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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Viagem a Cuba (X)


Pôr do sol em Varadero, Cuba.

Refeição Cultural

Osasco, 14 de fevereiro de 2024. Quarta-feira.


Daqui a pouco embarco para Havana, Cuba. Aproveitei para voltar à Ilha a oportunidade de um pacote de viagem com base na 32 Feria Internacional Del Libro de La Habana, que se realizará entre os dias 15 e 25 de fevereiro, na capital do país socialista.

Ano passado, fomos a Cuba entre abril e maio, um grupo de oito brasileiras e brasileiros, e a viagem foi a melhor possível. Tudo deu certo. Além do grupo ser organizado pela companheira Miriam Shibata, contamos com o apoio essencial da professora Maria Leite para sugestões de roteiros e dicas muito importantes, e o suporte da Casa de Isabel em Havana, de Isabel e Luis, ou seja, um time de seres humanos que nos fazem acreditar que um mundo melhor é possível.

Fiz algumas postagens retratando a viagem, expressando algumas opiniões e impressões. Pretendia abarcar toda a viagem de 2023, mas não consegui. Faltaram umas duas ou três postagens para completar o roteiro cultural que fizemos.

Verde e azul são cores tanto da paisagem
cubana, quanto da nossa bandeira...

Finalizo nesta postagem, a nossa passagem por Varadero, um dos locais com as praias e mares mais impressionantes que vi na vida.

Como disse nas postagens anteriores (ver aqui a de nº IX), nosso grupo passou a primeira semana em Havana, depois viajamos para Trinidad, depois passamos o dia em Santa Clara e, por fim, ficamos em Varadero, para de lá voltarmos a Havana e embarcarmos para o Brasil.

Segue abaixo, um registro leve de Varadero. Visitem Cuba e vocês terão a oportunidade de conhecer um país e um povo diferentes do que estamos acostumados em viagens por países capitalistas.

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Varadero, te quiero!!!

Em Varadero, ficamos em uma residência familiar indicada pela Casa de Isabel. Fomos acolhidos com todo o carinho e a estadia foi ótima.

Ônibus de turismo circular por 5 dólares.

Para andar pela cidade, uma das opções mais em conta é o ônibus de turismo circular, que vai de uma ponta a outra ao longo do dia, passando por locais turísticos como hotéis, restaurantes, praias e outras atrações.

Céu e mar da Ilha no Caribe. Fala sério
sobre essa lindeza!

As praias que não estão sob controle de hotéis são mais selvagens, sem estrutura para os turistas. Nós estivemos numa praia assim.

Tem locais com estrutura para os turistas.

Também tem a alternativa de passar o dia em locais da praia onde se paga uma taxa e o consumo ao final do passeio.

Olha nós aí...

Para almoçar e jantar são diversas opções na cidade.

Trocando uma ideia com o Quijote.

Eu, particularmente, já estava tão extasiado com tanta cultura e informação sobre a história de Cuba e dos cubanos, as lutas por independência, a revolução e a vitória em 1959, que só relaxei em Varadero.

Momentos de rolê, pra relaxar...

Compreendi um pouco o sentido da cubanidad e cubanía do povo, um povo com amor-próprio, conceitos que aprendi no livro da professora Maria Leite.

Até os lagartos socialistas
estão de prontidão...

Varadero para mim foi para fechar de forma descontraída o período de aprendizagem que vivenciamos na República Socialista de Cuba.

Adoramos Varadero e Cuba.

Depois de alguns dias em Varadero, voltamos a Havana.

Finca de Hemingway.

Ainda pudemos conhecer a Finca onde viveu o escritor Ernest Hemingway e a Fusterlandia, uma experiência de arte e comunidade muito interessante. E o Memorial de la Denuncia... forte demais a emoção ali!

Fusterlandia...

Agora, volto para Cuba, estarei em Havana nesta quinta-feira, início da Feira Internacional do Livro.

Abraços socialistas a todas e todos!

William


Post Scriptum: a postagem anterior desta série pode ser lida aqui. A sequência, sobre a segunda viagem a Cuba, pode ser lida a partir desta postagem aqui.


sábado, 26 de agosto de 2023

Vendo filmes (VI)


 

Refeição Cultural

FILMES

Chocolate (2000) - Filme dirigido por Lasse Hallström e estrelado por Juliette Binoche, Johnny Depp e demais atores e atrizes. Vianne Rocher (Binoche) e sua filha Anouk (Victoire Thivisol) de 6 anos chegam a uma pequena vila francesa, Lansquenet-sous-Tannes (ficcional), vila conservadora e controlada com mãos de ferro pelo prefeito local, um conde, e decidem abrir uma chocolateria. O prefeito não gosta da ideia por achar que aquilo era uma tentação para as pessoas e diz que Vianne teria que fechar o estabelecimento e desistir, inclusive porque eles estão na quaresma. A partir daí a estória se desenvolve.

COMENTÁRIO: gostei do filme. A começar pela participação de Juliette Binoche, encantadora como sempre. Ela é uma espécie de cigana com ares de magia e seus chocolates mudam a vida de todas as pessoas do vilarejo. Ela é movida pelo vento do norte e isso parece uma sina de família, sua mãe também teve uma vida parecida. Mãe e filha não param em lugar nenhum, e de repente vão embora sem fixar residência. A estória aborda questões comuns da sociedade como preconceito, religião dominadora, violência contra mulheres e xenofobia. Minha esposa ficou muito tempo querendo que eu visse o filme. Finalmente vi. Gostei.

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Os doze macacos (1995) - Filme dirigido por Terry Gilliam e estrelado por Bruce Willis, Madeleine Stowe e Brad Pitt. Num cenário distópico do mundo em 2035, a raça humana foi quase toda extinta por causa de uma epidemia de vírus entre 1996/1997. Os humanos sobreviventes vivem no mundo subterrâneo e os animais voltaram a dominar a natureza lá em cima. James Cole (Willis) é forçado a voltar ao passado - 1995 - para tentar descobrir informações sobre um grupo chamado "Os doze macacos" e ver se com isso consegue algo que possa ajudar a humanidade no presente.

COMENTÁRIO: gostei do filme. Tinha visto o filme muito tempo atrás. Vê-lo após a pandemia mundial de Covid-19 dá outro sentido à estória. Apesar de não acreditar que um dia a espécie humana possa desenvolver alguma tecnologia de viagem no tempo (o tempo é uma percepção resultante da abstração humana). Sobre o fim do mundo como o conhecemos hoje, vejo probabilidades reais de isso acontecer, já que estamos inviabilizando a vida no planeta por causa da destruição descontrolada dos biomas da Terra. O ser humano é o maior vírus que o planeta já produziu. Bom filme! A interpretação de Brad Pitt como maluco é um atrativo a mais no filme.

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Papa Hemingway in Cuba (2016) - Filme com direção de Bob Yari e estrelado por Adrian Sparks (Hemingway) e Giovanni Ribisi no papel do jornalista norte-americano Denne Petitclerc- no filme o personagem Ed Myers - que tem em Hemingway uma referência de vida e de escritor e jornalista.

COMENTÁRIO: Assistir ao filme depois de estar em Cuba por duas semanas e depois de conhecer a finca onde Hemingway viveu por muitos anos em Havana foi um momento de nostalgia. Tenho também um grande apreço pela obra de Hemingway. Já li 5 livros do autor, incluindo os clássicos Por quem os sinos dobram (1940) e O velho e o mar (1952). O filme foi rodado em Havana e nós estivemos no Floridita, lugar muito frequentado pelo escritor. O filme reproduz com qualidade o drama da depressão e do alcoolismo de Hemingway, problemas comuns em nossa sociedade humana. O enredo também coloca os espectadores no cenário de Cuba no momento central de embate entre o regime ditatorial de Batista, apoiado pelos Estados Unidos, e os revolucionários cubanos, liderados por Fidel Castro, entre os anos de 1956 e 1959. Um filme para ver e rever e uma história que nos convida a conhecer a obra de Hemingway e a história de Cuba, antes e depois da revolução libertária de 1959. Até pouco tempo atrás, eu não tinha a clareza de que Hemingway havia vivido em Cuba justamente durante esse período da revolução e libertação da Ilha em relação ao novo colonialismo, o dos Estados Unidos.

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- Bacurau (2019) - Filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com Sônia Braga e um grupo excelente de atores brasileiros e alguns atores estrangeiros. Bacurau é um vilarejo localizado em algum lugar do sertão brasileiro, lugar abandonado pelo governo local e que de repente passa a nem constar dos mapas de localização virtual. Logo após o enterro de uma liderança local, Dona Carmelita, coisas estranhas começam a acontecer: o caminhão que traz água potável é alvejado por tiros, estrangeiros começam a circular pelos arredores do vilarejo e drones sobrevoam a região. Assim que moradores começam a ser assassinados de forma brutal, a população percebe que está sendo atacada e unidos organizam a defesa de si próprios.

COMENTÁRIO: gostei muito do filme quando o vi no cinema. Ao rever o filme em casa, anos depois, sigo gostando de Bacurau. A estória nos envolve e é impossível não torcer pela população local contra os invasores estrangeiros. O enredo tem um quê de romances de José J. Veiga, um dos maiores escritores brasileiros de contos fantásticos: os enredos de Veiga e de Bacurau têm a seguinte estratégia narrativa: de repente, tudo muda numa comunidade pacata e tradicional por causa de acontecimentos externos. Bom filme!

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É isso!

William


Post Scriptum: aqui está o comentário anterior sobre filmes que vi.


sábado, 3 de junho de 2023

Leitura: A Quinta-Coluna - Ernest Hemingway



Refeição Cultural

Osasco, 03 de junho de 2023. Sábado.


Citações do prefácio

"Todos os dias éramos bombardeados pelos canhões postados à retaguarda de Leganés, nos contrafortes das colinas de Garabitas, e o Hotel Flórida, onde vivíamos e trabalhávamos, foi atingido por mais de trinta e oito projéteis de grande poder explosivo. Por isso mesmo, se não gostarem da peça, posso botar a culpa nesse bombardeio infernal; se a acharem boa, direi que aqueles obuses de certa maneira me inspiraram a escrevê-la."

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"O título da peça tem a ver com a afirmação das forças insurretas de que havia quatro colunas militares avançando na direção de Madri, no outono de 1936, e uma quinta, integrada por simpatizantes, que já se encontrava na capital e atacaria seus defensores pela retaguarda."

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"As forças inimigas que avançavam sobre Madri não tinham o hábito de poupar seus prisioneiros. Da mesma forma, os membros da quinta-coluna que fossem apanhados dentro da cidade nas semanas iniciais da Guerra Civil eram também eliminados sumariamente..."

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Em suma: esta peça se ocupa apenas da contraespionagem em Madri, tem os defeitos de um texto escrito durante os tempos de luta e, se é que tem alguma moral da história, comprova ser impossível para alguém que pertença a determinadas organizações a manutenção de um mínimo de vida particular..."

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INTRODUÇÃO

Não estava em meus planos atuais ler uma obra de Hemingway por estes dias. Já li cinco livros dele. Acho seus textos espetaculares. No entanto, as veredas dos sertões nos levam por vários caminhos, abertos ou a serem abertos com o andar, já que não há caminhos, mas se faz caminhos ao andar...

Visita à finca de Hemingway (Cuba).

Fui a Cuba dias atrás. Experiência que ainda estou digerindo, por isso escrevo meus textos no Refeitório Cultural. Em Havana, no último dia, a última escala de visitas foi a finca onde viveu Ernest Hemingway. Conheci a residência do grande escritor Papa Hemingway... foi emocionante para mim.

Minha esposa me sugeriu assistir ao filme Papa Hemingway in Cuba (2016), desde que soube que eu iria a Cuba e por saber o quanto gosto da obra do escritor. Na internet estava muito ruim de ver o filme, qualidade péssima. Eis que numa madrugada dessa semana ele passou nos canais que assinamos. Foi muito interessante ver o filme gravado em Cuba, na própria finca de Hemingway.

O filme tem como pano de fundo a Cuba pré-revolucionária, retrata o escritor em Cuba entre os anos de 1956 e 1959, quando os jovens liderados por Fidel Castro enfrentam e derrotam a ditadura de Batista, mantida pelos Estados Unidos. O filme é dramático, vemos os últimos anos da vida de Hemingway, com sérios problemas de depressão e alcoolismo. É tocante e o drama de tudo isso nos envolve profundamente.

Foi inevitável olhar na estante e escolher algum volume dele para reler. A Quinta-Coluna (1938) foi uma peça escrita por Hemingway durante a Guerra Civil Espanhola, o escritor e jornalista estava em Madri e viveu os ataques dos fascistas apoiados por Hitler.

Tudo isso me faz pensar em tanta coisa, tanta coisa! Um turbilhão toma conta de minha consciência, do meu ser. Afloram sentimentos que amarguram minha pessoa faz muito tempo, a questão da depressão e alcoolismo em pessoas queridas, a questão do bloqueio genocida imposto pelo império ao povo cubano e muito mais...

A questão do nosso país que amamos e que sofreu em 2016 um golpe de Estado - uma revolução reacionária organizada pela casa-grande, uma quinta-coluna lesa-pátria -, e até hoje sofremos as consequências dessa tragédia porque não vivemos numa democracia, mesmo com Lula eleito presidente somos reféns de ditadores que ocupam o poder real nos legislativos e judiciários, além do 4º poder, a imprensa golpista. Enfim, muita coisa aflora em minha mente...

MINHA LEITURA DO MOMENTO POLÍTICO

Vivemos um contexto de guerra no Brasil e no mundo. As democracias liberais e burguesas estão morrendo mundo afora. O cenário é desalentador em relação ao presente e futuro do planeta Terra e das formas de vida que existem. 

Nenhuma força popular e preservacionista parece poder parar a máquina de destruição do capitalismo. Os papéis da lei capitalista vencem qualquer movimento ou forma de vida que se interponha no caminho do lucro de algum homem do capital.

O capitalismo neoliberal se impôs no mundo e quem estuda minimamente história, política e ciências sabe que não há expectativa de vida sob a hegemonia do capitalismo. Estamos destruindo o planeta e nada vai parar isso a não ser que paremos o capitalismo e os poucos donos do mundo capitalista.

Não é possível salvar "no diálogo" as florestas, os biomas, os povos originários, os mais de 90% de humanos que passam suas vidas sendo explorados e escravizados miseravelmente pela pequena quantidade de homens que seguem destruindo o mundo e as mais diversas formas de vida no único planeta no universo conhecido com as condições de vida que tem na Terra.

Como estamos presos em estratagemas burocráticos organizados para não serem interrompidos, caminharemos para o fim, a não ser que criemos uma força de enfrentamento real aos bilionários e capitalistas do mundo. Eles vão nos eliminar. Essa força teria que impedir essa pequena porcentagem de homens de destruir tudo.

Só vamos proteger os biomas que restam, só vamos salvar uns 70% dos povos do mundo se derrotarmos alguns milhares de famílias capitalistas donas do mundo. E eles têm todas as forças de repressão e violência sob o comando deles. Teríamos (temos) que armar o nosso lado, que é muito maior que o deles.

Não será por processos de paz que vamos salvar o mundo e as pessoas. Não será com manifestações, greves, abaixo-assinados etc, coisas bonitinhas e sensíveis não sensibilizam homens do capital e seus lacaios, quinta-colunas de merda.

Se meu corpo fosse mais jovem, eu buscaria alguma organização para enfrentar esses destruidores da vida de forma real. As "democracias" morreram. Esses regimes comprados com dinheiro e poder da elite que temos no Brasil, nos Estados Unidos, nos países da Europa são qualquer coisa, menos democracia. 

Mandela e o CNA entenderam que nenhum movimento pacífico mudaria a condição desgraçada que os negros sul-africanos viviam sob o regime fascista da minoria branca. E mudaram a estratégia.

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É O OPRESSOR QUE DEFINE A NATUREZA DA LUTA

"A lição que aprendi com a campanha (contra a remoção do povo negro de Sophiatown em 1955) foi que no final nós não tínhamos alternativa alguma senão resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. Um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor quem define a natureza da luta, e ao oprimido frequentemente não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aqueles do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando fogo" (pág. 206. Longa Caminhada até a Liberdade, Nelson Mandela)

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Nenhuma conversa ou boicote impediu Hitler de invadir e tomar todos os países da Europa, um atrás do outro, até que as bombas dos aliados, principalmente do exército vermelho, parassem a megalomania dos nazistas.

É o que penso olhando o mundo.

William


Post Scriptum: li esta peça pela primeira vez em 2017 (ler comentário aqui). Vivia sob fortes emoções. Ainda acreditava um pouco na democracia, mesmo abalado com o impeachment criminoso que Dilma havia sofrido por um bando de canalhas. A revolução reacionária da extrema-direita já estava em andamento no Brasil. Os quinta-colunas daqui já haviam implementado o golpe de Estado. Já haviam imposto a EC 95, fodendo os direitos sociais do povo brasileiro por 20 anos, as reformas da previdência e trabalhista já haviam sido impostas também, a Petrobras vinha sendo entregue aos imperialistas pelos quinta-colunas daqui. Vivemos 7 anos de destruição total do Estado nacional e dos direitos do povo brasileiro e nada deteve os fascistas. Nada... E o voto comprado pelo orçamento secreto e os bilhões ilegais em 2022 fez um Parlamento que não representa o povo e não é democrático. Francamente, não me venham chamar isso no Brasil de democracia. Como vamos salvar nossos biomas e nosso futuro? Com as "leis" criadas por aquela canalha colocada no Congresso em 2022? 


Bibliografia:

HEMINGWAY, Ernest. A Quinta-Coluna. Tradução de Ênio Silveira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.


sábado, 29 de janeiro de 2022

290122 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Sábado, 29 de janeiro de 2022. Manhã quente e chuvosa em Osasco.


"Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro, em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da Terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti." (John Donne. In: HEMINGWAY, 2014, p. 6)


Que tenho para registrar nesse diário virtual, que não deixa de ser um livro de memórias? Registrar coisas é importante. Eu mesmo ao reler postagens antigas me surpreendo com as anotações de eventos, pensamentos e épocas que vivemos. O animal humano evoluiu em relação aos outros animais após expandir suas abstrações mentais para fora de si mesmo, registrando coisas fora de seu corpo mortal e deixando culturas para os que viessem depois de si.

COMENTÁRIO SOBRE A MORTE DO CHARLATÃO OLAVO DE CARVALHO

Ao avaliar o comportamento de parte das pessoas dos movimentos sociais aos quais militei por décadas me dei conta que tive muita sorte de ter tido minha formação política décadas antes dos dias atuais. 

Lideranças políticas do movimento sindical comemoraram de forma pública a morte de uma pessoa... (Isso seria impensável na época em que fui formado politicamente por lideranças políticas de esquerda)

Ao ouvir o filósofo youtuber Henry Bugalho falar a respeito do tema, gostei muito das explicações que ele dá em relação à diferença entre compaixão/empatia e ética. 

Não é ético comemorar a morte de ninguém. Essa é uma questão básica para os seres humanos que pretendem evoluir e alcançar um estágio acima dos instintos animais que todos nós temos. 

Quando entrei para o movimento sindical eu era muito impulsivo, agressivo, cheio de ódio e com altos e baixos nos momentos de tristeza e depressão. Era a favor da pena de morte, por exemplo. Não entendia políticas afirmativas. Tinha preconceito em relação a orientação sexual não heterossexual. Por ter passado em concurso público, talvez caísse facilmente na lábia da "meritocracia".

Ao conhecer a ideologia da esquerda na qual militei precisei de muito estudo e debates e reflexões pessoais para entender que não devemos ser a favor do Estado matar pessoas. O Estado deveria ser o ponto da convivência social que ultrapassa nossos instintos animais. 

Eu posso matar pessoas, e se fizer isso devo arcar com as consequências determinadas pelo Estado. Usam muito o exemplo de um estuprador pego em flagrante delito para justificar matar as pessoas. Olho por olho, dente por dente. Código de Hamurabi.

O Estado não deve matar pessoas. O sistema de justiça não funciona. A justiça não é imparcial, ela é falha, ela julga de forma parcial. Julga de forma política, de acordo com os preconceitos de classe e de acordo com as ideologias vigentes. No caso da pena de morte, ao matar pessoas não há volta. 

Para ver como opera a "justiça" burguesa, basta ver a operação Lava Jato, montada no imperialismo para destruir o Brasil. Eu escrevi contra a tal ficha limpa assim que o PT caiu nessa lábia em 2010. Deu a merda que deu! Ser de esquerda já é ser "ficha suja" para a burguesia, o que inclui as instituições do Estado burguês. 

Moro, o juiz suspeito segundo o STF, além de não estar preso, anda por aí querendo ser candidato a presidente. Dallagnol é dono de apartamentos de luxo. Esses canalhas são "ficha limpa". Até o acusado de operador das rachadinhas, o tal Queiroz, é "ficha limpa". 

Enfim, tenho compreendido um pouco melhor a questão do materialismo histórico. As pessoas que estão por aí, hoje, são fruto deste momento da história e do acúmulo histórico até aqui. Os tempos são de ódio, de intolerância, de pós-verdade, de mentiras em massa. 

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É quase impossível não agirmos como nossos inimigos, os extremistas de direita. Mas temos que resistir, temos que agir com a ética da esquerda.

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Tenho a impressão que se tivesse chegado ao movimento sindical nesse momento eu não teria mudado tanto quanto mudei ao chegar ao movimento e ali aprender política entre os anos oitenta e meados da década que terminou.

Já me alonguei e deixo pra depois outros registros que faria. O mundo dos animais humanos tem um pouquinho mais de chances de ser melhor quando morrem pessoas como esse Olavo de Carvalho, que passou décadas influenciando pessoas a transformarem o mundo num lugar pior para se viver. 

No dia que ouvi o Henry Bugalho falando a respeito de uns conceitos filosóficos sobre a questão da morte do sujeito acima, me lembrei do pensamento que Ernest Hemingway escolheu para abrir seu grande clássico Por quem os sinos dobram. E olha que fiquei impactado com a leitura dessa obra. Violência extrema nas cenas de guerra entre nazifascistas e o pessoal das esquerdas; esquerdas divididas, é bom lembrar.

Não se deve comemorar a dor das pessoas que perdem alguém (por empatia, por compaixão), não se deve comemorar a morte da esposa ou do neto de Lula, nem a de Olavo de Carvalho ou da mãe do Bolsonaro. E isso não quer dizer que eu não ache que o mundo seria melhor sem esses inimigos de classe, esses fascistas, nazistas e extremistas de direita. Mas deveria haver algum tipo de ética até na guerra. Afinal, o que nos faz diferentes dessa gente odiosa como os bolsonários?

Essa é minha opinião, opinião que provavelmente tenho porque convivi com o movimento sindical durante os trinta anos nos quais fui bancário sindicalizado e dirigente. Sem o contato e a convivência com a esquerda organizada provavelmente eu fosse hoje um sujeito conservador ou até de direita como a maioria dos meus familiares e vizinhos. O materialismo histórico explica muita coisa.

William


Bibliografia:

HEMINGWAY, Ernest. Por quem os sinos dobram. Tradução: Luiz Peazê. 13ª edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

2. O velho e o mar - Ernest Hemingway



"Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: 'Estou relendo...' e nunca 'Estou lendo...'. " (CALVINO, 2000. p. 9)


Refeição Cultural - Cem clássicos

"Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Gulf Stream. Havia oitenta e quatro dias que não apanhava nenhum peixe. Nos primeiros quarenta, levara em sua companhia um garoto para auxiliá-lo. Depois disso, os pais do garoto, convencidos de que o velho se tornara salao, isto é, um azarento da pior espécie, puseram o filho para trabalhar noutro barco, que trouxera três bons peixes em apenas uma semana. O garoto ficava triste ao ver o velho regressar todos os dias com a embarcação vazia e ia sempre ajudá-lo a carregar os rolos de linha, ou o gancho e o arpão, ou ainda a vela que estava enrolada à volta do mastro. A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente." (HEMINGWAY, 2001, p. 13)


No texto de Italo Calvino "Por que ler os clássicos" ele começa abordando aquele constrangimento ou vergonha que muitos leitores sentem por não terem lido uma determinada obra que poderia ser considerada clássica ao serem questionados sobre ela por alguém. 

Acho que, no meu caso, a justificativa mais usada para tal questionamento sobre uma obra não lida seria dizer que comecei e não consegui acabar de ler, ou então digo que não a li ainda, se não tiver ao menos começado a leitura. Seria algo como achar que fosse viver mais uns duzentos anos para poder ler o que gostaria de ler, além das sugestões que recebemos de livros para serem lidos. Acho que já iniciei algumas dezenas de livros que não segui até o fim da leitura.

Esse não é o caso para O velho e o mar (1952), do escritor americano Ernest Hemingway. Eu já li o livro cinco vezes, desde a primeira leitura em 2002. O velho Santiago já me fez pensar muito na existência humana, na condição dos homens frente à grandeza e poder da natureza; já me fez pensar muito na capacidade e necessidade de nunca desistir quando tudo parece dar errado em nossas vidas, mas não temos outra coisa que fazer a não ser fazer o que tem que ser feito, porque estamos vivos e somos o que somos.

Ao rever minhas postagens no blog e ao rever escritos velhos, como a lista de objetivos a cumprir ou coisas a conquistar, lista que fiz há pelo menos um quarto de século, consta lá que eu estabeleci a mim mesmo que deveria ler "cem clássicos". Ao escrever isso, eu não tinha a menor noção da abrangência e dos conceitos teóricos envolvidos na definição do que seria considerado um "clássico". 

Quando entrei na Universidade de São Paulo para fazer um curso de Letras comecei a ter algumas noções sobre os clássicos e me parece que não há nada definitivo e lógico que feche o conceito no que seria ou não seria um clássico. Vários autores falam sobre clássicos e os conceitos são bem abertos. 

Vou aproveitar o momento de minha vida e tentar contar em que ponto estou do meu objetivo de ler cem clássicos. Está claro que a contagem e definição serão arbitrárias e serão os meus cem clássicos.

Ontem, comecei citando a leitura do Era dos extremos, de Hobsbawm. A meu ver, pela relevância da obra e do autor na área do conhecimento humano sobre História, considero um livro clássico. Hoje, cito O velho e o mar, de Hemingway. Ambos, autores e livros, me trouxeram reflexões, ensinamentos e exemplos que marcaram meu comportamento enquanto ser humano.

O velho e o mar tem tantos instantes de sabedoria, que o leitor não consegue ficar sem olhar para o horizonte e refletir ao ler aquele pensamento, seja do personagem, seja do narrador. Veja alguns exemplos:

"'Mas', pensou, 'eu as mantenho sempre na mesma profundidade. O que aconteceu é que acabou a minha sorte. Mas, quem sabe? Talvez hoje. Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então, se a sorte me sorrir, estou preparado.'" (p. 35)

Se décadas atrás, eu já achava uma espécie de humilhação sentir cãibra naqueles momentos em que contamos com o vigor de nosso corpo, que dizer agora quando a idade avança e às vezes temos cãibras até quando estamos dormindo? A reflexão do velho Santiago é muito profunda e nos toca a todos:

"'Detesto cãibras', pensou o velho pescador. 'É uma traição do corpo. É humilhante ser atacado de diarreia devido a um envenenamento de ptomaínas ou, pela mesma causa, nos vermos obrigados a vomitar.' Mas uma cãibra, se não era humilhante ante os outros, humilhava-o diante dele mesmo, muito especialmente quando estava sozinho." (p. 65)

Finalizo esta postagem com mais dois momentos muito belos e profundos de O velho e o mar. Aliás, dia desses, assisti ao filme O regresso (2015), no qual DiCaprio ganhou o Oscar, e fiquei muito pensativo sobre o homem frente à natureza. É verdade que a tecnologia atual nos fez capaz de destruir a natureza e estamos acabando com ela para sempre. Um ou dois séculos atrás, a natureza ainda se impunha bastante sobre o animal humano.

"(...) Preciso conservar todas as forças que me restam. Meu Deus, nunca pensei que ele fosse assim tão grande.

     'Mas tenho de matá-lo', murmurou o velho. 'Em toda a sua grandeza e glória. Embora seja injusto. Mas vou mostrar-lhe o que um homem pode fazer e o que é capaz de aguentar. Eu disse ao garoto que era um velho muito estranho. Agora chegou a hora de prová-lo.'" (p. 67)

E fecho com essa:

"(...) 'Quantas pessoas ele irá alimentar? Mas serão merecedoras de um peixe assim? Não, claro que não. Ninguém merece comê-lo, tão grande a sua dignidade e tão belo o seu modo de agir.'

     'Não compreendo estas coisas', pensou ele. 'Mas é bom que não tenhamos de tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Já é ruim o bastante viver no mar e ter de matar os nossos verdadeiros irmãos.'" (p. 77)

Este livro vale muito a pena ler. Recomendo!

William


Post Scriptum: ao ler as duas outras postagens que fiz sobre leituras do livro, vi que elas seguem com alguma validade. A mais antiga, de 2008, porque tive o trabalho de selecionar vários momentos que geram muita reflexão (ler aqui) e a mais recente, de 2016, porque marca uma época pessoal de muita intensidade (ler aqui).


Bibliografia:

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

HEMINGWAY, Ernest. O velho e o mar. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2001.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Leitura: A Quinta-Coluna (1938) - Ernest Hemingway


Hemingway escreveu esta peça estando em Madri
sob bombardeio dos fascistas de Franco.

Refeição Cultural

De pouco em pouco, vou conhecendo as obras do grande escritor americano Ernest Hemingway. Acabei a leitura da única peça de teatro feita por ele, em 1938, no auge da Guerra Civil Espanhola. E ele nos diz em que condições a escreveu: se encontrava no cenário da guerra, a cidade de Madri, que estava sob ataque das forças franquistas.

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"Todos os dias éramos bombardeados pelos canhões postados à retaguarda de Leganés, nos contrafortes das colinas de Garabitas, e o hotel Flórida, onde vivíamos e trabalhávamos, foi atingido por mais de trinta e oito projéteis de grande poder explosivo..." (Prefácio)
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Até o ano passado (2016), eu conhecia duas obras de Hemingway, que acabei relendo antes de começar as leituras de novos trabalhos: O velho e o mar (1952) e O sol também se levanta (1926). Neste ano, já li Adeus às armas (1929) e Por quem os sinos dobram (1940).

As postagens no Blog sobre Hemingway podem ser lidas clicando AQUI.

Muitas pessoas não sabem o que quer dizer "quinta-coluna". Eu conheci o significado quando entrei para o movimento sindical.

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"(...) A história conta que quatro colunas das forças golpistas avançaram sobre Madri e a mantiveram sob ataque. Havia, no entanto, uma força agindo dentro da cidade, transmitindo informações - indicando alvos para os bombardeios -, realizando atos de sabotagem e assassinatos. Era a chamada Quinta-Coluna, termo que passou a designar grupos ou indivíduos que atuam subrepticiamente, num país, ou num partido, a serviço de seus inimigos..." (Apresentação)
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Dias atrás, ouvi a expressão em uma declaração do Senador da República, Roberto Requião (PR), quando ele disse o que pensa do sujeito que preside a nossa Petrobras após o Golpe de Estado que o Brasil sofreu em 2016. O sujeito é um lesa-pátria e está destruindo a capacidade operacional e de investimento da empresa e está vendendo a preço vil nossas reservas de petróleo e o nosso patrimônio nacional. Requião diz que ele ou é um idiota ou um Quinta-Coluna, um infiltrado da CIA para entregar a nossa soberania nacional na área.

A edição que tenho, da Bertrand Brasil, traz dois textos de apresentação. Um de Ênio Silveira, o tradutor, e outro de Luiz Antonio Aguiar. O Prefácio do próprio Hemingway fala sobre o contexto em que ele escreveu a obra.

Guerra é guerra. Eu sempre disse minha opinião a respeito de preferir a valorização da Política em relação à guerra, para a solução das grandes questões das organizações sociais. A direita e os grandes donos do capital atuam para que a política seja enfraquecida e para que o povo seja alienado politicamente, de maneira que seja mais fácil a operação de manipulação das massas através dos aparelhos ideológicos de comunicação e cultura.

Hemingway nos lembra, em seu prefácio, da violência existente no contexto de guerra, de não-política.

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"As forças inimigas que avançavam sobre Madri não tinham o hábito de poupar seus prisioneiros. Da mesma forma, os membros da quinta-coluna que fossem apanhados dentro da cidade nas semanas iniciais da Guerra Civil eram também eliminados sumariamente. Com o correr do tempo, passaram a ser submetidos à Justiça e condenados a trabalhos forçados ou à morte, dependendo da gravidade dos crimes que houvessem cometido contra a República. Nos primeiros dias, entretanto, eram sempre fuzilados. Mereciam isso, pelas regras de luta, e por certo o esperavam." (Hemingway)
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Enfim, tenho me identificado muito com as obras deste grande autor do século 20. A leitura é recomendável para os amantes da literatura universal.

Abraços aos amig@s leitores.

William

sábado, 17 de junho de 2017

Leitura: Por quem os sinos dobram (1940) - Ernest Hemingway


Livros que li de Hemingway e livros
que li do ano passado pra cá.

Refeição Cultural

"Hoje é apenas mais um dia entre todos os que virão. Mas o que vai acontecer em todos os outros dias que ainda virão depende do que você fizer hoje. Foi assim o ano todo. Foi assim tantas vezes. Toda esta guerra é assim..." (Robert Jordan, Por quem os sinos dobram)


"Ele tinha apenas uma coisa a fazer: deveria estar muito consciente de sua tarefa e enfrentar o que quer que acontecesse, sem outras preocupações. Preocupar-se era o mesmo que sentir medo. Simplesmente tornava tudo mais difícil..." (narrador, Por quem os sinos dobram)


Ler Por quem os sinos dobram (1940), de Ernest Hemingway, é um feito pessoal de prazer e autoconhecimento. Tenho um sonho antigo de ler muitas obras clássicas da literatura mundial. O desejo de ler uma lista enorme de livros clássicos é sempre muito maior que a minha capacidade de leitura.

Tenho lido compulsivamente nas poucas horas de folga que tenho de meu trabalho, que é técnico e político e exige muita dedicação e estudos diários. Estar na função eleita de Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil é um desafio extremamente difícil, principalmente para realizar um mandato da maneira como nos formamos na representação de trabalhadores, de forma intensa e integral.

De Hemingway, passei a vida quase que só conhecendo o seu clássico O velho e o mar (1952), que já li 5 vezes. Foi então que decidi conhecer mais obras dele após reler O sol também se levanta (1926) em janeiro deste ano. Em seguida, acabei lendo Adeus às armas (1929) e agora terminei o grosso volume do romance Por quem os sinos dobram (1940).

Não vou parar por aqui, em relação a Hemingway. Vou atrás de mais algumas obras dele para incluir na lista infindável de livros a ler.

O cenário em que a estória se passa é o da Guerra Civil Espanhola (1936-39). Não foi por acaso que estou enveredando por obras que de alguma forma nos fazem refletir sobre o momento por que passa o nosso querido Brasil após o Golpe de Estado em 2016, aplicado por uma camarilha de ladrões e fascistas com apoio internacional de países imperialistas e de grandes corporações. O mundo passa por um contexto político e econômico muito semelhante ao período que marcou a 1ª Guerra Mundial, o crash de 1929 e a 2ª Guerra Mundial.

Ao ler sobre as atrocidades cometidas na Guerra Civil Espanhola, entre os dois lados, e ver o quanto o fato foi marcado pelo ódio e pela influência das diversas questões pungentes à época - comunismo, socialismo, republicanismo, liberalismo, fascismo, nazismo, catolicismo, totalitarismo e outros ismos - vemos o quanto estamos próximos de guerras semelhantes, tanto internas nos países, quanto entre países ou grupos que extrapolam bandeiras e pátrias.

Desde o ano de 2016 tenho lido muito a respeito de contextos históricos que levaram países à guerras e golpes de Estado. Mesmo trabalhando jornadas diárias em 3 períodos durante meu mandato de gestor de saúde, escrevi 181 postagens neste Blog ano passado e já postei 65 textos neste ano.

Enfim, dedicar horas de nossa vida à leitura e estudo das grandes questões humanas é algo central para não sermos meras marionetes de sistemas de manipulação de massas. Estudar e ler textos complexos é base para a formação intelectual e moral dos seres humanos.

As duas citações que coloquei de epígrafe retratam bastante o que penso de meu trabalho militante pela entidade de saúde que me destacaram como tarefa de representação de trabalhadores.

Apesar da abertura da Caixa de Pandora em nosso País, do envenenamento do povo brasileiro com um ódio plantado pelos golpistas, liderados pelos empresários dos meios de comunicação monopolizados, eu me formei acreditando na Política como solução pacífica das controvérsias, e para evitar as guerras e mortes e extermínios dos outros, do diferente, do diverso de mim.

Recomendo muito a leitura desta obra de Hemingway, a Espanha de ontem tem muita semelhança com o Brasil de hoje.

Abraços,

William
Um leitor

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Diário e reflexões - 150617 (Leituras no entre guerras)



(atualizado à 1h27, de 16/6/17)


Um representante de trabalhadores.

Refeição Cultural

Dia de feriado nacional, Corpus Christi. No meu caso, foi um dia para um respiro.

Para abstrair do meu trabalho-militância na representação dos trabalhadores em uma autogestão em saúde (Cassi), busco fazer o que mais amo na vida: ler e buscar novos conhecimentos.

Estou quase terminando a leitura do grosso volume de Hemingway, Por quem os sinos dobram (1940). Faltam umas setenta páginas. Não quis terminar a leitura nas duas ou três oportunidades que tive nos últimos dias.

Hoje, por exemplo, encarei estudos sobre a Guerra Civil Espanhola em excelente livro de Paul Preston, livro que comprei em Madri, em 2009. Avancei alguns capítulos do livro.

I - Una sociedad dividida: España antes de 1930
II - El desafío de la izquierda, 1931-1933
III - Enfrentamiento y conspiración: 1934-1936

Eu fico analisando o cenário brasileiro, desde a eleição presidencial de 2010, quando o PT ganhou sua terceira eleição seguida, com o Presidente Lula fazendo sua sucessora e o grau de acirramento das elites tupiniquins de lá adiante. Acho o cenário muito semelhante com a Espanha dos anos 20 e 30.



Cenário de ódio e intolerância
pré Guerra é parecido ao brasileiro.

Na minha leitura política, o fim do pacto social entre o PT e a burguesia vira-latas brasileira, iniciado com a carta ao povo brasileiro (2002), terminou quando a Presidenta Dilma Rousseff decidiu mexer em um (unzinho) dos gargalos estruturais e econômicos do País - a maior taxa de juros e spread do mundo (a bolsa-rentistas). Dilma fez isso porque o mundo, liderado pela China, tinha diminuído o consumo de commodities e o Brasil teve que pensar em outras formas de manter a economia interna viva.

Enfim, não é sobre isso que estou escrevendo.

Estava falando da comparação de cenários entre a Espanha pré Guerra Civil e o Brasil pré Golpe de Estado em 2016 e as incertezas do amanhã por aqui. A diferença daquela Espanha é que a esquerda e a direita revezaram o poder democrático em 1931/33/36, ganhando cada segmento uma eleição nacional, e isso acirrou deveras o cenário de ódio e vingança para o estopim da guerra.

No Brasil, o PT ganhou as eleições em 2002, depois em 2006, ambas com Lula, e foi implantando mudanças sociais de forma lenta, mas sem rupturas, e com resultados expressivos no campo das conquistas sociais para o povo situado na base da pirâmide social. Ganhou depois a eleição presidencial em 2010, com Dilma (a terceira eleição) e o cenário econômico mundial havia piorado muito, exigindo mais dos governos do PT. Ao ganhar pela 4ª vez seguida, em 2014, foi avisado pela Casa Grande e seus representantes que o governo e suas políticas sociais não continuariam. Dito e feito.

Mais um detalhe: tinha um tal de Pré-sal que prometia, assim como ocorreu na Noruega, uma determinada soberania nacional no setor e um salto nas décadas seguintes nas áreas da Educação e Saúde... As sete irmãs e o Tio Sam não quiseram mais brincar de amiguinhos neutros com o Brasil.

Na Espanha, o cenário de ódio e revanche entre os segmentos sociais antagônicos - republicanos, socialistas, anarquistas e povo trabalhador de um lado, e monarquistas, igreja católica e latifundiários de outro - ocorreu após a vitória da esquerda nas eleições de 1931 e 1936. Com os militares se posicionando do lado das elites seculares, a guerra se instalou.

Enfim, para onde vamos no Brasil? Eu escrevi tanto em minhas horas de folga em 2016 e fiquei meio esgotado de fazer análises e reflexões sobre nossa vida e momento político. Mas sofro com tudo o que vem ocorrendo em nosso querido Brasil e ao povo brasileiro que amo e represento como eleito em um espaço de representação de trabalhadores.


ENQUANTO O BRASIL SEGUE EM CRISE E SENDO DESTRUÍDO PELOS GOLPISTAS, SEGUIMOS LENDO


Presente do dia dos namorados. Demais!!!

Para terminar minha reflexão, compartilho que ganhei um presente maravilhoso de minha companheira: livros, livros, livros. Ganhei 9 livros do fantástico escritor José Saramago. Obrigado Noni pelo presente! 

O duro é encontrar em minha vida o tempo necessário para ler tudo o que desejo. Já entrei na segunda metade de minha existência, que pode durar um minuto como alguns invernos. É por isso que às vezes leio até em pé para não cochilar pelo cansaço acumulado... (não tenho tempo a perder)

É isso! Dei uma pedalada deliciosa hoje no Eixão aqui em Brasília. Que tarde gostosa!

William

domingo, 28 de maio de 2017

Lendo Hemingway e pensando o fascismo e a guerra civil



(atualizado em 28/5/17, às 11h02)

Lendo Hemingway e refletindo sobre o fascismo e guerras civis.

Refeição Cultural


"Morrer era nada, e ele não tinha uma imagem da morte, nem medo dela na mente. Mas viver era um campo de trigo ondulado ao vento numa encosta. Viver era um gavião no céu. Viver era um jarro de cerâmica com água na poeira do debulho do trigo, batido na eira com o mangual, e a palha esvoaçando. Viver era um cavalo entre as pernas e uma carabina sob a coxa, uma colina, um vale, um riacho com os pinheiros ao longe, mais adiante outro vale, e outras colinas além..." (narrador da estória, in: Por quem os sinos dobram, 1940)

"Quantos você acha que matou? Não sei, não tomo nota. Mas consegue calcular? Consigo. Quantos? Não dá para ter certeza. Explodindo trens você acaba matando muitos. Muita gente. Não dá para ter certeza. Então de quantos você tem certeza? Mais de vinte. E desses, quantos eram realmente fascistas? Pelo menos dois eu tenho certeza que eram. Porque tive que fuzilá-los quando os fizemos prisioneiros em Usera. E você não se importou? Não. Nem gostou? Não. Decidi nunca mais fuzilar ninguém. Tenho evitado isso. Tenho evitado matar quem não estiver armado." (Reflexões de Robert Jordan, in: Por quem os sinos dobram, 1940)


Neste sábado, acordei decidido a ler bastante e peguei o grosso volume de quase 700 páginas de Hemingway, Por quem os sinos dobram (1940). Li quase 150 páginas. A estória se passa na Espanha, no cenário da Guerra Civil Espanhola (1936-39). Peguei para ler este clássico por causa da ascensão do fascismo no Brasil e no mundo.

Eu já passei pelo capítulo duríssimo que descreve a execução de pessoas de um dos lados da guerra - os fascistas e apoiadores -, por parte dos republicanos e apoiadores, ao tomarem uma vila. Hoje passei por trechos da guerra onde os republicanos é que se deram mal e foram todos mortos em combate e executados em uma colina, tendo suas cabeças degoladas.

Fiquei pensando sobre a construção do ódio em nosso País, de forma deliberada e planejada por parte dos empresários e grupos políticos de oposição aos governos do Partido dos Trabalhadores. O Brasil se transformou num lugar de ódio e intolerância. Os meios de comunicação dos empresários golpistas envenenaram o povo. Boa parte das famílias e grupos sociais se dividiram estimulados pelo ódio.

Um golpe de Estado ocorreu no País em 2016, planejado e executado por uma camarilha de corruptos de alto escalão - a elite da Casa Grande secular -; corruptos da elite que tomaram de assalto todos os aparelhos do Estado. Com isso, más condições de vida e iniquidade imperam num brazil-colônia sob forte ataque aos direitos dos trabalhadores e a destruição do Brasil.

Por curiosidade, fui ver algumas mensagens nos perfis em redes sociais de familiares com os quais perdi a relação após essa cisânia na vida do povo brasileiro e vi comentários assustadores: eles só fazem reproduzir o que a mídia manipuladora inventa como pauta única, escondendo a corrupção de seus pares no assalto ao Brasil e, por outro lado, construindo pautas ininterruptas contra o segmento da sociedade representado pelos movimentos sociais, populares, de esquerda, e da classe trabalhadora. Tem familiar meu que diz que Lula, Dilma, petistas e sindicalistas deveriam ser exterminados como ratos.

A seguir assim, o cenário que teremos pela frente em nosso País pode descambar para algo parecido com o que ocorreu na Espanha nos anos trinta. E as consequências duraram quase quatro décadas - a ditadura de Franco. E o pior é que se ocorrer algum tipo de matança entre irmãos, os causadores da guerra, esses golpistas liderados pela elite do 1%, acabam pegando voos e se transferindo para outros países para assistirem de camarote a desgraça em nossa pátria, sem risco algum para suas vidas.

Muito triste ver destruição tão grande em nosso Brasil, causada por um bando de canalhas que não aceitaram a vontade popular e as mudanças que vinham distribuindo um pouco mais das riquezas do País para o povo de forma geral.

William
Leitor e cidadão

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Diário e reflexões - 150517 (Fascismo ameaça presente e futuro)





Refeição Cultural

Após passar o dia inteiro nas leituras densas de meu trabalho como Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, senti a necessidade de me desligar por algumas horas e pensar em outra coisa.

Vamos falar de filmes, cultura, política e história.

Assisti neste domingo ao filme do diretor espanhol Carlos Saura "Mamãe faz cem anos" (1979). Domingo foi dia das mães e algo me chamou para esse filme, apesar de não ser nada amoroso o que os familiares planejam para a mamãe que faz cem anos.

Eu estou num clima de leitura e estudos sobre o fascismo e sobre a Guerra Civil Espanhola, que teve como resultado final a ascensão do ditador Francisco Franco, que ficou no poder por quase quatro décadas (até sua morte em 1975).

Os anos vinte e trinta do século passado marcaram ascensões de governos fascistas e totalitários em diversos países. Como leitor de mundo, vejo riscos semelhantes neste momento da história humana.

Estou lendo "Por quem os sinos dobram" (1940) de Ernest Hemingway. A obra retrata a Guerra Civil Espanhola (1936/39), guerra que contou com o apoio dos nazifascistas de um lado, o lado dos conservadores liderados por Franco, e que não contou com o apoio dos governos da Inglaterra, França e outros que estiveram entre os aliados na Primeira Guerra Mundial. Mas pelo menos os Republicanos contaram com o apoio das Brigadas Internacionais.

O filme é muito bom. Eu já assisti a ele três vezes. Carlos Saura, o diretor de cinema engajado politicamente em relação à ditadura franquista, fecha um ciclo de trabalhos com este filme de 1979. As interpretações de Geraldine Chaplin (Ana), Amparo Muñoz (Natalia), Rafaela Aparicio (mamãe) e Fernando Fernán Gómez (Fernando) são marcantes. Todas as personagens retratam os conflitos internos de uma sociedade que ficou parada no tempo e atrasada por gerações devido à ditadura de Franco.

O livro que acompanha a obra traz textos esclarecedores do crítico e professor Cassio Starling Carlos nesta Coleção do Cinema Europeu.

Eu vejo um cenário brasileiro após o Golpe de Estado em 2016 com graves sinais de retrocesso histórico aos direitos e avanços sociais de décadas de lutas do povo e seus diversos segmentos caso não haja uma rápida reação para retomar o País das garras dos golpistas, que se instalaram em todos os aparelhos do Estado nacional, atuando para o 1% que se apropria da coisa pública.

É isso, o filme é muito bom! É só se deixar levar com um olhar atento e perceber o que é uma sociedade antidemocrática marcada por décadas de retrocesso social e conservadorismo em prol de algumas castas, e contra a maioria de seus integrantes, o povo trabalhador.

William

domingo, 14 de maio de 2017

Por quem os sinos dobram (Hemingway) - Frases



Minha edição de "Por quem os sinos dobram".

Refeição Cultural

Estou na leitura desta obra imponente e clássica de Hemingway e da literatura universal. O cenário da estória é a Guerra Civil Espanhola, uma trincheira entre duas visões de mundo que se apresentaram ali: uma sociedade de cunho fascista de um lado e uma sociedade onde a República representava ideais socialistas.

Ao longo de quase trezentas páginas que já li, me peguei refletindo a respeito de várias frases ou pensamentos dos personagens republicanos e partisans. Registro algumas delas aqui.


Lutar para ter um bom lugar para se viver

"Todos os trabalhos que eles, os partisans, executaram, trouxeram perigo adicional e má sorte para as pessoas que os abrigaram e trabalharam com eles. Para quê? Para que, um dia, não houvesse mais perigo e o país se tornasse um bom lugar para se viver. Isto era verdade, não importa o quanto soasse trivial"


A motivação de um partisan

"(...) Lutava nesta guerra porque ela começara num país que ele amava e porque acreditava na República e, se esta fosse destruída, a vida seria insuportável para todas as pessoas que acreditavam nela..."


Hemingway?

"Então, qual era a sua política? 'Não tenho nenhuma, neste momento', disse para si mesmo. 'Mas não conte isso para ninguém', pensou. 'Nunca admita. E o que você fará depois da guerra? Vou ganhar a vida ensinando espanhol como antes, e vou escrever um livro também. Aposto', disse em pensamento. 'Aposto que será fácil.' "


Missão de alto risco exige ausência de vínculos (amor, por exemplo)

"Maria era algo difícil de se combinar ao seu fanatismo. Até o momento ela não tinha afetado sua resolução, mas ele preferiria não morrer. Rejeitaria um final de herói ou de mártir com alegria. Não queria repetir a batalha no desfiladeiro das Termópilas, nem ser um novo Horácio, uma ponte, nem o menino holandês com o dedo no dique. Não. Ele gostaria de passar um tempo com Maria. Era a expressão mais simples da coisa. Queria passar um longo, longo tempo com ela"


Hemingway de novo?

O personagem principal Robert Jordan em pensamento: "O que você vai ser, ou para que servirá quando deixar o serviço da República? Isso é uma enorme dúvida. Mas o meu palpite é que você irá livrar-se de tudo ao escrever sobre isso. Será um bom livro, se conseguir escrevê-lo. Muito melhor do que o outro."


Amor em tempos de guerra (Robert Jordan em pensamentos)

"Quer dizer, eu não sou um romântico adorador da Mulher Espanhola, nem nunca pensei num caso amoroso por aqui como algo mais do que seria em qualquer outro país. Mas quando estou com Maria eu a amo, e me sinto, literalmente, como se fosse morrer e jamais acreditei que isso pudesse acontecer."

"(...) Você ficou desarmado logo que a viu pela primeira vez. E quando ela abriu a boca e falou com você, já havia acontecido, você sabe disso. Agora que já está sentindo isso, mesmo nunca tendo pensado que fosse lhe acontecer, não tem sentido tentar sujar a coisa; você sabe o que é, e reconhece que aconteceu já na primeira vez que olhou para ela trazendo aquela travessa de ferro."

Ele só tem dois dias antes da ação para a qual foi designado: 

"Bem, é isto, é o que tem acontecido, melhor você admitir agora, nunca terá duas noites inteiras com ela. nem uma vida, nem viverão juntos, nem vai ter o que as pessoas normalmente têm, não mesmo. Uma noite que é passado, uma vez numa tarde, uma noite por vir - talvez. Não, senhor."

"Você pede o impossível. O impossível. Se ama essa garota tanto quanto diz, é melhor amá-la seriamente e compensar pela intensidade o que à relação irá faltar em duração e continuidade. Está ouvindo? Nos velhos tempos as pessoas devotavam uma vida inteira a isso. E agora, você encontra, dispõe de duas noites e fica pensando de onde a sorte veio. Duas noites. Duas noites para amar, honrar e respeitar. No melhor e no pior. Na doença e na morte. Não, não era assim. Na doença e na saúde. Até que a morte os separe. Em duas noites. Mais ou menos isso, mais ou menos assim e agora afaste estes pensamentos. Não lhe fazem bem. Não faça nada que não faça bem. Certo, acabou."


Comentário Final


Essas frases são do capítulo treze. A coleção de frases que já me fizeram refletir é grande. Depois registro mais algumas.

E pensar que estamos caminhando para algo imponderável em nosso querido Brasil após o Golpe de Estado. Após o envenenamento do povo brasileiro com ódio e intolerância da pior espécie por parte da pequena elite vira-latas brasileira e por seus meios de comunicação.

As pessoas não têm noção da tragédia que é uma guerra, mais ainda quando é interna e temos o mesmo povo se matando uns aos outros.

É isso!

William