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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Diário e reflexões - Fevereiro



Refeição Cultural

Sábado, 28 de fevereiro de 2026.


FEVEREIRO

AGENDA POLÍTICA

Passei a semana em Brasília, capital federal do país. 

Minha estadia na cidade foi para participar do processo eleitoral do Sindicato dos Bancários. Vim contribuir com o debate na base social da entidade e ao longo da semana fiz campanha nos locais de trabalho do Banco do Brasil, junto com outros companheiros e companheiras. Nós apoiamos a chapa 1, liderada por Rodrigo Britto, a chapa cutista que representa a unidade nacional.

Quando cheguei, no início da semana, estava cheio de expectativas e incertezas. Eu tinha receio se ainda conseguiria fazer o que fiz boa parte de minha vida: conversar com a categoria bancária, desenvolver boas falas nos locais de trabalho e ter alguma atenção dos trabalhadores. Após reflexões coletivas com a militância que apoia a chapa 1, posso concluir que deixei a minha contribuição para o processo democrático. Fico feliz por isso.

Por ter sido convidado, participei de algumas reuniões do movimento sindical bancário no mês de fevereiro, assim como ocorreu em janeiro e dezembro. Tenho o compromisso ético com o movimento sindical cutista de estar sempre à disposição, porque a CUT influenciou decisivamente na formação política que tenho hoje.

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CULTURA

Li apenas um livro no mês de fevereiro, o livro "Fidel Castro, comandante invicto", de Norberto Escalona Rodríguez (comentário aqui). O escritor e jornalista cubano nos conta a respeito da participação dos músicos do Quinteto Rebelde na luta de libertação do povo. Também aborda a participação das mulheres na Revolução Cubana: o Batalhão das Marianas fez história e influenciou as políticas de igualdade que fizeram parte da construção da República Socialista de Cuba.

Estou editando um livro com as poesias que escrevi ao longo da vida. O manuseio do material textual do livro foi um processo interessante. A editora Cleusa Slaviero está me ajudando com o material. 

Encadernei poesias, crônicas e textos da professora e amiga Marili Santos. Foi um processo prazeroso de leitura. Presenteamos a escritora e passamos um dia delicioso com a família dela. 

FILMES - Vi alguns filmes no mês e só não escrevi as minhas impressões e sentimentos sobre eles porque não tive tempo e os textos que faço dão muito trabalho. 

Vimos "Sonhos de trem" (2025, EUA), de Clint Bentley; "A vida invisível" (2019, BRA), de Karim Aïnouz; "O agente secreto" (2025, BRA), de Kleber Mendonça Filho; "Hamnet: a vida antes de Hamlet" (2025, Reino Unido e EUA), de Chloé Zhao. 

Todos os filmes são excelentes e me deixaram pensativo. Todos! Hamnet me fez chorar.

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A VIDA E O MUNDO

A notícia do último dia do mês de fevereiro foi o bombardeio do Irã e o assassinato de dezenas de crianças. Os assassinos são os estados terroristas Estados Unidos e Israel. Eles não vão parar, assim como Hitler e a Alemanha nazista não pararam no passado.

Os terroristas dos Estados Unidos atacaram no início do ano a Venezuela e sequestraram seu presidente e a esposa. Mataram dezenas de pessoas. Vergonhosamente, nenhum dos principais países do mundo exigiram a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Nem o meu país, o Brasil. Sinto vergonha e uma decepção indescritível por essa atitude brasileira.

O império fascista do Norte está matando a população de Cuba de fome, falta de medicamentos e itens básicos para a subsistência. Os genocidas do Norte querem que Cuba vire uma estância balneária dos ricos norte-americanos, o mesmo projeto que têm para a Faixa de Gaza, na Palestina.

Estava olhando da janela do quarto do hotel a bela imagem da cidade de Brasília e pensando a respeito das consequências de ninguém reagir e fazer nada contra os fascistas de Israel e EUA. Eles podem decidir bombardear nosso país, matar nosso presidente e invadir nossa terra para tomarem os recursos naturais que temos. Ninguém vai fazer nada a respeito. Nada.

Esse é o valor da vida humana e dos seres vivos neste momento da história, dia 28 de fevereiro de 2026, pelo Calendário Gregoriano.

Isso não é natural e não deveria ser aceito por nós. Se é para sermos assassinados e explodidos por bombas a qualquer momento, deveríamos ter as nossas bombas para persuadirmos os fascistas a não nos atacarem e para nos defendermos caso nos atacassem para roubar os nossos recursos naturais.

William

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Livro: Fidel Castro, comandante invicto - Norberto Escalona Rodríguez



Refeição Cultural

LITERATURA E HISTÓRIA


"Havia muitos guardas mortos, e me lembro de uma frase de Fidel que me comoveu muito. Quando percorria o campo de batalha, alguns companheiros zombavam dos cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos, por conta da dinâmica do combate, dizendo coisas ofensivas. O Comandante em Chefe os ouviu e mandou que se calassem. Depois, disse algo mais ou menos assim: 'Estamos em uma guerra, onde eles estão errados e vêm nos combater, e temos de matá-los. Mas não se esqueçam de que são cubanos como nós, mesmo que não tenham razão'. Ele não permitiu que os companheiros desonrassem os inimigos mortos. Aquele gesto de humanidade nos impactou a todos." (Ada Bella, depoimento de uma das Marianas, p. 252)


Finalizei emocionado a leitura do livro Fidel Castro, comandante invicto: Serra Maestra pelo Quinteto Rebelde e Batalhão das Marianas. O momento no qual nos encontramos é de muita apreensão por causa do sofrimento imposto ao povo cubano por parte dos Estados Unidos e o bloqueio criminoso que vigora há mais de seis décadas - desde 1962 -, bloqueio recrudescido por Trump no período atual.

O livro tem um prefácio importante e esclarecedor de Beto Almeida, que engrandece o trabalho de pesquisa, entrevistas e organização da história da Revolução Cubana feito pelo jornalista e escritor Norberto Escalona Rodríguez. A tradução foi feita pela professora Maria Leite, especialista na área da educação em Cuba.

Tive a oportunidade de conhecer Cuba em duas visitas que fiz à ilha caribenha em 2023 e 2024. Foram experiências inesquecíveis e eu deixo a sugestão aos leitores e leitoras que se interessam pelas causas populares organizarem-se para visitar e conhecer pessoalmente o país e o povo cubano. 

Cuba é um dos raros países do mundo com poucos recursos que garante os três principais direitos humanos de forma gratuita ao povo: alimentação, saúde e educação. Isso graças à opção pelo socialismo.

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"Da relação do quinteto com o Exército Rebelde, surge o próprio nome do grupo e a ideia de usar melodias populares cubanas, como o famoso bolero La Barca, dotando-o de outra letra, com conteúdo sintonizado com a luta de libertação, com mensagens patrióticas, visando elevar o moral revolucionário." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 14/15)


Norberto Escalona nos apresenta as histórias humanas dos músicos convocados pelos rebeldes para participarem da luta de libertação tocando e cantando através da Rádio Rebelde, cravada no meio da Serra Maestra. Os músicos criavam letras com as temáticas da guerrilha e os alto-falantes da rádio levavam suas mensagens até os soldados do ditador Batista. 

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"As jovens camponesas também foram incorporadas aos serviços de saúde, cuidavam dos feridos, ou trabalhavam na cozinha, ou buscando alimento na própria Serra. Também cumpriam funções muito arriscadas, como negociadoras com comandos do exército da ditadura, como é o caso de Teté, que com 16 anos desceu desarmada da Serra, com uma bandeirinha branca, enviada por Che a uma missão de negociar a libertação de feridos prisioneiros. E Teté assumiu a missão, mesmo sabendo que podia ser assassinada, como a advertiu o próprio Che. O próprio fato de ser uma mulher a negociadora já tinha efeito desmoralizador sobre o exército da ditadura." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 13)


As histórias das jovens revolucionárias que foram para a Serra Maestra com o desejo de contribuir com a guerrilha para libertar suas famílias e o povo cubano das barbáries dos soldados do ditador Batista é pra lá de emocionante, é de nos encher de orgulho e esperança na capacidade de resistência e luta das mulheres, tantas vezes oprimidas e vítimas de um mundo machista e sexista.

Amigas e amigos leitores, os tempos são desafiadores. Diria que os tempos sempre foram difíceis e desafiadores para nós que não pertencemos ao pequeno grupo das elites da classe dominante do mundo. Para nós do povo, a vida é luta todos os dias.

O povo cubano é um dos maiores exemplos do mundo e da história das sociedades humanas de que lutar por sua liberdade e independência vale a pena, vale a vida, vale o esforço para se manter soberano, livre e decidindo por conta própria o destino.

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FIDEL CASTRO

"Não se pode negar o quanto Fidel sempre foi visionário. Ele tem algo que eu chamo de 'anjo', porque é muito previdente. Ele já sabia que faltava pouco tempo para o fim da guerra. Queria reivindicar o papel da mulher cubana, não o nosso em particular, por estarmos ali, embora fôssemos privilegiadas por estar mais próximas. Era desrespeitoso o que alguns homens diziam sobre as mulheres. Mas ele estava completamente certo de que cumpriríamos com nosso dever. Porque quem estava na Serra, independentemente do nível de instrução, tinha princípios e, de uma forma ou outra, havia sentido os rigores da ditadura." (Lilia Rielo, do Batalhão das Marianas, p. 209)


A postura do líder revolucionário Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz é um exemplo extraordinário para todos nós que lutamos por um mundo diferente deste no qual estamos, hegemonizado pelos valores do capitalismo - exploração dos seres humanos e da natureza e acumulação de lucros a qualquer custo -, uma sociedade sem ética, sem preocupação com o meio ambiente, sem justiça, sem igualdade, sem oportunidades para todas as pessoas.

Ao conversar com a população cubana, nas duas visitas que fiz à ilha caribenha, pude perceber o quanto o povo ama Fidel e o tem como referência de ser humano e líder.

Enfim, leitura essencial o livro de Norberto Escalona Rodríguez. Quanto mais conheço sobre Cuba e seu povo incrível, mais quero conhecer.

Em breve, estarei na ilha pela terceira vez, levando meu apoio e solidariedade aos nossos irmãos e irmãs cubanos.

William Mendes

18/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Norberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

7. Pelo mar e pelo ar



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


7. Pelo mar e pelo ar

* A linha de suprimentos transatlântica

Após a Batalha da Inglaterra, as linhas marítimas de abastecimento da Grã-Bretanha passaram a ser alvos constantes de bombardeios noturnos. Só um país seria capaz de socorrer as ilhas britânicas: os Estados Unidos.

* Desvendando o código da Máquina Enigma

Em meados dos anos 30, os alemães desenvolveram uma máquina para codificar suas mensagens. Em julho de 1939, os poloneses decidiram organizar uma equipe de matemáticos para decifrar o código.

* O homem que salvou Londres

Para localizar o alvo exato à noite, os alemães valiam-se de emissões de rádio. Um integrante do serviço de inteligência britânico idealizou algo para a defesa: as contraemissões de rádio.

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COMENTÁRIO

Os tópicos acima são os assuntos tratados no 7º DVD da coleção sobre a II Guerra Mundial, da Abril Coleções, de 2009. Um vizinho doou o material a quem o quisesse, e fui o interessado.

As cenas dos bombardeios da força aérea alemã (Luftwaffe) sobre as cidades inglesas, com o objetivo de matar civis e destruir as cidades, é chocante! O ano daquela tragédia foi 1940. As guerras naquele momento não se davam mais em campos de batalha com um exército contra o outro. O objetivo dos senhores da guerra era matar civis e inviabilizar a vida daquela população.

Quem diria que 85 anos depois, em 2025, veríamos o mesmo processo e os mesmos objetivos dos senhores da guerra: bombardear cidades, matar a população civil e inviabilizar a vida daquele povo vitimado. O Estado de Israel, apoiado pelos Estados Unidos, fez isso com os palestinos na Faixa de Gaza: bombardeio, destruição e morte de civis. Dois milhões de pessoas sendo expulsas de suas terras e aqueles que ficaram sendo eliminados com bombas e com a fome e miséria geral.

Na Inglaterra, milhares de civis foram mortos durante os bombardeios nazistas em 1940. Na Faixa de Gaza, Palestina, morreram dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos durante os bombardeios de 2025. Pela imprensa dos capitalistas, os ingleses eram as vítimas, e os alemães os bandidos. No caso atual, os palestinos são as vítimas que não são vítimas pela narrativa da imprensa, e os bandidos não são os bandidos. Palestinos são árabes, chamados de terroristas; os israelenses são os mocinhos, estão sempre defendendo "seu" território e "seu" povo dos bárbaros terroristas.

Os episódios do DVD destacam a importância da ciência no desenvolvimento da guerra de conquista e extermínio entre os adversários. 

Os alemães durante o nazismo (1933-1945), em busca de seu "espaço vital", desenvolveram a ciência para matar em escala industrial e invadir territórios, tomar terras de outros povos e ampliar seu domínio, tudo isso em benefício de seu povo de "raça superior", e dane-se quem estivesse em seu caminho.

Na atualidade, os EUA de Trump e seus apoiadores e exércitos, estão bombardeando países, sequestrando presidentes (da Venezuela, Nicolás Maduro), estabelecendo bloqueios para matar de fome e miséria mais de 8 milhões de cubanos, ameaçando tomar a posse de outros países como Canadá e Groelândia, perseguindo e prendendo cidadãos e crianças em solo americano e o mundo não reage, não faz nada concreto para deter isso.

Estudar história serve ao menos para demonstrar aos leitores de textos como este para onde podemos estar caminhando neste momento. A história registra eventos que poderiam educar e nos fazer impedir a repetição de tragédias. 

Vamos deixar as coisas seguirem como estão? Entre 1933 e mais ou menos 1940 os países e líderes do mundo ficaram assistindo passivamente as arbitrariedades de Hitler e não fizeram nada. Fizeram de conta que não estavam vendo...

É impressão minha ou é exatamente o que está acontecendo agora em relação ao Trump?

William

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

5. A guerra-relâmpago



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


5. A guerra-relâmpago

* Blitzkrieg na Holanda, Bélgica e França

No dia em que Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro, Adolf Hitler determinou o início da guerra-relâmpago (blitzkrieg) contra o Reino Unido e a França. Ao mesmo tempo, caças e bombardeiros alemães atacavam as bases aéreas holandesas e belgas.

* A França entra na luta

Em 25 de maio de 1940, a situação da Força Expedicionária Britânica e do 1º Exército Francês era desesperadora. Os alemães haviam ocupado o porto de Boulogne, isolado Calais e os britânicos foram forçados a recuar até o porto de Dunquerque.

* O incrível coronel Doolittle

Os cidadãos japoneses mal podiam acreditar ao ver os aviões norte-americanos sobrevoando Tóquio. Era o primeiro ataque, sob o comando de James Doolittle.

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COMENTÁRIO

Enquanto assistia ao documentário sobre os ataques dos Aliados ao território japonês, fiquei me lembrando do livro "Era dos extremos", do historiador marxista Eric Hobsbawm, na parte que ele fala das mudanças de alvo nas guerras contemporâneas, saindo dos campos de batalha e tendo como foco a destruição e morte das cidades e da população civil. O que pode ser mais bárbaro que isso?

O experimento na cidade de Guernica, na Espanha, em 1937, virou a referência no ataque aéreo às cidades dos países adversários.

O documentário do DVD, do tal Doolittle, aborda essa temática. Os aviões foram a tecnologia humana utilizada para ampliar a escala de morte e destruição de cidades e população civil durante uma guerra.

Dessa nova metodologia de matar - jogar zilhões de toneladas de bombas sobre as cidades e civis -, chegamos ao experimento "Faixa de Gaza" no primeiro quarto do século seguinte à 2ª GM. 

Os palestinos do século XXI, vítimas das decisões imperialistas dos vencedores da guerra mundial entre 1939-45, viviam espremidos na pequena Faixa de Gaza após o roubo de suas terras, cercados pelo exército de Israel, quando foram dizimados pelas bombas dos sionistas no ano de 2025. Ali viviam dois milhões de pessoas... dezenas de milhares foram trucidados pelas bombas e não sobrou nada em pé naquela parte da Palestina.

A estratégia nazista das guerras-relâmpago virou referência na forma de invadir e tomar territórios pela força das bombas. Diplomacia pra quê? Os EUA de Trump estão no presente momento atuando pelo "espaço vital" do Reich que o novo führer quer estabelecer no século XXI.

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A coleção de DVDs sobre a II Guerra Mundial é do ano de 2009, da Abril Coleções. Um vizinho do condomínio iria se desfazer do material e decidi pegá-lo para ver e aprender um pouco mais sobre aquele período da história humana.

William

05/02/26

domingo, 1 de fevereiro de 2026

4. Hitler mostra sua força



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


4. Hitler mostra sua força

* A "guerra estranha" no Ocidente

No início de 1940, a guerra havia arrefecido. Durante o inverno, particularmente intenso, ambos os lados pouco fizeram além de patrulhar, manter os treinamentos e tentar sobreviver ao frio. Esse período ficou conhecido como "guerra estranha".

* As invasões da Dinamarca e Noruega

Em 30 de novembro de 1939, a União Soviética invadia a Finlândia. Josef Stálin queria evitar que os finlandeses permitissem a entrada dos alemães para atacar Leningrado e o vital ponto ártico de Murmansk.

* Os homens que decodificaram o Enigma

Agentes poloneses capturaram uma máquina Enigma e a entregaram aos britânicos que, sob as ordens de Alastair Denninston, quebraram seu código.

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COMENTÁRIO

Ganhei de um vizinho do condomínio uma coleção de DVDs sobre os 70 anos da II Guerra Mundial. A produção é da Abril Coleções, de 2009. São trinta DVDs e só estão faltando dois.

É interessante rever a história do nazifascismo neste momento da história humana com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Ele pretende construir um novo Reich em sua busca de "espaço vital". 

É triste perceber que pouca gente no mundo liga para história ou para qualquer tipo de conhecimento e cultura. Estamos na era do incentivo à ignorância e a idiotice é premiada com milhões de seguidores em redes sociais e rios de dinheiro por views e likes.

No Ocidente, milhões de pessoas - crianças, jovens, adultos e idosos - estão com suas mentes capturadas por bichinhos, dancinhas, bets, pornografia, pastores empresários sofistas, fake news e temas de violência e ódio. 

Os dias de existência das massas são desperdiçados dentro das grades das celas dos celulares, as prisões dos humanos atuais com seus cérebros em desfazimento. Já vivemos em um mundo de zumbis digitais...

Pensei nas big techs de hoje (parceiras de Trump e Netanyahu) ao assistir ao documentário sobre a máquina alemã Enigma, que codificava mensagens e que por um acaso foi descoberta (o imponderável) e isso permitiu aos cientistas britânicos, liderados pelo matemático e cientista da computação Alan Turing, descobrir o segredo daquele sistema de criptografia e surpreender os ataques nazistas. Quem vai parar os algoritmos e as "IAs" dos parceiros do presidente dos EUA?

Vendo os episódios deste DVD, também fiquei pensando sobre a atualidade ao me lembrar do pacto de não agressão feito entre Hitler e Stálin em 23/08/39, permitindo aos nazistas se concentrarem em seus objetivos de ataque naquele momento - França e Inglaterra - e aos soviéticos prepararem o Exército Vermelho para enfrentarem os nazistas quando fossem a bola da vez na expansão nazista em busca de seu "espaço vital" (a invasão ocorreu uns dois anos depois).

O Reich de Trump está na fase megalomaníaca de submeter todo o continente americano, o "quintal do império", e seu "espaço vital" inclui a Groelândia e outros países também. Venezuela, Cuba e Colômbia são alvos a qualquer momento; México e Brasil estão na mira. O Führer do Norte já conta com as maiores tecnologias para neutralizar e manipular seus alvos: as big techs.

As presidências de Brasil e México tentam algum acordo de não agressão com o pseudo-imperador, mas não há garantia alguma. Os dois países não têm exércitos nem armamentos para serem respeitados e não sofrerem agressões e interferências para mudanças de governos, colocando-se governos fantoches submetidos ao Reich do Norte.

Dureza!

William

01/02/26

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Livro: Forrest Gump - Winston Groom



Refeição Cultural 

LITERATURA NORTE-AMERICANA 


"Sou idiota de nascença. Meu QI é de quase 70, então eu encaixo na definição, pelo que falam. Se bobiar devo estar mais perto de ser um débil mental ou até mesmo um retardado, e pessoalmente prefiro achar que sou um pateta, ou auguma coisa do tipo, e não idiota..." (Groom, 2016, p. 9)


Certa vez, conversando com o amigo Jair Rosa, jornalista da Secretaria de Imprensa do Sindicato, falamos a respeito do personagem Forrest Gump. 

Eu havia corrido a São Silvestre com uma camiseta na qual escrevi "Run, Forrest, run!", e estava com uma barba enorme. Foi uma brincadeira legal! As pessoas na rua me viam e gritavam "Vai, Forrest!"; outras diziam "Olha o Forrest!". Foi divertido!

São Silvestre de 2009

O Jair me disse que seria legal ler o livro Forrest Gump. Eu nem sabia que existia o livro que teria inspirado o filme com a interpretação de Tom Hanks. 

Anos depois, ganhei o livro de minha companheira. Uma bela edição da Editora Aleph, com tradução de Aline Storto Pereira. O livro é de 1986 e o filme de 1994, dirigido por Robert Zemeckis.

Meu amigo me disse que no livro havia mais aventuras de Forrest, além daquelas que vimos no filme. 

Na verdade, a história de Forrest Gump no livro tem diferenças em relação ao filme, algo que considero normal. 

Na verdade, lendo o artigo de Isabelle Roblin - "Da página à tela: a reformulação de Forrest Gump" - incluído na edição que tenho, descobre-se que a história foi reescrita para o filme.

Acho importante citar também o tipo de deficiência intelectual do personagem: Síndrome de Savant, condição chamada no passado de "idiota savant". As pessoas com essa condição têm habilidades extraordinárias em certas áreas como matemática, música, artes e esportes, memória incrível etc.

O filme me marcou muito, de verdade. Tem cenas do filme que me fazem chorar e pensar muito na minha vida. Além, é claro, da trilha sonora espetacular!

Vamos ver o que a obra original nos traz. Ainda estou no começo, o livro é grande.  

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COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO

02/02/26

"Mas eu bem sei uma coisa sobre os idiotas. Se bobiar é a única coisa que eu sei de verdade, mas eu li mesmo sobre eles... Li tudo desde o idiota dum tal Dois-toi-és-viquis, até o bobo da corte do Rei Lear; o idiota do livro do Faulkner, Benjie, e até o Boo Radley de O sol é para todos... ele era um idiota de verdade. O que eu gosto mais é o velho Lennie de Ratos e homens. A maioria desses escritores entendeu como funciona, porque seus idiotas são sempre mais espertos do que as pessoas pensam. Bom, eu concordava com isso. Qualquer idiota concordaria. Rá-rá." (Groom, 2016, p. 11)


Terminei a leitura do romance com um nó na garganta, da mesma forma que acontece comigo quando assisto ao filme de Zemeckis.

O mais difícil na leitura de um romance que já foi adaptado para o cinema é conseguir se desfazer das imagens do filme e da caracterização dos personagens, além das diferenças de adaptação do roteiro ou versão dada pelo diretor.

Então, antes de apresentar meu comentário sobre o romance de Winston Groom, registro que o filme é muito bom e que o livro é muito bom também, mesmo sendo obras com enredos bem diferentes. 

O personagem Forrest Gump tem algum grau de deficiência intelectual - Síndrome de Savant - e tanto ele quanto sua mãe sabem disso. Ele é um sujeito grande, de uns dois metros de altura, com uma bunda enorme. Desde pequeno, ele sempre deseja fazer as coisas certas, mesmo quando isso não acontece.

Além de sua mãe, outras pessoas foram importantes e marcaram a vida de Forrest Gump: Jenny Curran, amiga do colégio e amor de sua vida; Bubba, amigo da faculdade e companheiro na Guerra do Vietnã; e Tenente Dan, que conheceu na guerra. Outras personagens também vão aparecendo ao longo das peripécias que marcam a vida de Forrest.

Groom faz uma crítica ácida aos norte-americanos considerados "normais". Ao longo da história do deficiente intelectual Forrest Gump é comum vermos cenas como a do pneu do carro:

Forrest pega uma carona com um rapaz e o pneu do carro precisa ser trocado. Enquanto o motorista troca o pneu, deixa os parafusos caírem no bueiro e fica se lamentando por não poderem resolver o problema e irem embora. Forrest pensa por um instante e sugere ao motorista que tire um dos quatro parafusos de cada um dos três pneus e fixe o pneu trocado. O motorista fica puto e envergonhado por não ter pensado nisso e questiona Forrest "Como você pensou nisso se é idiota?" e Forrest responde "Sou idiota, mas não sou burro!".

O personagem carrega aquela ideia comum dos norte-americanos de se venderem como sujeitos que empreendem e que se dão bem na vida por esse motivo. Algo como "qualquer idiota esforçado consegue fazer qualquer coisa" (idiota no sentido de pessoa comum). É a ideia do self-made man, a meritocracia que manipula tanta gente de nossas classes exploradas e sem os direitos básicos da cidadania.

Forrest ao sabor do acaso vira jogador de futebol americano, astronauta, jogador de pingue-pongue, toca gaita de forma magistral, é campeão de xadrez, lutador de luta livre e outras coisas que vão aparecendo nas veredas que percorre na vida.

Com a produção de camarões, Forrest alcança fortuna e sucesso, mas mesmo com esses sonhos comuns dos homens do capital, algo falta para aquele cidadão, algo que não é dinheiro. Algo que dê sentido e satisfação em sua vida. Percebemos isso quando Forrest insiste em lutar mais após ter conseguido o dinheiro que precisava para o projeto dos camarões. 

Valeu bastante a experiência de ler a obra original que inspirou o filme de sucesso dirigido por Robert Zemeckis em 1994, com interpretações magistrais de Tom Hanks (Forrest Gump), Robin Wright (Jenny Curran), Gary Sinise (Tenente Dan), Sally Field (Senhora Gump), Mykelti Williamson (Bubba) e demais personagens no elenco.

Sobre o filme, reafirmo que sou um fã desde a primeira vez que o vi. E a trilha sonora é inesquecível!

William


Bibliografia:

GROOM, Winston. Forrest Gump. Tradução: Aline Storto Pereira. Ilustrado por Rafael Coutinho. São Paulo: Aleph, 2016.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Instantes (23h57) - A vida num livro de bolso


Flores na USP


Refeição Cultural

Neste instante estava revendo instantes do passado.

A viagem a Cuba. As explicações do senhor Luis nos contando sobre a resistência criativa do povo cubano para enfrentar as dificuldades causadas ao país por causa do bloqueio criminoso imposto pelos EUA há mais de seis décadas. 

A retomada dos estudos universitários na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas quando voltei de Brasília. Os instantes são repletos de imagens da natureza. 

A gente acumula tanta coisa... neste instante estava revendo imagens e vídeos da vida. Muita coisa!

E se eu parasse de registrar imagens, palavras, emoções, situações, ideias? E se eu não tivesse mais suporte algum à memória de minhas células?

Neste instante estou aqui, sei quem sou, sei o que sou. Sei meu valor. Mesmo que não tivesse registro algum de minha existência ou de algo que fiz.

No entanto, não sou só esse corpo pelado e desnudo, como poetei certa vez, não sou só eu, sou também minhas relações sociais, sou parte de alguma relação humana. 

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"UMA FRASE QUALQUER 

Nossa vida deveria caber dentro de um livro, de bolso." (Marili Santos)

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Como diz o poema da professora poeta Marili, talvez fosse o caso de sintetizar nossa existência em um livro de bolso.

Que palavras usaria para preencher meu pequeno livro de bolso da vida? Que imagem poderia ilustrar meu livro?

Não sei. Não sei. 

Ainda procuro alguma coisa, algum sentido.

William 

19/01/26

sábado, 17 de janeiro de 2026

3. O começo



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


3. O começo

* Hitler a caminho da guerra: Áustria e Tchecoslováquia

Ao ser nomeado chanceler da Alemanha, em 30 de janeiro de 1933, Hitler começou a trabalhar nos seus planos de longo prazo. Um deles era "conquistar o território do Leste e germanizá-lo de forma implacável..."

* A blitzkrieg devasta a Polônia

Na tarde de 31 de agosto de 1939, as forças alemãs realizaram os preparativos finais para a invasão da Polônia. Os tanques foram colocados em suas posições de ataque e as tripulações estudavam seus objetivos.

* O homem que projetou o Spitfire

O caça mais famoso da Segunda Guerra Mundial foi concebido pelo inventor R. J. Mitchell. O Spitfire tornou-se onipresente entre as forças britânicas na Batalha da Inglaterra.

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COMENTÁRIO

Com a desculpa de retomar e ou anexar territórios nos quais parte da população falava a língua alemã, Adolf Hitler começou sua expansão rumo ao Leste. A Alemanha e seu Führer retomavam o projeto do "Espaço vital" para o povo alemão.

Depois de invadir e anexar Áustria e Tchecoslováquia, foi a vez da Polônia. A motivação para atacar o país foi uma mentira contada por Hitler: alguns soldados alemães se vestiram com uniformes dos soldados poloneses, invadiram e mataram alguns alemães numa rádio na região da fronteira e essa fake news valeu a invasão da Polônia para se defender...

Pois é, no ano de 2026 do século seguinte ao do Terceiro Reich, o presidente do país mais terrorista do século XX, causador da maioria das guerras pelo mundo, um tal Trump, começou a seguir os passos de Hitler e através de mentiras ou na cara de pau mesmo sequestrou um presidente em país da América do Sul para roubar seu petróleo (inventou que o presidente era narcotraficante) e mira diversos países para invadir e ou anexar aos Estados Unidos.

Considerando o momento atual do mundo e da humanidade, é difícil considerar que no século seguinte (XXII) - em tempos cronológicos do planeta Terra - tenhamos pessoas estudando o século anterior, na época que a sociedade humana era dominada por IAs e por governantes estúpidos, psicopatas e que não encontraram resistência para destruir o mundo ainda na primeira metade do século XXI.

Por fim, ao ver o documentário sobre a busca incessante por aviões que matassem mais nos tempos de guerra, fiquei pensando na tristeza que Alberto Santos Dumont deve ter sentido ao ver sua invenção servindo para matar pessoas em 1932 na chamada "revolução constitucionalista" entre paulistas e as forças do governo de Getúlio Vargas.

William

17/01/26

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2. A tempestade se aproxima



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


2. A tempestade se aproxima 

* A aventura imperialista de Mussolini na Abissínia

Com o governo paralisado por uma greve geral em agosto de 1922, Mussolini ordenou seus seguidores a marchar sobre Roma. Temendo uma guerra civil, o rei da Itália pediu-lhe que formasse um governo. Mussolini assumiu poderes ditatoriais e empenhou-se no objetivo de criar um novo império romano. 

* Ensaio geral: a Guerra Civil Espanhola 

Suas armas e táticas de combate somadas às experiências da Primeira Guerra Mundial serviram de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. 

* O tanque 

A Segunda Guerra Mundial testemunhou o surgimento de enormes tanques, como os lendários Pantera e Rei Tigre alemães, e de tanques leves, como os russos T-34 e os americanos Sherman. Mas qual modelo foi o mais eficaz?

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COMENTÁRIO 

Ao ver o documentário sobre a ascensão de Benito Mussolini na Itália e o avanço do regime fascista nos anos vinte do século XX, é assustadora a semelhança com a atualidade deste primeiro quarto de século XXI. 

Mussolini chegou ao poder, invadiu a Abissínia, no continente africano, e os países da Liga das Nações não fizeram absolutamente nada.

Exatamente o que está acontecendo agora com os arroubos ditatoriais de Donald Trump e a máquina de guerra dos Estados Unidos. 

Trump bombardeou a Venezuela, sequestrou o presidente do país e a ONU não fez absolutamente nada. Agora ele ameaça a Groenlândia e outros países. 

O segundo vídeo da coleção, que aborda a Guerra Civil Espanhola, é uma lição do passado a nós do presente. Enquanto os republicanos pediram apoio para a Grã-Bretanha e a França e receberam um "não", a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini deram armas e soldados aos nacionalistas liderados por Franco.

Nazistas e fascistas derrotaram os republicanos, Franco iniciou seu regime totalitário e ficou provado para a extrema-direita que as democracias eram covardes e nada fariam contra o avanço extremista. 

No último documentário do DVD, é possível ter uma noção do imenso poder dos tanques de guerra. 

Infelizmente, caminhamos para o fim da paz global. 

William 

16/01/26

sábado, 10 de janeiro de 2026

1. A ascensão dos regimes fascistas



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


1. A ascensão dos regimes fascistas

* Sementes do conflito: Hitler chega ao poder

Em janeiro de 1933, o presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler chanceler. Foi o início da ascensão política e militar do futuro Führer do Terceiro Reich, cuja ambição de dominar o mundo não tinha limites.

* O Japão invade a Manchúria e a China

No início do século 20, o Japão era uma potência militar, que havia combatido ao lado dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, disposta a conseguir uma rápida expansão econômica e territorial.

* Os homens que inventaram o radar

A invenção do radar resultou da fascinante corrida tecnológica empreendida pelas grandes potências econômicas nos anos 30. Essa nova tecnologia foi essencial para a defesa aérea britânica durante a Segunda Guerra Mundial.

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COMENTÁRIO

Ao ver o documentário foi possível fazer comparações com o momento atual do mundo neste primeiro quarto de século XXI. Nos episódios do primeiro volume da coleção, vemos o nascimento da Liga das Nações e a sua incapacidade de evitar guerras através do diálogo diplomático.

A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha nos lembra um pouco os estudos que demonstram como as democracias morrem. O partido nazista conseguiu maioria eleitoral no início dos anos trinta e depois Hitler virou o Führer do 3º Reich.

Os Estados Unidos de Donald Trump caminham a passos largos para causar na sociedade humana o que o nazifascismo causou um século atrás. Hitler não foi parado por nenhuma diplomacia da época. 

A extrema-direita vem crescendo eleitoralmente no mundo e seu líder, Trump, inviabilizou organizações internacionais criadas ao final da 2ª GM para buscar entendimentos globais sem novas guerras. A ONU perdeu completamente seu papel neste momento da história. Pensemos nisso.

Sobre a coleção de DVDs 

O resumo acima, constante na caixinha do documentário, sintetiza bem o que se vê nos filmes remasterizados pela Abril Coleções em 2009.

Um vizinho do condomínio perguntou em uma rede social se alguém queria a coleção e resolvi pegá-la para assistir aos DVDs, relembrar o que sei de história e melhorar meus conhecimentos gerais.

A história pode nos ensinar sobre os erros da sociedade humana e nos fazer pensar maneiras de não repetir as tragédias do passado.

William

10/01/26

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Jornada nas Estrelas (Star Trek) - 2ª temporada (1967-1968)

 


Refeição Cultural

Após assistir aos episódios da primeira temporada da série original de Star Trek (comentário aqui), iniciei os episódios da segunda temporada. Fui vendo as aventuras da tripulação da USS Enterprise de forma esporádica e lentamente ao longo do ano de 2025.

O acesso atual a filmes, séries, documentários e programas culturais diversos através de plataformas de grandes empresas tem o inconveniente da "indisponibilidade" a qualquer momento. Foi isso que ocorreu com as 3 temporadas da série clássica de 1966/69 de Jornada nas Estrelas na Netflix.

Dias atrás, soube que a plataforma retiraria do ar as 3 temporadas. Fiquei p. da vida. Para não deixar pela metade a temporada que estava assistindo, dei uma acelerada e vi um monte de episódios em poucos dias. Foi cansativo e o fato tirou um pouco do prazer de assistir tranquilamente a série.

Enfim, agora conheço as duas primeiras temporadas da série clássica de ficção científica Star Trek. Desta vez, foram 26 episódios e alguns muito bons.

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EPISÓDIOS


E1. Tempo de loucura ("Amok Time")

SINOPSE: No auge do período de acasalamento de Pon Farr, Spock precisa voltar ao Vulcão (Planeta Vulcano) para encontrar sua futura esposa, prometida desde a infância.

COMENTÁRIO: Os episódios da icônica série de ficção científica foram lançados no auge da guerra fria, final dos anos sessenta. Ao longo da primeira temporada, vi episódios com muitas questões políticas da época. Neste, especificamente, o roteiro me pareceu mais voltado para a antologia da série, para falar um pouco da natureza e da história de Spock. E, finalmente, vi a clássica imagem da mão aberta com os dedos separados em V, um cumprimento dos vulcanos.

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E2. Lamento por Adônis ("Who Mourns for Adonais?")

SINOPSE: Um ser poderoso que diz ser o deus grego Apollo aparece e exige que a tripulação desembarque em seu planeta para adorá-lo.

COMENTÁRIO: Muito bom o episódio, que também poderia ser traduzido por "Quem vai chorar pelos deuses?". A teoria discutida pelos personagens do enredo me fez lembrar do clássico "Eram os deuses astronautas?" (1968), de Erich Von Däniken. Após ter a USS Enterprise retida por uma mão gigante de energia, o capitão Kirk e sua tripulação têm que se submeter ao deus Apolo, que quer ser adorado como os humanos faziam milênios antes. A temporada começou bem!

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E3. Nômade ("The Changeling")

SINOPSE: Uma sonda com inteligência artificial e um sistema assassino vem à USS Enterprise e confunde o capitão Kirk com seu criador.

COMENTÁRIO: É sempre interessante ver ainda nos anos sessenta a questão da IA - burra de forma incorrigível - se contrapondo e desobedecendo seu criador, a espécie humana, essa sim com capacidade de ser inteligente, apesar de boa parte das pessoas não desenvolverem esta habilidade do cérebro do homo sapiens. A inteligência do criador precisou fazer a diferença para que a máquina "inteligente" não destruísse a Enterprise.

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E4. O reflexo no espelho ("Mirror, Mirror")

SINOPSE: Kirk, McCoy, Scotty e Uhura estão em um universo-espelho em uma Enterprise paralela dominada por bárbaros cruéis.

COMENTÁRIO: Essa ideia de um mundo em espelho ao nosso mundo real sempre foi algo imaginado e talvez sonhado pelos seres humanos. É daí a invenção de que poderíamos viajar no tempo, uma abstração da mente humana muito antiga. Estamos viajando ao espaço, é fato. Viajar no tempo, não é possível. Só através da imaginação mesmo.

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E5. Fruto proibido (The Apple)

SINOPSE: Kirk e uma equipe de aterrissagem descem para um planeta de aparência ideal e paradisíaca.

COMENTÁRIO: A tripulação da USS Enterprise encontra um paraíso um pouco diferente da descrição clássica. Os habitantes são inocentes como o casal Adão e Eva era antes da desobediência a Deus, tentados pela serpente a comer o fruto proibido. Apesar de bonitas, as plantas são perigosas e podem matar. O deus local, Vaal (um monumento gigante com cara de serpente), é alimentado pelos habitantes, que vivem quase na escravidão, pois devem obediência cega a Vaal. Akuta, o sacerdote local com quem Vaal se comunica é o líder dos habitantes. O capitão Kirk e sua tripulação farão um pouco do papel do diabo, "desencaminhando" os inocentes habitantes do planeta Gamma Trianguli VI. Quem vai ganhar essa guerra entre o céu e o inferno, Vaal e habitantes ou Kirk e companhia?

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E6. A máquina da destruição (The Doomsday Machine)

SINOPSE: A Enterprise encontra a combalida Constellation, cujo capitão - Matt Decker -, transtornado, está determinado a parar a nave gigante que matou sua tripulação. A máquina destruidora é uma super-arma destruidora de planetas e se não for parada pode destruir o sistema solar dos humanos.

COMENTÁRIO: Este episódio foi um dos melhores que assisti até agora! A roteiro é muito bem construído. Além da verossimilhança na estória, uma máquina programada para destruir planetas gerando assim sua própria energia a partir da síntese dos elementos do planeta destruído, temos a questão das idiossincrasias dos humanos e seus comportamentos contraditórios (com exceção do vulcano Spock, lógico!). Foi tensão até o último minuto do episódio. Fiquei até com bronca da tripulação da Enterprise por ser tão certinha e aceitar receber ordens do capitão Matt Decker. Spock obedeceu a alguém acima dele na hierarquia por ser lógico, mas fiquei p. da vida! Eu não respeitaria o sujeito nem f...

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E7. O Dia das Bruxas ("Catspaw)

SINOPSE: Quando Kirk e sua equipe de aterrissagem chegam ao planeta, são recebidos por neblinas estranhas, um castelo sombrio, bruxas, goblins e um gato preto.

COMENTÁRIO: No episódio, um ser na forma de mulher ou gato - Sylvia -, ameaça o capitão Kirk e sua tripulação com mágicas letais como, por exemplo, "vudu", para dominá-los. A mulher domina a mente dos amigos de Kirk.

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E8. Eu, Mudd ("I, Mudd")

SINOPSE: Harry Mudd volta com um plano para tomar a Enterprise. Ele é rei em um planeta habitado por androides comandados por ele.

COMENTÁRIO: Episódio muito bom! Ver em 2025 um debate sobre IA na forma de robôs com aparência humana em 1968 e os problemas que isso poderia causar aos humanos, e causou décadas depois, é algo espetacular! Seriam várias dimensões para se avaliar, muitas camadas. Fica claro, porém, que não existe Inteligência Artificial, como nos explica hoje o neurocientista Miguel Nicolelis, inteligência é um atributo humano. Sempre há humanos por trás dessas máquinas que são vendidas como IA. Sempre há e haverá o risco à própria humanidade em sentido geral por causa de uns poucos humanos gananciosos que só pensam em si e dane-se todos e o mundo.

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E9. Metamorfose ("Metamorphosis")

SINOPSE: A tripulação da Enterprise encontra uma misteriosa nuvem de energia que os atrai para o planeta Gamma Canaris N.

COMENTÁRIO: Achei o episódio interessante. A entidade inteligente que atraiu o Cap. Kirk, Spock e seus amigos fez o que fez para diminuir a solidão do único humano no planeta, o famoso Zefram Cochrane, inventor do motor de dobra e que já deveria estar morto há muitos anos. Kirk terá que ser um bom ator para lidar com a força alienígena.

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E10. A caminho de Babel ("Journey to Babel")

SINOPSE: A Enterprise recebe diversos diplomatas em conflito - e, dentre eles, o pai de Spock - mas alguém a bordo planeja um assassinato.

COMENTÁRIO:

"- Dê uma razão? Qual o nosso lucro em ferir o Capitão?
- Eu não sei. Não há lógica no ataque de Thelev ao Capitão. Não há lógica no assassinato de Gav.
- Talvez tenha que esquecer a lógica. Pense nas motivações... de paixões ou vantagens. Essas são razões para assassinatos...
"

Esse diálogo entre Spock e um andoriano é a tônica do episódio de Jornada nas Estrelas, um dos melhores desta temporada. No enredo, vemos pai e mãe de Spock, risco sério de morte de personagens importantes da tripulação da Enterprise e excelentes debates sobre a lógica vulcana e a diferença humana nos sentimentos que nos definem para além da lógica. Muito bom!

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E11. O Sucessor ("Friday's Child")

SINOPSE: A Federação está concorrendo com os klingons por uma aliança com os habitantes de Capela IV, uma tribo guerreira.

COMENTÁRIO: Chamou a minha atenção o episódio produzido no final da década de sessenta tratar de disputa de minerais por parte de duas raças, os humanos e os klingons. O mineral de terras raras, como se diz hoje, estava no planeta Capela IV, e seus habitantes estavam sendo disputados para o acordo comercial. O ponto negativo do enredo foi a violência praticada contra uma mulher, um tapa na cara, a agressão partiu de um membro da tripulação da USS Enterprise.

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E12. Os anos mortais ("The Deadly Years")

SINOPSE: Uma equipe de aterrissagem da Enterprise é exposta a uma forma estranha de radiação que acelera o envelhecimento.

COMENTÁRIO: Interessante o enredo. O episódio abordou uma discussão sobre os efeitos do envelhecimento nas pessoas, o efeito individual em cada um. O capitão Kirk, no auge de seus 34 anos, teve que lidar com esquecimentos e outros fatores de eventuais doenças da idade avançada, como artrite.

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E13. Obsessão ("Obsession")

SINOPSE: O Cap. Kirk caça obsessivamente uma criatura em forma de nuvem que encontrou na juventude.

COMENTÁRIO: O enredo vai abordar uma característica humana que os vulcanos não têm: a hesitação. Será que uma hesitação do Capitão James T. Kirk, 11 anos antes, pode ter sido responsável pela morte de uma tripulação de outra nave estelar por uma criatura enfrentada no presente momento?

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E14. Um lobo entre os cordeiros ("Wolf in the Fold")

SINOPSE: Scotty é o principal suspeito da morte de várias mulheres no planeta Angelius II. Entretanto, uma força mais sinistra pode fazer a conexão entre esses assassinatos e outros pela galáxia, incluindo alguns na Terra no final do século XIX.

COMENTÁRIO: Gostei no enredo da questão da fé que os homens depositavam nas máquinas já nos anos sessenta. O computador central da USS Enterprise é utilizado por Kirk e Spock nos interrogatórios para saber quem mente e quem fala a verdade. Se já eram fascinados com essa porcaria do passado, imaginem a ilusão cega que têm hoje nessas IA, nem inteligentes nem artificiais. 

(Como sempre, lamentável a forma como se tratam as mulheres, é um desrespeito absurdo)

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E15. Problemas aos pingos ("The Trouble with Tribbles")

SINOPSE: Kirk precisa lidar com burocratas da Federação, uma nave de batalha klingon e um camelô que vende criaturinhas peludas e famintas como animais de estimação.

COMENTÁRIO: Episódio com tom de humor, de descontração. A USS Enterprise viveu uma superpopulação de pingos, bolinhas peludas vivas.

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E16. Os senhores de Triskelion ("The Gamesters of Triskelion")

SINOPSE: Kirk, Uhura e Chekhov são capturados e escravizados em um planeta distante, onde são treinados para entreter alienígenas entediados.

COMENTÁRIO: Foi dureza assistir ao episódio dos "bons mocinhos" da USS Enterprise no dia que os EUA invadiram e sequestraram o presidente da Venezuela para roubar o petróleo do país (03/01/25). O Cap. Kirk, sempre sem camisa e conquistador de mulheres, é o típico representante desse país imperialista desgraçado.

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E17. Um pedaço da ação ("A Piece of the Action")

SINOPSE: Kirk, Spock e McCoy descem a uma cultura similar às gangues terráqueas dos anos de 1920.

COMENTÁRIO:

"- Um livro sobre as gangues de Chicago fez tudo isso. Incrível. 

- Eles evidentemente tomaram o livro como um projeto de sociedade. 

- Como a Bíblia."

Muito interessante essa conclusão de McCoy...

Qual será a solução para pacificar as gangues no planeta dos iotianos?

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E18. A síndrome da imunidade ("The Immunity Syndrome")

SINOPSE: A Enterprise encontra um organismo gigantesco, sugador de energia, que ameaça a galáxia.

COMENTÁRIO: A tripulação da USS Enterprise estava a caminho das férias quando recebe uma ordem de verificar um evento ocorrido em uma região do espaço. Uma nave com tripulação de vulcanos teve destino trágico e os 400 mortos nos fazem ver um Spock sensibilizado, algo raro num vulcano. 

(Senti o mesmo cansaço que a tripulação do Cap. Kirk ao assistir de forma acelerada os episódios desta temporada já que a plataforma vai tirar a série do ar em alguns dias... que merda, isso!)

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E19. Uma guerra particular ("A Private Little War")

SINOPSE: Kirk volta ao planeta Neural, onde passou algum tempo 13 anos antes. Um amigo da visita anterior hoje é líder de seu povo.

COMENTÁRIO: Numa disputa entre a Federação (representada pela USS Enterprise) e os klingons, as vítimas são os habitantes primitivos do planeta Neural. Era para os habitantes evoluírem lentamente do arco e flecha para armas de fogo, mas os klingons armaram um dos grupos e Kirk precisa decidir se arma o outro lado, interferindo e criando um "balanço de forças", ou não. 

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E20. Volta ao amanhã (Return to Tomorrow")

SINOPSE: Os três últimos membros de uma raça antiga, bem mais avançada que os humanos, querem emprestar os corpos de Kirk, Spock e dra. Mulhall.

COMENTÁRIO: Se pudéssemos manter nossa essência, nossa identidade, existindo após o fim de nosso corpo físico, seria um avanço imenso para os seres humanos. Seria uma questão prática e material de mantermos o nosso "espírito". O episódio tem o enredo baseado nessa ideia de uma inteligência que se mantém após o fim de seu corpo físico. Interessante.

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E21. Padrões de força ("Patterns of Fource")

SINOPSE: Procurando por um observador cultural da Federação desaparecido, Kirk e Spock encontram-se em um planeta cuja cultura segue os moldes do Partido Nazista.

COMENTÁRIO: Episódio sinistro. O nazismo voltou num planeta com duas populações estabelecidas e uma decide unificar seu povo utilizando a ferramenta do ódio ao outro povo, os zeons. A tripulação da USS Enterprise tentará evitar a solução final naquele planeta.

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E22. Por qualquer outro nome ("By Any Other Name")

SINOPSE: Kirk, Spock, McCoy e um par de camisas vermelhas descem para a superfície de um planeta, atendendo a um chamado de emergência falso. 

COMENTÁRIO: Episódio muito bom, tema que nos faz refletir. A raça humana foi totalmente subjugada pela superioridade da raça conquistadora. Os humanos não desistiram de pensar uma solução, usando a inteligência. O final é surpreendente.

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E23. A glória de ômega ("The Omega Glory")

SINOPSE: Kirk encontra Cap. Trace, da USS Exeter, infringindo a diretiva principal e interferindo em uma guerra entre os yangs e os kohms.

COMENTÁRIO: Era o que faltava para começar a fechar o ano da temporada, em pleno período de Guerra Fria: a guerra entre ianques (yangs) e comunistas (kolms) sai do planeta Terra e vai parar em Ômega... os mocinhos são aqueles da bandeira vermelha, azul e branca cheia de estrelinhas...

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E24. O computador supremo ("The Ultimate Computer")

SINOPSE: A Enterprise é escolhida para ser a nave de testes do novo sistema computacional multitrônico M-5, projetado para fazer a nave funcionar sem ajuda humana.

COMENTÁRIO: 

"Os humanos devem continuar fazendo certas coisas para continuarem humanos". 

Bem atual esta frase do Cap. Kirk ao saber que uma IA iria assumir o controle da USS Enterprise sem precisar de ninguém da tripulação de 400 pessoas a partir daquele momento. O episódio foi um dos melhores da temporada. Ele antecipou o clássico HAL 9000 de "2001 Uma odisseia no espaço".

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E25. Pão e circo ("Bread and Circuses")

SINOPSE: A Enterprise descobre um planeta onde o governo opressor é uma versão para o século XX do Império Romano da Terra.

COMENTÁRIO: No episódio, as arenas estão de volta, e as lutas do estilo MMA do século XXI terminam com a morte do derrotado. E tudo em nome da audiência. Com a sede de violência saciada através dos espetáculos de mortes cotidianas, aquela sociedade com um único governante já evitou guerras nos últimos 400 anos.

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E26. Missão: Terra ("Assignment Earth")

SINOPSE: A Enterprise deve observar a história da Terra em 1968.

COMENTÁRIO: Episódio tenso para fechar a temporada da série. São tempos de Guerra Fria e existe uma ameaça de 3ª Guerra Mundial com a detonação de uma bomba nuclear que pode começar o fim da humanidade. 

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AVALIAÇÃO GERAL DA SEGUNDA TEMPORADA

Assim como disse na avaliação sobre a primeira temporada da série clássica de Jornada nas Estrelas, repito aqui o esforço que tento fazer em imaginar o efeito que a série teve em seu tempo e espaço, os Estados Unidos da segunda metade da década de sessenta do século vinte.

Os pontos altos da temporada ficam com os episódios que abordaram Inteligência Artificial (que não é inteligente) substituindo os seres humanos (E3, E8, E14 e E24), e alguns dilemas filosóficos abordados nos episódios como, por exemplo, no "E6 A máquina da destruição" no qual a tripulação da Enterprise quase é levada à morte por obedecer a ordens estúpidas de um superior fora de si e cheio de desejo de vingança.

Alguns episódios abordam temas, meio século antes, que são muito atuais como a questão da disputa dos recursos energéticos e terras raras. Na ficção, humanos disputam com outras raças e outros seres os recursos de determinados planetas. Na atualidade, os Estados Unidos decidiram acabar com as instituições diplomáticas do mundo, tipo ONU, e partir para a invasão e domínio pela força de outras terras e povos, são os klingons da ficção.

Não é difícil perceber o efeito ideológico e no imaginário dos telespectadores norte-americanos que cada episódio causava após sua exibição. O Capitão James T. Kirk e sua tripulação multiétnica eram os desbravadores de mundos e símbolos da ordem e dos bons exemplos que os terráqueos estavam levando às demais formas de vida no espaço.

O efeito de buscar coesão na população estadunidense ao se verem como os mocinhos salvadores do mundo repleto de gente bárbara, inferior e má deve ter tido algum sucesso, pelo menos por algum tempo. Não estou desconsiderando o prazer em si do entretenimento, óbvio. Mas não sejamos inocentes!

Enquanto os episódios pautavam o bom comportamento dos humanos da Federação Unida de Planetas (a ONU e a OTAN), os bons mocinhos dos EUA financiavam golpes de Estado e ditaduras sanguinárias no "seu quintal", os países da América Latina e Caribe.

E aí, chegamos ao século XXI da vida real, neste exato momento de transição do 1º para o 2º quarto do século, com os Estados Unidos invadindo e bombardeando países soberanos, roubando petróleo e recursos minerais dos outros, tanto nos mares - piratas modernos -, como por terra e pelos ares.

Valeu a pena conhecer um pouco mais da série clássica e original do icônico Star Trek, de Gene Roddenberry e sua refinada equipe de atores e atrizes.

William Mendes