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quarta-feira, 10 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 10 de julho de 2024. Noite de quarta-feira.


GANDHI - FIM DE UM IMPÉRIO

Vendo o 8º episódio da série "Grandes dias do século XX", da Coleção História Viva, fiquei pensando o quanto não sabemos nada do mundo, o quanto somos ignorantes a respeito de quase tudo. Não sabemos nada! E, mesmo assim, somos a espécie mais arrogante do planeta (talvez do universo, se houver vida lá fora).

A cada DVD com imagens de época, da primeira metade do século XX, mais admirado fico da qualidade e importância desse material audiovisual que tenho em casa. Se tivéssemos milhares de pessoas interessadas em conhecer a história igual temos milhões de pessoas interessadas em nonadas, poderíamos salvar a humanidade.

Que sei eu dos chineses e dos indianos? Que sabemos nós aqui do Brasil e das Américas sobre os mais de 4 bilhões de seres humanos que vivem na Índia e na China? Não sabemos nada sobre a metade da população mundial que habita esses dois espaços geográficos do nosso único e velho mundo. Não sabemos nada!

E quando vejo um documentário de pouco mais de cinquenta minutos e percebo o quanto sou ignorante sobre a Índia e seu povo, fico imaginando as demais pessoas do meu mundo, o Brasil, o quanto devem saber sobre esse povo e país... Eu não me considero um total ignorante, pois me esforço para ler e estudar história e geografia há décadas e, mesmo assim, vi que não sei nada. 

Imaginem vocês a enorme massa de gente que não sabe, não quer saber e que tem raiva de quem sabe alguma coisa sobre história e ciência... como se percebe na realidade material do mundo atual no qual se chega mais desinformação (fake news) do que informação para as pessoas e um mundo no qual se incentiva a total alienação e onde predomina a cultura da ignorância.

Sei não, acho que estamos lascados...

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Sinopse:

No começo do século XX, a Índia, uma das colônias britânicas mais relevantes para sua majestade, vivia uma fase de crescente insatisfação com a arrogante presença inglesa no país. Em meio a essa efervescência surgiu Mohandas Karamchand Gandhi ou, como seria imortalizado posteriormente, Mahatma Gandhi, um homem franzino que desafiou um império com desobediência civil e não-cooperação pacífica. Foram anos de jejuns, marchas e manifestações desconcertantes. O mundo nunca tinha visto um movimento assim...

O documentário se divide nos seguintes capítulos: "Império Britânico", "Boicote", "Paquistão" e "A independência".

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Gandhi venceu um império, mas
não venceu a violência.

UM PACIFISTA QUE VENCEU UM IMPÉRIO, MAS NÃO VENCEU A GUERRA E A VIOLÊNCIA

Pelo documentário sobre Gandhi, vi uma parte da história do mundo dos últimos séculos para cá. A Índia foi colônia do império britânico por mais de trezentos anos. Estamos falando de séculos de dominação europeia sobre a maior parte do mundo: continentes americano, asiático e africano.

O episódio 8 da Coleção foi um dos mais complicados de se ver até agora porque eu não conhecia muitas das informações histórias que havia ali a respeito da Índia. E olha que eu sempre gostei de história.

Em resumo, temos o seguinte: sua majestade estava levando a vida numa boa, explorando sua maior colônia. Os ingleses levavam as matérias-primas, tipo algodão, e especiarias para a Inglaterra e vendiam para o povo indiano as mercadorias manufaturadas na metrópole e umas 100 vezes mais caras do que a matéria-prima.

A Índia era um mundo milenar e de cultura muito diversa se pensarmos a cultura europeia. Havia cerca de 170 línguas e centenas de dialetos, um sistema com 5 castas e milhares de subcastas e centenas de reinados locais com marajás poderosos em cada um deles e milhões de pessoas miseráveis divididas pelas crenças: uma maioria de religião hindu (uns 80%), uma parte de religião islâmica (uns 15%), e uma parte menor de cristãos e outras matrizes.

BOICOTE - Gandhi liderou duas campanhas importantes pela independência do país. Conduziu seu povo a não comprar as roupas manufaturas na Inglaterra, incentivando o povo a fazer seu próprio tecido, o símbolo dessa luta era a roda de fiar. E fez o mesmo em relação ao sal, ensinando o povo a fabricar seu próprio sal. É famosa a Marcha do Sal.

Gandhi foi preso várias vezes pelo governo inglês, chegando a ficar mais de 6 anos na prisão. E é muito conhecido por fazer greves de fome como forma de protesto e luta.

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INDEPENDÊNCIA DA ÍNDIA E GUERRA CIVIL

Após décadas de lutas pela independência de seu país, Gandhi viu seu povo se matar em uma sangrenta guerra civil opondo hindus e muçulmanos, e o povo indiano se dividiu, ficando os hindus no território indiano e os muçulmanos no Paquistão.

Gandhi foi assassinado em 30 de janeiro de 1948 por um hindu insatisfeito com a política liderada por ele.

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COMENTÁRIO FINAL

As cenas finais do documentário, do povo indiano se matando numa sangrenta guerra civil, por ódio e intolerância entre hindus e muçulmanos me deixou deprimido.

O ontem e o hoje têm a mesma característica do que nós somos, um bando de animais ferozes e nada racionais. O ódio vem prevalecendo há anos, há séculos... há milênios.

Se me perguntarem qual a tendência de prevalência neste momento da história humana, dia 10 de julho de 2024 do século XXI, é evidente que a resposta que gostaria de dar seria de prevalência da paz e da solução pacífica das controvérsias.

Mas não é essa a resposta da leitura a partir da razão. Está prevalecendo a violência, a intolerância e a eliminação da alteridade como solução das controvérsias.

Acho que estamos lascados...

William


sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Leitura: O tigre branco (2008) - Aravind Adiga



Refeição Cultural

Opinião política e crítica literária

Terminei a leitura do 3º livro do ano, um livro de autor indiano. A leitura de O tigre branco, de Aravind Adiga, é a minha primeira obra de literatura indiana. O livro foi presente de um grande amigo, Linares, e iniciei a leitura na hora que ele chegou, li na frente dos livros que estavam na fila pra janeiro.

Para não receber nenhum spoiler, li o livro sem ler sequer as abas da edição, da editora Agir, na tradução de Maria Helena Rouanet, edição de 2015. Li o romance todo recebendo as surpresas conforme o autor as desenvolveu. Após o término, li a aba do livro e continha spoiler nela.

O livro não me surpreendeu em relação ao que imagino ser a Índia. Um país e um povo presos em uma "gaiola de galos", como nos explica Aravind Adiga. A alegoria do autor traz um pouco da alegoria que encontrei na crônica de Rubem Alves, "O nome". Inclusive o texto cita nossa prisão em gaiolas. Um texto profundo e que nos põe a pensar sobre o que somos, o que poderíamos ser e o que esperam que sejamos. Ler texto de Rubem Alves aqui.

A Índia é um país com regime de castas. O pai do personagem principal era condutor de riquixá, de família de doceiros, então a única opção para a vida de Balram Halwai era seguir nesta profissão. Mas Balram se torna motorista de uma família de endinheirados. Qual o preço que o jovem Balram está disposto a pagar para se libertar de sua gaiola, de seu destino traçado e se tornar um vencedor na vida?

Como nos diz Rubem Alves "Ninguém vai imaginar que uma galinha vai cantar como pintassilgo, nem que vai botar ovos azuis, nem que vai fazer ninhos parecidos com os dos beija-flores. Galinha é galinha, para todo o sempre. Está dito no nome.". Essa é a tradição naquele país de certa forma exótico para nós ocidentais e com mais de um bilhão de pessoas.

Um momento marca a vida do personagem ainda criança, em meio a tanta miséria em sua vila: numa visita escolar, alguém importante do governo faz perguntas aos alunos e somente Balram consegue respondê-las. A autoridade diz ser ele como um tigre branco, uma raridade que nasce a cada número de gerações de tigres.

E assim a história se desenvolve. Ao longo do romance, tomamos contato com aquilo que imaginamos ser a realidade cotidiana da classe trabalhadora indiana. É um livro com uma história dura! Fui vendo no romance a vida do povo trabalhador e miserável de nossas colônias aqui das Américas. E ainda tem a questão dos mitos e religiões, a cultura da tradição ideológica de enganar as massas com a religião, ópio do povo, como nos explica Karl Marx.

Uma questão abordada no romance é sobre a Índia ser um dos países com a maior quantidade de empresas no mundo que prestam serviços terceirizados para as grandes empresas capitalistas americanas e de outros gigantes do comércio mundial de mercadorias.

O golpe no Brasil em 2016, promovido pela casa-grande, foi para nos colocar abaixo do que é hoje a Índia para um bilhão de indianos. Descemos fundo na miséria social implementada pelos tucanos e pelos golpistas escolhidos para destruir um século de avanços sociais, Temer e o clã Bolsonaro. 

Talvez nunca tenhamos nos parecido tanto com a Índia do romance de Aravind Adiga. A corrupção é a base dessa sociedade brasileira pós-golpe. A canalhice tomou conta do cotidiano, as mentiras não são mais algo imperdoável, agora mentira e ignorância são estimuladas, o uso das religiões para roubar roubar e roubar o povo e abusar de suas fés e crenças se tornou ferramenta de política de Estado, Estado fascista e corrupto.

Fico vendo absurdos do dia a dia de meu entorno como cidadão brasileiro e me esforço para superar tanta merda sem adoecer, desmandos sem nada que os interrompa e a total destruição das coisas de nosso antigo mundo social até 2016. 

A autogestão em saúde na qual sou associado e dependo da assistência médica faz atos de gestão inacreditáveis e prejudiciais à existência do modelo assistencial de estratégia de saúde da família (ESF) da associação e nada acontece aos gestores. 

Uma chuva forte, comum nesta época do ano, já fez o condomínio onde resido há décadas ficar três dias sem luz, água, elevador. Incrível! Nada acontece com os capitalistas que enchem o bolso com o dinheiro da antiga empresa pública de distribuição de energia, privatizada pelos tucanos. É a Índia que vi no romance, um acerto político aqui, outro ali e tudo segue na normalidade: o caos e cada um por sua conta e risco. 

Imaginem se os governantes de Osasco e São Paulo fossem do PT como a imprensa golpista e canalha se comportaria na cobrança de soluções pelas enchentes e falta de luz por dias...

(que dizer do maior líder político do país, Lula, se juntar a essa gente desgraçada e destrutiva da casa-grande paulista para compor uma chapa eleitoral em 2022... Inacreditável! Lula não é imortal! Lula é homem e os homens são mortais. Francamente! Não dou conta de apoiar uma temeridade dessas)

Enfim, se ao menos tivéssemos milhões de Balrams para fazer o que Balram fez com seu patrão, isso não mudaria a miséria geral da população, mas talvez uma sombra assustasse um pouco esses desgraçados capitalistas e da casa-grande brasileira. Não seria a sombra do comunismo, mas seria a sombra da violência contra os exploradores e bilionários do capitalismo.

Gostaria de ver o povo se rebelando contra essa casa-grande desgraçada.

William

Post Scriptum: será que o Brasil terceirizado e uberizado com um quarto do povo bolsonarista já não é a Índia do romance?


sábado, 19 de janeiro de 2013

Artigo: As aventuras de Pi – 2012 (Life of Pi)


Pôster do filme.


Refeição Cultural

Qual história você prefere?


(Aviso: o texto todo revela partes do filme)


Sinopse (Wikipedia)

Uma família de um dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia, decide se mudar para o Canadá, viajando a bordo de um imenso cargueiro. Quando o navio naufraga, Pi consegue sobreviver em um barco salva-vidas. Perdido em meio ao oceano Pacífico, ele precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. (filme dirigido por Ang Lee, baseado em livro de Yann Martel)


Introdução

A vida de Pi (acho mais apropriado o nome português que o brasileiro) é um filme com belas imagens, belíssimas para ser sincero.

Eu achei o filme cansativo. Acredito que possa ser uma sensação psicológica relacionada ao enredo, haja vista que o telespectador acaba se envolvendo com a história e, francamente, passar quase um ano perdido no meio do oceano cansaria qualquer um.

Feita a observação sobre a beleza e o cansaço, vamos ao meu comentário e à minha resposta sobre qual história eu prefiro como pergunta Pi ao entrevistador ao final do filme.


Busca por respostas no sagrado

Assim como Pi, passei boa parte da minha vida buscando respostas nas religiões e na fé para o sentido da vida humana e das coisas em si.

Minha curiosidade filosófica me fez crescer católico por influência dos pais, depois ir buscar respostas no espiritismo, na umbanda, na gnose e nos livros em geral – na leitura. O garoto Pi conciliou em sua busca o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo. O mundo poderia ter centenas de deuses, poderia ter tido o próprio filho de um único Deus, que poderia inclusive ser chamado de vários nomes como, por exemplo, Alá.

Quando cheguei perto dos trinta anos, eu havia me tornado um ateu e não vi mais sentido algum em respostas esotéricas e metafísicas. Passei a viver em um mundo com visão completamente materialista e baseada nesta única e exclusiva existência minha e de todas as coisas no universo. Claro que eu e tudo permanecemos aqui, vamos e voltamos na forma de átomos.

O entrevistador de Pi lhe diz que o procurou para ouvir sua história e para que Pi o fizesse acreditar em Deus.


As duas histórias a escolher

1- O navio naufraga, sobram em um bote o garoto, o cozinheiro que destratou a família dele por eles serem vegetarianos, a mãe do garoto e o marinheiro asiático bonzinho que comia arroz com molho.

O cozinheiro mata primeiro o marinheiro com a perna ferida, usa ele como isca de peixe e pratica canibalismo. De forma horrenda, mata a mãe do garoto.

O garoto, de forma heroica e com uma fúria animal, consegue matar o cozinheiro. Daí adiante, ele fica por sua conta em alto mar por muitos meses.


2- O navio naufraga, sobram em um bote o garoto, um tigre de bengala, uma hiena, um orangotango e uma zebra.

A hiena mata primeiro a zebra com a perna ferida; depois mata o orangotango com uma mordida fatal no pescoço. O garoto que ia pendurado mais pra fora que pra dentro do bote seria a próxima refeição da hiena. Aparece então o tigre de bengala, escondido no bote e mata a hiena.

A partir daí, garoto e tigre (de nome Richard Parker) passam meses perdidos no mar, duelam entre si na disputa pela sobrevivência, um tentando estabelecer o seu território em relação ao outro. Nos momentos de quase morte, homem e fera se compadecem juntos. O homem passa a alimentar a fera, por entender que dependia dela para sobreviver...


A história que escolhi

Ao final, Pi pergunta ao entrevistador qual história ele escolheria. O filme inteiro mostra a história do tigre de bengala. A outra versão, mais humana e mais sanguinária, foi contada rapidamente após a primeira. O entrevistador escolheu a história do tigre de bengala e Pi lhe mostra que com Deus é a mesma coisa.

Na minha leitura, Pi utiliza a questão da fé e das religiões de forma brilhante para conformar a sua história trágica.

A religião e a fé são criações do homem para dar uma conformação à natureza trágica da vida no mundo. O homem é o único animal que pensa e que sabe sobre a morte, sobre a solidão e sobre a sua fraqueza e insignificância perante o universo e a própria vida no planeta Terra com quase cinco bilhões de anos.

Para sobreviver e estar ali, Pi precisou domar a sua natureza humana animal, matar, comer animais mortos, e fazer tudo que qualquer animal faz instintivamente para sobreviver.

O filme dá várias dicas sobre isso. Vou ficar somente com as metáforas do tigre.

O tigre não é amigo do homem. Ao olhar para o tigre, o garoto só veria um reflexo de si mesmo. Mas não olhe muito e se arrisque tanto porque você pode ver o tigre que existe em você.

O cozinheiro despertou o tigre que existia no garoto. Ele libertou a fera. Na verdade, já na água garoto e tigre são um só. Após matar o cozinheiro, outros desafios viriam. Aquele garoto jamais sobreviveria se não permitisse a sua natureza de tigre. Matar e comer carne era preciso. A cena do peixe morto a pancadas e o choro do garoto é um grande momento. Era preciso alimentar o seu tigre para sobreviver. Depois foi preciso domar seu tigre para acompanhá-lo na empreitada pela vida.

Ao final, a cena mais comovente do filme: em terra, quase morto de fome, o tigre vai embora sem olhar para trás. Justo agora que o garoto poderia se “despedir” de seu tigre e recuperar parte de sua natureza anterior...

Mas não existe despedida ou aceno final para a fera que existe dentro de nós. Somos animais. Por isso, o tigre de bengala não olha para trás. O tigre está lá ainda, dentro de Pi.

Deus, segue sendo a melhor conformação do mundo e explicação para as coisas da existência trágica, como também da perfeição das coisas da existência do universo.


Comentário final

O filme me valeu ao menos para essas várias horas de reflexão sobre fé, religião, coisas da vida material, escolhas, idas e vindas, das feras que habitam em nós. 

Como diz o ditado: todo burrinho pedrês tem um corcel, um cavalo selvagem dentro de si.

É isso!

William

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Post Scriptum (26/5/16, quinta-feira de feriado):

Revi o filme na virada da madrugada. Havia acabado de chegar de uma viagem a trabalho de três dias em Curitiba, Paraná.

Nosso país vive, faz alguns dias, um Golpe de Estado. Afastaram a presidenta Dilma Rousseff e assumiu um bando de corruptos e canalhas. Em menos de duas semanas, estão destruindo quase três décadas de conquistas sociais do povo brasileiro.

Ao ver o filme e reler minhas reflexões nesta postagem, fiquei pensando novamente em nossa fera interior, para nos dar o instinto de sobrevivência nos tempos e condições de calamidade.

A minha fera está comigo, nunca me abandonou.
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