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terça-feira, 13 de maio de 2025

Poema 29: Pepe Mujica, presente!


PEPE MUJICA, PRESENTE!


Hoje nos deixou Pepe Mujica.

Mujica nos deixou o exemplo,

nos deixou sábias palavras,

ensinamentos sobre a vida.


Papa Francisco e Mujica se foram.

Segue a luta pela paz e contra a fome:

temos Lula, Claudia Sheinbaum e mais.

Temos a juventude chegando e agindo.


Minha esperança não se apaga

ao ver a luta de Luna Zarattini,

a juventude do Coletivo JuntOz:

Heber, Gabi e Matheus em Osasco.


Mujica, és inspiração para os jovens.

O presidente Lula defende noite e dia

um mundo mais justo e solidário, sem fome.

Esperanço com a juventude! Sigamos!


Companheiro Pepe Mujica, presente!


William

13/05/25


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (II)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Folheando um pouco a apostila do primeiro ano de estudos de idiomas, achei interessante rever o fenômeno do Yeísmo na Língua Espanhola.

Para deixar uma referência atual, cito abaixo a definição do fenômeno do dicionário da Real Academia Española (RAE):

Yeísmo - 1. m. Fon. Desaparición de la diferencia fonológica entre la consonante lateral palatal y la fricativa palatal sonora, de manera que, en la pronunciación, no se distinguen palabras como callado (silencioso, reservado) e cayado (bastón, palo).

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Na apostila, tem uma seção inteira dedicada ao tema. Transcrevo o texto abaixo para fins didáticos.

LL - Y (delante de vocales)

La pronunciación de los fonemas representados por la LL e por la Y (esta con vocales) se hace distintamente en el mundo hispánico.

a) Distinción entre LL / Y: la LL se pronuncia como la LH del portugués y la Y con un sonido consonante. Algunos hablantes de España y de buena parte de América (sobre todo del altiplano andino) distinguen la pronunciación de estos fonemas, pero actualmente hay una fuerte tendencia a igualarlos.

b) El yeísmo: consiste en igualar la pronunciación de la LL a la de Y. El yeísmo está muy difundido en Hispanoamérica, aunque presente diferencias, por exemplo: en la región del Río de la Plata, la LL/Y suenan como la J del portugués, en Chile la pronunciación de estos fonemas es más suave que la pronunciación rioplatense y en el Caribe la pronunciación de la LL/Y se aproxima de una I. En España el yeísmo se está imponiendo a la distinción LL/Y.

Según Manuel Seco, el yeísmo existe hoy en España (ou seja, 2002): en toda Andalucía, en Murcia (sólo en las ciudades), en Extremadura, en Castilla la Nueva (principalmente en Madrid, Toledo y Ciudad Real), en Castilla la Vieja (Ávila, Valladolid), en Cantabria (Santander), en León (Salamanca, capital), en Asturias (Oviedo y Gijón), en Cataluña (Cuencas del Ter y Llobregat) y las Islas Baleares y Canarias.

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COMENTÁRIO:

Como falante de língua portuguesa que aprendeu língua espanhola, posso dar o depoimento de experiências locais ao ouvir falantes de espanhol.

Já estive em Madri e Toledo, na Espanha. Já estive também no Chile, Argentina, Uruguai e em Cuba. Por ter estudado o idioma, fiquei atento aos falares nessas regiões.

De fato, na Argentina e Uruguai é muito claro o Yeísmo com som de J ou CH do português. No Chile é bem suave a pronúncia. Em Cuba eu consegui perceber o som mais próximo ao I. E a fala dos espanhóis de Madri é bem mais "cantada" em relação às falas dos hispano-americanos.

O estudante de espanhol precisa treinar o ouvido para os diversos "acentos" dos falantes da língua.

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LA "LL"

CALLE  VILLA  LLORAR  LLUVIA  CALLISTA  ESTRELLA

No hay pueblo como mi pueblo,

ni valle como mi valle,

ni casa como mi casa,

ni calle como mi calle.


La chiquilla, con la lluvia, a la villa lleva la llave.

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LA "Y"

AYUDAR    YERNO    YA    YO    YUGULAR    HOYO

Ya viene mayo, mayo,

Ya viene el rumbo,

Ya viene la alegría

pa todo el mundo.


¡Ay, mal haya, mal haya

mi cobardía,

que por ser yo cobarde

no eres tú mia!


El yerno del yegüero da yerba a la yeguada.


Referências: Valmaseda Regueiro, 1992.

Textos y grabaciones adaptados de BRUNO, Fátima C. & MENDOZA, Maria Angélica. Hacia el español 1. São Paulo, Saraiva. Unidad 8, Hacia Letras y Sonidos.

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Tradución:

Yerno: genro

Yegua: hembra del caballo

Yerba: erva, capim

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A primeira postagem deste tema pode ser lida clicando aqui.

William


Fonte: Apostila da Faculdade de Letras/USP, 2002.


sexta-feira, 29 de março de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (I)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Entrei na Universidade de São Paulo no vestibular do ano de 2000 e comecei a cursar a Faculdade de Letras em 2001. Já não era um jovem se comparado com a maioria dos estudantes do curso noturno, que tinham uns dez anos a menos que eu. Fiz o primeiro ano do Ciclo Básico com 32 anos de idade. 

No ano seguinte, comecei a cursar a Língua Espanhola, a habilitação que escolhi durante o Ciclo Básico, juntamente com a habilitação em Português. 

O curso de graduação acabaria por se estender por muitos anos porque eu era sindicalista e todos os segundos semestres eu tinha dificuldades de assistir às aulas porque era o período de data-base da categoria bancária. Com o tempo, até os professores sabiam que eu teria dificuldades em concluir as disciplinas se a campanha dos bancários fosse complicada.

LÍNGUA ESPANHOLA

Estava revendo a primeira apostila de Língua Espanhola e achei interessante o material. Estou falando de um material didático de mais de duas décadas atrás, praticamente não existia a internet como nós a conhecemos hoje. Os estudantes de línguas tinham que ouvir fitas cassete em laboratórios para terem contato com a língua que estavam estudando.

ALFABETO

Na época do curso, o alfabeto espanhol continha 29 letras. Fui consultar agora, no curso de espanhol do ICL e a professora Pilar explicou que o alfabeto contém 27 letras porque o LL e o CH passaram a ser considerados dígrafos desde a Reforma de 2010.

Ou seja, essas mudanças acontecem nas línguas vivas, com o passar do tempo podem ocorrer mudanças nas normas e usos das línguas.

Finalizo esta postagem de revisita aos estudos de Língua Espanhola com um poema de Pablo Neruda, que nós estudamos na aula de idioma para conhecer as diferentes formas de falar LL e Y porque existe o fenômeno do Yeísmo na Argentina e Uruguai, com o som diferente da maioria dos países que falam a língua.

POEMA XV

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente

y me oyes desde lejos

y mi voz no te toca.

Parece que los ojos

se te hubieran volado

y parece que un beso

te cerrara la boca.

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente,

y estás quejándote,

mariposa en arrullo,

y me oyes desde lejos

y mi voz no te alcanza.

Déjame que me calle

en el silencio tuyo.


(In: XX poemas de amor y una canción desesperada)


A apostila perguntava para os alunos, após ouvirem o poema declamado por uma pessoa da Espanha e outra da Argentina, qual era a diferença que mais chamava a atenção.

O Yeísmo, um som mais de "lh" na Espanha e mais de "ge" ou "dje" na Argentina. O LL e o Y também podem ter um som mais próximo ao "i" em algumas regiões de fala espanhola como no Caribe, por exemplo.

Fiz uma postagem sobre o fenômeno do Yeísmo, para ler é só clicar aqui.

É isso. As minhas lembranças da Universidade de São Paulo são algumas das melhores de minha vida de estudante. Entrei lá pensando em ser professor, mas as veredas da vida me levaram para outros caminhos.

William


sábado, 5 de março de 2022

050322 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 5 de março de 2022. Sábado. 11h33 (início).


"Para todas as pessoas que vivem pacificamente e felizes em seus países independentes, eu digo estas palavras: lembrem-se, quando estiverem comendo, de que há centenas de crianças que morrem de fome porque são palestinas. Lembrem-se, quando forem beber água, de que há centenas de crianças que bebem a água suja da sarjeta porque são palestinas. Lembrem-se, quando forem dormir, de que há centenas de crianças sem teto que dormem sem nada para vestir só porque são palestinas." (Mary Masrieh Hazboun, in: Vozes roubadas - Diários de guerra. Cia das Letras, 2008)


O mundo sob a hegemonia do capitalismo segue sendo destruído rapidamente e inviabilizado para a vida humana e para as diversas formas de vidas existentes hoje. Os capitalistas destroem tudo porque podem, é o que eles dizem. Quem não gostou que pare eles. Ninguém os impediu de fazer o que fazem.

A principal guerra noticiada pela imprensa comercial manipuladora segue em seu 10º dia, falo da guerra na Ucrânia, entre os Estados Unidos e a Rússia. E no Brasil seguimos em 2016, com o crime organizado no poder e com representações em todas as instituições do Estado nacional. O crime organizado tem cerca de um terço do eleitorado com ele. É uma potência! É uma lástima!

E ainda temos a pandemia de Covid-19, que mata centenas de pessoas por dia no Brasil e em diversos países do mundo. Aqui, as mortes por Covid-19 foram incorporadas à normalidade assim como as chacinas diárias de gente periférica. As pessoas cansaram da Covid-19 e decidiram acreditar que ela não existe mais (é o foda-se). Seguem as mortes severinas "normais" dessa terra de casas-grandes e coronéis e senzalas.

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Que registros valem a pena anotar aqui no meu caderno ou diário virtual de reflexões e memórias? 

Coisas que me deixaram pensando muito: 

- O filme Uma noite de 12 anos (2018), dirigido por Álvaro Brechner, que conta a história de José Pepe Mujica e seus companheiros, metidos em calabouços sob tortura e solidão pelo regime ditatorial no Uruguai nos anos setenta e oitenta; 

- A história das jovens Shiran Zelikovich e Mary Masrieh Hasboun, uma jovem de Israel e outra da Palestina, respectivamente. Li trechos dos diários delas, escritos entre os anos de 2002 e 2004, publicados no livro Vozes Roubadas - Diários de guerra (2008), um livro organizado por Zlata Filipovic e Melanie Challender.

- O manuseio e seleção e às vezes leitura das minhas pilhas de materiais guardados ao longo da vida, montanhas de papéis, revistas, jornais, cadernos etc. Sem contar os livros. Ao lidar com tudo aquilo, me impressiono com a nossa história, com o quanto já fomos capazes ao enfrentarmos os capitalistas. Ainda somos capazes, acredito, basta sabermos quem somos, conhecermos nossa história, e termos objetivos claros pelos quais lutar e unidade pra derrotarmos os capitalistas e seus lacaios a soldo. 

HISTÓRIA

"Amo o meu país e acho uma pena que estejamos em guerra. Não posso dizer que me sinto segura, na verdade é bem o contrário, mas faço um esforço para sentir-me assim. Quando ficar mais velha, quero ajudar meu país a combater esses terroristas horríveis." (Shiran Zelikovich, inVozes roubadas - Diários de guerra. Cia das Letras, 2008)


Coisas que me fizeram pensar muito na vida e no sentido das coisas. Também fiquei me lembrando o tempo todo da ideia de controle do mundo lançada por George Orwell no distópico 1984 (publicado em 1949).

"Quem controla o passado, controla o futuro;
Quem controla o presente, controla o passado.
"

É uma assertiva impressionante! Os ideólogos dos poderosos sabem disso e essa ideia de controle do passado no presente para controlar o futuro está em andamento sob nossos olhos. É só vermos o que foi e segue sendo o regime no poder desde o golpe de 2016 no Brasil.

Enquanto eu assisto a um filme que nos remete à história de personagens importantes da história e da vida cultural do Uruguai, enquanto leio diários de duas jovens retratando momentos de dor e sofrimento num mundo em guerra por um pedaço de terra e por dogmas religiosos, enquanto leio a história dos bancários brasileiros e a minha participação nela, o regime bolsonarista apaga a história das conquistas e lutas do povo brasileiro, destrói o espaço físico e o mundo cultural brasileiro, e atua para reescrever o passado e se estabelecer no futuro.

A história ainda tem importância? Quem se importa com a história na atualidade? Por que tentar preservar a história? Não só a história, a cultura tem importância?

Conforme separo documentos que retratam a origem de direitos sociais, políticos e civis dos trabalhadores brasileiros ao longo dos últimos dois séculos, sim porque o Banco do Brasil e seus trabalhadores estão nas lutas sociais do país desde 1808 e os da Caixa Federal há mais de 150 anos e alguns sindicatos nossos estão na luta há quase um século, e nossa Caixa de Previdência já é secular... enfim, enquanto separo documentos históricos por dó de jogar fora, percebo o quanto faz falta à coletividade saber minimamente a nossa história. 

Francamente, as pessoas ao nosso redor não têm a menor noção das coisas. E vivemos hoje o elogio da ignorância... e só perdemos com isso, e a casa-grande e seus ideólogos só ganham com isso. Como é fácil com as ferramentas de hoje nos fazer de idiotas e nos manipular ao bel-prazer.

As histórias de José Pepe Mujica, Mauricio Rosencof (o russo), Eleuterio Huidobro (o Nhato) e seus companheiros têm importância para nós que lutamos por um mundo melhor, mais justo e igualitário, sustentável e solidário. 

As histórias de Lula, de Dilma Rousseff, de José Genoino, de Gushiken e tantas outras lideranças do povo brasileiro têm importância para nós. As histórias de nosso movimento sindical têm importância para nós. Pergunto: estamos preservando nossa história e compartilhando ela com as gerações que pertencem ao nosso lado, todos aqueles que não pertencem à casa-grande, ao 1% que domina e destrói tudo? Tenho minhas dúvidas.

Chega de registro e reflexões. Já fiz textos bons e relevantes, já fiz. Quando olho minha produção como dirigente sindical e como gestor de saúde eleito, vejo que produzi conhecimento de qualidade. Mas isso é passado e tenho consciência disso. 

O que fazer para que jovens como Mary, da Palestina, e Shiran, de Israel, não tenham que seguir denunciando a fome e a miséria de um povo e a manutenção do ódio uns pelos outros por motivos políticos e ideológicos?

Uma coisa se percebe facilmente. Em praticamente todas as guerras nos últimos dois séculos temos por trás delas os Estados Unidos da América. Todas! Nos golpes no Brasil como o que vivemos hoje. Na questão entre Israel e Palestina. Na ditadura civil-militar que colocou Mujica e o povo uruguaio nas longas noites que duraram anos. Na guerra na Ucrânia.

Fim desses registros de memórias e reflexões sobre o viver.

William (15h05)


Bibliografia:

FILIPOVIC, Zlata e CHALLENGER, Melanie. Vozes roubadas - Diários de guerra. São Paulo, Cia. das Letras, 2008.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Me dei conta de que era um caçador de palavras" - Eduardo Galeano



Obrigado, Eduardo Galeano, pelo
produto de sua "caça de palavras".

Refeição Cultural

"Después me levanté y caminé. Sentía la arena en las plantas de los pies descalzos y las hojas de los árboles me tocaban la cara. Había salido del hospital hecho un trapo, pero había salido vivo, y se me importaba un carajo el temblor del mentón y la flojera de las piernas. Me pellizqué, me reí. No tenía dudas ni miedo. El planeta entero era mi tierra prometida.

Pensé que conocía unas cuantas historias buenas para contar a los demás, y descubrí, o confirmé, que escribir era lo mío. Muchas veces había llegado a convencerme de que ese oficio solitario no valía la pena si uno lo comparaba, pongamos por caso, con la militancia o la aventura. Había escrito y publicado mucho pero me habían faltado huevos para llegar al fondo de mí y abrirme del todo y darme. Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser.

Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido. Ésa iba a ser mi manera de estar con los demás después de muerto y así no se iban a morir del todo las personas y las cosas que yo había querido.

Para escribir tenía que mojarme la oreja. Yo sabía. Desafiarme, provocarme, decirme: 'No podés, a que no'. Y también sabía que para que nacieran las palabras yo tenía que cerrar los ojos y pensar intensamente en una mujer"

(Os sublinhados são destaques feitos pelo Blog)


Li pela manhã esse excerto de Eduardo Galeano, em seu livro "Días y noches de amor y de guerra" (1986) e fiquei emocionado.

Saí para o trabalho. Voltei para casa no fim da tarde e estava lendo até agora há pouco (depois das 22h) a grande quantidade de textos técnicos da área de gestão em saúde que compõem as deliberações de minha reunião de Diretoria Executiva de amanhã cedo.

Peguei novamente o livro de Galeano e reli o trecho. Que coisa linda! Em suas reminiscências, o escritor uruguaio lembrou de uma de suas mortes - "Mi segunda muerte fue así" - quando teve duas malárias em um mês, estando como exilado em um país sul-americano. Os tempos eram de ditaduras militares sangrentas nas Américas.

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"Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido"
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E que belo escritor nos saiu Eduardo Galeano!

Estou lendo seus livros agora, já entrando minha madurez. Galeano tem me inspirado muito com suas palavras.

E tenho pensado muito na militância, na vida, na dedicação às causas e nos sacrifícios que impomos a nós mesmos e nossos entes queridos.

Aprendi com a frase famosa de Galeano que a Utopia serve para seguirmos sempre em frente, por mais que andemos e a Utopia se afaste do mesmo tanto.

É isso! Obrigado por sua vida dedicada à caça das palavras, Eduardo Galeano!

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"Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser"
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Fecho a refeição cultural com a frase do excerto comparando o perigo em escrever e fazer amor. Genial!

E por falar em amor, eu diria nos diversos amores:

- Filho, eu te amo! Sinta meu amor e meu apoio mesmo estando longe de ti no dia a dia. Tamo junto!

William
Um leitor

sábado, 16 de julho de 2016

Diários de viagem e reflexões (Uruguai)


Portal da cidadela antiga, com Palacio Salvo
e monumento a Artigas ao fundo.

Refeição Cultural - Uruguai

A seguir, registro como memória, alguns dias que passamos no Uruguai.

070716 - quinta

Saímos de Guarulhos, em São Paulo, para passearmos alguns dias no Uruguai. Eu já havia estado no país a trabalho certa vez, quando fiquei na Capital.

Nosso pacote de viagem nos levaria a Montevidéu, a Punta del Este e a Colônia de Sacramento. A ideia era desligar um pouco do trabalho e da política, se bem que desta última, a tarefa é mais difícil. A cabeça dos pais, principalmente da mãe, estaria dividida entre o passeio e a preocupação com o filho, que já segue sua vida de jovem longe dos pais, lá no interior de São Paulo, onde estuda.

A viagem pela companhia aérea Gol foi tranquila. Saímos do Brasil quase às onze horas e chegamos à Montevidéu pouco depois das treze horas. Em homenagem ao Uruguai e pensando o contexto político em meu país e na América Latina, fui acompanhado das palavras de Eduardo Galeano, grande escritor e intelectual uruguaio.

Mensagem da juventude uruguaia para o sujeito
interino na presidência de nosso país.

Eu olhava as paisagens de Nuestra América na janela do avião e lia as descrições profundas de Galeano sobre as desgraças cometidas contra nós povos das Américas, por séculos, pelos imperialistas brancos europeus e norte-americanos.

Sua obra Las venas abiertas de América Latina, apesar de ter sido escrita e publicada no início dos anos setenta, é extremamente atual. Passamos por um período curto com um pouco mais de perspectivas de soberania nacional em nossos países, entre o final dos noventa e a atualidade, período que havia começado com a eleição de Hugo Chaves na Venezuela, e depois seguimos bem com a eleição de Lula da Silva, os Kirchner e diversos governos populares em nossos países. Este curto período mais popular e propício à soberania nacional está ameaçado com golpes e eleições de governos de direita mais recentemente.

Artigas esteve à frente de uma
das primeiras reformas agrárias
da América Latina, no início da
República Oriental do Uruguai.
Estou amargo, azedo em relação aos mamíferos humanos. O processo de construção do Golpe de Estado em nosso querido Brasil me azedou o espírito por causa da alienação de meus pares proletários, e com a manipulação tradicional das massas pelos mesmos donos do poder secular, corruptores da casa-grande e usurpadores da res pública, num patrimonialismo que podemos ver descrito em Eduardo Galeano, como também em Celso Furtado, usurpação da coisa pública pelos senhores brancos, os imperialistas e seus descendentes europeus desde sempre (criollos ou crioulos). Até quando as Américas serão imensos continentes quintais de exploração e diversão dos brancos europeus e americanos? Seremos eternamente isso?

Na van que levou o grupo de brasileiros aos hotéis em Montevidéu, fiquei calado em nome dos "dias de descanso" ao ouvir um casal e familiares do interior de São Paulo conversando e falando suas abobrinhas e perguntando se no Uruguai também tinha a Dilma ou não... (imbecis). Tenho me esforçado a não comprar discussões políticas gratuitas desde que deixei de ser dirigente sindical e assumi um outro papel de representação social. Mas às vezes essas coisas nos consomem. A vontade era de começar uma discussão dentro da porra da van explicando para aqueles palhaços que no Uruguai não tinha "Dilma" mas tinha seu grande apoiador Mujica, que fez seu sucessor nas eleições presidenciais uruguaias, Tabaré Vásquez. Enfim, mesmo em férias, a gente não deixa de pensar, ver, olhar e refletir.

Após o check in no hotel no centro de Montevidéu, pudemos dar uma andada ao final da tarde. Não estava tão frio quanto poderia estar nesta época do ano. O Uruguai estava lotado de turistas brasileiros.

080716 - sexta

Nosso dia foi marcado por uma saída a passeio para a cidade de Punta del Este. O ônibus nos pegou cedo no hotel e saiu pegando turistas por quase uma hora dentro de Montevidéu.

Casapueblo, idealizada por Carlos Páez Vilaró.

Uma das atrações principais do dia foi a visita a Casapueblo, uma belíssima construção que foi ao mesmo tempo residência e ateliê de seu idealizador, o uruguaio Carlos Páez Vilaró, falecido em 2014, e hoje é museu e hotel. A Casapueblo está em Punta Ballena, que fica a 13 km de Punta del Este, no departamento de Maldonado.

Em Punta del Este, vimos nas areias da praia local a famosa escultura "La mano" ou "Los dedos" ou ainda "Hombre emergiendo a la vida", do artista chileno Mario Irarrázabal, obra feita entre 1981 e 1982. Bem interessante a escultura.

Obra de arte imponente em Punta del Este, Uruguai.

O passeio incluiu uma passagem do ônibus por um bairro de gente rica e famosa, uma "Beverly Hills" de Punta del Este. Essa parte do roteiro me deixou enojado. Fiquei pensando no espírito de vira-latas que faz parte da cultura da burguesia latino-americana, construída a partir da ideologia da classe dominante branca e crioula (os descendentes dos imperialistas e colonizadores desses séculos de destruição de Nuestra América).

Nada seria mais interessante que desapropriar todas aquelas mansões vazias daquele bairro inteiro para transformar aquilo em um bairro para milhares de pessoas da classe trabalhadora...

O passeio durou o dia todo e voltamos a Montevidéu de noite. Almoçamos uma parrilla e tomamos uma Patricia, cerveja uruguaia. Comprei um livro interessante numa livraria local de Punta del Este com os contos completos de Edgar Alan Poe. Paguei algo como 54 reais.

090716 - sábado

O clima do dia contribuiu para que pudéssemos andar à vontade pela cidade de Montevidéu. Fez sol e um friozinho tranquilo. A ideia era tentar fazer uma visita guiada ao edifício mais famoso do país, o Palacio Salvo, construído entre 1923 e 1928 e que foi o prédio mais alto da América do Sul até 1935.

Observando e sendo observados pelo gigante
 de concreto Palacio Salvo, de 1928.

Deu certo e a experiência foi bem legal. Eu gosto de construções engenhosas que ressaltam a capacidade e inteligência humana, quando o quesito é nossa capacidade de alterar a natureza, manusear os elementos constantes dela própria e nossa destreza humana em inventar coisas e resolver problemas. O mamífero humano é capaz das coisas mais extraordinárias possíveis, para o bem e, infelizmente, para o mal também.

Um dos poucos passeios que pude fazer quando estive em Nova Iorque a trabalho, anos atrás, foi encarar a fila gigante para uma visita ao Empire State Building, de 1931, com 102 andares e 381 metros até o telhado. Quando estive em Buenos Aires, na Argentina, não entrei no Palacio Barolo, irmão do Palacio Salvo, mas pude bater umas fotos estando em frente a ele. Assim como no Brasil sou grande admirador do Edifício Martinelli, no centro de São Paulo, também torre mais alta das Américas em seus anos iniciais, inaugurado em 1929, com 39 andares e 130 metros de altura (abriga nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região).


Torre Antel - outro arranha-céu de Montevidéu, abriga
 a empresa estatal de telecomunicações, inaugurada
 em 2002, com 32 andares e 158 metros de altura.

Nosso grupo ganhou um extra raro na visita de sábado porque no momento em que descíamos da torre do Palacio Salvo, o morador do apartamento mais alto, único no andar, estava lá e nos convidou para entrar, o que nos permitiu ir até a sacada de 360º vendo toda a cidade de Montevidéu. Foi bem interessante!

Além disso, no passeio guiado fomos também ao terraço do 10º andar. Hoje, o edifício é residencial e tem centenas de moradores.

Ainda o sábado...

Teatro Solís, obra majestosa de Montevidéu. Tivemos
o privilégio de assistir à peça O Otelo Oriental.

Quando fomos à tarde visitar o belo Teatro Solís, inaugurado em 1856, aproveitamos a oportunidade de haver sessão à noite e voltamos às 21h para assistir a uma peça teatral - O Otelo Oriental. Pudemos conhecer o teatro por dentro da melhor forma possível. É belíssimo! A peça foi interessante e abordou a questão da influência inglesa sobre o Uruguai nos anos vinte do século 19, num enredo em que Brasil e Argentina disputavam espaços comerciais no país e ao final, saiu vencedor um terceiro, os ingleses com um tratado de livre comércio. Ai ai ai..., me lembrei do Eduardo Galeano e d'As veias abertas da América Latina...

E para o sábado ser mais completo ainda...


Una carne ancha y una cerveza Patricia
en el Mercado del Puerto.

Antes da noite teatral, fomos ao Mercado del Puerto comer as famosas carnes uruguaias e tomar uma cerveja Patricia. Enfim, foi um sábado repleto de cultura, diversão e comilança.

100716 - domingo

O domingo foi o nosso último dia em Montevidéu. Como o sábado foi intenso, resolvemos pegar leve. Fizemos o passeio no ônibus que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Mas não descemos em lugar nenhum porque as principais atrações estavam fechadas (ex: Assembleia Legislativa e Estádio Centenário). Foram duas horas de tour.


Assembleia Legislativa, palácio inaugurado em 1925
com arquitetura do neoclassicismo. Não conseguimos
fazer a visita guiada porque era fim de semana.

O passeio no bus turístico foi o que achei mais caro em Montevidéu. Diria que não valeu a pena. Foram 572 pesos cada, ou seja 1.144 pesos, que daria algo como 140 reais o casal. Só para se ter uma ideia do quanto foi caro, o passeio guiado no Palacio Salvo custou 200 pesos cada (algo como 50 reais o casal). E a peça de teatro no Solís custou 300 pesos o casal (uns 36 reais).

Por fim, comemos de novo no Mercado del Puerto e retornamos ao hotel. Fiz fotos bem bonitas em Montevidéu. Li um pouco do livro de Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina (1971).

Una calle en julio...
Como disse no início da postagem, estou muito azedo com os mamíferos humanos. Tudo o que vejo e percebo no meio social em que vivo e frequento é o resultado de séculos de exploração dos colonizadores e exploradores imperialistas e seus descendentes criollos sobre nós classe trabalhadora originária dessas terras americanas ou descendentes miscigenados dessa massa explorada que para cá foi trazida como gado para superproduções e acumulação primária do capitalismo europeu e americano. Meu azedume é a tradução de ver novamente o mesmo ciclo de caídas dos governos mais populares e a nova tomada de poder por golpes jurídico-parlamentares ou por manipulação do povo alienado nos processos eleitorais das Américas.

Nos dias seguintes, estivemos na Colônia de Sacramento.

110716 - segunda

Logo pela manhã, demos saída no hotel em Montevidéu e fomos de van para a Colônia de Sacramento, fundada em 1680, distante 177 km da capital uruguaia, indo para o lado ocidental, adentrando ao Río de la Plata. Chegamos quase ao meio-dia.

Um belo Pôr do Sol em Colônia de Sacramento, Uruguai.

Enquanto não podíamos fazer o check in antes das 14h, saímos para andar e já conhecer a parte histórica da Colonia. Almoçamos no centrinho velho e retornamos para dar entrada na pousada que ficamos até quarta-feira. Posada Del Virrey (muito agradável).

Numa única andada, deu para ver as ruínas da antiga cidade, as muralhas, a torre, a igreja principal e os casarões seculares. À noite, saímos para comer.

Ali, pensei comigo, seria boa oportunidade para ler e dormir, andar e refletir um pouco antes da volta à rotina desgastante em que minha vida se transformou nos últimos anos de militância política como representante eleito por trabalhadores, primeiro em entidades sindicais, e agora em entidade de saúde.

120716 - terça

Leseira... leitura pela manhã... Las venas abiertas de América Latina...

Saímos a flanar por las calles da Colônia. Subimos ao topo do farol para ver o Pôr do Sol no Río de la Plata.

Farol de Colônia, erguido sobre
 uma das antigas torres do
Convento São Francisco Xavier.

130716 - quarta

Leseira pela manhã e última saída a caminhar pela Colônia de Sacramento.

Andamos mais de 5 km indo da pousada até a antiga Plaza de Toros, de 1910. Depois pegamos um ônibus local com moradores e trabalhadores, que andou pelos bairros até chegar novamente ao centro histórico. Almoço... um café... e Pôr do Sol no cais local. Imagens fantásticas!

Saímos do Uruguai na manhã de quinta-feira.

Valeu a pena o passeio! Postarei mais fotos no blog anexo a este (clique aqui).

William

domingo, 3 de julho de 2016

As veias abertas da América Latina sangram...




Refeição Cultural

"Incorporadas desde siempre a la constelación del poder imperialista, nuestras clases dominantes no tienen el menor interés en averiguar si el patriotismo podría resultar más rentable que la traición o si la mendicidad es la única forma posible de la política internacional..." (Eduardo Galeano)


Está acabando o final de semana. É tão curto que mal dá pra gente descansar um pouco.

Além de ficar quietinho em casa em Brasília com a esposa, e correr um pouco no sábado e pedalar neste domingo (ver AQUI), o que fiz de mais interessante foi pegar o livro de Eduardo Galeano e ler umas sessenta páginas.

A obra fantástica "Las venas abiertas de América Latina" foi publicada em 1971 e sua atualidade nos assusta, nos intimida, nos humilha por saber que, se por um lado, iniciamos um período de enfrentamento soberano ao modo aniquilador de exploração dos imperialismos europeus e americano com governos mais populares da metade dos anos noventa até bem pouco tempo, por outro lado, agora estamos de novo sofrendo uma reviravolta com golpes de estado como em Honduras, Paraguai e Brasil, além da eleição da direita na Argentina e no Peru.

É de dar nojo o que os espanhóis e portugueses fizeram com os povos que aqui estavam e suas nações constituídas há centenas de anos. O massacre e o volume de pessoas exterminadas covardemente, com armas desproporcionais é semelhante ao número de mortos nas guerras mundiais do século XX. Foram exterminados dezenas de milhões de seres humanos. Mas aqui nas Américas não foi guerra de exército contra exército, foi extermínio puro e simples.

Começou aqui faz séculos, nossa história colonial de exploração para acumulação de capitais para europeus e americanos. Passados séculos, havíamos iniciado aqui nas Américas do Sul e Central governos mais progressistas, populares, oriundos do próprio povo trabalhador ou originário da terra, soberanos e focados nos próprios povos, mas durou pouco. Já neste momento os imperialistas retomam suas colônias de exploração através de golpes e intervenções canalhas para derrubar os governos populares.

Quando vejo figuras como essas que estão à frente do Golpe de Estado no Brasil, figuras que já têm em seu currículo crimes de entrega de nosso patrimônio aos estrangeiros a preço de nada, ou corrupção da grossa mesmo, encoberta porque eram eles e eles sempre puderam, com os imperialistas estrangeiros só pagando a eles umas gorjetas, umas propinas como aconteceu nos anos noventa, eu sinto ao mesmo tempo um ódio mortal por esses lesa-pátrias e assassinos de nosso povo, assassinos pelas mortes diárias através da miséria que eles querem ver de volta. Mas sinto também um desprezo tão grande por todos os alienados que de qualquer forma apoiaram o Golpe que aí está...

Pensem vocês que esses desgraçados, passados séculos, estão para destruir os poucos direitos trabalhistas que conquistamos com sangue, suor e lágrimas. Querem foder nossos direitos em aposentadoria, e eles praticamente vivem de nos explorar, sem trabalhar. Querem entregar nossas riquezas de novo para alguns capitalistas estrangeiros. Cortar todas as políticas afirmativas e sociais. Tirar o país do povo novamente.

E por que o povo não se revolta? Porque há um sistema midiático de pão e circo. E esse sistema com meia dúzia de dominadores há décadas segue intocável. Por que aceitamos? Por que milhões deixam que uns poucos nos manipulem, nos coloquem na condição de nada (nihil) contra o sistema hegemônico?

Vou parar por aqui. Estou muito revoltado em ver que não há reação do povo à altura do ataque desferido ao Brasil e ao próprio povo, que segue curtindo o futebol, a Globo, lendo os jornais e revistas dos desgraçados e, se mandarem nos pegar (aqueles que se revoltam ou reagem), é comum que o próprio povo explorado avise aos buldogues da polícia deles onde estamos.

Será que o povo dessas veias abertas da América Latina merece o que os seculares exploradores fazem conosco?

Será que nossa negritude, nossa mestiçagem, nossa origem nestas terras, sem nome difícil de falar, sem termos olhos claros, a pele branquinha com cabelos escorridos loiros, nossa mescla índio negro cafuzo cabelos não lisos sangue e pobreza de origem nos faz piores que esses exploradores europeus e americanos seculares?

William

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

8 de outubro - Los Tres (Eduardo Galeano)


Para pensarmos, deixo esses acontecimentos do dia 8 de outubro, relembrados por Eduardo Galeano em "Los hijos de los días".




Los Tres

En 1967, mil setecientos soldados acorralaron al Che Guevara y a sus poquitos guerrilleros en Bolivia, en la Quebrada del Yuro. El Che, prisionero, fue asesinado al día siguiente.


En 1919, Emiliano Zapata había sido acribillado en México.


En 1934, mataron a Augusto César Sandino en Nicaragua.


Los tres tenían la misma edad, estaban por cumplir cuarenta años.


Los tres cayeron a balazos, a traición, en emboscada.


Los tres, latinoamericanos del siglo veinte, compartieron el mapa y el tiempo.


Y los tres fueron castigados por negarse a repetir la historia.



Eduardo Galeano (1940-2015)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Montevidéu, Uruguai - Ponto de vista (II)


Aqui estão mais algumas fotos com o meu ponto de vista dos instantes que passei em Montevidéu, a trabalho, entre os dias 23 e 26 de julho de 2012.

Para começar, uma bela obra em homenagem à associação dos bancários do Uruguai. A entidade já fez setenta anos de luta e os trabalhadores uruguaios estão de parabéns pela história de luta.

A.E.B.U. - PIT/CNT.

A foto do Teatro Solís mostra momentos cotidianos semelhantes aos que vemos em nosso Teatro Municipal de São Paulo: pessoas vivendo seu espaço público externo. Não posso deixar de comentar que estava fazendo uns 5º de frio no dia da foto e o pessoal é animado pra ficar congelando naquelas escadarias.

O Teatro Solís foi inaugurado em 1856, depois ampliado com 
as laterais e a última reforma é dos anos 90 do século XX.

A foto abaixo é do Portal da cidadela velha. Ele hoje é reforçado com uma obra anexa para conservá-lo. Busquei um olhar que permitisse ser visto o conjunto arquitetônico que envolve o Portal, a Praça da Independência, o Mausoléu de Artigas, o hotel Palacio Salvo e a Avenida 18 de Julho.

Portal da cidadela velha, Mausoléu de Artigas apontando 
para a Av. 18 de julho e o magnífico Palacio Salvo
O conjunto está na Praça da Independência.
Montevidéu, Uruguai. Foto: William Mendes.

Abaixo, temos uma das composições fotográficas que gosto de fazer. O relógio com o Hotel Palacio Salvo em uma fria tarde de julho em Montevidéu.

Composição: El Reloj y Palacio Salvo en una tarde gris.
Foto de William Mendes.

Vejam que foto legal da Catedral Metropolitana de Montevidéu. Nada melhor que mostrar o entorno (Praça da Constituição) em um dia cinzento e frio. A primeira igreja matriz foi construída ainda nos anos de 1720 e a construção atual já tem seus duzentos anos.

Catedral Metropolitana de Montevidéu. Obra com
séculos de 
existência. Foto de William Mendes.

O chafariz está na Praça da Constituição, da Catedral Metropolitana.

Chafariz gris en una tarde gris. Foto: William Mendes.

As duas fotos seguintes são do interior da Catedral Metropolitana de Montevidéu. A primeira é a nave principal e a segunda mostra a bela cúpula da construção.

Nave central da Catedral Metropolitana de
Montevidéu. Foto de William Mendes.

A visão da cúpula da catedral é belíssima!

Cúpula da Catedral Metropolitana de Montevidéu. 
Foto de William Mendes.

Estamos terminando os olhares de Montevidéu. Agora, temos uma composição de uma palmeira, um poste de iluminação (adoro fotografar luminárias com algo ao fundo) e o belo Palacio Salvo (inaugurado em 1928).

Composição: Palmeira, poste de iluminação e Palacio Salvo.
Montevidéu. Foto de William Mendes.

E para finalizar, aquelas fotos tipo "eu estive lá".

Palacio Salvo e William Mendes. Montevidéu - Uruguai. 
Julho 2012.

E aí, alguém viu alguma foto que fugisse das tonalidades de bege e cinza? Foram as cores da estação, da Montevidéu e da minha estação.

Fim.

William

terça-feira, 31 de julho de 2012

Montevidéu, Uruguai - Ponto de vista (I)


Encontro ocorreu em Montevidéu, Uruguai.

Estive em Montevidéu (Uruguai) neste mês de julho de 2012 a trabalho. Fui para a 8ª Reunião Conjunta de Bancos Internacionais. Estivemos presentes com uma delegação brasileira e com pessoas de vários países.

AEBU-PIT/CNT: bancários uruguaios têm grande história 
de lutas. São 70 anos de existência do sindicato.

O primeiro dia de trabalho foi na Associação dos Bancários do Uruguai - AEBU. O local é grande e abriga vários espaços como local de recreação para crianças e adultos, escritórios, cooperativa, auditório de reuniões etc.

A temperatura dentro dos ambientes é sempre mantida à base de calefação e aquecedores. Lá fora, a temperatura ambiente esteve na casa dos 5º e com o vento forte e gelado fica difícil de passar horas nas ruas.

Bela Igreja ao lado do 
Banco de la República del Uruguay.

Só foi possível sair e andar um pouquinho nos dois últimos dias. Na primeira saída, fui até o mercado municipal. É sempre o local onde gosto de ir quando chego a uma cidade.

A estrutura do Mercado del Puerto
é do século XIX e é de ferro.

O mercado é bem antigo e feito com estrutura de ferro vinda do exterior para ser montada em Montevidéu. Praticamente, é um local para se comer. Cada restaurante mais legal que o outro.

E aí, vai uma Patricia?

Eu e o Zanon encontramos o pessoal do HSBC almoçando um rodízio de carnes. Como já havíamos almoçado, resolvemos tomar uma Patricia. Muito gostosa!

Vai de Patricia ou de Don Pascual?

Os companheiros do HSBC são mais "chiques" e estavam tomando um Don Pascual. Eu confesso que sou tomador de cerveja e uma pinguinha. Só.

Ferro fundido e luminária. Foto de William Mendes.

Olha na foto acima que legal a estrutura do Mercado do Porto em ferro fundido.

Aquecedor de ambiente no Mercado del Puerto. 
Montevideo - Uruguay.

Acima, é possível ver como são mantidos aquecidos os ambientes na fria Montevidéu. Ao fundo, temos o restaurante onde ficamos - Cabaña Verónica.


Vista da cidade velha e do Rio da Prata.
Montevidéu - Uruguai.

Quando voltamos do Mercado do Porto, fizemos outro caminho. Fomos pelo calçadão do Rio da Prata. Um vento e um frio de "rachar bobina" como dizemos lá em Minas Gerais.

Foto multifuncional.

Na foto acima é possível ver o Hotel NH onde ficamos, o Palacio Salvo (depois farei uma postagem contando a história dele), o Templo Inglês, e as direções de outros locais.

Río (mar?) de la Plata y la ciudad de Montevideo. 
Foto de William Mendes.

E por fim, mais uma foto de uma tarde fria de julho em Montevidéu.

Na outra postagem, veremos a segunda caminhada que fiz para ir ao Teatro Solís, Praça da Independência e portal da cidade velha, andando até a Avenida 18 de Julho.

Hasta luego!!