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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Livro: Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana - Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Até recentemente, coisa de quatro anos, eu desconhecia a história de Cuba e do povo cubano. Quer dizer, eu tinha as noções que um militante de esquerda tem. 

Em linhas gerais, sabia o que se ouve dizer sobre a ilha socialista, mas o que se ouve sobre Cuba raramente coincide com o que houve em Cuba. A História...

Todo mundo sabe mais ou menos que houve uma Revolução em Cuba, que um exército rebelde de revolucionários barbudos liderados por Fidel Castro, nos anos cinquenta do século XX, derrotou e colocou pra correr um ditadorzinho de merda da ilha, um tal Fulgencio Batista. 

O mundo inteiro conhece ou já ouviu falar de Ernesto Che Guevara, um médico de origem argentina, um revolucionário, que integrou o exército rebelde que libertou Cuba da ditadura de Batista, o ditador financiado pelos Estados Unidos. 

VAI PRA CUBA!

Em 2022, quando vi uma amiga do Banco do Brasil organizando um grupo para ir a Cuba, me interessei e decidi me integrar ao grupo. Foi assim que meu filho e eu conhecemos Cuba pela primeira vez, em um grupo organizado por Miriam Shibata. Passamos o 1° de maio de 2023 na ilha socialista. Foi inesquecível!

Até aquele momento, nunca tinha focado ler sobre a Revolução Cubana e a história do povo cubano. Tinha lido um livro sobre a amizade de Fidel Castro e Che Guevara (ler um comentário aqui), presente de um amigo secreto em um curso de formação. 

Ao me preparar para ir a Cuba, passei a ler mais sobre o tema e segui estudando após a primeira ida ao país. Redescobri José Martí, que havia lido na graduação de Letras (comentário aqui sobre Nuestra América). Li o documento do próprio Comandante Fidel se defendendo no julgamento de cartas marcadas após o assalto ao Quartel Moncada (ler aqui).

Antes de embarcar para Cuba pela primeira vez, li o livro de Fernando Morais, A Ilha (postagem aqui), leitura que foi muito importante para mim. Depois que voltei, li o livro da professora Maria Leite, Cuba Insurgente (comentário aqui), um estudo essencial para compreender a pedagogia no país socialista. 

Enfim, nos últimos quatro anos, fui a Cuba três vezes. Já li alguns livros e estudos sobre a Revolução Cubana e a luta da população da ilha pela independência e autonomia do país e pela liberdade de decidir sobre seu destino.

A QUESTÃO DA TERRA E MORADIA 

O livro de Aline Marcondes Miglioli "Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana" (2024), um estudo feito para sua tese de graduação superior, contribuiu muito para minha compreensão sobre o tema. 

De certa maneira, o estudo de Aline me permitiu refletir bastante sobre a questão do direito humano à terra e à moradia em Cuba, ao longo dessas quase sete décadas de experiência socialista. Mas aprendi também sobre outras temáticas. 

Aprendi sobre a questão da Renda da Terra, a partir da referência em "O Capital", de Karl Marx. Aprendi sobre a história fundiária em Cuba antes da Revolução. 

Aprender sobre a estratégia da indústria do turismo como a conhecemos hoje, uma estratégia do capitalismo para lidar com as crises de sobre-acumulação de capital (Capítulo três) não me permite olhar o turismo da mesma forma nunca mais...

Enfim, terminei a leitura. Valeu muito a pena! E confesso que foi difícil ler o estudo da autora, o tema foi denso e a leitura lenta. A fonte pequena maltratou meus olhos (risos). Talvez uma forma de reduzir algumas dezenas de páginas, e sei o quanto está caro editar um livro hoje em dia. Aprendi muito!

Conheci o livro de Aline no ano passado (2025), quando li o capítulo seis (ler fichamento aqui) em um curso de extensão universitária chamado "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado pelo IBEC, Unesp e demais parcerias. Aline foi uma das professoras do curso. 

A cada conhecimento novo sobre Cuba e o povo cubano, mais admiração tenho por aquela gente libertária, inteligente, criativa e que merece nosso apoio em sua luta pelo fim do bloqueio e interferência norte-americana na vida do país. 

É isso. Viva Cuba e o povo altivo e querido da ilha caribenha. 

William 

08/05/26

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Livro: Fidel Castro, comandante invicto - Norberto Escalona Rodríguez



Refeição Cultural

LITERATURA E HISTÓRIA


"Havia muitos guardas mortos, e me lembro de uma frase de Fidel que me comoveu muito. Quando percorria o campo de batalha, alguns companheiros zombavam dos cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos, por conta da dinâmica do combate, dizendo coisas ofensivas. O Comandante em Chefe os ouviu e mandou que se calassem. Depois, disse algo mais ou menos assim: 'Estamos em uma guerra, onde eles estão errados e vêm nos combater, e temos de matá-los. Mas não se esqueçam de que são cubanos como nós, mesmo que não tenham razão'. Ele não permitiu que os companheiros desonrassem os inimigos mortos. Aquele gesto de humanidade nos impactou a todos." (Ada Bella, depoimento de uma das Marianas, p. 252)


Finalizei emocionado a leitura do livro Fidel Castro, comandante invicto: Serra Maestra pelo Quinteto Rebelde e Batalhão das Marianas. O momento no qual nos encontramos é de muita apreensão por causa do sofrimento imposto ao povo cubano por parte dos Estados Unidos e o bloqueio criminoso que vigora há mais de seis décadas - desde 1962 -, bloqueio recrudescido por Trump no período atual.

O livro tem um prefácio importante e esclarecedor de Beto Almeida, que engrandece o trabalho de pesquisa, entrevistas e organização da história da Revolução Cubana feito pelo jornalista e escritor Norberto Escalona Rodríguez. A tradução foi feita pela professora Maria Leite, especialista na área da educação em Cuba.

Tive a oportunidade de conhecer Cuba em duas visitas que fiz à ilha caribenha em 2023 e 2024. Foram experiências inesquecíveis e eu deixo a sugestão aos leitores e leitoras que se interessam pelas causas populares organizarem-se para visitar e conhecer pessoalmente o país e o povo cubano. 

Cuba é um dos raros países do mundo com poucos recursos que garante os três principais direitos humanos de forma gratuita ao povo: alimentação, saúde e educação. Isso graças à opção pelo socialismo.

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"Da relação do quinteto com o Exército Rebelde, surge o próprio nome do grupo e a ideia de usar melodias populares cubanas, como o famoso bolero La Barca, dotando-o de outra letra, com conteúdo sintonizado com a luta de libertação, com mensagens patrióticas, visando elevar o moral revolucionário." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 14/15)


Norberto Escalona nos apresenta as histórias humanas dos músicos convocados pelos rebeldes para participarem da luta de libertação tocando e cantando através da Rádio Rebelde, cravada no meio da Serra Maestra. Os músicos criavam letras com as temáticas da guerrilha e os alto-falantes da rádio levavam suas mensagens até os soldados do ditador Batista. 

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"As jovens camponesas também foram incorporadas aos serviços de saúde, cuidavam dos feridos, ou trabalhavam na cozinha, ou buscando alimento na própria Serra. Também cumpriam funções muito arriscadas, como negociadoras com comandos do exército da ditadura, como é o caso de Teté, que com 16 anos desceu desarmada da Serra, com uma bandeirinha branca, enviada por Che a uma missão de negociar a libertação de feridos prisioneiros. E Teté assumiu a missão, mesmo sabendo que podia ser assassinada, como a advertiu o próprio Che. O próprio fato de ser uma mulher a negociadora já tinha efeito desmoralizador sobre o exército da ditadura." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 13)


As histórias das jovens revolucionárias que foram para a Serra Maestra com o desejo de contribuir com a guerrilha para libertar suas famílias e o povo cubano das barbáries dos soldados do ditador Batista é pra lá de emocionante, é de nos encher de orgulho e esperança na capacidade de resistência e luta das mulheres, tantas vezes oprimidas e vítimas de um mundo machista e sexista.

Amigas e amigos leitores, os tempos são desafiadores. Diria que os tempos sempre foram difíceis e desafiadores para nós que não pertencemos ao pequeno grupo das elites da classe dominante do mundo. Para nós do povo, a vida é luta todos os dias.

O povo cubano é um dos maiores exemplos do mundo e da história das sociedades humanas de que lutar por sua liberdade e independência vale a pena, vale a vida, vale o esforço para se manter soberano, livre e decidindo por conta própria o destino.

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FIDEL CASTRO

"Não se pode negar o quanto Fidel sempre foi visionário. Ele tem algo que eu chamo de 'anjo', porque é muito previdente. Ele já sabia que faltava pouco tempo para o fim da guerra. Queria reivindicar o papel da mulher cubana, não o nosso em particular, por estarmos ali, embora fôssemos privilegiadas por estar mais próximas. Era desrespeitoso o que alguns homens diziam sobre as mulheres. Mas ele estava completamente certo de que cumpriríamos com nosso dever. Porque quem estava na Serra, independentemente do nível de instrução, tinha princípios e, de uma forma ou outra, havia sentido os rigores da ditadura." (Lilia Rielo, do Batalhão das Marianas, p. 209)


A postura do líder revolucionário Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz é um exemplo extraordinário para todos nós que lutamos por um mundo diferente deste no qual estamos, hegemonizado pelos valores do capitalismo - exploração dos seres humanos e da natureza e acumulação de lucros a qualquer custo -, uma sociedade sem ética, sem preocupação com o meio ambiente, sem justiça, sem igualdade, sem oportunidades para todas as pessoas.

Ao conversar com a população cubana, nas duas visitas que fiz à ilha caribenha, pude perceber o quanto o povo ama Fidel e o tem como referência de ser humano e líder.

Enfim, leitura essencial o livro de Norberto Escalona Rodríguez. Quanto mais conheço sobre Cuba e seu povo incrível, mais quero conhecer.

Em breve, estarei na ilha pela terceira vez, levando meu apoio e solidariedade aos nossos irmãos e irmãs cubanos.

William Mendes

18/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Norberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Instantes (12h04) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS 

"Enquanto eu estive em El Hombrito, aconteceu o combate de Mar Verde, quando morreu Ciro Redondo. Quando o Che retornou, se reuniu conosco para informar sobre os resultados da ação. Quando falou dos companheiros caídos, escorreram lágrimas dos seus olhos, e isso me impactou profundamente, porque um grande guerreiro era capaz de chorar de emoção diante de uma perda tão dolorosa." (Teté Puebla, em citação no livro Fidel Castro Comandante Invicto, de Norberto Escalona Rodríguez, p. 151, Projeto Cultural Nossa América, 2025)


Ler os relatos e as histórias dos homens e mulheres que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista, ditadura apoiada pelos Estados Unidos em meados do século XX, é um estímulo a todas as pessoas que militam nas causas libertárias dos povos oprimidos e explorados do mundo.

A libertação de Cuba foi realizada por pessoas comuns como eu e vocês que me leem. Pessoas comuns lideradas por grandes seres humanos como Fidel e Raúl Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Celia Sánchez e seus companheiros de luta.

Cuba e seu povo aguerrido enfrentam neste momento de sua história momentos difíceis para seguirem livres e soberanos. A maior potência bélica e terrorista do mundo sufoca o povo cubano neste momento com o bloqueio total à ilha. Os EUA querem matar de fome e miséria o povo cubano. 

Estamos todos convocados a apoiar a população da República Socialista de Cuba na luta por sua sobrevivência, liberdade e soberania. Apoiem com recursos financeiros as entidades que estão arrecadando contribuições para comprar e enviar medicamentos e outros itens básicos a Cuba como, por exemplo, o MST.

E se organizem para ir a Cuba, o turismo é uma fonte de recursos central para o governo manter de forma gratuita para o povo os três direitos humanos principais: alimentação, saúde e educação. 

Em breve, estarei em Cuba pela terceira vez, apoiando o governo e o povo cubano. 

William 

12/02/26

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Livro: Cachorro Velho - Teresa Cárdenas



Refeição Cultural 

Abril de 2025


"Até parecia que todos queriam lhe tirar alguma coisa: o senhor o arrebatara à sua mãe; o fogo levara Aroni, a contadora de histórias; sua memória perdia pedaços de Ulundi; o vento lhe roubara a manta e o chapéu; e agora a vida ou a morte, ainda não sabia ao certo, estava lhe tirando pouco a pouco os sentidos. Nesse passo, não levaria para o além nada que prestasse. Mas também, no lugar para onde iria, nada lhe faria falta." (Cachorro Velho, Teresa Cárdenas, 2021, p. 100)


Que história! Que retrato da nossa história! Somos todos nós descendentes da invasão ("colonização") europeia violenta, genocida e bárbara!

Na gênese dos povos das Américas e Caribe existe um passado comum, uma espécie de pecado original: a escravidão. 

A origem de nossas comunidades atuais está marcada com o sangue, o suor e as lágrimas dos povos africanos sequestrados e seus afrodescententes escravizados.

A escritora cubana Teresa Cárdenas é muito habilidosa na sua técnica narrativa. O livro Cachorro Velho (2006) é envolvente da primeira à última página. Difícil largar a leitura antes do fim.

A história de Cachorro Velho, de Beira, Aísa e todas as pessoas escravizadas naquela Cuba do século XIX é duríssima, é de cortar o coração dos leitores.

Livro indispensável nos tempos atuais. História comovente.

Ganhei o livro de presente de aniversário de esposa e filho.

Recomendo muito a leitura.

William 

 

domingo, 19 de janeiro de 2025

Livro: Ismaelillo - José Martí



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025


“Así mis pensamientos

Rebosan en mí vívidos,

Y en crespa espuma de oro

Besan tus pies sumisos,

O en fúlgidos penachos

De varios tintes ricos,

Se mecen y se inclinan

Cuando tú pasas—hijo!”

(Do poema "Penachos vívidos")


A leitura do primeiro livro de poesia de José Martí, dedicado a seu filho pequeno, apelidado de Ismaelillo, nos mostra um homem extremamente amoroso. Estamos falando de um combatente revolucionário, Apóstolo da Independência de Cuba. 

Eu ainda não conhecia uma obra literária e poética inteira dedicada a um filho pequeno. Achei os poemas belíssimos, amorosos, que expõem o humanista por trás do libertador de Cuba e dos povos escravizados. 

A primeira mensagem de crença no melhoramento das pessoas e num futuro melhor para a humanidade diz tudo sobre Martí:

“Hijo: 

Espantado de todo, me refugio en ti. 

Tengo fe en el mejoramiento humano, en la vida futura, en la utilidad de la virtud, y en ti. 

Si alguien te dice que estas páginas se parecen a otras páginas, diles que te amo demasiado para profanarte así. Tal como aquí te pinto, tal te han visto mis ojos. Con esos arreos de gala te me has aparecido. Cuando he cesado de verte en una forma, he cesado de pintarte. Esos riachuelos han pasado por mi corazón. 

¡Lleguen al tuyo! 

              [Nueva York, 1882]”


Fui encontrar essa crença na educação, na ciência e na solidariedade como bases para melhorar a sociedade humana em pessoas como Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Paulo Freire, por exemplo. 

Conheci algo mais.

(No momento em que escrevo, estou descrente de um mundo com humanos melhores, e pior ainda sobre a nossa Terra devastada)

Obrigado, José Martí!

William 


Bibliografia:

(de “Martí en su universo (Edición conmemorativa de la RAE y la ASALE): Una antología [Spanish Edition] por José Martí)


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (47) - Mi caballero, José Martí



MI CABALLERO - JOSÉ MARTÍ


Por las mañanas

Mi pequeñuelo 

Me despertaba

Con un gran beso.

Puesto a horcajadas

Sobre mi pecho,

Bridas forjaba

Con mis cabellos.

Ebrio él de gozo,

De gozo yo ebrio,

Me espoleaba

Mi caballero: 

¡Qué suave espuela

Sus dos pies frescos!

¡Cómo reía 

Mi jinetuelo!

Y yo besaba

Sus pies pequeños,

Dos pies que caben

En solo un beso!


Do livro Ismaelillo, de 1882.

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COMENTÁRIO:

Hoje li o livro de versos de José Martí dedicado ao seu filho, que tinha por apelido Ismaelillo.

Durante a semana, fiquei vendo algumas crianças brincando na colônia de férias dos professores e pensei um pouco nas crianças em seu universo.

Cada criança é única. E com um pouco de reflexão não é difícil perceber como são diferentes umas das outras. Cada criança é um universo de possibilidades. E todas elas devem ser respeitadas em suas características individuais. 

A questão central na formação das crianças são as oportunidades, os estímulos, o ambiente onde se desenvolvem e o amor que é dado a elas. Além, é claro, da educação!

O poema que escolhi é de um grande educador, José Martí. Aqui, ele verseja momentos de amor com seu pequeno filho. 

José Martí, por suas ideias e por suas práticas, se tornou o Apóstolo da Independência de Cuba, sua pátria querida. Ele nos legou uma vasta obra com pensamentos sobre diversas áreas do conhecimento humano. 


William 


Bibliografia:

(de “Martí en su universo - Edición conmemorativa de la RAE y la ASALE: Una antología [Spanish Edition]” por José Martí)


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Livro: ¿Por qué la Revolución Cubana? - Org. Juan Carlos R. Cruz



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025

Aniversário 66 da Revolução Cubana

1° de janeiro de 2025. Quarta-feira.


"EL OTRO

Nosotros, los sobrevivientes,

¿A quiénes debemos la sobrevida?

¿Quién se murió por mí en la ergástula?

¿Quién recibió la bala mía,

La para mí, en su corazón?

¿Sobre qué muerto estoy yo vivo,

Sus huesos quedando en los míos,

Los ojos que le arrancaron, viendo

Por la mirada de mi cara,

Y la mano que no es su mano,

Que no es ya tampoco la mía,

Escribiendo palabras rotas

Donde él no está, en la sobrevida?"

(Enero 1ro, 1959. Roberto Fernández Retamar. Poeta y ensayista)


Estive em Cuba nos últimos dois anos: em 2023, para participar do 1° de maio e, em 2024, para participar da Feira do Livro de Havana. Foram semanas de muita aprendizagem e refeições culturais diárias. 

Da primeira viagem, trouxe mais de uma dezena de livros. Estou lendo eles aos poucos. 

A segunda viagem foi um complemento da primeira, em relação à experiência cultural. 

Trouxe menos livros na última vez e também estou lendo alguns deles na medida do possível. 

O livro citado abaixo tem boa parte de seus textos baseados no clássico de Fidel Castro "A história me absolverá" e também em matérias jornalísticas da "Revista Bohemia" e outras publicações importantes do país.

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¿POR QUÉ LA REVOLUCIÓN CUBANA?

Na Feira do Livro de Havana, um livro de imagens me chamou a atenção, uma edição bonita, um material que no Brasil custaria muito caro.

Comprei o livro por um valor simbólico, alguns reais: "¿Por qué la Revolución Cubana? - La verdadera historia de la dictadura de Fulgencio Batista" (2021).

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ALICIA ALONSO

Tem uma parte no livro que nos conta a postura firme da bailarina Alicia Alonso nos anos cinquenta, período da ditadura de Batista, ao enfrentar o regime que atuava como todo regime fascista atua, ou seja, para acabar com todas as formas de cultura do povo cubano.

Alicia enfrentou com postura firme o ditador e seus militares brucutus. Ela teve que se exilar do país, voltando assim que a Revolução triunfou em 1959. 

Por isso, REVOLUÇÃO!

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ANTES DA REVOLUÇÃO, CUBA ERA UM PAÍS-CASSINO

Ao longo de décadas, durante toda a primeira metade do século 20, os Estados Unidos e a elite cubana transformaram Cuba num cassino a céu aberto.

Enquanto a miséria atingia 90% da população do país, a máfia controlava os jogos na ilha, e a propina era distribuída de forma sistemática, chegando até o palácio presidencial. 

O desemprego era absurdo, e o desespero e a fome faziam o povo sonhar com um prêmio que nunca viria para todos em jogos de azar. O jogo sugava os recursos da população em favor da máfia e dos políticos. 

Por isso, REVOLUÇÃO!

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UM POVO SEM ACESSO A EDUCAÇÃO 

Antes da Revolução Cubana, mais de 550 mil crianças de 6 a 14 anos não tinham acesso às escolas, quase a metade do total no país, segundo o censo de 1953.

"... Lo inconcebible es que el treinta por ciento de nuestros campesinos no sepa firmar, y el noventa y nueve por ciento no sepa historia de Cuba" (Fidel Castro, La historia me absolverá)

Por isso, REVOLUÇÃO!

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APÓS TRIUNFO DA REVOLUÇÃO, MUDANÇAS BENEFICIAM O POVO

1959 foi um ano de grandes mudanças em benefício do povo cubano.

Uma parte muito legal no livro é a que vai descrevendo mês a mês, conquista a conquista, os decretos e leis que vão sendo editados com as mudanças e reformas institucionais para garantir direitos ao povo cubano. 

É assim a Reforma Agrária, a política de erradicação do analfabetismo, a redução dos preços dos alimentos e dos aluguéis etc.

Dezenas de quartéis do antigo regime repressor de Batista se transformam em escolas e universidades como, por exemplo, o Quartel Moncada. 

"Imposible derribar un gobierno que convierte las fortalezas en escuelas" (Fidel Castro)

Por isso, REVOLUÇÃO!

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Viva a Revolução Cubana! Viva o povo cubano!

Comemoremos esta data tão importante para nós que sonhamos com um mundo livre do capitalismo e seus efeitos nefastos. 

Viva o 1° de janeiro de 1959, o dia da libertação do povo cubano. 

William Mendes 


Bibliografia:

¿Por qué la Revolución Cubana? La verdadera historia de la dictadura de Fulgencio Batista. Selección, organización de textos y fotografías de Lic. Juan Carlos Rodríguez Cruz. Editorial Capitán San Luis. La Habana, 2021.


domingo, 26 de maio de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 26 de maio de 2024. Domingo. 135 anos depois da publicação do texto de José Martí "Las ruinas indias", do livro Edad de Oro


"(...) Hubo sacrificios en masa, como los había en la Plaza Mayor, delante de los obispos y del rey, cuando la Inquisición de España quemaba a los hombres vivos, con mucho lujo de leña y de procesión, y veían la quema las señoras madrileñas desde los balcones. La superstición y la ignorancia hacen bárbaros a los hombres en todos los pueblos." (Martí, p. 520)


SUPERSTIÇÃO E IGNORÂNCIA 

A superstição e a ignorância fazem bárbaros aos homens e mulheres de todos os povos.

José Martí afirmou isso em agosto de 1889. Eu afirmo isso em maio de 2024. Lógico que não é preciso ser nenhum sábio como Martí para perceber isso que se afirma. Um sujeito mediano e alfabetizado como eu consegue perceber a questão, basta saber ler o mundo. Basta não querer enganar aos outros e a si mesmo.

Olhando a história e observando as perspectivas atuais, não é difícil imaginar, numa data futura, a mim mesmo ou a alguém que vê o mundo como eu e com algumas décadas a menos de vida, sendo martirizado aos olhos dos espectadores adoradores de alguma das religiões dominantes num lugar chamado Brasil já dominado por essa gente que hoje cresce em domínio da mente das massas. 

Alguns séculos atrás é nada para vermos a humanidade em movimento. Nossa espécie faz isso, martirizar e sacrificar semelhantes, há milênios.

Há oitenta anos nossa espécie estava queimando milhões de pessoas em alguns lugares da Europa. Durante muito tempo, as pessoas comeram de talheres em suas salas sabendo que tinha gente sendo queimada e faziam de conta que não sabiam ou que aquilo não era problema delas.

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DESCRENÇA NA MINHA ESPÉCIE, APESAR DE NÃO SER DETERMINISTA

Apesar de já conhecer alguma coisa de José Martí e Paulo Freire, duas figuras humanas extraordinárias, humanos que acreditavam na educação e cultura como ferramentas de construção de seres humanos capazes de alterar a realidade insatisfatória e criar sociedades melhores para todos, me encontro pessoalmente num momento de descrença no presente e no futuro de minha espécie. 

Não sou determinista, entendi o ensinamento do mestre Freire, mas minha leitura de mundo, uma leitura de conjuntura e contextos históricos, me faz ter uma leitura desesperançosa do presente e do futuro de minha espécie e por conseguinte de diversas espécies viventes nos biomas nos quais o homem habita e destrói.

A leitura desse texto LAS RUINAS INDIAS de José Martí, descrevendo a diversidade e a riqueza material e intelectual dos povos que habitavam as Américas e que foram destroçados pelos povos que habitavam a Europa e que aqui chegaram para se apossar das terras dos que aqui estavam, e a própria descrição de Martí nos contando que os povos daqui também faziam isso uns com os outros, me fez pensar na "normalidade" de tudo o que se passa neste momento na terra onde habito, um lugar chamado atualmente de Brasil.

Não é "normal" a barbárie do capitalismo neoliberal, o fascismo do bolsonarismo, não é normal. Mas é fato o poder dos donos dos meios capitalistas de normalizar a barbárie. Infelizmente.

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"De Cholula, de aquella Cholula de los templos, que dejó asombrado a Cortés, no quedan más que los restos de la pirámide de cuatro terrazas, dos veces más grande que la famosa pirámide de Cheops. En Xochicalco solo está en pie, en la cumbre de su eminencia llena de túneles y arcos, el templo de granito cincelado, con las piezas enormes tan juntas que no se ve la unión, y la piedra tan dura que no se sabe ni con qué instrumento la pudieron cortar, ni con qué máquina la subieron tan arriba..." (p. 523)

Vejam essa descrição de Martí e pensem agora alguém descrevendo num eventual futuro a antiga Faixa de Gaza... algum eventual sábio como Martí (se ainda houver) contando sobre os povos milenares que ali viveram, árabes palestinos, com sua cultura e construções etc.

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BRASIL DA SUPERSTIÇÃO, DA IGNORÃNCIA E DA IMPUNIDADE

Surpresa alguma ver os acordos para manter numa boa sujeitos como o marreco de Curitiba - um agente do império que fode com nossa terra e nossa gente e ainda é aclamado por milhões -, o clã de genocidas e milicianos do Rio de Janeiro - nenhum deles será preso e podem barbarizar o quanto quiserem -, os homens livres e inimputáveis com carros que custam um milhão de moedas que matam pobres ou arrancam a perna das pessoas miseráveis por dirigirem bêbados etc. Surpresa alguma. Sei ler o mundo.

Surpresa alguma ver o trator passando por cima de nosso estado de São Paulo, pisoteando e martirizando pobres, pretos, estudantes, o trator do fascismo cagando e andando para as manifestações pacíficas de nosso lado. O inimigo está armado, o inimigo manda nas forças repressivas e estimula a violência contra nossos corpos... não somos nada a não ser alvo, mira. Não vamos vencer nossos inimigos com flores, palavras, ideias. Esse tempo passou. Ou reagimos com as mesmas armas ou seremos os povos descritos por José Martí antes da chegada dos homens com armaduras e armas letais.

Minha repreensão, minha cobrança, vai para aquelas pessoas físicas e jurídicas que deveriam politizar a minha classe e não alienar o meu lado. Isso me dá raiva! Tem horas que fico enojado da gente que se diz de "esquerda" ficar iludindo e enganando a massa miserável do meu lado da classe. Meus ex-companheir@s e meus jornalistas preferidos chamam até por apelido o fdp da Corte burguesa feita para favorecer os donos do poder e foder com a nossa vida como há séculos. Mas, e daí? Que diferença isso faz lá fora, lá fora de minha casa, fora de meu corpo?

Acho que os sinais estão claros para mim. Sinais de meu corpo, sinais que vêm lá de fora. É hora de tentar compreender os sinais, ler o mundo e o meu mundo. Acho que não quero mais. Não quero mais participar dessa enganação da gente do meu lado que não acorda o povo para a luta de vida ou morte contra os donos do poder, que não querem conciliar porra nenhuma com o nosso lado. Tínhamos que ir para a guerra total com esses desgraçados. Se for esperar o meu lado reagir, não vai sobrar um de nós. E acho que não vai sobrar mesmo.

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"(...) Hay piedra en que un hombre en pie envía un rayo desde sus labios entreabiertos a otro hombre sentado. Hay grupos y símbolos que parecen contar, en una lengua que no se puede leer con el alfabeto indio incompleto del obispo Landa, los secretos del pueblo que construyó el Circo, el Castillo, el Palacio de las Monjas, el Caracol, el pozo de los sacrificios, lleno en lo hondo de una como piedra blanca, que acaso es la ceniza endurecida de los cuerpos de las vírgenes hermosas, que morían en ofrenda a su dios, sonriendo e cantando, como morían por el dios hebreo en el circo de Roma las vírgenes cristianas, como moría por el dios egipcio, coronada de flores y seguida del pueblo, la virgen más bella, sacrificada al agua del Nilo. ¿Quién trabajó como el encaje las estatuas de Chichén-Itzá? ¿Adónde ha ido, adónde, el pueblo fuerte y gracioso que ideó la casa redonda del Caracol; la casita tallada del Enano, la culebra grandiosa de la Casa de las Monjas en Uxmal? ¿Qué novela tan linda la historia de América!" (p. 526)

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Inteligência, ainda tem na minha espécie. Ainda somos animais passíveis de sermos educados: só se educa gente, nos ensina Paulo Freire. Habilidade, ainda temos. Eu acho que nos faltam líderes. Líderes que compreendam os novos tempos e que tenham desejo verdadeiro de salvar a humanidade e a vida no planeta DERROTANDO nossos inimigos, que estão dispostos a nos derrotar. É uma guerra de vida ou morte. A perspectiva atual é de morte. Mas a vida é sempre uma alternativa. E aprendi que viver é bom, viver é uma oportunidade diária. Mas pra viver temos que derrotar nossos inimigos, que atuam para nos eliminar. É só olhar a história!

Não sei do amanhã. Mas sei que não tenho mais pertencimento a esses grupos que pregam a alienação ao meu lado da classe.

Cheio de alienações.

William


Bibliografia:

Martí en su universo - Una antología. Edición Conmemorativa. Real Academia Española y Asociación de Academias de la Lengua Española. Impreso en Barcelona, 2021.


terça-feira, 5 de março de 2024

Cuba (II)




Refeição Cultural

Osasco, 5 de março de 2024. Terça-feira.


A viagem deste ano a Cuba teve como motivo principal a 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, ocorrida entre os dias 15 e 25 de fevereiro, na Fortaleza San Carlos de la Cabaña e em outros pontos da cidade de Havana. Vejam a beleza da fortaleza em algumas fotos que fiz em 2023: aqui.

Fortaleza San Carlos de la Cabaña.

Fui a Havana através de um grupo de brasileiras e brasileiros organizado por Telma Araújo, uma militante do Movimento de Solidariedade a Cuba, e uma organizadora das brigadas brasileiras a Cuba com décadas de experiência. Durante oito dias ficamos no Hotel Copacabana em Havana e viajamos até a cidade de Trinidad, passando um dos dias na cidade de Cienfuegos.

Nosso grupo solidário a Cuba.

Nosso grupo organizado por Telma Araújo esteve em Cuba com o suporte de um pacote organizado pelo Icap - Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos -, e a Amistur é a agência de viagem que nos auxilia durante a estadia no país. Cada um comprou suas passagens de ida e volta, e providenciou a documentação e o restante ficou por conta do pacote. Foi tudo excelente!

Sede do Icap em Havana.

Para vocês terem uma ideia do quanto é recomendável viajar a Cuba por uma alternativa como esta - pacotes organizados pelo Icap/Amistur - no valor que se paga (cerca de mil dólares) estão incluídas todas as refeições - café, almoço e janta -, hospedagens em hotéis, e também os traslados para todos os eventos e lugares, a busca e o retorno ao aeroporto. Neste pacote, tivemos crachás para entrada livre na Feira do livro e em todos os eventos ligados a ela.

Sede da Amistur em Havana.

Amistur - Misión: Captar y emitir hacia Cuba visitantes, grupos de turismo sociopolíticos y brigadas de solidariedad procedentes de todo el mundo, a través del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, Asociaciones de Amistad y la red de turoperadores de la Agencia, para mostrar directamente la realidad cubana, brindándoles un servicio receptivo de excelencia y una asistencia personalizada, que garanticen su más alta satisfacción, con el máximo de eficiencia, alcanzando un crecimiento sostenido de la operación del destino Cuba.

Hotel Copacabana: área das piscinas.

Quero registrar a vocês que a experiência deste ano se soma à experiência do ano passado, e ambas foram muito satisfatórias e não tivemos nenhum contratempo durante as duas semanas em Cuba. Em 2023, o passeio foi bastante diferente. Ficamos em casas de famílias cubanas - nossa base para tudo foi a Casa de Isabel - e com as informações e suporte da professora Maria Leite, grande intelectual e estudiosa sobre a pedagogia e a história de Cuba.

Casa de Isabel, ao lado do Capitólio.

Ou seja, posso dar o testemunho a vocês, amigas e amigos do blog, que são várias as maneiras de realizar o sonho de conhecer Cuba e o povo cubano, um povo alegre, inteligente e criativo, que ousou enfrentar os imperialismos desde o período colonial e ainda hoje luta com dignidade e criatividade para solucionarem os problemas da Ilha, que sofre há mais de seis décadas um embargo econômico criminoso e assassino por parte dos Estados Unidos da América.

Com Isabel, Luis e Telma.

Após o período do pacote do Icap/Amistur com todas as facilidades para passarmos 8 dias em Cuba com foco na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, fiquei mais alguns dias na Casa de Isabel, onde sempre os brasileiros e brasileiras são acolhidos com carinho e têm à disposição o apoio logístico de Isabel e Luis para fazer passeios e viagens por toda a Ilha.

Palestra de Maria Leite sobre
o livro Cuba Insurgente.

O pacote que fizemos era até o dia 22 de fevereiro e como a Feira do Livro iria até o dia 25, pude aproveitar até o último dia as atrações diversas que faziam parte do evento cultural. Foi assim que pude ver apresentações musicais em teatros ao longo do período em Havana.

Frei Betto e Ailton Krenak.

Nas próximas postagens, vou contando um pouco a vocês as experiências extraordinárias de estar ao lado e acompanhar eventos com intelectuais brasileiras e brasileiros como Conceição Evaristo, Frei Betto, Ailton Krenak, Emicida e a professora Maria Leite, cujo livro Cuba Insurgente: identidade e educação (2023) foi um dos materiais que mais me ensinaram sobre Cuba até o momento.

Conceição Evaristo e Emicida.

Abraços e não percam tempo, se desejam conhecer Cuba, organizem suas viagens para lá. As experiências que trazemos de lá são diferentes das que estamos acostumados ao visitar outros países capitalistas como o nosso.

William Mendes


Post Scriptum: o primeiro texto desta nova série sobre Cuba pode ser lido aqui.


domingo, 23 de julho de 2023

Leitura: Nuestra América - José Martí



Refeição Cultural - Cuba (XXIX)

Osasco, 23 de julho de 2023. Domingo.


"Trincheras de ideas valen más que trincheras de piedras" (Martí)

Hoje li um dos textos mais importantes e significativos da América Latina e Caribe produzido nos últimos dois séculos - Nuestra América (1891) - de José Martí. O texto é espetacular!

Tenho várias edições de Nuestra América. A que tenho mais carinho e apreço é sem dúvida essa que ilustra a postagem, pois foi presente do senhor Luis Caballero, nosso amigo cubano da Casa de Isabel. Ganhei o livro quando estivemos lá entre abril e maio deste ano. Foi esta edição que li hoje.

José Martí.

UM CHAMAMENTO À LIBERDADE E AUTODERMINAÇÃO DOS POVOS DE NOSSA AMÉRICA

"Es la hora del recuento, y de la marcha unida, y hemos de andar en cuadro apretado, como la plata en las raíces de los Andes."

A história do texto é fundamental para entendermos as lutas de libertação, independência e autodeterminação dos povos da América Latina e Caribe. 

Uma leitura atenta aos argumentos de José Martí é o suficiente para vermos e entendermos figuras históricas de Nuestra América como Fidel Castro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ernesto Che Guevara, Hugo Chávez e outras figuras patriotas e que deram suas vidas pela autodeterminação de nossos povos das Américas.

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"GOBERNANTE, EN UN PUEBLO NUEVO, QUIERE DECIR CREADOR

Líderes como Fidel e Lula trazem consigo o conhecimento das necessidades de seu povo e seu país. Governos como os deles são diferentes de governos sem compromissos com o povo.

"(...) Resolver el problema después de conocer sus elementos, es más fácil que resolver el problema sin conocerlos. Viene el hombre natural, indignado y fuerte, y derriba la justicia acumulada de los libros, porque no se la administra en acuerdo con las necesidades patentes del país. Conocer es resolver. Conocer el país y gobernarlo conforme al conocimiento, es el único modo de librarlo de tiranías."

Martí e seu cavalo.

Pensem nessa figura, José Martí, um intelectual dos mais completos de Nuestra América - jornalista, educador, escritor, ensaísta, político, poeta -, que morreu sobre seu cavalo, no campo de batalha, lutando pela libertação de Cuba dos impérios invasores, tanto o espanhol quanto o norte-americano, pois ele já vislumbrava o que viria após a independência do jugo da Espanha.

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"El problema de la independencia no era el cambio de formas, sino el cambio de espíritu."

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Nesta semana, no dia 26 de julho, completam-se 70 anos do Assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, tentativa dos jovens revolucionários liderados por Fidel Castro para libertar Cuba do jugo do ditador Fulgencio Batista, um golpista apoiado pelo imperialismo norte-americano. Essa história vocês podem conhecer lendo os argumentos de Fidel no clássico La historia me absolverá (comentário aqui).

A data 26 de julho de 1953 é muito importante para todos nós que lutamos por um mundo livre do capitalismo e do imperialismo. Fidel Castro e seus companheiros que não foram assassinados a sangue frio foram capturados, julgados e condenados. Mas os ideais martianos foram mais fortes e os revolucionários cubanos libertaram o país através da Revolução Cubana, façanha ocorrida entre o final de 1956 e 1º de janeiro de 1959.

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"El gobierno ha de nacer del país. El espíritu del gobierno ha de ser el del país. La forma del gobierno ha de avenirse a la constitución propia del país. El gobierno no es más que el equilibrio de los elementos naturales del país."

Em Nuestra América, José Martí tece várias críticas aos nossos compatriotas que ficam enaltecendo e defendendo ideias e culturas dos invasores ou de outros países e povos ao invés de termos amor-próprio e buscarmos soluções para nossos problemas com a nossa criatividade.

São muito atuais os ensinamentos de José Martí.

"'¿Cómo somos?' se preguntan: y unos a otros se van diciendo cómo son. Cuando aparece en Cojímar un problema, no van a buscar la solución a Dantzig. Las levitas son todavía de Francia, pero el pensamiento empieza a ser de América. Los jóvenes de América se ponen la camisa al codo, hunden las manos en la masa, y la levantan con la levadura de su sudor. Entienden que se imita demasiado, y que la salvación está en crear..."

Ao ler os pensamentos do apóstolo da liberdade de Cuba fica mais fácil entender por que o povo cubano desenvolveu ao longo dos séculos o sentimento de cubanidad e cubanía, um sentimento de amor-próprio, amor por sua Ilha e por sua cultura, uma postura altiva e soberana perante os demais países e povos do mundo.

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CENÁRIO COMPLEXO EM NOSSA AMÉRICA

Os cenários em Cuba e no Brasil são bem difíceis, são complexos. É preciso a unidade e a altivez que José Martí conclama em seu texto histórico.

Cuba vive hoje uma situação complexa por causa de diversos fatores. O embargo norte-americano é um ataque cruel e que fere frontalmente os direitos humanos porque está causando a miséria e a morte do povo cubano. Os bloqueios econômicos se tornaram armas letais e injustas contra países e suas populações. O bloqueio é um crime de lesa-humanidade.

Cuba enfrenta ainda problemas sérios relativos às mudanças climáticas, a Ilha e diversos países e povos do mundo sofrem com o aquecimento global. Só no ano passado, o país perdeu quase toda a sua produção de tabaco e a estrutura da indústria de exportação foi seriamente afetada por furacões. Cada receita perdida impacta diretamente na capacidade do país de atender às necessidades de seu povo.

O Brasil passou quase sete anos sob regimes golpistas e de destruição de todos os direitos sociais e das estruturas econômicas do país, e também sofreu uma forte destruição em seus biomas com a autorização do governo fascista de liberdade aos seus parceiros no golpe para destruírem tudo o que quisessem. 

Voltamos ao mapa da fome, a concentração de riqueza explodiu, poucas famílias detêm mais da metade do PIB do país. Mais de 2/3 dos parlamentares são inimigos do povo e representam o 1% dos ricos. A chantagem contra Lula é explícita e a grande imprensa está com a casa-grande, manipulam as informações como sempre fizeram. A pobreza e a falta de oportunidades são realidades que Lula encontrou ao voltar à presidência neste início de 2023.

O sujeito colocado no Bacen do Brasil que mantém uma taxa de juros de 13,75% ao mês está a serviço dos golpistas ainda. O Bacen está destruindo a economia nacional, é um bloqueio dos golpistas. Por isso inventaram a "autonomia", para trazer miséria ao povo e revolta e transferir a riqueza nacional para meia dúzia de fdp, gente lesa-pátria que odeia o Brasil e o povo brasileiro.

A pandemia mundial de Covid-19 afetou fortemente os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O povo cubano e o povo brasileiro sofreram as consequências da pandemia, além dos efeitos econômicos e sociais do aquecimento global e dos ataques imperialistas, haja vista que o bloqueio a Cuba já dura 60 anos e haja vista que a operação Lava Jato e o golpe de Estado no Brasil tiveram participação e apoio do governo norte-americano.

Não vou me alongar no comentário. Diversos países de Nuestra América seguem sofrendo interferência em sua autodeterminação por influência direta ou indireta do império norte-americano e seus conglomerados com poder global.

Nuestra América é mais atual que nunca! Leiam, conheçam, debatam esse chamamento de José Martí. É necessária a unidade entre nós para defender nossos países latino-americanos e valorização de nossa gente e de nossa criatividade para lutarmos por uma América Latina e Caribe mais justos e soberanos.

William


Bibliografia:

MARTÍ, José. Nuestra América. Editorial de Ciencias Sociales y Centro de Estudios Martianos. La Habana, 2021.


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Leitura: Evocación - Aleida March



Refeição Cultural - Cuba (XXV)

Osasco, 16 de junho de 2023. Bloomsday. (se já não fosse raro ser um leitor de Ulisses, eu o li duas vezes...)


"En Evocación están mis remembranzas, no tengo vocación de escritora, volqué en blanco y negro mis recuerdos más queridos, espero que los que lean mis notas aprecien cuánto esfuerzo y dejación hice de mis cartas, mis poesias que hasta ahora guardaba dentro, muy dentro de mi... Gracias." (Aleida March)


A leitura do livro Evocación (2007), é uma leitura de descobertas e surpresas que deixam o leitor num estado de admiração do início ao fim da história contada a nós pela guerrilheira cubana Aleida March, que após a libertação de Cuba, em 1º de janeiro de 1959, viria a ser esposa e mãe de quatro filhos do grande líder revolucionário Ernesto Che Guevara.

Estávamos andando pelas ruas de Havana Velha, com o senhor Luis Caballero nos guiando e contando as histórias de Cuba, do povo cubano e da Revolução, quando vimos um pequeno estabelecimento que vendia livros usados. Acabei escolhendo um só livro que estava em exposição porque estávamos cumprindo um percurso programado e não queria atrapalhar o grupo. Escolhi este livro de Aleida, com essa linda foto de capa, ela e o Che. Que sorte a minha!

Eu que conheço tão pouco a respeito de toda essa fantástica história do povo cubano que lutou por séculos por sua independência e liberdade do jugo de países imperialistas, pego por acaso para ler um livro de memórias, confessional, de uma mulher que desde muito jovem se indignou com a exploração e miséria de seu povo, lá na sua modesta Santa Clara (antes Las Villas) e decidiu se unir aos guerrilheiros que viriam a passar mais de dois anos nos altos relevos da Ilha - Sierra Maestra e Montañas del Escambray - até que a Revolução por fim libertasse Cuba da ditadura de Batista, apoiada e financiada pelo império norte-americano. Aleida tinha pouco mais de 20 anos de idade quando se juntou aos guerrilheiros.

Quando o leitor começa a leitura e percebe o tom pessoal no qual Aleida nos conta sua história, o leitor fica grudado na leitura, é difícil parar porque queremos logo ver o que vem a seguir, e ela vai contando sobre sua infância, depois adolescência, as dificuldades do povo perante a miséria e a violência de viver sob a ditadura de Fulgencio Batista, e as notícias que a jovem ia ouvindo davam conta que jovens cubanos estavam se organizando para dar um basta a toda aquela situação... e ela ficou sabendo a respeito do assalto ao quartel de Moncada em 26 de julho de 1953, a prisão do jovem líder Fidel Castro... só de escrever aqui eu já me emociono...

"El año de 1956 fue decisivo para mí. Leí y estudié con pasión las páginas de La historia me absolverá, el alegato de defensa de Fidel en el juicio que lo condenó por las acciones del Cuartel Moncada, y sentí que en ese documento se expresaban todos mis ideales y la ruta a seguir para conquistar la plena dignidad patria." (p. 27)

A menina Aleida March teve acesso à época a um documento que mudou a sua vida... ela leu A história me absolverá, de Fidel Castro, e decidiu que as palavras de Fidel eram tudo que ela sentia e queria para a vida dela e para o povo cubano. E desde então, decidiu que iria se unir aos jovens revolucionários e lutar pela libertação de seu país.


Para minha sorte, além de pegar por acaso o livro de Aleida, ganhei um valioso presente do senhor Luis Caballero, 3 livros fundamentais na formação e politização do povo cubano, e entre eles está La historia me absolverá. Nuestra América e Manifiesto Comunista completam o magnífico presente.

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PASSAGENS

O custo da militância...

"Recomensaba entonces una febril actividade, al enfrentarnos a un enemigo cada vez más enardecido; incluso la violencia se ejercía sin tregua y la experimenté em mi propia familia cuando, a raiz de la huelga del 9 de abril, un primo mío, Laureano Anoceto March e su hijo, Eduardo Anoceto Rega, fueron torturados y asesinados." (p. 41)

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O comunismo já era um palavrão nos anos 50 (havia um esforço de demonizar a palavra), mesmo em movimentos de libertação e independência dos povos explorados pelo imperialismo e capitalismo.

"(...) Más tarde supe que era Sidroc Ramos, incorporado ya a las filas de la Columna. Aquella imagen de Sidroc nunca se me ha borrado de la mente; me pareció un 'ruso blanco', tamaña ignorancia política la mía que contribuyó a 'corroborar' lo que se decía de la filiación comunista del Che. Es justo afirmar que en esa época los que carecíamos de una correcta formación política éramos la mayoría, y los prejuicios contra el comunismo estaban presentes en casi todos, y yo no era la excepción." (p. 46)

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A luta de libertação de Cuba não era uma revolução socialista, era de independência e Fidel era o líder de uma luta que começou bem antes com outras lideranças do passado como José Martí, o apóstolo da independência de Cuba. Podemos retroceder pelo menos a 1868 em relação às lutas libertárias.

"Tiempo después, el Che me explicó que creía que la dirección del Movimiento de Las Villas, formada en su mayoría por gente de derecha, me había enviado para vigilar sus movimientos y acciones dada su fama de comunista. De ahí su renuencia a que me quedara en el campamento, desconocedor como era de las verdaderas razones que me mantenían fuera de la ciudad." (p. 48)

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A ética e a moral de um grupo revolucionário - Che Guevara sempre acreditou que um grupo de guerrilheiros bem treinados e crentes na causa que defendia teria mais chances de vencer do que um exército maior e sem acreditar na causa a que servia.

"Era alguién que se enfrentaba a un enemigo superior en hombres y en pertrechos, pero carente de moral para vencer a un grupo de rebeldes. Además de su arrojo, los guerrilleros contaban con la conducción de un jefe con extraordinaria capacidad técnico-estratégica, devenido un ejemplo permanente que irradiaba a los demás." (p. 49)

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Quem disse que um revolucionário não pode ser terno e romântico?

"A pesar de lo que estaba ocurriendo a nuestro alrededor, el Che intentaba mostrarme algo de sus sentimientos y lo hacía con la poesía. Después supe que representaba para él una de las formas más hermosas de expresarse." (p. 50/51)

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O Sancho Pança de Che, pelo menos na lealdade e na constância...

"He llegado a pensar que ahí comenzó el Che a conocerme verdaderamente y, sobre todo, a valorar algo que consideraba una de mis mejores cualidades: decir siempre lo que pensaba, aunque supiera que me reprenderían por ello. Al menos por ese lado tenía una compañía que, aunque distaba mucho de ser Sancho Panza en sagacidad y sabiduría, le era leal y constante." (p. 55)

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'Justiçamento" para os crimes de guerra...

"Ante tanta barbaríe había que comenzar a actuar con rapidez. Ya en la Comandancia, Marta Lugioyo, nuestra compañera, abogada de profesión, redactó las órdenes de fusilamiento, acompañadas del listado con los nombres de los que debían ser ajusticiados por haber cometido crímenes atroces." (p. 67)

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La Habana e o deslumbramento... A verdadeira luta revolucionária começou assim que Cuba alcançou a libertação e a independência, ali começava em 1º de janeiro de 1959 a verdadeira batalha para implantar uma sociedade mais justa e solidária para o povo cubano.

"En la mañana el Che trabajó en la casa, en una pequeña oficina, para después retornar a la Jefatura. En el trayecto, los que lo seguimos íbamos curioseándolo todo: los jardins, la vista al mar, maravillados de lo agradable del lugar. Éramos los desposeídos, quienes por primera vez nos sentíamos dueños de nuestro destino. Nos enfrentábamos a las primeras brisas. El Che ya había advertido que a partir de ese instante era que comenzaba la verdadera lucha revolucionaria." (p. 73)

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Che e a importância da educação e formação política, a ética como foco.

"Era um movimiento incesante que perseguía como objetivo central la formación del Ejército Rebelde. Se crearon escuelas de alfabetización y seguimiento, con mucho esfuerzo y tesón porque no pocas veces daban las evasivas e indisciplinas de soldados, que en el combate fueron ejemplo de valentía y coraje y, sin embargo, no eran capaces de entender el porqué de las nuevas exigencias." (p. 78)

E mais, mesmo os soldados das escoltas a ele e nos locais onde tinha que permanecer, não faltava o foco na alfabetização e educação:

"(...) Allí también el Che tenía implantado un régimen de disciplina, con maestro y todo, para que los soldados de la escolta continuaran sus estudios." (p. 86)

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Impessoalidade e sem nepotismo. Che e Aleida eram recém-casados e, mesmo ela sendo secretária particular dele, Che foi incisivo em afirmar que ela não o acompanharia na viagem internacional que Fidel pediu que fizesse. Nem o Comandante em Chefe Fidel Castro o demoveu da ideia...

"Fue el momento en que comencé a conocerlo com mayor profundidad, cuando me argumentó que además de secretaria era su esposa y que se vería como un privilegio mi presencia, porque los otros no podian hacerse acompañar de sus compañeras." (p. 95)

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REFLEXÕES APÓS O TÉRMINO DA LEITURA

Durante a leitura das evocações de Aleida March, eu estava viajando na guerrilha ao lado dos revolucionários e revolucionárias e a leitura estava muito fácil e prazerosa. Finda a fase de libertação, começou a fase de construção de uma nova sociedade cubana. E dá-lhe trabalho revolucionário para esta tarefa triunfar...

Uma segunda parte das evocações de Aleida, foi essa da construção da República Socialista de Cuba. Che Guevara foi responsável por grandes tarefas que exigiam um alto nível intelectual. Foi responsável por organizar o sistema financeiro, foi responsável por implantar um sistema industrial no país, e foi uma espécie de porta-voz de Cuba no cenário internacional. Viajou o mundo para isso. 

Ou seja, entre os anos de 1959 e 1965 Che Guevara foi um dos grandes construtores da nova sociedade cubana, um grande parceiro do Comandante Fidel Castro e do povo cubano.

Não teria como citar nesta postagem tanta história sobre tudo isso. Eu recomendo muito às pessoas interessadas na história de Cuba e das lutas por um mundo alternativo ao mundo capitalista que leiam o livro de Aleida March. O livro está disponível em português e vi pela internet que é possível adquiri-lo em sites de livros usados.

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A DESPEDIDA DE CUBA, DE ALEIDA E OS ANOS NO CONGO E NA BOLÍVIA

A terceira parte do livro foi bem mais difícil de ler. Virei um chorão! Já começa pela descrição de Aleida à página 152 e 153 de minha edição em espanhol. 

Além das cartas deixadas, Che deixou fitas cassete com os poemas que eles mais gostavam gravados para a sua amada. As últimas 50 páginas das evocações de Aleida foram muito emotivas. Muito.

Amig@s leitores, por mais que eu tenha lido alguma coisa sobre a história dessa figura lendária, Che Guevara, eu nunca imaginaria tudo que passei a saber após ler as recordações de sua companheira Aleida March.

O período da vida de Che entre 1965 e 1967 me era desconhecido, quer dizer, eu sabia aquilo que já havia lido, de um ou outro escritor, estudioso ou do mundo dos meios de comunicação, sempre enaltecendo ou demonizando o mitológico Che Guevara... mas saber desse período através de sua amada companheira - "mi única el en mundo - como ele a chamava, isso jamais imaginaria saber.

Recentemente, o livro do professor Miguel Nicolelis - O verdadeiro criador de tudo (ler comentário aqui) -, neurocientista que estuda o cérebro humano há 40 anos, me impactou de forma nunca sentida antes ao ler um livro. Encontrei respostas a questionamentos que fazia há décadas na minha vida.

O livro que acabo de ler, de Aleida March, sobre suas recordações pessoais que se dão num período que abrange a Cuba da ditadura de Batista e da guerrilha pela liberdade do país, o encontro e amor vivido com Che Guevara e a construção de uma nova sociedade socialista em Cuba, foi um livro que me impactou muito também. Nem sei explicar o porquê.

É isso! Feita a leitura do 16º livro deste ano. Como nos ensinou Che Guevara e Fidel Castro devemos estudar e ler todos os dias, todos os dias, para criarmos homens e mulheres novos, e uma sociedade nova.

William


Bibliografia:

MARCH, Aleida. Evocación. Fondo Editorial Casa de las Américas, 2008.