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sábado, 5 de outubro de 2019

051019 - Diário e reflexões


Ver um ipê branco florido é uma boa referência
sobre a brevidade das coisas. É um instante e só!
Se você não observar quando viu, já era!

Refeição Cultural

Fiquei pensativo após ler um texto crítico sobre os movimentos poéticos no mundo ocidental e a questão das tradições e rupturas nas poéticas. O texto do poeta, ensaísta e crítico literário Octavio Paz tratou das diversas maneiras como as sociedades primitivas e a atual lidam com a temporalidade, com o passado, presente e futuro, e o texto é muito reflexivo. Ler comentários aqui.

Para fechar meu dia de leituras na sexta-feira, revi na madrugada o filme "Uma história real" (1999), de David Lynch, que retrata a história do norte-americano Alvin Straight, que nos anos noventa percorreu 390 km de estradas em um cortador de gramas para ver e reatar a relação com seu irmão que havia sofrido um derrame. Alvim realizou essa façanha com 73 anos de idade, com artrite, sem enxergar bem e não quis ajuda de ninguém para ir até lá. Ler a respeito aqui.

Parece-me que o senhor Tempo lembrou-se de mim com o passar do tempo e agora ele já me pauta os dias, o corpo, a mente. O texto de Octavio Paz explica aos leitores que, por um lado, certos tipos de sociedades e concepções religiosas lidam com o futuro baseando as perspectivas possíveis (ou únicas) como eternos retornos e voltas ao passado, gerando uma forma determinista de não-mudança; de maneira inversa, a concepção antagônica moderna de rupturas com as tradições, após o século XVIII, nos apresenta o futuro como o incerto e a certeza de mudanças em relação ao passado. Enfim, eterna volta ao passado ou a mudança como certeza de futuro, devo me situar talvez entre uma das visões de futuro possíveis.

Aos cinquenta anos de idade, tendo características pessoais de inconformidade com as coisas e com a curiosidade filosófica dos porquês das coisas serem como são, já acreditei em quase tudo nessa existência, quase tudo. Hoje não mais. Sou um animal humano desencantado com as soluções inteligentes, confesso, que a mente humana criou para explicar ou conformar o mundo com uma certa lógica justificável para as tragédias da vida e para o não sentido das coisas: religiões. As coisas são como são e são resultado de eventos naturais e de eventos impulsionados por aqueles que alteram a natureza de forma racional: animal humano.

Os tempos são de mudanças para o futuro. Essa afirmação é uma espécie de brincadeira, depois de ler Octavio Paz ontem. Os tempos são de exílio, de solidão. Essa afirmação sim é baseada na minha leitura da realidade. Após uma vida pertencente a alguma coisa, agora já não pertenço a quase nada. Não caibo mais na política de onde vim. Não caibo mais na família de onde vim. Não caibo mais no que viraram o país e povo que amava (de onde vim). Como disse, os tempos serão de solidão, daqui para o fim certo.

Mas atenção, o fim certo é tanto o instante seguinte como décadas adiante. Viver é preciso! Viver é bom! Viver é ver ipês, é ver pores do sol nunca iguais. Viver é o imponderável amanhã. Então, é territorializar-se novamente em algum lugar, é pertencer a algo a se criar. Viver e ser, pois as coisas são como são.

William

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Leitura III: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz




Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio (aqui), fizemos a leitura da primeira parte do capítulo do livro. Ler excertos aqui. Agora vamos terminar o 1º capítulo.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura


O crítico nos fala da questão de passado, presente e futuro nas sociedades primitivas. Muito interessante o ponto de vista que ele apresenta.

O presente e o futuro teriam como modelo a seguir o passado, porque o passado se impõe através de ritos e tradições, de maneira a não se mudar nada. 

"La vida social no es histórica, sino ritual; no está hecha de cambios sucesivos, sino que consiste en la repetición rítmica del pasado intemporal. El pasado es un arquetipo y el presente debe ajustarse a ese modelo inmutable; además, ese pasado está presente siempre, ya que regresa en el rito y en la fiesta..." (p. 28)

Por essas ferramentas dos ritos e das tradições, o passado defende a sociedade das mudanças.

"no es lo que pasó una vez, sino lo que está pasando siempre..."

E Paz finaliza o conceito para entendermos adiante o quanto o tempo para nós é inverso ao tempo para as sociedades primitivas.

"Nada más opuesto a nuestra concepción del tiempo que la dos primitivos: para nosotros el tiempo es el portador del cambio, para ellos es el agente que lo suprime..."

e

"Para los primitivos, el modelo atemporal no está después, sino antes, no en el fin de los tiempos, sino en el comienzo del comienzo. No es aquel estado al que ha de acceder el cristiano, sea para salvarse o para perderse, en la consumación del tiempo: es aquello que debemos imitar desde el principio." (p. 28/29)

As sociedades primitivas veem com horror as variações do tempo, as mudanças não são benéficas, são nefastas. "lo que llamamos historia, es para los primitivos falta, caída".

(comentário: minha nossa, desculpem, mas vi aqui nessas explicações parte dos evangélicos que apoiam toda a desgraça do bolsonarismo!)

"El modelo sigue siendo el pasado anterior a todos los tiempos, la edad feliz del principio regida por la armonía entre el cielo y la tierra..."

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"(...) para los cristianos el tiempo perfecto es la eternidad: una abolición del tiempo, una anulación de la historia; para los modernos la perfección no puede estar en otra parte, si está en alguna, que en el futuro." (p. 30)
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Para os modernos o futuro é a região do inesperado e para os povos primitivos o futuro desemboca no passado.

Para o Ocidente esse tempo do passado primordial e perfeito, da harmonia entre homem e homem e com a natureza se chama Idade do Ouro. Para outras civilizações a pedra Jade era a referência.

Depois de apresentar vários exemplos sobre sociedades e religiões em relação à maneira com que lidam com a questão do tempo e a volta ao passado, o capítulo caminha para sua conclusão.

"Pasado atemporal del primitivo, tiempo cíclico, vacuidad budista, anulación de los contrarios en brahmán o en la eternidad cristiana: el abanico de las concepciones del tiempo es inmenso, pero toda esa prodigiosa variedad puede reducirse a un principio único. Todos esos arquetipos, por más distintos que sean, tienen en común lo siguiente: son tentativas por anular o, al menos, minimizar los cambios." (p. 36)

E ainda:

"A la pluralidad del tiempo real, oponen la unidad de un tiempo ideal o arquetípico; a la heterogeneidad en que se manifiesta la sucesión temporal, la identidad de un tiempo más allá del tiempo, igual a si mismo siempre."

Nossa época rompe com todas as maneiras tradicionais das civilizações de pensar o tempo, o passado, o presente e o futuro.

"Heredera del tiempo lineal e irreversible del cristianismo, se opone como éste a todas las concepciones cíclicas; asimismo, niega el arquetipo cristiano y afirma otro que es la negación de todas las ideas e imágenes que se habían hecho los hombres del tiempo."

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"La época moderna -ese período que se inicia en el siglo XVIII y que quizá llega ahora a su ocaso- es la primera que exalta al cambio y lo convierte en su fundamento. Diferencia, separación, heterogeneidad, pluralidad, novedad, evolución, desarrollo, revolución, historia: todos esos nombres se condensan en uno: futuro. No el pasado ni la eternidad, no el tiempo que es, sino el tiempo que todavía no es y que siempre está a punto de ser." (p. 37)
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Octavio Paz fecha o capítulo contando a visão de um representante de povos originários ao visitar a Inglaterra. Por mais que a sociedade Ocidental desenvolva técnicas e ferramentas, a perfeição não é sentida, ela estaria sempre no futuro: "Nuestra perfección no es lo que es, sino lo que será".

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Segue depois a leitura de outros capítulos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Vanguardas e contemporaneidades hispano-americanas (I)



Relógio da USP, em frente à FFLCH.

Refeição Cultural

Esta postagem se refere a anotações feitas por mim em sala de aula, aulas com a Professora Doutora Idalia Morejón Arnaiz, da disciplina de Vanguardias y Contemporaneidad, matéria na qual estudaremos um panorama crítico da narrativa e da poesia hispano-americana, desde as vanguardas dos anos 1920 até o presente, através da leitura e análise de textos literários e ensaísticos que colocam em evidência as propostas de ruptura e continuidade estética e cultural ao longo de um século.

As anotações são de minha inteira responsabilidade. Qualquer equívoco conceitual pode ser corrigido pelo(a) leitor(a) buscando outras fontes sobre o tema conflitante. Aqui é um espaço de compartilhamento gratuito de informações e conhecimento, dentro do conceito Wiki: What I Know Is.

Durante as postagens, vou variar os textos entre português e espanhol, e as não conformidades formais das duas línguas são de minha responsabilidade também. Combinado?

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Temas que serão abordados durante o semestre conforme o programa da disciplina de responsabilidade da Profa. Dra. Idalia:

1. Las vanguardias latinoamericanas de los años 20:  teorías y polémicas. Lectura crítica de manifiestos y ensayos.

2. La poesía vanguardista: Vicente Huidobro, César Vallejo, Nicolás Guillén.

3. La renovación narrativa a partir de la década de 1940 y la crísis del realismo. Los narradores del Boom: Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez.

4. La postvanguardia latinoamericana: antipoesía y neobarroco de Nicanor Parra a José Kozer.

5. Literatura y arte contemporáneo. Las literaturas del siglo XXI: Mario Bellatin, Carlos A. Aguilera.

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Aula de 06/08/19

Durante a aula, anotei alguns eixos temáticos e pontos que considerei importantes para fixar. Vamos ver poesias e manifestos desde a década de 20 do século XX. Foco na questão da história e da autonomia das vanguardas literárias.

Em linhas gerais, há duas formas de se analisar ou se definir os objetivos ou as características dos textos literários e poéticas dos autores: literatura como veículo de disseminação das ideias das sociedades ou literatura como arte em si mesma, que se "protege" da sociedade e suas realidades.

A linha que vamos seguir na disciplina é a da autonomia da literatura como vanguarda. Nos foi pedido para ler um texto de Eduardo Milán, poeta, ensaísta e crítico literário - Visión de la poesía latinoamericana actual.

A professora nos alerta que estudar as vanguardas requer dos leitores certas habilidades novas. Um exemplo da diferença de linguagem poética em relação à tradição que havia pode ser visto na obra "Trilce" de César Vallejo.

O contexto em que se deram as vanguardas na primeira metade do século XX é marcado pelas duas grandes guerras e pela crise econômica dos anos trinta. Os "ismos" são deste período: Futurismo, Dadaísmo, Cubismo etc. 

Os artistas buscavam uma espécie de rebeldia do homem perante a morte e as crises. Outro objetivo das vanguardas era romper com as tradições artísticas.

Tradição x Ruptura

Outra obra crítica que vamos ler na disciplina é Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia, de Octavio Paz, poeta e ensaísta mexicano.

A tradição do Barroco é uma das poéticas que se mantêm ao longo do tempo: sonetos com estrofes com versos em decassílados 4/4/3/3. São formas fixas bem tradicionais. Retoma temas antigos, exemplo: Sor Juana Inês de La Cruz e a decadência do corpo e a passagem do tempo.

Atenção: nas vanguardas não confundir o novo com novidades, pequenas variações na tradição. No Barroco, as temáticas são retomadas com pequenas alterações. O novo tem que nascer, tem que romper com a tradição para mudá-la.

"Trilce" de Vallejo, de 1922 - não havia leitores preparados para compreenderem o novo que estava chegando com as vanguardas. Essa obra de César Vallejo era uma poesia difícil, de pouco acesso à compreensão dos leitores, e isso ainda hoje. Foi composta no cárcere, apenas com um dicionário de subsídio para o poeta. Veja abaixo uma poesia de Trilce:

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II

          Tiempo Tiempo.

Mediodía estancado entre relentes.
Bomba aburrida del cuartel achica
tiempo tiempo tiempo tiempo.

          Era Era.

Gallos cancionan escarbando en vano.
Boca del claro día que conjuga
era era era era.

          Mañana Mañana.

El reposo caliente aún de ser.
Piensa el presente guárdame para
mañana mañana mañana mañana

          Nombre Nombre.

¿Qué se llama cuanto heriza nos?
Se llama Lomismo que padece
nombre nombre nombre nombrE.


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Creacionismo - Vicente Huidobro

Autor chileno

Os manifestos e a poesia de Huidobro tiveram grande impacto nas vanguardas hispano-americanas. O escritor propõe a negação da mímese da natureza e a criação de nova linguagem.

Tradição: poesia como mímese da natureza.
     x
Ruptura: criação de novas palavras e nova linguagem poética. Destruir a linguagem para criar nova linguagem.

A professora nos explica que o ensaio de Octavio Paz que devemos ler é fundamental para melhor compreensão conceitual sobre as vanguardas. O texto é referência até hoje, mesmo tendo sido escrito nos anos 70.

Romper com as tradições não quer dizer que elas deixaram de existir nas artes. Por isso é importante ler o texto de Octavio Paz.

A partir das vanguardas literárias ocorre uma aproximação das letras e da poesia com as artes pictóricas.

Termos utilizados para definir as novas poéticas surgidas a partir das vanguardas:

- Literaturas expandidas
- Literaturas interferidas
- Artes verbais
- Reprodução ampliada
- Literaturas inespecíficas

Sobre alguns autores da época:

- Jorge Luis Borges: um dos maiores de sua língua e nunca usou  a cor local. Ler o texto dele "El escritor argentino y la tradición". Borges renegou seu período vanguardista, dos tempos da juventude.

- Oliverio Girondo: apesar de ter sido cada vez mais vanguardista, se estuda dele muito mais as obras do início da carreira que da fase de vanguarda.

Vamos estudar alguns manifestos do período durante as aulas.

A professora comentou em sala que há uma espécie de rejeição de parte dos europeus aos escritores do período chamado El boom, dos anos 60. Isso tem relação com as diferenças entre Espanha e países hispano-americanos.

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Amig@s leitores, não é fácil organizar em um texto toda informação que anotei correndo durante a aula. Tentei sintetizar o que foi possível.


domingo, 29 de setembro de 2019

Leitura II: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz





Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio, vamos começar a leitura do primeiro capítulo do livro. Ler excertos aqui.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura

O começo já é um conceito importante a recordar:

"El tema de este libro es la tradición moderna de la poesía. La expresión no sólo significa que hay una poesía moderna sino que lo moderno es una tradición..." (p. 17)

O que seria tradição?

"(...) la transmisión de una generación a otra de noticias, leyendas, historias, creencias, costumbres, formas literarias y artísticas, ideias, estilos; por tanto, cualquier interrupción en la transmisión equivale a quebrantar la tradición..."

E a tradição da ruptura?

O autor segue no conceito:

"Si la ruptura es destrucción del vínculo que nos une al pasado, negación de la continuidad entre una generación y otra ¿puede llamarse tradición a aquello que rompe el vínculo e interrumpe la continuidad?..."

Paz segue com uma série de indagações que demonstram contradições interessantes. Se o tradicional é por excelência o antigo, como poderia o moderno ser tradicional?

Depois ele diz que:

"Al decir que la modernidad es una tradición cometo una leve inexactitud: debería haber dicho, otra tradición. La modernidad es una tradición polémica y que desaloja a la tradición imperante, cualquier que ésta sea..." (p. 18)

O moderno não se caracterizaria somente pela sua novidade, mas também pela sua heterogeneidade, nos diz o autor: "(...) la modernidad está condenada a la pluralidad: la antigua tradición era siempre la misma, la moderna es siempre distinta".

- Tradição do moderno: heterogeneidade, pluralidade de passados, estranheza radical.

- O moderno não é filho do passado, é sua negação, é ruptura. O moderno é autosuficiente, cada vez que aparece, cria sua própria tradição.

O crítico nos explica sobre as idas e vindas da questão das estéticas. Há épocas em que o ideal estético é a imitação do antigo, e outras em que se exalta o novo e a surpresa.

- Estética da surpresa: "Novedad y sorpresa son términos afines, no equivalentes".

A aliança entre a estética da novidade somada à estética da negação só vai encontrar um caminho efetivo a partir da idade moderna, ao final do século XVIII e início do XIX.

RUPTURA

O que diferencia a modernidade de outras épocas é a ruptura, não somente o novo e o surpreendente. "crítica del pasado inmediato, interrupción de la continuidad. El arte moderno no sólo es el hijo de la edad crítica sino que también es el crítico de sí mismo". (p. 20)

E segue com os conceitos: não basta ser algo novo, tem que ser distinto, mudar a direção, negar o anterior: "el cuchillo que parte en dos al tiempo: antes y ahora". (p. 21)

O que é bem antigo, de milênios, também pode ser base para a modernidade, com ruptura da tradição anterior. "lo antiquísimo no es un pasado: es un comienzo".

MUDANÇA CONTÍNUA

Ou seja, a tradição moderna apaga a oposição entre o antigo e o contemporâneo, entre o distante e o próximo. O ácido que dissolve tudo isso é a crítica, segundo Paz. Mas o conceito fica melhor somando a crítica com a paixão.

"Pasión crítica: amor inmoderado, pasional, por la crítica y sus precisos mecanismos de desconstrucción, pero tambiém crítica enamorada de su objeto, crítica apasionada por aquello mismo que niega. Enamorada de sí misma, no afirma nada permanente ni se funda en ningún principio: la negación de todos los principios, el cambio perpetuo, es su principio." (p. 22)

CONCEPÇÃO DO TEMPO

"(...) para los antiguos el ahora repite al ayer, para los modernos es su negación."

"Para nosotros el tiempo no es la repetición de instantes o siglos idénticos: cada siglo y cada instante es único, distinto, otro."

A tradição do moderno traz um paradoxo maior que a contradição entre o antigo e o novo, o moderno e o tradicional. Essas oposições se evaporam por causa da velocidade do tempo. As distinções entre passado, presente e futuro se apagam ou passam a ser instantâneas, imperceptíveis e insignificantes.

"La aceleración del tiempo no sólo vuelve ociosas las distinciones entre lo que ya pasó y lo que está pasando sino que anula las diferencias entre vejez y juventud. Nuestra época ha exaltado a la juventud y sus valores con tal frenesí que ha hecho de ese culto, ya que no una religión, una superstición; sin embargo, nunca se había envejecido tanto y tan pronto como ahora. Nuestras colecciones de arte, nuestras antologías de poesías y nuestras bibiliotecas están llenas de estilos, movimientos, cuadros, esculturas, novelas y poemas prematuramente envejecidos."

A ÉPOCA MODERNA É A DA ACELERAÇÃO DO TEMPO HISTÓRICO

Octavio Paz nos explica que essas contradições a que vem expondo não são outra coisa senão a aceleração do tempo histórico.

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"Doble y vertiginosa sensación: lo que acaba de ocurrir pertenece ya al mundo del infinitamente lejano y, al mismo tiempo, la antigüedad milenaria está infinitamente cerca... Puede concluirse de todo esto que la tradición moderna, y las ideias e imágenes contradictorias que sucita esta expresión, no son sino la consecuencia de un fenómeno aún más perturbador: la época moderna es la de la aceleración del tiempo histórico." (p. 23)
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E o autor nos explica que não é que os anos e os dias passem mais rápidos, é que acontecem mais coisas. Se passam mais coisas no tempo atual e tudo ao mesmo tempo, não uma coisa atrás da outra, mas tudo simultaneamente.

"Aceleración es fusión: todos los tiempos y todos los espacios confluyen en un aquí y un ahora."

COMENTÁRIO: esse conceito me ajuda bastante a entender essa sensação que todos nós dizemos que o tempo estaria passando mais rápido. Muito interessante.

O autor escreveu esta obra nos anos setenta, e nos dá dois exemplos sobre essa questão da aceleração do tempo histórico: a Revolução Soviética e a Revolução Mexicana. Ambas seriam baseadas em rupturas profundas na estrutura e comportamento da sociedade e, meio século depois, já era possível identificar características naquelas sociedades semelhantes àquelas com as quais se pretendiam romper em relação aos regimes anteriores.

E Paz nos mostra o mesmo em relação a arte e a literatura, temas do livro.

"(...) durante el último siglo y medio se han sucedido los cambios y las revoluciones estéticas, pero ¿cómo no advertir que esa sucesión de rupturas es asimismo una continuidad? El tema de este libro es mostrar que un mismo principio inspira a los románticos alemanes e ingleses, a los simbolistas franceses y a vanguardia cosmopolita de la primera mitad del siglo XX." (p. 24)

Ao identificar traços e características que persistem ao longo do tempo nas mais diversas civilizações, independente das distâncias geográficas e históricas, Octavio Paz diz que talvez uma coisa seja a responsável pela permanência de certas características: a natureza humana.

"Tal vez las diferencias culturales e históricas son la obra de un autor único y que cambia poco. La naturaleza humana no es una ilusión: es el invariante que produce los cambios y la diversidad de culturas, historias, religiones, arte." (p. 26)

E para parar a leitura por agora, cito o fim desta parte do primeiro capítulo. 

"La crítica de la tradición se inicia como conciencia de pertenecer a una tradición. Nuestro tiempo se distingue de otras épocas y sociedades por la imagen que nos hacemos del transcurrir: nuestra conciencia de la historia. Aparece ahora con mayor claridad el significado de lo que llamamos la tradición moderna: es una expresión de nuestra conciencia historica. Por una parte, es una crítica del pasado, una crítica de la tradición; por la otra, es una tentativa, repetida una y otra vez a lo largo de los dos últimos siglos, por fundar una tradición en el único principio inmune a la crítica, ya que se confunde con ella misma: el cambio, la historia." (p. 27)

A leitura segue depois...

(É o momento do respiro ideal para sair para correr neste domingo ensolarado e tirar a bunda quadrada da cadeira)

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Leitura: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz





Refeição Cultural

Leitura e fichamento da obra

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia


Prefácio

Como se comunicam os poemas? É uma das questões que Paz vai desenvolver na obra, que é uma espécie de continuação da obra anterior dele, de 1956, El arco y la lira.

"Un poema es un objeto hecho del lenguaje, los ritmos, las creencias y las obsesiones de este o aquel poeta y de esta o aquella sociedad. Es el producto de una historia y de una sociedad, pero su manera de ser histórico es contradictoria..." (p. 9)

"el poema no detiene el tiempo: lo contradice y lo transfigura." (p. 9)

Paz nos diz que a contradição entre história e poesia fica bem evidente na idade moderna.

Qual seria a abrangência do termo "do Ocidente" na questão da poesia moderna tratada na obra de Octavio Paz? 

"Apenas si vale la pena aclarar que el término Occidente abarca también a las tradiciones poéticas angloamericanas y latinoamericanas (en sus tres ramas: la española, la portuguesa y la francesa)." (p. 10)

Unidade da poesia moderna ocidental

"Para ilustrar la unidad de la poesía moderna escogí los episodios más salientes, a mi entender, de su historia: su nacimiento con los románticos ingleses y alemanes, sus metaformosis en el simbolismo francés y el modernismo hispanoamericano, su culminación y fin en las vanguardias del siglo XX." (p. 10)

Relações ambíguas entre a poesia moderna e a modernidade

"Desde su origen la poesía moderna ha sido una reacción frente, hacia y contra la modernidad: la ilustración, la razón crítica, el liberalismo, el positivismo y el marxismo. De ahí la ambigüedad de sus relaciones - casi siempre iniciadas por una adhesión entusiasta seguida por un brusco rompimiento - con los movimientos revolucionarios de la modernidad, desde la revolución francesa a la rusa." (p. 10)

Diálogo entre analogia e ironia

"La analogía de los románticos y los simbolistas está roída por la ironía, es decir, por la conciencia de la modernidad y de su crítica de cristianismo y las otras religiones. La ironía se transforma, en el siglo XX en el humor - negro, verde o morado. Analogía e ironía enfrentan al poeta con el racionalismo y el progresismo de la era moderna pero también, y con la misma violencia, lo oponen al cristianismo. El tema de la poesía moderna es doble: por una parte es un diálogo contradictorio con y contra las revoluciones modernas y las religiones cristianas; por la otra, en el interior de la poesía y de cada obra poética, es un diálogo entre analogía e ironía." (p. 11)

Depois vamos ler o primeiro capítulo: "La tradición de la ruptura".


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Leitura: Las Genealogías (1981*) - Margo Glantz




(atualização em 10/10/19)

Refeição Cultural

Estou lendo Margo Glantz porque a autora é base de uma disciplina que estamos fazendo na Letras com a professora Adriana Kanzepolsky - "Poéticas de autor en la literatura hispanoamericana". Matéria e temática muito interessantes.

*Assim que fiz a postagem, coloquei como data de publicação da obra o ano de 1986. Na verdade, a autora escreveu os relatos e reflexões sobre a genealogia de sua família entre os anos de 1979 e 1981, como ela nos conta na página 233. Seu pai faleceu pouco depois, em janeiro de 1982. Sua mãe, porém, faleceu em maio de 1997. Glantz nos confessa, então, que finalmente colocaria fim às suas genealogias. (julho de 1997).


Excertos

O INÍCIO

"Todos, seamos nobles o no, tenemos nuestras genealogías. Yo desciendo de lo Génesis, no por soberbia sino por necesidad. Mis padres nacierón en una Ucrania judía, muy diferente a la de ahora y mucho más diferente aún del México en que nací, este México, Distrito Federal, donde tuve la suerte de ver la vida entre los gritos de los marchantes de La Merced, esos marchantes a quienes mi madre miraba asombrada, vestida totalmente de blanco." (p. 17)

"A mí no puede acusárseme, como a Isaac Bábel*, de preciosismo o de biblismo, pues a diferencia de él (y de mi padre) no estudié ni el hebreo ni la Biblia ni el Talmud (porque no nací en Rusia y porque no soy varón) y sin embargo muchas veces me confundo pensando como Jeremías y evitando como Jonas los gritos de la ballena..." (p. 17)

*Isaac Bábel foi jornalista e escritor russo, de origem judaica e foi morto pelo regime de Stalin. Escreveu "O exército de cavalaria" na tradução em português (Fonte: Wikipedia).

NOMES DIVERSOS DOS PAIS

"Mi fuerte nunca ha sido la geografía, siempre confundo los ríos del norte con los del sur y sobre todo los que se salen del cauce americano y eso que mi madre se llama Elizabeth Mijáilovna Shapiro y mi padre Jacob Osherovich Glantz, en privado, y para sus amigos Lucia y Nucia o Yánkl y Lúcinka, a veces Yasha o Luci y en Rusia, él Ben Osher, y mamá Liza. Esta constatación (y la pronunciación adequada de los nombres, cosa que casi nunca ocurre) me hacen sentir personaje de Dostoievski y entender algo de mis contradicciones, por aquello del alma rusa encimada al alma mexicana." (p. 25)

BARBEIRO: PROFISSÃO INDIGNA PARA OS JUDEUS

"Los judíos no podián dedicarse a cuidar los baños. Parece reminiscencia de esa prohibición talmúdica que impedía a los judíos dedicarse a la barbería, prohibición que perdió Sansón a manos de Dalila. Es más, según el Talmud, ser barbero era profesión indigna y ningún padre podía enseñarla a sus hijos..." (p. 35)

RECORDAÇÕES FABRICADAS

"Aquí entra mi recuerdo, es un recuerdo falso, es de Bábel. Muchas veces tengo que acudir a ciertos autores para imaginarme lo que mis padres recuerdan..." (p. 38)

O TEMPO

"'Los judíos - dice en alguna parte Bashevis Singer - no registran su historia, carecen del sentido cronológico. Parece como si, instintivamente, supieran que el tiempo y el espacio son mera ilusión.' Esa sensación de un tiempo largo, gelatinoso, contraído y dispuesto a resumirse en un tema con multiples variaciones y cadense, coincide con la vida de mis padres y con las conversaciones repetidas de las que sale de repente una chispa que ilumina algún hecho descuadrado por la cronología ideal que la historia nos quiere hacer tragar. El tiempo es un espacio caligrafiado y repetido sin cesar en las constantes letanías con que el judío religioso se ocupa de medir su vida*." (sublinhado meu)

COMENTÁRIO: ao reler a postagem um mês depois, e já tendo lido o 1º capítulo de "Los hijos del limo" (1974), de Octavio Paz, obra em que o escritor analisa dentre outras coisas a questão da temporalidade para povos primitivos e de certas religiões e para os povos ocidentais modernos, ficou mais fácil compreender essa reflexão acima sobre tempo e história para o povo judeu.

Octavio Paz: 

*"La vida social no es histórica, sino ritual; no está hecha de cambios sucesivos, sino que consiste en la repetición rítmica del pasado intemporal. El pasado es un arquetipo y el presente debe ajustarse a ese modelo inmutable; además, ese pasado está presente siempre, ya que regresa en el rito y en la fiesta..."
(p. 28)



e

"Para los primitivos, el modelo atemporal no está después, sino antes, no en el fin de los tiempos, sino en el comienzo del comienzo. No es aquel estado al que ha de acceder el cristiano, sea para salvarse o para perderse, en la consumación del tiempo: es aquello que debemos imitar desde el principio." (p. 28/29)


O ASSASSINATO DO CZAR E SUA FAMÍLIA

"(...) yo tengo unos periódicos que me envió Tamara de Rusia, en que se cuenta cómo en tiempo de la revolución los llevaron fuera de los palacios, y los mandaron a un sótano y el Zar pidió que perdonaran la vida al Zarévich, el heredero, un niño muy fino; el Zar salvó a quienes luego lo mataron, él les perdonó la vida, la hermana de Lenin estuvo presa y la iban a mandar a Siberia, entonces ya no hacían ejecuciones, mandaban al destierro, y el Zar la perdonó junto con otros revolucionarios, pero ellos no quisieron perdonar al Zarévich y a todos los fusilaran, en un cuarto así, en un sótano, pero Lenin no tuvo la culpa..." (p. 46)

AUTORA - NARRADORA E PERSONAGEM

"Mamá lava los platos en la cocina, luego viene y nos pide que pasemos a la mesa, está sirviendo el té. Vamos y allí mi papá prosigue entusiasmado. Antes me he pasado varios días pidiéndole que me cuente algo de su juventud y si niega, todo le parece sin interese; de repente algo se ilumina de nuevo en su cabeza."  (p. 48)


Na página 49, capítulo X, o pai de Margo conta sobre sua juventude em 1917, durante a revolução russa.

COMENTÁRIO: o cenário das reuniões em família para falarem sobre o passado (sua gênese) se dá sempre ao redor de uma mesa com guloseimas e alimentos tradicionais. Nas aulas, a professora nos explicou que a comida de origem russa, as refeições da tradição judaica e oriental, o rito de estar sempre comendo para relembrar o passado, tudo isso tem uma importância grande para eles.

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O fichamento da leitura do livro segue em outra postagem. Clique aqui e leia.