Mostrando postagens com marcador Tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tempo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ressonância magnética - Pensei nos clássicos da literatura dentro daquela máquina



Refeição Cultural

Instantes intermináveis no buraco da máquina de ressonância magnética


Estive por quase duas horas enfiado naquela máquina assustadora de ressonância magnética para verificar como andam as coisas dentro do corpo deste animal mamífero bípede com telencéfalo altamente desenvolvido e com polegar opositor, um animal humano, como nos descreveu tão bem Jorge Furtado no clássico "Ilha das Flores" (1989).

Primeiro, entrei com a cabeça para dentro da máquina estreita. Depois, entrei com os pés. Em cada sessão, foram cerca de quarenta minutos dentro daquele tubo com sons horríveis, altos, e sem poder me mexer. Fiquei imaginando o quanto pessoas com problemas de claustrofobia sofrem para fazer ressonância magnética. Me disseram que a pessoa toma um remedinho para apagar.

O jeito foi pensar em algo que vale a pena: a literatura. 

Brinquei com o truque de memorização que aprendi muito tempo atrás e fiz uma lista com vinte clássicos da literatura universal que li e que me marcaram para sempre. 

1. O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

2. A montanha mágica - Thomas Mann

3. Ulisses - James Joyce

4. Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

5. Os irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévisk

6. Vidas secas - Graciliano Ramos

7. Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade

8. Hamlet - William Shakespeare

9. Era dos extremos - Eric Hobsbawm

10. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway

12. A viagem do elefante - José Saramago

13. Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

14. Decamerão - Giovanni Boccaccio

15. Razão e sensibilidade - Jane Austen

16. La Celestina - Fernando de Rojas

17. Libertinagem - Manuel Bandeira

18. O vermelho e o negro - Stendhal

19. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

20. Adeus às armas - Ernest Hemingway

-

Ao final das sessões de ressonância, tomamos um café e fomos embora. 

Horas depois fiz o teste mental para saber se havia memorizado a lista com os vinte clássicos da literatura. 

Sim, inclusive em qualquer ordem, do primeiro para o último livro, o inverso, e perguntando aleatoriamente, o quinto, o décimo terceiro etc.

A mente humana é incrível! O mamífero bípede com polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido tem liberdade para fazer o mundo um lugar bem melhor do que vemos na realidade...

Não tenho o direito de desistir da vida, da sociedade humana e do planeta Terra. Podemos mudar a realidade. Podemos. 

William 

08/06/26

sábado, 23 de maio de 2026

Livro: A era da empatia - Frans de Waal



Refeição Cultural

LITERATURA CIENTÍFICA 


"Se eu fosse Deus, me esforçaria para que os humanos alcançassem a empatia." (p. 288)


O biólogo primatólogo Frans de Waal nos apresentou no livro "A era da empatia", lançado em 2009, reflexões a partir de estudos feitos por ele e suas equipes ao longo de décadas. Ao retomar a leitura, soube que ele faleceu em 2024, acometido por um câncer de estômago. 

Quando vi o livro em 2010, me interessei na hora pelo tema da empatia. Eu era dirigente sindical de uma grande categoria e me esforçava com sinceridade para me colocar no lugar dos outros no diálogo e representação política de milhares de pessoas. 

Do lançamento do livro sobre a empatia aos dias de hoje, a sociedade humana mudou substancialmente em curtíssimo espaço de tempo. O autor disse que se fosse Deus, faria um esforço para que os humanos alcançassem a empatia. Vieram as big techs, os algoritmos e as redes antissociais, e o ódio ao outro, ao diferente, é na atualidade o sentimento que mais engaja pessoas no mundo.

"(...) Hoje, com tantos grupos diferentes se acotovelando num planeta abarrotado, o maior problema é o excesso de lealdade dos indivíduos em relação a seu país, grupo ou religião. Os humanos são capazes de desprezar profundamente todo aquele que pareça diferente ou que pense de outra forma, mesmo quando se trata de grupos vizinhos e com DNA quase idênticos, como é o caso dos israelenses e dos palestinos. As nações julgam-se superiores aos países vizinhos e as religiões acreditam ser donas da verdade." (p. 288/289)

Frans de Waal disse isso em 2009...

---

SOMOS NATUREZA, PARTE DA NATUREZA, NÃO SOMOS ALHEIOS A ELA

"(...) Afinal, a psicologia deriva seu nome de Psiquê, a deusa grega da alma. Essas raízes religiosas refletem-se na resistência inabalável à segunda mensagem da teoria da evolução. A primeira é a de que todas as plantas e animais, incluindo a espécie humana, são produto de um único processo. Essa ideia é amplamente aceita hoje em dia, inclusive fora da biologia. Mas a segunda afirma que há uma continuidade entre a nossa espécie e todas as outras formas de vida, não somente do ponto de vista corporal, mas também do ponto de vista mental. Isso permanece difícil de engolir..." (p. 292/293)

Quando se trata de refletir sobre nossa natureza violenta, ao matar, estuprar, fazer guerras, parte da sociedade atribui isso ao DNA, à nossa genética. 

"(...) É somente com relação às características consideradas nobres que a continuidade é colocada em dúvida, e a empatia é um bom exemplo disso." (p. 293)

---

O LADO SOMBRIO 

Frans de Waal, no último capítulo, nos apresenta outras possibilidades oriundas da capacidade da espécie humana de se colocar no lugar dos outros e de outras espécies. 

Durante a leitura do livro, o leitor vai compreendendo que a empatia ocorre sob determinadas condições. Identificação é uma das condições. 

"(...) A empatia precisa tanto de um filtro que nos faça selecionar as situações às quais reagimos quanto de um dispositivo que permita ligá-la ou desligá-la. Como toda reação emocional, a empatia tem um 'portal', uma situação que tipicamente a desencadeia ou na qual permitimos que ela se manifeste. O principal portal da empatia é a identificação." (p. 301)

O autor explica que para aquelas pessoas com as quais nos identificamos, o 'portal' está sempre aberto. Fora desse círculo, a empatia é opcional. 

"(...) Por outro lado, há ocasiões em que o portal é fechado deliberadamente, como, por exemplo, quando suprimimos a nossa identificação com as pessoas que fazem parte de um grupo inimigo declarado." (p. 302)

Entra em ação o processo de desumanização, recurso historicamente empregado para justificar atrocidades cometidas contra grupos diferentes, nos explica o biólogo. 

---

EM BUSCA DA EMPATIA

Entre a aquisição do livro de Frans de Waal e o término da leitura foram dezesseis anos. Nesse período, eu vi muita coisa acontecer no Brasil e no mundo. Vi as vidas seguirem e vi muitas vidas serem interrompidas.

Após a aquisição do livro sobre empatia, um comportamento humano desejado por mim na relação entre as pessoas, vi as "primaveras fabricadas" derrubarem governos mundo afora. Vi homens por trás de big techs inventarem formas de engajar pessoas pelo ódio, pelo oposto da empatia.

Vi as manifestações de junho de 2013 iniciarem uma longa noite de terror no Brasil; o golpe contra Dilma; a prisão injusta de Lula; a armação que colocou Bolsonaro no poder. Vi a pandemia mundial de Covid-19 matar milhões de pessoas, principalmente nos países com governos negacionistas, Trump e Bolsonaro à frente. A guerra na Ucrânia; o genocídio do povo palestino... 

Busquei exercer a empatia nos mandatos que tive à frente de movimentos e instituições importantes. Na formação sindical e política; na coordenação nacional das negociações do Banco do Brasil; na gestão de saúde da maior autogestão do país. Na relação com as pessoas próximas. Não é fácil ser empático sempre. Frans de Waal nos explica isso.

Saí do banco. Saí do movimento político. Rompi muitas relações antigas. O Brasil estava afundado no mal durante um governo fascista. Como precisávamos de empatia...

Li dezenas e dezenas de livros nos últimos anos. Compreendi muita coisa e encontrei muitas respostas para questionamentos que fiz por décadas de vida.

Sigo desejando empatia. Um mundo com a prevalência da empatia entre as pessoas. Tenho muito mais noções hoje que antes.

Sigamos lendo, escrevendo, refletindo, buscando mudar a realidade e tentando ser mais empáticos nas relações com as pessoas e com os seres vivos no mundo.

(Vivi uma espécie de catarse ao escrever essa refeição cultural sobre o livro "A era da empatia" ao som de "Animal Instinct", do Cranberries. O videoclipe me faz viajar com aquela mãe e as crianças. O vídeo tem tudo a ver com empatia. Aliás, Dolores O'Riordan faleceu em 15/01/18, em Londres)

William


Bibliografia:

WAAL, Frans de. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. Com desenhos do autor. Tradução: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Brasil, 29 de abril de 2026.


"Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração." 

(Poema de sete faces, CDA)


O mês de abril vai terminando com um clima instável... com um ar de incerteza ao redor dos seres viventes desse nosso mundo mundo vasto mundo. O sol apareceu, mas de repente a luz deu lugar às nuvens, e as sombras dominaram o período. O que vem por aí? O que nos reserva o amanhã?

Estamos sob ares imprevisíveis... não temos controle de quase nada. O clima clima pode nos surpreender de um instante para o outro, um fenômeno da natureza pode mudar a vida de muita gente, de muitas espécies, a nossa vida. Se morre numa enxurrada parado no trânsito de São Paulo.

O clima político está desenhado para aqueles poucos que sabem ler mais que palavras, que leem nas entrelinhas, que leem nas coisas ao redor, e que sabem ler história. A história não se repete, mas serve de referência, e com a referência e o contexto do momento, se pode prever o que vem por aí. Talvez evitar o pior...

---

O escriba deste blog antigo quer e não quer escrever, quer e não quer falar, quer e não quer se envolver com as coisas do mundo, afinal ele é uma coisa do mundo, uma vida vivida em meio ao mundo mundo vasto mundo, e mesmo não se chamando Raimundo, vaga por aí, e sem rima alguma.

Já fiz alguma coisa na vida. Tive carências, tristezas, muita raiva, ódio mesmo, mas também amei, superei coisas impeditivas do querer viver. Já tive minhas fases (minhas sete faces?), já poetei sobre elas, já digeri sobre a infância, a adolescência, a vida adulta jovem, a vida madura no melhor da produção intelectual, e já encontrei as respostas a questões existenciais que havia formulado nessas fases da vida vivida e percorrida. Encontrei as respostas! 

Na fase do momento - a pessoa de agora, que pisa num outro rio sendo outra pessoa - fiquei procurando o que fazer ou o que não fazer, no que dar sentido ou a compreensão plena de que não há sentidos, e que sem haver sentidos, nós esses bichos exóticos do mundo mundo vasto mundo, que até rimamos mundo com Raimundo... enfim, talvez o sentido seja escolher o que fazer e não fazer para dar um certo sentido no próprio existir.

O que vou fazer ou tentar fazer nos próximos dias e semanas e meses do viver estando por aqui no mundo mundo vasto mundo? Não se recupera ou se volta no tempo. Não se volta a ser o que um dia se foi. Acho difícil fazer o que queria fazer, não fiz, e talvez pudesse fazer agora. Não dá! É outro rio, outra pessoa.

A passagem do tempo, essa percepção que o bicho humano tem, é inescapável. O que quis ou não, o que vivi ou não, de certa forma, não existe... existe em mim, que posso não existir num instante... não existe a não ser que se registre para além de minhas células e átomos. E olhe lá! (uma bomba ou um cancelamento apaga tudo!)

Eu existo? Existi? Os fatos, e atos, e acontecimentos, e as coisas feitas, e sentimentos nos quais me envolvi, vivi, construí, senti, existem? Vão existir amanhã? Não há controle de nada. Não há.


"Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi nas mesas dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam."

(Também já fui brasileiro, CDA)


Já refleti sobre fazer volume por aí. Já guiei forde e já ponteei viola... aprendi nas mesas dos bares da vida. Não sei se ainda quero essas coisas depois que os bares se fecharam pra mim.


"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual."

(Elegia 1938, CDA)


Como diz o poeta, é um mundo caduco. Quiçá eu seja um caduco num mundo caduco.

Por mais que eu pratique laboriosamente os gestos universais, minhas formas e ações não encerram nenhum exemplo... (isso diz tudo para mim na atualidade!)

É nesse momento que estou neste dia de derrotas para o governo Lula, de livros descartados no lixo em Osasco, de bombas apagando gente e história por aí, de big techs manipulando meus pares ao meu redor...

Não sei se quero ou faz diferença ir a lugar nenhum, fazer volume em algum lugar.

Will i am (mas...)

29/04/26

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Diário e reflexões - O tempo que resta



Refeição Cultural

Praia Grande, 26 de janeiro de 2026. Segunda-feira. 


A areia com sujeira deixada por humanos sem educação e sem consciência ambiental é a mesma, estejamos em Praia Grande ou Porto de Galinhas. A diferença são os poluidores: nas praias do Nordeste, os porcalhões falam esquisito e ficam da cor dos camarões: são os gringos. 

A cor do mar até pode ser diferente: em um local a água é marrom; noutro, é verde-esmeralda. Num, não se vê mais peixinhos n'água; noutro, peixinhos, corais e bioma estão morrendo, pisoteados e cozidos. A igualdade é questão de tempo.

Passar uns dias na Colônia dos Professores na Praia Grande é muito mais que cor de areia, de mar e de humanos que emporcalham as praias. É um tempo e espaço de reflexão e busca de rumos. Sentidos!

Enquanto vinha ao calçadão para ver o mar, o movimento e me despedir, refletia sobre o caminhar, o enxergar, o ter condições psicológicas de refletir. Sinceramente, não sei se num futuro próximo terei condições para essas ações triviais do ser humano. 

O que fazer do meu tempo ao subir a serra e retornar a Osasco? 

Não tenho conseguido ler por prazer, único sentido da leitura no meu caso neste momento. Não tá legal minha leitura. Pra ler assim, é melhor não ler.

Talvez devesse estabelecer uma rotina disciplinada de sistematização de meus textos dos blogs três ou quatro vezes por semana, por algumas horas, para aliviar minha consciência e poder fazer outras coisas. 

Enquanto não cumprir esse objetivo, não terei cabeça pra outras coisas. 

Entendi que tenho que escrever sobre a Cassi. Até para isso, preciso definir a questão da sistematização dos blogs. Porém, boa parte do conteúdo sobre a Cassi está nos blogs, então, daria pra conciliar essas ações. 

A percepção do tempo mudou para mim. Tenho pouco tempo agora. Não é mais a percepção de antes. A natureza se impõe. Sou natureza. 

Tenho pouco tempo agora. 

Vamos embora. De volta a Osasco. Tchau, Praia Grande. 

William

10h27

domingo, 25 de janeiro de 2026

O sentido da vida (19)



Compreender melhor o povo muda alguma coisa?


Envelhecer pode significar o ganho de experiência e sabedoria. Ou não. 

Pode ser que se tenha mais referências para nortear os passos a seguir.

Ao participar de rodas de conversas, sejam elas com conhecidos ou estranhos, percebia-se na prática as teorias do sociólogo Jessé Souza, em sua interpretação do povo brasileiro. 

Os brasileiros são aquilo que Jessé Souza explica em seus livros e palestras, um saber acumulado após décadas de estudos.

Um povo que foi aculturado para ser racista, um tipo de preconceito naturalizado por séculos, a partir da casa-grande. Racismo cultural. 

As diversas formas de preconceito e discriminação são ferramentas ideológicas para encobrir os privilégios dos donos do poder. 

Ele entendia isso claramente naquele momento de sua existência. 

A questão para ele era saber o que fazer com essa compreensão melhor sobre seu mundo e seu povo. 

Compreender como opera o sistema de aculturamento em seu mundo não significa capacidade de alterar aquela situação. 

Como mudar a realidade e salvar a humanidade e a vida no planeta Terra?

---

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O sentido da vida (18)



Tem que haver sentido? A pergunta sempre volta


Ao se frustrar por não chegar na parte que queria da leitura de Os miseráveis, fechou o livro. O sono constante atrapalha muito qualquer projeto de leitura. 

Falou através de ligação por vídeo com seus pais. Essa oportunidade de contato com eles pode não se repetir mais. A vida é um instante. Se os jovens, se os fortes, se os abastados morrem, que dirá o restante dos mortais.

Os dias passam e nada de efetivo acontece naquilo que gostaria que mudasse. Tudo está mudando rápido, mas nada muda no que gostaria que mudasse. 

É pouco provável que vá ler obras que gostaria. Nem saberia dizer se tem sentido o esforço para ler algumas delas. Que coisa mais sem sentido pensar assim...

E o esforço de sistematizar milhares de textos escritos? A razão lhe diz que isso tem sentido. Na prática, não tem. Escrever e registrar algo do que sabe, então, piorou. Quem quer saber disso?

No fundo, nas horas de maior angústia, o que vem à memória e mostra algum sentido real na existência, o que ficou mesmo, foram cheiros, toques, sensações, arrepios, olhares, horizontes. 

Estar diante das Cataratas do Iguaçu em algum momento da existência não tem sentido algum. Mas dá todo sentido à vida. Assim como amar, realizar sonhos, ser feliz.

---

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Instantes (13h13)



Refeição Cultural

A saída pela manhã tinha duas prioridades: meu trote de 2K em percurso com subida e adquirir o remédio para pressão arterial na Farmácia Popular, direito à saúde existente em governos de esquerda como no de Lula e quase extinto nos governos de direita como nos de Bolsonaro, Tarcísio et caterva.

Na farmácia, iria adquirir um medicamento receitado para lavar meus olhos por causa de irritações nas glândulas lacrimais. Ao ouvir o valor do remédio, fiquei estupefato... 185 reais! Francamente... lavo os olhos com sabonete neutro. Sou um privilegiado por ter o recurso para adquirir essa mercadoria, mas o preço disso é um assalto! Vai pro inferno esse capitalismo e essa porra de indústria da "saúde".


Ao voltar para casa, refletia sobre como é bom ainda caminhar e enxergar, o instante é único e não sei do amanhã (a natureza me mudou). Ao namorar as árvores floridas, me emocionei com o ipê branco que resiste fragilmente aos homens do capitalismo. Seu instante é tão único como o meu. Não sabemos do amanhã. 

Não pude resistir àquela potência da natureza. Atravessei a rua, fui ao encontro do ipê. Toquei em seu tronco, agradeci sua existência, sua resistência. Falei com ele. Que ser espetacular aquele ipê branco no meio da barbárie capitalista dos animais humanos!

Me despedi do ipê. Voltei para o concreto de minha moradia. Pensei até em fazer algo único para aproveitar meus olhos, minha existência frágil e instantânea.


A natureza para quem a vê e a percebe nos dá uma humildade incrível ao nos lembrar da finitude de tudo. A florada de um ipê branco tem a duração de horas, horas de uma beleza deslumbrante. Depois são galhos secos e a normalidade do viver cotidiano.

A vida também é assim, pouco mais, pouco menos de existência. Algumas estações do ano não são quase nada para um animal humano se comparadas ao tempo de um outro elemento da natureza, que pode durar centenas ou milhares de anos.

O instante...

William 

05/09/25

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 31 de julho de 2025. Quinta-feira.


JULHO

Mais um mês do viver. Mais um registro dos acontecimentos e impressões pessoais daquele que vive e observa. E os registros acabam sendo importantes para o próprio escritor do blog. Com o avançar da existência, vai se percebendo os efeitos da natureza e do percurso percorrido. A memória agradece os registros feitos: são auxílios para o amanhã. Todos os dias recebo sinais do cansaço de meu corpo. Minha consciência enfrenta isso com atitude.

Neste mês li alguns livros e terminei leituras iniciadas antes. Vi filmes interessantes. Estou vendo anime novo com meu filho. Fomos para a colônia dos professores na Praia Grande. Me arrisquei a dar uns trotinhos curtos de 1 a 3 Km; fiz musculação. Estudei coisas novas. Me esforcei para trabalhar nos textos e cadernos dos blogs. Tentei ser uma pessoa decente e fazer algo que contribuísse para a coletividade, mesmo sendo pouca coisa. Fui em algumas convocações de eventos políticos. Finalizei de vez o livro de memórias.

Refleti. Filosofei. Quanto mais observo a minha realidade, o meu espaço de vivência, o mundo ao meu redor, mais consciência tenho sobre as coisas, sobre os motivos das coisas serem como são. 

Os sábios dizem que as pessoas têm que saber identificar as coisas que podem ser mudadas das coisas que não podem ser mudadas, e que temos que ter atitudes adequadas para cada uma delas. Por mais que eu sofra com algumas coisas, eu não tenho como ajudar pessoas que não queiram ajuda. Por mais que eu sofra com algumas situações colocadas, o contexto ao qual estou inserido não me permite alterá-las, por uma questão de medir os impactos que mudanças não combinadas podem trazer.

Viver é uma oportunidade. Só passei a compreender isso depois da metade de minha existência até aqui. Tive oportunidades que abracei e mudaram minha vida por mudar minha forma de ver a vida. E a vida de qualquer ser vivo é um instante. Só existe para mim esse instante. Tenho consciência disso. Cada pessoa tem sua leitura do mundo e da vida. Compreendo muita coisa hoje. Tenho escrito sobre sentidos da vida, e sei que a vida não tem sentido, o sentido é uma construção de cada ser vivente. Minha vida teve sentidos vários conforme o período vivido.

Tenho consciência de que o passado é passado. Tenho que viver o instante que estou vivo. E buscar sentidos para este instante, este. É uma busca foda, por mais que eu seja um homem de sorte e um privilegiado se pensar a minha classe e a minha origem. Não tenho fome, tenho um teto, tenho saúde, tenho acesso aos direitos básicos dos seres humanos que porcentagem grande da humanidade não tem. Às vezes, sinto vergonha por isso.

Enfim, feito o registro para provável consulta minha no amanhã sobre o sujeito que era neste dia do mundo.

Will i am (ainda tenho desejos)

22h07, 12º de frio

domingo, 6 de julho de 2025

Instantes (17h27)



Refeição Cultural

Hoje exerci parcialmente meu direito de votar no Partido dos Trabalhadores. Porém, a burocracia partidária tirou das eleições meus candidatos: Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz. Democracia incompleta quando impedem as pessoas de votarem e serem votadas.

Soube que fizeram isso também com a companheira Dandara, deputada federal de Uberlândia, cidade onde cresci. Todos perdem com isso, o partido e a democracia. 

Terminei a leitura do livro do neurocientista e professor Miguel Nicolelis - Nada mais será como antes (2024). Ficção científica com base nas tendências distópicas e disruptivas da realidade atual. O ser humano e a sociedade humana como existem hoje podem estar com os dias contados.

O tempo e a natureza seguem seu ritmo tic-tac, tic-tac, tic-tac. A morte de nós todos seres vivos está à espreita. Num instante estamos aqui vivos, no outro, não mais. 


Estou sentado vendo o pôr do sol numa tarde fria em Osasco. Acabei de fazer uma hora de musculação. Meu corpo cansou da jornada de dez anos a mil. Cansou. Minha razão está firme por consciência. Enquanto puder, farei minha parte para viver. Ainda tenho responsabilidades com pessoas queridas. 


Seguimos estudando, registrando, sendo útil de alguma forma e buscando aproveitar as oportunidades de estar vivo.

William 

06/07/25


Post Scriptum: hoje votei também no plebiscito popular dos movimentos sociais pelo fim da escala 6x1 e por isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Instantes (15h53)



Refeição Cultural


"E é difícil amar

Há tanto para odiar

Apoiando-se numa esperança

Quando não há esperança para se falar a respeito

E os céus feridos entre nós

Dizem: Já é muito, muito tarde

Bem, talvez todos nós devêssemos estar rezando por tempo..." 

(Praying for Time, George Michael, letras.mus.br)


Com tanto para odiar, é difícil amar... George Michael descreveu nesta música de 1990 o tempo presente!

Somos prisioneiros do ódio, como nos explicou Riobaldo Tatarana, personagem do livro "Grande Sertão: Veredas" (1956), de Guimarães Rosa. 

Como nos libertarmos do ódio e restabelecermos o amor? Se trata de salvar o mundo e todas as formas de vida.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac... o tempo corre contra nós que estamos perdendo tempo com coisas supérfluas. Depois não adiantará rezar por mais tempo.

William

03/07/25

Black Mirror T1 - Questões para refletir



Refeição Cultural

T1.E1. Hino Nacional ("The National Anthem") - Dirigido por Otto Bathurst e escrito por Charlie Brooker. Exibido em 04/12/11.

Sinopse da Netflix: O primeiro-ministro Michael Callow enfrenta um chocante dilema quando a amada princesa Susannah é raptada.

Comentário:

As questões colocadas em evidência no episódio de lançamento da série Black Mirror são impactantes, não tem como não ficar pensando a respeito dos dilemas apresentados aos telespectadores. 

O episódio foi exibido há 14 anos e antecipou bastante o mundo das representações que só fez aumentar a cada ano. 

O que somos neste momento da sociedade humana? Somos de fato aquilo que conseguimos representar ao público de nossas bolhas virtuais? Eu existo caso não seja validado pelos outros?

---


T1.E2. Quinze milhões de méritos ("Fifteen Million Merit") - Dirigido por Euros Lyn e escrito por Charlie Brooker e Kanak Huq. Exibido em 11/12/11.

Sinopse da Netflix: Após fracassar em um concurso como cantora, uma mulher tem que escolher entre praticar atos humilhantes ou voltar a viver praticamente como escrava.

Comentário: 

O episódio apresenta pessoas numa condição quase de escravidão. Todos os dias, cada pessoa precisa ficar o dia todo pedalando em bicicletas fixas, tipo ergométricas, para ganharem créditos (méritos) como nos jogos eletrônicos do tipo fliperama ou videogame. Quanto mais pedalam e fazem o que as máquinas pedem e pontuam por aquilo, mais acumulam "méritos" para adquirir de tudo, pois os "méritos" são o dinheiro daquele mundo. 

Mesmo quando não estão pedalando, os cubículos onde descansam e dormem são câmaras de paredes-televisores para se seguir pontuando ou gastando os méritos. 

É possível sair desse mundo e ser alguém mais que o avatar digital? Dá para se libertar e viver num mundo real? 

O final da trama é a única saída?

---


T1.E3. Toda a sua história ("The Entire History of You") - Dirigido por Brian Welsh e escrito por Jesse Armstrong. Exibido em 18/12/11.

Sinopse da Netflix: No futuro, todos têm acesso a um implante de memória que grava tudo que os seres humanos fazem, veem e ouvem.

Comentário:

Difícil decidir qual episódio é mais provocador e causador de reflexões a respeito de nossas vidas e das tendências que podem vigorar na sociedade humana. 

Esse com a gravação digital de tudo que vivemos é chocante!

O que nos torna únicos no mundo? Nossa individualidade, história, desejos, nossos pensamentos e realizações. Nossos segredos!

De certa forma, o que o episódio lançou como ideia de memória individual gravada em ferramentas que outros podem ver já é realidade: as plataformas digitais. 

Boa parte da humanidade tem contas em plataformas digitais e nelas estão todos os nossos dados, até aquilo que esquecemos que fizemos, dissemos e vimos de forma compartilhada.

A realidade é pior do que a ideia do episódio. Um canalha qualquer está olhando a minha vida ou a sua atrás da tela da plataforma na qual temos perfis e contas.

---

Há saídas para as situações apresentadas?

Uma linha unifica os três episódios de estreia de Black Mirror (2011): os dilemas enfrentados pelos personagens nos são apresentados como problemas sem saída, ou pior ainda, com uma saída: a não saída do sistema que os aprisiona.

Essa é a questão que me chamou a atenção. 

Há saídas para nós em relação à tendência de fim de mundo com a destruição causada pelo capitalismo, de fim da natureza por causa da emergência climática, de fim da sociabilidade humana por causa da ideologia do "todos contra todos"?

Como ser humano consciente, entendo que há saídas porque somos seres históricos e fazemos a nossa história humana tomando decisões diariamente. Podemos mudar o rumo das coisas que nós mesmos fizemos.

A hegemonia do capitalismo neoliberal, o individualismo estúpido de nossa sociedade humana e a forma destruidora da natureza na atual relação entre humanos e planeta Terra podem mudar, pois somos dotados de inteligência, ainda.

Mas... sempre tem um senão, temos que ter objetivos claros, estratégias, táticas, e unidade daqueles e daquelas que querem mudar a tendência de fim do mundo.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O relógio do fim do mundo segue correndo...

Uma das soluções passa pela educação. Paulo Freire nos ensina: só se educa gente!

William 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de junho de 2025. Segunda-feira.


JUNHO

Desci para colocar o lixo nas lixeiras do condomínio. Hoje é dia de recolhimento pela limpeza urbana. As sacolas de lixo tiveram que ser colocadas na calçadinha da lixeira porque alguns moradores colocaram lixo atrás da porta impedindo a abertura dela, mesmo a lixeira estando mais da metade vazia. Para não ter o trabalho de colocar no fundo da lixeira, os primeiros que chegam põem os sacos próximos à porta e inviabilizam que outras pessoas coloquem o lixo na lixeira.

Um dos elevadores do bloco estava parado no 10º andar. As molas da porta estão com problema e toda vez que alguém desce naquele andar, o elevador fica inutilizado, pois ele não vai atender mais a chamado algum porque a porta não fecha direito e o bloco fica com um elevador a menos. Tem dia que eu vou 3 ou 4 vezes no andar para liberar o elevador para que outras pessoas o utilizem.

O referido andar com problema na mola da porta do elevador tem moradores nos quatro apartamentos, mas nenhum deles se dispõe a apertar o botão do térreo e segurar a porta para que o elevador não fique parado no andar. A pessoa já chegou em sua casa mesmo, então dane-se os outros 71 apartamentos que podem precisar do elevador funcionando.

Os seres humanos deste momento da história da sociedade humana estão assim. Chegamos até aqui na história de nossa espécie por sermos de alguma forma sociáveis e colaborativos, um ser humano não é nada sozinho, não consegue sequer se reproduzir e cuidar de um filhote até a independência dele sem a cooperação de outros de sua espécie. Mas o sistema político hegemônico está nos fazendo essa coisa que viramos.

---

Tic-tac, tic-tac, tic-tac, o tempo segue acelerado para nós que temos a percepção da passagem do tempo, uma abstração da nossa espécie animal, o homo sapiens.

Acabou-se o mês de junho, acabou-se o primeiro semestre do ano. Estamos em mais um inverno no Hemisfério Sul.

Tudo está mudando como sempre foi na natureza. Estamos todos mudando o tempo todo. Estamos sendo mudados também por meio de ferramentas inventadas por nós mesmos. Observem ao seu redor. As pessoas que você achava que conhecia não são mais as mesmas. Estamos sendo modificados.

Tenho a impressão que estaremos cada vez mais sozinhos, mesmo em meio à multidão... alone in the crowd...

Para estar por aqui, tenho que fazer meu corpo seguir funcionando. Eu me esforço pra isso porque viver é uma oportunidade diária de novas descobertas. 

Ainda estou por aqui.

William

23h59

sábado, 31 de maio de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 31 de maio de 2025. Sábado.


O MUNDO E A VIDA PODEM SER MELHORES

E mais um mês do ano vai terminando. O tempo segue avançando nos relógios do mundo humano. Marcação de tempo é uma invenção do animal homo sapiens. O restante dos elementos da natureza só estão por aí, estão, são, se transformam ou são transformados em outros elementos. No fundo, nós humanos também só estamos, somos, estamos por aí, por aqui.

Faleceram neste mês alguns seres humanos que eu os tinha como pessoas que contribuíram positivamente para a comunidade humana; morreram, não estão mais entre nós. 

Pepe Mujica estará por muito tempo nos corações das pessoas progressistas; esperemos que suas palavras e seu exemplo inspirem as pessoas que caminham pela Terra. Marcos Martins, nosso companheiro de Osasco, me inspirou a ser um bom sindicalista; ele fez o bem para muita gente em nossa cidade e Estado. O professor Evanildo Bechara foi um progressista no trato da Língua Portuguesa na questão da inclusão dos diversos falares de nosso povo. Sempre teve o meu respeito. Uma referência também. Sebastião Salgado foi e será por muito tempo um ser humano que inspira e exemplifica o quanto podemos ser melhores para o mundo.

O tempo segue na nossa vida de animais humanos que marcam o tempo... tic tac tic tac.

O mundo poderia e pode ser muito melhor para o conjunto da população e para a biodiversidade da Terra. Nós temos uma capacidade inacreditável de criar soluções para as coisas, os homo sapiens são seres vivos de grandes possibilidades. A questão que acompanha a nossa caminhada pelo planeta é: por que o mal está sempre prevalecendo na sociedade humana se somos seres dotados de inteligência? Como mudar isso?

Educar massivamente a população com princípios éticos e solidários é uma forma de melhorar a sociedade humana. Educação, cultura, ciência com ética, conhecimento voltado ao bem coletivo... elementos característicos das possibilidades da natureza do animal humano. Podemos mudar o mundo verdadeiramente se reunirmos as condições adequadas para tal mudança. Uma coisa é fato: nossa espécie desenvolveu tecnologia para fazer a vida no planeta Terra ser melhor para nós e para a biodiversidade. Desenvolvemos, sim.

Com atitude e estratégia adequadas, nós as pessoas de boa vontade pelo bem comum, podemos mudar a tendência atual do fim das condições de vida na Terra.

Eu sei que neste momento, neste exato momento, fim do dia 31 do mês de maio do ano de 2025 no Brasil e no mundo, as coisas estão ruins para o bem da humanidade e da biodiversidade. Eu sei. Genocídio do povo palestino e aumento dos miseráveis e gente sem-chão - expulsos pelos poderosos -, extrema-direita avançando, o capitalismo acelerando o lucro fácil e encurtando o amanhã de todos, as pessoas de boa vontade dispersas em pequenas bolhas e desunidas. Eu sei.

Eu não acreditei ser possível mudar o mundo e as pessoas até bem perto dos trinta anos de existência pela Terra. Nem viver eu queria, mesmo tendo importância para as pessoas de nosso meio social. Ao sobreviver às primeiras décadas, o caminhar encontrou veredas que me mudaram como pessoa, e nessas veredas acessei tudo aquilo que muda pessoas e o mundo: educação, cultura, ciência com ética, grupos éticos e solidários. Mudei porque os humanos podem mudar. Somos seres inteligentes.

Enfim, aos 56 anos de idade, estando ainda por aqui, sabendo que passaram pela Terra pessoas como Machado de Assis, lá no passado da escravidão no Brasil, vendo tanta gente boa nos locais mais simplórios do mundo, na região mesmo onde vivo, não tenho o direito de achar que o mundo não tem mais jeito, mesmo estando num cenário muito adverso para o bem comum. Meu percurso pela Terra exige de mim acreditar na vida e na inteligência humana.

Vem aí o mês de junho no meu mundo e no mundo todo. Vamos nos esforçar por viver decentemente, sem fazer mal a ninguém, e fazendo ações que possam de alguma forma melhorar a vida humana. Compartilhar pensamentos como esse é minha singela forma de defender que acreditemos que é possível fazer o mundo melhor. 

Não represento ninguém, já representei e tentei representar decentemente. Mas, no fundo, sou um exemplo de uma pessoa que foi modificada pelas oportunidades da educação, da cultura, da ciência, do acolhimento e da solidariedade das pessoas.

William


 
Com Pirulla, em 19/9/22.

Post Scriptum: estou na torcida pela recuperação do Pirulla, figura do bem, dessas que citei acima, que sofreu um AVC nessa semana. O pessoal mais próximo a ele pede apoio, pois ele cuida de seus pais idosos e não há previsão sobre sua condição de voltar ao trabalho de divulgação científica. 

PS 2: Torço pelas pessoas que conheço que estão na luta por suas condições de saúde e vida. São pessoas boas e que sempre praticaram o bem comum.


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 9 de maio de 2025. Sexta-feira.


O tempo para os seres vivos segue correndo. A cada segundo, o tempo de vida de qualquer organismo vivo diminui. É a natureza, é o ciclo da vida.

Essa questão temporal independe do fato de um ser vivo ter acabado de chegar à sua forma de vida ou não. Uma tartaruguinha, um bebê humano, um burrinho pedrês, um velho felino sem chão, uma pessoa com décadas de vida. O tempo está correndo para todos eles. E está diminuindo. Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Acordei me lembrando dessa questão temporal. E me quedei cismando com as ideias em minha mente. Faz um tempo que percebi a urgência do tempo para mim. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. 

Que tenho que fazer para esses dias? A declaração do imposto de renda. Uns exames médicos de rotina, preventivos, que o relapso não os fez no tempo ideal.

Eu tenho que resolver a questão de incluir ou não imagens para finalizar a edição impressa de minhas memórias da vida sindical, as "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT". Para impressão, as imagens precisam de boa resolução e aí complica. Preciso finalizar esse trabalho realizado. O livro não será vendido. Vou presentear pessoas com aquelas histórias. 

E o tempo segue acelerado. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. Não é só o meu tempo que está correndo. É o de todos os seres vivos que está diminuindo. 

O que fazer primeiro? O que priorizar neste instante? O imposto, os exames, sei. Esse bendito livro.

Meus textos de vinte anos de blogs... acho que tenho que seguir fuçando nisso. Lendo, diagramando, encadernando. 

Tive um tipo de vida até a confecção desses milhares de textos e outra vida durante aquele período de representação política da classe trabalhadora. Tenho que deixar esses cadernos numa estante, mesmo que seja para alimentar cupins ou o fogo.

Ao reler as postagens, vejo não só a vida do escritor delas, mas do povo brasileiro, do país e do mundo, uma época. 

E tenho que fazer outra coisa também. Os textos do meu pai e da minha mãe precisam ser preservados, organizados, quiçá publicados e encadernados. 

Meus pais têm pouca instrução formal, duas pessoas muito inteligentes! Dois sobreviventes pobres deste país miserável e violento. E meus pais escreveram suas histórias, seus sentimentos, reflexões e orações. Seus amores e pesares. Tenho que preservar essas histórias humanas.

O tempo corre... tic-tac, tic-tac, tic-tac. 

William 


sábado, 3 de maio de 2025

Poema 27: Degenerescência


DEGENERESCÊNCIA


Veias e artérias sob pressão.

Vasos capilares pedem ar e nutrição. 

Da ciência, veio a salvação:

Losartana potássica na mão. 


Na ingestão de proteínas e gorduras,

e no excesso de carboidratos,

a corrida e o esporte de ação

fechavam a equação: vida saudável.


O tempo foi passando no viver,

na intensidade dura do viver.

Noites sem dormir, lutas sem fim.


Sem quadril, correr mais não posso.

Me exercito, então, de outros modos.

Nutro assim meu cérebro: meu Logos.


William 

03/05/25


quarta-feira, 30 de abril de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quarta-feira, 30 de abril de 2025.


ABRIL

O que sei? Por enquanto, sei o que sou, o que fui, e não tenho como saber o que serei, nem se serei alguma coisa. Não poderia dizer que "sei que nada sei", porque eu sei alguma coisa: honestidade intelectual.

Sei, por exemplo, ou tenho forte impressão, por leitura de cenários e por alguma experiência política, que grandes mudanças estão em curso na sociedade humana, grandes mudanças (não são mudanças positivas para as maiorias). 

Sei algo da emergência climática. Sei algo das movimentações da direita fascista. Sei algo do passado, a História, e vejo sinais de grandes tribulações em breve. Sei algo das fragilidades da esquerda para resistir ao que vem por aí.

Me parece que não mudaremos o mundo neoliberal e capitalista por vontade política, não tivemos força de vontade suficiente nem inteligência para isso. As mudanças se darão da forma mais distópica possível: pelas consequências do capitalismo neoliberal. Mundos distópicos são lugares de opressões, falta de liberdades e misérias.

Os recursos naturais do planeta Terra e as melhores possibilidades materiais de existência da vida humana e das demais formas de vida estão se esgotando rapidamente pelo simples desejo de meia dúzia de animais humanos que não merecem esse poder todo de foder o mundo. "Meia dúzia" é forma de expressão: uma ínfima parcela da espécie está fodendo toda a espécie e o ambiente.

Um indivíduo de nossa espécie pode hoje destruir milhões de formas de vidas, ecossistemas inteiros e nada acontece a ele. Outro indivíduo pode dominar sistemas globais de comunicação ou de fornecimento de meios produtivos que fazem milhares de comunidades funcionarem, ou NÃO funcionarem, e milhões de humanos acham isso "normal". Um indivíduo pode inviabilizar milhões... e acham isso normal!

Privatização é isso, por exemplo. E até você que me lê, pode ser que ache isso normal.

---

56 OUTONOS

Meu abril está terminando. Mais um mês de vida. Essa leitura do tempo é uma abstração humana, invenção da nossa espécie. Estou sobrevivendo na superfície deste planeta há 56 outonos.

Este animal que registra palavras nesta página virtual das plataformas digitais de nossos inimigos da humanidade sabe que os milhares de textos que produzi nas duas últimas décadas nessas páginas chamadas de "blogs" não vão durar para sempre aqui. Se um(a) produtor(a) de cultura do passado tivesse guardado sua produção numa "nuvem" como se faz hoje, jamais conheceríamos a produção dessa pessoa.

Meu caso vale para os milhões de textos e produções da criação humana das últimas três décadas: boa parte de todo o conhecimento de nossa espécie produzido dos anos noventa para cá está nas "nuvens" de meia dúzia de capitalistas. E quem está preocupado com isso? Muitas pessoas e instituições que já produziram conteúdo não guardaram sua produção em outras mídias.

Em um eventual mundo distópico, desses que queimam livros como em "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury, os ditadores e seus "bombeiros" não precisarão fazer nada mais que apertar um botão de "delete". Vaporizado!

Primeiro nos tornam usuários e dependentes e depois nos dominam pelo vício e pelo costume, pelas "facilidades", e pela perda da capacidade de viver sem aquela coisa.

Nas próximas etapas de disputas da espécie humana pelo espaço vital - o próprio planeta e seus recursos -, alguns detentores de tudo, absolutamente tudo, irão inviabilizar todas as comunidades-alvo simplesmente através do corte de energia e transmissão de dados. Eu e vocês, reles mortais, ficaremos iguais baratas tontas, sem ter o que fazer... sem energia elétrica, sem as parafernálias funcionarem...

---

SISTEMATIZAÇÃO DE MINHA PRODUÇÃO TEXTUAL

E foi assim que percebi nas reflexões dos últimos tempos que não poderia mais priorizar nenhum de meus desejos pessoais como leitura dos clássicos da literatura mundial ou dos livros que gostaria de ler do que dedicar meu tempo livre possível para tratar dos milhares de textos que produzi e que não estão organizados e sistematizados de forma segura e cronológica como acho digno estarem.

Sigo relendo, diagramando, encadernando e sistematizando o que escrevi durante a fase mais produtiva de minha vida. Já encontrei textos que seguem válidos, já encontrei muita história coletiva, porque somos seres sociais, já refleti muito no presente mediante o que escrevi no passado. O que somos é feito do que fomos, como nos explica o professor Antonio Candido. Sei disso, percebo isso.

Os dois cadernos que finalizei nesta semana, que ilustram essa postagem, são exemplos do que estou dizendo. Um caderno é do primeiro mês do blog, de 2007, e nele Machado de Assis é o centro temático do blog. Outro, os primeiros três meses de 2025: um catatau de 300 páginas, com poesias próprias, com comentários sobre filmes, com reflexões diárias sobre livros, política, o mundo e a vida.

Eu sinto que não tenho um minuto a perder em relação ao trabalho que tenho que fazer com os milhares de textos de minha vida. Meu corpo me avisou que cansou, eu sinto isso ao contatar meu eu interior. Nos textos, estão registrados muitos momentos da minha passagem pelo mundo. Tenho que seguir na tarefa. Se eu completá-la, penso na vida no dia seguinte.

William


sexta-feira, 18 de abril de 2025

Poema 26: Quando o corpo cansa


QUANDO O CORPO CANSA


Toquei em silêncio as árvores

do fundo do condomínio.

Elas não sabem que podem morrer.

Só nós sabemos da morte.


Sem ânimo pra falar de política,

de filmes, de livros, da vida.

Apesar de pertencer às coisas, 

não sinto pertencimento a nada.


Filmes sobre velhice e senilidade.

Os personagens: espelhos de todos nós.

O tempo chegou para meus pais...


Pior que não é só o tempo que chega.

Tem a genética, o percurso, a vida vivida.

Sei disso... Meu corpo cansou também.


William

18/04/25


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Poema 24: Ao modo Mario Quintana


AO MODO MARIO QUINTANA


A vida foi assim:

Quando vi, era criança feliz no Jardim Ivana.

Quando vi, era criança infeliz no Marta Helena.

Quando vi, era ódio e vontade de morrer.

Me vi mudado, organizando o mundo.

Quando fui ver, estava cancelado, por quê, não sei.

Faria diferente se outra oportunidade tivesse?

Não! Fiz o melhor que pude do meu tempo.


William Mendes

15/01/25 (Diálogo com o poema "Seiscentos e sessenta e seis)


terça-feira, 1 de abril de 2025

Instantes de leitura (e da vida)



Refeição Cultural

"Porque pictura est laicorum literatura" (O Nome da Rosa, Umberto Eco, 2003, p. 48)


Eu já havia lido quase duzentas páginas deste clássico de Umberto Eco quando tive a consciência de que estava lendo mal o romance. Parei. 

A lição de Paulo Freire é séria: não importa a quantidade e sim a qualidade da leitura. 

Recomecei a ler e sem pressa O Nome da Rosa (1980). Ler sem me concentrar e viajar na história com Adso de Melk e o Frei Guilherme de Baskerville seria pura perda de tempo, um tempo que não tenho de sobra mais. 

Na passagem que li hoje, a dupla de personagens está admirando o portal da igreja que compõe o conjunto arquitetônico da abadia que visitam. Eles estão hipnotizados com as pinturas desenhadas no portal.

Ler com atenção é a única leitura que dá prazer. Até a citação em latim entendi sem precisar de tradução. A lição é antiga: como o povo era analfabeto, eram as pinturas que contavam as histórias e passagens dos livros sagrados.

Enquanto lia as descrições das figuras que Adso de Melk nos contava, fiquei me lembrando das pinturas e esculturas em relevo que vi em igrejas famosas na Itália e outros lugares. É algo espetacular!

---

"Você não pode embarcar de novo na vida, esta viagem de carro única, quando ela termina" (p. 37/38)

Quanto ao livro de Alberto Manguel, Uma história da leitura (1999), livro que marcou minha história da leitura, o peguei pra ler como um crente com sua Bíblia. 

A mensagem acima parece ter sido escrita para mim...

Não poderia perder um segundo desta viagem única, pois não poderei embarcar nela novamente, como podemos fazer com os livros, como eu fiz com o do Umberto Eco. 

Estou vivendo esta viagem única da mesma forma que estava lendo Umberto Eco meses atrás...

Que foda.

William 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Diário e reflexões - Os cadernos dos blogs



Refeição Cultural

Osasco, 14 de março de 2025. Sexta-feira. 


(Nesta data, dois seres humanos referenciais para nós faleceram: Karl Marx em 1883 e Marielle Franco em 2018. Eles vivem em nós que lutamos pela libertação dos seres humanos da exploração capitalista. Marielle Franco, presente! Karl Marx, presente!)


O QUE FAZER? (não é sobre a revolução... é só sobre mim mesmo)

Em minhas reflexões e digestões culturais nos últimos dias, pensava a respeito de escolhas que tenho que fazer diariamente, nós humanos temos decisões a tomar sobre as veredas que escolhemos o tempo todo. Faço isso ou faço aquilo? Tenho opções sobre o que fazer? Eu tenho opções, sou um homem de sorte. (muitos não têm opções...)

Sempre gostei de estudar, ler, conhecer coisas novas. Por décadas, lamentei em minhas reflexões o fato de não ter tempo adequado para ler e estudar. Trabalhei desde criança, e conciliar a sobrevivência com os estudos formais dificultou a possibilidade da leitura por prazer. Quando conseguia ler, estava sempre cansado.

Foi nos dilemas do percurso de minha vida que comecei e não terminei várias coisas. O desejo me instava a fazer a coisa, a iniciativa. A realidade me obrigava a cair na real e acabava deixando o que iniciava. Tinha iniciativa, mas não era "acabativo".

Adolescente, optei por um curso técnico de eletrônica e não terminei. Meio por acaso, entrei em Ciências Contábeis e concluí o bacharelado. O desejo me fez iniciar a graduação de Educação Física, sempre amei esportes e seria professor. Não pude concluir por falta de condições financeiras. Passei na Fuvest e tentei novamente uma graduação para ser professor. Por virar sindicalista, o curso de Letras ficou em segundo plano e só o concluí muito depois do início.

Assim a vida seguiu entre os vinte e os cinquenta anos. Não fui professor. Fui bancário e sindicalista. 

---

A BUSCA POR SENTIDOS

A vida é uma coisa intrigante. Sim, tão intrigante que os humanos acabam lidando com as cotidianidades inventando diversas explicações para conviver com as situações que o viver vai encontrando diariamente. 

Enquanto a vida só é para as demais espécies viventes no planeta, a espécie homo sapiens sente a necessidade de dar sentido às coisas e pensar sobre a vida. Qualificar a existência.

---

A VIDA É UMA COISA INTRIGANTE

Esta reflexão é para registrar o dilema pessoal do momento. Estudar e aprender coisas novas neste instante mais curto de minha existência ou sistematizar décadas de tudo que produzi de textos, e que estão sempre em risco de se perderem por estarem em máquinas dos inimigos da humanidade: as nuvens das big techs?

E para complicar mais ainda as escolhas: por que me meter em novos estudos se eu passei décadas querendo ler e não conseguia e agora tenho pilhas de livros para ler, ali na estante, ao meu alcance, e eu não li tudo que acumulei já estando há seis anos fora da rotina de vender meu corpo e minhas horas de vida para sobreviver? 

(o ser humano é um bicho complicado!)

Ainda sobre a vida ser uma coisa intrigante. 

Na adolescência, quase poderia ter sido professor de arte marcial, Kung Fu, pois pratiquei o esporte por anos e parei quando fui embora da casa de meus pais aos 17 anos. 

O abandono do Kung Fu foi uma coisa mal resolvida na minha vida. Que foda isso! Voltei ao esporte aos 50 anos de idade e fiz aulas por quase dois anos, evoluindo rápido nas faixas. Veio a pandemia e eu parei. 

Talvez o azar da pandemia tenha sido sorte para mim. O esforço e a carga que fiz pelos exercícios e pelos movimentos de perna foram tão intensos que destruí meu quadril... a vida é uma coisa intrigante! 

Pode ser que o desejo de terminar algo que iniciei na juventude tenha me tirado o sonho de treinar e correr uma maratona... Talvez não possa nem levar uma vida normal em breve... (e correr é/era uma das coisas mais importantes de minha vida!)

---

O QUE EU SEI É... 

Sobre gostar de estudar e ler - e depois peguei gosto em escrever -, acabei sendo um dirigente sindical que se dedicou a ler e estudar pra caralho! 

Durante os 16 anos de exercício de mandatos eletivos estudei tudo que pude sobre o sindicato e a categoria na qual trabalhei, a central sindical e o partido político aos quais dediquei o melhor de minha vida adulta, e depois estudei como um louco a autogestão em saúde à qual me colocaram como candidato para ser gestor e fui eleito.

Como tomei gosto em escrever o que fui aprendendo e refletindo, acabei por criar páginas na internet que chamamos de blogs (diários) e fui escrevendo nos blogs aquilo que conceitualmente é chamado de "WIKIPEDIA".

O que é "WIKIPEDIA"? É o compartilhamento de forma gratuita daquilo que a pessoa sabe. É uma espécie de biblioteca livre. Eu sempre quis ser alguém do mundo do saber e partilhar conhecimento para melhorar as pessoas e o mundo.

Ou seja, seus conhecimentos ou uma coletânea de textos seus partilhando o que você sabe. What I Know Is (WIKI).

Então, passei os últimos vinte anos fazendo isso: compartilhando o que eu sei ou o que li ou o que eu aprendi ou o que eu pensava a respeito de algo.

Acumulei mais de cinco mil textos nos dois blogs que administro há duas décadas. É uma vida escrevendo honestamente o que aprendi na minha jornada de existir. 

E por mais que meus textos já tenham desempenhado um dos objetivos de um texto, ser lido por alguém, e já foram mais de 2,5 milhões de acessos aos textos, eu preciso sistematizar e organizar tudo que escrevi em minha vida. Nem eu me lembro de tudo que escrevi. E tem muita coisa boa quando releio.

Escrevi quando estava no auge de minha capacidade intelectiva e sendo uma liderança nacional de uma importante categoria profissional de trabalhadores. Tanto o blog com a história sindical quanto o blog de cultura contêm textos de alguém politizado e que fala a partir de um lado definido da sociedade humana: um homem de esquerda, humanista e amante da leitura.

---

ESTUDAR FORMALMENTE OU BUSCAR SENTIDOS E CRIAR SENTIDOS EM MINHAS TRILHAS INTELECTIVAS?

Os impulsos de minha natureza curiosa e desejosa de novos conhecimentos arrefeceram com a experiência de vida... arrefeceram um pouco, quero dizer. 

Mesmo neste ponto de minha existência, quando relaxo a vigilância, já me inscrevi em algo para iniciar nova jornada de estudos... imaginem que pensei em fazer Fuvest para voltar à USP e fazer História o ano passado! Vi que isso era um devaneio e me contive. 

Cochilei, e quando vi estava inscrito na Pós ICL... eu gosto de estudar, é verdade! Mas uma pós-graduação é uma coisa puxada, com carga formal de estudos a fazer. Óbvio que isso define o tempo de uma pessoa ao longo de um período. 

O dilema de sempre já me cobra o juízo. O que é prioridade? Minha produção de uma vida ou os novos conhecimentos da Pós? "Deixa de ser mole, William... faz as duas coisas!" Meu corpo cansou sem combinar comigo. 

E minhas pilhas de livros que gostaria de ler? Os clássicos, pelo menos? Os Miseráveis, Guerra e Paz, Doutor Fausto, A Divina Comédia...

---

A URGÊNCIA DA VIDA AGORA

Há poucas semanas, senti uma urgência em trabalhar a sistematização de minha produção cultural. A urgência é uma espécie de percepção da emergência do instante no qual estou vivo e podendo fazer isso. Não sei do amanhã. Do meu amanhã.

Ao reler e sistematizar os 141 textos produzidos no blog A Categoria Bancária entre os anos de 2020 e 2025 (ilustração), eu tenho a exata consciência de que aquele conteúdo não deveria ser desprezado porque ali contém história de nossa classe social, da comunidade de trabalhadores do Banco do Brasil, da militância de esquerda que estuda e pensa o país e o mundo. 

CASSI/BB - Sinceramente, acho pouco provável, de verdade, que alguém já tenha escrito tanto sobre a Cassi como eu nos 80 anos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Difícil. São centenas de textos técnicos e políticos de alguém que tem lado, textos escritos na última década. 

Deixo isso se perder? Por mais que os que estejam no poder momentâneo façam questão de desconsiderar a história da Cassi contida ali? Tenho esse direito? Só sei o que sei sobre a Cassi porque me elegeram para estar lá um dia.

...

É isso. Ainda estou por aqui. Sigo refletindo sobre tudo.

Tenho consciência de que minha coletânea de texto (minha wikipedia) contém uma partezinha da história de nossa classe.

William