Mostrando postagens com marcador Genésio dos Santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Genésio dos Santos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Livro: Número um - Genésio dos Santos



Refeição Cultural

Dezembro de 2024


"CHOQUE DA CONFRONTAÇÃO

Nestes dias,

o que já se delineava claramente

aos meus olhos

se confirmou:

os que professam

e os professados

são feitos de um mesmo barro

e moldados por um mesmo oleiro,

são queimados em um mesmo forno

e em uma mesma olaria,

se partem com um único choque

e se transformam em areia, em barro moído.

Quando se partem em pedaços,

o mesmo oleiro que antes os moldara

os moldará de novo.


Há que procurar um outro barro

se se pretende um barro forte.

Há que procurar um outro oleiro

se se pretende um jarro de outro molde.

Há que procurar um outro forno

se se pretende um jarro resistente.

Há que procurar uma outra olaria

se se pretende um jarro diferente.


Há que romper

com o antigo barro

com o antigo oleiro

com o antigo forno

com a antiga olaria.


Há que começar,

de novo."


Reli o livro de poesia do amigo e companheiro Genésio dos Santos. Trabalhamos no Banco do Brasil e militamos juntos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Genésio foi uma grande referência em minha formação política. Militamos na Articulação Sindical na época em que era permitido ter opiniões próprias e divergir até alcançar o "consenso progressivo".

O autor do livro "Número um" é uma dessas pessoas que vale a pena sentar-se para conversar e jogar conversa fora, uma grande figura. Além de ser poeta, o amigo é conhecedor de outras áreas do conhecimento humano. Aprendi muito com ele.

Uma das habilidades que desenvolvi após me tornar representante sindical de milhares de colegas bancários foi a prática de escutar e escrever. Poderia dizer que um pouco dessa longa jornada de produção textual nos blogs que desenvolvo há duas décadas teve um pouco do incentivo do Genésio.

Quando comecei o trabalho de base no Sindicato, Genésio sempre dizia a mim e aos outros companheiros que a gente deveria sempre relatar o trabalho de base, o contato com os trabalhadores nas agências e departamentos. Eu acabei pegando gosto em fazer isso. 

Pouco tempo depois de virar sindicalista, criei o primeiro blog e passei a escrever sobre o mundo do trabalho. Com o tempo, passei a ter uma agenda pública e durante mais de uma década de representação qualquer pessoa de qualquer lugar do país poderia saber o que eu fazia, onde estava, o que pensava e defendia.

Anos depois, quando montaram um lawfare contra mim no mandato que exercia numa autogestão em saúde, lawfare para destruir minha história e reputação, a maior defesa que tive para desfazer todas as mentiras inventadas através de carta anônima foram meus blogs. Os advogados disseram que nunca viram uma agenda tão pública de um dirigente quanto a minha.

Voltando às poesias do Genésio, o poeta tem uma facilidade enorme com as palavras, ritmos, rimas e todas as técnicas sofisticadas dos grandes autores.

Genésio mantem um blog de poesia extraordinário! A disciplina dele em postar todos os dias um poema de algum autor ou autora do mundo inteiro é impressionante!

Vale a pena a visita à página dele: versoeconversa.blogspot.com

O poema que postei na abertura do texto é para o ano que começa daqui a pouco.

Sigamos no Ano Novo lendo, estudando, compartilhando conhecimento e lutando por um mundo menos ignorante, mais justo e solidário, e sustentável. 

Procuro quem luta pelo fim do capitalismo, não é possível seguir na mesmice. HÁ QUE SE TER CONFRONTAÇÃO!

William


sábado, 28 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (28) - Voo rasante, Genésio dos Santos



VOO RASANTE - GENÉSIO DOS SANTOS


Quisera voar

e nenhum deus me deu asas.

Daí eu não poder cantar 

o voo das gaivotas

nem a cor dos céus.

Daí eu não poder cantar 

o pico das montanhas, 

eu, que nem alpinista sou.


Tudo deve ser tão belo

mas minha visão não alcança. 


Meus olhos só veem

o que se passa aqui no chão

que é onde rastejo.

Meus olhos veem fome.

Meus olhos veem sede.

Meus olhos veem guerra. 


Muitas vezes 

eu passo sobre monturos

e com eles me confundo.

Eu os envolvo,

eles me envolvem

e nós nos deterioramos.


O voo das gaivotas,

a cor dos céus, 

o pico das montanhas, 

ficam cada vez mais longe.


A arte de transpor muros

não é tão fácil. 

Ser poeta o é. 


---

COMENTÁRIO:

O

Que

Faço 

Para

Parar

A

Matança 

Do

Povo

Palestino?


Meus olhos veem fome.

Meus olhos veem sede.

Meus olhos veem guerra.


William 


Bibliografia:

SANTOS, Genésio dos. Número um. São Paulo: G. dos Santos, 1978.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 19 de dezembro de 2024. Quinta-feira.


"Ego


Não hesito,

Se existo,

Insisto,

Resisto,

Persisto

e não desisto."


Genésio dos Santos (1978)



Melancolia. Não estou no clima para confraternizar com nadie. Sentir tristeza é uma coisa natural do ser pensante. Sou pensador. Vejo as coisas ao meu redor. São tristes demais! Como não consigo mais sentir raiva e ódio (me libertei desse cativeiro) sinto pena, fico com dó, e fico puto com as merdas inacreditáveis feitas pelas pessoas ao nosso redor. Raiva não.

Naturalmente estou nos dias de fazer algum tipo de balanço do ano que se encerra, a minha passagem pela existência neste ano civil. Refletir sobre as coisas da vida humana no meu canto do mundo e no mundo todo. Tenho consciência que contribuí para o mundo onde vivo ao tentar melhorar a vida das pessoas, pois participei ativamente das campanhas políticas neste ano. Fiz minha parte de jogar água no incêndio da floresta com meu bico de beija-flor. (mas o incêndio está destruindo tudo)

Sei e entendo que não tenho o que fazer no que diz respeito às relações humanas com os animais humanos do tempo atual. Relações utilitaristas, relações fluidas, de interesses. Pouca coisa sobra para amor e amizade. Uma das coisas que mais azedam o meu viver, o viver de muita gente, é a falta de consideração para com a gente. No meu mundo a consideração está desaparecendo. Não sei dos outros mundos, pois não sei nada de outros povos, outras culturas, outras gentes. Sei algo do mundo ao meu redor. Consideração próxima do zero. Triste isso. Mas as coisas são como são.

Época de balanços e planejamentos para possíveis amanhãs é época de ver coisas empilhadas, de ver o quanto nos afogamos em inutilidades, e o quanto desperdiçamos tempo com algo inútil ao invés de algo que valeria a pena enquanto existimos. Se eu não li uma centena de obras clássicas que gostaria de ter lido, para que guardar dezenas de obras que de verdade não acrescentariam nada ou quase nada em sua vida única e fugaz que pode acabar amanhã ou no instante seguinte? 

Eu sequer li "O nome da rosa" e fico enchendo espaço em casa com uma bosta de livro sobre um czar fdp. E meus livros de educação física? Não pude me formar à época por falta de dinheiro para pagar a mensalidade, frustração inesquecível, e deixo aqueles livros ocupando espaço que não tenho? É tanta coisa...

(Post Scriptum: voltei da rua. Disponibilizei alguns dos livros que tinha numa banca de livros gratuitos aqui no bairro. Que sejam úteis para alguém)

Reafirmo que os seres humanos são seres extraordinários. Seres com potenciais e capacidades incomparáveis a qualquer outra espécie da natureza. Não precisaríamos estar num mundo feio, miserável, dominado pela maldade e por uma pequena parcela de fdp causando a destruição de um mundo inteiro que não é deles, desses fdp da parcela ínfima da população. 

Mas não está fácil achar soluções para melhorar as pessoas e a sociedade humana. Está faltando criatividade a mim e a vocês que desejaríamos mudar a situação atual para algo melhor coletivamente. Coloquemos a cabeça para pensar...

Sigamos com as atitudes revolucionárias citadas no poema de meu amigo Genésio dos Santos, que abre este instante filosófico.

William Mendes


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (11) - Ego, Genésio dos Santos



EGO - GENÉSIO DOS SANTOS


Não hesito,

Se existo,

Insisto,

Resisto,

Persisto

e não desisto.


Do livro "Número um", de 1978.

---

COMENTÁRIO:

Genésio dos Santos é poeta oriundo dos quadros de funcionários do Banco do Brasil. Grande figura! Aprendi muito com ele.

Quando entrei no movimento sindical, passei a compor a direção de nosso Sindicato e conheci figuras deslumbrantes. Genésio foi uma dessas lideranças incríveis com as quais passei a conviver na militância política.

O poema "Ego" pode ser lido pensando a vida sob diversas óticas. Se fizer uma leitura política e ou sindical, poderia dizer que cada verso é um princípio, um Norte para a militância que escolhe dedicar sua vida e sua energia para a mudança da realidade.

Cada verso um verbo, uma ação que deve ser feita ou que não deve ser feita. Não hesitar e não desistir. Insistir, resistir, persistir: ações centrais do existir na vida de um militante das causas sociais e populares. Não hesitar em estar do lado do povo, da classe trabalhadora.

Atitude! Cada princípio no poema de Genésio é uma referência ética, uma demonstração do que se espera da atitude de uma liderança popular.

O livro inteiro é uma fonte de prazer, cada poema.

É isso!

Sigamos lendo poesia em dezembro.


William Mendes


Bibliografia:

SANTOS, Genésio dos. Número um. São Paulo: G. dos Santos, 1978.