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terça-feira, 22 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Terça-feira, 22 de outubro de 2024.


VAMOS MELHORAR SÃO PAULO?

Hoje, no diálogo com a população da classe trabalhadora nas imediações da estação de metrô no Morumbi, usei uma abordagem de comunicação que aprendi em um texto de linguística de Noam Chomsky.

Pelo que me lembro, o especialista em linguagem explicou no texto as formas como as pessoas eram abordadas pelo governo dos Estados Unidos para que elas deixassem de ser contrárias à participação do país em uma guerra.

As abordagens devem ser sempre na forma positiva e genéricas, de maneira que as pessoas abordadas de supetão não tenham motivo para discordar. Frases do tipo "apoia nossos soldados?", "apoia nosso país?" etc.

Peguei um pacote grande de panfletos de nosso candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, e fui para uma área de fluxo contínuo de pessoas. Foi interessante o processo de abordagem. 

Eu perguntava para as pessoas "vamos melhorar São Paulo?", "vamos mudar São Paulo", "nos ajude a melhorar São Paulo?", "vamos melhorar a vida da classe trabalhadora?". Foram essas frases que variei por mais de duas horas.

Foi bem legal! Muitas pessoas pararam para uma ou duas palavras, além de pegarem o panfleto.

Encontrei pessoas indecisas, pessoas que não gostam do Boulos, mas também não gostam do Nunes. Aí é caso a caso e de acordo com o que a pessoa fala que se argumenta.

Amigas e amigos leitores, estamos há meses nesse trabalho militante nas ruas, feiras e locais de movimentação. As pessoas podem estar com as caras nas telas dos celulares, mas com jeito, ainda é possível conversar com nossos semelhantes.

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MILITÂNCIA, AJUDA A GENTE?

Faltam poucos dias para a eleição no domingo 27. 

Eu confesso a vocês que sinto falta de mais militância nas ruas, principalmente da estrutura partidária e sindical que nos apoiou nas ruas no primeiro turno.

Eu não me conformo de ter havido redução de nosso lado no apoio estrutural para virarmos votos nestas três semanas de segundo turno.

Enfim, talvez eu escreva a respeito após dia 27... 

Por enquanto, quero que Guilherme Boulos e Marta Suplicy governem a maior cidade do país a partir do ano que vem.

Nossa militância pode fazer toda a diferença. Nossos propósitos são ou deveriam ser muito diferentes dos da direita e dos representantes dos ricos e poderosos.

Experimentem as ruas nesses 4 dias até a eleição de Boulos prefeito! 

São Paulo pode ser mais humana e o povo pode estar no orçamento da cidade mais rica do país.

Vamos melhorar São Paulo?

William

sexta-feira, 12 de julho de 2024

48 de 100 dias



48. Hoje foi dia de adquirir novos conhecimentos. Participei de uma roda de conversa em nossa associação dos funcionários aposentados do BB sobre as big techs com o professor Sérgio Amadeu, da UFABC. 

A palestra e o debate foram essenciais para compreender melhor as chamadas "IA" e aperfeiçoar minhas impressões sobre o fim das democracias e o risco de transformação dos seres humanos nas baterias dessa matrix global neoliberal. Nós viramos commodities, somos a mercadoria dados, assim como existem as mercadorias soja, milho, minério etc.

Sérgio Amadeu reforça a explicação do neurocientista Miguel Nicolelis e do linguista Noam Chomsky de que não existe "Inteligência Artificial (IA)". Essas plataformas digitais trabalham com bancos de dados, são máquinas que analisam dados e desenvolvem padrões. Isso não tem nada que ver com inteligência. 

Uma criança de dois ou três anos é inteligente, essas "Machine Learning" não são. Uma criança desenvolve padrões com alguns dados, 3 ou 4, e uma IA precisa de milhões de dados para definir padrões. 

Exemplo: mostre 3 ou 4 chupetas a uma criança e ela desenvolverá o padrão sobre aquilo. Se você mostrar uma 5ª chupeta diferente, a criança já saberá o que é aquilo, como funciona e para que serve. 

E uma IA? Precisará de milhares ou milhões de modelos de chupeta (um dado) para compreender e desenvolver padrões, o que a criança faz com poucos dados.

Faz tempo que venho desenvolvendo reflexões sobre esse domínio das big techs sobre países e seres humanos. Algo precisa ser feito para salvar a humanidade e o planeta, pois isso tem relação absoluta com o capitalismo. 

Essas empresas de plataformas estão consumindo água e energia elétrica assustadoramente e vão continuar crescendo porque é da natureza do negócio. Aquilo que se conhece como "informações guardadas nas nuvens" são depósitos gigantes com milhares de computadores que precisam ser resfriados 24h por dia.

Os humanos alimentam essas máquinas com dados e a natureza com seus recursos escassos... e algumas espresas vendem acesso a esses dados (uns 10 humanos por trás). O domínio do mundo hoje pertence a umas 10 pessoas...

William 

domingo, 24 de março de 2024

Artigo: O último de nós



Refeição Cultural

Osasco, 24 de março de 2024. Domingo.

Opinião


O ÚLTIMO DE NÓS

Duelam dentro de mim, dois sentimentos humanos: a esperança e o pessimismo. Os sentimentos podem nos levar a comportamentos e atitudes humanas irracionais, já que somos animais movidos pelas paixões, apesar de nos classificarmos como animais racionais - de cálculos cerebrais - somos na prática o inverso, estamos o tempo todo agindo por instinto e por paixão e não por razão. Essa é uma das grandes contradições do animal humano.

O episódio três "Long, long time" da série The Last Of Us, série baseada no aclamado jogo de mesmo nome, me deixou mais pensativo do que já ando nesta fase atual de minha existência. Para onde caminha a humanidade? Até que ponto estamos engajados em evitar realmente o fim do mundo?

Neste momento da história humana, já não vivemos mais utopias - idealizações de sociedades justas e com cidadanias plenas a todos -, já fomos todos engolidos pelas agendas que normalizam as distopias - a vida será pior ou inviável para a maioria e foda-se isso.

Como disse o professor Belluzzo em artigo recente, vivemos num "Estado de mal-estar social", inverso do que se almejava após a 2ª Guerra Mundial.

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DETERMINISMO GERA INAÇÃO

Avalio que fui uma pessoa que se baseou nas ideias deterministas de mundo durante décadas, inclusive durante uma parte do período no qual já era dirigente da classe trabalhadora após os trinta anos de idade, pois a formação política e intelectual de um militante de esquerda não se dá da noite para o dia, e ela pode nem ocorrer caso não haja um processo formativo pessoal e coletivo naquela organização onde o militante está atuando. 

Não se politiza pessoas só com desejo ou com retóricas, se politiza pessoas com método, com processos formativos adequados. Se educa e politiza seres humanos com planejamento, com objetivos, estratégias e táticas ao longo do tempo.

Avalio que a ampla maioria das pessoas no mundo está inserida em bolhas de leitura determinista de mundo. E aí é mais fácil apertar o botão do foda-se do que pensar em como mudar a realidade e a tendência de futuro. (já que o mundo vai acabar mesmo, quero mais é aproveitar o tempo que resta com as minhas questões e prazeres pessoais)

Com uma leitura e comportamento deterministas de mundo, de fim de mundo (leitura escatológica), de naturalização da realidade construída por uma parte dos agentes humanos que estão no mundo, a profecia pode tornar-se realidade por absoluta inação das pessoas, aceitação da tendência atual sem realizar ações que mudem a tendência do momento que direciona a sociedade, a natureza, os seres humanos e seres vivos para o esgotamento e fim da condição da vida.

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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Talvez o livro de ficção mais representativo da sociedade humana dos últimos séculos seja o livro do escritor português José Saramago, Ensaio sobre a cegueira. É um dos livros que mais se encaixam como uma carta coringa em qualquer cenário que envolva a sociedade humana e seus absurdos não vistos e se vistos ignorados por todos os agentes envolvidos na questão.

A criação por nós animais humanos das atuais tecnologias de comunicação virtuais e instantâneas poderia nos colocar em outro patamar da história humana em termos de ampliação do conhecimento humano, salto evolutivo só alcançado milênios atrás quando inventamos a escrita, os símbolos linguísticos que passaram a permitir a transmissão de saberes individuais para as outras pessoas após a morte daqueles que acumulavam saberes e culturas.

A internet e as redes sociais poderiam dar esse salto ao conhecimento humano... mas foram capturadas por poucos humanos em um mundo dominado pela lógica do capitalismo e do imperialismo, formas de organização da sociedade humana onde as pessoas e as conquistas tecnológicas para a melhoria geral da vida da espécie foram transformadas em mercadorias e não importam mais os valores intrínsecos às coisas. A própria espécie humana virou uma coisa, uma mercadoria. 

E nos tornamos cegos, cegos que vendo não veem mais nada.

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SOLUÇÕES COLETIVAS SEM COLETIVOS?

Durante as etapas formativas em minha convivência com o movimento sindical bancário ouvia com frequência frases de efeito e com grandes conceitos vindas de meus representantes sindicais, pois fui trabalhador sindicalizado desde meus 19 anos e só fui virar dirigente eleito aos 33 anos de idade.

- As soluções são sempre coletivas; 

- A prática como critério da verdade; 

- A saída é sempre pela esquerda; 

- Vamos construir o consenso progressivo, evitando-se votar logo de cara; 

- Construir a unidade na diversidade...

A história deveria ser sempre uma referência para as gerações seguintes saberem as consequências das ideias e ações do passado e pensar novas ideias e ações para as novas realidades da sociedade humana. A história não se repete porque os contextos sempre são outros. É aquela ideia da pessoa no rio, nem a pessoa é a mesma quando volta ao rio, nem o rio é o mesmo... (Heráclito)

Será que vamos construir soluções coletivas no Brasil e no mundo no campo "progressista" como chamamos a esquerda com o fim da possibilidade de divergência de ideias e opiniões nos sindicatos, partidos e movimentos organizados da classe trabalhadora?

Sem a volta de fóruns formativos e politizadores como assembleias presenciais, reuniões com grupos divergentes e unidades de fato na esquerda com plataformas que unifiquem o campo da esquerda seremos insignificantes enquanto grupos contrários ao domínio capitalista que nos conduz para um fim de verdade das possibilidades de vida na terra.

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O MEIO É A MENSAGEM

"A expressão 'o meio é a mensagem' foi criada pelo filósofo canadense Marshall McLuhan. Tal expressão surgiu a partir do momento em que McLuhan se propôs a analisar e explicar os fenômenos dos meios de comunicação e sua relação com a sociedade.

McLuhan, em sua obra Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem, preocupou-se em mostrar que o meio é um elemento importante da comunicação e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão. Este foi o ponto que gerou maior controvérsia em sua obra, pois até então era comum se estudar o efeito do meio quanto ao conteúdo, sem que se atentasse para as diferenças evidenciadas por cada suporte midiático (jornal, rádio, televisão, cinema, etc.). Cada meio de difusão tem as suas características próprias, e por conseguinte, os seus efeitos específicos. Qualquer transformação do meio é mais determinante do que uma alteração no conteúdo. Para McLuhan, portanto, o mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o veículo através do qual a mensagem é transmitida, isto é, o meio, que independente da sua utilidade, afeta a sociedade de algum modo além da finalidade para a qual foi criado. Diante disso, McLuhan ressalta a ideia de que o conteúdo de um meio será sempre outro meio. Paulo Serra em seu livro Manual de Teoria da comunicação, exemplifica que, os que estão preocupados com o conteúdo da mensagem e com os seus “efeitos”, deixando de lado o próprio meio, fazem lembrar um médico que se preocupa com a “doença”, mas esquece do doente.
 (Fonte: Wikipedia. O sublinhado é meu)

As redes sociais e os algoritmos são as ferramentas utilizadas pelos donos dos meios (corporações donas das mídias) para conhecer primeiro bilhões de usuários e depois utilizar esse conhecimento para manipular o comportamento desses bilhões de usuários da internet e das redes sociais. Depois de umas duas décadas de experimentos feitos conosco, agora somos vítimas de um sistema de controle global do comportamento humano, pautando o cotidiano das sociedades de uma forma nunca imaginado pela espécie humana.

Ou seja, por que vocês acham que a China decidiu criar as suas próprias mídias (meios) para enfrentar a hegemonia das mídias das empresas sediadas nos Estados Unidos? Por que vocês acham que o império do norte quer acabar com o Tiktok em seu território? Os norte-americanos não querem que uma big tech de fora faça em seu mercado (e domínio geográfico) o que as big techs deles fazem com as pessoas do mundo inteiro.

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GOVERNO LULA MELHOROU OU PIOROU A VIDA DO POVO?

Falei dessa questão do meio ser a mensagem para lembrar aos amig@s leitores que sem lidarmos com essa questão de criarmos os nossos próprios meios (mídias) não temos chances de fazer eleitores brasileiros perceberem a melhora da vida no governo Lula... sem chances. 

Caminhamos para um domínio tão grande da mente das pessoas, do sentimento e do comportamento das pessoas, que se o governo Lula entregar uma Suécia para os brasileiros eles vão achar que vivem no Haiti porque é assim que funcionam os seres humanos! A forma como sentimos o mundo é a forma como nossa mente percebe a realidade, ou cria a realidade!

Os dados da realidade econômica e social dos 15 meses de governo Lula demonstram melhoras na vida material do povo brasileiro. No entanto, a cada dia que passa, dominado pelos meios que influenciam comportamentos, pode ser que mais pessoas avaliem que a "vida" piorou. Uma das formas de pós-verdade!

Os meios por onde elas sentem o mundo são pessoais - as informações chegam só para elas em seus aparelhos - e essa informações (desinformações) se somam às desinformações abertas, as da mídia da casa-grande e do capital, que já conhecíamos e que transformam pessoas em monstros também...

"Uma imprensa cínica, mercenária, demagógica vai formar, com o tempo, leitores tão baixos quanto ela própria" (Pulitzer)

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RESPOSTAS DEVEM SER COLETIVAS DE FATO, SEM VETOS AOS DIVERGENTES

Minha reflexão já ficou longa para o domingo, mas venho falando e escrevendo sobre isso com frequência em meus textos.

Para onde caminha a humanidade? Até que ponto estamos engajados em evitar realmente o fim do mundo? O capitalismo e os caras no controle do capitalismo não estão nem um pouco preocupados em evitar o fim do mundo ou alterar a tendência disso.

Eu não tenho respostas para essas questões. Nem o presidente Lula tem. Nem Noam Chomsky tem. Quero dizer que as respostas não serão desenvolvidas da cabeça de uma pessoa. Mas podem fluir da cabeça de diversas pessoas que se preocupem com isso.

Sem ser determinista, basta abrir os olhos e ver, e vendo, perceber que se não alterarmos rapidamente a tendência das coisas na sociedade humana, caminhamos para a destruição das possibilidades de uma vida melhor no único planeta habitável para as mais diversas espécies de vida que conhecemos hoje no mundo, inclusive a da nossa espécie.

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TEMOS QUE CONSTRUIR UM MUNDO QUE FAÇA A VIDA VALER A PENA

Fico pensando naquele mundo do The Last Of Us, um cenário já não propício à vida em paz pelo ser humano e outras espécies, e fico pensando em Bill e Frank do 3º episódio da série, ou mesmo em Joel e Ellie, e não gostaria que a vida só valesse a pena enquanto temos uma ou algumas pessoas de nossa relação para querermos cuidar e viver.

A sociedade humana precisa ser boa o suficiente para que eu queira continuar vivendo mesmo que morram as pessoas de minha relação de amor mais próxima. Entendem isso? 

Está claro que esta ideia de mundo bom não é a sociedade hegemonizada pelo capitalismo, onde tudo é mercadoria e tem preço e na qual nem os seres humanos valem a graça da vida humana.

Se a motivação da vida humana for só uma ou algumas pessoas próximas e não as possibilidades amplas do viver - cultura, arte, beleza, conhecimento, solidariedade, um novo amor e amizade etc -, nossa sociedade estará no fim e realmente o mundo será esse cenário apocalíptico das ficções de terror que inventamos desde os primórdios.

William


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

O fim do sonho americano - Noam Chomsky


Noam Chomsky. Foto: RBA, Mauro Calove.

Refeição Cultural 

Reflexões a partir do documentário "Requiem for the American Dream - Noam Chomsky and the principles of concentracion of wealth & power" (2015)

 

Plutocracia: faz diferença votar em A ou B num país como os EUA?

Ver o intelectual e ativista Noam Chomsky descrevendo os efeitos da financeirização da economia na fase atual do capitalismo e não se indignar e se posicionar contra essa forma de organização da sociedade humana seria uma forma de confissão da perda da essência daquilo que nos faz humanos, seres dotados de inteligência e raciocínio, espírito de cooperação e solidariedade nas relações sociais, características que nos destacaram na natureza durante o processo evolutivo das espécies. 

E mesmo que você não se manifeste expressamente contra ou a favor da situação atual da sociedade humana sob a hegemonia do modo de produção capitalista de bens materiais e imateriais e distribuição desigual dessa riqueza, você já se posicionou, porque essa coisa de se definir como alguém neutro, apolítico, imparcial etc é desculpa de gente egoísta apoiadora da injustiça social que vigora no mundo.

Se você não for um(a) militante pelo fim do capitalismo e a favor de uma sociedade humana baseada na solidariedade e igualdade entre as pessoas e entre as espécies do planeta Terra, em uma convivência sustentável com as diversas formas de vida nos biomas terrestres, você é parte ativa da destruição do único lugar no universo disponível para a vida humana.

Perguntas sem respostas

O que fazer para se inverter a tendência atual destrutiva da vida cotidiana da espécie humana? O que fazer individualmente? O que fazer coletivamente?

Pensei sobre essas questões enquanto ouvia Noam Chomsky falar... não tenho a resposta para as questões acima sobre o que fazer. 

Às vezes, a gente tem algumas noções do que não fazer (na dimensão individual da questão), mas o que fazer é mais complexo num sentido de ter capacidade política e econômica para alterar a tendência das coisas no mundo.

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Os dez princípios dos donos do mundo concentradores de riqueza e poder

1. Reduzir a democracia

2. Moldar a ideologia

3. Redesenhar a economia

4. Deslocar o fardo de sustentar a sociedade para os pobres e classe média

5. Atacar a solidariedade

6. Controlar os reguladores

7. Controlar as eleições

8. Manter a ralé na linha

9. Fabricar consensos e criar consumidores

10. Marginalizar a população


Comentário

O linguista, filósofo e cientista político Noam Chomsky descreve numa série de entrevistas como a sociedade americana se transformou numa plutocracia, destruindo a essência dos pilares democráticos que os EUA diziam representar nas democracias liberais.

Os Estados Unidos da América é o país do governo dos ricos (os plutos). Eu tenho comigo desde muito novo que todo animal humano rico ficou rico por algum processo ilegal ou injusto, ele enriqueceu às custas do empobrecimento de uma enorme quantidade de pessoas e ou às custas da destruição da natureza, um bem coletivo. 

Para mim, isso é injustiça e corrupção.

Não, você que me lê não é um pluto! Não é! Pare de se achar "rico" porque tem uma remuneração certa por mês, algum dinheiro aplicado ou porque tem um ou dois imóveis e carros na garagem. Você não é um pluto. Deixe de ser manipulado pelos ideólogos dos plutos. Você e eu somos demo, somos uns manés. A cracia não é exercida por nós, os demos, ela é absolutamente dominada pelos plutos.

Já ouviu falar no 1% x 99%. Nós somos os 99%. No Brasil, temos os nossos plutos. Uns deles, por exemplo, roubaram uma das maiores redes de lojas populares manipulando os balanços contábeis, causando o desemprego de milhares de pessoas e continuam desfilando por aí como os bam bam bam endinheirados da casa-grande brasileira. "Gente de bem" (bens) dizem por aí.

Nós não somos os plutos, nós somos a ralé que Chomsky e Jessé Souza falam, os médios. E estou falando dos endinheirados no gênero masculino porque esse universo é praticamente de homens brancos.

O documentário é excelente. Eu assisti pelo YouTube. A indicação foi de uma companheira de lutas, Carmen, de nosso diretório zonal do Partido dos Trabalhadores do Butantã. Vale a pena ver.

William


Fontes:

Documentário no YouTube

Artigo de Carlos Eduardo no site O Cafezinho


Post Scriptum: parei de colocar os links que não sejam do próprio blog porque essas referências são um faz-de-conta, uma ficção. Você cita um link e depois ele vira error e não existe mais... são as tais nuvens que as pessoas acreditam guardar o conhecimento em mídias digitais)


terça-feira, 30 de maio de 2023

Leitura: O governo no futuro - Noam Chomsky



Refeição Cultural

Osasco, 30 de maio de 2023. Terça-feira.


Tive pouco tempo para me dedicar à leitura de livros em abril e maio. Só finalizei três livros: O trono no morro, de José J. Veiga, A impureza da minha mão esquerda, de Henry Bugalho e este do Chomsky. Outros estão em andamento, mas ainda vai um tempo para a conclusão das leituras iniciadas. 

A leitura como prática diária é um esforço, como costumo dizer em meus textos e comentários em redes sociais. Ler é uma necessidade vital para quem deseja manter o bom funcionamento do cérebro humano.

Noam Chomsky é um dos maiores intelectuais vivos de nosso tempo. Meu primeiro contato com seus conhecimentos foi na área da linguística e da linguagem, pois o linguista é um dos estudiosos que revolucionou a ciência das linguagens com a Teoria da Gramática Gerativa. Foram os meus anos do curso de graduação em Letras na USP que me apresentaram este intelectual linguista.

Neste livro - O governo no futuro - Chomsky responde a uma pergunta feita em uma conferência ministrada em 1970, em Nova York. 

A questão "Qual o papel do Estado em uma sociedade industrial avançada?" permite ao intelectual abordar quatro posições idealizadas de comunidades humanas:

- a liberal clássica

- a socialista libertária

- a socialista de Estado

- a capitalista de Estado

De cara, o autor se posiciona e diz ter preferência pelos conceitos socialistas libertários:

"Penso que os conceitos socialistas libertários - uma esfera do pensamento que abrange do marxismo esquerdista ao anarquismo - são fundamentalmente corretos e extensões naturais e apropriadas do liberalismo clássico na atual era da sociedade industrial avançada." (p. 5 e 6)

LIBERALISMO CLÁSSICO

Chomsky aponta Wilhelm von Humboldt e seu livro Limites da ação do Estado (1792) como uma referência na questão.

"Segundo Humboldt, o Estado tende a 'fazer do homem um instrumento para seus fins arbitrários, deixando de lado os propósitos individuais'... " (p. 7)

Com isso o Estado seria "anti-humano":

"e, uma vez que os homens são por essência seres livres que se aperfeiçoam, que buscam, o que se conclui é que o Estado é uma instituição profundamente anti-humana." (idem)

Interessante o ponto de vista do intelectual.

HUMBOLDT E ROUSSEAU

- O atributo central do homem é a sua liberdade: indagar e criar, estes são o centro em torno do qual giram todas as buscas do homem.

Chomsky nos lembra que Humboldt escreveu antes do século 19, antes do auge da implantação do modo de produção capitalista. Se ele visse o capitalismo em ação, entenderia a importância do Estado para preservar a vida humana e o meio ambiente porque o capitalismo sem controle inviabiliza a vida e a natureza.

O autor aproxima as ideias de Humboldt aos primeiros textos de Marx em relação à alienação do trabalho: 

"Creio que seja bastante revelador e interessante se o compararmos com Marx, com os primeiros manuscritos de Marx, particularmente às considerações deste sobre 'a alienação do trabalho, quando o trabalho é externo ao trabalhador, (...) e não parte de sua natureza, (...) [de forma que] ele não se realiza no trabalho, mas nega a si mesmo (...). [e] se sente fisicamente esgotado e mentalmente enfraquecido', a alienação, que 'lança alguns trabalhadores de volta à barbárie de certo tipo de trabalho e transforma outros em máquinas', com isso privando o homem de seu 'caráter de espécie', da 'atividade de livre consciência' e da 'vida produtiva'." (p. 11)

Humboldt não previu que o capitalismo destruiria os ideais liberais em uma democracia:

Chomsky diz que é claro que ele não tinha ideia, ao escrever em 1790, do modo como viria a ser reinterpretada a noção de pessoa privada na era do capitalismo corporativo. 

Ele não previu - e cita o historiador anarquista Rudolf Rocker - que "a democracia, com seu lema de 'igualdade de todos os cidadãos perante a lei', e o liberalismo, com seu 'direito do homem sobre sua própria pessoa', naufragariam nas realidades do modelo econômico capitalista.

"Humboldt não previu que, numa economia capitalista predatória, a intervenção do Estado seria uma necessidade absoluta para preservar a existência humana e evitar a destruição do ambiente físico." (p. 13)

SOCIALISMO LIBERTÁRIO

Chomsky cita sua preferência por Bakunin e Haymarket ao lembrar que "um anarquista coerente deve se opor à propriedade privada dos meios de produção" (p. 19) e que "um anarquista coerente também fará oposição à 'organização da produção pelo governo" (idem): Daí se tem claro um conceito:

"O objetivo da classe trabalhadora é libertar-se da exploração. Este objetivo não é atingido e não pode ser alcançado por uma nova classe dirigente e governante em substituição à burguesia." (p. 19)

Citando um texto de William Paul (1917): "a República do Socialismo será o governo da indústria administrada pelo bem de toda a comunidade (...) representará a liberdade econômica de todos - será, portanto, uma democracia verdadeira." (p. 21)

Chomsky diz: "Proudhon, em 1851, escreveu que o que colocamos no lugar do governo é organização industrial, e podemos citar muitos comentários semelhantes. Esta, em essência, é a ideia fundamental dos revolucionários anarquistas." (idem)

COMUNISMO DE CONSELHOS

Chomsky defende: "Pode-se argumentar, pelo menos eu o faria, que o comunismo de conselhos - no sentido da longa citação que interpreto - é a forma natural de socialismo revolucionário numa sociedade industrial." (p. 12)

Diferenças táticas entre o marxismo de esquerda e o anarquismo, segundo o autor:

"Ora, pode parecer quixotesco agrupar o marxismo de esquerda e o anarquismo sob a mesma rubrica, como fiz, dado o antagonismo em todo o século passado entre marxistas e anarquistas - a começar pelo antagonismo entre Marx e Engels de um lado e, por exemplo, Proudhon e Bakunin de outro. No século XIX, suas diferenças com relação à questão do Estado eram significativas mas, de certa forma, táticas." (p. 24/25)

Chomsky explica que enquanto anarquistas eram a favor de destruir o capitalismo e o Estado juntos, Engels, por exemplo, entendia que o Estado tomado pelos trabalhadores seria "o único organismo por meio do qual o proletariado vitorioso pode afirmar seu poder recém-conquistado, controlar seus adversários capitalistas e realizar essa revolução econômica da sociedade sem a qual toda vitória deve terminar numa nova derrota e numa carnificina em massa dos trabalhadores semelhante à que se seguiu à comuna de Paris." (p. 25)

SOCIALISMO DE ESTADO E CAPITALISMO DE ESTADO

O intelectual dá um resumo geral do que pensa em relação à essas duas formas:

"Em resumo, o sistema democrático, na melhor das hipóteses, funciona dentro de uma faixa estreita em uma democracia capitalista, e mesmo dentro desta faixa estreita seu funcionamento tende enormemente a concentrações de poder privado e aos modos autoritários e passivos de pensamento que são induzidos por instituições autocráticas como as indústrias. É um truísmo, mas um truísmo que deve ser constantemente enfatizado, que capitalismo e democracia sejam basicamente incompatíveis." (p. 38/39)

Logo em seguida, Chomsky nos conta sobre o poder das burocracias não eleitas nas democracias capitalistas. Os diversos escalões da máquina do Estado são indicados e ocupados por representantes dos donos do poder econômico e os eleitos chegam e quase nada podem fazer para alterar profundamente as lógicas da estrutura.

UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL - Eu vivi isso numa estrutura nacional burocrática até a medula espinal e como diretor eleito pelos associados numa autogestão em saúde tive que mover rios e mares para cumprir minimamente o projeto apresentado e eleito pelos donos da associação. O presidente Lula enfrentou e enfrenta isso o tempo todo em seus mandatos eletivos.

GUERRA FRIA, SISTEMA DE CONTROLE - Como a conferência de Chomsky é no início dos anos 1970, ele acaba abordando o papel estratégico do conceito de Guerra Fria para as potências - principalmente os EUA capitalista, mas também a URSS:

"(...) Na verdade, acredito que esta provavelmente seja a função da Guerra Fria: ela serve como mecanismo útil para os administradores da sociedade americana e suas contrapartes na União Soviética controlarem o povo em seus respectivos sistemas imperiais." (p. 45)

A economia de guerra dos EUA após a 2ª GM trouxe o maior poder econômico já registrado para um país, o fornecedor de armas para todo o mundo. Guerra é lucro certo para o imperialismo norte-americano. Ontem e hoje! Olha a Guerra na Ucrânia aí para não nos deixar enganar...

CONCLUSÃO DO AUTOR - O SOCIALISMO LIBERTÁRIO É POSSÍVEL

Cito integralmente o parágrafo final com a conclusão de Noam Chomsky sobre a temática abordada neste livro. A palestra foi em 1970, mas guardadas as devidas mudanças do cenário mundial neste meio século, a essência do que ele trata segue a mesma em 2023: modelos de organização econômica, política e social.

"Temos hoje os recursos técnicos materiais para atender às necessidades animais do homem. Não desenvolvemos os recursos culturais e morais - ou as formas democráticas de organização social - que possibilitam o uso humano e racional de nossa riqueza e poder materiais. É concebível que os ideais liberais clássicos, expressos e desenvolvidos em sua forma socialista libertária, sejam realizáveis. Mas se assim forem, o serão apenas por um movimento revolucionário popular, baseado em um amplo estrato da população e comprometido com a eliminação de instituições repressoras e autoritárias, estatais e privadas. Criar esse movimento é um desafio que enfrentamos e que devemos cumprir, se quisermos escapar da barbárie contemporânea." (p. 54)

COMENTÁRIO FINAL

De forma até irônica, quero terminar a postagem sobre a leitura desse livro, fruto de uma conferência de Chomsky sobre o papel do Estado numa sociedade industrial, com a citação que ele faz de Mark Twain, ironizando a democracia nas formas de Socialismo de Estado e Capitalismo de Estado:

"Mark Twain certa vez escreveu que 'é pela bondade de Deus que em nosso país temos aquelas três coisas indescritivelmente preciosas: liberdade de expressão, liberdade de consciência e a prudência de nunca praticar nenhuma delas'." (p. 52)

É isso!

Fim da leitura dessa aula de Chomsky. Foi o 11º livro lido no ano. Neste caso, lido e relido hoje enquanto fiz a postagem.

William


Bibliografia:

CHOMSKY, Noam. O governo no futuro. Tradução de Maira Parula. 2ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2021.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Diário e reflexões - 301017 (Lutar contra a manipulação dos povos)



Ler é um ato importante para se pensar o mundo.
"Leer aunque sean los papeles rotos por las calles..."
já dizia Miguel de Cervantes no século XVI.

Refeição Cultural

"Os animais são as letras soltas do alfabeto; o homem é a sintaxe" (fala de um personagem de Machado de Assis)


Estamos fechando o mês de outubro nesta segunda e terça-feira que começam.

Descansei muito pouco no domingo, pois cheguei de viagem a trabalho no sábado por volta de meia-noite. Estive em um congresso de autogestões em saúde em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Precisei diminuir neste semestre o prazer pessoal da leitura de livros em busca de conhecimento, por causa da intensificação das agendas de luta em meu trabalho de gestor eleito na caixa de assistência em saúde dos trabalhadores que represento.

Mesmo assim, não dou conta de ficar sem ler alguma coisa. A foto acima mostra o que tenho lido em conta gotas nos intervalos que arrumo no final de semana ou em algum voo por aí. 

É necessário e urgente que a classe trabalhadora, ao menos suas lideranças, escarafunche nos alfarrábios da história humana experiências de resistência dos povos na luta de classes para conseguir reagir ao caos gerado pelo Golpe de Estado em nosso país e ao crescimento das ideias fascistas e conservadoras no mundo. 

O Brasil pós golpe está sendo desmantelado para nunca mais ter um futuro nacional.


NOAM CHOMSKY

Li três capítulos de um livro que adquiri recentemente de nosso grande intelectual Chomsky. Ele não tem trava na língua ao falar do grande mal que os Estados Unidos fazem aos países e povos do mundo. É pavoroso ler as descrições de barbaridades cometidas em países sul-americanos, africanos e do Oriente Médio e demais povos orientais com o apoio e coordenação da CIA. Que lixo!


MACHADO DE ASSIS

"Os animais são as letras soltas do alfabeto; o homem é a sintaxe"

Li um conto do Mestre do Cosme Velho que é tão chocante, que acabei lendo duas vezes para ver se havia entendido direito o tema abordado por ele na ficção. Na segunda leitura, compreendi claramente a estória.

Machado é um mestre na ironia e esta figura de linguagem é uma das mais complexas na arte da literatura porque ela exige capacidades interpretativas dos leitores.

O "Conto Alexandrino" foi publicado por Machado em 1883 e traz a estória de dois filósofos que buscam a verdade universal. Um deles desenvolve uma teoria de que nos animais estariam todos os sentimentos e capacidades humanas.

A narrativa se passa na Alexandria durante a dinastia dos Ptolomeus (323 a 30 a.C.).

O conto é chocante! Aborda experiências com animais vivos e depois com seres humanos. Machado antecipou em décadas o que os nazistas fariam com os seres humanos que foram subjugados por eles, a partir da liderança de Adolf Hitler e um de seus médicos, Josef Mengele.


LIBERDADE, DEMOCRACIA, BUROCRACIA... CONCEITOS PODEM SER DETURPADOS E MANIPULADOS POR PESSOAS, GOVERNOS E CORPORAÇÕES

Ler a opinião de Mikhail Gorbachev, em 1987, dizendo o que o PCUS tinha planejado para tentar salvar o socialismo da União Soviética (e que deu errado pouco tempo depois) é interessante para mim.

Ver a posição de Rosa Luxemburgo quase um século antes de Chomsky reforçando o papel do intelectual que deve dizer a verdade e lutar contra a enganação e empulhação feita pelos poderosos com o apoio de "intelectuais" é muito bom. O mesmo que Said afirmava em suas teses sobre o papel dos intelectuais em relação a se contrapor ao poder.


PESSIMISMO DA RAZÃO

Estou pessimista em relação à sobrevivência dos seres humanos. Pessimista em relação ao domínio da tecnologia da comunicação (manipulação) de massas nas mãos de poucos humanos e suas corporações. Pessimista em relação ao que estão escondendo do povo internamente nas grandes corporações que já subjugam países, governos e povos do mundo. 

O planeta Terra é um verdadeiro tabuleiro de guerra como no jogo War, onde alguns participantes pensam estratégias para dominar o mundo. Pensando só o mundo ocidental, as pessoas não têm a menor noção do poder de influência de empresas como, por exemplo, GoogleFacebook na vida de bilhões de pessoas. Os humanos são quase NADA para esses sistemas, além de banco de dados para comércio. E todas as nossas informações estão disponíveis na rede mundial.

Mas desistir da luta por um mundo melhor, mais humano, mais inclusivo e solidário, mais sustentável com valores coletivos, enfim, desistir não é uma opção para aqueles que se libertaram da manipulação e devem usar sua consciência pessoal e de classe para lutar pela libertação dos povos.

É isso! Seguimos nas lutas!

William


Post Scriptum

Para fazer minha parte em salvar minha vida para continuar lutando, me esforcei sobremaneira para correr um pouco neste mês, mesmo com o cansaço de prostração que tenho experimentado às vezes. Corri neste mês 5k (1/10, DF), 3,5k (7/10, DF), 4k (8/10, DF), 6k (15/10, SP), 4,5k (21/10, DF), 5k (29/10, DF). Pouco, mas melhor que nada.

domingo, 26 de março de 2017

Réquiem para o sonho americano - Noam Chomsky


Documentário fantástico com Chomsky.

Para melhor entendimento do que está acontecendo em nosso mundo

Apresentação do Blog:

Olá prezad@s leitores e amigos, eu já conhecia o linguista e intelectual Noam Chomsky desde que fiz o curso de Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH) na Universidade de São Paulo (USP). Dias atrás, minha companheira de lutas formativas, Regina do Dieese, e agora meu sobrinho Victor Hugo, me indicaram este documentário com o mestre Chomsky.

Eu sou representante da classe trabalhadora, eleito por ela em diversas instâncias políticas e instituições dos trabalhadores como, por exemplo, Sindicato e Confederação dos Bancários (entre 2002 e 2015), e atualmente estou gestor eleito na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a maior autogestão em saúde do País, definida em seus estatutos e regulamentos internos para organizar um sistema de serviços de saúde no Modelo de Atenção Integral, baseado na Atenção Primária à Saúde (APS), que na Cassi é operacionalizado pela Estratégia Saúde da Família (ESF), com unidades de atendimento à saúde (CliniCassi) como base da execução de nossos cuidados em saúde.

O documentário com Noam Chomsky tem cerca de 70 minutos e eu digo a vocês que ele é tão profundo e necessário para os formadores de opinião do meu lado da classe, a classe trabalhadora, que se eu tivesse tempo livre e ainda fosse formador com dedicação para atuar junto à classe que represento, além do meu trabalho de gestor de saúde, eu organizaria sessões em todos os 150 sindicados de bancários do País, de forma organizada, com apresentação do vídeo e debates posteriores. Sugeriria que fosse feito o mesmo nas centenas de sindicados das categorias ainda existentes e organizadas por sindicados. Faria isso nas próximas semanas, dias. Porque a terceirização vai pulverizar o instrumento mais estratégico da classe trabalhadora: os sindicatos.

O vídeo abrange em pouco tempo, todos os eixos do mundo do trabalho e da disputa entre os patrões e donos do mundo contra nós que vivemos da venda de nossa força de trabalho.

A aprovação da terceirização total no Brasil na semana passada é engrenagem de tudo que significou o Golpe de Estado contra o povo brasileiro, contra a classe trabalhadora. Em 70 minutos vocês podem ver o conteúdo que aplicamos nos 6 anos de formação política e sindical, junto com o Dieese, quando estivemos à frente da formação da Contraf-CUT. Sempre abordamos em palestras e debates os temas que Chomsky apresenta, sempre falamos a respeito das questões nas conversas com lideranças de sindicatos e entidades de representação.

Este conteúdo não pode ser visto por apenas alguns milhares de cidadãos do mundo. Ele deve ser visto por milhões de pessoas. Afinal de contas, nunca nossas vidas de classe trabalhadora estiveram em maior risco no último século e meio de lutas e avanços, lentos, mas avanços na disputa pela distribuição das riquezas produzidas por nós, classe trabalhadora.

Por favor, organizem sessões com este vídeo curto e profundo sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, acontecendo contra nós classe trabalhadora.

Réquiem é uma espécie de missa fúnebre, aqui algo como um "sinto muito", um "adeus" para o sonho de ascensão da classe trabalhadora tanto americana como do mundo todo em face do atual momento de ataque dos capitalistas e corporações contra as democracias e os avanços que haviam ocorrido por décadas e décadas de lutas dos povos explorados e trabalhadores. O que se desenha é praticamente a volta da escravidão para os 99% em detrimento do 1% que tudo domina no mundo. 

William Mendes
Um membro da classe trabalhadora


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Chegamos, enfim, à era do Grande Irmão!



O crepúsculo. Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

No meu perfil ("conta") da rede social da empresa Facebook, que fatura zilhões de dinheiros utilizando nossos dados, gostos etc, tem duas perguntas interessantes. Uma relacionada ao meu trabalho de gestor de saúde, outra relacionada ao sistema capitalista, que critiquei postando um vídeo de Noam Chomsky.

O Universo tem bilhões de anos. A vida no planeta Terra também tem seus bilhões de anos. O animal mamífero humano apareceu no Planeta há muito pouco tempo. Comparando a idade de existência deste pálido ponto azul que habitamos no Universo, seria a última folha em milhares delas, de um grosso livro de história deste mundo em questão.

O animal humano é, sem dúvida, uma grande evolução da natureza. Desenvolvemos o cérebro, nos tornamos onívoros e comemos qualquer porcaria existente no local, criamos cultura e linguagem, desenvolvemos tecnologia para sobreviver em qualquer ambiente e alterá-lo por necessidade ou por comodidade. Criamos tecnologia para matar em escala. Por fim, criamos meios de comunicação que aceleraram a velocidade do mundo e da vida e encurtaram as distâncias em todo o Planeta e fora dele, indo para o espaço.

Quando começo a desenvolver as ideias em uma reflexão como esta em que estou avançando por degraus as ideias, já olhei pra cima, vi três parágrafos e lembrei que devo acelerar para o fim do texto porque os humanos hoje não toleram algo maior que alguns parágrafos ou poucos minutos.

Vivemos uma incomunicabilidade na era das comunicações.

Não sei onde a raça humana vai parar.

Depois eu respondo lá na conta da empresa Facebook às duas questões que me fizeram. Aliás, onde detenho esta conta para falar com o mundo, este blog, também pertence a uma empresa, o Google.

Eu se tivesse desenvolvido o texto que iniciei nos três primeiros parágrafos, abordaria o que virou o mundo e o nosso país, dominado por pouquíssimos animais humanos que detêm a propriedade dos meios de comunicação globais. É o maior sistema totalitarista que a humanidade já viveu em seus poucos milhares de anos. Se eu, um nada, um indivíduo, virar a bola da vez de um desses animais donos da mídia global, por qualquer desafeto ou interesse contrariado desses deuses que podem definir se sou culpado de algo ou não, estarei massacrado no dia seguinte em todos os meios de comunicação espalhados como o ar em cada lar (no caso, ar infecto), em cada aparelho de celular neste pálido ponto azul que habitamos.

Estarei pulverizado, exatamente como no visionário e apocalítico "1984", de George Orwell. Os meios midiáticos de comunicação global na mão de poucos animais humanos são o Grande Irmão, a temida ficção que virou realidade no século 21.

William

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Limpando hemerotecas


Wmofox, desenho 2 (em parede).

Refeição Cultural


Estou em casa, em um domingo qualquer, limpando e expurgando meus nacos de cadernos de jornais.

Caderno de esportes do final de 2008, anunciando o hexacampeonato do São Paulo Futebol Clube: fala sério, para que guardar isso? Fora!

Caderno Ilustrada da Folha com capa de Tarsila do Amaral. O texto anuncia que saiu um catálogo da dita cuja. Não tem necessidade de guardar isso, pois existe um bom acesso ao tema em mundo virtual.

Lendo um texto no caderno Mundo, da Folha de 7.dez.2008, sobre Noam Chomsky, linguista que completou 80 anos em 2008 e que dizia não se iludir com a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (hoje, podemos dizer que ele tem uma excelente leitura de contexto e conjuntura política).

Quem é o cara? “Nascido na Filadélfia e professor emérito do MIT, onde leciona há 53 anos, Chomsky é considerado o pai da linguística moderna. De acordo com sua teoria, chamada gramática transformacional, toda sentença inteligível contém não só suas regras gramaticais peculiares como o que batiza de ‘estruturas profundas’, uma gramática universal que serve a todas as línguas”.

Chomsky diz ser mais importantes as eleições de Evo Morales e Lula da Silva, na Bolívia e Brasil respectivamente, que a de Obama nos EUA. Diz também que a democracia americana é muito mais uma construção não-democrática, “um tipo de ditadura por escolha”, via marketing, do que uma democracia real, que conte com a “participação” do povo e não com a encenação de uma peça teatral, onde o povo só assista ao espetáculo.

Li uma entrevista de novembro de 2008, no caderno Mais da Folha, com o “medievalista” Hilário Franco Jr. sobre a ascensão do São Paulo Futebol Clube e do futuro do futebol. A teoria dele é de que o futebol é o retrato da sua sociedade. Aqui no Brasil, nós torcedores não teríamos a arrogância de uma nação vitoriosa ou imperialista como têm os torcedores ingleses ou argentinos.

Para mim, o mais "hilário" de tudo é o jornal ou o próprio dito-cujo chamar o "Hilário" de “medievalista”. É... tipo assim, bem pós-moderno e... medieval ao mesmo tempo!

É isso! Aprendi que guardar papeis para outra hora é algo ao menos hilário!