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sexta-feira, 27 de maio de 2022

270522 - Diário e reflexões (CartaCapital)



Refeição Cultural - CartaCapital 1209


CABEÇAS A PRÊMIO

A matéria de capa da revista CartaCapital desta semana traz a síntese do que vivemos nessa colônia de exploração norte-americana: "Com a anuência do governo Bolsonaro, a 'caçada' aos indígenas atinge novos patamares". 

Ao longo das matérias da revista e ao longo da semana que passou, vimos a realidade das caçadas neste continente cavocado e feito pasto (as malditas commodities...). É um cenário quase realista da ficção distópica "Bacurau". Nós povo somos caçados como animais pelos colonizadores brancos do norte e seus capitães do mato.

Mino Carta e Boaventura de S. Santos ensaiam os riscos globais aos quais estamos expostos por causa da guerra imperialista norte-americana e de seus adversários, Rússia e China. Ganhei uma aula de Mino sobre a história norte-americana, desde Thomas Jefferson no início do século XIX, passando pelo desgraçado que criou a ideia da América para os americanos, a doutrina Monroe, e Mino abordou também Abraham Lincoln e a Guerra de Secessão.

José Sócrates expõe a tragédia da questão do aborto: enquanto conservadores e reacionários lutam para criminalizar o aborto, as mulheres seguem vítimas de uma esquizofrenia e uma hipocrisia do mundo machista, misógino e ignorante.

As matérias sobre os povos indígenas são de chorar e a vontade é organizar um exército popular que não concorde com o genocídio dos povos originários e a destruição de nossas florestas e biomas. Só na conversa e nas redes sociais não vamos evitar o fim de tudo. Os inimigos são impiedosos e implacáveis: invadem, estupram, matam, queimam tudo, destroem rios e ecossistemas. São maus e não ligam pra nossa indignação.

Na seção "Seu País" a caçada continua. Parceiros do regime bolsonarista, empresários e picaretas de falsas igrejas, recebem 193 milhões de reais para fazer de conta que estão tratando e curando dependentes químicos. A matéria "A fé move moedas" traz a chamada "Droga: sob Bolsonaro, as comunidades terapêuticas dominadas por pastores crescem e se multiplicam". É uma picaretagem indescritível...

Segue a caçada... "Natureza encurralada". Agora é a destruição em Minas Gerais: "Com o licenciamento repleto de irregularidades, o complexo minerário da Tamisa ameaça destruir o que restou da Serra do Curral"

Gente... só com um exército popular para defendermos a Serra do Curral e toda a fauna e flora que lá existem... E toda a destruição para beneficiar alguns humanos desgraçados... como pode ninguém fazer nada contra isso?

Caçada...

E em Curitiba, os racistas e outras pragas da casa-grande dessa colônia estão à caça do vereador do PT Renato Freitas... Lá na Câmara municipal se perdoa tudo, roubo, propina, lavagem de dinheiro, caixa 2, crimes vários, mas querem cassar o mandato do vereador preto, pobre e do PT, crimes imperdoáveis de Renato Freitas...

Caçada... E a Eletrobras? Putz! Cadê nosso exército popular para defender esse nosso patrimônio?

Caçadas

Na seção "Nosso Mundo" duas caçadas dos homens brancos e donos do poder: a caça aos direitos das mulheres na suprema corte dos EUA: de novo a questão do aborto. E o assassinato da jornalista Shireen Abu Aqleh pelos israelenses. Que foda tudo isso! As cenas dos soldados israelenses atacando os palestinos na cerimônia de enterro da jornalista chocaram o mundo.

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Na semana que passou, a caçada humana seguiu violentamente. A chacina na comunidade carioca, com mais de vinte mortos oficialmente. Gente pobre, preta e da classe trabalhadora. O assassinato bárbaro de Genivaldo pelos policiais rodoviários de Sergipe num camburão feito câmara de gás.

Chega, né!

William


segunda-feira, 16 de maio de 2022

160522 - Diário e reflexões (CartaCapital)



Refeição Cultural - CartaCapital 1208


ENSAIO DO GOLPE

Por algum motivo li neste fim de semana a revista semanal CartaCapital, digo isso porque não tenho lido mais nem livros nem revistas nestes últimos meses. Decidi no início do ano que deveria focar a solução de problemas domésticos protelados por longa data e que me trazem despesas absurdas e desgostos. Não consegui até agora atingir esse objetivo, só fiquei sem ler com regularidade. Que merda, heim! Apesar de meu fracasso, pelo menos sigo assinando a revista e contribuindo para a sobrevivência de um veículo de bom jornalismo.

Enfim, ao ler a excelente revista da equipe de jornalistas liderada por Mino Carta, fiquei pensando a respeito da afirmação de Margo Glantz, escritora e intelectual mexicana que diz em suas postagens curtas via rede social que ler notícias nos dias de hoje é um ato masoquista. Acho que é isso mesmo! Lemos para sofrer (tenho muita dúvida se nos informamos ao ler o que se tem por aí). Aliás, alguns pautadores das notícias como, por exemplo, o genocida e bandido no poder na colônia de exploração brasileira, criam as desgraças diárias que viram as pautas para nos torturar, para nos manipular, para seguir sendo o assunto ininterrupto. É uma estratégia que tem se mostrado eficaz até agora.

NOSSO MUNDO NA PÓS-VERDADE DA MATRIX DE FAKE NEWS

Comecei a leitura pela seção "Nosso Mundo". Que foda! Os ditadores, corruptos e assassinos das Filipinas estão de volta ao poder... pelo voto! O país foi palco de mais uma experiência bem-sucedida de pós-verdade promovida por ferramentas de mentiras em massa. Quase 70 milhões de pessoas foram às urnas e elegeram o herdeiro da ditadura dos Marcos. Segundo a matéria, a população acredita que eles são bonzinhos, honestos, gente boa e que vão até doar para o povo a fortuna roubada em 21 anos de ditadura... Preciso dizer mais alguma coisa?

Depois li a seção de "Economia":

Masoquismo... O Brasil-colônia destruído após o golpe de Estado em 2016 vai passar por momentos mais difíceis ainda porque a economia mundial está em recessão e até os "parceiros" comerciais que compram as commodities desse continente pasto e chão cavocado vão reduzir suas movimentações. E ainda tem a guerra entre os Estados Unidos e a Rússia, com a Europa toda sendo bucha de canhão dos norte-americanos. O mundo tá f... Eu não sei se sobra alguma alternativa para os russos além de apertarem aqueles botões vermelhos de ogivas nucleares...

Depois li a seção "Seu País" e "Capa" a respeito das corrupções corrupções corrupções todos os tipos de corrupções da política pós golpe de Estado. O golpe prometido pelos corruptos colocados no poder por corrupção (fraudes fraudes e mais fraudes). Bilhões e bilhões de dinheiros usados de forma secreta pelos corruptos do Congresso Nacional...

POVOS INDÍGENAS SOB RISCO DE MORTE E GENOCÍDIO - A matéria "Norte selvagem" denuncia o absurdo que está ocorrendo no Pará, colocando em risco uma população de 1500 indígenas da etnia Parakanã. Há uma campanha de desinformação em massa - fake news e pós-verdade - que faz com que a população não indígena da cidade de Novo Repartimento queira fazer justiça com as próprias mãos por causa da morte de três homens encontrados mortos nas terras indígenas. Dureza!

A seção "Plural" traz a notícia boa da reabertura da Cinemateca depois das tragédias dos incêndios e inundações, mas as informações sobre as perdas são terríveis... irrecuperáveis as obras perdidas...

ARTIGOS

Nos artigos da revista, alguns são excelentes, são essenciais. 

O de Arthur Chioro que denuncia "A defesa da violência", título da matéria. "O Ministério da Saúde, no governo Bolsonaro, apregoa a cesariana indiscriminada e assume o papel de incentivador de práticas inaceitáveis relacionadas ao parto".

O de Pedro Serrano "Ataque velado à democracia" tem como chamada inicial do texto o seguinte: "Para Bolsonaro, o importante não é indultar Daniel Silveira, e sim usar esse caso para se colocar como um guardião da Constituição, de forma a exercer um poder totalitário".

E fecho com o artigo de Sidarta Ribeiro "O fracasso da nação" a respeito do filme de Lázaro Ramos. Com a chamada "O filme Medida Provisória enfrenta nosso grande enigma: como superar a herança genocida e escravista, diante de tamanha hegemonia branca?". Gente, após ler o texto de Sidarta, vou ver o filme amanhã mesmo. A gente sempre enrola enrola e acaba não indo ao cinema. Vou amanhã mesmo!

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Caminhante, não há caminho... 

Fecho esse diário e essas reflexões pensando nas palavras do poeta Antonio Machado. 

Estou caminhando, mesmo sem haver caminhos. Estou caminhando. Não estou podendo correr como fiz por décadas em minha vida. Meu quadril... que foda! Enquanto não corro, meu colesterol sobe, e as coisas se estragam por dentro.

Estou caminhando. Quero fazer a romaria de Minas Gerais em agosto. Não sei se consigo mais. Mas vou me sentir até lá. Estou caminhando. Comecei com caminhadas de 5K, depois de 10K. Dias atrás, andei 25K.

Vou andar uns 50K qualquer dia desses. Estou caminhando, mesmo sem caminhos.

William


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

22022022 - Diário e reflexões (CartaCapital)



Refeição Cultural - CartaCapital 1195


ALTA-TENSÃO

Faz tempo que li a última revista CartaCapital inteira. Faz tempo! Foi no final de setembro de 2021, a edição 1173 (comentário aqui). Aliás, preciso fazer uma correção e parar de escrever "Carta Capital", já que o nome da revista é CartaCapital. Às vezes, sou meio birrento ao escrever nos meus espaços de escrita.

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MODERNISMO - As matérias destacadas na capa da revista são muito bem escritas, e nos trazem os fatos, além da opinião qualitativa do escriba, como é o caso da matéria assinada por Mino Carta na seção "Plural": "O que restou de 1922 - Semana de Arte Moderna: Mário de Andrade soube entender a necessária simbiose entre a cultura e a política". Gostei do artigo e dos relatos de Mino.

Durante a semana passada, quando se comemorou cem anos daquela "Semana de Arte Moderna" cheguei a ler nas redes sociais alguns comentários bem negativos a respeito daquele movimento e das pessoas que participaram dele. Alguns comentários esculhambavam os protagonistas do movimento. Opinião é opinião. Eu penso que o movimento foi muito importante e sou admirador de Mário de Andrade. Aliás, Macunaíma e Pauliceia Desvairada são obras fenomenais. Fenomenais!, na minha opinião.

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NEONAZISMO - Outra matéria importante da semana foi a que tratou da ascensão dos extremistas de direita, fascistas, nazistas, neonazistas et caterva no Brasil após a demonização da política do país por parte da casa-grande e seus veículos familiares de comunicação (grande imprensa, PIG, mídia empresarial e outras denominações), que apostaram no caos e na destruição para interromper os governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores após a eleição de Lula em 2003. As mentiras chamadas fake news foram a pauta do PIG durante todos os anos dos governos do PT neste século.

Tirando a minha opinião no parágrafo anterior, a matéria trata do caso que chamou a atenção durante alguns dias: o do youtuber conhecido como Monark, apresentador do Flow, podcast de maior audiência do país. A matéria da seção "Seu País" à página 16 traz o tema: "O triunfo dos extremistas - Neonazismo: O discurso da 'liberdade de expressão irrestrita' apenas fortalece a atuação de gangues e dos lobos solitários".

A matéria reproduziu uma das frases ditas por Monark no programa: "Acho que o nazista tinha que ter o partido nazista, reconhecido pela lei". E um dos convidados do programa, segundo a revista, teve a seguinte postura: "Presente na bancada, o deputado Kim Kataguiri, do DEM, emendou que a Alemanha errou ao criminalizar o nazismo após o fim da Segunda Guerra Mundial.". 

"O PAVOR DE DILMA ROUSSEFF" - Pois é! Eu e todos os brasileiros vimos um deputado federal dizer no microfone do Congresso Nacional no dia 17/4/16 (sessão de votação do impeachment sem crime) que ele votava em nome do coronel Ustra, o torturador da jovem Dilma Rousseff nos anos da ditadura civil-militar... e não saiu preso, não foi processado e ali se abriram as portas do inferno para o que o Brasil se transformou.

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ELETROBRAS - Que dizer então da privatização da Eletrobras? A entrega do patrimônio nacional de centenas de bilhões de dinheiros para uns chegados da casa-grande é algo que eu não vou dizer o que penso, o que acho que se deveria fazer com essa gente.

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ARTIGOS - A edição traz artigos muito bons. Eu destaco o do Marcos Coimbra (p. 23): "Mão grande na eleição" com um destaque na entrada do texto: "Bolsonaro e sua turma vão fazer todo tipo de bandalheira para se manter no poder. Na verdade, já fazem".

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REVISTA LIDA E COMENTÁRIO FINAL

Enfim, lida a revista. Muito conteúdo! Muita informação. 

Eu registro na postagem uma impressão que mantenho faz tempo. Acho difícil acontecer o que todos nós desejamos: que tudo corra normalmente e que Lula seja eleito presidente da república em eleições normais em outubro deste ano.

Acho que há uma probabilidade importante do Lula não ser o presidente do Brasil em 2023 ou não terminar um eventual mandato caso a casa-grande e o crime organizado que tomou conta do país permitam que ele chegue ao Planalto pelas vias democráticas em outubro deste ano.

Espero estar errado. Acho que desta vez não vai rolar a conciliação que Lula e o PT gostariam de fazer com os capitalistas, como ocorreu em 2002. Os tempos são outros e a história não se repete. A democracia burguesa liberal acabou após as ferramentas tecnológicas da atualidade (redes sociais e algoritmos). Acabou e não sabemos o que pôr no lugar.

William


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

270921 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1173


TRAMOIA NA PF

Tem sido difícil ler a edição impressa da revista Carta Capital. Só agora terminei a revista do início do mês, aquela que antecedeu todas as ameaças do golpe em 7 de setembro. Mas digo que vale a pena a leitura, mesmo com semanas de diferença porque os artigos e as reportagens são registros e impressões que extrapolam a semana de acontecimentos. 

A matéria de capa, "Tramoia na PF" nos lembra que o fato é só o começo do que vem por aí nessa terra dominada pelos desgraçados da casa-grande, que odeiam o país e o povo brasileiro. Na minha avaliação, teremos diversas operações lavajatistas até as prováveis eleições de 2022 para atacar Lula e o Partido dos Trabalhadores. 

Os artigos na edição foram muito bons. O de Guilherme Boulos "Feijão e fuzil" nos lembra que o miliciano no poder está preparando uma aventura armada no país com seu exército de milicianos; "Náusea", o artigo de Esther Solano, fala por muitos de nós. Excelente o artigo de Vilma Reis - "Os novos bandeirantes" -, falando sobre essa gente da casa-grande, bolsonarista e de direita, que se locupleta com a pilhagem do país do pós-golpe de Temer e Bolsonaro (p. 59).

Gostei do artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo - "Lula e a regulação da mídia". Belluzzo vai lá na fonte onde os desgraçados da casa-grande bebem, nos Estados Unidos, para nos informar das bases da "liberdade de imprensa" de lá, cuja base era o inverso do que prega a imprensa empresarial daqui. Era conter o risco de monopólio da impressão e opinião deles, o 1%.

"Há tempos, nas páginas de nossa brava e sobrevivente CartaCapital, recuperei as ideias centrais do relatório final da Comissão sobre a Liberdade de Imprensa nomeada pelo Congresso dos Estados Unidos no imediato pós-Guerra. Concluído em 1947, o relatório advertia: existe uma razão inversamente proporcional entre a vasta influência da imprensa na atualidade e o tamanho do grupo que pode utilizá-la para expressar suas opiniões. Enquanto a importância da imprensa para o povo aumentou enormemente com seu desenvolvimento como meio de comunicação de massa, 'diminuiu em grande escala a proporção de pessoas que podem expressar suas opiniões e ideias através da imprensa'." (p. 39)

PETROBRAS PRIVATIZADA... (o povo se f...)

Na seção "Capital S/A" vimos no que deu os tucanos-bolsonaristas se desfazerem da BR Distribuidora. Um cara agora, uma merda de ente privado vai dominar a distribuição de etanol no Brasil continental. Que beleza, heim! 

"COPERSUCAR - Fusão no etanol

A Vibra Energia, ex-BR Distribuidora, anunciou acordo com a Copersucar para formar uma joint venture comercializadora de etanol, a ECE. A Vibra ficará com 49,99% do capital social, por 4,99 milhões de reais, e a Copersucar, com 50,01%. As acionistas vão aportar 440 milhões de reais para iniciar a operação da ECE, que será 'a maior comercializadora de etanol do Brasil e uma das maiores do mundo'. Atualmente, a Vibra movimenta entre 6 bilhões e 6,5 bilhões de litros de etanol e a Copersuçar comercializa entre 4,5 bilhões e 5 bilhões de litros do biocombustível." (p. 45)

SAÚDE

Duas matérias tratam de questões relativas à "indústria" da saúde no capitalismo. 

A reportagem na seção "Nosso Mundo" traz o caso da "executiva" bilionária do Vale do Silício, Elizabeth Holmes, que aplicou golpe em zilhões de pessoas com uma ferramenta miraculosa que descobria tudo quanto é doença no sangue com uma simples gota colocada em uma maquininha: "A Theranos prometia revolucionar os exames clínicos, mas produziu uma gigantesca fraude" (p. 51)

A outra é o artigo de Riad Younes "Terapia pioneira na retina". O destaque da matéria diz "Procedimento feito no Brasil permitiu que uma paciente percebesse, pela primeira vez, que era possível enxergar no escuro". Lá no finalzinho é que a gente vai saber que "A paciente teve acesso à medicação graças a um processo contra o governo."

TRADUÇÃO: o procedimento de 1,8 milhão de real por olho foi pago por um processo judicial contra o SUS. Óbvio, né! O capitalista que criou o remédio não abre mão de seu lucro nesta indústria.

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Fecho meus comentários e registros. Como disse no início, vale a pena a leitura porque ela ultrapassa questões momentâneas, semanais.

Ahh, só mais uma coisa: a matéria sobre o lixo do Facebook e seu dono e o desejo de dominar o mundo está muito interessante. A matéria apresenta o livro Uma verdade incômoda, que fala a respeito, na página 60. 

William


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

150921 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1172


O CUSTO BOLSONARO

Começo esta refeição cultural com o início do editorial de Mino Carta a respeito do sujeito no comando do país:

O ANTICRISTO

"Conta um caríssimo amigo, Celso Amorim, ter ouvido de Leonardo Boff a seguinte definição da natureza de Jair Bolsonaro: 'Trata-se do anticristo'. Talvez seja este o perfil mais convincente para qualificar o presidente brasileiro, eleito, como sabemos, ao cabo de uma série de golpes de Estado que reduziram o Brasil à situação atual. Que quer dizer anticristo? O destruidor de tudo aquilo que na vida faz sentido, da razão e de qualquer nobre sentimento, como a solidariedade e a compaixão."

Gostei muito desse conceito de anticristo, um conceito para lá da religião e do sobrenatural. Hoje, de fato, convivemos com uma horda de anticristos, principalmente os animais humanos que denominamos no Brasil como "bolsonaristas". Essa gente é do mal, é uma gente que segue o anticristo, cujo objetivo diário é destruir tudo o que dá sentido à vida humana, solidariedade, amor, fraternidade, tolerância, amizade etc.

A matéria de "Capa" traz o custo que estamos pagando pelo golpe de Estado que interrompeu a democracia e a esperança que avançava no Brasil com os governos petistas. O quadro na página 13 traz números que desesperam qualquer pessoa que segue os princípios cristãos, independente da religião ou fé pessoal. O povo está sem emprego, sem direitos, sem oportunidades, o povo está na merda por causa do que fizeram com o Brasil os bandidos da Lava Jato, os meios de comunicação comercial e os partidos de direita como o dos tucanos.


Eu tenho tido até dificuldades para ler a edição impressa de Carta Capital porque a leitura nos traz informação factual, informação dolorosa, mas é preciso ser firme e conhecer a realidade. Estou demorando, mas acabo lendo a revista uma ou duas semanas depois que chega. Não tenho o direito de me alienar. Senão viro um desses zumbis aí fora.

Termino o comentário recomendando o artigo de Lídice da Mata, excelente como sempre. "Estado em desconstrução" é um texto para reflexão e para nos manter indignados. Ela fala dos riscos da Reforma Administrativa (PEC 32) que vai acabar de vez com os serviços públicos do Estado brasileiro. Sem se indignar com as injustiças e com o que é ruim para o povo, a gente corre o risco de virar aqueles zumbis lá fora.

"A taxa de funcionários de estatais e órgãos dos governos federal, estaduais, municipais, além de autarquias e entes como o Judiciário e o Ministério Público, não corresponde a 5% do total de habitantes no Brasil, quando o porcentual ideal seria em torno de 10%, como vemos em países desenvolvidos, como Alemanha, Espanha, Itália e Estados Unidos, dentre outros." (p. 29)

Enfim, a edição 1172 está muito boa (a capa com a efígie está demais!), mas não dá para comentar cada uma das seções. 

Gostei das indicações de livros da seção "Plural", tem um livro novo de Alberto Manguel, o autor de um dos melhores livros que já li: Uma história da leitura, de 1996 (ler a respeito aqui). O livro Encaixotando minha biblioteca eu gostaria de ler. Mas eu efetivamente preciso parar de comprar comprar e comprar livros, é um abuso isso. Além de não conseguir ler tudo o que tenho, é uma coisa que tem me incomodado muito - comprar - em meio a tanta miséria do povo de meu país.

É isso. Fico por aqui.

William


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Tajá e sua gente - José J. Veiga



Refeição Cultural

"Tajá ficou penalizado. Imagine um agricultor formado ficar perdendo tempo numa atividade tão diferente. Devia ser por isso que seu Oscar às vezes tinha aquele olhar triste e distante. Deve ser triste uma pessoa ter aprendido tantas coisas e não poder aproveitar o que aprendeu." (VEIGA, 2008, p. 43)


Após leituras difíceis porque mais engajadas, que exigem mais do leitor, peguei um pequeno livro do grande mestre José J. Veiga e li nesta manhã de segunda-feira.

Que estória linda! A estória de Tajá e sua gente (1986) nos deixa pensando que o mundo da sociedade humana poderia ter jeito. Penso que literatura também tem esse papel na vida das pessoas: sonhar, acreditar em coisas melhores.

Tajá é um garoto muito inteligente. Um certo dia, inventa uma forma de melhorar sua condição especial, e vai atrás de seu sonho de se locomover com mais facilidade. Deu certo! E a vida seguiu.

Em um momento da vida, o jovem Tajá descobre a leitura de livros e os conhecimentos gerais, saberes enciclopédicos. Fica deslumbrado com tanta coisa que aprende. Ele estava se tornando um "homem cultivado" para usar uma expressão de Mircea Eliade.

"Quando leu mais sobre a Terra no espaço, Tajá chegou a ficar assustado, depois incrédulo. Quanta coisa acontecendo o tempo todo, e ele sem saber! Quando é que podia ter imaginado que além de girar em volta do Sol a 107.000 quilômetros por hora a Terra ainda acompanha o Sol e outros planetas em torno do centro da Via Láctea a 770.000 quilômetros por hora, acompanha a Via Láctea numa viagem em torno do centro de um conjunto de 2.500 galáxias outras a 2.100.000 quilômetros por hora, e com todos os corpos celestes se afasta de um ponto no espaço, onde se supõe que todos nasceram de uma explosão, a 580.000 quilômetros por hora." (p. 36)

Em outro momento, percebe que os saberes novos não têm aplicação em sua vida cotidiana, ninguém liga para os novos conhecimentos que ele quer compartilhar. Papel aceita tudo, lhe diria seu amigo Dito, duvidando dos livros e da ciência.

"Das Dores continuava calado, indiferente à discussão. O problema dele era saber quando a chuva ia passar para ele voltar a vender biscoitos. Saber quantos milhares ou quantos milhões de léguas a Terra andava enquanto ele dizia José Maria das Dores Teixeira Gomes, se é que andava mesmo, não melhorava a situação dele, que não estava ganhando nada ultimamente." (p. 38)

A parte do romance na qual o jovem Tajá não sabe o que fazer com seu conhecimento porque a realidade das pessoas exige algo muito mais concreto e imediato que o saber enciclopédico dele me fez pensar na fala de um jovem negro num texto de Esther Solano e no contexto em que vivemos. O artigo "Democracia concreta", na edição 1171 de Carta Capital, de 28/08/21, me deixou cabisbaixo, me deixou descabriado. Senti um desacorçoo grande com a realidade do rapaz, que é o símbolo de sua gente.

"Dias depois de Bolsonaro ganhar as eleições, ainda na nossa profunda depressão coletiva, fiz entrevistas numa região periférica de São Paulo. Lembro até hoje, talvez vá lembrar para sempre, da frase pronunciada por um jovem negro no transcurso de uma das conversas. Era uma dessas frases que resumem a vida em alguns segundos, lapidária, a impor-se sem deixar espaço para réplicas: 'Professora, agora que Bolsonaro ganhou, vocês, brancos de classe média, estão preocupados com a democracia? Nós, jovens pretos, continuamos preocupados em não morrer'. Julguem como quiserem, mas, nesse momento, a democracia, um conceito que sempre me pareceu enorme e digno, se apequenou imensamente diante desse jovem." (p. 27)

Difícil, heim!

Enfim, o romance de José J. Veiga tem um final feliz, utópico, mas possível, porque as personagens podem representar qualquer um de nós humanos.

Até pouco tempo, uns cinco anos, nunca tinha lido nenhuma obra de Veiga. Invoquei com a questão e fui atrás dos livros dele. Acho que comprei todos em sebos e livrarias por aí. Estou quase acabando a leitura de sua obra completa. O autor é muito, mas muito bom!

William


Bibliografia:

VEIGA, José Jacinto. Tajá e sua gente. Ilustrações Raul Fernandes. 3ª ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008

Revista Carta Capital, edição 1171, de 28 de agosto de 2021.


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

030921 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1171


TIO SAM FRACASSOU

Não foi diferente a leitura desta edição da revista Carta Capital em relação á experiência da leitura das outras edições: aprendi coisa novas, senti emoções diferentes - raiva, tristeza, alegria, desilusão e esperança. 

Essa foi a décima edição impressa que li inteira. Fico naquela indecisão se leio ou não leio, depois acabo fincando o pé na determinação e leio. Isso me toma tempo da leitura dos livros que quero ler, mas vejo que ler a revista também é um ato de busca de conhecimento e do novo, como ocorre nos livros.

CULTURA: ÁLBUM "NOTURNO" DE MARIA BETHÂNIA É MARAVILHOSO 

Começo a postagem comentando a leitura da seção "Plural". Amig@s leitores, foi a seção que me trouxe a ideia de experimentar o novo. A matéria falando sobre a nova realidade do teatro, que será presencial e virtual ao mesmo tempo, nos faz pensar no novo mundo pós-pandemia. 

A matéria sobre o álbum novo de Bethânia...

Enquanto preparei e tomei meu café da manhã nesta sexta, ouvi o álbum novo de Maria Bethânia, Noturno. Arrepiei, chorei, prestei atenção nas letras (coisa que não faço sempre). Adorei a experiência! Experimentem!

ARGENTINA: NOVOS DIREITOS SOCIAIS PARA AS MULHERES

A seção "Nosso Mundo" me trouxe uma tristeza profunda com a matéria sobre o Haiti. Difícil, viu! Difícil... 

Em seguida, me veio a esperança ao ler as notícias sobre a Argentina e os avanços nos direitos sociais para mulheres, pessoas LGTBQIA+ e as pessoas da base da pirâmide social. Que alegria saber que as duplas e triplas jornadas das mulheres passam a ser consideradas como tempo para a aposentadoria! Nem tudo está perdido no mundo. 

Enquanto no Brasil temos essa tragédia bolsonarista e nazifascista, temos avanços na vizinha Argentina, com o presidente Alberto Fernández e as lideranças de esquerda do país.

ECONOMIA: LIÇÕES SOBRE FEDERALISMO E POESIA...

Na seção "Economia" aprendi conceitos novos sobre o federalismo, no artigo do governador Flávio Dino. Acho sempre uma seção chata de se ler, porque passei muitos anos mexendo com números e questões financeiras e econômicas até pelas funções que desempenhei na vida laboral.

No entanto, ler um artigo como o de Paulo Nogueira Batista Jr. falando sobre cinema e poesia foi de arrepiar! O artigo "Certa Arte" a respeito do filme Flores Raras, de Bruno Barreto, com Glória Pires, foi de encher os olhos. Ele mesmo traduziu o poema de Elizabeth Bishop "Certa Arte" para nós, leitores. Fala sério!

MINO CARTA FALA DO "ÚLTIMO IMPERADOR"

A matéria de capa com texto de Sergio Lirio e com um editorial de Mino Carta são aulas, lições de história e de mundo. Mino compara Biden ao último imperador romano do Ocidente, Romulo Augustolo, que se rendeu ao rei dos Hérulos de forma miserável. E Lirio nos lembra dos povos do Afeganistão e região, que já derrotaram grandes impérios ao longo da história.

"Após desperdiçar 1 trilhão de dólares dos contribuintes, perder 5 mil soldados, sacrificar 100 mil civis afegãos, associar-se à tortura, abusos e corrupção dos governos aliados e levar duas décadas para descobrir que o país ocupado fazia jus à fama de 'cemitério de impérios' - lição aprendida no passado pela Rússia czarista, o Reino Unido vitoriano e a União Soviética -, os Estados Unidos assistiram petrificados às forças talebans reconquistarem o território em menos de 15 dias e sem resistência dos 300 mil soldados afegãos supostamente bem treinados e armados pelo Pentágono e das autoridades ungidas pela Casa Branca." (p. 12)

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Enfim, que edição educadora, catalisadora de novos conhecimentos!

Valeu a leitura, apesar da preguiça em me informar de forma panorâmica e organizada sobre os acontecimentos do presente trágico.

Amig@s, leiam! O cérebro e a essência do que vocês são serão beneficiados pelo esforço de preservar a inteligência humana e as possibilidades de um amanhã diferente, porque o amanhã depende de nós, seres humanos conscientes e que são contrários às abstrações inventadas por nós mesmos como, por exemplo, o capitalismo, abstrações humanas que estão nos levando ao fim de tudo.

William


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

300821 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1170


MANICÔMIO BRASIL

TORTURADOR DA DITADURA PROMOVIDO A "MARECHAL"

"Para não perder tempo, enquanto isso, o ex-capitão nomeava marechais cem generais, sem atentar para o fato de que a patente foi extinta em 1967. Outro desrespeito ao ordenamento militar: figura na lista, a saber, também um coronel quando a elevação ao supremo grau de marechal só cabe se o promovido já é general de quatro estrelas. Mas não é tudo, o coronel presenteado com o novo posto atende pelo nome de Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado, em 2008, pela Justiça brasileira como torturador durante a ditadura." (p. 11, artigo de Mino Carta)

PANDEMIA: TEM OUTRO NOME A DAR, ALÉM DE GENOCÍDIO?

"No primeiro semestre, os óbitos por Covid aumentaram 500% e os gastos da União caíram a 22% do valor aplicado no mesmo período de 2020" (p. 29, matéria sobre o orçamento federal)

PRIVATIZAÇAO DOS CORREIOS: MINA DE OURO

"De olho nos bilhões do comércio eletrônico, o governo detona os Correios, protagonista no setor" (p. 36, chamada da matéria)

"Os Correios são a única instituição pública presente em todos os 5.570 municípios e prestam um serviço relevante impossível de substituir pela iniciativa privada em um país de dimensões continentais. Apenas 324 das 11.542 agências dão lucro e o resultado positivo ajuda a manter as demais. Como a maior parte das agências lucrativas está no Sudeste e no Sul, há também subsídio cruzado inter-regional que viabiliza o atendimento nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Essa articulação vai para o espaço em uma privatização, em prejuízo de usuários e regiões mais pobres." (p. 37)

IGNORÂNCIA COLETIVA FACILITA PRIVATIZAÇÃO

"Vista erroneamente por alguns apenas como uma tradicional distribuidora de cartas, a empresa é também o principal player do e-commerce e responde por mais de 80% das entregas no Brasil, segundo dados de 2017 da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, e este é o principal motivo para os concorrentes desejarem abocanhá-la." (p. 37)

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COMENTÁRIO 

A leitura da revista impressa de Carta Capital tem sido lenta, aos poucos, mas avalio que vale a pena continuar lendo. Além de exercitar a atividade cerebral da leitura de notícias de forma organizada, leitura de fôlego porque são 64 páginas semanais, ganha-se novos conhecimentos em todas as áreas do saber, pela variedade de notícias que muito provavelmente você não escolheria se estivesse navegando nos sites e redes sociais.

A matéria "No meio do caminho" da seção "Plural" sobre a crise da Ancine nos mostra o quanto a cultura foi destruída pelo regime nazifascista que ascendeu ao poder por golpe no Brasil. Que tristeza! Só não dizemos que é a morte de nosso cinema nacional com centenas e milhares de projetos não acabados porque os responsáveis não desistem. Seguem correndo atrás de patrocínio.

Na seção "Nosso Mundo" a matéria sobre os incêndios na Grécia e as temperaturas de até 50º semanas atrás, e uma matéria sobre as consequências do aquecimento global - décadas antes do previsto -, deixam claro aquilo que tenho escrito: a vida no planeta está por um triz, se não derrotarmos o capitalismo, bau bau formas de vida na Terra.

Os artigos da Maria Flor são muito bons! Emocionam sempre.

É isso, registro pessoal e coletivo feito. Sou um ser humano entre os quase 8 bilhões que existem, mas o que fazemos está interligado com tudo, com tudo no planeta Terra.

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ANIVERSÁRIOS DOS MEUS PAIS

Neste dia 30 de agosto, meu pai completa 79 anos de idade. É uma semana de datas importantes em minha família. No dia 4 de setembro minha mãe completa 75 anos e no dia seguinte, 5 de setembro, eles completam 57 anos de casados - se casaram em 1964. 

Imaginem a dureza da vida de meus pais e seus familiares e amigos, jovens brasileiros pobres, naquele contexto dos anos sessenta: ditadura civil-militar rolando solta no Brasil e os empresários que financiaram o golpe arrepiando pra cima do povo, festa geral na casa-grande! Miséria geral nas senzalas! 

Nos Estados Unidos, negros viviam o apartheid e lutavam por igualdade nos direitos civis. Na África do Sul, idem, os negros lutavam pelo fim do apartheid. Quando nasci, em 1969, o AI-5 já era realidade no Brasil.

Parabéns e muita saúde, pai! Que sigamos sobrevivendo às pandemias que ameaçam nossas vidas diariamente. Parabéns e muita saúde, mãe! Amo vocês todos os dias! Sejam felizes, se possível, e do jeito de vocês!

Vamos seguir lutando por nossa sobrevivência nesse MANICÔMIO BRASIL!

William


quarta-feira, 25 de agosto de 2021

250821 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1169


O GOLPE DE BOLSONARO

A leitura em atraso da edição impressa da revista Carta Capital não altera o efeito das informações que obtive nela, mesmo lendo a revista duas semanas após a publicação.

O inominável no poder, por exemplo, é capa da revista com o tema do golpe de Estado. Na edição, a patifaria dele era com a invenção do voto impresso. O Congresso não aprovou a nhaca e neste momento em que escrevo o canalha articula golpe com sublevações das forças militares e policiais para o 7 de setembro.

Dos artigos na edição, gostei muito do artigo de Aldo Fornazieri "Democracia débil". O eixo de sua argumentação é sobre cultura e valores democráticos. A ideia me fez lembrar muito da forma como exerci mandatos eletivos por 16 anos. 

"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (p. 33)

Foi baseado nessa premissa que fiz um mandato na Cassi com 170 agendas de gestão junto às bases sociais que representei por 4 anos. Idem em relação às mais de 650 postagens sobre a área que atuei e sobre o mandato. Eu fiz um vídeo de leitura em voz alta do artigo. Se interessar a leitura, é só clicar aqui.

Na seção "Economia" gostei muito da matéria "A economia e a armadilha das redes", de Gabriel Galípolo e Luiz Gonzaga Belluzo. A chamada do texto diz: "MÍDIAS SOCIAIS - Influenciável e crédula, a massa não conhece nem a dúvida nem a incerteza, vai logo ao extremo".

A matéria é profunda! Cita a ideia de McLuhan "O meio é a mensagem" e esclarece muito o que estamos vivendo no momento da história da sociedade humana.

MESMO EFEITO DA COCAÍNA - "Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado da Califórnia mostrou que o mesmo sistema acionado pela cocaína é observado em usuários dependentes do Facebook." (p. 42)

MASSA INFLUENCIÁVEL E CRÉDULA - "A massa é extraordinariamente influenciável e crédula; é desprovida de crítica; para ela o improvável não existe. Ela pensa por imagens que se evocam associativamente umas às outras, tal como ocorre ao indivíduo nos estados do livre fantasiar, e nenhuma instância razoável afere sua correspondência com a realidade. Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exagerados. Assim a massa não conhece nem a dúvida nem a incerteza. Ela vai logo ao extremo; a suspeita manifestada logo se transforma em certeza irrefutável, um germe de antipatia se transforma em ódio selvagem..." (p. 43)

Por fim, na seção "Nosso Mundo", fiquei sabendo que o povo do Líbano está na pior um ano após aquela explosão pavorosa que destruiu parte da cidade de Beirute. Que tragédia! Estão sem governo, a corrupção corre solta, o povo está sem recursos básicos e muitos se lançam ao Mediterrâneo para buscar um lugar pra viver. 

É isso! Me dá uma certa preguiça ler a revista de cabo a rabo, mas estou me esforçando para ler as edições de Carta Capital. A prática da leitura de textos desse gênero é importante para nosso cérebro. Podem acreditar nisso que estou dizendo. Salvem suas inteligências e seus neurônios com leituras de fôlego e não fiquem só em memes, títulos e chamadas de notícias e textos curtos e rápidos.

William


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

160821 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1168


O SENHOR DAS ARMAS

A leitura da edição 1168 de Carta Capital traz informações do mundo material - a realidade factual - que muitas vezes tentamos evitar saber ao não visitar as páginas dos veículos de informação ou os canais que preferimos na internet. Mas não tem jeito, cedo ou tarde, temos que nos atualizar sobre as coisas.

Enquanto lia a revista inteira da semana retrasada, já sabia de um monte de merdas novas ocorridas nos últimos dias. Vale a pena ler a revista? Tenho me perguntado isso... ler as matérias na revista é diferente porque ler é diferente de ouvir, de assistir, são habilidades distintas do animal humano. Se eu utilizar a ideia que tenho para os livros, poderia dizer que é melhor ler que não ler os livros e revistas e artigos.

Nada nada, ao ler desenvolvemos e ou preservamos nossa linguagem ou a capacidade mínima de escrever e interpretar textos.

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CAPA - A matéria de capa nos atualiza a respeito dos avanços da tragédia planejada pelo genocida no poder. Se as instituições existentes não barrarem o canalha, seu clã e apoiadores teremos uma guerra civil no país. Guerra em termos, pois quem tem as armas e o poder de matar são eles e não nós, os civis pacifistas, democratas e idiotas desarmados. Podemos ter uma chacina daqueles que não são fascistas e bolsonaristas, ou seja, um novo genocídio, de mortes matadas. Já temos o genocídio do povão pelo vírus que é utilizado para matar os pobres: mortes morridas.

PETROBRAS - Ler sobre o assalto à Petrobras, o desmonte de nossa maior empresa, a distribuição do butim para os organizadores do golpe, é algo que dói tão fundo, que não posso dizer o que penso. Que venha logo essa guerra para ver se pelo menos os aproveitadores se ferram de alguma forma. Mas sei que não! Olhem o Iraque, o Egito, a Líbia e vejam se os imperialistas se deram mal... só o povo se fodeu e aqueles países acabaram. É o que está desenhado para ocorrer aqui.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES - Na seção "Seu País" as matérias são fortes para os não alienados. Depois de ler o artigo sobre a pandemia de violência contra as mulheres na semana passada, a matéria traz números chocantes em relação ao tema. 1/4 das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2020 - são mais de 17 milhões de vítimas; um estupro ocorre a cada 8 minutos. Aí as pessoas olham a tragédia das mulheres do Afeganistão e não olham a tragédia das mulheres daqui...

CULTURA NAZIFASCISTA - Na seção "Plural" vemos os decretos do regime genocida direcionando o investimento de recursos públicos e privados do mundo da cultura da mesma forma nazista que aquele sujeito que imitou Goebbels em 2020. Quem vai definir qual arte deve ter incentivo e qual não, qual terá financiamento e qual não terá são os nazibolsonaristas.

É isso! 

Li um poema dia desses que me incentivou a continuar escrevendo meus diários aqui no blog. É um poema de Paulo Leminski:


"razão de ser

    Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
    preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
    Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
    lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
    A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
    Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
" (LEMINSKI, 2017, p. 58)


William


Bibliografia:

LEMINSKI, Paulo. distraídos venceremos. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

sábado, 7 de agosto de 2021

070821 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1167


CAPITAIS EM FUGA

Demorei para ler a revista Carta Capital da semana retrasada. Já se acumularam duas sem leitura. Isso era algo previsível no meu caso, que assino a publicação mais para apoiar esse importante meio de comunicação progressista e praticante do bom jornalismo do que para me informar sobre os acontecimentos da semana.

As coisas do nosso lado da classe trabalhadora estão morrendo, sumindo, estão sendo vaporizadas como, por exemplo, a perda do jornalista Paulo Henrique Amorim, o fechamento por falta de recursos do Nocaute - Blog do Fernando Morais, dentre outros casos de pessoas e publicações que têm lado, o lado da classe trabalhadora e do povo. Tento apoiar algumas delas como Carta Maior, Brasil247, TV GGN do Luis Nassif etc. Sugiro aos leitores e amig@s que pensem na possibilidade de apoiar alguns meios de comunicação do nosso campo.

As matérias dessa edição me deixaram informado e triste, como ocorre toda semana. Não é culpa do Mino Carta e de sua equipe de jornalismo. São as coisas de nosso tempo, são as verdades factuais que até o mundo mineral do Mino sabem, menos os milhões de brasileiros alienados e analfabetos políticos. Nem culpo essa massa ignara, a ignorância é projeto secular nesse país da casa-grande, eterna colônia.

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Dos excelentes artigos da edição, eu destaco o de Lídice da Mata, sobre a pandemia... a "Pandemia invisível"! Ao menos 17 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência no Brasil em 2020... que dizer? O número é maior que o número de infectados pelo novo coronavírus no mesmo período. Os machos alfas podem comemorar. COMENTÁRIO: "Aqui é bolsonaro, porra!".

TRIBUTAÇÃO VAI PIORAR

Outra informação que nos choca ao ler a matéria é a da seção de Economia. A "Justiça fiscal" da reforma do Imposto de Renda é fake, alerta o artigo de Fagnani.

Depois da informação do aumento da fortuna de alguns desgraçados no Brasil, "Entre 2020 e 2021, o número de bilionários brasileiros subiu de 45 para 65, e o patrimônio conjunto desses endinheirados cresceu 92 bilhões de dólares" (p. 43), vimos que a lógica de imposto regressivo vai ser ampliada no país. Livra-se patrimônio e renda e fode o povo através da tributação do consumo e coloca-se a mesma alíquota para quem ganha uns 4 mil e quem ganha uns 600 mil... COMENTÁRIO: "Aqui é bolsonaro, porra!".

"Em suma, a proposta não reduz a desigualdade nem empobrece os ricos. Ela aprofunda a regressividade do sistema tributário ao reduzir as receitas e a participação relativa do Imposto de Renda na arrecadação total. A taxação dos lucros e dividendos e a isenção da baixa renda serão mais que compensados por outras medidas que reduzem a taxação das rendas do capital e o imposto efetivo pago pelas altas rendas." (p. 45)

O restante das matérias é um misto do que já sabemos, infelizmente. Tudo acabando. É por isso que escrevi esses dias que todo o material que acumulei durante as duas décadas de luta e representação sindical perdeu o sentido para a leitura hoje. Esse conhecimento era básico para fazer meu trabalho de formador de opinião na luta de classes onde atuava como representante. Hoje, é ler e ficar mal na minha forma atomizada de viver.

A revista é o que se espera do jornalismo sério e informativo. Triste é a realidade.

William


sábado, 24 de julho de 2021

240721 - Diário e Reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1166


O NEGOCIADOR

A matéria de capa da revista segue acompanhando as investigações da CPI no Congresso: "O reverendo Amilton de Paula é o fio de um novelo que leva ao submundo bolsonarista, a unir dinheiro, evangélicos, militares e serviços secretos".

MINHA OPINIÃO - O buraco é bem mais embaixo em relação ao que aconteceu ao Brasil com o golpe de Estado em 2016. De fato, o país está sob ocupação por parte de potências imperialistas e pelas máfias internacionais. Temos que ir para as ruas e lutar pela libertação do Brasil, temos que expulsar das instituições da república o crime organizado que se apossou do nosso país, a começar pelo clã corrupto.

A matéria sobre o DESMONTE DA EDUCAÇÃO nos dá vontade de chorar de tristeza. A chamada diz: "Desmonte - Com o menor orçamento dos últimos dez anos e o MEC sequestrado por religiosos, militares e olavistas, a educação pública está em ruínas".

Nós da esquerda teremos que ter um foco muito grande em reconstruir a educação brasileira após derrotarmos o mal que tomou nosso país. A educação é um dos principais instrumentos de mudanças sociais positivas para o povo. Temos 43 milhões de pessoas que deveriam estar nos espaços de educação formal e estão perdendo a oportunidade de melhorarem suas vidas. Será uma missão de todo democrata e humanista reconstruir a educação.

Algumas matérias das seções "Seu País" e "Economia" nos deixam claro que o Brasil caminha a passos rápidos para ser um grande pasto, um continente do mundo "agro pop". Soja, milho, minério, gado... dinheiro concentrado na mão de meia dúzia de coronéis e o povo sem emprego e renda. Um país pasto. É isso que queremos? E a comida, então? Lobbies pesados atuam para que a comida do povo seja de alimentos processados... temos que desfazer essa tragédia!

Na seção "Nosso Mundo" me atualizei com matérias sobre a Argentina do ex-presidente Macri apoiando o golpe na Bolívia, os mistérios do assassinato do presidente do Haiti e os problemas em Cuba, em artigo de Maringoni. 

MINHA OPINIÃO - O intelectual Maringoni pode até dizer que o embargo não é o único problema, mas o que os EUA estão fazendo com Cuba, ampliando o embargo (Biden e Trump são a mesma coisa) é um crime de lesa-humanidade, é genocídio do povo cubano.

Destaco dois artigos da revista: o de Maria Flor me emocionou de novo - "Expatriada, até quando?". Ela vai direto ao coração da gente. E o artigo de Drauzio Varella - "Nevoeiro cerebral", sobre os efeitos prolongados da Covid-19 no sistema nervoso humano. 

MINHA OPINIÃO - É desesperador saber cada vez mais dos efeitos da Covid-19 em todos os órgãos e sistemas do corpo humano e das sequelas nas vítimas do vírus. E mais desesperador ainda é saber que uma parte grande das pessoas não quer tomar vacina - os negacionistas - e pessoas formadoras de opinião ainda falam merdas e nada acontece a elas. Além do inumano genocida no poder no Brasil, temos médicos e autoridades que acham que todo mundo deveria pegar o vírus para ficarem "imunizados" depois... que desgraça virou o mundo!

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Voltar a ler a revista impressa semanalmente me fez reduzir a leitura de livros, mas tudo bem. Acho que sentar-se para ler as matérias e artigos de Carta Capital é um investimento em informação de qualidade. Não podemos fugir da realidade.

Vamos pra rua lutar pela libertação do Brasil.

William


#ForaBolsonaro #ForaMourão #Foramilitares


terça-feira, 13 de julho de 2021

130721 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1165


MAR DE LAMA

A edição de Carta Capital desta semana trouxe o seguinte conteúdo:

No editorial de Mino Carta: Celebramos a patetice. São Paulo teima em comemorar uma guerra de secessão que não houve.

A Semana: Indústria/Novos ares? Josué Gomes da Silva vai comandar a Fiesp.

E mais: Rachadinha/Cheques voadores. O STF arquiva a investigação sobre os depósitos para Michelle Bolsonaro.

Pedro Serrano: Entre o circo e a apuração. Para ter êxito, a CPI da Pandemia não pode se perder na encenação e no histrionismo.

Na matéria de capa, por André Barrocal: Fardados no jogo sujo. A CPI reúne cada vez mais pistas sobre os militares metidos em negociatas na saúde. A possível prevaricação e a guerra suja de Bolsonaro tenta proteger os parceiros.

Seu País, por Ana Flávia Gussen: A fome de empreender. Metade dos trabalhadores por conta própria ganha até mil reais e 77% deles são informais, revela pesquisa.

E mais, por Celso Amorim: O Deep State vem ao Brasil. O que William Burns, diretor da CIA, tinha a tratar em Brasília com Bolsonaro e dois ministros militares?

Flávio Dino: Política sem farda. O uso político do Judiciário ou das Forças Armadas representa intromissão indevida no jogo democrático.

Manuela D'Ávila: A violência política de gênero. É impossível dissociar o bolsonarismo do machismo. Enfrentar a misoginia é enfrentar a extrema-direita.

Aldo Fornazieri: Labirinto sem luz. Cai o mito do herói dedicado ao combate à corrupção, mas os seguidores de Bolsonaro preferem não enxergar a realidade que os cerca.

Economia, por Carlos Drummond: Passos no escuro. Cresce o risco de apagão, mas o governo foge do custo político de um racionamento, o que só agrava o problema.

E mais, por Paulo Dantas da Costa: Imposto global. A tímida proposta do G-7 está longe de se parecer com uma reforma tributária mundial.

Nosso Mundo, por Emma Graham-Harrison e Akhtar Mohammad Makoii, de Herat: Deixados para trás. Com a retirada das tropas estrangeiras, o Afeganistão segue desestruturado e o Taleban ressurge.

E mais, por Richard McGregor: Cem anos que abalaram o mundo. A trajetória do Partido Comunista Chinês, da primeira reunião em Xangai à construção de uma superpotência.

Plural, por Pedro Alexandre Sanches: Uma estranha fruta negra. O filme Estados Unidos vs. Billie Holiday atribui a guerra judicial enfrentada pela cantora de jazz ao conteúdo antirracista da canção Strange Fruit.

E mais, por Janes Jorge: A São Paulo de Vargas. Ao contrário da retórica do feriado de 9 de Julho, a capital e o estado deram muitos votos e apoio ao estadista.

Afonsinho: Messi no clube. O time do Passe Livre ganhou um reforço considerável, Lionel Messi, a pulga genial.

COMENTÁRIO

Voltar a ler a revista equivaleu a trocar tempo de leitura de livros por leitura de informações políticas. A gente fica deprê ao ler sobre o Brasil e o mundo, mas tem valido a pena porque a variedade dos temas, como demonstrado acima, nos deixa menos alienado. Somos seres sociais, queiramos ou não.

A matéria sobre os trabalhadores informais e de baixa renda é chocante. Deram o golpe no Brasil e no povo para isso, para termos um exército de reserva, uma multidão de miseráveis e famintos no país. Racismo e misoginia venceram com Temer e Bolsonaro. Veja um trecho da miséria exposta: 

"As disparidades sociais, raciais e de gênero se evidenciam quando se analisa o topo da pirâmide: conforme a renda aumenta, mais branco, mais rico e mais masculino se torna o perfil. Mudam também as atividades. Se o negro tem majoritariamente como fonte de renda atividades como construção civil (65%), comércio (57%), serviços e alimentação (61%), o homem branco figura no topo em serviços de educação e saúde (67%), atividades de informação, comunicação e financeiras, imobiliárias (64%)" (p.19)

Os artigos desta edição são excelentes!

Esther Solano faz um apelo aos jovens para não desistirem da política, porque as raposas velhas vão decidir e ferrar a vida deles. Coisa básica!

Manuela D'Ávila é certeira como sempre na questão do machismo e a extrema-direita. Temos que enfrentar essa praga!

O artigo do Boaventura de Sousa Santos nos lembra que a democracia virou um faz de conta. Enquanto a democracia liberal deveria ser com processos confiáveis e certos e resultados incertos, agora vivemos o contrário: "As elites transformaram o jogo em um processo incerto com resultado certo, a favor de seus interesses". (p. 47)

Fecho o comentário com uma ótima lição de Rita Von Hunty em relação ao governador do RS que de forma oportunista tenta levar vantagem em ser gay neste momento do país.

"Não bastasse o apoio a Bolsonaro, a origem e a atuação política, Leite também expressa de maneira contraproducente para a comunidade LGBTQIA+. Ao defender que gostaria de ser pensado como um governador gay e não um 'gay governador', ele inverte sujeito e predicado. Leite não 'é' governador, ele apenas exerce esse cargo nesta fase de sua vida. Leite 'é' gay, ao menos que possa assumir outra identidade sexual, e deveria lutar em nome daqueles que, como ele, sabem o que essa identidade implica na vida em sociedade no Brasil..." (p. 57)

Achei ótima a observação da articulista. Esse cara não é um governador gay, ele é um gay privatista, gay tucano (ou seja, golpista), é um gay antipovo. Aí sim, os qualificativos estão adequados a ele. A orientação sexual dele não importa.

Enfim, mais informado estou.

William


terça-feira, 6 de julho de 2021

060721 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1164


VACINOGATE

Terça-feira, 6 de julho. Finalizei a leitura de mais uma edição da excelente revista Carta Capital. A matéria de capa traz a continuação das investigações e denúncias sobre a corrupção da corja de milicianos no poder do país (por fraudes e golpes à democracia). 

A revista aprofunda a matéria da semana anterior sobre os crimes ao erário público às custas de milhares de vidas perdidas para a Covid-19. Homens do regime genocida no poder negociavam desde o início do ano vacinas com propina através de empresas picaretas enquanto o sujeito na presidência dizia publicamente ser contra comprar vacinas e rejeitava as vacinas propostas pelos próprios fabricantes. 

Enquanto o Brasil só vacinou 12,1% de sua população graças aos desgraçados no poder, outros países avançam na imunização. Nos EUA tiraram o irmão siamês do genocida daqui e já vacinaram 45,5% da população. O genocida no poder é responsável por uns 3/4 dos brasileiros mortos por Covid-19, segundo alguns cientistas que já foram ouvidos pela CPI no Congresso. Mortos hoje: 525.112 (fonte: Johns Hopkins University)

Na seção "Seu País" li matéria sobre o meio ambiente, que continua sendo destruído mesmo com a saída do canalha Salles. Sobre violência, li uma matéria alertando para as mudanças na lei que os caras no Congresso querem fazer para dificultar a saída temporária e a progressão de pena de detentos. Lembrando que no Brasil existem 209 mil presos provisórios, sem julgamento ou condenação!!! São 702 mil presos e a criminalidade só aumenta no país miserável e desigual. Por fim, a chacina de Jacarezinho, ocorrida em maio, que matou 27 "suspeitos" aponta para o que já imaginamos: execução por parte da polícia. Agora querem colocar sob sigilo de 5 anos as investigações. É Brasil...

Na seção "Nosso Mundo" me inteirei sobre a continuação da política do Trump com o governo Biden e Kamala Harris. Ela é filha de imigrantes e agora diz "Não venham!" para os imigrantes. Esperar o que daquela nação? Outra matéria muito boa foi sobre as eleições no Peru, vencidas pelo professor Castilho e até agora a filha do ditador e bandido preso, Fujimori, não aceitou a derrota. Tudo indica que vai dar merda. A burguesia não aceita perder eleição. É a mesma coisa em todos os países, eu não acredito mais em democracia nos moldes das que conheço, as democracias "liberais" burguesas.

Nesta edição, as matérias mais legais ficaram para a seção "Plural". A matéria sobre os norte-americanos do QAnon é de surpreender porque a gente nunca consegue imaginar até onde foi a demência humana. Os EUA estão tomados por malucos. Essa gente trumpista é algo inacreditável. Eles ensinaram os bolsonaristas como se deve ver o mundo. As teorias que eles acreditam é algo que só bolsonarista pra acreditar também.

Por fim, a matéria sobre "Em busca do leitorado perdido" traz informações importantes. O número de leitores do Brasil caiu de 56 para 52 milhões após 2015. E o número de pessoas que nunca leu um livro aumentou de 44 para 48 milhões. Acreditem! Mas fiquei feliz ao ver um trecho da pesquisa que fala dos autores mais lidos no Brasil:

"O autor mais querido do País, entre 14 mais citados, evidente, é Machado de Assis, mas pontificam também, pela ordem, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Coelho. Clarice Lispector aparece num surpreendente 9º lugar, e os únicos estrangeiros citados são William Shakespeare e o pastor evangélico peruano Alejandro Bullón." (p. 61)

É isso. Voltei a ler a revista faz 3 edições. Vou renovar a assinatura, principalmente para apoiar o jornalismo de Carta Capital.

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Ao ouvir uma entrevista hoje do relator da CPI no Congresso, Renan Calheiros, ao jornalista Luis Nassif, fiquei impressionado com os dados que os congressistas já coletaram sobre a roubalheira do clã no poder e seus acólitos. Gente, centenas de milhares de pessoas morreram por ganância desses corruptos nas oportunidades de ganhar propinas na compra de vacinas. É chocante! É um genocídio! Francamente!

Quero viver para ver esses corruptos no poder respondendo processos penais aqui e nas cortes internacionais.

William

quarta-feira, 30 de junho de 2021

300621 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1163


A CPI CHEGA NELE

Pela segunda semana seguida, li a revista Carta Capital de ponta a ponta. É uma revista com muita qualidade na edição das matérias. 

A matéria de capa sobre o genocida - suspeito finalmente de corrupção também - traz as informações sobre as denúncias que apontam que ele prevaricou ao permitir que aliados do PP e militares praticassem corrupção na compra bilionária da Covaxin. Para alguém que desde o início da pandemia foi contra qualquer medida de combate ao coronavírus, permitir que uma vacina fosse negociada não poderia ser coisa boa para o povo e sim para a sua patota. 

E o povo? São 515.985 mortos e milhões de sequelados pela Covid-19 (13,09% dos mortos do mundo). Era para estarmos quase todos vacinados... não estamos por causa do regime do genocida que não nos deu vacina (só com propina teremos vacina?).

No Editorial de Mino Carta, ele afirma que "Lula é ainda, e sempre, a nossa oposta". O jornalista comenta o fato do Nordeste ser o melhor Brasil hoje e São Paulo ser o estado mais reacionário do país. Triste isso!

Nesta semana que passou, o STF finalizou o julgamento da parcialidade do juiz ladrão da república de Curitiba. Moro é suspeito, é um lesa-pátria contratado para destruir a economia do Brasil, a democracia e prejudicar o cidadão Lula e sua família e o Partido dos Trabalhadores. Lula está com seus direitos políticos para contribuir com o país e os brasileiros.

Nas matérias da seção "Seu País", nos atualizamos sobre as movimentações políticas para as eleições de 2022, o Nordeste foi o destaque da matéria: Lula x Bolsonaro na região. Ainda tem uma entrevista com Flávio Dino, que fala sobre o tema e também de sua saída do PCdoB. 

Um artigo de Guilherme Boulos nos alerta sobre um novo golpe à democracia engendrado por aquela parte podre do Congresso eleita em 2018 na onda do lavajatismo, os caras querem piorar mais ainda as regras das eleições brasileiras. Leiam o artigo "A ameaça do Distritão". Boulos nos alerta que "o significado político do Distritão é a personalização completa da política e a perda de relevância dos partidos. Apesar de muitos partidos no Brasil serem balcões de negócios, o partido político é - ou deveria ser - o espaço onde se afirmam projetos coletivos."

Outra matéria que chamou muita atenção é a matéria "Receita perigosa" sobre os lobbys dos empresários dos alimentos ultraprocessados para que essa dieta avance como nunca no Brasil. Hoje, 20% das calorias consumidas por nós vêm dessa alimentação lesiva à saúde. Como nos Estados Unidos, a referência de merda de parte dos brasileiros, se consome 60% de calorias via ultraprocessados, os empresários daqui veem muito espaço pra avançar durante o regime do genocida, aquele que incentiva destruir a natureza, o patrimônio público, os direitos sociais etc.

Dois artigos refletem um pouco sobre a tragédia do bolsonarismo, analisando as mentes dessa gente doente. O de Esther Solano - "Uma história de terror" - mostra em quatro perguntas e respostas a bolsonaristas como estamos lascados. A mente dessa gente é algo inacreditável. O outro artigo "A globalização da angústia", de Luiz Gonzaga Beluzzo, termina apontando de onde brotam os bolsonaristas, da perda da autoestima fruto dos reflexos da globalização e do neoliberalismo.

Na seção "Nosso Mundo" lemos sobre os Estados Unidos de Biden, sobre o novo líder supremo do Irã e sobre "Novos ventos nos Andes", onde esquerda e centro esquerda avançam graças às mobilizações históricas do povo chileno.

É isso! 

Me parece que a Terra tá girando, apesar de ser plana segundo os bolsonaristas. A CPI nesses últimos dias já descobriu tanta coisa sobre corrupção do regime genocida no poder, que parece que a casa-grande vem organizando alternativas para se manter no poder golpista, sem a figura monstruosa que colocaram lá.

A nós, o povo, só resta a rua, as praças, os logradouros públicos como alternativas para mudar as coisas e retomar o país e a democracia com igualdade de oportunidades.

Temos que lutar pelo fim do capitalismo! Temos que construir um mundo cooperativo e solidário. Um mundo inclusivo, no qual a tecnologia sirva para produzir o necessário a todos de forma que todos sejam beneficiados, trabalhando poucas horas e tendo a remuneração suficiente para viver decentemente e com acesso aos bens da humanidade.

Vamos juntos nessa?

William


quarta-feira, 23 de junho de 2021

230621 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1162


IMBECILIZAÇÃO PROGRESSIVA NO BRASIL

Entre ontem e hoje, li a revista semanal Carta Capital. Não fazia isso há muito tempo! Tenho preferido a literatura e outras leituras em livros para alimentar meu conhecimento. No entanto, faço questão de ser assinante da revista para apoiar o jornalismo sério da revista liderada por Mino Carta. 

Que qualidade nas matérias! A leitura das 66 páginas é de uma facilidade incrível, mesmo sendo as notícias duras e deprimentes, porque os tempos são esses e jornalismo sério não briga com os fatos. A "escola" Mino Carta está de parabéns! A nova geração de repórteres, articulistas e jornalistas é digna da revista.

Os artigos de Mino Carta são sempre imperdíveis! O desta edição aborda "A imbecilização no país do plim plim - Desinformados impunemente pela Globo, somos vítimas de um longo processo destinado a nos afastar da realidade".

A matéria de capa é sobre a destruição da educação pública brasileira. Além de sabermos que as instituições de ensino estão sem verbas até para a manutenção das atividades essenciais, o regime bolsonarista atua para implantar o "Homeschooling" e a matéria pergunta "A quem interessa liberar a educação domiciliar, hoje restrita a 0,03% dos alunos?". Amig@s leitores, enquanto esse projeto é prioridade desse regime da imbecilização das pessoas, 46 milhões de estudantes seguem largados à própria sorte.

Algumas matérias sobre o Brasil e a política nacional - "Seu País" - nos mostram os embates entre a PGR e o STF. Lemos sobre o risco que partidos enfrentam - como o quase centenário PCdoB - por causa da atual lei eleitoral. Também lemos sobre as privatizações criminosas acontecendo no Rio Grande do Sul e no país, como a da Eletrobras. Vi boas matérias na seção de economia nos alertando para o apagão e o custo da energia elétrica no Brasil.

Na seção "Nosso Mundo" eu me atualizei sobre a nova guerra fria que os países do G7 estão desenvolvendo contra a China. Também me atualizei sobre o novo governo de Israel e a continuidade das políticas anteriores, do fascista Netanyahu. Segue o cerco a Gaza. É desesperadora a matéria sobre a forma de tratamento aos trabalhadores do Sudeste Asiático em relação à Covid-19 e as linhas de produção das fábricas que abastecem os países europeus. É um regime de escravidão global.

A seção "Plural" é o respiro n'alma após tanta tragédia factual. Sabemos ali de livros, teatro, cultura etc. Saiu uma biografia de Euclides da Cunha. Eu não terminei a leitura de Os Sertões. Li as duas primeiras partes "A terra" e "O homem" e me falta um dia retomar e ler "A luta". Recomendo a leitura do artigo de Maria Flor "Reflexões sobre a morte". Tive que interromper a leitura com os olhos cheios d'água e arrepiado. Também apreciei o artigo de Arthur Chioro: "Luto pelos 500 mil mortos".

COMENTÁRIO: Que caos vivemos no mundo sob a hegemonia do sistema capitalista! Não dá mais, não dá mais! Nós precisamos reunir pessoas suficientes para construirmos uma nova sociedade, um mundo cooperativo, solidário, sustentável e com igualdade e oportunidade para todas as pessoas. Temos que enterrar o capitalismo e distribuir a riqueza que a humanidade gerou e temos que aproveitar os avanços da ciência para vivermos de outra forma, sem exploração e acumulação capitalista.

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Neste caos em que vivemos no Brasil, destruído por um golpe de Estado que nos legou o clã Bolsonaro e um bando de trogloditas e todo tipo de corrupto predando as instituições da vida nacional, estamos largados à própria sorte. Não temos mais leis, não temos normalidade nas coisas mais comezinhas da vida cotidiana.

Teremos falta de luz e água. Não temos uma estratégia nacional para enfrentar a pandemia de Covid-19. Não temos empregos para as pessoas. Vivemos uma total anomia. Nossos cartões são clonados, a internet não funciona mesmo pagando caro. Nenhum serviço público funciona mais. Caos.

William