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sábado, 31 de janeiro de 2026

Diário e reflexões - Janeiro


Férias na Praia Grande SP 

Refeição Cultural

Osasco, 31 de janeiro de 2026. Sábado.


JANEIRO

Que posso dizer do primeiro mês do ano? Poderia começar dizendo que estou por aqui, e isso é bom! Me esforcei em cuidar da minha saúde para poder estar no mundo e com isso poder manter as relações sociais que nos fazem humanos.

A consciência sobre a importância de estar no mundo e a responsabilidade em relação às pessoas que pertencem às nossas relações sociais me ajudaram a superar a preguiça e o desânimo em diversos momentos do cotidiano e com isso pude praticar atividades físicas em 22 dias do mês e tentar me alimentar com consciência corporal. Sei da fragilidade da vida.

OS SENTIDOS DA VIDA

Tenho buscado sentidos para o momento presente do viver. Mais que sentidos, diria que busco motivos para seguir adiante.

Ao longo de décadas procurei respostas para questionamentos filosóficos que fazia a mim mesmo desde muito jovem. Avalio que encontrei as respostas principais sobre a vida e o mundo. Compreendi como é a vida. Por estudo, reflexão e experiência tenho compreensão sobre minha passagem pelo mundo.

A vida é uma oportunidade diária para novas experiências e descobertas. Só estando vivo e pertencendo ao mundo natural é que podemos participar de alguma forma das mudanças que alteram para melhor ou para pior a realidade. Cada um de nós pode e deve participar das lutas para mudar a realidade que oprime as maiorias e privilegia as minorias.

Hoje, enquanto era mais um na multidão, seja no evento cultural magnífico que participei pela manhã no Armazém do Campo - o lançamento do livro "Vai pra Cuba! E eu fui!" do companheiro Tin Urbinatti -, seja entre a classe trabalhadora espremida dentro do vagão do trem voltando para casa, fiquei pensando o quanto me identifico com as classes populares e exploradas e o quanto é injusto o que os donos do poder fazem com o povo. A elite canalha da casa-grande é a principal culpada pelo sofrimento do povo brasileiro.


Luiza Erundina, Tin Urbinatti e José Genoino 

Ao ouvir e conversar no encontro cultural e político de hoje com grandes seres humanos como Aloísio Cuginotti, Tin Urbinatti, José Genoino, Luiza Erundina, Adriano Diogo e Rui Falcão, voltei para casa com um senso de responsabilidade diferente daquele que o cotidiano em casa nos impele a sentir no dia a dia, um certo desânimo e pusilanimidade em relação às lutas por um mundo melhor. 

A esperança e a utopia são centrais nos sentimentos e atitudes de um militante de esquerda, de um socialista, de um guerreiro pela liberdade do povo trabalhador e das classes populares. Somos inteligentes e podemos mudar a realidade miserável. Lutar pela mudança é o sentido da vida de um militante de esquerda.

Ouvir e conversar com o companheiro José Genoino é um convite à esperança, é um chamamento para as lutas populares com altivez e engajamento. 

CUBA - O tema central do encontro cultural foi a situação de nossos irmãos cubanos por causa do cerco dos Estados Unidos que atua neste momento para matar de fome milhões de crianças, mulheres, idosos e todo o povo da ilha caribenha. Cuba não tem recursos naturais em relação a fontes de energia, precisa de petróleo para movimentar a vida cotidiana e o governo fascista de Trump ampliou o bloqueio para que nenhum país forneça petróleo ao país socialista. Sem petróleo, não há energia, não há água e não há comida.

Livro do ator e diretor Tin Urbinatti 

Temos que apoiar e defender o povo cubano! É um dever de todas as pessoas decentes do mundo exigir o fim do bloqueio criminoso e genocida imposto pelos Estados Unidos e dizer um basta ao novo Hitler do século XXI.

Vamos apoiar Cuba como pudermos. Estarei lá daqui algumas semanas prestando minha solidariedade aos nossos irmãos. Será minha terceira visita à República Socialista de Cuba.  

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LIVRO SOBRE A CASSI - Decidi escrever sobre algo que sei alguma coisa a mais que a média das pessoas: a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI), uma autogestão em saúde que completou 82 anos neste mês e da qual tive a oportunidade de fazer parte de uma de suas gestões. Não acho correto guardar comigo e não compartilhar o que sei sobre essa extraordinária instituição de assistência social. 

A espécie humana inventou a escrita e deu um salto evolutivo por causa dessa tecnologia, passamos a transmitir o que acumulamos de conhecimento na vida e as gerações que se seguiram umas às outras foram acumulando saberes e histórias. Eu sei alguma coisa sobre a CASSI e tenho o dever de transmitir esse conhecimento, independente de quantas pessoas terão interesse nessas informações.

LIVRO DE POESIAS - Estou editando também um livro com algumas dezenas de poesias que criei ao longo da vida. Nunca pensei em reunir em livro os poemas, mas decidi fazê-lo agora. A coletânea estará dividida em dois blocos de poemas, um deles com textos experimentais criados ao longo de duas décadas, com um eu-lírico estudante de Letras e sindicalista. O outro bloco de textos é o resultado de sentimentos e impressões da realidade atual. 

Havia pensado em fazer uma pequena edição para presentear amigos/as e companheiros/as de luta, da mesma forma que fiz com o livro "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT". A ideia foi sendo burilada nos últimos dias e pensei em fazer um lançamento do livro para arrecadar recursos para alguma causa social. Hoje, após o evento cultural e político sobre Cuba, decidi tentar fazer um lançamento para arrecadar recursos para contribuir com a causa do povo cubano. Vou ver como posso levar adiante esse desejo.

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FAZER O QUE TEM QUE SER FEITO

Somos seres históricos, somos inteligentes e muitos de nós tivemos oportunidades na vida para desenvolverem suas habilidades enquanto espécie animal de natureza social. 

As pessoas que têm consciência e formação política não podem se dar ao luxo de se apartarem das lutas que estão sendo travadas neste momento da história humana pelo presente e pelo futuro de cada um de nós, do planeta Terra e de todas as formas de vida que existem.

Amigas e amigos leitores do blog, engajem-se nas causas do campo progressista, causas culturais, sociais, ambientais e do campo popular. Cada um de nós pode fazer a sua parte.

Eu escrevo e tento compartilhar o que sei, o que sinto e o que defendo para a sociedade humana. De forma gratuita, no meu caso.

Abraços fraternos e sigamos na luta por um mundo livre do imperialismo e do totalitarismo do capitalismo.

William

sábado, 10 de janeiro de 2026

Instantes (13h21) - Leituras: José Genoino



Refeição Cultural 

LEITURAS

"Foi nesse momento crucial que um dilema existencial se impôs, deixando marcas profundas e atormentando-me: dedicar-me aos estudos e alcançar o título de doutor para, assim, libertar minha família da labuta rural e da pobreza, ou trilhar o caminho da política, visando o bem-estar da sociedade como um todo?" (José Genoino, em Uma Vida Entrevista, p. 22)


Me identifiquei com essa passagem das memórias do companheiro José Genoino. Na hora, me lembrei dos momentos de angústia pessoal que viveria a partir de 2002, quando virei dirigente sindical dos bancários e um ano antes havia me tornado aluno da Universidade de São Paulo. 

Ao mesmo tempo, me peguei na condição de realizar um sonho antigo de me tornar um intelectual, um acadêmico, quiçá um professor, e me vi eleito dirigente político de um dos maiores sindicatos do país, me sentindo com a responsabilidade de ser o melhor representante que pudesse ser de meus colegas bancários que estavam sofrendo péssimas condições de trabalho na categoria. 

Somente meus diários antigos, minhas lembranças e algumas pessoas próximas sabem o quanto sofria por não conseguir conciliar todo estudo que teria que fazer para ser um bom aluno de Letras e para ser um bom dirigente de classe. 

Prevaleceu o compromisso com a classe trabalhadora e com a coletividade, com a luta pela mudança social da classe à qual sempre pertenci na sociedade brasileira. Não fui professor. Tentei ser um bom dirigente sindical. 

Felizmente, tive o privilégio e a sorte de ter boas referências como, por exemplo, essa figura extraordinária de nossa história, José Genoino. 

William 

10/01/26

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Diário e reflexões


Genoino e Luna: inspiração e esperança.


Refeição Cultural 

Segunda, 14 de abril de 2025. Madrugada.


O mundo humano segue seu curso. A natureza segue impactada pelas ações do mundo humano. O ser humano segue sendo uma espécie extraordinária, capaz de realizações que nenhuma outra espécie seria capaz de fazer. Mas iniciamos uma nova semana sem mudança substancial na tendência de destruição do planeta e da sociabilidade humana. Na minha leitura de mundo, o mal segue vencendo disparado o duelo contra a vida.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) está em greve de fome em protesto contra os homens do mal que dominam a política brasileira e o parlamento nacional: querem cassar o mandato dele por denunciar o orçamento secreto e por ser uma das vozes honestas do povo. Estamos contigo, Glauber!

O direitista Noboa seguirá mandando na política do Equador. Trump... vocês já sabem. Bolsonaro passa bem, dizem que ele teve nó nas tripas de novo: sigo afirmando que ele não será preso, infelizmente. A Globo segue existindo e fazendo o mal que faz há cem anos ao Brasil: é uma doença pestilenta passada de geração a geração.

Meus familiares com dengue em Minas Gerais vão se recuperando. Minhas primas que passaram por cirurgias estão se recuperando. Minha mãe e meu pai nos dão a felicidade de estarem entre nós: cada um a seu modo influenciou a minha vida. 

Vivendo do passado... Por mais que tente evitar, não tem jeito. Estou com a cabeça no passado; até quando durmo, não me vejo livre do passado. Na minha memória, o passado teima em permanecer. Na vida concreta, no instante cotidiano, não tenho mais passado algum. O passado não existe. O que tenho é o presente: esta segunda-feira que começa e que seguirá para mim caso eu acorde nela.

Ações da semana 

Na quarta-feira, assisti pela internet, por mais de 3 horas, a apresentação do resultado do exercício de 2024 da nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Fui gestor eleito da autogestão (2014-2018). Não vou registrar minhas impressões sobre o resultado e sobre a gestão: uma espécie de autocensura.

Participei de uma reunião política de nosso Partido dos Trabalhadores, do diretório zonal do Butantã, de boas-vindas aos quase trezentos novos filiados e filiadas (a maioria é de mulheres). Fui principalmente para ouvir duas pessoas que me inspiram e que simbolizam a esperança na luta política: o companheiro José Genoino e a companheira Luna Zarattini, duas gerações de militância que honram o PT.

Fomos visitar familiares no Rio Pequeno e o centro das atenções é a nova vida que aquece o coração de todo mundo: o Theo, um nenê de três meses de idade. Sempre que vejo crianças e mães, sinto um misto de esperança e frustração com a sociedade humana. A vida é oportunidade diária de coisas boas. O mundo humano é ruim porque é dominado por homens e pelo capitalismo. Poderíamos ter uma sociedade acolhedora às mães e seus bebês: não temos. Me solidarizo com todas as mulheres do mundo.

Aulas de teatro no Lélia Abramo sob
orientação do ator e diretor Celso Frateschi.

No domingo, a convite da companheira Deise Lessa, participei de um grupo de teatro amador e popular coordenado pelo grande ator e diretor Celso Frateschi. Foi uma manhã de muita energia criativa. Ainda lemos Bertolt Brecht.

Arte é uma habilidade humana extraordinária. Duas características que nos fazem humanos: educação e arte.

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Devo persistir no difícil trabalho de sistematizar os milhares de textos que produzi ao longo de duas décadas de blogs. Os cadernos do blog sindical e do blog de cultura devem ser meu foco neste ano. As leituras podem seguir, de forma lenta, o que eu não posso é deixar de organizar meus textos.

"O que somos é feito do que fomos, de modo que convém aceitar com serenidade o peso negativo das etapas vencidas." (Antonio Candido)

Tenho dois momentos distintos em minha passagem pelo mundo: um, até uns trinta anos de idade, outro, após ter virado dirigente político da classe trabalhadora. Na vida antes dos trinta, sobrevivi ao ódio e à depressão por sorte e pelo amor. Na vida posterior, a politização me mudou bastante e fui alguém que interferiu positivamente na vida pública e coletiva das pessoas. Enfim, o que somos é feito do que fomos, como ensina o professor Antonio Candido.

Pensando em minha produção textual e no passado - o meu passado que só existe na minha memória e nos textos que produzi -, e muito impactado pelo filme "Meu pai" (2021), com Anthony Hopkins, que revi nesta semana, reforça em mim a necessidade de coletar e organizar o que tenho escrito.

Vamos para mais uma semana, se meu corpo animal permitir.

William


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

96 de 100 dias



96. Nossa panfletagem de hoje foi bem interessante. Conversamos com a população na região próxima ao Metrô Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo. 

Além da liderança de nosso presidente do Diretório Zonal do PT do Butantã, Daniel Kenzo, contamos com a inspiração do grande companheiro Genoino, guerreiro do povo brasileiro.

A recepção ao material de nossa candidata a vereadora, Luna Zarattini 13131, tem sido boa. Quando é possível conversar um pouco, pois em geral as pessoas estão na correria, apresento o trabalho de Luna na Câmara de São Paulo nesse ano e meio de mandato.

É legal o contato com o povo nas ruas. Algumas pessoas declaram voto em Boulos e na Luna e outras dizem que vão pensar a respeito.

Tive a felicidade de encontrar o Thiago, filho de meu primo, garoto que vi crescer. Foi bem legal!

Também conversei com um tempão com o jovem Guilherme, estudante que está terminando o curso de TI. Rapaz de esquerda e com um papo bem legal.

Por fim, uma senhora me disse que foi professora da Luna e declarou que vota nela.

É isso. Vamos seguir de todas as maneiras possíveis, dialogando com a população para mudarmos São Paulo, elegendo Guilherme Boulos e Marta Suplicy e uma bancada com muitas pessoas progressistas na Câmara Municipal. 

Peço voto e apoio para Luna Zarattini 13131. Conheço o trabalho dela, um trabalho aguerrido e militante e com firmeza ideológica.

William Mendes


sábado, 5 de março de 2022

050322 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 5 de março de 2022. Sábado. 11h33 (início).


"Para todas as pessoas que vivem pacificamente e felizes em seus países independentes, eu digo estas palavras: lembrem-se, quando estiverem comendo, de que há centenas de crianças que morrem de fome porque são palestinas. Lembrem-se, quando forem beber água, de que há centenas de crianças que bebem a água suja da sarjeta porque são palestinas. Lembrem-se, quando forem dormir, de que há centenas de crianças sem teto que dormem sem nada para vestir só porque são palestinas." (Mary Masrieh Hazboun, in: Vozes roubadas - Diários de guerra. Cia das Letras, 2008)


O mundo sob a hegemonia do capitalismo segue sendo destruído rapidamente e inviabilizado para a vida humana e para as diversas formas de vidas existentes hoje. Os capitalistas destroem tudo porque podem, é o que eles dizem. Quem não gostou que pare eles. Ninguém os impediu de fazer o que fazem.

A principal guerra noticiada pela imprensa comercial manipuladora segue em seu 10º dia, falo da guerra na Ucrânia, entre os Estados Unidos e a Rússia. E no Brasil seguimos em 2016, com o crime organizado no poder e com representações em todas as instituições do Estado nacional. O crime organizado tem cerca de um terço do eleitorado com ele. É uma potência! É uma lástima!

E ainda temos a pandemia de Covid-19, que mata centenas de pessoas por dia no Brasil e em diversos países do mundo. Aqui, as mortes por Covid-19 foram incorporadas à normalidade assim como as chacinas diárias de gente periférica. As pessoas cansaram da Covid-19 e decidiram acreditar que ela não existe mais (é o foda-se). Seguem as mortes severinas "normais" dessa terra de casas-grandes e coronéis e senzalas.

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Que registros valem a pena anotar aqui no meu caderno ou diário virtual de reflexões e memórias? 

Coisas que me deixaram pensando muito: 

- O filme Uma noite de 12 anos (2018), dirigido por Álvaro Brechner, que conta a história de José Pepe Mujica e seus companheiros, metidos em calabouços sob tortura e solidão pelo regime ditatorial no Uruguai nos anos setenta e oitenta; 

- A história das jovens Shiran Zelikovich e Mary Masrieh Hasboun, uma jovem de Israel e outra da Palestina, respectivamente. Li trechos dos diários delas, escritos entre os anos de 2002 e 2004, publicados no livro Vozes Roubadas - Diários de guerra (2008), um livro organizado por Zlata Filipovic e Melanie Challender.

- O manuseio e seleção e às vezes leitura das minhas pilhas de materiais guardados ao longo da vida, montanhas de papéis, revistas, jornais, cadernos etc. Sem contar os livros. Ao lidar com tudo aquilo, me impressiono com a nossa história, com o quanto já fomos capazes ao enfrentarmos os capitalistas. Ainda somos capazes, acredito, basta sabermos quem somos, conhecermos nossa história, e termos objetivos claros pelos quais lutar e unidade pra derrotarmos os capitalistas e seus lacaios a soldo. 

HISTÓRIA

"Amo o meu país e acho uma pena que estejamos em guerra. Não posso dizer que me sinto segura, na verdade é bem o contrário, mas faço um esforço para sentir-me assim. Quando ficar mais velha, quero ajudar meu país a combater esses terroristas horríveis." (Shiran Zelikovich, inVozes roubadas - Diários de guerra. Cia das Letras, 2008)


Coisas que me fizeram pensar muito na vida e no sentido das coisas. Também fiquei me lembrando o tempo todo da ideia de controle do mundo lançada por George Orwell no distópico 1984 (publicado em 1949).

"Quem controla o passado, controla o futuro;
Quem controla o presente, controla o passado.
"

É uma assertiva impressionante! Os ideólogos dos poderosos sabem disso e essa ideia de controle do passado no presente para controlar o futuro está em andamento sob nossos olhos. É só vermos o que foi e segue sendo o regime no poder desde o golpe de 2016 no Brasil.

Enquanto eu assisto a um filme que nos remete à história de personagens importantes da história e da vida cultural do Uruguai, enquanto leio diários de duas jovens retratando momentos de dor e sofrimento num mundo em guerra por um pedaço de terra e por dogmas religiosos, enquanto leio a história dos bancários brasileiros e a minha participação nela, o regime bolsonarista apaga a história das conquistas e lutas do povo brasileiro, destrói o espaço físico e o mundo cultural brasileiro, e atua para reescrever o passado e se estabelecer no futuro.

A história ainda tem importância? Quem se importa com a história na atualidade? Por que tentar preservar a história? Não só a história, a cultura tem importância?

Conforme separo documentos que retratam a origem de direitos sociais, políticos e civis dos trabalhadores brasileiros ao longo dos últimos dois séculos, sim porque o Banco do Brasil e seus trabalhadores estão nas lutas sociais do país desde 1808 e os da Caixa Federal há mais de 150 anos e alguns sindicatos nossos estão na luta há quase um século, e nossa Caixa de Previdência já é secular... enfim, enquanto separo documentos históricos por dó de jogar fora, percebo o quanto faz falta à coletividade saber minimamente a nossa história. 

Francamente, as pessoas ao nosso redor não têm a menor noção das coisas. E vivemos hoje o elogio da ignorância... e só perdemos com isso, e a casa-grande e seus ideólogos só ganham com isso. Como é fácil com as ferramentas de hoje nos fazer de idiotas e nos manipular ao bel-prazer.

As histórias de José Pepe Mujica, Mauricio Rosencof (o russo), Eleuterio Huidobro (o Nhato) e seus companheiros têm importância para nós que lutamos por um mundo melhor, mais justo e igualitário, sustentável e solidário. 

As histórias de Lula, de Dilma Rousseff, de José Genoino, de Gushiken e tantas outras lideranças do povo brasileiro têm importância para nós. As histórias de nosso movimento sindical têm importância para nós. Pergunto: estamos preservando nossa história e compartilhando ela com as gerações que pertencem ao nosso lado, todos aqueles que não pertencem à casa-grande, ao 1% que domina e destrói tudo? Tenho minhas dúvidas.

Chega de registro e reflexões. Já fiz textos bons e relevantes, já fiz. Quando olho minha produção como dirigente sindical e como gestor de saúde eleito, vejo que produzi conhecimento de qualidade. Mas isso é passado e tenho consciência disso. 

O que fazer para que jovens como Mary, da Palestina, e Shiran, de Israel, não tenham que seguir denunciando a fome e a miséria de um povo e a manutenção do ódio uns pelos outros por motivos políticos e ideológicos?

Uma coisa se percebe facilmente. Em praticamente todas as guerras nos últimos dois séculos temos por trás delas os Estados Unidos da América. Todas! Nos golpes no Brasil como o que vivemos hoje. Na questão entre Israel e Palestina. Na ditadura civil-militar que colocou Mujica e o povo uruguaio nas longas noites que duraram anos. Na guerra na Ucrânia.

Fim desses registros de memórias e reflexões sobre o viver.

William (15h05)


Bibliografia:

FILIPOVIC, Zlata e CHALLENGER, Melanie. Vozes roubadas - Diários de guerra. São Paulo, Cia. das Letras, 2008.


sábado, 21 de agosto de 2021

210821 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Temos que preservar a produção intelectual de pessoas como Machado de Assis e José Genoino


- Comecei a leitura de meu presente de Dia dos Pais. Ganhei de meu filho um HQ belíssimo - Superman: entre a foice e o martelo. A premissa da estória é a seguinte: ao invés do garoto extraterrestre ter caído nos Estados Unidos e ter sido criado por aquele casal de fazendeiros que conhecemos na ficção, Superman foi criado pelos soviéticos, em uma fazenda de trabalhos coletivos. Interessante, né? Já li alguns HQ e partes de mangás, mas meu cérebro cinquentão é mais acostumado com livros e revistas. Então a leitura é uma novidade para mim.

- Após ouvir uma excelente entrevista de José Genoino (PT), uma aula de Brasil, de história das lutas dos povos, onde ele apresenta seus conhecimentos sobre tudo que tem estudado sobre a questão dos militares no Brasil, fiquei pensando novamente a respeito de nossas chances para derrotar o capitalismo e nossos inimigos. As chances são muito muito pequenas, são remotas. Todo aquele conhecimento que vi no vídeo foi visualizado por 83 pessoas (talvez assistido até o fim por umas dez). Oitenta e três pessoas! Um vídeo de fake news dos propagadores do regime bolsonarista tem milhões de visualizações. Milhões. São ínfimas nossas chances de salvar o mundo e as formas de vida da destruição causada por esses donos do poder.

- No dia que a Cinemateca pegou fogo aqui em São Paulo, fiquei pensando um monte de coisas. Lembrei de tudo que já queimou após a ascensão do regime do mal, da milícia bolsonarista. Os incêndios na Amazônia e no Pantanal são simbólicos. Fogo, fogo, incêndio, incineração. Bolsonaro foi colocado no poder pela elite brasileira criminosa, pela casa-grande, para destruir tudo, para desfazer, queimar tudo: patrimônio público, direitos sociais, a cultura e a história, as vidas do povo miserável. Pensei na história da humanidade. O fogo fez parte da história do homo sapiens. A gente sempre destruiu e queimou tudo. Nossa história é uma história de guerras, de aniquilação dos outros, de aniquilação da cultura e história dos derrotados. O que conhecemos são fragmentos, são versões ou invenções. Narrativas sobre algo se inventam em minutos... a pós-verdade se encarrega do restante. Aquele que detém poder de comunicação, prevalecerá!

- O Genoino visto por 83 pessoas é algo simbólico para se pensar o futuro (me lembrei que Machado de Assis escrevia no século XIX para pouquíssimos alfabetizados no Brasil. E desses, quantos liam Machado? Alguns, provavelmente). Um lixo bolsonarista visto por milhões de pessoas é um fato, é algo real e material. Um vídeo-palestra de mestres de universidades visto por algumas centenas de pessoas ou nem isso é um fato também. O que se desenha para o futuro, para o amanhã? A teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin, explicou como as formas de vida foram se estabelecendo e se perpetuando ao longo do tempo: por seleção natural, indivíduos com características mais vantajosas de sobrevivência nos ambientes tendem a sobreviver e deixar descendentes. O que vai prevalecer deste mundo atual? O quê?

Chega por enquanto.

Sábado de sol. Sábado de pouca umidade no ar. Sábado de pandemia mundial de Covid-19. Sábado com os reservatórios de água secando sem reposição. Provavelmente sábado com poucos leitores de livros e muitos visualizadores de fake news negando a realidade e manipulando milhões de homo sapiens por aí. Sábado de sol e fome, muita fome e miséria de milhões de pessoas sem nada. Vai dar praia mesmo assim...

William

Post Scriptum: apesar de tudo isso que disse acima, como foi importante Machado de Assis ter escrito, publicado e terem preservado tudo que ele produziu para nós, humanidade! Mas sua obra foi preservada em papel (que resistiu aos fogos e incêndios). A gente pega na mão, não precisa de energia elétrica ou bateria, nem de um aparelho para ler. Se estivesse em material virtual será que teria chegado até nós o que ele criou? Se estivermos por semanas num apagão, ou no meio de uma guerra civil, será que teremos as ferramentas necessárias para acessar os materiais que só estejam no mundo virtual? Quem guarda o mundo virtual? Quem garante a manutenção de uma página de um site ou do YouTube? Ninguém! É impossível garantir isso porque são empresas privadas. Não somos nada para enfrentar as big techs! Nada!


sábado, 26 de maio de 2018

Não se deve condenar um inocente




Assisti novamente ao filme "12 homens e uma sentença", na versão de 1957 com Henry Fonda. Tenho me manifestado pouco publicamente, em face dos acontecimentos em que temos vivido nestes tempos difíceis. Mas quis dizer aos amigos leitores do blog que este filme é necessário nos tempos que correm.

Assisti ao filme em prantos. Na minha opinião, o filme "12 angry men" é um dos filmes mais indicados do mundo para levar cada telespectador à reflexão sobre justiça, igualdade de condições, sobre intolerância, sobre preconceitos e pré-julgamentos, sobre questionamentos às conclusões fáceis, sobre a responsabilidade de se condenar indevidamente uma pessoa, um ser humano.

O respeito aos direitos de uma pessoa, em qualquer condição que ela se encontre, seja ela do topo da pirâmide social, seja ela da base da pirâmide, tenha ela as opiniões que tiver sobre diversos temas, situe-se ela onde achar melhor no espectro político, enfim, cada um de nós é um ser humano, é uma história de vida, é uma possibilidade de presente e futuro.

Um garoto está no banco dos réus, acusado de ter assassinado o pai. Após os seis dias de julgamento no júri popular, doze homens devem se reunir numa sala e decidir se ele é culpado ou inocente. Como se trata da vida do rapaz, que pode ser absolvido ou condenado à cadeira elétrica, o juiz avisa que a decisão deve ser unânime, e que ele deve ser inocentado se houver dúvida razoável, e condenado se todos tiverem certeza de sua culpa.

Senti a necessidade de rever esse filme ao acordar neste sábado. Julgamentos e acusações, e condenações, viraram a tônica dos momentos que vivemos no Brasil. Pesos e medidas diferentes para casos semelhantes em avaliação também marcam os duros tempos. E isso está ocorrendo nos espaços públicos e privados, os tempos são de julgamentos, de condenações, de caça às bruxas, de destruição de reputações. De arbítrios.

Nós não podemos esmorecer, desanimar com toda essa crise ética e de valores que ronda nossos espaços sociais. Temos que acreditar no ser humano, na força da verdade, e lutar para que prevaleça o respeito e a justiça para todas as pessoas, todas. Se uma sociedade não acreditar mais na justiça e na solução pacífica das controvérsias, ela toda, a sociedade, irá ruir para o caos e todos perderão, independente do locus onde estejam.

Eu estou me esforçando para acreditar que é possível encontrar justiça nos homens e nas coisas dos homens. Fica difícil viver em sociedade se não acreditarmos na justiça, nas pessoas que decidem sobre a vida dos outros o tempo todo.

William (cidadão, bancário)

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Post Scriptum (9/06/19):

Quando revi este clássico que aborda a questão mais importante da justiça, que deve ser nunca condenar uma pessoa e tirar dela a liberdade se não houver a certeza da culpa, eu estava movido por forte emoção. 

Lula havia sido preso sem nunca cometer crime algum, em processos inventados pelos inimigos políticos por ele ser quem era. E o pior é que esse homem inocente segue preso até hoje. Dilma havia sido afastada e roubaram-lhe o mandato de presidenta do país, dado a ela por 54,5 milhões de brasileir@s em um processo vil, inventado e encaminhado por uma camarilha de corruptos que assumiram o poder e destruíram o país. Eu estava passando por um processo absurdo de assédio moral onde atuava em um mandato eletivo em nome dos trabalhadores, baseado em um processo vil montado contra mim, também inventado e sem provas materiais e sem que eu tivesse descumprido qualquer norma da entidade (processo movido por causa de uma carta anônima muito suspeita).

Neste domingo, dia 9 de junho de 2019, praticamente um ano depois desta postagem, o site The Intercept divulgou denúncias materiais sobre a condenação sem provas do presidente Lula, condenação e prisão a partir de um conluio do próprio juiz responsável pelo caso e os procuradores do ministério público, caso que nem era para ser em Curitiba, mas o conluio tinha o objetivo de impedir Lula e o PT de chegar ao poder após ser retirado por golpe ilegítimo contra a presidenta Dilma.

Será que agora o povo acorda? Será que as instituições honestas que embarcaram nessa manipulação para fraudar as eleições gerais no Brasil em 2018 vão se reposicionar e ficar ao lado da democracia e do povo e da verdade?

Vamos ver.

#LulaLivre
#LulaInocente
#NovasEleições

domingo, 30 de abril de 2017

Leitura: Felicidade fechada (2017) - Miruna Genoino





Refeição Cultural

"Quando você vive uma situação limite, você aprende, a condição humana lhe ensina alguma coisa. Quer dizer... eu gosto muito daquela frase do Victor Serge: 'A servidão é a morte. A luta é o risco de morrer'. O sistema de dominação transforma as pessoas numa servidão, e a cadeia é a expressão cabal dessa servidão"

"O ser humano não pode aceitar as condições de servidão. Ele tem que buscar formas de levantar a cabeça para ser sujeito. A pessoa é sujeito somente quando tem vontade de querer. A gente nasce dizendo não para mãe, nasce reivindicando, e o sistema de dominação molda você ao status quo. Você nunca pode, você tem que aprender a navegar contra a maré, contra a corrente. Não perder a cabeça, não ser destruído"

"A vida só vale a pena se as pessoas assumirem a condição de sujeito. A política tem muito a ver com isso, a realização da liberdade humana no sentido da ação, no sentido da prática, de navegar contra a maré, no sentido de não aceitar"

(José Genoino, no "Posfácio" do livro "Felicidade fechada", de Miruna Genoino)


Fiquei pensando neste domingo à tarde a melhor maneira de fazer um comentário a respeito do livro "Felicidade fechada" (2017), que acabei de ler e cuja leitura me deixou emocionado, revoltado e ao mesmo tempo motivado para continuar minha luta e meu trabalho de representação política como um gestor eleito por associados de uma entidade de saúde dos trabalhadores do Banco do Brasil.

Por um lado, temos a explicação de porque o livro tem esse nome: " 'Felicidade fechada' foi o título criado por minha filha Paula quando contei a ela e a seu irmão Luís Miguel que estava escrevendo um livro sobre o avô deles. Quando perguntei o motivo deste título, ela falou: 'Porque o Vôvi é a nossa felicidade, e ele ficou lá preso, fechado, então a nossa felicidade estava fechada. Ainda bem que ele saiu' ".

Por outro lado, eu diria que o título "Felicidade fechada" se encaixa como uma luva ao cenário político e social brasileiro posterior ao Golpe de Estado perpetrado com sucesso em 2016, golpe perseguido e arquitetado por mais de uma década pelos empresários donos dos meios de comunicação (4º poder) liderados pelos Irmãos Marinho. Essas famílias bilionárias e donas de propriedades cruzadas de todos os meios comerciais de comunicação são as verdadeiras donas do Brasil, atuando sempre em conjunto com os demais empresários reunidos na Fiesp e na Febraban. Soma-se a elas, os latifundiários e herdeiros de terras seculares, esse 1% dono de tudo por aqui e que não admite melhoria para o povo brasileiro. Na minha opinião, a Casa Grande.

A Felicidade está fechada para nós povo brasileiro neste momento em que leio e escrevo. Mas nós podemos mudar esse cenário, essa condição, e lutar por mudanças em busca da Liberdade, da Democracia e da Felicidade coletiva.

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"Muitas vezes, o poder não tem rosto, o poder é congelado, o poder é frio. Agora, as pessoas têm rosto, o olhar, a sensibilidade. Tem rejeição, afeto, desejo e você aprende tudo isso nas situações limite, em que o ser humano é testado. Assim, restabeleci uma relação com a minha família sem negar a política. A política é a minha razão de ser. A minha vida só tem sentido porque luto por uma causa. O dia que não lutar por uma causa, a vida fica sem sentido" (José Genoino)
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Eu fiquei refletindo sobre esse pensamento de Genoino e naquele da terceira citação que coloquei no início, sobre nadar contra a maré, de não aceitar o que nos impõem. Só vale a pena viver se você tiver uma causa pela qual lutar. 

Eu hoje tenho a Cassi como uma causa, e não aceitar internamente o que o patrão nos impôs quando cheguei em 2014 - que achei um abuso! -, impor para os associados o ônus de um déficit histórico com responsabilidades e causas dele também, patrão Banco do Brasil, foi exercer minha militância e meu compromisso com aqueles que represento, os associados. O mesmo se deu quando eu disse aos líderes do Banco não concordar com o Fundo que o patrão queria impor aos associados da Cassi ficando ele livre de sua responsabilidade com os aposentados. E o patrão até hoje não me perdoa por isso.


COMENTÁRIO FINAL

Já li alguns relatos, memórias ou diários em forma de livros. O relato e desabafo de Miruna Genoino é comovente, humano e sobretudo nos lembra o tempo inteiro sobre sentimentos e valores um pouco fora de uso e costume: o amor, a solidariedade, o humanismo, o bem comum.

O livro nos conta a dramática história da condenação de José Genoino na Ação Penal 470, um homem honesto que dedicou décadas de vida à defesa da democracia e do povo brasileiro, perseguido e acusado antes de tudo pelos empresários da mídia comercial monopolizada, que executou um verdadeiro linchamento público a ele e ao PT exigindo do poder judiciário condenações a qualquer custo a dirigentes e membros dos governos Lula e Dilma.

Os meios de comunicação - Rede Globo e outros canais abertos, Folha, Estadão e Editora Abril -, que lideraram por mais de uma década um massacre ininterrupto aos governos do Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, bem como a todas as organizações sociais dos trabalhadores como sindicatos, partidos de esquerda, entidades estudantis, movimentos sem terra e sem teto, dentre outras, estes meios de comunicação são os mesmos que articularam o Golpe de Estado perpetrado em 2016, que possibilitou em praticamente um ano a destruição de todos os direitos sociais, políticos e civis do povo brasileiro. 

Estes magnatas da comunicação, ao perceberem a incapacidade a partir de 2003 dos partidos de oposição aos governos do PT em formular políticas que dessem alguma perspectiva de volta por eleições democráticas do campo das elites ao poder, se constituíram como força partidária (Partido da Imprensa Golpista - PIG) para tirar do poder o Partido dos Trabalhadores.

Enfim, estimados leitores amig@s, eu recomendo a leitura deste livro porque ele é revelador sobre a condição humana e sobre a força do amor e da luta contra as injustiças.

William


Post Scriptum: triste pela morte no dia de hoje do cantor e compositor Belchior. Triste também pelo grau de violência por parte das forças policiais contra os milhões de brasileiros que foram às ruas na última sexta-feira 28/4 naquela que foi uma das maiores greves gerais da história do Brasil. Cidadãos foram gravemente feridos por violência policial gratuita. 

sábado, 29 de abril de 2017

Diário e reflexões - 290417



Um anoitecer em Brasília, capital do Brasil.

Refeição Cultural

"No centro das considerações morais da conduta humana está o eu; no centro das considerações políticas da conduta está o mundo. Se despirmos os imperativos morais de suas conotações e origens religiosas, resta-nos a proposição socrática - é melhor sofrer o mal que fazer o mal - e sua estranha fundamentação: pois é melhor estar em desavença com o mundo inteiro do que, sendo um só, estar em desavença comigo mesmo" (Hannah Arendt, em citação do livro "Felicidade fechada", de Miruna Genoino)

Neste sábado, feriado prolongado de 1º de maio, me dispus a ler com disciplina espartana. Li cem páginas do livro "Felicidade fechada" (2017), de Miruna Genoino. Quero acabar a leitura de mais um livro no mês de abril, que termina amanhã, domingo. 

Desde o ano de 2016, decidi exigir de mim mesmo a leitura como prática de reflexão, formação intelectual, uma porta de escape para o martírio do excesso de trabalho e de lutas políticas, e pela prática e busca da liberdade. Será a 22ª obra finalizada neste ano de 2017, após ler 18 obras ano passado. Outra prática militante foi escrever. Nunca escrevi tanto. Foram 181 postagens neste Blog em 2016 e mais 161 postagens no Blog Categoria Bancária ano passado. Sigo escrevendo como nunca!

O relato emocionante, angustiante e revoltante sobre a condenação injusta na Ação Penal 470 de José Genoino, uma das maiores lideranças políticas da esquerda brasileira, e o martírio vivido por toda sua família, através das palavras e cartas de sua filha Miruna Genoino, nos deixa ao mesmo tempo indignados, cheios de raiva, bem como nos dá força e ânimo para seguir lutando, de onde estamos e do jeito que estamos, contra todas as formas de injustiça. E isso basta para não desistir nunca de lutar por um mundo justo e melhor para todos e não para uma casta.

Esses dias, ouvi um depoimento de um jovem youtuber que admiro onde ele dizia não querer ter filhos e uma das justificativas que fazia era sobre sua leitura do quanto os valores do mundo se deterioraram na atualidade. Eu fiquei pensando nisso. Estão em baixa valores importantes como solidariedade, humanismo, coletividade, amor; em alta o eu-mesmo, a ganância, a traição, o dar-se bem sobre os outros, não importando com o sofrimento alheio.

Ao conhecer os detalhes do sofrimento e humilhação impostos por alguns homens de poder e principalmente por uma mídia canalha e golpista a um homem honesto que dedicou décadas de sua vida ao bem coletivo do povo brasileiro, eu me senti na obrigação de considerar pequenos os meus sofrimentos, que vivo muitas vezes na solidão (até do não poder falar dos bastidores) de minhas lutas internas pelo que defendo na Cassi.

É isso. Um militante das causas sociais deve fazer o que tem que ser feito.

William

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Correndo... e enquanto isso, procurando caminhos


São Silvestre 2009.
Muita coisa acontecendo no mundo. Muita coisa acontecendo no meu país. Muita coisa acontecendo nas nossas vidas... e cada vida é uma vida, e é importante viver e estar vivo. E esse é um mundo grande, e caótico, e bárbaro! E as vidas nele são puras oportunidades a cada instante...

Eu gosto de caminhadas e corridas. É algo que proporciona um diálogo consigo próprio (monólogo interior, só que além de filosófico, de caráter físico). O esforço de superação em qualquer estágio de condição física rumo a um novo estágio de condicionamento vale a pena. Todo mundo deveria experimentar.

Bom, nesta semana que passou, tive um período considerado ideal de treinamento de corrida e condicionamento físico. Consegui emplacar uma sequência de atividades. É evidente que estou longe de atingir uma condição razoável para percorrer os 15 km da São Silvestre no último dia do ano, mas sempre acreditamos em achar uma energia extra quando se trata de alcançar objetivos pessoais em corridas.

Neste domingo, apesar da correria que foi para viajar a trabalho na parte da tarde, consegui correr em 36' um percurso de cerca de 5,5 km com trechos longos de subida.

Na sexta do feriado, também corri 5 km em pista de 500 m em 32'23". Foi uma corrida gostosa.

Na terça, já havia conseguido tempo para correr 3 km no parque pela manhã, antes de sair para o trabalho.

No domingo passado, tive aquele dia especial em que corri junto com meu filho a prova de 7 km da AABB SP. Fiz o percurso em 44'.

Ainda consegui caminhar mais duas vezes na semana.

Ou seja, foi uma semana boa pra mim em termos de buscar um pouco de saúde e condicionamento físico. Preciso fazer isso mais vezes porque ninguém fará isso por mim.


NO HAY CAMINO... PERO, EL CAMINO SE HACE ANDANDO

Estou em Nazaré Paulista (SP) para uma semana de curso de formação da Contraf-CUT.

Quando paro pra pensar o que anda acontecendo na política com a prisão política e linchamento público de líderes do PT na farsa chamada "Mensalão" me dá uma revolta muito grande.

Quando paro pra pensar e lembro que o Governo do PT não fez nada nada nada nada em uma década para regular os meios de comunicação monopolizados no Brasil desde séculos e vendo o quanto poder algumas famílias de capitalistas têm para nos foder... me dá uma revolta muito grande.

Estou fazendo a minha parte como aquela historinha do beija flor apagando incêndio na floresta... mas estou com uma revolta muito grande...

Daria pra se fazer muito mais se o Governo do PT não fosse FROUXO, se o movimento sindical não estivesse sempre dividido, disputando poder e máquina sindical... daria pra se fazer muito mais!

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Post Scriptum:

Dias depois (23/11/13) ao postar uma matéria da Carta Maior no Facebook, ainda sobre a questão das injustiças praticadas contra petistas pelo poder judiciário, comentei o seguinte:

"O SILÊNCIO DE LULA E DILMA NO CASO GENOÍNO... TEXTO MAGNÍFICO QUE VERBALIZA NOVAMENTE O QUE ESTOU SENTINDO... NOJO DAS CÚPULAS "LIMPINHAS" QUE DEIXAM À PRÓPRIA SORTE O COMPANHEIRO GENOÍNO... todo instante que me lembro desse caso, dá vontade de não participar de mais nada da militância formal e orgânica..."

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Artigo de Izaías Almada: A síndrome Safatle/Dutra (II)


Apresentação do blog:

Novo texto do escritor Izaías Almada com relação à hipocrisia de alguns intelectuais do campo da esquerda e o jornalismo conhecido como Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.). Muito bom! (os sublinhados são feitos pelo blog)

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Com a contextualização em relação ao título desses meus artigos feita no primeiro deles atempadamente pela amiga Conceição Lemes – do Vi o Mundo - volto ao assunto sobre as opiniões do professor Vladimir Safatle e do ex-governador gaúcho Olívio Dutra.

Por Izaías Almada, em Carta Maior


“Ao afirmar que os condenados do mensalão não seriam desligados do partido, ao aceitar organizar uma contribuição para manter tais condenados a pagarem as multas aplicadas pelo STF e, agora, ao achar normal que alguém condenado em última instância assuma uma vaga no Congresso, o PT age como um avestruz que coloca a cabeça na terra e erra de maneira imperdoável.”


Vladimir Safatle em artigo na Folha de São Paulo.


“... todos os que o conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida quanto à sua integridade de caráter e quanto à limpidez de sua trajetória de vida. Entre eles estou eu, admirador que sempre o considerou um militante exemplo pela sua dignidade, a coragem e a lucidez...”


Prof. Antonio Candido, em carta ao deputado José Genoíno.


Com a contextualização em relação ao título desses meus artigos feita no primeiro deles atempadamente pela amiga Conceição Lemes – do VIOMUNDO - volto ao assunto sobre as opiniões do professor Vladimir Safatle e do ex-governador gaúcho Olívio Dutra. Vamos em frente.

Em 1997 tive o privilégio de coordenar, junto com os jornalistas Granville Ponce e Alípio Freire, o livro de memórias de prisioneiros políticos TIRADENTES: UM PRESÍDIO DA DITADURA. Privilégio acrescido com a honra de ter como apresentador da obra o professor Antonio Candido de Mello e Souza, um de nossos mais brilhantes intelectuais. No seu prefácio, o professor Antonio Candido destaca o seguinte trecho dos organizadores à página 16, referindo-se aos memorialistas: “Ninguém é vítima ao aderir a uma causa (a opção pela luta armada) de livre e espontânea vontade, mesmo considerando a possibilidade de uma ou de outra falha no recrutamento de um militante. É curioso notar, inclusive, que de todos os textos que recebemos, não há nenhum em que o autor faça qualquer alusão a uma eventual condição de vítima daquele processo de luta política. E só não comete erros quem não ousa”.

De certa maneira, a autocrítica daquele processo de ousada luta política foi feita por muitos que após e experiência da luta armada se incorporaram à criação do Partido dos Trabalhadores, que teve o professor Antonio Candido como um de seus fundadores. Autocrítica que pressupunha a crença em valores democráticos ainda por conquistar. Entre eles estavam José Genoino e José Dirceu

Vencida a ditadura em alguns dos seus aspectos mais sensíveis e visíveis, como a liberdade de reunião e a volta dos sindicatos, das organizações estudantis, o fim da censura a imprensa, o retorno do ‘habeas corpus’, o direito de ir e vir, o cessar das mortes e desaparecimentos de opositores ao regime, parte representativa da esquerda e não só, organizou e fundou o PT. E partidos políticos, ao que se sabe, se organizam para chegar ao poder político, como é óbvio, e se possível chegar ao mais alto cargo governamental republicano, o que foi conseguido em 2002 com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Refém de uma economia de mercado atrelada aos interesses rentistas e corporativos, nacionais e internacionais, bem como de um quadro político partidário anômalo, fisiológico e bastante conservador, o PT – como qualquer outro partido de esquerda progressista e democrático – apesar das seguidas vitórias eleitorais viu-se jogado às feras numa arena onde a plateia dividia-se entre a esperança e o medo. Diariamente, desde então, jornais, rádios, televisões, revistas semanais vêm tentando colocar o PT, seus militantes e seus eleitores no “seu devido lugar”. A casa-grande mostrava e continua a mostrar as garras através dos seus porta-vozes.

Visto pelas lentes da dialética pode-se dizer que para os seus eleitores, o PT trouxe a esperança; para os adversários, em particular os mais conservadores, o medo, o receio. Quem não se lembra da campanha contra Lula em 1989? Do ponto de vista interno, entretanto, há o natural medo de não se corresponder à imensa responsabilidade de governar o país consoante as expectativas criadas e, na contramão desse medo, a esperança dos adversários pelo fracasso nesse sentido. E governar não é ir para um baile de debutantes ou praticar boas ações para ganhar o reino dos céus. Essa, quando muito, será a visão edulcorada de um medievalismo tardio, de uma cultura acadêmica afrancesada, de tempos inquisitoriais ou de exacerbado e ingênuo recato quase religioso diante do poder econômico dominante.

Passados pouco mais de 40 anos, nos quais muito se fez para o estabelecimento de um pensamento único no mundo, após a queda do socialismo real na Europa, proclamando-se para isso até o fim da História, os vários discursos neoliberais vão tendo vencidas as suas datas de garantia de uso, a última delas em 2008, já com algumas trombetas de alarme soando na Europa, nos EUA e no Japão para dias futuros. 

Também após esses 40 anos é possível encontrar a sensibilidade e a solidariedade, entre centenas de milhares de brasileiros, de um professor Antonio Candido, por exemplo, que atento ao que se passa à sua volta, escreve a carta que escreveu ao deputado José Genoíno Neto, de cabeça erguida, ao contrário de outros que abandonaram, senão a luta, os caminhos escolhidos pelo PT.

Também durantes esses 40 anos, novas gerações de brasileiros se formaram e se prepararam para as mais diversas atividades no campo do saber e do fazer. E cada geração, mesmo bebendo nos clássicos a sua formação e especialização, e amparada pelo conhecimento já comprovado e contínuo pelas ciências exatas ou humanas, sabemos que será sempre influenciada pelo confronto das ideias no seu dia a dia, por novas descobertas e avanços da humanidade. Ou por teorias ainda carentes de comprovação, quando não estas são lançadas apenas como estratégia de espalhar a dúvida e a confusão. Nesse confronto, nessa batalha de ideias, será preciso algum discernimento e, se necessário, saber remar contra a maré, quando for o caso. 

Para os mais novos haverá sempre a tentação de reinventar a roda ao assumir a realidade do dia a dia como sendo a expressão de toda e qualquer realidade. Pedir a um partido que faça autocrítica das suas ações no atual contexto da política brasileira é direito que assiste a qualquer cidadão. Até porque, as condenações de uma ação penal ainda não concluída, é bom lembrar, não o foram em “última instância”, mas em ÚNICA INSTÂNCIA. Contudo, é preciso distinguir, no caso do PT, se tal avaliação provém de uma reflexão histórica consistente de quem vive o jogo político por dentro ou é fruto de um desejo subjetivo de escaramuças intelectuais obtidas em salas acadêmicas e redações midiáticas. Ou como diria o grande filósofo Millôr Fernandes: “Certas coisas só são amargas, se a gente as engole”.

Voltarei ao tema.


Escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, Editora Boitempo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Artigo de Izaías Almada: A síndrome Safatle/Dutra (I)


Apresentação do blog

Segue artigo muito bom do escritor Izaías Almada, publicado no site Carta Maior.

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Imoral não é a posse do deputado José Genoino, como querem alguns, inclusive em nichos de esquerda. Imoral é atacar a democracia pelas costas, desrespeitar a Constituição e vender o Brasil por trinta dinheiros, tentando se criar um clima de violência e insegurança.

Por Izaías Almada, em Carta Maior


O Deputado José Genoino ao declarar em Brasília na última semana, um dia antes da sua posse legal e garantida pela Constituição, que o atual jornalismo brasileiro se transformou em nova forma de tortura dos cidadãos, escancarou para o País a sua divergência com o governo quanto à necessidade de uma reforma da Lei de Meios no Brasil. Não que o tenha feito com essa intenção, o que posso garantir por conhecer o deputado, mas foi o desabafo de um brasileiro que se sente perseguido e injustiçado pela forma com a qual a imprensa e o judiciário trataram a questão do “mensalão” (que ainda não se provou, é bom que se diga) e que mostra claramente a diferença entre os que lutam toda a vida, como dizia Bertolt Brecht, e os que lutam por pouco tempo, em particular aqueles que se deixam levar pelo canto da sereia do poder.

O episódio é emblemático para a agenda política de 2013, ano em que o xadrez eleitoral mexerá suas peças com muito cuidado por parte do governo e – para não fugir ao figurino – incivilizadamente por parte da oposição. A atitude da presidente Dilma, adiando a discussão sobre a Lei de Meios, poderá sair cara ao governo, pois evidencia uma estratégia, se é que se pode chamar assim, no mínimo incoerente para um governo que fala e age democraticamente, promove distribuição de riqueza, é verdade, mas que a distribui desproporcionalmente, considerando-se o número de contemplados, quando despeja milhões e milhões de reais a mais para o maior inimigo da democracia brasileira no momento, a imprensa venal e o oligopólio de seis famílias em que se sustenta.

A tese do “controle remoto”, tão ao gosto da presidente Dilma Rousseff, é uma falácia que depõe contra a sua sensibilidade e inteligência. Uma metáfora recorrente e de gosto e constatação duvidosas, que se contrapõe a realidade, pois poderemos mudar de canal, emissora de rádio ou jornal e a má qualidade do que se vê e lê, bem como a manipulação da informação, será sempre a mesma. E nessa manipulação no terreno da política, nos últimos dez anos, a vítima tem sido invariavelmente o governo, em particular o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Para não voltar muito no tempo, basta que olhemos as recentes e indefectíveis retrospectivas das revistas semanais, dos jornalões e dos canais de televisão do ano que findou e lá estará estampada entre outras e sem o menor pudor esta pérola: o ano em que se começou a combater a corrupção no Brasil. Dá para levar a sério? A quem querem enganar? Quem começou combater a corrupção, o STF? De qual corrupção está se falando? A do Banestado… lembram-se? A da lista de Furnas, onde até o assassinato de uma modelo tenta-se encobrir? Da Privataria tucana? Da CPMI Veja/Cachoeira, que não ouviu a bandidagem? E as concorrências para obras do metrô na cidade de São Paulo, a Alston e a corrupção investigadas na Europa? O Rouboanel e inúmeros outros casos de corrupção comprovada contra o patrimônio público em vários estados da federação que sequer são lembrados pela mídia, envolvendo o DEM, o PSDB, o PPS etc?… A propósito, aguardo com ansiedade o novo livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Chega a ser indecente, para dizer-se o menos, essa tentativa de parte da oposição brasileira em querer tapar o sol com a peneira, esquecendo-se da corrupção em que está atolada até o pescoço e que já ultrapassou há tempos qualquer limite de irresponsabilidade, e querer imputá-la aos seus principais adversários. Tudo sob o exercício do jornalismo irresponsável e de mão única, selvagem e mentiroso, esse que a presidente procura defender sob argumentos pouco sólidos.

E assim entramos em 2013. Dúvidas, esperanças, temores. Cada ano novo se inicia da mesma maneira para qualquer um de nós. Aos mais velhos resta a amargura de ver que pouca coisa muda no terreno das esperanças, que aumentam as dúvidas e – dependendo do otimismo ou do pessimismo de cada um – revigoram-se os temores.

O mundo continua a digerir a crise econômica iniciada em 2008, com o governo de muitos dos principais países ricos ainda às escuras e às apalpadelas, buscando apagar o incêndio, mas sem saber se não sobram brasas adormecidas que o possam reacender sob pequenos ventos a surgir não se sabe bem de onde. A propósito, recomendo a leitura de artigo do economista Paul Krugman e se encontra traduzido no portal Carta Maior.

O estrago causado pelo neoliberalismo econômico com as suas teses de estado mínimo e mercado máximo, os prejuízos causados a milhões de trabalhadores na Europa, nos EUA, parte da Ásia e África, o salve-se quem puder geral, mesmo com o surpreendente desempenho da América Latina nesse novo cenário nos últimos anos, configuram o traçado de uma nova geopolítica de atenção, com viés de sinal amarelo, deixando a humanidade em suspense e ansiosa para o que poderá acontecer nesse 2013 que se inicia.

O estado de saúde de dois grandes líderes, Nelson Mandela e Hugo Chávez, não trazem bons augúrios, bem como a possibilidade de nova intifada na Palestina. Por aqui, teremos que aguentar a direita relinchar pelas páginas dos jornais, câmeras de televisão e microfones de rádios, destilando o seu veneno de falsa democracia e exercendo (ou impondo) o seu direito de crítica sem resposta, num dignificante exemplo de como entende e pratica a democracia.

Imoral não é a posse do deputado José Genoino, como querem alguns, inclusive em nichos de esquerda. Imoral é atacar a democracia pelas costas, desrespeitar a Constituição e vender o Brasil por trinta dinheiros, tentando se criar um clima de violência e insegurança. Exigir a autocrítica e a renúncia de homens como Genoino e Dirceu pode, a princípio, parecer um ato de sabedoria política, mas no fundo implica em aceitar a condenação imposta por um julgamento de exceção, por um tribunal de atitudes parafascistas. E com o fascismo, todo cuidado é pouco! Venha ele de onde vier…


Escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, Editora Boitempo.