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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Instantes (14h)



Refeição Cultural


VENCEREMOS O ÓDIO DESTA VEZ?

São tantas coisas! Escrever sobre elas ou calar? 

Ao mesmo tempo em que avalio que as palavras estão perdendo a importância - uma sensação de incomunicabilidade com o outro -, o cotidiano do mundo humano segue sendo alterado rapidamente pela manipulação da humanidade através do uso das palavras deturpadas, uso por meios tecnológicos com uma potência e alcance nunca vistos: as big techs e seus poucos donos envenenam o mundo com o ódio. 

As democracias, antes imperfeitas, acabaram de vez por manipulação do comportamento das massas humanas através de palavras que escondem realidades e inventam qualquer mentira que ganha a pauta e agenda o cotidiano das gentes e de suas comunidades, países.

Que importa eu saber um pouco mais hoje como as coisas se dão e estão acontecendo? Sozinho, pouco posso com elas. E se me unisse a outros como eu? Esquece! Sou de esquerda e unidade na esquerda só se for no sentido de "um", "único", "unitário", cada esquerdista com sua verdade absoluta... 

Ao mesmo tempo em que na esquerda é cada um por si com sua "bolhinha" de améns, há uma organização e objetivos claros de tomada de poder mundial por parte de nossos inimigos, o capital unido à extrema-direita, e o nosso inimigo tem mil facetas, mas um alvo claro a combater: nós. E eles têm o capital, e com ele os meios de manipulação através das palavras. 

O filólogo Victor Klemperer estudou, registrou e nos legou o que foi o nazismo através da manipulação do povo alemão pela linguagem, a "LTI: a linguagem do 3° Reich". Estamos vivendo o mesmo processo na linguagem que nos faz humanos, mas agora em escala global, através das big techs, que a utilizam para manipular os sentimentos e afetos de bilhões de pessoas, com intuito claro de alterar e influenciar o comportamento delas.

E me pergunto de novo? Que diferença faz eu saber um pouco sobre isso? Todas as pessoas ao nosso redor estão no mesmo processo em andamento... filhos, familiares, amigos, conhecidos. Foi assim que a LTI levou o mundo ao domínio do nazifascismo dos anos vinte aos anos quarenta um século atrás. Só uma guerra com dezenas de milhões de pessoas mortas interrompeu a linguagem do ódio e da supremacia nazifascista. 

E agora, o mundo conseguirá interromper esse processo?


William Mendes

(Uma unidade humana)

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Artigo - A Globo odeia o Lula



Refeição Cultural

Uma imagem vale por mil palavras


Opinião


"Não, o efeito mais forte não foi provocado por discursos isolados, nem por artigos ou panfletos, cartazes ou bandeiras. O efeito não foi obtido por meio de nada que se tenha sido forçado a registrar com o pensamento ou a percepção conscientes..." (Victor Klemperer, LTI Linguagem do Terceiro Reich)


A notícia deveria ser positiva: o Presidente Lula teve alta e está liberado por seus médicos para voltar a viajar após sofrer traumatismo craniano em consequência de uma queda.

A informação foi passada ao povo brasileiro pelo programa do Fantástico após uma boa matéria sobre o risco de quedas, principalmente em pessoas acima de 60 anos de idade.

Quem dá a boa notícia da plena recuperação de nosso Presidente Lula após o grave acidente doméstico é a simpática apresentadora Maju Coutinho.

Eu atuei com comunicação e jornalismo quando fui secretário de imprensa da confederação da categoria bancária. Foi uma oportunidade de estudar muito sobre tudo que se relaciona com o tema, inclusive sobre o Partido da Imprensa Golpista (PIG), como dizia o saudoso jornalista Paulo Henrique Amorim.

Acompanhei como dirigente sindical toda a construção do ódio ao Presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores após a chegada do torneiro mecânico e sindicalista à presidência do país em 2002. A construção do ódio e rejeição sempre teve estratégia e método por parte da mídia da casa-grande brasileira. 

Como gosto de História, também sabia da campanha da mídia da casa-grande contra Lula, o PT e a esquerda em geral desde sempre. No caso das Organizações Globo são décadas de construção de ódio e mentiras contra Lula e o PT. A Globo é a mãe das chamadas "fake news".

Uma imagem vale por mil palavras, diz o ditado popular.

Anos de ataques depois das operações midiáticas para tentar exterminar da vida pública Lula e o PT, anos depois do massacre midiático do Jornal Nacional falando sobre nosso presidente e o partido com a imagem de esgotos jorrando dinheiro ao fundo, seguimos na mesma.

Mesmo após Lula ser preso por 580 dias numa operação de lesa-pátria organizada por uma quadrilha e por um juiz suspeito, herói da Rede Globo, mesmo após a destruição do país pela ajuda que o PIG deu ao golpe contra Dilma e pela eleição de Jair Bolsonaro, seguimos na mesma.

A velha e odienta Rede Globo segue fazendo das suas para atacar a imagem do Presidente Lula, única liderança que foi capaz de nos salvar de mais um mandato daquele sujeito que poderia ter acabado de vez com a democracia brasileira caso vencesse as eleições de 2022.

A imagem que a Globo escolheu do Presidente Lula para dar a boa notícia de sua plena recuperação foi essa que ilustra minhas reflexões. Ela não é diferente dos canos de esgoto jorrando dinheiro que a emissora enfiou no subconsciente de dezenas de milhões de pessoas nas últimas décadas.

O mais comum é que a quase totalidade das pessoas veja a questão como minha companheira viu quando falei a respeito: não viu nada demais na imagem escolhida. Não culpo ela nem as pessoas que não atuam na área da comunicação.

Nas eleições de 2018, no auge da operação lesa-pátria orquestrada na República de Curitiba que prendeu Lula e possibilitou a ascensão da extrema-direita no país, me lembro bem de jovens de minha relação dizerem suas intenções de voto à esquerda e muitos não iam votar no PT. Era algo assim: sou de esquerda, mas PT não... Isso foi o processo de ódio e rejeição que explico neste artigo.

Quando li o livro de Victor Klemperer sobre a Linguagem do Terceiro Reich foi que compreendi o que estava acontecendo no Brasil após os primeiros meses do governo Lula a partir de 2003. 

Os principais veículos de comunicação de propriedade da casa-grande brasileira começavam ali uma nova estratégia de comunicação agressiva contra nós da esquerda e nossas instituições e lideranças: o ódio e a rejeição sem explicação racional.

As duas décadas de envenenamento do povo brasileiro contra Lula e os partidos de esquerda, o maior deles o PT, nos foi inoculado como Klemperer explica na linguagem nazista que levou um povo culto e educado a apoiar incondicionalmente um dos maiores genocidas da história. Klemperer como filólogo foca a linguagem, mas o nazismo trabalhou fortemente a estética através das imagens.

A imagem que o Fantástico escolheu de nosso Presidente Lula para dar a singela e boa notícia da recuperação plena de sua saúde é da mesma qualidade simbólica dos dutos de petróleo jorrando dinheiro nos JN de sempre: é veneno puro contra nós.

Que merda isso! O povo brasileiro merecia uma imprensa decente e que informasse a população sem canalhice e manipulações. Na verdade, nós que estudamos o Brasil há tempo sabemos que a elite brasileira, a casa-grande que essa imprensa golpista representa, odeia o Brasil e o povo brasileiro.

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O PRESIDENTE LULA TEVE ALTA E ESTÁ BEM

Notícia que a Globo deu neste domingo no programa Fantástico

A emissora não precisaria usar imagem com a logo do partido, mas deveria ser menos canalha e usar qualquer imagem do Presidente Lula como ela faria com qualquer político que ela não odiasse.

Ainda bem que o nosso Presidente Lula está bem, recuperado da queda e do traumatismo craniano, um dos acidentes domésticos mais comuns entre os idosos e segue firme com suas agendas por um Brasil melhor para o povo brasileiro.

William Mendes


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Lula (PT) X a mentira e a rejeição



Refeição Cultural

1. O que está em jogo nesses 25 dias que faltam para decidir o destino do Brasil e do povo brasileiro nas eleições em 2º turno no próximo dia 30? 

2. Qual a estratégia do inimigo para nos derrotar? 

3. Tem como combater milhões de mentiras repetidas milhões de vezes, como ensinou aos extremistas e poderosos o nazista Goebbels?


1. O que está em jogo é tentar superar numericamente a quantidade de eleitores que votarão no líder da extrema-direita somado com a quantidade de eleitores que não votam nele, mas que serão convencidos a também não votarem em Lula e no Partido dos Trabalhadores por rejeição maior do que o gesto de tentar impedir o genocida de continuar no poder. Isso pode se dar aumentando os nem-nem por votos brancos, nulos e não comparecimento no dia das eleições.

A estratégia está clara para mim. Comecei a estudar um pouco de comunicação e linguagem desde que fui secretário de imprensa da confederação dos bancários. Sou testemunha viva da aplicação no Brasil de Lula (PT) desde o início de 2003 da técnica usada por Goebbels e os nazistas no 3º Reich para convencer milhões de alemães a embarcarem no genocídio e na guerra total da Alemanha contra o mundo no século 20.

As ferramentas usadas para mudar o comportamento das pessoas e transformá-las naquilo que se pretende são as ferramentas da época. Na primeira metade do século 20, as ferramentas foram o rádio, o cinema, fotos, a imprensa adesista ao regime, discursos em grandes áreas para massas de pessoas. E os líderes de massas conseguiram levar multidões a segui-los até a morte em suas ideias justas ou criminosas. Não só Hitler usou dessas ferramentas. Os norte-americanos foram convencidos a irem à guerra com as mesmas técnicas.

O sobrevivente do Holocausto Victor Klemperer, filólogo e estudioso da linguagem, deixou para nós o livro LTI A Linguagem do 3º Reich para que as gerações futuras na Alemanha e outras nações entendessem como as massas foram enganadas e manipuladas através da linguagem do ódio, da intolerância e do ufanismo em um grupo em detrimento do restante do mundo. Hoje, sabemos que o ódio e medo engajam seis vezes mais nas redes sociais do que sentimentos do tipo amor e bondade. Vejam o documentário premiado "O dilema das redes".

Quando Lula e o Partido dos Trabalhadores chegaram ao poder político em 2003, os donos do poder econômico e financeiro derrotados (o capital) passaram a aplicar técnicas de linguagem que depois fui entender que se tratavam daquilo que Klemperer registrou ao longo de 12 anos de ascensão do nazismo (acho até melhor dizer Partido dos Trabalhadores do que "PT" após a aplicação da técnica nazista da linguagem LTI aplicada no Brasil).

São milhões e milhões de vezes ao longo de duas décadas de associações negativas das palavras Lula, PT, esquerda, sindicalismo, movimentos sociais etc em praticamente todos os meios formadores de opiniões dos donos do poder - os jornalões, revistas, rádios e TVs - criminalizando um segmento da sociedade em favor das pautas deles próprios da elite, da casa-grande. Klemperer explica como se dá essa mudança na linguagem e na mente das pessoas. Palavras, imagens, símbolos, cores ligadas à esquerda e suas pautas passaram a ser rejeitadas consciente ou principalmente inconscientemente pelo conjunto da sociedade. É muito forte isso! 

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"Não, o efeito mais forte não foi provocado por discursos isolados, nem por artigos ou panfletos, cartazes ou bandeiras. O efeito não foi obtido por meio de nada que se tenha sido forçado a registrar com o pensamento ou a percepção conscientes. O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases que foram impostas pela repetição, milhares de vezes, e foram aceitas inconsciente e mecanicamente..." (Victor Klemperer)

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Amig@s, eu fui vendo o efeito do que fez a grande imprensa canalha ao longo de anos no primeiro e segundo governo de Lula e do Partido dos Trabalhadores e no governo de Dilma Rousseff. Cito o que Pulitzer fala sobre uma imprensa cínica, demagógica, mercenária e corrupta que cria um público tão vil quanto ela mesma. Pulitzer e Klemperer explicam bem o poder da linguagem totalitária martelando ininterruptamente mentiras, ilações, insinuações, fake news, maledicências sem prova alguma. É uma merda! Francamente!

Hitler e o nazismo associavam seus alvos inimigos a ratos, coisas nojentas, corrupção, sujeira, coisas abjetas. Judeus, outros povos, adversários políticos, todos foram coisificados, desumanizados. Feito isso, agredir e matar judeus, pessoas com deficiência, adversários políticos como socialistas, comunistas, social-democratas não era nada de mais grave, já que não eram humanos ou eram sub alguma coisa. Deu no que deu.

No Brasil, ao longo de duas décadas, foi feito a mesma coisa conosco, com a esquerda, com os movimentos sociais, sindicalistas, Lula, Dilma, PT, CUT etc. Quem começou fazendo isso foi a grande imprensa dos donos do poder. Agora é pior. Antes a gente via as mentiras e as merdas que eles inventavam contra nós, faziam as fake news publicamente. Dava até para tentar entrar na justiça por danos morais. Hoje, não. É nas redes sociais, direto pra cada indivíduo, é no Zap e no Telegram. E isso custa caro, milhões de dinheiro, mas tem quem financia e deve pagar em dinheiro vivo, não contabilizado. É foda!

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2. Qual a estratégia do inimigo para nos derrotar? 

A estratégia até 30 de outubro é aumentar a rejeição ao Lula, ao Partido dos Trabalhadores e a tudo que se relacione às ideias centrais que são base da extrema-direita e dos grupos de manipulação e fanáticos.

Com os algoritmos e os grupos de influência que a extrema-direita tem as mensagens de criação de rejeição chegam para cada um de acordo com o que a pessoa mais pode ser convencida, ódio, medo, fanatismo religioso etc. 

Vocês acham que não tem muito dinheiro por trás das eleições do Congresso neste domingo 2 de outubro? Na última semana e nos últimos dois dias praticamente todos os milhões e milhões de visualizações de vídeos no YouTube e nas demais redes sociais eram vídeos abertos com propagandas favoráveis ao genocida no poder e seus candidatos. Mesmo para pessoas como eu que só acessam sites progressistas. Toda visualização minha começava com o cara que defendia passar a boiada (eleito), com um ou outro extremista e fascista, o astronauta da terra plana etc... é muito difícil derrotar esse sistema.

Então, conversem com aqueles que já votaram em Lula no primeiro turno para não caírem em mentiras e para irem votar de novo: não acho simples manter os 57 milhões de votos em Lula. E tem os nem-nem, esse é o segmento que está sendo manipulado para a rejeição ao PT e ao Lula ser maior que a do inominável e o que ele significa.

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3. Tem como combater milhões de mentiras repetidas milhões de vezes, como ensinou aos extremistas e poderosos o nazista Goebbels?

É uma pergunta na qual eu não tenho resposta. Ficaria aliviado se ao menos os pensadores e coordenadores de nosso lado estiverem desenvolvendo estratégias para isso, pois o nosso lado nestas eleições é o da civilização que está lutando para tentar barrar a barbárie.

Só uma questão a se pensar: acho que estão certos aquel@s que têm dúvidas se a estratégia de campanha baseada no amor e na paz tem efeito neste cenário que descrevi acima. O inimigo tem a estratégia do ódio e da mentira e o foco em aumentar a rejeição ao Lula e ao PT. Se a rejeição for maior que os votos do genocida, perdemos a eleição e o Brasil. 

Enfim, o texto já ficou longo.

#LulaPresidente

William

quarta-feira, 2 de junho de 2021

020621 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"Apesar de eu ser uma pessoa gregária, amo a solidão ainda mais. Eu apreciava a oportunidade de ficar sozinho para planejar, pensar, conspirar. Mas uma pessoa pode se cansar da solidão. Eu me sentida terrivelmente isolado de minha família" (MANDELA. 2012, p. 327)


O momento atual do Brasil e do mundo nos entristece o tempo todo. Temos que buscar estratégias e ferramentas psicológicas para fugir à tristeza e demais sentimentos ruins que nos assaltam.

Quase todo mundo tem alguma pessoa querida lutando contra o vírus mortal Sars-Cov-2 (Covid-19) neste instante em que escrevo. Quase todo mundo tem alguma pessoa querida com algum tipo de depressão. Quase todo mundo perdeu pessoas queridas nesses tempos marcados pela morte e não pela vida e pela esperança de dias melhores. Só pela pandemia de coronavírus são quase meio milhão de mortos no Brasil.

Tenho pessoas queridas lutando contra a Covid-19. Tenho pessoas queridas com depressões diversas. Perdi diversas pessoas queridas nos últimos tempos. A referência da vida hoje é o risco da morte, que loucura! Posso estar aqui hoje e morrer em poucos dias pelo vírus, além das mortes severinas. 

Mas como diz meu poeta favorito, Carlos Drummond de Andrade, chegou um tempo em que não adianta morrer e a vida é uma ordem, a vida apenas e sem mistificação. E noutro poema ele diz que temos que viver seja como for e que o essencial é viver.

Outro dia, estava pensando sobre a importância de se registrar e se imprimir e distribuir a nossa história, a nossa luta de classes, os acontecimentos privados e coletivos de nossa vida de classe trabalhadora e de povo explorado pelos poucos usurpadores humanos que se apropriam das coisas do mundo através da violência e da manipulação.

Como eu saberia da história de lutas do povo negro sul-africano e de seus líderes como Nelson Mandela se ele não tivesse registrado em uma autobiografia tudo o que viveram durante décadas até alcançarem a liberdade do povo negro e o fim do apartheid? Tenho um livro de 800 páginas em mãos que conta essa história sob o ponto de vista de Mandela.

E se essa luta do povo negro sul-africano estivesse sendo travada nos últimos 10 ou 15 anos e só estivesse registrada de forma virtual, na internet, no YouTube, no Facebook, no Google? Vocês acham que essa história teria muitas chances de continuar existindo para as pessoas comuns e espalhadas por esse mundão se não estivesse em livros?

Se o filólogo judeu alemão Victor Klemperer não tivesse registrado em diários tudo o que viu acontecer com a língua alemã durante a ascensão e queda do regime nazista de Adolf Hitler e o 3º Reich, dificilmente nós conheceríamos como a língua alemã foi essencial para a implantação do regime nazista, como a língua foi manipulada para fazer toda uma nação apoiar aquilo que foi o nazismo. Ele registrou isso em livro e eu posso ler em casa essa história trágica. E se estivesse só na internet e só de forma virtual?

Eu insisto na sugestão para que os movimentos sociais, sindicais, estudantis e partidários do campo da esquerda e que representam as lutas da classe trabalhadora registrem e imprimam e distribuam (vender a preço de custo) a nossa história de lutas das últimas décadas porque as big techs donas do mundo virtual vão desaparecer com toda a nossa história de lutas "on-line". É fato! É óbvio! Elas fazem parte daquilo que combatemos! Procurem nossas histórias na internet, procurem! O pouco que registramos está desaparecendo... Me falem das conquistas e lutas dos bancários brasileiros das últimas duas décadas...

Editem e imprimam nossas histórias de lutas, seja na forma de diários dos lutadores, seja na forma de livros das entidades (que é um parto fazer porque tem ciumeira de quem vai brilhar mais), de períodos de lutas, por categoria, por tema, de qualquer forma, mas não permitam que a classe trabalhadora seja o maior segmento da sociedade humana (os 99%) pautado somente pelo ponto de vista dos poucos capitalistas donos de tudo.

William


Bibliografia:

MANDELA, Nelson. Longa caminhada até a liberdade. Tradução de Paulo Roberto Maciel Santos. Curitiba: Nossa Cultura, 2012.


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

À la Benjamin Button... (6)


4 de julho de 2020. Nesse dia, acompanhava de forma virtual
os bancários de Brasília em seu Congresso da campanha salarial.

Refeição Cultural


Olhar para trás...

Ao olhar para trás, e tentar compreender as coisas do presente, a gente até consegue entender um pouco porque as coisas são como são. Mesmo assim, é difícil compreender que a ciência tenha avançado em todas as áreas do conhecimento e ao mesmo tempo nós tenhamos regredido tanto coletivamente, no sentido inverso do avanço das ciências.

A sociedade humana está doente, está cheia de ódio, de intolerância, de egoísmo e individualismo. As pessoas viraram robôs e agem de forma automática para quase tudo em nosso cotidiano de vida humana. Ao agirmos assim, mudamos a forma de utilizar nossa inteligência, nosso cérebro, que havia se destacado ao longo da evolução das espécies.

Sabemos que os instintos e comportamentos de manada tiveram seus papéis na preservação da vida das espécies também. Mas ao longo do tempo, nosso cérebro passou a fazer diferença e nos desenvolvemos como seres racionais e passamos a dominar a natureza, através da ciência e da tecnologia, ferramentas que os demais seres vivos não têm. Será que vamos permitir que os trogloditas acabem com a ciência e a razão?

Agora estamos andando para trás. Massas humanas são manipuladas por poucas pessoas e seus sistemas de manipulação. E a vida no planeta Terra está em risco sério por causa disso. Aqueles que nos dominam com seus sistemas tecnológicos não pensam no amanhã do planeta, só pensam em si mesmos e no instante presente.

Enfim, estou olhando para trás e ao mesmo tempo olhando para a frente. É verdade que o tempo não anda para trás, como no Curioso caso de Benjamin Button. Enquanto indivíduo, a gente fica pelo caminho a qualquer momento, já que um ser vivo morre a qualquer tempo. Enquanto espécie, quando temos consciência disso, deveríamos agir coletivamente para que outros indivíduos perpetuassem nossa espécie e a vida fosse melhor para todos.

Palavras, palavras, palavras... ao vento, ou registradas em algum suporte material.

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FACEBOOK

A partir das reflexões que tenho feito, chego à conclusão que a empresa Facebook, onde boa parte de nós brasileiros temos um perfil, pode ter tido um papel interessante para seus usuários, mas as coisas foram mudando, ou foram ficando mais claras e agora sabemos que somos manipulados e utilizados para programas de manipulação de comportamento social e destruição de sociedades inteiras, países, relações, instituições.

Fico pensando em como me livrar dessa dependência à porcaria do Facebook. Penso em como minimizar os efeitos deletérios que essa empresa faz com meus dados e minhas informações. Por que escrever no Facebook se eles programam seus algoritmos para que ninguém veja que eu existo, para que ninguém saiba o que estou publicando lá? Tudo o que eles querem são meus dados, os dados de meus contatos e informações comportamentais.

E assim nos destruímos e nos deixamos destruir. Vou andar para trás naquele espaço vil que nos manipula e entorpece e nos robotiza.

William

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Espero um dia não ter mais nenhum dado meu naquela conta da rede social que manipula o mundo com os meus dados e com os dados de meus contatos...

Havia postado lá...

27/7/20

CELSO FURTADO, RODA VIVA, de 9/02/87.

Furtado é uma referência de muitos de nós. Acabei de rever a entrevista dele na TV Cultura. Ele era Ministro da Cultura do governo Sarney.

Fico pensando a reação hoje, em tempos de "cancelamento" de pessoas, ao ouvirem ele dizer que se orgulhava do governo Sarney, um governo que, segundo ele, gerou crescimento e emprego, distribuiu riqueza, e era nacionalista...

Política sempre terá dessas contradições... E elas são importantes, temos que ouvir as pessoas e debater (e não "cancelar" ou acabar com as pessoas que pensam diferente).

Aprendi política assim.

24/7/20

VÍDEO DO HENRY BUGALHO, DE 23/7/20, COM O TÍTULO "JÁ EXISTIA ESSE ÓDIO ANTES?"

Comentei na rede social e nos comentários do vídeo do youtuber:

De onde vem o ódio que destruiu o Brasil? Bugalho, jovem filósofo que gosto muito, faz uma reflexão sobre isso. No entanto, eu fico muito incomodado desses blogueiros de grande alcança aliviarem a culpa da grande imprensa em relação à morte da política e ao envenenamento do povo brasileiro. Escrevi para ele neste vídeo a respeito disso. Abraços e tod@s.

"Olá prezado Bugalho. Em primeiro lugar, quero dizer que aqui em casa somos admiradores seus: eu, minha esposa e filho. Bugalho, às vezes me sinto incomodado ao ver você e alguns blogueiros com grande audiência não serem mais enfáticos em alguns temas relativos à grande imprensa. Neste vídeo, por exemplo, você reflete junto conosco se já existia este ódio atual em nosso país, mas em nenhum momento você se baseia nos ataques orquestrados e executados contra Lula e o PT, CUT, MST, UNE etc, ataques "ad nauseam" pelos barões dos grupos Globo, Abril, Estadão e Folha, muito claramente após a eleição de Lula em 2002, ataques ininterruptos e parciais, abusivos e criadores das chamadas fake news atuais, pois foram anos a fio criminalizando os movimentos sindicais, estudantis, dos sem-terra, sem-teto, partidos de esquerda, principalmente o PT e suas lideranças (existem trabalhos acadêmicos sobre isso, dezenas de capas de Veja, dezenas de horas de JN), construindo julgamentos públicos contra determinado setor da sociedade (a esquerda), o mais progressista, e omitindo qualquer coisa negativa em relação aos seus partidos e grupos empresariais (tucanos, a direita em geral). Pulitzer tem frases famosas dizendo que uma imprensa vil, canalha, tem o poder de fazer seus leitores vis e canalhas. Bugalho, nós não viraremos essa página da história se lideranças e formadores de opinião continuarem passando pano para esses bilionários da mídia que destruíram o povo brasileiro. Você já citou Klemperer em seus vídeos e a linguagem do 3º Reich. O que a Globo e a Veja, junto com Estadão e Folha fizeram em mais de uma década de governos do PT foi muito semelhante ao que Klemperer descreve naquele trabalho fantástico. É isso. É a minha opinião. Acho que vocês deveriam dar mais nomes aos bois, os responsáveis pela transformação dos brasileiros nesses bárbaros são os jornalões e TVs e revistas dessas famílias e banqueiros. Abraços a você e família. William Mendes."

04/7/20

ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA NACIONAL DA CATEGORIA BANCÁRIA

Novos tempos, novas formas de reuniões e encontros. Enquanto acompanhamos os debates virtuais dos companheir@s do Distrito Federal, vemos a lua chegando...

(Com a postagem, coloquei a foto acima, do final de tarde e início de noite daquele 4 de julho)


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Brasil, Eichmann e as categorias privilegiadas




"(...) 'Ninguém veio até mim e me censurou por nada no desempenho de meus deveres, nem o pastor Grüber disse uma coisa dessas', ele repetiu. E acrescentou: 'Ele veio até mim e pediu alívio para o sofrimento, mas não objetou de fato ao desempenho de meus deveres enquanto tais'. Pelo depoimento do pastor Grüber parecia que ele buscava não tanto o 'alívio do sofrimento' quanto a isenção para algumas categorias bem estabelecidas anteriormente pelos nazistas. Essas categorias haviam sido aceitas sem protestos pelo judaísmo alemão desde o começo. E a aceitação de categorias privilegiadas - judeus alemães acima de judeus poloneses, judeus veteranos de guerra e condecorados acima de judeus comuns, famílias cujos ancestrais eram nascidos na Alemanha acima de cidadãos naturalizados recentemente etc. - fora o começo do colapso moral da respeitável sociedade judaica..." (ARENDT, 2019, p. 148)


Refeição Cultural

Categorias privilegiadas... Colapso moral da respeitável sociedade...

Muito do que já li sobre o comportamento dos alemães durante o período nazista, ou seja, durante o regime do 3º Reich, sob a liderança de Adolf Hitler, nos passa a descrição do clima cotidiano que se vivia à época, entre 1933 e 1945, tempo de duração do regime que pensava que duraria mil anos.

O filólogo judeu alemão Victor Klemperer, sobrevivente dos campos de concentração, descreve o cotidiano da Alemanha nazista em seus diários, depois transformados no livro LTI - A linguagem do Terceiro Reich (de 1947). O nazifascismo normalizou a banalidade do mal. Transformou em algo normal e corriqueiro aquilo que jamais seria aceito por qualquer ser humano em qualquer sociedade considerada civilizada.

Ao ler o relato de Hannah Arendt sobre o julgamento de Adolf Eichmann, já no início dos anos sessenta, e me encontrar no Brasil do ano de 2020 sob um novo regime de Estado, um regime que se estabeleceu após um processo de golpe de Estado que envolveu praticamente todas as instituições da velha república que havia, é impossível não identificar semelhanças entre os dois períodos: o do nazismo da Alemanha dos anos trinta e quarenta e o nosso mundo, tomado pelo mal de forma institucional e banalizada no cotidiano das gentes.

É por achar semelhanças entre os períodos de ascensão do mal em forma de governo que insisto em registrar algumas coisas, poucas, bobas, para quase ninguém, mas que devem ser registradas. Eu já escrevo neste blog há pelo menos 13 anos. O ideal inclusive seria imprimir e guardar os textos, distribuir cópias para alguns conhecidos, porque uma coisa virtual é mais frágil que uma vida humana. Uma ação qualquer de um terceiro e a coisa não existe mais (como a vida).

As categorias privilegiadas... colapso moral da respeitável sociedade...

Ao organizar o novo golpe de Estado contra a frágil e parca democracia brasileira, as elites privilegiadas desta ex-colônia de impérios não mediram as consequências e não avaliaram os riscos para tirarem do poder um Partido dos Trabalhadores que vinha melhorando a vida do povo "de forma lenta e gradual" e ao mesmo tempo vinha conciliando com essa mesma elite para que o país se desenvolvesse e distribuísse um pouquinho de benefícios aos milhões de brasileiros à margem da cidadania. 

E a consequência do golpe foi o que temos hoje. O crime organizado ascendeu ao poder de verdade. O que há de pior na sociedade ascendeu ao poder. Temos hoje como "normalidade" as coisas mais grotescas que se poderiam imaginar. Coisas que jamais seriam aceitas por qualquer sociedade considerada civilizada. Vivemos a mais dramática banalidade do mal na forma de governo, de Estado, e através de suas instituições. E nada acontece em relação a termos uma reação da sociedade civil. Nada!

As mentiras criadas (fake news e lawfare) para se destruir um partido e suas lideranças, um segmento da sociedade, um governo eleito democraticamente em 2002, 2006, 2010 e 2014, foram sendo repetidas e sustentadas por instituições da sociedade como mídia corporativa, ministérios públicos, órgãos de justiça, dentre outras instituições da sociedade, e agora vivemos o abismo, o colapso total. As vítimas não encontram justiça porque as instituições foram todas envolvidas e para se desfazer uma injustiça seria necessário rever todas as injustiças e mentiras mantidas pelas próprias instituições...

E com isso tudo que descrevi acima, normalizou-se as mentiras, o lawfare, a banalidade do mal, o privilégio das categorias privilegiadas. Estamos todos por nossa própria conta. Sozinhos. Milhões de pessoas que não fazem parte dos que apoiam ou pertencem aos grupos que ascenderam ao poder totalitário do Estado, e não sabemos o que fazer nesta situação.

Não temos mais instituições republicanas funcionando minimamente. Não temos mais leis para todos. O clima estimulado pelas classes dominantes no novo regime é o do ódio, da ignorância, o da carteirada... vivemos sob um novo regime totalitário. Se você não for adesista, se não for um deles, tudo pode contra você e os seus. E não adianta buscar justiça, porque ela é somente para os adesistas.

E teremos que sobreviver no meio disso tudo, e com ética, solidariedade e caráter, dimensões praticamente extintas pelo novo regime.

William


Bibliografia:

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal. Companhia das Letras, São Paulo, 2019.


terça-feira, 3 de setembro de 2019

O novo regime no Brasil segue os passos da Alemanha nazista





Refeição Cultural

"Em Mein Kampf, Hitler, ao tratar de educação, coloca o preparo físico em primeiríssimo lugar. Sua expressão predileta é Körpeliche Ertüchtigung (capacitação física), que ele tomou emprestada do léxico dos conservadores de Weimar. Ele valoriza o Exército do imperador Guilherme como a única organização saudável e vital de um Volkskörper (corpo do povo) apodrecido. Vê no serviço militar, sobretudo ou exclusivamente, uma educação para o desenvolvimento físico. A formação do caráter é uma questão nitidamente menor: dominar o corpo é mais importante do que receber educação. Nesse programa pedagógico, a formação intelectual e seu conteúdo científico ficam por último, sendo admitidos a contragosto, com desconfiança e desprezo. A todo momento se expressa o temor diante do ser pensante e o ódio contra o pensar..." (p. 39/40)


A leitura e o estudo do livro LTI A Linguagem do Terceiro Reich (1947), de Victor Klemperer, é uma oportunidade para que o leitor brasileiro tome ciência do processo linguístico ocorrido na língua alemã durante o nazismo, desde a ascensão de Adolf Hitler até a derrota da Alemanha em 1945.

Durante décadas, os povos do mundo civilizado se perguntaram, geração após geração, como foi possível um monstro como Hitler conquistar corações e mentes de praticamente todo o povo alemão.

Klemperer é um filólogo judeu que analisou as transformações na língua alemã durante o regime nazista. Sobreviveu graças ao heroísmo de sua mulher alemã e pode publicar seus diários e estudos e contribuiu para que a língua alemã passasse por um processo de desnazificação.

Amigos, a linguagem move os humanos, que movimentam o mundo. A palavra salva, a palavra condena. A palavra cria, a palavra destrói. A palavra aproxima, acolhe, e também afasta, dissemina o ódio, a discórdia. 

Com a língua se pensa. Com a linguagem bem aplicada, se manipula e se faz agir sem pensar. Isso foi feito em nosso país como nunca antes na história, depois da chegada de Lula (PT) à Presidência da República, em 2003. Eu adquiri este livro nesta época e vi as transformações ocorrendo. É impressionante a semelhança com o processo nazista!

Eu tive a felicidade e a tristeza de adquirir o conhecimento deste livro ao ter acesso a ele no momento em que a mídia empresarial e secular brasileira (PIG) iniciava o processo de destruição da imagem de Lula, do PT, dos movimentos sociais organizados e passaria a atuar para criminalizar o governo, a esquerda e a política.

Hoje vivemos o resultado do processo de envenenamento do povo brasileiro para que se interrompesse a democracia e a ascensão das classes populares após as seguidas eleições do Partido dos Trabalhadores. O Brasil e o povo nunca tinham vivido momento tão intenso de avanços para as classes populares e também de sua imagem junto aos países do mundo.

A democracia brasileira foi destruída. Hordas de canalhas ocuparam setores dos poderes estatais, tomando o país para eles de forma nunca antes vista, mesmo se compararmos o momento com outros regimes duros em mais de um século de república. Parte da população está idiotizada, vive uma espécie de demência coletiva, faz vista grossa para o mal e os crimes cometidos pelos golpistas no poder. É o caos.

Chegamos num ponto em que não há saída democrática, pacífica. Não há. Talvez houvesse se multidões de pessoas ocupassem as ruas do país e não saíssem mais até os direitos voltarem ao povo, até o patrimônio público ser devolvido, até a pauta do ódio ser substituída pela pauta do amor e da solidariedade. Isso não vai acontecer.

A citação inicial na postagem mostra exatamente o que o novo regime está fazendo. Fim da educação, do livre pensar, do acesso à cultura e à ciência. Querem reproduzir a estratégia do nazismo no Brasil pós golpe. Povo ignorante. Povo fanático. Povo gado.

Chega, já falei demais para o momento.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

190719 - Diário e reflexões - Perdemos! (até agora)




Refeição Cultural

Ainda não consegui superar a morte de Paulo Henrique Amorim. Parece que perdemos um dos poucos guerreiros da comunicação que parecia que estaria conosco por muito tempo ainda. Por décadas, PHA insistiu em fazer jornalismo peitando os donos do poder. Mais de uma centena de processos por censura, para liquidá-lo, para calar sua voz e sua opinião e ele seguia firme. O coração parou, e ele se foi. Que merda!

A gente tá enfiado num mundo sem esperanças, onde quase ninguém reage mais a toda a prática inversa ao que aprendemos que era certo na existência humana. A ascensão do bolsonarismo na sociedade brasileira como consequência de um processo muito maior de dominação do imperialismo americano, processo planejado pelos donos do poder econômico nacional e internacional, nos deixou na lona, nocauteados. 

Perdemos! Nossa geração que lutou por um mundo mais justo e igualitário nas últimas décadas, e que chegou a vislumbrar esperanças de uma sociedade alternativa ao capitalismo selvagem quando viu por quase duas décadas governos latino-americanos progressistas peitarem o Consenso de Washington e estabelecerem políticas anticíclicas que beneficiaram milhões de pessoas em governos mais populares e nacionalistas, enfim, nossa geração não consegue reagir à destruição total implementada pelo governo americano e seus lacaios colocados nos governos de nossos países. Não estamos conseguindo reagir!

Nossa geração não aprendeu a reagir com nossos corpos, com nossas vidas, ao golpe que sabíamos que viria. Foi só decidirem acabar com a conciliação de classes, que todas as conquistas de décadas se foram, estão indo embora, e nós ficamos catatônicos ao vermos tirarem tudo de uma vez. Como não tivemos a consciência de compreender que as estruturas do Estado burguês são dos burgueses, achamos que era só confiar que os humanos tinham limites éticos, que as instituições burguesas tinham limites éticos, que seriam protetoras dos fracos e oprimidos.

Nós não reagimos a toda a desgraça multidimensional, desgraças de destruição de todos os direitos do povo e destruição do próprio Estado nacional, feitas estrategicamente em todas as áreas e diariamente pelo bolsonarismo e sua laia de apoiadores de merda porque nosso cérebro, nossos corpos, nossa doutrinação "progressista", "esquerdista", "socialista" é uma doutrina estupidamente moralista, como disse o intelectual Jessé Souza, nos faz acreditar que as instituições vão funcionar, que a justiça vai ser justa, que a destruição não vai chegar ao fim etc.

Pode ser loucura os derrotados escreverem sobre a derrota. Mas acho que temos que escrever. Só conhecemos as histórias dos derrotados ao longo da história humana porque foram encontrados registros desses derrotados. Quando tive acesso ao livro de Victor Klemperer descrevendo todo o período do 3º Reich, sob a ótica da linguagem como filólogo que era, é porque ele registrou tudo de 1933 a 1945. E foi possível sabermos sobre as mudanças na linguagem alemã durante a ascensão e duração do nazismo. O mesmo se dá ao sabermos dos diários da jovem Anne Frank.

Perdemos! Mas por que não reagimos enquanto povo e mudamos essa história brasileira a partir de amanhã, de depois de amanhã? Por quê? Por que não organizamos o povo? Por que não superamos as divisões entre nós do movimento de luta dos trabalhadores e saímos em frente ampla para derrotar os desgraçados que estão nos destruindo, destruindo nossos direitos, destruindo nosso mundo? Por quê?

Por causa de nossa vaidade. Por causa de nosso orgulho. Porque também fomos contaminados com o vírus do ódio. Talvez porque ficamos lassos, burocráticos, crentes nas instituições que não são por nós, são contra nós. Por medo do diferente; por costume e rotina no gostoso automatismo do dia a dia. Por medo da morte. Mas aí vem o minuto seguinte e o coração para, como aconteceu com PHA. E aí, valeu não arriscarmos a luta, a mudança da rotina?

Que mais precisamos para enfrentar o inimigo com as armas necessárias ao contexto em que nos pegamos? Finalizo essa reflexão triste com um ensinamento de Nelson Mandela, justificando eventuais ações do povo negro na luta contra o apartheid:

É O OPRESSOR QUE DEFINE A NATUREZA DA LUTA

"A lição que aprendi com a campanha (contra a remoção do povo negro de Sophiatown em 1955) foi que no final nós não tínhamos alternativa alguma senão resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. Um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor quem define a natureza da luta, e ao oprimido frequentemente não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aqueles do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando fogo" (pág. 206. Longa Caminhada até a Liberdade, Nelson Mandela)


- Ai se fôssemos mandelas...

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Estamos doentes, e todos sofreremos as consequências




Opinião

Todos estamos adoecendo com a destruição do país, e não haverá médicos nem remédios, nem para pobres nem para remediados. É o fim do país que fomos, inclusive considerando o passado colonial

Não estou com nenhum entusiasmo para escrever. Depois de mais de quatro décadas de existência buscando me libertar da ignorância, do desconhecimento, do analfabetismo funcional, dos preconceitos que carreguei comigo, depois de lutar anos e anos para me libertar de todo o ódio que senti do mundo, da vida, da sociedade, das injustiças sociais, dos ricos e bilionários responsáveis pelas desgraças dos pobres e do povo, depois desse percurso tentando ser uma pessoa melhor, vem o retrocesso civilizatório que estamos presenciando dia após dia no mundo e no novamente brazil-colônia neste início de século e milênio.

Por que escrever algo, registrar sentimentos e reflexões, descrever eventos e fatos que ficarão marcados na história pessoal, social e humana? Acho que a resposta seria simples: porque as pessoas que virão depois de nós têm o direito de saber como foram as coisas no passado, e por que as coisas aconteceram como aconteceram. 

Que saberíamos sobre o nazismo se não houvesse relatos de pessoas da época, tanto olhando de fora quanto de dentro daquilo? 

Os leitores do filólogo judeu-alemão Victor Klemperer não saberiam sobre a linguagem do Terceiro Reich se ele não tivesse, de forma abnegada, se agarrado aos seus diários durante anos e anos de observação e de sobrevivência ao regime de Hitler, Goebbels e lixos humanos assemelhados. Que saberíamos sobre os pensamentos, sonhos e pontos de vista de uma jovem judia escondida com a família entre paredes falsas e sótãos na Holanda ocupada, fugindo do ódio exterminador nazista, se Anne Frank não tivesse registrado isso em seu diário?

Enfim, está difícil encontrar energia para escrever. Até porque os textos produzidos com grande trabalho de pesquisa e dedicação de horas de concentração, acabam por serem lidos cada vez por menos leitores, e os alfabetizados funcionais parecem estar rareando por aí, neste momento da história humana.

As coisas que me incomodaram muito nesses dias, que amarguraram meu coração e adoeceram meu ser, física e psicologicamente, foram os temas ligados às consequências do golpe de Estado aplicado no Brasil, com a retirada do Partido dos Trabalhadores do poder por uma nova técnica de golpe - o lawfare

O impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma, a prisão política de Lula sem crime algum (inclusive com a morte de sua companheira de toda a vida, Dona Marisa, morte por tortura psicológica e humilhação a ela e família), e a provável morte de Lula pelo mesmo mecanismo de tortura psicológica (é difícil este homem de 73 anos continuar resistindo a tanta violência contra sua honra), têm abalado a saúde de muita gente brasileira, muita mesmo, mas como as doenças crônicas são invisíveis e sem sintomas, poucos farão associação com a desgraça estatística do adoecimento que vem por aí.

Uma metade da população está adoecendo violentamente com as tristezas que estamos passando ininterruptamente pela destruição acelerada do país após o golpe de 2016, após a retirada dos direitos do povo e com a destruição do patrimônio nacional em benefício de agentes externos ao país. A doença tristeza e desesperança no amanhã se soma à doença desemprego ou subemprego para destruir a saúde dessa geração.

A outra metade da população está adoecendo, e também não sabe disso. Está doente crônica com todo o ódio, preconceito e cinzentice que carrega em si (me lembrei do prefeito do tudo cinza), com toda a virulência nauseabunda que carrega em seu cotidiano contra os imaginários comunistas, bolivarianos, doente de ódio contra petistas (petralhas), gays, sindicalistas, negros, nordestinos, professores do mal, estudantes do mal, corruptos alheios do mal (eles não são corruptos, hahaha). Doente crônica essa outra metade de brasileiros ricos, remediados e também os pobres-coitados de direita alimentados pelas máquinas de ódio que nos lembram as Teletelas do Grande Irmão, no distópico "1984", de Orwell. (ai geração cara na tela...)

Essa metade doente vibra e comemora qualquer idiotice ou tragédia como "Escola sem partido", o fim do convênio Cuba-Brasil no programa "Mais Médicos" e o consequente fim do atendimento a mais de 30 milhões de seres humanos em quase dois mil municípios do país. Comemoram a nomeação de uma equipe de governo escolhida cada ministro entre os piores de seu segmento, enfim, essa outra metade, "vencedora" nas eleições, está tão doente quanto a outra metade 'perdedora", mas esse adoecimento do Brasil não será facilmente captado pelas estatísticas da tragédia brasileira.

A saúde do povo brasileiro, mais os pobres que só têm o SUS, mas também os remediados, aquele povo que acha que é classe média porque tem plano de saúde por causa de sua relação empregatícia, a saúde brasileira vai degenerar de forma irrecuperável. Seremos um subproduto humano na nova experiência da guerra pela hegemonia política e econômica do planeta. Nenhum país, nenhum povo, foi tão cachorro, tão miserável e tão estúpido de se entregar para os Estados Unidos como o povo de meu país, sem lutar, sem resistência alguma, só com a docilidade e ignorância histórica de ser manipulado sempre pela casa-grande.

Estamos doentes, crônicos do corpo e da alma. As perspectivas do que vem por aí são terríveis. Mas podemos inverter esse quadro a qualquer momento, porque a história humana é feita de imponderáveis... (que venha um logo!)

William

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Brasil pode ter regime nazifascista após golpe na democracia



Livro sobre linguagem do nazismo e documentário
sobre o apoio de empresários ao regime militar
no Brasil alertam para o risco atual.

Diário e reflexões - 111018

Hoje é quinta-feira, 11 de outubro. No último domingo, o povo brasileiro foi às urnas para participar de uma eleição fake, de mentira, mas que está valendo para definir a vida de cada um de nós, o povo brasileiro. O candidato que ganharia as eleições no 1º turno, o ex-presidente Lula, é um preso político e está numa masmorra, condenado sem provas e incomunicável com o povo brasileiro. Qualquer preso fala à imprensa, estuprador, assassino, traficante, qualquer um, menos o cidadão Lula.

Se o Brasil estivesse vivendo um período de normalidade democrática, não teríamos interrompido o mandato da presidenta Dilma Rousseff*, eleita em 2014 com 54,5 milhões de votos. O candidato da oposição e da casa-grande ("mercado"), Aécio Neves, não aceitou a decisão do povo nas urnas e resolveu questionar o resultado só "para encher o saco do PT". A consequência foi jogar o país na maior crise de sua história.

Com o impedimento da presidenta eleita, também sem crime algum, assumiu o poder o vice-presidente Michel Temer, através de um golpe de Estado jurídico-parlamentar (lawfare) que contou com a participação dos partidos de oposição, empresários dos meios de comunicação, setores dos três poderes do Estado e apoio dos Estados Unidos. A agenda ultraliberal, derrotada quatro vezes nas urnas, passou a ser implantada no país.

O medo e a raiva, o ódio e a desesperança tomaram conta de meus conterrâneos, o povo brasileiro e trabalhador, ao sentir as consequências de se destruir a economia, as empresas nacionais, os direitos sociais, como os empregos formais e direitos trabalhistas, e o congelamento por vinte anos dos investimentos em saúde, educação e segurança, além da entrega do patrimônio nacional como o Pré-sal, Embraer, a base de Alcântara e mais retiradas de direitos na fila de espera, como a venda da Petrobras, da Eletrobras, dos bancos públicos, e o fim da aposentadoria, do 13º salário e das férias. Para completar, o povo morre nas ruas pela violência e insegurança.

RECEITA PARA O FASCISMO - Esse caos é a receita histórica para a implantação de regimes fascistas e totalitários, jogando o povo contra a política e a democracia, contra a cultura de paz e solidariedade, como a história já nos mostrou entre os anos 20 e 40 do século passado, regimes que levaram a duas grandes guerras e a morte de 100 milhões de pessoas. 

A estratégia dos donos verdadeiros do poder, do dinheiro e de todos os meios de produção, foi fazer uma guerra de mentiras (fake news) contra um alvo escolhido como inimigo comum e culpado por todos os males. Esse processo começou no Brasil desde a primeira vitória do Partido dos Trabalhadores, com Lula em 2003.

Os articuladores do processo de caos no Brasil não colheram os frutos que esperavam colher com o sucesso do ódio implantado ao inimigo comum, no nosso caso os escolhidos pela casa-grande como alvo foram Lula, o Partido dos Trabalhadores e a esquerda. A estratégia dos golpistas não deu certo. O povo não escolheu o PSDB para substituir o PT. É evidente que copiar os métodos de Goebbels não traria como consequência aderência à social-democracia. O método do grande pensador da linguagem nazista só poderia dar em envenenamento do povo e cultura para o ódio e a simplicidade fascista.

Quando se abre a Caixa de Pandora e se libera todos os males e demônios, não se prevê como vai terminar o caos. O partido de Aécio Neves afundou junto com o caos, e no lugar da destruição da política e do país surgiu o candidato nazifascista que obteve quase 50 milhões de votos no primeiro turno das eleições. A bancada parlamentar eleita também no domingo é muito pior para o povo em relação à de 2014, que aprovou tudo quanto foi reforma contra nós. Uma ampla maioria é contra o povo e a favor de ampliar a agenda reformista de Temer. Já será o caos em 2019 mesmo se o nazifascista não ganhar a presidência.

Eu falei e escrevi na última década que era possível acontecer o que está acontecendo. A quebra da institucionalidade e da civilidade, da cultura da paz e a volta de regimes de exceção e com riscos de barbárie. As famílias e amigos não se conversam mais. Os preconceitos saíram do armário. A intolerância e a violência grassam pelas ruas do país. Já assassinaram pessoas por votarem no candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores. Dezenas de casos de agressões e violências foram registrados em menos de uma semana a pessoas identificadas por agressores bolsonaristas como sendo simpatizantes ou militantes de esquerda, de causas sociais ou de minorias.

Estamos numa encruzilhada da história. A forma como o processo de destruição da democracia e da política se deu no Brasil, para desconstruir o Partido dos Trabalhadores, suas lideranças e o projeto de inclusão social de dezenas de milhões de pessoas no orçamento do Estado (mesmo sem ruptura alguma e com os ricos continuando a ganhar rios de dinheiro) fez com que neste momento de ódio e intolerância seja difícil dialogar com as pessoas envenenadas por um sistema internacional de fake news (mentiras e difamações) operado no submundo das redes sociais de WhatsApp (além das merdas na deep web). 

E para complicar mais a luta dos democratas, o mesmo ódio contra o PT faz com que todos os outros campos se declarem "neutros", o que é uma estratégia de lavar as mãos e permitir a vitória da outra candidatura. É muito triste ver figuras de peso do sistema democrático brasileiro não entrarem de cabeça na luta contra a vitória e implantação de um regime que vai calar os divergentes, que defende tortura, que defende aprofundar as reformas contra o povo, entregar o resto do patrimônio do país, e toda sua campanha ser baseada em mentir e enganar.

É muito difícil ver familiares queridos, com os quais convivemos décadas e os mais jovens vimos nascer, apoiarem abertamente o candidato nazifascista e ainda fazerem chacota de quem defende os princípios do campo democrático - solidariedade, direitos sociais, inclusão das minorias, respeito às diferenças com tolerância etc. 

Mas o momento não é sequer de entristecer de forma paralisante. Nossa missão é lutar pela vitória do campo democrático e popular, representado no dia 28 de outubro pelo professor universitário Fernando Haddad.

Neste momento Haddad não é o Partido dos Trabalhadores, é uma chance de liberdade para lutar contra o que vem por aí a partir da pior bancada do Congresso Nacional em décadas de regime republicano. Haddad é uma chance de lutar pelos direitos populares.

Foi um desabafo, mas peço com humildade que vocês que me leem não votem com ódio a favor do nazifascismo. Por favor, conversem com seus pares a respeito do que apresentei acima.

William

*Post Scriptum: Após 6 anos e 21 dias da armação do impeachment (sem crime algum), o MPF arquivou o processo fraudulento das "pedaladas fiscais", invenção usada para cassar o mandato da presidenta Dilma Rousseff em 31 agosto de 2016. O golpe foi para destruir o Brasil e os direitos do povo brasileiro. Vieram em seguida o traidor Temer e o inominável das milícias cariocas e a destruição de tudo...

https://twitter.com/Blog_do_William

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Semânticas em transição



Diário e reflexões - 031018

Hoje é dia 3 de outubro de 2018. Estamos na reta final das eleições brasileiras, que acontecem no domingo dia 7. A tendência é que o processo eleitoral ocorra, se não houver nenhum golpe de última hora. 

Gostando ou não dele, pois para mim eleições sem Lula é fraude, e independente de comparecerem às urnas algumas pessoas ou dezenas de milhões delas, a apuração vai definir o próximo presidente do país (ou duas candidaturas para segundo turno), governadores, senadores e deputados federais e estaduais, além dos distritais.

Havia parado de registrar reflexões na forma de diário aqui no blog desde que deixei de ser pessoa pública, representante eleito por trabalhadores. Ainda não defini meu papel social para as próximas etapas da existência. Estou reorganizando a vida e avaliando como posso ser útil para a sociedade e para as pessoas, encontrando em alguma tarefa social e coletiva a satisfação pessoal e a felicidade.

Tenho lido algumas autobiografias, livros de memórias e diários de personagens reais ou fictícios. Estou lendo o livro de José Dirceu e do roqueiro Bruce Springsteen. 

Estou relendo as memórias do falecido "coxinha" inútil Brás Cubas (Machado de Assis) e, por fim, a releitura mais necessária: estou relendo Victor Klemperer, o filólogo judeu alemão e suas anotações e análises sobre a linguagem nazista do Terceiro Reich e a transição semântica pela qual ela passou entre 1933 e 1945. É um dos livros mais importantes do mundo para o que estamos vivendo no Brasil: a ascensão de um nazifascismo tupiniquim e suas consequências.

Quando eu li o livro pela primeira vez, após as eleições brasileiras de 2010, comecei a perceber nitidamente a construção da semântica adotada pelas oposições aos governos do Partido dos Trabalhadores e sua maior liderança, Luiz Inácio Lula da Silva. 

A arquitetura metodológica adotada pelos donos dos meios de comunicação após a vitória do PT e Lula (2002), método de ataque liderado pelas Organizações Globo, não foge em nada ao método de comunicação e manipulação de massas adotado por Goebbels e Adolf Hitler, após a ascensão do nazismo em 1933. É impressionante a semelhança!

Apesar da tristeza n'alma ao ver colegas bancários, pessoas queridas e familiares apoiando o candidato nazifascista, que tem quase um terço das declarações de intenção de voto nestas eleições, é fácil compreender o porquê após ler o livro de Victor Klemperer.

Houve uma construção lógica e racional, cumprindo todas as etapas que o nazismo cumpriu para transformar o povo de maior cultura da Europa em uma massa manuseada pelo nazismo com ódio aos judeus, aos comunistas, aos diferentes de si mesmos. 

Eu não fico nem um pouco surpreso com o ódio irracional e patológico contra Lula e o Partido dos Trabalhadores na atualidade, tendo lido Victor Klemperer. O ódio como método e a escolha do PT como inimigo comum foi desenvolvido desde 2003. 

Assim como nós temos familiares e amigos apoiando a candidatura fascista que apoia a tortura, que incentiva o estupro, a violência, o racismo e intolerâncias várias, e que votou em todas as reformas contra os trabalhadores e pelo desfazimento do patrimônio nacional, juntamente com os golpistas após 2016, o professor judeu Victor Klemperer viu seu filho adotivo aderir ao nazismo após um período sob as técnicas de linguagem da LTI. 

"A língua conduz o meu sentimento, dirige a minha mente, de forma tão mais natural quanto mais inconscientemente eu me entregar a ela. O que acontece se a língua culta tiver sido constituída ou for portadora de elementos venenosos?" (Klemperer)

É isso. Já escrevi mais do que queria por hoje.

Abraços aos amig@s leitores. Vamos atuar para vencer o fascismo enquanto é tempo.

William

domingo, 12 de novembro de 2017

Para onde caminha a humanidade?



(texto atualizado às 9h de 13/11/17)


Alvorecer de mais um dia. Não necessariamente novo...

Refeição Cultural

Às vezes perco até o ânimo para registrar minhas reflexões e opiniões a respeito da sociedade humana.

Me lembro então de pessoas como Edward Said (ler AQUI), Victor Klemperer (ver AQUI), Gramsci (ler AQUI) e tantas outras que em seus tempos de vida tinham a clara consciência de que era necessário escrever, questionar, denunciar e se posicionar em relação ao que ocorria no mundo.

Para onde estamos caminhando? Talvez para a catástrofe final da existência humana.

Ao longo dos últimos milhares de anos, produzimos guerras avassaladoras de humanos contra humanos. Guerras de humanos contra outras formas de vida que coabitavam o mesmo espaço a ser conquistado pelo grupo humano que chegava. A diferença ao longo dos séculos foi a capacidade tecnológica cada vez maior para a matança e extermínio do outro.

Chegamos nesta quadra da história a uma condição humana que me desespera: eu não vejo neste momento muita perspectiva de resgatar o humano das máquinas que passaram a dominar esse mesmo ser humano. A mente humana, a psique humana, a consciência humana, os valores humanos, desenvolvidos em milhares de anos, estão sendo subutilizados a um limite perigoso.

Quantas pessoas no mundo passam boa parte de seus dias em função de zilhões de produções de imagens e vídeos em retransmissões em suas bolhas - as redes sociais em que estão - observando cenas de animais domésticos, fotos e textos com assuntos irrelevantes perto dos grandes problemas do mundo humano?

Quantas pessoas estão dedicando parte de seus dias em função da busca de soluções para os grandes problemas coletivos da sociedade humana? Um número ínfimo de pessoas.

Não sei se a sociedade humana já esteve mais ameaçada do que nesses tempos que vivemos. Mesmo comparando os riscos de extermínio humano como vimos nas matanças das grandes guerras mundiais, levadas adiante por questões econômicas e políticas de uns poucos homens de poder e suas corporações ao conseguirem levar multidões ao ódio e extermínio do outro.

Vivemos no Brasil e em outros países do mundo o clima construído por líderes políticos e elites poderosas que levaram e estão levando seus povos à guerra, à morte e às destruições sociais.

Os golpistas e seus veículos de comunicação sabem do amortecimento no qual colocaram as massas humanas brasileiras, entretidas em seus aparelhos celulares dentro de suas bolhas vendo os milhões de vídeos compartilhados de gatinhos cachorros tombos gozações xingos bundas e peitos e cantos e mensagens e correntes e fotos e violências que levam ao medo etc.

Neste momento e no amanhã todos os milhões de seres humanos estarão fazendo o mesmo diuturnamente e cotidianamente.

Enquanto isso, a reação das massas vitimas de todas as reformas e sacanagens feitas pelos golpistas segue pífia. Reação esforçada, mas sem capacidade de reversão do quadro avassalador. 


Que tempos são esses? A moda é a injustiça, a iniquidade, a intolerância, a ignorância. O não é comigo

Não choca nem causa espanto, não coloca milhões de pessoas nas ruas, o fim dos direitos do trabalho, a imprensa golpista pedir a morte do maior líder popular que o país já teve (revista Istoé, nesta semana, e revista Veja, em 2016, em relação ao Presidente Lula). 

A imparcialidade da justiça não incomoda e até gera juízes popstar. Nada leva milhões à rua. A não ser que um grande manipulador de massas como a golpista Rede Globo, dos Marinho, esteja nas convocações.

Mas lembrem-se que o que os donos do poder estão fazendo no Brasil e com o Brasil e os brasileiros estão fazendo com todos nós e com o futuro de nossos filhos. Após doação da Floresta Amazônica, do petróleo brasileiro, do solo brasileiro, o Brasil não voltará a ser o mesmo.

Amanhã é mais um dia... quantos estaremos resistindo à destruição de nosso mundo? Eu só vejo sentido na minha existência social se ela não for pensada só para mim. 

Vou acordar e seguir fazendo a luta por um mundo melhor e contra esse mundo que me impuseram. Desistir não é uma opção.

William


Post Scriptum:

Acordei às 6h da manhã neste domingo e saí para uns instantes não-virtuais. Fui participar de uma corrida na AABB SP e tive a oportunidade de ver e conversar com amigos e conhecidos a respeito de várias coisas. Foi bom.
11º Circuito de Corrida e Caminhada da AABB SP.
Mais uma vez, a entidade está de parabéns pelo evento.
A corrida de 7,5k e a caminhada de 5k foram prazerosas.
A equipe da Central Cassi esteve presente no evento da AABB SP.
Foi muito legal! Agradeço o convite para saborear o excelente
churrasco feito pelo pessoal ao final da corrida.
 

Post Scriptum 2:

Recebi posteriormente a foto com o pessoal da AABB SP. A gestão da entidade tem feito muitos progressos na associação em prol da comunidade que utiliza as dependências do clube.

Pessoal da AABB SP.