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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

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"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

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Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

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Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

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Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

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Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

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LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Livro: Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana - Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Até recentemente, coisa de quatro anos, eu desconhecia a história de Cuba e do povo cubano. Quer dizer, eu tinha as noções que um militante de esquerda tem. 

Em linhas gerais, sabia o que se ouve dizer sobre a ilha socialista, mas o que se ouve sobre Cuba raramente coincide com o que houve em Cuba. A História...

Todo mundo sabe mais ou menos que houve uma Revolução em Cuba, que um exército rebelde de revolucionários barbudos liderados por Fidel Castro, nos anos cinquenta do século XX, derrotou e colocou pra correr um ditadorzinho de merda da ilha, um tal Fulgencio Batista. 

O mundo inteiro conhece ou já ouviu falar de Ernesto Che Guevara, um médico de origem argentina, um revolucionário, que integrou o exército rebelde que libertou Cuba da ditadura de Batista, o ditador financiado pelos Estados Unidos. 

VAI PRA CUBA!

Em 2022, quando vi uma amiga do Banco do Brasil organizando um grupo para ir a Cuba, me interessei e decidi me integrar ao grupo. Foi assim que meu filho e eu conhecemos Cuba pela primeira vez, em um grupo organizado por Miriam Shibata. Passamos o 1° de maio de 2023 na ilha socialista. Foi inesquecível!

Até aquele momento, nunca tinha focado ler sobre a Revolução Cubana e a história do povo cubano. Tinha lido um livro sobre a amizade de Fidel Castro e Che Guevara (ler um comentário aqui), presente de um amigo secreto em um curso de formação. 

Ao me preparar para ir a Cuba, passei a ler mais sobre o tema e segui estudando após a primeira ida ao país. Redescobri José Martí, que havia lido na graduação de Letras (comentário aqui sobre Nuestra América). Li o documento do próprio Comandante Fidel se defendendo no julgamento de cartas marcadas após o assalto ao Quartel Moncada (ler aqui).

Antes de embarcar para Cuba pela primeira vez, li o livro de Fernando Morais, A Ilha (postagem aqui), leitura que foi muito importante para mim. Depois que voltei, li o livro da professora Maria Leite, Cuba Insurgente (comentário aqui), um estudo essencial para compreender a pedagogia no país socialista. 

Enfim, nos últimos quatro anos, fui a Cuba três vezes. Já li alguns livros e estudos sobre a Revolução Cubana e a luta da população da ilha pela independência e autonomia do país e pela liberdade de decidir sobre seu destino.

A QUESTÃO DA TERRA E MORADIA 

O livro de Aline Marcondes Miglioli "Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana" (2024), um estudo feito para sua tese de graduação superior, contribuiu muito para minha compreensão sobre o tema. 

De certa maneira, o estudo de Aline me permitiu refletir bastante sobre a questão do direito humano à terra e à moradia em Cuba, ao longo dessas quase sete décadas de experiência socialista. Mas aprendi também sobre outras temáticas. 

Aprendi sobre a questão da Renda da Terra, a partir da referência em "O Capital", de Karl Marx. Aprendi sobre a história fundiária em Cuba antes da Revolução. 

Aprender sobre a estratégia da indústria do turismo como a conhecemos hoje, uma estratégia do capitalismo para lidar com as crises de sobre-acumulação de capital (Capítulo três) não me permite olhar o turismo da mesma forma nunca mais...

Enfim, terminei a leitura. Valeu muito a pena! E confesso que foi difícil ler o estudo da autora, o tema foi denso e a leitura lenta. A fonte pequena maltratou meus olhos (risos). Talvez uma forma de reduzir algumas dezenas de páginas, e sei o quanto está caro editar um livro hoje em dia. Aprendi muito!

Conheci o livro de Aline no ano passado (2025), quando li o capítulo seis (ler fichamento aqui) em um curso de extensão universitária chamado "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado pelo IBEC, Unesp e demais parcerias. Aline foi uma das professoras do curso. 

A cada conhecimento novo sobre Cuba e o povo cubano, mais admiração tenho por aquela gente libertária, inteligente, criativa e que merece nosso apoio em sua luta pelo fim do bloqueio e interferência norte-americana na vida do país. 

É isso. Viva Cuba e o povo altivo e querido da ilha caribenha. 

William 

08/05/26

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viagem a Cuba V (2026)


Cuba forma médicas/os dispostos
a salvar pessoas no mundo todo


Refeição cultural


"1º de maio


Neste 1° de maio dos trabalhadores

pensei muito no povo solidário cubano,

nos iranianos, palestinos, libaneses,

venezuelanos, brasileiros e

nos irmãos sul-americanos.


Nos homeless pelas ruas dos EUA, 

no povo sem-teto pelas ruas da rica

metrópole paulista, que sonha copiar

o que de pior tem lá nos States: miséria!


E me lembrei da solidária Cuba,

que mesmo sancionada, bloqueada,

por ameaçar o império agressor

com o exemplo da utopia socialista,


se esforça em prover ao povo 

alimento, saúde, educação,

moradia, transporte e segurança.

 - Direitos humanos aos trabalhadores!


William Mendes


Estive em Cuba entre os meses de março e abril deste ano de 2026, participando de uma caravana solidária de brasileiras e brasileiros. As 22 pessoas de nosso grupo levaram medicamentos, roupas e diversos itens necessários ao povo, que enfrenta um embargo criminoso dos Estados Unidos. 

A caravana foi organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte, e nossa estadia contou com o apoio logístico da Amistur, a agência cubana de turismo, que faz parte do Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos (ICAP), criado pelo Comandante Fidel Castro. 

Após conhecermos diversos equipamentos culturais como museus e centros de educação e história, viajar ao interior do país para conhecer a tradicional produção de charutos cubanos, dentre outras atividades sociopolíticas, fomos visitar um policlínico para compreender um pouco o sistema de saúde cubano. 


POLICLÍNICO DR. ABELARDO RAMÍREZ MÁRQUEZ 

Fomos recebidos pela direção do policlínico e nossa visita foi dividida em dois momentos: primeiro, o grupo teve o privilégio de participar de uma palestra com as profissionais de saúde responsáveis por aquela unidade hospitalar. Depois, percorremos os ambientes para conhecer a estrutura de atendimento à população. 



Saímos encantados com tudo que nos foi explicado, com tudo que vimos, mesmo com as evidentes carências causadas pelo bloqueio. 



Os hospitais estão no limite por causa da falta de energia, equipamentos, medicamentos, manutenção de componentes etc. No entanto, sobra acolhimento e criatividade para cuidar das pessoas.


Disciplina, estabelecer prioridades,
coesão entre as forças, educar com exemplos...

Esta unidade hospitalar que visitamos, assim como outras de mesmo porte de atendimento, precisa ficar com várias áreas sem energia, pois onde já há algum suporte de energia solar é para setores prioritários. 



Não fosse Cuba um país com um modelo exemplar de atenção primária, medicina de família e comunidade, que atua com apoio de toda uma rede comunitária de agentes de saúde e formas próprias de identificar riscos desde os ambientes onde os pacientes vivem cotidianamente, os efeitos do bloqueio seriam muito mais devastadores.



Com as explicações que recebemos sobre o sistema de saúde cubano, e por ter sido diretor de saúde de uma autogestão baseada no modelo de atenção primária e medicina de família, pude perceber a eficiência do sistema implantado no país desde a Revolução.



As médicas nos explicaram que os profissionais de saúde dos hospitais cubanos cuidam dos equipamentos e materiais existentes com um zelo todo especial, pois sabem que não conseguirão peças de reposição caso os equipamentos quebrem...

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CABARET TROPICANA





No final daquele dia de programação de nossa caravana solidária de brasileiros, ainda fomos ver um show com dançarinas e dançarinos, e cantores incríveis, no Cabaret Tropicana.

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Palma Real, Mariposa, Tocororo, Escudo,
Bandera de la Estrella Solitaria,
Himno de Bayamo y
José Martí, Heroe Nacional.

Ao finalizar o texto, soube que após um ato potente do povo cubano neste 1° de maio, o governo dos Estados Unidos anunciou que vai recrudescer mais ainda o bloqueio ao povo cubano...

Esses crimes de lesa-humanidade por parte desses senhores da guerra no decadente império norte-americano precisam cessar urgentemente!

O mundo civilizado e livre deve exigir o fim do bloqueio criminoso contra o povo cubano!

William 

01/05/26

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Viagem a Cuba IV (2026)


Pôr do sol em Havana, a partir do
restaurante La Divina Pastora

Refeição cultural 

Após um primeiro dia de muitas visitas a museus e equipamentos públicos que resgatam a história do povo cubano e de sua Revolução libertadora do jugo imperialista (ler aqui), o dia seguinte de nossa caravana solidária de brasileiros seria pegando a estrada para conhecermos Viñales.

Antes de terminar o primeiro dia de programação sociopolítica, nossa caravana passou pela famosa Praça da Revolução por meia hora, mais para contemplarmos a imensidão do ambiente, conhecido por receber multidões de cubanos para ouvir os discursos de Fidel Castro e para eventos importantes em Havana como, por exemplo, o 1° de maio.

Na praça, nosso grupo se encantou
com os carros dos anos cinquenta

Após o jantar no restaurante La Divina Pastora, onde apreciamos música cubana ao vivo, fomos ver a cerimônia do "Cañonazo", uma encenação teatral que rememora séculos da história de Havana, época na qual os portões da cidade eram fechados às 21h para só reabrirem na manhã seguinte. Havana era rodeada de muralhas. Fiz postagem sobre o tema, é só clicar aqui.

Música cubana no restaurante
La Divina Pastora

No 3° dia de nossa programação sociopolítica organizada pela Amistur, agência cubana de turismo, pegamos a estrada para Viñales, município de Pinar del Río, distante 180 Km de Havana, indo no sentido ocidental da ilha. As estradas estavam vazias pela falta de combustível causada pelo bloqueio criminoso dos Estados Unidos. 

Construção típica da propriedade
produtora de tabaco


Plantação de tabaco

Após três horas de viagem, nossa primeira agenda foi visitar uma produção de tabaco e charutos. A região de Pinar del Río é uma área rural cujo principal produto comercial é o tabaco. Viñales tem cerca de 28 mil habitantes.

Local onde as folhas são maturadas

Folhas de tabaco em espera

Mesmo para um não fumante, o odor é bom!

Eis aí um produto cubano...

Durante a visita, vimos as plantações, as folhas em processo de secagem, os paióis onde as folhas passam pelo período de maturação e também vimos o preparo de um charuto, disponibilizado para apreciação das pessoas da caravana interessadas em experimentar o tabaco cubano.

Cuba...

HISTÓRIA

Faço uma breve contextualização histórica: antes da Revolução liderada por Fidel Castro nos anos cinquenta, todos os imóveis urbanos e as terras produtivas de Cuba pertenciam a um pequeno grupo de latifundiários e proprietários, grande parte, aliás, norte-americanos. Era exceção alguém da classe trabalhadora ter sua própria moradia.

A amplíssima maioria do povo cubano, milhões de homens, mulheres, crianças e idosos, não tinham nada - moradia, emprego, alimentação, educação, saúde, etc - nada! As pessoas viviam em cortiços nas cidades e em bohíos nas áreas rurais (cabanas com telhados de palha e paredes de tábuas de palmeira).

Uma das primeiras medidas após a vitória do Exército Rebelde em 1° de janeiro de 1959 foi fazer reforma urbana e agrária editando um conjunto de leis relacionadas a moradias, aluguéis e direito popular às terras nas quais as pessoas trabalhavam.

Ruas da simpática cidade de Viñales

Ao visitarmos Cuba neste momento dramático da história, de asfixia econômica criminosa com atos ilegais dos Estados Unidos, colocando a ilha e seu povo sem acesso a qualquer forma de combustível, essencial para o funcionamento da vida cotidiana, temos que ter clareza das consequências dessa maldade na vida das pessoas, inclusive em seus aspectos psicológicos.

Boa parte dos veículos em circulação
são elétricos, motos e triciclos

Há meses Cuba não recebe petróleo importado, afetando absolutamente tudo no país. Imaginem vocês o Brasil no dia seguinte sem acesso a combustível fóssil e o não funcionamento de nada no país, pois aqui e no mundo a matriz energética que faz a vida cotidiana funcionar é com base em combustíveis fósseis, petróleo, gás e carvão.

Pessoas estão morrendo em hospitais por falta de energia elétrica, o governo não tem conseguido exercer os programas sociais que fazem parte dos direitos da cidadania por falta de recursos, o petróleo é necessário para quase tudo na ilha, pois no mundo moderno não se vive sem energia. Cuba tem investido em painéis solares como alternativa, mas é um longo processo ainda.

E mesmo assim, o acolhimento do povo cubano aos turistas em geral e a nosso grupo, ao longo da estadia na ilha, foi admirável, saímos encantados com um povo que só quer ser feliz, interagir com os povos do mundo e levar a vida deles do jeito que acharem melhor.

Enfim, essas são algumas reflexões a partir da experiência de ter voltado a Cuba com um grupo de brasileiros e brasileiras tão solidários e irmanados na mesma causa de apoiar nossos irmãos da maior das ilhas antilhanas.

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Vista do Mirador de los Jazmines

VALES E MOGOTES NA PAISAGEM

Ainda na programação do 3º dia em Cuba, visitamos o Mural da Pré-história - uma pintura gigante em um mogote - e a Cueva del Indio - uma caverna com um lago na superfície -, passeios muito agradáveis na região de Viñales. 

Mural da Pré-história

Seguem abaixo algumas fotos da nossa visita à caverna chamada Cueva del Indio.

Subindo...

Descendo...

Uma linda estalagmite

Passeio de barco na caverna


Mogotes são morros ou colinas típicas da região, normalmente de calcário, mármore ou dolomita, são estruturas sedimentares que podem ter tamanho e altura de montanhas. A paisagem em volta é plana, são os vales da região de Pinar del Río.

Um hotel sem turistas (o bloqueio!)
e os mogotes ao fundo do vale


Durante o passeio, almoçamos e finalizamos a visita à região no Mirador de los Jazmines, onde tivemos a oportunidade de vislumbrar o vale com as culturas e os mogotes.

Estávamos a 6700 Km do RJ (Brasil)

MAIS UM DIA DE HISTÓRIA E CULTURA CUBANAS

Voltamos para Havana e jantamos no hotel Copacabana.

Foi um dia excelente na programação de nossa caravana solidária.

Amigas e amigos leitores do blog, não deixem de visitar Cuba, além de ser uma experiência pessoal incrível, vocês vão contribuir muito com o país e seu povo hospitaleiro e altivo.

A companheira Telma Araújo, que organizou nosso grupo, está organizando um grupo para agosto, Cuba comemora neste ano o centésimo aniversário de nascimento do Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz e serão várias comemorações no período.

William

20/04/26 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Viagem a Cuba I (2026)


Ano 67 da Revolução Cubana (2026)


Refeição cultural

"No hay dudas de que el amor a la patria, el apego a los pobres de la tierra, la fe en el mejoramiento humano y en la utilidad de la virtud, son componentes esenciales de la personalidad de Fidel aprendidos e interiorizados desde Martí." (Citação no Centro Fidel Castro Ruz)


Estive novamente em Cuba entre o final de março e o início de abril deste ano. Participei de uma caravana solidária organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte (MG). 

Contamos em nossa estadia com o apoio logístico do ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos) e da Amistur (Agência cubana de turismo). Nosso grupo era composto por 22 pessoas e correu tudo bem em nossa viagem. 

Telma Araújo é homenageada
pelo ICAP por anos de dedicação

A viagem foi antecedida por determinadas incertezas e ansiedades por causa dos acontecimentos provocados pelo governo dos Estados Unidos que, desde a posse do presidente atual - Trump -, vem rompendo uma ordem política, econômica e diplomática estabelecida no mundo desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

A caravana solidária reunida por Telma Araújo, uma militante histórica de Cuba que organizou brigadas sul-americanas por décadas, foi se formando desde o semestre passado e, se tudo correu bem, devemos muito ao trabalho persistente e incansável da companheira brigadista e amiga de Cuba e seu povo.

O ICAP está à disposição
dos povos solidários a Cuba

As ações do governo dos Estados Unidos iniciadas assim que entramos no ano de 2026 como, por exemplo, o ataque ao país venezuelano e sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua companheira Cilia Flores, em 3 de janeiro, mudaram drasticamente o cenário em relação à viagem para Cuba. A primeira ação de Trump foi asfixiar o povo cubano ao impedir o fornecimento de petróleo.

Depois, os Estados Unidos bombardearam o Irã e iniciaram outra guerra que alterou mais ainda o panorama político mundial. As ameaças de invadir e fazer com o governo e povo cubano o mesmo que fizeram com a Venezuela, além do bloqueio total de fornecimento de petróleo à ilha caribenha, deixaram todos os admiradores e apoiadores de Cuba apreensivos de irem ao país e o turismo está praticamente nulo neste momento.

Caravana brasileira solidária a Cuba
é recebida pela Amistur/ICAP

Fomos recebidos pelos agentes turísticos da Amistur e pelos trabalhadores em todas as estruturas turísticas com muito carinho e consideração, eles sabem o esforço que fizemos para estar em Cuba, levar medicamentos e demais itens necessários e prestarmos nossa solidariedade, além de ativar a cadeia produtiva do turismo.

Por isso, a mensagem inicial que deixo nesta primeira postagem sobre nossa viagem a Cuba em 2026 é para que vocês visitem o país e fortaleçam a luta do povo cubano para resistirem aos ataques criminosos e genocidas dos Estados Unidos.

O mundo civilizado deve exigir o fim do bloqueio estadunidense contra o povo cubano. Nossa solidariedade! Cuba livre e soberana!

William

13/04/26

domingo, 12 de abril de 2026

Diário e reflexões


"Vas  bien, Fidel!" (Camilo Cienfuegos)*

Refeição Cultural

Osasco, 12 de abril de 2026. Domingo.


"             William

                                       Sérgio Gouveia


Braços e pernas em equilíbrio.

Forte. Firme. Seguro.

Paixão.  Inteligência.


Seus óculos, com lentes sempre limpas,

filtram o que vê.

Sua língua, que também lhe preocupa,

escolhe o que fala.

Aulas. Aulas. Aulas.|


E ele se nos forma."


Tive a honra de ser presenteado com o poema "William", feito por meu amigo professor e poeta Sérgio Gouveia. Também tive a sorte de ser agraciado por uma dessas veredas da vida que nos colocou numa viagem juntos. A vida é oportunidade, é o que venho refletindo nos últimos anos de existência.

Hoje faz uma semana que nossa caravana solidária chegou de Cuba. Ainda estou digerindo as impressões e as experiências que vivenciamos, que vivenciei, nessa nova visita ao país socialista.

O acolhimento que tivemos por parte do povo cubano foi inesquecível, o afeto e a gratidão demonstrados a nós por estarmos lá num momento tão difícil ficará em meu coração. 

Nós do campo da esquerda também somos gratos ao povo cubano pelo exemplo que eles nos dão diariamente e há décadas, de que é possível sair da lógica capitalista e imperialista.

Quero e não quero escrever sobre Cuba... quero e não quero escrever sobre várias coisas que agitam as sinapses de meu cérebro...

Estou meio esquisito, acredito na ciência e não tenho mais encantos por abstrações (religiosas) que nossa espécie cria há milênios para dar sentidos ao mundo e à vida.

Sou um homem de sorte, tenho leitura clara sobre isso. Chegar até aqui na existência foi algo de muita sorte. Acasos e veredas percorridas fazendo caminhos que não existiam. Pegadas ficaram pelos caminhos em solos moles e duros.

Amanhã faço mais um procedimento chato na boca, descobri no ano passado uma leucoplasia na língua e tenho que acompanhar a reprodução irregular de células na região para o resto da vida... 

A ciência fará sua parte, os profissionais de saúde estão lá na Faculdade de Odontologia da USP para cuidar de nós e eu só tenho que agradecer por ter alguém acompanhando o meu caso.

Falar é importante para nós humanos. E olha que eu sempre pensei na importância de meus pés e meus olhos, porque caminhar, correr e ler são atos centrais na minha vida. Mas falar também é de nossa natureza humana... mesmo quando o melhor seja calar.

Sigamos! Vou caminhar ao sol e comer um pão com manteiga hoje. Amanhã e nos próximos dias não farei isso.

William


*Post Scriptum

Sobre a importância da língua e da fala e da comunicação em si, a frase dita por Camilo Cienfuegos a Fidel Castro "Vas bien, Fidel!" tem um contexto central sobre o comunicar-se bem de acordo com cada público ouvinte. 

O Comandante em Chefe Fidel Castro discursava ao povo cubano, já de noite, após a vitória e a marcha até a capital do país, Havana, quando pergunta ao companheiro Camilo Cienfuegos, um campesino revolucionário, se o discurso que ele estava fazendo ao povo simples estava bom, se ele se fazia entender, e Camilo, uma liderança popular, sem formação acadêmica como o próprio Fidel e o médico Ernesto Che Guevara, respondeu ao Comandante que ele estava no caminho certo da comunicação com o povo.

Comunicar-se bem é muito importante!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Livro: Fidel Castro, comandante invicto - Norberto Escalona Rodríguez



Refeição Cultural

LITERATURA E HISTÓRIA


"Havia muitos guardas mortos, e me lembro de uma frase de Fidel que me comoveu muito. Quando percorria o campo de batalha, alguns companheiros zombavam dos cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos, por conta da dinâmica do combate, dizendo coisas ofensivas. O Comandante em Chefe os ouviu e mandou que se calassem. Depois, disse algo mais ou menos assim: 'Estamos em uma guerra, onde eles estão errados e vêm nos combater, e temos de matá-los. Mas não se esqueçam de que são cubanos como nós, mesmo que não tenham razão'. Ele não permitiu que os companheiros desonrassem os inimigos mortos. Aquele gesto de humanidade nos impactou a todos." (Ada Bella, depoimento de uma das Marianas, p. 252)


Finalizei emocionado a leitura do livro Fidel Castro, comandante invicto: Serra Maestra pelo Quinteto Rebelde e Batalhão das Marianas. O momento no qual nos encontramos é de muita apreensão por causa do sofrimento imposto ao povo cubano por parte dos Estados Unidos e o bloqueio criminoso que vigora há mais de seis décadas - desde 1962 -, bloqueio recrudescido por Trump no período atual.

O livro tem um prefácio importante e esclarecedor de Beto Almeida, que engrandece o trabalho de pesquisa, entrevistas e organização da história da Revolução Cubana feito pelo jornalista e escritor Norberto Escalona Rodríguez. A tradução foi feita pela professora Maria Leite, especialista na área da educação em Cuba.

Tive a oportunidade de conhecer Cuba em duas visitas que fiz à ilha caribenha em 2023 e 2024. Foram experiências inesquecíveis e eu deixo a sugestão aos leitores e leitoras que se interessam pelas causas populares organizarem-se para visitar e conhecer pessoalmente o país e o povo cubano. 

Cuba é um dos raros países do mundo com poucos recursos que garante os três principais direitos humanos de forma gratuita ao povo: alimentação, saúde e educação. Isso graças à opção pelo socialismo.

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"Da relação do quinteto com o Exército Rebelde, surge o próprio nome do grupo e a ideia de usar melodias populares cubanas, como o famoso bolero La Barca, dotando-o de outra letra, com conteúdo sintonizado com a luta de libertação, com mensagens patrióticas, visando elevar o moral revolucionário." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 14/15)


Norberto Escalona nos apresenta as histórias humanas dos músicos convocados pelos rebeldes para participarem da luta de libertação tocando e cantando através da Rádio Rebelde, cravada no meio da Serra Maestra. Os músicos criavam letras com as temáticas da guerrilha e os alto-falantes da rádio levavam suas mensagens até os soldados do ditador Batista. 

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"As jovens camponesas também foram incorporadas aos serviços de saúde, cuidavam dos feridos, ou trabalhavam na cozinha, ou buscando alimento na própria Serra. Também cumpriam funções muito arriscadas, como negociadoras com comandos do exército da ditadura, como é o caso de Teté, que com 16 anos desceu desarmada da Serra, com uma bandeirinha branca, enviada por Che a uma missão de negociar a libertação de feridos prisioneiros. E Teté assumiu a missão, mesmo sabendo que podia ser assassinada, como a advertiu o próprio Che. O próprio fato de ser uma mulher a negociadora já tinha efeito desmoralizador sobre o exército da ditadura." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 13)


As histórias das jovens revolucionárias que foram para a Serra Maestra com o desejo de contribuir com a guerrilha para libertar suas famílias e o povo cubano das barbáries dos soldados do ditador Batista é pra lá de emocionante, é de nos encher de orgulho e esperança na capacidade de resistência e luta das mulheres, tantas vezes oprimidas e vítimas de um mundo machista e sexista.

Amigas e amigos leitores, os tempos são desafiadores. Diria que os tempos sempre foram difíceis e desafiadores para nós que não pertencemos ao pequeno grupo das elites da classe dominante do mundo. Para nós do povo, a vida é luta todos os dias.

O povo cubano é um dos maiores exemplos do mundo e da história das sociedades humanas de que lutar por sua liberdade e independência vale a pena, vale a vida, vale o esforço para se manter soberano, livre e decidindo por conta própria o destino.

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FIDEL CASTRO

"Não se pode negar o quanto Fidel sempre foi visionário. Ele tem algo que eu chamo de 'anjo', porque é muito previdente. Ele já sabia que faltava pouco tempo para o fim da guerra. Queria reivindicar o papel da mulher cubana, não o nosso em particular, por estarmos ali, embora fôssemos privilegiadas por estar mais próximas. Era desrespeitoso o que alguns homens diziam sobre as mulheres. Mas ele estava completamente certo de que cumpriríamos com nosso dever. Porque quem estava na Serra, independentemente do nível de instrução, tinha princípios e, de uma forma ou outra, havia sentido os rigores da ditadura." (Lilia Rielo, do Batalhão das Marianas, p. 209)


A postura do líder revolucionário Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz é um exemplo extraordinário para todos nós que lutamos por um mundo diferente deste no qual estamos, hegemonizado pelos valores do capitalismo - exploração dos seres humanos e da natureza e acumulação de lucros a qualquer custo -, uma sociedade sem ética, sem preocupação com o meio ambiente, sem justiça, sem igualdade, sem oportunidades para todas as pessoas.

Ao conversar com a população cubana, nas duas visitas que fiz à ilha caribenha, pude perceber o quanto o povo ama Fidel e o tem como referência de ser humano e líder.

Enfim, leitura essencial o livro de Norberto Escalona Rodríguez. Quanto mais conheço sobre Cuba e seu povo incrível, mais quero conhecer.

Em breve, estarei na ilha pela terceira vez, levando meu apoio e solidariedade aos nossos irmãos e irmãs cubanos.

William Mendes

18/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Norberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instantes (11h30) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS


Todos os dias, recebemos notícias de assassinatos de mulheres ou outras violências contra as mulheres. O Brasil enfrenta uma epidemia de feminicídio neste primeiro quarto de século XXI. 

O livro que estou lendo conta aos leitores a história da participação feminina nas lutas de libertação nacional do povo cubano, e lá estão as mulheres guerreiras e revolucionárias da maior das ilhas antilhanas.

O exército rebelde liderado pelo Comandante Fidel Castro Ruz, que se estabeleceu na Serra Maestra entre o final de 1956 e até 1958 e de lá iniciou a libertação do povo cubano, contou com um batalhão de guerreiras revolucionárias, o Batalhão das Marianas.

A inspiração daquelas jovens mulheres cubanas era a lendária patriota "Mariana Grajales Cuello, considerada a mãe da Pátria, que no dia 10 de outubro de 1868, ao repicar dos sinos do engenho açucareiro Demajagua, quando Carlos Manuel de Céspedes iniciou as guerras por nossa independência, fez toda a sua família jurar, ante uma imagem de Cristo, que lutariam até libertar a terra amada ou morrer" (p. 137/138)

Mariana Grajales colocou a serviço da Pátria toda a sua "tribo heroica", como diz o livro. "Seus 14 filhos lutaram nas fileiras mambisas, e apenas dois sobreviveram, com os corpos marcados pelos ferimentos de guerra." (p. 138)

Neste instante, estou em casa em Osasco, me inspirando através de feitos como esses do exército rebelde e libertador de Fidel Castro e do Batalhão das Marianas. Temos que acreditar nas causas justas e na mudança da realidade ruim para os povos do mundo.

Pessoas comuns como eu e vocês já realizaram grandes feitos em benefício do povo mais humilde e sem acesso aos direitos básicos da cidadania como alimentação, saúde e educação. 

Cuba sofre um bloqueio genocida promovido pela potência militar EUA porque há 67 anos, após a Revolução, fornece ao povo alimentação, saúde, educação, moradia e outros direitos humanos de forma coletiva e universal. 

Isso é um péssimo exemplo de sociedade fora do padrão capitalista de vender direitos humanos como serviços entregues a quem puder comprar.

No Brasil, onde prevalece a cultura do capitalismo bárbaro oriundo dos cinco séculos de escravidão e genocídio dos povos oprimidos, as mulheres não são consideradas pela casa-grande seres humanos plenos de direitos, são posses, são coisas, como os demais patrimônios dos homens brancos e seus jagunços. Por isso os homens no Brasil matam as mulheres.

Temos que dar um basta nessa violência e nesse abuso machista e sexista.

Que tenhamos mais pelotões de mulheres e homens lutando unidos contra essa barbárie oriunda dos homens brancos do capitalismo. 

William Mendes

16/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Roberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.