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domingo, 23 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (10)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Enquanto leio o capítulo 21 das memórias do Zé Dirceu, reflito sobre a atualidade complexa do calendário eleitoral brasileiro em 2026.

O líder petista está nos contando os bastidores do partido nos anos noventa e quem viveu aquele período como cidadão politizado - letrado politicamente - vai relembrando o quão miserável é esse país da casa-grande e da elite canalha, mancomunada com a imprensa golpista e com um judiciário subserviente aos donos do poder e do dinheiro. 

Isso não muda! Não mudou! Não sei se mudará um dia, pois fazendo as coisas do mesmo jeito, os resultados não serão diferentes. 

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21. LULA TOMA AS RÉDEAS DO PT

A decisão de enfrentar FHC e os escândalos dos tucanos, colocados debaixo do tapete, com a ajuda da mídia 

Zé Dirceu nos conta como se deu o 10° Encontro do partido. Nos revela que Lula chamou ele para se colocar à disposição de ser presidente do PT. 

"Mas qual não foi minha surpresa ao encontrar um Lula decidido a tomar as rédeas da direção do PT. No primeiro momento, ele começou a se explicar ou mesmo a se 'desculpar' sobre a questão Covas e a falta total de apoio à minha campanha, diariamente 'sabotada' pelo entourage lulista (...) Susto maior tomei ao ouvir de Lula a proposta de me apoiar em uma candidatura à presidência do partido..." (p. 273)

Depois, lemos que a direção do PT, após o 10° Congresso, definiu claramente a orientação e os objetivos do partido: "transformar e consolidar o PT como instituição. Afirmar a vocação do partido para o poder, abri-lo para as alianças e para poder governar, assumir nossos governos e conquistar, ao governar, a adesão da maioria do eleitorado e da sociedade..." (p. 276)

Comentário: fica claro para as amigas e amigos leitores, sejam simpatizantes ou não ao PT, que desde essa época, 1995, o partido não é movimento nem frente, não existe só pra marcar posição, como muitos partidos de esquerda. O PT quer governar e entregar direitos à sociedade com a realidade que temos nas bases sociais, o PT compõe e faz alianças, se não fizer isso, não governa.

O capítulo é longo, são vinte páginas de história. Me lembrei de muitas passagens que Zé Dirceu conta no livro. Exemplos: compra de votos para a reeleição de FHC, as privatizações criminosas, o Caso da "Pasta cor-de-rosa", o Caso Sivam etc.

"Era a velha tática tucana - amplamente benéfica aos rentistas e ao capital externo - de juros altos, câmbio valorizado, inflação baixa, déficit público. Privatizações, importações, abertura comercial e financeira. Crescimento medíocre e aumento do desemprego." (p. 289)

Comentário: e antes que os leitores falem do compromisso do 3° governo Lula com a questão fiscal e teto de gastos, insinuando que o Lula seria a mesma coisa que liberais tipo FHC, basta lembrar que os tucanos tinham maiorias no Congresso, assim como os golpistas Temer e Bolsonaro. O PT nunca teve essa condição no parlamento.

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, já estamos sofrendo interferência violenta nas eleições brasileiras de 2026. 

Além da mídia comercial canalha, temos uma justiça eleitoral parcial, é minha leitura e de boa parte da mídia progressista, e temos interferência pesada das big techs e do governo fascista de Trump.

Está claro que há uma operação Lava Jato 2 em andamento, protegendo o candidato do clã Bolsonaro e uma utilização da justiça para prejudicar Lula, através de uma perseguição escandalosa a seu filho Fábio Luís, apelidado pela mídia golpista "Lulinha".

Enquanto enfrentamos esses desafios de manipulação da opinião pública e eleitores, ainda tem o fogo amigo dos "esquerdistas", como nos ensinou Vladímir Ilitch Lênin, em seu clássico texto de 1920: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" (comentário aqui).

Seguimos nas lutas, não há outra alternativa. 

ELEIÇÕES 

Em SP, voto e peço votos a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

23/08/26

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Diário e reflexões


Paralisação no BB Verbo Divino. Foto: Sindicato 

Refeição Cultural

Sexta-feira, 21 de agosto de 2026.


ELEIÇÕES 

O calendário de campanha das eleições brasileiras teve início nesta semana. Serão eleições duríssimas para nós da classe trabalhadora e das classes subalternas e populares, a base da pirâmide econômica da sociedade.

Na minha leitura, baseada na experiência política que adquiri ao organizar e representar os trabalhadores por muitos anos, as eleições serão as mais complicadas desde a redemocratização do país e vigência da Constituição Federal de 1988. 

Há uma guerra explícita contra a reeleição do presidente Lula e para que o Congresso Nacional não seja renovado com uma representação maior do povo pobre e trabalhador. Os donos do poder farão de tudo para manter a maioria esmagadora de parlamentares vinculados a eles.

Em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13. 

Se vocês, leitores do blog, puderem, participem da campanha e me ajudem a pedir votos aos nossos candidatos e candidatas.

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CAMPANHA SALARIAL DOS BANCÁRIOS

Ontem, participei da paralisação nacional da categoria bancária. Estive com as companheiras e companheiros do Sindicato na concentração do Banco do Brasil da Verbo Divino, na região Sul da cidade. A participação dos trabalhadores foi excelente!

Na próxima semana, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá novamente com os banqueiros e esperamos que os bancos façam propostas que atendam às reivindicações da categoria.

À noite, estive no aniversário da companheira Deise Recoaro, militante com quem aprendi muito no movimento sindical. Encontrei muita gente querida, amigas e amigos de longas jornadas de lutas.

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LEITURAS E ESTUDOS

Estou tentando ler e estudar diariamente. É só lendo e exercitando nosso cérebro, verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista Miguel Nicolelis, que podemos seguir evoluindo como seres humanos e como seres incompletos que somos, como ensina o professor Paulo Freire.

Li Machado de Assis e as memórias de José Dirceu. No final desta sexta-feira, li em voz alta o conto "Entre santos", de 1886, do Bruxo do Cosme Velho.

Sigamos lutando por um mundo melhor.

William

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Diário e reflexões - Fevereiro



Refeição Cultural

Sábado, 28 de fevereiro de 2026.


FEVEREIRO

AGENDA POLÍTICA

Passei a semana em Brasília, capital federal do país. 

Minha estadia na cidade foi para participar do processo eleitoral do Sindicato dos Bancários. Vim contribuir com o debate na base social da entidade e ao longo da semana fiz campanha nos locais de trabalho do Banco do Brasil, junto com outros companheiros e companheiras. Nós apoiamos a chapa 1, liderada por Rodrigo Britto, a chapa cutista que representa a unidade nacional.

Quando cheguei, no início da semana, estava cheio de expectativas e incertezas. Eu tinha receio se ainda conseguiria fazer o que fiz boa parte de minha vida: conversar com a categoria bancária, desenvolver boas falas nos locais de trabalho e ter alguma atenção dos trabalhadores. Após reflexões coletivas com a militância que apoia a chapa 1, posso concluir que deixei a minha contribuição para o processo democrático. Fico feliz por isso.

Por ter sido convidado, participei de algumas reuniões do movimento sindical bancário no mês de fevereiro, assim como ocorreu em janeiro e dezembro. Tenho o compromisso ético com o movimento sindical cutista de estar sempre à disposição, porque a CUT influenciou decisivamente na formação política que tenho hoje.

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CULTURA

Li apenas um livro no mês de fevereiro, o livro "Fidel Castro, comandante invicto", de Norberto Escalona Rodríguez (comentário aqui). O escritor e jornalista cubano nos conta a respeito da participação dos músicos do Quinteto Rebelde na luta de libertação do povo. Também aborda a participação das mulheres na Revolução Cubana: o Batalhão das Marianas fez história e influenciou as políticas de igualdade que fizeram parte da construção da República Socialista de Cuba.

Estou editando um livro com as poesias que escrevi ao longo da vida. O manuseio do material textual do livro foi um processo interessante. A editora Cleusa Slaviero está me ajudando com o material. 

Encadernei poesias, crônicas e textos da professora e amiga Marili Santos. Foi um processo prazeroso de leitura. Presenteamos a escritora e passamos um dia delicioso com a família dela. 

FILMES - Vi alguns filmes no mês e só não escrevi as minhas impressões e sentimentos sobre eles porque não tive tempo e os textos que faço dão muito trabalho. 

Vimos "Sonhos de trem" (2025, EUA), de Clint Bentley; "A vida invisível" (2019, BRA), de Karim Aïnouz; "O agente secreto" (2025, BRA), de Kleber Mendonça Filho; "Hamnet: a vida antes de Hamlet" (2025, Reino Unido e EUA), de Chloé Zhao. 

Todos os filmes são excelentes e me deixaram pensativo. Todos! Hamnet me fez chorar.

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A VIDA E O MUNDO

A notícia do último dia do mês de fevereiro foi o bombardeio do Irã e o assassinato de dezenas de crianças. Os assassinos são os estados terroristas Estados Unidos e Israel. Eles não vão parar, assim como Hitler e a Alemanha nazista não pararam no passado.

Os terroristas dos Estados Unidos atacaram no início do ano a Venezuela e sequestraram seu presidente e a esposa. Mataram dezenas de pessoas. Vergonhosamente, nenhum dos principais países do mundo exigiram a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Nem o meu país, o Brasil. Sinto vergonha e uma decepção indescritível por essa atitude brasileira.

O império fascista do Norte está matando a população de Cuba de fome, falta de medicamentos e itens básicos para a subsistência. Os genocidas do Norte querem que Cuba vire uma estância balneária dos ricos norte-americanos, o mesmo projeto que têm para a Faixa de Gaza, na Palestina.

Estava olhando da janela do quarto do hotel a bela imagem da cidade de Brasília e pensando a respeito das consequências de ninguém reagir e fazer nada contra os fascistas de Israel e EUA. Eles podem decidir bombardear nosso país, matar nosso presidente e invadir nossa terra para tomarem os recursos naturais que temos. Ninguém vai fazer nada a respeito. Nada.

Esse é o valor da vida humana e dos seres vivos neste momento da história, dia 28 de fevereiro de 2026, pelo Calendário Gregoriano.

Isso não é natural e não deveria ser aceito por nós. Se é para sermos assassinados e explodidos por bombas a qualquer momento, deveríamos ter as nossas bombas para persuadirmos os fascistas a não nos atacarem e para nos defendermos caso nos atacassem para roubar os nossos recursos naturais.

William

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Instantes (23h52)



Refeição Cultural

Opinião


BOLSONARO E GENERAIS NA PRISÃO NÃO GARANTE UM AMANHÃ MELHOR PARA O POVO BRASILEIRO

Após minha sessão de exercícios na modesta academia do condomínio, andei por alguns minutos pelo estacionamento para apreciar as luzes diversas proporcionadas pelo pôr do sol e início da noite. Fiquei pensando a vida e o mundo sob a exuberância do céu.

Nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, começaram a cumprir pena de prisão após trânsito em julgado o ex-presidente da república Jair Messias Bolsonaro e alguns militares de alta patente - eles foram condenados por tentativa de golpe de Estado. Os caras tramaram até a morte do presidente eleito Lula, do vice-presidente Alckmin e do ministro do STF Moraes.

Do ponto de vista formal, hoje foi um dia que podemos considerar histórico para o Brasil por vermos pela primeira vez neste país militares de alta patente cumprirem pena por tramarem mais um golpe de Estado, coisa que fazem desde o nascimento do regime republicano por aqui, em 1889. A república foi instituída por um golpe de Estado contra o imperador.

Como cidadão brasileiro e militante político de esquerda formado no movimento sindical cutista e no Partido dos Trabalhadores tive o cuidado de tratar a condenação e prisão de Bolsonaro e dos militares com reserva e discrição. 

Algo em minha experiência de décadas como dirigente eleito da classe trabalhadora me instou a não seguir os impulsos naturais que clamaram por comemorações legítimas ao ver esses sujeitos condenados por todo o mal que fizeram ao Brasil e ao povo brasileiro.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. O bolsonarismo é um fenômeno brasileiro que deve ser considerado ainda hoje como algo inédito e que merece toda a nossa atenção. O sujeito teve 58 milhões de votos em outubro de 2022, mesmo após tudo o que vimos e sabemos que ele fez. 

O líder da extrema-direita brasileira perdeu por 2 milhões de votos a eleição para o maior líder político de esquerda que o Brasil já teve, Luiz Inácio Lula da Silva: 50,9% a 49,1%. Por um milhão de votos a menos de um e a mais do outro, Lula perderia para Bolsonaro. Algo que eu consideraria incrível, mas o fato é esse. 

Não há ninguém no nosso campo político que não conheça alguém bolsonarista ou que odeie Lula ou a esquerda. Não há! O amanhã é absolutamente incerto e as pessoas estão muito mudadas. As big techs têm relação profunda com isso. Alteraram e seguem alterando o nosso comportamento e a nossa maneira de ver o mundo a cada minuto que passa.

Enfim, Bolsonaro e os generais estão presos. E o futuro segue absolutamente incerto, na minha modesta opinião. É bom que meus companheir@s e a parte progressista deste país tenham isso em mente.

O imponderável mora no amanhã. Nunca sabemos o que nossos inimigos vão fazer no dia seguinte. E o mundo está a beira de guerras imprevisíveis e a destruição do planeta segue e os psicopatas estão no poder das bombas e das moedas.

E ainda temos a natureza atuando em todos nós. Hoje estou aqui, respirando, refletindo e escrevendo. Amanhã posso não estar.

Se a esquerda tiver juízo, buscará unidade como nunca conseguiu antes. Vejam a história do Brasil... vejam a nossa história do movimento de esquerda brasileiro...

É uma ponderação em face dos acontecimentos.

William Mendes

25/11/25

domingo, 26 de outubro de 2025

Entrevista: Marilena Chaui (2005)



Refeição Cultural

Ao reler a entrevista da filósofa e professora Marilena Chaui, texto que abre a série de entrevistas feitas para o livro Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo, de abril de 2006, percebo o quanto a entrevista é seminal e trabalha conceitos que me ajudaram a ser dirigente sindical por mais de uma década no dia a dia da categoria bancária. 

A militância de esquerda vivia naqueles dias as contradições políticas suscitadas com a apelidada "crise do mensalão" e a entrevista de Marilena Chaui foi muito importante para mim.

As postagens de resenhas ou comentários sobre livros dão um trabalhão por causa das citações que faço no texto. 

Como estou relendo a entrevista e não vou fazer longas citações, citarei a página na qual o tema abordado me chamou a atenção. 

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TEMAS FILOSÓFICOS DA POLÍTICA EXPLICADOS POR CHAUI

"O neoliberalismo é a decisão política de cortar a direção dos fundos públicos no polo dos direitos sociais ou do salário indireto, dirigindo a totalidade desses fundos ao capital (que deles precisa para continuar as mudanças tecnológicas) - os direitos sociais se convertem em serviços vendidos e comprados no mercado. É também a decisão de 'enxugar o Estado', privatizando as empresas públicas e 'desregulando' a economia, isto é, permitindo a concentração oligopólica da riqueza social e dando plena liberdade ao capital financeiro (ou ao monetarismo)." (p.37/38)


- Diferença entre a técnica e a práxis, segundo Aristóteles (p. 17)

- Ética pública, na qual a virtude central é a justiça (p. 18)

- Diferença entre a justiça do partilhável ou distributiva, referindo-se a distribuição de bens, e a justiça do participável ou participativa, referindo-se ao exercício do poder e à igualdade política (p. 18 e 19)

- A ética DA política e a ética NA política (p. 20)

- Os princípios da ética pública se encontram na qualidade das instituições republicanas e democráticas, porque os governantes são humanos e têm paixões, segundo Espinosa (p. 21)

- "Só pode haver república e democracia se o que agrada ao governante não tiver força de lei." (p. 22)

- "Ou seja, o partido formulou uma cultura política orientada pelas ideias de igualdade, justiça e participação, portanto, por virtudes políticas ou uma ética DA política." (p. 22)

- Direitos econômicos, sociais e culturais não podem ser convertidos em "serviços" (p. 23)

- Controle social do poder público através da auto-organização da sociedade (p. 23)

- Conceitos sobre liberdade de pensamento e de expressão, opinião pública etc (p. 25)

- Senado brasileiro: foi inchado pela ditadura de forma absurda e desde então nenhum presidente eleito consegue governabilidade por não ter maioria parlamentar (p. 26/27)

- "A indústria política dá ao marketing a tarefa de vender a imagem do político e reduz o cidadão à figura privada do consumidor (p. 28)

- Sobre os efeitos maléficos da burocratização do partido e dos movimentos organizados, Chaui nos dá uma aula espetacular! (p. 34/35)

- A parte sobre o neoliberalismo é tão esclarecedora conceitualmente que até vou pôr uma citação na abertura da resenha (p. 36 e seguintes)

- Chaui toca no assunto da política econômica do 1° governo Lula, o tal equilíbrio fiscal era para ser política de transição e virou permanente (p. 40)

- A filósofa explica o que é totalitarismo (p. 43 e seguintes)

- "Enquanto no absolutismo a fórmula é 'o Estado sou eu' (o 'eu' é o rei), no totalitarismo a fórmula é 'a sociedade sou eu' (o 'eu' é o Estado)." (p. 44)

- A professora explica o que é populismo e caracteriza a sociedade brasileira como uma república oligárquica (p. 49)

- Ao falar das experiências da URSS e China, o chamado "socialismo real", Chaui explica que aquilo não foi socialismo, pois não havia democracia (p. 51)

- Na parte final da entrevista a professora descreve o que é o socialismo do ponto de vista econômico, político, social e esclarece por que socialismo e democracia são inseparáveis (p. 51 a 55)

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Comentário final 

A atualidade da entrevista e os conceitos abordados pela filósofa Marilena Chaui são impressionantes!

Para fechar a releitura do livro, falta agora ler o texto que Chaui disponibilizou na edição sobre democracia e transparência. 

É isso!

É significativo ler essa entrevista no dia que rememoramos o assassinato do jornalista Vladimir Herzog há 50 anos (25/10/75).

Temos o dever de seguir na luta contra o capitalismo e por uma sociedade socialista e democrática. 

William Mendes


Bibliografia:

CHAUI, Marilena; BOFF, Leonardo; STEDILE, João Pedro; DOS SANTOS, Wanderley Guilherme. Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo. 1a edição. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

sábado, 27 de setembro de 2025

Entrevista: João Pedro Stedile (2005)



Refeição Cultural

A entrevista concedida por João Pedro Stedile, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), ao professor Juarez Guimarães para a confecção do livro "Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo" (2006), livro editado pela Fundação Perseu Abramo, é uma aula extraordinária sobre o nosso país e as questões centrais à nossa classe, a classe trabalhadora.

À época, as entrevistas reunidas no livro foram fundamentais para entender melhor a crise do ano de 2005 - apelidada pela oposição e pela imprensa capitalista de "crise do mensalão" -, ocorrida no primeiro mandato do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores. 

Eu estava no começo do segundo mandato de representação de meus colegas bancários e todas as reflexões políticas e filosóficas que li e ouvi me ajudaram no diálogo com a base, e eu estava muito envolvido no trabalho de base da categoria. 

Tanto é verdade o que afirmo que durante o ano de 2005 e 2006 os locais onde me sentia mais acolhido eram nos departamentos e agências do BB, porque os bancários e bancárias conheciam minha atuação em defesa de nossos direitos e demonstravam apoio ao meu trabalho político e organizativo, mesmo sendo um militante petista e cutista, alvos das oposições de direita e conservadoras e das oposições que se diziam "mais à esquerda" que nós (coisa questionável).

O livro foi importante para mim e segue atualíssimo em seu conteúdo neste momento da história brasileira, ano de 2025!

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"O Estado brasileiro é um Estado montado pelas elites para unicamente garantir seus privilégios."

Essa afirmação feita por Stedile em 2006 serve para qualquer período da história do Brasil sob análise. Ela pode ser dita hoje, 2025, e poderia ser dita no passado, em 1968 ou 2016, ou ainda em 1888 ou 1889.

Seguem algumas afirmações de Stedile. 

SAIR DA CRISE COM A ENERGIA DO POVO 

"A verdadeira natureza da crise não era apenas ética; era uma disputa entre as classes dominantes para transformar o governo Lula em refém das políticas neoliberais."

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"A nossa força não está apenas na justeza das nossas ideias, está no contingente que conseguimos organizar para as mudanças."

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"Nós achamos que há uma alternativa para o governo; não basta o governo ficar respondendo se há ou não corrupção - isso é secundário nesta altura da luta de classes. O que é importante é o governo recuperar o debate na sociedade sobre a necessidade de um novo modelo econômico para o país." (o MST disse isso de viva voz a Lula durante a crise)

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O DESAFIO DAS FORÇAS SOCIAIS 

"A sociedade brasileira vive uma crise de destino, uma crise de projeto."

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"Se você parte de uma análise, como certos setores da esquerda, que estão no governo, e das classes dominantes, de que a economia brasileira vai muito bem, a sua leitura é diferente (da) dos movimentos."

Comentário: Stedile explica bem os malefícios do agro e do modelo exportador do Brasil para o povo e o país. 

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Consequências do neoliberalismo 

"Essa crise ideológica de valores talvez seja uma das consequências mais graves do neoliberalismo. E isso vai para dentro dos movimentos também - o dirigente sindical não quer ser presidente para se transformar num líder de massas, ele quer ser presidente porque em algum momento ele vai viver - ele pessoalmente - melhor do que sua categoria, por benesses. Isso é o antivalor: eu quero resolver o meu, e não o da minha categoria."

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Stedile explica que 1964 e 1989 foram dois momentos brasileiros de derrotas dos movimentos populares no país. E quando Lula foi eleito em 2002 era um momento de descenso dos movimentos. 

"Costumo citar uma fala do Eric Hobsbawm em que ele considerou extemporânea a vitória do PT nas condições históricas do Brasil. Por quê? Normalmente a esquerda ganha eleições, ou seja, batalhas eleitorais, como fruto do ascenso do movimento de massas. Nós aqui tivemos uma vitória da batalha eleitoral importante, que foi a vitória do Lula, mas em um momento de descenso."

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"As esquerdas, se quiserem ser consequentes, têm que trabalhar com uma visão de longo prazo."

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Tarefas dos movimentos sociais de esquerda 

1. Formação política da militância: preparar pessoas que interpretem a realidade e tenham capacidade de transformá-la

2. Voltar a fazer trabalho de base, o que significa organizar as pessoas nos seus locais de vivência, seja na fábrica, na comunidade rural, no colégio ou universidade 

3. A necessidade de priorizar o trabalho com a juventude pobre urbana, setor social que representa as reservas e a vontade de mudanças 

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LUTA DE MASSAS

"Quando não se prioriza a luta de massas, abandona-se também a concepção de que o povo é e deve ser o principal ator político das mudanças."

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"O problema não é a via institucional; ela faz parte da vida das pessoas, nós vamos debater sempre, vamos participar sempre. O problema é ter abandonado o outro lado, a luta de massas. Porque são as lutas de massa que acumulam força, que educam as massas; os militantes e os quadros são educados na formação política, mas as massas são educadas na luta. E, quando não se prioriza a luta de massas, abandona-se também a concepção de que o povo é e deve ser o principal ator político para as mudanças."

COMENTÁRIO: aqui cabe um comentário do blog, quando critico o movimento sindical por não fazer mais assembleia presencial: isso é péssimo! Não educa a base! Se o dirigente sindical não tira o trabalhador de seu trabalho sequer para ir a uma reunião para decidir seu salário e direitos, como ele quer que o trabalhador participe de uma manifestação política por democracia ou direitos políticos ou civis?

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"As eleições não transformam o povo em agente de mudança. Nas eleições o povo é um mero ator passivo que vai até a urna e deposita o seu voto e depois não tem controle nenhum, tanto é que nem se lembra em quem votou, para quem ele deu esse poder de representação."

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"Só haverá uma inflexão mais democratizante do governo se houver pressão das bases partidárias, dos movimentos sociais e das mobilizações de massa."

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SOBRE O MST E A LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA 

"O neoliberalismo afetou decisivamente a viabilidade da reforma agrária no Brasil."

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O MST é diferente da esquerda ortodoxa 

"Incorporamos no movimento a ideia da autonomia do partido, mas incorporando no movimento social princípios organizativos que os partidos tinham preservado ao longo da luta de classes. Então, a ideia da formação de quadros, de ter os nossos jornais, de ter as nossas escolas, a ideia de núcleo de base, tudo isso aprendemos da luta de classes em geral, ou seja, que os partidos eram os condutores - e nós incorporamos no movimento. Essa é a novidade do MST."

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"A reforma agrária no Brasil não é viável se não for parte de um projeto antineoliberal ou antiimperialista."

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Stedile já avaliava em 2006:

"Hoje estamos vendo que o neoliberalismo no campo, na agricultura, é a subordinação completa das formas de organização da produção agrícola às transnacionais e ao capital financeiro - isso inviabiliza definitivamente a possibilidade de organizar a produção camponesa."

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"Então, os nossos inimigos antes eram o latifúndio atrasado, patrimonialista, que reservava a terra como poder econômico e político. Desde a década de 1990, para a reforma agrária avançar precisamos enfrentar um poder muito maior, o poder do agronegócio, das transnacionais, do capital internacional e suas alianças internas, como a própria mídia."

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Tem uma parte da entrevista na qual Stedile explica as estratégias do MST, é uma espécie de texto "O que fazer". (p. 168 e seguintes)

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"O capitalismo (...) agora, na sua etapa monopolista, não disputa mais a propriedade da terra conosco, ele disputa o controle da produção e da comercialização."

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"E foi aí que fomos nos abastecer não só nas obras clássicas de Marx e dos que procuraram interpretar o capitalismo depois de Marx - e fugimos do reducionismo de 'marxismo-leninismo'; a nossa visão é de que todos os pensadores vão contribuindo numa elaboração permanente da ciência e da reinterpretação da realidade."

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Reforma agrária adequada ao caso brasileiro 

"E chegamos à seguinte síntese, que ainda está em processo de construção: evidentemente não há mais espaço no Brasil para uma reforma agrária do tipo clássico capitalista, a burguesia não precisa distribuir terra, e, ao mesmo tempo, não adianta ficarmos sonhando com uma reforma agrária socialista, a famosa tese de Lenin de nacionalizar a propriedade da terra, isso também não resolve. Temos que construir um projeto de reforma agrária que seja coadunado com um projeto popular de desenvolvimento nacional."

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"Se você não tiver vontade, se não tiver projeto, não constrói força para mudar."

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"O agronegócio é a remaquiagem da velha plantation do colonialismo, não traz nenhum benefício para a sociedade brasileira."

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Stedile nos explica a Lei Kandir (governo FHC), que isenta exportações de produtos primários de ICMS e tem efeito de transferir mais-valia social aos fazendeiros do agro, exportadores e mineradoras. (p. 177/178)

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Princípios do MST

"Que princípios são esses? A ideia da direção colegiada, de não ter presidente, secretário, tesoureiro, embora as divisões de função existam; a ideia de direção coletiva; de formação de quadros; de garantir unidade e disciplina, não disciplina hierárquica ou militar, mas disciplina da democracia - se a maioria decide, é preciso que haja unidade em torno desta decisão; a ideia do trabalho de base; da luta de massas; e a ideia de inserção dos militantes e dirigentes em todo este trabalho."

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Simbologia 

"Ao mesmo tempo, outros sociólogos nos criticam por recuperarmos a cultura, a mística (...) Procuramos em todas as atividades do movimento incorporar essa visão pedagógica de cultivar o nosso projeto com atividades culturais, com atividades lúdicas, com a simbologia."

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"Faz-se isso em jogo de futebol, em tudo o que tiver massa você usa o símbolo, porque ele resume, ele sintetiza e aglutina em torno do projeto, do objetivo coletivo: bandeira, hino, cantos, alegorias, passeatas, palavras de ordem, tudo isso chamamos de mística."

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SOBRE A CONJUNTURA POLÍTICA NACIONAL 

"A classe dominante faz a disputa política e ideológica não pelo partido, mas pelos meios de comunicação."

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"É no meio do povo, da mobilização de massas, que vão se reconstruindo forças e rearticulações de poder real que podem mudar."

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Lição final: está desanimado ou em crise, vá para a base!

"Nós do MST, e aconselho isso a todos os amigos/as, quando desanimamos sempre nos colocamos como tarefa: voltar e passar uma semana no meio do povo, num assentamento, num acampamento, e lá nós recuperamos as energias. Porque, no fundo, é no meio do povo, da mobilização de massas, que vão se reconstruindo forças e rearticulações de poder real que podem mudar."

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Comentário final 

Que entrevista extraordinária! Mais atual que nunca!

Essas lições são de 2006. 

Por esses dias, vi uma entrevista de Stedile à CartaCapital, e aprendi tanta coisa que nem digo aqui. Daria outro textão.

Ouçam as lideranças do MST! É muita sabedoria, amigas e amigos leitores.

William

27/09/25 (22h14)

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Entrevista: Wanderley Guilherme dos Santos (2005)



Refeição Cultural

Em 2006, a Fundação Perseu Abramo lançou o livro "Leituras da Crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". O professor de economia Juarez Guimarães entrevistou 4 personalidades de diferentes áreas do conhecimento humano, uma delas o cientista político e professor Wanderley Guilherme dos Santos. 

À época, eu era dirigente sindical da categoria bancária e as entrevistas me ajudaram bastante a compreender as contradições inerentes à política partidária e oriundas da democracia e me ajudaram no diálogo com meus colegas bancários sobre a crise política (vulgo "mensalão") daquele momento em 2005 do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores. 

Rever as entrevistas neste momento brasileiro, no qual 12 deputados do PT votaram a favor da PEC da impunidade no Congresso Nacional, não deixa de ser uma forma de tentar compreender as contradições do jogo democrático, e lembro que compreender não é concordar, é compreender. 

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O GRANDE JOGO IMPUGNATÓRIO

Cito algumas frases e opiniões interessantes de Wanderley Guilherme dos Santos. Ele afirmava em seus artigos que a oposição tentou um golpe em 2005.

Juarez Guimarães deixou que o entrevistado argumentasse contra as ideias contrárias à sua leitura à época: que as elites econômicas eram beneficiadas e então não queriam golpe; que a oposição ao governo Lula tinha direito legítimo de tentar o golpe ou inviabilizar o governo porque o PT havia feito o mesmo; e que a crise era consequência da existência de corrupção no governo e de caixa dois. 

Ao longo das citações do professor Wanderley, teço alguns comentários.

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"O que tivemos agora foi um caso estritamente de tentativa de golpe por parte de forças políticas fora do poder."

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"Quando se fala em elite, se pensa logo em elite econômica. Não, elite são todos esses jornalistas que têm coluna, por exemplo."

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"A opinião do PT e das oposições durante os oito anos do governo Fernando Henrique era totalmente irrelevante do ponto de vista parlamentar, não tinha força para fazer coisa nenhuma; se tivesse força o governo Fernando Henrique não teria aprovado 18 emendas constitucionais no seu primeiro mandato."

Wanderley disse que a oposição a FHC era de no máximo 144 deputados. 

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RETÓRICA DA "JAGUNÇAGEM"

"Não, estou dizendo que julgamento político não é um julgamento que abdica de fatos (...) tem de haver um fato; dizer que isso não importa porque o julgamento é político é uma barbaridade, isso é nazismo, é um julgamento nazista."

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DESQUALIFICAÇÃO DO VOTO

"Ao analisar as últimas pesquisas [de janeiro/fevereiro de 2005], que revelam a recuperação da imagem do presidente Lula, os comentaristas reacionários que participaram do grande jogo impugnativo fizeram questão de acentuar que a recuperação é entre os mais pobres e menos educados."

Achei interessante o entrevistado chamar os analistas de "semi-intelectuais".

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"A democracia brasileira é muito forte porque é muito complexa, há muitos interesses em jogo."

-

"O que vimos foi o presidente do PFL declarar: 'Não vamos deixar o governo governar'. Isso é um absurdo."

Wanderley faleceu em 2019, aos 84 anos. Imaginem se ele tivesse visto todo o descalabro que vivenciamos após a abertura da Caixa de Pandora, com o bolsonarismo...

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A DEMOCRACIA ASSUSTA

"A democracia é uma bagunça, por definição. Não há como organizar a democracia - só não tendo democracia."

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"A democracia assusta aqueles que sempre foram democratas enquanto a democracia não existia."

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"Os nossos políticos de 50 anos atrás não faziam nem ideia do que era democracia porque nunca viveram uma. Os presidentes norte-americanos do século XIX jamais souberam o que é a democracia, embora falassem o tempo todo dela, porque jamais tiveram uma - mulher não votava, negro não votava."

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MÍDIA E DEMOCRACIA 

"J. G.: O senhor identificou também outra moeda de troca, que seria o processo de controle da agenda - a imprensa, muitas vezes, quer controlar a agenda do governo como se controlasse a pauta de seus repórteres. 

- Exatamente..." (respondeu ele)

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PRESIDENCIALISMO E MULTIPARTIDARISMO

"Se você quer avançar mais, se seu partido é comprometido com mudanças maiores que a rotina ou a inércia, tem que contar com dificuldades e oposições maiores."

-

"Qual é a versão que o principal partido da mudança no Brasil, o PT, tem a respeito de si próprio nas suas relações com o mundo privado?"

-

Juarez Guimarães pergunta sobre custo das eleições no Brasil e financiamento delas.

Wanderley repete sua questão sobre a relação do PT com o mundo privado e sua clareza com a militância e eleitores.

"Não é possível ter simultaneamente, fazendo parte do mesmo partido, a opinião de socialistas, religiosos e pragmáticos do crescimento econômico de qualquer maneira. E a verdade é que o PT está convivendo com isso e não tem tido coragem de enfrentar este problema. Insisto que isso é crucial - e não se resolve com a reforma eleitoral. Nenhuma reforma eleitoral vai resolver isso para o PT, podem perder a esperança."

O entrevistado disse isso faz duas décadas! Eu não concordo totalmente com ele, mas debateria a questão.

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FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS 

"Não sou favorável ao financiamento público de campanha..."

Ele explica que as eleições já têm alto custo público em todo o processo. 

Amig@s leitores, eu destaquei pontos da entrevista, nada substitui a leitura do texto completo.

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O GOVERNO LULA E O ESTADO BRASILEIRO 

"Há uma parte do Estado brasileiro que sempre foi inepta e outra parte que sempre funcionou bem."

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"O Estado brasileiro nunca foi preparado para um governo a favor da população pobre."

Wanderley avalia que o governo Lula melhorou o Estado, a máquina pública, em geral. 

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PT E PSDB

"O Brasil passou por um marasmo durante os oito anos de FHC, nada era possível, tudo estava fora dos limites da possibilidade."

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Gostei da explicação do entrevistado sobre a história do PMDB: "Ideologia a favor de nada".

"E também o PMDB tem uma herança do tempo em que era MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e, na verdade, tinha uma ideologia a favor de nada, apenas de ser contra a ditadura. Todo mundo que era contra a ditadura estava no partido. Quando acabou a ditadura e foi preciso definir do que ele era a favor, aí complicou."

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Comentário final 

Foi bom reler o professor Wanderley Guilherme dos Santos avaliando a crise política de 2005 neste momento da história do Brasil, em 2025.

Os intelectuais têm muito a nos ensinar. Sempre!

William 

25/09/25 (0h35)

domingo, 21 de setembro de 2025

Diário e reflexões


Bem-acompanhado: a juventude militante de Osasco

Refeição Cultural

Domingo, 21 de setembro de 2025.


O Brasil viveu um dia bom. O povo brasileiro foi para as ruas se manifestar como não fazia faz tempo. Fiquei feliz de ver a participação e a alegria no rosto das pessoas. Senti um clima bom, e digo isso porque sempre participei das movimentações de rua. Conheço manifestações de todos os tamanhos e tipos de público.

Os brasileiros atenderam ao chamado de ocupar as ruas por causa do abuso dos parlamentares canalhas que compõem o Congresso Nacional. Ocuparam as ruas em defesa da soberania nacional, em busca de direitos como a redução da jornada de trabalho e a escala 6x1, por isenção de imposto de renda para quem ganha menos - a imensa maioria do povo ganha até 5 mil reais por mês -, pela tributação dos ricos e para que aqueles canalhas do Congresso não votem anistia para golpistas e impunidade para eles mesmos.

Foi um dia importante para o povo e para o nosso país. Um dia importante para quem preza a democracia e a soberania popular.

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REFLETINDO...

Pensei em escrever várias vezes nos últimos dias e acabei não escrevendo. Não sei, acho que preciso dar um tempo.

São tantas coisas acontecendo no mundo, no Brasil, em minha vida, tantas coisas!

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Hoje foi o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, 21 de setembro. Dias atrás, viemos do interior de SP conversando com o Carlos Eduardo, uma pessoa com deficiência visual, e durante algumas horas pudemos conhecer um pouco da realidade das pessoas com essa deficiência. Carlos é um dos poucos deficientes visuais no Brasil com um cão-guia, o Chicó. Ficamos encantados com eles e eu fiquei pensativo desde aquele dia. Nós temos que fazer algo por milhões de deficientes visuais e pessoas com outras deficiências. Estou com isso na cabeça há dias. 

A política deveria servir para isso, para ajudar as pessoas, e não para uns fdp f... a vida de milhões de pessoas e a natureza em benefício próprio. Que ódio dessa gente canalha e mau-caráter que ocupa o mundo humano prejudicando a vida da maioria e o planeta!

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Ao assistir ao vídeo de despedida do canal Tempero Drag, de Guilherme Terreri, e a pausa nas aulas da personagem drag queen Rita von Hunty, fiquei deprimido, triste de verdade. Guilherme já foi até tema de um capítulo de meu livro de memórias sindicais (aqui) por sofrer os malditos processos de cancelamento na época das eleições de 2022 por se posicionar sobre uma questão básica: votar no primeiro turno em candidaturas que representavam o que ele acredita. Ao falar da questão do genocídio do povo palestino e a continuidade dessa tragédia neste momento da história humana eu também me identifiquei de alguma forma com o que Guilherme partilhou conosco. 

Fiquei pensando sobre minha própria impotência e a validade das coisas que escrevo. Meus milhares de textos nesta plataforma são só mais uma fonte de dados para serem roubados sem citação para treinar as IA dos desgraçados das big techs que estão acabando com a inteligência humana e a vida na Terra. Leitores de verdade dos meus textos, deve ser uma parcela ínfima dos milhares de acessos mensais nos três blogs nos quais escrevo.

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Como disse, minha cabeça está a mil, a milhão... não quero registrar mais nada por hoje do que vai no meu "coração": o curso sobre o capitalismo e o colapso ambiental, curso fantástico no qual estou participando, me deixou pensativo pra caralho: como impedir o fim do mundo? (sinto que não vai rolar só na "paz e amor" das manifestações de rua); a sempre difícil relação pessoal com meu passado sindical e presente fora da política; as questões de família; minha saúde indo pro beleléu etc.

Chega.

William

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Artigo: 11/9



Refeição Cultural

Opinião

Algumas datas do calendário ocidental acabam ficando marcadas na história da sociedade humana por acontecimentos que ocorreram naquele dia. O 11/9 se tornou uma dessas datas.

Já tínhamos o 11/9 chileno, tínhamos o 11/9 norte-americano, e agora temos o 11/9 brasileiro. 

Para as pessoas que conhecem minimamente a história, sabemos que os três 11/9 têm alguma relação direta ou indireta com o governo dos EUA, ou seja, aconteceram por causa dele ou com a tentativa de interferência daquele governo. 

No dia 11/9/73, o governo socialista de Salvador Allende, eleito democraticamente pelo povo chileno, foi derrubado por um Golpe de Estado patrocinado pelos EUA. Allende não sobreviveu ao golpe. Augusto Pinochet foi colocado no poder e a barbárie se implantou no país por um longo tempo.

No dia 11/9/01, os EUA sofrem um atentado terrorista no qual as Torres Gêmeas do World Trade Center são atingidas por aviões, o prédio do Pentágono também é atingido por um avião e um outro cai sem atingir o alvo. Todos eles, aviões comerciais. 

Aquele atentado marcou o início do século XXI e mudou o mundo para pior, para os povos dos países periféricos e até para os norte-americanos comuns. O governo começou naquele dia uma tal guerra ao terror e tudo passou a ser "permitido" contra o povo e contra o mundo em nome da tal guerra ao terror.

No dia 11/9/25, o Brasil condenou pela primeira vez em sua história um ex-presidente e outros componentes de sua organização criminosa, a maioria deles militares e ou servidores públicos, à prisão por tentativa de Golpe de Estado e outros crimes. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. 

O governo dos EUA tentou interferir no julgamento dos réus brasileiros estabelecendo sanções econômicas ao Brasil e ameaçou, nos últimos dias, até o uso de força militar para pressionar o poder independente do judiciário a não condenar os bandidos. 

Como disse, o dia 11/9 vai sendo marcado por acontecimentos que mudam a história dos países e povos do mundo. 

O escritor do blog não acredita que o réu Bolsonaro vá cumprir a pena na prisão. Ficaria feliz se daqui a um ano, ano e meio, pudesse voltar a esta postagem e afirmar que estava errado, vendo o Jair Messias cumprindo sua pena na prisão. 

QUE A CONDENAÇÃO DO EX-PRESIDENTE SIRVA DE EXEMPLO PARA QUE O POVO NÃO ELEJA UM INEPTO COMO ELE FOI NA PANDEMIA

Vale registrar a minha decepção com a justiça dos homens (raramente é das mulheres também) pelo fato de que o condenado por tentativa de Golpe de Estado não foi indiciado pelo pior de seus crimes, o pior, sua conduta como autoridade maior do Brasil durante a pandemia de Covid-19. 

O Jair Messias Bolsonaro fez tudo que podia para facilitar a morte por Covid de centenas de milhares de brasileiros e brasileiras, que morreram sem vacina quando já havia vacina disponível, adoecidos por não usarem máscaras com incentivo do Jair e por ele não fazer nada que deveria como presidente do Brasil durante a pandemia. 

Enfim, temos que reconhecer este 11/9 como um dia histórico, pelo menos o Brasil condenou esses desgraçados que tentaram voltar a ditadura no Brasil, com toda a violência e roubo que vem junto com o autoritarismo dessa gente fascista que é ignorante e desumana.

O "capitão" não foi condenado pelo genocídio do povo brasileiro, nem como ladrão de joias, mas pelo menos foi condenado por alguns de seus crimes. 

Que a condenação do inepto, genocida e defensor de torturadores sirva para que nunca mais tenhamos dias de mortes no Brasil como naqueles dias da pandemia, nos quais as pessoas morriam sem conseguir respirar por culpa do sujeito que ocupava a presidência do Brasil. 

Companheiro Wanderley Crivellari, presente! Vítimas da Covid-19 no Brasil, presente!

SEM ANISTIA PRA GOLPISTA!

William Mendes


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Lula defende a soberania nacional



Apresentação e comentário do blog:

Estava sentado em nossa sala quando ouvi o barulho de panela: alguém dos prédios ao redor estava batendo panela enquanto o presidente Lula fazia o pronunciamento em defesa do Brasil e do povo brasileiro. 

Fazia muito tempo que eu não perdia o controle deixando meus impulsos assumirem a situação. Abri a janela e gritei com toda a potência de minha voz que enfiassem a panela no cu. Após alguns segundos, gritei de novo, chamando o batedor de panela de bolsonarista de merda e vira-latas.

Não me senti bem por ter feito isso. Bater panela é uma manifestação legítima, é da democracia. Não é mais o meu papel nem o exemplo a dar. Foi um instinto incontrolável de alguém cansado de tanta merda ao nosso redor. Como pode um brasileiro ser tão cachorro assim e ficar do lado daquele lixo dos EUA e desses sofistas manipuladores do clã Bolsonaro!

Enfim, tenho que olhar mais atentamente para mim mesmo. Nem minha saúde é mais a mesma após duas décadas de militância. Estou fora da política. O partido e o movimento sindical têm suas lideranças atuais e nem existo mais para eles. 

Foi a indignação que gritou pelo cidadão que dedicou a vida às causas da classe trabalhadora e que sofre diariamente ao ver a destruição de nosso mundo. 

É claro que aquela nação decadente está atacando os avanços dos países do Sul global, o fortalecimento dos BRICS, o enfraquecimento do dólar, as novas formas de pagamento sem precisar das empresas deles (como o Pix brasileiro) e a clara percepção de que o capitalismo só aprofunda a miséria do povo no mundo e ferra com o planeta Terra na questão ambiental.

O pronunciamento do presidente Lula foi excelente! Firme nos recados e buscando unir o povo brasileiro contra o ataque indevido da potência imperialista em questões internas do Brasil.

William Mendes 

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Leia a íntegra do pronunciamento de Lula:

Minhas amigas e meus amigos,

Fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto.

O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.

Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional.

Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.

Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.

Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras.

No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.

Minhas amigas e meus amigos,

Estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.

Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.

Minhas amigas e meus amigos,

A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares.

O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030.

Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo.

Minhas amigas e meus amigos,

Quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior.

Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.

Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Minhas amigas e meus amigos,

Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações.

Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.

Muito obrigado.

domingo, 6 de julho de 2025

Instantes (17h27)



Refeição Cultural

Hoje exerci parcialmente meu direito de votar no Partido dos Trabalhadores. Porém, a burocracia partidária tirou das eleições meus candidatos: Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz. Democracia incompleta quando impedem as pessoas de votarem e serem votadas.

Soube que fizeram isso também com a companheira Dandara, deputada federal de Uberlândia, cidade onde cresci. Todos perdem com isso, o partido e a democracia. 

Terminei a leitura do livro do neurocientista e professor Miguel Nicolelis - Nada mais será como antes (2024). Ficção científica com base nas tendências distópicas e disruptivas da realidade atual. O ser humano e a sociedade humana como existem hoje podem estar com os dias contados.

O tempo e a natureza seguem seu ritmo tic-tac, tic-tac, tic-tac. A morte de nós todos seres vivos está à espreita. Num instante estamos aqui vivos, no outro, não mais. 


Estou sentado vendo o pôr do sol numa tarde fria em Osasco. Acabei de fazer uma hora de musculação. Meu corpo cansou da jornada de dez anos a mil. Cansou. Minha razão está firme por consciência. Enquanto puder, farei minha parte para viver. Ainda tenho responsabilidades com pessoas queridas. 


Seguimos estudando, registrando, sendo útil de alguma forma e buscando aproveitar as oportunidades de estar vivo.

William 

06/07/25


Post Scriptum: hoje votei também no plebiscito popular dos movimentos sociais pelo fim da escala 6x1 e por isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. 

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Leituras Capitais - Camarada Trump



Refeição Cultural 

CartaCapital n° 1357


CAMARADA TRUMP

O adiamento do tarifaço reduz, mas não dissipa a tensão nos mercados globais. Aliados dos EUA preparam retaliações e o mundo se volta para a China


Durante décadas neoliberais, vimos as empresas capitalistas norte-americanas fecharem suas fábricas no país e ferrar o povo com desemprego em benefício dos donos das fábricas, os fdp do 1%. O lucro do acionista acima de tudo, claro! Levaram as plantas fabris para a China e outros países do Sul com "mão de obra barata".

Agora o presidente deles (condenado, nos lembremos disso) quer dar um cavalo de pau na economia mundial achando que da noite para o dia vai reverter o que seus magnatas e políticos fizeram em décadas. Taxar os produtos de fora vai ferrar de novo o povão, com inflação e piora de vida.

Vamos ver até quando os norte-americanos aguentam o "gênio" e condenado presidente do "MAGA" (seria Make America Grotesque Again?).

Republicanos e democratas vão resolver as coisas no diálogo, deixando as armas no armário? (Lembremos: são as guerras que salvam o capitalismo, os magnatas)

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CAPA

As matérias da seção estão ótimas. Além da primeira "Pato com laquê", de Carlos Drummond, os textos do professor Belluzzo "Trump e a história" e de Clarissa Carvalhaes "Quinta série" são esclarecedores sobre a história capitalista do pós guerra e da loucura que virou os States da atualidade.

Valem a leitura!

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SEU PAÍS

LIRA SAI DA SOMBRA 

CONGRESSO: O deputado fica com a relatoria da isenção do IR, opera a cassação de Glauber Braga e ostenta um novo casarão 

Por André Barrocal

Boa matéria. Não posso dizer o que penso desse féla...

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NO BASTIÃO LULISTA 

2026 - A abrupta queda da popularidade do presidente Lula no Nordeste acende sinal de alerta no Palácio do Planalto 

Por Fabíola Mendonça 

Ao ler a matéria, os depoimentos dos eleitores nordestinos ouvidos e o gráfico à página 27, sobre cenários eleitorais para 2026 (Datafolha), acho relevante no 3° cenário Bolsonaro ter 30% das intenções de voto contra 36% de Lula. É praticamente empate técnico e sem campanha alguma. 

Bolsonaro tem 30% só por disponibilizarem seu nome na pesquisa. Foda! E real! Isso é o povo brasileiro que muitos não querem ver. Uma gente crédula e facilmente manipulada por sofistas que abusam da ignorância das pessoas. 

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CARROÇA NA FRENTE DOS BOIS 

8 DE JANEIRO - Reivindicar o perdão de crimes antes mesmo do julgamento é uma aberração, avalia Técio Lins e Silva

Entrevista a Maurício Thuswohl

Gostei das reflexões do entrevistado. Sobre a visão punitivista de aumentar penas, defendida pela direita, Técio explica a respeito, dizendo não ser remédio eficaz:

"Nenhum criminoso consulta o Código Penal para ver se vai ou não praticar o crime."

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ANISTIA E ECOS DE PREUSSENSCHLAG

Pedro Serrano 

"Ao judiciário cabe, nas democracias contemporâneas, a última palavra em termos de interpretação da ordem jurídica" 

Os artigos do professor Serrano são sempre muito esclarecedores, trazem a história para explicar o sentido das coisas. 

Se o "acordão" entre o Judiciário, o Executivo e o Legislativo saírem do papel, anistiando ou reduzindo as penas que a lei já definiu antes, estaremos mais próximos do que vimos acontecer nas primeiras décadas do século passado em relação ao nazismo e fascismo. Hitler suplantou o Judiciário à época. 

Opinião minha: o pior é que vai sair a conciliação "por cima", aqui é o Brasil! Estamos fodidos!

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TRINCHEIRA ABERTA

CONGRESSO - Bolsonaristas se armam contra a PEC da Segurança, a principal aposta de Lula para deter o avanço do crime organizado no País

Por Maurício Thuswohl 

O governo apresentou a PEC que consolida o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A oposição fará de tudo para que o país não resolva o problema da segurança e dane-se o povo.

Estamos num momento falimentar da sociedade humana, francamente. 

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CONSERVAR O QUÊ?

"O que realmente significa pedir a manutenção da ordem social em nosso país?"

Artigo de Maria Rita Kehl

É sempre um alento ler os textos da psicanalista e escritora Kehl. Ela nos deixa pensativos. 

Comentários a partir do artigo: 

Até antes das guerras híbridas do império do Norte - os EUA desenvolveram métodos de desestabilizar governos de outros países -, era impensável no Brasil uma pessoa sair-se com a afirmação "sou conservador" e menos ainda "sou de direita". Nenhum idiota falava uma merda dessas! Nem as pessoas que tinham grana ou se achavam "das elites".

Agora, até os remediados (classe média), os pobres e os miseráveis arrotam essa estupidez: sou conservador...

Os ricos de verdade gostariam de ter seus escravizados, talvez. Por isso a referência nostálgica dos "bons e velhos tempos".

Mas e essa gente entre nós da classe trabalhadora? O pobre conservador quer conservar a má distribuição de renda e a injustiça social?

Pra vocês verem como idiotizaram as pessoas ao nosso redor. Foda isso!

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ECONOMIA

NA CORDA-BAMBA

ENTREVISTA - O Supremo precisa garantir o mínimo de proteção aos trabalhadores plataformizados, afirma presidente da ANPT

A Rodrigo Martins

A entrevista a Adriana Augusta de Moura Souza, presidenta da Associação Nacional das Procuradoras e Procuradores do Trabalho, deixa claro o que está acontecendo com o direito social e constitucional ao trabalho após a reforma do golpista Temer: o fim dos direitos sociais no Brasil. 

Na minha opinião, tínhamos que reagir nem que fosse com uma revolução contra o 1% que bancou toda a destruição de nosso mundo.

A distopia está dada. Ou eles ou nós 99% (e a natureza acaba junto com a gente).

Estamos no limiar do fim da civilidade humana. 

Vamos permitir o que alguns mortais estão fazendo com a vida e o planeta?

Que desgraça!

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QUE A DINAMARCA SEJA AQUI

Artigo de Adalberto Viviani

Apesar do artigo ter um tom positivo, sugerindo que o Brasil está na rota de grandes investimentos de conglomerados capitalistas chineses e outros, o que sei é que estão apostando alto que vamos ter mais obesos e diabéticos para faturarem 2 bilhões de dólares com nossos doentes...

PQP!

Viva o consumismo, a destruição da natureza e as doenças!!!

Viva o capitalismo! (Foda-se o mundo e os humanos...)

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NOSSO MUNDO

SER OU NÃO QUINTAL

EQUADOR - Daniel Noboa curva-se a Washington, enquanto Luisa González defende a identidade local no acirrado segundo turno

Por Gilberto Maringoni

O articulista explicou bem o ambiente do 2o turno das eleições no Equador. Mesmo tendo a máquina, o opositora de esquerda, González, era ligeiramente favorita.

Lendo a reportagem após as eleições, sei que o direitista bilionário "ganhou". A oposição contesta e declara fraude na cara dura.

O presidente Lula, do Brasil, diferente do caso da Venezuela de Maduro, reconheceu o resultado horas depois... que merda decepcionante essa questão diplomática do nosso país... que merda!

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SEM MÁSCARAS

GAZA - Diante da indecisão dos EUA, Israel avança nos planos de ocupação definitiva do território palestino 

Por Arturo Hartmann

A matéria nos conta com detalhes o que as pessoas conscientes sempre souberam. O genocídio do povo palestino é para ocupar a Palestina. O governo de Israel e seus soldados são assassinos, ladrões de terras e um regime odiento.

O mundo assiste sem frear o genocídio e o roubo da Palestina.

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DE MÃOS ATADAS 

JUSTIÇA - Criminosos de guerra desafiam o Tribunal Penal Internacional com o apoio de Estados omissos ou hostis às leis 

Por João Paulo Charleaux

O articulista até fez um bom histórico do TPI, mas a própria matéria demonstra que o tribunal só serve para os bagres e não para os peixes grandes. Serviu pra prender "criminosos" do continente africano, mas não serve pra figuras como Netanyahu.

Enfim, voltamos ao estado de barbárie histórica da civilização humana. 

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PLURAL

CRIMES SEM FIM

STREAMING - O True Crime, género que veio para ficar, passa a abarcar também acidentes marcantes e casos menos célebres

Por Ana Paula Sousa 

Pensando sobre esse estilo de programa, eu não perderia um minuto com essas coisas. 

Se for para comparar, diria que esses programas querem parecer aqueles jornais de "Notícias populares", que "escorriam sangue" nas capas expostas nas bancas de jornais e revistas de antigamente. 

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DEITADO NUMA CAMA DE PREGOS

MEMÓRIA - Silki, o maior - e talvez o único - faquir do Brasil, fez do jejum um meio de vida. Agora sua história virou um livro 

Por Carlos Minuano

Matéria excelente! A história de Adelino João da Silva, o faquir Silki, que passava mais de 100 dias sem comer, é extraordinária!

Em outra época de minha vida, colocaria o livro na minha lista de leituras.

Silki faleceu em 1998, perto de completar 79 anos. Vivia em Poa, na grande São Paulo, e morreu pobre como viveu a vida toda.

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CASA TOMADA

LIVRO - Por meio de um romance gótico feminino, Layla Martínez narra os horrores da Guerra Civil Espanhola 

Por Paula Sperb

Da mesma forma, sempre estive aberto a novas leituras a partir de sugestões de CartaCapital. Leria de boa o romance "Cupim", de Layla Martínez. 

É que meu momento é de sistematização do ontem. 

O romance me pareceu bem interessante. 

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MEMÓRIAS DE UM CRAQUE 

Afonsinho

"O goleiro Manga, que morreu aos 88 anos, possuía uma inteligência admirável e sempre conseguia se encaixar nas equipes campeãs"

Bonita lembrança do goleiro Manga.

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PASSOS ANTIDEPRESSIVOS 

Drauzio Varella

"Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association comprova que, quanto mais se caminha, menor o risco de desenvolver depressão"

Como sempre, o artigo do Doutor Varella traz estudos esclarecedores sobre temas de saúde. 

Ao ler o artigo, interpretei como instinto protetivo involuntário, meu hábito de toda uma vida de sair e andar andar andar sempre que algo catalisa em mim uma crise depressiva. As centenas de milhares de passos que dei como andarilho pesaram positivamente para ter chegado até aqui, neste 56° outono da existência. 

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COMENTÁRIO FINAL

A leitura integral de uma edição da revista CartaCapital, mesmo fora do tempo da notícia, é uma prática sistematizadora da compreensão do mundo atual. Um mundo foda!

Duas semanas após a edição que li, sei das muitas merdas que aconteceram após as matérias lidas. E compreendo as coisas. 

É isso. É melhor ler que não ler. Italo Calvino fala isso sobre os clássicos, mas aproprio o conceito para outras leituras como a revista do Mino Carta.

William