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domingo, 29 de dezembro de 2024

Vendo filmes (XXIV)



Refeição Cultural

Já que a ficção virou realidade, talvez tivéssemos que criar blade runners que caçassem e aposentassem os extremistas ditadores que querem destruir o mundo e a vida humana em benefício próprio


Rever o filme Blade Runner e a ideia de um mundo convivendo com robôs idênticos aos seres humanos, só que mais fortes e passíveis de falhas e desobediência aos seus programas é um entretenimento que mescla ficção e realidade. Então, é inevitável refletirmos sobre o mundo atual.

Estamos há duas décadas, mais ou menos, com uma nova realidade no mundo humano por causa da plataformização da sociedade. Meia dúzia de humanos concentra sozinha um poder de manipular o comportamento de bilhões de pessoas independente das fronteiras dos países. Essa ficção virou a realidade. 

As big techs, corporações que juntam bancos, meios de comunicação e empresas que destroem a natureza, controlam o mundo e o comportamento dos seres humanos. Democracias viraram ficção. Liberdade humana é uma ficção.

Poucos homens podem destruir todas as florestas que restam, todas as terras onde há algum tipo de minério, todos os mares e oceanos que quiserem inviabilizar a vida, e pagam políticos e ideólogos para isso. 

A distopia virou a realidade. Um fdp faz o que quer em um país inteiro; num território como São Paulo no Brasil, por exemplo, um fdp faz o que quer e não pega nada contra ele.

Sei lá. Para o bem do planeta Terra, da diversidade da vida no planeta e para o bem da maioria dos seres humanos, talvez fosse o caso de se criar blade runners que aposentassem esses poucos humanos sem alma e sem consideração com a coletividade do único planeta habitável no universo conhecido até o momento.

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FILMES

Blade Runner - O caçador de androides (1982) - Direção: Ridley Scott. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Daryl Hannah.

SINOPSE (do DVD): O "Cult Movie" da ficção científica, ficou ainda mais fantástico mostrando uma chocante visão do futuro, realizado pelo consagrado diretor Ridley Scott. Por volta do ano 2000, o planeta Terra está em total decadência. Os poucos habitantes vivem aglomerados em gigantescos arranha-céus. A engenharia genética se tornou uma das maiores indústrias criando os replicantes, criaturas dotadas de extraordinária força e inteligência, praticamente indistinguíveis dos humanos. Nessa nova versão (1991), surpreendentes revelações em torno do romance entre Deckard (Harrison Ford) e Rachel (Sean Young). Qual será a verdadeira origem de o "Caçador de Androides"?

COMENTÁRIO: 

"Vi coisas que vocês jamais imaginariam... e agora tudo se perde, como as lágrimas se perdem na chuva. Agora morro..." 

Ver um filme clássico, de décadas atrás, é diferente de ver os filmes de hoje. Toda vez que vejo filmes antigos fico com essa ideia. O clássico de Ridley Scott é encantador, fisga o telespectador, encanta a gente. Desde a cena inicial daquela Los Angeles futurista, de 2019 (quatro décadas no futuro), até a questão central da história, os robôs replicantes, idênticos aos humanos. E ainda temos a trilha sonora de Vangelis.

No filme, uma corporação (Tyrell) cria e comercializa robôs idênticos a nós para serem utilizados nos piores trabalhos humanos e em exploração espacial. São tão perfeitos que só alguns especialistas conseguem através de jogos de perguntas identificar um replicante. São os caçadores de androides, os blade runners

Depois do projeto de produção dos replicantes ter sido interrompido por uma rebelião dessas máquinas, a ordem é aposentá-los (eufemismo para exterminá-los). Um blade runner aposentado, Deckard (Ford), é convocado para eliminar quatro replicantes que estão na cidade em busca de mais tempo de vida.

O filme do início dos anos oitenta aponta no enredo diversas consequências do que seria a sociedade globalizada e capitalista do futuro: um mundo destruído pelo excesso de produção e consumismo que acabou com a natureza, uma sociedade humana sem moral e sem valores e com uma ciência de ponta usada nesse contexto. Vejam se não é o mundo de 2024.

TEMPO - O tema central da ficção é o tempo, mais tempo. Os robôs são feitos com um tempo de vida determinado. Os nexus-6 têm 4 anos de vida. A temática do tempo restante - o tempo de vida das coisas - é uma grande temática para se refletir. Cada um de nós, em algum momento, terá que lidar com a questão central que move os replicantes: o tempo.

Eu lido com essa temática no dia a dia. Queria mais tempo com saúde. Não seria jovem demais para ter hoje o problema de desgaste no quadril e não poder mais sonhar projetos de corridas e outras atividades físicas? Será que estarei andando daqui a 4 anos? Como faço para pedir mais tempo ao meu criador como fez Roy Batty (Hauer) ao Dr. Tyrrel (Joe Turkel)?

O filme ainda nos traz a reflexão sobre o tempo de utilidade das coisas numa sociedade gerida pela lógica capitalista. Nada é feito para durar, pois se as coisas durarem os capitalistas e seus CEOs não terão o lucro cada vez maior. Dane-se a natureza sendo esgotada. O amanhã não importa.

Filmão! Poderia refletir sobre diversas dimensões que o filme nos abre. Vale a pena ver e rever.

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Blade Runner 2049 (2017) - Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Hampton Fancher e Michael Green. Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Sean Young, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Jared Leto.

SINOPSE (NETFLIX): O conteúdo de um túmulo secreto chama a atenção de um poderoso empresário, que envia o caçador de replicantes K em uma missão para encontrar uma lenda perdida.

COMENTÁRIO: 

Nesta sequência de Blade Runner e os replicantes, a questão da memória foi uma das coisas que mais me chamaram a atenção. K recebe a missão de encontrar e eliminar tudo que se relacione a uma provável reprodução de um replicante por parto. Logo suas memórias começam a associá-lo ao caso. O replicante caçador de androides, K, começa a questionar o que é memória implantada e o que é memória real. O que seria real e o que seria memória criada?

"Os replicantes levam vidas difíceis, criados para fazerem o que não queremos (...), mas posso lhes dar boas memórias, para vocês recordarem e sorrirem..."

Memória - Eu ando impactado pela trágica ameaça a qualquer um de nós por doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson. Recentemente, vi o filme "Ainda estou aqui" e a história de Eunice Braga, que terminou seus dias com Alzheimer, me deixou muito pensativo. Ninguém merece ter uma doença dessas, na qual a essência do que somos vai desaparecendo e vai ficando só um corpo vazio sem nós e aquilo que chamamos de nossa identidade, nossa alma, nosso espírito.

O filme é bom, eu gostei. A questão dos robôs replicantes, máquinas quase idênticas a nós, é um tema permanente de preocupações e reflexões. 

Na sequência da primeira estória, que se passa numa Los Angeles do futuro, em 2019, os replicantes que estão no cotidiano da sociedade humana em 2049 não têm prazo determinado de vida, vivem por tempo indeterminado. A humanidade e a sociedade humana estão uma merda, um mundo quase inabitável, o planeta destruído por nós humanos, uma sociedade humana decadente.

O cenário da ficção de 2049 é o cenário atual, não é mais distopia, agora é o mundo verdadeiro, com trumps e bolsonarios lixos se organizando mundialmente para desgraçar a vida dos bilhões de humanos e da infinidade de seres vivos que habitam esse único planeta em condições de abrigar vida.

As ficções distópicas viraram crônicas do dia a dia de um mundo em falência total.

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É isso! Os dois filmes distópicos me fizeram refletir sobre um monte de questões atuais.

Caso haja interesse em ler mais textos criados a partir de filmes é só clicar aqui para ver o anterior.

William 


domingo, 4 de agosto de 2024

71 de 100 dias



71. Enquanto fechava os olhos, pela manhã, para apreciar o vento que acariciava meu corpo no banco do condomínio, pensei na temática do filme "Blade Runner" (1982): o tempo, a busca por mais tempo de vida. 

De forma natural, me veio à lembrança o genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza. Nas últimas horas, dezenas de pessoas foram mortas em uma escola e em um campo de refugiados pelas bombas dos soldados israelenses. 

É impossível não se sentir constrangido por estar sentado ao sol, em paz na brisa, sem risco de morte aparente, sabendo que os soldados sionistas e o governo de Netanyahu estão matando pessoas como nós, seres humanos, por causa de um projeto político de colonização de um espaço de chão no planeta Terra. E com apoio e armas dos Estados Unidos, que por sinal querem a qualquer custo o petróleo de nossos vizinhos venezuelanos.

Como é possível no século atual interligado por som e imagem ter-se normalizado o assassinato diário de civis, de mulheres, crianças e não-combatentes pelo Estado de Israel? Os sionistas assassinam diplomatas e lideranças civis como se isso fosse algo normal e aceitável. 

IDEOLOGIA DA CLASSE DOMINANTE - E a imprensa tradicional e comercial, dos donos do capital (donos das big techs, por sinal), atua com obediência canina para tirar do foco o genocídio de um povo (invisibilização de pauta) e colocar outras pautas na agenda cotidiana. Isso se chama manipulação das massas, de seus leitores e espectadores: se trata de ideologia, imposição de ideias de um grupo como se fossem as ideias de interesse de outros grupos. É uma prática tão vil e nojenta quanto o próprio genocídio que a imprensa esconde e normaliza.

Aí volto ao tema do tempo, da busca por mais tempo de vida... eu mesmo, enquanto me esforçava para diminuir o tempo do percurso que corri, pensava no efeito prolongador da vida em meu corpo animal que a corrida pode me proporcionar, melhorando meus níveis de colesterol, minha estrutura do sistema circulatório e a capacidade do coração e pulmões. 

No filme de Ridley Scott, o replicante Roy Batty (Rutger Hauer) procura seu criador para pedir mais tempo de vida para ele e sua amada, Pris (Daryl Hannah), pois os robôs nexus-6 vivem por 4 anos e nem um segundo a mais.

Fico pensando nessa questão do tempo, de mais tempo de vida. Penso nos meus irmãos palestinos neste exato instante, sem água, comida, sem um chão pra viver em paz. Penso nos ensinamentos de José Martí, que nos legou que "Patria es humanidad" e reflito sobre essa questão do tempo de vida: 

De alguma forma, devemos contribuir para mudar o mundo, tornar o mundo um lugar melhor para todas as pessoas e formas de vida. Minha vida não pode ser só focada no meu prazer pessoal. Temos que contribuir para mudar o mundo. 

Por isso estudo e escrevo. Para compartilhar minhas ideias, para defender um mundo sem exploração dos humanos por outros humanos, para defender uma vida mais sustentável no planeta Terra, para alertar que não é possível "humanizar" o capitalismo. Para salvar a vida e o mundo, temos que derrotar os capitalistas e suas ideologias. 

William Mendes 


domingo, 7 de janeiro de 2024

Vendo filmes (XI)



Refeição Cultural

Nossos destinos estão à deriva, apontam para o fim da humanidade e destruição da natureza, mas não precisa ser assim


Introdução

Os povos yanomami e a floresta amazônica, Napoleão Bonaparte e o poder dos homens, coisificação e desumanização de seres humanos, o mundo visto sob pontos de vista distintos. As interações entre homens e natureza. Essas temáticas foram destaque nos três filmes que comento abaixo.

Outro destaque nos três filmes que vale a pena observar e comentar, mesmo sendo uma coincidência na sequência que assisti, os três têm fortes cenas envolvendo o elemento água e a questão do mergulho, da agonia do afogamento, da imensidão do mundo aquático. É psicologicamente um "mergulho" o que o telespectador vivencia ao ver essas obras. E com isso, se completa o nosso mergulho nas histórias e nas temáticas dos filmes.

Se uma pessoa não tiver mais a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, se não for aculturada e educada ao longo de sua vida para se imaginar sofrendo as violências e dores impostas a outras pessoas, seres humanos idênticos a ela em direitos e deveres, estaremos estabelecendo o fim da sociedade humana como nós a criamos através de séculos de acertos e erros na construção da vida em comum de uma espécie animal, a homo sapiens.

Mergulhar em filmes e documentários que nos permitem refletir sobre outras matrizes culturais, sobre eventos da história, mesmo que sob o ponto de vista recortado por um diretor, e nos colocar na condição de um sem-terra, um sem-lugar no mundo, é uma oportunidade para avaliarmos como estamos nos comportando enquanto seres humanos na atual quadra da história humana. Ainda nos sensibilizamos com o outro? Ou não nos importamos mais com ninguém a não ser nós mesmos?

Há em curso uma experiência programada de alteração do comportamento humano através de um sistema global de desconstrução do caráter e da ética humana de se importar com as outras pessoas, com os outros seres vivos do lugar comum no qual todos nós vivemos: o planeta Terra. Estou falando da fase atual do capitalismo e suas ferramentas ideológicas massivas difundidas através das redes de comunicação globais das big techs (empresas capitalistas de poucos donos, os donos do mundo).

Ao sermos fisgados por essas máquinas de captura de nossas mentes e nossas atenções, 24 horas por dia, estamos perdendo a essência do que somos, animais sociáveis e de vivência cooperativa e coletiva. Vocês duvidam que somos seres de necessidades sociáveis e coletivas? Quanto tempo uma cria da nossa espécie precisa para se tornar minimamente autossuficiente na manutenção de sua própria vida? Somos como os outros animais na natureza que em horas, dias e semanas estão aptos a viverem sozinhos? Evidente que não!

É por isso que filmes como A última floresta e Destinos à deriva deveriam nos deixar transtornados e desejosos de mudar agora o rumo das coisas na sociedade humana. Se nada for feito, acabou para nós!

Já filmes como Napoleão nos coloca a pensar sobre como alguns humanos e algumas sociedades humanas podem fazer mudanças gigantescas no mundo ao seu redor, sejam as mudanças positivas ou negativas para as demais pessoas e formas de vida.

Gostei bastante dos filmes que cito abaixo.

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FILMES

A última floresta (2021) - Direção: Luiz Bolognesi. Com Davi Kopenawa Yanomami e outras atrizes e atores yanomamis. Apresentação: o xamã Davi Kopenawa tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade, que fica localizada em um território Yanomami, isolado na Amazônia. Os jovens ficam encantados com os bens trazidos pelos brancos.

COMENTÁRIO: Enquanto assistia à mescla de documentário e ficção de Bolognesi e Kopenawa sobre a vida e as dificuldades dos povos yanomamis da região Norte do país por causa das agressões e invasões dos brancos, meus pensamentos perambularam por diversas histórias e culturas de povos tradicionais e originários, minha razão ficou brigando com as hipocrisias das culturas dos brancos e povos ocidentais, e me lembrei até da fita cassete que tenho em casa com uma hora de música da natureza, fita gravada num sítio de meu tio Léo em Barra do Garças há muito tempo, numa lagoa após uma chuva noturna: a sinfonia de sapos, rãs, grilos e demais sons daquele espaço da natureza é uma viagem ao paraíso perdido: a Natureza.

MISTICISMO DO OUTRO NÃO VALE - Uma coisa que não me saiu da cabeça tem relação com a hipocrisia dos brancos em relação ao preconceito que eles têm às visões místicas de outros povos e culturas (religiões). O branco acredita em misticismos da mesma forma que outras matrizes culturais e fica arrotando que a sua crença e visão de mundo é melhor que a dos outros. Isso é nojento demais! Arrogante demais! Até em relação a quem não crê em misticismo algum.

O QUE ESTOU FAZENDO PARA SALVAR A NATUREZA? Depois de adquirir um pouco mais de informação sobre as questões do meio ambiente, dos povos indígenas e das consequências trágicas da forma como nós seres humanos estamos consumindo o planeta e inviabilizando a vida nos ambientes terrestres, filmes e documentários como A última floresta me deixam envergonhado por saber o que está acontecendo com a nossa casa - a Natureza - e não estar fazendo algo pessoalmente para interromper a destruição e forma como estamos lidando com o único lugar no universo no qual podemos viver no presente e no futuro. Qualquer pessoa com um mínimo de consciência deveria ter vergonha de não lutar para interromper a destruição da natureza.

Eu e você que sabemos como as coisas são teríamos a obrigação ética do conhecimento adquirido de fazer algo agora para interromper as ações da pequena parcela de humanos que está inviabilizando a vida de bilhões de seres... acho que nem quero me aprofundar nesta questão. Resumo afirmando que é muito sério saber e não fazer nada de fato para alterar a situação. Não basta terceirizar responsabilidades e culpas... não basta.

(depois do filme, fui dormir e sonhei a noite inteira com cenários e pessoas e situações que incluíam água, muita água nas cenas. Dormi mal a noite inteira, acordei ao final das três sessões imaginárias ligadas à natureza. Registro que raramente me lembro de algum sonho... foi como se eu tivesse participado daquele ritual que vi ao final do documentário dos yanomamis...)

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Napoleão (2023) - Direção: Ridley Scott. Com Joaquin Phoenix e Vanessa Kirby. Apresentação: filme aborda a vida de Napoleão Bonaparte sob a ótica do diretor, que focou o enredo na relação entre Napoleão e sua esposa Josefine. Uma das referências para a história são as cartas de Napoleão para ela.

COMENTÁRIO: Uma das certezas que continuo tendo é que a melhor dica para ver um filme ou ler um livro é nunca ouvir ou ler as críticas dos críticos. Fora a questão dos spoilers, que detesto, tem a questão central de ser conduzido para uma ou outra leitura e interpretação a respeito da obra, seja a leitura boa ou ruim. No caso do filme Napoleão esse cuidado foi importante para meu momento de entretenimento.

Assistimos ao filme no cinema e eu gostei. Os críticos que ouvi depois, por curiosidade, falaram mal de praticamente tudo. A principal crítica é sobre a abordagem superficial que Ridley Scott adotou em relação à parte histórica sobre a vida do personagem e sobre o contexto político da época. Eu compreendo as críticas sobre as lacunas históricas do filme, mas tenho clareza que se eu quiser saber sobre a história de Napoleão, da França, da Revolução Francesa, das guerras napoleônicas, dos países adversários da França à época etc, eu tenho que estudar sobre isso. Nunca foi diferente essa questão!

Aliás, eu que não me considero um total ignorante (não sabedor) de história mundial (na Fuvest 2000 quase gabaritei a disciplina História, errei 1 pergunta em 20, se não me falha a memória), refleti que preciso estudar a respeito da questão histórica relativa ao personagem do filme Napoleão Bonaparte. Me considero um ignorante em relação a ele. Ponto. E mais: tenho comigo faz tempo que sou ignorante em relação à Revolução Francesa. Se a existência me permitir mais tempo, seria bom eu, qualquer hora dessas, estudar a respeito da história da França e do povo francês.

Me envolvi tanto na história do filme que nem vi a hora passar. Achei a interpretação de Joaquin Phoenix excelente como sempre, gostei das imagens e cenários do filme, e as cenas das batalhas foram bem legais, fazem a gente pensar. 

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Destinos à deriva (Nowhere, 2023) - Direção: Albert Pintó. Elenco: Anna Castillo (Mía) e Tamar Novas (Nico). Sinopse (Wikipedia, com adaptações): Em um governo totalitário e destrutivo, a Espanha inicia a terrível prática de erradicar crianças, mulheres grávidas e idosos para lidar com a escassez de recursos. Mía (Anna Castillo), uma mulher grávida, é separada de seu marido, Nico (Tamar Novas), enquanto tentavam fugir do país em direção à Irlanda. No entanto, a mulher descobre que a sorte não está do seu lado ao se encontrar em uma situação angustiante de sobrevivência depois de ficar presa dentro de um contêiner no mar, ao cair de um navio cargueiro durante uma tempestade.

COMENTÁRIO: Que filme! Que filme! Eu nem gosto de assistir a filmes assim por causa do sofrimento ao qual somos expostos durante o mergulho na estória. No entanto, o drama ficcional da personagem Mía é um mergulho na realidade do mundo atual, um mundo de milhões de refugiados, de gente sem um lugar para viver sua vida. Os roteiristas entrevistaram diversas pessoas que passaram por situações semelhantes à que enfrentaram Mía, Nico e os demais refugiados do filme. A força demonstrada pela mulher e mãe perdida num contêiner em alto mar é uma lição de vida para cada um de nós que às vezes quase desistimos de lutar e de viver por causa das dificuldades que enfrentamos, que são reais e que nos lembram o quanto a vida é dura. 

Vi na luta de Mía pela vida a imponderável força humana de personagens como o velho Santiago de O velho e o mar e o Náufrago, interpretado magistralmente por Tom Hanks. Aliás, Anna Castillo merece receber todos os prêmios que a indústria do cinema concede a interpretações magistrais. Que atriz! 

Aliás, de novo, o que dizer da luta pela vida dos povos yanomamis e demais povos indígenas e tradicionais!?

Vale a pena mergulhar com Mía nesse mar de injustiças da sociedade humana e repensar sobre o rumo de nossos destinos à deriva nas mãos de alguns humanos donos de todos os recursos e poder político no mundo.

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É isso! Essas três obras me colocaram pra pensar no passado, no presente e no futuro, já que só o animal humano tem essa capacidade de alterar a realidade natural através de escolhas racionais.

Temos que mudar agora o rumo do destino trágico e escatológico da espécie humana e da natureza do planeta Terra.

William


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