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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Leitura: Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado - Roberto Buzzo



Refeição Cultural

Osasco, 15 de fevereiro de 2023. Quarta-feira de 30º na Grande São Paulo.


Ao tentar ler para minha esposa um trecho do capítulo "A apoteose" a voz embargou, os olhos encheram-se de lágrimas e não consegui enxergar as palavras... cada emoção é única, mas como caminhante e romeiro de longa data, pude sentir um pouco do que Roberto Buzzo descreveu da emoção daquele momento em seu diário.

Peguei o livro de Buzzo na estante de casa de forma quase aleatória. Estipulei a mim mesmo que pretendo ler ao menos 3 livros por mês neste ano. Como estou com o projeto de ler e estudar a respeito da história de Cuba e do povo cubano, estou lendo livros enormes, de leituras que vão durar um tempão. Uma forma de descansar dos livrões é lendo livros leves e prazerosos durante o percurso.

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"(...) Antes de dormir, avaliara que o chão não seria tão duro como o da noite anterior. De fato, nem tão duro, nem tão seco. Descobri que não se é simples, leve e chinesa impunemente. O 'chinesa' é um preconceito meu: a barraca foi mesmo produzida na China, mas sob as especificaçoes de uma tradicional fábrica brasileira de equipamentos do gênero, como minha mochila e minha lanterna, que em nenhum momento descumpriram seu papel. Gotejava ao lado da cabeça..." (p. 39)

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Como tenho lido crônicas excelentes do Buzzo na rede social onde ele publica seus textos, decidi ler o livro dele que tenho em minha biblioteca. O cara escreve muito bem e a leitura de seu diário de um bandeirante é espetacular! É uma narrativa leve, tem humor, tem ironia da melhor qualidade e eu não esperava compartilhar também a emoção de nosso escritor peregrino e caminhador.

Buzzo percorreu 640 Km da Grande São Paulo até Fernandópolis, terra natal de sua família e de sua infância. A jornada foi feita por ele aos 50 anos de idade. O caminhante passou por 49 cidades e povoados, dormiu a maior parte dos 15 dias acampando em sua barraca em canaviais, laranjais e que tais. Passou uns perrengues típicos de uma aventura como essa e a leitura de seu diário de viagem em julho de 2004 me trouxe muitas reflexões, lembranças de uma época de minha própria vida e adorei a leitura.

Em algumas passagens, eu ia dialogando com Buzzo, do tipo: também acampei em Cabreúva; acampei e fiz rapel em Brotas; em Piracicaba, fiz 14 saltos de paraquedas e ver o rio lá de cima é um feito inesquecível. Sobretudo, faço a romaria de Uberlândia a Água Suja em Minas Gerais desde adolescente e por duas vezes planejei fazer o Caminho de Santiago e precisei adiar o projeto de quase mil quilômetros de caminhada por compromissos políticos de meus mandatos sindicais.

Vejo as mudanças em meu condicionamento físico neste momento da vida e me pergunto quais caminhos ainda vou percorrer andando ou correndo... não sei. Não sei mesmo! Meu quadril estragou meus projetos de correr uma maratona e fazer longas caminhadas... triste isso, mas a vida é assim, é o viver. Somos natureza!

Prezado Buzzo, obrigado pela publicação de seu Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado (2006). Tempos depois de sua viagem, viajei contigo! E só quem caminha sabe que no fundo a gente que caminha meio sem saber o motivo sabe muitas vezes que não estava sozinho, mesmo buscando a solidão momentânea, porque pessoas queridas estavam com a gente em pensamentos. Sempre estive acompanhado em minhas caminhadas solitárias.

Post Scriptum: Uma das cenas mais bonitas do filme Forrest Gump é quando ele conta a sua amada Jenny que ela estava lá ao seu lado enquanto corria por belas paisagens cortando o país do Atlântico ao Pacífico.  

Leitura nota mil!

William


Bibliografia:

BUZZO, Roberto. Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado. São Paulo: Com-Arte, 2006.


domingo, 22 de maio de 2022

Caminhando, visitei o passado...



Refeição Cultural

Domingo, 22 de maio de 2022. Osasco.


Saí mais uma vez para caminhar, andar andar andar, e talvez com isso cansar e pensar menos nas tristezas. Quero dizer com isso que enquanto andava (triste) também pensava a vida, o passado, o presente, pensava os porquês das coisas. Hoje tenho uma compreensão muito melhor das coisas, isso não resolve nada, mas a compreensão deixa claro muita coisa.

Hoje caminhei rumo ao passado. Enquanto caminhava, passei por cinco endereços onde morei por um tempo em minha vida. Deve ter muita gente que nunca morou em cinco locais diferentes na vida, morei numa porrada de lugares... Locais nos quais morei com os outros e sozinho. Morei com avó e primos; morei com os pais em casa dos outros, de favor; morei com conhecidos e estranhos; morei de novo com avó, tio e primo; morei sozinho em casas pequenas, casas de fundo. Passei também na frente da casa onde nasci.

Andei uns 17 Km desta vez, umas 3 horas e meia. Como as dores em meu quadril dão a impressão que vieram pra ficar, tenho evitado correr porque quando corro fico entrevado uns dois ou três dias. Já que decidi tentar fazer mais uma vez a caminhada da Romaria lá em Minas Gerais, o jeito que tem é caminhar e caminhar e ver se o corpo segura a onda e eu me condiciono para andar uns 80 Km de uma vez só. Dia desses, andei 25 Km no Parque do Sabiá em Uberlândia, foi de boa a caminhada.

Na primeira parte da caminhada, decidi passar na frente do prédio onde morei com amigos e um estranho com o qual não me dei bem. O cara era um palhaço, era gerente de banco e me destratava pra caralho. Saí de lá pra não fazer uma merda com aquele sujeito. Edifício Juliana, na Avenida Jaguaré. Me lembro que da janela do banheiro dava pra ver a Universidade de São Paulo. Depois acabei indo estudar lá. Na época, pegava o ônibus na avenida para ir trabalhar no Unibanco (CAU), na Raposo Tavares.

De lá, segui para o próximo endereço do passado, este o mais forte nas emoções, a casa onde nasci. Entrei pela Avenida do Rio Pequeno e fui até próximo à padaria Cinco Quinas, que ainda está lá, ela existe há décadas. Desci pela Rua Prof. Adolfino de Arruda Castanho, fui até o fim, onde era o Córrego do Rio Pequeno (hoje canalizado como Av. Politécnica) e subi pela Rua Dr. Sérgio Ruiz de Albuquerque. Passei na frente do conjunto de sobrados onde nasci, no número 166. Antes do sobrado onde nasci, não consegui identificar qual seria a casa do conhecido de infância no fim da rua, as casas estão mudadas demais. Naquela esquina dos sobrados (Rua Miguel Sevílio) brinquei muito, brincamos.

Segui pela Av. do Rio Pequeno até o fim. Caraca! Quantas coisas na cabeça! Aquele lugar parece que não mudou nada nas últimas décadas. Os bares com gente na calçada e música antiga em caixas de som. Vi gente soltando pipa perto dos fios de alta tensão. Pensei nas questões políticas, nas posições políticas das pessoas... como exigir de alguém ali ser de "esquerda", militante e engajado e o caralho? (só fui exceção na família e virei militante de esquerda por causa do Sindicato dos Bancários) 

Me lembrei da música dos Racionais MC... ali só tem o padre para tomar a benção (agora o pastor), me lembrei de São Cosme e São Damião. Até ouvi uma mulher falando com outra sobre Pomba Gira (no segundo que passei ao lado delas na calçada)... as religiões são as únicas proteções ali como diz a música (ou o conforto para tanta miséria como disse Marx: "o ópio do povo"). Eu convivi com a fé católica e com as religiões de matriz africana.

Já contornando pela Praça Wilson Moreira da Costa, passei lentamente na frente dos portões das casas da R. Tomé de Lara Falcão. Morei em uma casa de fundo ali, um dos lugares mais precários onde morei, quarto e cozinha com banheiro coletivo no quintal com algumas casas. Cara, que lembranças duras! Foi um dos banheiros onde mais enfrentei baratas na minha vida! Me lembrei também que eu andava por aquela Avenida do Rio Pequeno pra lá e pra cá, em qualquer horário. Eu ia com frequência para as casas dos familiares lá na outra ponta da avenida, perto do colégio Adolfino.

Na volta, parei um pouco no ponto de ônibus em frente a Cinco Quinas. Eu imaginava que a padaria fosse maior. É pequena. Tem uma existência mais antiga que eu, que nasci ali em 1969. Desde muito pequeno ia lá buscar pão, subindo a rua. A rua que dava enchente sempre que chovia forte. As enchentes de minha infância...

Na próxima etapa da caminhada, a subida do morro pela R. Profª Ana Maria Lélis da Silva, e a escola onde fui alfabetizado, E.E. Prof. Adolfino Arruda Castanho. Eu, minha irmã e a minha mãe subimos por ali muitos anos, quando fizemos as primeiras séries do ensino fundamental. Depois, passei nos endereços de longa parte da minha vida, as casas de meu tio na R. Prof. Antônio Filgueira de Lima, na Antônio de Bonis e na Ricardo Cipicchia. Várias fases da vida - infância, adolescência, vida adulta. Foram tempos diversos, como é a vida, tempos felizes, tristes, duros, amenos... vida.

Para voltar para Osasco, desci pela Avenida N. Sra. da Assunção, passei em frente da escolinha onde minha companheira deu aula quase a vida toda. Encarei mais uma hora de caminhada pela Av. Corifeu de Azevedo Marques.

Carrego comigo lembranças boas e ruins desses lugares, ali nasci, ali vivi, dali fui embora, pra'li voltei. Ali estava quando fui criança, quando fui feliz, brincando. Frequentei a Paróquia São Patrício, na Av. Otacílio Tomanik, em diferentes épocas, na infância e na adolescência. 

Ali estava quando voltei pra São Paulo, vindo de Uberlândia (MG) quando fui trabalhador braçal, depois bancário, e quando trabalhei em escola de idiomas, e quando trabalhei em lanchonete no Itaim Bibi etc...

Foi uma caminhada boa. Cheguei cansado. Felizmente, o quadril parece que vem resistindo bem a essas caminhadas longas. Já rodei nesse mês algo como 90 Km. Vamos ver se faço mais uma Romaria entre Uberlândia e Água Suja.

Vai que eu volte a pensar na grande caminhada já protelada várias vezes nas últimas décadas... a caminhada na Espanha, o Caminho de Santiago, no qual pensei fazer o longo percurso do Caminho Francês, saindo de San Jean Pied de Port, França, e atravessando todo o Norte da Espanha, quase mil quilômetros. 

Por enquanto, preciso caminhar andar andar e andar, e lidar com essas tristezas de ver meu mundo destruído pelo golpe e pelo mal representado pelo bolsonarismo. 

E ainda tem outras tristezas domésticas... vi numa entrevista dias atrás a psicanalista Viviane Mosé explicando que os donos do poder (o 1%) têm uma estratégia de fazer as pessoas infelizes e tristes, é um projeto do capitalismo. Assim as pessoas ficam paralisadas, não lutam, se entregam aos vícios, desistem da vida, dos sonhos, de tudo... 

Isso é verdade! Há um projeto dos capitalistas para deixar as pessoas tristes. É só vermos dentro de nossas casas... como as famílias podem ser tão problemáticas nessa vida e por tão pouca coisa, às vezes! Muitas das infelicidades dentro de casa não precisariam existir... Precisamos de mais amor, de mais paciência, entre todos nós. A começar dentro de casa! 

Tristeza faz parte da vida, que é dura. Mas não essa tristeza como projeto do capitalismo, essa temos que combater. Não podemos desistir da vida. A vida é uma oportunidade única e diária de acontecer coisas boas, coisas boas podem ser as coisas mais simples que se possa imaginar, coisas boas podem acontecer a nós tod@s.

Seguimos caminhando, mesmo sem ter caminhos, caminhamos... e fazemos caminhos ou atalhos.

William


domingo, 17 de novembro de 2013

Filme: O caminho (2010)... e nossos caminhos


Poster do filme

Filme: O caminho (2010)... e nossos caminhos


“Você não escolhe uma vida, você vive uma”


Sinopse:

Pai e filho, norte-americanos, têm relacionamento difícil. Após morte da mãe, filho único de meia idade abandona a formação superior e resolve viajar e conhecer o mundo. O pai é um oftalmologista bem estabelecido, escolheu a sua vida.

Um dia, o pai recebe um telefonema informando-lhe sobre a morte de seu filho que havia recém começado o caminho de Santiago de Compostela na Espanha. A saída havia sido pelo lado francês do caminho, San Jean Pied de Port, atravessando os Pirineus.

Lá chegando para identificar e cuidar do corpo do filho, o pai resolve fazer o caminho no lugar dele, levando suas cinzas. Pelo caminho vai encontrando pessoas e vidas que o fazem refletir sobre sua própria vida e sua relação com o filho.


Comentário sobre o filme:

O filme é bem feito. A história é boa.

O diretor aposta nas imagens maravilhosas das regiões ao longo do Caminho de Santiago. Também nos emociona o drama vivido pelo pai de Daniel, que se vê fazendo o caminho por seu filho falecido.

A trilha sonora é lindíssima. Quem não gosta de James Taylor... Alanis Morissette...

O final também é muito bonito.


Refeição Cultural

Por duas vezes na vida me programei para ir até a Espanha para fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Esse era um de meus objetivos na famosa lista de coisas a realizar que quase todo mundo tem. Eu não seria diferente.

Na verdade, minha lista de objetivos a alcançar vem de longe, bem longe. Eu persigo algumas coisas desde que era adolescente. Depois, atualizei a lista na crise pessoal que vivi quando tinha uns 27 anos. Quando vejo a lista atualmente, de forma muito esparsa e sem gana de realizá-la, vejo que algumas coisas lá não têm mais nenhum sentido. Outras têm.

Me organizei pra fazer o Caminho no ano de 2002. Já vinha pesquisando e vendo como pagar passagens e tal, iria viajar em minhas férias de julho daquele ano. Daí, fui convidado para compor a chapa cutista do Sindicato dos Bancários e acabei virando dirigente sindical e tive que abortar minha viagem porque não era adequado ser eleito e viajar logo após, principalmente na época de construção da campanha dos bancários.

Depois, comecei novamente o planejamento para fazer o Caminho em 2008. Desta vez, cheguei a tirar meu passaporte e tudo. Acabou não dando certo de novo por várias questões. Por acasos da vida, acabei carimbando meu passaporte na Espanha, pois fui a Madri a trabalho em 2009. O Caminho de Santiago ficou pelo caminho de novo...


O filme reacendeu algo em mim

Pois é, assisti ao filme e me emocionei muito. As imagens, a lembrança de meu antigo objetivo, talvez o contexto que vivo hoje refletindo sobre os rumos de minha vida, sei lá mais o quê, me tocaram profundamente. E aí, devo fazer o caminho ou não devo?

Quando abortei a ida para o Caminho em 2008, acabei decidindo na época que não iria mais fazê-lo. Cheguei a pensar que, se já sei como é, não valeria o gasto e o trabalho em fazê-lo.

Antes do filme, dias atrás, vi um vídeo de meu primo Jorge (na companhia do amigo Wanderlei) que realizou um sonho recente de ir até Roraima de moto e subir ao Monte Roraima. Fiquei muito tocado ao ver as imagens da realização desta aventura de meu primo naquela montanha.

Vendo o filme nesta semana, fiquei pensando a respeito de minha decisão de 2008...

Na verdade, nada substitui estar lá no local que você sonha conhecer. Nada substitui isso. Nem imagens, nem nada. Fazer pessoalmente algo é único. Imagine se dá pra descrever a sensação de saltar de paraquedas e a pessoa sentir o que você sente no abrir da porta do avião, do salto, do tranco do paraquedas abrindo, do voar por até oito minutos entre as nuvens e pássaros, freando a descida para aproveitar cada minuto daquele momento no céu...

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Resumindo, voltei a pensar que vale a pena fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Mesmo que eu já tenha prática de fazer a caminhada de 80 km em MG todos os anos. Mesmo sabendo “como” deve ser. Para cada caminhante, em cada oportunidade, o Caminho é único. Exatamente como é a vida...

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Caminho de Santiago começa a ficar distante...




POIS É... 

E não é que o Caminho começou a ficar distante, conforme eu ando! 

Estou em um período de muitas decisões a tomar para o ano de 2009 e seguintes. 

Em relação ao meu trabalho no movimento sindical, em relação aos meus estudos, em relação aos meus objetivos há tanto tempo traçados etc. 

Será que preciso ir fisicamente a algum lugar neste mundo contemporâneo e globalizado? Séculos atrás era bem diferente. 

O mundo era desconhecido, era misterioso, era grande. Hoje o mundo é pequenininho. É interligado e todo conhecido. Diria até que sem graça. 

Com um clique na rede mundial é possível ver em tempo real o que acontece em qualquer lugar do planeta. 

O que não mudou nos últimos 10 mil anos, talvez seja a natureza humana. O homem não mudou por dentro. Continua mau. Segue sendo destruidor de tudo o que toca. Não deixou de ser bárbaro. 

Quando estou em algum lugar, como quando estive caminhando em uma praia em Fortaleza, ou em João Pessoa, não vi diferença alguma em relação a caminhar na praia de Caiçara, na Praia Grande. 

Ou seja, é preciso pesar bastante a validade de ir caminhar na bela Espanha, ou ir pisar na velha montanha dos Incas. 

O que levarei EFETIVAMENTE daquilo? A compreensão do que estou refletindo terá que ser só minha. Pouco importa que outros não compreendam. 

Sabe, se tornou tão caro ir realizar esse meu objetivo, considerando que ganho pouco e tenho muitas obrigações sociais, que não sei se devo ir fisicamente lá. 

Não sei.

William Mendes

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

84ª São Silvestre - 2008




Missão cumprida!

Meta atingida!

Consegui correr a São Silvestre e terminar a prova, coisa que não tinha certeza de realizar pelo estresse deste semestre.

Melhor ainda: fiz um tempo menor que a prova do ano passado.

Corri em 99' os 15 km. (ano passado havia corrido em 105')

Subi a Brigadeiro correndo feito gente grande, deixando o povo para trás (rsrsrs)!

É isso!

Agora é fazer os 900 Km do caminho de Santiago de Compostela...

Agora é conseguir completar uma meia-maratona...

Agora é completar a 85ª São Silvestre em 95'...

Apesar de achar uma bobagem esse negócio de datas, felizes dias a partir de janeiro de 2009...

Post Scriptum (26/9/15):

Nossa! Ao reler a postagem tantos anos depois, vejo como é antigo meu desejo de correr uma meia maratona. Estou treinando para tentar correr a minha primeira prova nestes últimos dois meses em 2015 e faltam poucos dias para a Meia Maratona de Florianópolis (11/10/15). Não estou 100% certo de correr tudo bem porque meu Tendão de Aquiles do pé direito está muito sensível. Mas sou um bicho persistente e vamos ver o que vai dar.

Percebi que é antigo também o contexto dos semestres de trabalho serem muito intensos e prejudicarem qualquer tentativa de treinos mais regulares...

Post Scriptum (18/10/15):

Pois é... fui para Santa Catarina sem saber ao certo se faria ou não a prova da meia maratona e foi uma emoção muito grande correr a prova inteira e completá-la em 150' (leia aqui).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Conseguirei chegar ao sopé dos Pirineus?


Flamboyant da Av. Manoel P. Pimentel, 200.

Dia mais, dia menos, e o dólar disparou de vez.

Quando recomecei meu projeto de fazer o Caminho de Santiago no semestre passado, o valor da moeda americana era de aproximadamente R$1,60. Hoje, depois da crise financeira internacional está na casa dos R$2,40.

Aí eu me pergunto: será que chegarei ao sopé dos Pirineus? Minha intenção é fazer um voo até Madri, partir de lá de trem até Roncesvalles, ir de lá até Saint Jean Pied de Port na França e começar atravessando o Pirineus no primeiro dia. Esse é o chamado Caminho Francês.

Caminho Francês

Etapa 1 Saint Jean Pied de Port - Roncesvalles (25 Km)
Etapa 2 Roncesvalles - Larrasoña (27,4 Km)
Etapa 3 Larrasoña - Pamplona (15,5 Km)
Etapa 4 Pamplona - Puente de La Reina (23,5 Km)
Etapa 5 Puente La Reina - Estella (22 Km)
Etapa 6 Estella - Los Arcos (21 Km)
Etapa 7 Los Arcos - Logroño (28 Km)
Etapa 8 Logroño - Nájera (29 Km)
Etapa 9 Nájera - Santo Domingo de La Calzada (28 Km)
Etapa 10 Santo Domingo de La Calzada - Belorado (22,5 Km)
Etapa 11 Belorado - San Juan de Ortega (24 Km)
Etapa 12 San Juan de Ortega - Burgos (27,6 Km)
Etapa 13 Burgos - Hornillos del Camino (20 Km)
Etapa 14 Hornillos del Camino - Castrojeriz (20 Km)
Etapa 15 Castrojeriz - Frómista (25 Km)
Etapa 16 Frómista - Carrión de Los Condes (19 Km)
Etapa 17 Carrión de Los Condes - Lédigos (23,4 Km)
Etapa 18 Lédigos - Sahagún (16,2 Km)
Etapa 19 Sahagún - El Burgo Ranero (17,9 Km)
Etapa 20 El Burgo Ranero - Mansilla de Las Mulas (18,7 Km)
Etapa 21 Mansilla de Las Mulas - León (18,4 Km)
Etapa 22 León - Villadangos del Páramo (21 Km)
Etapa 23 Villadangos del Páramo - Astorga (30 Km)
Etapa 24 Astorga - Rabanal del Camino (20,5 Km)
Etapa 25 Rabanal del Camino - Molinaseca (25 Km)
Etapa 26 Molinaseca - Villafranca del Bierzo (31 Km)
Etapa 27 Villafranca del Bierzo - O Cebreiro (30 Km)
Etapa 28 O Cebreiro - Samos (28,3 Km)
Etapa 29 Samos - Portomarin (32,3 Km)
Etapa 30 Portomarin - Palas de Rey (24,3 Km)
Etapa 31 Palas de Rey - Arzúa (28,6 Km)
Etapa 32 Arzúa - Monte do Gozo (39 Km)
Etapa 33 Monte do Gozo - Santiago (5 Km)

Fonte: www.mundicamino.com/

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Post Scriptum (5/4/20):

Pois é... ao reler o início desta postagem, percebo que uma de minhas preocupações naturais era com o valor do dólar. Vejam como são as coisas! O Brasil sofreu um golpe de Estado em 2016 para interromper os governos do Partido dos Trabalhadores, período histórico de maior avanço nos direitos sociais da classe trabalhadora brasileira, e hoje temos um país destruído pela Lava Jato e pelo bolsonarismo. O dólar foi cotado esta semana a R$ 5,30. Realidade impensável uma década antes. Eu não fiz até hoje o Caminho de Santiago. Vai saber se ainda o farei. O mundo enfrenta uma pandemia desde o início de 2020, o novo coronavírus (Covid-19) e nada mais será como antes após as quarentenas em casa, as mortes e a destruição da economia no atual modo de produção capitalista. Se sobrevivermos, veremos...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Leituras sobre Chris McCandless e Tolstói




Refeição Cultural


Ontem, terminei a leitura do livro de Krakauer sobre a aventura de Alexander Supertramp, ou seja, McCandless, o jovem da história "Na natureza selvagem".

Continuo ouvindo a trilha sonora do filme na voz de Eddie Vedder todos os dias.

Fiquei pensando nos livros que ele leu e carregou por suas andanças. Comprei hoje e estou terminando o romance de Tolstói "A morte de Ivan Ilitch", na tradução de Boris Schnaiderman, pela Editora 34.

Tudo bem! Também estou tentando me preparar para a difícil prova de Morfologia que farei em breve (o mesmo que física quântica pra mim).

Também tenho a matéria de Filologia pra fazer um trabalho nos próximos dias.

Estou focando meu objetivo de estar no início de minha caminhada na Espanha em maio do ano que vem.

William


POST SCRIPTUM (2014)

Pois é, a vida e suas surpresas... eu tive que abortar a minha peregrinação no Caminho de Compostela pela 2ª vez. Quem sabe um dia eu a faça... (enquanto isso, vou fazendo a minha caminhada em MG todo ano como fiz novamente em 2014, onde tive a grata surpresa de fazê-la na companhia de meu filho)

As matérias da faculdade em questão foram finalizadas bem. Só descobri agora que o sistema da FFLCH acusa que devo uma matéria de Literatura Portuguesa para completar as duas grades - Português e Espanhol... é mole?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vou dar um jeito de ir em maio pra Espanha



Eu vou sentar o pé em tudo e firmar o pé na estrada o ano que vem e fazer essa caminhada sozinho por cerca de 30 dias. EU e EU. Pensar na vida.

Andar, andar, fazer caminhos já feitos.

Quero fazer caminhos dentro da minha cabeça. Fazer uma trilha que me leve para um objetivo qualquer onde eu não sufoque.

EU VOU!

It's settled!


Post Scriptum (12/12/15):

Eu acabei não indo como planejado à Espanha para o Caminho, mas meus caminhos me levaram à Espanha a trabalho no mesmo ano que programei. Em 2009, fui para um curso na OIT na Itália e na Espanha. Fiquei uma semana em Madri e visitei a antiga cidade de Toledo, na região de Castilha/La Mancha.

O Caminho... quem sabe um dia.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O caminho de Santiago de Compostela



É... Semanas atrás, o dólar estava a R$1,57 e agora está a R$1,96. 

Não sei como, mas vou desembarcar na Espanha de alguma forma ano que vem para caminhar pelo norte do país até chegar a Santiago de Compostela. 

Não me preparei para chegar aos 40 anos ganhando um bom salário, pois nunca fui apegado a dinheiro. Sei que está fazendo falta agora (o dinheiro), até porque tenho agregados que precisam de mim e essa é a regra por viver em sociedade. 

Que diacho de vida embrejada!

sábado, 20 de setembro de 2008

O caminho segue longo, e agora mais caro!


Bom, desde a última postagem sobre meu Caminho de Santiago, houve avanços em alguns passos: já tirei meu passaporte e tenho uma boa máquina fotográfica.

Há dois meses, quando aprecei o custo da passagem aérea SP-Madri-SP, custava-me cerca de R$1.600, pois o dólar estava na casa de R$1,57. Perdi a oportunidade de comprar as passagens para pagá-las em 10 vezes nesta cotação.

O que ocorreu? Uma tremenda crise de quebradeira de bancos americanos e depois outros pelo mundo do cassino financeiro, o dólar em poucas semanas já está a quase R$2,00. Ou seja, me ferrei. Mas tudo bem! Pode ser que ele volte a cair! Como também pode ser que suba muito mais!

Minha condição financeira é bem precária. Não me planejei na vida para ir atrás de ganhar muita grana. Agora, tenho que saber como lidar com isso. Às vezes, essa decisão (indecisão) pesa-me, a mim e aos meus agregados.

Vamos caminhando... e correndo... pois pelo menos isso eu tenho feito: andar e correr.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Romaria 2008 - Velha caminhada; nova experiência, sempre!


Santuário de N. Sra. da Abadia.

Refeição Cultural - Velha caminhada; nova experiência, sempre!

Mais um ano, mais uma caminhada para Romaria.
Mais velho, mais experiente, e mais preparado.

Como ocorre em certos acontecimentos, a experiência de fazer a caminhada de Uberlândia à cidade de Romaria (ou Água Suja) é sempre diferente a cada ano.

Aliás, posso dizer que, se por um lado o corpo está mais velho e isso poderia ser uma desvantagem, por outro, aprende-se a pisar melhor, economizar energia e se auto preservar.

Bom, para que se tenha uma ideia de como são as distâncias e referências que os romeiros usam quando estão caminhando, apresento abaixo os trechos percorridos para aqueles que saem da cidade de Uberlândia. O que se chama aqui "Rio das Velhas" na verdade é o Rio Araguari.


Da casa de meus pais até o trevo para Araxá....................12,0 Km
Do trevo para Araxá a Olhos D'Água...................................6,7 Km
De Olhos D'Água até a Ponte do Rio das Velhas...................8,1 Km
Da Ponte do Rio das Velhas até o Trevo de Miranda.............3,7 Km
Do Trevo de Miranda até o Posto Triângulo.........................7,8 Km
Do Posto Triângulo até o Trevo para Araguari.....................3,7 Km
Do Trevo para Araguari até a Aliança Agro-Florestal............3,2 Km
Da Aliança Agro-Florestal até o Posto N. Sra. da Guia..........2,8 Km
Do Posto N. Sra. Da Guia até a Antena...............................11,0 Km
Da Antena até o Posto Santa Fé.........................................12,5 Km
Do Posto Santa Fé até o Desvio (Atalho).............................6,0 Km
Do Atalho até o Mata Burro (Córrego).................................3,0 Km
Do Mata Burro até o Pé da Escadaria (Igreja).....................5,0 Km

Total da minha caminhada: 85,5 Km


Este ano fui muito bem novamente, pois fiz o percurso em 21 horas e meia. Saí da casa de meus pais às 11:15h de sexta e cheguei a Igreja às 8:45h de sábado.

Pela primeira vez em todos esses anos, cheguei sem estar com os pés arrebentados. Não tive nenhuma bolha que me trouxesse sofrimento.

Foto de William Mendes com sua querida
mamãe Dirce Mendes.

A SAÍDA

Saí às 11h com Sol forte. Ter usado camisa de manga e calça longa não foi uma boa escolha, pois passei muito calor até o fim da tarde.

Cheguei ao bairro Alvorada às 13:30h. Segui caminhando e fazendo pequenas paradas - mais para trocar meias. Parei um pouco antes dos Olhos D'Água para comer um lanche, ovo e maçã. Eram 15h.

Dessa vez passei direto pelo Rio das Velhas - cerca de 17h - e peguei a grande subida direto.

Escureceu às 18h. Parei no meio da subida. Resolvi esticar até o Posto Triângulo. Não tinha bolhas nos pés e estava bem.

CAMINHANDO AO LUAR 

A primeira parte da noite de lua crescente é clara. Apesar de não se comparar à lua cheia, dá para ver até nossa sombra no chão.

Cheguei ao Posto Triângulo às 20h (ele não funciona mais - antes era um lugar com água, banheiro e comércio).

Saí para andar até o Posto N. Sra. da Guia, uns 10 Km. 


Outra novidade ruim: não estava lá a barraca de ajuda aos romeiros pra tomar aquela sopa maravilhosa. Ainda bem que, antes, tomei um caldo de feijão de uma barraquinha no acostamento. Além de ganhar laranja e banana.

ESTICADA ATÉ A ANTENA 

Cheguei ao Posto às 22:30h. Já havia andado 48 Km e estava muito bem fisicamente. Saí para dar aquela conhecida esticada que nunca chega: a Antena.

São 11 Km e o difícil é que quando você avista aquela luzinha vermelha no meio do nada, acha que está chegando, mas ainda faltam quilômetros e você anda mais de uma hora mirando a tal Antena e ela não chega.

Bom, como faço tradicionalmente, já vinha marcando meu ritmo pelo som de minhas fitas cassete. Apesar de ser antiquado usar aikman ao invés de MP3, o fato de ter que virar a fita a cada 30 minutos me ajuda a espantar o sono (que na madrugada seria terrível!).

Cheguei à Antena às 2h da manhã. Cansado, mas sem bolhas e melhor que usualmente. Finalmente, tomei a reconfortante sopa e comi outro ovo cozido que levei.

Foto de William Mendes, após andar
uns 60 Km direto.

Saí para caminhar mais 12,5 Km até o Posto Santa Fé. Calculei que chegaria às 5h da manhã e cheguei. Outra surpresa ruim: o posto fechou também. Tive que me deitar no chão mesmo pra relaxar uns 20 minutos. 


Passei muito sono nessa caminhada. Dei umas deliradas de sono andando meio dormindo. A madrugada já estava um breu total desde a meia-noite, quando a lua foi embora.

Estava com fome, mas não conseguia comer nada, pois estava com o estômago meio enjoado.


Foto de William Mendes,
na chegada da romaria
e ao lado da igreja local.

EM BUSCA DO ATALHO E DA CIDADE 

Saí para caminhar até o Atalho. Cheguei às 7h da manhã.

Comi umas frutas que estavam distribuindo na estrada e decidi só parar na escadaria da igreja - 8 Km à frente, após passar pelo eucaliptal, descida de pó e cascalho e subida animal rumo à entrada da cidade.

Cheguei às 8:45h e muito contente, apesar do cansaço, pois não cheguei estragado fisicamente.

COMENTÁRIO FINAL

Fazer essa Romaria é bem diferente de caminhar os 900 Km que farei na Espanha um dia. Mas é sempre um aprendizado. Um momento de introspecção. Um momento de humildade; de autocontrole e de renovação de você mesmo.

Voltei um pouco mais leve - em relação ao peso que carrego em meus ombros.

Agora, é pensar em minha próxima São Silvestre em dezembro.


William

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Antes de Santiago de Compostela, caminho até a Romaria (MG)


Santuário da cidade de Romaria.

Antes de fazer minha viagem até a Espanha e caminhar cerca de 900 km, vou fazer mais uma vez o caminho de Uberlândia a Água Suja (Romaria) no Triângulo Mineiro.

Da casa de meus pais até o Santuário de N. Sra. da Abadia de Água Suja são cerca de 85 km.

Viajarei para Uberlândia na próxima semana (quarta à noite) e pretendo pegar a estrada na sexta-feira, 8 de agosto, pela manhã.

Sempre fico ansioso por começar a romaria, por mais que sofra muito para completar o caminho, andando sem parar por cerca de 20 horas.

Veja aqui o histórico do Santuário e dessa peregrinação:


Histórico do Santuário

1867 – “O descobrimento de diamantes no córrego de Água Suja deu origem ao povoado de mesmo nome.” (Pe. Primo Maria Vieira)

1870 – “Joaquim Perfeito Alves Ribeiro, em companhia do viajante Custódio da Costa Guimarães, faz a aquisição da imagem de Nossa Senhora da Abadia. Esta meiga e linda Imagem, personificando a Virgem, por todos aclamada e a todos abençoando, entra triunfalmente neste povoado.” (Pe. Primo Maria Vieira)

Daí começaram as romarias.

A pé, a cavalo, de carro de boi... de automóvel, caminhão, ônibus...

“Quem uma vez veio a este Santuário assistir aos festejos, nunca mais deixou de vir.” (Pe. Primo Maria Vieira)

1872 – 19 de julho: foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja. Até 1899, os padres da diocese de Goiás tomaram conta de Água Suja.

Em 1899 – Chegaram os padres agostinianos, vindos da Espanha. Ficaram até 1916.

1916 – Padre Primo Maria Vieira nascido em Portugal, foi pároco até 1922. Escreveu a “Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja”. É a nossa história do período de 1870 a 1920.

1925 – Chegaram os padres dos Sagrados Corações, vindos da Holanda, tendo à frente Padre Eustáquio. Ficaram até 31 de março de 1991.

1926 – O atual santuário, escolhido pela Mãe de Deus para nele distribuir graças e favores, foi iniciado por Padre Eustáquio. Mutirões de carros de bois e ajuda dos romeiros e devotos o deixaram pronto em maio de 1975.

1994 - Monsenhor Primo Vieira, nascido em Romaria (11/06/1919), sobrinho de Pe. Primo Maria Vieira, padre da diocese de Santos, terminou o livro “Nossa Senhora da Abadia – A História de uma devoção”. Faleceu em Portugal em 22/07/1994.

2001 – 30 de dezembro: A ACADEMIA SENHORA DA ABADIA (ASA), quer com carinho cuidar dessa nossa história.

Santuário Nossa Senhora da Abadia de Água Suja – Romaria - MG

Fonte: www.senhoradabadia.com.br

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Caminho de Santiago: o passo hoje foi a máquina fotográfica



As conchas do caminho.

Pois é, nunca fui de fotografar minhas caminhadas e andanças por aí.

Mas, como disse meu primo Jorge Luiz, uma viagem como essa merece registros fotográficos.

Para mim, as lembranças estarão registradas em meu ser. Mas não posso ser egoísta e não querer compartilhar com as pessoas próximas e amigos um pouquinho daquilo que vi, já que a experiência vivida é mais difícil de expressar.

Tenho tempo para aprender a mexer com a "bichinha", já que não sou muito apto a esses negócios de tecnologia.

Passo a passo, de prestação em prestação, uma hora me pego lá em Madri, iniciando minha viagem de trem rumo à saída de minha caminhada, do outro lado dos Pirineus. (daqui a meses...)


Post Scriptum (16/4/19):



Eu não pude fazer o Caminho de Santiago, mas estive em Madri no ano seguinte a esta postagem. Fui a trabalho, representando os sindicalistas brasileiros da CUT, a um curso da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Fiquei duas semanas na Itália e uma na Espanha. Estive inclusive na estação de trem de Madri, quando embarquei para Toledo, numa rápida visita de ida e volta no mesmo dia. Bati muitas fotos com minha pequena máquina Sony DSC W120.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mais uma pegada do Caminho



As conchas do caminho.

Hoje fui tirar o passaporte brasileiro para poder entrar na Espanha.

A caminhada para Santiago de Compostela anda lenta. Estou com muitas montanhas no caminho até chegar ao destino inicial da caminhada lá na Espanha. Mas vamos caminhando pela vida.

Chego lá.


Post Scriptum (12/4/19):

Olhando esta postagem, vejo o quanto a vida dá voltas. Eu fui para a Espanha em 2009, nem foi preciso tirar passaporte. Fui a trabalho, representando os trabalhadores em um curso da Organização Internacional do Trabalho. Fiquei duas semanas na Itália e uma semana na Espanha, na capital Madri.

Hoje tenho 50 anos e não fiz o caminho de Santiago de Compostela.

domingo, 29 de junho de 2008

Sigo correndo... caminhando... refletindo...



As conchas do caminho.

Corrida de domingo.

O que dá prazer na vida? Fazer aquilo que se gosta é uma das respostas. Sem dúvida!

Adoro praticar esporte. Infelizmente tenho muito pouco tempo para praticá-lo e não o priorizo. Minhas últimas semanas foram muito cansativas por causa dos trabalhos de conclusão de disciplinas do semestre na faculdade, e também pela eleição em meu sindicato, e por meu trabalho na Contraf-CUT.

Andei cerca de 7 km em 70 minutos e corri 5 km em 31'30" e já fazia tempo que não corria esse percurso.

Bom, considero que hoje comecei meu treinamento físico para fazer minha caminhada em Minas Gerais, em agosto (85 km). Também comecei minha preparação para correr uma ou duas provas no segundo semestre (talvez a da AABB e mais uma de 10k). Além disso, pretendo correr pela segunda vez a São Silvestre. Quero fazer os 15 km em um tempo melhor que o do ano passado.

Vale lembrar que adiei minha ida para o Caminho de Santiago de Compostela este ano por comprometimento com o meu Sindicato, minha militância sindical e por minha faculdade. Mas sigo já fazendo o caminho, pois pretendo embarcar para a Espanha por volta de maio de 2009.

Sigo procurando, sigo refletindo sobre o que vale a pena na vida, refletindo sobre a minha vida... caminhando...

sábado, 21 de junho de 2008

Caminhos anteriores a Santiago



As conchas do caminho.

Minha chegada a solo Espanhol ainda demora.

Enquanto isso, tenho que seguir caminhando.

Em agosto, farei novamente minha caminhada de Uberlândia (MG) até a cidade de Água Suja (MG). São cerca de 85 km, feitos em um único dia.

Enquanto caminhamos, vamos escolhendo veredas que surgem a nossa frente. Muitas vezes nos deixamos levar por elas sem sabermos onde vão dar. A vida é exatamente isto: escolha de trilhas a todo instante que podem dar onde pensamos ou podem, ao contrário, nos levar ao oposto daquilo que mentalizamos.

Onde estarei daqui a pouco? A lógica da aparente estabilidade reconfortante que o bicho homem criou com o advento das cidades diz que estarei em casa para cumprir a rotina de minha existência já estabelecida como ator social. Será?

Não é tão simples assim. Por mais que isso assuste as pessoas em seus pseudo-mundos-estáveis-e-seguros, podemos encontrar o imponderável a qualquer minuto.

- Que bom que é assim!

Ao menos podemos lembrar, vez por outra, que somos mamíferos mortais e efêmeros.

Essa lembrança também é dialética porque tanto pode nos fazer egoístas para vivermos o carpe diem, a custo de não pensar ou lembrar do próximo, como também pode nos dar a sabedoria e discernimento de sabermos que todos são iguais dentro das leis naturais e caóticas que regem o mundo.

É... vamos caminhando...

sábado, 24 de maio de 2008

A caminhada, a caminhada...


Caminhos... Parque das Aves em Foz do Iguaçu (PR).

Pois é!

Estou caminhando.
E sei que não há caminho.
Sigo caminhando diariamente.

Quando chegarei em Santiago de Compostela, não tenho ideia. Chegarei, espero.

Por enquanto, em meus passos, nos caminhos criados, vejo muita alienação. O que é um total contrassenso, visto que estamos no mundo da informação instantânea. Mas isso emburrece.

Este "wired world" traz como consequência a alienação, o nivelamento de tudo: o belo e o feio, o culto e o popular; dividem uma página de site um poema de Drummond com um assassinato de criança. As grandes maiorias ainda são manipuladas pelo grande show midiático de meia dúzia de milionários donos de toda a mídia global.

Mas há esperanças. Ao menos no que diz respeito ao baixo custo de se criar alternativas de redes de contrainformações às grandes mídias.

Estou caminhando, mas não sei que dia chego em Santiago de Compostela.

Estou caminhando.


Post Scriptum (2/08/15):

Poxa! Relendo anos depois, como a postagem está atual em relação ao cenário mundial. Sigo longe de Santiago de Compostela, mas o mundo segue alienado e próximo a uma crise humana sem precedentes...

domingo, 13 de abril de 2008

Santiago de Compostela


Sem uma concha indicando o caminho,
mas os caminhos têm sua dose de natureza.


Pois é, desde que iniciei meu longo caminho até Santiago de Compostela, já tenho refletido e refletido sobre essa minha existência torta e cheia de encruzilhadas.

Pra começar, dias atrás, tomei consciência que não serei professor de português quando terminar - se terminar - minha faculdade de Letras: é evidente que não levo jeito para a Gramática.

Andei pensando que devo aceitar minha natureza e alguns de meus limites. Não gosto e não tenho interesse em informática - odeio computador e coisas eletrônicas. Assim como sei que Gramática não é minha praia. Fazer o quê? A vida segue.

Resumindo: 

- Nem "gramatiquez", nem "informatiquez" comigo, falou?

POR OUTRO LADO, este negócio de saber e aceitar os limites é relativo: a questão dos limites individuais é uma questão de momento. Um limite é um limite até você estabelecer um novo limite. Certo? (esta ideia é importante para que não se fique sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar... como já dizia Rauzito)

Então, ontem fui a uma palestra sobre o Caminho de Santiago. Recebi muitas informações interessantes e instigantes. Porém, confesso que ainda não sei ao menos se irei em 2008 ou 2009; se irei em agosto ou em abril; se se se...

É mole? É o Caminho e suas bifurcações sem o símbolo da concha para direcionar este caminhante...

William


Post Scriptum (19/4/19):

Interessante a releitura deste registro momentâneo de minha vida onze anos depois.

Não fiz o Caminho de Santiago. Fiz na USP em 2010 as últimas matérias que completariam minha grade de matérias das graduações em Português-Espanhol. Quando fui pedir colação de grau em 2014, descobri que faltou uma matéria (2 créditos) e não poderia colar grau em Português, só em Espanhol. Não aceitei. 

Agora em 2019, após anos morando fora de São Paulo a trabalho (em Brasília DF), voltei para a FFLCH para completar a grade atual de créditos nas duas línguas. Virei estudante de novo aos 50 anos. E os 2 créditos se transformaram em mais de 30 para colar grau nas duas graduações. Tenho dois anos de prazo para cumprir essa nova meta estudantil (prazo definido pela Comissão de Graduação que me aceitou de volta).

Aliás, é tão estranha essa vida, que agora que saí do Banco do Brasil, não posso tirar passagens e ir para o Caminho de Santiago de Compostela porque estou matriculado na USP com nova chance de completar a graduação, e não posso faltar... engraçado, né? Se quiser fazer esta caminhada, provavelmente só daqui a dois anos ou em algum mês de julho, período que é extremamente cheio de gente no caminho.

O caminho para fazer o Caminho tem sido longo para mim, bem longo.

sábado, 12 de abril de 2008

Meu caminho iniciado e sem definição de datas



Luar num certo dia em Osasco.

Neste sábado, vou à palestra mensal sobre o Caminho de Santiago, lá na Associação.

Depois de algumas definições, e indefinições também, sei que não tenho uma data definida para viajar. 


Aliás, depois de umas definições profissionais, não sei se irei para a Espanha em agosto, ou se irei em abril ou maio de 2009.

- No lo sé! La verdad es que no lo sé. 
¿Cuándo me voy a viajar?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

I still haven't found what I'm looking for





Composição: U2

I have climbed the highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you.

I have run, I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls
Only to be with you.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
These burning desire.

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I believe in the Kingdom Come
Then all the colours will bleed into one
Bleed into one.
But yes, I'm still running.

You broke the bonds
And you loosed the chains
Carried the cross of my shame
Oh my shame, you know I believe it.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

Fonte: site www.U2.com

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Post Scriptum (30/5/19):

Ontem, ao andar pelas ruas arborizadas da Universidade de São Paulo, refletia sobre essa música, que de certa forma é uma espécie de lema em minha vida desde que a conheço.

O pior é que sou ateu e a música é gospel. Na verdade, muitos nomes de músicas, livros e filmes valem mais que o próprio conteúdo: "O céu que nos protege", "Cem anos de solidão" (livro maravilhoso), "Ainda não encontrei o que procuro".

Ainda não encontrei o que procuro... que foda!

Saí do Banco do Brasil depois de quase 27 anos de trabalho. Quase 30 anos de bancário. Deixei de representar a classe trabalhadora como eleito depois de quase 20 anos de representação. Hoje, tenho recursos para a manutenção da minha vida e de meus entes queridos. Mas não estou feliz. Não estou em paz.

Estava andando na USP porque voltei a ser estudante de graduação da Letras. Eu queria terminar algo que ficou incompleto, que não fiz de forma satisfatória, porque minha prioridade era a representação e a luta dos trabalhadores. Agora voltei e não estou feliz, está estranho e sem sentido estar lá agora. Pra quê?

Na minha lista de objetivos, feita naquele período duro da adolescência, quando temos que sobreviver todos os dias, tinha desejos que eu hoje poderia realizar como, por exemplo, ter uma Harley Davidson e sair andando por aí. Não quero mais. Não tem sentido isso.

Quis fazer o caminho de Santiago de Compostela por quase três décadas. Cheguei a planejar a ida por duas vezes. Abortei ambas por causa de meus compromissos com a militância social. Poderia ir agora. Não sei se vou mais. Tá esquisito.

Tinha o sonho de correr e completar uma maratona. Cheguei a correr uma meia e a emoção de completar os 21k foi inesquecível. Hoje, teria condições de planejar uma rotina de treinos de seis meses a um ano e realizar esse sonho. Uma ressonância magnética na região do quadril revela que tenho alterações estranhas nos ossos, desgastes nos fêmures, desvio na região lombar etc. Que merda é essa que já me traz dores há meses?

E, por fim, o que mais está me matando, talvez nos matando, é o fato de o povo do meu país ter escolhido um fascista para governar o Brasil. Ele e sua família são acusados de envolvimento com milícias, defendem a destruição do patrimônio nacional, empresas públicas, destruição da natureza, fim dos direitos do povo, pregam o ódio e a ignorância. Estar vivendo isso, e saber que foram as pessoas que optaram por isso, está me matando de verdade. Talvez daí venha a falência do corpo que sempre enfrentou batalhas e batalhas. Isso tem sido demais.

Chega de comentar por hoje. Ainda não encontrei o que procuro...