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domingo, 8 de dezembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (5)



Refeição Cultural 

"Balzac [...] nos dá, em A comédia humana, a história mais maravilhosamente realista da société francesa [...] descrevendo sob forma de crônica de costumes, quase de ano a ano, de 1816 a 1848, a pressão cada vez maior que a burguesia ascendente exercia sobre a nobreza que se reconstituíra depois de 1815 e que, tant bien que mal, na medida do possível, levantava outra vez a bandeira da vielle politesse française..."* (p. 49)

* Carta de Friedrich Engels a Margaret Harkness em Londres, abril de 1888. (N.E.)


Hoje retomei a leitura de Balzac, iniciada meses atrás. O Volume 1 de minha coleção começa com uma biografia do escritor, feita por Paulo Rónai. 

Na parte que estou, Rónai descreve o quanto Balzac era de direita e conservador. Mesmo assim, sua condição pessoal não prejudicou ou interferiu na qualidade de sua produção textual. 

Uma prova disso é a avaliação que o marxista Engels faz da monumental obra A Comédia Humana, décadas depois do falecimento de Balzac. 

Enfim, vamos terminar o ano lendo e aprendendo mais sobre literatura. 

William Mendes 


domingo, 29 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (4)



Refeição Cultural 

"Comparado com Walter Scott, seu discípulo assinala-se por uma particularidade bem francesa, de que, aliás, tinha plena consciência. O romancista escocês idealiza a paixão. Por temperamento ou para agradar a um público maior, desconhece o amor sexual e faz intervir em suas narrativas mulheres sublimes e pálidas, quase figuras de altar. O romancista francês, desde seu primeiro verdadeiro romance, explora todas as riquezas da mina das paixões. 'A paixão é toda a humanidade!', escreverá anos depois no prefácio de A comédia humana, ao reconhecer a sua dívida para com Walter Scott." (p. 41)


Seguindo na leitura da biografia de Honoré de Balzac, Paulo Rónai nos conta que o escritor escocês, Walter Scott, se tornou a referência para ele, pois seus romances históricos eram baseados em documentos, pesquisas e viagens investigativas nos locais que seriam cenários de seus livros. 

A diferença é que ao invés de romances históricos, Balzac atuaria com foco na história dos costumes da sociedade francesa da primeira metade do século XIX, período conhecido como Restauração. 

Walter Scott é outra de minhas lacunas culturais... ainda não li nenhuma obra sua. Tenho que viver bastante para ler autores e obras clássicas que nunca li.

William 


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (3)



Refeição Cultural 

"(...) Teremos a ocasião de mostrar que nem por isso A comédia humana, este grandioso fresco da sociedade da Restauração, ficaria manchada de parcialidade, pois o gênio do autor felizmente sobrepujou as tendências de seu espírito. Mas o homem nunca se libertaria desse deplorável esnobismo que lhe faria buscar as rodas aristocráticas, estragando-lhe a felicidade." (p. 36)


É muito interessante conhecer a biografia de figura tão singular da literatura universal do século XIX.

Paulo Rónai vai aos poucos nos apresentando não só as características do escritor francês Honoré de Balzac, como a sociedade francesa das primeiras décadas do século XIX. 

"As tendências monarquistas de Balzac originadas em seu esnobismo (lembre-se o caso da partícula 'de'!) devem ter sido fortalecidas pela atmosfera geral da época, em que era moda entre os jovens literatos ser favorável à Restauração - da qual precisamente o futuro apóstolo republicano, Victor Hugo, era o poeta oficial -, pelo exemplo de certos amigos e, principalmente, de certas amigas..." (p. 35)

O biógrafo nesta parte que li nos apresenta alguns casos amorosos do jovem Balzac. Dois deles, com mulheres mais velhas que ele. A principal delas, a sra. de Berny - a "Dilecta" -, e também a duquesa de Abrantes.

Por fim, a última curiosidade, Balzac publicou em escala "industrial" romances ruins sob pseudônimos, ele tentava se sustentar através da literatura. 

"(...) é que não punha seu nome em nenhum deles, mas publicava-os sob pseudônimos - Lord R'hoone (anagrama de Honoré), Horace de Saint-Aubin etc. - ou anonimamente. Mais tarde, embora necessidades de dinheiro o tenham forçado a negociar outra vez os direitos dessas obras, não as quis jamais reconhecer expressamente." (p. 31)

É isso! Legal essa preparação para mergulhar em A Comédia Humana

William 


sábado, 7 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (2)



Refeição Cultural 

"(...) Surgiam novos poderes: o capital, a imprensa, a publicidade. Patenteava-se a ascensão prodigiosa do dinheiro, que reivindicaria um papel cada vez maior em todos os domínios. Estavam, pois, aparecendo e desenvolvendo-se as forças que passariam a moldar todo o período da história europeia até a Primeira Guerra Mundial. Esboçavam-se, desde então, os tipos humanos que as novas possibilidades não deixariam de produzir. A comédia humana de Balzac contém uma imagem fiel e pormenorizada de toda essa fermentação, de seus resultados visíveis e de suas consequências conjeturáveis; embora concluída em 1850, é um espelho de todo o século XIX. (p. 14/15)


Lendo a biografia do escritor francês Honoré de Balzac, vemos o quanto é válido o esforço e a transpiração, pois de pessoa sem grandes talentos na infância e adolescência, Balzac se tornou um grande escritor dos romances de costumes.

TRATADO DA VONTADE 

"(...) Com uma vontade de ferro realizaria de fato um milagre sem analogias na história das literaturas: de autor péssimo, abaixo de medíocre, que seria até quase os trinta anos, de repente se tornaria um escritor grandioso, criador do gênero mais importante da literatura moderna, o romance de costumes." (p. 23)

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Paulo Rónai nos conta que cada experiência do jovem Balzac serviria anos depois de referência para os romances que desenvolveria. 

E a literatura se firmava junto ao público do século XIX com aquilo que chamaríamos de romance moderno.

"Lembremos que agora o romance não constitui para nós apenas uma diversão. É um importante instrumento de conhecimento indireto, abre ambientes e perspectivas que nunca teríamos oportunidade de conhecer, fornece uma visão prática e real do mundo..." (p. 25)

Seguimos conhecendo um pouco de Honoré de Balzac. 

William 


terça-feira, 3 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac



Refeição Cultural 

A Comédia Humana é composta por 89 obras de Honoré de Balzac. 

A edição que vou ler é a da Editora Globo, cuja 1ª edição é de 1946-1955. Minha coleção é a 3ª edição, de 2012, organizada sob a regência de Paulo Rónai, intelectual húngaro naturalizado brasileiro. 

Tenho 9 dos 17 volumes previstos para a coleção, da Biblioteca Azul. Os livros foram um presente de minha companheira Ione.

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A VIDA DE BALZAC, POR PAULO RÓNAI

A primeira parte do primeiro volume é uma introdução abordando a biografia do escritor Honoré de Balzac, que nasceu em 1799 e faleceu aos 51 anos, em 1850.

Ao falar sobre estudos biográficos, Rónai afirma que as gerações futuras acabam conhecendo mais os autores do que seus contemporâneos. Concordo com ele.

Cito um esboço rápido do escritor:

"(...) Jovem derrotado logo nos primeiros encontros com o destino, marcado pelo resto da vida com o estigma da incapacidade. Homem já feito, arrastando complexos de inferioridade e procurando compensar a consciência da inata vulgaridade por um esforço desesperado para atingir os cumes brilhantes da vida, a beleza, a nobreza, a fortuna. Velho antes do tempo, esgotado por milhares de noites de trabalho feroz, abatendo-se no limiar da felicidade almejada. Vemos-lhe os olhos em brasa, as faces rechonchudas, o papo do pescoço, os membros sem graça, a gesticulação exuberante, as vestes berrantes..." (p. 12)

Vejam se não é uma das imagens clássicas de Balzac.

A Comédia Humana em uma avaliação de Paulo Rónai:

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"a maior fusão já conseguida na literatura com a vida real"

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Interessante essa observação do crítico. Poderei concordar ou não com ele após ler algumas dezenas de obras de Balzac.

Por enquanto, só conheço o romance "A mulher de trinta anos", que gostei bastante. 

É isso. Começamos com o Balzac também. 

William 


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Diário - 050516





Refeição Cultural - Balzac

"A obra do escritor não é menos atraente nem - como o pretendemos mostrar - menos enigmática do que a sua vida. Depois de uma estreia pouco promissora, emerge de repente como o criador de um gênero literário importantíssimo, o único que ainda hoje acaso participa da vida de quase todos nós: o romance moderno. Foi ele quem primeiro teve a ideia genial de basear a literatura de ficção em estudos e pesquisas, aplicando à sociedade de seu próprio tempo o método de documentação com que Walter Scott, em seus romances históricos, transfigurava o passado" (Paulo Rónai, Balzac e A Comédia Humana)


Acordei e peguei pela segunda vez o primeiro volume da coleção que ganhei da obra gigante de Honoré de Balzac, A comédia humana

Medi minha pressão arterial antes de pegar o pequeno volume extra que vem com os oito volumes que ganhei de minha esposa, porque o primeiro livro da coleção é de estudos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra. A triste rotina de medir a pressão já se tornou obrigação nos últimos meses. Deu o mesmo, alta, mesmo tomando remédio regular.

Obras clássicas de séculos passados sempre nos deixam boquiabertos por imaginar o mundo de dificuldades que seus autores tiveram que superar para escrevê-las e publicá-las. 

Quando penso em Miguel de Cervantes escrevendo Don Quijote de La Mancha, num mundo do século 16 para o 17, sem computador, sem caneta e papel apropriado, fico estupefato, por ser algo fantástico.

Balzac passou mais de duas décadas escrevendo sua comédia humana no século 19.

Li uns 45 minutos pela manhã desta quinta-feira, dia de trabalho. Agora é hora de enfrentar os problemas do mundo Cassi até o dia acabar... meu primeiro compromisso de agenda é às 11h.


Meu mundo...

E olha que são tantas coisas que nem dá pra contar. São traições que nos decepcionam, hipocrisias e ilações plantadas no meio em que vivemos e envolvendo pessoas que conhecemos e com as quais temos relações de trabalho e ou políticas... O mundo em que estamos é um mundo que não permite pessoas sensíveis do estômago passarem por ele sem congestões e ânsias de vômito.

Mas o mundo humano tem seus momentos de altos e baixos ao longo dos séculos. O momento é de total inversão de valores, de baixa ética e pouco apego à verdade e ao caráter.

Balzac teria um excelente cenário para repetir seus estudos e sua obra analisando a atual sociedade brasileira do século 21.

William

terça-feira, 3 de maio de 2016

Diário - 030516



Meu presente de aniversário, A comédia humana, de Balzac.
Ai se eu pudesse ler com o tempo e o vagar...

Hoje, acordei cedo e fui medir minha pressão arterial. Eu pensei que ela fosse estar boa, tinha até tomado um chá para dormir à uma hora da manhã e não me sentia estressado demais (ou seja, só o normal para quem tinha trabalhado em 3 turnos no dia).

Quando medi e vi 136 x 105 mm/Hg fiquei entre revoltado e chateado. Pensei um minuto e coloquei um tênis, uma bermuda e saí para correr porque não me conformei com aquela pressão alta. O que fiz foi loucura, pois a atividade física naquele momento poderia me trazer alguma consequência grave.

Acabei saindo da Cassi por volta de 17h. Decidi que hoje só iria trabalhar umas 8 horas.

Durante o almoço com alguns companheiros de trabalho, ainda comentei alguma coisa a respeito desse problema de saúde que adquiri no último ano. O estresse ininterrupto em sua vida, em seu trabalho, acaba por afetar sua condição de saúde com o passar do tempo. 

Sinceramente, eu acredito que o mesmo que se passou comigo, se passa com os trabalhadores do Ramo Financeiro, com os colegas bancários. É por isso que dedico todas as minhas energias para tentar atuar em meu mandato para ampliar a cobertura do modelo de saúde da nossa Caixa de Assistência aos meus colegas bancários. Todos deveriam ter o direito ao acesso a uma equipe multidisciplinar de atenção primária e de acompanhamento de condições crônicas. Eu acredito naquilo que faço na Cassi e nossos funcionários da Cassi também são apaixonados pelo que fazem: cuidar das pessoas.


Bom, vejam a foto do meu presente de aniversário deste ano, quando completei 47 anos de idade. Minha esposa me deu os volumes da grande obra de Balzac, A comédia humana. É uma pena que não consigo mais tempo para ler como gostaria. Cada vez que lembro o quanto desejo dedicar um tempo de minha vida para a leitura dos grandes clássicos, mais me apego a querer viver para ler simplesmente pelo prazer de ler.

Só para fazer algo diferente hoje, parando de trabalhar no final da tarde, fiquei namorando e lendo algumas páginas do primeiro volume da coleção, com coletâneas de textos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra de uma vida.

Vamos parar por aqui.

William
Amante da leitura sem tempo para o amor