição é de 2016.

O livro me foi presenteado pelo estande onde estava disponível na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana. Ganhei outros livros de Betto. Eu estava acompanhando o Frei na ocasião. 

Amigas e amigos leitores, estar com Frei Betto, ouvi-lo palestrar e trocar ideias com ele é uma experiência transformadora. 

Tive essa oportunidade em Havana, por estar com uma amiga de Betto, nossa companheira Telma Araújo, mineira que organiza Brigadas de Solidariedade a Cuba.

Imaginem vocês a emoção que senti ao ler o prólogo escrito por seu amigo revolucionário, o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz! 

Fidel e Betto foram amigos por décadas. O Comandante diz sobre o amigo dominicano:

"Hombre sencillo, de habla pausada, con la modestia y la humildad que enaltece su condición de fraile, se identificó con los valores genuinos de nuestra revolución que, según afirma, son también los de la religión que él profesa: justicia, igualdad, compromiso con los pobres y discriminados."

Ao conhecer o que já li de sua biografia e ao ouvir e ler seus ensinamentos, me tornei um grande admirador de Frei Betto. Tê-lo entre nós é uma honra e uma oportunidade. 

Sigamos aprendendo com este grande ser humano. 

William Mendes 


domingo, 25 de agosto de 2024

92 de 100 dias



92. Ao acordar neste domingo, li dois textos muito bons, que me deixaram pensativo. 

No primeiro deles, Frei Betto fala de seus 80 anos, completados neste 25 de agosto. Que texto inspirador! Me emocionei com ele. Fiquei pensando na minha vida a partir dos ensinamentos do dominicano. Sim, seu texto é um ensinamento de vida. 

O segundo texto foi um artigo da jornalista Milly Lacombe abordando a candidatura de um sujeito extremista de direita à prefeitura de São Paulo. O texto "Pablo Marçal não é a doença e sim o sintoma" é uma análise excepcional da realidade contemporânea da política brasileira com uma crítica ao campo considerado de esquerda. 

Ela aponta com a excelência que seu texto tem o que eu tenho apontado na minha forma de escrever mais comum. Ou a esquerda para de ficar administrando o capitalismo e se apresenta antissistema ou já era para nós! 

Os textos me deixaram reflexivo ao longo do domingo.

Não achei canto em casa, não achei canto no mundo hoje. Fiquei incomodado pensando a vida, o fim momentâneo da vida, a natureza, a sociedade humana.

Algumas ideias que tive em momentos da vida que poderiam ter sido realidade não podem mais ser realidade. A existência é assim mesmo.

Este texto é um dos últimos de uma série de uma centena de registros sobre a temática pessoal da minha vida no momento atual. Vou terminar os cem dias quase na mesma. 

Só minha saúde piorou, está chato viver com o que eu estou sentindo. Não corri mais por achar que não deveria correr e piorar meu quadril. Enquanto isso, sei que meu sangue vai engrossar. É uma merda!

Mesmo com dores aumentando, estou disciplinadamente indo à academia do condomínio para fazer sessões de exercícios físicos. O que sei que não resolve minha genética de colesterol e pressão alta. É foda, como digo!

Fim de mais um dia.

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Post Scriptum: as perspectivas do mundo no qual eu e vocês vivemos não ajudam muito a animar minhas ilusões e alimentar utopias... pessoalmente, avalio que as ações na política da forma como ela funciona atualmente no ambiente onde vivemos, o Brasil da pior distribuição de renda do mundo, são ações de enxugar gelo. Os escravocratas desses 524 anos de exploração colonialista são inimputáveis... eles sabem disso! As injustiças e a nossa consciência das injustiças quase matam a gente (acho que estão me matando faz tempo...). Enfim, não vou falar sobre isso.

Post Scriptum (2): uma reflexão no final do livro Fahrenheit 451 me deixou bolado desde ontem (comentário aqui). Os personagens conversavam sobre o sentido da vida e da morte, sobre certa ideia de imortalidade e permanência. Aí o personagem explica a diferença entre um cortador de grama e um jardineiro, destacando que o jardineiro dá um toque pessoal no ambiente, deixa sua marca e se perpetua nisso. Já o cortador de grama, cortando no tempo certo a grama ou não, não faz diferença pessoal alguma ali. Fiquei olhando minha existência e pensando se fui um cortador de grama ou se cheguei a ser um jardineiro... fiquei bolado...

William


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 13 de agosto de 2024. Terça-feira.


FIDEL VIVE!

No dia de hoje, comemoramos o nascimento de um dos maiores heróis do povo latino-americano do século XX e da história de Nuestra América, o Comandante em Chefe Fidel Castro. Ele completaria 98 anos de idade. Fidel vive!

Durante o dia, li e apreciei os dois livros fotográficos sobre Fidel que trouxe de Cuba. Imagens magníficas e emocionantes. Junto ao Comandante Fidel, figuras como Che Guevara, Raúl Castro e líderes mundiais.

Nos últimos dias, li também sobre um grande amigo de Cuba, um homem extraordinário, Frei Betto, que completou nesses dias 80 anos de idade.

Estou refletindo a respeito de minha terceira viagem a Cuba, sou admirador e apoiador do povo cubano em sua busca por liberdade e autonomia sem interferência dos Estados Unidos, que mantêm um bloqueio criminoso ao país com o intuito de causar miséria e desesperança a milhões de pessoas.

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Revolução Bolivariana na Venezuela sob ataque

Eu sigo não concordando com o comportamento do governo brasileiro em relação às eleições presidenciais na Venezuela. Depois de tudo que aconteceu nas últimas semanas, até o mundo mineral sabe que o chavismo está sob ataque do imperialismo e está resistindo a mais um Golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos. 

É inacreditável se for verdade que a diplomacia brasileira e o governo Lula avaliam sugerir novas eleições no país. Minha decepção com a postura do Brasil chega ao ponto de pensar em romper com o nosso governo. Não faria isso no calor dos acontecimentos, mas num mundo em disputa como o que vemos neste momento não há espaço para pusilanimidade contra a extrema-direita internacional. Estamos falando do fascismo! Lula pede unidade do mundo contra esses extremistas e acaba apoiando os extremistas que só querem o petróleo da Venezuela. Francamente!

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Bolsonaro livre...

Como venho dizendo faz tempo, desde o ano de 2023, existe uma construção por cima para que nenhum bolsonarista seja punido pelo que fez. Os caras são inimputáveis!

Assim como venho escrevendo a respeito da impossibilidade da democracia na atualidade, vejo claramente que além da plutocracia ser a forma autoritária de governos atuais, vide EUA, França, Alemanha, Brasil do Centrão e do orçamento secreto, entre outros, as "leis" e os "direitos" serão cada vez mais para proteger de qualquer crime o 1% e seus apaniguados, os bilionários e os milionários, e para prender e arrebentar o restante do povo, os noventa e tantos por cento de pessoas, a patuleia, a malta, a plebe, como todos nós.

Que desânimo!

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Eleições municipais brasileiras

Como fazer campanha eleitoral sabendo que não há democracia no Brasil? Como lutar para eleger pessoas decentes e interessadas no bem comum como várias candidaturas que conheço do campo progressista?

Que dureza!

Vamos fazer a nossa parte e fazer o bom combate, claro!

Mas que é meio ilusório, isso é!

William


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

79 de 100 dias


Meu mundo...

79. Voltei de Uberlândia. Cheguei a São Paulo pela tarde. Queria ter chegado a tempo de ir a uma roda de conversa à noite com Frei Betto em homenagem aos seus 80 anos. Não deu tempo. Bom, pelo menos vim no voo lendo a biografia dele, livro que adquiri em Havana, Cuba.

Faltam três semanas desse período de cem dias que iniciei em 26 de maio em busca de sentidos e mudanças para a minha existência atual.

Voltei de Minas Gerais com um fracasso num projeto pessoal: não fiz minha caminhada anual de 80 Km. Não fiz por diversos motivos, avalio. Chegar e encontrar meus pais com a saúde debilitada pesou. Ocupar meu cunhado estando ele com os problemas dele, inclusive de saúde de minha irmã, também. Sentir minha condição do quadril ruim, me deixou pra baixo. Acabei desistindo. Depois, avaliei sem ter estado na estrada que eu estaria ferrado porque não levei roupa adequada para o frio que fez. 

Diria que voltei com mais fracassos da visita aos meus pais. Não tivemos um clima amistoso, meu pai e eu. Depois dos primeiros dias na boa, não aguentei sem falar pra ele sobre o que via o tempo todo na casa. Que clima pouco amistoso da porra! Aff, que difícil as relações humanas hoje!

A parte boa dessa estadia nos meus pais foi ter a oportunidade de passar algumas horas com a pequena filha de minha sobrinha. Interagimos bastante. É muito legal dar atenção a uma criança e ver o desenvolvimento e a inteligência das crianças. 

CRIANÇAS SÃO INTELIGENTES, MÁQUINAS NÃO!

Me lembrei de uma roda de conversa que tivemos com o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu (ver aqui), explicando porque as "Inteligências Artificiais" (AI ou IA) não são nem inteligentes, nem artificiais. 

O professor nos explicou que essas "Machine Learning" precisam de milhares e milhares de dados sobre algo para criar padrões, são máquinas que fazem cálculos estatísticos. E precisam de muita gente por trás dessas programações. Não são nem inteligentes, nem artificiais.

Uma criança precisa de duas ou três repetições de alguma coisa (dados) para compreender o padrão e então ela já passa a repetir e criar a partir dali, as crianças são inteligentes e só animais podem criar, a inteligência é analógica, não é digital. 

Observem uma criança de dois ou três anos por alguns dias e vocês verão a inteligência e a criatividade em estado puro...

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E agora, José?

É seguir, andando e escolhendo veredas, ou deixando as veredas me escolherem como aconteceu a vida toda.

William


quinta-feira, 13 de junho de 2024

19 de 100 dias



19. Uma das coisas que sei que devem ser mais frequentes na minha vida é estar com pessoas presencialmente. Nos próximos dias estarei com meus pais e familiares de Minas Gerais. Isso é imprescindível.

Dentro do conceito de "carpe diem", avalio que devemos estar sempre que possível com pessoas queridas e que acrescentem algo positivo em nossa existência.

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FREI BETTO

Na estrada, lendo a biografia do dominicano Frei Betto, na parte na qual ele e companheiros estão como presos políticos no presídio paulista de Presidente Venceslau, no Natal de 1972, tem uma cena emocionante quando a advogada Eny Moreira promove um abraço aos 400 presos, durante a Missa do Galo (p. 203). 

Eu me lembrei de minha palestra em Curitiba, em 2019, quando promovi também um abraço coletivo para despertar os participantes do encontro - era um final de tarde e o pessoal estava cansado pelos debates do dia. 

Nada como um bom e carinhoso abraço para energizar as pessoas!

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O capítulo "Libertad aplazada", termina com a liberdade dos dominicanos, após cumprirem pena de prisão política, e com Frei Betto recebendo a notícia em agosto de 1974 da morte de Frei Tito, na França. O suicídio foi a única maneira que a vítima encontrou de se ver livre de seu torturador Sérgio Paranhos Fleury.

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O capítulo seguinte é muito didático ao falar sobre a Teologia da Libertação (TdL): "La Teología de la Liberación y la nueva Iglesia".

Frei Betto desenvolveu uma prática em seu cotidiano no cárcere que o auxiliou em suas reflexões e descobertas pessoais: a produção de cartas para o contato com o mundo exterior. 

Estou ficando sem luz solar no ônibus ao final de tarde na estrada. Vou encerrar a leitura e a postagem sobre meus dias de buscas.

Não consigo fazer citações do livro sobre Frei Betto. 

Gostei de uma passagem do capítulo que explica a essência da Teologia da Libertação, que coloca a injustiça social como pecado praticado por aqueles que exploram o povo. 

Houve uma conferência católica na Colômbia em 1968 que definiu as bases da TdL. Os irmãos Leonardo Boff e Clodovis Boff foram importantes formuladores da TdL.

Os cristãos devem se empenhar em combater as estruturas sociais que causam a miséria do povo.

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Enfim, pôr do sol na estrada. Vamos abraçar os familiares em Uberlândia. 

William 


Post Scriptum: é a primeira vez que faço postagem diretamente do celular, não tinha esse hábito. 


terça-feira, 7 de maio de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 07 de maio de 2024. Terça-feira.


FREI BETTO, CRISTIANISMO E MARXISMO

Conheci pessoalmente Frei Betto neste ano, por ocasião da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, Cuba. Por estar em um grupo com uma amiga do dominicano, tive a oportunidade de estar em eventos com ele por três dias. Foram momentos de muita aprendizagem e reflexão.

Ainda em Cuba, li rapidamente um dos livros de Frei Betto, um livro didático sobre a validade do marxismo nos dias de hoje. O intelectual consegue usar uma linguagem coloquial e dar leveza de forma excepcional a um texto com tema complexo. Reli o livro dias atrás. Vale a pena! (ler comentário aqui)

Também comecei a ler ainda durante os dias intensos de viagem a Cuba o livro de Américo Freire e Evanize Sydon sobre a biografia de Frei Betto. O livro foi lançado em 2016 e a edição que ganhei em Havana tem prólogo de Fidel Castro Ruz. Prólogo emocionante e iluminador.

Após semanas com muita dificuldade de leitura por questões diversas, retomei a leitura do livro da biografia do encantador intelectual religioso, um homem da teoria e da prática ao longo de sua vida, um homem que optou por estar sempre ao lado daqueles que lutam por igualdade e justiça social, um homem cuja opção de vida é pelos pobres e necessitados.

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COMO FREI BETTO CONHECEU FIDEL CASTRO

Logo no início do livro, os leitores conhecem a história de como o dominicano conheceu o líder revolucionário Fidel Castro, ainda nos anos oitenta.

O sindicalista metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva e o dominicano Frei Betto haviam sido convidados a participarem da celebração do primeiro aniversário da Revolução Sandinista na Nicaragua, em julho de 1980. O principal orador do evento seria o revolucionário cubano Fidel Castro.

Foi então que Frei Betto e Lula puderam se encontrar e conversar com o Comandante Fidel Castro numa madrugada. Aproveitando a oportunidade, o católico fez duas perguntas ao revolucionário que mudaram a vida de ambos e a história deles. O dominicano sabia das divergências entre a igreja católica e o Estado cubano. Uma das perguntas foi sobre um país ser ou não ser um estado laico:

"La primera: '¿Por qué el Estado y el Partido Comunista cubanos son confesionales?', a lo que Fidel replicó: '¿Cómo confesionales?'. Betto le respondió: 'Sí, comandante, tanto la afirmación como la negación de la existencia de Dios son manifestaciones confesionales, contrarias a la laicidad que les imprime la modernidad a las instituciones políticas'." (p. 23)

O que mais me chamou a atenção na história foi a atitude do líder revolucionário Fidel Castro ao responder à pergunta do brasileiro católico, dizendo que nunca havia parado para pensar nisso. O comandante disse que não tinha avaliado a questão sob aquela ótica e que talvez a Revolução estivesse equivocada com relação à Igreja Católica.

A atitude de Fidel Castro é o que se espera de alguém com a responsabilidade de liderar mudanças nas comunidades humanas: estar aberto a ouvir o outro e refletir a respeito de novas ideias e visões sobre as coisas.

Eu me lembrei de quando entrei para o movimento sindical após os trinta anos de idade. De alguma forma, acabei trabalhando minha personalidade para aceitar ouvir as outras pessoas e expor as minhas visões de maneira a tentar construir consensos e caminhos. É o que chamamos de fazer política, de conciliar, de negociar. 

Dei sorte de ter vivido um tempo no qual fazer política era possível. Isso foi antes do fenômeno dos últimos anos, as big techs e as redes sociais que, na minha opinião, fizeram experimentos com os seres humanos, principalmente na última década, e alteraram nossas mentes e nossos comportamentos. 

Somos outras pessoas hoje, nossos cérebros e reações ao mundo exterior mudaram. Sendo seres sem paciência, sem disposição de ouvir e conviver com a diferença, somos animais pouco afetos à política, à concessão e à conciliação sem a guerra.

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CONSEGUIREMOS INTERROMPER O FIM DO MUNDO COM OS HUMANOS QUE TEMOS HOJE?

De pensar em Frei Betto, em Fidel Castro, na República Socialista de Cuba, que enfrenta um embargo criminoso do imperialismo e capitalismo norte-americano, não tem como não interligar as reflexões com a emergência climática...

As consequências climáticas no mundo são consequências da forma como os seres humanos estão ocupando e consumindo os recursos naturais do planeta, são consequências do capitalismo, forma hegemônica de organização humana na Terra.

Estamos vivendo uma extinção em massa das formas de vida na Terra, estamos destruindo de forma acelerada as condições de vida em todos os biomas terrestres e com os humanos da atualidade, alterados nas últimas duas décadas, tenho dúvidas se conseguiremos interromper e alterar a tendência de destruição acelerada do mundo.

O que está acontecendo nestes dias no Rio Grande do Sul é um exemplo do que será comum acontecer em todos os lugares do mundo. Mas se a canalhice dos seres humanos continuar se sobrepondo aos poucos que tentam frear o fim do mundo e a lógica dos poucos humanos que dominam tudo continuar prevalecendo... estaremos todos fodidos.

Até quando vamos aceitar esses canalhas bolsonaristas, essa extrema-direita nojenta, esses bilionários e milionários egoístas de merda, dominarem a pauta e a agenda de nossas vidas com mentiras, com ódio, com manipulação de uma multidão de gente, parte inocente e desinformada, parte vil e adepta da maldade e da coisa errada?

O que está acontecendo no Rio Grande do Sul é um fenômeno de características apocalípticas, mas com causadores humanos e não divinos, é a consequência da barbárie do capitalismo, do chamado Estado mínimo, da ausência de Estado, política implantada pelos governos neoliberais e extremistas de direita. 

O governador do Estado do RS tem todos os dedos e as mãos enfiadas na lama das inundações, e os prefeitos e parlamentares também.

O capitalismo é a barbárie. É o fim da vida na Terra. Mas não esperem que capitalistas e gente desesperada entendam ou reconheçam isso. 

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SOCIALISMO OU BARBÁRIE

Comecei falando de Frei Betto, cristianismo e marxismo...

Terminei falando de apocalipse, capitalismo e barbárie...

Todas as coisas no mundo estão imbricadas, tem tudo a ver uma coisa com a outra. No caso em questão, são caminhos possíveis e antagônicos a seguirmos, ou acabamos com a vida no capitalismo ou seguiremos na Terra lutando contra a lógica do capitalismo.

O capitalismo não é cristão, não pode ser. O apocalipse atual é consequência do capitalismo. O marxismo demonstra as consequências de modos de produção das sociedades. O modo de produção capitalista é devorador da Terra e da vida na Terra. 

Para mim está claro: socialismo ou barbárie!

William


Bibliografia:

BETTO, Frei. Frei Betto, una biografía. Traducción: Esther Pérez. Editorial José Martí, 2016.


segunda-feira, 29 de abril de 2024

Livro: O marxismo ainda é útil? (Frei Betto)



Refeição Cultural

Osasco, 29 de abril de 2024. Segunda-feira.


Conheci Frei Betto pessoalmente em Havana, Cuba, neste ano. Visitei a República Socialista de Cuba pela segunda vez aproveitando a realização no país da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, ocorrida entre os dias 15 e 25 de fevereiro. A viagem foi uma experiência muito instrutiva para mim.

Das diversas oportunidades de novos conhecimentos culturais que tive ao longo de duas semanas, uma delas foi estar em um grupo de viagem cuja organizadora - Telma Araújo - é amiga pessoal do escritor dominicano Frei Betto. Graças a isso, por três dias pude ver palestras, entrevistas e conversar um pouco com essa figura extraordinária.

Ao ouvir as palestras de Frei Betto fiquei com muita vontade de sair lendo diversas obras do intelectual. Lógico que as coisas não são assim tão simples. Leitura engajada requer planejamento. Dos livros que trouxe do escritor dominicano e a biografia sobre ele, li rapidamente esta obra sobre o marxismo, lá em Havana mesmo. E estou lendo a biografia.

A maneira didática na qual nos é apresentada a forma como as sociedades funcionam e os modos de produção das sociedades ao longo da história, dando ênfase aos modos de produção capitalista e socialista é impressionante! Não à toa, a obra foi preparada em meados dos anos oitenta para ser usada na Educação após o fim da ditadura que assolou o país por duas décadas.

Reli o livro entre ontem e hoje para fazer esta postagem: convido leitoras e leitores e lideranças sociais do campo da esquerda e progressistas a lerem o livro sobre o marxismo e trabalharem com o conteúdo nas áreas de formação política dos movimentos populares.

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"Ahora este libro llega a manos de los lectores. Espero que también lo utilicen grupos de educación popular, de trabajo de base, sindicatos y movimientos sociales. Que sirva para despertar una visión crítica de la sociedad capitalista y un protagonismo político progresista, y que contribuya en la formación de militantes adictos a la utopia libertaria."

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Na própria introdução ao livro, Frei Betto explica a origem do texto aos leitores e o porquê de realizar uma edição adaptada em 2019 a partir daquela edição dos anos oitenta - feita para a disciplina escolar de OSPB (Organização Social e Política do Brasil). Livro para se contrapor aos conteúdos que dominaram a disciplina durante os anos de chumbo. 

Minha edição, autografada, é a que trouxe da Feira do Livro de Havana, uma edição mexicana cujos dados econômicos mundiais estão atualizados até 2022.

Amigas e amigos leitores, se eu fosse fazer citações como faço às vezes em postagens sobre livros, teria que citar muita coisa porque Frei Betto tem o dom de aclarar conceitos. É incrível a capacidade comunicativa do jornalista dominicano.

Sugiro a leitura a todes. Garanto que mesmo pessoas que já lidam com os temas abordados na obra ficarão encantadas com a simplicidade da linguagem para falar de coisas complexas como economia, trabalho, modos de produção, mais-valia, organização social e política das sociedades humanas etc.

Enfim, vou avaliar se escolho algumas citações para incluir na postagem ou não. (Post Scriptum: leiam o livro, pessoal, leiam o livro ou leiam Frei Betto. Comecem por seus artigos que já será um bom começo.)

O importante é registrar para vocês a riqueza desta pequena obra sobre a importância do marxismo para a atualidade. (Eita, dei spoiler da resposta ao título do livro...)

Abraços e bons estudos!

William Mendes


Bibliografia:

BETTO, Frei. ¿Todavía es útil el marxismo? - Traducción de Paula Abramo. México, 2022. 

quinta-feira, 28 de março de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 28 de março de 2024. Quinta-feira.


A ÉTICA E A LUTA POR DIREITOS UNIVERSAIS

"Os direitos não são dados da natureza, e sim uma criação humana. Para existirem, devem ser defendidos de ataques." (Pedro Serrano, em CartaCapital, nº 1303)


Direitos não são coisas do mundo natural. São criações do animal humano. A gente não para pra pensar numa coisa até que alguém nos faça pensar a respeito dela.

A frase do advogado e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano, que abre esta reflexão, é essencial para alguém que se pensa de esquerda e humanista! É um alerta para que as pessoas entendam que um direito só existe por ter sido criado antes e só existirá se for defendido pelas gerações seguintes, pois a realidade material e histórica é feita a cada dia, a cada dia.

No mundo animal não existe o direito "gazélico" à vida em relação aos predadores da espécie. Não existe o direito "pombiano" à vida em relação aos gaviões e carcarás. O direito humano à vida é uma criação da espécie humana após milênios de constituição e organização social. E nenhum direito é direito adquirido em certo sentido, porque se não houver luta para a manutenção do direito, vêm novos "predadores" da própria espécie humana e nhac! (nos devoram)

E eu acrescento uma ideia que tenho clareza a cada dia que vivo: a única certeza que temos é que tudo muda o tempo todo, a mudança pode até não ser percebida por causa da temporalidade de algumas mudanças, mas tudo muda... Lembram do ensinamento quando estudantes? Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (Lavoisier)... pois é! É bem isso!

Pensando no conceito do direito a partir da explicação de Pedro Serrano, me lembrei também da palestra de Frei Betto, em Havana, semanas atrás, quando ele explicava conceitos a respeito de moral e ética, e em certo momento ele citou um conceito chamado de "ignorância invencível". 

De forma simples, o que entendi foi que a moral traz questões de cultura e por isso pode variar de acordo com épocas e locais. A ética é um esforço para se universalizar direitos humanos básicos. E a ignorância invencível tem alguma relação com a dificuldade de se alterar uma questão moral que talvez se oponha a questões de ética ou direitos universais que se constroem ao longo do tempo por ser a moral mais prevalente na cultura local.

Enfim, essas reflexões sobre questões morais e éticas, e sobre direitos, se não sensibilizarem as leitoras e leitores do blog, pelo menos já serviram para tocarem a mim mesmo, enquanto pensei sobre elas. 

Como um ser político politizado no movimento sindical, pois fui político que se politizou na prática cotidiana ao longo de uma vida na categoria bancária, ainda hoje sofro as agonias das decisões pessoais sobre o que fazer a cada dia que acordo, mesmo não pertencendo mais aos quadros do movimento ao qual militei.

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A QUESTÃO DO PERTENCIMENTO ÀS DIVERSAS COMUNIDADES IMAGINADAS PELOS SERES HUMANOS

Ouvi a entrevista de Roberto Requião ao Blog do Esmael falando sobre sua saída do Partido dos Trabalhadores, as razões e os porquês. O político paranaense nunca foi um militante histórico do PT, é claro, mas sempre foi um político elogiável, de uma vida pública exemplar, assim como o nosso companheiro Lula, esse sim figura histórica do PT. As críticas que Requião faz ao partido são críticas que muitos de nós, militantes e filiados, fazemos nos debates internos do dia a dia.

Eu vivencio um conflito pessoal já faz algum tempo sobre a questão do pertencimento ou não a determinadas comunidades humanas que de uma forma ou outra me vinculei ao longo de minha existência. A denominação "Comunidades Imaginadas" estou emprestando de Benedict Anderson, que tem um livro com esse nome e com um conteúdo impactante. Avalio que o conceito de Anderson mais as explicações do neurocientista Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano preenchem meu entendimento sobre o que nós somos. Tenho isso muito mais claro hoje.

Ao olhar para trás, faço uma leitura simples de minha vida pregressa. Poderia dizer que a minha conduta moral fui adquirindo na infância e adolescência a partir da família e das comunidades onde me criei. Para o bem e para o mal. A moral dos ambientes onde me aculturei prevaleceu até bem depois dos trinta anos de idade. Foi dessa fase da vida que adquiri valores que tinha à época como intolerâncias e preconceitos. Até pena de morte eu defendia... o poder da cultura e da moral dos ambientes onde me aculturei eram grandes: ideologias.

Dos trinta anos adiante, poderia dizer que tive acesso a uma cultura da ética, foi o período no qual virei dirigente eleito pelos colegas bancários para representá-los numa grande organização social, uma comunidade imaginada pela classe trabalhadora: um sindicato. Foram anos aprendendo política para que a ética prevalecesse sobre valores morais que eu trazia comigo: questões de gênero que eu desconhecia, do direito à vida, respeitar as visões de mundo dos outros, questões de políticas afirmativas etc. 

Seria uma negação falsa tanto do Sindicato e suas diretorias quanto minha se tentássemos esconder que eu sou fruto da formação política do nosso sindicato de bancários, bem como negar que eu tenha deixado minhas contribuições desde 1988 às lutas e conquistas empreendidas por nossa entidade de classe. Sou capaz de lembrar de diversos momentos decisivos em décadas de lutas da categoria, principalmente na corporação dos funcionários do Banco do Brasil, nos quais tive um papel que contribuiu para a reflexão coletiva e o resultado do processo de luta.

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A CASSI, A LUTA POR DIREITOS E A ÉTICA

Quando cheguei eleito pelos trabalhadores da ativa e pelos aposentad@s à diretoria de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil levei algumas semanas para compreender qual seria o meu papel por 4 anos à frente daquela autogestão em saúde. O planejamento estratégico da diretoria, que fizemos em agosto de 2014, foi o meu suporte para enfrentar os desafios que teria pelo caminho.

Eu ocupava uma posição de liderança na comunidade BB em nível nacional. Saí da coordenação da comissão sindical que negociava com o banco, governo e sindicatos para ser gestor da área de saúde de nossa operadora Cassi. De sindicalista generalista em direitos da comunidade BB e do mundo do trabalho, precisei estudar ininterruptamente as questões técnicas do mundo da gestão em saúde. E fiz isso por 4 anos, com jornadas de trabalho duplas e triplas em relação à da categoria bancária. Quase não dormi durante o mandato (*vagabundo?).

Eu tinha objetivos políticos a cumprir definidos pelos sindicatos que me apoiavam e tinha objetivos técnicos e políticos a cumprir pelo planejamento estratégico de nossa diretoria de saúde. 

Pelo lado dos trabalhadores defender a manutenção dos direitos em saúde, não permitindo a quebra da solidariedade no custeio do plano - o que significava evitar o desejo do patrão de impor tabelas de mensalidades maiores por idade e cobrar por dependentes -; não permitir a redução da participação dos associados na gestão da operadora e lutar para que o patrocinador assumisse a sua parte na responsabilidade de injetar novos recursos para reequilibrar as contas da operadora de saúde, que por décadas enfrenta déficits recorrentes a cada período de tempo.

Pelo lado da gestão da diretoria de saúde, eu tinha uma missão desafiadora: apresentar a Cassi e seu modelo de saúde aos atores envolvidos (stakeholders), pois a autogestão era uma desconhecida de seus participantes em nível nacional: assistidos e suas representações, o banco e seus gestores no país, e até os funcionários da Cassi teriam que atuar numa sintonia melhor para proteger e fortalecer a Caixa de Assistência na sua dura missão de usar os recursos para comprar no mercado privado soluções em saúde, sendo o mercado o consumidor de todo o recurso dos associados da operadora. Interesses antagônicos entre Cassi e rede privada de saúde. A Cassi focada em saúde e a rede privada focada em doenças e o lucro que elas geram aos capitalistas. E ainda tinha a judicialização crescente, por incompreensão e por estímulo externo à Cassi.

Além dessa missão de aproximar stakeholders e colocá-los nos mesmos objetivos da Caixa de Assistência, como diretor do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF), forma de Atenção Primária (APS) definida como a ideal na autogestão desde 2001, através de uma estrutura própria de atendimento primário - CliniCassi - e dali para um uso mais adequado da rede credenciada, como diretor responsável eu teria que desenvolver estudos que de alguma forma comprovassem a eficiência do modelo para a direção do banco e do movimento de representação dos associados. Por mais que tenha sido difícil por dificuldades técnicas, nós cumprimos essa missão, com o apoio do corpo funcional da Cassi, e comprovamos a eficiência do modelo.

OBJETIVOS DO PLANEJAMENTO FORAM ALCANÇADOS - Enquanto fui gestor eleito (2014-2018) a solidariedade foi preservada no custeio estatutário, nenhum direito foi retirado dos associados; a Cassi teve uma gestão participativa com 54 conferências de saúde presenciais (estive em 53 delas); estive em dezenas de participações da direção em fóruns democráticos de saúde; a partir de minha busca ao movimento sindical em dezembro de 2014, construímos uma mesa nacional permanente de negociações com o patrocinador para buscar soluções sobre o custeio da Cassi; desenvolvemos estudos técnicos que comprovaram a eficiência da ESF em participantes vinculados ao modelo (cerca de 50 mil assistidos, a maioria com mais comorbidades e que, mesmo assim, usavam melhor a rede credenciada e os recursos da operadora); criamos formas de comunicação importantes como um boletim mensal e mais de 600 matérias em blog que aproximaram stakeholders da direção da Cassi.

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E A ÉTICA? NA POLÍTICA, VALE TUDO?

*Vagabundo? Essa parte das reflexões resume um pouco do subtítulo que trata dos temas Cassi, da luta por direitos e da questão da ética. Mesmo sem discorrer a respeito, é possível que as leitoras e leitores imaginem os percalços que precisei superar para realizar esses objetivos do mandato na autogestão dos trabalhadores do BB.

A cada mês de trabalho, tivemos que superar dúvidas e desconfianças normais do mundo da gestão em saúde e da política, questionamentos por parte dos stakeholders, e também acusações levianas, mentirosas (fake news) que foram usadas como estratégia para impedir o nosso trabalho na defesa daqueles objetivos que enumerei acima.

Poucos meses depois de iniciado o nosso trabalho, duas ex-diretoras da Cassi, de um grupo político à direita no movimento da comunidade BB, publicaram a 1ª agressão a mim insinuando que eu não trabalhava... 

Enquanto eu estudava centenas de textos mensais sobre a Cassi que deliberávamos semanalmente, enquanto eu fazia a gestão das unidades Cassi de minha responsabilidade nos Estados, enquanto eu visitava a direção do banco para construir uma agenda de saúde para os funcionários e enquanto eu diminuía as tensões entre usuários e suas representações e a Cassi, por esta ter dificuldades de rede credenciada e outras realidades de operadoras de saúde - inclusive palestrando em conferências de saúde -, aquelas senhoras de um importante grupo político de direita faziam campanhas nas redes sociais da comunidade dizendo que eu não trabalhava... E minha agenda foi pública do 1º ao último dia de gestão na diretoria de saúde.

Depois, ao final do mandato, inventaram um processo administrativo contra mim baseado em "carta anônima" sem pé nem cabeça, me acusando das mesmas fake news que circulavam nas redes daquele segmento à direita, de que eu não trabalhava blá blá blá. Foram meses de assédio e humilhações em silêncio (dezembro de 2017 a maio de 2018). Nossa defesa desconstruiu todas aquelas mentiras. O processo de lawfare foi usado contra nós nas eleições daquele momento. Os objetivos dos adversários foram alcançados em parte. O efeito político deu certo. O efeito jurídico e civil não deu, pois o processo foi arquivado por não ter prova alguma daquelas mentiras.  

Pois é, uma daquelas senhoras que inventou mentiras a meu respeito acaba de ser eleita gestora da Cassi de novo, com o apoio do meu sindicato de base. A política tem dessas coisas. O meu sindicato nunca mais me chamou para conversar sobre a Caixa de Assistência, autogestão que conheço um pouco mais que a média das pessoas. Não fui chamado sequer como um associado do Sindicato, em tempos nos quais a sindicalização está cada dia menor no mundo sindical. Sobre a Cassi eu não poderia desejar algo diferente que sucesso na gestão porque isso é bom para todos nós da comunidade Banco do Brasil.

Como fui politizado pelo sindicato ao longo de décadas, desde 1988 como trabalhador sindicalizado do Unibanco e por quase trinta anos de trabalhador sindicalizado do Banco do Brasil, tenho a consciência tranquila do papel que desempenhei na defesa dos direitos conquistados pela nossa comunidade e por nossa categoria profissional por cerca de 1/3 da existência do sindicato, que completou cem anos recentemente. 

Como disse na reflexão de abertura, foi no movimento sindical que adquiri ensinamentos éticos mais universais que suplantaram alguns valores morais que tinha de forma equivocada como adulto até uns 30 anos de idade. Sou grato por essa oportunidade que a vida me deu.

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A QUESTÃO DO PERTENCIMENTO A ALGUMA COISA SEGUE MARTELANDO NA MINHA CABEÇA

Experimento sentimentos que não me lembrava mais, a falta de pertencimento a grupos ou comunidades criadas pelos humanos. 

Não que eu não sinta afinidades a determinados grupos ou que não esteja inclusive ligado a eles formalmente. Sou filiado ao PT, sindicalizado e associado a diversas entidades da comunidade BB. 

Voto no PT desde que tirei meu título de eleitor em 1987. Mas a filiação ao partido foi só em 2002 para fortalecer o governo Lula recém-eleito. Meu pertencimento ao movimento sempre foi sindical, bem mais que partidário. 

Com o passar dos anos de representação sindical e com os estudos fui me politizando e me entendendo como alguém de esquerda, como uma pessoa que pensa a sociedade livre do capitalismo e da exploração dos humanos por outros humanos. Essa é minha condição, sou uma pessoa de esquerda. 

Desde que meus conhecimentos praticamente adquiridos em uma vida de representação política passaram a ser desconsiderados pelo meu sindicato de base, berço de minha formação política, me peguei meio perdido e sem rumo por ter saído do movimento da forma mais triste que alguém poderia imaginar, sofrendo um processo injusto de lawfare e assédio moral, sem poder escrever e compartilhar com a base social que me conhecia o que estava acontecendo e antecipando minha saída do banco público para o qual dediquei o melhor de minha vida adulta de forma pouco festiva como costuma acontecer com alguém após uma vida dedicada à empresa.

Preciso virar essa página de minha vida para poder seguir mais um tempinho. Não consegui ainda. Percebo isso. Mas tenho que me libertar desse sentimento ruim, amargo, que me impede de respirar bem sem achar que o mundo é injusto, que o mundo é uma merda, que a política é uma merda, porque minha razão e minha formação ética me fazem crer que a política ainda é a salvação da humanidade, junto com a educação.

Normalmente faço meus textos em duas ou três horas. Esse começou na madrugada e só foi terminar no fim do dia. Não é fácil escolher as palavras para ser o mais cuidadoso possível em não ofender ninguém, mesmo citando detratores que me prejudicaram e se deram bem com isso. Política tem disso, como sabemos.

Chega por hoje. Registro feito. Fecho com as palavras que abriram o texto. Direitos não são dados da natureza. São criações humanas. E devem ser defendidos. História e educação são fundamentais para as novas gerações, inclusive de sindicalistas e militantes de esquerda.

Se fosse fácil, eu já teria me desvinculado dessas décadas de minha história de vida com o sindicato. Não é fácil. 

Tem um episódio marcante da série "Arquivo X" que nunca esqueci. O agente John Dogget foi sequestrado e apagaram a memória dele. Ao final da trama, ele vai tirar satisfação com o bruxo que fez isso. O cara disse que estava fazendo um favor a ele, pois assim ele deixava de sentir a dor que sentia pela morte violenta do filho dele. Dogget olha bem nos olhos do bruxo e diz que ele não tinha o direito de fazer isso, porque aquela lembrança era triste e o fazia sofrer, mas a lembrança era dele! Era a vida dele!

Talvez seja por isso que eu não consigo me desligar da minha vida sindical. Minha história no movimento sindical bancário brasileiro é um direito meu, é a minha vida também.

William


quarta-feira, 6 de março de 2024

Cuba (III)


Frei Betto em Cuba (2024)

Refeição Cultural

Osasco, 6 de março de 2024. Quarta-feira.


Uma das presenças marcantes na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, em Cuba, ocorrida neste mês de fevereiro, foi a de Frei Betto. O intelectual brasileiro tem uma longa história de solidariedade e amizade com Cuba e o povo cubano. Ele é muito querido no país socialista.

Ter estado em uma feira do livro na qual estava presente Frei Betto foi algo marcante. No meu caso específico, aumentou a minha impressão de que sou um homem de sorte, pois ao estar em Cuba com uma amiga do escritor - Telma Araújo -, tive a oportunidade de ouvir duas palestras dele e uma entrevista, além de conversarmos um pouco durante três dias.

Instituto Superior de Relaciones Internacionales
"Raúl Roa García" (ISRI).


Palestra para estudantes de diplomacia

O primeiro contato com essa figura extraordinária foi no Instituto Superior de Relaciones Internacionales "Raúl Roa García" (ISRI), numa palestra que o Frei ministrou para estudantes da carreira diplomática cubana e demais convidados.

O conteúdo da palestra foi inesquecível! Muita aprendizagem. Um conceito belíssimo dito por Frei Betto foi este: "Não tem que tolerar a religião dos outros, tem que respeitar".

Também me marcou o ensinamento de que devemos sempre levar um livro conosco para onde quer que tenhamos que ir, pois mesmo imaginando que não teremos tempo de ler, a gente acaba lendo, e isso fará a diferença em nossas vidas.

Depois o Frei explicou a diferença entre Ética (Universal) e Moral (usos e costumes locais), falou sobre a questão da "Ignorância invencível" e muitos outros conceitos interessantes, inclusive a questão da ética = pathos, e a visão ética de se colocar no lugar dos outros.

Hotel Nacional de Cuba.


Encontro com Frei Betto no Hotel Nacional

Já no segundo encontro com Frei Betto, no Hotel Nacional, ele me presenteou com um livro que havia ganhado e já havia dado uma olhada nele, pois é um livro que fala sobre Cuba e o Frei disse que ao saber que estou estudando a história do país achou que o livro teria mais utilidade comigo. Fomos juntos para a Fortaleza San Carlos de la Cabaña, local da Feira do Livro, pois ele havia convidado Telma para ir de carona consigo.

Foi fácil compreender a doação do livro e o desprendimento do Frei, pois no dia anterior havia ouvido a explicação sobre o desprendimento como uma qualidade nas pessoas. Ernesto Che Guevara e Francisco de Assis foram os exemplos citados na explicação. Francisco de Assis ao fazer a opção pelos artesãos prejudicados pelos teares de seu pai e Che ao abrir mão do conforto e sucesso como herói e ministro de Cuba, e de sua esposa e filhos, para lutar por outros povos explorados, lutar pela revolução mundial.

Talvez depois faça uma postagem com a síntese do que anotei das palestras de Frei Betto aos estudantes da diplomacia cubana e na Feira do Livro.

Frei Betto na 32ª Feira Int. do Livro de Havana.


Palestra de Frei Betto na Feira do Livro de Havana

Num terceiro evento com o Frei Betto, Telma Araújo e eu passamos boa parte do dia com o dominicano. Novamente, pude aprender mais coisas com o mestre ao ouvir uma entrevista dele.

"A pessoa não está navegando na internet, ela está naufragando porque é uma leitura diferente dos livros que têm início, meio e fim" (Frei Betto)

Amigas e amigos leitores, a viagem a Cuba para participar da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana foi uma experiência de provocação intelectual e de muita reflexão. Sempre tive a humildade de confessar minhas imensas lacunas culturais, pois passei boa parte da vida adulta sem tempo para ler tudo que gostaria.

Já estou firme na leitura da biografia
de Frei Betto, com prólogo de Fidel Castro.

Não havia lido ainda um livro de Frei Betto, por exemplo. Mas vejam como nunca é tarde para a leitura e para a busca por novos conhecimentos. Já li o primeiro livro dele ¿Todavía es útil el Marxismo?, que ganhei na Feira do Livro de Havana. 

Aliás, ganhei quatro livros do escritor e vou ler todos eles e comentar aqui no blog, é o mínimo que posso fazer para compartilhar esses novos conhecimentos.

E como os temas e os gostos nos unificam - Cuba, Fidel, Frei Betto, Revolução Cubana, socialismo, leitura de livros, amig@s de esquerda etc - hoje mesmo ganhei um dos livros que mais quero ler de Frei Betto, em espanhol, Fidel e a religião - Conversas com Frei Betto (1985), da amiga e militante Miriam Shibata. Viajamos juntos para Cuba ano passado.

Aliás, falando do grande líder da Revolução Cubana, a biografia de Frei Betto que estou lendo é iniciada com um prólogo dele, Fidel Castro. Um texto pra lá de emocionante!

É isso! Mais uma postagem compartilhando com vocês as novas experiências vividas em Cuba, e convidando cada uma e cada um a conhecer a República Socialista de Cuba e o povo cubano.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior dessa série sobre a minha 2ª viagem a Cuba pode ser lido aqui.


terça-feira, 5 de março de 2024

Cuba (II)




Refeição Cultural

Osasco, 5 de março de 2024. Terça-feira.


A viagem deste ano a Cuba teve como motivo principal a 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, ocorrida entre os dias 15 e 25 de fevereiro, na Fortaleza San Carlos de la Cabaña e em outros pontos da cidade de Havana. Vejam a beleza da fortaleza em algumas fotos que fiz em 2023: aqui.

Fortaleza San Carlos de la Cabaña.

Fui a Havana através de um grupo de brasileiras e brasileiros organizado por Telma Araújo, uma militante do Movimento de Solidariedade a Cuba, e uma organizadora das brigadas brasileiras a Cuba com décadas de experiência. Durante oito dias ficamos no Hotel Copacabana em Havana e viajamos até a cidade de Trinidad, passando um dos dias na cidade de Cienfuegos.

Nosso grupo solidário a Cuba.

Nosso grupo organizado por Telma Araújo esteve em Cuba com o suporte de um pacote organizado pelo Icap - Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos -, e a Amistur é a agência de viagem que nos auxilia durante a estadia no país. Cada um comprou suas passagens de ida e volta, e providenciou a documentação e o restante ficou por conta do pacote. Foi tudo excelente!

Sede do Icap em Havana.

Para vocês terem uma ideia do quanto é recomendável viajar a Cuba por uma alternativa como esta - pacotes organizados pelo Icap/Amistur - no valor que se paga (cerca de mil dólares) estão incluídas todas as refeições - café, almoço e janta -, hospedagens em hotéis, e também os traslados para todos os eventos e lugares, a busca e o retorno ao aeroporto. Neste pacote, tivemos crachás para entrada livre na Feira do livro e em todos os eventos ligados a ela.

Sede da Amistur em Havana.

Amistur - Misión: Captar y emitir hacia Cuba visitantes, grupos de turismo sociopolíticos y brigadas de solidariedad procedentes de todo el mundo, a través del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, Asociaciones de Amistad y la red de turoperadores de la Agencia, para mostrar directamente la realidad cubana, brindándoles un servicio receptivo de excelencia y una asistencia personalizada, que garanticen su más alta satisfacción, con el máximo de eficiencia, alcanzando un crecimiento sostenido de la operación del destino Cuba.

Hotel Copacabana: área das piscinas.

Quero registrar a vocês que a experiência deste ano se soma à experiência do ano passado, e ambas foram muito satisfatórias e não tivemos nenhum contratempo durante as duas semanas em Cuba. Em 2023, o passeio foi bastante diferente. Ficamos em casas de famílias cubanas - nossa base para tudo foi a Casa de Isabel - e com as informações e suporte da professora Maria Leite, grande intelectual e estudiosa sobre a pedagogia e a história de Cuba.

Casa de Isabel, ao lado do Capitólio.

Ou seja, posso dar o testemunho a vocês, amigas e amigos do blog, que são várias as maneiras de realizar o sonho de conhecer Cuba e o povo cubano, um povo alegre, inteligente e criativo, que ousou enfrentar os imperialismos desde o período colonial e ainda hoje luta com dignidade e criatividade para solucionarem os problemas da Ilha, que sofre há mais de seis décadas um embargo econômico criminoso e assassino por parte dos Estados Unidos da América.

Com Isabel, Luis e Telma.

Após o período do pacote do Icap/Amistur com todas as facilidades para passarmos 8 dias em Cuba com foco na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, fiquei mais alguns dias na Casa de Isabel, onde sempre os brasileiros e brasileiras são acolhidos com carinho e têm à disposição o apoio logístico de Isabel e Luis para fazer passeios e viagens por toda a Ilha.

Palestra de Maria Leite sobre
o livro Cuba Insurgente.

O pacote que fizemos era até o dia 22 de fevereiro e como a Feira do Livro iria até o dia 25, pude aproveitar até o último dia as atrações diversas que faziam parte do evento cultural. Foi assim que pude ver apresentações musicais em teatros ao longo do período em Havana.

Frei Betto e Ailton Krenak.

Nas próximas postagens, vou contando um pouco a vocês as experiências extraordinárias de estar ao lado e acompanhar eventos com intelectuais brasileiras e brasileiros como Conceição Evaristo, Frei Betto, Ailton Krenak, Emicida e a professora Maria Leite, cujo livro Cuba Insurgente: identidade e educação (2023) foi um dos materiais que mais me ensinaram sobre Cuba até o momento.

Conceição Evaristo e Emicida.

Abraços e não percam tempo, se desejam conhecer Cuba, organizem suas viagens para lá. As experiências que trazemos de lá são diferentes das que estamos acostumados ao visitar outros países capitalistas como o nosso.

William Mendes


Post Scriptum: o primeiro texto desta nova série sobre Cuba pode ser lido aqui.