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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Leituras Capitais - Camarada Trump



Refeição Cultural 

CartaCapital n° 1357


CAMARADA TRUMP

O adiamento do tarifaço reduz, mas não dissipa a tensão nos mercados globais. Aliados dos EUA preparam retaliações e o mundo se volta para a China


Durante décadas neoliberais, vimos as empresas capitalistas norte-americanas fecharem suas fábricas no país e ferrar o povo com desemprego em benefício dos donos das fábricas, os fdp do 1%. O lucro do acionista acima de tudo, claro! Levaram as plantas fabris para a China e outros países do Sul com "mão de obra barata".

Agora o presidente deles (condenado, nos lembremos disso) quer dar um cavalo de pau na economia mundial achando que da noite para o dia vai reverter o que seus magnatas e políticos fizeram em décadas. Taxar os produtos de fora vai ferrar de novo o povão, com inflação e piora de vida.

Vamos ver até quando os norte-americanos aguentam o "gênio" e condenado presidente do "MAGA" (seria Make America Grotesque Again?).

Republicanos e democratas vão resolver as coisas no diálogo, deixando as armas no armário? (Lembremos: são as guerras que salvam o capitalismo, os magnatas)

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CAPA

As matérias da seção estão ótimas. Além da primeira "Pato com laquê", de Carlos Drummond, os textos do professor Belluzzo "Trump e a história" e de Clarissa Carvalhaes "Quinta série" são esclarecedores sobre a história capitalista do pós guerra e da loucura que virou os States da atualidade.

Valem a leitura!

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SEU PAÍS

LIRA SAI DA SOMBRA 

CONGRESSO: O deputado fica com a relatoria da isenção do IR, opera a cassação de Glauber Braga e ostenta um novo casarão 

Por André Barrocal

Boa matéria. Não posso dizer o que penso desse féla...

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NO BASTIÃO LULISTA 

2026 - A abrupta queda da popularidade do presidente Lula no Nordeste acende sinal de alerta no Palácio do Planalto 

Por Fabíola Mendonça 

Ao ler a matéria, os depoimentos dos eleitores nordestinos ouvidos e o gráfico à página 27, sobre cenários eleitorais para 2026 (Datafolha), acho relevante no 3° cenário Bolsonaro ter 30% das intenções de voto contra 36% de Lula. É praticamente empate técnico e sem campanha alguma. 

Bolsonaro tem 30% só por disponibilizarem seu nome na pesquisa. Foda! E real! Isso é o povo brasileiro que muitos não querem ver. Uma gente crédula e facilmente manipulada por sofistas que abusam da ignorância das pessoas. 

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CARROÇA NA FRENTE DOS BOIS 

8 DE JANEIRO - Reivindicar o perdão de crimes antes mesmo do julgamento é uma aberração, avalia Técio Lins e Silva

Entrevista a Maurício Thuswohl

Gostei das reflexões do entrevistado. Sobre a visão punitivista de aumentar penas, defendida pela direita, Técio explica a respeito, dizendo não ser remédio eficaz:

"Nenhum criminoso consulta o Código Penal para ver se vai ou não praticar o crime."

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ANISTIA E ECOS DE PREUSSENSCHLAG

Pedro Serrano 

"Ao judiciário cabe, nas democracias contemporâneas, a última palavra em termos de interpretação da ordem jurídica" 

Os artigos do professor Serrano são sempre muito esclarecedores, trazem a história para explicar o sentido das coisas. 

Se o "acordão" entre o Judiciário, o Executivo e o Legislativo saírem do papel, anistiando ou reduzindo as penas que a lei já definiu antes, estaremos mais próximos do que vimos acontecer nas primeiras décadas do século passado em relação ao nazismo e fascismo. Hitler suplantou o Judiciário à época. 

Opinião minha: o pior é que vai sair a conciliação "por cima", aqui é o Brasil! Estamos fodidos!

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TRINCHEIRA ABERTA

CONGRESSO - Bolsonaristas se armam contra a PEC da Segurança, a principal aposta de Lula para deter o avanço do crime organizado no País

Por Maurício Thuswohl 

O governo apresentou a PEC que consolida o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A oposição fará de tudo para que o país não resolva o problema da segurança e dane-se o povo.

Estamos num momento falimentar da sociedade humana, francamente. 

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CONSERVAR O QUÊ?

"O que realmente significa pedir a manutenção da ordem social em nosso país?"

Artigo de Maria Rita Kehl

É sempre um alento ler os textos da psicanalista e escritora Kehl. Ela nos deixa pensativos. 

Comentários a partir do artigo: 

Até antes das guerras híbridas do império do Norte - os EUA desenvolveram métodos de desestabilizar governos de outros países -, era impensável no Brasil uma pessoa sair-se com a afirmação "sou conservador" e menos ainda "sou de direita". Nenhum idiota falava uma merda dessas! Nem as pessoas que tinham grana ou se achavam "das elites".

Agora, até os remediados (classe média), os pobres e os miseráveis arrotam essa estupidez: sou conservador...

Os ricos de verdade gostariam de ter seus escravizados, talvez. Por isso a referência nostálgica dos "bons e velhos tempos".

Mas e essa gente entre nós da classe trabalhadora? O pobre conservador quer conservar a má distribuição de renda e a injustiça social?

Pra vocês verem como idiotizaram as pessoas ao nosso redor. Foda isso!

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ECONOMIA

NA CORDA-BAMBA

ENTREVISTA - O Supremo precisa garantir o mínimo de proteção aos trabalhadores plataformizados, afirma presidente da ANPT

A Rodrigo Martins

A entrevista a Adriana Augusta de Moura Souza, presidenta da Associação Nacional das Procuradoras e Procuradores do Trabalho, deixa claro o que está acontecendo com o direito social e constitucional ao trabalho após a reforma do golpista Temer: o fim dos direitos sociais no Brasil. 

Na minha opinião, tínhamos que reagir nem que fosse com uma revolução contra o 1% que bancou toda a destruição de nosso mundo.

A distopia está dada. Ou eles ou nós 99% (e a natureza acaba junto com a gente).

Estamos no limiar do fim da civilidade humana. 

Vamos permitir o que alguns mortais estão fazendo com a vida e o planeta?

Que desgraça!

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QUE A DINAMARCA SEJA AQUI

Artigo de Adalberto Viviani

Apesar do artigo ter um tom positivo, sugerindo que o Brasil está na rota de grandes investimentos de conglomerados capitalistas chineses e outros, o que sei é que estão apostando alto que vamos ter mais obesos e diabéticos para faturarem 2 bilhões de dólares com nossos doentes...

PQP!

Viva o consumismo, a destruição da natureza e as doenças!!!

Viva o capitalismo! (Foda-se o mundo e os humanos...)

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NOSSO MUNDO

SER OU NÃO QUINTAL

EQUADOR - Daniel Noboa curva-se a Washington, enquanto Luisa González defende a identidade local no acirrado segundo turno

Por Gilberto Maringoni

O articulista explicou bem o ambiente do 2o turno das eleições no Equador. Mesmo tendo a máquina, o opositora de esquerda, González, era ligeiramente favorita.

Lendo a reportagem após as eleições, sei que o direitista bilionário "ganhou". A oposição contesta e declara fraude na cara dura.

O presidente Lula, do Brasil, diferente do caso da Venezuela de Maduro, reconheceu o resultado horas depois... que merda decepcionante essa questão diplomática do nosso país... que merda!

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SEM MÁSCARAS

GAZA - Diante da indecisão dos EUA, Israel avança nos planos de ocupação definitiva do território palestino 

Por Arturo Hartmann

A matéria nos conta com detalhes o que as pessoas conscientes sempre souberam. O genocídio do povo palestino é para ocupar a Palestina. O governo de Israel e seus soldados são assassinos, ladrões de terras e um regime odiento.

O mundo assiste sem frear o genocídio e o roubo da Palestina.

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DE MÃOS ATADAS 

JUSTIÇA - Criminosos de guerra desafiam o Tribunal Penal Internacional com o apoio de Estados omissos ou hostis às leis 

Por João Paulo Charleaux

O articulista até fez um bom histórico do TPI, mas a própria matéria demonstra que o tribunal só serve para os bagres e não para os peixes grandes. Serviu pra prender "criminosos" do continente africano, mas não serve pra figuras como Netanyahu.

Enfim, voltamos ao estado de barbárie histórica da civilização humana. 

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PLURAL

CRIMES SEM FIM

STREAMING - O True Crime, género que veio para ficar, passa a abarcar também acidentes marcantes e casos menos célebres

Por Ana Paula Sousa 

Pensando sobre esse estilo de programa, eu não perderia um minuto com essas coisas. 

Se for para comparar, diria que esses programas querem parecer aqueles jornais de "Notícias populares", que "escorriam sangue" nas capas expostas nas bancas de jornais e revistas de antigamente. 

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DEITADO NUMA CAMA DE PREGOS

MEMÓRIA - Silki, o maior - e talvez o único - faquir do Brasil, fez do jejum um meio de vida. Agora sua história virou um livro 

Por Carlos Minuano

Matéria excelente! A história de Adelino João da Silva, o faquir Silki, que passava mais de 100 dias sem comer, é extraordinária!

Em outra época de minha vida, colocaria o livro na minha lista de leituras.

Silki faleceu em 1998, perto de completar 79 anos. Vivia em Poa, na grande São Paulo, e morreu pobre como viveu a vida toda.

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CASA TOMADA

LIVRO - Por meio de um romance gótico feminino, Layla Martínez narra os horrores da Guerra Civil Espanhola 

Por Paula Sperb

Da mesma forma, sempre estive aberto a novas leituras a partir de sugestões de CartaCapital. Leria de boa o romance "Cupim", de Layla Martínez. 

É que meu momento é de sistematização do ontem. 

O romance me pareceu bem interessante. 

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MEMÓRIAS DE UM CRAQUE 

Afonsinho

"O goleiro Manga, que morreu aos 88 anos, possuía uma inteligência admirável e sempre conseguia se encaixar nas equipes campeãs"

Bonita lembrança do goleiro Manga.

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PASSOS ANTIDEPRESSIVOS 

Drauzio Varella

"Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association comprova que, quanto mais se caminha, menor o risco de desenvolver depressão"

Como sempre, o artigo do Doutor Varella traz estudos esclarecedores sobre temas de saúde. 

Ao ler o artigo, interpretei como instinto protetivo involuntário, meu hábito de toda uma vida de sair e andar andar andar sempre que algo catalisa em mim uma crise depressiva. As centenas de milhares de passos que dei como andarilho pesaram positivamente para ter chegado até aqui, neste 56° outono da existência. 

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COMENTÁRIO FINAL

A leitura integral de uma edição da revista CartaCapital, mesmo fora do tempo da notícia, é uma prática sistematizadora da compreensão do mundo atual. Um mundo foda!

Duas semanas após a edição que li, sei das muitas merdas que aconteceram após as matérias lidas. E compreendo as coisas. 

É isso. É melhor ler que não ler. Italo Calvino fala isso sobre os clássicos, mas aproprio o conceito para outras leituras como a revista do Mino Carta.

William 


sábado, 5 de abril de 2025

Uma história da leitura: Leitura das sombras



Refeição Cultural 

"No momento em que o primeiro escriba arranhou e murmurou as primeiras letras, o corpo humano já era capaz de executar os atos de escrever e ler que ainda estavam no futuro. Ou seja, o corpo era capaz de armazenar, recordar e decifrar todos os tipos de sensação, inclusive os sinais arbitrários da linguagem escrita ainda por ser inventados. Essa noção de que somos capazes de ler antes de ler de fato - na verdade, antes mesmo de vermos uma página aberta diante de nós - leva-nos de volta à ideia platônica do conhecimento preexistente dentro de nós antes de a coisa ser percebida. A própria fala desenvolve-se segundo um padrão semelhante. 'Descobrimos' uma palavra porque o objeto ou ideia que ela representa já está em nossa mente, 'pronto para ser ligado à palavra'. É como se nos fosse oferecido um presente do mundo externo (por nossos antepassados, por aqueles que primeiro falam conosco), mas a capacidade de apreender o presente é nossa. Nesse sentido, as palavras ditas (e, mais tarde, as palavras lidas) não pertencem a nós nem a nossos pais, aos nossos autores: elas ocupam um espaço de significado compartilhado, um limiar comum que está no começo da nossa relação com as artes da conversação e da leitura." (Uma história da leitura, Alberto Manguel, 1999, p. 50)


No capítulo "Leitura das sombras" Manguel nos conta a história dos estudos ao longo dos séculos para tentar entender essa capacidade extraordinária do ser humano de escrever e ler, já que somos seres falantes.

Vamos descobrindo o que a ciência de cada época humana foi apontando sobre a capacidade humana de falar, escrever e ler.

Achei muito legal a imagem final do capítulo: quando estou lendo é como se por trás de mim, lessem também as sombras dos leitores que vieram antes de nós, a ideia clara de que somos fruto de processos coletivos e compartilhados de cultura.

"(...) ao seguir o texto, o leitor pronuncia seu sentido por meio de um método profundamente emaranhado de significações aprendidas, convenções sociais, leituras anteriores, experiências individuais e gosto pessoal. Lendo na academia do Cairo, al-Haytham não estava sozinho; como se lessem por sobre seus ombros pairavam as sombras dos eruditos de Basra que haviam lhe ensinado a sagrada caligrafia do Corão na mesquita de Aristóteles e seus lúcidos comentadores, dos conhecidos casuais com quem al-Haytham teria discutido Aristóteles, dos vários al-Haythams que ao longo dos anos tornaram-se finalmente o cientista que al-Hakin convidou para sua corte." (p. 53)


Apesar de todas as convenções sociais e histórias anteriores de leituras do texto que você está lendo, sua leitura é única, é nova, é sua.

Pensa no poder disso! Pensa!

Por isso, nós leitores somos tão temidos por nazifascistas, manipuladores da fé, ignorantes em geral, governos autoritários, instituições e empresas, porque ler é poder!

William 


sábado, 22 de março de 2025

Uma história da leitura: A última página



Refeição Cultural 

"De início, mantinha meus livros em rigorosa ordem alfabética, por autor. Depois passei a separá-los por gênero: romances, ensaios, peças de teatro, poemas. Mais tarde tentei agrupá-los por idioma, e quando, durante minhas viagens, era obrigado a ficar apenas com alguns, separava-os entre os que dificilmente lia, os que lia sempre e aqueles que esperava ler..." (p. 33/34)


O livro de Alberto Manguel "Uma história da leitura" (1997) faz a gente viajar, tanto na história dos livros e suas leituras e leitores, quanto em nosso próprio passado de leituras ou não leituras. 

Fiquei tentando me lembrar de minhas primeiras leituras...

Os gibis vêm em primeiro lugar nas lembranças. Foi em uma aventura do Tio Patinhas, Pato Donald e seus sobrinhos que conheci a mosca tsé-tsé que faz suas vítimas dormirem.

Foi em Uberlândia, onde cresci e vivi entre os dez e os dezessete anos, que comecei a ler livros. Não me lembro de ter trazido livro algum para São Paulo, quando vim morar com minha avó Deolinda e primos. Vim sem nada. Ou deixei o que tinha nos meus pais ou era tudo emprestado o que li. Eu lia muitos livros do Jorge Luiz, meu primo.

"(...) era tão arbitrária ou constituía uma escolha tão aceitável quanto a literatura que eu mesmo podia construir, baseado nas minhas descobertas ao longo da estrada sinuosa de minhas próprias leituras e no tamanho de minhas próprias estantes. A história da literatura, tal como consagrada nos manuais escolares e nas bibliotecas oficiais, parecia-me não passar da história de certas leituras - mais velhas e mais bem informadas que as minhas, porém não menos dependentes do acaso e das circunstâncias." (p. 34)

O que Manguel descreve sobre o acaso das leituras é bem verdadeiro em nossas histórias de leituras.

Durante os anos de crescimento em Uberlândia, eu fui lendo os livros que tomei emprestado, a maioria do meu primo. Eu ir a uma livraria comprar um livro era algo fora de perspectiva à época.

Naquele tempo, anos oitenta, eram livros "best sellers", os mais vendidos ou lançados no "Círculo do Livro", os livros que a gente lia.

Então, li adolescente "Tubarão" (1974), de Peter Benchley, "O exorcista" (1971), de William Peter Blatty, "Os mortos vivos" (1979), de Peter Straub (ler comentário aqui), "Horror em Amityville" (1977), de Jay Anson (ler aqui), "Carrie" (1974), de Stephen King (ler aqui) e outros livros de suspense. Eram os livros da hora.

Calhou de ler alguns livros que podemos considerar clássicos da literatura universal. Li "Lolita" (1955), de Vladimir Nabokov, e "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída" (1978) antes dos dezoito anos. Li "Mar morto" (1936), de Jorge Amado (ler aqui), um puta clássico. Li "Hamlet" (1600), de William Shakespeare (ler aqui), e gostei demais da tragédia!

Dos livros que a escola obrigava a ler, me lembro do sofrimento pra ler "O cortiço" (1890), de Aluísio Azevedo, "O Ateneu" (1888), de Raul Pompeia e "Senhora" (1875), de José de Alencar.

Li muito jovem "Enterrem meu coração na curva do rio" (1970), de Dee Brown. Que orgulho!

A história da leitura de cada leitor(a) já é uma aventura. Acredito nisso de verdade. 

Eu não fui salvo só pelos acasos, pelos anjos e pessoas queridas que passaram por minha vida e pelo movimento sindical. 

Também fui salvo pelos livros. 

William 


sábado, 15 de março de 2025

O trato dos viventes: os brasileiros



Refeição Cultural

O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, Séculos XVI e XVII - Luiz Felipe de Alencastro


"Entre outros autores seiscentistas, Brito Freyre fala dos 'portugueses brasílicos', elogiando sua atuação na guerra contra os holandeses (...) quando a palavra brasiliense se referia sobretudo aos índios, e brasileiro principalmente aos cortadores de pau-brasil (...). Os 'brasílicos' tornam-se 'brasileiros', no sentido atual da palavra, ao longo do século XVIII, depois que a economia do ouro engendra uma divisão inter-regional do trabalho e um mercado interno na colônia..." (O trato dos viventes, Luiz Felipe de Alencastro)


OS BRASILEIROS

Uma nota de rodapé do capítulo um nos explica a origem da denominação que acabou se estabelecendo para nós que nascemos e vivemos no Brasil. 

"Brasileiros" eram as pessoas que cortavam o pau-brasil, pois "eiro" é sufixo de função ou atividade, tipo padeiro, pedreiro etc. 

Nos primeiros séculos, "brasilienses" eram os indígenas, povos nativos.

Os "brasílicos", os colonos da terra, viriam mais tarde a serem denominados brasileiros, nós.

William 


sexta-feira, 7 de março de 2025

O nome da rosa: os segredos da igreja



Refeição Cultural 

Umberto Eco, um grande pensador


"Aconteceu uma coisa nesta abadia, que pede a atenção e o conselho de um homem prudente e agudo como vós. Agudo para descobrir e prudente (se for o caso) para encobrir." (p. 37)


Ao reler com atenção o que havia lido de forma displicente, vou percebendo as nuanças da história e do enredo em O nome da rosa (1980). 

O sábio franciscano frei Guilherme de Baskerville vai à abadia do romance por missão dada a ele pelo imperador. 

O abade local, na primeira conversa com o visitante, já dá a ele a determinação que se espera de qualquer investigação ou tarefa a cumprir: encubra seja lá o que descobrir...

É mole?

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Palavras, palavras, palavras... ler sem atenção nos tira a essência da leitura.

Quantas vezes interrompi leituras de clássicos da literatura universal para recomeçar com mais sentido!

A primeira vez que li Ulisses (1922), de Joyce, comecei diversas vezes o livro e voltei ao início, até que peguei o ritmo.

Não foi diferente com Os Lusíadas (1572), de Camões. E com a Odisseia, atribuída ao aedo Homero, se passou a mesma coisa quando a li em versos.

O nome da rosa deve ser lido com atenção, pois tem muita coisa a cada página da obra.

A estratégia do abade Abbone foi interessante, mas a postura escorregadia do frei também surpreendeu. 

Ao saber que o frei Guilherme de Baskerville foi um inquisidor que livrou da fogueira alguns acusados, saiu com um discurso malicioso ao sugerir que ele reconhecia que alguns acusados eram inocentes por ser culpado o diabo...

Frei Guilherme respondeu ao abade Abbone que o diabo era tão esperto que poderia até influenciar o inquisidor... 

É lição para quem sabe ler além das palavras. 

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A igreja encobre os erros de seus membros 

"(...) Frequentemente, de fato, é indispensável provar a culpa de homens que deveriam sobressair por sua santidade, mas de modo a poder eliminar a causa do mal sem que o culpado seja relegado ao desprezo público. Se um pastor falha, deve ser isolado dos outros pastores, mas ai se as ovelhas começam a desconfiar dos pastores." (p. 37)

Sigamos, de forma perspicaz, pelos cantos sombrios da vida.

William 


Bibliografia:

ECO, Umberto. O nome da rosa. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Rio de Janeiro: O Globo; Folha de São Paulo, 2003.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Poema 15: Com a palavra, o Hamas


COM A PALAVRA, O HAMAS


        Princípios e políticas gerais (maio de 2017)


Movimento de Resistência Islâmica, "Hamas".

Movimento de libertação nacional, que

confronta o projeto sionista

e não os judeus e o judaísmo.


A Palestina se estende do Rio Jordão, a Leste,

até o Mediterrâneo, a Oeste.

Desde Ras Al-Naqurah, ao Norte,

até Umm Al-Rashrash, ao Sul,

é uma unidade territorial integral.


Palestinos são árabes que viveram (ou vivem)

na Palestina até 1947, incluídos

os expulsos e seus descendentes. 

A identidade palestina é autêntica e atemporal,

e transmitida de geração a geração. 


A Palestina está no coração da Umá árabe e islâmica.

Umá é a comunidade dos muçulmanos do mundo.

Jerusalém é a capital da Palestina. 

A abençoada Mesquita de Al-Aqsa

pertence aos palestinos e à Umá.


A causa palestina é a causa

de uma terra ocupada 

e de um povo deslocado. 

O direito dos refugiados ao retorno

é um direito natural, por leis divinas,

por princípios de direitos humanos

e pelo Direito Internacional. 


E pra finalizar, é importante frisar:

O conflito do Hamas é contra o sionismo, 

não com os judeus e sua religião.

É uma luta contra a ocupação sionista,

da sagrada terra Palestina. 


William 

13/02/25


(Com informações do livro "O Hamas conta seu lado da história", edição geral Rui Costa Pimenta, 2024.)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poema 8: O Brasil não é um país laico


O BRASIL NÃO É UM PAÍS LAICO

 

          "sob a proteção de Deus..." (CF 1988)


Preâmbulo


Nós, representantes do povo brasileiro,

reunidos em Assembleia Nacional Constituinte

para instituir um Estado democrático,

destinado a assegurar o exercício

dos direitos sociais e individuais,

a liberdade, a segurança, o bem-estar,

o desenvolvimento, a igualdade e a justiça

como valores supremos

de uma sociedade fraterna,

pluralista e sem preconceitos,

fundada na harmonia social

e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos,

sob a proteção de Deus,

a seguinte Constituição

da República Federativa

do Brasil.


Laico? Em nome de Deus?

O Brasil é uma piada pronta!


William

03/02/25


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Livro: Crisálidas - Machado de Assis



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025


“EPITÁFIO DO MÉXICO

Dobra o joelho: — é um túmulo.

Embaixo amortalhado

Jaz o cadáver tépido

De um povo aniquilado;

A prece melancólica

Reza-lhe em torno à cruz.


Ante o universo atônito

Abriu-se a estranha liça,

Travou-se a luta férvida

Da força e da justiça;

Contra a justiça, ó século,

Venceu a espada e o obus.


Venceu a força indômita;

Mas a infeliz vencida

A mágoa, a dor, o ódio,

Na face envilecida

Cuspiu-lhe. E a eterna mácula

Seus louros murchará.


E quando a voz fatídica

Da santa liberdade

Vier em dias prósperos

Clamar à humanidade,

Então revivo o México

Da campa surgirá.” 


(de “Obras Completas de Machado de Assis IV: Poesia Completa” por Machado de Assis)


Ando me esforçando para conhecer um pouco mais as obras poéticas dos grandes autores da poesia universal. 

Sou nascido e criado no Brasil dos anos setenta e oitenta, de família pobre e de pouca cultura formal, escolar, gente que ralou na vida desde criança para sobreviver em um dos países mais violentos e desiguais do mundo. 

Fui aculturado num ambiente nacional marcado pelas opressões da religião oficial do Estado e dos donos do poder, a católica, e num ambiente machista, misógino, racista e avesso às diversidades... o Brasil. 

Até uns trinta anos de idade, eu achava poesia coisa para os outros, não para mim. Preconceito. Ignorância, lógico!

Imagino, olhando para trás, que a oportunidade de fazer o curso de Letras, na USP, tenha sido a porta de entrada para outros gêneros literários tão diversos e ricos dessa nossa contraditória espécie humana. 

Dei sorte na vida. Sou um homem de sorte. Sem entrar na vereda da cultura e do desejo de saber mais, vindo de onde vim, poderia ser outra pessoa. Não acho que seria melhor cidadão sem o desejo do saber. 

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CRISÁLIDAS (1864)

Na busca por novas poéticas, mergulhei na leitura do primeiro livro de poesias do Bruxo do Cosme Velho.

Sempre que leio textos antigos, tento me colocar na posição de um leitor da época da publicação ou criação daquela produção cultural. Não é fácil, somos o que somos. Mas eu leio textos antigos pelo menos com essa atenção.

Foi assim que li os poemas de Crisálidas, de Machado de Assis. 

A leitura foi exigente, foi preciso concentração para apreciar as imagens poéticas desenvolvidas pelo poeta Machado.

Curiosidade 

Ao pesquisar sobre o poema "Embirração", de Faustino Xavier de Novais (F. X. de Novaes no livro de M. Assis), descobri que o poema foi uma resposta do poeta ao poema "Aspiração", em Crisálidas, dedicado a F. X. Novaes.

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São trinta poemas no livro, alguns com grandes extensões como, por exemplo, "Versos a Corina (I)".

Dois poemas abordam especificamente tema religioso: "O Dilúvio" e "Fé".

Dois tratam de assuntos internacionais: "Epitáfio do México" e "Polônia".

Enfim, sigamos lendo poesia e descobrindo poéticas.

William 


Bibliografia:

ASSIS, Machado de. Obras Completas IV - Poesia Completa. ePUB.


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (44) - A caridade, Machado de Assis



A CARIDADE - MACHADO DE ASSIS


Ela tinha no rosto uma expressão tão calma

Como o sono inocente e primeiro de uma alma

Donde não se afastou ainda o olhar de Deus;

Uma serena graça, uma graça dos céus,

Era-lhe o casto, o brando, o delicado andar,

E nas asas da brisa iam-lhe a ondear

Sobre o gracioso colo as delicadas tranças.


Levava pelas mãos duas gentis crianças.


Ia caminho. A um lado ouve magoado pranto.

Parou. E na ansiedade ainda o mesmo encanto

Descia-lhe às feições. Procurou. Na calçada

À chuva, ao ar, ao sol, despida, abandonada

A infância lacrimosa, a infância desvalida,

Pedia leito e pão, amparo, amor, guarida.


E tu, ó caridade, ó virgem do Senhor,

No amoroso seio as crianças tomaste,

E entre beijos — só teus — o pranto lhes secaste

Dando-lhes pão, guarida, amparo, leito e amor.


Do livro Crisálidas, de 1864

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COMENTÁRIO:

Hoje, escolhi ler os poemas do mestre Machado de Assis. Li seu primeiro livro de poesia, Crisálidas, de 1864. Machado tinha 25 anos.

Seus poemas abordam temas comuns na época, imagino eu. Amor romântico, religião e fé inquestionável em Deus, técnicas do fazer poético etc.

Um século e meio depois, o poema "Caridade" segue mais atual que nunca. Entre o passado e o presente, nada mudou: as crianças seguem nas ruas, e suas mães também, e a fome também. 

Como a casa-grande não admite um Estado republicano de verdade, com a 'res pública" (vide o orçamento secreto para os ladrões fdp), só apelando poeticamente por "caridade" para lidar com os miseráveis do capitalismo, descritos desde aquela época por Victor Hugo.

William 


Bibliografia:

ASSIS, Machado de. Obras Completas IV - Poesia Completa. ePUB.



sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Partindo de Ushuaia (ARG)



Refeição Cultural 

Ushuaia (ARG), 29 de novembro de 2024. Sexta-feira.


Estamos de saída da Terra do Fogo, do assentamento humano mais austral do continente americano, segundo os argentinos. Chilenos contestam porque a cidade de Puerto Williams (CHI) está mais ao Sul, do outro lado do Canal de Beagle, mas é um assentamento bem pequeno. 


Ushuaia é considerada a "Terra do fim do mundo", o cu do mundo (rsrs). Não sou eu quem diz isso, são os locais. Vejam na placa acima: "Culo del Mundo".

Não basta um self hoje em dia, os turistas
"emporcalharam" a placa de adesivos...

Chegamos aqui no domingo e fizemos alguns passeios durante a semana. Eu gosto de estudar e conhecer a história dos lugares que conheço. Vou ler mais a respeito de Ushuaia.

Foto que tirei na Secretaria dos
Povos Originários do governo local. 

O livro sobre o primeiro assentamento dos colonizadores (invasores) europeus que adquiri é para ver como a questão tem sido tratada pela comunidade local (foto que abre a postagem).


Gostamos do passeio. É muito legal conhecer outras culturas, comunidades humanas e lugares distintos do nosso.

O Farol do Fim do Mundo.

Eu sinto uma fraternidade imensa por nossos irmãos e irmãs de Nuestra América. Sou humanista, de esquerda e contra as diversas formas de imperialismo. 


Senti o quanto é sensível para uma pessoa argentina a questão das Ilhas Malvinas, e me solidarizo com los hermanos.

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Enfim, voltando ao Brasil, nosso país sul-americano. 

William Mendes 

29/11/24


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia (ARG)


Vista aérea.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 26 de novembro de 2024. Terça-feira.


Impressões

Escrever sobre um lugar que se está conhecendo enquanto a viagem está em curso não é um trabalho simples para mim. Em geral, prefiro estudar um pouco a respeito da geografia do local, da cultura de seu povo e da história daquela comunidade para me sentir mais confiante em não escrever bobagem.

Extremo Sul da Argentina.

Estamos em Ushuaia, na Argentina, a cidade mais austral do país e do continente americano. Mais "austral" significa mais ao Sul. Pelo que ouvimos por aqui, estamos a cerca de mil quilômetros da Antártida. Como estamos em novembro, não está em período de neve, porém, faz frio diariamente. Nesta semana, a temperatura está entre 4 e 5º e chegando a 13º. Anoitece depois das 22h e amanhece lá pelas 5h da manhã. O vento é muito gelado.

Paisagem da janela.

Saímos de São Paulo no sábado de noite e após dois voos ao longo da noite, chegamos a Ushuaia pouco depois das 10h da manhã. Viemos pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Não houve atrasos e correu tudo bem nos voos. São umas três horas até Buenos Aires e mais três horas e pouco até a "Terra do fim do mundo", um dos simpáticos apelidos da cidade. Os assentos dos voos são muito apertados, alguém maior que nós sofreria muito.

Calle San Martín.

Tudo aqui é muito caro, ao fazer o pacote de viagem já sabíamos disso. Achamos melhor contratar os passeios que faríamos com nossa agente de viagem. Querem exemplos de valores em reais na conversão ao pagar com cartão de crédito? Dois pratos de macarrão com refrigerante num mercadinho local: 162 reais (26.800 pesos). Duas garrafas de 1,5L de água: 30 reais (4.800 pesos). Uma refeição pode custar de 10.000 a 35.000 pesos, ou seja, de 60 a 200 reais, uma refeição! Sabem quanto custam duas entradas no museu local? 36.000 pesos cada (uns 450 reais o casal).

Hotel Albatros.

Apesar de apontar essa primeira impressão sobre os preços das coisas e os perrengues comuns de voos como, por exemplo, assentos apertados, a viagem para conhecer a cidade de Ushuaia está valendo muito a pena. É evidente que há nos preços locais um componente relativo às características da cidade: distante de tudo e foco no turismo. 

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Comendo uma pizza.

Viajar é uma experiência incrível e conhecer lugares e culturas diferentes da nossa é algo que nos marca para sempre.

Se conseguir, vou fazer algumas postagens sobre a experiência cultural ao se visitar o "fim do mundo". 

Na extensão do Blog Refeitório Cultural, dedicada a fotos, farei postagens com imagens que tenha gostado (ver aqui).

William Mendes

26/11/24


segunda-feira, 24 de junho de 2024

Leitura: Otimismo em gotas, de R. O. Dantas



Refeição Cultural 

Osasco, 24 de junho de 2024.


"Um livro aberto é um cérebro que fala;

fechado, um amigo que espera;

esquecido, uma alma que perdoa;

destruído, um coração que chora. 

              Emerson"


Um dia, ao fazer uma cópia de chave em uma banquinha no Vale do Anhangabaú, descendo a Avenida São João, vindo do Edifício Martinelli, ganhei este pequeno livro do chaveiro, que autografou o presente. Ele assinou a dedicatória como Dinamor, um dos pseudônimos que assinam várias sabedorias no livro.

Fuçando em minhas mídias de cultura, sentei-me para ler as gotas de otimismo reunidas em livro por R. O. Dantas ou Dinamor ou os eu-líricos diversos da obra, afinal de contas:

"Não procures saber quem disse,

Mas, sim, o que foi dito...

Busque-se antes a utilidade da mensagem,

Que a sutileza da linguagem. 

              Anônimo"

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"A pessoa que não lê, 

mal fala, mal ouve, mal vê. 

              Malba Tahan"

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Uma das características que se vai observando ao longo da leitura das sabedorias registradas no livro tem muita relação com o objetivo deste blog desde sua criação: compartilhar de forma gratuita o que se sabe.

"Se me oferecessem a Sabedoria com a condição de a guardar só para mim, sem comunicar a alguém, não a quereria.

              Sêneca"

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"A adversidade é o microscópio que nos ensina 

a olhar a vida com mais profundidade. 

             Dinamor"

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"Prepara-te para o que quiseres ser.

             Provérbio alemão"

Caramba! Fiquei pensando nesse provérbio...

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"F ale menos

E scute mais

L eia bons livros

I mite as boas ações 

C ultive o otimismo 

I lumine a escuridão 

D eseje o bem a todos

A legre-se com o êxito dos outros

D ê o melhor de si

E vite os excessos.

              Dinamor"

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Pensamentos interessantes do livro não citados na postagem: 

Helena P. Blavatsky (p. 20); Alba (p. 35);

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Comentário: uma coisa que pensei ao ler as sabedorias reunidas no livro foi a possibilidade de ver com minha mãe se ela quer e se permite que eu divulgue algumas das sabedorias que sei que ela escreve faz tempo.

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(Texto em andamento)

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Bibliografia:

DANTAS, R. O. Otimismo em gotas. 100a ed. Porto Alegre: Katy, 2005. 176 p. 10,5 x 14 cm.


domingo, 26 de novembro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 26 de novembro de 2023. Madrugada de domingo.


Livros e leituras

Por onde começo esta reflexão sobre livros e leituras? Que imagem poderia escolher para abrir a postagem no blog? Enquanto pensava nas primeiras palavras, pensava nas respostas às questões. A capa do livro de Alberto Manguel foi a imagem que mais rapidamente representou as questões que estou em mente. Que livro surpreendente!

Ainda sobre a questão dos livros e leituras, pensei também nos Concertos de Brandenburg, de J. S. Bach... Explico: um dos concertos, o de número 2, fez parte das músicas escolhidas pela Nasa para tentar contatos com outras formas de vida no universo. Em 1977, a Voyager foi enviada ao espaço com diversos produtos criados pelos humanos, e Bach foi um dos escolhidos para compor a lista de músicas no disco de ouro que ficou tocando dentro da espaçonave.

Voltando aos livros e leituras. O livro de Alberto Manguel foi uma das leituras mais marcantes de minha história de leitor. Antes de lê-lo, eu nunca tinha parado para pensar que a leitura tinha uma história. Que os livros nas suas mais diversas formas desde que os humanos passaram a registrar a história através de signos linguísticos tinham uma história, história de sobrevivência. E tinham! Têm!

Ao longo de minha vida de representação da classe trabalhadora, passei a escrever de forma regular. Antes eu já escrevia, para ser sincero. À medida que lia, refletia, e escrevia. À medida que fazia política junto às pessoas que representava e à militância, refletia, e escrevia. Antes do nascimento da internet com acesso para todos, escrevia em diários e brochuras, cadernos, no computador. Com a facilidade de criar uma página na internet, passei a escrever em blogs.

Cheguei a pensar em escrever sobre a história da categoria bancária, pois uma das coisas que fiz melhor na minha vida foi ser sindicalista. Conforme assumia novas tarefas no movimento, ganhava novos conhecimentos e escrevia com facilidade sobre aquilo que sabia bem. Foi assim que passei a contribuir para a confecção de matérias em páginas de comunicação sindical, revistas e teses de congressos políticos. 

E escrevendo sobre as representações eletivas, escrevi mais que boa parte dos jornalistas em atuação em suas áreas - com dedicação exclusiva - quando exerci um mandato de diretor de saúde na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi. Não sei se muitos jornalistas escreveram mais de 600 textos em 4 anos. Faço a comparação porque eu não ficava só por conta de escrever, pelo contrário, eu lia dezenas de documentos para reuniões semanais, tinha agendas de viagem para estar junto às bases sociais e ainda escrevia sobre tudo isso.

Alberto Manguel ao contar a história da leitura, conta cada coisa que a gente não imaginaria se ele não organizasse de forma sistematizada para revelar aos leitores. Quando o mundo todo era praticamente analfabeto, e só alguns afortunados tinham o poder da leitura dos signos registrados em materiais diversos, a leitura era em voz alta, um lendo e todos ouvindo. Depois, ele nos conta a revolução causada pela alfabetização, quando a leitura passou a ser acessível a mais gente, as pessoas passaram a ler em silêncio, e isso causou um rebuliço danado. Uma pessoa com um livro na mão parecia algo subversivo, estranho... imaginem só! O que será que aquela moça estaria lendo? E aquele rapaz no canto? Sobre o que estaria lendo e rindo tanto aquela senhora?

Faz tempo que venho refletindo sobre as tecnologias da atualidade e também sobre o comportamento humano dos dias que correm. Uma das coisas que me incomodam muito é a questão dos livros virtuais, os livros que existem em aparelhos que só funcionam com bateria e energia elétrica, conta e senha, um provedor, uma conexão com a internet etc. Suponhamos que uma pessoa tenha um acervo de mil livros, mil livros que não estão numa estante, não são físicos. São livros virtuais num aparelho tipo Kindle. Os mil livros físicos na estante estão lá, se o dono morrer, terão uma destinação qualquer, serão espólio. Serão doados, com sorte, ou o herdeiro vai usufruir deles. E os mil do acervo virtual? Espólio de algum herdeiro? Como? A herdeira pode acessar os livros no Kindle, ela sabe a senha... e se o aparelho pifar? Tem a conta na nuvem... e a herdeira tem a maldita senha de acesso a nuvem? Gente, fala sério! Os livros virtuais não existem!

Fiquei pensando na história da leitura... fiquei pensando no Concerto de Brandenburg nº 2 para contato com extraterrestres... Imaginem como deve estar difícil para um palestino que vivia em Gaza tentar ler um acervo de livros virtuais... sei que se tivesse livros físicos eles já teriam sido destruídos ou teriam sido deixados para trás (lembram o que os EUA fizeram com a Biblioteca de Bagdá? Uma das mais antigas da história humana). 

Felizmente, a história da leitura sempre teve o caso de alguém que escolheu um ou dois pergaminhos para levar consigo na fuga, tabuinhas da lei, livros excomungados ou proibidos... O que sobrou da história de tragédias humanas foram só fragmentos de registros de signos linguísticos, alguma coisa de Aristóteles, dos romanos, de escrituras sagradas, de textos escondidos como os do Mar Morto... E essas coisas virtuais guardadas em computadores em algum canto que ninguém sabe onde? A produção virtual do conhecimento humano está se perdendo há duas décadas porque só existia na forma digital... é uma tragédia! Pensem no acervo de produção intelectual de duas décadas da antiga Carta Maior... já era! Vaporizado! O provedor não recebeu mais as mensalidades e deletou tudo!

Enfim, minha reflexão iria longe se eu não interrompesse por aqui esta postagem.

Estou pensando em editar alguns textos em forma de livros. Já registrei muita coisa como um sujeito histórico, só nos blogs são mais de 5 mil postagens, talvez a metade delas com conteúdo interessante. Sou um sujeito histórico como todos nós somos, os humanos são os sujeitos da história. Em outros tempos, seria uma boa notícia pelo lugar de fala que eu ocupava. 

Conversando com a editora que vai me ajudar, escolhi minha coletânea de memórias das lutas sindicais para começar. Estava olhando hoje por curiosidade a quantidade de acessos aos textos de memórias, aos 39 textos dessa temática. Por incrível que pareça, os textos já tiveram mais de 85 mil acessos! A média é de quase 2.200 acessos por texto. Não sei como se daria a questão no caso de um livro bem editado e impresso. Não sei. De novo, pensei na história da leitura que Manguel nos conta. Os leitores de meus textos no blog são os leitores silenciosos que podem parecer subversivos lendo algo proibido ou excomungado.

Será que ter em mãos um livro impresso com as minhas memórias funcionaria como os textos no blog, que um dia desaparecerão muito mais facilmente que um livro sobrevivente numa estante qualquer num lugar qualquer?

Vamos dormir. Um abraço fraterno às leitoras e leitores silenciosos de meus blogs. Saibam vocês que tudo que escrevo é fruto de muita reflexão, estudo, experiência e é feito com muita honestidade intelectual. Obrigado pela leitura!

William Mendes


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Diário e reflexões - Naruto (02/08/23)



Refeição Cultural

Osasco, 2 de agosto de 2023. Quarta-feira.


INTRODUÇÃO

Ao refletir sobre a leitura de mangás e do mangá do personagem Naruto, me lembrei do intelectual Alberto Manguel nos contando sobre a história das leituras no livro fantástico Uma história da leitura, de 1999 (comentário aqui). As leituras têm uma história.

Por que um cara com mais de cinquenta anos está lendo mangás do Naruto? Posso simplesmente dizer que estou lendo porque quero ou porque gosto, por isso ou por aquilo. Na verdade, não é preciso um motivo específico para ler algum tipo de gênero literário. E o contrário também é verdadeiro, pode ser que estejamos lendo algum tipo de literatura por diversos motivos.

De certa forma, comecei a ver animes e a ler mangás por um motivo sim, para ter contato com um tipo de cultura que jovens gostam, porque sou pai e seria legal conversar e trocar impressões sobre Histórias em Quadrinhos (HQ) e animes japoneses. Minha leitura de mangás tem uma história.

Comecei a ver animes com meu filho entre 2016 e 2017. Eu trabalhava em Brasília, longas jornadas, viajava muito, e me sobrava pouco tempo para estar com a família. O contexto familiar foi ficando bem complicado e eu me sentia mal por não poder mudar aquela situação de pouco contato com o filho.

Naquela época, era comum estarmos cada um num lugar durante semanas. Meu filho estudando no interior de São Paulo, minha esposa em Osasco e eu em Brasília. Foi então que pensamos em compartilhar algo que nos colocasse em sintonia, mesmo separados fisicamente. Decidimos ver anime. 

O primeiro anime que vimos em 2016, meu filho e eu, foi Death Note (comentário aqui). Meu filho é quem sempre escolhia os animes que veríamos. Ele é especialista no tema e tem excelentes sugestões para nós. Foi bem interessante a experiência do primeiro anime. 

Além de adquirir um conhecimento novo, os episódios geravam boas discussões entre nós. Quando não estávamos juntos fisicamente, víamos juntos os episódios: cada um no seu notebook dava o "play" no mesmo instante e víamos "juntos" o anime.

Depois passamos a ver alguns animes os três. Chegamos a ver episódios cada um num local diferente, como disse acima: eu em Brasília ou em algum hotel pelos cantos do Brasil, a mãe em Osasco e o filho em Jaboticabal. Família unida, vendo animes no computador ao mesmo tempo.

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Ao pesquisar sobre essa temática dos animes no blog, encontrei uma postagem saudosa dessa época. Estava sozinho em Brasília, família distante, fim do dia de trabalho na Cassi, passaria o fim de semana sozinho em casa, aí peguei um dos livros de ficção do filho para ler - O azarão, de Markus Zusak (ler comentário aqui). A postagem de 2017 me fez recordar essas lembranças que estou registrando aqui. 

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NARUTO - MASASHI KISHIMOTO


ANIME

Meu primeiro contato com o anime Naruto se deu em 2017. Como expliquei acima, estávamos assistindo animes como forma de nos mantermos unidos mesmo estando distantes uns dos outros.

No final daquele ano, já tínhamos visto 40 episódios do anime. Escrevi à época:

"Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia." (ver postagem toda aqui)

O garoto Naruto é órfão e sua atitude perante a vida é de determinação na busca de seus objetivos. Ele não é um garoto que fica pelos cantos se lamentando pelos infortúnios da vida.

Na época, vimos toda a primeira parte de Naruto, quando ele deixa a Aldeia Oculta da Folha com Jiraiya para um treinamento que durará mais de dois anos.

Naruto Uzumaki é um dos três membros da "Equipe 7", treinada pelo sensei Kakashi Hatake. Seus companheiros de equipe são Sasuke Uchiha e Sakura Haruno.

A experiência de ver o anime Naruto é ampliada pela trilha sonora, que é fantástica. As músicas de determinados momentos da história já fazem parte de nossa experiência com Naruto.


MANGÁS

Agora, muitos anos depois, resolvi ler os mangás que deram origem ao anime e a experiência é bem diferente, e ambas são muito interessantes.

A edição brasileira da coleção de mangás do Naruto saiu pela Panini e contém 72 volumes, sendo a primeira parte até o volume 27, capítulos 1 a 244 e a segunda parte vai até o capítulo 700.  

Levarei muito tempo para ler todos os volumes do mangá, mas tudo bem. E para ficar melhor ainda, estou revendo os animes à medida que avanço nos volumes do mangá.

Nos 4 primeiros volumes, revi a apresentação dos personagens principais: Naruto, Iruka sensei, Sasuke, Sakura e Kakashi, dentre outros da Aldeia Oculta da Folha. É bom citar também Konohamaru, o garotinho neto do Terceiro Hokage.

Os ninjas desenvolvem habilidades a partir de treinamento intensivo e uso de energia vital, seus chakras, e alguns ninjas trazem habilidades especiais herdadas de família ou adquiridas como é o caso do garoto Naruto, que traz em si a Raposa de Nove Caldas, derrotada numa batalha e selada dentro do garoto recém-nascido.

Após Naruto ser admitido na escola de formação de ninjas, eles saíram numa primeira missão com o sensei Kakashi e tiveram que lidar com vilões muito poderosos: Zabuza e Haku. 

Neste momento inicial, Naruto já desenvolveu seu principal jutsu, o Jutsu Clone das Sombras. Ele também tem um jutsu que causa sensação (risos), o Jutsu Sexy, que deixa qualquer homem no chão.

Post Scriptum: meu filho me lembrou de uma questão interessante no jutsu dos clones usado por Naruto: ele nunca teve família e ao criar clones de si mesmo acaba sendo uma habilidade que dialoga com a solidão que o acompanhou ao longo da infância. Tem um sentido psicológico aí...

Enfim, seguimos em contato com todas as formas de cultura e conhecimento. Animes e mangás são de uma riqueza cultural imensa e eu recomendo a experiência para todas as pessoas.

William