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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Vendo filmes (XXI)



Refeição Cultural

Assisti a dois filmes dos anos oitenta bem interessantes. Um de ficção envolvendo extraterrestres e dominação da Terra e dos humanos e outro baseado em obras de Stephen King, mestre do suspense e terror.

A estória do Plymouth Fury 1958, o lindo carro vermelho conhecido como Christine, é um clássico, na minha opinião. Li o romance de King na adolescência e achei a narrativa inesquecível.

Já a estória do mundo dominado por ETs disfarçados de humanos endinheirados ou de gente classe média manipulada pelos donos do capital foi uma sugestão de um amigo que gosta de filmes, o Élcio. 

Achei legal a forma como John Carpenter trabalhou a questão da crença na meritocracia e no self made man, tão centrais na ideologia do imperialismo norte-americano. O personagem principal diz "acreditar na América" e depois percebe o que está por trás da dominação do capital.

Enfim, são filmes dos anos oitenta, ambos dirigidos por John Carpenter, muito diferentes dos filmes atuais em relação à produção. Eu gosto de filmes antigos, tanto dessa época quanto mais antigos ainda, dos anos setenta para trás.

William

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FILMES

Christine, o carro assassino (1983) - Direção: John Carpenter. Com: Keith Gordon, Alexandra Paul, John Stockwell, Harry Dean Stanton.

SINOPSE: o filme conta a história de um adolescente que sofre bullying na escola, Arnie Cunninghan (Gordon), e que tem praticamente um amigo, Dennis Guilder (Stockwell). O garoto vê um carro velho e abandonado e se apaixona na hora pelo carro, um Plymouth 1958. Ele acaba comprando o carro e começa a reformá-lo em um galpão do tipo "faça você mesmo suas reformas". O triângulo "amoroso" se dá quando Arnie começa a namorar a garota mais bonita da escola, Leigh Cabot (Alexandra Paul). O bullying continua na escola e depois que uns valentões destroem Christine, as coisas mudam para todo mundo: Arnie, Leigh, Dennis e os valentões.

COMENTÁRIO: li o livro de Stephen King na adolescência, nos anos oitenta. Achei a estória fantástica! Nunca me esqueci do Plymouth Fury 1958 vermelho. 

Aí veio o filme dirigido por John Carpenter. Também gostei bastante da adaptação dele, apesar de ela ser diferente do livro no final, o que é comum, pois roteiristas e diretores normalmente fazem a versão deles. 

Faz tempo que queria rever o clássico. De repente, achei o filme original na Netflix. Valeu demais rever Christine!!!

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Eles vivem (1988) - Direção: John Carpenter. Com: Roddy Piper, Keith David, Meg Foster.

SINOPSE: John Nada (Roddy Piper) é um trabalhador braçal que chega a Los Angeles e encontra trabalho numa fábrica. Durante uma inusitada operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão, Nada encontra um óculos escuro aparentemente comum, mas que o faz enxergar alienígenas vivendo como seres humanos e mensagens subliminares que estão em todo tipo de propaganda da mídia. Nada e seu colega de trabalho Frank (Keith David) decidem se engajar na luta de libertação da humanidade.

COMENTÁRIO: é um desses filmes B com uma história para entreter as pessoas. Mesmo assim, John Carpenter coloca os espectadores a pensarem na questão temática que o filme traz: a manipulação de massas pelos meios midiáticos. 

Os grandes capitalistas donos do poder e seus servidores cooptados estão entre nós, mas são como se fossem alienígenas de tão distantes da realidade eles vivem. 

E tem uma questão a se pensar também, quando Nada precisa sair na porrada com seu amigo Frank só para que ele aceite colocar os óculos para ver a realidade: ou seja, quem quer enxergar realmente a realidade? É bem mais cômodo viver na ilusão e na manipulação na qual a vida se dá no cotidiano.

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Post Scriptum: o texto anterior sobre filmes pode ser lido aqui.


domingo, 23 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (2)



Refeição Cultural

Nos anos oitenta, em Uberlândia, Minas Gerais, quando cresci no bairro Marta Helena entre os dez e os dezessete anos de idade, tive a oportunidade de ler vários livros de literatura, muitos deles emprestados pelo meu primo Jorge Luiz - que comprava lançamentos no "Círculo do Livro" -, e outros que eu conseguia de alguma forma. Eram livros "best sellers" dos anos setenta e oitenta. 

Um dos autores de romances de suspense e terror do qual cheguei a ler alguns livros à época foi o norte-americano Stephen King. Tenho alguns dos livros dele guardados em minha biblioteca até hoje. São edições antigas, amareladas e manchadas pelo tempo. Não consegui me lembrar ainda a origem dos volumes, quais deles ganhei depois de meu primo e quais adquiri em algum sebo por aí.

De uma forma ou de outra, a literatura que tive acesso à época foi essa, de romances de autores estrangeiros, pois me lembro de ter lido poucos autores brasileiros na adolescência. Talvez tenha lido aqueles livros de leitura obrigatória por causa da escola formal, um Machado de Assis ou um José de Alencar, por exemplo.

Os livros que mantenho na estante são livros ou autores que gostei, e não teria por que me desfazer dos livros. O que li nos anos oitenta e noventa fez parte da minha formação literária, mesmo não sendo leituras consideradas engajadas ou de alta cultura. 

Pensando nas lições de Italo Calvino sobre a importância de ler os clássicos da literatura universal, poderia dizer que até a literatura de suspense e terror tem seus clássicos. Stephen King tem os seus. Alguns eu leria novamente, como foi o caso de Carrie.

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LEITURAS DOS ANOS OITENTA E NOVENTA

1. Christine (1983) - Stephen King

O nome original do romance é o mesmo "Christine". Eu considero o romance um clássico. É a história de um triângulo amoroso entre Arnie Cunningham, Leigh Cabot e Christine. Tem ainda o amigo de Arnie, Dennis. 

Christine é um carro, um Plymouth Fury 1958, vermelho. Desde o primeiro momento em que Arnie viu o carro, ficou apaixonado por ele. Quer dizer, por ela, o carro foi nomeado de Christine.

O livro tem 552 páginas. Virou filme à época.

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2. O Iluminado (1977) - Stephen King

O título original do romance é "The Shining" e eu diria que é um dos maiores clássicos de Stephen King. O romance ficou mundialmente conhecido por ter virado filme estrelado por Jack Nicholson e dirigido por Stanley Kubrick.

É a história de Jack Torrance, um homem desempregado e em crise com a sua pequena família, que aceita o emprego de zelador de um hotel nas montanhas do Colorado. O que era para ser um período de tranquilidade e sossego para a família isolada pela neve, se transforma num cenário de suspense e terror que vai deixar leitores e espectadores alucinados do início ao fim.

O livro tem 445 páginas. Esse é um dos livros que comecei a leitura e não terminei. Depois acabei assistindo ao filme. Um dia, vou pegar para ler de uma vez.

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3. O Cemitério (1983) - Stephen King

Com título original "Pet Sematary", esse romance foi um dos quais nunca mais me esqueci. O enredo conta a estória da família de Louis Creed, composta por Rachel, Eileen (Ellie), Gage e Church, o gato de Eileen. O livro também virou um filme clássico.

A cena de Louis Creed voltando cansado do cemitério indígena de animais e caindo na cama todo sujo virou referência de cansaço para mim desde a adolescência.

Minha edição tem 380 páginas com fonte bem pequena. É um livrão, como os outros do autor.

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4. A Incendiária (1980) - Stephen King

O título original do romance é "Firestarter". Uma das lembranças que tenho sobre a leitura desse livro de King é que o li numa sentada, de uma vez. Não sei por que isso ficou na minha memória. Ao ver a grossura do livro hoje, imagino que deve ser uma falsa lembrança, não é possível ler essa estória de 432 páginas com fonte pequena em um dia. Mas devo ter lido em pouco tempo. O enredo é alucinante.

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5. Carrie (1974) - Stephen King

O título original tem o mesmo nome. Foi o primeiro romance de King e foi um sucesso imediato. Conta a estória da jovem Carrie, uma garota com poderes paranormais que sofre em casa com o fanatismo religioso da mãe e sofre na escola, por causa do bullying dos colegas de classe. 

O livro virou filme dirigido por Brian de Palma em 1976 e o destaque vai para a excelente interpretação de Sissy Spacek. Esse foi um dos romances de King que reli após os quarenta anos de idade. O comentário sobre a leitura pode ser lido aqui.

O livro tem 200 páginas.

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6. Zona Morta (1979) - Stephen King

Com o título original de "Dead Zone", esse é o livro de King que eu menos me lembro da estória. Mas eu li. John Smith é um rapaz como tantos outros. Um dia sofre um acidente de carro, ficando longos anos em coma. Ao acordar, percebe que detém o poder de perscrutar as mentes das pessoas.

Minha edição tem 389 páginas.

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7. A Entidade (1978) - Frank de Felitta

Com o título original "The Entity", esse livro foi duro de ler. Me lembro até hoje o quanto fiquei impressionado com a estória de uma entidade diabólica que violentava Carlotta Moran, mesmo diante dos filhos dela e com uma violência cada vez maior. É angustiante imaginar tudo aquilo que o enredo descreve no romance.

O livro é outro bichão de 478 páginas.

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8. Assassinato no campo de golfe (1923) - Agatha Christie

O título do livro é "Murder On The Links". Anotei no livro que o li em agosto do ano dois mil. Já era outro período de minha vida. Havia voltado para São Paulo. Mantive na fase adulta o hábito de leitura. É um romance policial de Christie com o clássico personagem Monsieur Hercule Poirot. Eu não me lembro do enredo. Teria que ler de novo.

O livro tem 215 páginas.

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Enfim, aos poucos vou organizar meu centro de documentação, o que inclui a minha biblioteca.

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


domingo, 28 de abril de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 28 de abril de 2024. Domingo.


O registro será confessional, texto que aborda sentimentos e acontecimentos pessoais, coisas que deveriam sempre ser guardadas para si, mas que as pessoas acabam publicizando por sermos o que somos, humanos, animais vaidosos (mas que clamam também), que contam coisas, que não aguentam segredos.

Noites mal dormidas as últimas. Acordei quebrado, com dores nas costas. Dores. Coisa que nas idades anteriores nem sabia o que era. Coisas, não coisa. As dores são no plural. Se prestar atenção, tem dor em vários pontos do corpo. E eu nem tenho a idade de meus pais, esses sim devem sentir dores. Meu pai fala das dele há mais de uma década. Vai saber o quanto delas transformou ele no que é hoje.

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CONCEITO DE CANSAÇO

Ao acordar, tive que ligar o chuveiro e ficar embaixo da água morna para reviver e então viver o dia de domingo. Se tentar interpretar o sonho que vivenciava ao acordar, talvez compreenda um pouco do cansaço que senti ontem à noite. Senti um treco horrível ao perceber ser responsável pela mágoa de alguém.

Antes de ter sido diretor eleito em uma autogestão em saúde, o conceito de cansaço que trazia em meu corpo e em minha imaginação conceitual era o cansaço de Louis Creed após voltar da floresta onde enterrou o gato Church, no livro O Cemitério, de Stephen King. A cena dele chegando todo enlameado e exausto e caindo na cama marcou aquele leitor adolescente e nunca mais tive uma referência melhor do que era um cansaço extremo.

Isso mudou por volta dos quarenta e cinco anos de idade. Após décadas de conceito de cansaço referenciado a partir de uma cena literária de um livro de suspense, meu corpo e minha mente fixaram um novo conceito de cansaço. Desde os primeiros meses na gestão da operadora na qual atuava como representante de centenas de milhares de participantes, com a responsabilidade de defender os direitos em saúde deles, já experimentava na minha solidão do acordar um cansaço que só conseguia superar ficando um tempo embaixo do chuveiro do apartamento onde morava em Brasília.

Tem dias que sinto por algum tempo (que deve ser superado logo) um cansaço tão profundo como aquele que descrevi acima. Ele quase te paralisa, te impede de viver. É preciso acionar suas energias internas guardadas na razão consciente do que você é e chacoalhar aquela coisa mortal e seguir adiante. Afinal de contas, viver é uma oportunidade diária.

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AS DORES DOS AMORES

Ontem, estava escrevendo um comentário sobre a leitura do livro de Conceição Evaristo sobre os amores sem juízo, interpreto assim a temática central do livro Canção para ninar menino grande. O personagem Fio Jasmim tem a moleira aberta e por isso é um homem sem juízo. O livro é sobre amor. Amores. Histórias reais e ficcionais sobre vivências de amores sem nenhuma racionalidade ou cálculo ou consequência. Escrevivências como a autora nos conta de sua técnica narrativa.

Numa troca de palavras, ouço de minha companheira que eu ando isso e aquilo, cotidianidades dos lares, e me toco que a magoei bastante por não ter escrito nada a ela na data de seu aniversário. Não tive o que dizer. Foda isso. Ando isso e aquilo mesmo. Desculpas como as duas semanas que passei cuidando das questões de saúde de meus pais não servem para nada. Nada. É horrível ser responsável por dissabores de alguém, ainda mais de pessoas queridas e próximas a nós. Certas coisas não têm conserto. Feitas estão.

Fiquei tão mal pela percepção do feito que minha energia se dissipou. A bateria arriou. Deixei de lado o texto sobre os amores e os dissabores dos amores e fiquei procurando cantos até que acordei quebrado no dia de hoje.

O mês de abril vai terminando. Iniciei o mês nas tretas com meu pai, ele insistindo em renovar a carta de motorista vencida há tempos do jeito que ele achava que tinha que ser. O cara não escuta ninguém pra nada. Todas as sugestões racionais são nada. Nonada. Ajudei ele a fazer as coisas do jeito dele. Foi foda. Só uns poucos pra saber o que foram esses dias. Foram uma merda! Nesse intervalo de tempo, minha irmã pegou dengue, minha sobrinha pequena pneumonia, depois minha mãe pneumonia, a crise que meu pai teve precisa ser investigada para saber se ele tem algo mais sério, alguma senilidade dos oitenta adiante. Eu andei uns dias meio foda também. 

Enfim, o mês dos amores e das dores vai terminando.

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TÁ FODA, MAS A LUTA CONTINUA

Um músico negro chama a polícia após ser ameaçado com uma faca, dois policiais desgraçados do governo fascista de São Paulo chegam para atender a ocorrência, apertam o pescoço do músico - a vítima -, imobilizam ele e jogam gás de pimenta nos olhos dele a troco de nada... (racionalmente, afirmo para mim mesmo que se isso acontecesse comigo eu reagiria e morreria, pois a polícia do governo paulista é assassina e o governador carioca disse que se dane isso).

Um outro rapaz negro é filmado sendo abordado em São Paulo por dois policiais do governo fascista e o rapaz já vai levantando a mão. Sem trocar palavras e sem reação alguma do abordado, os policiais começam a bater nele com cassetetes e o rapaz instintivamente se defende e reage. Os policiais o agridem com violência, um deles saca a arma e o executa a queima roupa e a sangue frio. Como disse acima, eu morreria também.

Quer dizer, nos dois casos citados, talvez eu não morreria porque minha pele é branca e as cenas reais não se dariam. A chance de fazerem isso comigo seria menor porque é crime ser preto no Brasil, e é pena de morte ser preto e pobre, periférico. Sou privilegiado por causa da cor da minha pele. O Brasil é o país dos privilegiados e dos condenados sem crimes.

Vivo no país dos desgraçados. Temos os desgraçados que não alcançam graça porque são periféricos, pobres, pretos, gente subgente. Gente que pertence às bases da pirâmide social. Gente que vai ser presa e morta e descartada por todo tipo de bandido, os bandidos bandidos e os bandidos fardados. Sem defesa, sem julgamento. E as receitas de desgraças só aumentam. Agora prender periféricos vai dar lucro em cadeias privadas, os periféricos que serão presos por um baseado de maconha. Por uma barra de chocolate. Por "desacato".

E temos os desgraçados desgraçados mesmo, gente má, gente escrota. Os desgraçados que podem matar por andarem em Porsche a 156 Km/h, os desgraçados que podem estuprar e pagar montanhas de dinheiro para as autoridades para voltarem para as suas casas-palácios, os desgraçados que podem cometer qualquer ilegalidade que lhe derem na cabeça porque são inimputáveis como o genocida e ladrão de joias ex-presidente que pode tudo e contra ele não pega nada, porque as autoridades e políticos brasileiros têm MEDO de prender o bandido.

A luta continua, claro! Mesmo com tudo que acontece o tempo todo, mesmo com toda a injustiça, tem muita gente boa lutando por um mundo melhor. Gente que ontem mesmo estava reunida organizando as lutas para combater e reverter todas essas desgraças que enfeiam o nosso mundo.

Viver vale a pena. E as desgraças se combatem com pessoas que enchem as nossas esperanças de graças, gente que acorda em meio às suas cotidianidades complexas e acha tempo para se doar para as ações coletivas e as boas ações para melhorar o seu entorno, o mundo de todos nós. 

Gente assim vi reunida ontem na assembleia que fui pela manhã e na reunião do PT que partipei de tarde. Gente que faz valer a pena seguir lutando, do jeito que cada um puder contribuir.

A essa gente dou graças! Graças a vocês que lutam por um mundo melhor para todes.

Somos seres de contradição, mas somos seres históricos. Fazemos história todos os dias.

Não existe um futuro determinado. Fazemos o futuro hoje. Não esmoreçam.

William


domingo, 12 de novembro de 2023

Leitura: Os mortos vivos, de Peter Straub



Refeição Cultural

Osasco, 12 de novembro de 2023. Domingo. Um calor de 37º!


Terminei a releitura do clássico Os mortos vivos (1979), de Peter Straub. Esse livro marcou os anos oitenta. Pelo que pude apurar, até o mestre dos livros de suspense e terror, Stephen King, gostou da estória e faz comentários laudatórios a respeito desse livro de Straub.

O nome brasileiro da obra difere um pouco da lógica do título em inglês - Ghost Story - e eu diria que a tradução brasileira para a versão cinematográfica da obra seria melhor para o livro: Histórias de fantasmas (1981), dirigido por John Irvin. Eu não conheço o filme. A estória faz referências tanto a fantasmas e espíritos (Manitu) quanto a mortos vivos.

Nos anos oitenta, li dezenas de livros que saíam pelo Círculo do livro. Algumas leituras da adolescência me impactaram à época. Dos livros de suspense e terror, os de Stephen King eram os preferidos. Li Carrie, A incendiária, O cemitério, Zona morta, Christine, e tenho dele e não li ainda O iluminado

Outros de terror impactantes à época, foram A entidade, de Frank de Felitta, O exorcista, de William Peter Blatty, e os dois de Jay Anson, Horror em Amityville e 666 O limiar do inferno. Estes últimos, reli e comentei aqui no blog (ler aqui). 

Os mortos vivos, de Peter Straub, foi um dos livros que mais marcaram minha leitura de terror. Eu tinha menos de 17 anos quando o li, acreditava em coisas sobrenaturais e fiquei bem assustando durante a leitura da estória. 

Digo que o de Straub é um dos livros marcantes do gênero porque O cemitério também me marcou bastante! Até hoje defino um cansaço indescritível como o do personagem Louis Creed ao voltar do enterro do gato e cair prostrado na cama.

Na minha atual fase de leitor, às vezes pego para reler um livro lido décadas atrás para tentar avaliar como a leitura à época poderia ter impactado aquele leitor jovem com a visão de mundo que eu tinha como jovem no ambiente ao qual eu pertencia. Não é algo simples, mas acho interessante a tentativa de perceber o caminho que trilhei até aqui.

A leitura atual de Os mortos vivos foi absolutamente distinta da lembrança que tinha da leitura da adolescência. Imagino que o tenha lido em pouco tempo naquela época, porque eu lia rapidamente livros grandes. Me recordo que lia até centenas de páginas no mesmo dia. Desta vez, a leitura se arrastou por quatro meses. Lia nas madrugadas. E minha impressão da estória foi outra. Entendo que o livro é para ser lido de uma vez... como não fiz isso, o efeito foi outro.

Avalio que a estória poderia ser escrita em umas duzentas páginas, e olha lá!, e não seria necessário arrastar a estória por mais de quinhentas páginas. Nessa questão de tamanho, Jay Anson acertou nos dois romances demoníacos que fez. Peter Straud e meu saudosismo que me perdoem, mas Horror em Amityville foi mais prazeroso de ler, a parada foi resolvida em 190 páginas. Li em dois dias.

Ainda que eu tivesse lido o romance rapidamente, o efeito gostoso de sentir medo ao ler um livro de terror não seria o mesmo de antes neste leitor que vos fala, porque hoje sou descrente de qualquer coisa mística. Já foi assim na releitura dos livros de Jay Anson. À época, eu acreditava em tudo, em qualquer teoria explicativa de mundo que a mente humana criasse.

Gostaria de assistir ao filme de 1981, que contou com a participação de Fred Astaire no papel de Ricky Hawthorne. 

Já escrevi várias vezes sobre meu respeito pela visão de mundo que cada ser humano tem. A concepção mística da vida fez parte da minha percepção de mundo por décadas. Após o meu percurso pela vida, não conseguiria abraçar nenhuma explicação mágica sobre a existência humana e sobre o Universo. No entanto, sei que cada pessoa tem a sua experiência de vida e devemos respeitar isso.

Me lembro perfeitamente da sensação e efeito das culturas místicas na pessoa que era até perto dos trinta anos. Quando assisti no cinema ao filme Ghost - Do outro lado da vida (1990), foi muito impactante aquele momento no qual o público percebe junto com o protagonista o que aconteceu após o assalto.

Enfim, mais um livro lido ou relido. Este foi o 30º livro do ano, sexto ou sétimo de romance ficcional. Deu trabalho a leitura! Achei que não acabaria nunca!

William


Post Scriptum: Fiz postagem sobre a leitura em andamento. Caso tenham interesse em ler, é só clicar aqui.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Artigo: Literatura como experiência: O cemitério - Stephen King


Church - bichano voltou em
Pet Sematary.

Refeição Cultural

A sensação do cansaço de Louis Creed em "O Cemitério" de Stephen King

Acordei novamente com o corpo todo talhado. Fiz um esforço absurdo para completar os quinze quilômetros da Corrida de São Silvestre.

Sempre que estou assim, após um tremendo esforço físico feito anteriormente, associo o estado físico à sensação de cansaço descrita pelo escritor Stephen King para o personagem Louis Creed no livro O Cemitério (Pet Sematary - 1983).

A literatura tem essa característica fantástica. Quando lemos um romance, mesmo que seja na tenra idade, estamos alimentando nosso ser com novas experiências. Elas ficarão marcadas em nossas memórias, de maneira que, sempre que precisarmos, teremos de onde puxar na memória acontecimentos que vão nos servir de experiência ou de comparação.

Eu era adolescente quando li O Cemitério. No entanto, nunca me esqueci da parte do livro que descreve a tremenda dificuldade que o pai teve para atravessar a montanha de gravetos com o corpo de seu filho Gage para enterrá-lo no antigo cemitério indígena.

Antes, o pai havia feito o caminho com o gatinho morto, Church, nas mãos, para encontrar o cemitério de animais e enterrá-lo lá, na esperança de que o gatinho voltasse vivo para casa, de maneira a atenuar o sofrimento de sua filha Ellie, a dona do gato.

O autor Stephen King conseguiu me passar o estado de cansaço de Louis Creed durante toda a aventura. Ele saiu de casa à noite, atravessou a floresta, cavou e enterrou o pequeno Gage e fez todo o caminho de volta. Me lembro que ele chegou e caiu prostrado na cama ainda todo sujo de terra.

Literatura é isso. Toda vez que estou com o corpo arrebentado após algum esforço físico no extremo, me sinto como Louis Creed após visitar o Pet Sematary.

William

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CARRIE – Stephen king

Capa original da primeira edição americana.

CARRIE – Stephen king
CLÁSSICO AMERICANO de terror – 1974

Já comentei aqui no blog que comecei minha história de leitura com literatura de Best Sellers dos anos 70 e 80. Li alguns livros do escritor americano Stephen King na adolescência. Além dele, li outros livros de suspense e terror como Os Mortos Vivos de Peter Straub e li também dois livros de Jay Anson – Horror em Amityville e 666 no limiar do inferno.
Sem contar, é claro, que li o livro O Exorcista de William Peter Blatty.
Lembro-me que li Christine – o carro assassino, A Incendiária, A Zona Morta e Cemitério. Por incrível que pareça, acabei não lendo na época os dois mais famosos de King: Carrie e O Iluminado. Do primeiro, havia visto o filme e, do segundo, só fui assistir ao filme há pouco tempo.

A LEITURA
Fui ver qual a sensação de ler após os quarenta anos um dos livros de minha adolescência: gostei. É meio hilário, mas foi divertido e leve.
O livro é dividido em três partes:
-SANGUE E DIRVERTIMENTO
-A NOITE DO BAILE
-ECOS E ESCOMBROS
A história é sobre uma garota em início de adolescência que sofre bulling na escola e sofre horrores na mão de sua mãe, uma fanática religiosa como tem aos montes entre o Tea Party dos republicanos atuais.
O pano de fundo da estória é o fenômeno da telecinésia – TC – ou capacidade de movimentar ou alterar as coisas com o poder da mente. O autor envereda por uma tese na ficção de que a telecinésia é transmitida às filhas de alguns casais como um gene raro. Da mesma forma que outras doenças congênitas ou hereditárias.
Sissy Spacek:
Uma jovem garota como outra qualquer...

Na verdade, o leitor fica o tempo todo torcendo por Carrie porque é revoltante ver a menina sofrer nas mãos das colegas da escola e em casa.
Todo mundo gostaria de ter o poder que a garota tem para dar o troco na hora quando alguém sacaneia sem mais nem menos qualquer pessoa.
Imaginem os funcionários de bancos com poder de telecinésia para enfrentar o assédio moral e as metas absurdas e abusivas nos locais de trabalho... (brincadeirinha!).
Literatura de ficção é algo muito bom porque é... ficção. Ali se permite tudo que não se pode na vida real.

Um dos poster do filme

O FILME de 1976
Logo após ler finalmente o livro de Stephen King, embarquei novamente no filme que vi há muitos e muitos anos.
Cara, o filme é muito legal.
A direção é de Brian De Palma e a interpretação de Sissy Spacek é FANTÁSTICA!
Como sempre ocorre, o filme é uma adaptação do livro. É uma versão. Os finais são diferentes. Mas tudo bem porque não ficou ruim no filme.
O final do livro é melhor, isso eu não posso deixar de comentar.
Ah, e para terminar, afirmo categoricamente que o livro e o filme são clássicos!

Bibliografia:
KING, Stephen. Carrie. Editora Abril, 1983 SP.

domingo, 6 de junho de 2010

Filme: O Iluminado, de 1980, de Stanley Kubrick


Foto divulgação do filme

Refeição Cultural

Finalmente, assisti a mais um filme "inédito" para mim. É como tenho escrito aqui: em matéria de filme, estou sempre bem fora do tempo.


Quando adolescente, cheguei a ler alguns livros de Stephen King como A incendiária (1980), O cemitério (1983), Christine (1983), A zona morta (1979), e sempre tive o livro O iluminado (1977), mas não consegui lê-lo ainda.


Também assisti ao clássico Carrie, a estranha. O livro é de 1974. O filme foi sucesso nos anos oitenta. Também gostei da adaptação de Christine - aquele Plymouth Fury 1958 vermelho. A adaptação de Pet Sematary deu pro gasto.


Cheguei a fazer a loucura de ler A incendiária em um dia. O livro é enorme e li até acabar.


Mas voltando ao filme O Iluminado, acho que o mais sensacional dele é a questão da sonoplastia. A cada instante, parece que algo terrível vai acontecer, inclusive quando aparecem as legendas identificando dias e a passagem do tempo.


Gostei do filme. Não é mais meu estilo de filme atualmente, mas não posso deixar de admirar um filme clássico tão bem feito quanto esse, que assusta só de ouvir a música e de olhar para as expressões de Jack Nicholson, este sim, é um dos atores com as expressões mais fortes que conheço.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Refeição Cultural - A importância da Leitura


Eu e Miguel de Cervantes em Toledo, Espanha (set/2009).
Cervantes era leitor voraz, lia tudo... 
"aunque sean los papeles rotos por la calle".

(Atualizado em 26/11/16)

Fidel e Che, a importância da leitura

Li com razoável facilidade a primeira parte do livro sobre a amizade de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. (depois terminei o livro com a mesma facilidade)

Comentei com amigos e companheiros que eu pouco conheço a respeito da vida desses dois ícones revolucionários, apesar de me considerar uma pessoa de esquerda.

É tocante o quanto a vida juvenil e adulta de ambos está interligada com a leitura e o estudo. Eles leram e estudaram muito. Cada um à sua maneira, mas foram leitores contumazes. Lembrei-me do amigo Gilmar Carneiro dizendo que devemos ler todos os dias, ao menos 30 minutos.

Na leitura deste livro, lembrei-me o quanto a leitura foi importante na minha infância e adolescência. É uma pena que eu não tenha começado por livros mais profundos sobre sociologia, antropologia, filosofia, história e outros do gênero.

Também não comecei a ler por uma literatura mais "engajada" ou "clássica". Mas foi importante começar a ler qualquer coisa.

Acho que somando a leitura de livros com a educação religiosa de minha mãe, o resultado foi a minha saída das ruas e a minha maior permanência longe dos problemas das gangues que haviam no bairro Marta Helena, em Uberlândia, nos anos oitenta.

Meu primo Jorge Luiz tinha muitos livros, pois a minha tia era funcionária pública e ele assinava o Círculo do Livro. Foi dali que comecei a ler um livro atrás do outro. 

Não vou dizer que não li livros clássicos na adolescência, pois posso citar alguns como "Lolita" de Vladimir Nabokov, "O vermelho e o negro" de Stendhal, li Shakespeare, Machado de Assis, Eça de Queirós. Mas é evidente que o que mais li foi Stephen King e outros mais de terror e suspense.


VOLTANDO A FIDEL E CHE

É interessante como as histórias vão se interligando. Che Guevara estava na Guatemala quando a CIA e La Frutera derrubaram o governo democrático e progressista de Árbenz em 1954.

Eu já conheço um pouco esta história porque li faz um tempo "Week-end na Guatemala" de Miguel Ángel Astúrias. Mas nunca imaginei que o jovem Che Guevara (e outros exilados revolucionários) estivesse no país durante o massacre dos guatemaltecos pelos mercenários contratados pela CIA e pelos capitalistas investidores no país.


Presente dos amigos durante curso 
de formação da Contraf-CUT.

Uma frase de Fidel Castro, escrita durante sua permanência na solitária, me emocionou bastante, pois é algo que sempre penso. Aprender algo útil todos os dias para compreender melhor o mundo e para evoluir também como pessoa é uma necessidade.

"Esqueço tudo o que existe no mundo e me concentro mais uma vez no esforço de aprender algo novo e útil, mesmo que seja apenas para entender melhor a humanidade" (Fidel Castro, durante sua prisão)

Que coisa bela!!

Se servir de algo partilhar o que penso com meus amigos e companheiros do movimento sindical e progressista, diria:

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Insisto para que cada dirigente dedique ao menos 30 minutos de leitura diária de algum texto ou obra literária mais engajada e com reflexão. É muito importante para a formação do próprio eu.
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O mundo contemporâneo perdeu muito com a quantidade de coisas inúteis disponíveis que disputam os segundos da nossa existência com uma leitura mais densa e reflexiva, com um bom debate entre amigos, uma boa música com letras que nos põem a pensar etc.

Companheiros, leiam ao menos 30 minutos por dia, assim como vocês se alimentam algumas vezes ao dia. É para a própria formação ética, filosófica e humana.

O que vocês estão lendo atualmente? Teçam comentários a respeito.


Post Scriptum (26/11/16):

O Comandante Fidel Castro, grande líder revolucionário, faleceu em 25/11/16, aos noventa anos de idade.

Comandante Fidel, você, Che e a Revolução Cubana, seguirão sendo grandes inspirações para nós, que lutamos pelos povos trabalhadores e humildes e contra o imperialismo e o capitalismo, sistema de exploração do homem pelo homem e de destruição do Planeta.

Presente!

William