Mostrando postagens com marcador Vanguardas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vanguardas. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de outubro de 2019

Sobre as vanguardas latino-americanas - Alfredo Bosi



Professor Alfredo Bosi. Foto: ABL.

Refeição Cultural

Este texto do Professor Alfredo Bosi é a "Introdução" ao livro "Vanguardas Latino-Americanas - Polêmicas, Manifestos e Textos Críticos", de Jorge Schwartz, publicado em 1995 pela Edusp. Bosi apresenta de forma clara o quanto foram amplos, diversos e de difícil organização de pontos comuns os movimentos de vanguardas latino-americanas na primeira metade do século XX.

Estou estudando as vanguardas em uma disciplina do curso de graduação em Letras na Universidade de São Paulo e a reprodução de partes do texto do professor Bosi tem o intuito de compartilhar conhecimento e educação de forma gratuita e como referência para outros estudos e novos conhecimentos a partir daí.

--------------------------

A Parábola das Vanguardas Latino-Americanas

Bosi inicia a introdução ao livro, destacando o trabalho fantástico desenvolvido pelo crítico argentino-brasileiro e professor de Literatura Hispano-Americana Jorge Schwartz.

Depois começa a dissertar a respeito das vanguardas em si.

"Consideradas por um olhar puramente sincrônico, isto é, vistas como um sistema cultural definido no espaço e no tempo, as nossas vanguardas literárias não sugerem outra forma se não a de um mosaico de paradoxos. Causa embaraço ao seu historiador atual qualquer tentativa de exposição sintética desses movimentos, pois a busca de traços comuns esbarra a cada passo em posições e juízos contrastantes. O leitor de hoje, se interessado em detectar o caráter dessa vanguarda continental, o quid capaz de distingui-la de sua congênere europeia, colhe os defeitos de tendências opostas e, muitas vezes, repuxadas para seus extremos: as nossas vanguardas conheceram demasias de imitação e demasias de originalidade.

Quem insiste em proceder ao corte sincrônico terá que registrar, às vezes no mesmo grupo e na mesma revista, manifestos em que se exibe o moderno cosmopolita (até à fronteira do modernoso e do modernóide com toda a sua babel de signos tomados a um cenário técnico recém-importado) ao lado de exigências convictas da própria identidade nacional, ou mesmo étnica, misturadas com acusações ao imperialismo que desde sempre massacrou os povos da América Latina.

Assim, no interior da mesma corrente, como por exemplo entre os modernistas brasileiros da fase mais combativa (de 22 a 30, aproximadamente), valores estetizantes mais protestos nacionalistas pedirão a sua vez impondo-se à atenção do pesquisador que se queira analítico e isento de preconceitos. A esse historiador caberá por fim adotar a linguagem resvalante das conjunções aditivas que somam frases semanticamente disparatadas embora sintaticamente miscíveis: 'o modernismo foi cosmopolita e nacionalista'; 'as vanguardas buscaram inspiração nos ismos parisienses bem como nos mitos indígenas e nos ritos afro-antilhanos', ou ainda, 'a arte latino-americana de 20 foi não só absolutamente pura como também radicalmente engajada'...

Essa leitura estática tenderia a cair por si mesma sob o peso das antinomias que pretendesse agregar. As vanguardas não tiveram a natureza compacta de um cristal de rocha, nem formaram um sistema coeso no qual cada face refletisse a estrutura uniforme do conjunto. As vanguardas devem ser contempladas no fluxo do tempo como o vetor de uma parábola que atravessa pontos ou momentos distintos."

Mas uma visão que persiga modos e ritmos diferentes não deverá, por sua vez, camuflar a imagem de uma outra unidade, sofrida e necessariamente contraditória: a unidade do processo social amplo em que se gestaram as nossas vanguardas. As diferenças entre movimento a e movimento b, ou entre posições do mesmo movimento, só são plenamente inteligíveis quando se consegue aclarar por dentro o sentido da condição colonial, esse tempo histórico de longa duração no qual convivem e conflitam, por força estrutural, o prestígio dos modelos metropolitanos e a procura tacteante de uma identidade originária e original.

Nos escritores mais vigorosos que por sua complexidade interior se liberam mais depressa das palavras de ordem, é a busca de uma expressão ao mesmo tempo universal e pessoal que vai guiar as suas poéticas e as suas conquistas estéticas. As passagens, as mudanças aparentemente bruscas que se observam, por exemplo, em Mário de Andrade e em Borges, conheceram motivações de gosto e ideologia mais profundas do que o pêndulo das modas vanguardeiras. No entanto, como nada acontece fora da história (totalizante: pública e íntima), também as opções decisivas desses artistas tão diferenciados se inscrevem naquela dialética de reprodução do outro e auto-sondagem que move toda cultura colonial ou dependente.

--------------------------

Sigo depois com o texto do Professor Bosi. Ele é muito esclarecedor para leitores amadores como nós.

É isso. Sigamos aprendendo algo novo, já que estamos vivos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

¡El enemigo del negro es el negro! (1924) - Ejalves



Página de frente de O Clarim da Alvorada,
publicado em 24 de maio de 1924.

Refeição Cultural

Esta é uma versão em espanhol de um manifesto publicado no periódico paulista O Clarim da Alvorada nº 5, de 13 de maio de 1924. Este texto é citado como um manifesto importante do movimento de vanguardas latino-americanas das primeiras décadas do século XX, na temática "Negrismo y Negritud". Está no livro "Las vanguardias lationamericanas - Textos programáticos y críticos", de Jorge Schwartz.

As leituras sobre as vanguardas estão sendo feitas por mim no contexto de estudos de graduação em Letras, na disciplina Vanguardia y contemporaneidad, com a Doutora Professora Idalia M. Arnaiz. Este blog é um espaço de compartilhamento gratuito de informações, estudos, textos e cultura em geral.

Como nos ensina o professor Ladislau Dowbor, ao compartilhar conhecimento nós possibilitamos novos conhecimentos e todos ganham com isso.

-------------------------

¡El enemigo del negro es el negro!

EJALVES


Leyendo uno de los últimos números de Getulino, órgano de los hombres negros de Campinas, para la defensa de esa clase, un artículo en bastardilla y a doble espacio, lo que evidentemente demuestra su valor no sólo por el hecho de ser su autor un conocido periodista paulista, uno de los redactores de la Folha da Noite, sino también por su sustanciosa demostración.

A pesar de que ya han salido diversos periódicos de la clase, algunos, lamentablemente, de muy breve existencia, parece que hasta ahora no ha sido ventilado este tema de acuerdo con su real importancia.

Bien dice Moacyr Marques en su artículo, al agradecer el envío de un ejemplar de Getulino, que, por lo leído, encontraba que sus hermanos de Campinas aún no habían descubierto el punto en que se revela nuestro problema.

- En el Brasil hay dos clases que combaten cuerpo a cuerpo, mas no son la blanca y la negra, sino el capital privilegiado y el trabajo esclavo.

Es necesario que nosotros, los negros, nos olvidemos del color y pensemos que somos los productores, los esclavizados, los infelices, en fin, que somos los que trabajamos para la grandeza de la patria, pero, en primer lugar, para el enriquecimiento de media docena de explotadores privilegiados, sean blancos o negros.

Puede que el lector diga: ¡Qué exageración decir que hay explotadores privilegiados negros! Y bien digo, porque si acaso existiese, tratará por todos los medios de probar que aunque sea negro, por la piel no puede negarlo, es extranjero o hijo de extranjero, así que no se mezclará (con raras excepciones).

Por experiencia hablo así, porque, a pesar de que puede no existir ni un explotador negro en esta capital que represente a nuestro enemigo, conozco algunos negros que sólo por tener un empleíto público e incluso particular, o poseer algunos bienes, ya tratan de escapar de sus hermanos negros; muchas veces, empleados de la misma repartición, sólo por el hecho de ser inferiores en categoría, se amigan con los blancos, amarillos, etc., basta con que sean de igual o mejor posición, instigando muchas veces a otros, casí siempre blancos, que suelen convivir bien en sociedad de los negros más simples, hablando de esta forma: ¡Fulano!, deje a los negros, no se meta con ellos, nada se puede conseguir; ¿acaso ellos algo que consiguen no lo deben a esa desgraciada clase que es la explotada?

Esto que acabo de afirmar, de que el enemigo del negro es el propio negro, se verifica hasta en el mismo seno de la familia, entre hermanos legítimos.

Por eso, nosotros los trabajadores debemos unirnos para luchar contra los que gozan el capital privilegiado, aunque sean de nuestro color.

Debemos luchar contra todos los que construyen su riqueza con las piedras de nuestras miserias, que nos dan a ganar el pan y nos chupan la sangre, y más todavía, nos chupan la leche con que amamantamos a nuestros hijos, y nos dan casa para vivir cobrando precios exorbitantes, lo que es una verdadera injusticia, ¡y todo eso practica indistintamente!...

También dice el digno redactor de la Folha da Noite, único órgano independiente de esta capital, que nosotros, los trabajadores negros, debemos formar al lado de nuestros hermanos blancos, para la conquista de la libertad que no nos llegó en el 88* y que sólo podrá ser conquistada a golpes de pensamiento, de dedicación, de sacrificios, hasta con la propia sangre.


*Data formal da abolição da escravidão no Brasil.

-------------------------

Comentário do blog: quase um século depois deste manifesto, vimos que a afirmação do movimento negro de 1924 - "que o inimigo do negro é o próprio negro" - ainda gera reflexões profundas para todos nós da classe trabalhadora brasileira. Segundo o censo do IBGE, negr@s e pard@s correspondiam em 2014 a 54% da população brasileira. Ou seja, o golpe de Estado em 2016 e a "eleição" de um fascista racista para a presidência da república em 2018 seria muito difícil sem que parte d@s afrodescendentes votassem naquele sujeito (mesmo sabendo que a eleição tem sido amplamente questionada por causa do uso de mecanismos ilegais como disparos em massa de fake news e possível caixa dois, o fato é que sem votos de homens e mulheres de pele negra, o Brasil dificilmente estaria vivendo esse processo acelerado de destruição de todos os direitos do povo em geral e d@s negr@s de forma exponencial). Triste isso!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Non Serviam (1914) - Vicente Huidobro



Vicente Huidobro. Foto de autor desconhecido.

Refeição Cultural

Este manifesto de Vicente Huidobro foi lido em 1914. O poeta chileno foi um dos autores que mais contribuiu com textos, manifestos e documentação a respeito das vanguardas latino-americanas.

Estamos estudando as vanguardas em uma disciplina de graduação de Letras, na Universidade de São Paulo. O intuito do blog é postar anotações de aulas, comentários sobre leituras, excertos de algumas obras ou de produções históricas, sempre de forma gratuita e de compartilhamento de conhecimento.

------------------

NON SERVIAM*

Y he aquí que una buena mañana, después de una noche de preciosos sueños y delicadas pesadillas, el poeta se levanta y grita a la madre Natura: Non serviam.

Con toda la fuerza de sus pulmones, un eco traductor y optimista repite en las lejanías: "No te serviré".

La madre Natura iba ya a fulminar al joven poeta rebelde, cuando éste, quitándose el sombrero y haciendo un gracioso gesto, exclamó: "Eres una viejecita encantadora".

Ese non serviam quedó grabado en una mañana de la historia del mundo. No era un grito caprichoso, no era un acto de rebelbía superficial. Era el resultado de toda una evolución, la suma de múltiples experiencias.

El poeta, en plena conciencia de su pasado y de su futuro, lanzaba al mundo la declaración de su independencia frente a la Naturaleza.

Ya no quiere servirla más en calidad de esclavo.

El poeta dice a sus hermanos: "Hasta ahora no hemos hecho otra cosa que imitar al mundo en sus aspectos, no hemos creado nada. ¿Qué ha salido de nosotros que no estuviera antes parado ante nosotros, rodeando nuestros ojos, desafiando nuestros pies o nuestras manos?

"Hemos cantado a la Naturaleza (cosa que a ella bien poco le importa). Nunca hemos creado realidades propias como ella lo hace o lo hizo en tiempos pasados, cuando era joven y llena de impulsos creadores.

"Hemos aceptado, sin mayor reflexión, el hecho de que no puede haber otras realidades que las que nos rodean, y no hemos pensado que nosotros también podemos crear realidades en un mundo nuestro, en un mundo que espera su fauna y su flora propias. Flora y fauna que sólo el poeta puede crear, por ese don especial que le dio la misma madre Naturaleza a él únicamente a él."

Non serviam. No he de ser tu esclavo, madre Natura; seré tu amo. Te servirás de mí; está bien. No quiero y no puedo evitarlo; pero yo también me serviré de ti. Yo tendré mis árboles que no serán como los tuyos, tendré mis montañas, tendré mis ríos y mis mares, tendré mi cielo y mis estrellas.

Y ya no podrás decirme: "Ese árbol está mal, no me gusta ese cielo..., los míos son mejores".

Yo te responderé que mis cielos y mis árboles son los míos y no los tuyos y que no tienen por qué parecerse. Ya no podrás aplastar a nadie con tus pretensiones exageradas de vieja chocha y regalona. Ya nos escapamos de tu trampa.

Adiós, viejecita encantadora; adiós, madre y madrastra, no reniego ni te maldigo por los años de esclavitud a tu servicio. Ellos fueron la más preciosa enseñanza. Lo único que deseo es no olvidar nunca tus lecciones, pero ya tengo edad para andar solo por estos mundos. Por los tuyos y por los míos.

Una nueva era comienza. Al abrir sus puertas de jaspe, hinco una rodilla en tierra y te saludo muy respetuosamente.


*Este manifesto foi lido no Ateneo em 1914, em Santiago do Chile. Foi reproduzido nas Obras Completas 1, de Vicente Huidobro.

-------------------------

Nacionalismo y vanguardismo en la literatura y en el arte - José Carlos Mariátegui



Foto de José Carlos Mariátegui.

Refeição Cultural

Muito interessante o texto de José Carlos Mariátegui, ao apontar o apreço dos escritores vanguardistas hispano-americanos pelos avanços tecnológicos da modernidade e das grandes metrópoles europeias, sem com isso deixar de tematizar as questões de suas terras natais. Este texto foi publicado em Mundial, em 4 de dezembro de 1925. 

A reprodução de excertos de obras, manifestos e outros textos históricos neste blog tem objetivos educativos e para gerar reflexões a partir deles. Este é um blog de cultura no conceito Wiki (What I Know Is) de compartilhamento gratuito de conhecimento.

-------------------------

"Nacionalismo y vanguardismo en la literatura y en el arte

Mariátegui, 4/12/1925, Mundial

I

En el terreno de la literatura y del arte, quienes no gusten de aventurarse en otros campos percibirán fácilmente el sentido y el valor nacionales de todo positivo y auténtico vanguardismo. Lo más nacional de una literatura es siempre lo más hondamente revolucionario. Y esto resulta muy lógico y muy claro.

Una nueva escuela, una nueva tendencia literaria o artística busca sus puntos de apoyo en el presente. Si no los encuentra perece fatalmente. En cambio las viejas escuelas, las viejas tendencias se contentan de representar los residuos espirituales y formales del pasado.

Por ende, sólo concibiendo a la nación como una realidad estática se puede suponer un espíritu y una inspiración más nacionales en los repetidores y rapsodas de un arte viejo que en los creadores o inventores de un arte nuevo. La nación vive en los precursores de su porvenir mucho más que en los supérstites de su pasado.

-------------------------
"Lo más nacional de una literatura es siempre lo más hondamente revolucionario."
-------------------------

Demostremos y expliquemos esta tesis con algunos hechos concretos. Las aserciones demasiado generales o demasiado abstractas tienen el peligro de parecer sofísticas o, por lo menos, insuficientes.
[...]"


ARGENTINA

O intelectual vai dar exemplos sobre a questão de ser vanguarda e ser nacionalista citando alguns casos de nossa América. No exemplo da Argentina, temos os escritores e poetas do periódico Martín Fierro.


"III

Pero para establecer más exacta y precisamente el carácter nacional de todo vanguardismo, tomemos a nuestra América. Los poetas nuevos de la Argentina constituyen un interesante ejemplo. Todos ellos están nutridos de estética europea. Todos o casi todos han viajado en uno de esos vagones de la Compagnie des Grands Exprès Européens que para Blaise Cendrars, Valery Larbaud y Paul Morand son sin duda los vehículos de la unidad europea además de los elementos indispensables de una nueva sensibilidad literaria.

Y bien. No obstante esta impregnación de cosmopolitismo, no obstante su concepción ecuménica del arte, los mejores de estos poetas vanguardistas siguen siendo los más argentinos. La argentinidad de Girondo, Güiraldes, Borges, etc., no es menos evidente que su cosmopolitismo. El vanguardismo literario argentino se denomina "martinfierrismo". Quien alguna vez haya leído el periódico de ese núcleo de artistas, Martín Fierro, habrá encontrado en él, al mismo tiempo que los más recientes ecos del arte ultramoderno de Europa, los más auténticos acentos gauchos.
[...]"


PERU

No caso peruano, Mariátegui aponta um academicismo insistente no começo, depois há uma esperança com o movimento "Colónida", no qual o crítico destaca o escritor e poeta Valdelomar. Por fim, Mariátegui fala do poeta César Vallejo, dizendo ser emocionante os traços da cultura indígena em sua obra.

Primeiro coloco a fala de Mariátegui sobre César Vallejo e logo em seguida uma breve apresentação de Valdelomar, pois eu não havia ouvido falar dele antes do estudo dessa disciplina sobre as vanguardas latino-americanas.


"IV

Y ahora el fenómeno se acentúa. Lo que más nos atrae, lo que más nos emociona tal vez en el poeta César Vallejo es la trama indígena, el fondo autóctono de su arte. Vallejo es muy nuestro, es muy indio. El hecho de que lo estimemos y lo comprendamos no es un producto del azar. No es tampoco una consecuencia exclusiva de su genio. Es más bien una prueba de que, por estos caminos cosmopolitas y ecuménicos, que tanto se nos reprochan, nos vamos acercando cada vez más a nosotros mismos."

Bibliografia das citações:

SCHWARTZ, Jorge. Las vanguardias latinoamericanas - Textos programáticos y críticos. Fondo de Cultura Económica. México.

-------------------------

Abraham Valdelomar (Wikipedia)

Pedro Abraham Valdelomar Pinto (Ica, 27 de abril de 1888-Ayacucho, 3 de noviembre de 1919). Fue un narrador, poeta, periodista, ensaysta y dramaturgo peruano. Es considerado uno de los principales cuentistas del Perú, junto con Julio Ramón Ribeyro.

Sus cuentos se publicaron en revistas y periódicos de la época, y él mismo los organizó en dos libros: El caballero Carmelo (Lima, 1918) y Los hijos del Sol (póstumo, Lima, 1921). En ellos se encuentran los primeros testimonios del cuento neocriollo peruano, de rasgos posmodernistas, que marcaron el punto de partida de la narrativa moderna del Perú. En el cuento El caballero Carmelo, que da nombre a su primer libro de cuentos, se utiliza un vocabulario arcaico y una retórica propia de las novelas de caballerías para narrar la triste historia de un gallo de pelea, relato nostálgico ambientado en Pisco, durante la infancia del autor. En Los hijos del Sol, busca su inspiración en el pasado histórico del Perú, remontándose a la época de los incas.

Su poesía también es notable por su evolución singular del modernismo al postmodernismo, teniendo incluso atisbos geniales de vanguardismo. Aquella es de una sensibilidad lírica extraordinaria que tiene como máxima expresión la de ser un vuelco hacia su interioridad. Pero esta interioridad debe entenderse como una expresión directa e íntima (por tanto, creativa) de la realidad. Esta poesía tiene como ejemplos fulgurantes a Tristitia y El hermano ausente en la cena de Pascua, los cuales presentan a su autor como un poeta dulce, tierno y profundo, saturado de paisaje, de hogar y de tristeza. Es imposible no relacionar su poesía con la de su compatriota César Vallejo, sobre todo con el primer poemario de éste, Los Heraldos Negros, y en especial la sección "Las canciones del hogar", en que el tema familiar, asumido con amorosa filiación a la vez de hijo y hermano, emparentan estrechamente sus poéticas. De hecho Vallejo admiraba vivamente a Valdelomar, que era mayor que él, al punto de que lo entrevistó cuando llegó a Lima e incluso le pidió que prologara Los Heraldos Negros, lo que nunca llegó a concretarse.


-------------------------

domingo, 6 de outubro de 2019

Poesía Nueva - César Vallejo



César Vallejo, em 1929.
Foto de domínio público.

Refeição Cultural

Este pequeno texto programático e crítico do poeta e escritor peruano César Vallejo foi publicado na revista Amauta nº 3, de novembro de 1926. Esta versão postada é do livro Las vanguardias latinoamericanas - Textos programáticos y críticos, de Jorge Schwartz, publicado pelo Fondo de Cultura Económica, México.

Estou estudando as vanguardas latino-americanas na disciplina Vanguardia y Contemporaneidad, na graduação de Letras, e estamos conhecendo diversos manifestos e textos de apresentação dos movimentos de vanguarda na primeira metade do século XX.

As postagens neste blog com temáticas educativas têm caráter de compartilhamento gratuito de informações e conhecimentos.

-------------------------

Poesía Nueva

Poesía nueva ha dado en llamarse a los versos cuyo léxico está formado de las palabras "cinema, motor, caballos de fuerza, avión, jazz-band, telegrafía sin hilos", y en general, de todas las voces de las ciencias e industrias contemporáneas, no importa que el léxico corresponda o no a una sensibilidad auténticamente nueva. Lo importante son las palabras.

Pero no hay que olvidar que esto no es poesía nueva ni antigua, ni nada. Los materiales artísticos que ofrece la vida moderna han de ser asimilados por el espíritu y convertidos en sensibilidad. El telégrafo sin hilos, por ejemplo, está destinado, más que a hacernos decir "telégrafo sin hilos", a despertar nuevos temples nerviosos, profundas perspicacias sentimentales, amplificando videncias y comprensiones y densificando el amor; la inquietud entonces crece y se exaspera y el soplo de la vida, se aviva. Ésta es la cultura verdadera que da el progreso; éste es su único sentido estético, y no el de llenarnos la boca con palabras flamantes. Muchas veces la voces nuevas pueden faltar. Muchas veces un poema no dice "cinema", poseyendo, no obstante, la emoción cinemática, de manera oscura y tácita, pero efectiva y humana. Tal es la verdadera poesía nueva.

En otras ocasiones el poeta apenas alcanza a cambiar hábilmente los nuevos materialies artísticos y logra así una imagen o un rapport más o menos hermoso y perfecto. En este caso, ya no se trata de una poesía nueva a base de palabras nuevas como en el caso anterior, sino de una poesía nueva a base de metáforas nuevas. Mas también en este caso hay error. En la poesía verdaderamente nueva pueden faltar imágenes o rapports -función ésta de ingenio y no de genio-, pero el creador goza o padece allí una vida en que las nuevas relaciones y ritmos de las cosas se han hecho sangre, célula, algo, en fin, que ha sido incorporado vitalmente en la sensibilidad.

La poesía nueva a base de palabras o de metáforas nuevas se distingue por su pedantería de novedad y, en consecuencia, por su complicación y barroquismo. La poesía nueva a base de sensibilidad nueva es, al contrario, simple y humana y a primera vista se la tomaría por antigua o no atrae la atención sobre si es o no moderna.

Es muy importante tomar nota de estas diferencias.

César vallejo

-------------------------

Vanguardas e contemporaneidades hispano-americanas (II)


Veredas uspianas. Foto de William.

Refeição Cultural

Esta postagem se refere a anotações feitas por mim em sala de aula, aulas com a Professora Doutora Idalia Morejón Arnaiz, da disciplina de Vanguardia y Contemporaneidad, matéria na qual estudaremos um panorama crítico da narrativa e da poesia hispano-americana, desde as vanguardas dos anos 1920 até o presente, através da leitura e análise de textos literários e ensaísticos que colocam em evidência as propostas de ruptura e continuidade estética e cultural ao longo de um século.

As anotações são de minha inteira responsabilidade. Qualquer equívoco conceitual pode ser corrigido pelo(a) leitor(a) buscando outras fontes sobre o tema conflitante. Aqui é um espaço de compartilhamento gratuito de informações e conhecimento, dentro do conceito Wiki: What I Know Is.

Durante as postagens, vou variar os textos entre português e espanhol, e as não conformidades formais das duas línguas são de minha responsabilidade também. Combinado?


-------------------------

Aula de 20/8/19

Esta foi a segunda aula que pude assistir. A professora nos falou um pouco a respeito da geração de escritores latino-americanos e suas obras do período conhecido como o "Boom", dos anos 60 a 80. Fiz uma pesquisa a respeito para complementar meus parcos rabiscos durante a aula.

Assim como as vanguardas latino-americanas da primeira metade do século XX vieram depois de autores como José Martí e Rubén Darío, o Boom também teve uma referência nesses autores da segunda metade do século XIX e, claro, são autores herdeiros das vanguardas latino-americanas.

O "Boom" Latino-Americano

Características gerais:

- tratamento do tempo de forma não linear, os romances começam pelo fim, pelo meio, vão e voltam, pode-se ler capítulos e segmentos de forma aleatória etc.
- utilização de várias perspectivas ou vozes narrativas.
- uso de neologismos, jogos de palavras e toques de fantasia.
- circularidade narrativa e polifonia.
- predominância de histórias que se passam em espaços urbanos ou rurais, influenciadas pelas condições sociais e políticas locais.
- histórias com expressão ou manifestação de identidades regionais ou nacionais.
- utilização de linguagens não-padrão e blasfêmias.
- os autores combinam dados reais com ficcionais, gerando dúvidas nos leitores a respeito das histórias serem verídicas ou apenas obras de ficção.
- formas fantasiosas ou irreais como estratégias narrativas de explicação de eventos sociais, políticos e econômicos nas histórias dos romances, contos e novelas (realismo mágico). 

Contexto histórico:

- período da Guerra Fria, polarização entre sistemas capitalista e socialista, Estados Unidos e aliados de um lado e União Soviética e demais países socialistas de outro.
- vários países da América Latina e Caribe estão sob regimes ditatoriais.
- momento de muita agitação política e social.
- Revolução Cubana em 1959.

Principais autores e algumas obras:

- "Rayuela" (1963), do argentino Julio Cortázar, traduzida como "O Jogo da Amarelinha" no Brasil.
- "Cien Años de Soledad" (1967), do colombiano Gabriel García Márquez. Outra obra dele importante é "Crónica de una muerte anunciada" (1981). Essa obra, por ser menor em número de páginas, será lida no contexto da disciplina cursada.
- "La ciudad e los perros" (1963), do peruano Mario Vargas Llosa.
- "Aura" (1962), do mexicano Carlos Fuentes. Ele foi também um grande ensaísta latino-americano. Também iremos ler esta obra para a discussão em sala de aula.

Outros autores: Jorge Luis Borges, Jorge Amado, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, Juan Carlos Onetti, dentre outros.

-------------------------

O "Boom" é uma onomatopeia de explosão. O período entre os anos sessenta e setenta vivia um "Boom" econômico, era o período posterior à 2ª Guerra Mundial. Foi um período de "Boom" demográfico também. Aliás, o mercado editorial e literário vivia um bom momento, um "Boom" na época.

Foi um período que contou com muitos escritores e intelectuais de língua espanhola vivendo na condição de exilados de seus países. De outras nacionalidades também.

Os jornais e diários contavam com cadernos especiais de cultura e grandes escritores e poetas publicavam nesses periódicos. Esses veículos de comunicação eram portas de entrada para intelectuais e literatos.

O romance "Cem anos de solidão" (1967) de G. G. Márquez foi lançado em Buenos Aires pela Editorial Sudamericana.

Julio Cortázar publicou "Rayuela" (1963) com diversas inovações na obra. A possibilidade de leitura tanto de forma linear, do primeiro ao último capítulo, como também com outras trajetórias de leituras pelo leitor. O cenário da história é Paris e o enredo apresenta diversas temáticas como ocultismo, arte, tarô, as vivências dos povos de língua espanhola exilados em Paris, dentre outras.

Cortázar nasceu na Embaixada da Argentina na Bélgica. Foi com 3 anos para a Argentina e viveu lá até o início dos anos 50. Mudou-se para Paris por divergências com o governo de Perón.

-------------------------
"GRAN TOUR" francês: na época, a formação cultural da juventude burguesa latino-americana se dava em Paris.
-------------------------

A professora nos fala de algumas obras da época como "Aura" de Carlos Fuentes, com uma narrativa atípica e um relato bem interessante. Fala também de "Bestiário", livro de contos de Cortázar. "Crônica de uma morte anunciada" de García Márquez. Nesta última, o nome "crônica" já remete ao periodismo.

Arte contemporânea

O valor das obras de arte não se dá mais pela obra de arte em si e sim pelo valor das ideias, pelo ato de fazer arte. Uma obra muito conhecida e polêmica foi "Fonte" (1917), na qual Marcel Duchamp utiliza um mictório ou urinol com a assinatura R. Mutt 1917. Nela temos o conceito dos "ready-made" (já pronto) nas obras de arte.

A arte contemporânea busca romper com as linguagens tradicionais tanto nas técnicas, quanto nas formas, nas temáticas, nos materiais etc.

Vários autores e estéticas foram citados ainda na aula e serão retomados depois, inclusive nos textos críticos que vamos avaliar.

-------------------------

(Postagem difícil de se fazer porque são diversas citações em uma aula e para não escrever coisas sem sentido algum é preciso pesquisar minimamente cada autor ou movimento para fazer essa síntese de fixação dos conceitos que estamos vendo)


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Leitura III: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz




Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio (aqui), fizemos a leitura da primeira parte do capítulo do livro. Ler excertos aqui. Agora vamos terminar o 1º capítulo.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura


O crítico nos fala da questão de passado, presente e futuro nas sociedades primitivas. Muito interessante o ponto de vista que ele apresenta.

O presente e o futuro teriam como modelo a seguir o passado, porque o passado se impõe através de ritos e tradições, de maneira a não se mudar nada. 

"La vida social no es histórica, sino ritual; no está hecha de cambios sucesivos, sino que consiste en la repetición rítmica del pasado intemporal. El pasado es un arquetipo y el presente debe ajustarse a ese modelo inmutable; además, ese pasado está presente siempre, ya que regresa en el rito y en la fiesta..." (p. 28)

Por essas ferramentas dos ritos e das tradições, o passado defende a sociedade das mudanças.

"no es lo que pasó una vez, sino lo que está pasando siempre..."

E Paz finaliza o conceito para entendermos adiante o quanto o tempo para nós é inverso ao tempo para as sociedades primitivas.

"Nada más opuesto a nuestra concepción del tiempo que la dos primitivos: para nosotros el tiempo es el portador del cambio, para ellos es el agente que lo suprime..."

e

"Para los primitivos, el modelo atemporal no está después, sino antes, no en el fin de los tiempos, sino en el comienzo del comienzo. No es aquel estado al que ha de acceder el cristiano, sea para salvarse o para perderse, en la consumación del tiempo: es aquello que debemos imitar desde el principio." (p. 28/29)

As sociedades primitivas veem com horror as variações do tempo, as mudanças não são benéficas, são nefastas. "lo que llamamos historia, es para los primitivos falta, caída".

(comentário: minha nossa, desculpem, mas vi aqui nessas explicações parte dos evangélicos que apoiam toda a desgraça do bolsonarismo!)

"El modelo sigue siendo el pasado anterior a todos los tiempos, la edad feliz del principio regida por la armonía entre el cielo y la tierra..."

--------------------------
"(...) para los cristianos el tiempo perfecto es la eternidad: una abolición del tiempo, una anulación de la historia; para los modernos la perfección no puede estar en otra parte, si está en alguna, que en el futuro." (p. 30)
--------------------------

Para os modernos o futuro é a região do inesperado e para os povos primitivos o futuro desemboca no passado.

Para o Ocidente esse tempo do passado primordial e perfeito, da harmonia entre homem e homem e com a natureza se chama Idade do Ouro. Para outras civilizações a pedra Jade era a referência.

Depois de apresentar vários exemplos sobre sociedades e religiões em relação à maneira com que lidam com a questão do tempo e a volta ao passado, o capítulo caminha para sua conclusão.

"Pasado atemporal del primitivo, tiempo cíclico, vacuidad budista, anulación de los contrarios en brahmán o en la eternidad cristiana: el abanico de las concepciones del tiempo es inmenso, pero toda esa prodigiosa variedad puede reducirse a un principio único. Todos esos arquetipos, por más distintos que sean, tienen en común lo siguiente: son tentativas por anular o, al menos, minimizar los cambios." (p. 36)

E ainda:

"A la pluralidad del tiempo real, oponen la unidad de un tiempo ideal o arquetípico; a la heterogeneidad en que se manifiesta la sucesión temporal, la identidad de un tiempo más allá del tiempo, igual a si mismo siempre."

Nossa época rompe com todas as maneiras tradicionais das civilizações de pensar o tempo, o passado, o presente e o futuro.

"Heredera del tiempo lineal e irreversible del cristianismo, se opone como éste a todas las concepciones cíclicas; asimismo, niega el arquetipo cristiano y afirma otro que es la negación de todas las ideas e imágenes que se habían hecho los hombres del tiempo."

-------------------------
"La época moderna -ese período que se inicia en el siglo XVIII y que quizá llega ahora a su ocaso- es la primera que exalta al cambio y lo convierte en su fundamento. Diferencia, separación, heterogeneidad, pluralidad, novedad, evolución, desarrollo, revolución, historia: todos esos nombres se condensan en uno: futuro. No el pasado ni la eternidad, no el tiempo que es, sino el tiempo que todavía no es y que siempre está a punto de ser." (p. 37)
-------------------------

Octavio Paz fecha o capítulo contando a visão de um representante de povos originários ao visitar a Inglaterra. Por mais que a sociedade Ocidental desenvolva técnicas e ferramentas, a perfeição não é sentida, ela estaria sempre no futuro: "Nuestra perfección no es lo que es, sino lo que será".

-------------------------

Segue depois a leitura de outros capítulos.

Leitura II: Visión de la poesía latinoamericana actual - Eduardo Milán




Refeição Cultural

Sequência da leitura e fixação de informações relevantes do artigo do poeta, ensaísta e crítico literário Eduardo Milán, leitura feita no contexto de estudos da disciplina Vanguardia y Contemporaneidad, na Faculdade de Letras da USP. Ler aqui a postagem anterior.

Como já foi dito na postagem anterior, no caso de qualquer divergência do leitor ou leitora do blog em relação às interpretações que faço do texto, peço que consultem outras fontes. Caso algum autor ou responsável pelo texto referido tenha divergências, é só nos dizer através dos comentários ou por email. O blog é de compartilhamento gratuito de informações e opiniões.

------------------------

Visión de la poesía latinoamericana actual

Por: Eduardo Milán

Ainda parte 1.

"Síntesis de la crítica del hablante (Nicanor Parra), de la crítica del lenguaje (Octavio Paz) y de la imaginación sintáctica del surrealismo (Lezama Lima), la poesía de Perlongher es un acto revulsivo aun contra el lector. El amaneramiento retórico, a veces limitando con el rococó, a punto de legalizar una aformalidad definitiva y una anormalidad pansexualizante como tema obsesivo, chocan contra el lector tradicionalmente preparado para la poesía lírica entendida como manifestación sublimada de un yo profundo. La resistencia a la belleza es característica también de Roberto Echavarren y de José Kozer, una resistencia ejercida como por programación. Lo que mantiene vivo al poema es el juego, el lenguaje en estado de alerta continuo en donde muy poco está encargado a la memoria poética del lector. Una belleza que se sacrifica siempre es un eco tardio del estallido de la vanguardia."

Após a afirmação acima, Milán faz reflexões filosóficas sobre a linguagem e as suas possibilidades. 

Temática da infância

"Una variante del movimiento de retorno es la variante temática. La tematización de la infancia como tiempo paradisíaco adquiere una presencia rectora en José Luis Rivas (1950), la infancia como lugar al margen de la urbanización tomada como metáfora de la prosa"

Nessa primeira parte do artigo, o crítico termina citando alguns poetas que estarão no campo oposto aos vanguardistas. O destaque ficou com Arturo Carrera.

"Una tematización más aguda de la infancia es planteada por Arturo Carrera (1948), aunque aquí el sujeto no es el niño: es el habla del niño en un intento de arremeter contra la etimología infans ('lo que no habla')"

E finaliza:

"(...) Descendiente de la vanguardia via la poética de Haroldo de Campos y de la prosa de Severo Sarduy, Carrera invierte la propuesta inventiva que exaltó la vanguardia latinoamericana al considerar al juego lingüístico como generador de sentido. Por el contrario, la identificación de un sentido primario, callado, extrañamente común a los adultos, muestra que los temas en poesía pueden ser resignificados con auxilio, justamente, del tiempo. Quizás en la poesía de Carrera no hay historia pero hay edad."

2.

Milán nos lembra de Rubén Darío como o primeiro a iniciar um movimento de ruptura com as tradições, principalmente em relação aos modelos espanhóis de poética.

"Ahora podemos preguntarnos: ¿dónde está la evidencia, el rasgo de estilo de una poética considerada globalmente?, ¿dónde está la fidelidad que debe cumplir para seguir siendo lo que es? La diferencia está, cuando es asumida como coincidencia, en la necesidad de transgresión de la poesía latinoamericana respecto de todo modelo e incluso el hispánico. Ya fue planteada en Rubén Darío y confirmada en los momentos de la cúspide de las vanguardias latinoamericanas, esto es, en los poetas que, en América Latina, asumen un compromiso poético con el espíritu de la vanguardia y lo traducen en sus textos."

Ao discorrer sobre a importância dos movimentos de vanguarda, enquanto ruptura e busca do novo, Milán cita o chileno Vicente Huidobro como o principal teórico e a relevância do movimento de vanguarda nas três primeiras décadas do século XX.

Vanguardas - emergências poéticas

"El descentramiento que produjo la vanguardia en las artes coincidió con una realidad descentrada que, en lo que respecta a la poesía, resulta una confirmación: la toma de conciencia de que nuestra poesía es, en realidad, descentrada respecto de cualquier hegemonía. Ya que el fenómeno de la vanguardia es expansivo, permisivo y totalizador, una poética en estado de emergencia constante no podía sentirse mal. No hay equívoco, creo, en denominar estas emergencias poéticas más que como una clara, reflexiva y asumida posición poética, como una verdadera condición de sobrevivencia."

O crítico cita o Manifesto Antropofágico (1922) de Oswald de Andrade quando fala de uma tomada de consciência relativa a instabilidades de supostos modelos poéticos hegemônicos.

As reflexões vão chegando ao fim e a questão principal segue sendo o que caracterizaria uma poesia como sendo latino-americana. E o autor cita Rubén Darío e Sor Juana Inês de la Cruz como marcos relativos à problemática do lugar de onde se fala.

"El problema en la poesía latinoamericana es cuando no se reconocen los modelos y se los asume 'naturalmente', como si el modelo fuera ya la identidad a seguir y no lo que es: la posibilidad para una identidad. Pero sor Juana, a diferencia de Darío, tiene un lugar poético: el lugar de la Nueva España, denominación donde el adjetivo precisa un 'segundo lugar' pero no deja claro si es un lugar positivo o negativo - 'se entiende' que positivo -, porque el calificativo que indica la novedad es el enemigo de la idea misma de tradición."

E Milán nos explica as diferenças dos lugares de onde se enunciam Sor Juana e Darío.

-------------------------
"Para reiterar: Rubén Darió y sor Juana, siempre desde el punto de vista de la posición, ocupan lugares diferentes en relación a la tradición hispánica. Sor Juana no está imbuida de crisis territorial, está en su lugar y por lo tanto su diálogo con el Siglo de Oro es natural: es el seguimiento del linaje posible aunque, hay que decirlo de nuevo, no se trata de cualquier linaje sino del linaje extremo."
-------------------------

Já em Darío está a preparação para as rupturas que virão com as vanguardas:

"En Darío ya es clara la pregunta por el lugar poético latinoamericano y esto porque el positivismo decimonónico obliga a la confrontación con un pasado fundador. Con el mismo carácter errante, transitorio, se coloca a Darío como poeta en su presente. Se encomienda al pasado y, en espera de un renacimiento poético, prepara un hueco para las vanguardias."

Reconhecer a poesia latino-americana atual é reconhecer a importância do impacto das vanguardas. Elas não foram só mais um momento.

Milán termina seu artigo, citando palavras de Huidobro, ditas a um amigo em 1948, o poeta espanhol Juan Larrea, pouco antes de morrer.

"Nosotros somos los últimos representantes irresignados de un sublime cadáver. Esto lo sabe un duendecillo al fondo de nuestra conciencia y nos los dice en voz baja todos los dias. De ahí la exasperación de nuestro pecho y de nuestra cabeza. Queremos resucitar el cadáver sublime en vez de engendrar un nuevo ser que venga a ocupar su sitio. Todo lo que hacemos es ponerle cascabeles al cadáver, amarrarle cintitas de colores, proyectarle diferentes luces a ver si da apariencias de vida y hace ruido. Todo es vano. El nuevo ser nacerá, aparecerá la nueva poesía, soplará en un gran huracán y entonces se verá cuán muerto estaba el muerto. El mundo abrirá los ojos y los hombres nacerán por segunda vez e por tercera o cuarta."

O artigo é complexo, mas acredito que foi possível fixar algumas questões centrais apresentadas nele.

--------------------------

Manifiesto Martín Fierro -15 de mayo de 1924



Primeira página da Revista Martín Fierro, nº 4.

Refeição Cultural

A reprodução deste manifesto da Revista Martín Fierro, nº 4, se dá dentro do contexto de estudos das vanguardas hispano-americanas, que estou cursando na graduação de Letras da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo. 

Este blog atua no sentido de compartilhar informações e conhecimentos de forma gratuita e com interesses educativos. 

Os manifestos das vanguardas tinham algumas características bem marcantes. Eles eram de certa forma agressivos, buscavam deixar claro o objetivo de ruptura e de negação da tradição poética ou do movimento ao qual se opunham.

-----------------------

Manifiesto Martín Fierro*

Oliverio Girondo


FRENTE a la impermeabilidad hipopotámica del honorable público.

Frente a la funeraria solemnidad del historiador y del catedrático que momifica todo cuanto toca.

Frente al recetario que inspira las elucubraciones de nuestros más "bellos" espíritus y a la afición al anacronismo y al mimetismo que demuestran.

Frente a la ridícula necesidad de fundamentar nuestro nacionalismo intelectual hinchando valores falsos que al primer pinchazo se desinflan como chanchitos.

Frente a la incapacidad de contemplar la vida sin escalar las estanterías de las bibliotecas.

Y, sobre todo, frente al pavoroso temor de equivocarse que paraliza el mismo ímpetu de la juventud, más anquilosada que cualquier burócrata jubilado:

Martín Fierro siente la necesidade imprescindible de definirse y de llamar a cuantos son capaces de percibir que nos hallamos en presencia de una NUEVA SENSIBILIDAD y de una NUEVA COMPRENSIÓN, que, al ponernos de acuerdo con nosotros mismos, nos descubre panoramas insospechados y nuevos medios y formas de expresión.

Martín Fierro acepta las consecuencias y las responsabilidades de localizarse, porque sabe que de ello depende su salud. Instruido de sus antecedentes, de su anatomía, del meridiano en que camina, consulta el barómetro, el calendario, antes de salir a la calle a vivirla con sus nervios y con su mentalidad de hoy.

Martín Fierro sabe que "todo es nuevo bajo el sol" si todo se mira con unas pupilas actuales y se expresa con un acento contemporáneo.

Martín Fierro se encuentra, por eso, más a gusto en un transatlántico moderno que en un palacio renacentista, y sostiene que un buen HISPANO-SUIZO** es una obra de arte muchísimo más perfecta que una silla de manos de la época de Luis XV.

Martín Fierro ve una posibilidad arquitectónica en un baúl innovation***, una lección de síntesis en un marconigrama, una organización mental en una rotativa, sin que esto le impida poseer -como las mejores familias- un álbum de retratos que hojea, de vez en cuando, para descubrirse a través de un antepasado... o reírse de su cuello y de su corbata.

Martín Fierro cree en la importancia del aporte intelectual de América, previo tijeretazo a todo cordón umbilical. Acentuar y generalizar, a las demás manifestaciones intelectuales, el movimiento de independencia iniciado, en el idioma, por Rubén Darío, no significa, empero, que habremos de renunciar, ni mucho menos finjamos desconocer que todas las mañanas nos servimos de un dentífrico sueco, de unas toallas de Francia y de un jabón inglés.

Martín Fierro tiene fe en nuestra fonética, en nuestra visión, en nuestros modales, en nuestro oído, en nuestra capacidad digestiva y de asimilación.

Martín Fierro artista, se refriega los ojos a cada instante para arrancar las telarañas que tejen, de continuo, el hábito y la costumbre. ¡Entregar a cada nuevo amor una nueva virgindad, y que los excesos cada día sean distintos a los excesos de ayer y de mañana! ¡Ésta es, para él, la verdadera santidad del creador!... ¡Hay pocos santos!

Martín Fierro crítico, sabe que una locomotora no es comparable a una manzana y, el hecho de que todo el mundo compare una locomotora con una manzana y algunos opten por la locomotora, otros por la manzana, rectifica para él la sospecha de que hay muchos más negros de lo que se cree. Negro el que exclama ¡colosal! y cree haberlo dicho todo. Negro el que necesita encandilarse con lo coruscante y no está satisfecho si no lo encandila lo coruscante. Negro el que tiene las manos achatadas como platillo de balanza y lo sopesa todo y todo lo juzga por el peso. ¡Hay tantos negros!...

Martín Fierro sólo aprecia a los negros, a los blancos que son realmente negros o blancos y no pretenden en lo más mínimo cambiar de color.

¿Simpatiza usted con Martín Fierro?
¡Colabore usted con Martín Fierro!
¡Suscríbase usted a Martín Fierro!


* Publicado en el cuarto número de la revista Martín Fierro, 15 de mayo de 1924.
** "Hispano-Suizo": marca de un automóvil de la época.
*** "Innovation": negocio en París, que en la época confeccionaba baúles apropriados para los portaequipajes de los coches.

Bibliografia:

SCHWARTZ, Jorge. Las vanguardias latino-americanas - Textos programáticos y críticos. Fondo de Cultura Económica - México.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Leitura: Visión de la poesía latinoamericana actual - Eduardo Milán




Refeição Cultural

Leitura de artigo do poeta, ensaísta e crítico literário Eduardo Milán, leitura no contexto de estudos das vanguardas hispano-americanas na disciplina Vanguardias y Contemporaneidad, matéria que estou fazendo na graduação de Letras na FFLCH-USP. O artigo está publicado no Voces de la poesía iberoamericana.

As interpretações da leitura são minhas. O blog atua no conceito Wiki - What I Know Is -, e é um espaço de compartilhamento gratuito de informações e opiniões. Qualquer leitor(a) que tiver leitura diferente daquela que posto aqui pode consultar outras fontes para dirimir dúvidas ou atender aos seus interesses educativos.

A postagem vai intercalar português e espanhol.

William


Visión de la poesía latinoamericana actual - Eduardo Milán

1.

O começo do artigo é bem conceitual e vale a pena se atentar a ele porque define duas linhas de movimentos poéticos que se apresentam na atualidade.

"Detrás de la fachada caótica hay dos manifestaciones de la poesía latinoamericana actual: la que desciende de la incidencia que en América Latina tuvieron las vanguardias históricas mediante una lectura muy precisa, fundada en el juego del lenguaje; y otra, la que supone una vuelta al pasado poético y busca, de una manera no muy crítica, instalarse en un territorio que mediante una ilusión óptica, casi temporal, promete una estabilidad frente al caos dominante no sólo en la poesía sino en el aparato de valores del mundo contemporáneo."

Milán nos diz que ambos movimentos provêm do fenômeno chamado vanguardas, mesmo que de forma inconsciente. Vai mais além, diz que toda a poesia do século vinte traz repercussões do vanguardismo histórico.

"Creo que es imposible, pese al empecinamiento de cierto pensamiento acrítico, considerar no sólo a la poesía latinoamericana sino también a la poesía del siglo XX al margen de las repercusiones del vanguardismo histórico."

O crítico diz que as poesias contemporâneas descendem ou trazem traços das poéticas vanguardistas de Huidobro, Vallejo, Neruda e Girondo. Cita 3 poetas posteriores que diz serem herdeiros dessa geração anterior: J. Lezama Lima, Nicanor Parra e Octavio Paz (dentre outros).

"Con estos tres poetas, la herencia de la vanguardia se ramifica pero ya con posiciones muy claras: la primacía de la visión por la imagen, en el caso de Lezama Lima; el cuestionamiento radical del quehacer poético en Nicanor Parra mediante la puesta en duda del habla poética y de la figuración del hablante lírico; y, en Octavio Paz, la conciencia crítica del lenguaje."

Entre os dois movimentos da atualidade, o crítico tende a entender a linha adepta das rupturas e mudanças das vanguardas como a que melhor se encaixa na realidade do mundo em que vivemos - o mundo do fragmento -, muito mais que a linha das poesias narrativas tradicionais.

"Tampoco porque el fragmento sea el destilado formal perfecto - valga la paradoja - del sentido desintegrador de las vanguardias, coletazo a la izquierda de la epifanía hegeliana. Menos aún por considerar el fragmento como el último residuo de una imposibilidad, la de escribir, practicada en este siglo de manera maestra por Samuel Beckett y del mismo modo teorizada por Blanchot. No. Mucho más pragmática: la forma del fragmento se vulve idónea en nuestro siglo por ser la representación de la idea de un derrumbamiento (en realidad: de un arruinamiento) del mundo."

É interessante como o autor discorre sobre as escolhas entre as duas formas de manifestação da poesia na atualidade. A forma mais fragmentária permite um diálogo com a realidade caótica do mundo. 

Em oposição a ela, a forma de busca da tradição mais narrativa seria mais interessante ideologicamente à ideia de fim da história, de determinismo da supremacia do capital e dos capitalistas sobre a ampla maioria excluída. (leitura minha a partir da leitura do autor)

"Sin embargo, creo que hay que ver cómo la narratividad puede ser un recurso ideológicamente usado en el marco de una negación de la historia. La narratividad pasa a ser el sentido de la historia, como si dijéramos 'la historia vista como transformación, como cambio o motor de cambio, continúa en la narratividad, en el discurso, ya que en la vida es imposible'."

Nessa linha de manifestação mais tradicional, utiliza-se uma forma de buscar um saudosismo em um hipotético passado glorioso ou melhor, seja ele real ou não, já que se pretende apresentar a ideia de um futuro determinista e desencantado de utopias.

"El pensamiento desencantado, el pensamiento del presente sin salida, legitima la consideración del fin de la historia pero autoriza volver al pasado en busca de las crestas eufóricas de ese tiempo, de los momentos de mayor prestigio y, en un efecto de mímesis atemporal, autoriza 'recuperar' para el presente momentos lujosos de un tiempo que ya nada tiene que ver con el pasado y presente mediante la instalación de un canon que 'brillantiza' el pasado por considerar clausurado el futuro..."



-------------------------
"El futuro, para este planteamiento, correspondería a la ya probada imposibilidad de un cambio en lo social. Pero - y esto hay que destacarlo especialmente en el contexto en el que estamos hablando - el futuro también correspondería, por devenir histórico, al silencio de la escritura."
-------------------------

Comentário: vendo sob o ponto de vista que Milán está nos apresentando as vozes e as temáticas da poesia das vanguardas hispano-americanas, eu não teria dúvidas na escolha entre a linha que busca o tradicional nas poesias narrativas ou nas linhas de vanguardas, criadoras e de rupturas, contestadoras da tradição e baseadas na forma fragmentária em que nos encontramos hoje. Fico com as vanguardas!

Nos países hispano-falantes, Rubén Darío, com seu modernismo de fim de século, teria sido aquele que abriu as portas para as vanguardas.

VANGUARDAS E NEOBARROCOS

"Llegado a este punto, defino: las dos líneas dominantes en la poesía latinoamericana que se produce hoy son una inventiva y otra restitutiva, una que sigue el espíritu de búsqueda de las vanguardias históricas y una que intenta un entronque con lo que llamé una poesía de la lengua que, por su obediencia a ciertos cánones muy marcados, no me atrevería a llamar una poesía de la tradición."

Do grupo de poetas da poesia inventiva, teríamos: José Kozer, Roberto Echavarren, Néstor Perlongher, David Huerta. Seriam os "transplatinos", conceito criado por Perlongher numa antologia publicada em São Paulo em 1992. A publicação na época era também uma homenagem aos poetas concretistas Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari.

Haroldo de Campos: "un verdadero puente inventivo entre distintos momentos de la herencia vanguardista en América Latina".

Poema neobarroco: "Podría describirse un poema neobarroco como un texto proliferante donde el poeta hace énfasis en la no-identidad del que habla y lo ubica en una lógica deleuziana de devenires. Pero ahora ya no, como ocurre en los textos canónicos de la vanguardia latinoamericana, para resaltar una orfandad autoral o para proclamar que 'el sujeto es el lenguaje'".

Néstor Perlongher: "la entrada de una subjetividad implacable que critica desde el margen, desde el no-sujeto, al estatuto objetivo del poema. Si el sujeto está en discusión, ahora también el objeto poema lo está: Perlongher no permite la posibilidad de un sublime objetual que sustituya al sujeto ausente. Entre los poemas neobarrocos, Néstor Perlongher, fallecido en 1993, alcanza el mayor nivel de fidelidad a una propuesta cuestionante del hablante, del poema y del mundo".

---------------------------

A leitura do texto segue em outra postagem. Ler aqui.