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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Morfologia - A flexão nominal de número




Oposição entre um indivíduo e mais de um indivíduo.


Como diz Saussure (1922) na língua tudo é oposição.

A situação especial fica por conta dos COLETIVOS, em que a forma singular envolve uma significação de plural. Como se trata de uma UNIDADE homogênea, vem no singular.

Mattoso nos diz sobre alguns casos particulares:

Tanto o plural para a indecomposição linguística de uma série de partes componentes (núpcias, exéquias, funerais), como para a expressão da amplitude (trevas, céus, ares) foram reunidos na gramática greco-latina sob a designação de PLURALIA TANTA, ou, menos adequadamente, PLURAL MAJESTÁTICO.


MORFEMA FLEXIONAL DE PLURAL

O morfema flexional de plural, oposto a um zero (0 singular), é fonologicamente o arquifonema /S/ das 4 fricativas não-labiais (sibilantes: /s/-/z/; chiantes: /s'/-/z'/) em oposição pós-vocálica final.

A sua representação fonológica como /S/ corresponde à realização do morfema diante de pausa. Esta posição parece a mais natural, desde que estejamos focalizando o vocábulo formal isolado. Ela está implícita na letra -s como signo de plural na língua escrita.


OU SEJA, o que verificamos é que há dentro de um dialeto regional, três ou pelo menos dois fonemas possíveis para o morfema flexional de plural em português.


O MORFEMA FLEXIONAL DE PLURAL SE REALIZA COM DOIS OU TRÊS ALOMORFES.

ALOMORFIAS:

1- Alomorfe zero (0) para os nomes paroxítonos terminados em /S/.

Ex.:

- flor simples (simples singular), flores simples (simples plural);
- ourives perito (ourives singular), ourives peritos (ourives plural).

2- Nomes terminados por consoantes no singular que seriam formas teóricas com um tema de vogal -e.

Ex.:

- mar(e)s;
- animal(e)> anima(l)es> animais;
- paz(e)s.


3- Caso mais complexo é o dos nomes de singular em -ão, tônico ou átono. O singular neutraliza 3 estruturas radicais distintas, ou antes, uma estrutura de tema em -e e outra, que ora tem o tema em -e, ora tem o tema em -o. Nesta última a forma teórica coincide com a forma concreta singular e o plural se faz regularmente pelo acréscimo de /S/ do plural:

Ex.:

- irmão-irmãos;
- órfão-órfãos.

Já a vogal do tema em -e se combina com uma estrutura terminada em -ã/aN/ e outra terminada em -õ/oN/. A vogal do tema se incorpora como assilábica à sílaba de travamento nasal e este passa a travar o tema:

Ex.:

- pãe/pa'N/ > pães;
- leõe/leo'N/ > leões.

Donde:

1) -ão: -ãos; -ãe: -ães. (só em mãe o tema teórico se realiza no singular: mãe:mães); -õe: -ões.

-ÕE: -ÕES é a estrutura mais frequente, ou antes, a estrutura geral, de sorte que a maioria dos singulares em -ão, sendo teoricamente õe, forma o plural em -ões.

As duas outras estruturas são tão reduzidas que se podem esgotar em pequenas listas.

É bom lembrar que existe variação livre de duas ou três estruturas teóricas para vários nomes:

Ex.:

- aldeão = aldeões, aldeãos e aldeães.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

Regras básicas na descrição do gênero nominal




Um resumo básico de Mattoso Câmara nos ajuda bastante na descrição do gênero nominal:

1) Nomes substantivos de gênero único.

Ex.: (a) rosa, (a) flor, (a) tribo, (a) juriti, (o) amor, (o) livro, (o) colibri, (o) homem, (a) mulher.


2) Nomes de dois gêneros sem flexão.

Ex.: (o,a) artista, (o,a) intérprete, (o,a) mártir.


3) Nomes substantivos de dois gêneros, com uma flexão redundante.

Ex.: (o) lobo, (a) loba, (o) mestre, (a) mestra, (o) autor, (a) autora.


O ARTIGO:

O artigo, que, como partícula pronominal adjetiva, tem uma função significativa bem definida, tem a mais a função de marcar, explícita ou implicitamente, o gênero dos nomes substantivos.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

A flexão de gênero e seus alomorfes




Relembrando...

A flexão de gênero é uma só, com pouquíssimos alomorfes: o acréscimo, para o feminino, do sufixo flexional -a (/a/ átono final) com a supressão da vogal temática, quando ela existe no singular: lob(o) + a = loba; autor + a = autora.


ALOMORFIAS NA FLEXÃO DO GÊNERO:

1- o par opositivo avô-avó.

2- as formas teóricas em /oN/
Ex.: bom /boN/ = boa; leão /leoN/ = leoa.

3- o sufixo derivacional aumentativo /oN/ vai para a sílaba seguinte como consoante /n/ acrescido da desinência –a: valentão /valeNtoN/ = valentona.

4- os radicais em /aN/ com tema em -o suprimem a vogal do tema no feminino: órfão-órfã; irmão-irmã.

5- o sufixo derivacional -eu suprime a vogal do tema -o /u/ e se ditonga ao acrescentar a desinência -a: europeu-europeia.

6- alternância da tonicidade, além do acréscimo da desinência -a:
Ex.: -oso /ôz/ = -osa /óz/ gostoso-gostosa
grosso /ôs/ = grossa /ós/

Segundo Mattoso Câmara, essas alomorfias se resolvem pelo dicionário, em que basta haver uma entrada para a forma teórica, em vez de se averbar simplesmente a forma de masculino.

Diz ainda: da mesma sorte, é ao dicionário que cabe informar sobre a chamada heteronímia no gênero, que não é mais do que a restrição a um gênero único de determinado membro de um par semanticamente opositivo. Por exemplo: homem, registrado como masculino, com uma remissão a mulher, por sua vez registrada como feminino.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Morfologia - O nome e suas flexões




(muitas frases aqui são citações do texto do professor Mattoso Câmara)


Relembrando...

Radical e tema são distintos. O tema vem a ser o radical ampliado por uma vogal determinada, que entra na flexão dos nomes e dos verbos.

Além dos verbos em temas 'a', 'e' e 'i', há nos nomes os temas em -a (rosa, poeta, planeta), os temas em -o /u/ átono final (livro, tribo, cataclismo) e os temas em -e /i/ átono final (dente, ponte, análise).

Assim, não se confunde a desinência de feminino -a, que aparece especialmente nos temas em -o (lobo, loba) e a vogal temática em -a, que não é marca de gênero (cf. poeta, masculino; artista, masculino ou feminino, conforme o contexto).


Os NOMES se dividem em SUBSTANTIVOS e ADJETIVOS. O contexto mostra qual é determinado e qual é determinante.

Ex.:
- marinheiro brasileiro = marinheiro (subst.) de nacionalidade brasileira (adj.);
- brasileiro marinheiro = brasileiro (subst.) de profissão marinheiro (adj.).


ADJETIVOS: a maioria tem temas em -o e -e. Os em -o têm a flexão de feminino em -a e os em -e não têm flexão, são neutros.

Ex.:
- homem corajoso, mulher corajosa;
- homem grande, mulher grande.


SUBSTANTIVOS: podem ter feminino em -a quando são de tema em -e ou quando são atemáticos.

Ex.:
- mestre-mestra; autor-autora; peru-perua.


INCOERÊNCIA NA APRESENTAÇÃO TRADICIONAL DAS GRAMÁTICAS

A flexão de gênero é exposta de uma maneira incoerente e confusa nas gramáticas tradicionais do Português. É ruim a forma de associação ao sexo dos seres para se falar da natureza semântica das palavras.

O gênero abrange todos os nomes no Português e não só os nomes de seres e, mesmo nestes, há problemas, pois para os animais temos os chamados substantivos EPICENOS, como cobra, sempre feminino, e tigre, sempre masculino.

Na realidade, o gênero é uma distribuição em classes mórficas, para os nomes, da mesma sorte que o são as conjugações para os verbos.

O mais que podemos dizer, porém, em referência ao gênero, do ponto de vista semântico, é que o masculino é uma forma geral, não-marcada, e o feminino indica uma especialização qualquer (jarra é uma espécie de jarro, barca um tipo especial de barco, como ursa é a fêmea do animal chamado urso)


NÃO É COERENTE confundir com flexão a RELAÇÃO SEMÂNTICA entre as palavras HOMEM e MULHER. Aqui, não se trata de flexão de gênero como afirmam as gramáticas.

O processo nesse caso é lexical ou sintático e não de flexão.


Na descrição da flexão de gênero em português não há lugar para os chamados 'nomes que variam em gênero por heteronímia'. O que há são substantivos privativamente masculinos, e outros, a eles semanticamente relacionados, privativamente femininos.

Nos casos de imperador-imperatriz, galo-galinha, perdigão-perdiz, o que ocorre não é um processo de flexão de gênero e sim um caso de derivação com os sufixos -TRIZ, -INHA, -ÃO.

IMPORTANTE: 

A flexão de gênero é uma só, com pouquíssimos alomorfes: o acréscimo, para o feminino, do sufixo flexional -a (/a/ átono final) com a supressão da vogal temática, quando ela existe no singular: lob(o) + a = loba; autor + a = autora.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

domingo, 16 de novembro de 2008

O mecanismo da flexão portuguesa (4)




CONCLUSÃO DO ASSUNTO NO TEXTO DE MATTOSO: 

"Uma complexidade da língua portuguesa, que prolonga uma situação latina, é a distinção que convém fazer entre radical e 'tema'. O tema vem a ser o radical ampliado por uma vogal determinada, que entra assim na flexão dos nomes e dos verbos. 

Em vez de CANT-, FAL-, GRIT-, por exemplo, temos os temas em -a: CANTÁ-, FALÁ-, GRITÁ-, que colocam esses verbos numa classe morfológica, dita 1a conjugação. Analogamente, temos a classe dos verbos de tema em -e- (2a conjugação) e a dos de tema em -i- (3a conjugação). 

Não é costume das nossas gramáticas estabelecer a mesma distinção para os nomes. Mas a conveniência de fazê-lo me parece inegável. Há nos nomes os temas em -a (rosa, poeta, planeta), os temas em -o /u/ átono final (livro, tribo, cataclismo) e os temas em -e /i/ átono final (dente, ponte, análise). Assim não se confunde a desinência de feminino -a, que aparece especialmente nos temas em -o (lobo, loba) e a vogal temática -a, que não é marca de gênero (cf. poeta, masculino; artista, masculino ou feminino conforme o contexto). 

Nos nomes, a ausência da vogal temática cria as formas que podemos chamar atemáticas e se circunscrevem, a rigor, aos oxítonos em -á, ou -ê, -ó, ou -ô, -u e -i (alvará, candomblé, noitibó, urubu, tupi). Os nomes terminados no singular em consoante pós-vocálica têm uma forma teórica em -e /i/ átono final, que se deduz dos plurais. Compare-se: feliz - felizes, mar - mares, e assim por diante (nos nomes terminados em /l/ há regras especiais que alteram superficialmente o resultado)." 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O mecanismo da flexão portuguesa (3)




A rigor, só se encontram em português SUFIXOS FLEXIONAIS nos nomes e nos verbos. 

NOMES - em GÊNERO e NÚMERO. 


VERBOS - TEMPO E PESSOA GRAMATICAL 


NOMES 

GÊNERO - oposição entre forma masculina e feminina. Flexão básica: um sufixo ou desinência -a (átono final) para marcar o feminino. 

NÚMERO - contraste entre a forma singular e plural. Presença de um sufixo flexional ou desinência /S/ no final da última sílaba. 

"o masculino e o singular se caracterizam pela AUSÊNCIA das marcas de feminino e de plural" (morfena gramatical ZERO - 0) 

O CASO DOS PRONOMES: 

O que diferencia no caso dos pronomes (em relação aos nomes) são 3 noções gramaticais: 

PESSOA GRAMATICAL - referência no âmbito do falante (1a pessoa), no ouvinte (2a pessoa) ou fora da alçada dos dois interlocutores (3a pessoa). A referência também pode ser pra uma ou mais pessoas (4a, 5a e 6a, ou seja, 1a, 2a e 3a do plural) 

Aqui, esta noção não se trata de flexão e sim de vocábulos lexicais. 

GÊNERO NEUTRO para PRONOMES em FUNÇÃO SUBSTANTIVA - referência a coisas inanimadas (isto, isso, aquilo) ou formas específicas para humanos (alguém, ninguém, outrem) 

CATEGORIA DE CASOS para PRONOMES - diversos vocábulos de pronomes para formas retas e oblíquas. 

"As três noções gramaticais características dos pronomes NÃO ENTRAM NO MECANISMO FLEXIONAL da língua portuguesa." 

SÃO EXPRESSAS LEXICALMENTE por mudança de vocábulo. 

"Em relação aos nomes e pronomes, as noções gramaticais que se expressam por flexão são apenas as do gênero masculino e feminino e as de número singular e plural. E tanto para os nomes como para os pronomes, o mecanismo flexional é aí o mesmo." 

VERBOS 

Há duas noções muito diferentes que se completam para flexionar o vocábulo verbal. 

TEMPO - para designar a ocasião da ocorrência do que o verbo refere, do ponto de vista do momento da comunicação. Aqui acumula-se a noção de MODO (indicativo, subjuntivo, imperativo) e ASPECTO completo ou incompleto (perfeito/imperfeito). 

PESSOA GRAMATICAL DO SUJEITO - noção contida no vocábulo formal. 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O mecanismo da flexão portuguesa (2)




O QUE DIZEM NOSSAS GRAMÁTICAS PORTUGUESAS... 

Costuma-se chamar de FLEXÃO DE GRAU, ocorrências como: 

fácil - facílimo 
triste - tristíssimo 
negro - nigérrimo 

Faltam no processo, para MATTOSO, entretanto, as condições para tal. 

Não há obrigatoriedade no emprego do adjetivo com esse sufixo de superlativo (é mais uma questão de estilística) e não há uma sistematização coerente para todos os adjetivos (paradigma exaustivo e exclusivo) 

O QUE OCORRE COM OS SUPERLATIVOS É UMA DERIVAÇÃO. 

"Em outros termos. A expressão de grau não é um processo flexional em português, porque não é um mecanismo obrigatório e coerente, e não estabelece paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si" 

CONFUSÃO COM AS REGRAS DO LATIM: 

No latim havia morfemas gramaticais para graus (complexo flexional). Em português, o processo comparativo é SINTÁTICO e não de morfemas. 

Ex.: 

HOMO FELIX - homem feliz 
HOMO FELICIER LUPO - o homem é mais feliz do que o lobo 
HOMO FELICISSIMUS ANIMALIUM - o homem é o mais feliz dos animais 

Ou seja, mecanismos sintáticos no português: 

... mais do que... 
... o mais... dos... 

Varrão, diria aqui "DERIVATIO VOLUNTARIA" 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O mecanismo da flexão portuguesa




O termo FLEXÃO é a tradução do alemão BIEGUNG 'flexão, curvatura', introduzido pelo velho filólogo Schlegel (1772-1829) e serve para indicar que UM DADO VOCÁBULO SE DOBRA A NOVOS EMPREGOS. 

Em Português equivale a segmentos fônicos pospostos ao radical - ou sufixos. São os SUFIXOS FLEXIONAIS, ou DESINÊNCIAS, que não se devem confundir com os sufixos derivacionais, destinados a criar novos vocábulos. 

Para Varrão (116 a.C. - 26 a.C.) se trata de DERIVATIO NATURALIS, para indicar modalidades de uma dada palavra e DERIVATIO VOLUNTARIA, que cria novas palavras. 

No caso das DERIVAÇÕES, os morfemas gramaticais não constituem um quadro regular, coerente e preciso. 

Na FLEXÃO há OBRIGATORIEDADE E SISTEMATIZAÇÃO COERENTE: É naturalis. Os morfemas flexionais estão concatenados em paradigmas coesos e com pequena margem de variação. 

Na língua portuguesa também há a necessidade da CONCORDÂNCIA. 

Na FLEXÃO existe uma RELAÇÃO FECHADA: "a lista de termos é exaustiva, 'cada termo exclui os demais' e não está na nossa vontade introduzir um novo termo no quadro existente" (Halliday). 

AO CONTRÁRIO, para cada vocábulo, há sempre a possibilidade, ou a existência potencial, de uma DERIVAÇÃO. A lista dos seus derivados não é nem exclusiva nem exaustiva. 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vocábulos formais e análise mórfica (2)




Vamos lá! 

Na questão dos vocábulos formais temos as formas livres, presas e dependentes: 

FORMAS LIVRES: constituem uma sequência que pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente. Ex.: luz, proscrever, cachorro. 

FORMAS PRESAS: sequência que só funciona ligada a outra(s). Ex.: o 'pro' de proscrever; o 'in' de infeliz; etc. 

FORMAS DEPENDENTES: é uma forma que não é livre, porque não pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente, mas também não é presa, porque pode se disjungir da forma livre a que está ligada. 

Ex.: o artigo 'a' em "a lei" porque pode-se intercalar mais vocábulos entre eles, ou seja, "a grandiosa lei". 

Também é possível alternar a posição da forma dependente em relação a forma livre (o que não ocorre com a forma presa). É o caso dos pronomes átonos junto aos verbos. Ex.: "fala-se" pode ocorrer na forma "se fala". 

"São por isso vocábulos formais, porque são formas dependentes, em português, as partículas proclíticas átonas, como o artigo, as preposições, a partícula QUE e outras mais. São-no igualmente, como acabamos de ver, as variações pronominais átonas junto ao verbo, em vista de poderem ficar com ele em próclise ou em ênclise." 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O vocábulo formal e a análise mórfica




O que vem a ser um vocábulo formal?

Na escrita, se entende por vocábulo o conjunto de letras que fica entre dois espaços em branco. Essa praxe não funciona em se tratando de língua oral. A língua escrita não tem em vista o vocábulo fonológico e sim o vocábulo mórfico ou formal.

Na língua oral temos duas entidades: o vocábulo fonológico e o vocábulo formal ou mórfico.

E o que é um vocábulo fonológico?

É o que corresponde a uma divisão espontânea na cadeia da emissão vocal.

E o vocábulo mórfico ou formal?

É quando um segmento fônico se individualiza em função de um significado específico que lhe é atribuído na língua.

Há certa correspondência entre as duas entidades, mas elas não coincidem sempre e rigorosamente.

Na língua oral as pausas marcam uma divisão acima dos vocábulos, que é a dos GRUPOS DE FORÇA. A verdadeira marca de delimitação vocabular é a PAUSA PROSÓDICA.

Veja alguns exemplos das descrições acima:

FALASSE = 1 vocábulo fonológico e 1 vocábulo formal.
FALA-SE = 1 vocábulo fonológico e 2 vocábulos formais.

GUARDA-CHUVA = 2 unidades fonológicas MAS único vocábulo formal.

MÉDICI (presidente) = 1 vocábulo formal e 1 vocábulo fonológico.
MEDE-SE = é o mesmo vocábulo fonológico acima, mas são 2 vocábulos formais.


O VOCÁBULO FORMAL ou MÓRFICO é a unidade onde não é possível nova divisão em duas ou mais formas livres.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso:

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.
.Problemas de Linguística Descritiva, 8ª edição, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1976.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Morfologia - Classes de Palavras




Comentário do blog:

Qualquer erro conceitual ou de interpretação da aula é de minha responsabilidade e não do professor. Eu quis compartilhar o que aprendi. O curso do prof. Emílio usou como referência muitas lições do filólogo e linguista Mattoso Câmara.

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Aulas do prof. Emílio Pagotto (FFLCH - USP)

4ª atividade - Classes de Palavras

1) As definições abaixo foram extraídas do livro Curso Prático de Gramática, de Ernani Terra (São Paulo, Ed. Scipione, 1991). Examine-as e aponte os critérios de análise gramatical empregados. Procure justificar sua resposta.

SUBSTANTIVO é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá nome aos seres em geral. São portanto substantivos:

a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares;
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres. (p. 62)

ADJETIVO é a palavra variável em gênero, número e grau, que caracteriza o substantivo indicando-lhe qualidade, estado, modo de ser ou aspecto. (p. 79)

PRONOME é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que representa ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.

CLASSIFICAÇÃO DOS PRONOMES

Há em português seis espécies de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos, interrogativos. (p. 102)

ADVÉRBIO é a palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou ainda outro advérbio, exprimindo determinada circunstância. (p. 173)


2) Tome o seguinte conjunto de dados e explique que tipo de problemas eles colocam para cada uma das definições acima:

a) porta portão casa casebre casinha casarão

- porta grande (grau aumentativo analítico, segundo a mesma gramática)


Em um sistema de definição de classes de palavras é importante que uma característica exclua outra.

Adjetivo e advérbio: palavras que modificam
Substantivo e verbos: palavras que são modificadas


Existe uma ausência de hierarquia de critérios para diferenciar as classes de palavras.

Aqui já temos um problema de definição em dizer que o substantivo varia em grau.

a) porta portão casa casebre casinha casarão

Tem variação de grau. MAS não é flexão. É VARIAÇÃO porque os sentidos semânticos são diferentes.

O substantivo é passível de variação, mas não são todas as palavras que variam.

"porta" e "portão" são palavras com sentidos e usos semânticos diferentes. São dois VOCÁBULOS LÉXICAIS.

"porta grande" NÃO É FLEXÃO DE GRAU! É um processo sintático. (segundo Mattoso)


b) Esta casa é mais bonita que aquela (grau comparativo de superioridade, segundo a mesma gramática)

Não é grau. Muito menos processo morfológico. É SINTÁTICO.


c) A cidade ficou muito bonita (grau superlativo absoluto analítico, segundo a mesma gramática)

Idem ao anterior. O grau não é processo morfológico.


d) Aqueles carros de portas azuis são muito caros. Eles têm grandes admiradores.

Encontrei algumas pessoas que me mostraram outras provas.

O pronome ELES não está substituindo só a palavra "carros" (substantivo). Está substituindo o sintagma nominal inteiro.

ELES [aqueles carros de portas azuis]


Observações do professor:

O ARTIGO é o limite do sintagma à esquerda. Exemplo: os meus três amigos doidos...

O PRONOME pode substituir o sintagma inteiro e não só palavras.

na letra d) AQUELES pode ser substituído por OS.

Podemos dizer que são da mesma classe aqui, pois onde cabe um cabe outro E os dois não podem ser usados juntos. [os aqueles; aqueles os]


Fim da aula

Morfologia do Português




OBJETIVOS:

-descrever o funcionamento do componente morfológico da gramática do português.

-discutir os problemas de análise da morfologia do português.

-analisar a morfologia do português a partir de seu aspecto histórico e variacional.

PROGRAMA RESUMIDO:

Identificação e classificação dos morfemas.

-Flexão: descrição e história.

-Derivação.


Estatuto Categorial das classes de palavras.

Programa:

1. Morfemas do português
2. Classes de palavras
3. Flexão nominal
4. Flexão verbal
5. Formação de palavras
5.1. Derivação
5.2. Composição
5.3. Outros processos
6. Formação histórica do léxico
7. Criação lexical contemporânea

A base de nosso curso tem sido os textos dos livros do professor Joaquim Mattoso Câmara Jr.


.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.
.Problemas de Linguística Descritiva, 8a edição, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1976.