Mostrando postagens com marcador Clint Eastwood. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clint Eastwood. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Vendo filmes (IX)



Refeição Cultural

Filmes que me fizeram refletir sobre o comportamento humano e que me deixaram em alerta sobre o presente e o futuro da sociedade humana e do planeta Terra.

Um dos filmes está em cartaz e assisti no cinema, dirigido por Martin Scorsese, sobre a história de assassinatos e manipulações do povo indígena Osage na região de Oklahoma, EUA, no início do século vinte.

O outro filme é do final da primeira década dos anos dois mil, dirigido por Clint Eastwood, e retrata um dos momentos da vida de Nelson Mandela, já liberto e eleito presidente da África do Sul.

Por fim, um filme do início do século, dirigido por Steven Spielberg, sobre um jovem norte-americano que acabou virando um dos maiores falsários e estelionatários dos Estados Unidos, e sua perseguição pelo FBI.

Os três filmes são baseados em fatos reais. Eu gostei de todos eles.

---

FILMES

Assassinos da Lua das Flores (2023) - Direção: Martin Scorsese. Com Robert De Niro (interpreta o poderoso "político" William Hale), Leonardo DiCaprio (interpreta Ernest Burkhart, sobrinho de Hale) e Lily Gladstone (no papel da osage Mollie Kile). O filme é baseado numa história real dos anos 1920, em Oklahoma, história relatada em um livro de David Grann. Os indígenas da etnia Osage descobrem petróleo em suas terras e a partir daí os brancos farão de tudo para se apropriarem do ouro negro e das terras indígenas.

COMENTÁRIO: Assistimos ao filme no cinema e a história é tão envolvente que nem percebemos as mais de 3 horas de duração da sessão. A cada novo filme sobre a história dos norte-americanos e a essência do que seria a "América", mais me convenço do quanto os Estados Unidos não são referência alguma para a sociedade humana que vislumbro no planeta Terra. Senti a mesma coisa ao assistir ao filme de Scorsese O irlandês (comentário aqui). 

A violência no trato com o outro e a xenofobia, o desprezo pela vida humana e o foco absoluto na acumulação de propriedades ao invés de valorização dos seres humanos são bases sólidas da cultura norte-americana. Para aquele povo ou a maioria dele, tudo tem seu preço, tudo. Fiquei pensando na violência dramática que nós brancos invasores praticamos ao contatar povos originários em qualquer lugar do mundo. Triste demais o enredo do filme, principalmente porque sabemos que o genocídio de indígenas se deu ao longo de séculos de invasões. A direção de Scorsese é sensacional e as interpretações de DiCaprio, De Niro e Gladstone estão excelentes, dignas de premiação.

---

Invictus (2009) - Direção: Clint Eastwood. Com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon no papel do jogador de Rúgbi François Pienaar. Com o fim do regime racial do Apartheid, com eleições nacionais incluindo a participação de todos - brancos e negros -, a África do Sul elege Nelson Mandela presidente da república. O líder sul-africano enfrenta uma situação de crise em todas as áreas do país, incluídas as áreas econômica, política e social, e o racismo segue alimentando o ódio entre brancos e negros. Mandela vê no Rúgbi, um esporte nacional, uma oportunidade para unificar o país e quebrar a barreira racial do povo sul-africano.

COMENTÁRIO: Demorei para ver esse filme. Confesso que assistir em 2023 a esse filme que nos apresenta uma história real de Mandela me fez sentir um aperto no coração, me deixou emocionado e chorei algumas vezes. Por que? Além de ter lido a autobiografia de Mandela e passar a conhecer com mais detalhes a vida e a luta de Madiba e do povo negro sul-africano reunido através do Congresso Nacional Africano (CNA), avalio que homens pacifistas como Mandela, Gandhi e Lula, ainda vivo e maior estadista global, não teriam ou têm, no caso de Lula, espaço num mundo de humanos surdos e robotizados pela mudança de comportamento mental ocorrida nas últimas duas décadas pelas máquinas de redes sociais e suas parafernálias algorítmicas usadas em escala global para alterar o comportamento da espécie humana. 

Com a mudança de comportamento humano, o diálogo e a política que fizemos por milênios, ou pelo menos por séculos - que só ocorrem com humanos que ouvem, que se toleram, que estão abertos ao convencimento -, vão se esgotando. As relações humanas tendem a acabar, as amizades, o amor, a solidariedade, os sentimentos nobres. 

Ao não sabermos mais conviver com a divergência, voltamos a ser como os animais selvagens na natureza. Os tempos de destruição do cérebro humano são os tempos de canalhas e sofistas manipuladores de gentes ignorantes e abobalhadas, são tempos de trumps, bolsonaros e outros vigaristas como aquele que está disputando as eleições na Argentina neste fim de semana... muito triste tudo isso, vermos o fim de figuras como Mandela e Lula (algum tempo adiante) e não termos reposição de humanos como esses.

---

Prenda-me se for capaz (2002) - Direção: Steven Spielberg. Com Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken e demais elenco. O agente do FBI Carl Hanratty (Hanks) persegue de forma obsessiva o vigarista Frank Abagnale Jr (DiCaprio) para colocá-lo atrás das grades. O rapaz é muito esperto e sempre passa a perna no agente do FBI.

COMENTÁRIO: É mais um filme baseado em fatos reais ocorridos nos anos sessenta nos EUA. Achei interessante relembrar como funcionavam os bancos e as formas de pagamento naquela época. O rapaz estelionatário, além de se passar por profissões complexas sem saber nada sobre elas - copiloto de avião, médico pediatra e advogado -, falsificava cheques como ninguém. 

Me lembrei do trabalho de bancário nos anos oitenta e noventa. Nós fazíamos cursos para conhecer sobre assinaturas, sobre formas de falsificar cheques e dinheiro etc. No filme, Frank passava cheques em tudo quanto é lugar sabendo até quanto tempo se demorava para compensar o cheque e descobrir que ele era falso. Nós caixas dos anos noventa tínhamos que saber até se o local de emissão do cheque (a praça) era feriado ou não porque isso influenciava em quantos dias o cheque seria pago ao recebedor daquela ordem de pagamento.

Gostei do filme. O jovem DiCaprio interpreta muito bem os papéis que representa desde quando era garoto.

---

As sugestões anteriores sobre filmes podem ser lidas aqui.

É isso! Reflexões culturais compartilhadas.

Abraços aos leitores e leitoras!

William Mendes


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xenofobia, intolerância e as guerras

Refeição Cultural 60


Fonte: Wikipedia
(atualizado maio/2012)


No feriado de finados do Brasil (2010, pós eleição de Dilma Rousseff), assisti aos dois filmes de Clint Eastwood sobre a batalha da segunda guerra mundial pela disputa da ilha Iwo Jima no pacífico entre americanos - os Aliados - e os japoneses - o Eixo.


São dois excelentes filmes: A conquista da honra - Flags of our fathers - e Cartas de Iwo Jima - letters from Iwo Jima -, ambos de 2006.


Foram mais de 5 horas em frente à tv vendo o ponto de vista dos japoneses e o ponto de vista dos americanos sobre a mesma batalha. Clint Eastwood é fantástico!


Fonte: Wikipedia
Sou contrário às guerras, sou contrário à mortandade humana a troco de não se resolver as diferenças através da diplomacia e do diálogo com respeito e tolerância.


Estava pensando em escrever várias reflexões sobre as formas de mudar o mundo através das revoluções e guerras (civis ou entre países) ou através da democracia e do voto e participação popular nas decisões dos rumos dos Estados soberanos.


Pela manhã (2010, após eleição de Dilma Rousseff), vi um vídeo que coleta o que vários jovens de classe média alta (em tese paulistas ou "do sul") publicaram na internet em redes sociais após a eleição para a presidência da República do Brasil de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores. Fiquei chocado e sem palavras para discutir tanta intolerância e ódio de classe em nossa juventude brasileira. (O VÍDEO FOI RETIRADO)


Anexei um vídeo abaixo que faz referência à estudante que liderou o ódio contra os nordestinos. Deixo com os leitores a indigestão cultural da frase dela em relação aos nossos irmãos do norte. 


Caso não consigamos mudar muito essa juventude, estaremos colhendo amanhã novas guerras sanguinárias, guerras tanto civis quanto mundiais.




COMENTÁRIO EM 2012


A estudante de direito Mayara Petruso foi condenada em maio de 2012 por ofensas racistas. Ela prestará serviços à comunidade e pagará multa de R$ 620, bem como indenização de R$ 500 por danos à sociedade.


Lendo a matéria do Renato Rovai, eu soube que na decisão a juíza que julgou o caso lembrou as graves consequências que o ato da garota trouxe a ela mesma, pois perdeu o emprego, deixou a faculdade de direito e passou seis meses reclusa em sua casa com medo de sair à rua. Todas essas consequências já são difíceis e graves para garota na idade dela.


http://www.revistaforum.com.br/blog/2012/05/17/mayara-petruso-denunciada-aqui-e-condenada-por-ofensas-racistas/comment-page-1/#comment-40379