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terça-feira, 21 de julho de 2026

Leitura: Poemas e maravilhas de Marili Santos (ano 2013)



Refeição Cultural

POESIAS E MARAVILHAS LITERÁRIAS


"TRINDADE

O que faz a vida deixar de parecer feliz
e sê-la de fato, é tão ridiculamente
simples, que às vezes deixamos de olhar e sentir o óbvio."


Após mergulhar na produção cultural da professora, poeta e escritora Marili Santos, lendo suas publicações dos anos de 2011 e 2012, embarquei na viagem através de seus textos publicados em 2013. São 133 obras de artes no referido ano e mais de 500 nos três primeiros anos do blog. 

As variações nas formas poéticas e nas temáticas das composições são muito interessantes. Poemas, haicais, elegias, contos, crônicas, brocardos (que eu nem sabia o que significavam) e textos diversos compõem um verdadeiro refeitório cultural para todos os tipos de gostos e sabores. Um verdadeiro acalanto. E por falar em acalanto:

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ACALANTO

Era bem cedo quando a velha senhora separava as gemas das claras, uma a uma, jogando na vasilha de ágata as preciosas, amarelos-ouro. Ao todo eram doze somente gemas. Arrastava as chinelas para cá e para lá, em movimentos deslizantes do chão recém-encerado. Pegou o vidro e mediu no prato fundo de sempre, do açúcar mais grosso, quase cristal, ajeitando as bordas com o dorso da colher de pau. Começou a bater as gemas com o açúcar primeiro lentamente, enquanto assoviava baixinho qualquer canção, depois o fremir era intenso; a melodia acompanhava agora os movimentos rápidos que nem a velhice havia ainda levado. Com a mão desocupada apanhava bocados de farinha de trigo que eram salpicados à mistura e assim, a massa ganhava o corpo que a boa e solitária mulher queria. O ponto era o mesmo de quarenta anos, nem um grama a mais nem um a menos de trigo. Chegou. A tábua longa disposta sobre a mesa esperava a mistura pronta para ser esticada, na espessura ideal e em seguida, ser cortada pela carretilha. Untou com manteiga bem gorda. Os sequilhos agora prontos descansariam o tempo certo de ela limpar o pouco que sujou. As pernas doíam demais e a saudade também. Sentada. Vigiava. Há que se vigiar, pois assam muito rápido. O cheiro era doce e terno. Colocou a segunda fornada.

Ouviu o chamado lá de longe, eram os netos, eram os netos.

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Uma coisa que aprendi nas aulas do curso de Letras, em uma disciplina de leitura de poesias, é a importância de conhecer os significados das palavras; procurar em dicionários os sentidos e possibilidades de sentidos das palavras da língua utilizada na confecção dos textos literários e poéticos.

Para ler os textos da escritora Marili Santos achei necessário deixar de lado a preguiça comum dos leitores e ir atrás do sentido das palavras para navegar melhor por seu mar de poesias, crônicas, haicais e outras maravilhas.

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PARALAXE

Eu você

Aqui e lá

Nós sem fim

Vento sim

Mudam-se

Olho e vejo

Você não vê

Que se há de fazer?

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Imaginem se, de supetão, os leitores sabem de brocardos, senescência, criptograma, malsinar, sobre o "Olho de Hórus", paralaxe, arquilexemas e arquifonemas e palavras várias de nossa língua pátria!

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Senescência

Broto vivo
em mim
nada é velho
vivo sem fim
seiva corre
em si
essência da vida
enfim.

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Por outro lado, para variar e alternar com os poemas mais exigentes, outros são pérolas com a linguagem mais prosaica e cotidiana possível.

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QUADRINHA SOLITÁRIA

Na calada da madrugada
A mulher escuta seu amigo
O gotejo da pia principia
Já pode dormir em paz!

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Enquanto degusto cada maravilha cultural da poeta Marili Santos, aprendo e reaprendo os sentidos da linguagem humana.

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CONEXOS

dita
dita-me
ditame
dito
dito-cujo
ditador

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Uma realidade comum na existência das pessoas que dedicam parte de suas vidas para nos presentear com seus textos são os momentos de pouca inspiração e de bloqueios criativos. Eu já enfrentei instantes assim diversas vezes quando precisava escrever sobre algum tema.

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SEM INSPIRAÇÃO OU... que saco!

Fico pensando
que faz o poeta
o escritor, amante
namorado, professor
cozinheiro, escultor, ator, criador
qualquer ser que depende da inspiração... precisei de sete dias para escrever essa porcaria... Deus também precisou.

Que saco!

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A simplicidade prosaica de alguns poemas, elegias, haicais e crônicas, conjugada com a perfeição do uso das palavras para dizer algo que muitas vezes nós queríamos dizer e não sabíamos como dizer, é algo que só se encontra nas tecituras dos poetas.

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APOTEOSE

Adoro ver gente
que passa pelo
abismo, dor e
provação e tudo
tudo de mais
agressivo e
mesmo assim
sabe o que é viver!

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Não é!? O eu-lírico de "APOTEOSE" disse tudo! É preciso saber viver, já dizia o poeta na música dos Titãs.

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COMENTÁRIO FINAL

Como disse no início, degustar os textos de Marili Santos em seu blog Valsa Literária é um verdadeiro banquete naquele refeitório cultural.

Aos poucos, vou conhecendo a produção poética e literária da professora e escritora. 

O que nos faz humanos é o que nos diferencia dos demais animais e seres vivos na natureza. Produzir cultura é uma das características dessa espécie única que somos.

Se vocês apreciam poesia e outras formas de manifestações culturais, visitem o blog Valsa Literária, vocês vão gostar muito.

William

O blog: https://valsaliteraria.blogspot.com

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Evocações



Refeição Cultural

Ontem, reli o capítulo 38 de meu livro de memórias sindicais, "Evocações". No texto está a essência de minha história e formação política. 

Aquelas lembranças foram inspiradas nas memórias de Aleida March, companheira de Ernesto Che Guevara. O livro dela me escolheu numa rua de Havana.

Nosso grupo de brasileiros estava andando por Havana Velha com o senhor Luis Caballero quando olhei o livro numa portinha de livros usados. Aquela foto de Aleida e Che me encantou.

No capítulo 38 de "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT" vou buscando as lembranças assim como fez Aleida depois de décadas de silêncio. O passado sendo tratado com ternura.

A vida humana é definida diariamente, independentemente dos planejamentos que as pessoas fazem em seus sonhos e utopias. Olho para trás e vejo isso claramente. E tudo bem!

As veredas, as veredas da vida. Veredas que definem caminhos, caminhos que determinam a vida vivida. E tudo bem se não rolou o que você queria. Se a vida foi vivida com uma ética humanista, valeu a pena.

As veredas são oportunidades incríveis... quando vi era dirigente sindical. Quando percebi estava mudando o mundo junto com meus companheiros e companheiras, o meu e o nosso mundo do trabalho à época. 

Quando vi, Aleida e Che me encantaram numa rua de Cuba. Do nada, me senta no assento ao lado no ano seguinte, num voo de volta a Cuba, a queridíssima Conceição Evaristo, e passamos horas conversando até Havana.

Falei a ela de Aleida March, disse que lhe daria o livro de presente. Achei agora a versão em português e quero entregar à nossa querida escritora das escrevivências as lembranças de Aleida March. E, modestamente, lhe presentear também com as memórias do bancário.

O capítulo 38 traz lembranças de um fazer sindical com uma ética toda aprendida com lideranças sindicais de grande valor, que me inspiraram e me fizeram ser a pessoa que fui, e que sou.

Espero entregar a Conceição Evaristo as evocações de Aleida March. Espero que minhas evocações testemunhem o efeito revolucionário da formação política e sindical, lições de vida que me trouxeram até aqui.

William 

25/11/25

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O sentido da vida (12)



Ser às vezes o ombro amigo


Encontrou uma vizinha no ponto de ônibus. Parou para conversar com ela até que viesse o ônibus. Sempre que se encontram, ele a ouve com atenção. Ela tem mais de oitenta anos. Ela desabafou chorando... ingratidão e falta de respeito familiar. 

Dias atrás, ele ficou um tempão com uma pessoa muito querida ao telefone. Ela também chorou e desabafou... a ingratidão e desrespeito familiar estavam lhe fazendo muito mal.

Ele havia ido aos Correios postar suas Memórias para três amigos. A vida é um instante, seu desejo era deixar algumas unidades daquelas histórias reunidas em livro em alguns cantinhos do mundo.

Ao chegar da rua, soube pelas redes sociais do falecimento de um grande companheiro que viveu com ele muitas daquelas histórias de lutas sindicais no Banco do Brasil e na categoria bancária. Ficou triste demais. 

A vida é um instante. Se pudermos ao menos ser o ombro amigo de alguém por um instante, será um ato de solidariedade, um ato de amor.

José Michelena, presente!

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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O sentido da vida (11)



A boa prosa e o pensar junto


Acordou vendo notícias estapafúrdias sobre o mundo. Uma golpista de merda foi premiada com o Nobel da Paz. São os sintomas do mundo capitalista doentio e em colapso rumo ao fim.

Mesmo assim, abstraiu-se da merda toda ao redor e refletiu sobre o dia anterior, que foi cansativo em termos físicos, mas gratificante em termos psicológicos. 

Enviou pelos Correios suas Memórias editadas em livro para alguns amigos. Tomou um café e proseou gostosamente com um casal de amigos. Proseou depois com outro amigo querido e pensaram o mundo.

Ao final do dia, ainda se colocou à disposição de ajudar como fosse possível um jovem amigo do interior do Estado. Foi ao Terminal Rodoviário do Tietê para aguardá-lo.

Dormiu de madrugada. Mas a prosa daquele dia, recheada de livros, literatura, história, política, economia, reflexões sobre as lutas de classe, a vida e o viver, amizade... toda essa riqueza humana deu sentido ao seu dia.

A vida humana também é isso, um dia de convivências e compartilhamentos com pessoas que dignificam a nossa espécie humana. 

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domingo, 20 de julho de 2025

O sentido da vida (2)



Talvez o porto

O cidadão passou a noite em claro, foi se deitar lá pelas 7 horas da manhã. Aquele tinha sido um daqueles dias de zelar pela pessoa querida, até que ela dormisse.

Às onze horas se levantou, se trocou, e saiu para andar pelo parque e espairecer as ideias turbulentas. O que fazer, o que não fazer, e entender mais uma vez que a vida é como ela é. 

Ainda no parque, falou com sua mãe, que também estava zelando por alguém. Cuidar talvez seja um sentido de nossa espécie animal. 

Mesmo com o pouco dormir e o pouco ânimo, o cidadão pegou sua garrafinha de água, buscou a disciplina forjada nas lutas, e se dirigiu à academia do seu condomínio. Só é possível zelar pelos outros se cuidar de si mesmo para estar vivo.

Vai saber se o sentido de tudo não seja ser o porto dos náufragos dos mares do mundo.

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domingo, 9 de fevereiro de 2025

Poema 12: Enquanto comia em silêncio


ENQUANTO COMIA EM SILÊNCIO


Pensava no quanto se perde

de pensamentos e reflexões

por não se comer em silêncio

durante nossas refeições. 


Eu mesmo viajei nas ideias 

sobre meu livro, o que fazer,

pra quem enviar, o que dedicar;

pensei nomes, lembrei-me de histórias, 

referências de lutas, modelos que segui.


Mudei no passado pelas oportunidades que tive.

Os nomes que por minhas lembranças passaram, 

frearam instintos e o novo homem moldaram. 

As instituições de classe, idem.


De Marcos Martins a Deise Lessa,

de Sérgio Rosa a gente à beça,

fui mudando pela prática e ensinamento

de amigos feito Recoaro e Carlão: bom exemplo!


Até no abraço de despedida,

Alicinha me mudou na vida.


Num almoço em silêncio, 

sem o inferno do zumzum da política,

lembrei-me de muita gente

que ainda hoje considero querida.


William 

09/02/25


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Natais - 1981


Meu minuto no paraíso: Parque do Sabiá.

Refeição Cultural

Uberlândia, 16 de dezembro de 2024. Segunda-feira.


Vim visitar meus pais e familiares alguns dias antes do Natal deste ano. Nossa porção paulista não virá a Minas Gerais como fizemos nos dois últimos anos.

Felizmente, pude rever a abraçar pais, irmã e cunhado, sobrinhos e família, tia e primo. Tenho muitos familiares na cidade, mas a correria dos afazeres que tento encaminhar quando venho aos meus pais dificulta fazer outras visitas a tios e primos. Mas sei que estão bem, é o que nos deixa feliz.

Vim pensando muito nas questões da temporalidade da vida e no instante presente, que é único. Estou ainda com a frase que ouvi de uma entrevista antiga de Fernanda Montenegro, ao responder sobre medo da morte e dizer que tem pena de morrer, porque viver é poder ver o céu azul, estar com pessoas que se ama, ter acesso a conhecimento e cultura etc.

É isso, querida Fernanda Montenegro, pode acreditar que ontem, ao passar por uma floreira cheia de borboletas coloridas em festa, sob um céu azul intenso, parei e fiquei lá vários minutos VIVENDO...

Viver é a oportunidade de ver um céu azul e 
flores e borboletas coloridas num instante único.

Outra coisa que me preocupa sobre a efemeridade da vida é a questão da memória, da essência do que nós seres humanos somos, nossas memórias e nossa identidade, guardadas em nossa mente, em nosso cérebro de bilhões de neurônios que nos fazem ser o que somos, a partir do aculturamento que cada um de nós teve ao longo da vida.

Tenho um desafio enorme como cada semelhante nosso: viver o presente e o amanhã, caso ele exista para mim.

Honestamente, avalio que as relações humanas estão ruins, em todos os âmbitos sociais, aqui e acolá, e não podemos desistir de mudar o comportamento humano individualista, intolerante e sem paciência alguma para a alteridade e a diversidade de pensamentos e características pessoais. A mesmice em qualquer espécie é a morte dela.

Tenho tanta coisa nas ideias para falar sobre isso que vou fazer o contrário, não vou rabiscá-las aqui.

Conversando com minha mãe ontem, só poderia dizer que ambos lamentam nossas experiências e pequenas sabedorias não servirem para nada para as pessoas que amamos. A gente vai se cansando de tentar passar alguma coisa de boa que aprendemos por sobreviver neste mundo duro que sobrevivemos. Ninguém quer saber de nossa opinião, nem no ambiente familiar, nem nos grupos onde um dia convivemos socialmente.

Eu tenho consciência sobre as coisas do mundo. Burro não diria que sou. Sei do meu lugar no mundo. E sei que no momento atual desse mundo nenhum de meus conhecimentos e acúmulos tanto pessoais como coletivos serve para nada, sequer para as pessoas mais próximas a mim. Isso é um fato e a vida de todo mundo segue neste minuto e no seguinte, até não seguir mais.

Enfim, tenho a impressão nesta véspera de mais um Natal que há um espírito de pouca solidariedade entre as pessoas, tenho a leitura que algumas daquelas recomendações do cristianismo estão fora de moda: o perdão de forma gratuita, acolher a quem pensa diferente, não querer ao outro o que não se quer para si mesmo e vários ensinamentos que o homem Jesus Cristo pregou em sua passagem por este mundo.

Eu sou ateu há mais de duas décadas, mas por três décadas fui criado e aculturado na ambiência do cristianismo da igreja católica. Às vezes, acho que sou hoje mais dogmático e seguidor das palavras de Jesus do que muita gente que se diz religiosa e só usa o nome de Deus e do Cristo para arrotar ódio, violência, vingança, individualismo, intolerância e manifestações demoníacas do tipo, caso houvesse demônios por aí.

Enfim, estou procurando equilíbrio, algum sentido para a vida minha e de todos nós, e acredito na inteligência humana e na educação e formação política. Não sou determinista. Nós podemos criar e mudar tudo porque é da nossa natureza humana fazer isso.

Sigamos tentando viver, contribuir para o mundo e as pessoas no mundo e lutando por salvar o próprio mundo, a natureza onde todos nós vivemos.

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NATAL DE 1981

Nosso Natal deve ter sido em Uberlândia (MG), para onde nos mudamos desde o início do ano anterior. 

A gente morava numa casa de fundo na Av. Comendador Alexandrino Garcia, no Marta Helena. Na casa da frente, a proprietária era a Dona Nenzinha, benzedeira da região. 

Me lembro que ela me dava uns trocados para copiar rezas em folhas de papel para ela dar aos fiéis. Ela me benzia de "espinhela caída". 

Fiz da 5ª a 8ª série na E. E. Hortêncio Diniz. 

Foi um tempo de mudanças para mim. Me lembro da casa pequena e do quintal com pés de frutas. 

É incrível como meu mundo de criança mudou! Tirando bolinhas de gude, que segui jogando e ganhando latas de bolinhas - que em MG se chamavam bilocas -, eu não empinei mais pipas porque ninguém brincava disso e de outras coisas que fazíamos em São Paulo. 

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Mundo

Tenho uma leve lembrança dos atentados que Ronald Reagan (EUA) e o Papa João Paulo II sofreram em 1981. Eles foram baleados. 

Ainda na política, sei que os desgraçados dos milicos iriam promover um atentado num festival de MPB para culpar a resistência civil e democrática na véspera do dia dos trabalhadores, mas se ferraram, a bomba explodiu no colo de um dos fdp. 

O evento é conhecido como Atentado do Riocentro.

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Os milicos em 2022 - A história no Brasil é um treco bem jabuticaba, só aqui mesmo. Décadas depois de impunidade e anistias a fdp golpistas, não é que meses atrás, uns milicos de merda, junto com um "presidente" de merda (ele é cagão mesmo), organizaram um novo golpe de Estado até com listinha de assassinatos de autoridades da República! Iam explodir o Aeroporto de Brasília, matar Lula, Alckmin e um ministro do STF etc. Esse mundo é um lugar velho... as coisas são antigas e vêm de longe.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Mãe, parabéns pelo seu aniversário!



Quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Hoje minha mãezinha completa 78 anos de idade. Liguei para ela logo cedo. Parabéns e muitas felicidades, mamis!

Recentemente, entreguei para minha mãe o livro coletivo "Querida Mãe!, que fizemos em homenagem às mães. Tive a oportunidade de ser um dos autores do livro. Os textos dos filhos e filhas para as mães são textos muito legais. Livro lindo e cheio de amor e vida!

Parabéns à Cleusa Slaviero que organizou o livro para nós! Obrigado!

Disponibilizo nesta postagem o texto que fiz para a minha mãe.

William

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Mãe

Ao pensar o que poderia escrever sobre a minha mãe, busquei na memória fragmentos de lembranças que significassem momentos marcantes na nossa vida, na dela e na minha, lembranças de nós dois: uma cumplicidade, uma felicidade, um segredo, uma tristeza só nossa.

As primeiras lembranças que me vieram à memória foram a da mãe que aceitou a partida do filho antes dos 18 anos e a cumplicidade ao me ouvir falar, anos depois, as coisas mais tristes que uma mãe poderia ouvir de um filho e silenciar respeitando a decisão que eu viesse a tomar naquele momento de fúria e depressão. Aquele silêncio de só ficar ao lado da pessoa querida.

É impossível saber a dor que causei à minha mãe ao dizer a ela que não queria mais viver aos vinte e poucos anos... o silêncio de minha mãe naquele momento talvez tenha sido a única coisa a fazer. E pensar que ter filhos era o sonho de meus pais. Minha mãe tinha “útero infantil” diziam a ela, e meus pais perderam alguns filhos em abortos espontâneos. Imaginem a dor. A única gravidez que “vingou” foi a que me colocou no mundo, e isso depois de adotarem a minha irmã.

As histórias das mães neste duro mundo humano hegemonizado pela força e pela violência dos homens são sempre histórias únicas. Fiquei pensando em algumas mães que conheci ao longo deste meio século de existência... São histórias incríveis. A história da mãe de meu filho é uma dessas histórias duras e de superações... Como as mães são guerreiras poderosas neste mundo! Seres de potências muito mais complexas que as do universo masculino.

Eu passei boa parte de minha vida adulta procurando respostas para perguntas que sequer conseguia formular direito. Fui caminhando entre tristezas e fúrias da adolescência até quase 30 anos de idade. Aqueles momentos de cumplicidade de minha mãe, de só ficar ao lado, aguentando as minhas dores em silêncio (imaginem as dores dela!) devem ter me tocado para sempre de alguma forma. Superei aquela fase e nunca mais pensei absurdos que magoassem as pessoas que me amavam.

Além da própria vida que ganhei mais de uma vez de minha mãe, que poderia contar sobre ela que tenha de alguma forma contribuído para eu chegar até aqui? A fé inabalável dela, a honestidade, a vontade de viver por saber que nós precisamos dela conosco neste mundo. Há décadas temos esse compromisso velado de nos mantermos vivos porque uns precisam dos outros.

Já concluí muitas vezes em meus registros de memórias que devo ter sobrevivido à adolescência em lugar miserável e violento porque a educação católica de minha mãe deve ter contribuído para eu não fazer as mesmas bobagens que as pessoas faziam ao meu redor. E a honestidade de não querer pegar uma agulha que não fosse minha também vem dela. O chocolate que peguei e saí sem pagar num supermercado quando criança nunca saiu de minha cabeça. Aquilo bastou para entender o que minha mãe nos ensinava.

Enfim, como somos natureza, estamos todos envelhecendo, ela e eu e todos nós. A gente segue com aquela natureza aguerrida de não se deixar morrer de jeito nenhum porque precisamos uns dos outros.

O que eu torço é para que ainda dure muito essa nossa possibilidade do existir, porque aprendi, ao sobreviver aos tempos de fúria, que a vida é uma oportunidade, que viver é bom, ainda mais quando se ama e quando se é amado. Eu trato sempre de estar amando para manter meu vínculo com a existência. Tenho me esforçado para ser uma pessoa melhor a cada dia e, talvez assim, ser amado também.

Te amo, mãe!

William Mendes

Do Blog Refeitório Cultural


segunda-feira, 22 de julho de 2024

58 de 100 dias


Uma semana entre amigos.


58. Chegamos a Osasco depois de uma semana de férias na Praia Grande, São Paulo. 

Para passar uma semana sem estresse, evitei ler notícias da política brasileira e mundial. Sei que as coisas vão de mal a pior para o povo. 

Voltando para casa, tenho que pensar nos meus objetivos imediatos, de curto prazo, de buscar sentidos para a minha vida e de promover mudanças naquilo que me incomoda.

Tenho coisas a fazer para frente e coisas a fazer para trás. 

Conhecer novos amigos, rever e estar junto de pessoas que gostamos e que nos fazem bem é algo a ser buscado.

Revisar e salvar textos feitos e recuperar conhecimentos esquecidos, além de buscar aprender coisas novas todos os dias é algo a ser perseguido. 

Como poderia interferir nas ações que atrapalham meus pares da classe trabalhadora a terem foco no combate ao capitalismo? Essa é a pergunta!

Bem, vamos dormir.

William 


terça-feira, 16 de julho de 2024

52 de 100 dias



52. Conversamos sobre tudo que deu vontade nesta noite. Conversa entre amigos. Amigos novos que poderiam se conhecer há décadas. Amizade é isso: amor fraterno, troca de saberes, confissões. 

Estamos no espaço de descanso dos professores e professoras na Colônia do Sinpro SP, na Praia Grande. Acolhimento e disposição em deixar as pessoas à vontade por alguns dias de lazer.

Vamos relaxar um pouco nesses próximos dias. 

William 


domingo, 14 de julho de 2024

50 de 100 dias



50. Uma coisa ou outra, a gente tem que fazer escolhas sobre o que fazer ou não fazer no parco tempo de uma volta do planeta sobre si mesmo, e isso porque sou um membro da classe trabalhadora que não vende mais seu corpo e suas horas de trabalho. Fiz isso dos doze aos cinquenta anos, mais ou menos. 

A passagem do tempo deve ter acelerado neste momento da história do planeta onde vivemos, a Terra... brincadeira! O dia segue o mesmo, rotação e translação idem, formalmente ainda são necessários 365 dias e 6 horas para nosso planeta completar uma volta ao redor do nosso sol. 

Mas que o tempo psicológico da gente mudou, isso mudou. O tempo voa. O dia voa. E quando acordamos, já foi a metade do dia, quando vemos, o sol já ficou para trás. E sem que tenhamos concluído alguma coisa, acabou o dia. Putz, eu imagino se ainda estivesse trabalhando o dia inteiro e estudando à noite como fiz décadas de vida. Seria foda!

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Já se passou a metade do meu curto viver de 100 dias. Lá no início, falei que queria ser "acabativo" em relação às coisas que começo a fazer e não termino, principalmente em relação a estudos, leituras e cultura. Ainda não me tornei mais "acabativo". Bom, vi uma coleção de 12 DVDs de história que nunca tinha visto. Como disse no primeiro parágrafo, para fazer isso, deixei de fazer outras coisas. No entanto, em relação a terminar leituras iniciadas, estou devendo a mim mesmo.

Em relação à saúde, preciso fortalecer minha estrutura de locomoção, com um pouco de musculação. Não comecei a fazer isso. Tenho que fazer.

Quero estar mais próximo a pessoas que gosto. Procurei fazer isso. Minha família em Minas Gerais é um exemplo, tenho que ir mais vezes lá. E aqui em São Paulo, idem. Ver mais vezes pessoas que estimo.

Enfim, seguir buscando sentidos e mudanças. 

William


sábado, 13 de julho de 2024

49 de 100 dias



49. Me aproximo da metade do período de existência de curto prazo que imaginei buscar sentidos e mudanças lá no dia 26 de maio (ler aqui). De lá para cá, pouca coisa fiz como imaginei acontecer.

Fiz exames do quadril e fiz exames de próstata para saber a natureza das dores na região e os possíveis cenários futuros. Comecei a mexer nas minhas coisas velhas para ver se organizo um pouco aquela zona pré-histórica na forma de amontoados em casa.

Não avancei muito em relação à busca de sentidos. Nem em relação às mudanças. Mas não desisti da ideia.

Sigamos procurando sentidos e mudanças.

William

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Professoras Ione e Roseli.
A profissão mais nobre do mundo!

Post Scriptum: Ontem à noite, estivemos num ambiente de árabes e palestinos aqui em São Paulo, para dar um abraço em uma amiga professora, Roseli, que completou 60 anos de idade. Ela sempre foi uma referência para nós, militante do Partido dos Trabalhadores desde quando eu era um adolescente despolitizado. Parabéns, companheira Rô! (hoje, os sionistas do governo de Israel mataram mais de 90 palestinos na Faixa de Gaza. Expresso minha solidariedade à causa dos palestinos)


segunda-feira, 8 de julho de 2024

One Piece - Zoro, o caçador de piratas



Refeição Cultural 

Luffy chega à cidade da base da marinha, interessado em encontrar o tal Roronoa Zoro.

A cena na qual Zoro aparece amarrado em um tronco é impactante e ele tem uma expressão assustadora. Uma cara de mau de verdade!

Luffy fica de longe observando os acontecimentos. Helmeppo, o filho de um dos capitães da Marinha - Morgan Mão de Machado -, maltrata uma garotinha que tentou dar comida ao Zoro.

Após Luffy ter o primeiro contato com Zoro amarrado, o preso pede a ele a comida que a garotinha trouxe e que foi pisoteada por Helmeppo. Zoro comeu com gosto a comida pisada e suja.

Zoro acredita que será solto se cumprir sua pena de um mês amarrado no tronco. Luffy ouve depois da boca do próprio Helmeppo que vão executar Zoro em três dias. 

O jovem Chapéu de Palha fica puto ao descobrir que estão enganando Zoro. Luffy enche de porrada o filho do Capitão Morgan e decide convidar Zoro a ser seu companheiro. 

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SER O MELHOR ESPADACHIM DO MUNDO 

Nos capítulos seguintes, vemos o desenrolar da história. 

No capítulo 4 "Morgan Mão de Machado, o capitão da Marinha", vemos o quanto o cara é cruel e o quanto a Marinha é corrupta e opressora.

No cap. 5 "O Rei dos Piratas e o Grande Espadachim", vemos em flashback o passado de Zoro, de quando era criança, e o seu objetivo na vida:

"Quando eu crescer, quero atravessar os mares e ser o espadachim mais forte do mundo!!" (p. 134)

Os leitores conhecem Kuina, a filha do mestre do jovem Zoro. Ela venceu Zoro 2001 vezes. Uma das espadas de Zoro era de Kuina. Ele usa três espadas nas lutas, estilo Santou-ryu. 

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No capítulo 6 do 1° volume do mangá - "O primeiro do bando" - Zoro aceita ser companheiro de Luffy. 

E conhecemos mais um golpe de Luffy, o gomugomu-no-muchi, o chicote de borracha. 

Enfim, nos capítulos 7 "Amigos" e 8 "A aparição de Nami" ficamos conhecendo mais alguns personagens: ouvimos falar do pirata Buggy, o palhaço, que também comeu uma fruta do diabo. E aparece uma ladra chamada Nami...

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AMIZADE

O anime One Piece trabalha de forma muito interessante a questão da amizade. 

No início, já vimos isso quando Shanks reage ao bandido da montanha por ver seu amigo Luffy em apuros.

Agora vimos novamente a importância da amizade na relação de Luffy com Kobi.

Como já assistimos mais de 300 episódios do anime, garanto aos leitores que terão momentos marcantes sobre amizade nas sagas e arcos de One Piece

O texto anterior sobre o Luffy Chapéu de Palha pode ser lida aqui.

William 


sexta-feira, 5 de julho de 2024

41 de 100 dias



41. O dia foi de eventos externos à rotina de casa. De manhã, fui ao evento de lançamento da Unifesp - Campus Osasco, com o presidente Lula. De noite, saímos com a família de minha companheira para irmos ao cinema.

Ao participar do evento de lançamento da Universidade Federal de São Paulo, Campus Osasco, me lembrei de minha primeira graduação em Ciências Contábeis, na FEAO-FITO, em nossa cidade. 

Na época, início dos anos noventa, a fundação tinha um subsídio da prefeitura, mas não era gratuita. Eu e outros estudantes, organizamos uma mobilização e uma greve estudantil por causa do valor abusivo das mensalidades. Terminamos os cursos pagando em juízo as mensalidades. Só peguei meu diploma após ir ao Procon.


Vista aérea do campus Osasco da Unifesp.
Foto: Ricardo Stuckert.


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Infraestrutura do novo Campus Osasco da Unifesp

O projeto do novo edifício da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen) está estruturado em três blocos: Norte, Sul e Biblioteca. Nesta sexta-feira, foram inaugurados os blocos Norte e Sul, são duas unidades de 22 mil m² referentes aos edifícios acadêmico e administrativo, que contam com um auditório para 300 lugares, seis anfiteatros de 85 lugares, 34 salas de aula e 19 laboratórios de pesquisa, além de gabinetes para docentes, restaurante universitário com 264 lugares e outros setores administrativos da Unifesp. (Fonte: página da Unifesp)

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Emociona a gente ver o presidente Lula inaugurando a primeira universidade pública gratuita em Osasco. Obrigado, presidente! A educação é a salvação da humanidade.

No fim do dia, fomos assistir ao filme "Divertida Mente 2". Eu já havia gostado do primeiro filme. Achei uma graça essa ideia de vermos como se comportam nossos sentimentos dentro da gente.

Seguimos em busca de sentidos e mudanças.

William 


quinta-feira, 4 de julho de 2024

One Piece - Luffy Chapéu de Palha


Luffy derrota Alvida Clava de Ferro.


Refeição Cultural 

O capítulo 2 do volume 1 de One Piece, "Luffy Chapéu de Palha", nos apresenta o garoto de borracha dez anos após a partida dos piratas liderados por Shanks, o pirata que salvou a vida de Luffy ao demonstrar o valor da amizade.

A vila se despede de Monkey D. Luffy que parte numa pequena canoa em busca de seu sonho de se tornar o rei dos piratas. Para isso ele precisará de um navio e de uma tripulação. 

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LUFFY ENFRENTA O MONSTRO DOS MARES 

Imaginem qual foi o primeiro desafio de Luffy!

Sobreviver de novo ao monstro que atacou ele e Shanks dez anos antes.

Dessa vez, o jovem de borracha aplicou um golpe que treinou por dez anos: o gomugomu-no-pistol... um soco que arrebentou o monstro.

Luffy acabou caindo em um redemoinho no mar e só foi salvo por se esconder dentro de um barril.

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LUFFY ENFRENTA A PIRATA ALVIDA CLAVA DE FERRO

O barril com Luffy dentro é recolhido por um rapaz medroso e serviçal no navio de Alvida: Kobi, o faz tudo.

Luffy derrota a perigosa pirata com o seu golpe "gomugomu-no-pistol" (pistola de borracha) e parte com Kobi em busca de um famoso caçador de piratas chamado Roronoa Zoro. Ele quer convidá-lo para ser seu companheiro de viagem.

Post Scriptum - Explicação do filhão: os golpes de Luffy têm o poder da borracha "gomugomu-no" e mais a técnica que ele inventou, por exemplo, pistola de borracha, lança de borracha etc. 

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COMENTÁRIO 

Como disse na postagem anterior (ver aqui), já vimos em casa mais de 300 episódios do anime One Piece

Por curiosidade, acabei pegando para ler o volume 1 do mangá de meu filho e estou achando bem interessante. 

Percebo bem mais detalhes lendo o mangá do que assistindo ao anime. 

Sigamos para o próximo capítulo. 

William 


terça-feira, 2 de julho de 2024

One Piece - Eiichiro Oda v.1



Refeição Cultural 

O mangá One Piece foi publicado pela primeira vez no Japão em 1997. A publicação saiu no Brasil pela Panini em 2012. 

Meu filho gosta do mangá e anime desde pequeno. Por incentivo dele, estamos assistindo ao anime e já passamos dos 300 episódios, terminamos os arcos Water 7 e Enies Lobby. Contei sobre essa aventura de assistir One Piece aqui.

Peguei o volume 1 do mangá para ler. O primeiro capítulo "Romance Dawn - O amanhecer de uma aventura", nos apresenta alguns personagens da saga: Monkey D. Luffy, o garoto do vilarejo; Gold Roger, o lendário "Rei dos Piratas"; Shanks, o ruivo, líder dos piratas do vilarejo; Makino, a dona do bar do vilarejo; e Higuna, líder dos bandidos da montanha. 

A história de Luffy começa com uma cena impactante: o garoto está na ponta da proa do navio, com uma faca na mão, e de repente se corta no rosto, ferimento próximo ao olho esquerdo. 

Mais adiante, vemos que o ato foi para provar sua coragem ao capitão Shanks, pois ele queria ir embora com os piratas, mas por ser muito novo não conseguiu realizar seu desejo.

Outra informação central na história foi saber que Luffy, sem querer, acabou comendo um fruto do diabo, um "akuma-no-mi", um dos tesouros dos mares. 

Luffy comeu uma fruta "gomugomu-no-mi" que transformou o garoto em homem-borracha. O problema disso foi que Luffy nunca vai aprender a nadar, uma habilidade considerada quase que indispensável para um pirata, como o capitão Shanks sugeria ao garoto quando negava levá-lo junto à tripulação do navio. 

A ação do primeiro capítulo se desenvolve quando o bandido das montanhas Higuna humilha Shanks e seu bando no bar de Makino. Shanks não reage às provocações de Higuna e o garoto Luffy fica indignado com o fato. Foi uma decepção para o menino não ver o capitão pirata reagir às provocações do bandido da montanha.



A AMIZADE, UM VALOR NOBRE

No final da ação, o que ficou demonstrado para os leitores foi que o capitão Shanks tem uma paciência enorme para provocações violentas de adversários, ele evita brigas e combates até o último instante. 

No entanto, quando alguém ameaçou um amigo de Shanks, a reação foi necessária. O bandido Higuna estava maltratando Luffy quando os piratas voltaram ao vilarejo. Nesse momento, os piratas reagiram às provocações do bando da montanha.

Shanks salva Luffy por duas vezes, primeiro do bandido Higuna e depois no mar, quando um monstro devoraria o garoto. A cena do salvamento de Luffy e de Shanks se expondo frente ao monstro é um marco na história da vida de Luffy e da saga One Piece.

Luffy promete a Shanks que vai se tornar um pirata quando crescer e que será o Rei dos Piratas. Antes de partir definitivamente, Shanks entrega a Luffy seu chapéu preferido, o Chapéu de Palha, e diz para o garoto guardar com ele o chapéu até esse dia no futuro em que Luffy será melhor que o bando dele, será o Rei dos Piratas.

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A FORÇA DAS IDEIAS E A FORÇA DA VIOLÊNCIA

Uma cena do primeiro capítulo de One Piece me fez lembrar um evento pessoal de meses atrás. Um evento triste.

Uma pessoa querida defendia a ideia que ao ser provocado num bar por tipos como Higuna a reação adequada seria resolver o problema com a força da violência ao invés da força das ideias, como fez Shanks naquele momento de humilhações no bar sem reagir a Higuna e seu bando.

O garoto Luffy ficou muito bravo com Shanks e ficou decepcionado com a não reação do capitão à provocação de Higuna. A atitude pareceu a Luffy covardia. Essa ideia era a que a pessoa querida defendia, que homem que é homem não poderia deixar de reagir perante uma provocação em uma cena de bar.

À época, eu tive a infeliz ideia de dar a minha opinião sobre essa questão de ser ou não ser homem através da atitude de reagir com violência ou não numa cena de provocação de bar. Foi uma merda. Ao dizer que isso era uma atitude de pessoas sem educação formal e formação cultural e sem ter tido contado com o mundo das ideias, a pessoa se sentiu ofendida. E nunca mais tivemos uma relação próxima como antes.

Eu não mudei de ideia, na essência do que quis dizer. Continuo achando que uma pessoa que teve acesso à cultura, que pôde alimentar as ideias e o espírito, deveria ser contra o império da força e da violência gratuita. Quem defende isso é o extremista de direita, é o fascismo.

O que mudei é que hoje eu não daria a minha opinião sem ser chamado a dá-la. O que tenho percebido é a mudança radical nos seres humanos da atualidade. Talvez tenhamos que tratar a todas as pessoas como estranhas, porque talvez todos sejamos estranhos uns aos outros. Sem intimidades ou ideias de laços inquebráveis pela convivência ou antiguidade da relação.

Me lembro quando criança os ensinamentos que eram repetidos ad nauseam pelo mestre de Kung Fu e seus discípulos que nós os alunos nunca deveríamos brigar nas ruas, deveríamos evitar ao máximo reagir com violência às provocações dos moleques na rua, eu tinha uns doze ou treze anos, porque vencedor era o que vencia sem lutar, mesmo tendo o dom de vencer lutando. No dojô tinha uma placa com esses dizeres na parede central da academia.

O que Shanks demonstrou ao garoto Luffy foi exatamente isso. Não valia a pena reagir com violência àquelas provocações no bar por tão pouco.

No entanto, o valor da amizade falou mais alto. Ao ver o mesmo bandido maltratando e ameaçando um amigo, Luffy, a reação de Shanks e seu bando foi outra.

Essa cena do primeiro capítulo de One Piece é uma carta de princípios, um valor a se defender, mesmo no mundo dos piratas: não se deve lutar sem necessidade e deve-se defender uma amizade a qualquer preço.

William


segunda-feira, 1 de julho de 2024

37 de 100 dias



37. Fui hoje à Feira do Livro na Praça Charles Miller, em frente ao antigo Estádio do Pacaembu. Fui dar um abraço em um grande amigo, Sérgio Gouveia. 

O local está tomado por tapumes e estruturas de obras que nos lembram que os tucanos (Bruno Covas) privatizaram o estádio em 2019 e o que os paulistanos viram nos 5 anos seguintes foi a destruição do Pacaembu e prejuízos ao erário público em benefício de um indivíduo.

Registro o que acho desses fdp privatistas: são uns canalhas e vigaristas que privam a cidadania dos bens comuns.

Ir à feira do livro não foi o motivo de sair de casa e sim rever um amigo. 

Na programação do dia na feira do livro, assistimos a uma roda de conversa com escritoras e escritores gaúchos que falaram sobre suas obras e prestaram homenagens ao Rio Grande do Sul e a Porto Alegre, que sedia uma feira do livro que inspirou a paulistana. 

Os sulistas sofrem as consequências de uma catástrofe climática ocorrida recentemente.

Participaram Jeferson Tenório, Mar Becker, Clara Averbuck, Veronica Stigger, Morgana Kretzmann e Paulo Scott. A mediação foi de Tatiana Vasconcellos.

O bate-papo entre os autores foi interessante. 

Quanto à feira do livro em si, acho que terei dificuldade em considerar um evento desse de forma elogiosa depois de participar de uma feira do livro em Cuba.

Os preços dos livros nos estandes no Brasil são a partir de dezenas de reais, tudo muito caro, preços proibitivos. Uma (micro)latinha de cerveja pouco maior que uma unidade de Yakult custava 14 reais na feira paulistana, um roubo!

Em Havana, todos os estandes de livros tinham livros com preços simbólicos, custavam em pesos o equivalente a centavos de dólar ou euro. As pessoas saíam da feira carregadas de livros. A feira é em benefício da Educação e Cultura do povo cubano. 

No Brasil, o preço dos livros é para que só uma pequena parcela do povo possa ler. Aqui, livro é privilégio de poucos. 

Enfim, valeu o esforço de sair de Osasco e ir a um local que tem história (apesar dos tucanos) para rever um amigo. Trabalhamos juntos no Banco do Brasil e o Sérgio decidiu abraçar a profissão de professor. Nobre escolha!

Estar com pessoas queridas é um dos meus objetivos. A vida é um instante. 

William


terça-feira, 25 de junho de 2024

31 de 100 dias



31. Hoje completei um dos eixos investigativos sobre minha condição de saúde. Como meu cotidiano se transformou numa rotina de dores na região do quadril e sistema locomotor, incluindo até a região dorsal e abdominal, estou fazendo a minha parte para a manutenção de minha existência e procurando resolver a questão. Devo isso às pessoas de meu círculo familiar mais próximo.

Pelos exames e informações dos profissionais da área, estou com o sistema urinário em ordem. Exames de PSA e demais exames de imagem e físicos indicam que está tudo normal com rins, bexiga, ureter e próstata.

Por um lado, isso é bom e tira uma cisma que a pessoa com dores crônicas tem em seus pensamentos, achando que está com tudo quanto é coisa ruim. Estado de não saúde é foda! Lembrar que tem partes no corpo que incomodam porque doem é um saco!

Por outro lado, se está tudo bem com minha próstata e sistema urinário, agora é levar os exames de imagens sobre a condição de minha estrutura locomotora e do quadril para o profissional responsável por essa área. 

Essa coisa de saúde é tão esquisita que se o cara disser que tenho desgastes mesmo, mas que posso conviver com isso, ficarei satisfeito. Sigo a vida com as dores locais. 

Das experiências com estudos de anatomia do período que frequentei uma graduação de Educação Física com a experiência na gestão de saúde, prefiro evitar cirurgias e, se possível, fazer exercícios de reforço na região.

Enfim, sigamos. Depois de décadas de vida, uma vida cheia de veredas, aprendi que viver é uma oportunidade. E que os humanos são seres históricos (e posso seguir fazendo a minha), e que só se ensina gente, como diz Paulo Freire (e quero aprender coisas novas todos os dias), e seguirei fazendo a minha parte para estar no mundo com as pessoas.

Diferente do que pensei por muito tempo em minha existência, não desejo encurtar meu percurso na natureza.

William


domingo, 23 de junho de 2024

29 de 100 dias



29. Ao finalizar a semana, avalio que agi no sentido de cumprir alguma coisa do que tenho pensado para esse curto ciclo de cem dias de meu viver.

SAÚDE E FAMÍLIA 

Voltei de Uberlândia, onde passei uns dias com a família. Tivemos dias tranquilos, e isso foi muito bom. Quero estar mais próximo das pessoas que gosto.

Fiz alguns dos exames médicos pedidos pelos profissionais de saúde que consultei. Farei outros nesta semana que se inicia. Não sei os resultados ainda. 

Cara, senti muitas dores no quadril nessa semana. Foda isso! 

Enfim, estou fazendo minha parte como alguém consciente e responsável. 

RELAÇÕES SOCIAIS 

Ainda em atenção ao desejo de estar com pessoas que consideramos, revi um amigo do tempo da graduação em Letras na USP, o Luciano. 

O professor Luciano tem se destacado na Educação por estar desenvolvendo estudos e pesquisas sobre os efeitos positivos de jogos como o xadrez e o RPG na prática educativa, inclusive para as crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ou seja, tive mais momentos do bom e velho contato com seres humanos que valem a pena!

E para seguir nas relações com pessoas que nos dão esperança na política, fechei meu domingo participando de excelente reunião de nosso diretório do Partido dos trabalhadores aqui do Butantã, Zona Oeste.

É isso. Estou trabalhando para a organização de meu centro de documentação (cedoc). É seguir trabalhando um pouquinho todo dia. 

William 


quinta-feira, 13 de junho de 2024

19 de 100 dias



19. Uma das coisas que sei que devem ser mais frequentes na minha vida é estar com pessoas presencialmente. Nos próximos dias estarei com meus pais e familiares de Minas Gerais. Isso é imprescindível.

Dentro do conceito de "carpe diem", avalio que devemos estar sempre que possível com pessoas queridas e que acrescentem algo positivo em nossa existência.

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FREI BETTO

Na estrada, lendo a biografia do dominicano Frei Betto, na parte na qual ele e companheiros estão como presos políticos no presídio paulista de Presidente Venceslau, no Natal de 1972, tem uma cena emocionante quando a advogada Eny Moreira promove um abraço aos 400 presos, durante a Missa do Galo (p. 203). 

Eu me lembrei de minha palestra em Curitiba, em 2019, quando promovi também um abraço coletivo para despertar os participantes do encontro - era um final de tarde e o pessoal estava cansado pelos debates do dia. 

Nada como um bom e carinhoso abraço para energizar as pessoas!

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O capítulo "Libertad aplazada", termina com a liberdade dos dominicanos, após cumprirem pena de prisão política, e com Frei Betto recebendo a notícia em agosto de 1974 da morte de Frei Tito, na França. O suicídio foi a única maneira que a vítima encontrou de se ver livre de seu torturador Sérgio Paranhos Fleury.

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O capítulo seguinte é muito didático ao falar sobre a Teologia da Libertação (TdL): "La Teología de la Liberación y la nueva Iglesia".

Frei Betto desenvolveu uma prática em seu cotidiano no cárcere que o auxiliou em suas reflexões e descobertas pessoais: a produção de cartas para o contato com o mundo exterior. 

Estou ficando sem luz solar no ônibus ao final de tarde na estrada. Vou encerrar a leitura e a postagem sobre meus dias de buscas.

Não consigo fazer citações do livro sobre Frei Betto. 

Gostei de uma passagem do capítulo que explica a essência da Teologia da Libertação, que coloca a injustiça social como pecado praticado por aqueles que exploram o povo. 

Houve uma conferência católica na Colômbia em 1968 que definiu as bases da TdL. Os irmãos Leonardo Boff e Clodovis Boff foram importantes formuladores da TdL.

Os cristãos devem se empenhar em combater as estruturas sociais que causam a miséria do povo.

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Enfim, pôr do sol na estrada. Vamos abraçar os familiares em Uberlândia. 

William 


Post Scriptum: é a primeira vez que faço postagem diretamente do celular, não tinha esse hábito.